TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ecos do Serviço de Alto Falantes a Voz do Povo

Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2001 – às 19:50 horas.


Cornetas, vozes de amplificadores,

Espalhadas acima do relevo,

Irregular do Bairro da Batateira,

Ecoam boleros de amores perdidos.


Serviços de alto falantes,

A Voz do Povo,

Transmitindo dos seus estúdios,

Diretamente para todos.


Esta música vai da letra G,

Para alguém dos cabelos longos,

Negros e sedutores,

Como prova de amor e carinho.


Com Waldik Soriano,

Lembrando o ardor das paixões,

Se agarrando aos trapos das perdições,

Escute esta canção.


Eu não sou cachorro não...”

Enxotado no corte das tuas unhas encarnadas,

Desequilibrado sobre paredes chapiscadas,

Arranhado desde a epiderme até a medula,

Tu sabes maltratar-me e é por isso que eu vou embora....”


A pior coisa do mundo é amar sendo enganado...”

Quando o desamor é desprezo,

O desprezo redunda em anular-se,

O amor do amado que não o quer,

Pelo nosso amor, pelo amor de Deus....”


Esta canção vai de um ser solitário,

Para aquela que passa e não o ,

E passa, passa, sem olhar para trás,

Com Waldik Soriano um grito que te chama:


Hoje que a noite está calma...”

Quando o luar pranteia a brisa,

Nenhuma voz se anuncia no vácuo,

Dos espaços escondidos das luzes,

E que minha alma esperava por ti...”


Aparecestes afinal....”

O corpo teu limitando-se de fosforescência,

Feito uma aparição de encantamento,

Ocupou o espaço vago imediato da minha presença,

Torturando este ser que te adora....”


Volta meu amor....”

Não creia nas aventuras dalém,

Abusada que foi da minha monotonia,

Pois o alento que és me faz viajante,

Fica comigo não me desprezes....”


Atenção você da Letra A,

Que passa ao largo da bodega de João do Tetéu,

Indiferente ao meu desespero de amor,

Escute esta canção...

Na voz de Waldik Soriano:


Minha querida, saudações....”

Cujas letras mortas não representam,

As milhares de cintilações que pulsam,

Na penumbra da noite desde os pirilampos,

Escrevo esta carta não repare os senões.....”


Para dizer o que sinto....”

Me revelando a imagem incompleta,

Que formam minhas entranhas carnais,

Enquanto não vens fazer-me espírito,

Dentro de mim....”


O Serviço de Alto Falantes,

A Voz do Povo,

Se espalhando nas encostas do bairro,

Ecoando nos caminhos inclinados,

Deseja-lhes uma boa noite e se cala por hoje.


Em quais ondas se encontram teus ecos?

Nesta face lustrada das preferências civilizadas,

Quando o gosto se afina em negar outros,

E os tempos continuam teus chiados.

Até hoje continuam,

Interrompidos pela realidade,

Suplantados pela evolução,

Ninguém mais os ,

Alguém mais os ouve.

Mas eles continuam,

adiante junto com as ondas,

Sonoras que escaparam da gravidade,

E migram eternamente através do espaço.

Eternamente enquanto espaço houver.



Somos todos ciganos

Antunes Ferreira
Em tempo salazarento Portugal era o País dos três efes: Fátima, Futebol e Fado. Hoje, Portugal é o País dos três efes: Fundos, Finanças e Futebol. A História, por mais que queiram que ela mude constante e permanentemente, bem ao contrário vai avançando com bastas repetições, mas, sobretudo, com muitas adaptações.



Somos, aliás, uma raça de adaptados – e de adoptados. Costumo dizer que somos ciganos. Não os dos tiros, das desordens, das feiras, dos roubos, da droga – que os há, como é sabido. Se calhar, também possuímos um qb destes nos cromossomas a que temos direito. Porem, aqui, é outro o conceito. Para constatar que somos uma mistura aciganada, basta que miremos a nossa genealogia.

Os residentes sem cartão mas residentes, começaram, segundo dizem, por ser os protoibéricos. Na fila (antigamente eu usava bicha, mas hoje…) encontramos de seguida os ibéricos, os lusitanos, os romanos, os vândalos, os suevos, os alanos, os visigodos, os mouros, e diversos outros que não menciono para não esgotar as listas de registo e as respectivas certidões. Mesmo assim, convém não esquecer os fenícios e os gregos. Muitos.



nos primórdios da nacionalidade, conta-se com um bolonhês e cruzados das mais diversas origens, tonalidades e defeitos, sem certificados de qualidade e de proveniência. Isto tudo misturado – miscigenado para usar palavra erudita que fica sempre bem em escrito – foi originando o Português. E vieram os Descobrimentos. Mais achas para a fogueira. Pretos, indianos, malaios, chineses, coreanos, tailandeses, chinês, japoneses, timorenses. É obra.

Bom, já o tenho escrito, nós colonizámos sobretudo na cama. É esta comezinha constatação, no meu mais do que modesto entender, que pôde justificar a afirmação de que a nossa colonização foi diferente de outras, ou, mesmo, das outras. Não terá sido completamente assim. Mas quem é o escriba para assim perorar, se a mulher com quem casou de igreja e tabelião, é… Goesa?

Acrescento só mais uma pequena «ocorrência». O nosso terceiro e último filho nasceu em Luanda. Quando já nos reinstaláramos em Portugal, findos os anos de Angola, fomos registá-lo na Conservatória dos Registos Centrais. O zeloso funcionário encarregado de fazer o assento, perguntou o nome do rapazito: Luís Carlos etc. Natural de? Luanda. Filho de? Henrique torna e deixa, natural de Lisboa, freguesia de São Sebastião da Pedreira (há uma caterva deles). E de Raquel tal e modos, natural de Raia, concelho de Salcete, antigo Estado Português da Índia. Abreviando: as duas testemunhas arregimentadas à porta conservatorial, eram, um moçambicano, e o outro, damanense. Palavra de honra.


O agente administrativo apontou tudo cuidadosa e conscientemente, à mão, naturalmente, no livro de registos monumental, leu o escrito e deu para assinar. Finalmente, fê-lo ele próprio. Só por pura curiosidade e face ao fácies, perguntei-lhe de onde era. Do Mindelo, Ilha de São Vicente, Cabo Verde.

Saímos, agradeci às testemunhas e paguei-lhes o combinado, já que nunca nos tinham visto, sendo que um era amigo de um primo da Raquel, da Beira e outro conhecido do meu sogro que fora director da Alfândega de Damão. E foram à vida deles. E nós, à nossa. Um slogan então muito na moda referindo a banca, saltou de imediato do Paulo o meu do meio: «Olha, agora és nacionalizado, nosso»…

E logo o Miguel, o primogénito, plantou uma alcunha no pimpolho com os seus quatro anos: «a partir de hoje, és o tuti-fruti».E depois, digam-me lá se somos ou não somos ciganos?

(Também publicada no www.sorumbatico e noutros, vários...)

A Explicação


Uma vez escrevi sobre a informatização no espiritismo – tinha lido em algum lugar que os computadores substituiriam os médiuns – e, como esperava, recebi algumas cartas de protesto contra o comentário, considerado desrespeitoso.

Está certo, deve-se respeitar a crença dos outros. Talvez a descrença seja apenas uma falta de imaginação. São tantas, tão variadas e tão literariamente atraentes as explicações metafísicas sobre o que, afinal, nós estamos fazendo neste mundo e o que nos espera no outro que não crer em nada, longe de ser uma atitude racional e superior, é uma forma de burrice.

De não saber o que se está perdendo. O negócio é ser pós-moderno e desistir conscientemente do racionalismo, pois, se as explicações finais são tão impossíveis quanto as utopias – e a própria física, quanto mais descobre sobre o mundo, mais perplexa fica –, então o negócio é voltar à mágica e ao deslumbramento primitivo, que são muito mais divertidos.

É verdade que eu sempre achei a explicação de que não há explicação nenhuma, ou pelo menos nenhuma que o cérebro humano entenderia, a mais fantástica de todas, mas reconheço que é um sumidouro. Não a recomendo. Toda a força, portanto, à imaginação, a todas as escatologias, a todas as seitas e a todos os santos. Tudo se resume naquela música – ou é apenas uma frase? – do John Lennon, Whatever Gets You Through The Night. O que ajudar você a atravessar a noite, está certo. É difícil lidar com toda essa herança que a gente recebe junto com um corpo e uma mente, uma vida finita num universo infinito, sem nem um manual de instrução. No escuro, todas as respostas são válidas, todas as crenças são respeitáveis.

Eu, por exemplo, estou desenvolvendo a tese de que a explicação de tudo está na alcachofra. Ainda não sei bem onde isto vai me levar, mas sinto que estou perto de uma revelação. Deus é uma alcachofra. Quando desenvolver melhor a idéia, volto ao assunto.


Luiz Fernando Veríssimo

Metamorfose




Tudo se transformou
da noite pro dia ...
Turva natureza
casa vazia ...
Meus sonoros pigarros
de repente , calaram ...
Isso é vida ou utopia ?
Vou viver no preto e branco
mais uns anos...
Dizem que o gosto
melhora um tanto ...
Que o faro fica insuportável ...
e que o cheiro do corpo ,
atiça novo encanto...
Eu quero água....
Água das nascentes
pra lavar o que ficou guardado
Meu sonho adormecido ,
embotado de fumaça ,
agora respira ,
no apagão da saudade


9 dias atrás , nos largamos ...
360 beijos , nos poupamos !
P.S... Eu me amo ?

Nossa homenagem ao Waldick !


Aos 75 anos, vítima de câncer de próstata, Waldick desencarnou!


Esta Noite Eu Queria Que o Mundo Acabasse
Waldick Soriano

Esta noite eu queria que o mundo acabasse
E para o inferno o senhor me mandasse
Para apagar todos os pecados meus

Eu fiz sofrer a quem tanto me quis
Fiz de ti meu amor infeliz
Esta noite eu queria morrer

Perdão quantas vezes tu me perdoastes
Quanto pranto, por mim derramastes
Hoje o remorso me faz padecer

Esta é a noite da minha agonia
É a noite da minha tristeza
Por isso eu quero morrer

AGENDE-SE!



Programação:

Oficinas, excursões e aberturas de exposições já começarão antes da abertura oficial do encontro, entre terça-feira, dia 9 e quinta-feira, dia 11 de setembro. A oficina do Mestre Júlio de fotopintura será realizada nestes dias, no horário de 9:00 as 12:00 horas.

10/09 (quarta-feira)
8:00 horas - 16:00 horas: visita à Casa Grande, em Nova Olinda; Museu de Paleontologia em Santana e Geopark Araripe (com inscrições e cobrança de taxa de R$ 15,00- mínimo de 15 participantes)

18:00 horas: Abertura das exposições na Lira Nordestina e na casa-oficina das Marias (trabalho em barro).

11/09 (quinta-feira)

9:00 horas – 12:00 horas: Oficina fotopintura (continuação/ último dia).

Durante o dia: Inscrições e trocas de informações na Lira Nordestina, montagem de barracas, tendas, divulgação de trabalhos.

18:00 horas: Abertura do encontro no teatro-auditório do BNB, mesa-redonda 01. Em seguida: Abertura da exposição, no BNB/ com apresentação dos filmes: “Retrato Pintado” e “Câmara Viajante”, com os protagonistas dos respectivos filmes presentes.

12/09 (sexta-feira)

9:00horas – 12:00 horas: Visita à casa da artista Telma Saraiva, Crato (com inscrições)

18:00 horas: No teatro-auditório do BNB, mesa redonda 02.

20:00 horas: Fala do fotógrafo estadunidense Dick Welton, Cariri revisitado.

13/09 (sábado)

9:00horas – 12:00 horas: Visitações em Juazeiro do Norte (M. Dodô/ casa dos milagres)

18:00 horas: No auditório do BNB, mesa redonda 03

20:00: Fala de fotógrafo

14/09 (domingo)

A partir das 10:00 horas: Grupos de trabalho, na Lira Nordestina.
A partir das 16:00 horas: Apresentação de resultados. Confraternização.



Mesas redondas:
Todas no espaço do BNB/ teatro-auditório

Exposições:
Centro BNB de Cultura, Juazeiro do Norte: fotografia popular;
Lira Nordestina, Juazeiro: oficinas/apresentação de projetos/ instalações interativas/ banners de fotografia- Ifoto/ Lambe-Lambe, na visão de xilógrafos;
Ateliê das Marias, Juazeiro: fotografia popular em barro;
Casa de Telma Saraiva, Crato: retratos pintados;
Outros espaços anunciados durante o evento;

Oficinas:
Foto-Pintura, Mestre Júlio: Participação somente com inscrição antecipada. A oficina será realizada no espaço da Lira Nordestina, entre os dias 8 e 11 de setembro.
Pinhole, com Allan Bastos: Inscrição no dia 11 de setembro.

Troca de experiências/ Excursões fotográficas:
Todo o dia, a partir das 9:00 horas, avisos, notícias e socialização das fotos na
Lira Nordestina.

Projeções de imagens/ Projetos/ Análises de portfólios:
No espaço da Lira, os fotógrafos terão espaço e infra-estrutura para explanar as suas imagens ou projetá-las através de data-show com outros fotógrafos presentes, curadores, amigos, etc. O espaço pode ser usado de forma bastante informal e espontânea, permitindo inclusive a realização de mini-oficinas. Será possível montar barracas, tendas e mini-exposições.

Instalações interativas: Totem (ou altar) fotográfico:
Os fotógrafos serão convidados a depositar uma (ou mais) fotos de sua preferência num espaço apropriado, que perdurará além do encontro, ficando assim como monumento da fotografia.

Varal da romaria:
Num varal, os fotógrafos poderão socializar as suas fotos, feitas durante a romaria.

Às noites, a partir das 21:00 horas, projeções de imagens ao ar livre, na Lira Nordestina.

Não deixe de visitar:
- A pracinha de tendas/ dos ambulantes, em frente da Matriz Nossa Senhora das Dores;
- O foto-estúdio de Telma Saraiva, no Crato;
- A casa da Madrinha Dodô, na Ladeira do Horto;
- As salas de milagres (na praça do Socorre, no Museu do Horto e no abrigo São José, todos em Juazeiro);
- A loja de produtos fotográficos, Gino;
- A Fundação Casa Grande, em Nova Olinda.


A PARTICIPAÇÃO É GRATUITA. UMA INSCRIÇÃO PRÉVIA NÃO SERÁ NECESSÁRIA. NO ENTANTO, QUEM PRECISAR DE CERTIFICADO DE PARTICIPAÇÃO, OU QUISER MARCAR ESPAÇOS PARA OFICINAS/ LANÇAMENTOS DE LIVROS/ APRESENTAÇÃO DE PROJETOS, ETC. DEVERÁ FAZÊ-LO COM ANTECEDÊNCIA, NOS E-MAIL: titusriedl@terra.com.br, poesiadaluz@gmail.com ou allanfoto@hotmail.com

Curadoria:
Titus Riedl/ Nívia Uchoa/ Valéria Laena/ Allan Bastos/ Francisco J. de Sousa Nunes/ Tiago Santana

Equipe de apoio:
José Cláudio Leôncio Gonçalves/ Renato Ancântara de Abreu/ Jeani Matias Costa/ Emanuela de Morais Silva/ Celso Oliveira/ Robson Natanael A. Vieira/ Rosângela Vieira Freire. Poesia da Luz, Ifoto.

Realização:
Memorial Cultura Cearense/ Ifoto/ Universidade Regional do Cariri/ Centro Cultural Banco do Nordeste

Sinceridade


"Eu defendo, na verdade, o uso do fumo em qualquer lugar. Só fuma quem é viciado". Assim o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a intenção do Ministério da Saúde de proibir o fumo em lugares fechados, a exemplo do que foi proposto pelo governador José Serra (PSDB) à Assembléia Legislativa de São Paulo, na semana passada. Durante a pergunta que lhe foi formulada, Lula fumava uma cigarrilha. Ele concedia entrevista coletiva a jornalistas de oito jornais populares do país, no Palácio do Planalto, ontem de manhã. Naquele momento, não havia repórteres-fotográficos na sala.

E-Mais

O Sistema Único de Saúde (SUS) gasta pelo menos R$ 338,6 milhões por ano para tratar os brasileiros que sofrem de doenças causadas pelo cigarro. Com o mesmo valor, seria possível manter em funcionamento um hospital público de médio porte (200 leitos) durante seis anos. O valor foi calculado pela economista da saúde Márcia Pinto, da Fundação Oswaldo Cruz, e se refere aos gastos que o SUS teve em 2005 com quimioterapia e internações de fumantes e ex-fumantes. Foram analisadas 32 doenças provocadas pelo cigarro. O gasto pode ser ainda maior, pois o tabagismo dá origem a mais de 50 doenças, como males cardíacos e respiratórios, osteoporose e até impotência sexual. Nem todas foram consideradas na pesquisa

(Jornal "O Povo", edição de 04-set-2008)

AGNÓSTICO, por Lúcio Alcântara

Açude nordestino
Ultimamente, a imprensa tem divulgado o lançamento de livros escritos por cientistas que questionam a fé e a existência de Deus. São inimigos de Deus e das religiões. Esgrimem argumentos científicos para se opor à crença em Deus. São, sobretudo, os evolucionistas que têm se mostrado os mais aguerridos neste combate.Do outro lado, há cientistas que acreditam ser possível conciliar fé e razão, ciência e religião. Um dos mais prestigiosos militantes dessa corrente é Francis S. Collins, Diretor do Projeto Genoma, autor do livro A Linguagem de Deus, da Editora Gente. Foi neste livro que encontrei a origem da palavra agnóstico, e a narração de como o cientista britânico Thomas Henry Huxley a cunhou, em 1869.


Com a palavra, Huxley : Quando atingi a maturidade intelectual e comecei a me perguntar se era ateísta, teísta ou panteísta; um materialista ou um idealista; um cristão ou uma pessoa com opiniões próprias, descobri que quanto mais aprendia e meditava, menos conseguia uma resposta pronta; até que enfim, cheguei a conclusão de que não criei nem ajudei a criar nenhuma dessas definições, a não ser a última. A única coisa em que a maioria dessas boas pessoas concordava era a única que me tornava diferente delas.Estavam bastante certas de que ligar-se a uma determinada "gnose" resolveria mais ou menos o problema da existência; embora tivesse bastante certeza de que eu não havia resolvido, e tinha uma convicção muito sólida de que esse problema era insolúvel.Assim, tomei cuidado, e inventei o que imaginava ser o título adequado de "agnóstico". Isso veio à minha mente como uma antítese sugestiva ao "gnóstico" da história da igreja, que aparentava saber muito justamente sobre coisas que eu desconhecia.


Um agnóstico, afirma Collins em seu livro, diria que o conhecimento sobre a existência de Deus simplesmente não pode ser alcançado.No mesmo livro, há uma passagem que narra um encontro de Darwin com dois ateístas, aos quais teria perguntado por que se chamavam ateístas, e disse preferir o termo agnóstico, de Huxley. Um deles, respondeu-lhe que o agnóstico era um ateísta claramente respeitável, e o ateísta, apenas um agnóstico explicitamente agressivo.

O sol , no girassol






A natureza é cheia de sóis ...
O céu se veste de todas as roupas ...
- A mais bonita , a gente enxerga ,
com o coração feliz !
Hoje , a tarde esteve deslumbrante ...
Tirou meus olhos da terra
Jogou meus olhos pro sol ...
passeando em nuvens cascateadas ,
prontos para o happy hour .
Confessa , meu amor,
que te prendi no pensamento ...
nessa tarde , nessa noite , e até agora ...
na madrugada que acorda ? !
Pintei nossa estrada
por entre pedras e vales ...
Beira de açude ,
fiz morada ...
Muro caiado de branco
Trepadeira pink , pink
arrodeando a varanda
Um pilão , um fogão
e um pé de manjericão .
Você nunca chegou da roça...
Nunca trouxe milho pra fazer pipoca ...
Emprego do vento
é balançar pensamento !
A paisagem fugiu
na velocidade das horas
Carrego na lembrança
gente que não vejo ...
Pesado presente
tão esquecido de mim !

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

QUE VIVA A IMORTALIDADE!

(foto: Antonio Vicelmo)

Cultura é destaque na região do Cariri
Instituto Cultural do Cariri e Academia dos Cordelistas do Crato promoveram eventos no fim de semana

Crato. Dois acontecimentos culturais marcaram o final de semana no Crato. O primeiro foi a posse do médico João Marni Figueiredo para ocupar a Cadeira Elysio Gomes de Figueiredo, na Seção de Ciências do Instituto Cultural do Cariri. O segundo foi o lançamento de seis cordéis na Academia dos Cordelistas do Crato. A solenidade de posse de João Marni foi aberta com o hasteamento das bandeiras. Depois de prestar juramento, o novo sócio agradeceu a honraria e enalteceu o patrono de sua cadeira, o também médico Elysio Figueiredo. Ele foi saudado pelo sócio, Olival Honor de Brito, que destacou a competência do novo acadêmico como intelectual. A cerimônia foi presidida pelo advogado Manoel Patrício de Aquino, e encerrada com discurso do médico Napoleão Tavares Neves.
O outro acontecimento foi o lançamento de seis cordéis pela Academia dos Cordelistas do Crato, uma entidade que congrega os poetas populares do Cariri e já publicou cerca de 400 títulos de cordéis. No final de semana, a Academia, que é presidida pelo poeta Luciano Carneiro, lançou os cordéis “Dom Helder Câmara”, de Willian Brito; “Ensaio de Canteria”, de Pedro Ernesto e Alcaci França; “Estou Vivendo o Presente, Mas Não Esqueço o Passado”, de José Joel de Souza e Capitão (Francisco Henrique); “Das Obras da Natureza a Mulher é a Mais Bonita”, de José Severo Gomes; “Padre Verdeixas”, Eugênio Dantas, e “As Bonequeiras do Pé de Manga do Crato”, de autoria de Maria do Rosário Lustosa.Fundação.

O Instituto Cultural do Cariri foi fundado em 4 de outubro de 1953, e instalado oficialmente em 18 de outubro de 1953 no Crato, com um total de 20 cadeiras. Entidade de fomento e publicação de obras literárias de autores do Cariri cearense por meio da Revista Itaytera de triagem anual desde 1953. A Academia dos Cordelistas do Crato foi fundada em 1991 pelo folclorista Eloi Teles de Morais e é composta por poetas populares de diversos segmentos da sociedade: dentistas, agrônomos, professores, carroceiros, trabalhadores rurais, dona-de-casa e aposentados.

Interblogs: O teatro em questão

A dica foi dada por Aeronauta, que fez repercutir um interessantíssimo, divertido, porém verdadeiro post postado no blog Histórias do Interior ( http://xeudizer.blogspot.com/ ), de Bernardo Guimarães. Foi um Deus nos acuda. Choveu comentários sobre os dois posts. A maioria concordando com o teor deles, ou seja, o fato de alguém poder não gostar de assistir peças de teatro e ter a coragem de assumir isso publicamente. Outros, mesmo timidamente, renovando seus amores pelo dito cujo (o teatro). Achei o máximo, além de um achado e de um apoio, pois também não gosto de teatro (sei que alguns bloggers daqui vão me crucificar), mas é pura verdade, confesso: NÃO GOSTO DE TEATRO. E junto com aqueles que manifestaram sua concordância com Bernardo e Aeronauta, sinto-me aliviado em poder confessar.
Mas, vamos ao que interessa, ao polêmico post postado por Bernardo Guimarães no seu blog Histórias do Interior.

Obs.: Aos atores, autores e diretores de teatro e seus afins , não vejam este Interblogs como uma provocação. É somente uma constatação.

Carlos Rafael Dias ( http://tudo-fel.blogspot.com)

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E o teatro?

Já que comecei, vou até o fim: também não vou mais. Nem posso dizer que não gosto de teatro, até fiz parte do grupo da Faculdade de Medicina, quando atuamos em várias escolas com relativo sucesso. O problema é com o chamado "teatro interativo". Aí o bicho pega. Feio. A ultima peça que assisti foi A Bofetada, no dia em que comemoravam 10 anos em cartaz. Isso já faz mais de dez anos, acho. Naquele dia estava com humor de cão; quem me deu "bom dia" ouviu como resposta: "por que?". Achei até que um teatrinho desopilador poderia me ajudar. Qual o que! Quando aquele pessoal desceu do palco para escolher um pato, gelei! Sou mal humorado mas não consigo ser mal educado, esse era meu dilema: que faria se me "escolhessem"? Simulava um ataque cardíaco na hora! Ou epiléptico, por ser mais teatral. Nunca mais voltei.
Algum tempo depois, uma amiga me contou que havia assistido a uma peça em que os atores desciam pelados do palco, e "interagiam" com o público, assim, como se estivessem na privada. Ela comentou que chegou a sentir o cheiro dos pentelhos de um ator coadjuvante que se postou, com os pés sobre a poltrona, a terríveis poucos centímetros de seu nariz! E se eu não conseguisse controlar minha educação? ou ele a ereção?
Para completar a tríade, também não vou mais a shows musicais, a partir da invenção nacional do acompanhamento das músicas com palmas, ou com corinho. Só se for João Gilberto. Aí ele dá um esporro por nós dois.
Espetáculo, para mim, qualquer que seja, deve ser: pago para assistir! Caso contrário assumo:

VÁ AO TEATRO
( mas não me chame )
Pomar

A tarde jazia
Cheia de azia
Diante da apostasia
Da Ásia menor
Mas aqui nos trópicos
Os tropeços soluçam
Em louças fajutas
E febres malsãs
E ela se estende
Serpentinamente
Cheia de luz e sombra
E sobras e sobras e sobras
E repentinamente
Revela as velas acesas
Antes da morte do deus
Que explora os pecados
Antes da morte dos seus
E o dinheiro arrecadado
É noite pura
Que depura
A áurea de qualquer
Puta que já partiu
Para parir a mais
Preguiçosa manhã
Mas em fim
Onde estão os cajus
Dessas cvastanhas
Tão desesperadas?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Existe algo mais chique do que se perguntar por uma amiga e sermos informados: foi para Fortaleza. De férias. Mas poderia ser Recife, Salvador, Rio, Buenos Aires, Santiago do Chile ou a caminho de Compestela. Hoje as distâncias estão curtas como as turbinas a jato que alinhavam imensas distâncias como plissados. As decisões de viajar são tão banais como ligar um celular. Mas mesmo assim, saber que alguém aqui deste interior de seiscentos quilômetros adentro de qualquer parte do arco litoral do nordeste, foi para , é chique demais.

Pois então, as páginas do Cariricult perderam a poética da Socorro Moreira para os recessos existenciais do dolce far niente litoral. È muito chique, a Socorro e algo empobrecido o blog regional. Mas de qualquer forma, como diria um bom capitalista, o trabalho é a energia do progresso. Por isso é que a contemplação até virou trabalho. O Paulo Coelho ganha uma montanha de dinheiro com sua alquimia, que transforma magia num rio que flui, assim como as igrejas neopentecostais, para as mesmas contabilidades.

Mas tem outras coisas. E o Domingos Barroso? Será que o corpo e as entranhas que cantam também se deixaram ensoalheirar-se nas areias ruidosas dos verdes mares cearenses? Mas será que alguém me diria se temos um candidato a vereador em plena campanha? Sei que tem um dom de vaqueiro especial, sempre aumentando o rebanho do Carricult mas discretamente postando. O Salatiel é um artista pleno, ele é a própria estética destas fusões que juntam a idade da terra com a ação do tempo. Muito antes da Socorro ir para o litoral, deu-se a escassez do Carlos Rafael no pedaço.

Mas os queixumes não se resumem ao conservadorismo dos postadores iniciais. O Cariricult tem uma dinâmica, a partir destes mesmos veteranos, que inovam letras e idéias como uma árvore que frutifica até mesmo fora de estação. Foi assim que o Antonio Sávio, o Bernardo, o Antunes Ferreira, entre mais alguns abriram as portas do mundo. Mas não deixa de ser muito chique saber-se que alguém foi para Fortaleza.

VIRA O DISCO… E TOCA O MESMO

Uma nova posição

Antunes Ferreira
Algum tempo – mas pouco – depois do dia da Revolução, os trabalhadores da fábrica Meu Querido Patrão, já organizados em Comissão de, reuniram-se para decidir da gestão futura da unidade. O qu’rido bósse Serapião Sarzedas, mais conhecido pelo SS, basara apenas soubera do golpe. Gato escaldado…

Pessoal. Isto é para ir prá frentex! O orador, o Pinto, ganda pintarola, era já o Sicratário- giral. Vamos entrar por novos caminhos! Um dos presentes, a medo e à sorrelfa, perguntou – a pé, ou de vuátura? Ninguém lhe ligou pevide. Reaccionários sempre houve, carago.

Antes do mais. Quem é o camarada com piores condições aqui na empresa? Temos de ser todos iguais. O mesmo sussurro: mas uns mais do que os outros… Mau, Maria. Se descobrimos o sacana, é saneado e só não é fuzilado provisoriamente porque esta merda é uma revolução sem sangue, só cravos. Passaram à frente.

Era, indiscutivelmente, o Silva porteiro. Mil paus por mês, uma cagada em três actos. Pior: treze filhos, mulher ocupadíssima, ainda com tempo para fazer umas empadas para fora. Sempre ajudava. Pois’tá visto, o Silva. Chamou-se o homem. Camarada Silva, temos novidades para ti. O pobre do cidadão logo pensou para com os seus, dele, botões, estou frito, vou pró olho da rua, só m’acontecem desgraças, é tudo prejuízo, porra! Mas, nem piou. Falazar podia agravar…

Passas a ganhar dois mil e quinhentos escudos por mês e abono de família para os filhos. E, garanto-te em nome da CT, vamos arranjar-te uma nova posição! Estás contente? Se estava. Não lhe dera uma apopelacacia, ou algo assim, porque não calhara, nem tinha dinheiro para vícios. Amigos… (e o tal filho da puta sotto voce: camaradas, é o que agora se usa… ‘Da-se o gajo!)

Amigos, posso ir comunicar este monumento à minha Mariquinhas? Podes e deves. É pra já. E o Silva, ei-lo a correr desenfreado prá Graça, Rua sei lá de quem, quinto andar sem elevador. E sem GPS. Não sentia a quilometragem, muito menos as escadas galgadas a dois e dois. Nem se lembrou da chave. E boxeou valentemente a porta. Abriu-se. Ó homem-de-deus – o que aconteceu? Morreu alguém? Foste despedido? Nada, Mariquinhas, nada! Lá na fábrica vão arranjar-me uma nova posiçãooooooooo!!!!!

Um sorriso maroto na face dela:
- Ó homem!... Tu, também, só pensas nisso…



Esta é uma estória antiga, com barbas maiores do que as do Matusalem. Com ela, adaptada, que o mesmo é dizer embrulhada em papel novo, por este desgraçado escriba sentado nas pernas cruzadas à maneira hieroglífica, se inaugura a nova secção VIRA O DISCO… E TOCA O MESMO. Sem grande originalidade, diga-se. Mas bem melhor do que se fosse VIRAR A CASACA…

(Este texto sai também no www.travessadoferreira.blogspot.com, no www.anonimasalina.blogspot.com, no www.sorumbatico.blogspot.com e não sei que mais. Eles já são tantos que, um dia destes, não chego para as encomendas...)

Cometo
Indiscreto que sou
Ardo em frente ao fogo
Meto
Dedos, pau, língua
A conversa sem verso
Os pés pelas mãos
Cometo
Erros novos de eros
Sopro as cinzas do meu pai
De cima do meu pau
Rápido
Rápido
Cometo
Cometa.

"Diário do Nordeste", 2 de setembro de 2008


Participação dos devotos foi importante para mais um ano de celebração à padroeira (Foto: Antonio Vicelmo)
Regional
N. Senhora da Penha
Festa da padroeira reúne 30 mil fiéis


Crato. Com uma grande procissão que, segundo os coordenadores, reuniu uma média de 30 mil pessoas, foi encerrada, ontem, a festa de Nossa Senhora da Penha, considerada a padroeira do Crato e da Diocese deste mesmo município. “Foi uma demonstração de fé e devoção, um preito de gratidão à Maria Santíssima, que tem sido a guardiã da Diocese” disse o padre Edmilson Neves, vigário da Catedral, ao mesmo tempo em que agradeceu aos devotos pela participação nas cerimônias religiosas que tiveram inicio no dia 22 de agosto, com o hasteamento da bandeira da padroeira N. Senhora da Penha.

Na concelebração, presidida por dom Fernando Panico, com a participação de padres, seminaristas e diáconos, o bispo diocesano lembrou que, este ano, a festa foi celebrada no âmbito das santas missões populares que envolveram todos os setores da Diocese. Destacou a ordenação dos seis novos padres, também dentro do contexto da festa da padroeira que, em nome de Jesus, irão cuidar do rebanho da Diocese.“Mas nem tudo é alegria”, disse dom Fernando, lembrando a morte dos padres Manoel Pereira, na Sexta-feira Santa e, mais recentemente, ontem, a morte do padre João Bosco Lima, vigário de Missão Velha, cujo sepultamento foi realizado à tarde, em Juazeiro do Norte. “Os dois sacerdotes, segundo o bispo, estão no céu, olhando lá de cima a nossa caminhada, sob a proteção de Maria, nossa padroeira”, diz.

O tema escolhido para este ano foi “Com Maria, Mãe da Penha, discípula e Missionária, Escolhemos a Vida”. A paróquia também inseriu na programação reflexões sobre a Campanha da Fraternidade que tem como tema “Escolhe, pois, a vida.” Uma das mensagens dizia: “Só o Senhor é autor e dono da vida. O ser humano, sua imagem vivente, é sempre sagrada desde sua concepção até a sua morte natural, em todas as circunstâncias e condições de vida”.Além dos atos religiosos, foram realizadas, como parte da programação em homenagem á padroeira, novenas, missas, procissões e visitas da imagem de Nossa Senhora da Penha a todas as ruas da paróquia, foram desenvolvidas um intenso programa social na Praça da Sé, com o funcionamento de parques de diversões, quermesses e barracas com a venda de comidas típicas.

As novenas eram realizadas do lado de fora, em frente à Catedral. A multidão ocupava a rua, que foi interrompida para o trânsito de veículos, e parte da Praça da Sé. De acordo com o pároco da Sé Catedral, Francisco Edmilson Ferreira, a festa lembrou a colonização do Cariri pelos frades capuchinhos, tendo à frente frei Carlos de Ferrara, fundador do Crato e construtor de primeira capela que originou a Catedral.

Enquete

Devoção dos fiéis continua aumentando

'Francisco André dos Santos,36 ANOS,Eletricista:

A festa aconteceu dentro do esperado. O povo do Crato é devoto de Nossa Senhora da Penha.

'Francisco Bento de Araújo,54 ANOS,Agricultor:

A festa foi maior do que a do ano passado. A cada ano que passa, cresce a devoção do povo para a santa.'

Mais informações:

Paróquia de N. Senhora da Penha

Pe. Francisco Edimilson Ferreira

Rua Miguel Limaverde, Catedral

(88) 3523.8698

e.nevesferreira@gmail.com

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Adeus ao Mestre Salu



Músico pernambucano Mestre Salustiano morre aos 62 anos
Um dos artistas mais influentes de Pernambuco morreu de arritmia cardíaca provocada pela doença de Chagas
Da Redação - 31/08/2008, 16:32

O artista pernambucano Manoel Salustiano, mais conhecido como Mestre Salustiano, morreu aos 62 anos de arritmia cardíaca provocada pela doença de Chagas, na manhã deste domingo (31), no Pronto-socorro Cardiológico de Pernambuco.Mestre Salustiano influenciou uma série de artistas pernambucanos como Siba, Chico Science e Antônio Nóbrega. Nascido em Aliança, Zona da Mata de Pernambuco, o artista sempre lutou pela preservação das manifestações culturais da Zona da Mata, como ciranda, coco, maracatu e caboclinho.Apesar de ser um dos artistas mais influentes da cultura popular pernambucana, Salustiano gravou apenas quatro álbuns em mais de 50 anos de carreira: "Sonho da rabeca", "As três gerações", "Cavalo-marinho", e "Mestre Salu e a sua rabeca encantada".Em 2007, Salustiano recebeu o título de Patrimônio vivo de Pernambuco. Ele também participou das mini-séries da Rede Globo “A Pedra do Reino” e “Hoje É Dia de Maria”.O velório do artista acontece na Casa da Rabeca, em Olinda, local onde Salustiano fazia suas apresentações e recebia outros representantes da cultura popular. O enterro acontecerá na próxima segunda-feira (1º de setembro), no cemitério Morada da Paz, em Paulista.

Eu acredito na verdade
Que baila no vento verde que sopra teus cabelos lavados com coisa nenhuma
Eu como o verde salada no meu prato lápide
E relincho como só relincham os homens sem nome e sem pátria
Eu acredito na verdade
Assim como acredito nos aboio sereno das mulheres que pastoreiam estrelas
2
Aqui sento minha bunda
Olhando no vídeo nosso de cada dia
Oro de ora em hora pro santo pagão da hora
Aqui sento minha bunda
Súdito fiel esperando minha hóstia de nada
Pra seguir minha vida vídeo
De nada.