TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 9 de janeiro de 2010

História do Cariri - CDPH.






O Centro de Documentação e Pesquisa Histórica (CDPH) da Universidade Regional do Cariri, criado no ano de 2004, por iniciativa dos professores do Departamento de História da URCA  e implantado no ano de 2007,  tem como objetivos a realização de pesquisas históricas, a preservação de documentos e sua difusão entre a comunidade acadêmica e a população em geral.






Entre suas missões estão reunir, sistematizar, preservar e difundir fontes documentais para a pesquisa histórica. Para tanto, recebe a doação ou a custódia de fundos documentais, tendo como primeiro acervo custodiado, a documentação que se encontrava no Fórum da Cidade do Crato – CE, compreendendo inventários post-mortem, testamentos, autos de partilha, petições, processos criminais, hipotecas e outros documentos referentes aos séculos XIX e XX.


O acervo recebido está em fase de identificação e catalogação. Para a realização de tal tarefa, a coordenação do CDPH conta com o auxílio dos estudantes do curso de História da URCA que complementam suas atividades acadêmicas nas atividades de identificação, limpeza, catalogação e pesquisa e colaboram para a constituição de um catálogo que permitirá aos interessados na história da região do Cariri ter mais uma fonte para suas consultas e pesquisas.



Informações:   professordarlan@gmail.com 

CANAL BRASIL MOSTRA FILMOGRAFIA DE ROSEMBERG CARIRY


O Canal Brasil exibe durante este mes de janeiro parte da obra cinematográfica de Rosemberg Cariry. São oito filmes de longa-metragem rodados no Ceará!

AGENDE-SE:

04/01 às 18h55 Mostra Rosemberg Cariry - O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto
05/01 às 18h30 Mostra Rosemberg Cariry - A Saga do Guerreiro Alumioso
05/01 às 11h00 Mostra Rosemberg Cariry - O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto
05/01 às 10h30 Mostra Rosemberg Cariry - Rosemberg Cariry (entrevista)
06/01 às 10h30 Mostra Rosemberg Cariry - A Saga do Guerreiro Alumioso
10/01 às 18h00 Retratos Brasileiros - Rosemberg Cariry (entrevista)
11/01 às 18h30 Mostra Rosemberg Cariry - Corisco & Dadá
12/01 às 18h30 Mostra Rosemberg Cariry - Juazeiro - A Nova Jerusalém
12/01 às 10h30 Mostra Rosemberg Cariry - Corisco & Dadá
13/01 às 10h30 Mostra Rosemberg Cariry - Juazeiro - A Nova Jerusalém
15/01 às 10h00 Retratos Brasileiros - Rosemberg Cariry (entrevista)
18/01 às 18h30 Mostra Rosemberg Cariry - Lua Cambará - Nas Escadarias do Palácio
19/01 às 18h30 Mostra Rosemberg Cariry - Patativa do Assaré - Ave Poesia
19/01 às 10h30 Mostra Rosemberg Cariry - Lua Cambará - Nas Escadarias do Palácio
20/01 às 10h30 Mostra Rosemberg Cariry - Patativa do Assaré - Ave Poesia
25/01 às 18h30 Mostra Ro semberg Cariry - Siri-Ará - Cinema Figural Brasileiro
26/01 às 18h30 Mostra Rosemberg Cariry - Cine Tapuia
26/01 às 10h30 Mostra Rosemberg Cariry - Siri-Ará - Cinema Figural Brasileiro
27/01 às 10h30 Mostra Rosemberg Cariry - Cine Tapuia

(foto: Luiz Carlos Salatiel)

Tanto de tudo e nada - Daniel Coriolano

NE - Pessoal, o Daniel Coriolano me enviou esse poema para ser publicado no Blog do Crato, mas como o Blog lá não é muito afeito a poesia, por se tratar de um canal mais jornalístico, trago aqui para o CaririCult, que é um local mais apropriado para a difusão das veias poéticas eminentemente caririenses. Então, aí vai, de Daniel Coriolano, Tanto de tudo e nada:

Tanto de tudo e nada

Muito do carro, do som
Da marca estampada.
Tanto do tênis de quinhentos
Mais ainda da hipertrofia músculo-esquelético.

Tanto da vida alheia
Das coisas mais etéreas que eternas
Mais solúveis que o tempo.
Muito da moda da tendência, da compra que exige.

Da música monossilábica, nossa! Tanto!
Muito da pose, do álcool.
Tanto do álcool!
Da prudência não muito.

Eternidade da paixão agora instantânea
Que seja eterno enquanto dure um minuto.
Muito do ter sem poder
Do ser sem ser.

Da ioga sem a mente e pelo corpo
Do Segredo pela riqueza
Muito do protesto pelo benefício próprio.
De honestidade, nem tanto!

Muito de tudo para ter
Tanto de poema sem poesia
Do luxo sem conforto
De tanto, de tudo

E nada...

por Daniel Coriolano

http://twitter.com/danielcoriolano

Na Trilha do Festival Jazz & Blues

Programação NA TRILHA DO JAZZ começa dia 12 de janeiro em Fortaleza.

Amantes da boa música instrumental, do jazz e do blues se preparam para entrar em clima de Jazz & Blues. Em Fevereiro acontece a 11ª edição do Festival Jazz & Blues em Guaramiranga e Fortaleza, mas, enquanto o carnaval jazzístico não chega, instrumentistas, grupos e cantores participam da programação NA TRILHA DO JAZZ, que a partir de 12 de janeiro passa por bares e restaurantes da capital. Até o dia 12 de fevereiro, de terça a sábado, o projeto estará em um ou mais locais de Fortaleza. São casas que tradicionalmente já atraem o público com shows ao vivo e se juntam ao Festival Jazz & Blues para entrar Na Trilha do Jazz. Entre as casas, Café Pagliuca, Degusti, Datamar Bistrô de Paris, Fafi Bar, Altas Horas e Iate Clube.

Nos palcos, instrumentistas e grupos que já têm um trabalho consolidado e reconhecido na cena instrumental do estado. É o caso de Mimi Rocha e Trio, Dunas Jazz Band, Bossa Jazz, Blues Label, Puro Malte, De Blues em Quando, Felipe Cazaux e Marcos Maia, entre outros. O projeto Na Trilha do Jazz é uma ação do Festival Jazz & Blues, que chega à 11ª edição de 13 a 16 de fevereiro (carnaval) em Guaramiranga e de 18 a 20 em Fortaleza. Realização: Via de Comunicação e Cultura.

PROGRAMAÇÃO PARCIAL* – NA TRILHA DO JAZZ
* Sujeita a alterações

CAFÉ PAGLIUCA (Rua Barbosa de Freitas 1035 Meireles – Tel: 3224.1903)

Terça - 21h – jazz – Mimi Rocha e Trio - Couvert: R$ 7,00
Quarta - 21h - Bossa Jazz – Márcio Resende - Couvert: R$ 7,00
Sábado - 21h - Dunas Jazz Band - Couvert: R$ 7,00

DATAMAR BISTRÔ DE PARIS (R. Ten. Benévolo, 60 – Praia de Iracema - Tel: 3219.0833)

Quinta – 21h – Jazz - Couvert: R$ 4,00
Sexta - 21h – Blues – Dia 08: Blues Label; Dia 15: Puro Malte; Dia 22: De Blues em Quando; Dia 29: Felipe Cazaux.
Sábado - 21h – Rock – Dia 02: Nashrock (Country Rock); Dia 09: Allyson dos Anjos (Blues); Dia 16: Memphis Band (Elvis cover); Dia 23: Renegados (Blues Rock); Dia 30: Noemi Costa (Cássia Eller cover).

DEGUSTI (Rua Vilebaldo Aguiar, 352 – Papicu. Tel: 3262.1719)

Quarta - 20h30 – Jazz/blues Rock – Duo Marcos Maia (clássicos jazz blues e rock Instrumental) - Couvert: R$ 3,00

IATE CLUBE (Av. Abolição, 4813 – Mucuripe. Tel: 3263.1985)

Sábado – Jazz ao Por do Sol - Grátis

SERVIÇO:

Na Trilha do Jazz – De 12 de janeiro a 12 de fevereiro em bares e restaurantes diversos de Fortaelza, com shows de jazz, blues e música instrumental. O projeto integra a programação do Festival Jazz & Blues, que acontece em fevereiro em Guaramiranga e Fortaleza. A programação do Na Trilha do Jazz estará disponível no www.jazzeblues.com.br. Informações na Via de Comunicação e Cultura: 85-3262.7230.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
DÉGAGÉ
Jornalistas Responsáveis:

Sônia Lage – 85-9989.5876
Eugênia Nogueira - 85-9989.3913
85-3252.5401 / 85-8853.4444

Um tributo ao verdadeiro rei do pop


Por André Forastieri


Elvis Presley faria 75 anos "ontem", se não tivesse morrido drogado, com glaucoma, artrite, fígado e instestino estourados aos 42 anos. Outra divindade roqueira, o igualmente imolado John Lennon, garantia que Elvis partira bem antes, aos 25 anos. O beatle era fã do rei.


Certa vez, Lennon disse: – Antes de Elvis, havia o nada. Também disse: – Elvis morreu no Exército.


O Elvis que interessava para um adolescente órfão e pobre de Liverpool morreu quando careteou. Quando vestiu o uniforme de milico e deixou raparem seu topete.


Importava para Lennon o Elvis roqueiro, horror dos conservadores, que apavorava em shows e liquidificava as tripas das menininhas com seu rebolado de preto safado. Tudo bem que fosse tudo meio de mentirinha. Que Elvis fosse um caipira filhinho da mamãe, que chupava trejeitos de bad boy dos igualmente falsos bad boys que via no cinema – Marlon Brando, James Dean, Robert Mitchum.


Esse negócio de autenticidade é supervalorizado. Se você anda, voa e grasna como pato, é pato. E o impacto era realíssimo. Elvis era o rei do rock quando foi chamado para o serviço militar.

Voltou rei do pop, o original. Fazendo filmes caretas como GI Blues, coadjuvando no programa de TV de Frank Sinatra e gravando um álbum de hinos religiosos.


Seu primeiro hit depois do retorno foi It’s Now or Never, uma versão cha-cha-cha de O Sole Mio. As cartas estavam na mesa. Foi basicamente isso que ele fez até morrer de vez, em 1977: filmes B, Vegas, carolice, pop caça-níquel.


Naturalmente, são alguns dos filmes B mais divertidos que você já viu; alguns dos shows mais eletrizantes que já animaram um cassino; alguns dos gospels mais emocionantes; algumas pérolas da canção popular que nunca serão superadas.


Mas Elvis não era mais inovador, do ponto de vista musical; nem tinha relevância cultural; e era romper barreiras na música e usar sua fama para mudar o mundo o que interessava para John Lennon.


É inacreditável pensar que Elvis tinha 33 anos no Verão do Amor, 68, e já estava completamente desconectado do que havia de mais quente na cultura jovem.


A explicação é que Elvis, como tantos músicos e talvez a maioria dos superstars, não pensava. Fazia o que mandavam. Não dirigia sua carreira e não escrevia suas músicas.


Cada decisão importante era tomada pelo seu empresário, o famigerado Coronel Tom Parker, que fazia tudo por dinheiro, inclusive perder oportunidades incríveis – e estava se lixando para projetos interessantes, parcerias promissoras, filmes com bons diretores, contratos com compositores de primeira.


Se só o Elvis roqueiro morreu no exército, foi lá que de fato ele colocou o primeiro pé na cova. Porque foi lá que começou a tomar anfetaminas. Gostou, todo mundo gosta. No final da vida era um junkie podre, tomador de tudo que era bola.


Foi ficando cada vez mais descolado do mundo real. Lia obsessivamente a bíblia, encanava que era um profeta, que Deus falava por sua voz, fazia seções mediúnicas, queria ser agente secreto do presidente Nixon, e por aí vai.


É maior hoje do que jamais foi em vida, ungido maior ícone da história da música popular.

A explicação é que o planeta inteiro reconhece a América em Elvis. Reconhece a energia crua, a confusão racial, o talento para o show business; a tensão entre o sex-appeal e o bom-mocismo; a fé em Deus e no próprio taco; a gana infinita por dinheiro, por mais, mais, mais de tudo; e finalmente, a ausência de uma justificativa para seguir em frente, perserverar, existir.

O século 20 foi o século americano. Elvis foi seu maior símbolo e messias: vendeu o american way of life melhor que ninguém.


Mas o século 21 cuida de enterrar o sonho americano a cada dia que passa. Elvis é tão velho e ultrapassado morto, quanto seria se tivesse sobrevivido.

Foi tarde? Foi na hora certa? Elvis viverá para sempre, para sempre oferecido em sacrifício, sempre jovem, sempre belo, solar.


Estava tão sozinho, que só restava morrer. Descanse em paz, rei.


Fonte: Blog de André Forastieri

HOJE TEM COMÉDIA NO CCBNB


Você ainda pode assistir à maior comédia nordestina de todos os tempos!

HOJE, SÁBADO, DIA 9 DE JANEIRO DE 2010, DUAS SESSÕES!!!
17 horas e 20 horas
NO CENTRO CULTURAL BANCO DO NORDESTE CARIRI - JUAZEIRO DO NORTE





sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

fim da trilha

vários homens reunidos se abraçam
tocam-se os rostos, mãos que se apertam,
algum tempo depois estão descendo
uma pequena trilha, conduzindo
o corpo de um amigo, de silêncio
coberto, uma vida que a morte
de cabelo no ombro, como tatuagem,
com sorriso de vinho tinto, corta
com delicada lâmina e expertise

que tarde é essa?

ninguém ergue os olhos e vê as poucas
nuvens indiferentes, as mulheres
seguem, olhos no chão com esses homens
constrangidos com a falta do amigo
que em minutos será sua solidão

grande a solidão de cada morto!

logo subirão todos pela trilha,
ligarão os motores, perfurado
um círculo se forma entre eles
sem sorriso, a tristeza da tarde
num cemitério frio no verão,
um bastidor da dor em cada homem,
cada mulher cansada de pré-estreias
do amor que nunca vem na cor do sol

cartum por STEFAN VERWEY


Fechado para balanço

Viramos a página de mais uma década. E lá vem aquela fissura danada de se levar tudo à balança, de se esticar a trena, de revolver as gavetas e as estantes e proceder ao balanço geral da firma. Como se a vida da gente fosse uma loja de varejo qualquer, dessas que vendem quinquilharias a preço de um real. Entendo, como Einstein, a relatividade do espaço e do tempo, principalmente em se tratando da nossa delicada física interior. A existência humana é tão complexa que se faz impossível resumi-la numa mera planilha do Excel. Mas resistir quem há-de? Mal percebemos e já o primeiro capítulo desse Século XIX se fecha. Passou em brancas nuvens? Em plácido repouso adormeceu ? Sei que os sinais vitais de uma nação se aferem pela Cultura. Olho para toda uma geração de artistas caririenses e me pergunto: Estamos vivos depois da morte de todos os dias? O pulso ainda pulsa? O coração do Cariri bate ou apanha? Comemos a papa ou continuamos como uma papa em estado de coma? Pois bem, lá vai a opinião de um curioso, um sujeito que tem uma convivência tão próxima com a área artística que, tantas vezes, como a lua, rouba um pouco o brilho dos outros e o reflete como se próprio o fora.
Nestes dez anos produzimos como nunca. Lançaram discos : Abidoral ( “ Bárbara”); Salatiel ( “Contemporâneo”); Pachelly (“Com a palavra as músicas”); Cleivan Paiva; Nacacunda; Zabumbeiros do Cariri; Dr Raiz; Júnior Boca( “Calendário”); Di Freitas; Dihelson Mendonça, Zé Newton Figueiredo ( “De Onde eu Olho” e “A Contrapelo”); Os Irmãos Aniceto; Raniério; Flávio Leandro,;Mané D´Jardim; Lifanco; “Leninha”; D. Augusta Esmeraldo; Munir Chaves; “A Família Linard”; “Os Herdeiros do Rei”;Lúcio Ricardo; Célia Dias; João Nicodemos. Isto apenas para citar alguns. Em literatura, por outro lado, também tivemos um volume de publicação inédito e não há condições de citar todos: Roberto Jamacaru , Émerson Monteiro, Olival Honor, Dr. Raimundo Borges, Dr. Napoleão Tavares, Heitor/Telma Brito, Jurandyr Temóteo, Osvaldo Alves, José do Vale Feitosa, Lupeu, Marcos Leonel, Batista de Lima, Francisco Pedro Oliveira,Valdemar Arraes, João Matias, Raimundo Araújo, Hilário Lucetti e Magérbio Lucena, José Gil, Patativa, Pedro Ernesto, Francisco Salatiel, Padre Ágio, Carlos Eduardo Esmeraldo, José Flávio Vieira, Roberto Marques, José Newton Figueiredo e muitos, muitos outros que não cabem nesse espaço, mas não são menos importantes. A literatura caririense ganhou inclusive , ano passado, o maior prêmio literário do país , com seu escritor Ronaldo Correia de Brito e o romance “Galiléia”. Tivemos, ainda a reedição de um clássico do nosso João Brígido ( “Apontamentos para História do Cariri”) , e de Irineu Pinheiro ( “O Cariri”) pela Fundação Waldemar Alcântara, este último. O cinema nos trouxe ainda Rosemberg e Petrus Cariry, Glauco Vieira, Bola, Hermano Penna e Luiz Carlos Salatiel que continuaram um trabalho profícuo e premiado. A onda auspiciosa não foi diferente nas artes plásticas e na fotografia. E ainda , entre nós, abriu-se a importante janela da Internet, com inúmeros blogs que , numa imensa praça virtual, reúne os mais diversas cabeças caririenses.
Não bastasse tudo isso, vimos parcialmente erguido o nosso Teatro Municipal , a construção do Espaço Cultural da REFESA e a inauguração do Centro Cultural Banco do Nordeste. A TV chegou no Cariri e com programação local! As Mostras de Cultura do SESC injetaram alma nova no nosso cenário e começamos a ver um reflorescer das artes cênicas na nossa região, como não se via desde os anos 50. Temos , hoje, dramaturgos promissores, atores muito talentosos e diretores em franca formação e ascensão. Sem falar no retorno dos Festivais da Canção do Cariri ,que mesmo reacendendo uma chama já um pouco arrefecida e em desuso, terminou mexendo e agitando a galera de todas as idades. A Cultura Popular, também, abriu importantes frestas , conseguiu um apoio estatal bem mais sólido, uma reaproximação visível com a Escola, principalmente depois da regência da Dra. Cláudia Leitão. Acredito, também, que os Editais , surgidos nessa década ,democratizaram de alguma forma as verbas historicamente destinadas à Cultura, embora ainda exista um longo caminho a ser trilhado.
Não consigo, assim, ser tão pessimista com a primeira década deste Século XXI. Andamos ! Se não muito, talvez porque nos faltasse muita força nos pés ou não nos foi dado um amparo maior. Faltou a muleta que nos ajuda a dar os primeiros passos, mas que , também, muitas vezes, nos faz esquecer que já temos asas suficientes para dispensá-la.
E o que se esperaria para esta década que se inicia? Todos têm lá suas aspirações , pois aqui vão algumas das minhas. Os municípios terão uma política cultural definida e sustentável , inclusive contemplando toda a região . As Secretarias de Cultura implementarão seus próprios Editais com fito de democratizar o acesso às verbas de forma mais técnica. A Escola e a Universidade fitarão o próprio umbigo e descobrirão a Cultura Universal a partir da regional e não o inverso, como antigamente vinha ocorrendo. Nossas rádios e TV´s tocarão os artistas e compositores caririenses e eles não mais serão denominados de “artistas da terra” como se minhocas fossem. Reeditaremos nossos clássicos, hoje totalmente esgotados : “Efemérides do Cariri”, os incontáveis de J. de Figueiredo, Zuza da Botica, Quixadá Felício, Padre Antonio Gomes. Publicaremos uma Edição Fac-Similar completa do Jornal “O Araripe” e um CD-ROM para consulta. Enfeixaremos nossas fotos antigas em um CD-ROM, com a história fotográfica comentada da cidade. A Coleção completa da Revista Itaytera será disponibilizada na Internet para acesso fácil por quem assim o desejar. O Crato organizará uma Bienal do Livro. Nosso teatro municipal será, finalmente, inaugurado com som, cortina e iluminação e funcionará como Cine/Teatro e não como auditório. O intercâmbio dos artistas nacionais e regionais será de ida e volta. Abaixo o colonialismo rasteiro e institucional! A REFESA e o Cine/Teatro terão um calendário de eventos anual, englobando as mais diversas formas de arte. As Secretárias de Cultura trabalharão com projetos definidos e não com eventos esporádicos e aleatórios. E, mais: disponibilizarão departamentos técnicos para confeccionar projetos, junto com os diversos artistas da região ,com o intuito de os encaminharem para aprovação dos órgãos competentes. O Frevo “Viva Zé Maia” de Abidoral Jamacaru será o hino do Carnaval cratense que volta a ser o mais animado de todo Ceará. Nossa arte , por fim, terá visibilidade dentro da nossa própria terra e , assim, a refletiremos para todo o país . Sim, e a partir de hoje todos os sons dos carros endoidarão a platéia pela qualidade da música e não pelo volume. Quer mais um sonho ? Caboclo só vai ter coragem de ler livro de auto-ajuda à noite, na Baixa Rasa, no escuro de breu e de óculos escuros e Neguim só vai ouvir banda de forró , em cima da serra e de headfone, por causa do impacto ambiental! Tá bom ?

J. Flávio Vieira

Jovens aprendem a fazer instrumentos musicais no Crato



Curso de Construção de Instrumentos será o terceiro curso do Projeto Fazendo Arte e estão previstos a realização de mais 11 cursos incluindo diversas linguagens artísticas.


O Projeto Nova Vida (Crato) irá realizar mais formação na área de artes, desta vez será a produção de instrumentos musicais e teoria musical O curso será ministrado pelo luthier, arte-educador e coordenador da banda Sol na Macambira Jean Alex (foto abaixo),e terá como monitores os músicos Carlos Cícero e Maricélio Santos. Além do artista/educador do Projeto Nova Vida, Victor Brito que apoiará todo processo de evolução do curso.



O curso faz parte do projeto Fazendo Arte que é desenvolvido pela instituição Nova Vida e visa oferecer a comunidade do Gesso e de outras localidades da cidade do Crato o maior número de linguagens artísticas, visando gerar uma maior aproximação com o universo da produção e circulação da arte, proporcionando assim, formação sócio-cultural, através de ações de qualificação artística e fruição estética, objetivando combater os índices de violência, consumo de drogas e prostituição infanto-juvenil, fatores presentes na comunidade, e criando condições de acesso a arte e a cultura, através de oficinas, debates, visitas aos espaços de circulação das artes como museus, galerias, teatro, cinema, centros culturais, ateliês e terreiros de brincantes, utilizando esses instrumentos para promover transformações favorecendo o desenvolvimento do aprendizado e da cidadania.

Para o presidente do Projeto Nova Vida essa é uma grande oportunidade para que a juventude associe seus conhecimentos a uma prática efetiva.

A coordenadora pedagógica do Fazendo Arte e integrante do Coletivo Camaradas, Fatinha Gomes destaca que o curso de Construção de Instrumentos e Teoria Musical trará para o público envolvido uma grande experiência no contexto musical, social e educativo, pois reunirá num só curso importantes noções de cidadania,humanidade, emancipação, numa perspectiva ideológica de transformação e aproximação do fazer artístico universal.
Um dos intuitos do curso é a formação de um grupo de musical baseada na estética da cultura popular.

O Projeto Fazendo Arte tem como realizadores as instituições alemãs Aktionskreis Pater Beda, Kinder Missionswerk e a Missionswerk Die Sternsinger e o Projeto Nova Vida e a parceria da Universidade Regional do Cariri - URCA, Secretárias Municipais da Educação e da Cultura,Coletivo Camaradas e SESC.

Serviço:
Curso de Construção de instrumentos e teoria musical
Inicio: 13/01/2009
Horário: Tarde
Local: Projeto Nova Vida
Informações: 88232474

Os EUA e a "pacificação presidencial" na América Latina.


"O presidente Barack Obama distanciou os EUA de quase toda América Latina e Europa ao aceitar o golpe militar que derrubou a democracia hondurenha em junho passado. O apoio ao processo eleitoral garantiu para os EUA o uso da base aérea de Palmerola, em território hondurenho, cujo valor para o exército estadunidense aumenta na medida em que está sendo expulso da maior parte da América Latina. Obama abriu a brecha ao apoiar um golpe militar, repetindo uma prática dos EUAbem conhecida na América Latina."
 O artigo é de Noam Chomsky.


"Barack Obama é o quarto presidente estadunidense a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, unindo-se a outros dentro de uma longa tradição de pacificação que desde sempre serviu aos interesses dos EUA. Os quatro presidentes deixaram sua marca em nossa “pequena região” ("nosso quintal"), que "nunca incomodou ninguém", como caracterizou o secretário de Guerra, Henry L. Stimson, em 1945. Dada a postura do governo de Obama diante das eleições em Honduras, em novembro último, vale a pena examinar esse histórico.

Theodore Roosevelt
Em seu segundo mandato como presidente, Theodore Roosevelt disse que a expansão de povos de sangue branco ou europeu durante os quatro últimos séculos viu-se ameaçada por benefícios permanentes aos povos que já existiam nas terras onde ocorreu essa expansão (apesar do que possam pensar os africanos nativos, americanos, filipinos e outros supostos beneficiados).

Portanto, era inevitável e, em grande medida, desejável para a humanidade em geral que o povo estadunidense terminasse por ser maioria sobre os mexicanos ao conquistar a metade do México, além do que estava fora de qualquer debate esperar que os (texanos) se submetessem à supremacia de uma raça inferior. Utilizar a diplomacia dos navios de artilharia para roubar o Panamá da Colômbia e construir um canal também foi um presente para a humanidade.

Woodrow Wilson
Woodrow Wilson é o mais honrado dos presidentes premiados com o Nobel e, possivelmente, o pior para a América Latina. Sua invasão do Haiti, em 1915, matou milhares de pessoas, praticamente reinstaurou a escravidão e deixou grande parte do país em ruínas.

Para demonstrar seu amor à democracia, Wilson ordenou a seus mariners que desintegrassem o Parlamento haitiano a ponta de pistola em represália pela não aprovação de uma legislação progressista que permitiria às corporações estadunidenses comprar o país caribenho. O problema foi resolvido quando os haitianos adotaram uma Constituição ditada pelos Estados Unidos e redigida sob as armas dos mariners. Tratava-se de um esforço que resultaria benéfico para o Haiti, assegurou o Departamento de Estado a seus cativos.

Wilson também invadiu a República Dominicana para garantir seu bem-estar. Esta nação e o Haiti ficaram sob o mando de violentos guardas civis. Décadas de tortura, violência e miséria em ambos países foram o legado do idealismo wilsoniano, que se converteu em um princípio da política externa dos EUA.

Jimmy Carter
Para o presidente Jimmy Carter, os direitos humanos eram a alma de nossa política externa. Robert Pastor, assessor de segurança nacional para temas da América Latina, explicou que havia importantes distinções entre direitos e política: lamentavelmente a administração teve que respaldar o regime do ditador nicaragüense Anastásio Somoza, e quando isso se tornou impossível, manteve-se no país uma Guarda Nacional treinada nos EUA, mesmo depois de terem ocorrido massacres contra a população com uma brutalidade que as nações reservam para seus inimigos, segundo assinalou o mesmo funcionário, e onde morreram cerca de 40 mil pessoas.

Para Pastor, a razão era elementar: os EUA não queriam controlar a Nicarágua nem nenhum outro país da região, mas tampouco queria que os acontecimentos saíssem do seu controle. Queria que os nicaragüenses atuassem de forma independente, exceto quando essa independência afetasse os interesses dos Estados Unidos.

Barack Obama
O presidente Barack Obama distanciou os EUA de quase toda América Latina e Europa ao aceitar o golpe militar que derrubou a democracia hondurenha em junho passado. A quartelada refletiu abismais e crescentes divisões políticas e socioeconômicas, segundo o New York Times. Para a reduzida classe social alta, o presidente hondurenho Manuel Zelaya converteu-se em uma ameaça para o que esta classe chama de democracia, que, na verdade, é o governo das forças empresariais e políticas mais fortes do país.

Selaya adotou medidas tão perigosas como o incremento do salário mínimo em um país onde 60% da população vive na pobreza. Tinha que ir embora. Praticamente sozinho, os EUA reconheceram as eleições de novembro (nas quais saiu vitorioso Pepe Lobo), realizadas sob um governo militar e que foram uma “grande celebração da democracia”, segundo o embaixador de Obama em Honduras, Hugo Llorens. O apoio ao processo eleitoral garantiu para os EUA o uso da base aérea de Palmerola, em território hondurenho, cujo valor para o exército estadunidense aumenta na medida em que está sendo expulso da maior parte da América Latina.

Depois das eleições, Lewis Anselem, representante de Obama na Organização de Estados Americanos (OEA), aconselhou aos atrasados latinoamericanos que aceitassem o golpe militar e seguissem os EUA no mundo real e não no mundo do realismo mágico.

Obama abriu a brecha ao apoiar um golpe militar. O governo estadunidense financia o Instituto Internacional Republicano (IRI, na sigla em inglês) e o Instituto Nacional Democrático (NDI) que, supostamente, promovem a democracia. O IRI apóia regularmente golpes militares para derrubar governos eleitos, como ocorreu na Veenzuela, em 2002, e no Haiti, em 2004. O NDI tem se contido. Em Honduras, pela primeira vez, esse instituto concordou em observar as eleições realizadas sob um governo militar de facto, ao contrário da OEA e da ONU, que seguiram guiando-se pelo mundo do realismo mágico.

Devido à estreita relação entre o Pentágono e o exército de Honduras e à enorme influência econômica estadunidense no país centroamericano, teria sido muito simples para Obama unir-se aos esforços latinoamericanos e europeus para defender a democracia em Honduras. Mas Barack Obama optou pela política tradicional.

Em sua história das relações hemisféricas, o acadêmico britânico Gordon Connell-Smith escreve: "Enquanto fala, da boca para fora, em defesa de uma democracia representativa para a América Latina, os Estados Unidos têm importantes interesses que vão justamente na direção contrária e que exigem um modelo de democracia meramente formal, especialmente com eleições que, com muita freqüência, resultam numa farsa".

Uma democracia funcional pode responder às preocupações do povo, enquanto os EUA estão mais preocupados em construir as condições mais favoráveis para seus investimentos privados no exterior? Requer-se uma grande dose do que às vezes se chama de ignorância intencional para não ver esses fatos. Uma cegueira assim deve ser zelosamente guardada se é que se deseja que a violência de Estado siga seu curso e cumpra sua função. Sempre em favor da humanidade, é claro, como nos lembrou Obama mais uma vez ao receber o Prêmio Nobel."

Tradução: Katarina Peixoto
Texto retirado do site da Agência Carta Maior. 

Terreirada Cearense no Rio



Queridos Terreirantes!

Dia 10 de Janeiro a Terreirada Cearense está de volta! E segue todos os domingos!

Forró de Raiz com a formação completa (Ranier, Beto, Geraldo, Marcelo, Filipe, Francisco e Cláudio),
Além de discotecagem de música brasileira e muitos convidados especiais!

CTO – Centro de Teatro do Oprimido
Rua Mem de Sá, 31 – Lapa (Próximo aos Arcos)
A partir das 20h!

BAIXEM AS MÚSICAS NO www.geraldojunior.palcomp3.com.br

Vem aí o Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube


Uma das mais tradicionais festas carnavalescas do interior cearense, o Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube consolida-se nessa sua 5ª edição como o evento mais esperado do ano. É através do Carnaval da Saudade que buscamos o resgate das antigas marchinhas, frevos e sambas dos carnavais que marcaram época e o "clube do pimenta" fica lotado de pessoas alegres e com muita energia, indo a festa terminar em um cortejo até a Praça Siqueira Campos,por volta das 6 da manhã.
Esse ano o tema da festa é a ecologia, porque preservar a nossa querida Chapada do Araripe é obrigação de cada um de nós.
Em breve venda de mesas e ingressos avulsos.
Informações: (88) 8816.3062

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

VER com os olhos livres


Mário Maestri: Por que não festejo e me faz mal o Natal.


Por Mário Maestri* 
"Não festejo e me faz mal o Natal por diversas razões, algumas fracas, outras mais fortes. Primeiro, sou ateu praticante e, sobretudo, adulto. Portanto, não participo da solução fácil e infantil de responsabilizar entidade superior, o tal de “pai eterno”, pelos desastres espirituais e materiais de cuja produção e, sobretudo, necessária reparação, nós mesmos, humanos, somos responsáveis.
Sobretudo como historiador, não vejo como celebrar o natalício de personagem sobre o qual quase não temos informação positiva e não sabemos nada sobre a data, local e condições de nascimento. Personagem que, confesso, não me é simpático, mesmo na narrativa mítico-religiosa, pois amarelou na hora de liderar seu povo, mandando-o pagar o exigido pelo invasor romano: “Dai a deus o que é de deus, dai a César, o que é de César”!

O Natal me faz mal por constituir promoção mercadológica escandalosa que invade crescentemente o mundo exigindo que, sob a pena da imediata sanção moral e afetiva, a população, seja qual for o credo, caso o tenha, presenteie familiares, amigos, superiores e subalternos, para o gáudio do comércio e tristeza de suas finanças, numa redução miserável do valor do sentimento ao custo do presente.
Não festejo e me desgosta o Natal por ser momento de ritual mecânico de hipócrita fraternidade que, em vez de fortalecer a solidariedade agonizante em cada um de nós, reforça a pretensão da redenção e do poder do indivíduo, maldição mitológica do liberalismo, simbolizada na excelência do aniversariante, exclusivo e único demiurgo dos males sociais e espirituais da humanidade.

Desgosta-me o caráter anti-social e exclusivista de celebração que reúne egoísta apenas os membros da família restrita, mesmo os que não se freqüentaram e se suportaram durante o ano vencido, e não o farão, no ano vindouro. Festa que acolhe somente os estrangeiros incorporados por vínculos matrimoniais ao grupo familiar excelente, expulsos da cerimônia apenas ousam romper aqueles liames.
Horroriza-me o sentimento de falsa e melosa fraternidade geral, com que nos intoxica com impudícia crescente a grande mídia, ano após ano, quando a celebração aproxima-se, no contexto da contraditória santificação social do egoísmo e do individualismo, ao igual dos armistícios natalinos das grandes guerras que reforçavam, e ainda reforçam – vide o peru de Bush, no Iraque – o consenso sobre a bondade dos valores que justificavam o massacre de cada dia, interrompendo-o por uma noite apenas.

Não festejo o Natal porque, desde criança, como creio para muitíssimos de nós, a festa, não sei muito bem por que, constituía um momento de tensão e angústia, talvez por prometer sentimentos de paz e fraternidade há muito perdidos, substituindo-os pela comilança indigesta e a abertura sôfrega de presentes, ciumentamente cotejados com os cantos dos olhos aos dos outros presenteados.
Por tudo isso, celebro, sim, o Primeiro do Ano, festa plebéia, hedonista, aberta a todos, sem discursos melosos, celebrada na praça e na rua, no virar da noite, ao pipocar dos fogos lançados contra os céus. Celebro o Primeiro do Ano, tradição pagã, sem religião e cor, quando os extrovertidos abraçam os mais próximos e os introvertidos levantam tímidos a taça aos estranhos, despedindo-se com esperança de um ano mais ou menos pesado, mais ou menos frutífero, mais ou menos sofrido, na certeza renovada de que, enquanto houver vida e luta, haverá esperança."
* Historiador e professor do curso de História e do Programa de Pós-Graduação em História da UPF, RS. Publicado em La Insignia.

Antonio Queiroz no Cariri Encantado desta sexta, 8 de janeiro


O programa Cariri Encantado tem como marca maior a pluralidade da música caririense. E, dentro dessa rica diversidade, às vezes é comum surgir algo singular (no sentido de especial, raro, extraordinário). É o caso, por exemplo, do músico Antonio Queiroz, que transita livre, leve e fagueiro por vários gêneros, ritmos e concepções musicais. Baixista e flautista, Antonio Queiroz fez ou faz parte de vários projetos musicais, dentre eles os grupos Dr. Raiz, Night Life, Glory Fate, Zabumbeiros Cariris, Post Scriptum e Na Estrada, além de ser músico acompanhante de vários intérpretes, como Geraldo Júnior e Camila Lenker. Isso tudo significa um balaio de influências, do regional ao universal, que faz funcionar uma verdadeira e poderosa usina sonora, incluindo ingredientes aparentemente díspares como rock’n’roll (do pop ao heavy metal), blues, reggae, baião, xote, xaxado e a genérica MPB.

Nesta sexta, 8 de janeiro, no programa Cariri Encantado, o ouvinte poderá escutar uma mostra dessa rica miscelânea musical e conhecer um pouco da vida e carreira desse jovem , porém respeitado músico caririense: Antonio Queiroz.

Roteiro do Programa
Todas as músicas que tocarão no programa têm a participação de Antonio Queiroz:

1. Cantoria de Reis (Antonio Queiroz e Júnior Boca), com Dr. Raiz
2. Para Lennon e McCartney (Lô Borges), com Rinaldo e Banda Na Estrada
3. O Sal da Terra (Beto Guedes), com Rinaldo e Banda Na Estrada
4. Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (Dudé Casado e Hélio Ferraz), com Dr. Raiz
5. Estrela de Prata (Dudé Casado), com Dr. Raiz
6. Chuva de Janeiro (Geraldo Júnior e Beto Lemos), com Geraldo Júnior
7. Paixão de Abril (Geraldo Júnior), com Geraldo Júnior
8. Homens e Ratos (Valzinho) com No Divã
9. Have You Ever Seen The Rain (John Fogerty), com Night Life

O programa Cariri Encantado vai ao ar todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, na Rádio Educadora AM 1.020 e na Internet pelo site cratinho.blogspot.com. O programa integra a agenda cultural do Centro Cultural BNB Cariri e é uma produção da revista virtual Cariricult.

Ficha técnica
Apresentação: Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias.
Redação e seleção musical: Carlos Rafael Dias, José Flávio Vieira e Luiz Carlos Salatiel.
Apoio Logístico: Jackson “Bola” Bantim.
Participação Especial: Jorge Carvalho e Huberto Cabral.
Operador de Áudio: Iderval Silva e Antonio Vieira.

COMPOSITORES DO BRASIL


“Meu samba é a voz do povo
“Se alguém gostou eu posso cantar de novo.”
João do Vale

Postado por Zé Nilton

Devo dizer que considero João do Vale uma das figuras mais importantes da Música Popular Brasileira. Se é certo que em 1964-65, quando se realizou pela primeira vez o Show Opinião, os grandes centros do país tomaram conhecimento de sua existência e que lhe reconheceram os méritos de compositor, não é menos certo que pouca gente se deu conta do que ele realmente significa como expressão de nossa cultura popular.
Isso se deve ao fato de que João do Vale não é um compositor de origem urbana e que só agora se começa a vencer o preconceito que tem cercado as manifestações populares sertanejas. É verdade que em determinados momentos, com Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, essa música conseguiu ganhar o auditório nacional, mas para, em seguida, perder o lugar conquistado. É que o Brasil é grande e diversificado. Basta dizer que, quando João do Vale se tornou um nome nacional, já atinha quase trezentas músicas gravadas, que o Nordeste inteiro conhecia e cantava, enquanto no Sul ninguém ainda ouvira falar nele.
Lembro-me da primeira vez que o vi cantar em público, em 1963, no Sindicato dos Bancários, no Rio, convidado por Thereza Aragão. Dentro de um terno branco engomado, pisando sem jeito com uns sapatões de verniz, entrou em cena. Parecia encabulado, mas, quando começou a cantar, empolgou o auditório. Era como se nascesse ali o novo João do Vale que, menos de dois anos depois, na arena do Teatro Opinião, faria o público ora rir ora chorar, com a força e a sinceridade de sua música e de sua palavra.
Autenticidade é uma palavra besta mas é na autenticidade que reside a força desse João maranhense, vindo de Pedreiras para dar voz nacional ao sertão. Mas não só nisso, e não apenas no seu talento, como também em sua cultura. Há gente que pensa que culto é apenas quem leu muitos livros. No entanto, se tivesse tido, como eu, a oportunidade de ouvir João cantar as músicas sertanejas que ele sabe, veria que ele é a expressão viva de uma cultura. De uma cultura que não está nos livros mas na memória e no coração dos artistas do povo.
Ferreira Gullar, em Nova História da Música Popular Brasileira, Ed. Abril, 1977]

João do Vale será a nossa atração de hoje no Programa: Compositores do Brasil.
Vamos falar um pouco de sua vida enquanto ouviremos:

Pisa na Fulô, de João do Vale, Silveira Jr. E Ernesto Pires, com Ivon Curi.
Sina de Caboclo, de João do Vale e Jocastro Bezerra de Aquino, com Nara Leão
Carcará, de João do Vale e José Cândido, com Chico Buarque
Peba na Pimenta, de João do Vale, João Batista e Adelino Rivera, com João do Vale
A voz do povo, de João do Vale, com Paulinho da Viola
Coroné Antonio Bento, de João do Vale e Luiz Wanderley, com Tim Maia
O canto da ema, de João do Vale, Ayres Vviana e Alventino Cavalcanti, com João do Vale e Jackson do Pandeiro
Na asa do Vento, de João do Vale e Luiz Vieira, com Caetano Veloso
Pipira, de João do Vale, com Nara Leão e João do Vale
Estrela miúda, de João do Vale, com Amelinha e João do Vale
Fogo no Paraná, de João do Vale, com João do Vale
Xote melaubico, de João do Vale, com Marinês

Quem ouvir, verá!

Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas as quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri
Apoio. CCBN

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

ARTE POSTAL


Um poema de Geraldo Urano



me bote no seu álbum
sou uma rosa entre os espinhos
me marque no seu calendário
não sou um dia triste
sou festa
festa grega e pagã
riqueza é coisa tão feia
fique com o meu avião
pobreza não é brincadeira
felicidade então
é sua mão na minha mão
abra essa sardinha
liberte esse cardume
essa coisa de ciúme
não vale a pena não


Visite o blog sobre Geraldo Urano: blogvagalumes.blogspot.com

POP ART...WILSON BERNARDO.

A ARTE DO VARAL E A SEDUÇÃO DO CORPO NA ALMA...


WILSON BERNARDO(Fotoartgraficas)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Com muitas histórias de sexo, drogas, ocultismo, brigas e, claro, rock, biografia detalha a carreira do Led Zeppelin

Led Zeppelin - Quando os gigantes caminhavam sobre a Terra, de Mick Wall. 552 páginas. Editora Ousse. Tradução de Elvira Serapicos. Preço médio: R$ 99.

Lúcio Flávio

Nas primeiras semanas de 1968 o guitarrista Jimmy Page e o empresário da banda Led Zeppelin, Peter Grant, desembarcaram em Nova York. Levavam na bagagem nove faixas de um disco que acabara de ser gravado (e que viria a se tornar o primeiro álbum do grupo, intitulado apenas de Led Zeppelin), em Londres, no estúdio Olympic, e a esperança de contrato com uma grande gravadora norte-americana. Uma bela tarde, quando os dois andavam de bobeira pela Quinta Avenida, uma limusine parou ao lado deles. De dentro, vestindo um smoking e acompanhado por uma mulher belíssima saiu Burt Bacharach, admirador de Page desde os tempos em que o compositor trabalhou na trilha sonora do filme Cassino Royale (1967). A passagem ilustra a importância e o prestígio de um jovem artista que, já aos 24 anos, carregava nos ombros a responsabilidade de ser uma das mentes criativas do grupo que agitaria o cenário musical na década seguinte.

Surgido das cinzas psicodélicas do Yardbirds, grupo de rock dos anos 1960 que teve entre seus integrantes nomes como Jeff Beck e Eric Clapton, além de Page, o Led Zeppelin entra em cena naqueles loucos anos como a personificação perfeita de Quando os gigantes que caminhavam sobre a Terra. A referência é o subtítulo da biografia da banda que acaba de sair pela Larousse do Brasil e intitulada simplesmente de Led Zeppelin. Escrito pelo jornalista e radialista britânico Mick Wall, o livro promete ser o mais completo que já saiu sobre o assunto.

"Para um leitor maduro, nenhum desses livros que já saíram sobre a banda conta nada real, complicado ou verdadeiro. O meu mostra tudo sobre as garotas e as drogas, é claro, mas sobre as outras coisas também. O meu é o único livro que revela qual é a verdadeira história e como é trágica a verdadeira trajetória do Led Zeppelin", polemiza Wall, em entrevista por e-mail ao Correio. A novidade fica por conta das interferências ficcionais do autor (para narrar os flashbacks), segundo ele, uma tentativa de humanizar os quatro semideuses que subiam ao palco. "Eram pessoas que cometiam erros, mas também capazes de fazer coisa incríveis", separa.

Para ler a matéria completa, clique AQUI.

Fonte: Correio Braziliense

EM CARTAZ: "A COMÉDIA DA MALDIÇÃO"



JANEIRO DE 2010

DIAS 06 (qua) e 07 (qui), às 19h30min
DIA 09 (sab), às 17h e 20h (duas sessões)
LOCAL: Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) - Juazeiro do Norte-CE

DIAS 12 (ter), 13 (qua) e 14 (qui), às 19h
LOCAL: Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) - Sousa-PB

DIA 28 (qui), às 19h
LOCAL: Teatro Violeta Arraes - Casa Grande - Nova Olinda-CE

ENTRADA GRÁTIS - INDICAÇÃO: 12 ANOS


SINOPSE:


Num pequeno povoado do interior nordestino, a linda jovem Ana Expedita, louca de paixão pelo Vigário Felizberto, vale-se de uma infalível simpatia para conquistar o coração do amado: serve-lhe café coado no fundo da calcinha. Com ele amancebada, é condenada à terrível maldição de virar Mula-sem-cabeça.

Sabendo da desgraça da filha, a rica viúva Fantina encarrega os homens da cidade da tarefa de descobrir como desfazer o encantamento e ganhar muita riqueza. É aí que Tandô, antigo namorado da viúva, se transforma em herói! Mas a menina não podia ver batina e...


ELENCO:


Cacá Araújo: Tandô
Carla Hemanuela: Zulmira e Mãe Luzia
Charline Moura: Irmã Francilina e Ladra
Jardas Araújo: Cantador
Jéssica Lorenna Gonçalves: Cibita
Joênio Alves: Dono da Bodega
Jonyzia Fernandes: Ana Expedita
Joseany Oliveira: Beata Carmélia e Leide Zefa
Josernany Oliveira: Brincante da Mula
Márcio Wilson Silvestre: Vigário Felizberto
Orleyna Moura: Viúva Fantina
Paulo Henrique Macêdo: Fotógrafo Jorjão
Tio Bibi: Padre Sebastião

MÚSICOS:

Lifanco (Violão e Viola)
Walesvick Pinho (Percussão)
Vinicius Pinho (Percussão)


TÉCNICA:


Texto e Direção Geral: Cacá Araújo
Assistência de Direção: Orleyna Moura
Cenografia: Artesão França
Sonoplastia: Cacá Araújo
Iluminação: Danilo Brito
Maquiagem: Carla Hemanuela e Joênio Alves
Figurino: Orleyna Moura e Carla Hemanuela
Guarda-Roupa: Luciana Ferreira
Operação de Som: Lillian Carvalho
Operação de Luz: Danilo Brito
Pesquisa e Arranjos Musicais: Lifanco
Produção Executiva: Mônica Batista
Produção Geral: Sociedade Cariri das Artes

ESTE ESPETÁCULO É PARTE DO PROJETO CENA BRINCANTE, DESENVOLVIDO PELA SOCIEDADE CARIRI DAS ARTES /CIA. CEARENSE DE TEATRO BRINCANTE – PONTO DE CULTURA DO BRASIL, COM PATROCÍNIO DO MINC/GOVERNO FEDERAL, SECULT/GOVERNO DO CEARÁ E SECULT/PREFEITURA DO CRATO

SOPA DE LETRAS



A fatoração existencial de Matriuska

São poucos os títulos de livros que se permitem ao mesmo tempo a secura e o êxito. “Matriuska” é um deles. Esse é o título do livro de contos do caririense Sidney Rocha, cuidadosamente editado pela Iluminuras. Eis um sítio arqueológico encravado bem no meio do deserto cotidiano das altas tecnologias de mercado. De dentro dos dezoito pequenos contos brotam mulheres únicas, mas uma como contigüidade da outra, e todas carnavalizadas diante do inusitado que é o des-significado da vida.

A linguagem de Sidney Rocha é absurdamente adulta, adúltera, adulterada. A descontinuidade; a fragmentação; a vertigem; o desvão; o abismo; a circularidade dos labirintos; a plenitude do asfalto; a exoneração categórica do compartilhamento dos armários de rodoviária; a solidão esquizóide de uma camisinha desencolhida pela descompressão de um saco de lixo; a inutilidade premente e sem culpa da última vulgata desapropriada pelo sagrado em rota de fuga; e muito mais, além do fetiche, é claro, fazem parte do universo literário que brota aos punhados nos contos de “Matriuska”.

A sintaxe particular de Sidney Rocha na realidade não é única, ela é um desdobramento arquitetônico em fluxo que atravessa também a sintaxe de uma gama de outros desconstrutores, tais como, entre tantos, Robbe-Grillet, Claude Simon e Philippe Sollers. Mas, o que de fato isso importa? Nada. Mesmo porque a abordagem temática é outra e as intenções de descarnar o enredo até o osso passam necessariamente por outras vias. Restam aí, pois, a esfinge das pequenas narrativas como texturas refinadas da grande história e a dessacralização da eloqüência temática como fonte única da grande literatura.

O tema recorrente de “Matriuska” é a inserção da mulher no seu cotidiano, sem afetações heróicas ou humanistas. São sonhos, desilusões, desejos e fetiches, expostos sem truques teatrais ou arcabouços monumentais. Apenas o ser e o estar, sem maquinações de laboratórios ou defesas brilhantes de teses que não servem absolutamente para nada. A ambientação é urbana. Demasiadamente urbana. O livro tem cheiro de ferro, aço, vidro, plástico e asfalto. A cor predominante é o cinza chumbo do concreto. As arestas, as janelas, o riso tímido e os ruídos, ficam por conta do imenso tráfico de humanidade que existe em cada metrópole, mesmo que a província esteja registrada na carteira de identidade.

O sotaque de Sidney Rocha é extremamente simpático e envolvente. Suas pequenas histórias são rápidas, mas são duradouras. São novas trilhas abertas nesse emaranhado literário contemporâneo. São contos pequenos na quantidade de linhas, mas são enormes em seu feitio artístico. Nem os maneirismos de vitrine, as soluções programadas dos Best-sellers, os mistérios cinematográficos e nem as patéticas claquetes da chamada cultura alternativa você encontrará aqui. Também não espere a natureza ser salva, a corrupção ser extinta, o capitalismo ser desmascarado, o povo ser celebrado através do resgate das raízes culturais. Muito menos a confissão mirabolante dos sete anões no caso de estupro da panaca branca de neve.

Sugiro que a sua leitura comece exatamente pelo conto que dá título ao livro, exatamente na página 23. Quando a personagem começa retirar da bolsa todas as suas importâncias, o leitor é apresentado a um escatológico desfile de objetos e fetiches. Eis o valor de uma lembrança. Eis o ser inserido em sua significativa insignificância. É só um lampejo. É só um fôlego. A partir daí, então, você terá um universo inteiro aos seus pés, pois literalmente o seu mundo será colocado de cabeça para baixo. Esse é um livro próprio para quem tem o hábito da leitura. Mais definitivamente: é um livro impróprio para quem não largou o hábito e vive de antigas sagrações

"rito de passagem"


Por Aeronauta

Ontem alguém me perguntou "onde passei a ilusão". Tranquilamente respondi "passei em casa". Não quis alongar-me na conversa (ultimamente ando com muita preguiça), mas passagem de ano é tudo, menos ilusão. O imaginário coletivo já cunhou há muito tempo no mundo esse símbolo: não como há retirá-lo de nossa psique. Portanto, é um recomeço, não tem jeito. A ilusão, acredito, está na repetição dos festejos - que, como todo lugar comum, perde a força. Hoje tenho o maior constrangimento em desejar feliz 2010 a alguém: não acredito na frase, apesar de desejá-la verdadeira; a frase nega a veracidade de minha alma. A frase banalizou-se, virou comércio. O que fazer, meu Deus, com meus sentimentos? Quais palavras dirão ao menos um pouco deles? Nenhuma palavra conseguirá. Por isso fiquei muda nesses dias. Fiquei muda, sem uma palavra que significasse o símbolo - o símbolo, pois não há como retirá-lo de mim. Claro, é recomeço; e não é só o calendário proclamando isso, é minha alma muda.

Porém, como todo recomeço, é recheado de repetição. Afinal tudo se repete... Ser condenado a se repetir, a tomar banho todos os dias, a comer todos os dias, a dormir todos os dias... essa coisa cíclica é um filme de terror. Conheço todos os caminhos da segunda, da terça, da quarta, de janeiro, fevereiro, março... Mas minha alma insiste no símbolo. O símbolo da transfiguração, da mudança, do divino. Nunca nem vi alma do outro mundo, mas intuo. Intuo constelações de felicidades amenas em outras almas que vejo, por aqui mesmo. Acredito, ah, acredito na felicidade. Há coisa mais piegas?, Acreditar na felicidade? Há coisa mais grave? É tudo mentira, eu sei. O que ainda não aprendi é rastrear com acuidade e inteligência essa mentira.


Não se iluda, a vida dos seres humanos, tanto na dimensão coletiva quanto na individual, é sempre montada sobre um mito, sobre uma lenda, sobre uma mentira, enfim. (Juan José Millás, in "Laura e Julio")



Imagem: "Fada da ilusão"-MysticalBlessing-2000, por tatinha2007.
(http://www.flickr.com/)


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Quase noite no Umari - Por Emerson Monteiro

O enquadramento

Por três dias seguidos
a cabeça de Alomar está exposta
naquela estaca indefesa para
a maldição dos segredos
a retórica retorcida das moscas
incomoda menos do que
aqueles olhos abertos por três dias

Não as intumescidas eternidades
não os apanágios sobre a dor
nem as ataduras turvas da história
ou até mesmo o silêncio tênue
que envolve a música do universo
o que mais importa agora é o
que aqueles olhos viram por último

Por três dias seguidos
olho para o rio e suas águas lentas
espero pacientemente pelo pintor
que vai aprisionar a multiplicação
dos punhais e dos alvos varais
por três dias seguidos minha
covardia escorre naquela estaca

domingo, 3 de janeiro de 2010

cartum por GAHAN WILSON


O nascimento dos humanos

Luiz Domingos de Luna*

O cheiro dos seres humanos é algo muito forte, via de regra, usamos os nossos sentidos como janelas para o mundo exterior, de fato, a silhueta do homo sapiens corrobora para a exteriorização do nosso ser, nós somos meros captadores e consumidores de meio externo, há sempre um preocupação exagerada com a exterioridade, até parece que esta preocupação está timbrada no nosso DNA, em prosseguimento, as formas sociais vão desenhando o espaço pensamental de cada um, vivemos numa eterna fábrica de seres humanos, ou desumanos, pois o circulo cultural permeado em cada um tem um potencial modificador, capaz inclusive, de mascarar o direcionamento biológico.

O Contrato Social é a base, ou motor primeiro, para a harmonia do homem no espaço tempo vez que, um contrato obsoleto cria masmorras para sociedade, ou presilhas inoportunas, que inviabilizam a harmonia na floresta humana.

O Nascimento pleno do ser humano surge quando ele é capaz de colocar a sua objetiva para o seu interior, observar que o disforme social, é uma coletânea dos disformes individuais que, a elasticidade do tempo, esta geléia vai ganhando corpo, solidez e unicidade. É este monstro que assusta a sociedade e a coletividade humana como um todo.

Falta ao ser humano o pigmento radioativo do bem comum em todas as suas dimensões, desde o menor tecido sociológico ao maior.

Enquanto não existir um contrato social que dê a legitimidade, a legalidade das forças internas presente em cada um para a disposição da aptidão do estar sempre a serviço do bem comum, por que no final das contas somos a massa humana planetária em movimento num carrossel giratório na roldana deste tapete tortuoso – todo planeta sofre, se abala e chora.

(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora -CE

Caim




03/01/2010 - 10h00


José Saramago revê o Velho Testamento sob ótica irônica e ferina em "Caim"

MARTA BARBOSA
Colaboração para o UOL


Em "A Viagem do Elefante", lançado em 2008, José Saramago já demonstrou estar em ótima forma literária, após superar uma doença respiratória gravíssima e ser desacreditado por médicos e leitores. Agora, com "Caim" (lançamento da Companhia das Letras), o escritor português prova ser capaz de manter o ritmo. Em que pesem as comparações com "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", considerada uma de suas obras primordiais, "Caim" acrescenta muito à biografia do vencedor do Nobel de Literatura de 1998.

Comparar o novo livro de Saramago com "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" é natural. Nos dois trabalhos, o autor português dá sua interpretação da Bíblia. Primeiro, foi o Novo Testamento. Agora, é sobre o Antigo Testamento que Saramago exercita as possibilidades narrativas. Reconta, ao seu modo irônico e com um requintado humor, histórias que vão do jardim do Éden ao episódio do dilúvio.
Começa com a expulsão de Adão e Eva do paraíso. E desde já fica claro que o Deus de Saramago não é nenhum velhinho benevolente a passar a mão carinhosa na cabeça de seus filhos. Ao contrário, o que se vê é um Deus teimoso, cheio de caprichos e disposto a qualquer absurdo como prova de fé e obediência de suas criaturas.
Caim, o primogênito de Adão e Eva que matou o irmão Abel, é o personagem central da trama. O assassinato do irmão é o ponto de partida desse anti-herói que, com boa retórica e uma capacidade de interpretar os fatos que muito se aproxima do próprio Saramago, consegue que o todo-poderoso reconheça sua parcela de responsabilidade no impulso que o levou a matar Abel.
Diante do corpo ensanguentado e coberto de moscas de Abel, Caim e Deus travam uma disputa verbal deliciosa de se testemunhar. E assim segue ao longo de todo livro: criador e criatura em pé de guerra, numa peleja em que o que está em jogo é nada menos que a humanidade.
"Matei abel porque não podia matar-te a ti, pela intenção estás morto", diz Caim, ao que responde Deus: "Compreendo o que queres dizer, mas a morte está vedada aos deuses". Numa espécie de acordo de recompensa e castigo, Caim é marcado na testa e condenado a andar "errante e perdido pelo mundo" até o fim de seus dias - o que não será logo, já que aquela marca é o sinal de que ninguém o poderá matar.
Ali começa a longa jornada de Caim, que passa do presente ao futuro, testemunha fatos que ainda vão acontecer, volta ao passado e garante um tempo literário ágil e moderno. Sua primeira parada (também a mais longa e marcante de sua interminável trajetória) é na terra de nod, uma cidade em construção. Ali, Caim vira pisador de barro, é elevado a porteiro do quarto da dona que governa tudo aquilo e acaba como amante da dona do lugar, Lilith.
Mas, como é seu destino, Lilith fica para trás, e Caim retoma sua interminável viagem como testemunha das obras e do poder sufocante de Deus. Vê a destruição de Sodoma e Gomorra, o assalto a Jericó, conhece Abraão a quem Deus ordena o sacrifício do próprio filho, participa da construção da arca que salvará a humanidade do dilúvio, junto a Noé e sua família.
Dotado de um sombrio pessimismo de quem é condenado a ver o inenarrável, Caim encontra uma maneira de punir a divindade que odeia. Aproveita um descuido de confiança do dono do mundo e se vinga à altura daquele que, só por ser Deus, governa "a vida íntima dos seus crentes, estabelecendo regras, proibições, interditos e outras patranhas do mesmo calibre".
NarrativaComo já de costume, Saramago surpreende em "Caim" com sua prosa moderna, musical, quase sem pontos finais. Os nomes próprios não têm iniciais maiúsculas, e os diálogos estão separados por vírgulas - o intervalo breve que garante agilidade ao texto.
Mas o que fica mesmo de "Caim", e faz a gente ler economizando as páginas, com vontade que não chegue a número 172, é a incrível capacidade de Saramago de fazer de uma velha uma nova história. De recontar com encanto o que todo mundo já conhece, mas de outro jeito. Sem perder, claro, sua cruel veia irônica, nem seu talento de expressar com humor negro uma realidade.
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"CAIM"Autor: José Saramago


Editora: Companhia das Letras


172 páginas


Preço sugerido: R$ 36,00

sábado, 2 de janeiro de 2010

o ânus que faremos contato


A verdade é que eu gostei pra caralho do texto de marcos lobisomem. Daí, que resolvi subir no estribo do texto (dele), e dar uma arregaçada. Talvez porque não tenha dinheiro ainda pra comprar uma ilha, porque é isso que Arnaldo Antunes ta me dizendo agora. Ou talvez porque eu ache simpático isso de discutir em cima do prato servido do óbvio. Ou então porque eu esteja esperando ver um riso na cara que nunca vi do cidadão Zé do vale (que aprendi a gostar lendo, e não vendo). Começarei então. Pelo número? Gosto de números pares: 2010. vinte dez. doismiledez. A porra do mundo era pra ter acabado em 2000, mas os imbecis dos caras que adivinham nunca adivinham. Penso em Orwell, que imaginava o mundo com big brother em 1986. A merda do mundo não acaba nunca... nem pra Orwell, nem pra mim, nem pra segestes Tocantins, que provavelmente continua gerenciando putas em um beco maldito de juazeiro do norte. Ele está certo. As putas estão certas. Qualquer pessoa e qualquer coisa estão certas, nem que seja pra elas mesmas, ou eles. Mas o que posso fazer? Promessas para um novo ano então. Caralho... esqueci de pagar a conta de luz, de água... tudo coisa do ano passado. Saca? Eu saco: o passado me persegue. Com meus fantasmas, minhas contas, meus cabelos brancos, meus pensamentos broncos. Então, como anarquista anacrônico que sou, eu digo: nunca votei em filho da puta nenhum, por isso, não votei em lula. Então não encham meu saco todas as vezes que ele falar errado, que alguém perto dele roubar alguma coisa, quando flagrarem o digníssimo com um baseado na boca simpática. Então eu digo mais: gosto de substâncias ilícitas. Como assim? Namoro uma mulher bem bonita que gosta de maconha, eu, gosto – como gostava Renato russo – de química: anfetas coloridas, cocaína pouco batizada e outros quejandos. Quer saber? Não me aconselhe. Não diga que eu sou responsável pelo aumento da criminalidade, não venha de capitão nascimento que eu resolvi que não vou atender. Vou continuar fazendo, cheirando, fumando, bebendo e assistindo a TV globo. É tudo droga, eu sei. Então? Deixa quieto. Mas eu fiz promessas porra: ser gentil, ou então comprar um revólver. Parar de fumar quando os carros não estiverem mais fodendo a camada do Sr ozônio. Acreditar, e votar nos políticos quando eles estiverem ganhando o mesmo salário que eles votam pros trabalhadores. Malhar em academia quando eles inventarem um aparelho pra aumentar meu pau ou meu cérebro (se for os dois, melhor). E também prometi abraçar meus amigos quando os encontrar. E faço questão disso. E de ser menos rude, de fazer mais uma meia dúzia de amigos, de ganhar mais dinheiro de forma lícita, ou, se der, participar de uma falcatrua milionária. De ajeitar meu fusca pra ele ficar ducaralho. De passar uns dias no Crato e abraçar Rafa, Salatiel, se der sorte: Calazans, Igor, Lobisomem, de comprar uma garrafa de chá de flor original. Mas falando sério? Eu queria em doismiledez ver um terrorista estuprar o papa bento 16. José Serra ser declarado uma calamidade pública. Marina silva na presidência. Dihelson prefeito do Crato e João do Crato secretário de cultura. Que a maconha fosse discriminalizada, e colocada a disposição da merenda escolar. Quero que caia chuva onde precisa. E que as pessoas descubram que nossa vida é curta, e bela, e linda, e única. Quer saber? Eu gosto é de sonhar. De beber cerveja. E de saber que depois da segunda feira, se a pessoa tiver paciência, vem sempre uma sexta cheira. E para completar ou inteirar ou deixar menos claro o que nunca foi: Wilson Bernardo para presidente do meu país imaginário. Hino de pachelly. Locução de salatiel. E ruas sem portas, e portas sem cidades, e cidades onde a primeira e a última regra seja sorrir. Porque alguém que sabe mais que eu um dia disse: a alegria é a prova dos nove. E viva 2010. e foda-se 2010. e tenho dito.

Parla!

Pois é , amigos ouvintes, após o capão minguado do Natal, a Cidra espumante nos copos descartáveis , o ribombar das bombas rasga-latas, os presentinhos (de coração) do “Mundão do Real” e os abraços e preces dos familiares , eis , por fim, que mergulhamos nas esperanças de 2010.O ritual de passagem adocica um pouco o amargor passado e entreabre no nosso espírito as venezianas para um novo tempo. É como se passássemos o apagador no quadro negro e o deixássemos virgem , ávido por novas aquarelas. As mãos cerradas durante todo o ano se abrem para o aperto fraternal, os cenhos graves desarmam-se. Todos, de alguma maneira, descobrem a mágica possibilidade do recomeçar. Termina-se por se fazer também um balanço de cada vida, computando-se perdas e receitas, não na área financeira, mas na nossa fina contabilidade interior. Aprende-se com as derrotas , é certo, mas antes de tudo, a passagem de ano administra-nos o bálsamo encantador do esquecimento. O passado cai em exercício findo e esvai-se perdido na sua implacável imutabilidade. O Ano que se inicia surge, sempre , brilhante à nossa frente, como um eldorado perfeitamente visível e alcançável.Esmaecem-se as agruras passadas, as decepções , os devaneios antigos, as ilusões plantadas no inverno anterior e que feneceram antes da colheita prevista. A vida apresenta-se adiante como uma massa de moldar esperando que nossas mãos sábias lhe dêem a forma e o sopro criador: “Parla !”
Este ar de início de jornada, propiciado pelo Ano Novo, torna o caminho cheio de surpresas e expectativas. Talvez, seja por isso mesmo, que medram, nesta época, as pitonisas, os videntes, os Nostradamus. Todos se arvoram de adivinhadores, como se fosse factível prever o destino de um sem número de estradas possíveis que serão abertas , pouco a pouco, por incontáveis operários , através da vária lâmina do sonho e do volúvel gume da vontade humana.Alguns ficarão inevitavelmente à beira do caminho, poucos atingirão a meta traçada e a grande maioria aguardará outros anos e outros recomeços: esta é a única previsão infalível para 2010.
O mais importante de tudo : não perder a dimensão do ritual. A essência da vida resume-se no sonho e não no despertar.O encanto da procura é bem mais completo que a visão efêmera e orgásmica do encontrar.No fundo , talvez, a existência seja apenas uma quimera, um simples devaneio, um sonho com suas fantasias , seus fantasmas, suas oníricas alegrias , vezes com seus pesadelos tremendos e que acaba quando nossa bêbada individualidade se mescla à força sonhadora de toda a natureza. Aí sonharemos junto com todo o universo.

J. Flávio Vieira

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Carreta do Padre Cícero



Um projeto do articulador da Secretaria de Cultura de Juazeiro do Norte, Aloízio Néri Filho, vai divulgar o Centenário de Juazeiro do Norte. A “Carreta do Padre Cícero” vai percorrer todos os estados do Nordeste levando um museu itinerante, galeria de fotos da cidade e sua história, documentários e shows com artistas juazeirenses. O projeto, autorizado pelo prefeito Manoel Santana, vai adquirir um caminhão e uma carreta, além de dois carros de apoio. A boa notícia é que os recursos para viabilização da “Carreta do Padre Cícero” será conseguido junto á iniciativa privada. O projeto está orçado em quase R$ 900 mil e será conseguido junto a empresas e instituições que receberão a visita de uma comissão formada pelo próprio prefeito e membros das secretarias de cultura e de turismo.

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