TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Vigília e rugas




Vigília - Claude Bloc - Ousei exercitar um "Duplix"- Marinheira de primeira viagem , encurto um longo caminho!

Faço vigília, (Claude)
... Vigília é viajar no silêncio (Socorro)
Fico acordada o quanto eu puder
... até extrair sentimentos
Já me livrei das saudades
Já me desfiz das lembranças
...Mas ficou um pedacinho
....que eu entrego pras estrelas
...que sabem guardar segredos
Mas te peço outra vez:
Não invadas mais meus sonhos
Com essa contumácia..
Contei estrelas no céu
Catei-as em meus pensamentos
Cantei para a lua,inspirei-me...
Senti os perfumes noturnos..
...Embriagada dos cheiros
Eu escrevi confissões
Já me recompus do medo
Segui passos em silêncio
E tratei todas feridas
Que me doíam por dentro
Fiquei sozinha, sem voz
Sufocando meus soluços ....
...Descobri que o meu riso
...adormecia chorando
E me voltas nestes sonhos....
Como se eu te chamasse!
Não afoguei minhas mágoas
Não tenho aqui tua mão
Mudei meu secreto rumo
...num labirinto encantado
...esbarro em teu coração
Macio, atemporal ....
Não invadas mais meus sonhos
Mais uma vez eu te peço:
Não me venhas mais, tristeza!
Que eu já desisti de tudo
...Soluço , recém- nascida
Sou feliz, sobrevivi




"Um Favor" - Para Dihelson Mendonça

Poesia e melodia ...
Quando se acasalam
a gente fica prenha de sonhos ,
e se apaixona , nos sonhos.
A gente dança , trabalha , resolve a vida ...
fica feliz !
A música tem feitiço...
A ela, rendo-me !


Rugas ...

Cantei ,quando em meu rosto ,
só existiam risos.
Entre risos e lágrimas ,
integradas no tempo ,
elas foram surgindo...
As primeiras não me assustavam...
As seguintes me estranhavam...
As de agora são tão claras
que até em noites escuras ,
se vingam da minha cara ,
e conversam comigo...
Ora irônicas , ora tão compreensivas ...
E o meu rosto suavisam.


Hoje encontrei uma amiga dos anos 60. Achei-a tão linda , que naturalmente , e sinceramente lhe confessei : Você continua com o mesmo sorriso , as mesmas pernas torneadas , o mesmo olhar que ainda espera um príncipe encantado. Ela abriu o mais feliz dos sorrisos , e disse-me : a beleza não se esconde , quando o tempo passa... Muda só de (en) canto !
E é verdade...
Nem falo de beleza da alma , de beleza física...
Falo da beleza do ser feliz !
Beleza combina com alegria.


O corpo ,
quando se cansa por ter feito o que gosta ,
e está feliz...
repousa beleza !


Não deixo que me vejam chorar...
Mas choro !
Chovem os meus olhos...
Bastam ouvir uma canção bonita.


Lembrei de uma canção do Lupicínio Rodrigues :


Um Favor
Eu hoje acordei pensando
Por que é que eu vivo chorando
Podendo lhe procurar
Se a lágrima é tão maldita
Que a pessoa mais bonita
Cobre o rosto pra chorar
E refletindo um segundo
Resolvi pedir ao mundo
Que me fizesse um favor
Para que eu não mais chorasse
Que alguém me ajudasse
A encontrar meu amor
Maestro, músicos, cantores
Gente de todas as cores,
Faça esse favor pra mim
Quem puder cantar que cante
Quem souber tocar que toque
Flauta, trombone ou clarim
Quem puder gritar, que grite
Quem tiver apito, apite
Faça esse mundo acordar
Para que onde ela esteja
Saiba que alguém rasteja
Pedindo pra ela voltar...

Marcos Vinicius Leonel

Uma alma sagaz
e plena de estranhamentos
ao sair do quarto -
mesmo com a luz apagada
permanece uma parte.

A fogueira não arde o suficiente.
As cinzas jogadas ao vento retornam.
Nas faces o frescor da genialidade.
Na jugular o leve batimento cardíaco.

Uma alma sossegadona
e plena de estranhamentos
ao pousar os carnívoros olhos sobre a escrita -
mesmo aos devaneios da clarividência
um inquiridor apetite persiste.

As inquisições não torraram todos os tendões.
O bruxo refez seus calcanhares
agora com asas de pégaso.

Uma alma inteligente
e plena de estranhamentos
enquanto corrige provas -
mesmo com os miolos ardendo
sorri fácil
e de soslaio.

A Eudócil

Não era meu
Nem emprestado
Não me ocorria
A cortesia
Depois da mesa
Ofereceu
Presente nu
Quadro sem moldura
Jóia sem embrulho
Não me constrangeu
Disse a que veio
E só,
Uma rainha
Mandava benzer
O seu banho
Obra de arte
Cobria de regalias
Amor se faz
Em boa companhia
Censuras à parte
Exorcizar o dia-a-dia

Aparelho doméstico

O secador nos longos cachos da amada
ah, que sonora saudade.
Mais sensível que uma música clássica
nas têmporas da insônia.

Bagunçada mente,
um quarto maltrapilho
recortes de papel e brinquedos jogados.

O mar continua parindo ondas.
A lua mudando suas meias.

Só não entendo a saudade
do barulho de um secador
nos loiros cachos da amada.

Rescaldo


Eudóxio nunca tinha sido chegado a muitas presepadas. Funcionário público, na Agência do INPS de Matozinho, levara a vida toda encaminhando benefícios e aposentadorias. Talvez a tentação lhe tenha batido quando pressentiu a proximidade da sua própria aposentadoria de barnabé. Entrado já nos cinqüenta, chegara naquela fase do cachorro hidrofóbico. Olhou para os cabelos brancos no espelho do quarto e viu que já não sobravam muitos cartuchos para carregar a velha socadeira meio enferrujada que carregava entre as pernas. Os filhos todos crescidos já estavam pras bandas de São Paulo. Voltavam periodicamente para visitá-los trazendo algumas quinquilharias da 24 de Março, roupas de frio compradas no Braz e cagando uma goma danada. A mulher, D. Marinalva, tornara-se uma matrona, beata, passava os dias mais na igreja do que em casa. A vida sexual dos dois de há muito havia arrefecido. Eudóxio percebera que era quase um crime transar com uma santa daquelas e, mais, levar para cama a mãe dos seus próprios filhos. Aquilo lhe cheirava a uma tara sexual quase que inimaginável. Metido numa saia justa dessas, não foi fácil cair em tentação e ser levado a espatifar o sétimo mandamento.
Conhecera Eufrasina casualmente, quando esta encaminhava, na repartição, um seguro desemprego do pai dela. Morena fogosa, com uns cabelos negros como cambuí caídos aos ombros, andar sinuoso de serpente e bunda de tanajura. Carregava nos lábios um sorriso na agulha e que disparava a todo momento, encantando que estivesse ao redor. A princípio se fez de inocente e distante, talvez porque achasse que era prenda demais para cair na sua rede. Mesmo porque ultimamente tudo o que vinha caindo dentro da sua fianga era caco de telha e morcego. Mas a moça se foi insinuando pouco a pouco para Eudóxio e ela era irressistível: destas de tirar solidéu de bispo e mitra de papa. Dia após dia, lá estava Eufrasina o procurando no intuito aparente de resolver a pendência previdenciária. Conversa puxa conversa, sorriso carreia sorriso até que o primeiro e furtivo beijo roubou Eudóxio por trás do balcão, num horário de almoço. Acesa a primeira chama, o incêndio tomou corpo e , em pouco, nem o Corpo de Bombeiros da capital teria condição de apagar e fazer o rescaldo. As carícias se foram tornando mais freqüentes, em horários cada vez mais furtivos. D. Marinalva nem percebeu as mudanças de horário de trabalho do marido, talvez porque ultimamente ele viesse muito mais delicado, condescendente e carinhoso. Eudóxio esperava apenas o momento de ir às vias de fato ou ir de fato às vias e já não suportava mais a espera da desejada lua-de-mel.
O momento propício não demorou a chegar. Próximo ao fim do ano, D. Marinalva avisou ao marido que viajaria no fim de semana para visitar os pais em Serrinha dos Nicodemos. Periodicamente fazia esta viagem e Eudóxio nunca ia: não se dava bem com o sogro e a sogra que sempre se opuseram ao seu casamento. Nosso barnabé quase não conseguiu conter a alegria que lhe assaltou de repente as entranhas. Tinha, por fim, o álibi perfeito. Tramou, então, levar Eufrasina, por fim, para a lua-de-mel . Programou toda a tramóia. Levaria a namorada, no sábado, para Bertioga. Soube que lá haviam inaugurado o primeiro Motel de toda a região. Ouvira alguns amigos comentarem a novidade. Aquilo se tornara uma verdadeira revolução nos costumes de Bertioga e periferia. Antes só se tinha o Moitel e neguinho pelado precisava se resolver no escuro com carrapicho, com cobra, formiga vermelha, urtiga e cansanção. Finalmente a modernidade chegava a Matozinho!
No sábado um Eudóxio trêmulo e ansioso pôs Eufrasina na velha fubica e partiu para Bertioga. Ela avisara em casa que ia dormir na casa de uma amiga. O percurso de poucos quilômetros pareceu estranhamente longo, os minutos não passavam. Logo na entrada de Bertioga, nosso projeto de noivo avistou uma casa grande e uma placa luminosa, com luzes em pisca-pisca onde se lia: “ Motel Nossa Senhora Aparecida”. Eudóxio teve um mal pressentimento. A ansiedade , no entanto, falou mais alto e ele pegou a chave na portaria e adentrou o estabelecimento. Observou, enquanto buscava o quarto 25, que as dependências da casa estavam superlotadas. Estacionou e entrou com Eufrasina num pequeno quarto, com uma luz vermelha no teto, uma cama redonda, uma quartinha do lado da mesa de cabeceira e um ventilador zoadento no teto. Enfim sós !
Começaram os jogos iniciais e quando se preparava para bater o centro e levar a partida pelos 90 minutos regulamentares, de preferência com goleada, ouviu fortes batidas na janela do quarto. Imaginou que fosse algum serviço especial da casa. Pediu tempo e entreabriu a porta. De repente, foi jogado ao chão por homens armados que anunciaram o assalto e mandaram todos sem roupa ir ao pátio central do motel. Ele e Eufrasina, faltando mão para cobrir todas as dependências, se viram, de repente, como Adão e Eva, expulsos do paraíso. No pátio já se aglomeravam mais de cinqüenta casais, todos peladinhos como nasceram. Depois de ter sido feito o rapa geral, por cinco bandidos encapuzados, todos tiveram que se dirigir à delegacia de Bertioga, ainda sem roupa, para fazer o devido Boletim de Ocorrência. Só aí é que Eudóxio , atarantado, começou a identificar os outros companheiros de infortúnio. Padre Sabino tentava esconder o coroinha; Sinderval Bandeira, o prefeito , em pelo, buscava esconder a mulher do presidente da câmara de vereadores; D. Irenilda, a beata mais irada de Bertioga, estava nuinha, junto da companheira : D. Zarilda, a delegada. A revelação maior, no entanto, estava para vir. No meio do strip-tease comunitário, Eudóxio conseguiu identificar, aquilo que seria a maior surpresa da festa: D. Marinalda, sua santa esposa, sem roupa, tendo ao lado o sacristão da catedral: “Pedim Boca de Fole”. Só depois soube que o sogro e a sogra já tinham falecido em Serrinha dos Nicodemos há mais de cinco anos. Diante de tanto fragrante delito, com o rastilho de pólvora de uma bomba de muitos megatons chiando nas suas mãos, o delegado Fifim Aribé não se conteve e suspirou :

---- Bem logo vi que sapecar nome da padroeira do Brasil neste tal de moté ia terminar dando um azar danado!

J. Flávio Vieira

Apresento-lhes o Poeta NIJAIR PINTO

Nota:

Alô amigos do CaririCult. Gostaria de pedir à direção do CaririCult, especialmente ao Luiz Carlos Salatiel e ao Carlos Rafael para receberem nesta casa o poeta Nijair Pinto. Poeta muito sensível e que já possui um livro editado, Nijair Pinto é cadeira cativa também no Blog do Crato, onde posta periodicamente suas poesias. Nada mais natural, portanto, que o CaririCult, como o site que bem representa a cultura produzida aqui na região do Cariri receba mais este irmão de braços abertos. Ficamos no aguardo da resposta dos administradores. Qualquer contato pode ser feito nos comentários deste poema.

PRECISO DO TOQUE



.:.
O tocar é um sonho,
mas o todo do sonho
se constrói aos pedaços.
E se cada parte
não nos dá um inteiro,
há vazios inexplorados.

O bom da fragmentação
é a certeza da integralidade.
Por mais que nos escondamos,
um dia a verdade surge,
fluindo ao nosso tato.

Este sorriso espontâneo
precisa ser visto de perto,
com a língua pra fora,
pois quero beijar
na concretude do toque.

Nijair Araújo Pinto

Crato-CE, 27 de novembro de 2008.
15h26min
.:.

Nota de Falecimento

Cultura caririense perde um dos seus grandes mestres: Correinha

Faleceu ontem, 03, ao meio-dia, no Hospital São Francisco, em Crato, o Mestre Correinha, um dos maiores nomes da cultura popular da região do Cariri cearense. O velório está acontecendo na Câmara Municipal do Crato, de onde o sairá o féretro para o Cemitério de Nossa Senhora da Piedade, local do sepultamento que acontecerá às 15 horas de hoje.

O Cariricult presta condolência à família enlutada e manifesta merecido tributo ao Mestre Correinha, grande artista e excelente pessoa.

Vigília

Imagem formatada por Claude Bloc

Faço vigília,
Fico acordada o quanto eu puder
Já me livrei das saudades
Já me desfiz das lembranças
Mas te peço outra vez:
Não invadas mais meus sonhos
Com essa contumácia.
.
Contei estrelas no céu
Catei-as em meus pensamentos
Cantei para a lua,
inspirei-me...
Senti os perfumes noturnos.
.
Eu escrevi confissões
Já me recompus do medo
Segui passos em silêncio
E tratei todas feridas
Que me doíam por dentro
Fiquei sozinha, sem voz
Sufocando meus soluços ...
.
....E me voltas nestes sonhos
....Como se eu te chamasse!
.
Não afoguei minhas mágoas
Não tenho aqui tua mão
Mudei meu secreto rumo
Macio, atemporal ...
.
Não invadas mais meus sonhos
Mais uma vez eu te peço:
Não me venhas mais, tristeza!
Que eu já desisti de tudo
Sou feliz, sobrevivi.
.
***********
Texto por Claude Bloc

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008


No olho dela
Tem uma lagoa
Na lagoa do olho dela
Tem uma gude
Amarronzada, acho eu
Um brilho, sei que tem
De gente que veio
Bem de longe
Em uma nave, talvez.

Chego em casa querendo rua
Paredes que se estreitam, como estreitas são
As petúnias na mão da defunta sem nome do jornal nacional
Entro então, como uma samambaia entra
Vaso adentro, sabendo sim, que o vaso é finito e raso
A única luz, uma luz, a porta da geladeira aberta
Frio, frio demais, frio pra caralho,
Quero um frio desses

Stéreos, ok! Graves e médios, ok!
O menestrel fala de rudeza, diz que tudo é solidão
Pessoas indo e vindo, mastigando ausências
Na trilha um ônibus um carro de mão uma guitarra
O sol de dezembro escondido atrás da água
Água de ausência, abrindo buracos assim, assados

Olho o olho da ave que não sei o nome, andina,
Bebo ayahuasca sem liturgia, só em minha viagem
Vejo o que não determino
Vampiros juntos no presépio de um deus menino abandonado
Miração urbana soft
A fogueira acesa, a fogueira,
Solitária na mágica de transformar toras em cinzas

Cegueira

Entrego em tuas mãos
os meus olhos.
Não te preocupes
com as lágrimas pingando.
Dentro do meu coração
de onde estas vieram
tem muitas mais.

Consigo ver
por entre teus dedos
teu sorriso.
Também vejo
a lixeira da cozinha bem perto.

Então lança logo meus olhos
ao encontro das cascas de banana.

Pragmático

Meus filhos, teus inimigos

velam a mãe, ela bem, ora mal

humor oscilante que os enerva

O tempo em que fazia

o que Amélia faria já não é, irritados relembram

a higiene de Minerva

a força de Hera, lamentam

a usurpação de tempo

distraídos olho e mão, nula presença

Se, inimigos confessos,

não conto com isso... o precipício

inspira os vôos de asa delta

Os ouvidos




O ôoooooolho
olhador, olho olhadeiro
o mau-olhado, dizem, é
o meu olhado, o teu, o nosso...
o mal olhando?
não olho, não sei. Imune

nessa lida lida, recito vendada
olhômetros por metro quadrado
lá no campo vasto do olho pra dentro
e nenhum olho dentro pode
mais que o seu próprio olhar

olho de cego
não vê colorido
o preto é preto
e o branco é preto
misturado é cinza
olho enxerga tinta de pintar o céu
a cegueira faz a audição mais apurada

sábio é o som das palavras
e o corpo das palavras
não quer mais dançar...às bundas,
os olhos já pedem ouvir metáforas
metáforas cabem em qualquer festa
o olho do mundo é no meio da testa

IN NATURA

Assim como os bites dilacerando o tempo
A correr na impulso frenético da fibra ótica...
Assim também explodem os vermelhos das rosas
Na interminável complexidade bioquímica nos campos

Sabedoria eterna que o homem que por mais que se diga mister, ainda muito ignora.
Nem as tintas de tua tela interminável
Assemelharão as sutilezas das penas, das luzes,
Das tardes, dos brilhos dos olhos...

Erguerá mil ve-las, mas tua invenção, teu escaler,
Tua nau está sujeita ao açoite dos ventos
Ventos imprevisíveis por sinal.

Falará mil linguas, mas não explicará a harmonia
Eterna que há no âmago da própria existência de cada ser vivente.
Desiste então deste colóquio cansativo,
Deita as pálpebras um instante humildemente e sente.

Ergue-se homem, com teu brado sobre a natureza,
Mas de tempo em tempos saberás que é apenas peça,
Parte ínfima das entranhas desta fortaleza.

O PASSADO APRISIONADO AO BAÚ

Evilásio Nepomuceno que tem no nome um dos sobrenomes mais queridos do passado cearense, o do nosso Alberto Nepomuceno, andou criticando a avaliação da atual Siqueira Campos com a frase “quem vive de passado é baú”. Como baú é um instrumento e não um ente, baú não vive, guarda o passado e quando de uso cotidiano, o presente também. Não erra o Evilásio ao defender a sua querida, “linda e mais fria” praça, pois como já diziam pessoas do passado: gosto não se discute. Embora o Evilásio e muitos outros, inclusive eu, achemos que gosto se discute sim, qual outro sentido para que o Evilásio poste o comentário se não esta discussão? Para Evilásio a praça dele, a de hoje, é melhor que a do passado, ou sendo honesto com ele, a de antigamente não existe mais e não adianta falar do que já passou. Não é no piso incerto de um passado que ele andará. Além do mais o Evilásio, no seu breve comentário, já apontou para as mãos lavadas de Pilatos: “se não houvesse a reforma iam reclamar do mesmo jeito.” Como a reforma é um dado posto, já aconteceu, o nosso Nepomuceno agrega ao seu juízo de valor da obra feita, aquele do inevitável: reclamariam de qualquer modo.

Mas o Evilásio nos trás um dado posto. Aquele em que os escritores e escritoras do blog andam evocando, com intensidade, o passado da cidade do Crato. Um Crato mais idílico, um Crato ideal, pois assunto resolvido. As dores e as alegrias agora se enternecem nas lembranças que, agora limadas, se tornam fáceis de passar a mão sobre elas. Estas trocas de lembranças resultam em dois efeitos prováveis: a) agrupam os detentores da memória pela semelhança e b) deixam de fora aqueles que não foram parte daquelas vivências. No meu entender, apesar do alerta do Evilásio, não é bem isso o que ocorre no Blog do Crato e no Cariricult.

Ambos se tornaram o espaço real permitido pelos computadores e pelas telecomunicações para que todos de longe ou perto se mantenham num grande encontro. E passado ou presente, futuro talvez, é tudo que precisa se encontrar nestas longas plagas interioranas. Não sejamos ingênuos: a civilização comercial que vivemos continua sendo litorânea. Até os EUA vivem o drama de que apenas duas costas, a do Atlântico e a do Pacífico vivem a pujança do mercado mundial. O interior americano é um interior ressentido e abandonado. Por isso a fusão do tempo sobre o território do Cariri fortalece o que existe de mais verdadeiro: um povo só e cada indivíduo em si.

Na verdade o Evilásio só queria defender a sua praça e o usei como escada para chegar até aqui. Ele que me desculpe por isso, mas como trata de um sobrenome com esta força volto ao Alberto. O gênio da música brasileira, o primeiro a criar uma corrente nacionalista na ópera (e a ópera é o nacionalismo na essência) com duas obras completas: Abul e Artemis e ainda deixou a Garatuja incompleta, baseada em José de Alencar. Alberto Nepomuceno, o cearense de Fortaleza, filho de um violonista da catedral da cidade, é um compositor internacional, grandes intérpretes da música erudita na Europa ainda executam e gravam este passado tão exuberante que estimula jovens presentes ao sol destes dias. Certamente com Nepomuceno o nosso, entre outros, Dihelson sabe que é possível expressar este mundo que nasce neste grande encontro que é o Crato e o Cariri Inteiro.

Dezembro - Diálogo Poético - (Duplix)

Diálogar poeticamente é possível quando por um momento as palavras calam e a alma alça vôo... É isso que vem acontecendo aqui e que torna possível esta sintonia literária. Socorro Moreira compôs seu poema (em azul) e Claude Bloc entremeou seus versos (em vermelho) aos dela proporcionando um arranjo.

Mais um DUPLIX para vocês... Faça-os também.

Tenho muito gosto
de viver mais um dezembro.
Os mesmos sinos
As mesmas bolas
O mesmo ar de festa
em toda porta.

Tenho muito gosto
De tocar os sonhos
Os mesmo sonhos
Que sempre dedilhei
E que hoje voltam

As ruas escancaram seus mistérios
Os perus morrem antes da véspera
Congela-se o gosto de ceia.

A vida conserva seus desígnios
Os seus conceitos
E cristaliza-se num só momento.

As árvores se enfeitam
Eu me enfeito
A cidade se aclara
de luzes que piscam ...

Eu me ilumino
Em tons de prata e dourado
morre o dia.
Eu renasço !

Noites quentes
buscam o retrato da neve
Dias mornos
Tangem meus pensamentos

Adultos brincam de rasgar papel ...
Minha alma brinca de soltar balão
na alegria de uma prenda.

Amigos se ocultam
Eu me mostro
numa brincadeira gostosa ...
e trocam mensagens , presentes
e trocam afetos, sorrisos
Vestidos , sapatos novos ,
abraços
esperam o niver
do mais famoso dos homens :
Cristo.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

1, 2, 3...

Eva não tem duas faces, - a bela e a fera - como maçãs partidas ao meio, tem múltiplas. Note, cada deusa possuía uma atribuição divina diferente - higiene, luxúria, amor, saber,...assim era mais fácil, pois que todas juntas simbolizam o conjunto das facetas que somos numa só. Se as amazonas eram sozinhas e auto-suficientes, como as desenharam sexys nuas em cima de cavalos? Ao encontro de que oposto que lhes completassem cavalgavam, nenhum? (Ah, outras mulheres comprariam estes quadros, hummm). Elas não precisavam de complemento, elas é que são complemento...dos homens, segundo a bíblia. É? A ilha só de mulheres - Lesbos - sumiu no triângulo das Bermudas, das bermudas?... não é irônico? As bermudas hoje continuam a fazer sumir muitas mulheres ainda, veja os índices da violência doméstica no Brasil e no mundo. Da ilha, formato de feminismo primitivo onde o poder da mulher era supremo, resta-nos a não afirmada, perseguida e longínqua igualdade de poder entre os gêneros, e o que é pior, convivendo lado a lado numa sociedade "moderna" legendada, cheia de regras moralizantes, torna-se dificílimo e exaustivo ir contra suas tradições, seus arquétipos e estereótipos. E cheguei onde queria.
O mais resignificante no que era apenas uma alegoria mítica, esta ilha feminina, traz para a pós-modernidade - em si controversa, pois o pós de uma coisa deve chamar-se assim porque ainda não tem nome definido, e convenhamos, contemporaneidade é nome tão genérico quanto globalização - questão ainda mais intrigante: os gêneros são somente masculino e feminino? Se gênero é a dimensão subjetiva da nossa preferência sexual, e a sua representação na prática se dá em função de comportamentos que asseguram esta opção, no caso dos homossexuais a expressão torna-se veemente e distinguimos caráter bem diverso neste aspecto que não se enquadra nem numa nem noutra classificação. Do ponto de vista fisiológico são apenas dois sexos, ou seja, dois tipos de corpos, e sob o prisma da discussão de gênero? São dois gêneros ou seriam os homossexuais um terceiro gênero? Se dividíssemos em três categorias, estariam em posição de combate ainda nesta contemporaneidade, ou em plena condição de afirmação? Em buscar esta afirmação, conquistam a própria identidade, o direito a ela e aí se revelam categorias impositivas socialmente, não sem razão, sobretudo as categorias feminino e gay, que historicamente tiveram e tem seus papéis secundarizados.
Da herança de Zeus (era homem), Buda, Tupã, Alá, os papas, os grandes inventores...todos homens?...enfim, o masculino desfruta de condição favorável na história dos tempos, todavia sua incompletude inevitavelmente o fustiga à costela-eva e ao amigo(gay ou não), e assim o homem não precisou ainda inventar uma ilha peniana(será tão improvável?Claro!) Heterossexuais homens até se apropriam do terceiro gênero que se parece consigo e que em nada é igual, a não ser no físico, e acolhe-o ou como bobo-da-corte, ou os tornam companhias clandestinas, ou bestializam como ignorável espécie sem moral, ou os fazem vítimas para usurpação física ou material. Embora creia eu que estamos todos, independente do gênero, buscando relacionamentos, infelizmente os homossexuais carregam o estigma da promiscuidade, e não dá pra saber até que ponto contribuíram na construção desta imagem. E só são respeitados os que tem dinheiro pra entrar onde quiserem e os que são discretos. Aliás, isso vale para os três gêneros. As relações humanas, as relações humanas e as desumanas. Há situação curiosa em que o preconceito acaba quando nasce um homossexual debaixo do mesmo teto, aí sim, amor de família entende tudo, não é? Isso é sui gêneris...

Se a gente pudesse entrar na mente dos outros...


"Tanta coisa ao mesmo tempo...
São 13 horas agora e não durmo há uns bons dias direito.
Que inveja de quem dorme bem...
Quanto tempo ainda terei para estes trabalhos sem fim ?

hum...o volume desta faixa está abaixo de 20db. Como isso é possível ?
devo ter errado na exportação do Sonar 5, mas tudo bem, eu aplico agora um aumento de 200% no volume. Ok.
Agora, que tal um pouco de graves? vai bem... 3dB em 60Hz, 6 dB em 30Hz, uns 2 dB em 120hz.
Ficou bom. Agora é bom aplicar uma compressão de 2 pra 1, começando de -13 dB de Threshold, e um limitador em -2dB. Agora, ao invés de uma normalização, aplico um IZOTOPE e um Maximizer a -0.2dB. Ficou muito alto, talvez em -1dB... Ah, agora sim. É bom fazer um fade out pra eliminar essas partes finais e ficar melhor, e um fade in também. Ok. Agora salvo em outra pasta. Tem gente que não escuta acima de 20Khz.
Preciso falar com a CD+. no MSN, Daí vem aquela cambada de desocupados me chamar pra conversar. Mal sabem que não tenho tempo nem pra dormir!

"Será que tem mensagem nova no Blog?"
Esse Blog me toma todo o tempo. Nem sei mais o que é mundo...
Será que o Alexandre Lucas já respondeu?
Gostaria de ir até a casa de Socorro, mas marquei com o João Neto e com o Abidoral às 16 horas... será que vai dar tempo? Tenho de preencher esses formulários todos também ainda hoje. Pra que eu inventei de gravar esse disco? O BNB vai prorrogar o prazo? Lá se foi meu fim-de-ano. Que Stress!! Que Stress! É bom trabalhar! E esse povo que não aprende a postar mensagens ? Tem 20 mensagens pra responder e ainda não dormi hoje. Acho que não irei dormir hoje. Preciso terminar essa masterização!
Ah, mas que vontade de ver um episódio de Star Trek... só um, vai ?
NÃO! tem que terminar o trabalho primeiro, seu idiota!
Primeiro o trabalho, depois a diversão.
Ah é ? e eu to caindo de sono que me diz?
Azar o seu. Quem mandou se meter ?
Ah, bom...
Agora vê se termina essa droga!
Engraçado, eu transformei o AVI do filme pra Mpeg, tudo certo e o som ficou rachando, será que o "Nero" tá normalizando o áudio ? preciso descobrir aonde ficam esses controles de normalização, se eles existirem.
Ah, tô cansado, vou tocar um pouquinho meu piano!
plin plin plin plin plin... Eu deveria ter colocado essa música no CD.
José do Vale gosta de música Francesa.
pena que ele não entenda de Jazz. Não sente... ele não sente...
Socorro Moreira sente a música! graças a Deus existe Socorro e Demontier nessa cidade!
Cara, que torcicolo louco!
Ligo o Ar-condicionado. Zooooommmmmmmmmmmmmm
Preciso gerar uma nova playlist para os programas da Rádio Chapada do Araripe.
Tem muito jazz de manhã. Precisamos de mais MPB moderna.
Putz, esqueci o servidor ligado desde ontem... Mas eu nem sei se ontem é hoje.
E pensar que eu vou ter de sair nesse sol quente daqui a pouco. Meu carro tá na oficina e só chega à noite. Maldito mecânico bêbado!
O Sol é uma coisa infernal!
- Acho que o pessoal gostou da festa na casa do Carlos Esmeraldo.- Foi boa.
E o Nijair vai postar alguma foto ainda ?
tok tok tok...
Espero que o Sedex passe logo, preciso daquele material pra enviar a Fortaleza.
Hummm, o sinal de wireless está de volta a 90, deve ser a propagação ? que bom!
Tomara que João Neto não se atrase...
E esses documentos em cima da cama ? que bagunça!
Normalizando o áudio agora em -5dB
Vamos lá, chega de descansar a cabeça:
Aplico agora uma normalização de -13dB nesta faixa. Ficou bom ?
Humm muita compressão, melhor fazer tudo de novo...
De novo...
De novo...
Não ter tempo pra dormir, é o Inferno na Terra...
Rudiard Kipling estava certo. Muito Certo...

There are promises to keep and miles to go before I sleep
There are promises to keep and miles to go before I sleep
There are promises to keep and miles to go before I sleep
There are promises to keep and miles to go before I sleep

Ah! Preciso Morrer por 1.000 anos!"

Por: Dihelson Mendonça

Opus Gay - O Retorno

02/12/2008 - 13h37
Militantes e mídia criticam Vaticano por rejeitar descriminalização da homossexualidade
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da Reuters, no Vaticano

Grupos defensores dos direitos gays e jornais criticaram, nesta terça-feira, o Vaticano pela decisão de se opor à proposta de resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) que insta os governos de todo o mundo a descriminalizar a homossexualidade.
Essa reação aconteceu depois de o observador permanente do Vaticano na ONU, arcebispo Celestino Migliore, anunciou a decisão de se opor à resolução proposta pela França em uma agência de notícias católica francesa.
Migliore disse que a resolução iria "acrescentar novas categorias àquelas protegidas da discriminação" e poderia levar à discriminação contra o casamento tradicional heterossexual. "Se adotadas, elas criariam novas e implacáveis discriminações." "Por exemplo, Estados que não reconhecem uniões do mesmo sexo como "matrimônio' serão punidos e colocados sob pressão", concluiu Migliore.
Repercussão
O editorial do jornal italiano "La Stampa" desta terça-feira disse que a argumentação do Vaticano era "grotesca". Assinalando que a homossexualidade ainda é punível com a morte em alguns países islâmicos, o editorial disse que o Vaticano temia na verdade uma "reação em cadeia em favor de uniões homossexuais reconhecidas em países, como a Itália, onde não há legislação sobre o assunto".
Franco Grillini, fundador e presidente honorário da Arcigay, principal grupo italiano de direitos gays, disse que os argumentos são indício de "idiotice total e loucura". "A resolução francesa, apoiada por todos os 27 países da União Européia, não tem nada a ver com casamento gay. Ela é sobre o fim das prisões e da pena de morte para homossexuais", disse Grillini.
O jornal esquerdista de Roma, "La Repubblica", disse que os argumentos do Vaticano deixam qualquer um "sem palavras". Margherita Boniver, líder do esquerdista Partido Democrático, chamou a posição da Santa Sé de "alarmantemente anacrônica". Grillini, o ativista dos direitos dos gays, disse que temia outra "Santa Aliança" entre o Vaticano e Estados islâmicos nas Nações Unidas para se opor à resolução.
Essa resolução será apresentada pela secretária de Estado da França para os Direitos Humanos, Rama Yade, ainda neste mês. Grupos de direitos humanos argumentam que a homossexualidade ainda é punível pelas leis em mais de 85 países e pode levar à pena de morte em outros, como Afeganistão, Irã, Arábia Saudita, Sudão e Iêmen.
Maioria
O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse que "ninguém quer pena de morte ou prisão para homossexuais", mas defendeu Migliore, acrescentando que o Vaticano estava com a maioria neste assunto. "Não foi sem motivos que menos de 50 Estados-membros das Nações Unidas aderiram à proposta em questão, enquanto mais de 50 países não aderiram. A Santa Sé não está sozinha", disse Lombardi.
Na conferência da ONU sobre a Família, em 2004 no Cairo, o Vaticano uniu-se a países islâmicos e da América Latina para derrotar uma proposta sobre o direito ao aborto.

Folha On Line
02/12/08

PRONTOS PARA O SÉCULO XIX

Muitos professores e seus compêndios enxergam o mundo de hoje como ele era no tempo dos tílburis. Com a justificativa de "incentivar a cidadania", incutem ideologias anacrônicas e preconceitos esquerdistas nos alunos.
Monica Weinberg e Camila Pereira

Tema para reflexão: vale a pena usar chocadeiras artificiais para acelerar a produção de frango? Deu-se com isso o início de uma das aulas de geografia no Colégio Ateneu Salesiano Dom Bosco, de Goiânia, escola particular que aparece entre as melhores do país em rankings oficiais. Da platéia, formada por alunos às vésperas do vestibular, alguém diz: "Com as chocadeiras, o homem altera o ritmo da vida pelo lucro". O professor Márcio Santos vibra. "Você disse tudo! O homem se perdeu na necessidade de fazer negócio, ter lucro, exportar." E põe-se a cantar freneticamente Homem Primata / Capitalismo Selvagem / Ôôô (dos Titãs), no que é acompanhado por um enérgico coro de estudantes. Cena muito parecida teve lugar em uma classe do Colégio Anchieta, de Porto Alegre, outro que figura entre os melhores do país. Lá, a aula de história era animada por um jogral. No comando, o professor Paulo Fiovaranti. Ele pergunta: "Quem provoca o desemprego dos trabalhadores, gurizada?". Respondem os alunos: "A máquina". Indaga, mais uma vez, o professor: "Quem são os donos das máquinas?" E os estudantes: "Os empresários!". É a deixa para Fiovaranti encerrar com a lição de casa: "Então, quem tem pai empresário aqui deve questionar se ele está fazendo isso". Fim de aula.
Os dois episódios, ambos presenciados por VEJA, não são raridade nas escolas brasileiras. Ao contrário. Eles exemplificam uma tendência prevalente entre os professores brasileiros de esquerdizar a cabeça das crianças. Parece bobagem, uma curiosidade até pitoresca num mundo em que a empregabilidade e o sucesso na vida profissional dependem cada vez mais do desempenho técnico, do rigor intelectual, da atualização do pensamento e do conhecimento. Não é bobagem. A doutrinação esquerdista é predominante em todo o sistema escolar privado e particular. É algo que os professores levam mais a sério do que o ensino das matérias em classe, conforme revela a pesquisa CNT/Sensus encomendada por VEJA. Pobres alunos.
Eles estão sendo preparados para viver no fim do século XIX, quando o marxismo surgiu como uma ideologia modernizante, capaz não apenas de explicar mas de mudar o mundo para melhor, acelerando a marcha da história rumo a uma sociedade sem classes. Bem, estamos no século XXI, o comunismo destruiu a si próprio em miséria, assassinatos e injustiças durante suas experiências reais no século passado. É embaraçoso que o marxismo-leninismo sobreviva apenas em Cuba, na Coréia do Norte e nas salas de aula de escolas brasileiras. As chocadeiras produzem os frangos vendidos a menos de 5 reais nos supermercados brasileiros, e isso propicia a dose mínima de proteína a famílias que, de outra forma, estariam mal nutridas. A realidade não interessa nas aulas como a do professor Márcio Santos. O que interessa? Passar a idéia de que as máquinas tiram empregos. Elas tiram? Tiraram no começo dos processos de robotização e automação de fábricas nos anos 90. Hoje, sem robôs e máquinas, os empregos nem sequer seriam criados. Mas dizer isso pode desagradar ao espírito do velho barbudo enterrado no novo Cemitério de Highgate, em Londres. Os professores esquerdistas veneram muito aquele senhor que viveu à custa de um amigo industrial, fez um filho na empregada da casa e, atacado pela furunculose, sofreu como um mártir boa parte da existência. Gostam muito dele, fariam tudo por ele, menos, é claro, lê-lo – pois Karl Marx é um autor rigoroso, complexo, profundo que, mesmo tendo apenas uma de suas idéias ainda levada a sério hoje – a Teoria da Alienação –, exige muito esforço para ser compreendido. "A salada ideológica resulta da leitura de resumos dos grandes pensadores", diz o filósofo Roberto Romano. Gente que vê maldade em chocadeiras e mal em empresários que usam máquinas em suas fábricas no século XXI não pode ter lido Karl Marx. É de supor que não tenham lido muito, quase nada. Mas são esses senhores que ensinam nossos filhos nas melhores escolas brasileiras – sem, diga-se, que os pais se incomodem com isso.
A pesquisa CNT/Sensus ouviu 3 000 pessoas de 24 estados brasileiros, entre pais, alunos e professores de escolas públicas e particulares. Sua conclusão nesse particular é espantosa. Os pais (61%) sabem que os professores fazem discursos politicamente engajados em sala de aula e acham isso normal. Os professores, em maior proporção, reconhecem que doutrinam mesmo as crianças e acham que isso é sua missão principal – algo muito mais vital do que ensinar a interpretar um texto ou ser um bamba em matemática. Para 78% dos professores, o discurso engajado faz sentido, uma vez que atribuem à escola, antes de tudo, a função de "formar cidadãos" – à frente de "ensinar a matéria" ou "preparar as crianças para o futuro". Muito bonito se não estivessem nesse processo preparando os alunos para um mundo que acabou e diminuindo suas chances de enfrentar a realidade da vida depois que saírem do ambiente escolar. Para atacar um problema, o primeiro passo é reconhecer sua existência. Esse é o mérito da pesquisa CNT/Sensus.
Adversária do exercício intelectual, a ideologização do ensino pode ser resultado em parte também do despreparo dos professores para o desempenho da função. No ensino básico, 52% lecionam matérias para as quais não receberam formação específica – 22% deles nunca freqüentaram faculdade. Para esses, os chavões de esquerda servem como uma espécie de muleta, um recurso a que se recorre na falta de informação. "Repetir meia dúzia de slogans é muito mais fácil do que estudar e ler grandes obras. Por isso, a ideologização é mais comum onde impera a ignorância", diz o historiador Marco Antonio Villa. A questão não é exatamente nova na educação. Meio século atrás, a filósofa alemã Hannah Arendt já alertava para o equívoco de fazer das aulas um lugar para a doutrinação ideológica, qualquer que fosse o matiz. Em A Crise na Educação, ela dizia: "Em vez de (o professor) juntar-se a seus iguais, assumindo o esforço da persuasão e correndo o risco do fracasso, há a intervenção ditatorial, baseada na absoluta superioridade do adulto". Ao refletirem sobre o atual cenário, os especialistas concordam com a idéia central da filósofa. Está claro, e a própria experiência mostra isso, que o viés político retira da escola aquilo que deveria, afinal, ser seu atributo número 1: ensinar a pensar – verbo cuja origem, do latim, significa justamente pesar. Diz o sociólogo Simon Schwartzman: "O verdadeiro exercício intelectual se faz ao colocar as idéias e os juízos numa balança, algo que só é possível com uma ampla liberdade de investigação e de crítica."
Não é o caso na maioria das salas de aula. Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores brasileiros ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado.
Entre as figuras históricas e da atualidade mais citadas em classe está, como não poderia deixar de ser, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As referências a Lula são contidas. O presidente brasileiro obtém aprovação menor entre os professores, segundo relatam os estudantes, do que aquela com que a sociedade brasileira em geral o brinda. Ele tem 70% de avaliação positiva dos brasileiros, mas na boca dos professores esse índice cai para 30% – com 27% de citações negativas e 43% de neutras. Ressalte-se aqui que é um ponto louvável para os mestres o fato de, como mostram os números relativos a Lula, eles não fazerem proselitismo eleitoral em classe – mesmo que seja preciso relevar o fato de o ditador venezuelano Hugo Chávez ter merecido 51% de citações positivas. A neutralidade e o comedimento em relação a Lula desautorizam a interpretação de que os professores tentam direcionar o voto dos alunos, o que seria desastroso. É sinal de que sua pregação, mesmo equivocada, se mantém no nível das idéias – o que é excelente.
"Eu e todos os meus colegas professores temos, sim, uma visão de esquerda – e seria impossível isso não aparecer em nossos livros. Faço esforço para mostrar o outro lado", diz a geógrafa Sonia Castellar, que há vinte anos dá aulas na faculdade de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP) e escreveu Geografia, um dos best-sellers nas escolas particulares (livro que tem dois de seus trechos comentados por VEJA na reportagem seguinte). "Reconheço o viés esquerdista nos livros e apostilas, fruto da formação marxista dos professores. Mas não temos nenhuma intenção de formar uma geração de jovens socialistas", diz Miguel Cerezo, responsável pelo conteúdo publicado nas apostilas do COC (de onde foram extraídos quatro trechos comentados pela revista). À luz de outra pesquisa em profundidade feita pelo Ibope em colaboração com a revista Nova Escola, editada pela Fundação Victor Civita, os professores da rede pública revelam que, para eles, o principal problema da sala de aula é, de longe (77%), a ausência dos pais no processo educativo. Repousam na colaboração entre pais e professores a correção dos rumos do ensino no país e a aceleração da curva de melhora de desempenho que começa a se desenhar. A questão do excesso de ideologização é um desses problemas que podem ser abordados em conjunto por pais e professores. Demanda para o diálogo existe. O advogado Miguel Nagib fundou, há quatro anos, em Brasília, a ONG Escola Sem Partido, com o objetivo de chamar atenção para a ideologização do ensino na sala de aula. Nagib se incomodou com os sinais do problema na escola particular de sua filha, então com 15 anos, onde o professor de história gostava de comparar Che Guevara a São Francisco de Assis. Foi ao colégio reclamar. Diz Nagib: "As escolas precisam ficar sabendo que muitos pais não concordam com essa visão".

Veja, edição 2074, 20.08.2008
http://veja.abril.uol.com.br/200808/p_076.shtml

Os cavaleiros do apocalipse já montaram seus cavalos?

Modelos de estudo da psicologia já haviam aplicado equações matemáticas ao comportamento. Além do mais foram traçados roteiros que previam o comportamento de pessoas ou multidões diante de certos “estímulos”. Vieram os testes psicológicos em que os examinadores tentavam controlar e selecionar pessoas mediante alguns padrões observados. A psicologia de massa através da propaganda e do marketing, inclusive subliminar, tentou conduzir pessoas em direção de certos interesses, inclusive de consumo.

No mundo partido das ciências especializadas, estas coisas parecem departamentos isolados. Na verdade a tecnologia de base científica permitiu esta ilusão departamental. Mas não é essa a questão. Por exemplo, o ramo da Economia que mais cresceu nos anos áureos do mercado financeiro foi a econometria, com seus modelos matemático preditivo, com os cenários prováveis. Agora se vê cada vez mais que a economia é uma ciência de psicologia de massa. Uma coisa ganha e perde valor com a velocidade de um feitiço, entre o encanto e o horror ao objeto do desejo.

Agora vejamos o quanto a boataria se torna um instrumento provinciano no sofisticado salão das “pessoas de negócio”. Nesta semana se definiu: a economia americana finalmente se tornou recessiva. Como jamais nos últimos 60 anos. Os cenários dos organismos internacionais para a economia mundial no ano que vem é de uma precisão tão irônica quanto os efeitos de uma explosão. Para o Brasil o crescimento econômico pode ir de 0% a 3%. Por estes cenários a margem de acerto (ou erro) é de R$ 76 bilhões, valor superior ao PIB do estado de Pernambuco ou do Ceará. Em outras palavras os organismos não sabem nada do que ocorrerá, mas já rebaixou a expectativa otimista da economia brasileira. Por isso mesmo um senador da oposição já pegou sua cartela, aquela que lhe interessa no jogo eleitoral: o Brasil não crescerá nada em 2009.

O mesmo se diz do Senador Tasso Jereissati, ilustre líder da aliança entre o litoral do Ceará e a região da cidade de Sobral. O Senador Jereissati pertence a uma das famílias abastadas do nordeste, o pai se tornou uma potência econômica pelos caminhos de Getúlio Vargas. Era um dos líderes do PTB. Amealhou riqueza enquanto exercia a sua “militância” política. O irmão do senador é um dos homens mais sortudos do país, é um típico paulistano de grandes negócios, agora mesmo se beneficia da provável fusão entre duas grandes operadoras de telefonia. Pois bem, o senador andou destruindo o valor das ações da Petrobrás ao espalhar no mercado inteiro a questão do empréstimo da estatal (na verdade uma empresa de capital aberto) junto à caixa econômica. Novidade? Nenhuma! O senador e todo mundo sabia que o primeiro efeito da recessão fora o fim do crédito mundial.

Enquanto isso no subcontinente indiano se arma um dos prováveis problemas de conflito mundial tão comum nestas recessões da economia capitalista. Um grupo de 25 jovens do Paquistão matou quase duzentas pessoas em Bombaim e quase põe abaixo dois ícones hoteleiros do capitalismo indiano (no feito igual ao das torres gêmeas). Agora a Índia cobra atitude do Paquistão, tendo a Cachemira como pólvora, mísseis e bomba atômica, algo de muito explosivo pode começar já.

Vigário do Opus Dei vem ao Cariri


O Vigário da Delegação da Prelazia do Opus Dei no Rio de Janeiro, Monsenhor Pedro Barreto Celestino, estará no Cariri neste final de semana. Ele vem participar das comemorações do centenário de nascimento de seu pai, o empresário Antônio Corrêa Celestino. No próximo domingo, dia 7, Monsenhor Pedro celebrará, na Igreja-Matriz de Santo Antônio, em Barbalha, missa gratulatória em sufrágio da alma do seu genitor. À noite, no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, haverá a solenidade de lançamento do livro “Antônio Corrêa Celestino”, coletânea de depoimentos sobre a vida do empresário caririense.
Quem é
Monsenhor Pedro Barreto Celestino – o primeiro brasileiro a ser ordenado padre no Opus Dei – nasceu em Juazeiro do Norte, filho de Antônio Corrêa Celestino e Luscélia Barreto Celestino. É Doutor em Ciências da Educação e em Direito Canônico pela Universidade de Navarra, Espanha. Ordenado em 1971 trabalhou na Pastoral Universitária, em São Paulo, até 1990, quando foi transferido para o Rio de Janeiro.
É autor do livro “Os Anjos”, já em terceira edição, que foca esses seres espirituais, patrimônio teológico-cultural da Igreja Católica.

Diálogo Literário – (Duplix)

Foto-montagem (photoshop) : Claude Bloc

O diálogo é sempre o melhor caminho. Só desta forma, as questões vão à mesa, os pensamentos se tocam, os sentimentos são todos aclarados.
Este é, então, um convite e um desafio às pessoas que postam seus textos aqui: dialogar com textos. Entremear idéias. O importante é manter o texto-base, respeitando o estilo, o ritmo e o fio do pensamento do autor. Respeitar e adicionar e nunca se sobrepor.
Está lançado o convite!

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Texto literário em que o EU poético se troca pelo TU poético provocando um diálogo entre pensamentos e idéias. O texto-base é de José do Vale Pinheiro Feitosa (na cor preta) e a réplica de Claude Bloc ( em azul).

E eu?
Da fala beiradeira,
tosca na origem,
coruscante expressão.
Mesmo que no filme fosse o artista,que ainda mais falante,
jamais disse: C´est ma vie.

Da janela eu pensava:
C’est ma vie, c’est ta vie
C’est la vie de tout le monde
Como num carrossel que gira
Em torno do pensamento.

Do alto em que o baile ecoava-se,
na acústica do céu estrelado do Crato.
Muito além da França,
sendo franco,
até do horizonte,
lá meu sonho nasce: C´est ma vie.

A serra posta em silêncio
Quedava-se enternecida
Cúmplice, guardava os ecos
Da vida de seus passantes
Esperando o sol nascer
C’est la vie! C’est la vie!
Na varanda da minha casa,
Os sons chegavam na noite
Trazendo acordes da França
E vida ia passando...

Embaixo do telhado,
salão de luzes esmaecidas,
repercussão dos sons universais,
cantante,
sussurrante,
ao teu ouvido dizer,
não sou francês: C´est ma vie.

Pelo salão deslizavam
Pares, ritmos, sintonia
A timidez, o fascínio
Os dias dos sonhos primeiros
Rodopiava a vida
E os suspiros verdadeiros:
C’est bien la vie qui passe!
Moi aussi, c’est ma vie...


O ritmo ligeiro
de cavalaria napoleônica,
os terrenos rodopiando.
Eu cantava,
e na tua pupila brilhava
a dúvida da ousadia farsante: C´est ma vie

A euforia brincava
Com as emoções do momento
A música vibrava intrépida,
E os sonhos rodopiavam
Em surdina pelo espaço
C’est la vie, c’est bien ma vie...
E na janela do tempo
Eu refletia em silêncio:
Toi, si Dieu ne t'avait modelé
Il m'aurait fallu te créer

De morno sopro ao teu ouvido,
meu coração se esfumaçava,
Hugo tocando Adamo.
Luzes pontuais
como pirilampos na noite escura,
acendiam em teu ouvido: C´est ma vie.

Sutilmente deslizavam
Pela face afogueada
Lágrimas límpidas de emoção
E a vontade cristalina:
Vontade de estar ali
Vontade de não fugir
C’est à toi que je dis:
C’est ma vie, c’est ta vie!

Entre outros casais esquecidos,
como numa noite,
as árvores de uma floresta,
caules rodando,
teu perfume bailando
grades de uma prisão
aberta ao infinito: C´est ma vie

A música ressurgia lenta
Lá do mais fundo da noite
E entre suspiros dizias
Num francês terno e suave:
Tu offres à mon cœur chaque jour
Tous les visages de l'amour

Rápido!Qual pensamento ligeiro,
menos que a letra “a”
ou o numeral 1.
De Chanson en Chanson,
estava tua orelha cada vez mais
ao sabor dos meus lábios.
Minhas narinas
lançavam o fogo dos dragões
sobre teu corpo ao meu peito,
cor em brasa,
e para aplacar tamanha ebulição,
suspirava: C´est ma vie. C´est pas l´enfer.

Nas sendas do meu caminho
Perdida em pensamentos
Ecoavam as palavras
Dentro da madrugada
Eu caminhava sem rumo
E teu calor me abordava
Abrasada eu dizia:
Je le sais bien, c’est ma vie !

E girava o mundo
como nós,
ola descomunal
paixões transcontinentais.
Dali jamais sairia,
mas te levaria a uma ilha deserta,
C´est ma vie. C´est pas l ´paradis.
Notre histoire a commencé .

Tua alma se agitava
Teus anseios te assolavam
Falavas como na música
Que o Aznavour entoava:
Moi, je suis le feu qui grandit ou qui meure
Je suis le vent qui rugit ou qui pleure
Je suis la force ou la faiblesse

Lá fora o universo era universal,
a cana, canavial,
o jovem, amoral.
Mas que importa é o visgo
da cintura em meus braços
e eu até dizer: C´est ma vie.

A serra agora era o mundo
Que cercava tua ousadia
Que ungia tuas vontades
C’est la vie qui nous parle.
E Aznavour continuava:
Moi, je pourrais défier le ciel et l'enfer
Je pourrais dompter la terre et la mer
Et réinventer la jeunesse

Mas como queria ter dito,
mesmo hoje,dizer.
C´est ma vie.

As palavras nas canções
São como nosso discurso
As lindas jóias que ficam
Bem guardadas na memória
Somos hoje, fomos ontem
Mensageiros de emoções
C’est la vie, bem pensamos:
Un mot de toi je suis poussière ou je suis Dieu

Qual Alain Delon,
e Dalida em paroles, paroles:
C'est étrange,je n'sais pás ce qui m'arrive ce soir,
je te regarde comme pour la première fois.
E antes que a orquestra parasse,ainda dizer:

Toi, sois mon espoir, sois mon destin
J'ai si peur de mes lendemains
Montre à mon âme sans secours
Tous les visages de l'amour

Mon Amour

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Devir

Guardei todos os punhais,
todos os cianuretos, todas as cordas,
todos os gatilhos, todas as mãos cerradas,
todos os dias de cão, todas as madrugadas de lua cheia.
Estou liso, sem névoas no rosto, sem escamas na nuca.
Talvez ainda hoje - ou nunca mais ou mais tarde -
reabra minha gaveta e puxe de volta
todas as madrugadas de lua cheia, todos os dias de cão,
todas as mãos cerradas, todos os gatilhos, todas as cordas,
todos os cianuretos, todos os punhais.

Nostalgia

Fico procurando debaixo da escrivaninha
fantasmas e cascas de tangerina.
Alfinetada na unha encravada - serve.
Pente nas costas riscando nomes - também.
Preciso é desembrulhar o soluço.
Espatifar o olhar perdido nas hélices do ventilador.
Seguir até onde cegar a formiguinha escalando a porta.
Ela não tem força suficiente para girar a maçaneta.
Ela não quer sair, bobo.
Sei, ela quer que eu cegue.
Ou apague a luz.

Algumas coisas só acontecem na madrugada de domingo pra segunda. É uma hora mágica, de começar coisas. De abrir com as duas mãos a máquina do relógio e ordenar: devagar! Ela balançou suas asas na mesa. Sorriu com os olhos. Convida? Convida não. Diz com os olhos: preste atenção! Demora pra chegar? Demora não. Chega na hora certa. Intima. Mostra o olho. Mergulha nos olhos. Depois beija? Beija não. Se deixa beijar. De leve. Gosto bom de mulher. Da fada. De fêmea. Diz um monte com o corpo. E fala pouco. Promete? Promete nada. É assim: cada vez, a primeira vez. De uma hora pra outra diz: ta na hora de dormir. E levitando, árvore que anda, sai da minha vista. Entra em minha vida. Passeia descalça em cima do meu coração. Ê pagu ê.

Michel Legrand - Um gênio da Música - Da França para o Mundo...

Dedicado a Claude Bloc, Socorro Moreira e José do Vale Feitosa


Aproveitando o clima de música francesa que acontece aqui nos Blogs da região do cariri, venho reparar uma grande injustiça cometida, que até nesse instante, não se falou de um dos maiores gênios da música Francesa do Século XX, desde Claude Debussy: O incrível Michel Legrand, um francês que de forma inédita, em terras estrangeiras provou seu talento, compondo belas canções como "Verão de 42", ( Summer of 42 ), "What Are You Doing the Rest of Your Life," "Watch What Happens," e "The Summer Knows". Fez trilha para mais de 200 filmes, ganhou nada menos que 3 Oscars, 13 nominações, 5 Grammys, 8 Globos de Ouro, e compôs tantas músicas lindas e gravou mais de 100 álbuns. Muitos dos filmes que você assiste e cujas canções se imortalizaram devem-se a Michel Legrand. Trago aqui uma pequena biografia dele. Pequenina, na verdade. Quem quiser conhecê-lo melhor, visite a página Michel Legrand na Wikiédia em Inglês: http://en.wikipedia.org/wiki/Michel_Legrand



Michel Legrand, nascido em 24 de Fevereiro de 1932 em Paris, é um compositor,
arranjador, maestro e pianista Francês descendente de Armênios. Legrand compôs mais de 200 trilhas sonoras para filmes e televisão e gravou mais de uma centena de discos. Ele ganhou 3 Oscars, 13 nominações, 5 grammys, e foi nominado para um Emmy. Ele tinha apenas 22 anos quando seu primeiro album "Eu amo Paris" se tornou um dos álbuns instrumentais mais vendidos de todos os tempos. Ele é um pianista de Clássicos e de jazz virtuoso e arranjador e maestro fantástico, que toca com orquestras em todo o mundo. Ele estudou música no Conservatório de paris de 1943 a 1950 ( idade de 11 aos 20 ), trabalhando com, entre outros, Nadia Boulanger, a professora de tantos outros grandes compositores, incluindo Aaron Copland e Philip Glass. Legrand graduou-se com honras tanto como pianista quanto compositor.

Durante muitos períodos de trabalho criativo, legrand tornou-se maestro de várias orquestras, incluindo St. Petersburg, vancouver, Montreal, Atlanta, e Denver. Ele gravou mais de uma centena de álbuns com estrelas da música internacional, cujos gêneros variam desde Jazz e Clássicos, e trabalhou com uma diversidade de músicos como Phil Woods, Ray Charles, Perry Como, Neil Diamond, Ella Fitzgerald, Aretha Franklin, Lena Horne, Kiri Te Kanawa, Johnny Mathis, Jessye Norman, Diana Ross, frank Sinatra, Barbra Streisand, Sarah Vaughan, Shirley Bassey, dentre outros.

Delícia para os Ouvidos:

Eis aqui parte da trilha Sonora de um dos mais belos Musicais da história do Cinema: LES DEMOISELLES DE ROCHEFORT, cuja Música é do Michel Legrand. Clique no nome da música e aguarde. Prepare o seu som ( E seu Francês )... E uma dica: desligue antes o player da Rádio Chapada do Araripe, logo acima para evitar ouvir 2 sons ao mesmo tempo...






Dica:
Se o som ficar entrecortado, clique na música e logo em seguida, clique no botão da pausa e aguarde a música carregar até a metade, para só depois, ouvir!

Fonte: Wikipédia em Inglês
Tradução: Dihelson Mendonça
.

Mormaço

No fundo do mar tem muitos peixes.
Não cabe mais ninguém.
Não deixemos que nossos barcos afundem.
No fundo do mar já tem muita porcaria.
Não sujemos o mar com nossas carcaças.
Fiquemos cá mesmo no pântano.
Quase sem oxigênio.
Quase ruindo nosso mundo.
Mas é sentindo nossas sandálias
sobre nossos próprios despojos
que caminhamos melhor.
Batendo o cansaço,
bunda na calçada
e um olhar distraído pras nuvens.
Lá nos céus também muitos pássaros.
Fiquemos cá mesmo no nosso pântano.
Aos suspiros,
e aos pesadelos.

O Velho Olegário está ficando Louco ! Depois de velho quer vender a "NOSSA" herança !

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"O Homem que nesta terra miserável vive entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera" Augusto dos Anjos.

Quantas vezes você já deve ter ouvido essa frase...
"Nosso pai está ficando louco! Agora depois de velho, quer vender "NOSSO" patrimônio..." Na verdade, esse problema acontece em muitas famílias Brasileiras. Deixando de lado todos os métodos de escrita elegante e truques literários que eu ainda poderia ter guardado ao longo dos anos, de tal forma que esse artigo seria melhor escrito por pessoas mais aptas, como o nosso querido Dr. José Flávio Vieira... mas enfim, terão de se contentar com minha rudimentar forma de escrita. O importante aqui é a mensagem que pretendo passar.

Seu Olegário

Seu Olegário, ex-bancário experiente, desde cedo lhe ensinaram que nesta terra dura, só se consegue as coisas com muito esforço e sacrifício. Filho de pais pobres, agricultores, sem condições de enviá-lo às melhores escolas, o moleque Olegário, conhecido na roda de amigos pelo singelo apelido de "Gagá", pois sempre foi motivo de risos e piadas, era um desses rapazinhos tímidos, tipicos dessa gente do interior. Sem vintém, Olegário não conseguia as garotas que tanto amava em pensamento. Acalentava porém um defeito que depois se tornou uma obstinação: tinha mania de se apaixonar pela "chefe da torcida", aprendera a apreciar desde cedo os melhores pratos, as garotas mais belas, uma boa roupa, embora não tivesse a mínima condição de possuí-los. Da vida dura de agricultor, entre um prato de arroz com feijão e outro prato de feijão com arroz, Olegário começou a ter idéias de grandeza. Pensou consigo: "Irei para a cidade grande, estudarei e passarei num concurso para o Banco do Brasil"... ( numa época em que ser bancário do banco do Brasil era alguma coisa, render-lhe-ia prestígio, e um bom dinheiro ).

E assim o fêz. Estudou por conta própria em cursos por correspondência, depois arrumou uns empreguinhos mixurucas, e já tendo algum conhecimento, Olegário se lançou na sua missão de ser um bancário. E tão grande era a sua força de vontade, que ele passou logo de cara. Alguns até se perguntaram como aquele rapazinho vindo lá das "brenhas", conseguiu essa proeza, mas Olegário seguia seu curso incólume. Agora, já de gravatinha no banco, pensava nas grandes coisas que as pessoas normais de gravatinha e pasta na mão, normalmente pensam: Em construir uma família, dar uma satisfação à sociedade, ser um homem de bem, cumpridor dos deveres, ser um bom pai, um bom amigo, um bom marido, um cidadão de bem, aquele que planta um livro, escreve uma árvore e constrói uma família regada a todo o conforto que o diuturno trabalho lhe proporcionaria. Tinha porém uma nova filosofia: Não queria que seus amados filhos sofressem das duras agruras porque passara na mocidade.

Na realidade, Olegário, este devoto pai de família trabalharia como uma "Mula de carga", talvez por mais de 40 anos construindo um patrimônio, na esperança de ao final de uma vida cansativa, podusse realizar enfim, aqueles sonhos da juventude, quando sendo um jovem sonhador e besta nas horas de folga na enxada, em pleno sol de Novembro, pensara um dia em conhecer Paris, possuir uma residência num bairro elegante da cidade grande, comprar um carro novo, talvez quem sabe, casar-se com uma esposa carinhosa e ter filhos saudáveis e inteligentes...

...Acontece que a vida é um ciclo estranho!

O mundo dá muitas voltas, e após nosso herói trabalhar por mais de 40 anos, ou mesmo a vida inteira construindo o seu "futuro que nunca chegava", fazendo hora extra pra sustentar o "Luiz cláudio" agora na faculdade, para formar o "Henrique" em engenharia de Produção, ou mesmo a "Melina", garota sempre estravagante que desejava ser marchand em Nova York, vai este homem, outrora moço, sonhador, a encarar uma dura realidade que a maioria dos idosos do Brasil já estão acostumados:

Os maus-tratos por parte da família. A velhice em si, o afastou os amigos, muitos já residindo no cemitério, e Olegário finalmente começa a ver que todo aquele sonho de môço, de um dia conhecer Paris, de viajar pelo mundo, de ter uma velhice calma, está indo por água abaixo. Vê por exemplo, que o filho mais velho "Luiz Cláudio" após formar-se em medicina pela USP, mal o vê durante 3 anos. Apenas um cartão de natal barato chegou recentemente ao velho como prova de "Alta" estima e consideração. Vê, por exemplo, seu filho predileto "Henrique" após todo o sofrimento que o pai teve em bancar a sua universidade, mostrar-se um grande ingrato. Depois de formado, nem mais dá as caras lá pelo velho apartamento do Olegário, comprado em suaves prestações pelo antigo BNH, e já não aparece nem para tomar um café. Vê a sua amada filha Melina, tão bem cuidada na adolescência, frequentadora dos mais caros colégios da capital, hoje mulher distante, lá em Nova York, isolada, e quando muito telefona, ainda é para lhe pedir algum dinheiro extra para um projeto mirabolante do tipo "Agora vai, Pai! é o sonho da minha vida". Lá vai o velho Olegário a gastar as suas economias ainda com filhos...

Até que um dia, chegados os seus mirabolantes 65 anos muito mau vividos, Olegário, no auge da mesmice de uma vida em que passou 30 anos com a bunda pregada na cadeira do banco, resolve ter um infarto sem avisar aos amigos. Suas artérias já não são mais as mesmas afinal. Sua pele enrugada denuncia os muitos maus tratos que a vida lhe ofereceu. Seu reumatismo crônico e aquelas terríveis dores nas costas, devido a uma inconveniente hérnia de disco, o privam de dormir bem, passando a noite a rolar na cama, mudando de posição, para o "desconforto" da sua mulher que sempre reclama. Sua visão já é turva, seus ouvidos já não escutam muito bem, e aquele velho "tínitus" infernal adquirido do barulho no banco, lhe priva das boas audições das suas músicas prediletas.

O velho Olegário então, no auge deste conjunto de coisas, resolve tomar uma decisão radical. Pensa consigo mesmo: "Meus filhos já estão crescidos. Todos já estão casados, já os formei, forneci a cada um meios de sobrevivência própria, já construíram até suas famílias. O que devo fazer, agora que a velhice me atormenta ? Já sei! Vou aproveitar os últimos dias que me restam e desfrutar do trabalho de uma vida, em que sustentei essa cambada de filhos ingratos, que como passarinhos, só precisaram de mim com o biquinho aberto para receber. Vou vender a casa da Praia, que só me dá prejuízo na manutenção e quase nunca se vai até lá. Vou vender a casa da Serra, pois não nos serve mais, já que moramos nesse apartamento no centro para minhas sessões de fisioterapia e estar mais próximo das clínicas de atendimento de urgência. Vou vender tudo que não me é útil, POIS COMPREI COM O SUOR DO MEU TRABALHO, e vou enfim, antes de morrer, realizar meus antigos sonhos de juventude: Vou conhecer Paris, vou viajar, vou aproveitar meus últimos dias na terra com dignidade e fartura.

Comunicada a sua decisão à família, Seu Olegário é tradado com total desprêzo, desdém e desconfiança:

"Gente... Nosso Pai está ficando louco! Pirou de vêz! ele quer tirar "NOSSA" herança, e gastar em "Futilidades" como viagens a Paris. Papai tá louco...
Henrique, o mais velho diz:
"Pai, que idéia de jerico é essa, de viajar para a Europa? falta algum dinheiro para o senhor comprar seus remédios para o coração, falta ? "
Já outro diz:
"Nosso pai a esta altura, só pode estar com o Mal de Alzheimer. Essas idéias são absurdas. Acho bom internar papai numa clínica, gente!"
A filha mais nova diz:
"Mas não podemos internar papai na clínica até ele assinar os documentos nos passando TODO o patrimônio. Afinal, essa é nossa herança e iremos lutar por ela..."

O velho Olegário ainda tenta se defender:

-- Essas coisas todas são minhas! Eu construí com o suor do meu rosto. Posso vender na hora em que bem entender. Quanto de vocês está investido nisso aqui ? Aonde vocês estavam quando eu ralava no caixa do Banco pra sustentar os estudos de vocês nos melhores colégios?"

-- Papai, o senhor precisa de repouso. Olha, cuidado com o Infarto! Já pensou se o Senhor está lá na Europa e tem um infarto em pleno champs elysees ?

-- Eu morreria tranquilo. Bem melhor do que estar perto de sanguessugas como vocês, que passaram a vida sugando do meu trabalho.

Passados alguns dias, a família secretamente, decide em reunião:

-- Olha, gente, o momento de agir é agora! Papai demonstrou claramente que agora no fim da vida está com umas idéias mirabolantes. Quer viajar, quer vender nosso patrimônio... e quem vai cuidar dele?

Todos se entreolham. Um diz:

-- Eu não posso! já tenho coisas demais para tratar.
Outra ainda acrescenta:
-- Eu também não posso. Preciso estar em Nova York na segunda-feira para concluir um grande negócio.

Passados os dias, chega uma ambulância com homens fortes, todos de branco à porta:
-- Viemos pegar o Senhor Olegário!
O velho Olegário ainda tenta fugir, mas é impedido por uma ampola braba de Sossega-Leão.

Hoje em dia, o velho Olegário, que passou a vida lutando para criar seus filhos, tornou-se refém deles. Vive numa clínica para idosos, internado, jogando baralho e relembrando seus antigos sonhos de juventude. Nada de Paris, nada de viagens, nada de viver a plenitude da vida. Agora, sua rotina é olhar pela janela esperando o fim dos dias. Uma rara visita de um dos filhos que lhe trouxe de Paris uma torre Eiffel de alumínio, brinde de uma grande compra de roupas em uma loja. Já outro filho, vez por outra lhe visita, e traz os filhos para conhecer o vovô Olegário. Um dos netos fala para o irmão "Cuidado com o vovô, não toca nele. Ele é doido!"

E o agora vovô Olegário passa os últimos dias olhando pela janela, até que numa bela tarde de Abril, sem avisar, vem a visita da "mais indesejada das gentes", a morte lhe toma os últimos soluços neste mundo. Morre o velho Olegário, e é sepultado. Os filhos...

Ah! os Filhos... estes não puderam comparecer. Estavam muito ocupados...
...para um simples entêrro.


Por: Dihelson Mendonça.

Escrito enquanto eu espero aqui na mesa a nossa "doméstica" servir meu Café.
Gislene ?, põe logo esse café aqui na minha mesa, que o Blog do Crato não pode parar!
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La Chanson Fraçaise

A música popular da primeira metade do século XX, quando a indústria fonográfica se torna universal, tem um dos centros na canção da Europa Ocidental. Especialmente a Italiana, Francesa e Alemã. Por isso mesmo é que no princípio, antes dos anos 30, esta canção tinha uma cor rural. Os alemães inventaram o piano portátil, o acordeom e estes países fronteiriços e sujeitos ao vai e vem em impérios sucessivos tinham uma grande interpenetração de sons e canções.

A canção popular francesa é belíssima. Mesmo antes da primeira guerra mundial o país inteiro já cantava a mesma canção. A canção da Belle Epoque se afastara da música erudita e já estava no gosto das cidades. A musette bailava nas praças. De todos os rincões daquele imenso retalho, que é a identidade francesa, emergiam canções nacionais. E não esqueçamos o papel do cinema na canção destes três países, especialmente da França e Alemanha. O cinema falado é uma unidade estética inseparável e a música um elemento central da narrativa.

Mas França era uma das sedes fundadores da atual civilização ocidental. O país era aberto ao mundo e foi, na Europa, um dos primeiros a receber a influência da cultura norte-americana e até do tango argentino e da canção mexicana. Quando os nazistas invadem a frança esta canção fica subterrânea, mas explode com imensa força entre junho de 1944 e maio de 1945 com uma força que ninguém imaginava. O que veio da canção francesa dos anos 50 a 80 foi praticamente a explosão deste momento. Toute les chansons de la bibération.

E o mundo se rende a Maurice Chevalier, Tino Rossi, Ray Ventura, Charles Trenet, Raymond Legrand, Django Reinhardt, Jean Sablon entre tantos. Não se imagina o charme enamorado do que se dançar ao som de Charles Trenet cantando “que reste t´il de nous amour" e o belíssimo refrão: Que reste-t-il de nous deux/ De tous ces rêves dans tes yeux / Je ne sais plus, / Dis moi si tout n'est pas perdu / J'ai besoin de te parler / De ma vie, de tes pensées / Tout n'est vraiment plus comme avant. Isso considerando que é do mesmo Charles Trenet a canção que a partir do anos 50 praticamente se torna aquela canção francesa: LA MER.

O vigor explode na voz de uma mulher apaixonada, no limite da vida trágica, uma verdadeira estrela mundial do século XX: Edith Piaf. Quem não tem uma tarde cor de rosa com La Vie en Rose e a verdade destes amores tão intensos como L´Hymme a La Amour. E neste mesmo filão de uma geração a outra, veio, na segunda metade do século, intérpretes maravilhosas como François Hardy, Mireille Mathieu, Nana Mouskhouri e uma lista que ainda hoje revela a canção francesa.

Os homens de La Libération resultaram em gerações seguintes de grandes talentos, passando por Charles Aznavour, , Yves Montand, Sacha Distel, Gilbert Becaud (arrasou nos idos dos anos 60 com L´important c´est la Rose) Adamo, Christophe, Henri Salvador (que se encontra com o Brasil no início da Bossa Nova), Jacques Brel entre outros. O pessoal da música instrumental é especial, como Michel Legrand, Georges Zamphir e o atual Manu Chao.

Seguramente esta segunda-feira é um dia para a canção francesa.

Mostra SESC - 10 Anos de descaso para com o Artista Caririense - Por: prof Luiz Benui Taveira (Tio Bibi).

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A cada edição da Mostra SESC Cariri de Cultura a organização do evento apresenta metodologias diferentes, sempre muito cruéis para os artistas do Cariri. [ Acima: Prof. Luiz Benui Taveira (Tio Bibi) ]

Mais uma vez, enquanto artista, venho a público manifestar meu repúdio contra a falta de respeito para com a comunidade artística local. A coordenadora geral, Dane de Jade, pessoa que admiro pelo brilhante desempenho como gestora cultural do SESC. Entretanto, no tocante à Mostra Cariri de Cultura, ela comete pecados gravíssimos a ponto de amadrinhar grupos de seu círculo de amizade, deixando de fora artistas, diretores, produtores e companhias de artes que desejavam de alguma forma mostrar suas artes e talento, mas não tiveram acesso.

Até quando os artistas caririenses vão continuar recebendo tratamento medíocre? As coordenações locais de cultura, nas pessoas do tímido Samuel (Crato) e do prepotente e arrogante Mano Grangeiro (Juazeiro do Norte), deveriam manter contato harmonioso com os artistas. Queremos apenas somar e contribuir na legitimidade do evento, mas não temos oportunidade. Somos tratados como lixo na “república dos cariocas” em terras caririzeiras.

A minha crítica não é ao SESC como instituição, mas ao evento que, em sua 10ª edição, demonstra não respeitar o Cariri e sua gente, especialmente os artistas. Uma das provas disso foi uma tal pré-mostra a que foram sujeitados os grupos teatrais da região, em condições precárias e humilhantes. A magnífica dramaturgia do Grupo Humanos em Espaço-Tempo, com a brilhante direção de Mauro César não pode ser apreciada pelo grande público, pois a produção incompetente não disponibilizou aparato técnico para que a peça RizoMachadiando fosse apresentada. Enquanto isso, os grupos e artistas “de fora” receberam tratamento “iper-mega” especial do comando da “república dos cariocas” e de seus serviçais em nossa terra.

Outro episódio constrangedor aconteceu com a “Trupe do Bulaxinha”, núcleo da ONG Tio Bibi & Cia.: repetindo a prática de outras edições, fomos discriminados e a “trupe do Bulaxinha”, sob a coordenação do carioca Júlio Adrião, foi autorizada e desautorizada a se apresentar no Overdoze, tendo seu som desligado porque estava “atrapalhando” outro espetáculo (de fora). E os nossos palhaços choraram, arrastando-se desmoralizados para fora da lona. Não entendemos que direito tinha o tal Adrião em poder barrar artistas locais que, voluntariamente, abrilhantavam o Overdoze? E isso, sem cachê, apenas por amor ao ofício e ao público. Esse mesmo Júlio Adrião se apresenta há várias edições com a mesma peça, deixando claro que o objetivo da “república dos cariocas” é resolver o “bolso” de seus amigos. Inclusive com cachê que chega cerca de R$ 8.000,00, enquanto por aqui nossos grupos teatrais recebem cachês vergonhosos de R$ 400,00 na programação Cena do Cariri. Pergunta-se, então, a Dane de Jade, até quando esse cidadão e outros iguais vão continuar gozando de tanto privilégio, enquanto os artistas do Cariri são discriminados e humilhados?

Deixo claro que meu desabafo em favor do artista caririense não se estende ao Gerente Operacional do SESC de Juazeiro do Norte, o Sr. Paulo Damasceno, pois o mesmo, na minha concepção, não faz parte dessa “panelinha”. Ele sempre trata os artistas com respeito e carinho, prestigiando-lhes sempre que é possível.

Sugiro que a Coordenação Geral da Mostra SESC Cariri de Cultura repense suas ações e retome o diálogo e o respeito com os artistas e produtores caririenses. Chega de maus tratos e de esmolas. O Cariri é muito rico em sua cultura e não merece ficar com as sobras da “república dos cariocas”. Espero que, em 2009, o potencial da nossa região não sirva apenas para ilustrar a justificativa de captação de recursos públicos, mas efetivamente ocupe o lugar de destaque que merece.

Crato-CE, 29 de novembro de 2008.

Luiz Benui Taveira (Tio Bibi)
Professor, Ator, Palhaço, Diretor de Teatro, Diretor de Produção e Radialista

Nota do Blog do Crato:

Gostaria de reforçar aqui as palavras do autor do artigo excelente, por sinal, e que há muito tempo que eu tenho notado isso entalado na garganta de muitos artistas do cariri também. Já reclamei noutros anos, e vejo muitos outros artistas Caririenses reclamarem que são desprestigiados na Mostra SESC. É como o também artista, poeta, fotógrafo de arte Wilson Bernardo uma vez disse: "Essa Mostra é Importada" Eu ainda acrescento: Esse é um negócio para trazer os artistas de fora para se apresentarem aqui no Cariri, sem nenhuma contrapartida do SESC em fazer o processo inverso, levá-los DAQUI para se apresentarem em outros locais do Brasil, prestigiando-os e assegurando seu valor.

Autor do Artigo: Prof.
Luiz Benui Taveira (Tio Bibi)
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