TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária


Dia 12/11, quinta-feira

Música – COMPOSITORES DO BRASIL
14h Programa de Rádio na Educadora do Cariri AM. 180min.

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: Liceu Anderson B. Carvalho (Juazeiro do Norte)
13h30 Reisado Manoel Messias. 30min.

Local: E.E.M Gov. Adalto Bezerra (Juazeiro do Norte)
14h30 Reisado Manoel Messias. 30min.

Local: E.E.F.M Maria Amélia Bezerra (Juazeiro do Norte)
16h Reisado Manoel Messias. 30min.

Literatura/Biblioteca - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

Livro de Veludo

Eu berro, uivo, corto o dedo
acho a vida intragável
já acendi velas
vomitei no travesseiro
nunca fui amado
nem amei criatura alguma

Eu forjo provas do crime
minto, iludo quem me cerca
tenho inveja do homem belo
meu sonho é traçar divas superstars
sugar-lhes a alma, roubar-lhes os diamantes

Eu não presto atenção ao outro
aproveito-me da amizade sincera
adoro minhas flatulências
não tenho paciência com idosos
nem com mancebos arrebatados
amo minhas paredes
já comi na infância muito barro
engordei solitárias
fui um mísero sonhador
sempre levando chutes na bunda
das musas estonteantes e cruéis
experimentei alfenim quente
mastiguei raízes químicas
bebi, fumei, queimei o nariz

Sou um sujeito horrendo
e entre mortos, feridos e loucos
a Poesia sempre vence
nunca vacila.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ciranda

Sinto, mas não quero bebida.
Esfriar os dedos segurando um copo.

Também não quero fuligem nos lábios
tampouco queimar meu nariz beduíno.

É chegada a hora da lucidez
vasculhar minhas gavetas
queimar todos os papéis.

Cansei de tapar os poros
com cal e barro.

A ponte faz tempo
espera meus passos
sobre as tábuas soltas.

Quem sabe eu despenque.
Plante orquídeas nas nuvens.

VER com os olhos livres


Sangue Quente

Nem na tristeza nem na alegria
à minha alma prometo fidelidade.

Se versos me cansam
rasgo-os.

Se flores me entediam
piso, destrincho, escarro.

Palavras ásperas no céu da boca
onde pela manhã somente havia
chocolate e patchouli.

em vão

onde ficaram aquelas palavras
que preenchiam cartas
agora folhas mortas?

não se sabe quantas vezes
os olhos acenaram ao mar
buscando imagem de um rosto
seu cheiro na brisa
exatamente na hora
em que resultam dois lados
de um vaso em choque com o chão

longas ruas consomem os passos
porque ressurge um louco embriagado
de medo e de solidão
girando em torno de um nome
pele morena
beleza de abalar a alma
e deixá-la em completo silêncio

o silêncio é um deserto dentro
do que ouvia a chuva
de tarde
espalhar sua música
águas por todo canto
cantando cantando cantando

um muro que se faz de tempo

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária




Dia 11/11, quarta-feira

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.F. Julita Farias. (Caririaçu)
15h30 A Triste Partida. 20min.

Atividades Infantis - ARTE RETIRANTE
Local: Caririaçu
16h 100 Canal: Casa de Sementes Senhor dos Exércitos. 5min.
16h05 Sessão Curumim: Espanta Tubarões. 89min.

Literatura/Biblioteca - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

Atividades Infantis - ARTE RETIRANTE
Local: Sítio Belorizonte, Distrito de Lameiro (Crato)
19h Os Piratas que Não Fazem Nada. 85min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

Manhã

Não importa a lua
o jardim suspenso
a musa bailarina
o vinho
o ópio.

Ao poeta apenas
o eterno deleite
do amor sem fraudes.

Não carece dinheiro
coroa de louros
títulos
algodão doce
cavalo alado.

Faça um poeta esperançoso
oferecendo-lhe em bandeja
de prata ou de zinco
o amor sem fraudes.

Aguardo a cafeteira dar o sinal:
"pronto seu cafezinho quente."

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um Pai Melhor

Abraço meu filho,
coço-lhe a orelha,
faço-o dormir.

Pressinto entre nossas almas
eternidade em jogo

e até vejo
nos seus sonhos
o moço valente que é

com sua espada
me salva dos dragões
e monstros

ou, simplesmente
do ladrão em casa.

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária


Dia 10/11, terça-feira

Música - CULTURA DE TODO MUNDO
14h Programa de Rádio na Educadora do Cariri AM. 180min.

Artes Cênicas - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.F. Arara Azul. (Caririaçu)
15h30 A Triste Partida. 20min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

Cinema - 100 CANAL
18h30 Mulheres Rurais. 5min.

Cinema - IMAGEM EM MOVIMENTO
18h35 Estorvo. 95min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

Casanova de casa nova


-- Aquilo não é uma mulher, é um cão perdigueiro !
Esta talvez tenha sido a mais perfeita definição da mulher de Salustiano, feita por um de seus amigos, numa mesa de bar. Salu( como era conhecido na patota) sempre fora chegado a uma gandaia. O bordel sempre tinha sido o templo maior de suas oferendas. Seu oratório era preenchido pelos deuses pagãos: Dionísio, Baco e Vênus. Parece que tinha sido castigo! Já entrado nos quarenta, terminara por casar com D. Guilhermina: mulher madurona, sistemática, cuja maior diversão era ir para quermesses e assistir às reuniões de casais com Cristo que Salu acompanhava, a contragosto. Não bastasse tudo isso, a patroa de Salu era extremamente ciumenta. Parecia um cão farejador. Ligava para a repartição do marido inúmeras vezes ao dia, como se estivesse fazendo chamada. Quando o pobre retornava para casa, procedia-se uma revista rigorosa, digna de Sherlock Holmes, em todos os seus pertences e vestes. D. Guilhermina olhava atentamente a Agenda, em busca de telefones suspeitos, ou bilhetes. Revistava ainda cuidadosamente todas as roupas externas e íntimas procurando fragrâncias estranhas, cabelos femininos ou marcas de Batom. Algumas vezes, chegou a examinar, com atenção quase urológica, o próprio corpo de Salu, fingindo-se de mulher envolvente e carinhosa.
Apesar de todo cerco impingido por D. Guilhermina, nosso D. Juan não havia perdido de todo o espírito aventureiro. Como, por mais de uma vez, tinha sido flagrado, com uma ou outra prova material, foi desenvolvendo um ritual digno da CIA ou do MOSSAD. Carregava no porta malas, escondida, uma maleta fechada com um sem número de utilitários : soluções para retirada de manchas, aromas vários para disfarçar perfumes, óleo e graxa para simular “pregos”no carro e justificar atrasos , bateria descarregada( sempre) para justificar celular fora de área e por aí vai...Não bastasse isso, tinha uma rede de auxiliares digna de nota, capaz de falsear vozes, inventar histórias/desculpas mirabolantes, forjar documentos e álibis. A mulher tinha, porém, pacto com o demo: devia ir para o Afeganistão procurar o Bin Laden, diziam os amigos. Um dia, suplicante, pediu que ele a contasse sobre qualquer aventura após o casamento, jurando calma e compreensão, pois, dizia, sua fobia não era de chifre, mas de ser enganada sem saber. Salu, para testar, começou a falar sobre alguns namoricos da infância e, mal tinha passado do segundo, já D. Guilhermina ia quebrando todos os pratos da cozinha no tubo de imagem da TV. Imagina se falo os do pós-matrimônio, pesou Salu, aliviado em meio aos destroços da III Guerra Mundial.
O período de maior aflição passado por Salu aconteceu depois do caso Diana Bobitt. Vocês lembram ! Sim, foi aquela que, numa crise de ciúmes, cortou o pinto do marido com uma faca de pão, como se fosse salaminho. D. Guilhermina, imediatamente, a tomou como ídolo e até andava com um retrato da emasculadora senhora na bolsinha de dinheiro. Salu entrou em pânico quando descobriu no guarda roupas da esposa ( imaginem o quê !): uma faca Gin Su ! Passou mal, terminou por internar-se em clínica para esgotados mentais. Voltando, inventou , prontamente, que o médico prescrevera comida chinesa típica , para toda a família e, a partir daí, deu fim às cortantes lâminas da casa e passaram a comer com pauzinhos ( para alívio derradeiro dos países baixos e melindrosos de Salu).
A vida assim ia se escoando em meio a esta Guerra Fria. Tamanha perseguição parecia ir dando um tempero todo especial às perigosas escapulidas de Salu. Dia desses, no entanto, o homem voltou a sobressaltar-se. Aparecera nova arma de contra-espionagem no mercado. Ele soube ,através de sua especial rede de informação. No Bar de Seu Louro, os amigos, aflitos, lhe mostraram o recorte de Jornal. Os japoneses inventaram um spray que borrifado na cueca da pessoa, em contato com qualquer resquício de sêmen, torna-se verde e aí, a patroa –perdigueira, ao examinar, poderá ter uma prova concreta da traição cometida. Não bastasse isso ainda desenvolveram um tipo de meia que muda de coloração ,se por acaso for retirada do pé, o que poderia dar evidência de visitas sorrateiras a motéis. Salu gelou! Aquilo nas mãos de Guilhermina seria uma arma perigosíssima. Na sua visão de Casanova, a atitude dos japonas só podia ser despeita com os ocidentais. Inventar uma porcaria destas, só pode ser complexo de inferioridade: por terem um pingolim do tamanho de um alfinete !Por via das dúvidas, no entanto, desde aquele dia, Salu só anda de chinela, só compra cueca verde-camaleão e ,pra dormir, é com um olho só fechado : o outro “pastora” Guilermina!

J. Flávio Vieira

Quimera

Enquanto tu não vens
faço tricô com meus cílios.

Portanto
será longo o tempo

até endurecer a lágrima
no canto esquerdo.

Como podes vir
se és um sonho?

Que eu saiba
todo sonho
é lagarta
descuidada
no meio da praça.

Pronto.
Lá se foi seu abdome.

A andorinha
tem olhos inocentes
mas um bico frio e cortante.

Suntuosa Indolência

Amontoam-se cuecas
no balaio de roupas sujas.

Fico no osso
mas não lavo.

Nem tiro a barba.
Nem corto as unhas.

Do sepulcro
contemplo quem passa,
hesita, tenta empurrar a pedra:
"Em nome de Jesus, vem pra fora Lázaro!"

Insônia

O lençol é curto
mas faz um barulho
asas de albatroz

é o ventilador
com sua ventania própria

levanta almas,
desnuda corpos -

[a muriçoca aproveita
e me atinge as costas]

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ARTE POSTAL por LUPIN


pra quem quiser ver
o que eu vejo

http://fotosdelupeu.blogspot.com

Você me enquadra no quadrado
Do teu olho cinéfilo
Pede uma história que se roteirize
Um melodrama sem remake
Procuro meu cigarro, penso,
Te digo que
Eu posso te contar de mim.
Eu posso te contar de quando fiquei sentado
durante duas horas na porta de um cinema
e a dama do meu melodrama não foi,
depois, como se fosse preciso um pedido
ralo de desculpas, disse que tinha ficado
ocupada com o vibrador, que ela chama delicadamente
de Patrick Swayze
Eu posso te contar de quando corri como um louco
pra ver se acompanhava o sorriso do meu melodrama
pelo vidro traseiro de um táxi que
a levou embora.
Ela ria pelo vidro. Vidrodrama.
Eu posso te dizer de quando enfiei a mão no bolso
na esperança de encontrar alguma coisa
que mudasse o rumo do meu melodrama.
Retirei a mão limpa.
E o meu melodrama riu,
Disse que eu ficasse tranqüilo,
Me disse que rumo é lenda, que a vida é isso: melodrama.
Eu posso te contar que um dia
Quis encarar uma briga pra defender o meu melodrama
tomei tantas porradas na cabeça
que desmaiei,
não sei se meu melodrama soube
me disse que entende pouco isso, de dramas
Eu posso te contar algumas histórias
que ouvi sentado ao pé de uma fogueira
em cima de uma serra linda e velha
meu melodrama não foi, disse que eu fotografasse
ela via depois, se desse tempo.
Eu posso te contar de quando aprendi a cantar
uma canção inteira
dos Beatles.
Meu melodrama disse, com uma risada
Assim, meio cinema novo
Que achava os Beatles uma comédia.

Teoria da Alienação em Marx

Se você busca um aprofundamento para a análise da realidade social em que vivemos, uma dica é começar por boas leituras. Obviamente que apenas boas leituras não faz ninguém analisar, criticar e agir sobree no mundo de forma construtiva. É preciso atuar no próprio mundo, evitar a passividade. As obras de István Mészáros sempre forma nesse sentido. Um intelectual que não capitulou diante das falsas promessas oferecidas pelo Capital ao mundo da intelectualidade, que em sua prática pequeno-burguesa parece ter o maior prazer na capitulação e na bajulação aos detentores do Capital como parece fazer Fernando Henrique Cardoso, o "FHC".
Uma leitura interessante é a da obra Teoria da Alienação em Marx,publicada pela Editora Boitempo. Eis a apresentação feita pela editora:


Título: A teoria da alienação em Marx
Título Original: Marx´s theory of alienation
Autor(a): István Mészáros
Prefácio: Maria Orlanda Pinassi
Tradutor(a): Isa Tavares
Páginas: 296
Ano de publicação: 2006
ISBN: 85-7559-080-4
Preço: R$ 38,00


"Escrito por István Mészáros na Inglaterra, em 1970, A teoria da alienação em Marx é um profundo estudo sobre osManuscritos econômico-filosóficosdo pensador alemão. Nele, Mészáros analisa com rigor a obra onde o então jovem Marx estabeleceu as bases do seu sistema filosófico.

Nesse sentido, as conclusões do autor vão contra aqueles que dividem Marx entre o "jovem" e o "velho", mostrando a unidade da sua reflexão e seu projeto intelectual, que une a economia política e filosofia na sua crítica e a necessidade de aliar-se análise e prática política para a superação do capital. Para este objetivo, o autor analisa um conceito fundamental do pensamento marxista: a alienação.

Como coloca Maria Orlanda Pinassi na apresentação do livro: "De modo geral, os que desejam fugir dos problemas filosóficos vitais - e nada especulativos - da liberdade e do indivíduo, se colocam ao lado do Marx `científico`, ou `economista político maduro`, enquanto os que não desejam assumir a implicação prática do marxismo (que é inseparável de sua desmistificação da economia capitalista) exaltam o `jovem filosófico Marx`."

Mészáros, no seu trabalho, retoma e desdobra os vários tipos de alienação do sistema capitalista. Seus aspectos econômicos, políticos, ontológicos, morais e estéticos, nas relações com o trabalho, na separação entre teoria e prática, entre o homem e a natureza, e considerações sobre a sua superação, além do que o autor chama de ordem sócio-metábolica do capital. O livro traz ainda um capítulo que trata especificamente da crise da educação e sua relação com a alienação.

Vencedora do prêmio Issac Deustcher, escolhida por um júri integrado por Perry Anderson, E.H. Carr, Eric Hobsbawm, Ralph Miliband e Monty Johnstone, esta é a quinta obra de István Mészáros publicada pela Boitempo no Brasil. Como seus outros livros, entre eles O século XXI: socialismo ou barbárie? e O poder da ideologia, traz o trabalho do autor em compreender tanto a essência como a abrangência da dialética, acima de uma concepção rasa e instrumental do marxismo.


1ª Guerrilha do Ato Dramático Caririense


PEÇAS PARA CRIANÇAS:

09/11 (segunda-feira), 19:30h: “ANIMARTISTAS”, adaptação de Flávio Rocha do conto Os Músicos de Bremen, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, direção de Flávio Rocha.
10/11 (terça-feira), 19:30h: “O MÁGICO DE OZ”, de Victor Fleming, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, direção de Flávio Rocha.

11/11 (quarta-feira), 19:30h: “PATATIVA E SALOMÃO”, de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, direção de Jean Nogueira.

12/11 (quinta-feira), 19:30h: “MARIA ROUPA DE PALHA”, teatro de bonecos, de Lourdes Ramalho, com o Grupo de Teatro da Associação dos Artistas e Amigos da Arte – AMAR, direção de Stênio Diniz.


PEÇAS PARA JOVENS E ADULTOS DE TODAS AS IDADES:

13/11 (sexta-feira), 19:30h: “FOGO FÁTUO”, de Lourdes Ramalho, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, direção de Flávio Rocha.

14/11 (sábado), 19:30h: “O PECADO DE CLARA MENINA”, de Cacá Araújo, com a Cia. Cearense de Teatro Brincante e Grupo Cênico do Crato, direção de Cacá Araújo.

15/11 (domingo), 19:30h: "A COMÉDIA DA MALDIÇÃO”, de Cacá Araújo, com a Cia. Cearense de Teatro Brincante e Grupo Cênico da SCAC, direção de Cacá Araújo.

16/11 (segunda-feira), 19:30h: “DESMISTIFICANDO TABUS”, de Joylson John Kandahar, com a Cia. Mandacaru de Arte e Eventos, direção de Joylson John Kandahar.

17/11 (terça-feira), 19:30h: “COQUETEL”, de Wanderley Tavares, com a Cia. Wancylus Gat Produções, direção de Wanderley Tavares.

18/11 (quarta-feira), 19:30h: “DENTRO DA NOITE ESCURA”, de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, direção de Jean Nogueira.

19/11 (quinta-feira), 19:30h: “AS IRMÃS CASTANHOLAS”, de Joylson John Kandahar, com a Cia. Mandacaru de Arte e Eventos, direção de Joylson John Kandahar.

20/11 (sexta-feira), 19:30h: “ESPERANDO COMADRE DAIANA”, de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, direção de Renato Dantas.

21/11 (sábado), 19:0h: “BR 116”, de Allysson Amancio, com a Allysson Amancio Cia. de Dança, direção de Allysson Amancio.

22/11 (domingo), 19:30: “BÁRBARO”, com o Grupo Ninho de Teatro


1ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE - TROFÉU JUSCELINO LOBO JÚNIOR
DE 07 A 21 DE NOVEMBRO DE 2009
TEATRO RACHEL DE QUEIROZ
Rua Dom Quintino, 913 – Pimenta – Crato – Ceará

a u s ê n c i a

onde hoje é tua ausência
criou-se uma crosta
sem o duro de uma rocha

tua ausência viva
ostra no peito
faca nos olhos
feitos para o sal

por toda essa cidade
uma procura de teu nome
numa linha de calçada
no alto dos prédios
numa fotografia p&b
em nada absolutamente
um sinal é possível

certas ausências
são para sempre
acima do querer
além de qualquer
esperança ou delírio

Iniciada a Guerrilha no Cariri











A Guerrilha do Ato Dramático Caririense foi aberta na tarde do dia 7 de novembro, sábado, em Crato-CE, com a Procissão das Artes Cênicas, tendo a participação de artistas das companhias de teatro e dança envolvidas, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, artistas circenses e maracatu do da comunidade Carrapato. O evento é promovido pelos Pontos de Cultura Socieadade Cariri das Artes e Sociedade de Cultura Artística do Crato, em parceria com companhias de tetro e dança da região, e se estenderá até o próximo dia 22.

À noite, às 19h30min, foi apresentada no Teatro Rachel de Queiroz a peça teatral infantil "A Flor e o Sol, de Cícero Belmar, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, direção de Yarley de Lima. Já ontem, domingo teve o teatro infantil com a peça "Os 3 Porquinhos", também com a Cia. Teatral Anjos da Alegria, desta vez dirigida por Flávio Rocha.

Até quinta-feira, 12, a partir das 19h30, haverá peças infantis. A Guerrilha vai até o dia 22 deste mês.








A peça infantil "A Flor e o Sol", de Cícero Belmar, com a Cia. Teatral Anjos da Alegria

domingo, 8 de novembro de 2009

Efeito do Ócio

A loucura abriu a porta
em noite quente de lua
(não olhei pra cima)
talvez ainda cheia
ou bem fininha.

A loucura veste-se
com pele de embuá colorida.

Ai do poeta
que não olhou pra cima
não sabe se a lua engordou
ou faz regime.

Minha barba rala.
Meus dedos barulhentos.
Meus olhos que vivem caindo
sobre as sandálias japonesas.

Digam adeus poeta
que já me encheste o saco

e eu digo:
castrem-me.

cartum de SAM GROSS


O Caminho para a Servidão, 60 anos depois

Por André Azevedo Alves

Comemora-se em 2004 o sexagésimo aniversário da publicação original de “The Road to Serfdom”, obra traduzida para português em 1977 por iniciativa de Orlando Vitorino (“O Caminho para a Servidão”, Lisboa, Teoremas), numa edição que, lamentavelmente, não se encontra actualmente em circulação. “O Caminho para a Servidão” constitui o manifesto político e intelectual de F. A. Hayek, um dos mais importantes pensadores do século XX.Com uma vasta obra anterior no âmbito da teoria económica, caracterizada pelo combate incessante que, juntamente com Ludwig von Mises, moveu às doutrinas de Keynes, “O Caminho para a Servidão”, marca a transição de Hayek para a área da filosofia política. De facto, nesta obra, adequadamente dedicada aos «socialistas de todos os partidos», Hayek introduz de forma acutilante muitos dos temas que viria a desenvolver na notável produção intelectual a que deu origem nas décadas seguintes, e onde se destacam a “Constituição da Liberdade” e a trilogia “Direito, Legislação e Liberdade”.Contra o ambiente intelectual então prevalecente, e dando provas de uma extraordinária coragem, Hayek defendeu em “O Caminho para a Servidão” que os totalitarismos de esquerda e de direita têm uma origem intelectual comum, cuja principal característica é a rejeição da tradição liberal do Ocidente. Para Hayek, comunismo e nacional-socialismo são dois produtos de uma mesma atitude intelectual, que gradualmente levou ao abandono dos ideais liberais e da própria tradição assente no respeito pela esfera de autonomia individual que está na base da civilização ocidental. Numa altura em que muito poucos estavam dispostos a reconhecê-lo, Hayek afirmou explicitamente que a ascensão do fascismo e do nazismo, longe de serem reacções à difusão das ideias socialistas eram o seu corolário inevitável.Nesta obra, Hayek não se limita, no entanto, a demonstrar o carácter anti-liberal que é matriz essencial de todos os totalitarismos, por maiores que aparentem ser as diferenças entre eles. A principal mensagem de Hayek, cuja actualidade se mantém inalterada, consiste em alertar-nos para o facto de que as democracias liberais enfrentam uma ameaça interna que é, em certo sentido, mais perigosa do que as ameaças externas colocadas pelo totalitarismo. Essa ameaça consiste na gradual expansão do intervencionismo estatal, motivado pela aceitação das teorias colectivistas e pela invocação de ideais aparentemente nobres, como a noção de «Justiça Social».Partindo da observação de Hume de que a liberdade raramente é perdida toda de uma só vez, Hayek avisa-nos que as sucessivas concessões a um maior intervencionismo estatal que se foram gradualmente introduzindo nas democracias liberais, resultado da sedução exercida por utopias colectivistas, acabarão por reduzir os cidadãos a uma condição de absoluta servidão. O mais importante contributo de Hayek nesta obra é provavelmente a demonstração de que, à medida que são levantadas (sempre por motivos aparentemente nobres) as barreiras à acção do Estado e que as noções liberais de governo limitado e igualdade perante a lei são progressivamente abandonadas, caminhamos inexoravelmente para o totalitarismo e para a negação dos direitos e liberdades individuais.Ao longo dos vários capítulos de “O Caminho para a Servidão”, Hayek desenvolve as questões centrais que aqui muito sucintamente apresentamos, abordando um vasto conjunto de temas que vão desde a caracterização do totalitarismo sob vários aspectos até às razões que podem explicar a defesa do colectivismo por parte de muitos intelectuais, sem esquecer a relação entre segurança e liberdade e o funcionamento dos processos políticos.Não se pense no entanto que Hayek é um irredutível pessimista relativamente às perspectivas de evolução das democracias liberais. Na base do sério e profundo aviso que nos faz em “O Caminho para a Servidão” está precisamente a crença de que esse caminho pode ser invertido pelo poder das ideias. Para que essa inversão seja possível, é no entanto urgente recuperar e aprofundar de forma consistente a tradição liberal, promovendo e defendendo os ideais do governo limitado, dos direitos individuais e da igualdade perante a lei.

André Azevedo Alves

Fonte: http://www.causaliberal.net

Abstêmio

Antes de saborear o frango assado
com uma belíssima taça suco de uva

sento-me na cadeira giratória
imagino um poema da infância

onde o musgo mais verde
onde as formigas aos encontrões
trocavam impressões sobre o quintal vizinho.

Meus pulmões tão limpos, bem.
O coração sempre batendo tambor.

Levanto-me agora:
a saliva prende-se no canto da boca.

Engulo.

Nuvens Alaranjadas

Preciso da candura infantil
senão viro bicho.

Saio por aí com olhos vermelhos
presas pontiagudas
garras afiadas.

Por demais enfadonho
canibal dos próprios sentimentos.

Morder o pescoço.
Sorver o mesmo sangue.

Esperar o amanhecer:
enfiar a estaca no peito,
descansar da vida.

Andreas Smetana - fotografias com nus


O rosto da atleta australiana Cathy Freeman foi recriado pelo fotógrafo Andreas Smetana para um programa da SBS-TV intitulado Who do you think you are. Para o representar, Smetana não se limitou a fotografá-la; escolheu um processo muito mais complexo: fotografou grupos de pessoas nuas dispostas de tal modo que formassem partes do rosto da atleta - boca, nariz, olhos, etc. A tarefa foi difícil e imensa. Mas a de reunir todos estes grupos de imagens, montá-las como peças de um puzzle e retocá-las digitalmente não lhe ficou atrás. Para isso foi escolhida a Electric Art.

A Electric Art é um estúdio de criação de efeitos visuais e pós-produção de imagem sediado em Sidney, na Austrália. O trabalho da EA é integralmente dirigido para a vertente comercial (campanhas publicitárias, etc. ) e muito variado mas a sua especialidade são os retoques. Foi por este motivo que Andreas Smetana a escolheu para fazer a montagem e tratamento digital das suas fotografias. Smetana é um fotógrafo austríaco a trabalhar há vários anos na Austrália. É considerado internacionalmente como um dos grandes profissionais da fotografia publicitária, a quem as grandes marcas recorrem frequentemente.

É espantoso como todos estes corpos nus, aglomerados, colocados na posição correcta e com uma iluminação adequada, se transformam no fim no rosto de Cathy Freeman. Afinal, a imagem da atleta foi o início de todo este trabalho.

Fonte: Obvius – um olhar mais demorado
Para conhecer este excelente site clique AQUI

"Uniban: a espetacular fábrica de canalhas"

Uniban: a espetacular fábrica de canalhas
Mauro Carrara

"Em anúncios publicados nos jornalões paulistas de 8 de Novembro, a Universidade Bandeirante (Uniban) anuncia que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda. A estudante de Turismo sofreu bárbaro assédio coletivo no dia 22 de Outubro, na unidade de São Bernardo do Campo. O motivo: trajar na ocasião um vestido curto, num tom cereja.O texto publicado pela Uniban deve converter-se imediatamente em peça de estudo para juristas, educadores, antropólogos e sociólogos. A universidade preferiu punir a vítima e inventar uma justificativa pitoresca para o espetáculo do bullying, registrado por câmeras do próprios alunos e vergonhosamente exposto ao mundo pelo Youtube.Segundo os negociantes da educação, "a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar". Seria cômico se não fosse trágico. A Uniban, mais uma das uniesquinas do Brasil, considera "defesa do ambiente escolar" a agitação do bando que ameaçava estuprar a colega e que a perseguiu aos gritos de "puta, puta, puta". Alheia a valores e princípios, a Uniban pautou-se unicamente pela doutrina da preservação do lucro. Expulsou a mocinha da periferia e manteve as centenas de vândalos que a molestaram.
Defendeu, assim, a receita, a contabilidade, mesmo sob o risco de macular para sempre sua imagem. Em "Psicologia das Multidões", Gustave Le Bon refere-se com clareza ao fenômeno da sugestão em movimentos de multidões. Diz ele: "Os indivíduos de uma multidão que possuem uma personalidade bastante forte para resistirem à sugestão são em número tão diminuto que acabam por ser arrastados pela corrente". Le Bon lembra que, em determinadas situações, a multidão transforma o indivíduo civilizado num bárbaro, num ser primitivo, movido pelo instinto, que vibra com o ataque ao inimigo inferiorizado.

Poucas vezes se viu isso tão claramente quanto no episódio de 22 de Outubro. Há garotas inconformadas com a sina; afinal, não têm o corpão de Geisy. Há machões conquistadores não correspondidos, movidos pelo instinto de vingança. Por fim, a turba ignara que se diverte com a perseguição, algo muito semelhante à farra do boi. A curvilínea e voluptuosa Geisy, que concedeu entrevistas aos programas televisivos vespertinos, exibiu-se no mesmo vestido que gerou a fúria de seus colegas de universidade. Nada formidavelmente pecaminoso como se poderia imaginar. Aliás, fosse ela mirrada e poucos notariam a ousadia de suas vestes.Esses aspectos objetivos da questão foram ladinamente desconsiderados pela direção da universidade. Em nome do "negócio", a Uniban preferiu investir na fabricação de canalhas. A decisão funciona como um sinal verde para os moralistas cafajestes de todos os tipos. Esse incentivo criminoso, pois, não se limita aos clientes da instituição, mas ao conjunto dos estudantes brasileiros. Paulo Freire, costumava advertir os educadores com a seguinte frase:
"Conhecer é tarefa de sujeitos, não de objetos. E é como sujeito, e somente enquanto sujeito, que o homem pode realmente conhecer".No caso em debate, a Uniban fez exatamente o contrário. Desprezou o sujeito, deseducando-o. Concomitantemente, priorizou o objeto, isto é, seu negócio, o prédio iluminado vendedor de diplomas.Dessa forma, trocou todas as regras da civilidade por um repugnante código de carceragem.

O episódio Geisy revela a decadência do ensino universitário brasileiro, transformado em oportunidade de mercado. Essa é a herança do regime militar e dos governos conservadores que o seguiram, sobretudo aquele do privateiro Fernando Henrique Cardoso. Ironicamente, o bajulado professor uspeano de tudo fez para esculhambar o ensino público de qualidade, entregando o sagrado ofício da educação às máfias dos certificados e aos traficantes de títulos acadêmicos.Tempos de provação. E, como formigas, os canalhas saem aos montes dessas instituições, prontos a divinizar o pensamento neoliberal e a Lei de Gérson, seduzidos à barbárie por diversão."

sábado, 7 de novembro de 2009

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária


Dia 07/11, sábado

Atividades Infantis - CRIANÇA E ARTE
14h Bibliotequinha Virtual. 240min.
14h Teatro Infantil: O Mistério do Boi Mansinho. 60min.
15h30 Oficina de Arte e Recreação Educativa. 90min.
16h Teatro Infantil: O Mistério do Boi Mansinho. 60min.
17h Sessão Curumim: Os Piratas que não Fazem Nada. 85min.

Cinema - CURTA MUITO
Local: Crato
19h Centopéia. 8min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Mensagem

Hora de deitar-se.
Leve consigo a fronha.

Aquela fronha perfumada.
Camões capa dura.

Hora de deitar-se.
Leve consigo o travesseiro.

Aquele travesseiro babado
de Fernando Pessoa.

O chapéu ao vento -
lusitanas saudades.

Hora de deitar-se.
Não esqueça de lavar os pés
e não molhe os tamancos.

Pense em coisa boa -
ao abrir os olhos
uma borboleta
dentro dos seus ouvidos.

Hora de deitar-se.
Beba seu copo de nescau.

Sinta o corpo mortinho da silva.
A alma não implore.

Quando se dorme
a mente é déspota.

Dê-lhe as rédeas -
os cavalos voam
e atiçam nos cascos fogo.

[contente-se com seus tênis sujos
debaixo da estante
e ensine ao poeta amar seus sonhos]

SOPA DE LETRAS por LUPIN


Sutilezas

Até ontem
lançara aos céus
sementes estéreis.

Acabo de colher
as últimas maçãs podres.

Mas não é o fim
dos pulmões fuligem.

Caem lágrimas dos brônquios -
engraçado, mãe.

Agora sei que os brônquios
também choram.

E choram cinzas.

Servos

Não se preocupem com a lucidez
que me pega pelos dedos.

Temos muito a caminhar.
Agora o crepúsculo baixou de vez.

Sinto falta do papel
outrora amarelado
sem pauta.

Os dedos mais vândalos
apertavam a caneta sem pena.

Espremiam versos mancos.

Tais versos trôpegos
desfilavam altivos sobre a folha.

Quanta saudades do papel de embrulhar pães.
A última salvação quando todos os cadernos riscados.

O cúmulo de fato naquele dia
em que a lixeira do banheiro
ofereceu sua alma ao solitário poeta.

Escrevi feito louco
separando as palavras
do sólido excremento.

[Quem na infância
percorreu um corredor escuro
sabe que as paredes sem aviso
atravessam-nos o caminho]

Assim eram os meus dedos
sensíveis e atentos
escrevendo nos papéis
da lixeira do banheiro.

Ulisses Germano no programa Cariri Encantado


Ulisses Germano, músico, cantor, compositor, cordelista e professor de arte-educação, - será o entrevistado de hoje no Programa Cariri Encantado (Rádio educadora AM 1020, das 14 às 15 horas).

Natural de Fortaleza, mas radicado no Cariri, precisamente em Crato, há seis anos, Ulisses Germano é um dos maiores entusiastas e admiradores da cultural popular caririense. Desenvolve atividades de músico e cantor, realizando apresentações musicais acompanhado por instrumentistas tradicionais, a exemplo do Mestre Aldenir, do Reisado da Vila Lobo, Crato.
O programa Cariri Encatado é apresentado por Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias e conta com o apoio do Centro Cultural BNB Cariri.

As frases-flecha de Sidney Rocha


Tem o papo meio batido de que Jorge Luís Borges supunha ser o livro tão somente uma repetição do possível. Ou seja, que tudo em literatura carecia de originalidade. Que os antecessores de qualquer escritor eram quem, no fim das contas, sopravam furtivamente frases ao pé de ouvido da sua vítima, desavisada e cheia de si, crendo estar criando algo novo.

Toda e qualquer obra deve ser considerada uma primazia. Ao menos para seu autor. Para mim, ser escritor é acreditar em si próprio. Reinventar a própria vida e carregar aquela arrogância típica de quem se acha Deus. É requisito básico para manter vivos os que escrevem. Aquelas pessoas metidas em noites sem fim, fumando seus cigarros ou não - para fugir do clichê barbado-fumante-tristonho-beberrão. Crédulas e donas de uma suposta estupidez necessária e vital.

E para tais figuras pouco importa se algum autor lhes sopra frases feitas no ouvido. Fazendo-o repetir algo que já foi, certamente, escrito. Pouco deve interessar se seus livros não funcionam. Ou se são umas belas merdas de capa dura: ainda assim, deve-se seguir em frente. Teimoso, arredio e burro. Mas dotado de alguma beleza que os diferencia dos demais.

Obviamente não defendo a tese de que todos são bons escritores. Estou falando de fé. Se ao menos a crença e uma deliberada cegueira não rolar no ato da escrita – aquele momento inspirado e meio louco; um ou dois palmos acima do chão -, melhor entregar os pontos, parceiro. Nada mais justo. Para todos.

Na verdade, suponho que o Borges queria dizer o quanto apreciamos uma gama de escritores que nos atormentar o juízo quando mais precisamos criar novos mundos sem interferências. E novas formas de dizer coisas que nos sufocam. Creio que o recado era simples: somos tributários de nossos autores, das nossas influências, da nossa estante. Ponto final. E isso para quem se propõe a resenhar uma obra é ótimo. Facilita entrar numas de traçar paralelos. Simplificar tudo fazendo comparações. Dando o caminho das pedras, que algumas vezes são pontudas e/ou escorregadias. E te levam para o breu.

Seguindo tais pedras corremos risco. E a vida ganha um brilho insuspeito.

Matriuska (Iluminuras, 2009, 95p.) me veio numa sexta onde eu, cansado e feliz, não esperava nada mais que o cair da tarde para umas cervejas e outras ondas à beira rio. Seria tudo simples, mas não menos gratificante. Ou seja, na busca de recuperar minhas derradeiras utopias – pois é isso que faço quando atravesso a BR e vou baixar em uma velha terra conhecida -, já sacava que os dias teriam aquela aura meio louca; aquele vagar e aquela mesma pegada.

Mas isso é outra história.

A primeira leitura foi rápida. Afinal estava com um livro curto, na quantidade de páginas. Supus não me demorar no entendimento. Logo entenderia os preceitos, veria finais relativamente óbvios e concordaria com o Borges, ainda que isso soe pretensioso pra caralho. Mas fui pego de supetão. E tive de repetir uma, duas, três vezes o mesmo ritual de esquecer todo o resto e deixar a cabeça viajar na estranheza dos textos.

Primeiro foram os títulos. Contos – se forem – chamados “sundown”, “zero-cal”, “carefree”, “barbie” e “déjà vu” merecem ou um desprezo certeiro, ou uma atenção preciosa. Conhecendo Sidney, optei pela segunda. Então acendi meus cigarros e silenciei por dentro. Porque o barulho viria. E era inevitável.

Um novo tipo de subversão – intencional ou não, that’s the question. O fio condutor, bastante arriscado como tema numa terra onde artistas supõem entender esse abismo de sorriso fácil e loucura entre os dentes: a mulher. Nada desse papo boçal de entender o sexo oposto. Sidney preferiu o sexo avesso, ao avesso. Seus personagens quando não gritam, reivindicam sua existência de forma sorrateira. Tornam-se inesquecíveis, vão para a cama com você, te propõem uma chupada a dez paus ou te pedem para contar sobre sua mais recente viagem, enquanto confessam: “Preciso sair daqui”.

“ela virou o rosto. olhou um pouco para um vazio de séculos que mora dentro dela. não gozou. mas quando lambeu os lábios, deixou que a saliva inundasse a boca (...). ouvi um guincho de ar entrar pelo peito, um fumo, talvez outro espírito, que não o dela. (...)” (zero-cal, página 19)

“1. marisa não podia se guiar pela estrela do sol, porque cega e seca (...). pelo pára-brisa (num lugar donde até mesmo a brisa fugiu), a sua silhueta fumegava para nascer em halos do asfalto derretendo. (...)” (sundown, página 15)

Mandar a pontuação para a puta que pariu. Sacudir estereótipos e revigorar o absurdo na literatura, sem dar bola para escritores que sopram as mesmas e caquéticas frases feitas no ouvido. Disparar suas frases-flecha ao acaso, como quem mira no escuro, ou no copo colocado de sarro na cabeça da senhora Burroughs – e o velho Willian metido com a heroína de sempre e suas colagens cut up pretensamente vanguardistas, mas ininteligíveis e chatas, convenhamos. As histórias importam. Mas como elas surgem, esse tal zero absoluto tão raro, é o que me faz afirmar ser Matriuska um livro fabuloso.

E o que diferencia Sidney Rocha do resto é justamente isso: seu absurdo é musical, vivo, apesar do cortejo incessante da morte, outro tema presente e insinuado. Nada dessa onda de experimentar, meter palavras num liquidificador, sacudir e ponto final, para depois curtir o urinol do Duchamp cheio de pompa e com a cabeça saturada de merda. Sem essa de não ser compreendido e abrir o berreiro num boteco sujinho, cheio de auto-indulgência. Os contos do autor de Sofia, uma ventania para dentro (Ateliê Editorial, 2005, 208p.) nos pegam no contrapé, tornando crível – mas nem por isso sacal – todo um mundo que sai, sabe-se lá como, da cabeça desse escritor.

Uma poltrona de hotel que sonha (“egg”, página 81) e o conto chamado “nuvem” (página 45) me parecem excelentes exemplos. É o mesmo que dizer: senhores, a alma feminina está mais distante de nosso entendimento do que imaginamos; a morte, nem tanto. Eu, você e o Jorge Luís, amante dos livros, ainda que não os enxergasse, podemos estar errados, meu camarada.

Para mim, Rocha partiu do zero absoluto. Meteu-se confortavelmente no limbo das influências, dominador de suas capacidades literárias, para criar Matriuska. Um artesão, que concebe algo totalmente novo no território louco da criatividade. Dando um novo sentido ao impossível, partindo de um buraco negro, de um vazio de vozes. É como se ele tivesse esquecido tudo que leu. Ou tivesse tapado os ouvidos quando um ou outro escritor moribundo tentou lhe encher o saco. De fato, não consigo enxergar uma influência direta ou disfarçada. Nada de velho reside no livro - o velho não cabe ali.

Posso estar enganado. Afinal, como sempre digo, minha biblioteca é limitada. Ao limite de meu gosto. E do meu deleite, pessoal e intransferível. Mas não consegui perceber o que o argentino me disse um dia. Prefiro outro, que me falou categórico: “A tradição dessa política que pede o impossível é a única que pode nos justificar.” * E assim vou seguindo. Arriscando meu tempo com livros desse quilate. Ganhando território e ampliando as possibilidades. Só assim, meus chapas, a porra da vida vale a pena.

* a frase é do escritor Ricardo Piglia

Mais sobre o livro:

http://sequicosacro.blogspot.com/

http://www.youtube.com/watch?v=v-M5X8wSW2M

www.brasilnet.com.br/matriuska

SERVIÇO

LIVRO: Matriuska

AUTOR: Sidney Rocha

EDITORA: Iluminuras

VALOR: R$ 35,00

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária




Dia 06, sexta-feira

Especiais - CULTURA NA REDE
Baterias
- Glauber Rocha e o Cinema Brasileiro
- História da rádio no Brasil
- Música Afro X Música Brasileira: Influências

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.M Plácido Aderaldo Castelo. (Caririaçu)
15h30 A Triste Partida. 20min.

Música - CULTURA MUSICAL
19h30 Banda A Posteriori. 60min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

uma faca de cortar pão bem amolada

Quando tu estiveres alegre
alegre mesmo de dá dó

por um segundo
fica em suspense

e percebe
que estarei triste

triste de fato
como quem come jiló.

Se por tuas faces
rolarem duas lágrimas -
agradeço.

Mas somente soltarei festins
se dançares sobre a mesa.

E ao final do tango
fizeres um brinde:

"Ao patético!"

Outro brinde:

"Ao verme!"

Patética Contrição

Apenas para confessar meus pecados
escrevo algo: uma pedra dentro do meu peito
e deixo lá no meio da sala um corpo estendido.

Se alma tenho ela partiu hoje
logo que subiram o portão de ferro.

O corpo estendido não diz nada, meu velho.
A pedra no peito há tempo virou cinza.

Tu mentes,
eu minto.

Não é um corpo que vejo
tampouco uma alma sumida.

São migalhas do tempo
que vem com a velhice -

e não importa se ela sopra
quarenta e quatro ventos.

Bebe então do meu vazio
e façamos uma manta de algodão.

N-verso - Por Claude Bloc


Texto e formatação por Claude Bloc

O homem de cabeça de papelão.



"Para onde vai Fernando Henrique Cardoso?"


"O ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso quis escrever um manifesto, mas saiu como uma lamúria. Mas seu texto publicado no último domingo (dia 1) tem a vantagem de expor um programa explícito da oposição de direita ao governo do presidente Lula e das forças que o apoiam.

O texto é pedestre, qualidade comum aos panfletos. Mas alinha um conjunto significativo de queixas da direita. Reclama da mudança na legislação do petróleo feita para defender o pré-sal para os brasileiros, e não para a iniciativa privada, como quer o dogma tucano. Ataca a preferência presidencial, pública e transparente, pela compra de caças franceses para a FAB - logo ele, FHC, que foi acusado de interferir diretamente, e de costas para a opinião pública, na privatização da Telebrás em favor de um grupo estrangeiro, em 1998. Escandaliza-se pela insistência do governo Lula para que a Cia Vale do Rio Doce (privatizada por FHC, mas da qual o governo ainda é um sócio importante) invista no Brasil parte de seus lucros, para exportar não o minério bruto mas industrializado, transformado em aço. Acusa o governo de antecipar a campanha de 2010 por fiscalizar obras públicas de sua responsabilidade. Revela um renitente americanismo ao acusar o governo de "fazer mesuras" ao governo do Irã, cujo presidente Mahmoud Ahmadinejad visitará o Brasil em breve. (Por falar em mesuras, será preciso lembrar que o ministro de Relações Exteriores de FHC, o diplomata Celso Lafer, submeteu-se à humilhação de tirar os sapatos no aeroporto em Washington para ser revistado?)

Este rosário de lamúrias seria compreensível num embate eleitoral, tendo a virtude de opor programa contra programa - o cardápio privatizante, americanista e anti-popular dos tucanos contra as medidas nacionalistas, democráticas e populares do governo.

Mas a tentativa de manifesto de FHC vai além e registra, com todas as letras, o velho e anti-popular autoritarismo da classe dominante mais conservadora. As mesmas idéias que, em 1945, levaram à deposição (pela direita militar com apoio explícito da embaixada dos EUA) do presidente Getúlio Vargas, justamente quando ele se aliava às forças democráticas e nacionalistas contra as forças do atraso, aliadas da subordinação do Brasil às potências imperialistas, particularmente os EUA, da permanência do latifúndio e da "vocação agrícola" do Brasil, forças que resistiam historicamente contra a industrialização de nosso país. Este mesmo programa foi colocado em prática em 1954, levando ao suicídio de Vargas e, depois, em 1964, quando o presidente João Goulart foi deposto e a ditadura militar teve início.

São idéias que se repetem, sem criatividade ou pudor. Hoje, falam em "autoritarismo popular", com o mesmo conteúdo de sempre: "Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária"; "república sindicalista", como se dizia há meio século - hoje fala em Estado, sindicatos, e movimentos sociais “cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro", "burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, na força dos fundos de pensão”, gerando um "um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários".

Para onde vamos?, pergunta o ex-presidente. Com certeza caminham para a derrota, em 2010, das forças que ele representa e defende. Fernando Henrique Cardoso vai definindo, em textos como o deste domingo, o programa contra a qual as forças da democracia, da defesa da nação, do progresso social vão contrapor-se na sucessão de Lula. Escritos como estes têm a vantagem de definir os termos de um embate que poderá ter caráter plebiscitário, opondo programa contra programa. Nação contra anti-nação, papel do Estado em defesa do desenvolvimento contra privatização e favorecimento aos ricos, soberania nacional contra subordinação ao imperialismo, democracia para o povo contra defesa dos privilégios da elite. Será um embate que o povo entende e no qual tem um lado muito definido, como já manifestou amplamente, para desespero da oposição neoliberal."

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

ver com os OLHOS livres


CCBNB Cariri: Programação Diária


Dia 05/11, quinta-feira

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.M Gov. Adauto Bezerra. (Barbalha)
15h30 A Triste Partida. 20min.

Cinema - 100 CANAL
18h30 Casa de Sementes Senhor dos Exércitos. 5min.

Cinema - IMAGEM EM MOVIMENTO
18h35 O Homem Nu. 75min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

Couraça

Não lateja sofrimento em minha alma -
apenas um certo sumiço,
uma unha roída.

Vejo meu coração músculo enfadonho
zombar do sangue e bombear lágrimas.

Lamaçal distante de um cálice
permanece úmido no travesseiro.

Não se trata de angústia
a vergonha da própria solidão.

Afinal como pensar que sou só
cercado por tantas sombras e vultos?

Os objetos, as paredes,
os bichinhos domésticos
gargalham de tal embuste.

Agora deitado com as pernas e os braços cruzados
apenas descanso da presença dos meus ossos e da minha carne.

CCBNB Cariri: Programação Diária


Dia 04, quarta-feira

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.F.M Virgílio Távora. (Juazeiro do Norte - CE)
15h30 A Triste Partida. 20min.

Especiais - Cinema - ARTE RETIRANTE
Local: Caririaçu
16h 100 Canal: Mulheres Rurais. 5min.
16h05 Sessão Curumim: Os Piratas que Não Fazem Nada. 85min.

Literatura/Biblioteca - LITERATURA EM REVISTA
18h Bom Criolo e Bruzudangas. 90min.

Especiais - TROCA DE IDÉIAS
Convidados: Jerciano Pinheiro Feijó e Paula Izabela
19h30 Raízes da Cultura Brasileira. 90min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte - Ceará - Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

Humor ou reflexão?


CONFERÊNCIA DE COMUNICAÇÃO

Um debate que deve ser feito por todos. A necessidade da democratização dos meios de comunicação do Brasil, sejam eles quais forem. Assim, acontece nessa próxima sexta-feira, 6, a Conferência de Comunicação do Cariri e Centro-sul com a participação de 42 municípios, representados pelo poder público, sociedade civil e empresários do setor.

A Conferência de Comunicação Cariri e Centro-sul faz parte das articulações das conferências Estadual e Nacional e debaterá temas como rádios comunitárias, educação, cultura, políticas de incentivo à comunicação, entre outros temas.

As inscrições já estão abertas no site www.juazeiro.ce.gov.br e a abertura da conferência se dará na quinta-feira, 19 horas, com a presença de todas as delegações.

A conferência acontece no SEBRAE de Juazeiro do Norte.

Todas à conferencia para assim podermos discutir a democratização da comunicação em nossa região, no Ceará e no Brasil!!!!

Mais informações pelo telefone (88) 3566.1020.

SEMINÁRIO ARTE & PENSAMENTO - A reinvenção do Nordeste.

Esse ano, na Mostra Sesc Cariri de Cultura, acontecerá uma atividade inusitada. Trata-se do SEMINÁRIO ARTE & PENSAMENTO - A reinvenção do Nordeste, um seminário promovido pelo Sesc que tem por objetivo problematizar as produções artísticas e culturais no nordeste nos dias de hoje.
Através das artes como cinema, música, literatura, intervenções urbanas e arte/mídia, os conferencistas: André Queiroz, Daniel Lins, Dural Muniz de Albuquerque Junior, Jorge Vasconcellos, Luíz Manoel Lopes, Luizan Pinheiro, Márcia Tiburi e Nina Velasco e Cruz, discorrerão sobre vários temas, onde certamente um deles te interessará.
Veja logo abaixo a Programação, e procure o quanto antes se increver, pois as vagas são limitadas. As inscrições podem ser feitas pela internet, através do e-mail: mostracairiri@gmail.com, ou no Sesc de Juazeiro (3512.3355).

Programação:



Dia 16 de novembro de 2009

- Mesa:

14:00 horas - Dr. Jorge Vasconcellos: “Antropofagia & Filosofia: da potência criadora da música”.

15:15 horas - Dr. André Queiroz: “Haveria um nordeste atrás do cinema que se faz no nordeste?”.

Mediação: Luizan Pinheiro

16:15 horas - Debate com o público.



Dia 17 de novembro de 2009

- Mesa:

14:00 horas - Dr. Luizan Pinheiro: “Ontologia do Cariri: a cidade atravessada por múltiplos olhares”.

15:15 horas -Dr. Luís Manoel Lopes: "Barbaramente estéreis; maravilhosamente exuberantes: os sertões em variações".

16:15 horas – Debate com o público.

Mediação: Jorge Vasconcellos.



Dia 18 de novembro de 2009

- Mesa:

14:00 horas - Dra. Márcia Tiburi: “Mulheres míticas e mulheres reais: uma fratura sertão”.

15:15 horas - Dra. Nina Velasco e Cruz: “Paulo Bruscky: um artista nordestino?”.

16:15 horas - Debate com o público.

Mediação: Luís Manoel Lopes.



*Lançamento da Revista Literária Polichinello n. 11 + exposição das gravuras de Acácio Sobral (gravuras que ilustram este número da revista).



Dia 19 de novembro de 2009

14:00 horas - Dr. Daniel Lins: "A paixão segundo Lampião".

15:15 horas - Dr. Durval Muniz de Albuquerque Jr.: “O Nordestino de Saia Rodada e Calcinha Preta ou as novas faces do regionalismo e do machismo no Nordeste”

16:15 horas - Debate com o público.

Mediação: André Queiroz

O Olhar do Sol - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Por voltas das 6:30 horas com a janela aberta para o Corcovado percebo que o meu olhar é o olhar do sol. Como dizem os cantadores cegos com suas rabecas acompanhando o canto: a luz dos meus olhos. A floresta, em sua encosta virada para a Lagoa Rodrigo de Freitas, se destaca em trama, predominantemente vertical, dos troncos de suas árvores. Iluminam com tal intensidade que se sobressaem sobre todo aquele mar de folhagem.

Quando no zênite deste horário de verão, por volta das 13:30 horas, o meu olhar mudou. As copas das árvores tomaram a encosta do morro numa variação de verdes com uma suavidade de relevo. Quase todas as árvores estão do mesmo tamanho e o machado lanhante não abriu clareiras que rebaixam a vegetação ao tamanho da relva.

Por volta das 17:OO já tenho outro olhar. Como uma terceira visão, que não é a última, pois afinal virão os olhares matizados de reflexos urbanos na fase de lua nova e os da lua cheia igualmente concorrente das luzes da cidade. Neste terceiro olhar todos os troncos estão à sombra da minha percepção. As copas para o meu lado escureceram o verde, cada uma delas teima em ser o limite da minha visão, mas não consegue, pois a encosta se prolonga a oeste esticando o olhar.

E tomando por base os nossos olhares, o meu e o do sol, ao extrair sentenças da verdade terei falado do momento que o sol me deu. Seja a encosta de troncos de árvores, copas iluminadas, verde limitante ou o plano azul escuro inclinado a sul.

Como assistindo ao noticiário das sete horas na televisão e um milionário que mudou a constituição da cidade conquistou o terceiro mandato para prefeito de Nova York. Como esta notícia é banal e se passa despercebida, afinal são as excentricidades milionárias.

Mas causam furor se certas hipóteses de terceiro mandato vierem à tona e outras já realizadas neste olhar que o sol das ideologias oferece aos seus quadros. Como se o tom da matéria jornalista já fosse a própria iluminação solar. Um abrandamento quando as intenções ocorrem em “campo amigo”.

Afinal existem poderes acumulados e controle de fundos de dinheiro para que a sociedade aceite o mesmo mandatário por seis ou nove anos. Como existe um espírito conservador de que o Estado se faz por si mesmo independente do quadro político sobre ele. Neste caso naquelas sociedades em que a oposição se lixou no próprio embate.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

luvas postas sobre a cama

Deixo na calçada da minha primeira rua
meus sonhos ultrajantes, minha tolice humana,
meu cinismo, meus vícios, meus desgostos,
minha lânguida descrença.

Esqueço para sempre o espelho -
os olhos vagos, a mente canina.

Não mais reparto com os vizinhos
meus uivos e meu silêncio materno.

A lucidez que me busca
é uma morte mascarada.

Então que seja profundo o abismo
e tenra a queda.

Prometo que os pés tortos
um dia hão de voar.

E dos céus cairemos juntos:
eu, andorinhas e oitis maduros.

Companhias de Teatro realizam Guerrilha no Cariri

O Cariri será banhado pelas produções cênicas internacionais e regionais no mês de novembro. O Teatro Rachel de Queiroz, no Crato será o palco da Guerrilha do Ato Dramático Caririense.
Cacá Araújo - Idealizador da Guerrilha (foto)


Os grupos de teatro e dança da região do Cariri se uniram para realizar no período de 07 a 22 de novembro a Guerrilha do Ato Dramático Caririense. O evento reunirá 16 espetáculos de dança e teatro direcionado para o público infantil e adulto. A abertura da Guerrilha acontecerá no próximo sábado, 07, a partir 16 horas, com uma procissão de artistas e brincantes saindo da Praça São Vicente e em direção ao Teatro Rachel de Queiroz , local aonde será o Quartel General dos guerrilheiros do ato dramático.


A Guerrilha é uma iniciativa da Sociedade Cariri das Artes e Sociedade de Cultura Artística do Crato, ambas Pontos de Cultura do Brasil, em parceria com grupos e companhias teatrais em atividade na região do Cariri cearense, e se caracteriza pela gestão cooperativada e pelo caráter expositivo da produção teatral caririense em suas variadas tendências estéticas. Outorgado a todos os grupos/espetáculos participantes da “Guerrilha...” o “Troféu Juscelino Lobo Júnior” é uma homenagem a Juscelino Leal Lobo Júnior, membro fundador da Sociedade Cariri das Artes, amante do folclore e das artes cênicas, integrante do Coral da Sociedade de Cultura Artística do Crato e do Coral Canta Família, falecido em 2007.


De acordo com o projeto do evento a denominação Guerrilha a uma terminologia que indica tática revolucionária de combate e resistência a partir de pequenos focos, com o fim de unir grandes massas em defesa de uma causa libertária comum. Para o idealizador do Projeto, o dramaturgo Cacá Araújo a intenção é alertar para uma prática revolucionária de afirmação e defesa da cultura nacional tendo como centro prioritário a expressão da diversidade e pluralidade de cada região, sem desconsiderar a universalidade de todos os gestos humanos, nem se fechar ao intercâmbio com outras regiões, povos e nações.


Cacá Araújo destaca que a coincidência parcial da programação da Guerrilha com a da Mostra SESC foi providencial, uma vez que a demanda de público é imensurável, época em que o Crato e o Cariri recebem turistas que vêm respirar teatro, dança, música e artes visuais. Ele frisa “procuramos nos posicionar de modo que alguma réstia de luz que emana da grande e grandiosa Mostra SESC possa nos iluminar, dando visibilidade aos tantos trabalhos elencados em nossa programação, fortalecendo artistas e produtores, além de animar o público local”


O Coletivo Camaradas é um dos apoiadores desta ação que vem contribuir para a consolidação e o fomento da produção e circulação cênica das companhias da região.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Crisálida

De volta ao batente:
sento-me nas nuvens
deixo o vento bater nos olhos.

O coração sabe onde a porta de saída.
Mas adora passear no corredor escuro.

A tosse a mesma.
A espinha cervical calafrios.

A alma partida
não mais retorne -

Sempre tive medo
do súbito arco-íris.

domingo, 1 de novembro de 2009

MAIL ART by LUPIN


17 de agosto

17 de agosto,
que horas são?
tais horas não existem nesse dia,
o tempo paralítico não mexe os braços diáfanos,
as pernas de vento

que horas são?

um silêncio rasteiro espalha nas paredes
aroma de flor pisada,
nova tinta,
nova cor do dia

17 de agosto,
o ar escasseia na parca luz

que horas são?

poucas
e findam-se


1998.

solidao no arsenal da esperança



solidasolidaosolida
solidaosolidasolida
solidasolidasolidao
solidosilenciosolido
silenciosilenciosolido
sol
silencio
so
lidao
sisisisisisisisisisisisisisisi is é

silencio
silencio silencio

a solidao
e sempre
solidao

existe quer tu queiras ou nao
porque nao ha escolha senao
ser so dentro da solidao a mesma
que nao termina e recomeça
a cada manha quando se acorda
e vive-se e morre-se finado fincado
no chao


poema e foto: chagas

Ludimila

Fotos: Carlos Rafael Dias