TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 3 de julho de 2008

"E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou. E foi tanta felicidade que toda cidade enfim se iluminou."

A grande região que envolve a Praça Paris, o Passeio Público e o largo dos Arcos da Lapa tem as decaídas edificações do Rio exuberante entre os anos 20 e os 50. Pelas ruas tributárias deste grande espaço, ainda maior, pois vizinho do Aterro do Flamengo, circula o povo. O povo brasileiro, urbano, mestiço, transeunte da sobrevivência diária, desde o mendigo cheirando cola numa pet de coca-cola até o engravatado de algum escritório próximo. Camelôs tanto vendem quanto interrompem o livre circular pelas calçadas. Uma loja Americana que foi um pedaço da Mesbla, um investimento sobre antigo arranha céu que foi o Hotel Serrador. Uma geografia como toda geografia é: história do espaço.

Dos milhares de pessoas que ali se encontravam no mesmo momento em que era um individuo a somar-lhe o total, vi uma muito especial. Saiu daqueles momentos para estas linhas.

Seguia a poucos metros à minha frente. Uma pessoa que via pelas costas, um tanto hermafrodita no vestir-se, ora homem e noutra mulher. Uma roupa moderna, com cores de camuflagem militar, por baixo uma camisa de meia de mangas comprida. Era uma vestimenta que por todos os sinais de sujeira e desgaste parecia única. Estaria em seu corpo desde alguns dias. Roupa entre um verde musgo arrastado para o tierra siena natural e puxado para o preto. Desta escultura o mais fenomenal de tudo: ela seguia em passos animados, o seu corpo quase dançava como um musical de Hollywood. Parecia que de todo o amplo espaço urbano uma música ou um estado geral mobilizador tocava profundamente aquela pessoa. Seus braços faziam movimentos firmes para frente e para baixo como se comemorasse a vitória de um momento esperado. De repente toda a minha atenção havia perdido o burburinho da cidade e aquele personagem animado concentrava toda a realidade. Para tipologia que classifica, logo imaginei uma explicação psiquiátrica ou os efeitos de alguma substância estimulante. que a tipologia não era suficiente para toda aquela relação entre a energia firme, ensimesmada naquele personagem e o próprio estágio de atenção que me capturara. Alguma imagem musical da década de 70 logo se infiltrava numa nova explicação do momento. Aquelas imagens tão comuns em Chico Buarque nas quais uma Banda revolucionava toda uma cidade para vê-la passar. Uma dança que contaminava todo o cotidiano desmotivado das gerações pré-revolucionárias de então. E por mais que apertasse os passos eu não conseguia um ângulo de visão que lhe expusesse o rosto, até que o personagem sumiu entre tantas pessoas no perigo da espera de um sinal de trânsito.

Voltei ao coletivo de tantas pessoas, veículos, pombos, as frondosas árvores do Passeio Público, continuando minha caminhada para o almoço num restaurante próximo. A cidade do Rio de Janeiro, a Escola de Música da UFRJ, uma família de indianos com suas vestimentas típicas e a mulher com a pinta colorida no meio da testa. A multiplicidade simultânea de eventos, traduzida por todos os sentidos, inclusive as pedras irregulares da calçada e na esquina a banca de jornal. Na diluição geral de todas as coisas de repente novamente o personagem. Uma mulher, marcando passos num mesmo lugar, cantando uma letra que dialogava com o que fazia. Revolvia, com bastante vigor, os restos contidos numa cesta de lixo pregada num posto bem na esquina. A mesma esquina em que o famoso João do Rio falou em suas crônicas.

Da Árvore Para o Bem e para o Mal



“Acreditaste, porque me viste?

Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

João 20, 24-29

Era um gélido dia em Londres, naquele 01 de Julho de 1858, há exatos cento e cinqüenta anos. Na Piccadilly Circus , uma famosa praça de Londres, existe um palácio conhecido desde o Século XVII, por Burlington House. Desde 1788 , ele sediava a famosa Sociedade Linneana de Londres, nome dado em homenagem ao grande botânico Carl von Linné (1707-1778). A Sociedade tradicionalmente se dedica à taxonomia e publica relevantes estudos dedicados à botânica, zoologia e biologia. Nenhum dos encartolados e sisudos senhores presentes à reunião percebeu a importância daquele momento histórico para a humanidade. Pois ali , pela primeira vez, foi apresentada a Teoria da Evolução assinada por Charles Darwin e Alfred Russell Wallace. A apresentação de uma das mais importantes teorias de toda a história passou perfeitamente desapercebida. Talvez porque nenhum dos dois biólogos pode comparecer ao conclave: Darwin (1809-1882) havia perdido o filho caçula, morto de escarlatina, dois dias antes e Wallace escontrava-se na Nova Guiné, continuando suas pesquisas. Ele nem sabia dos rumos tomados por seu estudo, enviado em fevereiro do mesmo ano para Darwin. Só um ano depois, com a publicação por Darwin do livro “A Origem das Espécies” é que o mundo começou a se dar conta do cataclismo científico desencadeado pelos dois pesquisadores.

Há inúmeros pontos nesta história sesquicentenária que merecem ser lembrados. Darwin chegara à Teoria Evolucionista há mais de 20 anos e a mantivera sob sigilo certamente percebendo o potencial polêmico e bombástico que tinha nas suas mãos. Só quando em fevereiro de 1858 chegou às suas mãos um trabalho enviado por Wallace da Indonésia que contemplava as mesma conclusões é que resolveu publicá-la , temendo perder a procedência do seu descobrimento. Eticamente a apresentou, naquele primeiro de julho, na Sociedade Linneana, em nome seu e no de Wallace. A história, injustamente, terminou por esquecer o nome do grande biólogo Alfred Wallace, nascido no País de Gales em 1823 e que desapareceria deste mundo conturbado em 1913, hoje considerado o pai da Biogeografia.

Darwin percebeu com clareza o tsunami que acabava de desencadear. Certamente se pôs na pele de Galileu, Copérnico , Giordano Bruno que entre os Séculos XV e XVI descobriram que havia explicações mais plausíveis para os segredos do mundo do que aqueles arrancados dos livros ditos sagrados. Darwin e Wallace acabavam de jogar por terra , com a sua Seleção Natural, todo o Gênesis bíblico. Os seres vivos simplesmente não foram criados de uma só vez , em apenas sete dias, conforme o texto sagrado do Cristianismo. A história científica da humanidade é bem mais profana. O mecanismo da Seleção Natural trazia uma enorme cobertura de sofrimento para muitas espécies e o aniquilamento contínuo de outras tantas menos capazes de se adaptar às modificações contínuas do meio ambiente. Os seres vivos atuais não foram criados como tais, mas são o somatório de uma infinidade de transformações que terminaram por ajudar suas características a sobreviverem, em detrimento de outros seres menos capazes. Adão e Eva – por mais absurdo que possa parecer – eram símios que desceram das árvores para o Bem e para o Mal. Os estudos arqueológicos que se seguiram apenas passaram a confirmar o evolucionismo descoberto por Darwin e Wallace.

Estabeleceu-se, com eles, a dicotomia definitiva entre Ciência e Religião. A concepção de mundo nunca mais foi a mesma. Os homens passaram a investigar a natureza por meios próprios, já não temendo a fogueira e a excomunhão. Os religiosos continuam estrebuchando , não se conformam em admitir que os livros sagrados podem cuidar com esmero do espírito, mas que em termo de explicação científica do mundo se comparam a um gibi. Bem- Aventurados os que deram sua vida para provar que para crer é necessário ver e provar cientificamente a veracidade da sua visão.


J. Flávio Vieira


POLÍTICOS E POLÍTICA NA CIDADE DO PRADO

Esta história é uma ficção. Qualquer semelhança com personagens atuais é uma farsa e não uma coincidência.

Na cidade do Prado, vizinha de Cajazeira do Norte e de uma outra com o nome estranho de Marvalha, a eleição do ano 1808 foi bem típica daqueles anos estranhos. Juntando uma situação histórica de transição, tangida pela revolução francesa, pelo bonapartismo guerreiro e conquistador e por uma aristocracia perdulária e atrasada, a política daquele ano ficou desconjuntada.

Pelo lado da disputa política do comando da cidade do Prado as opções eram como a sua linda serra sempre verde: antiga e imutável. Os conservadores dominavam o cenário. Ou eram vetustos homens de algibeira como se dizia na época, com idéias para a cidade absolutamente fora de propósito. A cidade do Prado crescera, até seminário tinha, havia um movimento para criar um ambiente de ensino superior, mas seus professores brigavam uma briga inútil e intestina para saber-se se as idéias de Galileu Galilei, naquela altura de seus 200 anos, deveriam ser postas em ensino. O precolendo candidato ao poder, mais pela idade que pelos seus atos, era tipicamente um americano. Um mestiço de idéias: juntava no mesmo cérebro tanto a gleba feudal, quanto o absolutismo mercantil e algumas coisas, quase que pequenas pepitas naquele imenso cascalho de idéias, da era moderna, capitalista e industrial.

Outro político em disputa, naquele ano de 1808 estava no poder e lutava pela sua permanência, era como um camaleão na natureza daquela transição. O seu pensamento central era a arte de camuflar-se no dia-a-dia, se hoje os pobres ocupavam a praça da matriz da cidade, era um homem preocupado com o ganho da pobreza, no outro quando os menestréis vinham com suas violas famélicas, era cultura e preocupação com os artistas. Na verdade era bem mais jovem que o outro e não precisava expor suas idéias básicas. Não precisava porque igual ao outro era da mesma natureza, que este era filho de antigo chefe local e, em nome desta tradição, governava.

Um mascate, aliado do chefe da Província, entre seus teréns vendidos na feira a preços populares, não era somente um híbrido continental, ou seja, territorial, era um híbrido daqueles tempos. Juntava uma raiva ancestral por não pertencer às famílias da aristocracia regional, com sua modernidade fabril e mercantil e, igual um homem de circo das pernas de pau, se equilibrava em grande risco nas alturas do mais puro conservadorismo provincial. Foi solicitado a sair de seu assento em plena reunião para dar lugar ao vetusto político anteriormente relatado.

As idéias populares, aquelas que seriam representativas do evoluir do século XIX, estavam naquela fase em que as vespas voam desesperadas, enxotadas de sua colméia natural e evoluem desordenadamente em busca de uma nova morada. Juntava um pouco de preocupação com a podridão que tomava conta dos riachos que abasteciam de água as casas das famílias, com o desmatamento da mata que alimentava as nascentes das águas com a avidez por negócios dos novos comerciantes, mais a revolta dos camponeses que morriam de fome entre uma safra e outra do corte de cana.

As idéias organizadas, em simulacros de partidos políticos, na tentativa de formar conjuntos ideológicos, eram muita mais um tamborete de salão nos quais um burocrata se assentava para operacionalizar acordos políticos na periferia do poder central. Enfim num ambiente desse tudo pode e nada pode. Ninguém segue caminho qualquer, tudo muda apenas para permanecer o mesmo.

O maior exemplo era o dos tablóides. Em Prado havia o moderno recurso da prensa de Gutenberg, jornais circulavam e matérias eram postadas tentando capturar a realidade. A situação em Prado era tão precária em termos de "iluminismo" das idéias que aqueles que escreviam e publicavam se achavam os paladinos da liberdade de pensar. Mas era ledo engano. Bastava um vôo rasante para caírem no duro piso do cristalino conservador.

A disputa pelo poder era acompanhada por "juízes de fora", fiscais locais e por oficiais de justiça. Como o grande absolutismo ditatorial era a tônica reinol, nos espíritos secundários destes pequenos funcionários inventou-se a ditadura formiguinha. Passaram a ameaçar a tudo e a todos com regras de disputa de propósitos ameaçadores. Mas ameaça com propósito, pois a ameaça no máximo pode ser uma espécie de transitivo indireto, pois sempre tem a quem ameaça e com que finalidade. A tática é sempre ter clareza de quem ameaçar, mas criando uma cortina de fumaça para esconder a real finalidade. A cortina de fumaça é o mesmo de toda ditadura: a legalidade. Mas que legalidade? A legalidade do conservadorismo e a ilegitimidade com a complexa realidade.

O clima criado pelos "ditadores-formiguinha", os ditadores de província em conjunção com os parceiros locais, foi de tal ordem que um destacado jornalista começou a perder o sono. Imaginando o efeito de tal e qual matéria poderia provocar no espírito daquelas formiguinhas vorazes. Antes que os tipógrafos estivessem na prensa, o referido jornalista, editor do Tablóide do Prado, desmanchava os tipos que poderiam imprimir a sua sentença de prisão ou a multa pecuniária.

Pauta Cariri Informa: Intelectuais e artistas assinam carta aberta ao Governo do Estado

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O Bonde vai Passando...


Intelectuais e artistas assinam carta aberta ao Governo do Estado

O movimento iniciado pelo Coletivo Camaradas contra a exclusão dos artistas locais da Expocrato toma dimensão e ganha apoio de nomes importantes da intelectualidade e do mundo artístico. A Carta Aberta ao Governador veiculada e distribuída em massa pela internet é assinada por nomes como: Abidoral Jamacaru, Auci Ventura, Arice Morais, André Ferreira - Banda Liberdade e Raiz, Luciano Brayner e Amelia Coelho – Zabumbeiros Cariris, Alvaro Holanda, Francisco Di Freitas, Claudio Reis, Ermano Morais, Hamurabi Batista, Alessandra Bandeira, Alexandre Lucas, Carlos Henrique – Banda Missão Miranda, Jean Alex – Banda Sol na Macambira, Paulo Bento, João do Crato, Dihelson Mendonça, Maércio Lopes, Carlos Henrique, Franklin Lacerda – Coletivo Malungo, Shirley França – Carroça de Mamulengos, Luiz Augusto Bitu, Fatinha Gomes, Carlos Rafael Dias, Ricardo Correia, Francisco Saraiva – Banda Herdeiros do Rei, Lamar Tavares, Frederyck Sidon, Ulisses Germano, Alemberg Quindins – Fundação Casa Grande. Além de carta de apoio da AFAC - Associação dos Filhos e Amigos do Crato. De acordo com os integrantes do movimento, A luta não se resume a conquista de um espaço para os artistas locais, mas a defesa da democratização da música para conjunto da população que é refém da indústria cultural e não tem a opção de conhecer outros estilos musicais e acrescentam que a questão não se trata de arte pela arte, mas do direito das camadas populares terem acesso a pluralidade e diversidade artística, qual não deve ser privilegio das elites, dos artistas e intelectuais. O Coletivo Camaradas deverá receber ainda essa semana cartas de apoio de diversas entidades ligadas aos movimentos sociais, culturais e juvenis. Para os integrantes do Coletivo Camaradas, não se trata também de estabelecer como critério artistas locais ou bandas, pois grande parte das bandas da industria cultural são do Cariri, no caso bandas de "Forró Eletrônico" ou "forró pasteurizado" que fazem apologia ao machismo, a homofobia, a bestialidade, a violência e as drogas.

Vereadores do Crato ainda não se manifestaram

Os vereadores do Crato ainda não se posicionaram em relação a questão. No entanto, O Coletivo já solicitou formalmente duas vezes o posicionamento dos parlamentares municipais sobre o caso. A próxima reunião dos artistas será no dia 07, segunda-feira, às 18h30, na Camarada Municipal do Crato.

Informações adicionais nos blogs:

WWW.coletivocamaradas.blogspot.com
WWW.blogdocrato.blogspot.com

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Um nick - um mito !



Fins da década de 90. Noites sem buscas . Sono sem sonhos.Surtei ! E , como toda loucura tem perdão , pequei !Pequei , visitando um mundo longe dos meus sentidos ... Um mundo que parecia ilusão .Teclado ágil e nervoso , num chatt ... E como quem se atira no mar , mesmo sem saber nadar , mergulhei !Nick fantasiado de deusa ... Nem eu conhecia o personagem , que o momento criara : Sauska !Passados os primeiros tempos , corria célere , entre os estranhos , que aos poucos se tornavam amigos , comadres , admiradores , e amantes .Perseu , sem Danãe , entrava e saia , com sua prosa e seu verso , atiçando estrelas ...Atiçava toda a gira , atiçava o frevo , e o samba !Acompanhei sua rima com atrevimento , arte e desastre !

Com o exercício diário , as energias entram em sintonia , e produzem ditos ... Falas e verdades ... Conversas soltas , que entoam cantos.
Fui dizendo , fui ouvindo , fui criando , fui colando ...
Uns meses depois , salvos alguns rabiscos , pincei o que dizia o mito ; estruturei a poesia , e devolvi-lhe , como uma fotografia , num livro encapado .
Foi um presente surpresa ... Ele se viu poeta , (como na realidade era... ) e a partir desse insentivo , publicou seu primeiro livro.

O Homem e o Livro

Era um homem , isso posso afirmar. Apenas mais um , e seu virtual personagem a andarilhar .Suas conversas valeram escritos .Talhou suas falas em corpos de árvores , chão de estradas , areias de praia , nos rostos dos rochedos , em folhas de outono , que voam pelo céu.Por onde andava fazia da natureza , páginas do seu livro.Deixava suas marcas de interna e pessoal felicidade .Alguns e tantos , por mera curiosidade , colheram seus versos. Poucos , entretanto os guardaram !
Um dia , numa noite de lua cheia , este homem vestido do seu personagem, gravou no corpo de um sabugueiro um nome : Doce Clemência .
E a partir desse dia , andarilharam em versos : o homem , seu personagem e Clemência.
Caminharam para além da realidade, e construiram um mundo , centro de um livro. Lá existem castelos , pontes , montes, árvores , frutos , céus , oceanos , caminhos , pessoas , sonhos ... tudo em corpos de papel !
Um livro , na forma de mulher ...Um mundo , em um livro !
Homem e seu personagem habitam esse livro... Morada de desafios , longe das nossas mãos , presentes na alma e no coração. .. Num ponto , onde tudo se aquieta ... !

TIRANDO A BUNDA DA CADEIRA

Gosto disso. Da porrada que é dizer a alguém: “tire a porra da bunda de sua cadeira e venha pra luta, pra trincheira, pra cama, pro bar!” dá a idéia de que vai haver movimento. Que a inércia enfim, será relegada ao limbo. Sepultada para todo o sempre amém.
Quando ainda tinha tempo, lia muito. Os teóricos anarquistas, com suas bundas apoiadas em cadeiras escreviam sobre isso: “propaganda e ação”. Kropotkin era teórico. Stirner e bakunim eram ação pura. Dinamite vinho e liberdade na madrugada. Apois sim, sou um velho em pele de novo. Tenho ainda paixões juvenis e afoitas pelo anarquismo de ação. Mas, ai de mim. Sou um velho bem humorado.
Me imaginando poeta, declaro que a idéia é uma moça nua. Aparece, excita. Mas, se a gente não pega ela de jeito, não rola sexo. Não rola movimento. E não tem camarada em coletivo ou individualmente que mude isso.
Marcos leonel é um escritor que admiro e respeito. Tem culhão pra falar coisas como se cada palavra fosse a ponta acesa de um cigarro. Mas – é bom lembrar – a ponta de cigarro do lobisomem só queima a pálpebra de quem teima em manter o olho fechado. Ele diz, e concordo geral, que a festa maior do cariri, a “ex – porra – crato” não é mais da cidade. Diz que desde a nascente é tudo aborto. Fala de pires na mão de mendigos de luxo. Artistas canibais de si mesmos. Mas ele também fala de luta, e ainda diz qual será a arena onde isso “possivelmente” vai rolar: associação e parcerias.
Penso, e penso que marcos leonel também pensa assim, que não adianta “invadir” a festa dos reis da sanfona erótica. Até porque isso não diminuiria o público acéfalo de suas apresentações. Imagino daqui, do sertão da bahia, com minha bunda magra sentada em minha jaqueta: o que, ou ainda, qual o motivo da luta? O mega palco? Ou o mega cachê? Se é palco, o público é ilusório. Quem do cariri, incluindo passado e futuro, imaginaria levar cinco mil pessoas para assistir um show? Os neo-punks do “pombos urbanos”? a virtuose dos teclados “dihelson mendonça”? eu sei, eu sei... eu sou só um velho anarquista de guerra e paz. Mas acredito que a discussão teria que passar por uma formação de platéia. E qual seria o primeiro passo? Talvez mudar radicalmente a programação das rádios. Seqüestrar DJ´S. mutilar dedos de guitarristas de forró-band. Ou quem sabe, sentar a bunda em uma cadeira e montar um blog, com rádio inclusa, tocando jazz o dia inteiro. O povão ama jazz. O povão delira por jazz. O povão fará passeatas por jazz. Sou a favor do terrorismo. Caso vá haver ação, favor incluir as rádios de petrolina e juazeiro, cheias de axé, e oxente music. E pra não dizer que concordo de todo com marcos lobisomem, não gostei do são patrício. Mas sempre gostei de caminha.

A pergunta é inevitável:
Pianista toca em pé?
Senta a bunda meu querido. Aponta tua má-tralhadora pro pires da galera.

És porra crato
Esporra crato
esporra

EU NÃO SOU PARTIDO: EU SOU UNIDO PELA JUS-TIÇA DO AMOR

Nos blogs e na mídia em geral discute-se atualmente o processo de mudança ou transição de poder através da competição acirrada entre partidos políticos. Nesse sentido, devemos refletir profundamente sobre a essência desse processo de reorganização das forças sociais. O que se pretende afinal através da participação e competição popular na eleição de novos representantes do povo? A resposta não poderia ser outra: JUSTIÇA SOCIAL. Em verdade, o que se busca é a justiça social onde os diferentes possam ter oportunidades de produção e acesso “iguais” a todos os bens, valores e serviços oferecidos ou aplicados pelo Estado ou Sociedade. Então, o princípio básico que nos une nessa empreitada é, portanto, a JUSTIÇA. Mas, o que significa a expressão JUSTIÇA? Entendemos no mundo moderno pragmático como sendo o direito e dever de todos sustentados sob a mesma ordem e valor aplicados segundo a Constituição do país em seu Estado de Direito Democrático. É claro, que esta é uma definição conceitual que criei nesse momento. A definição etimológica de JUSTIÇA nos remete, segundo o conceituado e respeitado jurista Miguel Reale no seu livro Filosofia do Direito, a idéia de união e junção. Segundo REALE, o radical JUS (de Justiça) se origina de uma expressão sânscrita que significa exatamente UNIÃO e JUNÇÃO. Isso implica dizer que o princípio que orienta a idéia de justiça é a união, junção ou integração da consciência humana.
Mas, essa idéia se encontra muito distante de uma sociedade moderna unida que está fragmentada entre partidos políticos os quais buscam a qualquer custo o cume do poder temporal. MAX WEBER chegou afirmar que a razão (instrumental) desencantou o mundo. Eu diria que fez muito mais do que isso, pois fragmentou em pedaços muito pequenos tudo o que nos cerca (famílias, raças, religiões, ciências, ideologias, países, sentimentos, ideais e valores). O problema de hoje é conseqüência de uma práxis grega milenar (“penso, logo existo” – Descartes) que enveredamos e raramente nos questionamos sobre o seu sentido e significado. A razão instrumental produziu um universo de tecnologias e benefícios materiais que fez com que esquecêssemos ou não buscássemos a verdade de sua identidade e finalidade. E a finalidade da vida depende da identidade ontológica (ego ou self) que alcançamos conquistando com mérito em nosso processo evolutivo cósmico.
Existe uma contradição que solta aos olhos: “fragmentar para integrar”. A razão fragmenta, mas não integra a vida humana. Por isso, que a política partidária é a arte de dividir, fragmentar, separar os elos humanos na grande cadeia de relações e conexões da vida universal. Em verdade, ela é um processo que caminha no sentido contrário ao do princípio da vida cósmica. A ciência moderna, p. ex.: a física quântica, vem afirmando com fundamentação que o universo é um sistema integrado onde todos os seres são elos intermináveis na formação da grande cadeia universal em que os pólos opostos são forças complementares em equilíbrio. Assim sendo, a vida política não foge a essa regra. Ou respeitamos os princípios da natureza universal, ou então, sofreremos uma desintegração com perda de consciência e sofrimento da alma e do corpo - numa escala planetária!
A natureza destruída (desmatamento, aquecimento global, tempestade etc) que vemos ao nosso redor simboliza o processo interior das forças cósmicas agindo em desequilíbrio nas ações das almas humanas. “Decifra-me ou eu te devoro”. Os egípcios já sabiam disso! Enquanto caminharmos unilateralmente num processo de desintegração da consciência teremos dias difíceis e penosos – com certeza! - pela frente. O conflito ou combate (ideológico, religioso, racial, científico etc) não nos levará a uma unidade e justiça social. Precisamos de solidariedade, humanidade, doçura e sensibilidade. Fora desse marco de integração cósmica teremos DOR e FRAGMENTAÇÃO COM PERDA DE CONSCIÊNCIA. Não existe acaso – o acaso é a nossa ignorância das forças cósmicas agindo em nosso mundo e realidade humana. Ou mudamos profundamente, ou então, pereceremos – Amem ou Amém! Visitem meu blog http://bernardomelgaco.blogspot.com
Prof. Bernardo Melgaço da Silva

É TUDO

eu não te ofereço pouco,
um universo em expansão,
todas as palavras em ação,
as orações que a te religa,
eu não te ofereço pouco,
o meu corpo por inteiro.


e se te ofereço a eternidade,
os teus lábios cisma de imprecisão,
teus olhos o desejo duvidoso,
quando a testa franje preocupada,
e as narinas alas de inspiração,
pois a eternidade é tudo que sou,
oferecendo-te a minha mortalidade.

e se te ofereço o amor,
as cercas que a frente cairão,
as rotas espaciais ao infinito,
os passos da metade de mim,
a parte que se tornou rastro,
a outra que abre trilhas,
todo o meu futuro é teu.


e nada mais restando para oferecer,
mesmo assim tens os meus versos,
a guarda cuidadosa dos teus encantos,
a saudade que tua ausência destila,
os minutos que tua presença estica,
as minhocas que meu corpo comem,

as cinzas que minha alma possui.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Dolorida

Sete nós na camisa e o Pai-Nosso resmungado de trás pra frente. Era esse o conjuro das catimbozeiras de minha terra pra mudar de signo, se tornar diferente, melhor ou pior. Só isso. Nada de coração de bode preto, língua de víbora, cabeça de codorna, miolo de asno, fava-moura, pedra-ímã, flor de hidra, corda de enforcado, unha de cobra, sombra de mulher menstruada, nadinha de nada. Sete nós numa camisa, um espojadouro de cavalo, a encruzilhada em lua cheia, meia-noite de uma quinta pra sexta-feira. Arre! Cuspo de raiva! Fiz pior que tudo isso. Arribei-me do meu mundo distante, saí à cata de outro destino. E no que deu? Nisto. Uma cidade grande, uma rua, uma esquina, um viaduto, caixas de papelão, sacos plásticos, e a mesma fome me roendo por dentro.

Dei os sete nós na camisa e vesti pelo avesso. Cumpri o que ensinaram pra reverter a sina ruim. E agora, que sou eu? Dolorida. E esse homem morto aos meus pés? Um homem. Uma carniça que os urubus estão doidos pra comer, mas não comem porque eu não deixo. Eu, Dolorida. Esse é meu nome, mesmo. Parece nome de gente? Parece não, mas é o que eu carrego desde que nasci. Dolorida, para me dolorir bem muito.

Xô, desgraça! Xô! Xô! Só porque o meu velho era um bêbado e vivia caído pela rua, pensam que vão levar? Levam não! Nem o corpo e nem a alma. O Diabo que experimente. Ninguém me passa a perna. Ele não prestava, nunca prestou, mas é meu. Podre do jeito que está é a única coisa que tenho. Xô! Xô! Vão agourar a mãe.

Ah, memória fraca e perdida. Esqueci tudo. Desde hoje eu tento me lembrar de uma reza. Queria rezar pra meu morto. Eu sabia tantas. Na minha terra se rezava pra tudo: pra chover, pra caírem os dentes, pra nascerem outros, pra tirar olhado de menino, pra espinhela caída e carne trilhada. Meu Deus, até pra casar! Como eu rezei pra casar com esse homem.

Meu São Roque
aqui estou aos vossos pés
sem me rir e sem chorar
a vós pedindo que me dês
um noivo para casar.

Meu São Roque, faz tanto tempo, era tão longe. Ainda existe aquele lugar? Um povoado com nove casas, ou dez, ou onze, eu nem me lembro mais. Mergulhamos no esquecimento e, quando acordamos, o Diabo aparece e carrega a gente. Mas este Ele ainda não carregou. Só se me levar junto. Meu velho não valia nada. Não dizia coisa com coisa. Desde que viemos embora e nos perdemos neste mundo grande de cidade, ele se apalermou. Meu São Roque, por que você não disse pra gente não vir? Agora tudo é longe. Está escuro sem ser noite. E este morto, aqui do meu lado, marca o meu tempo. O que foi que eu deixei de ver?

Um dia, olhando pela janela vi passar um homem cheio de feridas. O que é isso tão feio, ninguém falou a mim que existia? É a doença, responderam. Numa tarde, olhei de novo pela janela e vi uma mulher se arrastando, enrugada como estou agora. Disseram que era a velhice. Não é possível que ainda falte conhecer coisa pior.

Não! Não! Xô! Xô! Xô! Não levam o meu velho que eu não deixo.

Conheci a morte. Este homem caído aos meus pés está morto. Morto, mesmo. Duro, amarelo, frio, sem respirar. Quando São Roque me deu ele em casamento, não me disse que íamos ficar velhos, doentes, miseráveis e, por cima de tudo, morrer.

Se eu não viesse embora pra cidade, será que ele teria morrido? Teria, sim. Os de lá também morrem. Mas, pelo menos, aparece um conhecido, uma vizinha que ajuda a encomendar o corpo e rezar bonito. Aqui, estou sozinha. Sozinha com ele, que não valia nada, mas era meu marido.

Uma incelência...

Se passa alguma pessoa e escuta, acha que eu estou doida. Cantar para um morto... Só na minha terra. Lá, as pessoas adoecem e morrem em casa. Aqui, vão morrer nos hospitais.

Uma incelência...

Eu cantava a noite toda. Até pra vestir o defunto, peça por peça.

Arrecebe pecador
a derradeira camisa
os anjos tão te esperando
pra levar pro paraíso.

E vestia a calça, as meias, a camisa... Meu Deus, eu não tenho nada pra vestir no meu homem! Ele só tem a roupa com que morreu.

Uma incelência da Virgem da Conceição
ai que dor, minha mãe
ai que dor no coração
ai que dor, minha mãe...

Duas incelências...

Era assim mesmo, eu me lembrei. E tinha outra. Como era a outra? Meu Deus, se nós esquecemos quem fomos, o que será de nós? Eu não tenho nada, mas posso ter, pelo menos, a minha lembrança. Como era aquela outra, eu cantei muito quando minha mãe morreu!

Uma incelência
da estrela madona
galho de alecrim
rosa manjerona...

Eu me lembrei dessa, também. Escute, meu velho. Enquanto as mulheres cantavam pro morto, na sala, os homens bebiam cachaça no terreiro. Quando morria um menino, a gente levava pra enterrar e ganhava doce, bolo e ponche de laranja. Parecia que o povo se alegrava porque um anjinho tinha subido ao céu.

Está ouvindo, meu velho? Se você fosse um anjo eu fazia uma mortalhazinha de cetim branco, colocava você num caixãozinho azul e enterrava, bem alegre. E quando fosse de noite, olhava o céu, procurava uma estrelinha e dizia: lá está ele piscando os olhinhos de anjo pra mim. Não é, meu anjinho papudo? Todo anjinho vai pro céu. Mas os velhos como eu e você podemos queimar no inferno ou no purgatório. Como se não bastasse o que já padecemos na terra. E se formos pro céu, ainda temos de passar no purgatório, pra vomitar o leite que mamamos. Minha mãe falava e eu lembrei agora. Tinha esquecido tudo. Sinto um arrepio só de lembrar. Não sei se é bom, nem se é ruim. Sei que estou lembrando.

Você está morto, eu estou viva, nós estamos sozinhos. Ou é o contrário? Sou eu que estou dormindo? Daqui a pouco chega um Anjo ou o Diabo pra levar você. Mas ninguém leva. Xô! Xô! O Anjo São Miguel vinha buscar as almas boas. O Diabo carregava as almas ruins. Bastava eu fechar os olhos pra ver o Satanás. As mulheres cantavam, os homens bebiam cachaça, o defunto não se mexia na cama. Os meninos se agarravam com medo às saias das mães. O vento apagava as lamparinas e o Diabo entrava de mansinho. Era preto, vestia paletó branco e tinha os olhos vermelhos. Xô! Xô! Daqui você não leva nada! Xô! Eu, Dolorida, não deixo. Xô! Xô! Xô!...

Ronaldo Correia de Brito é médico e escritor. Escreveu Faca e Livro dos Homens.

Interblogs: Embrulho no Estômago está de volta...

...e melhor do que nunca.
Confiram:

Machistas na cafeteria

Mulheres são putas. Senão putas, enrustidas, também conhecidas como mulheres para casar. Mulheres mentem e choram para conseguir o que querem, ficam com o ex-ficante da melhor amiga, não dividem a conta (se for pra dividir, melhor sair com as colegas de trabalho), gastam os tubos com roupas e acessórios que valorizam seus atributos físicos, a fim de exercerem com fidedignidade o ofício de ser puta.

Homens são engenheiros. Têm orgulho da única tarefa que a natureza lhes atribuiu. O mundo está a seus pés. A Terra gira em torno de seus interesses. Tudo o que se permitem construir ao longo da vida tem por finalidade alcançar nota máxima na única tarefa que lhes foi imposta. E quando falham? E quando constroem um edifício de 33 andares em 30 segundos?

As mulheres falam, sabe?

Posso rir agora?







MUTATIS MUTANTES

Esse disco é a primeira divisão da célula criacional dos Mutantes. Depois de dois discos extremamente influenciados pela estética tropicalista e pela lisergia psicodélica via Sargent Pepper... dos Beatles, um lançado em 1968, intitulado Os Mutantes; e outro lançado em 1969, intitulado apenas Mutantes; o irreverente grupo paulista lança o seu terceiro disco, em 1970, intitulado “a divina comédia ou ando meio desligado”, assim mesmo em minúsculo e quilométrico, já bem mais maduro musicalmente e apontando para outros nortes.

As colagens musicais, os ruídos, as dissonâncias espaciais, as intervenções, as citações pop e as orquestrações de vanguarda de Rogério Duprat já não se faziam presentes com a mesma intensidade de antes. Com a prisão e o exílio seqüente de Gil e Caetano havia um prenuncio de fim do Tropicalismo e esse disco traduz um pouco disso. O início dos anos 70 anunciava também o fim do flower power e uma modificação no som vindo de São Francisco. Com o fim dos Beatles, mais do que necessário, outras bandas inglesas começavam a dar o ar da graça, renovando a musicalidade pop.

Depois de umas longas férias, após um intenso ano de participações em festivais e shows no exterior, Os Mutantes aparecem renovados e com nova formação, agora com Dinho e Liminha definitivamente como integrantes. A mudança foi muito benéfica. O humor e a ironia corrosiva voltaram com a carga toda, agora sobre um tapete sonoro muito mais consistente e um guitarrista muito mais presente. A sonoridade havia mudado como também havia mudado a estética dos textos, bem mais ousados e bem mais contestadores naquilo que os incomodavam mais.

Se em 69 existia um patrulhamento ridículo contra a rebeldia elétrica do rock, chegando os instrumentos elétricos serem proibidos nos festivais, como sempre a burguesia é burra e a classe média paquiderme, eles voltaram muito mais rockeiros ainda, com o volume no talo. Agora era possível perceber que eles faziam perfeitamente o perfil de uma má companhia. Os puristas tremeram com a versão anárquica de “Chão de estrelas”, um clássico da velha guarda. Para completar a quebra de tabus o disco ainda trazia uma ode psicodélica ao coisa ruim, a hedonista e satírica “Ave Lúcifer” e uma carnavalização sacra com a esquisita “Haleluia”, uma espécie de fusão rockeira entre o sagrado e o profano.

Se existia um moralismo aniquilador, causado pela histeria sado-militar, eles voltaram ainda piores, agora incitando o amor livre, na irônica “Quem tem medo de brincar de amor”, com Rita Lee cantando com sotaque americano, além de uma capa transgressora, aloprada, com uma adolescente nua descendo aos infernos, por uma tumba aberta, sob os olhos de dois sacerdotes, sabe-se lá de que credo. Essa intertextualidade com Dante faz menção àquilo que se teria como demoníaco naquele Brasil totalitário, com grande parte da igreja apoiando a ditadura. Na contracapa Rita Lee está em uma cama entre os dois irmãos, dando a entender que estão nus debaixo dos lençóis, ao lado está Dinho como se fora um guarda-costas, vindo diretamente de um campo de concentração alemão.

Duas baladas fenomenais e uma sátira se encarregaram das vendas razoáveis do disco, a insinuante “Ando meio desligado”, e a irônica “Desculpe, Babe”. “Hey boy” é uma sátira ao padrão de consumo machista da burguesia paulista, que faz do carro uma extensão do falo, com uma instrumentação woo bop, bem anos 50.A versão de “Preciso urgentemente encontrar um amigo”, um meio sucesso e um meio protesto de Roberto e Erasmo Carlos, é simplesmente impagável.

As provocações sonoras aparecem com as geniais: “O meu refrigerador não funciona”, um blues modificado, com uma letra em inglês sugerindo uma necessidade sexual fora do normal, cortada bruscamente pelo estranhamento do verso universal da necessidade pós capitalismo industrial, que dá título à música; “Jogo de calçada” é um rock com várias mudanças de andamento e uma guitarra agressiva, cheia de fuzz; “Oh! Mulher infiel” encerra o disco com a irreverência sonora de sempre, agora com um instrumental bem mais rockeiro e uma guitarra solando em uma cama de distorção e trêmulo, preparando o terreno para os próximos discos: “Jardim Elétrico” e “Mutantes e seus Cometas no País dos Baurets”.

1970 foi o ano do glorioso tri campeonato mundial no México, o ano da famigerada campanha fascista de amor à pátria: Brasil ame-o ou deixe-o. Foi também o ano em que Dom e Ravel apontaram o dedo com a infame música de combate ao analfabetismo “Você também é responsável”, além de muitos outros acontecimentos significativos e infames, que não cabem ser discutidos aqui por motivo de espaço. Mas foi também o ano em que os Mutantes meteram o dedo na ferida do moralismo católico-totalitário da sociedade brasileira. Meteram e foi sem vaselina.

A banda
Arnaldo Baptista - teclados, baixo e voz
Rita Lee - voz, percussão e efeitos
Sérgio Dias - guitarras, baixo e voz
Arnolpho Lima Jr. (Liminha) - baixo
Ronaldo P. Leme (Dinho) - bateria


Marcos Leonel

POEMA 21


São nos olhos pousados sobre teu corpo
como o sol que pousa sobre a terra,
que perco meus raios sobre tí.
Como as folhas correntes nos ares do outono,
Como as pedras dolentes nos rios, nas águas de março...
Que assim surjo para tí e tu somes no vazio do espaço
Utopias que corro como Apolo, pelos céus, que roubo as asas de Ícaro e grito teu nome do alto da torre de babel
Dos alto de todos os píncaros.
Deste modo correm meus dias vendo as flores nascerem como alguém, fonte de sonhos, quimeras e utopias. Ver cada pétala invadir-se de cor como tí que infesta de vida ao chegar...
Mais uma vez debruço minhas retinas sobre o prado e vejo as ervas daninhas olharem o viço das flores aspirando matar...
E eis que as lágrimas caídas do rachar do céu não somente inspiram os crimes das ervas, não inspiram somente o bradar de trovões...
Agoam sim seu corpo, e a água toma-se em veios, suas veias, nutre-as e assim torna novamente a teu viço impecável, o teu exalar letárgico de perfumes e teus olhos negros a furar-me a alma.
É assim que também sangro e me faço etéreo, agora não mais para te buscar...
Torno-me híbrido, um tiro de festim, a perfurar-lhe o peito e em você misturar-me.

Expocrato:Organizadores de feira querem aumentar negócios em 30%


(Fonte: jornal O POVO 1º de julho de 2008)
Expocrato
Organizadores de feira querem aumentar negócios em 30%
Expocrato 2008 começa no próximo dia 13 e traz novidades como o leilão de raças nacionais e uma exposição de cães. A expectativa é um volume de negócios 30% maior do que do ano passado.

Rita Célia Faheina, da Redação
1º Julho 01h15min 2008

Maior espaço para a exposição dos animais, leilões de raças nacionais, movimentação bem superior ao do ano passado com relação ao volume de negócios e ao público esperado. Os organizadores da 57ª Exposição Centro-Nordestina de Animais e Produtos Derivados (Expocrato-2008) querem superar em 30% o faturamento de R$ 67.990.110,00 do evento no ano passado e o número de visitantes durante os oito dias do evento em julho de 2007: 600 mil. A principal feira agropecuária do Norte/Nordeste e uma das maiores do País começa no próximo dia 13 e prossegue até 20 de julho, no Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti no Crato, Região do Cariri. "Não é só uma festa regional, mas do País. A Expocrato vem crescendo muito a cada ano", define Ricardo Técio Miranda Garcia, presidente da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos da Bioregião (Accoa) e integrante do núcleo gestor da Exposição.
Ele informa que, pela primeira vez, haverá leilões de raças bovinas nacionais. "Serão três contemplando as raças Sindi, ovinos das raças Morada Nova e Somalis, caprinos da Raça Anglo-Nubiana e ainda o leilão Top Cariri". Outra novidade da Expocrato 2008 é a Expocães com a presença de animais de várias raças.
Além do programa técnico e de negócios da feira, o grupo gestor organiza a parte cultural com cerca de 30 shows de artistas regionais e nacionais. Investem numa estrutura com mais de 40 camarotes, dois palcos, tendas eletrônicas, praça de alimentação e estacionamento. Na área de 120 mil metros quadrados, cabem 30 mil pessoas. Os shows culturais e as atrações artísticas são pagos. Na Praça do Folclore, os expectadores também pode assistir a apresentações, diariamente, de danças como o maneira-o-pau, coco e reisados, além dos repentistas, bandas cabaçais e participar do forró pé-de-serra. "Teremos também os stands voltados para o agronegócios, artesanato e diversas linhas de crédito, uma casa de farinha e um engenho de cana-de-açúcar", lembra Ricardo Técio.
No ano passado, em torno de 390 expositores nacionais mostraram seus produtos nos oito dias da feira. Os negócios envolveram, além dos leilões e venda direta dos animais, comércio de máquinas, implementos agrícolas e veículos. No evento, serão apresentadas as últimas novidades da moderna tecnologia agropecuária e agroindustrial. Trará ainda inovações da pesquisa, nas áreas de genética animal e assistência técnica.
SERVIÇO
Mais informações pelos telefones: (85) 3101 1670 e (88) 3521 3561. Enviar e-mails: expocrato@agropolos.org.br
SAIBA MAIS
A Expocrato é resultado de parcerias entre o Governo do Estado, através da Secretaria do Desenvolvimento Agrário, do Instituto Agropolos, da Associação dos Criadores do Crato, da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos da Bioregião do Araripe e Ematerce. A Exposição Regional Agropecuária do Crato começou em 1944, organizada por um grupo de agropecuaristas, que conversavam sobre o desenvolvimento do Crato e a necessidade de um evento que movimentasse e trouxesse modernização para a agropecuária da região. A região do Cariri, composta por 31 municípios, é conhecida como o “Oásis do Sertão” devido às virtude de suas mais de 260 fontes de águas naturais, áreas verdes e natureza exuberante.
Eventos paralelos: demonstrações do funcionamento de engenho de cana-de-açúcar e casa de farinha; encontros de negócios animais; feira dos municípios; feira de artesanato; feira da agricultura familiar; palestras técnicas; cursos técnicos; parque de diversões; shows artísticos. Mais informações: www.expocrato.com.br

Grupo Coletivo Camaradas se Reuniu na Câmara de Vereadores para definir estratégias para combater a "Farra da Violência".

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A Coisa é Pra Valer !


Ontem, dia 30 de Junho aconteceu outra reunião do grupo Coletivo camaradas e convidados na câmara municipal do Crato. Na pauta, a discussão de vários temas:

- O discussão de estratégias contra a exclusão dos artistas locais no palco principal da ExpoCrato
- A possibilidade de realização de evento paralelo à ExpoCrato somente de artistas locais
- A criação de uma Associação de Artistas do Cariri e organização da classe.
- A discussão de estratégias para uma Campanha Permanente para a Democratização dos meios de Comunicação, especialmente o Rádio para a diversificação da música.
- A quebra do Monopólio exercido pelas Bandas de Forró Eletrônico nas estações de Rádio.

A reunião, que durou mais de 2 horas foi muito produtiva, com ampla exposição de idéias, muitas vezes contrastantes, proposição de soluções a curto, médio e longo prazo. Foi também uma ótima oportunidade para outros simpatizantes das idéias se conhecerem pessoalmente, pois alguns só se conheciam através da internet. Da pauta, resultaram diversas estratégias e ao final, foi marcada nova reunião no mesmo local, na câmara dos vereadores do crato na próxima Segunda-feira às 18:30 com a intenção de levar mais artistas, pessoas ligadas ao segmento e outras que partilham dos mesmos ideais do Coletivo Camaradas em seu papel de ir contra o Monopólio exercido pela mídia, e o que eles chamam de "A Farra da Violência", promovida pelo "Cartel da Mídia", formado de um lado pelas estações de rádio que só tocam um só tipo de música de baixo calão, por outro lado, os promotores de eventos, que baseados nessa veiculação trazem essas bandas, os proprietários das bandas de forró que as produzem a cada dia, demonstrado na prática pela livre veiculação da pornografia em forma de letras de músicas não de duplo sentido, mas livremente pornográficas, que incitam o alcoolismo, a prostituição, rebaixa o papel da mulher na sociedade e promovem a degeneração da estrutura social promovendo a "Farra da Violência".

Parabéns a esses bravos jovens do "Coletivo Camaradas", que contrários a toda uma política perversa, teima em lutar por uma mídia democrática que dê espaços a todos os tipos de música, todo um Cartel formado por pessoas que precisam ser retiradas urgentemente dos locais que ocupam, de onde só causam o mal à sociedade, através da massificação, bestialização e corrupção de seres humanos, numa ampla e irrestrita lavagem cerebral encabeçada pelos detentores da mídia radio-porno-fônica.

Abaixo, fotos da reunião de ontem na Câmara dos Vereadores em Crato:

Acima: Alexandre Lucas, criador do "Coletivo Camaradas"









O
ntem, dia 30 de Junho aconteceu outra reunião do grupo Coletivo Camaradas e convidados na Câmara Municipal do Crato. Na pauta, a discussão de vários temas importantes para a classe artística e para a sociedade como um todo:

- O discussão de estratégias contra a exclusão dos artistas locais no palco principal da ExpoCrato
- A possibilidade de realização de evento paralelo à ExpoCrato somente de artistas locais
- A criação de uma Associação de Artistas do Cariri
- A discussão de estratégias para uma Campanha Permanente para a Democratização dos meios de Comunicação, especialmente o Rádio para a diversificação da música.
- A quebra do Monopólio exercido pelas Bandas de Forró Eletrônico nas estações de Rádio.
- A influência nociva das letras das bandas de forró eletrônico na Sociedade

A reunião, que durou mais de 2 horas foi muito produtiva, com ampla exposição de idéias, muitas vezes contrastantes, proposição de soluções a curto, médio e longo prazo. Foi também uma ótima oportunidade para outros simpatizantes das idéias se conhecerem pessoalmente, pois alguns só se conheciam através da internet. Da pauta, resultaram diversas estratégias e ao final, foi marcada nova reunião no mesmo local, na câmara dos vereadores do crato na próxima Segunda-feira às 18:30 com a intenção de levar mais artistas, pessoas ligadas ao segmento e outras que partilham dos mesmos ideais do Coletivo Camaradas em seu papel de ir contra o Monopólio exercido pela mídia, e o que eles chamam de "A Farra da Violência", promovida pelo "Cartel da Mídia", formado de um lado pelas estações de rádio que só tocam um só tipo de música de baixo calão, por outro lado, os promotores de eventos, que baseados nessa veiculação trazem essas bandas, os proprietários das bandas de forró que as produzem a cada dia, demonstrado na prática pela livre veiculação da pornografia em forma de letras de músicas não de duplo sentido, mas livremente pornográficas, que incitam o alcoolismo, a prostituição, rebaixa o papel da mulher na sociedade e promovem a degeneração da estrutura social promovendo a "Farra da Violência".

Parabéns a esses bravos jovens do "Coletivo Camaradas", que contrários a toda uma política perversa, teima em lutar por uma mídia democrática que dê espaços a todos os tipos de música, todo um Cartel de pessoas formado por pessoas que precisam ser retiradas urgentemente dos locais que ocupam, de onde só causam o mal à sociedade, através da massificação, bestialização e corrupção de seres humanos, numa ampla e irrestrita lavagem cerebral encabeçada pelos detentores da mídia radio-porno-fônica.

Dia 07 de Julho, Segunda-Feira já está marcada nova reunião para definir estratégias a curto, médio e longo prazo para atuação no dia-a-dia pelo grupo. Todos lá...

website do coletivo camaradas:
http://www.coletivocamaradas.blogspot.com

Entre nessa luta, que é de toda a sociedade, para salvar a Música de Qualidade ! - Democratização dos Meios de Comunicação JÁ !

Por: Dihelson Mendonça
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