TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

segunda-feira, 14 de abril de 2014

CRATO VERDADEIRO - 250 ANOS DE TRADIÇÃO POPULAR



PROGRAMAÇÃO

15h00min: 1. Cortejo do Judas, acompanhado pelo Grupo de Caretas do Distrito da Bela Vista (Mestre Cirilo), Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Catirinas e Mateus, Boi, Burrinha, Jaraguá e brincantes de reisados locais, atores em personagens regionais. Seguem animados com carro-de-som pelo trecho: Rua Vicente Tavares Bezerra, nº 176, Bairro São Miguel (próximo ao LACEN) – Rua São Francisco – Rua Monsenhor Assis Feitosa – Centro Cultural do Araripe. 

17h:00min: 1. Chegada ao Sítio do Judas, montado no Centro Cultural do Araripe, onde o traidor permanecerá até a hora de seu julgamento e malhação, sob a vigilância dos Caretas; 2. Tradicional roubo do Sítio do Judas: os Caretas vigiam o sítio montado e açoitam com chicotadas os que ousarem roubar. A façanha é sair do sítio sem apanhar (e com o roubo). 

19h:30min: 1. Distribuição e leitura do Testamento do Judas, elaborado em versos (cordel); 2. Malhação do Judas, com show pirotécnico e artistas circenses em perna-de-pau com malabares de fogo. 

20h00min: Forró pé-de-serra. 

22h00min: Encerramento. 


“Cafajestino Estuprador” foi a personagem eleita em 2014, com a justificativa de que o Mundo, o Brasil, o Ceará e o Cariri tem sido cenário de casos de estupro, seja envolvendo pessoas da família das vítimas, bandidos marginais, religiosos ou outras espécies de monstros. É, portanto, um grito de socorro aos céus e de revolta contra a impunidade, bem como à negligência dos poderes constituídos, associado ao resgate, preservação e desenvolvimento da cultura tradicional popular.

A Coordenação

ESPECTROS NÃO DECLARAM QUE ESPREITAM A TORTURA - José do Vale Pinheiro Feitosa

O homem é a única espécie que tortura seu semelhante” – Leneide Duarte-Plon.

Esta frase destila simultaneamente dois sentidos: um paredão que prende e a instigação para o rompimento da inércia. No primeiro sentido nada se pode fazer a respeito da maldade humana. Ela é uma extensão do seu ser assim como o fato de se compor de tronco, cabeça e membros.

E a tortura nos diz dos tempos de hoje e drena sobre o nosso corpo pela força motriz das ditaduras e da violência de classe que, profundamente, se enraizaram na história do país. Especialmente na superfície da nossa pele por força da Ditadura Militar, que criou, sob a tutela de servidores do Estado, de coronéis, generais, brigadeiros e almirantes, a tortura não como extensão humana, mas como extensão do próprio regime.

E a referência deste texto é o cearense Tito de Alencar Lima. O dominicano chamado Frei Tito. E qual o sentido da referência? O rompimento da inércia. Os humanos podem superar suas práticas mesmo que milenares. Eles podem ser diferentes de si mesmo sem perder a sua humanidade.

Ele pode condenar a tortura e jamais deixar-se levar pela prática da tortura. Um dos mais revolucionários movimentos da antiguidade foi o cristianismo. Rompeu a inércia sobre um conjunto imenso de naturezas arraigadas ao ser humano como a situação escravagista do Império Romano e o farisaísmo da elite da igreja judaica de Jerusalém.

E na contagem do tempo não restam dúvidas que a violência instituída no Estado brasileiro era parte da ruptura democrática e da subordinação integral ao império americano frente aos conflitos da guerra fria. Mas dizer isso não é dizer tudo.

Frei Tito foi torturado, alquebrado, milimetricamente fragmentada a sua integralidade de modo que ao final só lhe restou uma corda pendurada numa árvore para sustentar um corpo que desde os porões pervertidos havia perdido o seu ser. Encontrar o galho tensionado pelo peso dos quilos do corpo inerte não completa a narrativa.

Em Frei Tito se encontram as ventosas sugadoras dos torturados e do regime que os sustentava. Não se pode lembrar Frei Tito sem esquecer os generais, brigadeiros e almirantes. Sem esquecer toda aquela hierarquia subalterna que transferiu a cadeia de comando até as mãos de Sérgio Paranhos Fleury, Capitão Benoni Albernaz e tantos outros que cínicos se apegam a razões que apenas justificam a inércia do paredão. O paredão da maldade humana insuperável.



sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Treva e o Arco-íris



Existem momentos na vida onde
 a questão de saber se se pode pensar
diferentemente do que se pensa,e perceber
diferentemente do que se vê,
 é indispensável para continuar
 a olhar ou a refletir.

J. Flávio Vieira
                                                Há dois  sentimentos correlatos que pairam , como uma nuvem  negra, sobre a cabeça dos cratenses. De um lado , o Saudosismo crônico, perceptível, claramente, nas gerações mais antigas. Estas pessoas viveram,  plenamente, aquilo que se considera o apogeu da Vila de Frei Carlos: os três primeiros quartéis do Século XX. Conheceram uma cidade cônscia do seu passado glorioso, com  seus múltiplos pioneirismos : O Araripe, primeiro Jornal do interior do Ceará ( 1854); a nossa centenária Banda de Música; o Cinema Paraíso (1911), o primeiro do interior do Nordeste;  a primeira instituição educacional do interior do Ceará, o Seminário São José ( 1875); D. Bárbara do Crato, a primeira heroína brasileira; o Hospital São Francisco, primeiro de todo Sul Cearense. Saltam ainda aos olhos figuras históricas de porte nacional, nascidas, formadas ou criadas nas margens do nosso Rio Grangeiro :  o pintor Vicente leite; o cineasta e diplomata Hélder Martins;  o Senador Alencar; Tristão Gonçalves; os escritores Ronaldo Correia de Brito, Batista de Lima, Fran Martins; os cineastas Hermano Penna, Rosemberg Cariri, Jéfferson Albuquerque Júnior;  os poetas Zé de Matos, Cego Aderaldo, Geraldo Urano; o semeador de universidades , Martins Filho; o escultor Sérvulo Esmeraldo; místicos como o Padre Cícero e o Beato Zé Lourenço,  isto apenas para citar alguns.

                                                O outro sentimento que se junta ao nosso saudosismo inveterado é, certamente,  o  Pessimismo. Ele advém do destino tomado  por nossa vila, nos últimos trinta anos.  Os amantes do Crato carregam um certo complexo de inferioridade, um certo travo, quando percebem, claramente, que  se comparados, em termo de progresso, com outros municípios próximos , aparentemente ,  temos murchado e não mantivemos o mesmo ritmo de Juazeiro, Barbalha, Brejo Santo.  Atiram-se farpas para tudo quanto é lado, procurando culpados, principalmente na área política, pela suposta hecatombe. E traçam-se estratégias esquisitas , na busca de um remédio para a hemorragia , como copiar o Turismo Religioso do Juazeiro, atraindo os romeiros, construindo estátuas gigantescas que rivalizem com as do Padre Cícero. Ora, as cidades, como as pessoas,  têm sua própria  vocação .  Inclinações não se criam do nada, pela simples vontade, de um ou outro cidadão. Seria como um pai , tendo um filho com tendência natural para o comércio, tentar fazê-lo maestro de orquestra sinfônica.  Seria possível ?  Talvez, mas sem aptidão  inata, jamais se transformaria num Beethoven ou num Chopin.  
                                               A visão do  desfalecimento do Crato é vesga. Observamos apenas com um olhar profundamente capitalista.  Interessa-nos o olhar frio dos livros de Economia. Mesmo que aumentássemos imensamente o nosso PIB, o benefício viria para todos, ou apenas para a pequena parcela de ricos e afortunados ? Sempre tivemos uma vocação Cultural e ecológica por conta da nossa Chapada Nacional do Araripe. O progresso o que nos trouxe ? Só benefícios ? Em nome dele , desmatamos profundamente nossa reservas, poluímos nossos rios, destruímos todo o nosso patrimônio arquitetônico. O povoamento desordenado das encostas tem trazido prejuízos difíceis de se avaliar. Vale o progresso a todo custo ? O aparente desenvolvimento das cidades circunvizinhas( na realidade uma inchação) tem trazido junto seus imensos efeitos colaterais : trânsito caótico,  colapso na infra-estrutura, violência crescente.
                                                O último Índice de Desenvolvimento Humano no Ceará(IDHM) mostrou que perdemos apenas para Fortaleza , ficamos em terceiro no estado, empatados praticamente com Sobral ,que ocupa o segundo lugar.   Este índice mede três indicadores básicos : longevidade, educação e renda. Queiramos ou não, vivemos num éden. Hoje, com as grandes cidades caririenses  praticamente conurbadas ,  havendo um contínuo fluxo entre elas, há necessidade de buscarmos  este progresso a qualquer preço, sob risco de piorar a qualidade de vida dos nossos habitantes ? Por que não alimentarmos nossa vocação natural, centrando nossas atenções na Cultura da nossa terra e na nosso imenso capital  ecológico ?  Talvez o saudosismo e o pessimismo que invadem a alma dos cratenses dependam apenas  do ângulo para onde focamos nosso olhar:  se deste lado há treva, do outro corre um rio cristalino e um arco-íris circunda os céus.

Crato, 11/04/14

segunda-feira, 7 de abril de 2014


BYE BYE, BYRON – José Nilton Mariano Saraiva

Ao contrário do que pensam alguns, Byron Queiroz não infelicitou a vida apenas e tão somente dos funcionários (ativos e aposentados) do BNB. Basta conversar com quem teve o infortúnio de trabalhar sob seu tacão para constatar que por onde passou (tanta na iniciativa privada, como na função pública), sempre se portou de forma autocrática, desagregadora, desrespeitosa, insensível e inescrupulosa, principalmente com os da base da pirâmide. Com os superiores era diferente, porquanto já aquela época se especializara em manipular números, fraudar balanços, trafegar na ilegalidade, em prol da empresa à qual prestava serviços. Tanto é que, quando assumiu o BNB, numa reunião com os graduados da instituição, de forma sarcástica e debochada acusou-os de incompetentes e despreparados, já que conseguira viabilizar empréstimos do Banco para a tal empresa, apresentando balanços fraudados. Essa era a prova, regozijava-se, de que o quadro técnico do BNB era fraco.

Já no exercício da presidência do BNB, não tinha nenhum escrúpulo de “peitar” os auditores independentes, exigindo que o Balanço da instituição fosse estruturado à sua maneira, fugindo léguas das determinações emanadas dos dispositivos dos órgãos competentes (Banco Central, Conselho Federal de Contabilidade, Tribunal de Contas da União e Comissão de Valores Mobiliários). Tanto é verdade que, além dos recorrentes pareceres adversos da Auditoria Independente, o Ministério Público Federal num dos seus relatórios, fulminou: “...partiram de Byron Queiroz todas as diretrizes para a adulteração dos resultados nos registros contábeis do Banco” já que “...determinava quanto e como deveria ser o resultado dos demonstrativos contábeis do BNB e os demais (subalternos) encarregavam-se de operacionalizar as fraudes” (tudo isso foi confirmado por um dos seus Diretores, após briga intestina).

Graças à solidez e consistência das denúncias dos aposentados do BNB (que ele rotulara de despreparados) foi condenado pela Justiça Federal do Ceará em dois processos (14 anos de prisão, em cada um deles), mas, por injunções políticas da cúpula do PSDB (FHC e Tasso Jereissati), acabou inocentado pelo Tribunal Regional Federal, do Recife-PE.

Enfim, não é porque Byron Queiroz morreu que devemos nos compadecer, passar um borracha no passado e esquecer o terror e a tirania que foi sua era no BNB, cujo objetivo maior foi o de causar sofrimento e dor a muita gente. De “DNA” com características eminentemente nazistas, mau-caráter na acepção plena do termo, desonesto até a medula, Byron Queiroz foi uma figura desprezível e desprezada.


Agora, nas profundezas do inferno, Lúcifer terá um sério concorrente para praticar as suas maldades. Bye Bye, Byron.  

domingo, 6 de abril de 2014

CAFAJESTINO ESTUPRADOR É ELEITO JUDAS EM CRATO-CE


14ª FESTA POPULAR DA MALHAÇÃO DO JUDAS
19 DE ABRIL DE 2014 | SÁBADO DE ALELUIA | CENTRO CULTURAL DO ARARIPE (RFFSA)
CRATO-CARIRI-CEARÁ

RESULTADO DA APURAÇÃO
(Em ordem decrescente dos votos obtidos)

Total de votos apurados: 9.984

1º. CAFAJESTINO ESTUPRADOR (Eleito): 3.098 votos (31,02%)
Justificativa: O Mundo, o Brasil, o Ceará e o Cariri têm sido cenário de casos de estupro envolvendo pessoas da família das vítimas, bandidos marginais, religiosos e outras espécies de monstros. Esta opção é um grito de socorro aos céus e de revolta contra a impunidade, bem como à negligência dos poderes constituídos.

2º. CORRUPÇÃO NO CRATO-CE (1º Suplente): 2.789 votos (27,94%) 
Justificativa: A população cratense está atônita diante de tantos escândalos de corrupção que dia a dia vem revelando a lama em que se atolaram importantes setores da política local. Assim, malharemos a corrupção no Brasil e no Mundo através de nosso próprio exemplo. 

3º. ALEX SOEIRO (2º Suplente): 1.385 votos (13,87%)
Justificativa: Monstro homofóbico que matou por espancamento o próprio filho de 8 anos de idade, alegando que o garoto era afeminado e queria corrigi-lo. O crime aconteceu na cidade do Rio de Janeiro em 2014. 

4º. DEPUTADO JAIR BOLSONARO (3º Suplente): 1.291 votos (12,93%)
Justificativa: Político de direita, fascista, homofóbico e defensor do retorno à ditadura militar.

5º. DONA VIOLÊNCIA (4º Suplente): 772 votos (7,74%)
Justificativa: O Brasil tem altíssimos índices de violência urbana (violências praticadas nas ruas, como assaltos, sequestros, extermínios, etc.); violência doméstica (praticadas no próprio lar); violência familiar e violência contra a mulher, que, em geral, é praticada pelo marido, namorado, ex-companheiro, etc... Suas causas são sempre as mesmas: miséria, pobreza, má distribuição de renda, desemprego e desejo de vingança. 

6º. VOTOS EM BRANCO: 494 votos (4,95%)

7º. VOTOS NULOS: 155 votos (1,55%)


Crato-CE, 05 de abril de 2014.

Comissão Eleitoral
Cacá Araújo, Chico Morais, Valdênia Araújo, Wideny Toyota e Evandro Primo

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Anais



J. Flávio Vieira
                                            
   Se havia um crime, em Matozinho, imprescritível e com pena de morte sumária era o tal do adultério. A galha, definitivamente, não se mostrava um adereço dos mais palatáveis naquelas brenhas. É que corno, amigos, por ali, sempre foi cargo vitalício. Impossível se livrar daquelas antenas depois de afixadas no meio da testa. Nem na morte ! Geralmente aquela situação acrescia-se à causa mortis:
                                               --- Morreu do coração ! Pobre do Astrogildo! Dizem que depois daquele molho de chifres, ele amofinou, afinou o pescoço e, ontem, parece que a raiz dos bichos  cutucou as coronárias e ele .... pum !
                                               A mitologia matozense arrolava um sem número de casos de tragédias consumadas por conta dos saltos de cerca.Capações, homicídios, surras homéricas.  Cidade pequena , os segredos tinham muros baixos. Peripécias amorosas desvendavam-se,  facilmente, ao olhar perscrutador de uma infinidade de fofoqueiras . A fofoca, aliás, sempre se mostrou um dos esportes mais tradicionais de Matozinho.
                                               Por incrível que possa parecer, Serrinha do Nicodemos ficava a pouco mais de vinte quilômetros dali. Pois lá, existia uma tolerância fora do comum para os casos de corneamentos.  Havia  um modernismo de costumes incompreensível  para um cafundó do Judas daqueles.  Diziam os matozenses que em Serrinha, como todos eram cornos atuais ou em potencial, ninguém podia falar de ninguém. As cidades circunvizinhas, por outro lado, malhavam o pau :
                                               --- “ Em Serrinha, só não reside entre dois cornos, é quem mora de esquina!”
                                               ---“Se der uma chuva de argolas em Serrinha, meus amigos, não cai nenhuma no chão!”
                                               Havia uma antologia de histórias envolvendo  os cornos mansos de Serrinha. Difícil sempre saber até onde terminava a realidade e onde começava a ficção.  O certo é que os serrinhenses não se exasperavam  com esses comentários. Aceitavam de bom grado as conversas e aprenderam, eles mesmos, a rir delas. Até ajudavam a propalá-las . Claro que , em casa, os forasteiros tinham que manter uma certa conduta. Nada de querer espinafrar demais o pacífico povo de Serrinha. O cão era quieto , mas nada de cutucá-lo com vara curta.  Pois aqui vão três dessas histórias que ouvi  lá mesmo em Serrinha, contada por Pedro “Chifre de Ouro”, um magarefe local. Só conto porque mantenho distância regulamentar.
                                               Serrinha era detentora de um tipo específico de corno: o Corno Azul. Segundo Pedro, a gênesis deste espécie deve-se a   Generino Penalba. Ele trabalhava na SUCAM e precisava viajar frequentemente pela zona rural. Graciosa, a esposa, ficava em casa de melé solto. Há mais de cinco anos,  mantinha um romance firme  com Sitônio, o vigia da rua.  Generino, um dia , soube das marmotas da esposa. Resolveu, então, voltar antes do fim de semana. Entrou em casa pé ante pé e escondeu-se embaixo da cama. Não tardou muito a mulher  sair da cozinha e abrir a porta para o namorado. Deitaram-se na cama e começaram o rala-e-rola.  Generino, embaixo, sentiu-se incomodado, agoniado com aquele funga-funga . Pensou em tomar alguma providência, mas manteve-se firme no posto. Terminado o movimento, Sitônio acendeu um cigarro e conversou com a amante, com ar relaxado de quem já degustara o fruto proibido:
                                               --- Meu bem ! Você gostou ? Eu estava pensando aqui comigo. Seu marido é um sujeito muito legal, muito compreensivo. Eu estou até pensando em dar um presente para ele. Vou comprar uma camisa. Você entrega como fosse uma lembrança sua. Qual será a cor de camisa que ele gosta, hein ?
                                               Antes que Graciosa adiantasse a preferência do marido, ouviu-se uma voz roufenha, vindo debaixo da cama, como se fosse alma penada:
                                               --- Azullllll  !
                                               Zé Pom-pom trabalhava como jardineiro na casa do prefeito de Serrinha.  Passava o dia na cidade e retornava à tardezinha para um sítio,  próximo à vila, onde morava. Um dia  alguém lhe  sussurrou: estava sendo traído. Quando saía  de casa  , um sujeito entrava e ficava namorando com a esposa até o finzinho da tarde. Pom-Pom ficou bravo, zuadou, ameaçou peixeira. Eles vão ver ! De manhãzinha, saiu para o trabalho e se escondeu, atrás de uma mangueira.  Era outubro, um calor de derreter tacho de fornalha. Lá para o meio dia, Zé viu o negrão entrando de casa adentro e fechando a porta. Acercou-se  para se certificar do fragrante. Ouviu uns uis e uns ais abafados e não teve dúvida. Correu, subiu no poste de energia elétrica  da casa e cortou os fios . Sorridente, olhou para uma pequena platéia que esperava , ansiosamente, o sangue escorrendo pelo chão e cantou a vingança:
                                               --- Taí, bando de filho de uma égua ! Trepem agora ! Quero ver é os pentelhos se incendiar ! Como esse calor vocês vão é morrer tudo tostado !
                                               Desde aquele dia, perdeu o Pom-Pom e  passou a ser conhecido como Zé do Poste.
                                               A última de Serrinha aconteceu na semana passada. Josa é um trabalhador rural , morador de um coronel  da região.  Saiu com uma lata nas costas para pegar água numa cacimba  mais ou menos distante. Precisava abastecer os potes de casa e as latas da cozinha. Na volta, já próximo de casa, ouviu um reboliço no mato e uns gemidos. Aproximou-se, com a lata cheia  no ombro , afastou um pouco o mato e tomou um susto. No chão estava sua mulher pelada, no maior escandelo com um vizinho, também nas mesmas condições .  Deu um supapo  danado e ameaçou:
                                               --- Bando de sem vergonhas ! Ói a putaria ! Eu só não jogo essa lata d´água no lombo de vocês,  porque tão com esses corpos quentes e é capaz de vocês estoporarem ! Joviu ?
                                               Esta foi uma das vinganças mais terríveis já acontecidas nos anais de Serrinha dos Nicodemos !

Crato, 03/04/14
                                              

terça-feira, 1 de abril de 2014

Mudança de "cenário" - José Nilton Mariano Saraiva

Pois é, só mudou o cenário. Depois de Juazeiro do Norte, São Paulo e Fortaleza, agora o problema se deu no Mato Grosso: o comandante de um avião da Avianca acionou, nesse domingo passado, a torre de controle do aeroporto, para pedir ajuda terrestre ante a possibilidade de ter que fazer um “pouco complicado”. 

O problema foi o mesmo verificado nas vezes anteriores: travamento do trem de pouso dianteiro da aeronave, numa recorrência que, quer queira ou não a companhia aérea admitir, aponta para falha grave na manutenção das aeronaves. 

A pergunta é: será que estão esperando um acidente de proporções fatais para cuidar melhor da segurança de passageiros e tripulantes ???

sábado, 29 de março de 2014

A "Avianca", de novo - José Nilton Mariano Saraiva

Em São Paulo, ontem, uma aeronave da Avianca fez um “pouso de barriga”, e a transcrição da conversa do piloto com a torre de controle, exibida no Jornal Nacional, nos mostra que o problema foi mecânico – travamento do trem de pouso dianteiro. Evidentemente, todos correram perigo, sim senhor. Tanto é que além de despejar o combustível fora, a fim de evitar um possível incêndio de proporções inimagináveis no decorrer do pouso forçado, o comandante também pediu que os bombeiros ficassem de prontidão.

Aqui em Fortaleza, também ontem, a torre do aeroporto internacional Pinto Martins foi acionada por um outro piloto da Avianca a fim de preparar o pessoal em terra para um possível pouso de emergência (que findou não acontecendo).

São recorrentes tais situações com os aviões da empresa Avianca (possivelmente em razão de falhas na manutenção), tanto é que permitimo-nos transcrever uma nossa postagem de 30.12.11, relatando um “pouso complicado” (éramos um dos passageiros), da mesma Avianca, em Juazeiro do Norte. E já alertávamos, naquela oportunidade, que no nosso entendimento o problema fora o trem de pouso dianteiro. Vejam abaixo:

Pouso complicado - José Nilton Mariano Saraiva (3012.11)


Estamos no Crato a fim de curtir as "passagem/chegada" de ano. Como só decidimos vir aos 45 do segundo tempo, evidentemente que não mais encontramos passagem na privatizada e sofrível empresa "Guanabara", daí a opção obrigatória pela empresa aérea Avianca.

Já na saída, quando a aeronave era empurrada pra trás por um daqueles carrinhos que se prestam para esse tipo de serviço, notamos um barulho estranho na parte inferior do avião, como se alguma coisa estivesse emperrando as rodas. Já no ar, no momento do recolhimento do conjunto do trem de pouso/decolagem, novamente o barulho estranho. 

Com decolagem às 08:55 hs e previsão de pouso às 09:45 hs, o voo foi uma tranquilidade e de uma pontualidade britânica. 

Anunciado o pouso, todos se postaram como recomendam os manuais, com relação à posição do poltrona, uso do cinto de segurança, aparelhos eletronicos e por aí vai. E aí pintou o imprevisto, aquilo que nenhum passageiro de avião quer que aconteça, porquanto apavorante; na hora em que as rodas traseiras tocaram o solo, provocando o atrito com o asfalto, decorreram alguns milésimos de segundos e o avião arremeteu, com força, e paulatinamente ganhou altura (isso depois da aenonave ter tocado o solo).
O silêncio foi sepulcral, e nas faces dos passageiros imediatamente instaurou-se um misto de surpresa e horror; e haja gente rezando, outros com cara de choro, outros com os olhos fechados como se estivessem pressentindo algo desagradável.

Depois de dois ou três angustiantes minutos sem nenhuma comunicação, eis que ressoa a voz do comandante pedindo desculpas, que houvera tido um pequeno problema, mas que dentro de dois minutos a aeronave faria o pouso. 

Quando finalmente a terra firme se fez presente, o alívio foi generalizado e todos se perguntavam entre si o que teria havido. Como ninguém indagou nada a tripulação (falta de coragem, medo de permanecer mais uns segundo ali dentro ???) na passagem ousamos encará-los, e aí, indagamos: "O que houve no pouso, causando o arremate; algum problema mais sério ???" (lembram do barulho estranho ao qual nos referimos, quando da saída de Fortaleza ??? Será que o avião da Avianca voou com problemas, só pra cumprir horário ???).

O "sorriso amarelo" dos mesmos denunciava que sim, tanto que a resposta foi aquela que também deve constar dos manuais: problemas com o vento e por questão de segurança preferimos arremeter.
A pergunta é: aqui, na Região do Cariri, nessa época do ano as correntes de vento são tão fortes assim, capazes de impedir o pouso de uma aeronave que pesa toneladas ??? Ou teria havido alguma mancada, algum erro de avaliação dos pilotos ??? Ou será que o trem de pouso dianteiro emperrou na hora do pouso ??? (particularmente entendemos que sim). E o "estado de espírito" dos passageiros que se dirigiam a São Paulo, e que tiveram que ficar na aeronave, como ficou ??? A Avianca emitirá algum "comunicado" relatando para o público a ocorrência ???

De nossa parte, estamos a cumprir a nossa cidadania, colocando publicamente o terror experimentado por todos os passageiros do voo 6377, da Avianca, no percurso Fortaleza-Juazeiro, no dia 30.12.2011.

Estamos tentando manter contato com a TV Verdes Mares e Jornal O POVO a fim de que cobranças sejam feitas à empresa. Se alguém puder noa ajudar, fornecendo e-mail ou telefone, agradecemos desde já.




sexta-feira, 28 de março de 2014

Chumbo grosso




            Querer-se livre é também querer livres os outros.

                                               No finalzinho deste mês de março, há um aniversário que não tem convidados e nem merece comemoração.  Meio século do início da Ditadura Militar no Brasil ! Faço parte de uma geração profundamente marcada pelo peso daqueles tempos de chumbo. Estudantes e Sindicalistas caçados  nas cidades e nos campos, como se fossem animais selvagens. Tortura instalada, oficialmente, como instrumento de coerção e obtenção de informações. Congresso fechado, eleições suspensas. Só existia uma verdade única e indiscutível : aquela cuspida pelos coturnos dos governantes. A censura se infiltrou em todas as formas de Arte e em todos os meios de comunicação.  Dedos-duros espalharam-se por todos os recantos : escolas, universidades, trabalhos, ruas e qualquer atitude considerada suspeita era motivo para denúncia,  prisão e tortura. Mofava-se no cárcere sem sequer saber de que se era acusado.  Como se costumava dizer na época , a partir de duas pessoas juntas,  consideravam Concentração e se sobrepassasse  três : Passeata.  Este período de choro e ranger de dentes durou a eternidade de vinte e um anos. Mais de dois mil brasileiros, simplesmente, morreram ou desapareceram como por  encanto. Milhares foram detidos e torturados.
                                   As novas gerações que, felizmente, não tiveram que sobreviver entre as sombras, não têm uma idéia cristalina dos tempos libertários que ora desfrutamos. Tudo parece simples, natural, perfeitamente corriqueiro. Colhemos os frutos da árvore da liberdade , sem nem perguntar quem plantou a semente, quem combateu as pragas  e quem  regou a plantinha.  Sua seiva nutriu-se do sangue que escorria dos paus-de-arara e dos gritos sufocados nos porões dos DOI-CODI. Tive amigos mortos e muitos presos  neste período , lutavam por um mundo melhor para seus filhos e descendentes.
                                   Para nosso espanto, recentemente, alguns saudosistas destes tempos que ainda  tentamos esquecer, tentaram reviver a famosa “Marcha pela Família, com Deus e pela Liberdade” , acontecida em 19 de Março de 1964. Esta Marcha criou o clima propício para o Golpe Militar que , desfazendo completamente seu lema : destruiu famílias, ceifou a liberdade e se afastou de Deus. Quatro gatos pingados, agora, em vários pontos do país ( no Ibirapuera reuniram-se apenas seis pessoas e em Recife, sete) mostraram-se órfãos daqueles tempos de exceção. Estamos em pleno exercício de uma ampla Democracia e, isto, certamente, deixa com pruridos em alguns poucos que se beneficiaram das sombras e do chumbo. Acostumados às regiões abissais , o brilho do sol lhes cega e entontece. São pessoas que , dia a dia, se põem contra uma pretensa ditadura cubana e venezuelana, mas que sonham ,quase orgasticamente,  com o retorno do reino da chibata e do pau-de-arara para o país.
                                   O Brasil , nestes trinta anos de Redemocratização,  desenvolveu-se como nunca na sua história. Temos um país forte no cenário internacional, mantemo-nos estáveis economicamente, mesmo ante toda a crise do Capitalismo Mundial e minoramos chagas históricas como Baixo Salário, Distribuição de Renda, Desemprego, Casa Própria, Analfabetismo, Desnutrição e Mortalidade Infantis. Os desafios, claro, ainda são enormes, numa Nação sugada por quase quatro séculos de Colonialismo. O caminho, porém, difícil e tortuoso, já temos traçado e ele é todo pavimentado com os ladrilhos da Liberdade e da Democracia.

Crato, 28/03/14