TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Centro Cultural BNB Cariri – Programação Diária


Dia 7 de dezembro (segunda-feira)

14h PROGRAMA DE RÁDIO

MPB (com Roberto Marques)

Programa de Rádio semanal que divulga a música brasileira de qualidade e alternativa. O programa faz parte de uma parceria entre o Banco do Nordeste e a Rádio Educadora do Cariri, que inclui um programação diária diversificada de segunda a sexta-feira de 14 às 15 horas. Confira.

Rádio Educadora do Cariri AM 1020. 60min.

19h ESPECIAIS - CINEMA - IMAGEM EM MOVIMENTO

Baile Perfumado. 93min.

Local: SESC-Crato (Rua André Cartaxo, 443, Centro).

Baile perfumado promove uma mistura curiosa de gêneros ao incorporar ficção ao retrato documental. No filme de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, revivemos a saga do libanês Benjamin Abrahão, mascate responsável pelas únicas imagens de Virgulino Ferreira, o Lampião, quando este vivia em plena campanha no sertão nordestino, enfocando o aburguesamento do cangaço e a modernização do Sertão. Direção: Lírio Ferreira e Paulo Caldas, PE, 1998. Classificação: 14 anos. 93min.

ARTES VISUAIS

Exposições

Espaço Mestre Noza

Período: Permanente

O CCBNB homenageia Inocêncio da Costa, o Mestre Noza, com um espaço expositivo contendo 59 estatuetas de vários santos e um álbum com 15 gravuras, intitulado: "Via Sacra". Todas as obras expostas são do acervo particular do historiador Renato Casimiro.

Anjos Di - Freitas (Juazeiro do Norte - CE)

Período: 03 de novembro a 05 de janeiro de 2009

"Sacralização do espaço" é a palavra de ordem em Juazeiro do Norte. Alheio ao querer dos seus moradores e visitantes, a dimensão do sagrado, do devocional, com seu pertencimento simbólico de saberes universais e ancestrais, que é compartilhado por todos, nas ruas, casas, no modo de vida e de ser. A exposição busca trazer esta dimensão a um outro espaço, espaço que faça parte do cotidiano viver das pessoas, onde elas possam se reconhecer e ver a si mesmas, como agentes da construção desta grande instalação, constantemente construída, que é Juazeiro do Norte.

Recordações de uma Paisagem não Vista - Divino Sobral (Goiana-GO)

Curadoria: Daniela Labra

Período: 17 de outubro a 31 de dezembro de 2009

Recordações de uma paisagem não vista é um projeto inédito do artista goiano Divino Sobral, que dá seqüência à série de bordados em tecido que realiza desde 2000. Nestas obras, o artista cria narrativas bordadas em peças de vestuário e de uso doméstico envelhecidas manualmente, a partir de lembranças e impressões pessoais. Para este projeto em Juazeiro do Norte, Divino Sobral bordará estórias e lembranças de cearenses residentes em Goiânia, convidados a narrar memórias de tempos vividos em suas cidades de origem.

Além da Lata - Bené Pereira (Sousa-PB)

Período da Exposição: 28 de outubro a 31 de dezembro de 2009

Esculturas confeccionadas com materiais reciclados, como: lata, ferro, arame, tampinhas de metal, que demonstram, através de suas expressões, os vários sentimentos e atitudes humanas.

Local: CCBNB Cariri (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte)

Fonte: CCBNB

O Vôo da águia

Luiz Domingos de Luna*

I

No tapete da vida sitiante

Restrito a orla vegetal

Sem riqueza material

O sonho no horizonte

II

No tabuleiro do jogo existencial

Cada movimento estudado

Um universo, criado

A onda em movimento espiral

III

Cruza do sonho a luz

Aurora boreal a confirmar

O Vôo da água a voar

Uma paisagem reluz

IV

O cariri dá rosto feliz

Aurora levanta a voz

Ceará nascente e foz

Tempo senhor juiz

V



A águia canta no ar

O Tempo ao templo parado

A vida some em segundos



Á águia não pode mais voar

VI

Na curva da estrada

O choque do pavio

Como um navio

Vida emparedada

VII

Vida transfigurada

No além do mistério

Existe um critério

Águia de luz

Em outro universo

Seu brilho no verso

No caminho de luz!

(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra - Aurora - Ceará

Relíquias de Dom Bosco chegam ao Brasil e estarão em Juazeiro do Norte dia 1º de fevereiro – por Armando Rafael



Já está em São Paulo, a urna que contém as relíquias de São João Bosco, dentro do primeiro itinerário internacional da peregrinação de suas relíquias, no percurso da região salesiana América Cone sul. O Chile foi o primeiro país a receber a urna no período de 02 à 18 de julho, de lá a peregrinação passou pela Argentina, Uruguai e Paraguai, de onde foi enviada para o Brasil.
No Cariri as relíquias de Dom Bosco permanecerão um único dia – 1º de fevereiro de 2010 – na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Juazeiro do Norte. No dia 2 elas seguem para Petrolina (PE). A Urna fica no Brasil até o dia 28 de fevereiro, quando segue para Caracas, capital da Venezuela.
A Urna
A Urna, projetada pelo Arquiteto Gianpiero Zoncu, foi realizada em alumínio, bronze e cristal. Os mestres que realizaram a obra são: Marco Berrone (artífice do ferro), Francesco Boglione (marcheteiro). Os cristais são trabalho da firma Bivetro. A “Fundição Artística De Carli” preparou as ambiências metálicas e a firma Perlaluce cuidou da iluminação.
A urna, que contém os restos do braço direito de Dom Bosco, é sustentada por quatro pilares nos quais se gravaram as datas relativas ao bicentenário (1815-2015), o escudo da congregação salesiana e o lema carismático de Dom Bosco: "Dêem-me almas e levem todo o resto". Os pilares são decorados para os lados da Urna com quadrângulos mostrando semblantes de jovens dos cinco continentes, obra do escultor Gabriele Garbolino. O Rosto de Dom Bosco da Estátua que está na Urna foi reproduzido a partir da máscara que Cellini realizou por ocasião da morte de Dom Bosco.
Incluindo a base, a Urna mede 2,53m de comprimento, 100 m de largura e 1,32m de altura. Seu peso total é de 530 quilos.
Dom Bosco
Nasceu no dia 16 de agosto de 1815, na pequena aldeia dos "Becchi", no Piemonte, norte da Itália. Ficou órfão de pai aos dois anos de idade e foi criado por sua mãe, Margarida Occhiena. Aos nove anos teve um sonho que guiou toda a trajetória da sua vida: cuidar da juventude abandonada e pobre.
Em 1859, com os religiosos e educadores que atuavam no Oratório, fundou a Sociedade de São Francisco de Sales, a Congregação Salesiana. Mais tarde, em 1872, junto com Maria Domingas Mazzarello (Santa Maria Mazzarello), criou o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora e, em 1869, fundou a Associação dos Salesianos Cooperadores.
Dom Bosco é considerado padroeiro da educação e seu sistema, chamado Sistema Preventivo, pode ser aplicado a todas as situações educativas que envolvam crianças e jovens.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Eu já sabia: Mengão campeão


E deu flamengo. - por José do Vale Pinheiro Feitosa


Ali pelas três da tarde o Rio começou a esvaziar suas ruas. Não tanto quanto uma copa do mundo, mas uma evidente vazão. A não ser as poças de gente ao redor dos bares, em praças.

Agora aqui no entorno do meu ouvido só escuto a festa do povo. Buzinas, tambores, gritos, cantos, fogos, até o céu permanece azul apesar de já estarmos com um intenso dourado no pôr do sol. O Rio viveu um dia especial de futebol: o Vasco voltou à primeirona, o Botafogo e o Fluminense não se rebaixaram.

Mas o grito que ecoa nos céus é o flamengo. Meu filho, de volta do Maracanã, acaba de me telefonar ainda da estação do Largo do Machado: foi sofrido pai. Ouviu Carlos Esmeraldo, foi sofrido, o Grêmio não deu mole não. Não tinha motivo para dar mole. Claro que tinha motivo de derrubar esta potência de torcida em pleno Maracanã. Não quero exagerar, mas seria igual a um Uruguai (aliás são tudo daquela região mesmo) nos tirando a copa de 50 em pleno Maracanã.

E o melhor de tudo. Sabe pela cabeça de quem? De um caririzeiro. De um caririense. De um cabra humilde que, chorando, disse para as câmaras da globo: é algo especial, eu como jogador, eu como torcedor do flamengo viver este momento. Nesta horas eu queria ter a cabeça de um Ronaldo Angelim.

Gilberto Dimenstein, na Folha: Mulher pelada é cultura?


"Comentei aqui por diversas vezes que considero o vale-cultura, capaz de envolver até R$ 7 bilhões, um previsível desperdício – o dinheiro seria mais bem usado se focado nos estudantes das escolas públicas.

Desde ontem, meu receio aumentou ainda mais, pela possibilidade de que, com esse benefício, mulher pelada também seja cultura. Ou gibi.

Foi aprovada uma emenda no Congresso permitindo que o vale-cultura seja usado para comprar jornais, revistas e gibis. Senadores argumentaram que, com isso, revistas como a “Playboy” seriam beneficiadas, mas a emenda foi aprovada assim mesmo.

Nada contra a “Playboy”, mas mulher pelada não é cultura – muito menos com dinheiro público.”


Fonte: Blog de André Forastieri

Tem um escudo do Flamengo na foto ?


Fonte: nashowbr.files.wordpress.com/

A arte contemporânea como base para um mundo globalizado. - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Que os canais do mundo se comunicam ninguém mais duvida. Muito mais do que juntar estas várias cidades que compõem uma megalópole, criando uma idade que parece torná-las uma só, há no mundo algo que efetivamente globaliza.

Não sei o limite deste algo, mas certamente as ondas eletromagnéticas se deslocando ponto a ponto e o processamento eletrônico dizem muito disto. Filosoficamente a necessidade de uma identidade mundial, como conseqüência ou indutora desta tecnologia não importa, muda toda a cultura e, por conseguinte, as artes.

Em que sentido muda? Vou burilar alguns recursos evidentes. A arte até o quanto a compreendemos (falo da maioria) é um componente urbanístico. Nasceu e se desenvolveu para dar sentido à vida urbana. Como um componente predial e do que ocorre no interior destes. Assim foi a pintura, a escultura, a poesia, a literatura, a música, etc.

É claro que isso já vem desde os impérios urbanísticos da antiguidade e se projetou em volume descomunal na emergência das urbes com suas igrejas e os prédios coletivos do poder dominante. Seja este um reinado, um ducado ou uma cidade república. E também é claro que preencheu o tempo da ociosidade urbana, que não tem de conduzir o tempo de sol a sol como na zona rural.

Como também é claro que desde a emergência do capitalismo financeiro e industrial que esta coisa tem mudado. Durante todo o século XX começamos a fazer estudos mais profundos da comunicação, nos apropriamos dos movimentos de massa. Entendemos e vimos grandes eventos na cultura, seja pelo braço da política ou do artístico propriamente dito, em que pese que estas duas coisas também não são separadas assim.

Então podemos dizer que efetivamente a cultura com a arte e a política não tem mais o urbano como espaço. Agora é o próprio planeta e as sociedades para tomarem sentido nisto precisam de uma arte que seja essencialmente de comunicação. Quando falo em essência não digo exclusividade, pois a cultura ao longo do tempo não são compartimentos separados. Apenas digo que a contemporaneidade na arte é expressão e comunicação.
Um simples olhar sobre uma programação de Turim na Itália agora neste segundo semestre de 2009 já revela isso. O “Comtemporary Art – Torino Piemonte” tem um forte componente de “arti visive” com design, teatro, dança, cinema, vídeo e música.

Os instrumentos e materiais clássicos como pincéis, cinzéis, mármore, argila e assim por diante dão lugar ao digital. Á performance. Ao experimento “comunicacional” (pode ser designado por outro nome). Veja apenas alguns exemplos: Il Teatro Dela Performance; The Gam Underground Project (pesquisa, análises e experimentações cruzadas entre si); Artissima Accerare L´Ascolto (artista buscando as relações entre artes visíveis e o teatro); Torino Design Week; Giuseppe Penone – Il Giardino delle Sculture Fluide em que um maestro mistura peças musicais seiscentistas com a contemporaneidade num espaço de um jardim imenso o qual tem uma fonte.

Não vou me alongar mais. Apenas dizer que nossas universidades regionais devem garimpar a contemporaneidade onde estiver. Essencialmente refletir a emergência que não é de hoje mas que se torna cada vez mais assim de um mundo global cuja matriz é expressão e a comunicação.

Lembrando um velho filme dos anos setenta, menos pelo seu roteiro e mais pelo seu título: 2001 uma Odisséia no Espaço, acrescento, global, já é uma realidade.

Maracanã Cheio: FLAMENGO CAMPEÃO - por José do Vale Pinheiro Feitosa

O sábado foi concentrado. Choveu a maior parte do tempo. À noite explodiram as luzes da Árvore de Natal da Lagoa. Pareciam anunciar o espetáculo do dia seguinte. Somos milhões ali no quarto em que ouvia os fogos, no apartamento de baixo e no de cima, na esquina, belo bairro, na cidade e no Brasil.

O domingo acordou claro com nuvens brancas numa brejeirice de chorinho. São tantas esperanças. A vitória e o campeonato depois de tantos anos. Mandingas. Afeições aos objetos com os quais se viram as vitórias que conduziram os flamenguistas até hoje. Atos de fé. Tudo como uma imensa certeza, pendente dos deuses do futebol, imprevisíveis e marotos.

O Grêmio cede. Ninguém no futebol pode passar para a história fazendo corpo mole. O Peru passou uma boiada de gols argentinos na copa de 78 e até hoje amarga uma decepção de sua torcida. O Equador e a Bolívia têm muito mais graça. Contando, é claro com a localização de suas capitais, pois Lima fica no nível do mar igual ao Rio de Janeiro.

O flamengo tem de ser campeão com as próprias pernas. Comandado pelo Andrade aquele do timaço dos anos oitenta. O primeiro negro a comandar um time de futebol no olimpo da pelota brasileira. As coincidências são tantas e os desejos iguais que o domingo de Maracanã ficará para a história. Será o grande evento antes do gigante adormecer para reformas até a copa do mundo aqui no país.

Á noite, rouco, com a alegria plantada bem aqui no meu peito. Estarei vitorioso. Terei conquistado o mundo. A vida, a posição no arco das incertezas do improvável mundo. Certo que nesta noite tudo estará resolvido. Encaixado. O mundo é bem luminoso como ontem foi a árvore de natal da Lagoa.

Mas e se não for assim? Se a derrota baixar como um temporal no meu ser? Se a noite se prolongar no silêncio dos torcedores do flamengo? Se nos bares chorarmos os lances que poderiam e não foram? Se for uma madrugada de frustrações e a segunda uma enxurrada de gozação dos adversários?

Não tem nada não. Numa sociedade que nos obriga a ser vencedor. Que detesta os perdedores. Que vangloria as estrelas. Numa sociedade tão competitiva como nos vendem, estarei coletivamente entre os derrotados. Somos tantos e milhões que a nossa derrota se torna a limpeza destas derrotas a conta gotas do dia-a-dia em nossas profissões e no salário que não termina o mês.

Leila Lopes e os poucos astros pornô que se suicidaram


André Forastieri

As primeiras informações sugerem que Leila Lopes se matou. Se foi mesmo isso, demorou. Demorou porque astros pornô normalmente se matam mais jovens.

Leila estava no pornô fazia pouco tempo, mas já tinha cinquenta anos. Idade dura para viver de transar com estranhos por dinheiro. Ainda mais na frente de uma câmera.

Jon Dough se enforcou aos 43. Era um dos astros pornô mais conhecidos da minha geração. Comeu todas as estrelas. Dirigiu outras tantas.

Estrelou um filme chamado O Homem mais Sortudo do Mundo, em que transava com 101 mulheres diferentes.

Alex Jordan também se enforcou, aos 28. Shauna Grant estourou os miolos com um rifle 22, aos vinte anos.

A francesa Karen Lancaume, de Baise-Moi, provocou uma overdose aos 32.

Mary Millington, lenda do pornô inglês dos anos 70, também foi de overdose, de paracetamol. Você pode vê-la em The Great Rock’n'Roll Swindle, o filme picareta dos Sex Pistols. Tinha 33 anos.

Johnny Rahm, astro de filmes gay do diretor drag ChiChi LaRue, se enforcou com arame aos 39 anos. Tinha HIV e hepatite.

A mais famosa estrela suicida do mundo pornô foi Savannah. Não era lá muito energética, mas tinha boa estampa, e frequentava a cena rock’n'roll de Los Angeles.

Namorava gente como o ator Pauly Shore e o guitarrista / tecladista Gregg Almann. Explodiu a cabeça com uma nove milímetros.

E, que eu tenha descoberto, é só.

De milhares e milhares de pessoas que trabalham com pornô, só soube destas que se mataram.

É pouquíssimo, se você considerar que é supostamente uma profissão muito estressante, em que você convive com gente perigosa etc.

A profissão que mais comete suicídio é… médico. Pelo menos nos Estados Unidos. Aqui, não descobri dados.

Sabe quantas pessoas tentam se matar todos os dias? 60 mil. Sabe quantas conseguem? Três mil. Dados da Organização Mundial de Saúde.

Destas, tem um grupo que realmente é a fim de se matar. São os jovens. Suicídio é a terceira causa de morte mais comum entre jovens (15-35 anos) no mundo.

O número de casos cresceu 60% nos últimos 45 anos. Nos próximos dias, muita gente vai ligar a morte de Leila Lopes com sua opção pelo pornô.

É moralismo. Não caia nessa.

Fonte: blogs.r7.com/andre-forastieri

sábado, 5 de dezembro de 2009

ver com os olhos LIVRES







de muito sentir falta

de muito sentir falta
sentir falta da calçada
onde o mundo abriu sua porta
uma senha que se perdeu
ao buscar-me no que não era meu

sentir falta de vozes
sobre coisas mais simples
do que o trânsito
a final do campeonato
um falar sobre música
quase meia noite numa esquina

sentir falta dos olhos
e dos cabelos dela
agora tomada pela ciência
dos homens inventando a vida
uma reza um monte de senhoras
não sei se no sertão que há fora
ou no sertão perene em mim

sentir falta dos nomes das ruas
que a gente acaba por esquecer
por causa do vento num sopro
sobre as escamas do tempo
tempo de mil desvios
quando nunca se sabe onde começa
nem onde termina a dúvida
de todo dia sempre presente

sentir falta de um rosto
entre os dias
homem duro sobre um cavalo
pisadas na alma de um menino
marcando sua carne com tristeza
transfigurada em palavras
mas sempre tristeza
maior do que as palavras

sentir falta da casa
em sua matéria de sonhos
um pouco de magia e preconceito
mas também um pouco de festa
na fala das pessoas lá dentro
sem aguardar o futuro
com seus túneis e galerias
construídos com o medo
que veio depois escancarar sua face

sentir falta de tanta coisa
corrompida pelo caos do presente
coisa sem sentido
que passa passou e passará
pássaro perdido no voar

Um poema de Octávio Paz

CONVERSAR

             Octávio Paz

Em um poema leio:
Conversar é divino.
Mas os deuses não falam:
fazem, desfazem mundos
enquanto os homens falam.
Os deuses, sem palavras,
jogam jogos terríveis.

O espírito baixa
e desata as línguas
mas não diz palavra:
diz luz. A linguagem
pelo deus acesa,
é uma profecia
de chamas e um desplume
de sílabas queimadas:
cinza sem sentido.

A palavra do homem
é filha da morte.
Falamos porque somos
mortais: as palavras
não são signos, são anos.
Ao dizer o que dizem
os nomes que dizemos
dizem tempo: nos dizem,
somos nomes do tempo.
Conversar é humano.

Tradução de Antônio Moura


a barca leva e traz
quem quer ser levado e trazido
a barca só não leva o tempo
só não traz o vento

mais no blog:
http://fotosdelupeu.blogspot.com/2009/12/barca-leva-e-traz-quem-quer-ser-levado.html

O CARIRI É BRASIL



O fortalecimento da cultura popular como fator de identidade e desenvolvimento regional no sentido de favorecer a qualidade de vida de mestres, brincantes e artistas populares, a partir de suas comunidades e da valorização da memória e do folclore como temperos da auto-estima e do redescobrimento de nossas origens, passa necessariamente por um amplo investimento no turismo cultural, e, de certo modo, pela “desespetacularização” dos folguedos, promovendo distritos, vilas e bairros como destinos turísticos, seja o receptivo para o país e o mundo, seja o de mobilização interna, dotando-lhes de infra-estrutura adequada e gerando oportunidades de ocupação, renda e estímulo à transmissão do saber popular aos mais jovens.

Deve-se entender como sagrado o financiamento da manutenção de nossa identidade cultural representada pelos grupos folclóricos e outras manifestações da cultura imaterial, principalmente através de políticas de fomento e fortalecimento de instituições culturais sérias. Faz-se necessária uma grande cruzada em benefício da divulgação, da informação, da educação. Nós precisamos voltar a reconhecer nosso próprio rosto. Para isso é fundamental que nos vejamos também na televisão, nos cinemas, nos teatros, nos jornais, nas revistas, nas escolas, nas praças, nos ouçamos nas rádios e nos encontremos nos grandes eventos postados nos palcos principais. Temos, por outro lado, que ter assegurada a sobrevivência material dos nossos brincantes, através da adoção de medidas em favor do trabalho, seja no campo, seja na indústria ou em outra frente, o que os deixará livres para preservar e difundir seus saberes em situação de dignidade humana.

No Cariri é onde reside a alma do Ceará. Os principais elementos culturais formadores da identidade cearense, nordestina e nacional estão presentes em nossa região, vivos e pulsantes. Inquietos e indômitos. Aqui se plantou e ainda brota a ancestralidade ibérica, ameríndia e africana, caldeada através dos séculos, fundida pela força da história.

Portanto, cada gesto, saber ou fazer tradicional tem profundidade universal. É também argamassa para a elaboração da contemporaneidade. Folguedos, religiosidade, história, culinária, mitos, lendas, enfim, nossos saberes e fazeres contribuem significativamente para manter vivo o corpo cearense. A cultura popular caririense, costumo dizer, é um conjunto de antropologia social que nos revela em nossa mais profunda e remota história; é também a manifestação do espírito brincante, religioso, profano e criativo do Brasil.

Prof. Cacá Araújo
Dramaturgo, Folclorista, Poeta, Ator e Diretor de Teatro

TRADIÇÃO POPULAR DO CICLO NATALINO

Lapinha de Mãe Celina - Crato-CE


LAPINHAS VIVAS
A manifestação do sagrado na simplicidade de um povo plural

A influência ancestral dos três principais mundos formadores da alma brasileira permanece pulsante na vida do sertanejo simples, cuja religiosidade se manifesta à flor de seus atos e ditos. E é na efervescência dessa estética universal que nascem e se fortalecem as tradições culturais populares; em nosso caso, resultantes do caldeamento cultural havido entre os indígenas donos da terra, os brancos ibéricos invasores e os negros de várias nações para cá trazidos como escravos.

A Lapinha assume, neste contexto, uma espécie de demonstração da prevalência do cristianismo sobre as crenças e religiões dos outros povos. Entretanto não escapa à aculturação decorrente dessa convivência, sabida por nós nada pacífica ou cordial. J. de Figueiredo Filho, em seu O Folclore no Cariri (1960: p. 32) nos afirma que à Lapinha, “de procedência lusitana, foi acrescentada muita cousa de fonte indígena ou africana, como os caboclos, a canção da formosa tapuia, ou temas inteiramente abrasileirados.” Na mesma obra (pp. 33-39), ilustra seu caráter multicultural verificando a presença do anjo, índios, do sol, da lua, baianas, beija-flor, pastores, vaqueiros... além dos três Reis Magos.

Reis Magos do Circo-Escola Alegria


É a Lapinha Viva, pois, a reconstituição dramática popular da visita dos três Reis Magos ao recém-nascido Jesus, com o fim de lhe ofertarem presentes. Sua significação transita da representação quase que ainda medieval, com pessoas interpretando santos, bichos e coisas da natureza como simples e profunda louvação ao Deus-Menino, até a complexa peça de antropologia cultural que traz em si grande parte da história da humanidade. Lá estão não somente símbolos de culto cristão, católico, mas fortes traços que nos remetem aos primitivos tempos em que o homem vivia em diálogo e harmonia com a natureza, assim como elementos que podem “contar” os processos de formação cultural e social da nação brasileira, sem descuidar de nos remeter aos povos ancestrais de antes do encontro em nossas terras.

Hoje, no Cariri, as nossas Lapinhas Vivas apresentam praticamente as mesmas características dramáticas de outrora, sendo acrescidas quase sempre da louvação de um grupo de Reisado, que também representa a peregrinação dos Reis Magos a Belém, pertencendo ambos ao ciclo natalino, e, às vezes, de uma Banda Cabaçal. Quando se juntam os três folguedos, multiplicam-se a beleza estética, o brilho dramático, o riso brincante, o alcance histórico.

O fortalecimento e a difusão do folclore e das manifestações tradicionais populares, a exemplo das Lapinhas, devem servir principalmente à causa do (re)descobrimento de nossa identidade cultural, pois que oferecem uma farta leitura do mundo em variadas dimensões e diferentes tempos. É a história se doando generosamente à elaboração de um novo pensamento, que dê vazão a sinceras atitudes libertárias, que restabeleça o espírito e a festa da dignidade humana, da democracia, do respeito à natureza, da felicidade, do amor.

Cacá Araújo
Professor, dramaturgo e folclorista
Diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante

Cariri: Um todo de uma parte ou uma parte de um todo

Por Alexandre Lucas*


O Cariri é um misto de confluências de cores e cultos, reduto de engenharia artística em que as engrenagens são movidas pelos fazeres e pensares populares e contemporâneos.

No Cariri a maquina humana bebe do passado e do futuro para alimentar a alma presente. Aqui é terra firme aonde pousam o soldadinho da chapada e os pássaros mecânicos, em que em que a tecnologia de ponta convive com o ferro de passar a carvão. O Cariri perpassa caminhos do autoflagelo marcado pelo catolicismo popular e das profanas músicas da indústria do embrutecimento cultural.

Pelas ruas das cidades temos os contrastes. Temos o budega e o Shopping Center, os possuidores e os despossuidores Temos a vida circulando, num tempo que não pára.

A região tem raízes fincadas numa realidade concreta que indiscutivelmente é associada à confluência da vida, aos intercâmbios, os embates e as influências do campo econômico, geográfico, cultural e social, num continuo processo dialético.

O Cariri não tem formato fechado, pelo contrário tem culturas e artes que são históricas e sociais, como é qualquer outra parte do mundo.

O Cariri não pode ser visto como um fragmento isolado dentro de uma totalidade, mas compreendido como parte entranhada desta totalidade, recheada por antagonismos e confluências nos mais diversos aspectos.
Em tempos de globalização, o processo e as formas de produção e reprodução da existência humana, ocorre numa velocidade quase que instantânea e não estamos inertes a esses acontecimentos.

É deste Cariri do campo e da cidade, da indústria e da oficina de fundo de quintal, do operário e do empresário, da Igreja Católica e dos terreiros das religiões de Matriz Africana, das brincadeiras populares, do imaginário que se mistura com o real, da diversidade e da pluralidade que nos alimentamos.

No entanto é preciso atentar para não caímos no discurso apaixonado que nos coloca distante da realidade e nos encaixota regionalmente. O Cariri é uma região da cultura com suas peculiaridades, como qualquer outra localidade aonde existem homens e mulheres, pois somente com seres humanos é possível se produzir cultura.

A produção simbólica do nosso povo não se fixa no tempo, ela acompanha os acontecimentos, através de sobressaltos, vagarosidades e instantaneidades. As manifestações simbólicas e artísticas permeiam-se dentro do motor da realidade.

A comunhão das danças profanas e sagradas, as vestes dos brincantes, o cordel, as formas de organização dos grupos, os fazeres contemporâneos e populares não são eternos na sua forma original sofrem influências do tempo e do espaço, assim como também acontece com a grande indústria da cultura.

Pensar o Cariri em termos de arte e de cultura como algo eterno e puro é desalojar a capacidade produtiva e criativa do nosso povo. No esmeril da construção humana sofremos uma lapidação de acréscimos, hibridismos e de reinvenção da vida.

No entanto precisamos comer com voracidade a história do nosso povo Kariri, a plural e diversificada produção dos habitantes desta terra e o que a humanidade já produziu e produz, como fez o grande poeta comunista Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré que se alimentou da realidade dos oprimidos e explorados do Cariri e da história da humanidade para produzir os seus versos afiados com regionalidade e universalidade.

*Coordenador do Coletivo Camaradas, pedagogo e artista/educador.

Centro Cultural BNB Cariri – Programação Diária


Dia 05 de dezembro, sábado

Atividades Infantis - CRIANÇA E ARTE

- 14h Bibliotequinha Virtual.

Instrutor: Gilvan de Sousa

O objetivo é despertar o interesse das crianças pela internet, mediante a realização de atividades educativas e jogos. 240min.

- 14h e 16h Teatro Infantil: João e o Pé de Feijão.

Adaptação, direção e manipulação: Marco Augusto

Adaptação do conto popular de origem inglesa conhecido universalmente. A montagem nos conta a saga de João, um menino movido pela curiosidade, fantasia e astúcia, que vence o gigante e acaba coma fome e a aridez do lugar onde mora, mudando o seu destino e o de sua família. Classificação Indicativa: Livre. 50min.

- 15h30 Contação de Histórias: Uma História puxa Outra.

Com Bete Pacheco (Juazeiro do Norte-CE)

Contar histórias é uma arte antiga, passada de geração a geração. Ouvindo histórias, desenvolvemos o gosto pela leitura, ampliamos nosso vocabulário e educamos nossa atenção, estimulando nossa imaginação de forma bem divertida. 60min.

- 17h Sessão Curumim: As Aventuras de Azur e Asmar.

Os meninos Azur e Asmar foram criados juntos pela mesma mulher, Jenane. Eles cresceram como se fossem irmãos, até serem separados. Amar cresceu ouvindo as histórias da mãe sobre a lendária Fada dos Djins e, quando se torna adulto, decide partir à sua procura, contando com a ajuda do andarilho Crapoux. É quando Azur e Asmar se reencontram, agora não mais como irmãos, mas como rivais na busca da Fada. Animação. Cor. Dublado. Livre. 2006. 109min.

Local: CCBNB Cariri (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte)

Música - ARTE RETIRANTE

- 19h Calé Alencar: SambaZiloas. 60min.

Cantor, compositor e produtor musical, Calé Alencar tem mostrado seu talento, seguindo uma trajetória de reconhecida importância para o cenário da música cearense. O espetáculo musical SambaZiloas apresenta o itinerário do artista no ambiente carnavalesco, além de incluir canções inéditas e obras referenciais enfatizando loas compostas para os maracatus fortalezenses e a diversidade rítmica do samba. 60min.

Local: Teatro Violeta Arraes (Nova Olinda – CE)

Fonte: CCBNB

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Rádio Web em Juazeiro

Uma boa novidade. O pessoal da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Juazeiro e do departamento de Mídia Digital colocou no ar uma rádio web. Para escutar a rádio basta acessar o site da prefeitura: www.juazeiro.ce.gov.br

Em caráter experimental a rádio web traz músicas e informações da administração municipal. Em breve será montada uma programação da emissora.

Quando teremos o filme dos demais presidenciáveis?



Mais segurança na internet!


Quando se aproximam as festas de Natal e Ano Novo somos envolvidos pelo clima de solidaridade, fraternidade etc. e tal, o que nos leva aos presentes que hoje compramos via internet.
Abaixo, seguem algumas dicas importante para que sejam minimizados os riscos nessas compras:
Utilize sempre o site com endereço iniciado por ” https://” , uma vez que o “s” acrescentado ao comum http:// significa “secure”, ou segurança.

Então:
Não se deve dar o número do cartão de crédito através de uma página/site começada por http:// e tão somente aos que iniciam seu enderêço por https://, isso significa que o computador está conectado a uma página que se corresponde numa linguagem codificada e segura, à prova de espiões!
OBSERVE AINDA SE EXISTE A FIGURA DE UM CADEADO NA BARRA INFERIOR OU SUPERIOR DO SITE, O QUE SIGNIFICA QUE OS SEUS DADOS ESTÃO SENDO CRIPTOGRAFADOS E, PORTANTO, SÓ SERÃO LIDOS PELO SITE “LOJA” VENDEDOR.

(A sigla http quer dizer "Hyper Text Transport Protocol", que é a linguagem para troca de informação entre servidores e clientes da rede)

ARTE POSTAL


Centro Cultural BNB Cariri – Programação Diária


Dia 04 de dezembro, sexta-feira

Atividades Infantis - CRIANÇA E ARTE

14h Teatro Infantil: João e o Pé de Feijão, com a Cia. Voar Teatro de Bonecos (Brasília-DF)

Adaptação, direção e manipulação: Marco Augusto

Adaptação do conto popular de origem inglesa conhecido universalmente. A montagem nos conta a saga de João, um menino movido pela curiosidade, fantasia e astúcia, que vence o gigante e acaba coma fome e a aridez do lugar onde mora, mudando o seu destino e o de sua família. Classificação Indicativa: Livre. 60min.

14h Programa de rádio

Cariri Encantado (com Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias)

Programa de Rádio semanal que divulga música e a cultura caririenses, sempre com a presença de um convidado. O programa faz parte de uma parceria entre o Banco do Nordeste e a Rádio Educadora do Cariri, que inclui um programação diária diversificada de segunda a sexta-feira de 14 às 15 horas. Confira.

Rádio Educadora do Cariri AM 1020. 60min.

Música - CULTURA MUSICAL

19h30 Calé Alencar: SambaZiloas. 60Min.

Cantor, compositor e produtor musical, Calé Alencar tem mostrado seu talento, seguindo uma trajetória de reconhecida importância para o cenário da música cearense. O espetáculo musical SambaZiloas apresenta o itinerário do artista no ambiente carnavalesco, além de incluir canções inéditas e obras referenciais enfatizando loas compostas para os maracatus fortalezenses e a diversidade rítmica do samba. 60min.

Local: CCBNB Cariri (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte)

Fonte: CCBNB

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009


Toque

(para pachelli jamacaru)

Toc, toc
Onomatopéia de batida na porta
Toc,
Transtorno obsessivo compulsivo
Toque
Uma música que fale de amor eterno
toque
pra saber se o filho demora a chegar
toque
com a ponta dos dedos o bico do peito
toque-se
no prazer solitário de se conhecer
toque
pra saber se frio ou quente
toque
pra saber se bicho ou gente
simplesmente
toque

cartum de BANX


Meias & Cuecas

Pois é, amigos, se restou ainda uma quotinha de indignação por aí, guardem com muito carinho. Não vai faltar oportunidade de usá-la. Agora mesmo estourou mais um escândalo: a distribuição de dinheiro, arrecadado pelo comércio de licitações, em Brasília, por José Roberto Arruda, Paulo Octávio e seus asseclas do Democratas e quadrilhas outras afins. Desta vez, nem o galho de arruda pode nos socorrer. As imagens colhidas pela Polícia Federal parecem irrefutáveis, mas claro, fazem-se necessárias outras provas: a venérea pode ter sido contraída na bacia sanitária mal higienizada. Permitam-me, mais uma vez ,refletir sobre assunto tão repetitivo no noticiário nacional.
Primeiro, acredito que a atividade política está intimamente ligada à corrupção, ao favorecimento, ao compadrio, ao tráfico de influências. E isto não só no Brasil. Há apenas países em que o controle é mais rigoroso. Não existe uma linha divisória clara entre a política partidária e a contravenção. Entre nós, esta realidade é visível em todas as esferas da nação, uma simples gestão de uma associação comunitária, dificilmente será aprovada por uma auditoria minimamente séria. Não há eleição sem caixa 2, sem entrada de dinheiro sujo, sem negociação de cargos, de licitações, sem a semeadura inevitável do nepotismo. A política tem uma ética própria que hoje deixaria Maquiavel próximo ao processo de canonização. A bandalheira independe de desenvolvimento econômico, de forma de governo, de sigla partidária. A diferença básica está apenas onde a grana será depositada : na cueca ou na meia. A meu ver, o único filtro para a mamata desenfreada encontra-se no amadurecimento político do povo. Basta que o corrupto seja eliminado sumariamente pela cimitarra do voto para as coisas começarem a entrar nos eixos. Vejam a realidade brasileira: Arruda e Paulo Octávio já possuíam uma folha corrida péssima, que os tinha levado à renúncia temendo o impeachment, mas mesmo assim foram reeleitos pela população sem nenhuma dificuldade.
Querem ver outra curiosidade? Sete pedidos de Impeachment de Arruda até hoje já haviam sido protocolados no STF. Os partidos que davam apoio ao governo dele e se beneficiavam, rapidamente saltaram do barco: dizem que os ratos são os primeiros a perceberem o rombo no casco. O pedido da Bancada Evangélica, então, me pareceu interessantíssimo. O motivo não se ateve ao fragrante ilícito filmado e registrado continuadamente pelas câmeras, mas a uma outra causa bem insólita. Em um dos vídeos, após pôr a mão na bufunfa, a quadrilha fez uma corrente de oração, agradecendo ao Criador, pelo dinheirinho farto e fácil. Terá sido porque estes fragrantes já aconteceram também com alguns pastores e tudo, assim, torna-se perfeitamente normal? Ou porque não recolheram o dízimo da dinheirama? A CNBB também, em nota, se mostrou indignada com o uso de preces em momento tão pouco especial. Lá vou eu meter meu bedelho e enfiar uma outra reflexão, goela abaixo.
Ora, a oração feita pelos ladrões, agradecendo pelo furto aos céus, a meu ver, é perfeitamente cabível. Nossa relação antiética não é apenas com o profano, ela se estende a todas as nossas atividades humanas, inclusive ao nosso relacionamento com o sagrado. Vejam as promessas que fazemos aos santos. A maior parte das vezes, propomos uma espécie de escambo: se passar no concurso, meu São Sebastião ( claro que prejudicando vários outros que não tiveram a intercessão divina) eu dou duas sacas de feijão para a igreja. A mocinha amarra a imagem de Santo Antonio de cabeça para baixo, em um copo de água, e promete só libertá-lo se conseguir um marido. Ou seja, seqüestra e tortura o santo para conseguir seu intento. A mulher que todo ano faz a procissão de São José, em Março, em ano de seca, aproxima-se da imagem e ameaça: --- Se esse ano não chover, tu num vai ter procissão , não, viu ! Conheci uma senhora que praticava abortos, mas não os fazia nos domingos, por conta de uma promessa que tinha feito com Nossa Senhora do Carmo. O comerciante comete todas as falcatruas imagináveis, mas todos os anos ajuda na Festa da Padroeira e isso, por se só, o faz puro e imaculado. Todos essas condutas trazem embutidas uma ética bastante particular, condutas aparentemente cristãs, mas francamente pagãs na sua essência.
Arruda e Paulo Octávio não são muito diferentes da imagem de cada um de nós refletida no espelho. Quantos de nós não encheriam as meias, da mesma maneira, se tivéssemos a oportunidade ? O crime maior não terá sido terem filmado aquilo que todos nós já sabíamos? O mundo só vai mudar quando a indignação de cada um de nós se estabelecer na urna e não nas conversas de bar, entre um e outro scotch. E quando o preço da ilegalidade passar a ser pago na prisão e não nos templos, em módicos dízimos mensais.

J. Flávio Vieira

Micaelson Lacerda (Banda Sétimo Selo) no programa Cariri Encantado desta sexta

O programa Cariri Encantado desta sexta-feira, dia 4, trará uma entrevista com o cantor e compositor Micaelson Lacerda, líder da banda Sétimo Selo. Além da entrevista, o programa veiculará algumas músicas do recente disco lançado pela banda cratense, integrada, além de Micaelson (voz e teclados), por Luís Carlos Saraiva (guitarra), Marciel Lacerda (Baixo) e Tiago Bantim (Bateria).

O Programa Cariri Encantado acontece todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri AM 1020. O programa também é transmitido via internet no seguinte endereço: cratinho.blogspot.com.

A apresentação é de Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias.
Apoio Centro Cultural BNB Cariri.

Se ligue!

Sobre Arte & Cultura - Dihelson Mendonça

Dihelson Mendonça ao Piano

"O grande Problema quando se fala a palavra CULTURA, é que tanto os Políticos, quanto gente que supostamente teria algum conhecimento na área, acham que Cultura se resume a Reisado e Maneiro Pau. Até porque, 99 por cento dos políticos não tem conhecimento algum sobre Arte e Cultura."

Dihelson Mendonça

Na foto: O Pianista Dihelson Mendonça fotografado por Pachelly Jamacaru

ORAÇÃO RUBRO-NEGRA!


Hino do Flamengo
Lamartine Babo/Ary Barroso

Uma vez Flamengo

Sempre Flamengo

Flamengo sempre eu hei de ser

É o meu maior prazer

Vê-lo brilhar

Seja na terra

Seja no mar

Vencer, vencer, vencer

Uma vez Flamengo

Flamengo até morrer

Flamengo

Sempre Flamengo

Flamengo sempre eu hei de ser

É o meu maior prazer

Vê-lo brilhar

Seja na terra

Seja no mar

Vencer, vencer, vencer

Uma vez Flamengo

Flamengo até morrer

Na regata ele me mata

Me maltrata, me arrebata

Que emoção no coração

Consagrado no gramado

Sempre amado, o mais cotado

No “Fla-Flu é o Ai, Jesus”

Eu teria um desgosto profundo

Se faltasse o Flamengo no mundo

Ele vibra, ele é fibra

Muita libra já pesou

Flamengo até morrer eu sou

É, eu sou

Centro Cultural BNB Cariri - Programação Diária


Dia 03/12, quNegritointa-feira

Especiais - Cinema- ARTE RETIRANTE

Local: SESC Crato

Programa de rádio

14h Compositores do Brasil (apresentado por José Nilton Figueiredo).

Programa de Rádio semanal que divulga a obra de compositores brasileiros. O programa faz parte de uma parceria entre o Banco do Nordeste e a Rádio Educadora do Cariri, que inclui um programação diária diversificada de segunda a sexta-feira de 14 às 15 horas. Confira.

Rádio Educadora do Cariri AM 1020. 60min.

História/Patrimônio - TRADIÇÃO CULTURAL

19h30 Maneiro Pau do Mestre Raimundo. 60min.

O maneiro pau do mestre Raimundo é formado por homens e mulheres, mostrando à união de ambas as partes valorizando a história do sertão nordestino e revivendo a cultura do nordeste. O espetáculo entre uma peça e outra é narrado um pouco da historia do maneiro pau.

Música - ARTE RETIRANTE

20h Ermano Morais (Juazeiro do Norte - CE)

Reunindo música e poesia, Ermano Morais conta seus causos e descreve histórias de beija-flor, de ilusões doces, de corações desaguados, de garapa que só passarinho bebe. Esse plantador de mel que espalha pela lua o aroma das caboclas sertanejas e deixa no céu o olhar perpétuo dos zoim, mostra que tem bom tempero e com um repertório autoral de primeira linha convida a todos para desfrutar desse momento especial e conta ainda com belas parcerias do poeta Cleilson Ribeiro. 60min.

Local: Praça André Cartaxo, Mauriti-CE

FESTCINEDIGITAL

14h e 18h Exibição de Curtas

Local: CCBNB Cariri (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte)

ARTES VISUAIS

Exposições


Espaço Mestre Noza

Período: Permanente

O CCBNB homenageia Inocêncio da Costa, o Mestre Noza, com um espaço expositivo contendo 59 estatuetas de vários santos e um álbum com 15 gravuras, intitulado: "Via Sacra". Todas as obras expostas são do acervo particular do historiador Renato Casimiro.

Anjos - Di Freitas (Juazeiro do Norte - CE)

Período: 03 de novembro a 05 de janeiro de 2009

"Sacralização do espaço" é a palavra de ordem em Juazeiro do Norte. Alheio ao querer dos seus moradores e visitantes, a dimensão do sagrado, do devocional, com seu pertencimento simbólico de saberes universais e ancestrais, que é compartilhado por todos, nas ruas, casas, no modo de vida e de ser. A exposição busca trazer esta dimensão a um outro espaço, espaço que faça parte do cotidiano viver das pessoas, onde elas possam se reconhecer e ver a si mesmas, como agentes da construção desta grande instalação, constantemente construída, que é Juazeiro do Norte.

Recordações de uma Paisagem não Vista - Divino Sobral (Goiana-GO)

Curadoria: Daniela Labra

Período: 17 de outubro a 31 de dezembro de 2009

Recordações de uma paisagem não vista é um projeto inédito do artista goiano Divino Sobral, que dá seqüência à série de bordados em tecido que realiza desde 2000. Nestas obras, o artista cria narrativas bordadas em peças de vestuário e de uso doméstico envelhecidas manualmente, a partir de lembranças e impressões pessoais. Para este projeto em Juazeiro do Norte, Divino Sobral bordará estórias e lembranças de cearenses residentes em Goiânia, convidados a narrar memórias de tempos vividos em suas cidades de origem.

Além da Lata - Bené Pereira (Sousa-PB)

Período da Exposição: 28 de outubro a 31 de dezembro de 2009

Esculturas confeccionadas com materiais reciclados, como: lata, ferro, arame, tampinhas de metal, que demonstram, através de suas expressões, os vários sentimentos e atitudes humanas.

Fonte: CCBNB

MENGÃO TAMBÉM É CULTURA!



UM VEZ FLAMENGO, SEMPRE FLAMENGO!

A frase histórica e imortal tem autor conhecido, ainda que não reconhecido na proporção justa ao tamanho de seu feito. Seu nome é Júlio Silva um pernambucano e rubro-negro de quatro costados que já teria seu lugar reservado na memória nacional por ser o criador e mantenedor desde 1919 do famoso Bloco do Eu Sozinho, grande destaque dos carnavais de Olinda ainda hoje. O original bloco de carnaval composto de apenas uma pessoa, ele mesmo, vestido com uma camisa listrada e uma calça de cetim, conduzindo seu micro-estandarte. Em 1929, Júlio Silva participou de um concurso promovido pelo Flamengo para escolher uma frase que traduzisse o estado de alma de quem professa a "religião" vermelha e preta. A frase com que venceu o concurso ficou quase tão grande quanto o próprio Flamengo: Uma Vez Flamengo, Sempre Flamengo!


Júlio Silva faleceu em 1979, sem deixar continuador de sua original idéia que esteve presente em todos os carnavais cariocas desde o ano de 1919 até os anos 70. Mas a sua contribuição aos ritos da paixão flamenga ultrapassou as barreiras do tempo. Uma Vez Flamengo, Sempre Flamengo tornou-se a frase de abertura de nosso hino e mantra oficial da maior torcida do sistema solar, repetida bilhões de vezes ao redor de todo o planeta.Júlio Silva é a minha primeira sugestão de um civil para figurar no Panteão Rubro-Negro.


COMPOSITORES DO BRASIL - O Dia Nacional do Samba


"Quem não gosta de samba, bom sujeito não é"


Por Zé Nilton


Ontem, comemorou-se, em todo o Brasil, o Dia Nacional do Samba. Claro que não houve nenhum evento oficial, com palanque, discursos, fogos e samba, muito samba. Mas, nalgum lugar desse grande país, naqueles redutos em que a Música Popular Brasileira é vivenciada e respeitada, claro que a turma lembrou e sambou, e sambou pra valer.
Alguns canais de televisão comerciais e não comerciais até que prestaram homenagens a esse dia. Saiu na Globo, e parece que isto é muito. Nas rádios daqui, nada. Lá pelo sudeste o Dia do Samba é mais lembrado.

Na crônica da MPB há quem aceite e quem não aceite esta data como o marco comemorativo do mais predileto dos ritmos brasileiros. Uns apontam outros eventos importantes que deveriam marcar este dia, como a data de nascimento de Tia Ciata, uma destacada baiana do Rio, cuja casa se tornou um ponto de referência dos adeptos do partido alto e do samba rasgado. Diz-se até que fora ali que classificaram o ritmo como samba. Outros, por seu turno, querem crer que seria mais representativo para a comemoração o dia 16 de dezembro, quando em 1916, Donga (Ernesto dos Santos), registra, como de sua autoria, na Biblioteca Nacional, a música “Pelo Telefone”, lançada em 1917, marcando o primeiro samba gravado no Brasil. Por fim, ainda há na crônica musical do Brasil quem defenda a data de 12 de agosto, de 1928, quando Ismael Silva e os Bambas do Estácio fundaram a primeira escola de samba, a “Deixa Falar”, hoje, a Escola de Samba do Estácio. Mas o Dia do Samba, foi constituído pela Câmara de Vereadores de Salvador, em 1940, como parte das solenidades em torno da visita do compositor Ary Barroso, no dia 02 de dezembro, que nunca havia estado na Bahia. Era uma forma de retribuição ao autor pelo samba “ Na baixa do sapateiro”.

E continuam as divergências. Quanto ao Samba como termo e como ritmo, pelo menos há três versões. Dar-se notícia do termo e, claro, se há o nome é porque existe o ritmo, entre os Indios Tapuias do alto sertão nordestino – os Cariris. No livro “Arte e Gramática da Lingua Brasílica da Naçam Kiriri, de autoria do padre Luis Vincêncio Mamiani, editado em Lisboa, em 1699, falava-se o termo sâmbá como expressão significativa de uma certa dança. Já Luís da Câmara Cascudo assegura que samba vem de semba, umbigo, no idioma africano angolês.

Há uma versão um tanto curiosa, por que hilária, sobre a origem do Samba. Francisco Guimarães (1875-1947), o velho “Vagalume”, misto de capitão da Guarda Nacional, repórter do JB e cronista carnavalesco, escreveu no seu livro “Roda de Samba”, reeditado pela FUNARTE em 1978, que a origem do samba foi mesmo na Bahia, e vem de duas palavras africanas: SAM - que quer dizer PAGUE e BA - que quer dizer RECEBA. Conta uma estória comprida, que vou tentar resumir.

Diz que havia, na Bahia, uma família de escravos. No tempo da alforria, houve um desentendimento do pai com um dos filhos. Este foi para o Norte e o pai ficou, conseguiu a “liberdade” e até enricou. O filho volta com muito dinheiro e tenta pedir perdão ao pai. Este não o quer perdoar. Então, o “conselho de anciãos”, chamado de “conclave” se reune e tenta convencer o pai a aceitar o filho pródigo. Quando o filho se aproxima do pai, pedindo-lhe perdão e oferecendo-lhe uma grande quantidade de dinheiro, como pagamento pelo seu imperdoável ato, o pai, mesmo assim, não o quer receber. Daí, a turma do conclave, que está em volta dos dois, achando que o pai não estava correto, divide-se em dois grupos, e começa a bater no chão com os pés, e com as mão, as palavras:

- SAM ! ... ( pague)
- BA ! ... (receba)

As pessoas presentes começara a repetir:

SAM! BA!

O autor termina sua estória dizendo: “Em seguida, pela pacificação da família, que era muito conceituada, todos cantaram e dançaram repetindo sempre: SAM! BA!
E aí está a origem do Samba”.

No Prograqma COMPOSITORES DO BRASIL, vamos homenagear o Samba, com as seguintes músicas:

Pelo telefone), de Donga e Mauro de Almeida
Samba da Bênção, de Baden Power / Vinícus de Morais, com Vinícius de Moraes
Samba Aristocrático, José Dilermano / Moreira da Silva, com Moreira da Silva
Saudade do Samba, de Fernando Lobo/ Paulo Soledade, com Mário Reis
Samba da MinhaTerra, Dorival Caymmi, com João Gilberto
Argumento, de Paulinho da Viola, com Paulinho da Viola
Pra que Discutir com Madame?, Janete de Almeida, com Rosa Passos
A Voz do Morro – eu sou o samba – de Zé Keti, com Luiz Melodia
Tem Mais Samba, Chico Buarque, com Chico Buarque
E Lá Vou Eu, João Nogueira, com João Nogueira
Apoteose ao Samba, de Silas de Oliveira / Mano Décio da Viola, com Paulinho da Viola.

Quem ouvir, verá!

Programa: Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas as quintas de 14 às 15 horas



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Nascer do dia - Por Emerson Monteiro

Conferência Regional de Cultura



Durante toda a terça-feira, (01), foi realizada no auditório do SESC, a Conferência Regional de Cultura. Sob a coordenação da Secretaria de Cultura de Juazeiro do Norte, o encontro reuniu segmentos de atividades culturais de toda a região do Cariri e membros da sociedade civil.

Na ocasião, foi aprofundada a discussão sobre o eixo temático “Cultura e Desenvolvimento”, da II Conferência Nacional.

Pela manhã, o professor de direitos culturais da UNIFOR e ex-secretário de cultura de Guaramiranga, Humberto Cunha, proferiu palestra sobre cidade como fenômeno cultural, memória e transformação social e acesso, acessibilidade e direitos culturais.

A plenária foi dividida em grupos na parte da tarde, discutindo sobre cinco temas: Planejamento e Gestão; Fomento/Incentivo; Formação e Pesquisa; Difusão e Comunicação; e Patrimônio Cultural.

Eleitos pela plenária, os delegados participam da Conferência Estadual, que acontece entre os dias 08, 09 e 10 de dezembro, em Fortaleza. A Conferência Nacional está prevista para março de 2010.

VENTRE

Joilson Kariri Rodrigues

O que gesta no teu ventre?
o verbo divino que nao se conjuga
um menino pedindo ajuda
pro vazio de um pai ausente.
O que germina no pó dessa estrada
no alumiar de cada dia,
uma santa pra ser mulher
a fome que nao se esgota
e as dores de quem suporta
na força de ser o que é
ave maria, ave mulher!
O que gesta no teu ventre?
ave do sertão de avoá rasante
ou uma orquidia roxa
mansidão das ovelhas mochas
toda água suja da vazante.
Que venha ser na dor que é tanta
breu da escuridão ou raio de luz
maria madalena ou menino Jesus
Orixá da paz na guerra santa
O que gesta no teu ventre?
sangue do inocente na hóstia do pecador
o avesso da sorte, ódio que vira amor
que venha sofrer de ser gente
pra depois ser o que puder
o que gesta no teu ventre
ave maria, ave mulher!

SOPA DE LETRAS


Centro Cultural BNB Cariri – Programação Diária


Dia 02/12, quarta-feira

14h Especiais - Cinema- ARTE RETIRANTE
Local: SESC Crato

14h Programa de rádio

BLUES (com Michel Macedo)

Programa de Rádio semanal que divulga a programação do CCBNB Cariri em meio a muita música e informações culturais diversas. O programa faz parte de uma parceria entre o Banco do Nordeste e a Rádio Educadora do Cariri, que inclui um programação diária diversificada de segunda a sexta-feira de 14 às 15 horas. Confira.

Rádio Educadora do Cariri AM 1020.

Sessão Curumim

14h T'Choupi.

T'Choupi, maravilhado com a pequena e nova cidade na qual vai morar, encontra a liberdade com os belos dias de verão, a praia, as férias e os amigos que começa a fazer. Mas, há um mistério que assusta as crianças: o roubo de suas bicicletas. T'choupi começa a investigar o caso junto com os novos amigos Pilou e Lalou, passando por momentos de emoções e perigos. Animação. Cor. Dublado. Livre. França, 2004. 70min.

16h As Aventuras de Azur e Asmar.

Os meninos Azur e Asmar foram criados juntos pela mesma mulher, Jenane. Eles cresceram como se fossem irmãos, até serem separados. Amar cresceu ouvindo as histórias da mãe sobre a lendária Fada dos Djins e, quando se torna adulto, decide partir à sua procura, contando com a ajuda do andarilho Crapoux. É quando Azur e Asmar se reencontram, agora não mais como irmãos, mas como rivais na busca da Fada. Animação. Cor. Dublado. Livre. 2006. 109min.

Local: Caririaçu (Centro Cultural Dr. Raimundo de Oliveira Borges. Av. Francisco Barros Sobrinho, 40).

Literatura/Biblioteca- Troca de Idéias

19h Lançamento do livro Padre Cícero, de Lira Neto. 60min.

Padre Cícero é o resultado de dez anos de pesquisa de Lira Neto, autor de livros como O Inimigo do Rei: Uma biografia de José de Alencar e Maysa: só numa multidão de amores, que deu origem à minissérie da tv Globo. Nesta biografia, uma das mais aguardadas do ano, o autor se debruça sobre a vida do mais amado e controvertido líder religioso que o Brasil já teve: Cícero Romão Batista, o Padim Ciço dos romeiros e fiéis, baseado em documentos raros e inéditos, o autor reconta, com riqueza de detalhes, os noventa anos de vida do sacerdote, desde seu nascimento no sertão cearense até a consagração como líder popular. 60min.

Local: CCBNB Cariri (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte).

Fonte: CCBNB

A corrupção do dia de hoje - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando alguém nos diz para reconstruir a casa toda por causa de um vazamento sempre desconfiamos da solução. Sabemos que a troca de alguns canos pode ser a solução. Eis que a corrupção vaza por todos os canos da República.

As imagens da corrupção no Distrito Federal, ampla, geral e irrestrita a todos os poderes bem diz de tantos canos oxidados. Aliás, quando do “escândalo” do mensalão, tanta “sangria” que o PSDB e o DEM conseguiram do PT e do próprio presidente da República. Maior foi o exangue uma vez que o Partido dos Trabalhadores fazia política exatamente na fenda da corrupção. A corporação da Deputação e da Senatoria jamais se esquecera dos trezentos picaretas que o Lula denunciara.

Especialmente no olimpo do Senado em que os filhos bem criados da elite nacional se julgam acima do bem e do mal. Legislam e comissionam para si e ainda acham que atendem ao coletivo da multidão do território pátrio. Os “contrabandos” em artigos da legislação para atender a lobbies, as pressões sobre os órgãos de fomento para financiarem a empresa dos amigos, a grana dos fornecedores do Estado numa cadeia que apenas sustenta o mesmo modelo concentrador da renda nacional. E sem renda familiar não existe nem mercado interno e nem transparência democrática.

Por vezes há que se enfrentarem os graves problemas. Ninguém pode se acovardar apenas por que existe um gigante morando na ponta do enorme pé de feijão. E os juros nacionais pagos e a pagar? Não se encontra na mesma matriz da corrupção? Mas enfrentar o capital volátil internacional, predador e falso, olhar as contas evasivas das famílias de sucesso financeiro cá dentro, é uma missão de união de todos. Pois todos sofreremos juntos e igualmente juntos estaremos no outro lado confiando em nós mesmos e na defesa de todos os brasileiros. Ou seja, de sua economia nacional.

Então não vamos cair na patetice do médico que joga fora o bebê junto com a água da bacia. Ao contrário do que os “catões” da república cospem apenas das papilas gustativas para fora ou destas “vestais” que lembram o velho provérbio do “sepulcro caiado”. Ao contrário, repito, vamos fazer mais política. Vamos exercer mais democracia direta, relativizar um pouco a instituição da representação. E relativizar ainda pode não ser a superação desta representatividade, mas subordiná-la ao cotidiano de cada manhã ao invés destas visitas eventuais de quatro em quatro anos.

E os corruptores? Mamando nas tetas do Estado, ou tentando salvar seu “negócio” de “fornecedor eterno”, se tornam irmão siamês, necessário e inarredável da “instituição” da corrupção. Lembram das empresas de propaganda e marketing que serviam de fachada para os financiamentos do “mensalão”, o do PT e o mineiro do PSDB? Olhem para as empresas de informática que aí tem. Olhem para os fornecedores de material didático, para as empresas de comunicação, para os materiais de saúde e, claro, como é velha a república, para os empreiteiros.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O INVENTÁRIO DAS PALAVRAS...Wilson Bernardo!

Em breve o livro...SE EU PEGAR EU CHUPO!
UM LEGUME ROSADO.
Uma Bage de feijão
E uma vagina
Tem a mesma função...
Debulhar o orgasmo
Cozinhar os grãos.
Wilson Bernardo(Poema & Fotografia)

CONVITE!

Agende-se!

Agende-se!

UM TIPO INESQUECÍVEL! (*)


Sr. Abidoral Rodrigues Jamacaru

Em 1905 nascia, na Vila de Jamacaru, hoje distrito do município de Missão Velha, no Ceará, o cidadão Abidoral Rodrigues Jamacaru.
Mas foi somente em 1918, portanto aos treze anos de idade, que ele migrou desse modesto lugarejo para a cidade de Crato, também no sul do estado do Ceará. Era o começo de uma cumplicidade eterna entre um ilustre desconhecido e a cidade que ele escolhera para viver.
Cheio de amor e entusiasmo pela nova vida, o então rapazola Abidoral colocou em ação, não apenas seus planos de vida e força do trabalho, mas, principalmente, nas noites boêmias da nova terra, sua alma de artista regida pelos acordes mágicos de seu plangente bandolim.

A cidade e o comerciante...

Nessa sua nova fase de vida, Bidinha, como era chamado, deu início às suas atividades no comércio local na condição de empregado da Casa Mattos (comércio de miudezas), cujos proprietários eram os ilustres comerciantes Izaias e Joaquim Mattos.
Em 1927, em parceria com o Senhor João Ranulfo Pequeno, Abidoral instalou, na Rua Bárbara de Alencar, uma pequena loja de variedades.
Decorridos dois anos da sua fundação, João Ranulfo negociou sua parte com o seu parente José Horácio Pequeno (futuro Prefeito do Crato) que, por sua vez, ajustou venda de seu capital ao futuro e único proprietário Abidoral Rodrigues Jamacaru.
Com um pequeno capital de Cr$1.200,00 (Um mil e duzentos cruzeiros), o novo dono transformou a firma na tradicional CASA ABIDORAL.
Na época, num pequeno trecho da Rua Bárbara de Alencar, centro da cidade, foram seus contemporâneos de comércio: Moacir Barreto Dantas, Expedito Barreto Dantas, Sá Barreto, Cícero Beija-Flor, José Vilar, José Eurico, Manoel Teixeira, Joaquim Patrício; Tarcísio Leitinho, Balduino Bezerra, Almir Carvalho, João Gualberto, José Honor; a família Belchior, Raimundo Oliveira, Alfredo Leite (Seu Alfredinho), Leonel; o padeiro português Acácio, o relojoeiro Nonato, o Barbeiro Zé de Zumba, o bodegueiro Ioiô, o courista Vela Branca, Mário Correia de Oliveira e tantos outros.

O Músico, o seresteiro o amigo...

Ao Crato, sua grande e inesquecível paixão, ele doou aquilo que mais amava na vida, que era a arte de encantar e embalar o povo com música. Para tanto compôs, entre outras melodias, a belíssima “Crato Querido”, a inesquecível “Céu Azul” (gravada pelo filho Pachelly Jamacaru); o eletrizante choro “Bagaceira” e o duplo sentido “Onde é que as muié do Piquitão...?”... Esta uma alusão às mulheres que catavam o fruto do pequi na Floresta da Chapada do Araripe.
Seu máximo, que levava ao delírio homens e mulheres sedentos de paixão, era, sob a luz do luar, nas frias e boêmias ruas dessa cidade, executar, dedilhando o seu mágico bandolim, inesquecíveis serenatas.
Esse espírito artístico e sonhador que o Crato conheceu, acompanhou o Sr. Abidoral até os últimos momentos de sua vida. No entanto foi um legado poeta que não morreu! Ele, endossado pelos caprichos literários de sua esposa, a Sra. Ana Aires de Aquino Jamacaru – Doninha - continua na genética de seus filhos e netos, espalhados pelo Crato e mundo a fora.


Epílogo...

O tempo, implacável, foi aos pouco procurando dar o descanso não só ao trabalhador, mas, também, ao artista Abidoral Rodrigues Jamacaru que, no ano de 1975, após cinquenta e dois anos de lida, resolveu aposentar-se.
Nos anos seguintes, talvez num ato inconsciente de despedida do Crato, ele passou a praticar costumeiras andanças pelas ruas e praças dessa cidade acalantando, com sua cítara quase mágica, o povo a quem tanto amara.
E assim continuou até que, no dia 20 de março de 1994, mais precisamente às 09h40m, o então menestrel, sentindo-se com o dever cumprido, resolveu, para tristeza nossa e alegria dos anjos boêmios da eternidade, nos deixar.
O Céu, que um dia, em uma determinada canção, recebera desse poeta musical uma profunda e singela homenagem, ficara, a partir de então, como os olhos do próprio autor... Intensamente mais azul!

Homenagem de sua esposa Ana Ayres de Aquino Jamacaru (Em doce memória) e de seus filhos Hildeberto Jamacaru de Aquino, Ana Lúcia Jamacaru de Aquino, Abidoral Rodrigues Jamacaru Filho, Célia de Souza, Roberto Jamacaru de Aquino, Alberto Jamacaru de Aquino, Luciane Jamacaru de Aquino Schimidt, Pachelly Jamacaru de Aquino e Fátima Jamacaru de Aquino.

(*) O Título da Postagem é meu e o texto é do filho Roberto Jamacaru, que também escolheu a foto que a ilustra .

VER com os olhos livres


Blogueiros são alvo da Justiça - Postado Por : J. Flávio Vieira





Diário do Nordeste
29/11/09

Campo fértil para a livre exposição de ideias, os blogs, considerados diários eletrônicos, rapidamente se popularizaram no mundo. A interatividade da ferramenta que possibilita que o autor mantenha um contato direto com seus leitores, é um dos principais atrativos do sistema. Mas aí é que mora o perigo. Muitos blogueiros, até por desconhecerem a legislação, podem ser alvos de processos por comentários de terceiros.
O caso mais recente foi do cearense Emílio Moreno, estudante de jornalismo que mantém o blog Liberdade Digital. Esse foi condenado a pagar R$ 16 mil à diretora de uma escola por um comentário ofensivo feito por um anônimo, que comentava uma briga entre alunos na escola.
O problema é que o autor de um blog não está isento de responsabilidade civil ou mesmo criminal decorrente do comentário de terceiros em sua página eletrônica. O caso pode piorar para o lado do blogueiro se ele tiver a ferramenta para autorizar, editar ou apagar os comentários. Quando o comentário é anônimo ou enviado por e-mail inexistente a recomendação é que o comentário, caso seja ofensivo a terceiros, seja apagado ou mesmo não seja liberado para a página.
A acusação mais comum contra blogueiros é de crimes contra a honra. Que pode ter como condenação a prestação de serviços à comunidade ou multa.
CensuradosO Blog ´Tijoladas do Mosquito´, assinado por Amilton Alexandre, foi cassado por uma juíza de Santa Catarina. Amilton fez comentários contra a senadora Ideli Salvatti (PT), ela não gostou e entrou com um processo contra o blog. A juiza concedeu liminar ordenando a concessão do direito de resposta à senadora e, em seguida ordenou a cassação do blog e o impedimento de que o editor publique até mesmo charges e matérias de jornais (ou quaisquer outros meios de comunicação) a respeito da senadora.

A jornalista Alcinéa Cavalcante, é conhecida como destemida e a única a enfrentar o senador José Sarney no Amapá. Ela foi indiciada pela Polícia Federal por um comentário publicado em agosto em seu blog ofendendo Sarney. Um leitor comentou, em um post em que ela reproduzia uma nota sobre Sarney, afirmando que toda família do senador "fedia". Ela reclama da censura e diz que no Amapá não existe liberdade de expressão.
Desde 2006, Alcinéa foi alvo de mais de 20 ações movidas por Sarney e condenada a pagar mais de R$ 2 milhões em multa. Ela fechou o blog e abriu outros. Hoje está com o domínio http://www.alcinea.com/. Onde a jornalista comenta as principais notícias do seu Estado. Já o jornalista Altino Machado ex-repórter dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo, e famoso pela cobertura da luta de Chico Mendes, tem um dos blogs mais temidos do Acre. Já recebeu inúmeras ameaças de morte e até sofreu atentados. No ano de 2007, foi condenado por ter publicado uma foto do neto da professora Íris Célia Cabanelas Zannini, então presidente do Conselho Estadual de Educação.

Postado Por : J. Flávio Vieira
( postado no Blog do Crato )