TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 5 de setembro de 2009

Cadê o amor à pátria? – por Gerardo Lima



Sete de setembro!
Dia considerado como dia de nossa Independência.
Lembramos hoje, o quanto esse dia era esperado e festejado, principalmente para quem morava em alguma cidade do interior.
Era o dia de vestir a farda de gala, participar da banda de música, ter a honra de levar as bandeiras no desfile pelas ruas da cidade e sentir-se importante e muito mais patriota.
Eram ensaios e mais ensaios durante algumas semanas, porque, aquele momento, seria único naquele ano e se não houvesse dedicação, no próximo ano poderia ter alguém ocupando o lugar tocando na banda, desfilando (marchando), levando as bandeiras ou sendo mais importante em relação à exibição de patriotismo.
Hoje é lamentável e traz uma saudade que na realidade de hoje é tristeza. Não há respeito à Pátria, ao pavilhão nacional, aos símbolos nacionais como um todo e muito menos ao povo e à nação brasileira.
Por que tudo isso mudou?
Onde foi o amor a Pátria?
Os patriotas não existem mais?
Há somente patriotas oportunos?
Ou mais ainda, o povo brasileiro só canta sua liberdade nesse dia?
É difícil de aceitar, porque muitos dos que aí estão com a possibilidade de resgatar o amor a Pátria preocupam-se muito mais em levar vantagens individuais. A verdade é que o povo continua prisioneiro e sua liberdade fica dependente dos crimes, desejos e caprichos contra o patrimônio público e a injustiça social. Quero ainda registrar, o que considero uma inversão de valores. Não é fácil perceber que na época da copa do mundo, as calçadas, as ruas, as cidades se enfeitam de verde amarelo, as cores destaques da bandeira nacional e do uniforme, o famoso canarinho, a seleção canarinha. Não, não sou contra que vibremos com a seleção, mas pergunto: só o pão e o circo são suficientes para mostrarmos nosso amor à pátria?
Sim, soa ainda em meus ouvidos, o som dos tambores, o som do Hino Nacional que cantávamos todas às quartas-feiras no pátio da escola, onde em filas com o peito estufado e em posição ereta dizíamos: Pátria amada Brasil. O que fazer? Como resgatar tudo isso? Como educador, acredito que o início deve ser por onde diminuiu ou acabou o amor à Pátria. Os meios de comunicação, as escolas, as famílias e em qualquer grupo da nossa sociedade, mas antes é preciso refletir: Pátria amada idolatrada, salve, salve Brasil!

O efeito multiplicador do erro

Nos últimos dias o Twitter pegou pesado com duas "celebridades" e os erros do seu português ruim. Quando Sasha, filha da Rainha dos Baixinhos e das Bichinhas, escreveu cena (de cinema) com S os tuiteiros encheram (com ch) o Twitter de Xuxa com gozações. A resposta da Rainha (?) foi estúpida e idiota como ela sabe ser. Alegou que a filha dela tinha sido alfabetizada em inglês e que os pobres mortais não mereciam conversar com seu "anjo" de onze anos. A que ponto chegamos! Alguém justifica a cagada da filha tentando esnobar os pobres críticos com o argumento que pra filha o que importa é escrever em inglês.
Na mesma semana Ana Maria Brega, dando uma receita, falou que castanha-do-pará era uma fruta da fauna amazônica. Anne Marie é a rainha das cagadas. Uma Xuxa versão baranga. O meu Twitter se encheu, como no caso da Xaxa, de piadinhas com a "avó" televisiva da Luciana Gimenez.
Quando impliquei com uma participante do blog que escreveu "passiva de alteração" no lugar de "passível de alteração" tive o mesmo sentimento dessas pessoas que gozaram com a Xaxa e a Brega. A gente pode errar à vontade em uma carta pessoal mas não em um meio público de comunicação. O efeito multiplicador do erro é devastador. Me canso de ver alunos da graduação escrevendo "palavras de baixo escalão" em vez de Calão (gíria). Em algum lugar eles ouviram ou leram alguma anta falar ou escrever a famosa expressão de maneira errada e repetiram isso. A língua é dinâmica , mutável etc. Mas alguns erros na mídia são imperdoáveis. Você já imaginou se daqui algum tempo as pessoas estiverem falando e escrevendo como a Ana Maria e a Lulu Gimenez! Talves fosse uma situação "impassível" de alteração.
Beijinhos, beijinhos, pau, pau.

Autodeterminação dos povos - Por Emerson Monteiro

Perante a atual política norte-americana de trazer à América Latina seus efetivos militares para resolver problemas nacionais da Colômbia, ressurgem lembranças preocupantes do tempo em que havia os conselheiros militares no Vietnam do Sul, no Camboja, Laos, Brasil, Chile, com resultados pecaminosos. Medidas que dizem respeito à violação da livre iniciativa dos Estados nacionais implicam na redução da soberania, impondo política externa fracionada ao sabor de nações mais poderosas, o que resulta em retrocesso nas conquistas de séculos de lutas e sofrimento, no binômio do fraco contra o forte, no direito da força bruta em detrimento dos avanços igualitários posteriores à Revolução Francesa.
Ainda que situações conjunturais imponham atitudes de força, isso compete aos líderes e às instituições dos povos livres e suas organizações políticas individuais.
A concepção de uma nova ordem produzida nos transes posteriores da Segunda Grande Guerra reeditou a Doutrina Monroe, que antes implicara na invasão orquestrada das nações americanas, pretexto da salvaguarda democrática do continente, segundo definia.
Em mensagem ao Congresso americano, o presidente James Monroe considerara serem os Estados Unidos contrários ao colonialismo europeu, com base no pensamento isolacionista de George Washington, de que "a Europa tinha um conjunto de interesses elementares sem relação com os nossos ou senão muito remotamente" (Discurso de despedida do Presidente George Washington, em 17 de setembro de 1706), e ampliava o pensamento de Thomas Jefferson segundo o qual "a América tem um Hemisfério para si mesma", jeito de estabelecer o conceito de um continente americano como o seu próprio país.
No entanto mudaram os tempos. Experiências múltiplas concederam o mérito de cada nação independente fustigar os seus próprios impérios da lei, aspecto dos novos tempos de graves decisões.
Por isso, as providências estadunidenses ora adotadas de avançarem nas fronteiras externas à sua federação reduzem as margens de autonomia dos povos latinos, o que lhes reedita triste e ilegítimo papel de fiscal dos demais povos das Américas, motivo de apreensão e escrúpulo, visto o preço pago nas ações anteriores de épocas recentes, já na segunda metade do século XX.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Aéreo

Só me intriga
me fura
me tira (onda)
me cospe
me joga ácido
por que faz
A quem diz
Aquém de mim
fim do mundo
é depois que a alegria passa
o domingo chega
num texto-caçamba
atropela e não mata
futuca que sai
sem ser inteiro
sem ser orgulho
ou servir ao mundo
verso bafo de bar-ra
fere que a faixa é contínua
até vir outra placa
ou um bafômetro
logo mais
espirrômetro
beta-h-cêmetro
nicotinômetro
controle cívico
ideal seria
uma camisa de vênus
para cada vício

A pulverização do cinema


Apesar de já ter me referido, aqui, diversas vezes, não custa nada repetir que a estética do videoclip incorporada à narrativa cinematográfica contemporânea, principalmente aos produtos oriundos da indústria cultural de Hollywood, destrói o prazer de ver um filme pela impossibilidade de contemplá-lo devidamente. Para acompanhar a velocidade das mentes internéticas, a indústria descobriu que a melhor fórmula de envolver o espectador que não pensa e é apático é aquela baseada nos cortes incessantes e nas tomadas bem rápidas.


Até mesmo filmes razoáveis e bons, como Frost/Nixon, de Ron Howard, estão estruturados nesta estética, que já foi denominada de estética da tesourinha. Poucos os realizadores que possuem o conceito de duração das tomadas com a exatidão e o ritmo desejados pelo grande cinema. Para ficar num exemplo: Stanley Kubrick possuía um sentido exato da durée do plano. O conceito bem aplicado faz com que o espectador se envolva no espetáculo, a se tornar, dele, cúmplice. O que não é possível no cinema montanha-russa dos tempos atuais.


O público adolescente e aborrecente, que é o alvo da indústria, não pensa, não contempla, e faz da ida ao cinema uma das fases do shoppear. O filme é o que menos conta para a platéia de adolescentes que lotam as salas dos complexos aos sábados. Os espectadores atendem aos celulares e conversam o tempo todo, riem fora de hora, põem os pés (as patas) nas cadeiras dianteiras, quando não infernizam quem está na frente com toques infernais, e há, atualmente, uma tendência a se falar constantemente não somente ao telefone (que virou uma praga) como também com o amigo(a) ao lado. Sem falar, é claro, na comilança desenfreada (bacias e não mais saquinhos de pipocas, cheerburgueres, guloseimas gerais).


A conclusão a que se pode chegar é que o filme montanha-russa é reflexo da mentalidade da platéia, pois a indústria somente se interessa pelo lucro e, portanto, oferece apenas o que público solicita. E as pessoas que vão hoje ao cinema não se interessam em espetáculos engenhosos e inteligentes. Basta que possuam ação, tensão, efeitos especiais mirabolantes. A ausência do humanismo nos filmes contemporâneos é flagrante. Os personagens não possuem aquele tão necessário poder de verdade, de convencimento, mas são apenas e somente marionetes condutoras da ação proposta, títeres robóticos de um cinema sem alma.


Por outro lado, nesta crise da cultura contemporânea, há a tendência de se diluir autores importantes e viscerais, a exemplo do genial Nelson Rodrigues. Como bem observou a ensaísta de cinema Andrea Ormond em seu blog, Estranho encontro, ao fazer uma análise das adaptações cinematográficas do grande dramaturgo, a tendência de diluir é uma constante nestes tempos contemporâneos numa espécie assim de "imitação da arte".


A onda politicamente correta que assola e destrói a liberdade e a criatividade é outro fator que ajuda muito a crise cultural. Havia uma atitude visceral que agora se edulcora. Não existem mais autores de visceralidade sedutora como Pier Paolo Pasolini (principalmente no escatológico Saló, seu canto de cisne), Marco Ferreri (A comilança), entre muitos outros que vingaram no pretérito. Uma tendência dessa diluição crítica pode ser encontrada como exemplo em Beleza americana, de Sam Mendes, uma visão aparentemente crítica, porém dentro de uma vontade de edulcorar que sufoca o que se pretende ser visceral. Seu mais recente filme, Apenas um sonho, apresenta uma evolução dramática e cinematográfica.


Apesar da salgalhada desse artigo, há elos comunicantes entre os assuntos abordados, que refletem bem o fundo do poço a que se chegou no que teimam em chamar pretensiosamente de contemporaneidade: o comportamento selvagem da platéia das salas exibidoras, a apatia diante da arte, a ausência de humanismo nos filmes e na vida, a diluição de temáticas fortes e de autores viscerais em função de uma apreciação dentro de moldes à la delicatessen, a transformação do transitar na urbis em shoppings centers com seus imensos fasts foods.


E as assim chamadas salas de arte não se encontram livres da agitação. Aqueles que as frequentam fazem-no mais por festividade, para aparecer, do que, propriamente, pelo amor ao cinema. A diluição, a falta de base referencial, a completa ausência da cultura literária, e a proliferação dos monossílabos nos sites da internet, bem que são sintomáticos de uma crise cultural sem precedentes. O paradoxal em tudo isso se encontra na possibilidade extraordinária de se obter informações como nunca se viu antes no quartel de Abrantes.


O que reina é o império do audiovisual. A facilitação da expressão através das imagens em movimento se, por um lado, democratizou o acesso às câmeras digitais, por outro, determinou uma enxurrada de “inexpressividades”, como se pode observar nas dezenas de eventos que acolhem os pequenos filmes realizados pelo digital. Antes, o acesso à expressão cinematográfica era muito difícil. Havia a bitola 16mm, mas os custos, altos, não permitiam que qualquer um pudesse manipular a câmera, que exigia um mínimo de conhecimento técnico.


Filma-se hoje como antigamente se fazia poesias. Se, antes, as pessoas, que queriam se expressar, faziam-no pelos versos, e, quando publicados em suplementos literários ou revistas, sentiam-se revigorados, atualmente é o filme o móvel expressivo da nova geração. Bom que assim seja, mas o tempo, sempre implacável, se encarregará de reter o que presta e devolver, à lixeira do esquecimento, as tolices feitas.

Homenagem a DIHELSON MENDONÇA...A leveza de espirito vestido de teclas:Wilson Bernardo.

Assim como Cleivam Paiva e tantos outros, os nossos artistas criam Sapos...

A BUSCA!...
A única perfeição
seria a morte
que finaliza o processo
da vida.

ENFIM...
Uma grande filosofia
de vida
é bater em porta de Cemitérios.

A LÍNGUA AFIADA.
O engolidor de espadas
não tem se quer a metade
da sabedoria dos Sapos
engolidores de insetos.


DIABETE.
O velho pianista cansado
de teclas
passou o resto da vida
a tocar flauta doce.



WILSON BERNARDO( Poemas,Fotografia & Fotoartgraficas)

O juiz espanhol Baltasar Garzón (aquele que mandou prender Pinochet) está fazendo escola...



Abaixo notícia publicada no jornal “O Povo” de hoje:
Preso Político
Juiz condena Cuba a pagar indenização
A mãe do preso político cubano Omar Rodríguez Saludes saiu vitoriosa num processo no tribunal de Miami contra o governo de Cuba e o Partido Comunista da ilha, que deverão pagar-lhe US$ 27,5 milhões por danos causados à sua saúde, numa sentença que pode abrir caminho a outras causas. O juiz federal americano Alan Gold considerou que Olivia Saludes, mãe de Omar Rodríguez - jornalista da agência Nueva Prensa preso em abril de 2003 em Cuba junto com outros 75 dissidentes -, ficou enferma, além de sofrer de uma profunda angústia gerada intencionalmente pela detenção arbitrária e por tratamentos desumanos, inclusive torturas, aplicados contra seu filho.
A demanda de Saludes, dirigida contra a República de Cuba, o PPC, o líder cubano Fidel Castro, seu irmão, o presidente Raúl Castro e vários ministros, é a primeira no exterior a reconhecer direitos aos familiares por danos sofridos por causa da situação de presos políticos em Cuba.O magistrado considerou que a mulher, uma exilada cubana que vive em Kentucky, provou suficientemente os danos. Na sentença, ele dispôs que o governo cubano deveria pagar indenização de US$ 2,5 milhões, enquanto o PCC deveria arcar com o pagamento de US$ 25 milhões. (das agências)

E Zé Sarney já morreu?????

BlogHumor: Sessão Abobrinha - As Notícias Super Desinteressantes !


O BlogHumor de hoje traz a sessão "Abobrinha", um giro de 40 graus de calor ( do Crato ), sobre determinadas notícias veiculadas na internet nesta semana ( Com Comentários - E olha que não é do Seu Creysson ); E não percam a próxima edição da sessão Abobrinha. Porque na internet, o que não falta é abobrinha pra você ler...

Roberto Carlos Quase Cai em Show ( sai da frente... )

Roberto Carlos levou um susto em um dos shows da turnê comemorativa dos seus 50 anos de carreira em São Paulo. A apresentação aconteceu na noite desta quarta-feira, 2, no Ginásio do Ibirapuera. Durante o intervalo entre uma canção e outra, o cantor foi brincar com uma amiga que estava na plateia e inclinou tanto o microfone que acabou se desequilibrando e por pouco não foi parar no chão. Muito sem graça com o que incidente, Roberto decidiu continuar cantando como se nada tivesse acontecido.

Pelé Club expande sua rede de academias no Brasil

( Essa é tão ruim que não merece comentário )
As academias Pelé Club acabam de anunciar seu plano de expansão até o fim do ano. A rede, pioneira na proposta de franquias de academia no Brasil, comercializará mais 5 pontos até dezembro de 2009. O foco são as capitais e as maiores cidades do interior e do litoral de São Paulo. Os empreendedores podem optar pelo modelo de franquia de academia com piscina, que gira em torno de R$ 2.130 milhões, ou sem, cujo investimento é por volta de R$ 1.900 milhões. A expansão da Pelé Club está sob a responsabilidade da Franchise Store, primeira loja para venda de franquias da América Latina e que acaba de fechar parceria com o Banco do Nordeste. A união beneficia franqueadores e franqueados interessados em obter financiamentos em condições favoráveis (taxas de juros diferenciadas) para implantar ou expandir negócios na Região Nordeste e no Semi-Árido, que inclui trechos de Minas Gerais e de estados do Centro-Oeste.

Irmãs Cajazeiras estudaram no Colégio Santa Teresa, em Crato, nos anos 60...

Descoberta sensacional: Nossa reportagem descobriu finalmente de onde vieram as famosas personagens do autor Dias Gomes, no seriado "O Bem Amado". As irmãs cajazeiras estudaram no colégio Santa Teresa de Jesus, em Crato, nos anos 60. Essa foto das 3 donzelas foi tirada ainda na mocidade. Hoje estão um pouco mais desfiguradas, mas não perderam o "rebolado"...



Filme sobre a vida de Lula: "Lula, o Filho do Brasil" ( oh, pensei que era outra coisa...)




Rodrigo Lombardi estará em futura novela da Globo
Comentário - grande merda...

Tendo seu trabalho reconhecido não só pelo público que assiste a novela "Caminho das Índias", onde dá vida ao personagem Raj, o ator Rodrigo Lombardi também está sendo reconhecido pelos colegas e autores de novela. Tanto é que, de acordo com o colunista Flávio Ricco, Lombardi, em conversa ao pé do ouvido já admitiu que seu nome está reservado para uma novela de Silvio de Abreu, intitulada "Passione". Lombardi será um dos protagonistas do folhetim, que tem previsão de ir ao ar no segundo semestre de 2010.

Candidata Dilma em 2010:


Novo vídeo mostra que professora dançou o "Todo Enfiado" dois dias antes

( quem muito se abaixa, o nome aparece...)
A história da professora Jaqueline Carvalho dos Santos, que ficou conhecida nacionalmente por ter sido demitida após subir ao palco durante um show e dançar de forma sensual para a plateia ainda chama a atenção de muita gente. Em suas primeiras entrevistas na televisão e no rádio, Jaqueline, que é formada em Pedagogia pela Universidade Jorge Amado, afirmou estar fora de si, devido ao exagero na bebida, a professora afirmou ainda em rede nacional ter consumido duas garrafas de whisky e muita cerveja. Um dia depois, a mesma desmentiu o que falou.

Receita de uma bela Sopa de Abobrinha

Esta vai dedicada a todos que gostaram da sessão abobrinha. Porque como dissemos, o que não falta é abobrinha na internet... Bon Appetit !


Ingredientes para Sopa de Abobrinha:
4 abobrinhas médias
4 batatas médias
1 cenoura média
1 nabo redondo médio
1 cebola pequena
2 colheres (sopa) de óleo de oliva
½ colher (chá) de tomilho
sal e pimenta do reino a gosto
uma pitada de noz moscada ralada
1 copo de iogurte natural

BlogHumor é uma produção de Dihelson Mendonça ( Dos Rastreadores de Abobrinhas ), com a colaboração de vários Blogs:

Fontes: Minha Notícia, Celebridades.com.br, Abobrinhas.com, Super Interessante e vários outros Blogs de Abobrinhas

Trago mais dois poetas para o CaririCult...

Amigos do caririCult,

Há alguns poetas que querem entrar para o CaririCult, dentre eles, o Nijair Pinto, que me consultou recentemente. Sendo que o CaririCult é um site dedicado às Artes, e sendo ele um poeta, então...

Bem, o recado do Nijair está dado.
Outra pessoa que não pode faltar aqui é o João Nicodemos. Ele está acessando internet agora, e certamente que seria uma grande aquisição para este site.
Aguardo um contato, para providenciarmos.

Abraços,

Dihelson Mendonça

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Nem divino ou canônico, apenas o variável da vida.

Por José do Vale Pinheiro
O pessoal da comunicação, seguindo o exemplo dos gramáticos, tem criado manuais que regram a escrita. Isso se ampliou tanto que empresas como a Folha de São Paulo criaram o seu próprio manual. Até aí “morreu Neves”. A questão é querer aplicar os manuais a um instrumento vivo, histórico, diversificado, inovador e de muita especificidade embora se queira universal como é uma língua (pelo menos para os que a entende).

Quem escreve não o faz sobre o fio da navalha dos valores canônicos. Normalmente procura expressar, refletir, contar e assim do diante algo ou alguma coisa. Quanto mais se fizer compreendido melhor, mas certamente toda a riqueza das suas circunstâncias virá não como regras de manuais de redação.

Hoje no blog Terra Magazine o lingüista Sirio Possenti levante bem esta questão ao prefaciar um livro intitulado “Não é errado falar assim”, de Marcos Bagno também lingüista e escritor. Possenti introduz a questão parodiando falsos valores enciclopédicos que se tornam irremovíveis e motivos de classificação de erro gramatical. Entre o bíblico gramatical e a ciência ele sugere esta: “no campo científico, a atitude intelectual mais elementar consiste em considerar que a verdade nunca é definitiva, que repetir o texto de uma autoridade simplesmente pelo fato de ela ser uma autoridade é um defeito, não uma virtude”.

Ele evolui afirmando que o elemento fundamental nas ciências desde o século XVI “ainda está ausente nos estudos de língua” E aí ele remete seu raciocínio para o que chama “fatos da língua” ao invés de cânones congelados através do tempo e do espaço. E desse modo se expressa: “por que ainda não conseguimos dizer simplesmente que a forma X é um fato da língua (mesmo que digamos em seguida que ele não nos agrada, assim como podemos não gostar de uma comida, de uma roupa, de uma música)? Por que continuamos dizendo simplesmente que se trata de um erro, ou, pior, que é um horror?”

Esta discussão nos convém, pois escrever parece ter se transformado na quintessência humana e não este enlace diário de nossas vidas. São tantos os obstáculos gramaticais, lógicos, estéticos, de estilo e assim por diante que o mais comum é ter se transformado um ato bastante comum em algo sofrido, arrancado de um cipoal espinhoso e instransponível.

É com clareza que Possenti diz que o livro do Bagno: “Pede apenas que as pessoas sensatas parem de considerar erros de português formas lexicais ou gramaticais que são diariamente condenadas sem razão. E ele o faz em nome do simples fato de que elas ocorrem sistematicamente. E não é que ocorrem na boca de iletrados, mas sim na escrita de pessoas letradas, o que comprova sistematicamente com as abonações encontradas na mídia”.

O texto do Bagno não se volta contra as gramáticas e nem contra as normas gramaticais mais comuns. Apenas sugere que se leia melhor tais gramáticas e se compreenda “fatos da língua padrão brasileira atual, da norma culta atualmente falada e escrita no Brasil. Falada e escrita variavelmente, é claro, como sempre foi, aliás”.

ARTE POSTAL por LUPIN


Caçote bate piaba

Por J. Flávio Vieira

Um dos problemas mais prementes de infra-estrutura em Matozinho sempre fora o abastecimento de água. O rio Paranaporã cortava a vila de uma ponta à outra, mas em terra tão árida, contava-se com suas águas barrentas apenas nos primeiros meses do ano. A partir de maio, restavam apenas alguns poços esparsos em seu leito e de lá fluía, a duras penas, um líquido meio ferruginoso e insalubre. Seguiam-se , a partir daí, pelo menos sete meses de secura e aflição. Acostumados à exigüidade do líquido precioso, os matozenses se viravam como podiam: cavavam cacimbas, construíam barreiros e tinham, ainda, o açude do sabugo. O açudeco , pequeno e cheio de bombas d´água, invariavelmente batia piaba aí pelo mês de setembro. A promessa de um abastecimento decente em Matozinho, assim, se tornara, de longa data, uma plataforma política estratégica. Toda campanha se repetia a ladainha interminável, de lado a lado. Governo e oposição se adiantavam e prometiam transformar a cidade num parque aquático, num Beach Park sertanejo. Passavam-se os anos do mandato e, como o pagamento da promessa dependia de verbas estaduais e federais, prefeitos com tão pouca mobilidade, não conseguiam cavar o dinheiro e ,conseqüentemente, nem as obras.
A coisa mudou com a posse de Agripino Caçote . Eterno candidato de oposição, ele por fim conseguiu eleger-se com a maciça ajuda de Serginaldo Canabrava , o governador do estado. Toda sua campanha se firmara na promessa de trazer água regular aos lares da vila. Sinderval Bandeira, mais uma vez, também garantira resolver o problema, no entanto, eterno vencedor nos pleitos municipais, reincidente na mesma promessa não cumprida, terminara por perder o crédito. O certo é que , após a posse, Caçote e Canabrava resolveram mostrar serviço. Em poucos meses, já existia todo um maquinário esquisito , nas encostas da Serra da Jurumenha, cavando como um tatu maluco. Agripino já cantava de galo :
-- Estamos cavando um poço profundo e , daqui a pouquinho, o problema de água em Matozinho vai estar definitivamente resolvido!
Os dias se foram passando e nada de a água jorrar. O povo na rua já fazia mangofa e a oposição soltava piadinhas pelos cantos da praça. Agripino, já meio agoniado, cutucou o engenheiro responsável pela prospecção e este afirmou que tivesse paciência , a água ali estava funda, mas quanto mais profunda, seria, com certeza, de melhor qualidade. Pelo sim, pelo não, Caçote mandou chamar o velho Pebinha que morava no Beco do Belisca Sedém e tinha uma profissão reconhecidíssima por ali : Marcador de Cacimba. O cientista chegou na obra e observou tudo com ares proféticos, como cachorro quando assunta preá. Depois , pacientemente, quebrou uma pequena forquilha de um marmeleiro e, agarrado nas duas hastes, se pôs de lá para cá fuçando todo o terreno em derredor à escavação. Passado algum tempo, chamou Agripino e seus assessores e fechou questão com ares professorais:
-- Seu prefeito, água aqui num tem não, se o senhor encontrar é já chegando no Japão e num vai prestar pra beber. Se o senhor quiser, eu marco o lugar certo e pode furar que eu garanto !
O engenheiro responsável deu brabo. Disse que tinha utilizado todos os instrumentos científicos da capital . Quem era aquele matuto com um cambitinho prá dar aulas a ele ? Fechou a cara e ameaçou abandonar tudo e avisar ao governador de quem era empregado. Agripino, na sinuca de bico, temendo perder as verbas do estado, optou pela ciência universitária e mandou continuar a perfuração. Os dias passaram-se . O poço artesiano já contava com mais de duzentos metros terra abaixo e nem um chorinho só de água. Todo o santo dia o povo acompanhava os trabalhos , na esperança de ver algum líquido minar. Já andavam meio desesperados. Um belo dia, por fim, a água jorrou pelo furo, quando já se aproximavam de trezentos metros de fundura. E jorrou com jato forte. Toda Matozinho, de repente, achegou-se ao poço. Agripino, mais que todos, estava radiante. Já antevia uma longa carreira política. Só com o passar do tempo, já todo molhado , percebeu que a água era muito barrenta, muito ferruginosa. O engenheiro, no entanto, baixinho, lhe garantiu que era só a primeira que saía que estava lavando o cano e carregava tudo quanto era de basculho de dentro do cano principal. Quando provaram a água, com curiosidade, no entanto, tomaram um susto: era salgada como de pia batismal. De enferrujar chifre de bode de tão salobra. O engenheiro também prometeu que ia melhorando com o passar das horas, tivessem paciência. Deu o serviço por terminado e voltou à capital.
Com os dias, porém, se notou que a água não ficou mais limpa, mais clara , nem mais doce. Ia , inclusive piorando, se tornava mais escura e mais gelatinosa e intragável.O povo arrochou o prefeito, pedindo uma explicação. Reunida a Câmara Municipal, convocou Caçote que lá compareceu sem mostrar sinais de preocupação. Toda Matozinho se acotovelava no auditório e do lado de fora. Na hora de informar à população o que acontecera, Agripino deu sinais claros de aprendera rápido os ínvios caminhos da política :
--- Povo de Matozinho, falei hoje mesmo com o engenheiro e ele explicou direitinho o que ocorreu. A sonda furou tão fundo que rasgou o bucho de um tal de pré-sal, por isso é que o líquido que sai é salobro ! E é preto, meus amigos, por que aquilo é petróleo. Nós tamos ricos ! Vamos fabricar querozene que dá prá encharcar tudo quanto é candeeiro do mundo ! Com o dinheiro que Matozinho vai ganhar não precisamos mais de poço, vamos tomar banho e cozinhar com água mineral Périer !


J. Flávio Vieira

"A 'Petrossauro', a Petro-sal e a história."

Postado por Darlan O. Reis
"Todos os dias se faz história, mas há dias onde se distingue a silhueta de anos e das gerações. Para o Brasil, segunda-feira, 31 de agosto de 2009 foi um dia assim.

O 8 de novembro de 2007, quando a Petrobras anunciou o pré-sal, também entrou para a história. Mesmo os mais rabugentos inimigos da "Petrossauro", que assim apelidaram a Petrobras por ser estatal e nacional, admitem que as reservas de petróleo de primeira devem abrir um novo ciclo no país.
Porém os brasileiros aprendem na escola sobre outros "ciclos", da cana, do ouro, do café, da borracha, que vieram e se foram. Geraram fortunas fantásticas. Mas nunca quebraram os grilhões da dependência nacional, do subdesenvolvimento, da pobreza para a maioria.
O que faz a diferença então é o 31 de agosto – quando o presidente da República comparece diante da nação e aponta "uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro".

Qual futuro? O de um pré-sal que é "patrimônio da União, riqueza do Brasil", será operado pela Petrobras e gerido por uma Petro-sal 100% estatal; cujos recursos irão para "a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico".
É apenas um projeto. Os bilhões de barris que podem efetivá-lo ainda repousam sob o oceano, debaixo de milhares de metros de mar e sal.
Mas é um grande, enorme, inédito projeto. Nunca antes na história deste país – para o escárnio da elite conservadora – casou-se em tal escala uma oportunidade de riqueza com uma decisão política de não concentrá-la e sim reparti-la. Para um povo que já produziu tanto e no entanto ficou com tão pouco, é uma oportunidade de ouro. Pode fazer o Brasil mudar de andar.

O bloco conservador oposicionista-midiático viveu neste 31 de agosto o seu dia de inferno astral. Ali estavam o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não inquiridos na CPI criada contra a Petrobras, mas entregando ao país um projeto como poucos.
De imediato, houve uma virada no braço de ferro entre as duas pautas petrolíferas que se opõem hoje. Perde fôlego a pauta negativa da CPI. Ganha ímpeto a pauta afirmativa sobre como explorar o pré-sal e partilhar seus frutos.

Há muito o que debater. Os petroleiros ainda veem os leilões da ANP com desconfiança. A UNE reivindica 50% dos recursos para a educação. O governador Sérgio Cabral atém-se a um sistema que dá dois terços dos royaltes do petróleo para o Rio de Janeiro e um terço para todos os outros estados. A oposição midiático-conservadora ressuscita o ex-diretor da ANP e ex-genro de FHC, David Zylbersztajn, para agourar que tudo está errado.
Portanto, ao debate: com urgência, com gana, alegria e esperança, lucidez e coragem, e vigilância, e profundidade. O pré-sal não garantirá a passagem automática do Brasil para um novo modelo de desenvolvimento nacional. Mas os prasileiros, com o projeto agora apresentado, terão novas energias para lutar por ele."

Conferência da Cultura: No tom da necessidade

Postado por Alexandre Lucas

É importante o envolvimento dos diversos segmentos da cultura e da arte neste processo de desenvolvimento e consolidação de políticas públicas que vem sendo implementas pelo Ministério da Cultura, com amplo apoio da sociedade civil. Um dos exemplos de fortalecimento e o protagonismo dos movimentos sociais ligados a cultura é o Programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura espalhados pelo Brasil que estão dando uma nova dinâmica e descentralização dos recursos públicos, inclusive forçando com que governos municipais e estaduais assumam o seu papel enquanto gestores públicos. A mobilização nacional para discussão das questões pertinente á Cultura nos estados e municípios, através das conferências municipais e estaduais é uma exemplificação clara.

Em todo o Brasil, existe uma amplo movimento o para realização da II Conferência Nacional de Cultura que será no período de 11 a 14 de março de 2010. Os Municípios terão até o dia 31 de outubro deste ano para realizar suas conferências municipais.

Apesar do aprofundamento nas discussões e nas políticas públicas na área da cultura, muitos municípios ainda não criaram os seus mecanismos para implementação destas políticas, como os fundos municipais da Cultura, os conselhos , políticas de editais e de isenção fiscal.

Na Região do Cariri, a questão se repete e é muito comum confundir “política de eventos e de ações” como políticas publicas para a cultura. A grande diferença é que no caso de políticas públicas é necessário criar instrumentos jurídicos e de participação popular que possam ultrapassar os mandatos dos gestores como foi o caso do avanço dado com a implementação dos Pontos de Cultura e consequentemente o seu empoderamento jurídico e político que após a gestão do presidente Lula, do Ministro Juca Ferreira e do Secretário de Estado Célio Turino esse programa continuará pelo o seu grau de consolidação jurídica e política. Já a “Política de eventos e de ações” tem a dimensão da gestão municipal que a desenvolve.

As conferências municipais da Cultura têm demonstrado a sua importância para aprofundar e criar políticas públicas, para conhecer as realidades locais e setoriais, para promover a reflexão e a descentralização na tomada de posição dos diversos segmentos envolvidos com a arte e a cultura. As conferências devem ter a cara da diversidade e da pluralidade de idéias, das culturas, dos credos, das concepções ideológicas e estéticas.

Vamos construir a conferência em cada cidade com o tom e a voz da liberdade, com as proposições necessárias, com os embates precisos, com a rebeldia dos artistas do povo, com a esperança de alargar a passarela das políticas públicas que garantam acesso democrático e descentralizado, que permitam fortalecer a identidade e a pluralidade cultural e artística do nosso povo. Esse é o nosso palanque.
Alexandre Lucas Coordenador do Coletivo Camaradas

Zombaria e catarse

Por Maurício Tavares
Lendo a "A arte de ler" tendo a concordar que só se justifica criticar um mau autor quando ele desfruta da graça de todos e, consequentemente, é um erro público a ser retificado. Émile Faguet, autor do livro citado, acredita que falar mal da lietratura ruim (romance, poesia etc.) serve como catarse. "A catarse é a arte de se livrar, sem riscos, de um sentimento que poderia ser nocivo, de se purgar de tal modo que ele não subsista em nós para nos torturar, ou que se manifeste de modo ruim e funesto". A zombaria exercida sobre obras ruins é uma catarse. Exercendo-a nós ficamos satisfeitos, e não temos mais necessidade, talvez, de exercê-la sobre as pessoas. "É uma válvula de segurança. É a parte do fogo. A perversidade recebeu seu alimento; ela se acalma, se apazigua e não mais nos entusiasma".
Sou completamente favoravel a tese de que não se deve zombar de pessoas humildes que não pretendem ser o que não são. É muito mesquinho chutar cachorro morto. Mas aquele "bonito do bairro", aquele cara cafona acostumado a ser cortejado pelas menininhas da rua, quando se arvora a dominar territórios maiores do que as suas qualidades precisa ser detido. No fundo é um bem que se faz principalmente a ele. Ele pode evitar de se expor a rídiculos maiores.
Sempre fui capaz de tomar café com as pessoas de quem critiquei a obra. Escrever mal com a ilusão de que se escreve bem é uma fraqueza muito mais comum do que se imagina. Pena que elas só consigam tomar café com os amigos e os bajuladores. Talvez ser a bonita do bairro seja suficiente para talentos desse porte.

Programa Cariri Encantado desta sexta-feira será com Jackson Bantim e elenco do filme As Sete Almas Santas Vaqueiras

Jackson Bola Bantim e equipe no set de filmagem
Por Carlos Rafael Dias
O programa Cariri Encantado desta sexta-feira, 4 de setembro, contará com a participação do cineasta Jackson Bantim e parte do elenco do seu último filme “As sete almas santas vaqueiras”, cujo início das filmagens está completando um ano.

Além de Jackson Bantim, estão sendo aguardados os atores Cacá Araújo e Orleyna Moura.

Na parte musical serão veiculadas canções compostas por Luiz Carlos Salatiel, Pachelly Jamacaru, Cleivan Paiva,Rosemberg Caririy, Luciano Brayner, Igor Rocha, Cícero de Assaré, Jackson Bantim, Alemberg Quindins e Geraldo Júnior; interpretadas por Luiz Carlos Salatiel, Cleivan Paiva, Banda Nacacunda, Grupo Herdeiros do Rei, João Carlos Matias, Zabumbeiros Cariri e Banda Tchopo.

O Programa Cariri Encantado acontece com o apoio do Centro Cultural BNB Cariri e é veiculado todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri, 1020. É apresentado por Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O melhor discurso eleitoral para o ano que vem.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa
A internet é o espaço livre da informação, da manipulação e da contradição. Se não tivermos o pulso do que lemos, cairemos facilmente naquele diálogo das tias falando de carestia: não sei quem me disse, que não sei onde, estão vendendo não sei o quê por não sei quanto! Menina e onde vamos parar com esta carestia?

As tias não precisavam de dados, a carestia em si era um dado posto e estava acabada a história. Não sei quantas vezes nos chega do mais profundo sentimento conservador e de algumas vozes ultra liberais e-mails apontando o dedo duro para os nordestinos produtores de vida. Se não os nordestinos e os favelados.

Há semana recebi de um paulista eleitor do Alckmin um longo texto contra o Serra considerado “estatizante” tanto quanto o Lula e advogando o fim de toda proteção social e deixando o território livre ao mercado. Um dos argumentos: os nordestinos continuam inundando o mundo de filhos. Parem com os programas sociais para que não continuem fornicando e gerando cabeças chatas.

Era uma alma carcomida. Sem luzes. Cheia de teias de aranha. A fertilidade brasileira há muito que mudou. E mudou numa escala sem precedente no mundo. Nenhum país na história da humanidade reduziu tão rapidamente a fecundidade quanto o Brasil. Isso ocorreu por uma série de fatores inclusive pela urbanização, pela existência de uma previdência social e de um sistema público de saúde de natureza universal.

Estudo recente do IBGE mostra uma redução na taxa de fecundidade em todas as idades entre 1980 e 2006, até mesmo no grupo etário que passou a ser preocupação do SUS: a gravidez na adolescência, entre 15 e 19 anos. Na idade mais fértil (25 e 29 anos) a redução na taxa foi de 0,25% para 0,10 %.

A redução no número de nascimento continua mesmo nos anos mais recentes. Entre 2000 e 2006, o número de nascidos vivos passou de 3,2 milhões para 2,9 milhões. Á exceção da região norte esta redução ocorreu em todas as regiões do país, inclusive no nordeste.

O debate no país precisa efetivamente mudar de qualidade. Acrescentar mais perspectiva de aceleração das melhorias e menos “auto-imagem de vira-lata”. A rigor a democracia fez bem ao país, a Constituição permitiu uma sociedade melhor, a vida e as políticas de transformação avançam na redução de desigualdades regionais e entre as classes sociais.

A título de resumo apenas citando os tópicos do estudo do IBGE: 1) as desigualdades regionais na mortalidade reduziram muito entre 1960 e 2005; 2) a diferença na esperança de vida entre os sexos acentuou-se muito nos anos 80 (mulheres vivem mais); reduziram-se as diferenças de fecundidade entre as mulheres de menor idade e da maior escolaridade (o planejamento familiar atingiu mulheres de menor escolaridade); doenças crônicas atingem 75,5% dos idosos (mais inovação em medicamentos e melhor acesso); os idosos do nordeste têm menor mobilidade (incapacidade funcional e isso pode se associar com a urbanização); aumentou a proporção de mães que realizaram o exame de pré-natal; mortalidade infantil mantém a trajetória de queda; o número de equipamentos para imagem cresce com maior intensidade no setor público e assim por diante. Quem tiver interesse no estudo abaixo segue o endereço:

hhtp://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1445&id_pagina=1

Que algum desavisado não tome isso apenas como propaganda do situacionismo. Ao contrário, não se pode é negar as evidências de melhoria e os avanços nos últimos anos. E ao não se fazer isso cada um que convença a sociedade que tem o melhor projeto para aceleração de tais melhorias.

Um papo com Iracema, Ana e Salatiel

Por José do Vale Pinheiro Feitosa
O dia amanheceu cantando. O Rio amanheceu sorrindo. Os democratas que abram seu pensamento para os fatos de hoje: a obstrução da oposição na votação do Pré-Sal; o terceiro mandato para Uribe na Colômbia; a revolta da Favela de Heliópolis.

Ontem pelas dezoito horas estivemos no lançamento do livro “Meeiros do Café – gente e ocupação da zona proibida do Caparaó” do advogado e ex-deputado pelo PDT do Rio de Janeiro Vivaldo Barbosa. Comigo o Salatiel, a Iracema sua irmã e a amiga Ana.

O debate entre oposição e governo é sobre algo muito positivo para o Brasil. Afinal tratamos de uma reserva de petróleo estratégica para o país. Cobiçada pelos demais países e por isso mesmo importante para nosso desenvolvimento social e econômico.

Numa rodada de vinhos e o metralhar de assuntos, o centro foi o Cariri, especialmente o Cariricult e seus personagens, leitores e escritores. Falamos sobre todos e claro, ao fazermos isso, era de nós mesmo que falávamos. O Cariricult se desdobra com força.

As empresas de comunicação no Brasil se tornaram aquilo que Gramsci dizia: em verdadeiros partidos políticos. Trata o terceiro mandato para Uribe com outros modos se fosse Chávez, Rafael, Evo ou Lula. Cinismo e terceiro mandato na pauta. E Honduras?

De algum modo o desdobrar de um coletivo como o Cariricult é necessário e tem condições para o futuro. Salatiel tem boas idéias e no seu modo peculiar garante hospedar nossos ânimos para a ação. A agenda já se constrói no seu modus operandi.

As Canudos do século XXI. Que os vitoriosos da vida se sintam acomodados e queiram viver o conforto dos seus bens acumulados é natural. Mas não é esquecer-se que milhões vivem em aglomerações provisórias, violentas e sobre forte repressão do Estado. Heliópolis tem literalmente aquele sentido da música “Alagados” do Paralamas do Sucesso: A arte de viver da fé / Só não se sabe fé em quê.

Nas despedidas. O Salatiel volta amanhã ao Cariri. Uma foto por memória e a consciência que é preciso fazer algo. Assim como apresentar nossas preocupações, alegrias e modelos de mundo para o futuro. E isso podemos.

Praça Siqueira Campos


Por Roberto Jamacaru


Após o término da segunda grande guerra mundial, em 1945, o período subseqüente, compreendido entre as décadas de cinquenta e de sessenta, foi caracterizado pelo volume muito grande de transformações na humanidade. Entre tantas descobertas citamos: a da pílula anticoncepcional, do raio Laser e do ácido desoxirribonucléico - o DNA. Houve também o surgimento dos conflitos dos blocos capitalistas e socialistas (a chamada Guerra Fria). De forma paralela registraram-se o primeiro transplante de coração, a conquista da lua e os fenômenos do feminismo e internet.
No Brasil, em particular, importantes fatos se sucederam: o surgimento da televisão, as criações dos movimentos musicais da Bossa Nova, Tropicália e Jovem Guarda, assim como a inauguração de Brasília e a imposição, em 1964, da Ditadura Militar.
Mas, se procurarmos identificar, nessas estações do tempo, qual foi a causa de maior impacto sobre a humanidade, podemos afirmar, sem medo do que dizem as pesquisas, ter sido a da mudança comportamental do homem em relação a si mesmo.
Se a guerra deixou em todos as marcas do holocausto e da repressão ao livre-arbítrio, a libertação desse personagem na história veio através criação da ONU, da quebra de tabus por parte de muitos ídolos, lembrando: James Dean, Marilyn Monroe, Elvis Presley, Leila Diniz, Brigitte Bardot, Chico Buarque, Beatles, incluindo-se aí o uso da contracultura disseminada pelo Festival de Woodstock.
No Crato, em particular, dado à sua peculiaridade cultural e instinto de libertação, este tão bem demonstrado nos idos de 1817, com os ideais republicanos de Bárbara de Alencar & Cia., todos esses efeitos se fizeram sentir e proliferar intensamente junto à sua comunidade, principalmente no seio da juventude.
Na década de cinquenta, por exemplo, ao som das melodias interpretadas por Nelson Gonçalves, Ângela Maria e Carlos Gonzaga (... Da música Diana), a moda feminina foi um dos destaques na quebra de paradigmas ao assumir novos e variados estilos.
Nela, citando alguns padrões, os penteados passaram a ser ao estilo coque ou rabo-de-cavalo, sendo este último realçado por uma faixa, antes da franja, que dava às mulheres um ar de menininha inocente.
Já o figurino, cuja característica maior era a cintura fina bem marcada, o conjunto restante se compunha de saias rodadas (algumas com anáguas e combinações), ou saias justas, ambas abaixo dos joelhos. Os corpetes davam formas volumosas e firmeza aos seios. O arremate final vinha nos sapatos altos e nos glamourosos lenços de seda no pescoço.
Quanto à irreverência masculina, os topetes ao estilo pega-rapaz, esculturados pela brilhantina, junto com as jaquetas de couro, definia a indumentária da rapaziada.
Na década seguinte, a de sessenta, no embalo do iê-iê-iê, foi a vez das mulheres assumirem a minissaia, com seus trinta centímetros acima dos joelhos e os homens curtirem seus cabelos longos arrematados pelas calças boca-de-sino e botinhas.
Em ambas as décadas, porém, o palco escolhido na cidade do Crato para o desfile dessas inovações foi, sem dúvida alguma, o das passarelas de mosaicos da Praça Siqueira Campos, logradouro este projetado com postes de ferro trabalhado, bancos de marmorito; palmeiras, hortênsias e fícus benjamim, cujo período de construção estendeu-se do ano de 1913 a 1917, em justa homenagem ao comerciante Manoel Siqueira Campos.
Tendo nos seus limites, e logradouros próximos, uma estrutura de residências, hotel, cinemas, café, sorveterias e lojas, citando: a casa dos Dois Leões, o Hotel Glória, os cines Cassino e Moderno, o Café Líder, as sorveterias Bantim e Glória, a Loja Azteca, entre outros, a Praça Siqueira Campos, no coração do Crato, era, além do ponto chique da moda, a coqueluche referenciada pelos brotos do lugar.
Quanto aos hábitos de seus freqüentadores, eles eram, além de puros, revestidos de alegrias e doces insinuâncias.
Obedecendo aos padrões da época, lá, a exemplos das tertúlias, tudo começava muito cedo, ou seja, britanicamente às 19h00m. Era quando os adolescentes começavam a chegar, em bandos, mascando chicletes de bola ou chupando bombons de caramelo, para o tradicional volteio no circuito da praça. Já o final desse encontro, mais britânico ainda, registrava-se às 21h00m. O toque de recolher era emitido pelo alto-falante potente da Amplificadora Cratense, sinal este reconhecido através do som do Hino do Crato ou, em outros anos, por meio da música “Boa noite, meu amor!”.
Se levarmos em consideração que era ali onde se registrava o início da maioria dos romances dessas gerações, a forma com a qual esse processo se desenrolava, era, no mínimo, mais fascinante ainda.
No caso das mulheres, que usavam em média um vestido novo para cada domingo, uma de suas maiores características era a de ficarem rodando, de braços dados com três ou quatro amigas, por todo esse tempo nas passarelas em torno do centro da praça.
Nesses incontáveis volteios, ao sentirem a flechada do cupido, elas lançavam seus piscares de olhos (os chamados flertes) em direção de seus pretendidos. Estes, por suas vezes, fumando os seus cigarros das marcas Continental, BB ou de filtro, Minister “king-zize” (na época, fumar dava status), ficavam pousando nas beiras desse mesmo espaço criando coragem para o famoso “encosto!”.
Com esses arroubos, todos ensejavam a possibilidade de virem a ter, no presente, um lindo romance e, no futuro, um casamento de Contos de Fadas. Quanto às cerimônias deste possível enlace, elas eram celebradas, quase sempre, na Igreja da Sé pelos Padres Rubens ou Onofre. Já os festejos aconteciam nos salões do Crato Tênis Clube aos sons das músicas Danúbio Azul, Simbonê e “Monlight Serenade”, tocadas por Hildegardo e seu Conjunto ou por Ases do Ritmo, detalhes estes que davam um romantismo especial ao evento... Tudo, porém, na base da virgindade, do véu, da grinalda e da tradicional foto em Telma Saraiva.
Voltando ao detalhe do piscar de olho... Quando isto acontecia, era preciso que essa mesma atitude se repetisse por, no mínimo, três vezes para só então o marmanjo ter a garantia plena de uma abordagem segura.
O temor em relação a isso se justificava, pois os maiores pavores que os homens tinham, na realidade eram quatro. O primeiro: o de levarem, além de uma rabissaca, um tremendo “fora!”. O segundo: o de serem chamados de enxeridos. O terceiro, quando o enxerimento era abusivo e malicioso, o de serem taxados de rabos-de-burros! O quarto: em caso de total indiferença a essa insinuância, a denominação era cruel, ou seja, o sujeito poderia ser classificado de “mariquinha!”... Para a categoria, nada mais terrível e humilhante do que esses rótulos.
Já as mulheres temiam a expressão “Só quer ser as pregas!”, que significava importância que não tinha, e a alcunha de “Sacarina” [tradução censurada... (Tradução liberada por liminar: c... doce!)].
Uma vez bem sucedida a paquera, duas coisas advindas dessa investida tinham que ser respeitadas entre as partes: a primeira era a de só pegar na mão após o primeiro encontro e, a segunda, era a da hora de beijar na boca pela primeira vez, coisa que, preferencialmente, só deveria acontecer no escurinho do cinema.
E foi assim, em pleno coração da Praça Siqueira Campos, durante as décadas de 50 e de 60, que essas duas gerações de jovens viveram as melhores fases de suas vidas, de maneira especial inebriadas por várias fragrâncias mágicas, entre elas a do sabonete Alma de Flores e a do perfume Lancaster.
E foi assim também, longe da violência, do despudor e do desrespeito dos dias de hoje que, rapazes e moças, movidos tão somente pelos embalos da pureza e da alegria, conseguiram, cheios de estruturas éticas, construírem as suas felicidades, tão bem repassadas para seus filhos e netos.
A Praça Siqueira Campos, considerada o símbolo “fashion” das gerações do bolero, do rock, do twist e do iê-iê-iê, já foi objeto de inúmeras reformas na sua estrutura, muitas das quais chegaram a desfigurar, quase que por completo, as suas reais características.
Hoje, desolada, mergulhada na solidão das noites de domingo, ela, sem seus rapazes e moças, tem sido vitima dos hábitos e avanços irreversíveis da modernidade, caracterizados pelos pontos de encontros nos shoppings, pelo amor ficar, pela frequência alucinada nas festas reives, pelas presenças em massa nos mega shows, pelas zoeiras nos barzinhos; pelo tagarelismo nos celulares, pelas volúpias secretas refugiadas nos motéis e, por fim, pelo amor virtual... Sem o cheiro de ferormônio, sem a sensação de calor e sem os arrepios voluptuosos causados pelos sussurros das vozes e toques das carícias.
Nela, nem de longe, se ouve mais os sons dos psius e dos fiu-fius. Não se ouve também os ecos dos risos fáceis e muito menos os murmúrios glamourosos de duas gerações de jovens que um dia, nos Anos Dourados e Rebeldes de suas vidas, a conheceram humana, artisticamente arborizada, esteticamente bela, iluminada, cândida, mágica, socialmente frequentada e feliz, muito feliz!

(postagem a pedido do autor)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

CONTOcurto...WILSON BERNARDO.

A FOME ALIMENTA O INVERNO!
Quando o gado anoitece em uma longa ruminagem,
o sertão espera no amanhecer das relvas agrestes
saciar a fome desesperada de velhos cactos amanhecidos
de esperança,a espera de que o inverno alimente o pasto
e os filhos de quem espera retirancias.Se conformar na
partilha com os bois o imaginável ruminar de quem
o nada
se
come.


WILSON BERNARDO(ContoCURTO & Fotografia)

Ver com OLHOS livres!


Memória: logo da Petrobrax.

Por Darlan O. Reis
Você se lembra? Essa era o logo da empresa que o tucanato ia criar, dando fim à Petrobrás. Não nos esqueçamos.

CONTOcurto...WILSON BERNARDO.

O SEMBLANTE DAS PARAFINAS...
Me sinto constrangido toda vez que o dia
se encontra nublado de nostalgia...Chuva!
A morte tem um cheiro absurdo de mormaço.
O chão molhado e os feretros se divertindo
como se adubar a terra fosse necessário.
Os frutos nascem e germinam agouros
camuflados de afetos em um banquete de
morte á luz de velas,que na verdade é um
cheiro insuportável de morte...
simplesmente a propia morte se desgastando em chamas.

Wilson Bernardo(Conto & Fotoartgrafica)

Morder e assoprar

Por Maurício Tavares

Uma vez por mês publico uma coluna/crônica no Jornal da Facom (impresso com 5 mil exemplares). A que está abaixo é a que enviei para a edição de setembro. Embora trate de relação de professor/aluno e de coisas de Salvador tenho a pretensão que ela trate de questões mais universais. A coluna é publicada junto com a de André Setaro meu colega aqui da universidade. Como agora ele também está postando no Cariricult resolvi imitá-lo:

Morder e assoprar

Adoro a forma como os paulistas usam o verbo assoprar. A expressão do título fica mais charmosa pronunciada à paulista. Eu estou sempre mordendo e assoprando e também assoprando e mordendo. Não é assim com todo mundo? Penso que sim. Na minha relação com os alunos tenho vivido essa bipolaridade com uma certa constância (“onde queres Leblon sou Pernambuco, onde queres eunuco, garanhão). Os alunos são suscetíveis demais a uma tirada humorística . Eles levam tudo à sério. Que pena! Perdi meu trauma com esse negócio de morder desde criancinha. Meus irmãos, sacanas, me pediram pra falar pra um professora severa,amiga de minha mãe, chamada Maria dos Remédios (que nome mais purgante!) a célebre falsa questão: “Maria dos Remédios, não confio mais em você!’. A séria professora me pergunta com a vozinha com que se fala com crianças “Por que, Mauricinho?” e eu treinado respondo “Porque dei meu ... pra você chupar e você fez foi morder!”. Pelo rubor da professora e pelos risos escondidos dos meus irmãos percebi que tinha dito besteira. Desde esse tempo, então, aprendi que é dando que se é mordido. Por isso vou logo mordendo antes de dar e assoprar.

Na sala de aula pergunto a um aluno, que eu presumia ser gay, se ele conhece uma música, trilha sonora de um documentário, que fala de uma certa situação muito conhecida no mundo gay. Ele me olha como se eu tivesse feito a pergunta mais ofensiva da vida dele e responde “Professor (nessas horas é importante estabelecer o distanciamento e o pretenso respeito) eu não tenho conhecimento desse mundo!”.Acho engraçado. Porque mesmo sendo gay eu sei quem é a Mulher Melancia e a professora com a calcinha toda enfiada que provavelmente fazem parte do mundo hetero. Depois dessa “mordida” , involuntária, no aluno vou ter que assoprar muito. Alguns alunos me decepcionam mas outros tem atitudes que eu acho corajosas e indicadoras de uma boa auto-estima.Falando sobre moda na sala fiz referência a um mocassim cafona usado por uma aluno, ainda por cima com meia branca, e pra minha alegria vejo que ele continua usando o tal problemático calçado. Os bravos são forjados na adversidade .Quanto aos outros ainda vão existir muitos armários por aí para eles se esconderem com seus medos e fobias.

Maurício Tavares

Belchior, o abduzido.

Texto de Mauro Carrara.

Mauro Carrara

"Tempos atrás, narrei publicamente algumas desventuras daquele tido como “o mais pior dos jornalistas brasileiros”. Entre muitos profissionais e observadores da imprensa, o estatístico Ali Kamel constitui-se em referência singular de apuração preguiçosa, texto confuso e aplicação ladina de lógicas de conveniência. O sabujo da família Marinho subiu ao cume da Vênus Platinada valendo-se da escada magirus da obscenidade, especialmente na execução de serviços de comunicação encomendados pela direita brasileira. Detalhe: a referência nada tem a ver com “O Solar das Taras Proibidas”. Deixemos em paz o astuto Casanova de Roberto Mauro. Convém, no entanto, notar como o amoroso e eterno pupilo de Henrique Caban logrou, no tempo presente, impor seu “modus informandi” às Organizações Globo e, por tabela, a significativa parcela da inculta mídia monopolista do país.

Exemplo formidável tivemos na edição de 23 de Agosto do Fantástico, o caduco programa dominical da emissora carioca. Inventou-se ali uma estória (sim, agora sem “h”, mesmo) sobre o desaparecimento de um “grande astro da MPB”. O sumido (ninguém sabe, ninguém viu) seria Belchior, o inspirado cantor e compositor cearense, moço de Sobral, ex-repentista, autor de jóias da música brasileira como “Apenas um rapaz latino-americano” e “Paralelas”.
A longa matéria misturava fraseados de trama noir e música incidental de suspense hitchcockiano. Por meio de depoimentos pinçados e uma edição bem tesourada, a Globo induziu o brasileiro a cogitar até mesmo de uma abdução. No dia seguinte, por exemplo, no comércio popular da Rua 25 de Março, no Centro de São Paulo, um pirateador de CDs afirmava que o artista encontrava-se numa base militar em Vênus, na qual cientistas cabeçudos escaneavam sua mente de poeta.
Naquele final de tarde, o hábil prosador admitia já ter vendido 16 cópias de álbuns do artista.

O que o telespectador engole

Ora, nos delírios narrados por Patrícia Poeta e Tadeu Schmidt, o folhetim da Globo manteve-se caninamente fiel à doutrina kameliana do jornalismo “testador de hipóteses”. Afinal, a teoria do desaparecimento era verossimilhante, o que mestre Kamel considera suficiente para a construção de uma boa matéria. O estatístico, aliás, já cometera experiências do gênero em “Veja” e na própria Globo, com destaque para os malabarismos argumentativos destinados a atirar no colo de Lula a responsabilidade pela tragédia com o avião da TAM, em Congonhas, em 2.007.
No caso de Belchior, a reportagem foi tratada como pândega por vários profissionais gabaritados da Central Globo de Jornalismo. Era o "se colar, colou". Riu-se da figura do trouxa engolidor de bobagens, o típico Homer Simpson boneriano. Nas redações da emissora, pórém, a pauta se converteu em batata quente. Ninguém queria assumir a execução da suíte.

Durante a semana, os fatos comprovaram que os súditos de Kamel testam hipóteses, levianamente, ou são péssimos apuradores. Nos dois anos do suposto “sumiço”, Belchior foi visto, fotografado e gravado em vídeo por dezenas de pessoas, entre jornalistas e cidadãos comuns. Uma cantora lírica encontrara o cantor em duas ocasiões, em setembro do ano passado, em São Paulo. Dois meses depois, ele aparecera no bairro do Coqueiral, no Recife, para participar de um evento do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase. Bastava aos jornalistas do Fantástico “testar um Google” para encontrar as matérias dos jornais pernambucanos sobre a participação de Belchior na cerimônia. Em 9 de Fevereiro, em Brasília, posara para fotos ao lado de outro famoso amante do bigode, ninguém menos que José Sarney. O “sumido” distribuira ainda autógrafos para admiradores em lugares como aeroportos e restaurantes, no Brasil e no Uruguai. Tudo recente, recentíssimo. Aliás, que fugitivo, abduzido ou desencarnado daria palhinhas em shows, participaria de atividades de ONGs e visitaria o presidente do Senado?

A edição de 30 de Agosto do Fantástico, portanto, tinha de colocar dar um fim honroso a mais essa alucinação kamelista. A batata quente caiu nas mãos da dedicada Sônia Bridi. Coitada. E lá foi a galega comer pó nas estradas do Uruguai e, convertida em emissária da assistência social, dar plantão na porta de uma pousada em San Gregorio de Polanco.

Tomou um chá de cadeira. Coitada de novo. Belchior apresentou-se já de noite à câmera da Globo. Afirmou que considerava “estranha” a reportagem sobre seu suposto desaparecimento. E disparou uma fleumática reprovação: “aquilo não tinha nenhuma relação comigo”. Com um sorriso de mofa nos lábios, concluiu: “eu vivo em São Paulo”.
Ao que tudo indica, o simpático Belchior deu um tempo para escapar de falsos amigos e parentes chatos. É possível ainda que, inadimplente, tenha revivido seu personagem latino-americano, aquele “sem dinheiro no bolso”. Normal, normalíssimo. Não por acaso, o jornalismo kameliano faz estardalhaço em torno de fatos inexistentes, mas cerra os olhos ao embuste dos bandalhos mal dissimulados.

A Globo não sabe, por exemplo, quem é o marido de Lina Vieira, desconhece seu padrinho demista cara-de-pau e nem desconfia dos interesses da ninfa da Receita no factóide da “agilização”. Vamos testar uma hipótese? A empresa da família Marinho continuará enfiando gente em seu Triângulo das Bermudas, e Ali Kamel seguirá educando os truões da mídia imprensaleira. Vale uma aposta?"


Fonte: Viomundo.

ACIDENTES

Por José do Vale Pinheiro
No dicionário existe uma palavra “assidente”, adjetivo de dois gêneros que geralmente é usado para identificar sintomas que acompanham doenças. Este homônimo para a palavra “acidente” é grafado como erro em muitas postagens na internet, basta pesquisar o Google. Mas não é bem a esta confusão que me refiro: é de acidente cujo significado etimológico é “aquilo que sucede”, “acontecimento”. Acontece que para a maioria das pessoas o acidente é um leque de opções sobre o acontecido.

É como se as acepções deste substantivo quase que qualificasse o acontecido. Podemos utilizá-lo como uma acontecer inesperado ou desde algo que leva a perda, lesão e morte até como mero pormenor como se utiliza, por exemplo, na frase: "esta mancha é apenas um acidente na peça". De qualquer modo é no sentido de acontecimento desagradável ou infeliz que o tema nos cabe hoje.

Mesmo quando muitos se sentem prisioneiros do destino, uma parte importante das pessoas sempre imagina a prevenção dos danos. Faz parte da natureza da inteligência humana esta tomada de consciência e tentativa de agir sobre os acontecimentos infelizes. Qualquer aplicação de crítica sobre o processo geral da vida, em sentido econômico, cultural e social é detentor do poder de prevenir danos.

Os acidentes fatais em automotores é uma das principais causas de mortes entre jovens e idosos. Quem desejar aprofundar uma matéria jornalística sobre este fato, basta entrevistar um neurocirurgião da região e ele demonstrará o horror da introdução das motocicletas no transporte de pessoas. O álcool e a direção, a volúpia do poder e da velocidade que um automóvel de belo design clama; a manutenção das máquinas, das vias públicas e a grande ausência da autoridade pública nos percursos mais movimentados.

Mas existem grandes outras coisas como as armas de fogo com as quais pensam se proteger, geralmente destruindo a si e aos outros. Os erros técnicos de toda natureza: na engenharia civil, na medicina, na segurança pública, na política de renda etc. Os danos na cultura consumista são enormes: tabagismo, sedentarismo, alimentação, drogas, álcool, entre outros.

Das grandes desgraças, entre as guerras dos últimos séculos, a grande crise de danos ocorreu na urbanização forçada de enormes contingentes da população. A miséria como imagem nas grandes aglomerações precárias em todas as cidades do mundo. Na mesma senda deste grande movimento de transformação e desalojamento de grandes populações temos as fronteiras de desenvolvimento nas franjas das florestas tropicais, das ilhas, lagos, mares e geleiras.

A situação geral de danos é tal que a fragilidade dos arranjos se mostra a cada notícia. Toda vez que chega o verão no hemisfério norte os incêndios incontroláveis demonstram a instabilidade das aglomerações urbanas vis-a-vis as matas remanescentes. A cada temporal pessoas mortas, secas que migram enormes contingentes humanos.

Quantos deverão ainda morrer para que os ASSASSINATOS parem ?

Rossana Pinheiro: Morta pelo Descaso das Autoridades, ou Assassinos ?


O acidente que vitimou a jovem Rossana Pinheiro na manhã de ontem defronte ao Atacadão Carrefour no Cariri, não é o primeiro com vítimas. Faz parte de uma estatística que já conta com dezenas de outros que estão ocorrendo naquele local. O questionamento que faço aqui é:

Quantas pessoas deverão perder a vida ainda para que alguma providência seja tomada ? O fato é que todos esses acidentes têm uma coisa em comum. É quase sempre um caminhão ou veículo de grande porte, que vindo do lado de Juazeiro do Norte, resolve em cima da hora, fazer o retorno para o lado do Atacadão, ocasionando o choque de veículos leves na traseira, ou na lateral, por não conseguirem parar a tempo . Eu mesmo já fui vítima de um desses caminhões e só não me choquei com a lateral de um deles, porque sou motorista experiente, e consegui desviar a tempo, mas a maioria deles, não liga a seta, indicativa, nem avisa que vai virar à esquerda.

Por diversas vezes já passei por acaso no local, e presenciei acidentes. Ali está se tornando o ponto dos acidentes aqui no Cariri. A questão é até quando ? Eu reputo as autoridades, aqueles que deveriam tomar as devidas providências em relação à solução desse grave problema, como os maiores culpados e eu diria até CRIMINOSOS, pois pela falta de uma ação enérgica e eficaz, outras pessoas são mortas. Se por deixar de fornecer meios para que os cidadãos possam preservar suas vidas, entende-se por Homicídio, ou seja, "Morto pelas mãos de outra pessoa", poderíamos dizer que essas pessoas estão sendo mortas por homicídio culposo, por Negligência das autoridades, de quem deveria em tese, tomar providências. Provocado pelo descaso, pela omissão, e pela não valorização da vida humana, porquanto sabem que aquele é um local propício a haver acidentes, e já houveram muitos, e não tomaram, nem tomam nenhuma providência mínima que seja.

Há diversos meios, como sabemos, que poderiam diminuir os riscos de acidentes no local, tais como a colocação de redutores de velocidade, equipamento para multas ( fotografia ), e quem sabe até um semáfoto mesmo. Será que a vida humana vale menos que um mísero semáforo ?

Pois eis que deixo o questionamento no ar, para que a sociedade faça sua análise. Se desde que instalou-se o Atacadão Carrefour naquele local já houveram inúmeros acidentes, e nunca nenhuma autoridade tomou qualquer providência no sentido de sanar o problema, ocasionando tantos e tantos outros semana após semana, a culpa é de quem mesmo ?

Eu vos digo: A grande parcela de culpa, é dos órgãos reguladores, das autoridades, que relegam a vida humana ao último plano, omitindo-se de qualquer ação, agindo irresponsavelmente, deixando de dar o merecido valor que nós enquanto cidadãos necessitamos e merecemos de uma estrutura político/administrativa, que conseguisse fornecer o mínimo de segurança no trânsito. Reputo esse descaso de negligência, e essa falta de ação, a um verdadeiro estado de crimes que vêm sendo ostensivamente praticados em cima de todos nós, cidadãos do Cariri.

Até quando teremos que nos submeter aos caprichos de autoridades burras, negligentes e burocráticas? Até quando teremos de tolerar o sangue que jorra das pessoas mortas pelo descaso das pseudo-autoridades, altissimamente incompetentes para sanar o problema ?

Ontem, mais uma jovem foi morta, à flor da idade, 21 anos. Colhida em sua juventude. Que pese sobre a consciência dos que deveriam tomar as providências, o sangue dos justos, daqueles que privados da sua existência, não têm mais a quem recorrer. Mas se há justiça sob o firmamento, esses criminosos hão de pagar por sua nefasta negligência algum dia.

Dihelson Mendonça