TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

domingo, 15 de fevereiro de 2026

 REMINISCÊNCIAS... ANTOLÓGICAS - José Nilton Mariano Saraiva 

Localizada ao oeste do Rio Grande do Norte, quase que fronteiriça com o estado do Ceará, Pau dos Ferros era (à época), uma dessas agradabilíssimas minúsculas cidades interioranas (já mudou bastante e hoje é uma cidade mais desenvolvida que o Crato, por exemplo), em razão, principalmente, da índole receptiva do seu povo e de um detalhe não tão comum em cidades do interior: a beleza brejeira e ao mesmo tempo esfuziante das suas mulheres e o extremo bom gosto e requinte com que se vestiam (até parece que os internacionais estilistas de moda, antes de lançarem suas famosas coleções em Paris, Roma ou Milão, faziam de Pau dos Ferros uma espécie de laboratório-experimental às suas criações; como luxavam aquelas jovens e belas mulheres pauferrenses). 

Vivenciamos tudo isso em meados da década de 70, quando, atendendo convite de um colega que já conhecia nossa capacidade de trabalho e que houvera sido nomeado gerente da agência do BNB (então a única agência bancária da cidade), para lá nos deslocamos a fim de cumprir uma “adição” de 90 dias; e, embora realmente o trabalho fosse muito (a ponto de cumprirmos expediente de 10 a 12 horas por dia), a “diária” que recebíamos compensava plenamente, além do que havia uma espécie de “irmandade” entre os que compunham a equipe beenebeana e a população da cidade. 

Ao final da jornada de trabalho diário, a parada obrigatória era a “Sorveteria do Sales” (próspero comerciante local, que vendia inclusive sorvetes), onde sorvíamos uma geladérrima, ao tempo em que as paqueras se sucediam, furtivas ou abertamente; os fins-de-semana, então, eram, literalmente, uma festa: num deles, por exemplo, tínhamos a escolha da “Miss Olhos” (obviamente uma disputa entre aquelas que tinha os “olhos” mais bonitos); na outra semana, a escolha do casal que melhor dançava; na outra, a escolha daquela que melhor desfilava e por aí vai; enfim, momentos eminentemente interioranos. O certo é que a “coisa” era tão legal e gostosa que, não mais que de repente, o tempo voou, os 90 dias exauriram-se e tivemos que voltar para Fortaleza (bem que houve uma tentativa de prorrogação, mas não colou). 

Antes da volta, entretanto, foi firmado um compromisso, uma profissão de fé, um autêntico pacto de boêmios: sempre que houvesse uma festa que compensasse, seríamos acionados, tempestivamente. E assim, todos nós (mesmo os casados), que por lá passamos na condição de “adidos” (uns oito colegas, não necessariamente no mesmo período), findamos por voltar, várias vezes. 

Os ônibus que faziam o percurso até Pau dos Ferros eram os famosos “pinga-pinga”, que, além de desconfortáveis, eram desprovidos de banheiro. Pois foi numa dessas viagens que “a porca torceu o rabo”: já saímos da rodoviária de Fortaleza um tanto quanto “melados” (muita “birita” – vejam só que desculpa - pra puder ter coragem de enfrentar a buraqueira, já que parte da estrada era de piçarra). 

Na chegada a Pau dos Ferros, cedo da manhã, os notívagos “recepcionistas” (colegas do Banco) já estavam a nos esperar com um “churrasquinho no ponto e aquela cervejota geladinha” (é que a “parada do ônibus” ficava estrategicamente localizada frente a um bar, que aos finais de semana funcionava 24 horas por dia). Os trabalhos se iniciavam ali mesmo, sem nem escovar os dentes. De lá e durante todo o dia de sábado, os reencontros, na Sorveteria do Sales, na Churrascaria do Anísio e no meio da rua, com aquelas mulheres fabulosas. 

À noite, após uma passada na “república” (a fim de tomar um banho, mudar de roupa, passar uma “brilhantina” no cabelo e colocar o perfume “Lancaster”), festa no único clube da cidade, que se prolongava até o sol raiar; depois do famoso “caldo de misericórdia”, servido num posto de gasolina, todo mundo se mandava pra “barragem” (na verdade, o açude que abastecia a cidade e onde existia uma “palhoça” que servia o melhor “tucunaré” do mundo); e tome “mé” (aí já na base do famoso “cuba-libre” – mistura de Ron Montila e Coca-Cola). 

Naquela tarde de domingo, Rivelino, famoso jogador que houvera se destacado no Corinthians, faria sua estreia (no Maracanã), pelo time do Fluminense, jogando contra o ...Corinthians. Mesmo diante de uma televisão preto-e-branco com uma imagem sofrível, na sala da casa do prefeito da cidade formamos uma grande torcida do Fluminense (pra agradar o homem). E tome Ron Montila com Coca, com exóticos tira-gosto: panelada, buchada, tucunaré, o escambau.  O certo é que o tempo, de novo, voou, e de repente chegou a hora do retorno. 

Já chegamos na “parada do ônibus” mais pra lá do que pra cá, puto de raiva por ter que voltar e lá encontramos a colega do BNB Julieta (que também houvera ido passar o fim de semana). Sentamos na poltrona (?) e...apagamos. 

Lá pras tantas, após uma parada abrupta do coletivo a fim de desembarcar algumas pessoas que moravam na zona rural ao lado da estrada, ressuscitamos e, pior, com uma vontade ou necessidade imperiosa, miserável mesmo de “descarregar”, “arriar a massa” (e o ônibus não tinha o famoso toylette). Falamos com o motorista e o trocador (existia um, sim, encarregado de recolher o dinheiro das passagens) e eles sugeriram que descêssemos o barranco e fizéssemos o “serviço”, enquanto eles procuravam e entregavam a bagagem do pessoal. E só deu tempo mesmo descer o barranco às pressas, arriar as calças e ... tome merda, muita merda, merda em profusão, em pleno estado líquido e em “chicotadas” brabíssimas, monumentais (o Ron Montila e os tira-gostos finalmente cobravam seu preço). 

Até hoje não conseguimos lembrar é se nos deixamos absorver pelo esplendor da lua cheia no céu (em pleno meio da caatinga) ou se, simplesmente, dormimos de cócoras; o certo é que, de repente, conseguimos “captar” a zoada de um carro acelerando; ao olhar, desesperado, pra cima, rumo à estrada, divisamos o ônibus se afastando, lentamente; não houve tempo para raciocinar: num átimo, nos despojamos da bermuda e da cueca, pegamos essa última e passamos de forma apressada no traseiro, a jogamos fora, vestimos novamente a bermuda e subimos a ribanceira feito um louco. 

Contando com a solidariedade do pessoal que havia descido (umas oito pessoas) que se puseram a urrar em plena três horas da manhã, o ônibus parou mais à frente; resfolegando, suando em bicas por todos os poros, a língua pra fora e extensa como se fosse uma gravata, alcançamo-lo e, evidentemente, reclamamos do motorista e cobrador; eles alegaram que haviam “esquecido” e pediram desculpas. Quando sentamos na poltrona (?), uma réstia da luz da Lua nos permitiu observar que Julieta (ainda dormindo) imediatamente virou o rosto para o outro lado. Deixamos pra lá. Sentamos e... apagamos (de novo). 

Oito horas da manhã, rodoviária de Fortaleza. A muito custo e após nos sacolejar bastante, a dupla caipira (motorista e cobrador), consegue finalmente nos “trazer de volta”. De mau humor, com um terrível gosto de “cabo-de-guarda-chuva” na boca, doido pra chegar em casa, não ligamos para a cara feia dos dois, pegamos nossa sacola que estava na parte de cima e saímos. 

E foi aí, ao tentar nos despedir da colega Julieta, que vimos a “merda” (literalmente) que tínhamos armado: é que ela (e demais passageiros), não só se recusava a aceitar o nosso cumprimento, como, também, olhava(m) fixamente para nossa mão estendida; já com um certo receio, um pressentimento estranho a nos percorrer a espinha, acompanhamos o seu mortífero olhar e, só então, entendemos a dimensão da coisa: não só nossa mão, mas partes do antebraço, coalhadas estavam de merda, em transição do estado líquido para sólido. É que, ao passarmos a cueca apressadamente no traseiro, ela não dera conta do recado e o “produto” (merda) havia vazado, em profusão, para a mão e adjacências. 

Imagine o que é ter vontade de morrer, sumir, meter-se em algum buraco, sumir do mapa, ir parar na China, no outro lado do planeta. Uma tragédia. Pra completar, quando tentamos dá um passo à frente, sentimos, aí sim, a bermuda um tanto quanto apertada, muito presa ao corpo, obstando estranhamente nossa locomoção; é que ela simplesmente houvera “pregado” na bunda, tal a quantidade de merda e a extensão da área em que se propagara. 

Resultado ??? A vergonha foi tão grande que ficamos “baratinados”, perdemos a noção do tempo, espaço e do ridículo, e sequer conseguimos atinar que na Rodoviária tinha um banheiro onde poderíamos fazer uma “meia-sola” (mini-banho). E assim, como nenhum taxista compreensivelmente nos aceitou como passageiro, tivemos que fazer o percurso do Bairro de Fátima até o apartamento, no Centro da cidade, no pé-dois, sol a pino, cantando amor febril e sob os olhares desdenhosos dos transeuntes, que cortavam caminho, tratavam de passar por longe daquele “lixo-humano” a se debater com um exército de moscas, muitas moscas, a prossegui-lo insistentemente. É que a fedentina era tão grande, o odor à nossa volta tão insuportável, até para a mais das insensíveis narinas, que poderíamos e merecíamos ser cognominados como uma “fossa ambulante”. 

Quanto à colega Julieta, passou um certo tempo amuada, cabreira, sem querer papo nenhum, intrigada mesmo; hoje, casada, mãe de filhos, reside em Mossoró e nas suas raras incursões à cidade de Fortaleza, nas vezes em que a encontramos, nos saúda efusiva e festivamente, embora um tanto quanto diferente, esquisito até: “Diga lá... seu cagão”. E haja risadas. 

Coisas da vida...

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

“VENEZUELA – A BOLA DA VEZ” - José Nilton Mariano Saraiva

Comprovada e irremediavelmente falidos em termos econômicos, enfrentando um avassalador e corrosivo processo de decadência, inclusive moral e ética, mesmo assim a nação americana (EUA) se nos apresenta (ainda) como uma das maiores potências do mundo em termos técnico, científico e poderio bélico. 

Como, no entanto, a “fonte” que sustentava tudo isso - suas reservas petrolíferas - rapidamente se exauriram em função da “farra” e mau uso durante décadas (seu consumo interno sempre se manteve nas alturas, resultando infrutíferas todas as tentativas de diminuí-lo) bem como ainda não se consolidaram quaisquer outras fontes alternativo-substitutas, no médio prazo, há, sim, a possibilidade iminente de um “stop” da atividade produtiva do próprio país, dentro de certa brevidade. 

Portanto, pra que se mantenha a máquina em funcionamento há o imperioso desafio de “encontrar”, "extrair" ou “tomar de conta” de reservas petrolíferas, onde houver petróleo abundante e em excesso (além mares), senão este, que ainda é um dos países mais poderoso do mundo, inexoravelmente irá à lona, restará nocauteado. 

Para a consecução de tal desiderato, uma das mais eficientes armas utilizadas até aqui tem sido a distorção de informações, propagadas por uma mídia amestrada, dócil e cooptada, espalhada pelo mundo, que tem papel preponderante na fixação do uso de certos métodos heterodoxos de “convencimento”, objetivando sejam atropelados ou aniquilados aqueles que  se lhes postarem à frente, ou, até mesmo, os que ousem contestá-los ou confrontá-los (desde quando, por exemplo, os americanos respeitam esses tais fóruns coletivos internacionais tipo a OTAN, ONU, G-8 e tal, quando resolvem que têm de intervir mundo afora ???). 

Assim, nada mais conveniente e apropriado (pra eles, americanos) que tentarem difundir e manter o galardão de “xerifes” do mundo, defensores da raça humana, protetores dos desvalidos, última reserva moral do planeta, solução para todos os males dos terráqueos, mesmo que a sua inescrupulosa e belicista prática diária se contraponha a tal teoria; necessário, para tanto, a provocação e manutenção indefinida de um “conflitozinho” básico com um país periférico qualquer (contanto que abarrotado de petróleo) a fim de que, quando a coisa apertar mais e se tornar necessário (como agora, com a Venezuela), possam desestabilizá-los, descredenciá-los, jogá-los às feras, pô-los contra o resto do mundo e, alfim, invadi-los e tomar de conta das suas portentosas reservas minerais. 

Afinal, quem não lembra do ocorrido anos atrás no Iraque (lá no distante Oriente Médio), quando os "gringos", sob o fajuto e inconsistente argumento da existência de letais armas químicas com potencial de destruir a própria humanidade (que, desde o começo desconfiava-se, e posteriormente comprovou-se tratar-se de uma deslavada mentira) acionaram sua mortífera e poderosa força bélica, ao custo de bilhões de dólares e milhares de vida humana, com o objetivo único e exclusivo de apoderar-se das portentosas reservas petrolíferas iraquianas, como realmente aconteceu ??? 

Para tanto, não tiveram nenhum escrúpulo de antecipadamente “anunciar”, para posteriormente executar a “caça,  julgamento e assassinato” em tempo recorde (na forca e com transmissão ao vivo e a cores para todo o planeta), do presidente Saddam Hussein (ou alguém tem dúvida que aquilo ali foi um verdadeiro assassinato, mesmo se sabendo tratar-se de um ditadozinho de quinta categoria) ??? Afinal, aquilo foi ou não uma “interferência indevida” em assuntos internos de uma nação independente ??? 

E agora a “bola da vez” da imperialista determinação americana foi a nossa vizinha e sofrida Venezuela (dona da maior jazida petrolífera do mundo, suplantando até a Arábia Saudita), daí a midiática e avassaladora satanização do Chávez (falecido) e agora o sequestro, remoção e prisão em território americano, do presidente Maduro (sem dúvida ditadores perigosos), de par com a suspeita e providencial instalação de bases militares na Colômbia, sob o falso argumento de combate aos narcotraficantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). 

É imprescindível, pois, que os “sul-americanos” nos cuidemos (o Brasil, em particular), que tomemos nossas precauções, nos mantenhamos de olhos abertos, preparemo-nos pra botar a boca no trombone, porque, quando o nosso novo pré-sal (lá para os lados do Amapá) estiver em sua capacidade plena, quando nos tornarmos exportadores do “ouro negro”, eles já estarão por aqui, na vizinhança, à espreita, esperando pra dá o bote mortal (a propósito, lembram da Base Espacial de Alcântara, no Maranhão, lhes entregue de mão beijada por FHC, e onde os brasileiros são proibidos até de passar nos arredores ???). 

Ou alguém tem alguma dúvida de que os constantes deslocamentos da 4ª frota naval americana para “exercícios” no “Atlântico-Sul” não guarda um objetivo muito bem definido, tal qual aconteceu com os navios “yankes” ancorados nas cercanias do Iraque, à época ??? 

Fica, pois, o alerta: cuidado, muito cuidado, definitivamente ELES... JÁ CHEGARAM (e não se trata de nenhuma invasão alienígena). 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

 Senhores, 

Uma das “lembranças” mais prazerosas que o Facebook acaba de nos proporcionar, diz respeito à “republicação” do texto de nossa autoria, postado anos atrás, tratando sobre a então criação da Região Metropolitana do Cariri.

E isto porque, tudo o que ali afirmamos naquela época (vide abaixo), é hoje uma dura e cruel realidade, principalmente para os verdadeiros cratenses (mudamos/atualizamos apenas o título do artigo e trechos pontuais).

 

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“DEFINITIVAMENTE, PERDEMOS O BONDE DA HISTÓRIA” - José Nilton Mariano Saraiva

 

Se, enquanto teoria, a criação da Região Metropolitana do Cariri (anos e anos atrás) conseguiu ludibriar muita gente, através da propagação de mentiras e devaneios mil, na prática, a partir do momento em que passou a ser operacionalizada, converteu-se em um colossal embuste, uma farsa sem tamanho, uma nua, crua e indigesta realidade.

Fato é que, para camuflar a escolha de uma única cidade (Juazeiro do Norte) como receptora preferencial dos investimentos governamentais ao sul do Ceará (assim como o fizera com Sobral, ao norte), o Governo do Estado contou com uma legião de muito bem treinados e amestrados “multiplicadores” (deputados estaduais da sua base e secretários de Estado, todos cooptados) que, hipócrita e irresponsavelmente, saíram às ruas a dourar a pílula, alardeando, difundindo e propagando as futuras benesses advindas da criação da Região Metropolitana do Cariri.

Só que, internamente, entre quatro paredes, já havia a determinação política em se evitar a pulverização dos investimentos governamentais entre as diversas cidades da Região do Cariri (desprovidas do “componente político”), centrando-os em uma só urbe, na ilusória e enganadora (ou mafiosa) perspectiva que os benefícios fluiriam e se espraiariam entre as demais comunidades; naquela ocasião, alertamos aqui mesmo neste espaço sobre o perigo da passividade com que aquela conversa mole passara a ser digerida, o que nos valeu diversos rótulos desabonadores, tais quais: bairrista, conservador, retrógrado e por aí vai.

Mas foi assim, verbalizando tal lorota diuturnamente (em alto e bom som), e valendo-se de um pseudo “regionalismo” alavancador do progresso, que foram criados e passaram a operar em Juazeiro do Norte (e só lá) o Aeroporto Regional do Cariri, o Hospital Regional do Cariri, a sede regional da Receita Federal, a Universidade Federal do Cariri, a delegacia regional da Polícia Federal, a unidade regional da Receita Federal e tudo o mais que pudesse ser rotulado de “regional”, obstaculizando qualquer tentativa de igualdade/equanimidade; tudo tinha, obrigatoriamente, que ser em Juazeiro do Norte (e aí, posteriormente, na esteira do prestígio chancelado pela “desonesta” preferência governamental, os empreendimentos privados foram apenas consequência).

Quanto às demais cidades da região, ficaram a ver navios, a esperar por quem não ficou de vir e experimentaram a estagnação absoluta, a involução e a virarem meros satélites errantes a vagar sem rumo e sem norte na órbita juazeirense.

O mais estapafúrdio nisso tudo é que, à época da criação da tal Região Metropolitana do Cariri, por deslavada conveniência política, e falta de justificativa consistente para esconder o marasmo administrativo, ou mesmo na vã tentativa de justificar o injustificável, os (maus) cratenses, inclusive e principalmente algumas autoridades constituídas (que deveriam, sim, ser responsabilizadas pelo estágio a que chegamos, aí no Crato), convencionaram e passaram a adotar o cretino e ultrajante bordão de que, como éramos “UM SÓ POVO, UMA SÓ NAÇÃO CARIRI”, o progresso e a aura desenvolvimentista viriam de forma equânime, igualitária, simétrica (e coitado daquele que ousasse pensar diferente).

Deu no que deu. E como o esvaziamento do Crato, a partir de então, foi e é notório e acachapante, hoje, hipocritamente, as mesmas autoridades e formadores de opinião que engoliram o bolo sem mastigar, que teceram loas àquela criminosa ação governamental, que se deixaram bovinamente estuprar intelectualmente, que se extasiaram com o canto da sereia, e que covardemente se omitiram em questões cruciais, posam de indignados, choram ante as câmeras, manifestam surpresa, reclamam do tratamento “desigual” a que foram submetidos Crato e as demais cidades da região. Pura hipocrisia, deplorável jogo de cena, falsidade em estado latente.

E Juazeiro do Norte, que nasceu, cresceu e tonificou-se à sombra de um grande e colossal embuste, uma farsa grotesca e comprovada (o tal do “milagre da hóstia”), continua adotando e valendo-se do mesmo heterodoxo “modus operandi”, da mesma estratégia suspeita de tramar na calada da noite, que o catapultou à condição de centro receptor de tudo que provém do poder central estadual (com a inestimável colaboração do “componente político”).

Quanto ao Crato, em razão da ignorância política do seu povo (como entender que um alienígena como Ciro Gomes, que nunca fez nada pela cidade, haja obtido 11.000 votos numa mesma eleição), em razão do descaso com que sempre foi tratada uma questão séria e crucial (a escolha dos seus representantes na esfera política) definitiva e merecidamente escorregou na maionese, e assim, sem retorno, PERDEMOS O BONDE DA HISTÓRIA (sem choro nem vela).  

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

 “MODUS OPERANDI” INCONVENCIONAL - José Nílton Mariano Saraiva 

Nas administrações Juraci Magalhães e Antônio Cambraia a cidade de Fortaleza experimentou um surto de desenvolvimento inquestionável; e, para corroborar isso, à época a muito bem bolada propaganda oficial anunciava que para se constatar o progresso vigente na cidade bastava “abrir a janela”; lá estavam viadutos, parques, novas ruas, praças, etc. 

Uma dessas obras e de grande utilidade social, foi o Parque Parreão I, localizado no Bairro de Fátima (vizinho à Rodoviária, entre as avenidas Borges de Melo e Eduardo Girão) porquanto um local destinado a prática de caminhadas, atividades físicas, reencontro de amigos e por aí vai; enfim, um agradável e aprazível local para onde acorriam os moradores do Bairro de Fátima e de diversos outros bairros do entorno, principalmente nas manhãs, ao entardecer e nos finais de semana.

Compreensivelmente, a fim de registrar para a posteridade sua marca, a administração de então fincou numa das laterais do parque um modesto pedestal, encimado por uma placa onde registrado estavam os nomes do prefeito e secretário responsáveis (Juraci Magalhães/Antônio Cambraia), data da inauguração (03 DE SETEMBRO DE 1993) e outras informações básicas.

Após a administração dessa dupla, o Parque Parreão I, por descaso e falta de manutenção, enfrentou um desgastante e corrosivo processo de degradação, com o consequente afastamento daqueles que o frequentavam, tendo em vista a invasão do pedaço por desocupados e marginais de alta periculosidade. 

Eis que, mais à frente, na administração Roberto Cláudio, houve a “recuperação” do Parque Parreão I, só que com um detalhe ESTARRECEDOR e de uma DESONESTIDADE a toda prova: mantido o pedestal original, a placa com os nomes de Juraci Magalhães e Antônio Cambraia foi imediatamente substituída por uma outra (ainda está lá), onde os frequentadores tomam conhecimento que o Parque Parreão I foi “INAUGURADO” EM 16 DE SETEMBRO DE 2014, na administração do prefeito Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra, tendo como secretário da prefeitura um tal Samuel Antônio Silva Dias e chefe da regional IV o senhor Francisco Airton Morais Mourão (isso, 21 anos depois da inauguração verdadeira). 

Além do desrespeito flagrante e patente a um dos maiores prefeitos de Fortaleza (já falecido), tal atitude simbolizou e simboliza ainda hoje uma irresponsável e abusada tentativa de APROPRIAÇÃO INDÉBITA, porquanto os fortalezenses que usam o Parque Parreão I (já há mais de 03 décadas) sabem que o próprio foi idealizado, projetado e inaugurado pela dupla Juraci Magalhães/Antônio Cambraia (no dia 03 de Setembro de 1993, é necessário que se repita; portanto, 21 anos antes).    

Conclusão: pra resgatar a inquestionável verdade, e acabar de vez com a imoralidade cometida lá atrás pelo modus operandi ilegal, imoral e amoral do então prefeito Roberto Cláudio, bem que o prefeito atual (Evandro Leitão) poderia recolocar a placa original (com os dados corretos) e, ao seu lado, aí sim, num outro pedestal, uma outra placa informando da “REINAUGURAÇÃO” (e não “INAUGURAÇÃO”) do Parque Parreão I, na administração Roberto Cláudio. 

A dúvida atroz e merecedora de atenção de todos os munícipes, é: afinal, de quantas outras obras (de vulto ou não), inauguradas por antecessores, o senhor Roberto Cláudio desonestamente assumiu a paternidade ???

domingo, 1 de fevereiro de 2026

 Pedindo sua atenção para as aspas (no início e ao final) reafirmamos não se tratar da nossa lavra o texto adiante exposto, daí tratar-se nada mais nada menos que um simples compartilhamento. É que, como o tema está em voga, quanto mais pessoas tomarem conhecimento sobre, melhor pra todos.


José Nílton MARIANO Saraiva

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INTELIGENCIA ARTIFICIAL – O PODER SEM ROSTO

"A Inteligência Artificial não opera no vazio. Ela se instala em estruturas sociais já existentes e herda suas assimetrias. No Brasil, isso significa que a IA não surge como instrumento de emancipação coletiva, mas como tecnologia de intensificação de desigualdades históricas.

Para entender seus efeitos reais, é preciso responder a três perguntas básicas — raramente feitas em conjunto: Quem controla seus usos? Quem lucra com seus efeitos? Quem paga o preço silencioso de sua adoção acrítica?


Quem controla os usos da IA no Brasil - O controle da IA no Brasil não está nas mãos da sociedade, nem do cidadão, nem de instâncias democráticas transparentes. Ele se concentra em dois polos: grandes empresas de tecnologia, majoritariamente estrangeiras; e Estados e governos, usando sistemas prontos, pouco auditáveis.

Algoritmos que definem: o que aparece nas redes sociais; quais conteúdos viralizam; quais discursos são amplificados ou soterrados. Não são controlados por políticas públicas, mas por modelos de negócio baseados em engajamento e lucro.

No campo estatal, a situação não é melhor. Sistemas algorítmicos já são usados para: análise de benefícios sociais; cruzamento de dados de cidadãos; policiamento preditivo; gestão automatizada de serviços públicos.

Na prática, isso cria um PODER SEM ROSTODECISÕES QUE AFETAM VIDAS CONCRETAS, SEM RESPONSÁVEIS CLAROS, SEM EXPLICAÇÕES COMPREENSÍVEIS E SEM POSSIBILIDADE REAL DE CONTESTAÇÃO. No Brasil, onde o acesso à Justiça é desigual e a alfabetização digital é limitada, esse tipo de poder se torna ainda mais perigoso.


Quem lucra com os efeitos da IA - Os lucros da Inteligência Artificial não são distribuídos proporcionalmente aos seus impactos. Lucram: empresas que vendem sistemas e serviços de IA; plataformas que monetizam dados e atenção; setores econômicos que automatizam tarefas sem redistribuir ganhos; campanhas políticas que exploram microsegmentação emocional.

No Brasil, isso se traduz em: redução de postos de trabalho sob o discurso da modernização; precarização disfarçada de “flexibilização”; dependência tecnológica externa; captura da atenção como mercadoria.

A IA não elimina apenas empregos — ELA DESVALORIZA TRAJETÓRIAS, especialmente de trabalhadores mais velhos, menos escolarizados ou fora dos grandes centros. Enquanto isso, os ganhos se concentram em: acionistas; executivos; elites políticas e econômicas capazes de pagar pela tecnologia. Lucro privado, risco coletivo.
Quem paga o preço silencioso - O preço da IA no Brasil não aparece nas estatísticas oficiais. Ele é pago em parcelas pequenas, cotidianas e invisíveis, sobretudo pelos mais vulneráveis. Pagam esse preço: Trabalhadores - substituídos ou desvalorizados, sem requalificação real. Idosos - “assistidos” por tecnologia, mas abandonados por políticas públicas e vínculos humanos. Pessoas em sofrimento psíquico - cuja sensação de inutilidade social se aprofunda em uma cultura orientada por desempenho e eficiência. Cidadãos - expostos diariamente a desinformação algorítmica, polarização artificial e manipulação emocional. A democracia - corroída não por ruptura institucional, mas por desgaste contínuo da capacidade crítica coletiva. Esse preço é silencioso porque: não gera escândalo imediato; não tem um culpado visível; não aparece na planilha do PIB. É SOFRIMENTO DILUÍDO, NORMALIZADO, NATURALIZADO.

A equação brasileira da IA - No Brasil, a equação da Inteligência Artificial tende a se organizar assim: quem controla não sofre; quem lucra não responde; quem paga não decide. Essa equação não é inevitável — mas é o caminho natural quando a tecnologia avança mais rápido que a ética, a política e o cuidado social.


O ponto decisivo - O problema da IA no Brasil não é técnico. É político. É social. É moral. Enquanto a sociedade não disputar: controle democráticotransparência algorítmicaredistribuição de ganhoscentralidade do cuidado humano, a Inteligência Artificial continuará sendo menos uma promessa de futuro e mais um atalho sofisticado para repetir velhas injustiças. 

Conclusão: a INTELIGENCIA ARTIFICIAL é uma ferramenta poderosíssima — nem salvadora, nem vilã. TUDO DEPENDE DA MÃO QUE SEGURA O MARTELO”.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Fedorentos – Dr. Demóstenes Ribeiro (*)

     Quem me dera prever o futuro, onde eu quase sempre só encontraria decepção. Terminada a adolescência, o meu pai foi taxativo: volte universitária, para mim pouco importa a vocação, a competência ou a qualificação: volte universitária!   

     Assim, prestei um vestibular pouco concorrido e me formei em Serviço Social. Quase de imediato, consegui emprego e salário no estado. Foi difícil, mas comecei a gostar da profissão.

      Difícil porque nessa vida nunca senti tão profundamente a desigualdade. Sem pai e sem mãe, só Deus por aquelas crianças, era um abandono total. Elas chegavam à antiga Febem ainda tão pequenas e, tempos depois, soltas nesse mundo-cão onde tudo acontece, se marginalizavam.

     Em meio a tudo isso, por muitos anos perdi a esperança na transformação dessa crueldade. Como eu, muitos lutaram indignados e pacificamente, outros sofreram na própria pele e alguns até mesmo deram a vida pela grande mudança que não veio jamais. Está tudo registrado na história.

     Fiz a minha parte e ao me aposentar tive um imenso alívio. Envelhecida, já não suportava conviver diariamente com tanta desilusão. Não me casei e moro sozinha, mas tenho amigas e colegas que me convidam para aniversários e encontros de comemoração. Com frequência me recordo daqueles meninos e, agora que são adultos, imagino como eles estão.

     Também nesse emprego revivi a inocência da infância e confirmei, vez por outra, a impiedade dos jovens.  João Roberto, Zé Wilson, Evangelista... ou “Fedorento, Gambazim e Pau Cagado”, conforme a maldade e o humor negro de cada dia.

     Eram muito amigos, odiavam o banho e foram pra rua na mesma época. “Fedorento” era um mulato gordinho e que suava muito. “Gambazinho”, um baixinho sarará metido a engraçado, e “Pau Cagado”, um magricela desdentado e feio, de odor repulsivo e sorriso insuportável.

     O filme daquele tempo nunca termina até eu adormecer com as minhas preces.  Ontem, porém, foi um dia especial. A filha de uma colega se casou com um ortopedista famoso. Estive na igreja e na recepção. Tudo impecável. A noiva, lindíssima. O pai, um galã de Hollywood. O noivo, um quase artista de novela global. A banda tocava uma balada romântica, eu e todo o mundo morrendo de emoção.

     De repente, quando a noiva ia jogar o buquê de flores, houve tiros e a recepção entrou em polvorosa. São os “Fedorentos”, alguém gritou. Eu já tinha ouvido falar desse grupo marginal que invadia reuniões chiques e importunava as mulheres. A noiva desmaiou. A mãe empalideceu e chorava, e o noivo a tudo assistia petrificado.

    A certa distância, algo me pareceu familiar. Embora confusa, apostei na memória e gritei: “João Roberto, isso é coisa que se faça?” Revólver em punho, ele se dirigiu a mim. Zé Wilson e Evangelista que estavam a curta distância e sob as saias das madrinhas, levantaram-se e se juntaram a ele.

    Naqueles homens feitos, reconheci todas as crianças da Febem. Crescidas, brutalizadas e o mesmo olhar infantil de desamparo. Até mesmo parecia não haver maldade alguma naquele comportamento. 

     Fez-se silêncio no recinto. João Roberto largou a noiva, sorriu e disse em nome de todos”: “desculpe tia, a gente é fedorento, mas também gosta de lamber umas coisinhas cheirosas.” Gargalhando despudoradamente, eles correram e tomaram o carro de um bacana. Agitavam calcinhas como troféus e fugiram a toda velocidade pela cidade afora.

     Os meus meninos... Não machucaram ninguém, não roubaram, e eu nunca esperei reencontrá-los numa situação como aquela.

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(*) Dr. Demóstenes Ribeiro é cardiologista, em atividade, natural de Missão Velha-CE, mas residente e domiciliado em Fortaleza-CE  


domingo, 25 de janeiro de 2026

 O "IMINENTE" PERIGO QUE NOS RONDA - José Nílton Mariano Saraiva 

É claro e evidente que o texto abaixo não é da nossa autoria (vide as "aspas", desde o título até o final). Apenas o copiamos da "Internet" e fazemos questão de divulgá-lo pra conhecimento público, por entender ser uma necessidade premente.

Na realidade, estamos a fazer uma espécie de "alerta" sobre o iminente perigo do próprio ser humano se acomodar e relegar o estudo, o livre pensar e o ato de decidir a uma "desnecessidade", porquanto tudo agora lhe chega às mãos no simples toque de uma tecla do computador.

Reflitam sobre. 

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"INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA): O ESPELHO, O PODER E O VAZIO

A Inteligência Artificial não caiu do céu nem surgiu do nada. Ela é o produto mais sofisticado de algo antigo: a obsessão humana por controle, previsão e eficiência. Antes de ser uma revolução tecnológica, a IA é uma revelação antropológicaEla mostra, com brutal clareza, quem nós já éramos antes dela existir.

A IA não pensa. Não sente. Não deseja. Ela calcula. Aprende padrões a partir de volumes gigantescos de dados e, com base nisso, prevê comportamentos. Nada mais. Nada menos. O espanto que causa não vem de uma inteligência nova, mas do fato de que grande parte do comportamento humano é mais previsível do que gostaríamos de admitir.

Quando uma IA escreve, recomenda, sugere, diagnostica ou classifica, ela não entende o mundo. Ela simula entendimento, apoiada em estatística avançada. O problema começa quando essa simulação passa a ser aceita como autoridade.

A IA é excelente para meios. Péssima para fins. Ela responde ao “como”, mas é incapaz de responder ao “por quê”. Ainda assim, estamos entregando a ela decisões que envolvem vidas humanas, políticas públicas, reputações, eleições e destinos profissionais. Não porque ela seja sábia, mas porque é rápida. E nossa época confunde velocidade com verdade.

No cotidiano, a IA já governa silenciosamente: decide o que você vê, o que ignora, o que consome, em quem confia, de quem desconfia. Ela não impõe pela força. Ela sugereorganizaprioriza. E quem controla essas prioridades controla a narrativa. O poder contemporâneo não grita — ele recomenda.

Na educação, a IA pode libertar ou emburrecer. Pode ser um tutor paciente ou um atalho para o pensamento preguiçoso. Tudo depende de como é usada. O risco não é o aluno usar IA, mas nunca mais aprender a pensar sem ela. A IA não substitui o estudo; substitui apenas a desculpa de não entender.

Na política, o risco é maior. A IA permite manipulação emocional em escala industrial. Não se trata mais de convencer multidões com um discurso, mas de atingir cada indivíduo no seu ponto fraco específico. A democracia pressupõe cidadãos capazes de julgar; a IA testa diariamente esse pressuposto.

Do ponto de vista filosófico, Platão veria a IA como uma sombra que imita a forma da verdade sem jamais tocá-la. Aristóteles diria que lhe falta prudência, ética e finalidade. Kafka a reconheceria imediatamente: um sistema opaco, automático, impossível de questionar, que decide sem explicar. E ele teria razão.

No trabalho, a IA elimina tarefas, não o sentido. Mas quando uma sociedade reduz o ser humano à tarefa, a perda parece existencial. O drama não é a automação — é termos construído identidades inteiras sobre funções mecânicas.

Há um ponto raramente dito: a IA não cria desigualdade. Ela a otimiza. Quem já tem poder ganha mais poder. Quem já é vulnerável se torna mais previsível, mais classificável, mais descartável. O algoritmo não odeia ninguém. Mas também não se importa com ninguém.

O maior risco não é a IA errar. É acertar demais. Antecipar desejos, moldar escolhas, reduzir a liberdade ao conforto da conveniência. O controle perfeito é aquele que não se percebe como controle.

E então chegamos ao vazio. A IA responde tudo, mas não oferece sentido. Acelera tudo, mas não aprofunda nada. Vivemos a era paradoxal: excesso de informação, escassez de significado. A depressão contemporânea não nasce da ignorância, mas da saturação. A IA não causa isso — ela funciona perfeitamente dentro disso.

Onde a IA falha é exatamente onde começa o humano: responsabilidade moral, arrependimento, culpa, compaixão, amor, finitude. A IA não sofre consequências existenciais. Nós sofremos. Por isso, ainda somos insubstituíveis — e também responsáveis.

A grande escolha civilizatória não é tecnológica. A IA já existe e vai se expandir. A escolha é ética e política: usá-la para libertar tempo, consciência e dignidade ou para intensificar controle, desigualdade e vazio. A tecnologia não decide isso. Nós decidimos — ou fingimos que não.

Pensar, hoje, virou ato de resistência. Desacelerar virou rebeldia. Questionar o óbvio virou necessidade moral.

A Inteligência Artificial não ameaça a humanidade.
Ela ameaça a nossa preguiça moral, nossa abdicação de sentido e nossa disposição de pensar por conta própria".

domingo, 21 de dezembro de 2025

 

“DOSIMETRIA” – O IMORAL ACORDO RUMO À “ANISTIA” – José Nílton Mariano Saraiva

A amazônica expressão de contentamento que se apossou do povo brasileiro quando o Ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão do meliante Jair Messias Bolsonaro e seus generais(zinhos) de estimação, em razão das contundentes e irrecorríveis provas dos crimes perpetrados quando do seu mandato (provas estas disponibilizadas pra conhecimento público) dá lugar, hoje, a uma oceânica perplexidade em razão de algo absolutamente inaceitável: o imoralíssimo (e bote imoralidade nisso) acordo firmado pelos líderes do governo federal com os representantes dos meliantes, que redundará praticamente numa “anistia” a todos eles, mesmo que não ampla, geral e irrestrita, como reclamavam.

Mas, vejam só o que é essa tal Dosimetria (redução de pena): o chefe da gangue, Bolsonaro, que fora condenado a 27 anos e 06 meses de prisão, em regime fechado, se realmente prevalecer o acordo cumprirá apenas cerca de menos de 03 anos da pena, enquanto seus generais(zinhos) de estimação serão contemplados nessa mesma lógica perversa.  

Será a desmoralização completa da nossa adolescente democracia, porquanto se contrapõe frontalmente ao que fora determinado pelo Poder Judiciário brasileiro (STF), meses atrás.

Ativos porta-vozes da imoralidade, os líderes do governo no Congresso Nacional, Jacques Wagner e Otton Alencar, tentaram sair pela tangente (ou explicar o inexplicável), como se tivessem lidando com uma ruma de idiotas, ao afirmarem que apenas o “procedimento” foi levado em conta, mas não o “mérito” da questão.

Em contraponto, alguns Senadores da base aliada, dentre os quais Veneziano Vital do Rêgo (PB), Renan Calheiros (AL) e Alessandro Vieira (SE) subiram à tribuna para protestar veementemente por tamanha imoralidade, que objetiva reduzir o tempo de pena daqueles participantes do 08 de janeiro, em “TROCA” ou aprovação da taxação imediata de um outro projeto que redundará na “COMPRA” da Democracia por meros 20 bilhões de reais (é quanto o governo arrecadará, a partir do próximo ano,  através da incidência tributária sobre Bancos, Betes e Bilionários-BBB).

Já o Presidente Lula da Silva, numa entrevista a jornalistas de uma miscelânea de jornais, afirmou que não autorizou ninguém a firmar qualquer acordo e, portanto, se aprovado sem o seu consentimento, vetará a matéria quando essa chegar à sua mesa (e se isso realmente for verdadeiro, se os líderes do governo negociaram matéria de tamanha importância sem o aval do “chefe”, não restaria outra alternativa que não os destituir da função).  

Fato é que Bolsonaro e seus comparsas serão os beneficiários diretos de tamanha excrescência, e a partir daí não sossegarão enquanto não conseguirem a anistia em sua plenitude (ampla, geral e irrestrita).

Uma vergonha, verdadeiro nocaute demolidor para os milhões de brasileiros que tanto lutaram pela Democracia.      

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025



DEU NO “FINANCIAL TIMES”

 

O Financial Times, um dos jornais mais influentes do mundo, não poupou Eduardo Bolsonaro. 

Na análise publicada, o jornal britânico praticamente expõe com todas as letras o vexame internacional do filho do ex-presidente, dizendo sem meias-palavras aquilo que muitos no Brasil já sabem há anos: ele fracassou. 

Fracassou como figura política, fracassou como articulador internacional, fracassou na tentativa de vender a imagem de herdeiro natural do bolsonarismo. 

O jornal desmonta, com a frieza britânica, essa fantasia construída por ele mesmo, a de que seria um grande diplomata informal, influente nas direitas globais. 

O jornal mostra que, fora da bolha brasileira, Eduardo não passa de caricatura, alvo de piada, visto como alguém que tenta projetar poder que simplesmente não tem. E vale lembrar, que não é de hoje que Eduardo coleciona fiascos. 

De relações internacionais improvisadas a discursos conspiratórios, passando pela incapacidade de construir qualquer autoridade que não dependa do sobrenome, sua trajetória sempre foi mais barulho do que substância. 

Lá fora, isso é percebido com ainda mais clareza, e agora vem estampado pelas páginas de um dos veículos mais respeitados do mundo. 

Para a extrema direita brasileira, essa avaliação é um baque profundo. Porque se nem o “príncipe 03” consegue se sustentar no cenário internacional, o que sobra? O que sobra quando até a imprensa estrangeira começa a tratar o bolsonarismo não como ameaça global, mas como piada mal escrita? 

No fim, o recado do Financial Times é brutal; que Eduardo não tem relevância; não tem densidade política; não tem credibilidade. E isso ecoa diretamente na disputa interna do clã, que vive um racha público enquanto tenta manter as aparências. 

O vexame é global, e absolutamente merecido.

 


sábado, 13 de dezembro de 2025

 


EMBANANARAM O "BANANINHA" - José Nílton Mariano Saraiva

Lá dos Estados Unidos, para onde fugiu pra não ser preso, com a arrogância e soberba que é peculiar aos integrantes da sua família, Eduardo “bananinha” Bolsonaro cansou de afirmar e reafirmar  que as sanções impostas pelo presidente americano Donald Trump, ao Brasil e algumas das suas autoridades, seriam resultado das informações que ele  diligentemente fornecera ao governo americano (traindo o país); e que a situação só seria revertida, se e somente se, o governo brasileiro se dirigisse, a ele, “bananinha”, a fim que formalmente ele mantivesse o contato final com o governo americano (teríamos, então, na sua concepção, um autêntico “salvador da pátria”)

Eis que, numa reunião da ONU, órgão que abriga dezenas e dezenas de países, houve um encontro “casual/acidental” entre o presidente brasileiro Lula da Silva, e o presidente americano Donald Trump (Lula terminara sua fala e Trump se dirigia para fazer a sua, quando se encontraram no corredor de acesso): e aí, depois dos cumprimentos de praxe e troca de algumas breves palavras, o próprio Trump afirmou, posteriormente, que “rolou uma química entre nós” (ipsis litteris) e que deveriam se encontrar em breve.

Pra desespero de Eduardo “bananinha” Bolsonaro, a tal da “química” funcionou de forma efetiva, de forma que, durante o encontro e após as convincentes explicações de Lula da Silva, Trump chegou à conclusão que as notícias do bolsonarista repassadas ao governo americano eram falsas e que, em razão disso, as sanções impostas ao Brasil e às suas autoridades seriam de pronto revistas.

É fato que faltam alguns poucos produtos serem inclusos em tal lista, mas a realidade incontestável é que embananaram o “bananinha” com gosto de gás, desmoralizando-o publicamente e colocando-o em seu devido lugar.

Falta, entretanto, que a Câmara dos Deputados “casse” de imediato o mandato de Deputado Federal Eduardo “bananinha” Bolsonaro (exigindo a devolução do que lhe foi pago indevidamente) e que o Supremo Tribunal Federal condene-o pelo fato de ter traído a pátria e, consequentemente, peça sua extradição para que aqui possa cumprir a pena que lhe será imposta.