
TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
Regulamento - Monitoria Universitária: LEVE Arte Contemporânea
AOS ALUNOS DAS UNIVERSIDADES E FACULDADES DA REGIÃO DO CARIRI/CE
O Coletivo Camaradas torna público o presente regulamento para conhecimento dos interessados sobre as normas do Processo de Seleção para Monitoria do Laboratório de Estudos, Vivencias e Experimentos em Arte – Contemporânea – LEVE Arte Contemporânea.
1 – OBJETIVO
1.1 – O Laboratório de Estudos, Vivencias e Experimentos em Arte – Contemporânea – LEVE Arte Contemporânea é uma realização do Coletivo Camaradas;
1.2 O Laboratório será realizado no período de janeiro a dezembro de 2012, na cidade do Crato e consistirá de estudos sobre Arte Contemporânea, além de ações vivenciais e experimentais neste campo da arte, com o intuito de aproximar a arte para o cotidiano do grande público, tendo como alvo estudantes do Ensino Médio e Universitários.
1.3 Outro intuito do Laboratório é o incentivo a criação de coletivos artísticos e produção de material pedagógico para os professores de artes;
1.4 O Laboratório realizará exposições, estudos, mostra de vídeos, rodas de conversas e intercâmbios com artistas de outros estados brasileiros.
2 – MONITORIA
2.2 -Poderão candidatar-se às vagas para Monitoria Universitária Voluntária do LEVE Arte Contemporânea alunos/alunas regulamente matriculados nas universidades e faculdades da região do Cariri.
2.3 - Serão ofertadas 20 vagas para monitores/monitoras e será criado um banco de reserva com a mesma quantidade de vagas ofertadas;
2.4 -Os monitores selecionados passarão por processo de formação com carga horária de 20 horas aulas;
2.5 – Os monitores/monitoras terão que ter disponibilidade de oito horas semanais, sendo 04 horas todas as quartas-feiras, das 13h30 às 17h00 e as outras horas deverão ser definidas de acordo com as necessidades das ações do Laboratório, no período de fevereiro a dezembro de 2012.
2.6 – Os monitores/monitoras receberão certificação com carga/horária relativa ao período de participação nas ações do projeto.
ATRIBUIÇÕES DA MONITORIA:
a) Os monitores/monitoras terão como atribuições: Participar dos estudos, das vivencias e da produção de eventos, performances, instalações, intervenções artísticas e documentários.
b) Mediar grupos de discussão com alunos do Ensino Médio.
3 – INSCRIÇÕES
3.1 -As inscrições poderão ser efetuadas no período de 23 a 27 de janeiro de 2012 na sede do Coletivo Camaradas – Rua José Carvalho, 11 Sala A Centro Crato/Ce, no horário das 15h00 às 17h00.
3.2 -No ato da inscrição o candidato/candidata preencherá ficha padrão e justificará a sua intenção em participar do Laboratório.
3.3 Na inscrição deverão ser entregues: Xerox do comprovante de matricula e 01 foto 3x4.
3.3 - O Processo de Seleção ficará a cargo do Coletivo Camaradas e Centro Universitário de Cultura e Arte – CUCA Cariri .
3.4 – Informações adicionais (88)99534186 ou (88) 88260008.
4 – DO RESULTADO
4.1 - O resultado será divulgado no dia 28 janeiro, no blog do Coletivo Camaradas (www.coletivocamaradas.blogspot.com)
4.2 -Os alunos selecionados deverão comparecer para a primeira reunião do Laboratório, no dia 30 de janeiro de 2011, no auditório do Centro Cultural do Araripe – REFSA, às 19h00.
Crato-CE, 15 de janeiro de 2012
Coordenação do Coletivo Camaradas
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Plástica
O centro do Crato está de cara nova, amigos. Submete-se a uma Cirurgia Plástica. O procedimento ainda está em andamento. O início, como em qualquer ato operatório, é sempre aquele desconforto danado : trânsito caótico, logradouros bloqueados, ruas parcialmente fechadas. Tiradas as primeiras gazes e os primeiros esparadrapos, no entanto, o paciente parece risonho e satisfeito. E vejam que ainda faltam alguns Liftings e algumas Lipos.
As praças Siqueira Campos e São Vicente revestiram-se daquele ar provinciano de outrora e trouxeram, novamente, os cratenses para as rodinhas e o doce esporte de arremesso de conversa à distância. Sem a praça, amigos, não existe a fofoca, o noticiário oral e constante da vila, o malandro, o aposentado, o estudante, o menino travesso, o desocupado, o bêbado. E sem esses personagens e as notícias fabricadas pelas línguas no dia a dia, uma cidade não se pode assim considerar, perde a vitalidade : está mais para cartório e para arquivo público.
A meu ver, a mais importante plástica foi feita na Rua João Pessoa, a nossa querida Rua do Commércio. A avenida tinha sido simplesmente tomada de assalto pelos comerciantes. Apossaram-se dos estacionamentos, desfiguraram o casario , plantaram placas enormes e horríveis, invadindo o espaço público e dificultando o tráfego das pessoas. Não bastasse isso , como grileiros, solaparam as calçadas com artigos, carrinhos de carrego , cadeiras e mesas. A reforma , inteligentemente, ampliou as calçadas , plantou banquinhos nas laterais, canteiros e reintegrou a posse dos estacionamentos ao povo, com a criação da Faixa Azul. Não descuidou , ainda, da acessibilidade e refez o calçamento de maneira artística e pragmaticamente duradoura. No final, por incrível que possa parecer, serão as lojas comerciais as primeiras beneficiadas, com um fluxo mais constante e menos desimpedido de fregueses.
Alegra-me quando vejo o Estado cumprir sua função reguladora, pensando primeiramente no bem-estar dos cidadãos. Procedemos de maneira contrária ao crime cometido contra a cidade, anos atrás, no alargamento da Miguel Limaverde, quando se destruiu a rua mais bonita do Crato com o fito único e absurdo de facilitar o trânsito dos carros . Como se o mais importante fossem os veículos e não os cidadãos com sua história.
A praça é o coração de uma cidade e as ruas, amigos, são suas veias e artérias: por elas correm o vívido sangue da vila. Se se reparar bem, as praças e as ruas estão imantadas de vida e poesia. Como dizia João do Rio: “Há suor humano na argamassa dos calçamentos”. O Crato não adquiriu apenas com um novo visual: está com veias e coração novos.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Setaro's Blog: "La passion de Jeanne D'Arc", de Carl Dreyer
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Reencontrar consigo mesmo - Emerson Monteiro
Isto por meio da simplicidade, neste solo cheio em demasia de heróis os mais diversos, pois chega o momento dos momentos quando as portas de saída e de entrada representam apenas o reencontro, nas bases de cada um de nós, seres viventes. As correntes do pensamento, os valores morais e as cólicas das refeições anteriores, juntos, formam essa rede valiosa de buscar, nas mínimas contradições, a essência da pura simplicidade. A gente vasculhou gavetas, despejos, estantes, e nada que representasse a paz que justificaria segurança valiosa diante de inúmeras apreensões.Resta, por isso, o pouso da leveza original nas histórias interiores, na própria criatura de dentro, aquele foco central das existências no coração da pessoa, na alma alimento. Nessas ocasiões, os raios fortes das dúvidas perdem o furor. Pausas longas na dura caminhada sem trégua dissiparam os derradeiros bloqueios de avistar a praia suave do instante particular no simples das mil variações de objetos e significados... As palavras, com isso, deixam escorrer na pele o sentido de pisar os tetos macios do Universo. Fronteiros a nós, olhos arregalados, seres felizes brincam na forma das cores e dos movimentos quais habitantes de reinos da fantasia bem animada. Música que circula os ouvidos e penetra lavando a escuridão antiga, limpando as chaminés das veias e dos nervos. Resposta bem possível rega, enche de alegria espaços antes ocupados pelas dores desvanecidas.
Essa cura através da simplicidade caberá fiel no pátio de todos. Querer deixar acontecer e pronto, dúvidas somem, independente da fria vontade dos céticos. Ação de transformação que aguarda seus convidados nos refolhos da natureza amiga. Os agentes disso, andarilhos deste chão às vezes áspero e nunca desesperado, percorrerão os trilhos e passos dados em lugar dos cinzas dias, na saúde do tempo. Simplicidade que diz tudo o que havia de contar os personagens da inúmera jornada terrena.
Tanto disseram a respeito do assunto que aprendizes impacientes até abandonaram a crença na simplicidade, razão dos desassossegos ambulantes soltos nas ruas, e correrem, fugitivos, aos esconderijos profundos de erros e farsas, motivo das perdições que aparecem nas visagens dos filmes noturnos. Contudo cabe agir com harmonia e explicar aos passantes o valor das chances de amar o que é bom e ser feliz.
Miracapillo de volta
Do UOL, no Recife
Alexandro Auler/JC Imagem
Padre italiano Vito Miracapillo, em foto de 2005, 25 anos após ser expulso do Brasil, em 1980
Trinta e um anos após ser expulso do Brasil sob a alegação de infringir a Lei de Segurança Nacional e o Estatuto do Estrangeiro, o padre italiano Vito Miracapillo, 64, disse que a recusa em celebrar duas missas foi a desculpa encontrada pelos militares para cancelar seu visto permanente no país.
“O problema das missas [alusivas ao dia da Independência do Brasil e ao dia de emancipação da cidade de Ribeirão (PE)] foi somente um pretexto para me expulsar do Brasil. O motivo real foi o trabalho que eu realizava de apoio na pastoral da terra para posse de áreas para os camponeses”, afirmou o religioso, que trabalhou como pároco de Ribeirão (87 km de Recife) entre os anos de 1974 e 1980.
Segundo Miracapillo, donos de terra e políticos da região da Mata Sul de Pernambuco observaram que o seu apoio aos camponeses dava força à luta pela posse de terras. Para o padre, com a sua saída da pastoral da terra, o movimento perderia força.
Miracapillo fez questão de enfatizar que, enquanto atuava no Brasil, nunca pertenceu a partido político ou sindicato e estava à frente da paróquia de Ribeirão sempre trabalhando a favor dos pobres.
“O que me preocupava era a vida do povo e aquilo que precisava transformar para as pessoas terem uma vida digna. Na hora da separação, eu estava chorando. Aquilo foi um problema de grande sofrimento não só para mim, mas para o povo todo que botou o sinal de luto lá na igreja de Ribeirão e em todas as casas. Foi como sentir a morte”, disse.
O padre chegou ao Recife na última terça-feira (3) para revalidar o visto permanente de estrangeiro na Polícia Federal (PF) da capital pernambucana. A previsão é de que até a próxima semana Miracapillo se apresente à PF com os papéis para ter o visto permanente de volta e, assim, poder permanecer o tempo que quiser no Brasil.
Para ele, a revisão do processo e a revalidação do visto permanente no Brasil foram exemplos de que o Brasil mudou com o fim da ditadura e se tornou um país democrático. “É uma grande alegria porque se fez Justiça no dia 16 de novembro de 2011. A revalidação é a prova que a intolerância do poder público acabou com o fim da ditadura, e seu povo vive a liberdade”, disse.
O processo
Em carta ao prefeito da cidade à época, Salomão Correia Brasil (antigo PDS), e aos vereadores da Câmara de Ribeirão, Miracapillo destacou que não havia motivo para celebração de missas de ação de graças numa região onde ainda existiam pessoas que viviam trabalhando como escravos ou semiescravos.
O padre foi denunciado por Salomão Brasil e pelo deputado estadual da época e atual prefeito de João Alfredo (PE), Severino Cavalcanti (PP), ao Ministério da Justiça pelas recusas serem consideradas “um afronto à pátria”. Dias depois os membros do STF (Supremo Tribunal Federal) confirmaram a decisão de expulsar o padre do Brasil, por 11 votos a zero.
O padre comentou que perdoou as pessoas que encabeçaram o processo para expulsá-lo do país e disse não haver problemas em encontrar-se com Cavalcanti, que já foi deputado federal e durante o período em que esteve em Brasília se envolveu em denúncias de corrupção. Em alguns momentos, ele se referiu a Miracapillo como “padre subversivo”.
“Não conservo mágoa de ninguém, porque acho que o problema não era de relacionamento pessoal, mas era uma questão de regime. Para mim não havia nenhum problema em encontrá-lo [Severino Cavalcanti] e apertar a mão também. Porque sou padre, sou pessoa humana”, disse.
Desejo de ficar
Apesar de ter ficado três décadas trabalhando em outra diocese, na Itália, o padre afirmou que quer retomar os trabalhos na Diocese de Palmares, que pertence à paróquia de Ribeirão.
“Meu desejo é voltar e ficar no Brasil trabalhando, continuando aquele trabalho que a gente estava fazendo. É claro que, sendo padre, é o bispo da diocese de onde a gente trabalha é quem tem de autorizar”, disse Miracapillo, destacando que a Diocese de Palmares deve entrar em entendimento com a Diocese da cidade de Canosa, na Itália, para decidir o destino dele.
“O problema de todo bispo é não perder os padres que tem. Sou pároco de uma grande paróquia da minha diocese [na Itália], e quando o pessoal soube desse visto de permanência, todo mundo aplaudiu, mas disseram: ‘E agora? Você vai embora?’ Meu desejo é de voltar o quanto antes”, reforçou o padre italiano, que nasceu na cidade de Andria, sul da Itália, e quando iniciou os estudos religiosos na Escola de Teologia em Verona, na Itália, decidiu que iria realizar sua missão religiosa no Brasil.
Última entrada como turista
Ao desembarcar no aeroporto Internacional Gilberto Freyre, na região metropolitana do Recife (PE), na noite da última terça-feira (3), o padre Miracapillo entrou no Brasil pela última vez com o visto de turista.
Ele afirmou que desta vez, ao pisar em solo brasileiro, sentiu uma emoção maior. “Claro, sabendo dessa coisa [da revalidação do visto permanente no Brasil], a alegria foi mais profunda, porque o povo sofreu na minha expulsão porque não cometi delitos.”
O padre chegou ao Brasil com muitos compromissos. Na quarta-feira (4), foi ao palácio Campo das Princesas agradecer o apoio que recebeu do governo de Pernambuco para que o seu processo fosse revisto. Miracapillo presenteou o governador Eduardo Campos (PSB) com uma imagem de Nossa Senhora de Medjugorge.
No próximo dia 13, o padre vai a Palmares e a Ribeirão participar dos 50 anos da Diocese de Palmares. Segundo o bispo de Palmares, dom Genival Saraiva de França, uma programação especial, com a celebração de uma missa, deverá marcar o Jubileu de Ouro da Diocese e a vitória da Igreja com a revalidação do visto de Miracapillo.
“Quando soubemos que o padre Vito viria ao Brasil resolver os papéis na Polícia Federal, logo demos um jeito de ajustar as comemorações do Jubileu de Ouro da Diocese. A presença dele, agora com o visto permanente, mostra que a Justiça foi feita”, disse dom Genival.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Arrastão
Pois é, amigos, já tínhamos várias expressões para caracterizar as coisas, quando andam fora do prumo : “mais desmantelado que vôo de Anum”, que “queda de helicóptero” , que “rastro de carroça”. A partir dessa semana, acrescentamos mais uma ao nosso dicionário : “mais troncho que Greve de Polícia Militar” ! Já sabíamos de alguns outros desmantelos em movimentos paredistas , como Greve de Coveiros e de Médicos; mas o que aconteceu na última terça-feira foi bem além da nossa imaginação. De repente, talvez impelidos pelas fofocas disseminadas pelos próprios grevistas, estabeleceu-se o pânico: as cidades esvaziaram, o comércio fechou , o povo trancou-se em casa como se esperasse a chegada de um tufão. Junto à boataria generalizada , os espertalhões aproveitaram para pequenos furtos e para alguns crimes mais cabeludos. Até o Governador, insone, na madrugada, assinou rapidamente o aumento dos Policiais, aqueles mesmos que meses atrás tinham sido orientados a sapecar o cassetete na cabeça dos professores que lutavam também por melhores condições de trabalho. A data de três de janeiro será lembrada como o dia em que o Ceará parou.
No Crato, a coisa não foi brincadeira, amigos! Ninguém quis ficar de portas escancaradas. Até o Restaurante Guanabara, de Nenen , mais aberto que coração de mãe , e que há mais de vinte anos nem portas tem , deu um jeito de fechar : parece que botaram barricadas na entrada. Dr. Dedé cria um passarinho chamado “Abre-e-Fecha “, pois desde esse dia, me contou ele, depois do pânico, o bichinho, estressado, só Fecha, não abre mais de jeito nenhum, com medo dos bandidos. A Escola Aprendizes do Samba, do Alto da Penha, depois do sujigamento da terça-feira resolveu, este ano, não mais sair com um Carro Abre-Alas, trocou por um Carro Alegórico Fecha-Alas. Até os pequis maduros, na feira, no dia do pega-prá-capar, não abriam nem com golpes de marreta. E ,segundo as lavadeiras do Coqueiro, nunca na vida tinham visto tanta cueca e calcinha borradas. Foi um dia de juízo ou da falta de. Vejam essa : Nas Casas Populares, a única bodega que não fechou foi a de Pedro Belarmino. O velho fincou pé e disse que não abria nem para o “trem carregado de pólvora e com um doido em cima da carga fumando charuto”. No outro dia, quando as coisas se acalmaram, os vizinhos foram conversar com ele, impressionados com tamanha fortaleza. O velho , então, explicou tudo: tim-tim por tim-tim . Era homem de muita fé e tinha ali, na bodega, guardadinho, um protetor que lhe dava forças para ele nada temer. Acossado pela curiosidade dos vizinhos resolveu mostrar , devotamente, a sua proteção. Dirigiu-se para a porta aberta do estabelecimento e informou com convicção inabalável : --- Meu protetor está aqui atrás : Santo Inácio de Loyola ! Fechou a porta para apresentá-lo aos curiosos vizinhos. Lá, no entanto, só estava o pequeno altarzinho por ele construído, nada do Santo ! Num é que até ele tinha fugido , também, na terça-feira, com medo dos bandidos !
A história mais curiosa , no entanto, ocorreu com um professor da rede pública do Seminário : Florêncio Tupinambá. Estava dando aula, na tarde do dia fatídico, quando estourou a conversa do risco iminente de arrastão. Foram todos liberados e saíram em desabalada carreira para casa. Florêncio, no entanto, tinha uma gambiarra, ali pras bandas das “Cacimbas” e resolveu, pela proximidade, ir para lá. Terminou dormindo com a amante : um pouco por medo, um pouco pelo sabor do fruto proibido. De manhãzinha, ouviu no noticiário de Vicelmo a notícia de que a greve tinha acabado. E agora? Como voltaria para casa? Que explicações dar à mulher que era um misto de Diana Bobitt e Sherlock Holmes ? Criou, então, uma versão fantasiosa e dirigiu-se para casa. Em lá chegando, encontrou a residência cheia de amigos e vizinhos, a mulher e os filhos chorando, todos pensaram no pior. Tupinambá fez cara de vítima e disse que tinha sido assaltado e depois seqüestrado, quando vinha no dia anterior para casa. Em meio à apreensão da família, a versão foi engolida pela mulher sem engulhos. Acalmados os ânimos, Florêncio tomou o café farto que a esposa preparou e resolveu tomar um banho, sob pretexto de que passara a noite preso no matagal e estava um lixo. Na realidade, tentava apagar algum derradeiro vestígio que por acaso tivesse sobrado das presepadas da noite anterior. No quarto escuro, tirou os sapatos e jogou sobre a cama as meias, a calça, a camisa e a cueca. Dirigiu-se pelado ao banheiro. Quando saiu do banho , encontrou a mulher de mão de pilão em punho e , aos gritos, cobriu-o de porrada. Apanhou mais que galinha prá largar o choco. Só já no hospital , em meio à enxurrada de gazes e esparadrapos, descobriu como o plano fabuloso tinha ido de água abaixo. No afã de voltar para casa, pela manhã, ao invés de por a cueca, vestira a calcinha da namorada como peça íntima. Terminou a calcinha cheia de babados e bicos sendo flagrada pela jaracuçu da esposa, em cima da cama, enquanto tomava banho.
No dia seguinte, quando a comissão de professores da sua escola o foi visitar ( ainda penalizada pelo seqüestro) , o encontrou ainda de cara inchada e olhos de guaxinim. Perguntaram os colegas como tinha sido a greve, Florêncio disse que não tinha sorte com movimento paredista: era aquela a segunda vez que apanhava. Quando os colegas quiseram saber quem tinha sido o responsável, dessa vez, por aquela surra homérica, ele desconfiado, apontou para a mulher que preparava, com cara de poucos amigos, o almoço, na cozinha e acusou baixinho, com medo que ela ouvisse :
--- O governador, amigos, o outro governador ali !
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
O poeta Bule-Bule - Emerson Monteiro
Além de cordelista, Bule-Bule exercita seus talentos na qualidade de compositor, dançador de chula, repentista, ator, cantador, folclorista, e lembrar o valor especial do poeta qual figura valiosa no trato de alma dada ao serviço de ações beneméritas, ativo colaborador de obras assistenciais com arte e consciência.
De fama já conhecia Bule-Bule, nos meus tempos baianos, presença definitiva dos terreiros brincantes e espetáculos culturais da Boa Terra. E desta vez ouvi a verve espontânea que lhe caracteriza a inspiração e a correção no jeito dos assuntos, filosofia dotada da plena sabedoria, em experiência e dedicação do gênero que abraça ao talento, heróis do cotidiano original do povo nordestino.
Grata surpresa, portanto, reservara a manhã desse dia, o quarto do ano novo de 2012, ao deparar poeta e gênio autêntico de nossa espécie, dessas pessoas que às vezes imaginávamos existir, antes mesmo de avistá-las no desfiladeiro dos profetas sóbrios da forma, dos versos, cantos e falas.
Bule-Bule virá, no mês de março, ao Cariri, quando cumprirá pauta no Espaço Cultural do Banco do Nordeste, em Juazeiro do Norte, oportunidade rara de testemunhar a feitura especial do que produz, mundo vasto da riqueza intuitiva do Sertão, retrato natural do universo em expressão inextinguível.
São tantos os cordéis desse autor, cujos títulos bem demonstram os temas neles praticados, a saber: Quatro touros endiabrados e um vaqueiro corajoso; Duelo de bruxos, ou o Pombo e o gavião; A tragédia de três amantes; Irmã Dulce da Bahia, Santa mãe de todos nós; O tremendo duelo de Quirino Beiçola com Tomaz Tribuzana; O encontro da aranha com o reumatismo; Peço pra não acabar o Raso da Catarina; Judite, a mulher divina que salvou o marginal; Bimba espalhou capoeira nas praças do mundo inteiro; e Chora o Nordeste com a morte de Rodolfo Cavalcanti; dentre outros, vários e muitos, do Cantador do Sertão, como assim o denominam perante os meios artísticos brasileiros.
Setaro's Blog: A montagem como produtora de sentidos
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
CAOS E BARBÁRIE NO CEARÁ
O OLHO DE VIDRO DE BOLA BANTIM
Projeto No Terreiro dos Brincantes deverá buscar parcerias em 2012
O projeto foi criado em fevereiro de 2010 e consiste na produção de documentários de curta duração com mestres e grupos da cultura popular e na realização de eventos que reúnem o estudos acadêmicos e o saberes populares dos brincantes.
Já foram produzidos quatro documentários e estão sendo finalizados mais quatro. A intenção é que a partir de fevereiro deste ano, esse os oito documentários estejam sendo distribuído nas escolas públicas da região do Cariri.
De acordo com o coordenador do Projeto, o professor Alexandre Lucas será preciso criar condições de continuidade do Projeto e de circulação dos vídeos produzidos. Ele destaca que será iniciada uma série de conversações com as secretarias de educação e de cultura da Região. Lucas enfatiza que os vídeos são uma contribuição à memória do povo brasileiro e que devem ser disponibilizados na internet para que um maior número de pessoas possam ter acesso. “O nosso povo tem que conhecer a nossa diversidade cultural, e a escola e a Internet são caminhos”, finaliza o professor.
domingo, 1 de janeiro de 2012
Atitudes - Emerson Monteiro
Trabalhar propósitos neste início de ano corresponderá ao planejamento do novo período em formas que melhor signifiquem os ideais do bom viver. Saber traçar programas para o exercício da liberdade. Dominar ao máximo os caprichos do destino através dos meios disponíveis. Fixar as metas do sucesso até onde haja as possibilidades, neste chão comum, através dos métodos dados pela humana sabedoria.Contudo as tais postulações exigem providência inevitável desse procedimento. São as atitudes. Sim, atitudes que representam a seriedade como encarar os individuais planejamentos. Elaborar planos sofisticados, mirabolantes, raiando por vezes pretensões além das forças, enfraquece a energia dos seus autores.
Dizer isso e imaginar que planejar estabelece metas e objetivos; condiciona itens de sinceridade consigo próprio, semelhante a prometer, empenhar a palavra, com relação aos propósitos estabelecidos. E a tradição dos tempos indica o peso das promessas. Promessa é dívida, qual sempre afirma a população. Simboliza palavra empenhada, enquanto palavra equivale à expressão de quem dela faz uso. Dívida tanto pessoal quanto coletiva. Homem sem palavra é ser inexistente que habita fora da realidade.
Isso de encher o tempo de conversa pelo ar passa distante das produções necessárias e dos resultados práticos. Atitude vale a vida dos propósitos. Escutar isto no princípio deste novo calendário acordará os brios internos da gente, conquanto atenda às vontades formuladas (quem sabe?) décadas atrás. Desejos fortes ainda no berço que agora vêm à luz, neste começo de história.
Bom praticar o planejamento qual norma de respeito para com a verdade dos propósitos firmados dentro de si, a busca dos valores importantes da personalidade valiosa.
Que os objetivos traduzidos nas promessas deste novo ano encontrem respaldo nas atitudes, daqui em frente, que virão facilitar os passos de todos. No instante quando acontecem tais realizações positivas, as portas abrirão de jeito natural e obter-se-ão os frutos da Paz nos corações.
Setaro's Blog: Bons tempos aqueles dos cinéfilos!
sábado, 31 de dezembro de 2011
Que as previsões dos Maias para 12/12/2012 seja tão somente para as maldades do mundo e que cheguemos a 2013 saudáveis e em Paz. Feliz 2012 para todos nós!
"É a época em que o maior ciclo do calendário maia - 1.872.000 dias ou 5.125,37 anos - acaba e um novo ciclo começa", disse Anthony Aveni, especialista em povo maia e arqueoastrônomo da Universidade Colgate em Hamilton, Nova York.
Os maias registravam o tempo em uma escala que poucas culturas consideraram. Durante o apogeu do império, os maias inventaram a Grande Contagem - um comprido calendário circular que "transplantava as raízes da cultura maia desde a criação do mundo em si", Aveni disse.
Durante o solstício de inverno de 2012, encerra-se a era atual do calendário da Grande Contagem, que começava no que os maias viam como o último período da criação do mundo: 11 de agosto de 3114 a.C. Os maias escreveram essa data, que precedeu sua civilização em milhares de anos, como o Dia Zero, ou 13.0.0.0.0.
Em dezembro de 2012, a longa era termina e o complicado calendário cíclico volta ao Dia Zero, iniciando outro grande ciclo.
"A ideia é que o tempo se renova, que o mundo se renova novamente - muitas vezes após um período de estresse - da mesma forma que renovamos o tempo no dia de Ano Novo ou mesmo na segunda-feira de manhã", disse Aveni, autor de "The End of Time: The Maya Mystery of 2012."
Mito 2 sobre 2012
Continentes em ruptura vão destruir a civilização
Em algumas profecias do fim do mundo em 2012, a Terra se torna uma armadilha mortal ao passar por um "deslocamento de pólos".
A crosta e o manto do planeta irão de repente se deslocar, girando em torno do núcleo externo de ferro líquido da Terra como a casca de uma laranja gira em torno de sua suculenta fruta.
"2012", o filme, imagina um deslocamento polar previsto pelos maias, desencadeado por uma força gravitacional extrema sobre o planeta, graças a um raro ¿alinhamento galáctico" - e por uma radiação solar massiva que desestabiliza o centro da Terra ao aquecê-lo.
A ruptura de oceanos e continentes despeja cidades no mar, arrasta palmeiras para os pólos e gera terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas e outros desastres.
Os cientistas descartam cenários tão drásticos, mas alguns pesquisadores têm especulado que um deslocamento mais sutil poderia ocorrer, por exemplo, se a distribuição de massa sobre ou dentro do planeta mudasse radicalmente, devido a, digamos, o derretimento das calotas polares.
O geólogo da Universidade de Princeton Adam Maloof, que estudou extensivamente os deslocamentos polares, disse que a evidência magnética nas rochas confirma que os continentes passaram por um rearranjo drástico, mas o processo levou milhões de anos - lento o bastante para a humanidade não sentir o movimento.
Mito 3 sobre 2012
Alinhamento galáctico revela perdição
Alguns observadores do céu acreditam que 2012 irá se encerrar com um "alinhamento galáctico", que ocorrerá pela primeira vez em 26.000 anos.
Nesse cenário, o trajeto do sol pelo céu pareceria cruzar o que, da Terra, é visto como o ponto médio da nossa galáxia, a Via Láctea, que em boas condições de observação aparece como uma faixa de neblina no céu noturno.
Alguns temem que esse alinhamento de alguma forma exponha a Terra a poderosas e desconhecidas forças galácticas que irão precipitar o seu fim - talvez através de um "deslocamento polar" ou movimento do supermassivo buraco negro do coração da nossa galáxia.
Outros veem o suposto evento sob uma luz positiva, como o prenúncio do despertar de uma nova era na consciência humana. Morrison, da Nasa, tem uma visão diferente. "Não existe nenhum 'alinhamento galáctico' em 2012", ele disse, "ou pelo menos nada fora do comum."
Ele explicou que um tipo de "alinhamento" ocorre durante todos os solstícios de inverno, quando o sol, visto da Terra, aparece no céu próximo do que parece ser o ponto médio da Via Láctea.
Astrólogos podem se entusiasmar com alinhamentos, Morrison disse. "Mas a realidade é que os alinhamentos não são de interesse para a ciência. Eles não significam nada", ele disse. Eles não modificam a força gravitacional, a radiação solar, as órbitas planetárias, ou qualquer coisa que tenha impacto na vida da Terra.
Mas a especulação sobre alinhamentos não é surpreendente, ele afirma. "Fenômenos astronômicos comuns são imbuídos de um senso de ameaça por pessoas que já acreditam que o mundo vai acabar."
Em relação aos alinhamentos galácticos, David Stuart, especialista em povo maia da Universidade do Texas, escreve em seu blog que "nenhum texto ou arte dos antigos maias faz referência a qualquer coisa do tipo."
Mesmo assim, a data final do atual ciclo da Longa Contagem - o solstício de inverno de 2012 - pode ser evidência da habilidade astronômica dos maias, disse Aveni, o arqueoastrônomo. "Não descarto a probabilidade de que a astronomia desempenhou um papel" na escolha de 2012 como o término do ciclo, ele disse.
Astrônomos maias construíram observatórios e, através da observação dos céus noturnos e usando a matemática, aprenderam a prever com precisão eclipses e outros fenômenos celestiais. Aveni observa que a data de início do atual ciclo foi provavelmente associada a uma passagem do zênite solar, quando o sol cruza diretamente sobre nossas cabeças, e sua data de término cairá no solstício de dezembro, talvez intencionalmente.
Essas escolhas, ele disse, podem indicar que o calendário maia está ligado aos ciclos sazonais de agricultura, centrais para a sobrevivência dos povos antigos.
Mito 4 sobre 2012
O Planeta X está em rota de colisão com a Terra
Alguns dizem que ele está por aí: um misterioso planeta X, também conhecido como Nibiru, em rota de colisão com a Terra - ou pelo menos a caminho de uma passagem de raspão destruidora.
Dizem que uma colisão direta iria destruir a Terra. Mesmo uma passagem de raspão, alguns temem, poderia gerar uma chuva de asteróides de impacto mortal, arremessados em nossa direção pelo turbilhão gravitacional do planeta.
Será que esse planeta desconhecido realmente poderia estar vindo em nossa direção em 2012, mesmo passando de raspão? Bem, não. "Não há objeto nenhum por aí", disse Morrison, o astrobiólogo da Nasa. "Essa provavelmente é a coisa mais clara a se dizer."
As origens dessa teoria na verdade antecedem o amplo interesse em 2012. Popularizado em parte por uma mulher que alega receber mensagens de extraterrestres, o fim do mundo relacionado a Nibiru foi originalmente previsto para 2003.
"Se houvesse um planeta ou uma anã marrom ou qualquer objeto que fosse estar no interior do sistema solar daqui a três anos, os astrônomos o teriam estudado na última década e ele seria visível a olho nu hoje." "Não há nada."
Mito 5 sobre 2012
Tempestades solares irão devastar a Terra
Em alguns cenários de desastre para 2012, nosso próprio sol é o inimigo. Nossa amigável estrela vizinha, segundo rumores, irá produzir erupções letais de labaredas solares, que aumentarão o calor sobre os terráqueos.
A atividade solar cresce e diminui segundo aproximadamente ciclos de 11 anos. Grandes labaredas podem de fato danificar as comunicações e outros sistemas da Terra, mas os cientistas não têm indicações de que o sol, pelo menos no curto prazo, irá lançar tempestades fortes o suficiente para fritar o planeta.
"Ao que parece, o sol não está seguindo a programação mesmo", afirmou Morrison, o astrônomo da Nasa. "Esperamos que esse ciclo provavelmente não seja concluído em 2012, mas um ou dois anos depois."
Mito 6 sobre 2012
Os maias tinham previsões claras para 2012
Se os maias não esperavam o fim do mundo em 2012, o que exatamente eles previram para esse ano? Muitos estudiosos que se aprofundaram na evidência dispersa em monumentos maias dizem que o império não deixou um registro claro prevendo que qualquer coisa específica aconteceria em 2012.
Os maias retrataram de fato um desagradável - embora não datado - cenário do fim do mundo, descrito na página final de um texto de aproximadamente 1100, conhecido como Códice de Dresden. O documento descreve um mundo destruído pela enchente, um cenário imaginado em muitas culturas e provavelmente vivenciado, em uma escala menos apocalíptica, por povos antigos. Aveni, o arqueoastrônomo, disse que o cenário não deve ser interpretado literalmente - mas como uma lição sobre o comportamento humano.
Ele associa os ciclos ao nosso próprio período de Ano Novo, quando a conclusão de uma era é acompanhada por atividades frenéticas e estresse, seguidas de um período de renascimento, quando muitas pessoas fazem uma reflexão e resolvem começar a viver de uma maneira melhor. Na verdade, Aveni diz, os maias não eram muito chegados a previsões.
"Toda a escala de registro do tempo é muito direcionada ao passado, não ao futuro", ele disse. "O que é lido nesses monumentos da Longa Contagem são eventos que ligavam os governantes maias a ancestrais e ao divino."
"Quanto mais você planta suas raízes no passado do tempo profundo, melhor você pode argumentar que é legítimo", Aveni disse. "E acho que é por isso que esses governantes maias usavam o tempo da Longa Contagem". "Não se trata de uma previsão fixa sobre o que vai acontecer."
fonte: National Geographic













