TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A DITADURA DO JUDICIÁRIO = José Nílton Mariano Saraiva


Pernósticos, arrogantes, sarcásticos e aureolados (por conta própria) de um certo grau de superioridade sobre os mortais comuns, os preguiçosos e prolixos ministros que integram o Supremo Tribunal Federal conseguiram o que seria impossível num país sério: que a sociedade em peso alcunhasse o Poder Judiciário (brasileiro) como o mais corrupto dos poderes (e, convenhamos, não é pouca coisa, se levarmos em conta que temos um Legislativo repleto de ladrões e um Executivo dominado por uma quadrilha de marginais, denunciados ao próprio STF).

E a figura emblemática e fiel de tal perversão é o truculento juiz mato-grossense Gilmar Mendes, hoje o homem mais poderoso da nação (a ponto de servir como conselheiro informal do gangster sem povo e sem voto, Michel Temer, que “está” Presidente da República, via golpe). Tivéssemos uma imprensa expedita, imparcial e atuante, a pergunta que meio mundo e a outra banda gostaria que fosse feita, desde lá atrás, seria: afinal, “QUANTO” ou “O QUÊ” o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, recebe por cada um dos habeas corpus, que concede vapt-vupt, beneficiando bandidos de alto coturno ??? (lembremo-nos que aqui no Ceará, nos plantões de final de semana, os senhores Desembargadores recebiam R$ 150.000,00 por cada HC concedido).

Afinal, e é só examinar a lista de “clientes” de Sua Excelência pra se constatar que é composta só de marginais de alta periculosidade, mas de bolsos recheados de dólares, euros e outros “abre cofres” (Daniel Dantas, o “médico-tarado”, o chefe do jogo de bicho e por aí vai). E seria pouco inteligente imaginarmos que Sua Excelência se disponha a passar pelo corrosivo desgaste que há tempos enfrenta apenas e tão somente pra se afirmar como um juiz independente e corajoso. Aí tem propina e propina alta.

No mais, e até porque o temem (e “tremem” de medo de enfrentá-lo, por alguma razão), as demais “Excelências” que compõem o Supremo Tribunal Federal não diferem muito do Gilmar Mendes: todos se julgam acima dos mortais comuns. Todos são sarcásticos e pernósticos. Espécie de semideuses ou “deuses depravados”, aos quais são permitidos abusos de toda ordem.

Ainda agora, argui-se a suspeição de Gilmar Mendes para julgar determinados processos, porquanto seria como legislar em causa própria, tal o grau de intimidade que guarda para com os acusados. Para tanto, no entanto (sem trocadilho) constitucionalmente caberia as “Excelências” do STF tomarem tal iniciativa, pondo-lhe freios. Mas, se são iguais, como esperar que o façam ???

Estamos, pois, queiram ou não admitir alguns, sob o tacão da ditadura judicial. 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A hoje "VELHA SENHORA" - José Nílton Mariano Saraiva

Aliando discrição, simplicidade e até traços de uma certa nobreza (por mais que paradoxal), ao vir ao mundo ela já conseguira o que parecia impensável: a unanimidade, sobre sua beleza e suas formas perfeitas, suas graciosas curvas e até sua postura um tanto quanto aristocrática (para os padrões então vigentes), responsáveis por sua caracterização como uma “gracinha”, autêntica “jóia”, detentora de um charme indescritível, um verdadeiro presente dos deuses.

Embevecidos e orgulhosos, os cratenses sentíamos imensa satisfação em mostrá-la aos que aqui aportavam, em visitá-la periodicamente ou, simplesmente, em transitar à sua frente ou arredores, admirando-a e inflando o nosso ego com o que as pessoas dela comentavam; e, se distantes nos encontrávamos do torrão natal por algum motivo, não cansávamos de citá-la em conversas informais, ou mesmo recomendá-la aos que pretendiam visitar a cidade do Crato.

E assim sua fama cresceu, atravessou fronteira, espraiou-se rincões afora. O astral era tamanho e a curiosidade tanta, que todos nutriam o desejo interior de algum dia conhecê-la, mesmo que por um fugidio e único momento, para simplesmente comprovar tudo o que dela diziam. E vindo, e vendo-a, saiam satisfeitos, radiantes, solidários, a difundi-la mais a mais por outras plagas. Era, realmente, de uma beleza ímpar, diferente... avançada para os padrões da época.

Com o passar do tempo, entretanto, dada à inexorabilidade do ciclo normal da natureza, naturalmente a jovem cresceu, adolesceu, virou adulta, transmutou-se e viu processar-se o arrefecimento de ânimo, o rareamento das manifestações de simpatia; a chegada da rotina, enfim, acabou com o seu encanto e tornou-a “normal”.

Além do que, por falta de carinho, cuidados e incentivos, seu aspecto físico compreensivelmente decaiu a olhos vistos, enquanto outras beldades, turbinadas por energéticos e vitaminas, que a ela passaram a ser negadas, apareceram ao longo do caminho, tomando-lhe o lugar e adeptos, deixando-a no ostracismo e na saudade.

Os que dela deveriam zelar e cuidar, simplesmente a abandonaram criminosamente, deixando-a por muito tempo ao relento, exposta ao sol, chuvas e trovoadas, enquanto seu “habitat natural” foi indiscriminadamente invadido e ocupado por companhias nada recomendáveis, sufocando-a sem dó nem piedade.

Hoje, sua imagem é de dar pena e dó e dela até nos envergonhamos: superada, decadente, isolada, decrépita, acanhada, sitiada, evitada pelos antigos admiradores e também pelas novas gerações, abandonada pelo poder público que tinha obrigação de cuidá-la, ela é o retrato preciso, emblemático e pujante daquilo em que transformaram o Crato ao longo desses últimos 40 anos: uma cidade cidade-fantasma, cidade-dormitório, sem perspectivas, sem futuro, sem nada, e a reboque de migalhas governamentais.

Quem te viu e quem te vê, RODOVIÁRIA DO CRATO !!!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A "ODISSÉIA" DOS "ESMERALDO" - José Nilton Mariano Saraiva


Imagine um jovem casal, que houvera contraído matrimônio três dias antes, de repente “se mandar” do Crato, a bordo de um “fuscão-branco” apinhado de pertences, rumo ao desconhecido, mas de encontro ao primeiro emprego do jovem engenheiro recém-formado.

Para tanto, tiveram que trafegar dias e dias (varando terras inóspitas do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará), na maior parte do tempo por estradas de barro ou piçarra, sujeitos a atoleiros ou derrapagens imprevisíveis, já que à época “asfalto” era um sonho distante.

E que, em chegando ao destino pretendido (nos rincões do Estado do Pará, estrada Tomé-Açu/Paragominas), instalaram-se à beira da “selva amazônica” (vilarejo Quatro Bocas do Breu), numa rústica “casinha branca” de madeira, longe de tudo e de todos, tendo como fiel companheiro apenas um rádio de pilha para se conectar com a civilização.

Para a jovem esposa, então, que nunca houvera saído do conforto da casa dos pais, uma verdadeira “provação” (mas que alicerçada na fé), porquanto ficava o dia sozinha, enquanto o marido labutava na construção da estrada, longe dali, com retorno apenas ao anoitecer (anoitecer, aliás, que era desvirginado apenas e tão somente pela luz do candeeiro, já que energia elétrica à noite, ali e à época, nem em sonhos).

Posteriormente, devido às fortes chuvas da região, que inviabilizariam o andamento da obra em execução por meses e meses, o jovem casal teve que embrenhar-se ainda mais Brasil adentro, e agora sim, cruzando a portentosa selva amazônica rumo ao planalto central do país (estado de Goiás). Loucura, coragem ou muita fé em Deus ???

Fato é que o “previsível” aconteceu: dividindo aquele “projeto de estrada” com possantes carretas, mas que mal rodavam devido às precárias condições da malha, eis que o “fuscão-branco” atolou de vez, obstruindo a passagem de todos. Como resultado e única alternativa viável, uma inusitada decisão: o tal “fuscão” foi suspenso, no braço, por dezenas de caminhoneiros (com o casal dentro), e colocado de volta à estrada mais à frente, onde prosseguiram viagem rumo à recém-inaugurada capital do Brasil, Brasília.

Estes, apenas dois “suculentos” detalhes da verdadeira “odisséia” vivida por aquele jovem casal cratense que, após penar muito em pleno início da vida matrimonial, mas com uma confiança inabalável no seu “Deus”, conseguiram ao final voltar ao amado torrão natal, o Crato.

No mais, nas 303 páginas do livro “A PRAÇA DOS NOSSOS SONHOS” (Memórias), o hoje maduro casal, conterrâneos Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali Figueiredo Esmeraldo, firmam um pungente e inigualável tratado de amor incondicional ao Crato, em suas mais variadas facetas: à praça dos sonhos (da Sé); a praça Siqueira Campos (onde começaram a namorar); a praça de São Vicente; os colégios onde estudaram; a feira semanal do Crato; as casas onde moraram; os amigos; professores e por aí vai. Evidentemente, à família foi reservado destaque especial, com menções a irmãos, primos e, principalmente, aos respectivos pais/mães.

Uma confidência: de tão agradável o livro, o “deglutimos” (lemos) em “duas sentadas”. Resta, então, agradecer a Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali Figueiredo Esmeraldo, cratenses dignos do orgulho de todos nós, pela brilhante obra produzida.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

UM ABRAÇO NO GONZAGA - Dr. Demóstenes Ribeiro (*)


Seu Luiz, a coisa não foi boa no seu centenário. A acauã danou-se a cantar, em dezembro não fez barra, nem choveu no mês de São José. Teve seca, os animais morreram, muita gente se desesperou e foi embora. Marcolino vendeu os bois e abandonou Cacimba Nova, carregando a sua dor. Essa é uma história conhecida, mas que poderia ser pior. Hoje, bem ou mal, o povo escapa. O risco é viciar o cidadão.

O sertão mudou muito. O campo se esvaziou e as favelas cresceram. Quase não existe vaqueiro, é moto pra todo o lado e o jumento caminha pra extinção. O coitado foi esquecido e desprezado. Se não é atropelado nas estradas, é exportado e vira bife na China. Nem parece que é nosso irmão.

Xanduzinha e o cabra da peste estão cada vez mais raros. E tem um pessoal esquisito, no Ceará não tinha disso não e a gente até se atrapalha. Uma parte da mocidade, longe dos livros e da utopia, foi entorpecida pelas drogas. Perdeu o grito de guerra e a vontade de mudar o mundo. Muito assalto e violência, dinamite e metralhadora, é um retorno feroz do cangaço.

Mas, como você sabe, a vida aqui só é ruim, quando não chove no chão. Quando eu fecho os olhos e começo a sonhar que acordo com a passarada, o bom tempo está de volta. Pássaro carão cantou, anum chorou também, o pessoal preparando o roçado e plantando milho. Em junho, com ele maduro, vinte espigas em cada pé, dá pro São João e pro São Pedro, a festa do maior brilho. Uma fogueira queimando, olha pro céu meu amor e vê como ele está lindo!

Vem a safra, pisa o milho e peneira o xerém. Quem no tempo de menino nas fazendas do sertão não gostava de espiar as caboclas no pilão? O riacho de água fresca, a estrada e a lua branca, o orvalho beijando a flor... Vez por outra me recordo de Rosinha, a linda flor do meu sertão pernambucano. É um passado que não passa, faz doer e amarga que nem jiló.

Mas o algodão se acabou e o perigo é o dinheiro que a gente toma emprestado. A vaquinha chocalha que é do banco e o banco é das ratazanas e dos urubus de sempre. E ano que vem tem eleição: Sérgio Cabral, Angorá, Michel Temer, petrolão... Gabiru pra todo o lado, só Deus pra nos proteger, difícil a situação.

Gonzaga, véio macho, Sá Marica parteira vem tendo muito trabalho. É criança que não acaba mais. As meninas enjoaram da boneca e apareceu o azulzinho. É melhor do que ovo de codorna, só perde pra capim novo - balança, Sinhá!

Porém, foi grande a alegria no seu centenário. Muita festa no dia de Santa Luzia, pisada até quebrar a barra. Chambinho do Acordeon, xote, xaxado e baião. Foi danado de bom e aquele sanfoneiro é a sua cara. Ninguém sabe quando, mas qualquer dia eu chego aí. Cantarei com você, Zé Marcolino e Jackson do Pandeiro. Agora, vou pro Crato, matar minha saudade e, com a benção do Padre Cicero, tomar cerveja com o Dário.

Um abraço sertanejo e meu aboio lacrimado.


(Dr. Demóstenes Ribeiro, médico cardiologista)

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A "ESCOLHA DE SOFIA" - José Nílton Mariano Saraiva

 
Desde tempos imemoriais, principalmente no seio de famílias menos favorecidas do interiorzão brabo desse Brasil varonil, o desejo acalentado e inconteste de pais e mães sempre foi o de... “formar um filho doutor” (aqui entendido como o graduar-se em Medicina). Para tanto, e evidentemente que sem entender da profundidade do tema, muitos pais, implicitamente, incorriam na famosa “escolha de Sofia” (aquele lance em que, literalmente, haveria de se “sacrificar” um dos rebentos em detrimento de outro; no caso, por absoluta carência de recursos necessários à contemplação de mais de um). E como à época vigia o conceito de que “onde come um, comem dez” e o tal “controle da natalidade” era uma miríade distante, o “fazer” filhos era a regra em uma família paupérrima, objetivando uma futura e decisiva “ajuda” na luta pela subsistência (excetuando-se, como explicitado antes e restou provado a posteriori, aquele a quem se destinaria o “olimpo”).

Mas aí, em muitas oportunidades, o próprio rebento “premiado”, depois de ralar muito e ser aprovado no mais concorrido dos vestibulares, depois de seis anos de dedicação “full time” visando tornar realidade o sonho dos pais, não mais que de repente “descobre” não ter “vocação para a coisa” e que havia, sim, um meio mais fácil de “se fazer na vida”: o ingresso na “corrupta” atividade política.

Assim, e lamentavelmente (devido à carência de profissionais numa área ainda tão prioritária) muitos dos que se formaram “doutor” à custa do esforço sobre-humano dos pais, nunca fizeram um simples curativo, sequer manipularam uma seringa, jamais prescreveram qualquer medicação a algum paciente e, enfim, se mudaram de mala e cuia para o “eldorado” mafioso da política carreirística. E, para tanto, aí sim, passaram a usar e abusar da “patente” de doutor a fim de “abrir portas”.

Adstringindo-se à nossa praia (o Ceará) dos dias atuais, além de na capital e interior termos “doutores” no exercício do cargo de prefeito, sem que nunca tenham exercitado a “atividade-fim” da formação acadêmica, pululam nos parlamentos estaduais e federais um outro tanto que adotaram o mesmo “script”.

E assim, o sonho dos pais, acalentado durante anos e anos, jaz esquecido e deixado pra trás, por obra e graça dos encantos e da facilidade que a atividade política oferece de “se fazer na vida” rapidamente, mesmo que por métodos heterodoxos. Definitivamente, os tempos são outros.

Alfim, há que se destacar, sob pena de não o fazendo injustiçá-los, que os “vocacionados” para o mister, aqueles que realmente “vestiram a camisa” desde o ingresso na faculdade e até a pós-formatura, são, sim, dignos e merecedores de encômios e de reconhecimento público pelo verdadeiro “sacerdócio” no dia-a-dia de uma atividade estressante e sofrida. Afinal, além de não os frustrarem, se mantiveram fiéis ao sonho dos pais de um dia… “formar um filho doutor”.

Poderão, mais à frente, após passados na “casca do alho” de uma larga experiência no “laboratório da vida” (o exercício diário da Medicina), ingressar na arena política objetivando melhorar a vida dos menos favorecidos, aos quais acompanharam “pari passu”, diuturnamente.





quinta-feira, 3 de agosto de 2017

"EXCELÊNCIAS BANDIDAS" - José Nílton Mariano Saraiva


Deputados Federais cearenses que votaram favoravelmente a que Michel Temer, Eduardo Cunha e Aécio Neves continuem a receber malas e malas de dinheiro público para uso pessoal:

Aníbal Gomes (PMDB) – SIM
Danilo Forte (PSB) - SIM
Domingos Neto (PSD) - SIM
Genecias Noronha (SD) - SIM
Gorete Pereira (PR) - SIM
Macedo (PP) - SIM
Moses Rodrigues (PMDB) - SIM
Paulo Henrique Lustosa (PP) - SIM
Vaidon Oliveira (DEM) – SIM



Eles vão querer seu voto no próximo ano. Fique de olho.

sábado, 29 de julho de 2017

"EMENDAS PARLAMENTARES" - José Nílton Mariano Saraiva


Anos atrás, aqui em Fortaleza, no decorrer de uma comemoração natalícia, tivemos a oportunidade de conhecer o (então) prefeito de uma paupérrima cidade do interior do Ceará, mais especificamente de uma urbe encravada na Região do Cariri. Na verdade, o dito-cujo já houvera chamado a atenção no momento em que estacionou e desembarcou de uma vistosa e potente Hilux, “tinindo de nova”.

Lá pras tantas, conversa vai conversa vem, as generosas doses de “scott” sorvidas conseguiram “destravar” a língua de Sua Excelência. E ele começou, exatamente, pelo “avião” (como ressaltou) em que desembarcara (a Hilux). Segundo narrou, acabara de receber de “presente” de um determinado Secretário de Estado em troca de um “favor” que lhe houvera prestado (vivenciávamos então o primeiro governo Tasso Jereissati). Adiante, numa outra fala, sem assombro discorreu que para ter acesso às tais “emendas parlamentares”, destinadas aos municípios pelos “nobres” (???) deputados federais, a condição sine qua non era que “pelo menos” 20% (vinte por cento) do valor ficasse retido com o próprio (evidentemente que não “detalhou” como se conseguia fechar a prestação de contas, a posteriori; no entanto, bem sabemos que nada que um banal sobrepreço não resolva).

A reflexão é só pra mostrar que de lá pra cá a coisa não mudou nada. Agora, por exemplo, em busca de manter-se no poder a qualquer custo, o golpista sem povo e sem voto (Michel Temer) avança tal qual um rolo compressor sobre os mafiosos deputados componentes da base do governo, e literalmente “compra” os seus votos a fim que consigam livrar-lhe da cassação do mandato, através da liberação generosa das tais “emendas parlamentares”. Que, repita-se, ao chegaram aos prefeitos interioranos (se chegarem), naturalmente terão passado por um processo de “poda” durante o percurso (de pelo menos 20%, lembremos). Isso tem um nome, Corrupção. “Ativa”, por parte do golpista sem povo e sem voto (Temer) e “Passiva”, por parte dos escroques parlamentares. Por onde anda o único juiz do Brasil que trata da corrupção, Sérgio Moro, que não intervém ???

A propósito, em mais de uma postagem, neste mesmo espaço, já há um certo tempo, afirmamos peremptoriamente que o exercício da atividade política no Brasil se houvera transformado num “rentável meio de vida” (e nada mais que isso), já que pelo menos 95% dos candidatos a atividade parlamentar, independentemente da agremiação a que estejam vinculados, adentram ao jogo político com o objetivo único e exclusivo de “se fazer”, “se arrumar na vida”, sem qualquer preocupação com a coletividade (assim, além do marombado salário, verbas de todo tipo lhes são destinadas, além da oportunidade de traficar influência em benefício próprio e por aí vai, desaguando no enriquecimento ilícito ora visto).

O absurdo é que o próprio Presidente da República, para se manter e à quadrilha que o assessora, no poder, se dê ao desplante de ficar ligando pessoalmente para parlamentares oferecendo-lhes uma grana alta que poderia ser destinada a fins mais nobres.

No mais, somente uma “reforma política” profunda e visceral, que contemplasse o extermínio das tais “emendas parlamentares”, bem como o fim do tal “fundo partidário” (dentre outras medidas), teria o condão de mudar o rumo do Brasil. Mas, para tanto, os próprios ladrões com assento no Congresso Nacional é que teriam de tomar tal iniciativa.

Alguém acredita nisso ???



sexta-feira, 21 de julho de 2017

Memorial da Imagem e do Som do Cariri Luiz Gonzaga de Oliveira registra:

CDL e Prefeitura homenagearam cratenses que se destacam na cultura local

Por Jackson Bantim (Diretor do Memorial da Imagem e do Som do Cariri)

Os postes da Avenida Maildes de Siqueira, próximos ao Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcante, em Crato, durante o período da Expocrato, foram alvo das atenções da grande multidão que participou do maior evento festivo da região do Cariri. Lá, o Clube dos Diretores Lojista do Crato, associado a Prefeitura local, prestou um tributo a diversos cratenses que se destacam em atividades relacionadas às arte, cultura e educação, através da exposição de fotos dos homenageados.
A iniciativa foi bem recebida  por toda a opinião pública. Da nossa parte, enaltecemos este ato de reconhecimento às ilustres personagens cratenses.
Vejam algumas fotos:





segunda-feira, 17 de julho de 2017

O ADEUS AO "JUIZ NATURAL" - José Nílton Mariano Saraiva

Antecipadamente, até a “velhinha de Taubaté” já sabia que Sérgio Moro condenaria Lula da Silva na pendenga em que se transformou o caso do triplex. E por uma razão simplória: desde o surgimento da tal Operação Lava Jato o “objeto de desejo” daquele assanhado juiz era acabar com o PT e impossibilitar que a sua estrela maior tivesse (ou tenha) condição de concorrer nas próximas eleições presidenciais de 2018, quando, certamente, terá oportunidade de voltar ao poder nos braços do povo (conforme as pesquisas indicam).


Só que o “ranço” se mostrou tão arraigado que, depois de chafurdar por mais de três anos a vida de Lula da Silva e familiares e não encontrar nenhuma prova cabal (nenhuma, é bom repetir), Sérgio Moro (auxiliado por dezenas de procuradores arrogantes) viu-se enroscado e vítima da armadilha que ele mesmo engendrou: assim, independentemente da existência de qualquer prova, teria que condenar o ex-presidente, porque, não o fazendo, se desmoralizaria perante a opinião pública.


Para tanto, ancorado nas “lunáticas convicções” do pastor-evangélico-procurador Deltan Dellagnol (aquele do Power Point) e no depoimento informal (onde não há a obrigação do denunciante de falar a verdade ou apresentar provas) de um condenado pela justiça, Léo Pinheiro (em busca de redução da pena), só restou ao juiz Sérgio Moro “encher linguiça” pra preencher mais de duzentas páginas, sem, no entanto, apresentar uma única prova contundente de algum ilícito do ex-presidente. Um fiasco. Quem quiser conferir é só se debruçar sobre o calhamaço, pra constatar.


Fato é que, dada a fragilidade e inconsistência da peça acusatória, Sérgio Moro sequer teve coragem (como o fez com muitos outros. impunemente) de decretar a prisão de Lula da Silva, transferindo a “batata quente” (responsabilidade) para os integrantes do Tribunal Regional Federal, 4ª turma, em Porto Alegre.


Nesse ínterim, obedecendo ao rito processual, em pouco mais de simplórias 60 páginas, a defesa do ex-presidente encaminhou ao próprio juiz curitibano a peça “embargos de declaração”, que é um instrumento jurídico-legal usado para solicitar ao juiz revisão de pontos da sentença; e ali (é só ter coragem de ler), literalmente é demolida”, ponto a ponto, a sentença proferida por Moro (só que ele, naturalmente, recusará a argumentação usada).


Assim, como também cabe recurso do ex-presidente ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, se não prevalecer o “corporativismo” exacerbado do Judiciário as chances de reversão ou mesmo anulação da pena são as mais promissoras possíveis, é o que atestam juristas de escol, face a fragilidade da peça acusatória apresentada pela “República de Curitiba”.


Alfim, uma lamentável constatação: a “esculhambação” jurídica vigente hoje no país (onde um juiz de primeira instância estupra impunemente a Constituição Federal, diuturnamente), deve ser creditada aos prolixos e preguiçosos membros do Supremo Tribunal Federal, que passivamente assistiram Sérgio Moro assumir o monopólio de tudo que se referisse a corrupção, independentemente de onde ocorra. Em suma, o princípio do “juiz natural” foi pro beleléu e Moro reina absoluto como o único juiz do Brasil (determinando, inclusive, a agenda do sonolento STF).


Que merda !!!







quinta-feira, 6 de julho de 2017

MEMORIAL DA IMAGEM E DO SOM DO CARIRI REGISTRA:

90 ANOS DE NASCIMENTO DE ARIANO SUASSUNA

Por Jackson Bantim, (Diretor do Memorial da Imagem e do Som do Cariri Luiz Gonzaga de Oliveira)

Calé Alencar (cantor e compositor), Ariano Suassuna (escritor) e Jackson Bantim (cineasta e produtor cultural) na IV Bienal do Livro do Ceará (Fortaleza, 2009)

O próximo dia 23 de julho marcará três anos de morte do escritor Ariano Suassuna. Nascido há 90 anos na Cidade da Parahyba, atual João Pessoa, Ariano imprimiu uma marca de vida consagrada pela sua brilhante e produtiva defesa da cultura nordestina brasileira. Dentre suas mais relevantes realizações nos campos literário e artístico destacam-se a idealização do Movimento Armorial e a autoria das obras Auto da Compadecida e O Romance d'A Pedra do Reino.
Sua morte deixou uma grande lacuna na cultura não só brasileira mas mundial, pois Ariano, com sua obra de grande qualidade e compromisso social, alcançou o patamar ocupado pelos grandes gênios da humanidade.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

ADEUS, OÁSIS (Dr, Demóstenes Ribeiro)


Ninguém deveria errar duas vezes, eu jamais me perdoarei por isso, mas o mundo não é como a gente quer. No entanto, foram épocas encantadoras, inesquecíveis e de magia sem igual. Se você viveu algo parecido certamente me compreenderá.

A primeira vez, em São Paulo, saindo da adolescência, eu fazia um curso de História e ele, Direito Internacional. Quantas vezes fugindo do frio e tomando uísque barato, ouvimos jazz na “Opus 2004,” assistimos filme-cabeça no “Belas Artes” ou descemos a Rebouças num fusca azul, a caminho do Embu, para a privacidade de um motel.

Lá fora o mundo era sombrio. A ditadura militar amedrontava, mataram o Herzog e apareceu aquela militante carioca muito mais bonita do que eu. Quando ela se exilou em Portugal, Rodolfo foi atrás. Tanta légua, tanto mar, era abril, a Revolução dos Cravos e ele ficou por lá. Quase morri. Voltei pra Fortaleza e decidi não me envolver com outra pessoa nunca mais.

O tempo passava, eu vivia para o colégio e para os meus pais, para os sobrinhos e para o trabalho na pastoral. Feliz dessa maneira, se é possível ser assim. Chegou o aniversário da diretora e decidiram comemorar no “Oásis.” Eu não queria ir, pra mim aquele era um lugar de desespero, de homens tristes e de mulheres complicadas. Mas, os “Brasas” tocaram uma balada, os nossos olhares se cruzaram, o anjo do amor desceu sobre mim e Fortaleza ficou a nossos pés.

No Dragão do Mar ou na Praia do Futuro, no Iguatemi ou no Zé de Alencar, sob a lua de Iracema ou no sorvete da Beira Mar, foram beijos ardentes e abraços carinhosos, constrangendo a quem nos assistia, e toda a loucura de que a paixão é capaz.

Na minha família ninguém gostou: embora ele morasse sozinho, ainda era casado. Pouco me importava, eu era de novo a adolescente enfeitiçada e deslumbrada vivendo outra vez a primavera dourada. Às vezes, ele era estranho, aparentava distância e temia que nos observassem. Eu pensava que era discrição, receio, ou timidez... Aproximava-se o final do ano, haveria a reunião familiar, nós estaríamos juntos e eu o protegeria como uma fera – que ninguém se atrevesse a maltratá-lo.

Veio o Natal, o Ano Novo, ele não apareceu e eu fiquei sozinha. Preferiu a mulher e as filhas. Então, caiu a ficha e me desesperei. Entrei na igreja aos prantos, arrastada pelo vendaval e desabafei com o padre Renato: minha filha, ele é muito diferente de você. Deus sabe o que faz, quem somos nós pra compreender a vontade do Senhor?

Com o tempo, a paixão desvaneceu e nunca mais o vi. Jamais percebi que fosse mais um solitário e mulherengo, que só pensava em si e que não gostava de ninguém. Parece que eu escapei de uma boa. Voltei à catequese das crianças, às aulas no colégio e redobrei o cuidado com os meus pais. Reencontrei-me comigo mesma. Outro dia me surpreendi sorrindo e o tempo aliviou a minha dor.

Hoje, sem querer, passei em frente ao “Oásis.” Fazia um sol poente e a boate não funciona mais. Está sendo demolida, já quase toda no chão. Eu fechei os olhos, contive o choro e quando o sinal abriu, parti sem rumo, com um aperto no coração.

Acabou a festa, mas a vida continua. Aprendi a costurar, faço artesanato, ontem mesmo paguei o professor de dança e vou passar a noite inteira no Círculo Militar. 

Dr. Demóstenes Ribeiro (Cardiologista/Fortaleza-CE)

sábado, 1 de julho de 2017

LICENÇA PARA... ROUBAR E MATAR - José Nílton Mariano Saraiva


Estupefatos, num primeiro momento os brasileiros ouviram o áudio, em rede nacional de TV, onde o Senador-bandido Aécio Neves acerta com o empresário-mafioso Joesley Batista o recebimento de uma propina de R$ 2.000.000,00 em 04 parcelas de R$ 500.000,00 e com um agravante: o emissário-recebedor seria alguém... “que a gente mata ele antes de fazer a delação” (nas palavras do próprio Senador). Ato seguinte, em vídeo estarrecedor, ao vivo e a cores, o “eliminável” emissário (o primo Fred, de confiança, do Senador) é visto recebendo do preposto do empresário uma das parcelas, colocando-a numa mochila e, depois, repassando-a para um segundo emissário do Senador, dentro de um estacionamento, de onde seguiu para Belo Horizonte para a entrega “delivery”. Como se vê, tudo dentro do mais requintado estilo mafioso.

Num segundo momento, atônitos e embasbacados, os brasileiros assistiram, também ao vivo e a cores, as imagens/áudio do homem (ex-deputado Rodrigo Loures) da “estrita confiança” do golpista sem povo e sem voto (Michel Temer), acertando com o mesmo preposto do emissário-mafioso o recebimento da primeira parcela SEMANAL de R$ 500.000,00 (que se repetiria por 20 anos) e, ato seguinte, visto a correr pateticamente pela noite paulistana, carregando uma mala com a bufunfa para ser entregue ao Chefe (Michel Temer).

No calor do momento, e até para dar uma satisfação momentânea à sociedade, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, houve por bem afastar do Senado Federal o bandido Aécio Neves, ao tempo em que lhe impunha uma série de restrições administrativas, numa pseudo atitude moralizadora que mereceu aplausos da população, ao passo que o emissário-presidencial (Rodrigo Loures) foi aquinhoado com a prisão preventiva, objetivando prestar esclarecimento sobre o destinatário da grana recebida.

Tudo fogo de palha. Hoje, no encerramento das atividades semestrais do tal Supremo Tribunal Federal, o ministro Marco Aurélio Melo, em decisão monocrática, não só não atendeu ao Procurador Geral da República (Rodrigo Janot), que houvera solicitado a prisão do senador Aécio Neves, como houve por bem trazê-lo de volta ao Senado Federal (sem restrições), enquanto o mesmo ministro que houvera decretado a prisão de Rodrigo Loures, Edson Fachin, sensibilizado com o apelo da família do meliante, resolve liberá-lo para uma prisão domiciliar (com tornozeleira); aquela, onde o apenado se sente tão à vontade que leva uma vida social das mais ativas (que o diga o tal Pedro Barusco, que mesmo portando a dita-cuja, vive “melando o bico” na orla carioca, conforme já flagrado).

Particularmente, já há vários meses afirmamos neste mesmo espaço, de forma peremptória e definitiva, que a esculhambação jurídica vigente no país à época (e que se deteriorou sobremaneira de lá até cá) deveria ser creditada à omissão e covardia dos integrantes daquela corte, ao permitirem que o juizeco de Curitiba, Sérgio Moro, estuprasse a Constituição Federal diuturnamente, findando por destituir uma Presidenta da República eleita com quase 55 milhões de votos.

É pois, com a chancela do poder mais corrupto da república, o Poder Judiciário, que agora Aécio Neves, Rodrigo Loures, Michel Temer e integrantes da quadrilha que tomou de assalto o poder, estão com uma perigosa licença em mãos. A licença para roubar e matar. Impunemente e sem restrições. Sob o frondoso guarda chuva do STF.

terça-feira, 30 de maio de 2017

OBRIGADO, SENHOR - Demóstenes Ribeiro (Cardiologista)

Obrigado, Senhor! - Demóstenes Ribeiro 

Eu ainda não havia nascido quando meu pai morreu afogado, salvando um italiano. E nunca vi a minha mãe adormecida, fosse eu criança ou adolescência afora. Ao me deitar, ela continuava na máquina de costura; raiava o dia e já estava a trabalhar.

Herdei, assim, uma tendência incontrolável de só fazer o bem. Mas, no serviço militar, surpreendeu-me a habilidade em manejar armas. Tiro certeiro, jamais errei um alvo e com os prêmios que eu ganhei, comprei uma pistola com silenciador.

Ao deixar o quartel e voltar para casa, fiquei indignado, pois a vida da minha mãe mudara para pior. Havia o Borges, um grandalhão barrigudo e irresponsável, exigindo dinheiro e a lhe maltratar. Percebi o desespero da coitada em não saber como resolver essa questão.

Aos poucos, descobri os hábitos do vagabundo e onde ele morava. Certa noite, quando ele desceu do ônibus e a rua estava deserta, deixei-o se afastar um pouco e acionei a pistola. Um tiro na cabeça e mais um crime misterioso, apesar dos muitos inimigos que o filho da puta deixara. Um dia, mamãe olhou nos meus olhos e disse, serenamente, Deus lhe pague!

Daí em diante, embora bem de vida, uma dor esquisita na barriga atrapalhava a paz que eu deveria sentir - um sofrimento que se tornava insuportável. Levaram-me à Emergência e a visão da morte se esboçava. Um Professor, cercado de estudantes, me deu uma atenção que eu não esperava. Era úlcera perfurada. Ele me operou e salvou a minha vida. Não tinha como lhe ser grato, exceto o tiro certeiro, o melhor de mim, se algum dia ele precisasse.

Muito tempo depois, as amizades no Exército levaram-me para uma multinacional responsável pela segurança de autoridades. Naquele dia, FHC viria inaugurar o novo hospital e eu estava entre os escalados. Em meio a tanta gente, vislumbrei o Professor. Não era mais o homem vibrante que me curara. Acabrunhado, envelhecido, triste. Não sou doutor, mas ele parecia sofrer de uma doença da alma. Por fim, nos aproximamos.
- Mestre, lembra de mim? O Senhor salvou minha vida, sou Plácido, tiro certeiro, da úlcera perfurada!

- Plácido, como vai, preciso de você, amanhã venha fazer uma revisão.

No dia seguinte, a sós e com as portas fechadas, ele me falou da sua desgraça. O casamento desandara. Foram-se as alianças, o respeito e a amizade. Era vítima de chacotas e não mais conseguia trabalhar. A mulher perdera totalmente a discrição. Às vezes, chegava embriagada. Diziam ter vários amantes, nem o pior dos inimigos faria tanta maldade. Como encarar os pacientes, os estudantes, os colegas, a vida enfim? Você me prometeu, ele repetiu muitas vezes, e sei que não me fará ingratidão.

Descobri toda a rotina da putana. Ela saía do estacionamento de uma igreja e ia rezar num motel. Sem despertar suspeita, como a esperar alguém, eu fiquei por perto. Parou um carro, a outra fez sinal, ela entrou e beijaram-se na boca. A vaca, ainda por cima, era sapato. Anunciei o assalto. Deram-me bolsas, telefones, relógios... Em troca, um tiro em cada cabeça - pistola com silenciador.

Muito rápido, rua quase deserta, fugi no meu carro. Adiante, saquei a placa fria e joguei com as coisas num matagal. As luvas, eu queimei quando cheguei em casa. Após um banho, chamei um rádio-táxi, fui pro aeroporto e embarquei pra Salvador. Um árabe importante chegaria e eu faria parte da segurança.

No hotel, após uma oração, tomava o café da manhã e pensava em minha mãe, quando o celular tocou. A ligação breve, sem muita nitidez, veio de um telefone público. Mas era uma voz conhecida, de novo firme e alegre, dizendo tão somente: obrigado, Senhor !

terça-feira, 23 de maio de 2017

Memorial da Imagem e do Som do Cariri registra:

50 anos de morte do cantador cratense Cego Aderaldo

Por Jackson Bantim (Diretor do Memorial da Imagem e do Som do Cariri)
Foto: do Museu Histórico de Quixadá


No próximo dia 29 de junho, daqui há pouco mais de um mês, ocorrerá o transcurso dos 50 anos da morte de um dos maiores nomes da cultura popular brasileira, o poeta popular e cantador cratense Cego Aderaldo.
Aderaldo Ferreira de Araújo, nome de batismo do lendário Cego Aderaldo, nasceu em Crato, no dia 24 de junho de 1878, vindo a falecer em Fortaleza, com 89 anos, no dia 29 de junho de 1967.
Embora nascido em Crato, Aderaldo começou sua vida artística na cidade de Quixadá, após perder a visão em um acidente. Com o falecimento da mãe, Cego Aderaldo decidiu viajar pelos sertões nordestinos, cantando seus versos acompanhado de uma rabeca e disputando desafios de repente com outros cantadores. É lendário o desafio mantido com o também famoso cantador piauiense Zé Pretinho, ocorrido em 1914 e registrado por Firmino Teixeira do Amaral no cordel “A peleja de Cego Aderaldo e Zé Pretinho”, ficando, igualmente, imortalizado na memória e no imaginário popular.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

VALE A PENA LER DE NOVO - José Nílton Mariano Saraiva

Cineasta Jackson Bantim destaca-se na curadoria de mostras de arte

Por Carlos Rafael Dias

O cineasta e fotógrafo Jackson Bantim, mais conhecido por Bola, apelido que traz desde a infância, vem se destacando ultimamente como curador de interessantes e bem elaboradas exposições artísticas.
Nesta semana, podemos contemplar três mostras que traz sua assinatura e que integram a programação cultural da 69ª Reunião Regional da Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (RR – SPBC), que está acontecendo na região do Cariri. São elas: “Passado e presente da cidade do Crato”, por ocasião da abertura do evento, no Centro de Convenções do Cariri; “Patativa do Assaré, de poeta matuto a poeta doutor”, na Galeria Maria Célia Bacurau, e “Expo-Lira URCA”, no Salão da Terra. Estes dois últimos espaços estão localizados no Campus do Pimenta da URCA, em Crato.
A Exposição “Passado e presente da cidade do Crato”, composta por fotografias de autoria de fotógrafos caririenses, enfoca diversos registros do patrimônio arquitetônico da cidade, desde o início do Século XX até a atualidade, objetivando a manutenção e difusão de um acervo iconográfico que venha subsidiar a preservação da memória histórica local e servir como fontes de pesquisa e estudo.
A exposição “Patativa do Assaré, de poeta matuto a poeta doutor” homenageia o aniversário de 108 anos de nascimento de Patativa, recentemente transcorrido, e é composta por fotografias, livros, discos, cordéis e reportagens sobre o afamado poeta de Assaré, além da réplica de sua casa, localizada na Serra de Santana, município do Assaré.
A Exposição “Expo-Lira URCA” enfoca a trajetória da Gráfica Lira Nordestina, e conta a história da literatura de cordel e da xilogravura na região, visto que a Lira deriva da lendária Tipografia São Francisco, fundada em 1932, em Juazeiro do Norte, e que foi uma das maiores produtoras de folhetos de cordel do Brasil.
Está de parabéns a Universidade Regional do Cariri e, especialmente, o fotógrafo Jackson Bantim, pela realização destas mostras que primam pela qualidade e representatividade do acervo exposto, motivos porque tanto vem encantando o público visitante.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

IRMÃ GERTRUDES - Demósteners Ribeiro


Surpreso, ele sofreu um impacto indescritível, quando a mulher, ainda jovem e vestida de freira, entrou de repente e começou a falar:

Vai longe o tempo e sei que pareço ridícula com essa roupa, mas aprendi que só a graça divina traz a qualquer um a razão de viver. Achei o sentido e rezo para que também encontre o seu. Lembra que nos conhecemos na mocidade? O colégio, a faculdade, o movimento estudantil, a invasão da reitoria, como esquecer? Apesar de tudo, vou em frente, caminhando, cantando e seguindo a canção.

Depois, vieram os anos de chumbo e foi cada um pro seu lado. Eu continuei na luta, fui pro Araguaia e entrei na clandestinidade. Quando Geraldo caiu, me transferi pra São Paulo. Morei em favela e fui missionária numa Comunidade Eclesial de Base até fechar-se o cerco e a partida se tornar inevitável.

Em Paris, acolheram-me em um convento. Vivi o drama de Tito e uma vez, morta de saudade, lembrei da “Canção do Exílio” e chorei um temporal. Mas, perdida a batalha, aos poucos, me despontou a fé. Tantos anos depois, estou de volta. Virei a irmã Gertrudes e daí esse hábito.

Agora me diz, por que esse olhar reprovador? Não me faça ser cruel. A sua profissão é como qualquer outra e você ainda não encontrou a razão de viver. Na época da repressão, se revelou um estudante acovardado, refugiado em livros e plantões. Logo depois de formado e ainda hoje, se entrincheirou no trabalho, fugindo sempre, perdido na indecisão. Naquele tempo, dizia que me amava, pensei que tudo daria certo, mas você, assustado, tinha medo que nos vissem. Não era um homem livre e nem sei se algum dia vai se libertar desse egoísmo atroz.

Eu estou suando, mas não sou estúpida nem faço nada errado, você bem sabe. Não vivo enclausurada como lhe parece. A ação é o fundamento da minha ordem. Nada de retiro e contemplação. À minha maneira, como instrumento do Pai, no alívio da dor e da desigualdade, faço a hora e ensino cidadania. Pouco importa os desvios do caminho, o mensalão, o petrolão... Eu encontrei o meu destino e peço a Deus, todos os dias, que lhe ajude a encontrar o seu. Gostei de lhe ver e, vez por outra, relembre aqueles tempos, se não for demais.”

Pálido e confuso, o mundo girou e ele não disse palavra. Abraçou fortemente a irmã Gertrudes, entre lágrimas e corações disparados. E então, fecharam os olhos, deram-se os braços e aos dezoito anos, desceram a avenida da Universidade, gritando “abaixo a ditadura”, numa inesquecível passeata. Depois, era São Paulo, a grama do Ibirapuera, o primeiro motel e, no show, a Elis Regina, insuperável, cantando “Como Nossos Pais”.

De novo em Fortaleza, houve o sorvete, o anoitecer e o caminhar de mãos dadas, anônimos na Beira-Mar. Uma multidão os cercou e assistiu espantada. Não mais pisavam o chão, não lembravam quem eram nem onde estavam – subiram para a estrela acima e ninguém os via mais.

Uma vez, sessenta e oito... A lua, a estrela, o céu, o mar... E as velas do Mucuripe saindo para pescar.


Demóstenes Ribeiro - Cardiologista