TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Quando os artistas se encontram...

Ontem, dia 05 de fevereiro, Luis Carlos Salatiel e Carlos Rafael fizeram uma visita a Jacques Daniel Bloc Boris, com a finalidade de conhecerem os trabalhos do artista plástico.
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Jacques, através da influência do pai - Hubert Bloc Boris - desde cedo mostrou pendores para o desenho, depois pintou telas (óleo) e finalmente há uns 3 anos iniciou-se em trabalhos artesanais com cerâmica e MDF (madeira prensada).
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Jacques é autodidata. Desenha seus modelos ou atende ao gosto de quem o procura para trabalhos que resultam em arranjos harmoniosos...
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A entrevista é de Salatiel, portanto fico apenas com o "esboço" através das fotos.
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Jacques (Daniel) Bloc Boris - em "aquarela"

Jacques sendo entrevistado por L. C. Salatiel

Salatiel - o mestre na Arte

O objeto de Arte

Carlos Rafael em processo de arte e o entrevistado

A amostra da Arte e os artistas

by Claude Bloc

Coluna CARIRI por Tarso Araújo - "O POVO", 7/2/2010

Cariri
Tarso Araújo
CRESCIMENTO VERTIGINOSO
O Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, de Juazeiro do Norte, encerrou 2009 com aumento de 45% na demanda de passageiros em relação a 2008. Foram 247.696 embarques e desembarques. Com esse resultado, o aeroporto da Região Metropolitana do Cariri se consolida como um dos que registra maior crescimento na rede Infraero. O aeroporto também obteve incremento no número de pousos e decolagens: 5.339 em 2009 contra 4.517 em 2008. Entre os 50 maiores aeroportos brasileiros, o crescimento do aeroporto de Juazeiro do Norte em 2009 só foi suplantado pelo de Campinas (SP) e o Navegantes de Itajaí (SC). O terminal aéreo de Juazeiro do Norte ultrapassou o Aeroporto Internacional de Boa Vista, capital do estado de Roraima.

AQUÉM DAS NECESSIDADES
Segundo o superintendente da Infraero, Roberto Germano de Souza Araújo, um dos motivos apontados pela administração do Aeroporto Orlando Bezerra para o crescimento do movimento é o turismo religioso. “A cada ano, as romarias atraem mais e mais devotos. Além disso, Juazeiro do Norte está inserida numa região industrial e possui várias universidades”, Ainda de acordo com o superintendente, a administração do aeroporto tem acompanhado o crescimento da região para atender à demanda local. Menos, menos. Atualmente, o aeroporto juazeirense vira um caos na hora do embarque/desembarque dos passageiros.

ANDAR COM FÉ
Disparadamente, Juazeiro do Norte foi a cidade brasileira onde as relíquias de Dom Bosco receberam maior número de visitas. A Terra do Padre Cícero (além dos 245 mil habitantes residentes na cidade) registrava (no dia da chegada das relíquias) com uma população visitante de cerca de 200 mil romeiros que vieram para a Romaria das Candeias. A previsão dos padres salesianos é que a devoção a São João Bosco agora vai se espalhar pelas cidades do interior nordestino, onde residem os habitantes da nação romeira.

HAJA PÉ-DE-JOÁ
Durante a Romaria das Candeias foi iniciada a distribuição de mudas da árvore Juazeiro ((Ziziphus joazeiro), também conhecido com pé-de-joá, escolhida como símbolo do Centenário de Juazeiro do Norte. Cerca de três mil romeiros receberam as primeiras mudas. Trata-se de iniciativa da Comissão Organizadora do Centenário de Juazeiro do Norte que prevê a distribuição de um milhão dessas mudas para lembrar o Padre Cícero e permitir que o sertão nordestino ganhe um milhão de novas árvores...

CURTAS
> A Congregação dos Camilianos, administradora do Hospital São Francisco, conseguiu um tento: reconstruiu a Maternidade de Crato dotando-a de modernos equipamentos.

> Na última sexta-feira, o governador Cid Gomes apresentou, no Memorial Padre Cícero, projeto do Banco Mundial e Estado para investimentos nos nove municípios da Região Metropolitana do Cariri. Tudo orçado em R$ 132 milhões.

> A Escola de Artes Violeta Arraes permanecerá em Barbalha. O município avançou nas negociações junto ao Governo no sentido de que seja construído um prédio para abrigar a Escola de Artes, a qual, provisoriamente, poderá usar as instalações da Escola Senador Martiniano de Alencar.

> Nada como o tempo. O jovem empresário cratense tem uma postura diferente do antigo. Por exemplo: reconhecem a importância da Igreja Católica no desenvolvimento do Cariri e consideram a diocese de Crato como parceira no crescimento da conurbação Crajubar.
> O Cariri vai ganhar nova rodovia. Trata-se da estrada que irá interligar o município de Caririaçu à BR-230, próximo a Lavras da Mangabeira, dentro da futura Estrada Padre Cícero.

ARTE POSTAL


Pleiade

Quantas vezes tu tombes
outras tantas te levantes
o tempo é indefinido
enfermo agora
amanhã um cínico.

Não esperes que te digam
que tua maçã é podre:
cabe aos teus dentes
a dentada.

Quantas vezes morras
outras tantas renasças
a vida é uma argola
no lóbulo da orelha
de uma mulata:

e olha como se requebra
nossa alma.

Flashs do Show MUSI(CA)MINHOS de Pachelly J. por: Luis Carlos Salatiel

Só agora pude edita-las:
Obrigado Luis, pelas preciosas imagens e pela sua participação descontraída!




sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

LIVRO DE GERALDO ANANIAS



As portas do dia - Por Emerson Monteiro

Às notas suaves de uma canção francesa que invadem o espectro grandioso da manhã seguem-se-lhes cantos de pássaros nas mais altas árvores próximas, enquanto os primeiros caminhantes deslizam a sonolência da véspera na faixa estreita que habita o trecho entre a imaginação e o colostro do alvorecer. Orvalho tímido reflete nos seus espelhos côncavos os primeiros raios do sol em forma de arvoredo, nas bordas laterais dos caminhos. Cedo rangem as tábuas das largas portas do dia. Quais pensamentos irrequietos, as borboletas brincam no rendado verde das encostas, quais lampejos experimentais de um pintor imaginário a sacudir de seus pincéis embebidos na tinta o azul bem terno do céu.
Nuvens em fiapos escorregam junto dos bichos que apeiam das árvores para somar no meio das coisas do chão
Uma história que preenche o vazio de tudo escrito nas folhas da mata, no trinado de insetos e latidos de enlanguescidos cães.
Os detalhes sincopados aos poucos surgem dos sonhos e formam a cena. A saudade das estrelas que dormiram há instantes, os retalhos do escuro que esclareceu de ruídos acordados a fimbria avermelhada do horizonte, animais friorentos, umedecidos nas gotas de chuva da véspera, flores minúsculas, filão adocicado nos lábios de amores enigmáticos, quase feitiço de casebres distantes, de cujas chaminés escapam os algodões das mesmas nuvens esfiapadas nos arames das cercas aveludadas de melão de são caetano.
Interrogações aprofundadas na pele dos gibões de couro no lombo dos velhos burros de carga em rumo das ruas da feira. Trilhas corridas, marcas de cicatrizes na melodia dos boleros guardados no coração dos personagens, no drama da vida.
Quadro pousado no resumo da paisagem durante o intervalo das cartas atiradas ao vento, realejo sofisticado, turmas barulhentas de pequenos exemplares de novas espécies inexistentes, ondas turvas e filamentos de nervos rasgados no róseo nascente aparecido de surpresa.
Nisso, lembrança forte do encontro guardado de corpos nas águas do riacho risonho no declive erótico da serra. Lábios carnívoros ferozes e cristalinos a saborearem os nacos apetitosos do prazer maravilhoso de melhores espetáculos possíveis entre dois seres.
Quantas impressões da viagem resistiram ao tempo do sobrevôo ao silêncio do coração de cada um, dosagens inesperadas no encaminhamento das páginas; lua transparente no rabisco da colina, calma estonteante das pautas musicais que escalonam o espaço e invadem a ramagem em volta.
Ímpeto de querer achar o ritmo da sinfonia das horas ao abrir intenso das folhas do palácio da natureza, de manhã cedo, saltos de pulsares e murmúrios de vontade no fio que tece a história de todos nos bilros do mistério persistente.

cinco mulheres solteiras

Certamente mulheres se preparam
para a balada:

risinhos diabólicos
ruídos de escova elétrica
ecoam do apartamento no terceiro andar.

Segundo meu filho,
moram cinco mulheres solteiras.

Qualquer noite levo minha xícara
com uma rãzinha dentro.

Basta um susto,
para que pulem aos meus braços.

Se não funcionar,
arrasto meu pequeno
com o rosto pintado
de bolinhas vermelhas.

Com ar de pai preocupado,
peço-lhes emprestado o termômetro.

"tenho medo que seja sarampo..."

É batata.

Não há mulher que resista
a um garotinho de oito anos com sarampo.

O VÔO DO URUBU E OS AVIÕES DE FLANDRES.

Na nossa criancice era comum a gente ser indagado pelos pais sobre os nossos projetos para o futuro, fazendo-nos, assim, quebrar o encanto e a fantasia da nossa infantilidade:
– O que você quer ser quando crescer?
As nossas respostas quase sempre agradavam aos desejos dos adultos que nos cercavam ávidos por ouvir dos filhotes palavras que soavam como música:
- Doutor ! Engenheiro! Advogado! Padre! Bancário do Banco do Brasil! Todos batiam palmas. Ninguém podia cair na besteira de dizer que queria ser artista porque sabia do risco de levar umas palmadas.
Eu conheci um menino, irmão mais novo de um amigo, que quando foi estimulado a pensar sobre o futuro brilhante que o aguardava surpreendeu a todos com a resposta mais improvável:
-Quando crescer eu quero ser um urubu.
A platéia silenciou. Uma tia mais compreensiva tentou uma explicação.
- Ele quer ser é padre, não é Guézinho.! O padre veste batina preta e ele está confundindo com um urubu.
O menino não arredou pé e confirmou aos gritos:
-Eu quero ser um urubu, mesmo!!!!
A avó, carinhosa, quis saber o porquê daquela escolha tão estranha e recebeu nova resposta:
-Eu quero ser um urubu pra voar. Eu quero voar como voa o urubu!
Alguns anos se passaram.
Fora da cidade, na zona rural, outro garoto de uns sete anos estava semeando uma roça de milho e feijão com os pais porque as primeiras chuvas de janeiro anunciavam um bom inverno. Lá pra de tardinha ouviu um som estranho que parecia vir do céu. Tirou o chapéu de palha amarelado e olhou pro alto do céu que já se avermelhava. Avistou alguma coisa reluzente, brilhante que voava em linha reta como um estranho pássaro com as asas incandescidas pela luz do sol e que deixava no céu uma risca de fumaça. Curioso, chamou a atenção dos pais e apontou pro céu querendo saber sobre aquela estranha ave. O pai apenas lhe disse o que sabia: aquilo era um avião e que um homem comandava aquele vôo. O menino, hipnotizado, não tirou os olhos do céu até que a noite chegou.
Nos dias que se seguiram a curiosidade do menino, apelidado de Françui, só foi acalentada quando o pai trouxe da feira um recorte de revista com a imagem de um avião. Daí por diante o menino não parou de brincar com aviões que construía com gravetos do mato, com sobras de madeira e mais na frente com folhas de flandres.
Hoje, aos 68 anos, Seu Françui não parou de ser criança porque sonha ainda comandar um vôo solo em um daqueles aviões de flandres que se espalham no hangar em que transformou sua pequena casa na beira de um canal da cidade de Araripe, no Ceará.

SEU FRANÇUI MORA NO ARARIPE, É ARTESÃO E ESTÁ PREPARANDO UMA “FORNADA” DE AVIÕES PARA UMA EXPOSIÇÃO DO CENTRO DRAGÃO DO MAR, EM FORTALEZA.




Camaradas abrem inscrições para Grupo de Teatro

Estudar autores como Augusto Boal e Bertolt Brecht, teóricos do teatro engajado e poder fazer experiências teatrais utilizando-se dos espaços cotidianos da cidade é o intuito do trabalho do Grupo de Estudos e Experimentações Teatrais do Coletivo Camaradas, que será coordenado por Lilian Carvalho e Edival Dias.

A intenção é compreender o teatro engajado como estratégia de perceber a realidade de forma critica. Os estudos terão inicio a partir do dia 11 de fevereiro, a partir das 19 horas, na sede do Coletivo, localizado no Olhar Casa das Artes, na Praça da Sé no Crato.

O grupo não pretende apresentar espetáculos, mas propiciar momentos de fazeres teatrais na rua e com a participação da população.

Informações adicionais:
Edival Dias – 99615560
Lilian Carvalho – 88217970

Um fio de esperança


Pedro Esmeraldo

Pensávamos em construir no Crato um maciço de alvenaria que serviria de base com sustentação de paredes sólidas de um edifício social, modificando o pensamento humano com equilíbrio moral, transformando-o em palavras de solidez para que venham mais forças coesivas e transformem a sociedade num equilíbrio de emoção estável de união duradoura.

Gostaríamos de usar esse pensamento popular: “Quem quer ser grande, que nasça viçoso.” Isso vem prevalecer ao homem intolerante, que deseja subir de qualquer maneira, mostrando qualidades inadequadas e que não possui, “muitas vezes”, essas tais qualidades. Desejam subir à força para, no fim, desabar com pressa e cair no desespero.

É o caso de pequenos lugarejos que desejam elevar-se à categoria de cidade sem ter nenhuma categoria de florescer financeiramente.

Ontem mesmo, andando por arredores de um sítio pertencente a essa localidade deparamos com pessoas dizendo que não era de seu alvitre pertencer a essa população e deixar de ser cratense, uma cidade mais evoluída e avançada no seu progresso.

Saímos alegres com essas palavras, pois o nosso objetivo é trazer a união e distorcer a situação, transformando em uma grande vertente de povoação sólida, medindo bem-estar social e suporte financeiro permanente.

Certo dia, lendo as páginas da Revista Veja deparei-me com uma reportagem, dizendo a realidade do país. Não é à toa que ficamos perplexos quando temos conhecimentos de que cidades brasileiras, ainda não estão bem financeiramente, mas sabemos sem dúvida alguma que a dívida interna do Brasil alcança a cifra de Dois trilhões de reais e a coisa não é mole não.

Notamos que se não alcançarmos o equilíbrio financeiro de algumas cidades brasileiras e que ainda viverão sempre na pior situação, precisando constantemente da ajuda do Governo Federal. Ora meus amigos, neste caso, os pequenos municípios não tem suporte financeiro e trarão um aumento anormal dessa dívida pública. Não tem de jeito nenhum, condições de cumprir com os tributos, visto que o salário mínimo e as obrigações com o INSS não serão cumpridas a contento, aumentando plenamente a corrupção, quer política, quer eleitoral, e serão engolidos com o progresso dos grandes municípios.

Atenção pessoal pontaserrano: estamos na expectativa que nos compreendam e imitem o digno professor J. de Figueiredo Filho, que foi um grande defensor do Crato.

Crato, 05 de fevereiro de 2010.

Os Verdugos

Finjo não sentir
o enxofre pelas narinas.

Tenho nome de santo
mas o meu coração é indiferente:
corre sangue da pura melancolia.

Quem vence
com a minha morte?

Meus inimigos já deviam saber
que ao morrer deixo minhas botas.

E nem imaginam
quanta devoção lhes tenho.

Só haverá um vencedor
aquele que me torcer o pescoço.

Não sabem eles
que o meu silêncio lhes salva

e ainda lhes oferece
uma nova casa
todas as manhãs.

DO MEU RELICÁRIO


A foto acima é uma das que tenho e que, como tantas outras, faz parte de um tesouro pessoal.
E você, sabe quem são estes dois personagens que fazem parte do talentoso elenco da nossa revista CaririCult?

PARABÉNS, Monsenhor Ágio! Por Pachelly Jamacaru

PARABÉNS Monsenhor, a quem carinhosamente chamamos de Pe. Ágio! Que esta data se repita por muitos e muitos anos!





Fotos: Pachelly Jamacaru
"Direitos reservados"

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Alpinismos

De onde terá vindo, afinal, esta necessidade de observar o mundo dos píncaros? Sem quaisquer instrumentos disponíveis para ampliar a observação do mundo, além do olho nu, nossos antepassados escalaram montanhas e montes, talvez pela curiosidade de contemplar horizontes até então inescrutáveis. Do alto, quem sabe, seria possível perscrutar o universo em toda sua extensão! Por outro lado, a montanha sempre foi uma fábrica de mitos. O Olimpo era a residência dos deuses helênicos; as pirâmides egípcias, incas, maias e aztecas erguiam-se em busca dos céus; no Monte Arará, a Arca de Noé desembarcou a bicharada para reinício da obra da criação. Escalar o monte trazia não só a possibilidade de ampliar os limites físicos, mas trazia atrelada, uma força transcendental, uma aproximação com o sagrado . Do topo o homem mistura-se a deus, bebe nas fontes do divino.
A partir do Século XVIII, já em plena égide do iluminismo, o montanhismo começou a untar-se menos do ritualístico. Os homens abandonaram, aparentemente, seu caráter mais primitivamente sagrado e uma certa laicidade lhe deu características de esporte. Pouco a pouco, se tomou como desafio pisar em picos jamais alcançados anteriormente pelo pé humano. O Mont Blanc nos Alpes alcançado, em 1786, talvez demarque o ponto chave desta ânsia desbravadora , batizada de Alpinismo, que já se fazia presente desde os finais do Século XV. Em 1953, por fim, o Ocidente tocou o Everest, o teto da terra. Transformado em esporte, o montanhismo, no entanto, não perdeu de todo suas mitológicas nuances originais. Existe alguma coisa de radical , além da mera dosagem de adrenalina ,pulsando nas veias dos alpinistas.
Quando escalamos a montanha mais alta, no fundo, simulamos o nosso alpinismo vital. O pico parece inatingível. Pomo-nos a subir, lentamente, pedra por pedra, fincando grampos e pítons de segurança nas fendas disponíveis. Abaixo, a todo momento, o abismo ávido nos espreita. Existem muitos outros companheiros de escalada, mas cada um segue seu caminho único e pessoal. A cada momento, num vacilo : uma queda seca para o nada. O gelo, o cansaço, a fome corroem a esperança. E o paredão lá permanece: desafiador, zombeteiro, impávido. À medida que subimos a temperatura se torna mais insuportável e o ar mais rarefeito. Se a morna sorte nos bafeja a face, um dia, em meio a todas as intempéries, chagamos no topo. Observamos o mundo ao derredor com um ar cansado e vitorioso. Algumas fotos guardarão a memória deste momento único. E nem nos perguntaremos o que ali fomos buscar, qual prêmio almejávamos. Chegamos: é hora de voltar! E o caminho de volta é tão terrível como o de ida, com os mesmos riscos e precipícios. Se , por acaso, conseguirmos chegar no acampamento original, outras escaladas nos esperam, outros picos já nos chamam. Até o dia em que a sapatilha escorregará à beira do abismo e será a nossa vez de ensaiar o vôo de Ícaro. No final, perceberemos que o sentido do alpinismo encontra-se escondido não na alegria efêmera do pico, mas no suor derramado penosamente durante a travessia.


J. Flávio Vieira

o mais próximo de um devaneio

Saiba meu amor inconteste
habitante de um mundo utópico
quando vier aos meus lábios seu beijo
guardarei as armas, os papéis, a bebida
serei o mais puro dos homens e o mais correto.

Saiba coisa adorada longínqua
ente virtual de uma lenda desconhecida
quando cair sobre meus cílios sua lágrima
pousarei minhas asas de fogo no guarda-roupa
serei o mais belo dos homens e a mais sincera criatura.

Saiba formosura minha pétala noturna
mulher das mil quimeras e arroubos dilacerantes
quando seu silêncio penetrar por minha alma adentro
darei um jeito nos meus cascos de bode e nos meus olhos tristonhos.

Minha última gota de sangue
ofereci à sua imagem
ontem tarde da noite
oculto entre sombras.

Agora o meu sorriso:
somente na presença do seu corpo
meu nariz debaixo dos seus cabelos
meu espírito tragado por seu perfume.

Carnaval e Olival Honor no próximo Cariri Encantado



Cariri Encantado é um programa radiofônico semanal que acontece todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, com transmissão pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e pela Internet através de cratinho.blogspot.com. A sua linha musical e literária é praticamente dedicada aos autores caririenses. Quase sempre, o programa convida uma pessoa identificada com o fazer cultural e artístico da região para falar algo de interesse coletivo.

Nesta sexta-feira, dia 5 de fevereiro, o programa Cariri Encantado entrevistará o escritor cratense Olival Honor (foto), que falará sobre os antigos carnavais cratenses e lerá uma crônica sua inédita.

Com apoio do Centro Cultural BNB Cariri, o programa é produzido pelas Oficinas de Cultura e Artes (OCA) e revista virtual Cariricult.

Ficha técnica
Redação e seleção musical: Carlos Rafael Dias, José Flávio Vieira e Luiz Carlos Salatiel;
Apoio logístico Jackson “Bola” Bantim;
Participação especial: Jorge Carvalho e Huberto Cabral;
Apresentação: Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias;
Operação de áudio: Iderval Silva.

Se ligue!

logo além

A tragédia que forja
um mortal em semideus

é festiva aos primeiros frutos
ainda secos dentro da árvore.

Meus dias turvos
um dia somem da vidraça.

(nesse dia que o vento
também leve a casa)

Encanto talvez coragem
do puro verme

que não perde a esperança
tampouco ousa chorar de raiva
cego.

Desabem então sobre meus ombros
tragédias e mais infortúnios:

Só isso?
Alegra-se a parte boa.

Piruetas, cambalhotas, rodopios
antes que o caixão desça
sete palmos.

Classe social como categoria histórica

As sociedades classistas não são uma exclusividade das formações sociais capitalistas. Na verdade, a existência de classes sociais pressupõe a desigualdade social, ou seja, a exploração entre seres humanos como lastro dessas formações. Se numa formação social os homens estabelecem relações sociais de produção e estas se baseiam numa apropriação dos meios de produção e do produto social por parte de um grupo, esta formação social está cindida em classes sociais.
O Materialismo Histórico (marxismo) considera as sociedades como constituídas historicamente, em movimento. As condições materiais da existência humana são imprescindíveis nessa compreensão da História. Como demonstra Hobsbawm[1], a influência marxista mais eficaz foi a de transformar a História em uma das ciências sociais, implicando no reconhecimento de que as sociedades constituem-se de sistemas de relações entre os seres humanos, na existência de tensões nas mesmas, na existência de uma estrutura social e de sua historicidade. A explicação levando em conta as classes sociais é central.  

 Para Ellen Wood[2] existem duas formas de pensar em classe social: como um local estrutural ou como uma relação social. Quando pensamos em classe como um local na estrutura a vemos como uma forma de estratificação, ou seja, a partir de critérios como renda, oportunidades de mercado, ocupação profissional. Essa maneira de entender “classe social” é muito presente em nossa sociedade e mascara os conflitos de classe, transformando-os em problemas individuais quando os mesmos são relativos à luta de classes.
Assim o faz a grande imprensa quando fala de uma categoria profissional, referindo-se à mesma como uma classe social. Exemplo: a categoria dos médicos chamada de “classe  médica”. E por aí vai. A “classe dos motoristas”, a “classe dos artistas”, a “classe dos professores”. Haja classe social!

Outra maneira de expressar como se fosse classe social é quando nos referimos às diferenças na renda das pessoas. Então a nomenclatura pode usar as letras do alfabeto: classes A, B, C, D, E...   Parece até uma divisão de tipo de leite: A, B, C.
Trata-se na verdade, de uma divisão pela renda, que não é capaz de revelar a dinâmica interna de uma formação social.  Dessa forma de entender as classes sociais, surgem subdivisões:

  •         “classe alta”
  •         “classe média alta”, “classe média média” (sic), “classe média baixa”
  •         “classe baixa”.

Eis uma forma de entender o conceito a partir de uma estrutura que não reflete a desigualdade social, ou melhor, que enxerga a desigualdade social apenas como mais uma diferença entre as pessoas. E venhamos e convenhamos, falar em “classe média” tem muito mais a ver com uma posição política muitas vezes reacionária, um modo de consumir e um desejo de ser como os ricos do que uma verdadeira classe social.     

A segunda maneira de pensar sobre “classe social” é entendê-la como uma relação entre pessoas. Nesse entendimento, o foco está na relação social em si, nas contradições e conflitos dos processos históricos e sociais. Edward Thompson[3] via que as relações sociais de produção distribuíam as pessoas em situações de classe, ou seja, viviam e trabalhavam nas condições de classe, o que chamou de “experiência social”.

A classe social é uma força histórica, e que se estabelece a partir das relações sociais de produção, vinculadas às forças produtivas. Sendo uma força histórica, é transitória.
Um exemplo. O que te faz ser da classe social dos escravos, ou melhor, dizendo, o que te torna um escravo? É o fato de você ser escravizado por alguém. Não existe escravo sem senhor ou vice-versa. Entre o senhor de escravos e o escravizado, existe uma relação, a escravidão. No Brasil, durante o período colonial e também no imperial,  os escravos e seu trabalho constituíam a trave mestra da estrutura, a engrenagem central do sistema. No dizer de Emília Viotti da Costa,

A existência de dominadores e dominados numa relação de senhores e escravos propiciou situações particulares, específicas, marcando a mentalidade nacional. Um dos efeitos mais típicos dessa situação foi a desmoralização do trabalho. O trabalho que se dignifica à medida que se resumo no esforço do homem para dominar a natureza na luta pela sobrevivência corrompe-se com o regime da escravidão, quando se torna o resultado de opressão, exploração. Nesse caso, ele degrada aos olhos dos homens. O trabalho que deveria ser o elemento de distinção e diferenciação na sociedade, embora unindo os homens na colaboração, na ação comum, torna-se no sistema escravista, dissociador e aviltante. A sociedade não se organiza em termos de cooperação, mas de espoliação. [4]

O que Marx e Engels afirmaram na publicação do Manifesto do Partido Comunista faz todo o sentido:
A história de todas as sociedades até hoje é a história das lutas de classe.
Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante antagonismo entre si, travando uma luta ininterrupta, umas vezes oculta, outras aberta – uma guerra que sempre terminou ou com uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com a destruição das classes em luta. [5]

Basta olhar para as desigualdades que encaramos todos os dias e perceberemos como a existência das classes sociais é algo que se comprova. Mesmo que tentem refutar a teoria marxista, não há como negar o evidente antagonismo quando em uma sociedade há exploração do trabalho humano.    



[1] HOBSBAWM, Eric. Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

[2] WOOD, Ellen Meiksins. Democracia contra Capitalismo – a renovação do materialismo histórico. São Paulo: Boitempo, 2003.

[3] THOMPSON, Edward P. . A formação da classe operária inglesa. V1. A árvore da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.  

[4]  COSTA, Emília Viotti da. Da senzala à colônia. São Paulo: Unesp, 1998, p. 15-16.  

[5] ENGELS, Friedrich & MARX, Karl. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Cortez, 1998, p.4.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


“A mulher mente brincando
E às vezes brinca mentindo
Quando ri está chorando
E quando chora está rindo”
(Nuvem que passou)

NOEL ROSA
Parte dois
Postado por Zé Nilton

Seu companheiro do Conjunto Bando de Tangarás, o músico, compositor, locutor e escritor Henrique Fores Domingues – Almirante – conviveu com Noel Rosa desde antes de descobrirem os caminhos da música. Escreveu belas páginas sobre o gênio da Vila, e enfeixou no livro clássico “No Tempo de Noel Rosa”, Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1977.

Em suas páginas escreveu passagens hilárias sobre Noel, com esta que se segue:

“O sono de Noel era dos mais extraordinários do mundo: duro, pesado, impenetrável.
Certa vez, João de Barro, tendo emprestado seu violão a Noel, necessitou buscá-lo no chalé da Teodoro e Silva (residência do poeta da Vila). Ás volta com sua escolinha, Dona Marta (mãe de Noel), dada a intimidade dos dois, indicou:- Pode apanhar seu violão que está no quarto. E pode acorda Noel. – Noel ressonava e o amigo pensou que pudesse despertá-lo facilmente. Primeiro, tocou levemente o seu ombro. Nenhum resultado. Em seguida balançou-o, dando-lhe sacudidelas, fortes a princípio e fortíssimas no final. E Noel não acordou de maneira alguma.

Arnaldo e Oswaldo Araújo, velhos alfaiates, velhos amigos da família, noutra ocasião receberam encomenda de um terno que Noel necessitava com pressa. A primeira prova pode ser feita na alfaiataria, mas a última forçosamente se realizou na casa de Noel, que não pôde ser despertado. Com a ajuda de Dona Marta ele foi colocado de pé, à força, sem tomar conhecimento de si próprio. Assim ocorreu aquela estranha prova de calça e paletó

Noel reconhecia a própria resistência para abandonar o leito. Quando necessitava acordar em horas prefixadas a fim de cumprir obrigações importantes, ao chegar em casa alta madrugada, distribuía por todos os cantos – sobre a mesa, em cordas estiradas pelos corredores, pendurados nas lâmpadas, pelo chão, à porta do quarto, à vista do fogão, à entrada do banheiro – avisos alertadores, em letras garrafais, com abundância de exclamação, deixando clara sua preocupação em não faltar ao compromisso assumido.

ATENÇÃO!!!
MUITO IMPORTANTE !!!
NÃO SE ESQUEÇAM !!!
PRECISO ACORDAR CEDO!!!
CEDÍSSIMO!!!
GRAVAÇÃO ÀS 10 HORAS!!!
É IMPORTANTÍSSIMO !!!
NÃO ACREDITEM EM DESCULPAS!!!

Na manhã do embarque de Noel para o Sul, Dona Marta viu-se em apuros. Por felicidade, Graça Melo Surgiu. Pouco faltava para o Itaquera zarpar e Noel na cama, insensível aos berros, aos solavancos, à retirada violenta de todas as roupas. (...) Noel foi posto de pé, a muque; enfiaram-lhe as calças, a camisa, o paletó. Atabalhoadamente, Dona Marta completava a mala. Á porta, o carro que deveria conduzi-lo ao cais buzinava aflito. E Noel, meio carregado por Graça Melo, Dona Marta e pelo Calulá (o seu amigo para assuntos de acordar), foi atirado dentro do taxi, como um trapo, semi-inconsciente. No trajeto, ia completando suas roupas à medida que os solavancos do automóvel em disparada permitiam.

Os companheiros – Chico Alves, Mário Reis e outros – o aguardavam, já sem esperanças. E ele subiu, sobraçando a mala entreaberta, desgrenhado, camisa fora das calças, olhos empapuçados, mas feliz.” (pp. 107-109).

Coisas de gênio.

Amanhã, a segunda parte da homenagem a Noel Rosa.

Vamos falar mais um pouco de sua obra, ouvindo:

O orvalho vem caindo, de Noel Rosa e Kid Pepe, com Aracy de Almeida, gravação de 03/11/1933
João Ninguém, de Noel Rosa, com Noel Rosa, gravação de 24/07/1935
Tenho raiva de quem sabe, de Noel Rosa, Kid Pepe e Zé Pretinho, gravação de 25/04/1934
Século do Progresso, de Noel Rosa com Isaura Garcia, gravação de 28/07/1937
São coisas nossas, de Noel Rosa, com Noel Rosa, gravação de 1932
Pierrô Apaixonado, de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, com Maria Betânia, gravação original de 1936, para o filme “Alô, alô Carnaval !
Tarzan, o filho do alfaiate, de Noel Rosa e Vadico, com Noel Rosa, gravação de 1936
Por causa da hora, de Noel Rosa, com Noel Rosa, gravação de 10/10/1931
Mentir (ou mentira necessária) de Noel Rosa, com Mário Reis, gravação de 28/09/1932
A.B. Surdo, de Noel Rosa e Lamartine Babo, com Olga Jacobina e Lamartine Babo, gravação de 1930, para o carnaval de 1931.
Fita amarela, de Noel Rosa, com Francisco Alves e Mário Reis, gravação de 29/12/1932
Pastorinhas (ou Linda Pequena), de Noel Rosa e João de Barro (Braguinha), gravação de 13/12/1937
Cem mil Réis( ou você me pediu), de Noel Rosa e Vadico, Chico Buarque e Luiza Buarque, gravação original de 05/03/1936
Cordiais saudações, de Noel Rosa, com Noel Rosa e o Bando de Tangarás, gravação de 18/08/1931.

Quem ouvir, verá !

Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Todas às quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri – 1020 khz
Apoio. CCBN

Escravizar um ser humano não é "da cultura". É exploração.

 Vigora ainda o trabalho escravo no Brasil. Não se trata de uma questão "cultural". É a mais sórdida forma de exploração do trabalho. Leia o texto de Bia Barbosa, divulgado no site da Agência Carta Maior.




"Apesar de o Brasil ser considerado, no âmbito internacional, a vanguarda do combate ao trabalho escravo, a prática está inserida em toda a cadeia produtiva do país. Elemento inerente à reprodução do sistema capitalista, o trabalho escravo é uma das maiores violações de direitos humanos do mundo contemporâneo. Atividade no Fórum Social Mundial discutiu o que falta fazer para erradicar a prática em nosso território."

“Tudo começa com um moço chamado gato, que é um homem que vai a uma cidade com pessoas vulneráveis e chega lá com boas promessas. A pessoa se anima. Eles dizem que o patrão paga a passagem. Quando chega lá, a escravidão já começou. Quando começa o pagamento, vem o desconto da passagem, das ferramentas, do que você precisa comer. Já está tudo no caderno, anotado, e você tem que pagar. Os vigias passam armados na frente do da gente e deixam claro que o ambiente não é tranqüilo.”

O relato acima é de Francisco José dos Santos Oliveira, da Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Prevenção do Trabalho Escravo em Monsenhor Gil, no Piauí. Escravo liberto, Francisco hoje vive no assentamento Nova Conquista, junto com outras 40 famílias de agricultores. Teve sorte de sobreviver a uma das maiores violações de direitos humanos do mundo contemporâneo, e esteve nesta quarta-feira (27) no Fórum Social Mundial para contar sua experiência, numa atividade que buscou fazer do balanço do caminho que o país ainda precisa percorrer para erradicar o trabalho escravo de sua cadeia produtiva.
Segundo levantamento da ONG Repórter Brasil, que integra a Comissão Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, a produção de gado bovino é a campeã em número de propriedades que utilizam mão de obra escrava no Brasil. Metade das fazendas onde a prática foi registrada por operações do Ministério do Trabalho e Emprego era de gado. Já em relação ao número de trabalhadores libertos nessas operações, a produção da cana ocupa o triste primeiro lugar. Muitas vezes, mais de mil trabalhadores são libertos de uma só vez nas ações dos grupos móveis de repressão.

Hoje, cada uma dessas hipóteses corresponde ao trabalho análogo ao escravo no Brasil: o trabalho forçado, onde a pessoa é obrigada a trabalhar pela força das armas; a servidão por dívida; a jornada exaustiva, quando de alguém, para além da jornada legal, é exigida uma produtividade que o corpo não agüenta; e o trabalho degradante, quando são suprimidas as condições básicas de saúde e segurança. Todas elas são encontradas nas cadeias produtivas brasileiras, e seus produtos chegam a toda a rede de varejo nacional. 
“O trabalho escravo tem crescido no contexto da globalização. Hoje há mais de 12 milhões de pessoas em situação de trabalho forçado no mundo. Na América Latina, são 1,3 milhão. O lucro obtido por esta forma de trabalho ao ano passa de 30 bilhões de dólares, e o custo para os trabalhadores que estão submetidos a esta situação é de mais de 21 bilhões de dólares. Ou seja, apesar de muito poucos Estados nacionais reconhecerem oficialmente a existência do tema, este é um fenômeno mundial, presente na cadeia produtiva de grandes e modernas empresas multinacionais”, afirma Laís Abramo, diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil. 

“A sociedade brasileira está acordando para o fato de que o trabalho escravo contemporâneo não é restrito à atividade rudimentar nos rincões do país. Trata-se de uma atividade sistemática, que perpassa toda a cadeia produtiva e está na mesa de todos os brasileiros. É algo central da organização do próprio mercado de trabalho”, explica Marcus Barberino, juiz do trabalho da 15ª região e coordenador das oficinas jurídicas da Comissão Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. “Ao contrário do que pensam, o trabalho escravo não é exceção. É termômetro do mercado de trabalho brasileiro, que continua a explorar o trabalhador de uma forma bastante excessiva”, acrescenta.

Referência internacional
De acordo com a OIT, o Brasil é uma referência internacional positiva em relação à luta contra este crime, estando na ponta dos esforços mundiais de erradicação. Há 15 anos o Estado desenvolve políticas de combate à prática. De acordo com os números da Secretaria Especial de Direitos Humanos, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, foram seis mil trabalhadores resgatados. No governo Lula, foram 30 mil, como resultado do aumento do enfrentamento.
No entanto, muito ainda precisa ser feito para eliminar em definitivo tal violação de direitos. Um dos maiores desafios no campo legislativo é a aprovação da Emenda Constitucional 438/01, que prevê a expropriação de terras, sem direito a indenizações, onde for encontrada mão de obra escrava. Em 2001, a PEC foi aprovada em pelo Senado, mas até hoje espera a aprovação em segundo turno na Câmara dos Deputados, onde se encontram diversos parlamentares que já figuraram na chamada lista suja do trabalho escravo. 
“Há anos lutamos pela aprovação prioritária da PEC. Mas apesar dos compromissos manifestados, não conseguimos avançar”, relata o senador José Nery, do PSOL/PA, presidente da subcomissão de combate ao trabalho escravo da Comissão de Direitos Humanos do Senado. “O trabalho escravo nada mais é do que um elemento inerente à reprodução do sistema capitalista vigente em nosso país e as forças degradantes de trabalho são algo que se reproduz historicamente desde a colonização. Aprovar a PEC e garantir o confisco de terras sem indenização aos escravagistas contemporâneos corresponde para nós a uma segunda lei áurea”, acredita.

No dia 13 de maio deste ano, um abaixo assinado que já conta com mais de 200 mil assinaturas será entregue ao presidente da Câmara dos Deputados reivindicando a votação da PEC em segundo turno na Casa. O objetivo é aprovar a emenda constitucional ainda no primeiro semestre de 2010. Em fevereiro, será lançada uma Frente Parlamentar de combate ao trabalho escravo no Congresso Nacional. 
No campo jurídico, além de ações de formação e treinamento de juízes, o Ministério Público do Trabalho tem ampliado sua atuação no combate ao crime. Em vez de trabalhar a partir do recebimento de denúncias, como era feito anteriormente, os procuradores agora desenvolvem um trabalho menos reativo, de busca de dados e maior abrangência das ações movidas na Justiça.
“É preciso ir além de uma atuação pontual, em que algumas empresas são acionadas e outras não, já que a violação permeia todo um setor produtivo”, explica Sebastião Caixeta, procurador do trabalho à frente da Coordenação Nacional do Combate ao Trabalho Escravo do Ministério Público do Trabalho. “Também estamos movendo ações de dano moral coletivo, na construção de uma teoria que vem se firmando, com acolhimento da Justiça do Trabalho, que é a imposição de um pagamento pelo dano genérico já causado por essa violação, com os valores sendo revertidos para a classe trabalhadora. Hoje o trabalho escravo não ataca apenas a liberdade individual, mas também a dignidade da pessoa humana. Por isso, merece a repressão criminal, administrativa, trabalhista e civil do sistema de Justiça”, afirma. 
Neste 28 de janeiro, Dia Nacional de combate ao trabalho escravo, a esperança dos ativistas e militantes que participam da décima edição do Fórum Social Mundial em Porto Alegre é acabar com a sensação de impunidade que ainda paira sobre aqueles que praticam o crime, e construir mecanismos que, de fato, erradiquem o trabalho escravo no país. 
“E isso só vai acontecer quando o Brasil realizar a reforma agrária. É algo que passa por uma mudança no modelo de desenvolvimento no país, um modelo não exploratório, que não utilize pessoas como bucha de canhão para obter lucro”, concluiu Leonardo Sakamoto, coordenador da Repórter Brasil."



Despojado

Hora de dormir, criança
levar ao travesseiro
teus sonhos

quem sabe esta noite
lindos devaneios

não apertem tanto o peito
nem forcem muito os olhos.

Sabemos teu peito trêmulo
teus olhos tristes

mas algo me espanta,
tu não te cansas da cama

palmadinhas no travesseiro
um enigmático sorriso

lançado ao teto
à teia de aranha.

Não desejes mais
do que este brando vazio:

hematomas perdendo a cor
com o tempo.

é preciso

cantar enquanto ainda há tempo,
saltar muito além do possível,
onde recomeça todo sonho
de um beijo no invisível
ou um nome escrito no vento

isso e mais um pouco, as mãos livres
para se ocuparem de tantas,
de tarefas tantas, um quadro
de tudo o que se passa em mins
perdidos, de um a outro lado

a tarde não tem pressa de
acabar com o riso, as luzes
cortam as retinas se se abrem
os olhos buscando algo além,
que se afasta, sempre se afasta

é preciso que os pés suportem
outras pedras, desafio sem igual;
o caminho se abre todo
estirando língua de areia
e asfalto, e cimento em chamas

fora as obsessões que impõem
quem plantou demônios na sala;
no coração um velho sabre
corroído por outros sangues,
uma música que vem e passa

virar o rosto para onde
há vozes, algo mais que vasos
chineses, traços mais sublimes
de uma alma dilacerada
lutando contra a luz e as cores

e o silêncio...

Cultura realizará I Encontro de Escritores



Está confirmada para a próxima quinta-feira, 4, a realização do I Encontro de Escritores, Poetas, Cordelistas e Repentistas da Região Metropolitana do Cariri. De acordo com a titular da pasta, Glória Tavares, o evento se dará no Teatro Marquise Branca.

A programação constará de café da manhã, pronunciamento do prefeito Dr. Santana, e da secretária de Cultura Glória Tavares.

Acontecera palestra com o tema: registros de trabalhos literários na Biblioteca Nacional, ficha catalográfica, direitos autorais e informações para os literatas, com Renato Casimiro. Outra palestra abordará o Centenário de Juazeiro do Norte, com o pesquisador Daniel Walker.

Os participantes se dividirão em grupos para discutir três eixos: a) participação dos Escritores, Poetas, Cordelistas e Repentistas na elaboração do Plano Municipal de Cultura, b) participação do segmento dos festejos do Centenário de Juazeiro do Norte e c) Participação do segmento no Juaforró 2010.

A realização é da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte, através da Secretaria de Cultura com parceria do Instituto Cultural do Vale Caririense (ACVC), Academia dos Cordelistas do Crato e Secretaria de Ação Social, SEBRAE e Centro Cultural Banco do Nordeste.

A POÉTICA DOS DESENHOS DE WILSON BERNARDO...

AS INDIFERENTES MULHERES VACAS.
A diferença entre as
Mulheres e as vacas
É que os Ruminantes
Não menstruam...
A Vaca!
É indiana e não latina.
Se dorme com mugidos
E a carne é santa.

Wilson Bernardo(Poema & Desenho)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

“PEREGRINAÇÕES A TERRA DO PADIM CIÇO”

PEREGRINAÇÕES A TERRA DO "PADIM CIÇO"
As peregrinações feitas a Juazeiro do Norte não acontecem por acaso. Existe neste contexto um motivo especial que interpela o romeiro a sair de sua terra e superar as agruras de uma viagem cansativa para fazer seu tributo ao “taumaturgo do nordeste”: Padre Cícero Romão Batista. Toda esta apoteose de fé se justifica pelo fato de existir crença irretocável que promove a força de vontade de se sentir perto do sagrado.
Nesta ótica, a força da fé se manifesta nos gestos piedosos desta gente que se sente mais forte ao executar seus rituais em favor do Padre Cícero. Este ícone religioso está contido no imaginário popular, e de modo especial como intercessor do povo que sofre as contradições de uma história cheia de privações. Assim, as romarias se tornam momentos determinantes e preciosos para estes peregrinos. E cada fato e movimento praticado na cidade do meu “padim” são sacramentais, pois faz parte de um itinerário soteriológico, que marca o contato do romeiro com seu líder divino visto que sua existência se enche de alegria pela visita aos locais santos em que o referendo sacerdote transitou durante sua vida terrena.
É inimaginável a saga que o romeiro enfrenta para chegar a Juazeiro. Como diz o bendito, “mas que caminho tão longe cheio de pedra e areia”. Mas mesmos diante das vicissitudes o devoto do padim Ciço continua firme o seu propósito de vida. Juazeiro para os peregrinos do padre Cícero resignifica um lugar de devoção, de promessas feitas, de busca de sentido para os tempos vindouros.
Por isso, ser romeiro é caminhar com o coração eivado de convicção. O ápice da peregrinação é focado a chegada a Juazeiro; na participação efetiva das celebrações; nas visitas aos lugares sagrados – onde o fiel sente o seu interior envolto por uma alegria inexplicável. Seu ser se inclina e seus braços se elevam aos céus em sinal de agradecimentos. Tudo é significativo e o coração genuflexo do romeiro o faz sentir a presença viva do Padre Cícero. E neste caso, ele retorna para sua terra natal movido pela crença de que será abençoado até a próxima romaria.
Neste parâmetro conhecer mais a fundo o significado destas romarias é fazer uma análise antropológica da fé popular. É perceber que a fé ultrapassa a razão puramente instrumental e dá acesso ao transcendente que para o devoto se torna motivo essencial de sobrevivência. Por isso, o sentido de buscar sempre o beneplácito do sagrado para dar sentido a existência é o que leva tanta gente a Juazeiro do Norte.

Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube


Uma das mais tradicionais festas carnavalescas do interior cearense, o Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube consolida-se nessa sua 5ª edição como o evento mais esperado do ano. É através do Carnaval da Saudade que buscamos o resgate das antigas marchinhas, frevos e sambas dos carnavais que marcaram época e o "clube do pimenta" fica lotado de pessoas alegres e com muita energia, indo a festa terminar em um cortejo até a Praça Siqueira Campos,por volta das 6 da manhã.
Esse ano o tema da festa é a ecologia, porque preservar a nossa querida Chapada do Araripe é obrigação de cada um de nós.
Venda de mesas e ingressos avulsos.
Informações: (88) 3523.3793 ou 8816.3062

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

SOPA DE LETRAS


Oração e Poesia

Deus, no delírio da carne eu cedi,
Cedi, pois o lábio rubro e trêmulo, infecto de pecado
É doce na boca de quem o beija.
Cedi aos olhos de uma medusa dos lábios em brasa,
Do passo leve como flocos de neve, de folhas
Que pairam caindo no chão.
Fraquejei ao tato-veludo, ao hálito de rosas,
Aos olhos-grilhões sobre meu ser que tão forte era
Forte até a hora de vê-la, fulgás em desejo,
Eterna em meu coração.
Cedi e minhas preces no meio do efêmero do gozo,
Da lascívia trêmula das carnes em delírio não me foram ouvidas.
Tentei, mas quanto mais tentava,
Mais o céu aparecia-me nas carnes, nos beijos, nos olhos...
Pois se o céu não for amor e não mais sei
O que poderia ser.

Foto: Carlos Hauck

Macumba

Certa noite
Painho me disse
após beijar-me a cabeça
que era injusta minha peleja:

"Como pode um pobre mortal
contra as façanhas de uma entidade?"

Painho apiedou-se da minha alma
trêmulo, ofegante
sussurrou aos meus ouvidos:

"A partir de agora teu sofrimento
é a lâmina do meu punhal,
ouro dos meus dentes ..."

Sei que depois daquele sonho
nunca mais acordei ansioso

com a boca espumando
e o coração apertado.

Painho também me dissera
que logo voltaria a ser feliz
do meu jeito:

taciturno,
fora do plano celestial.

E que jamais o vinho
roubaria meus segredos:

cascos de bode,
asas de borboleta,

escamas de peixe,
veludo de urso,

presas de javali,
ventre de tubarão.

De fato,
faz tempo
que não abro
uma garrafa
em alto mar.

Todas enterradas na areia,
após um olhar discreto
dos orixás.

Quanto aos meus segredos:
é difícil guardar um poema
do úmido silêncio das paredes.

Auto-retratos

Pra desenhar em mim qualquer forma de desejo
Bastam-me esses olhos, traçando uma forma de dizer que o beijo
Vai pintar o futuro numa profecia rabiscada com a dança das tuas mãos
Os versos em questão, os tons dos sons e das cores
Os amores, as solidões, as flores reverberando sensações
Tentando apenas dizer que o que se pode fazer vai além do corpo
Escorre pelos poros, se esparramando pelo violão, e pelas telas

Escrevemos, entoamos, desenhamos e sonhamos!
Que simplesmente o mundo possa ver um pouquinho de nós
Como nunca nos imaginamos
Bastam-me esses olhos, que me fitam e dizem tudo
Não preciso mais imaginar algo que não pudesse ser
Uma obra prima, irmã, mãe, avó, todas em uma só você
A mulher que me seduz
Por sua grandeza e complexa simplicidade

Mostre-me o que vem dentro de ti
Através da poesia dos teus dedos
Eu te cantarei meus segredos
Mesmo sem poder esperar
Que me fale dos seus medos
Viverei a tentar ler e traduzir
Através do que reluzir
Inevitavelmente dos teus auto-retratos

Tudo o que posso fazer é te sentir
O resto é incolor
Um ensurdecedor silêncio
Quando calo

CARIRI ENCANTADO...Lupel o Desesplicavel da Poesia Pós-Conturbação.

O Que todos Temiam não aconteceu a rebeldia adormeceu com a letargia de um estúdio silencioso de religiosos,LUPREL,nuBREU,ISSO MESMO FORAM os nomes dados a LUPEU por alguns amigos meus,quando o conheceram no calçadão do Crato em uma mesada de etilicos festejos,foi uma zorra e fizemos aquela festa em graça e tormentas,pois muito bem no CAriri encantado o Homem parecia um monge camiliano em sua missão de resgate,o inusitado e o fato mais rebelde acontece com a participação de Umberto Cabral,quebrando os paradigmas da conformidade...Valeu Lupreuuuuuuuu.

Desenho feito na hora em que rolava o programa.
RODA-POESIA
Eu me despeço a cada dia.
e você entende pouco disso,de
se despedir.
dai que,talvez por isso,eu
tenha menos pressa.
eu não peço pra que nada ou
ninguém volte pra mim.
você acha isso bobo,sem referência.



Wilson Bernardo(Desenho & Fotografia)
Lupeu(Poema)