TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Leia e com atenção. Forme sua opinião sem preguiça de ler - José do Vale Pinheiro Feitosa

Dizem que textos longos não funcionam mais. Que uma imagem diz mais que centenas de palavras. Em que pese a parcial verdade, as duas sentenças são parciais mentiras. São por que a questão não está nem na síntese da imagem e nem na extensão do discurso verbal.A questão está em qual medida compreendes o teu tempo. Portanto, sugiro, apesar de para alguns ter economês demais, este texto abaixo. Sintam como a questão fundamental do século XXI ainda continua a luta entre capital e trabalho. E sintam como esta luta se intensifica especialmente depois dos anos 90.

Michael Hudson: A servidão do século 21
Trichet Threatens Greece with Iron Heel

Europe’s New Road to Serfdom

por MICHAEL HUDSON*, no Counterpunch

Pouco depois de o Partido Socialista ter vencido as eleições nacionais no outono de 2009, ficou claro que as finanças do governo grego estavam destroçadas. Em maio de 2010, o presidente francês Nicolas Sarkozy liderou o ajuntamento de 120 bilhões de euros (180 bilhões de dólares) de governos europeus para subsidiar o sistema tributário não-progressivo que havia sido a causa original da dívida do governo [da Grécia] — o qual os bancos de Wall Street tinham ajudado a esconder usando o estilo contábil da Enron.

O sistema tributário operava como um sifão, coletando recursos do governo para pagar aos bancos alemães e franceses que estavam comprando papéis do governo grego (com o incentivo de crescentes juros). Os banqueiros agora estão querendo transformar esse papel informal em condição permanente para adiar os pagamentos da Grécia quando os papéis vencerem e estender a maturação da ajuda financeira de curto prazo sob a qual a Grécia agora opera. Os donos de papéis gregos vão faturar muito se o atual plano for bem sucedido. A [agência] Mooody rebaixou a nota do crédito da Grécia para status de “junk” em primeiro de junho (para Caal, de B1, que já era muito baixo), estimando uma chance de moratória de 50/50. O rebaixamento serve para apertar ainda mais o governo grego. Sem considerar o que as autoridades europeias farão, a Moody notou “a possibilidade crescente de que os apoiadores da Grécia (FMI, Banco Central europeu e Comissão Europeia, conhecidos como a “Troica”) vão, em algum momento, requerer a participação dos credores privados numa reestruturação da dívida, como pré-condição para futuro apoio financeiro”.

A condicionalidade para o novo e “reformado” pacote de empréstimos é que a Grécia precisa iniciar uma guerra de classes, aumentando os impostos e cortando os gastos sociais — até mesmo as pensões do setor privado — e vender terras públicas, pontos turísticos, portos, instalações de distribuição e tratamento de água e esgoto. Isso vai aumentar o custo de vida e de fazer negócios, erodindo a já limitada competitividade exportadora da Grécia. Os banqueiros descrevem isso como “resgate” das finanças gregas.

O que realmente foi resgatado um ano atrás, em maio de 2010, foram os bancos franceses, que tinham 32 bilhões de euros em papéis gregos, os bancos alemães com 23 bilhões de euros e outros investidores estrangeiros. O problema era como fazer os gregos concordarem com isso. O recém-eleito primeiro-ministro George Papandreou parecia capaz de fazer o convencimento da mesma forma que os partidos neoliberais Democrata Sociais e Trabalhistas tinham feito em toda a Europa — privatizando a infraestrutura básica e prometendo futura arrecadação para pagar os banqueiros.

Nunca tinha havido uma oportunidade melhor para puxar o tapete financeiro, agarrar propriedades e apertar os parafusos fiscais. Os banqueiros, de sua parte, estavam dispostos a fazer empréstimos para financiar as compras de cassinos, empresas telefônicas, portos e infraestrutura de transportes ou oportunidades em monopólios similares. E para a própria classe rica da Grécia, o pacote de empréstimos da União Europeia permitiria ao país continuar na Eurozona por tempo suficientemente longo para que essa elite tirasse o dinheiro do país antes que a Grécia fosse forçada a substituir o euro pela drachma, para em seguida desvalorizá-la. Até a mudança de moeda, a Grécia deveria seguir as políticas do Báltico e da Irlanda de “desvalorização interna”, ou seja, redução dos salários e cortes de gastos (exceto nos pagamentos devidos ao sistema financeiro), promovendo o desemprego e, assim, rebaixando o nível salarial.

O que na verdade é desvalorizado em programas de austeridade ou de depreciação da moeda é o valor do trabalho. Este é o principal custo doméstico, já que existe um preço comum no mundo para combustíveis e minerais, bens de consumo, comida e mesmo crédito. Se os salários não puderem ser reduzidos por “desvalorização interna” (desemprego começando pelo setor público, levando à queda geral dos salários), a depreciação da moeda seria o segundo golpe. E é assim que a guerra dos credores da Europa contra os países devedores se transforma em uma guerra de classes. Mas, para impor tal reforma neoliberal, pressão externa é necessária para dar a volta em Parlamentos eleitos democraticamente. Nem todos os eleitores de um país agem de forma tão passiva contra seus próprios interesses como os da Letônia e Irlanda.

A maior parte da população grega reconhece o que está acontecendo com o desenrolar deste cenário no último ano. “O Papandreou admitiu que nós não tínhamos voz nas medidas econômicas atiradas em nossa direção”, disse o esquerdista Manolis Glezos. “Elas foram decididas pela UE e pelo FMI. Estamos agora sob supervisão estrangeira e isso levanta questões sobre nossa independência econômica, militar e política”. Na direita do espectro político, o líder conservador Antonis Samaras disse em 27 de maio, quando as negociações da troica europeia aceleraram: “Não concordamos com uma política que mata a economia e destrói a sociedade… Só tem uma saída para a Grécia, a renegociação do resgate [UE/FMI]“.

Mas os credores da UE escalaram: rejeitar o acordo, eles ameaçaram, resultaria em saque de fundos, causando colapso bancário e anarquia econômica.

Os gregos se negaram a se render quietamente. As greves se espalharam a partir dos sindicatos do setor público para se tornar um movimento nacional “Não Vamos Pagar”, quando gregos se negaram a pagar pedágios e outras tarifas de acesso a bens públicos. A polícia e outros se negaram a forçá-los a pagar. O emergente consenso populista levou o primeiro-ministro de Luxemburgo Jean-Claude Juncker a fazer ameaças similares às que o britânico Gordon Brown tinha feito contra a Islândia: se a Grécia não se ajoelhasse diante dos ministros das finanças europeus, eles bloqueariam a parcela prevista para junho do pacote de empréstimos do FMI. Isso bloquearia os pagamentos do governo grego aos banqueiros estrangeiros e aos fundos de rapina que tem comprado papéis da dívida grega com grandes descontos.

Para muitos gregos, essa ameaça dos ministros das finanças equivale a um tiro no pé. Se não houver dinheiro para pagar, os acionistas estrangeiros vão sofrer — desde que se coloque a economia da Grécia em primeiro lugar. Mas este é um grande “se”. O socialista Papandreou copiou o social democrata Sigurdardottir, da Islândia, que pediu “consenso” na obediência aos ministros da UE. “Os partidos de oposição rejeitam o mais recente pacote de austeridade de Papandreou já que o aperto de cintos acordado em troca dos 110 bilhões de euros (155 bilhões de dólares) está enforcando a economia”.

Em questão está se a Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e o resto da Europa vão recuar das reformas democráticas e se mover na direção da oligarquia financeira. O objetivo financeiro é driblar os parlamentos em busca de um “consenso” para colocar os interesses dos credores estrangeiros acima da economia como um todo. Isso exige que os parlamentos entreguem seus poderes de definir políticas. A própria definição de “livre mercado” está se transformando em “planejamento centralizado” — nas mãos de banqueiros dos bancos centrais. Essa é a nova estrada para a servidão às quais os “livres mercados” financializados vão levar: mercados livres para os privatistas cobrarem preços monopolizados por serviços básicos, às custas do fim da regulamentação de preços e da legislação anti-truste, “livre” de limites de crédito para proteger devedores e, acima de tudo, livre da interferência de parlamentos eleitos. A entrega de monopólios em transportes, comunicações, loterias e na própria terra, tirando tudo isso do domínio público, é a alternativa à servidão, não a estrada para a dependência ou o neofeudalismo financeiro que desponta como realidade futura. Tal é a filosofia econômica de nossa era.

"CALDO DE BILA" - José Nilton Mariano Saraiva

Independentemente da raça, cor, sexo, religião, ideologia, credo, preferência clubística ou política, os milhões de adeptos de uma “geladinha” (cerveja) ou da “marvada” (cachaça), detêm a exclusividade de uma certeza absoluta: dia seguinte à farra homérica, quando se excedem no consumo e acordam com aquele terrível “gosto de cabo de guarda-chuva na boca”, nada mais apropriado pra curar a “ressaca braba” (que às vezes dá vontade até de morrer), do que “forrar o estômago” com um revigorante e bendito caldo (de mocotó, carne moída ou costela de boi), no capricho e tinindo de quente, capaz não só de matar todos os vermes que “encontrar na descida”, como também “levantar ou por de pé até defunto”.
Mas... há que se ter cuidado com os “caldos da vida”.
Sim, porque existem duas espécies de caldo:
1) o “caldo verdadeiro”, original, genuíno, que é aquele bem preparado, repleto de temperos e condimentos, capazes de lhe dar cheiro, sabor e “sustância”, e ainda operar o milagre de fazer seu usuário “renascer” das cinzas, a ponto de, sob o pretexto de “lavar o peritônio”, tirar o gosto ali mesmo com uma outra geladérrima, recomeçando a farra; e,
2) o “outro caldo”, o caldo falso, o caldo de araque, que é aquele que é só uma espécie de água morna, desprovido de temperos e condimentos, sem gosto, sem cheiro, sem poder revigorante e, enfim, sem nenhuma serventia, capaz até de “bater e voltar”, ou seja, de fazer com que o seu usuário “bote os bofes pra fora”, na hora. Esse, por suas características peculiares, findou sendo designado pelos biriteiros da vida com a alcunha de “caldo de bila” (portanto, quando você ouvir a expressão “caldo de bila”, lembre-se de que é algo fraco, inútil, sem serventia).
E a “expressão” pegou de uma maneira tal, foi tão bem assimilada por gregos e troianos, que quando queremos manifestar nosso descontentamento com algo ou alguém que não corresponde às nossas expectativas, em qualquer competição ou atividade, imediatamente professamos: é “mais fraco que caldo de bila”.
Tomemos como exemplo a Fórmula 1, um esporte por demais admirado no mundo todo e que, para nós brasileiros, num determinado momento da história, foi motivo de orgulho e respeito, quando tínhamos a nos representar nos mais diferentes autódromos dos quatro cantos do planeta os Emerson Fittipaldi, Nélson Piquet e Ayrton Senna da vida.
Afinal, quem não lembra das manhãs de domingo em que renunciávamos à praia, clubes, açudes, cinemas ou um outro divertimento qualquer, só pra ficar por duas horas frente à telinha, beliscando uma cervejota com tira-gosto de panelada e vibrando com o “pé-pesado” ou as ultrapassagens sensacionais dos nossos “homens voadores”, campeões mundiais em seguidas temporadas ??? Quem não lembra dos pegas fantásticos e espetaculares entre Fittapaldi X Jack Stuart, Piquet X Mansel, Senna X Prost, Senna X Piquet, dentre outros ???
Foi então que o destino nos pregou aquela peça terrível, aquele momento dantesco, nos levando prematuramente o Ayrton Senna, numa calma manhã de domingo, durante uma corrida aparentemente tranqüila, na Itália, após a quebra da barra de direção de seu carro, a mais de 200 quilômetros por hora.
Imediatamente a TV Globo, em razão principalmente dos milhões de dólares despendidos na transmissão de cada corrida, e temendo a perda dos exuberantes patrocínios, tratou de “fabricar” da noite pro dia um substituto para o Senna; como não havia muitas opções naquele momento, literalmente foi “decretado” pela cúpula da Globo e nos imposto goela abaixo, que um jovem piloto paulista, novato na Fórmula 1, seria o novo “ídolo” da torcida brasileira; e foi assim que tomamos conhecimento da existência de Rubens Barrichello, logo batizado pelo chefão de esportes da emissora (Galvão Bueno) de “Rubinho” (certamente que numa tentativa de torna-lo mais “palatável” ante os aficionados da categoria).
Daí pra frente todos nós sabemos a história de cór e salteado: apesar do hercúleo esforço da Globo em alavanca-lo, do generoso espaço lhe disponibilizado, de lhe arranjarem inclusive um lugar na disputadíssima e então imbatível Ferrari (à época detentora dos mais possantes e velozes carros da categoria), o que se via nas pistas era um piloto atabalhoado, lento, medroso, excessivamente burocrático, sem qualquer pegada, além de potencial e exímio “quebrador” de carros, os quais não conseguia “ajustar” nunca (quantas vezes vimos o tal “Rubinho” em desabalada carreira durante as corridas - SÓ QUE A PÉ E NA CONTRAMÃO - em busca do carro reserva ???).
Sem carisma, desprovido de simpatia, sempre com uma desculpa pronta para os recorrentes fracassos nas pistas, inventor de uma comemoração pra lá de ridícula (uma tal de “sambadinha”) quando ocasionalmente ganhava alguma corrida, Barrichello aos poucos foi se eclipsando, sumindo, escafedendo-se.
Hoje, competindo por uma equipe de nível médio (Willians), Barrichello ainda assim conseguiu a proeza de fazer com que a Globo optasse por uma estranha e incrível “inversão de valores”: é que, à falta de resultados (quase sempre fica lá na rabeira, quando não quebra), o locutor global trata de potencializar o fato de “Rubinho” às vezes ficar entre os 10 que obtiveram melhor classificação nos treinos, além de insistir e persistir em nos informar ser ele é o piloto que disputou mais de trezentas (300) corridas de Fórmula 1 (olvidando, no entanto e propositadamente, de nos cientificar dos resultados ou da relação entre o número de vitórias obtidas e os grandes prêmios disputados).
Por essa e outras é que poderíamos associar Rubens Barrichello ao nosso famoso “caldo de bila”: não fede, não cheira, não tem gosto, não propicia qualquer serventia ou bem-estar.

Hoje, 03 de junho, comemoramos 100 anos do Cine Paraiso: A Lanterna Mágica de Gonzaguinha

LUIZ GONZAGA DE OLIVEIRA (ou Gonzaguinha) que foi casado com Dona Dasdores, e dos três filhos nascidos batizou-se uma com o nome de Maria de Lourdes de Oliveira.  Gonzaguinha, ainda muito jovem, demonstrou talento formidável para captar o cotidiano da nossa cidade em sua Kodak Full Screnn e tornou-se o primeiro fotógrafo profissional do cariri cearense, com uma atuação proficiente que durou de 1885 até 1930. Muitas das suas fotografias são hoje encontradas em exposição no Museu Histórico do Crato e outras, bem guardadas no relicário da família Oliveira feito preciosas jóias, como são as fotos históricas do Cassino Sul-Americano e Seminário São José, que até hoje impressionam. No álbum de família constam “portraits” que muito mais se assemelham a obras de arte de pintores renascentistas. Fotografou também personalidades e famílias ilustres do Crato daquela época em que viveu.
É dito e sabido que no final do Século XIX, artistas de uma companhia de teatro italiana passaram pela cidade do Crato e que entre piruetas, caretas e dramalhões, um número único era o de grande destaque daquela trupe mambembe: a exibição de imagens projetadas por um rudimentar aparelho que tinha o exótico nome de BIOSCÓPIO.  Foi então que ali, naquela mesma platéia, que o Gonzaguinha viu, aplaudiu e não sossegou até que soubesse os segredos daquela maquininha estranha e de nome esquisito que projetava imagens “fantasmagóricas” num toldo branco esticado sob a lona do circo. Interessou-se de maneira tal pelo BIOSCÓPIO que do projetista “comprou” todas as informações sobre como adquirir um de igual modelo, disponível somente no sul do país ou, se muita sorte tivesse, na capital alencarina, Fortaleza.
                Gonzaguinha, empolgado, não se fez de rogado: dias depois, lá estava o nosso “herói” montado em seu cavalo alazão empreendendo uma aventurosa viagem  até a capital cearense. No trote da montaria foram tantos e tantos dias que ficou todo escambichado, mas chegou e, assim que se viu recuperado da exaustão, começou a bater perna pela metrópole litorânea atrás do que viera buscar. Conversa vai e vem com quem era do ramo e descobriu que poderia fazer encomenda de outro equipamento ainda mais moderno. Foi o que fez e esperou mais quinze dias para receber - do Rio de Janeiro!- o que encomendara: a LANTERNA MÁGICA (1), que era uma caixa com lentes que projetava em tamanho ampliado as minúsculas figuras coloridas pintadas sob placas de vidro.
De volta ao Crato com o objeto do seu desejo e todo pabo pela conquista, Gonzaguinha agora queria montar uma sala para que o público pudesse desfrutar daquele ainda exótico lazer e, historicamente, tornar-se o primeiro exibidor da Sétima Arte no Cariri.
O lugar escolhido por Ganzaguinha para a estréia da Lanterna Mágica foi, conforme relatos da época, a sede de uma entidade artística e cultural chamada Clube Romeiros do Porvir, que ficava na Rua Grande, 25 (hoje rua Dr. Miguel Limaverde) e que foi  anunciada com estardalhaço pelo próprio empreendedor::
 “–É no próximo Domingo, 6 da tarde é a hora, venham todos assistir, aqui na sede dos Romeiros do Porvir, a Lanterna Mágica que ainda é novidade até no sul do país. É bom chegar mais cedo quem quiser ficar sentado porque quem de pé ainda estiver pode cair e não se levantar do susto que vai levar!”
                E assim foi, por muitos anos, aquele pequeno salão consagrado por Luiz Gonzaga de Oliveira, o Gonzaguinha, como a primeira sala de exibição de cinema da região.
                Em depoimento recente, dado pela neta de Gonzaguinha, Alda Oliveira Fontinele, que carinhosamente o chamava de Vevé, hoje com 94 anos, ela nos contou que: ”...no início a projeção era de imagens colorizadas que às vezes assombravam a platéia. Com o tempo vieram os filmes mesmo, mudo com atores de gestos exagerados e muito maquiados e por aí vai”.  Ela lembra ainda da época em que uma trilha sonora era feita ao vivo por um pianista ou uma bandinha de músicos que acompanhava as tensões das cenas. Os filmes se repetiam por várias semanas seguidas, isto porque eles vinham da capital em lombo de burro trazido por um tropeiro que comercializava na cidade do Crato e arredores. As fitas eram negociadas com um distribuidor nordestino que recebia as películas diretamente do Rio de Janeiro.
                Luiz Gonzaga de Oliveira faleceu no final do ano de 1930, deixando muitas saudades e um público cratense com gosto bem apurado para a Sétima Arte.


Luiz Carlos Salatiel


NOTA: No programa Cariri Encantado:Protagonistas! às 2 da tarde de hoje, sexta-feira 03 de junho, pelas ondas sonoras da  Rádio Educadora do Cariri, Am ,1020 Khz, faremos uma homenagem aos 100 Anos do Cine Paraíso.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Instituições que envergonham o Brasil

Deu no Blog do Luís Nassif:


"Como vota a Academia Brasileira de Letras

Por Alberto Porem Junior
Merval Pereira acaba de ser eleito para 


"Merval Pereira acaba de ser eleito para a Academia Brasileira de Letras ( ABL).
Autor de dois importantíssimos livros, aliás os únicos que escreveu:
- "A Segunda Guerra, a sucessão de Geisel" em 1979,
- "O Lulismo no poder" em 2010.
Venceu a Antonio Torres que tem a seguinte biografia:
Um dos escritores mais conhecidos de sua geração, com livros traduzidos na Itália, Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda, Israel, Bulgária, entre outros
Prêmios:
Romance do Ano - 1996 - Concedido pel Pen Clube do Brasil.
Prêmio Hors Concours - 1998 - União Brasileira dos Escritores
Chevalier des Arts et des Lettres - 1998  - Condecorado pelo governo francês.
Prêmio Machado de Assis - 2000  - concedido pela Academia Brasileira de Letras.
Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura - 2001  - na 9ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo – RS
Bibliografia:
  • Um Cão Uivando para a Lua (romance). Rio de Janeiro, Edições Gernasa, 1972; 3a ed., São Paulo, Ática, 1979.
  • Os Homens dos Pés Redondos (romance). Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1973; 3a ed., Rio de Janeiro, Record, 1999.
  • Essa Terra (romance) São Paulo, Ática, 1976; 15a ed., Rio de Janeiro, Record, 2001.
  • Carta ao Bispo (romance). São Paulo, Ática, 1979; 2a ed., São Paulo, Ática, 1983.
  • Adeus, Velho (romance). São Paulo, Ática, 1981; 4a ed., São Paulo, Ática, 1994.
  • Balada da Infância Perdida (romance). Prêmio em 1987, Pen Clube do Brasil, categoria "Romance". Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986; 2a ed., Rio de Janeiro, Record, 1999.
  • m Táxi para Viena D’Áustria por ter este livro e Essa Terra traduzidos na França, recebe, do governo francês, o título de "Cavaleiro das Artes e das Letras" em 1999. São Paulo, Companhia das Letras, 1991; 4a ed., Rio de Janeiro, Altaya/Record - Coleção Mestres da Literatura Protuguesa e Brasileira, 1999; 5a ed., Record, 2001.
  • Centro das Nossas Desatenções (crônica). Rio de Janeiro, RioArte/Relume-Dumará, 1996.
  • O Cachorro e o Lobo em 1999 ganha o Prêmio "Hors-concours de Romance" (para obra publicada) da União Brasileira de Escritores. Rio de Janeiro, Record, 1997; 2a ed., Rio de Janeiro, Record, 1998.
  • O Circo no Brasil (crônica). Rio de Janeiro/São Paulo, Funarte/Atração, 1998.
  • Meninos, Eu Conto (literatura para jovens). Rio de Janeiro, Record, 1999; 3a ed., Record, 2001.
  • Meu Querido Canibal (crônica). Rio de Janeiro, Record, 2000; 2a ed., Record, 2001.
  • O Nobre Sequestrador (romance). Rio de Janeiro, Record, 2003.
  • Pelo Fundo da Agulha (Romance). 2006, Rio de Janeiro, Record.
  • Minu, O Gato Azul (infantil) Rio de Janeiro, 2007.
  • Sobre Pessoas (Crônicas), Editora Leitura, Belo Horizonte, 200
 Vai a notícia e onde se lê "entre outros" não existem outros.

Do G1:
A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu, nesta quinta-feira (2), o jornalista carioca Merval Pereira para a cadeira número 31 da instituição. Aos 61 anos, o colunista do jornal "O Globo" e comentarista da Globo News e da rádio CBN substitui o escritor Moacyr Scliar, falecido em 27 de fevereiro.
O jornalista recebeu 25 dos 39 votos possíveis e superou o escritor Antônio Torres, que teve 13 votos. Votaram por carta 26 acadêmicos e, na sessão,12. Houve uma abstenção.
O novo imortal disse ser uma honraria estar na ABL: "Cosidero uma honraria participar da Academia Brasileira de Letras, a instituição cultural mais importante do país".
O presidente da ABL, Marcos Vinicios Vilaça, declarou: “Com a eleição de Merval Pereira para ocupar a cadeira 31, na sucessão do saudoso escritor e médico Moacyr Scliar, mantém-se a tradição da presença de grandes jornalistas na Academia. Muitos passaram por esta Casa, desde Joaquim Nabuco”.
Merval é o oitavo ocupante da cadeira número 31 da ABL, que tem como fundador Guimarães Junior, e patrono, Pedro Luís. Foi ocupada por João Ribeiro, Paulo Setúbal, Cassiano Ricardo, José Cândido de Carvalho, Geraldo França de Lima e Moacyr Scliar.
É autor de “A segunda guerra, sucessão de Geisel”, da Editora Brasiliense e “O lulismo no poder”, da Editora Record, entre outros."

Cultura popular é tema de Mostra Nacional de Vídeo




I Mostra de Vídeos Brincantes realizada no Cariri receberá trabalhos de diversos estados brasileiros sobre cultura popular.





Será realizada no período de 17 a 20 de agosto na cidade do Crato-CE a I Mostra de Vídeo Brincantes. A intenção é reunir produções brasileiras, amadoras e profissionais em audiovisual sobre cultura popular.


Um dos objetivos da Mostra é criar um acervo audiovisual sobre cultura popular para ser disponibilizado para pesquisa cientifica e como recurso didático para as escolas de ensino básico.
O evento consistirá de apresentação pública dos vídeos em telão que será montado no espaço aberto do Centro Cultural do Araripe, oficina de vídeo com Leo Dantas e Siqueira Jr e central de reprodução de vídeos para o publico, ou seja, os interessados poderão adquirir no local os vídeos que estarão sendo exibidos. Os grupos da cultura popular estarão sendo convidados tanto para assistir, como para receber cópias de vídeos e participar da “brincadeira”.


A iniciativa da Mostra é do Coletivo Camaradas e conta com a parceria da Universidade Regional do Cariri – URCA, através da Pró-Reitoria de Extensão – PROEX, Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC, Secretária Municipal da Cultura do Crato e Sociedade Cariri das Artes


As inscrições poderão ser realizadas até o dia 01 de agosto na sala da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri – URCA campus do Pimenta ou pelos Correios. (Ver o regulamento no link: http://coletivocamaradas.blogspot.com/2011/05/regulamento-da-i-mostra-de-video.html).


Os vídeos produzidos pelo Projeto de Extensão da URCA “No Terreiro dos Brincantes” serão apresentados durante o evento. O Projeto consiste em visitas aos terreiros da cultura popular da região do Cariri e produção de pequenos vídeos. Já foram produzidos quatro e estão sendo finalizados mais quatro.

Serviço:
I MOSTRA DE VÍDEOS BRINCANTES
Coletivo Camaradas
www.coletivocamaradas.blogspot.com
Informações adicionais falar com Alexandre Lucas
Email: alexandrelucas65@hotmail.com (88)99772082

PROEX: (88)31021200

Atualizar a Paz - Emerson Monteiro





Nada mais fora de moda que pensar em guerra, agressão e tristeza. Andar nas calçadas sujas sem os horizontes da tranquilidade. Seguir as burrices dos traçados obscuros. Pisar as flores, invés de olhar por onde pisa. De cabeça nas nuvens, sair machucando o coração dos pedestres no leito das estradas. Chegar onde, visar o quê, em que direção sonhar, quando o mundo gira bonito no espaço? Os pássaros cantam nas campinas. Meninos brincam leves e soltos nos jardins.

Falar mal por quê? Para, esquecidos das oportunidades boas, rodar a roleta da sorte e perder toda vez, no final de todas as batalhas. Fama de mau e chegar de olhos vesgos nas portas dos presídios. Andar fugindo das fiscalizações da consciência. Tudo isso a preço de coisa alguma. Só remorsos posteriores fecham o beco dos dramas abandonados nas esquinas do passado.

Sim, entoar o coro das harmonias universais em nome da falta de jeito. Amargurar várias e dores antigas no centro do peito, dentro dos pulmões amargurados de fumaça. Desencontros não falam na paz dos territórios da alma. Contar histórias diferentes, por tudo isso. Buscar amigos, cultivar a boa vizinhança, o que coisa alguma justifica dores de outros partos. Discutir por picuinhas, desfazer das outras criaturas em face do orgulho, da inveja e do ciúme, quanto despautério. E por causa dos dinheiros que correm soltos também não esclarece o motivo da ausência da paz em tantos sentimentos, neste mundo bonito e desprezado pela falta dos planos na paisagem das manhãs ensolaradas.

Paz, harmonia, desejos de construções coletivas. Amar, meus irmãos! O que Jesus tão bem nos ensinou através das práticas, neste mesmo chão das raras possibilidades. Jesus, o Mestre da Paz, no meio dos séculos da guerra dos poderosos. Jesus, a lição viva da Luz na sociedade dos homens. Criar núcleos de solidariedade, fraternidade que produz futuros certos e filhos envoltos nos sonhos das realizações plenas. Atualizar o gosto bom da Justiça no seio das comunidades. Equilibrar as energias e lembrar as alternativas puras da Verdade e o crescimento.
Escolher lado limpo nos costumes, corrigir os vícios e trabalhar a correção do comportamento de todos, a começar de um em um; somar os valores que revelarão as novidades da Virtude. Tarefas individuais expõem métodos para transformar a face do Universo no rosto de cada pessoa. Uma chance para a Paz no mais íntimo ser da Criação.

Dar o primeiro passo, fazer o primeiro gesto, hora essencial de buscar o melhor, portanto e por tudo. Nos céus, a Esperança, modos outros que descobrirão as imensas qualidades que habitam acesos os espaços da nossa querida Humanidade.

O Paraíso de Vittorio Di Maio


"O cinema é o modo mais direto de entrar em competição com Deus."

(Federico Fellini)

Idos de 1926, Fortaleza. Praça do Ferreira, o coração da capital cearense. À tarde um velhinho , carregando tropegamente o peso dos seus setenta e quatro verões, pobremente vestido, tentava evitar a queda que se prenunciava a cada passo dado, arrimando-se numa tosca bengala. De repente, a gravidade, por fim, fez valer a sua força e o ancião tomba na calçada do antigo “Art Noveau”. Os transeuntes demoraram a perceber que não se tratava de um tombo qualquer, aos poucos , desinteressadamente, notaram: o velhinho não mais fazia parte do mundo dos vivos, fora fulminado por um ataque cardíaco. Ali permaneceu, exposto à curiosidade pública, totalmente anônimo e desprovido de recursos, uma das mais históricas figuras da cultura brasileira. Por ironia do destino,pobre, findava seus dias na mesma calçada em que deu à luz à sétima arte em terras de Alencar.

Chamava-se Vittório di Maio. Nascera em Nápoles na Itália em 1852. Sabe-se lá porque aportou no Brasil, o certo é que por aqui chegou em fins do Século XIX. Os primórdios do Cinema tinham acontecido em Paris em 1895, com os Irmãos Lumière e no ano seguinte já se tinha repetido a experiência inovadora no Rio de Janeiro. O Cinema nacional, no entanto, começaria com aquele napolitano magricela. Em 1º. De Maio de 1897, na Cidade de Petrópolis, no Teatro Cassino-Fluminense, Vittorio di Maio, exibiu, no seu “Cinematógrafo”, os primeiros filmes feitos em terras tupiniquins. Quatro Curtas-Metragens, neles apareciam: uma artista circence, uma apresentação infantil de um colégio do Andaraí, o terminal de bondes de Botafogo e a chegada de um trem na estação de Petrópolis. Di Maio fez-se expositor ambulante, mas fundou Cinemas em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul , na Bahia e os vento do destino terminaram por ligá-lo definitivamente ao Ceará. Vittorio talvez tenha sido levado a interiorizar a sétima arte por conta da forte concorrência que terminou surgindo no Sul e Sudeste, só na década seguinte à apresentação pioneira e histórica de Petrópolis surgiram mais de 20 salas de espetáculos no Rio e outras tantas em Sâo Paulo.

O certo é que Di Maio chegou em terras cearenses em 1907. Por aqui já se ensaiavam, na capital, os primeiros rudimentos de Cinema : o Bioscópio que foi introduzido em Fortaleza por um outro italiano : chamado Paschoal. Ele exibia pequenos rudimentos cinematográficos como : “Jubileu da Rainha Vitória” e “Os Pombos de São Marcos”. Outros Bioscópios se seguiram : um trazido por Arlindo Costa, colocado num paredão existente na Rua Major Facundo; um outro na Praça do Ferreira e outro num prédio onde depois funcionou a Faculdade de Farmácia do Ceará. No Crato, no mesmo período, aqui já chegou a novidade, trazida por Luiz Gonzaga – o Gozaguinha que foi o nosso primeiro fotógrafo . Gonzaguinha fora a Fortaleza comprar material fotográfico e trouxe a novidade para o Crato. Instalou a “Lanterna Mágica” na primeira sede do Grupo Teatral “Os Romeiros do Porvir” que fora fundado por Soriano de Albuquerque em 1902 e de que Gonzaguinha fazia parte. A sede existia num casarão da Rua Miguel Limaverde e causou frisson na cidade, uma vez que a magia tinha que acontecer no escuro e facilitava os namoros, as apalpadelas, numa vila ainda profundamente provinciana.

Pois no mesmo 1907, Di Maio, trazia consigo uma verdadeira evolução da sétima arte : “O Animatógrafo” e fundou, em Fortaleza, o nosso primeiro Cinema ,nos fundos da Maison Art Nouveau, no mesmo local onde, vinte anos depois , cairia fulminado pelo enfarte. Em 1909 duas outras salas foram erguidas em Fortaleza : o Cine Rio Branco, por Henrique Mesiano e o Cassino Cearense por Júlio Pinto.

Há exatos cem anos, em 03 de junho de 1911, Di Maio ligou definitivamente seu nome à história do Cariri, inaugurando em Crato o “Cinema Paraíso”, o primeiro de todo interior do Ceará. Apenas dezesseis anos após a primeira exibição mundial de um filme, o Crato já possuia um cinema. A sala situava-se na Praça da Sé, defronte ao prédio do Museu, onde antigamente funcionou a Biblioteca Municipal e, ultimamente, uma botique e os bares “Guardinha” e “João Penca”. A tela ficava do lado oposto ao do Museu e a sala de projeção num sobrado pequenino que olha para a Fundação J. De Figueiredo Filho. Segundo Florisval Mattos : “inaugurou o cinema Paraíso o filme Borboletas Douradas. Um dos assistentes contou-me que as borboletas apareciam voando, e, quando pousavam, invés de borboletas eram mulheres…”.

O Cinema marcou definitivamente a vida da nossa cidade. Foi o primeiro veículo de mídia visual que tivemos. Sucederam-se outras salas de espetáculos: O Cassino Sul Americano em 1918, O Cine Moderno em 1934 , o Cine Araripe nos Anos 50 e o Cine Educadora já nos anos 60. Di Maio nem percebeu, em vida, a revolução que trouxe para as terras de Frei Carlos. De repente a magia começou a nos despertar para o mundo com suas possibilidades e complexidades. Mudaram os costumes, o escurinho propiciou todo um clima para os namoricos dos nossos avós. Muitas gerações terminaram profundamente marcadas pelo encanto da telona, basta ver a invejável quantidade de cineastras que saíram das terras de Frei Carlos : Hélder Martins, Ronaldo Correia de Brito, Jéfferson Albuquerque,Francisco Assis, Hermano Penna, Rosemberg Cariri, Luiz Carlos Salatiel, Bola Bantim, Pedro Ernesto Osterne, Petrus Cariri, José Roberto França,Glauco Lobo, Virgínia, Fernando Garcia, Francioli Luciano, Wanderley Vancillus,Franklin Lacerda, Alexandre Lucas, Émerson Monteiro, Luiz José e tantos, tantos outros.

Hoje a cidade que foi o berço do cinema em todo interior do estado, não possui mais uma sala de espetáculo sequer. O cinema hoje é para ser apreciado por uma elite nas fechadas salas de shopping ou sob a redução impensável do DVD e do Blue-Ray.Di Maio foi totalmente esquecido por uma região que tem uma amnésia toda preferencial por nossos vultos realmente importantes. A maior homenagem que podemos prestar a Di Maio neste centenário do cinema no Cariri seria reabrir nosso novo Cine Teatro Moderno para exibição de filmes clássicos nacionais e estrangeiros, com porta aberta. Aí, quem sabe assim , o filme da nossa cidade terminasse com um final apoteótico e feliz e o Cinema Paraíso , cem anos depois, nos transformasse numa Cidade Paraíso.

J. Flávio Vieira

A justiça é cega? Hahahahaha


(Charge de Bessinha)

Assim escreveu Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada): 

"A prisão de Pimenta das Neves 11 anos depois do homicídio.

Os dois HCs Canguru em 48 horas de Daniel Dantas.

A fuga de Roger  (ele se mudou e vende tudo) Abdelmassih.

Esses episódios chamam a atenção para a hipótese de a Justiça brasileira tender a perdoar os ricos.

A decisão sobre a extinção da Operação Castelo de Areia e a hipótese de que isso venha a acontecer com a Satiagraha levam a suspeitar que rico no Brasil não vai preso e, sequer, pode ser investigado.

 Se fossem pobres, Abdelmassih e Dantas estariam soltos ?
Não
Rico não vai em cana
Sim
A Justiça é cega"


Economistas erraram de novo - Paulo Moreira Leite em seu blog na revista Época

Este artigo foi publicado no blog de Paulo Moreira Leite na Revista Época. É de autoria dele e, claro, observando um evento pós-facto, qual seja não houve o estouro da inflação que excitava a oposição ao governo federal. O texto critica os economistas que tentam adivinhar situações futuras como instrumento de constrangimento político. Quem perde? Os economistas é claro. Mas também, quem gosta de política de um lado e outro do debate: situação e oposição.



Depois de ler os últimos números da inflação, acho que temos o direito de dar uma nova versão para uma velha frase.

Errar é humano. Errar duas vezes é burrice.

Errar três vezes é coisa de economista.

Parte de nossos economistas — alguns muito prestigiados — deveria fazer uma autocrítica pública em função de seus prognósticos mais recentes.

Muitos profissionais ligados a oposição ou que tem uma visão de politica econômica contrária a do governo Dilma, e que estão no rádio, na TV e nos jornais, formaram um coro nas últimas semanas para colocar o país em estado de alerta vermelho em função de um fantasma inflacionário.

O teto da meta da inflação é de 6,50%. Chegou-se a 6,51%, ou seja, apenas um milésimo (isso mesmo: 0,01%!) acima do teto, mas foi suficiente para se fazer um escândalo.

Dizia-se que a alta de preços estava fora de controle e que era preciso dar uma pancada forte nos juros — eufemismo para encaminhar o país para uma recessão.

Logo surgiram vozes para anunciar — com ares implacáveis — propostas de arrocho salarial. O argumento é que os preços não subiam por causa da expansão do crédito, apenas. Não. Era preciso ir mais fundo e encarar a dolorosa realidade de que os salários ficaram altos demais e pressionam os preços.

O raciocinio é assim: desemprego baixo impede as empresas de pagarem salários baixos, pois os trabalhadores — esses espertinhos — tem a chance de procurar ganhar um pouco mais em outro lugar. Com a pancada nos juros e a volta do desemprego alto tudo poderia retornar a seu lugar, como antes.

Num ambiente que lembrava pré-Grécia, pré-Irlanda, pré-Portugal e outros países europeus que encaram a ruinosa politica de austeridade do Banco Central Europeu, as chamadas medidas macro-prudenciais do Banco Central, elaboradas com a intenção de controlar a inflação sem produzir estragos desnecessários, numa operação delicada, difícil, com um certo risco, eram tratadas com ironia e sarcasmo.

Contos da carochinha, assoprava-se. Não havia como escapar da herança maldita deixada por Lula, gritava-se.

Menos de um mes depois, a realidade é outra. Em queda, a inflação está em torno de 5,5%. O crescimento foi afetado, sim. Ficará em 4,5%, quem sabe 4%. Não é, com certeza, aquilo que o país necessita.

Mas é um número que demonstra que aquelas medidas tão criticadas podem dar resultado. Podem ocorrer novas surpresas e dificuldades. Mas o saldo é favorável, pelo menos até agora.

Surpresa? Nem tanto. Se você fizer uma pesquisa rápida nos jornais, verá que nossos economistas erraram sempre — a atividade de prever o amanhã é sempre complicada — mas erraram mais em anos recentes. Anunciaram o caos em 2003. Disseram que o país teria um desempenho sofrível em 2004 e uma “grande frustração” a partir de 2005. Eles chegaram a denunciar Lula e Guido Mantega como irresponsáveis por ampliar o crédito e estimular o consumo depois da crise mundial de 2008, pois o desemprego em massa era uma fatalidade e os assalariados não podiam abrir mão de sua poupança para enfrentar dias de amargura. (Rs rsrsrsrsrsrs…)

Mas confesso que nada me produz tantas cócegas quanto as reflexões sobre a nossa legislação trabalhista. Nossos economistas passaram as duas últimas décadas repetindo um mantra: sem o fim da CLT não seria possível criar novos empregos. O país estava engessado, o empresário não tinha estímulos para contratar, as leis trabalhistas só protegiam uma casta. A verdade está ai. Em determinados lugares, vive-se aquilo que se chama de pleno emprego. Em outros, a oferta de postos de trabalho atinge um patamar recorde. A CLT não saiu do lugar. Pelo país inteiro, milhões de trabalhadores que há anos eram mantidos na condição dolorosa de comparecer ao batente sem nenhuma garantia agora tem décimo-terceiro, férias, descanso remunerado.

Essa situação não chega a ser uma novidade para alunos aplicados no estudo das surpresas e sutilezas da economia. Desde que John Maynard Keynes escreveu sua Teoria Geral do Emprego sabe-se que as empresas contratam trabalhadores porque precisam, e pagam por eles os salários que necessitam pagar. Como regra geral, contratações e demissões são produtos do ambiente geral da economia e apenas confirmam a verdade de que a experiencia real desafia a visão de senso comum. Os trabalhadores americanos conquistaram suas principais garantias na década de 30, quando o país estava mobilizado para vencer o desemprego e encerrar a Depressão provocada pela crise de 29.

Embora o pedantismo econômico e a linguagem tecnocrática tenham saído de moda, é sempre conveniente garantir rigor e cuidado numa análise. Estamos falando de 190 milhões de pessoas, de uma economia que pretende se tornar uma das maiores do mundo.

(Agradeço o alerta de comentaristas do blogue e do twitter para esclarecer que não considero que todos os economistas do país se comportam dessa maneira. Seria errado pensar assim. Muitos pensam de outro modo. Outros não se dedicam a análises da conjuntura econômica nem procuram apontar tendencias. )

"PEQUENO GRANDE GESTO" - José Nilton Mariano Saraiva

E de repente, de uma área não muita afeita a manifestações da espécie, porquanto povoada por “machões sarados”, aparentemente embrutecidos, e ainda por cima praticantes de um esporte onde o contato físico forte e ríspido é uma constante, uma atitude inusitada, um laivo de ternura e afeto, um “pequeno grande gesto”, que parece ter passado despercebido pela maioria dos que o vivenciaram, ao vivo ou via telinha (pelo menos não se ouviu ou se leu nada, a respeito).
Deu-se na frienta noite londrina, no novo e monumental estádio de Wembley, por ocasião da partida final da Copa dos Campeões da Europa, quando se enfrentaram as tradicionais e caras esquadras do Barcelona (Espanha) e Manchester United (Inglaterra), dois dos maiores expoentes do mundo futebolístico da atualidade.
Aos fatos.
Quase ao final do aguardado confronto, que mobilizou adeptos do futebol em todo o mundo (aos 43 minutos do segundo tempo) com o jogo já definido e o título assegurado em favor do excepcional Barcelona (3 x 1), o técnico Guardiola (ex-jogador do próprio clube), numa atitude de grandeza e desprendimento, resolve prestar uma justa homenagem ao seu correto “capitão”, o aguerrido zagueiro Puyol, que, lesionado, não tivera condição de adentrar ao gramado, de início; então, faltando dois minutos para o término da pugna, convoca-o a substituir um companheiro, com o claro intuito de, naquele momento maior, no ápice daquela gloriosa jornada, braçadeira de capitão no braço, fazê-lo erguer o troféu de campeão e, consequentemente, aparecer para a posteridade nas TVs de todo o mundo, ao vivo e a cores, e na primeira página dos principais jornais do mundo, dia seguinte.
Providenciada a substituição, daí a pouco o juiz determina o término da partida. E foi então, no momento da premiação, ante um batalhão de fotógrafos e centenas de canais de televisão de todo o mundo, que deu-se o inusitado, aquilo que denominamos um “pequeno grande gesto”, pelo espontaneidade e nobreza do ato: o guerreiro Puyol, evidentemente que fugindo do script armado pelo técnico Guardiola, mostra toda a sua humildade e excelência de caráter, ao abdicar de tamanha honraria e delegar ao discreto companheiro Abidal (lateral esquerdo), o privilégio de erguer o troféu, como se fora o verdadeiro “capitão” da equipe catalã.
Explica-se: meses atrás, Abidal fora desenganado pelos médicos, em razão da descoberta de uma grave e normalmente letal enfermidade (“câncer” no fígado) e fora afastado sumariamente das atividades esportivas; agora, após um tratamento pra lá de penoso, ali, ante um estádio ocupado por 80 mil pessoas e com a partida sendo transmitida pra bilhões de telespectadores em todo o mundo, além da confiança do técnico Guardiola em escalá-lo e mantê-lo durante toda a partida, Puyol, o “capitão” de todos eles, que entrara ao final do jogo unicamente pra “exercitar o que lhe conferia a patente”, humilde e simbolicamente transferia pra ele, Abidal, o privilégio de erguer o troféu de campeão.
Uma cena de cortar corações e levar qualquer um às lágrimas (embora alguns teimem em afirmar que “homem que é homem não chora”).
Pois, acreditem, não resistimos à cena e “abrimos o berreiro” (e prestamos esse depoimento, sem nenhum constrangimento).

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Às ruas" - José Nilton Mariano Saraiva

Já não dá pra ignorar o óbvio ululante: que em razão da falta do decisivo e imprescindível "componente político", o “chefe” do poder executivo municipal do Crato não tá com nada em termos de relacionamento com o “chefe” do poder executivo estadual; não é necessário se ser nenhum expert na matéria, pra observar que se ergueu entre os dois uma espécie de muro muito alto, autentico paredão, aparentemente intransponível, impeditivo de qualquer avanço; que uma antipatia mútua estabeleceu-se entre os dois homens que comandam os dois poderes, criando arestas irremovíveis; e que, principalmente, não dá pra ficar alheio que quem mais perde com isso (sob qualquer perspectiva que se analise) é o município do Crato e sua população, já que obliterados das decisões governamentais (afinal, só um dos “chefes” é que detém o poder de uso da “caneta”).
A “coisa” chegou a tal ponto, escancarou de vez, materializando-se definitivamente a má vontade do “chefe” para com o “subordinado” (em termos de estrutura estadual), que o irascível sobralense que exerce o Governo do Estado circulou no Crato anonimamente, não dando a mínima para o prefeito da cidade, não se fazendo anunciar antecipadamente, como sói acontecer em ocasiões da espécie, numa falta de respeito e consideração explícitas.
E agora, num arrufo de prepotência e arrogância desvairadas, manifesta Sua Excelência seu desejo de “fechar o caixão” do Crato definitivamente, mostrar quem é quem ou quem manda onde, acabar de vez com qualquer perspectiva de conversa ou acordo, ao insistir e persistir em implantar o nauseabundo e repugnante "lixão do Cariri" (com sessenta por cento da "matéria" oriundos de Juazeiro do Norte e os quarenta por cento restantes das demais cidades), em uma das nossas mais aprazíveis localidades (Ponta da Serra), quando os estudos de viabilidade apontam como melhor local para tal atividade uma área isolada do município de Caririaçu (se tal acontecer, e o distrito de Ponta da Serra – alô, Antonio Correia - for mesmo “PREMIADO” com tal “BENEFÍCIO”, até a nossa bendita água, cantada e decantada em verso e prosa, será seriamente afetada, já que o lençol freático restará contaminado, ad finem); sem se falar na praga de urubus, ratos, baratas e o escambau, além do mau cheiro e da poluição provocada pela horda de “catadores” prontos a chafurdar o local, transformando-o numa pocilga a céu aberto (com todos os malefícios à saúde daí advindos).
Isto posto, acreditamos necessário se estruturar imediatamente um movimento suprapartidário, congregando clubes de serviço/instituições diversas (Lions, Rotary, Maçonaria, CDL, etc), associações comunitárias, sindicatos, a mídia em geral e a própria Câmara Municipal, visando convocar ÀS RUAS (vapt-vupt) a população da cidade, objetivando “mostrar ao rei” que o Crato tem dono, sim (sua população), que merece respeito, e que não aceitaremos se por de quatro em obediência à vontade “imperial” de um alienígena (sobralense) sem nenhum compromisso com a cidade; enfim, há que se estampar nosso repúdio claro e veemente diante tamanha e tão grotesca agressão. E não aceitar, em hipótese alguma, que tal crime seja cometido.
Na oportunidade (e pra que não se cometa nenhuma injustiça com o Governador do Estado), bem que se poderia outorgar o título de “persona non grata” ao cratense (???) Camilo Santana, Secretário de Estado e atual “queridinho” do chefe do executivo cearense (a ponto de ser cotado por Sua Excelência para ser candidato à Prefeitura de Fortaleza) que, ao invés de pelo menos tentar ajudar sua terra-mãe, só tem lhe trazido desgosto, contratempo e decepção, já que omisso e navegante da contramão da história (estão lembrados do imbróglio da “relocalização” do nosso Parque de Exposições, tendo o próprio à frente ???).
Portanto, ÀS RUAS, cratenses, antes que o pior aconteça.

Juazeiro recebe, em um ano, 70 mil livros


Num esforço concentrado entre Elmano Rodrigues (foto), da Fundação Enoch Rodrigues, e Franco Barbosa, assessor técnico da Secretaria de Cultura de Juazeiro do Norte, Juazeiro recebeu, neste sábado, 28 de maio de 2011, mais 35 mil livros, vindos diretamente de Brasília, doados por diversas instituições, como: a Escola de Administração Fazendária, ESAF, Ecocâmara, Câmara dos Deputados, Arca das Letras, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Fundação Assis Chateaubriand, Chico Aquino, da Assessoria da Presidência da Câmara dos Deputados, etc.

Há um ano, Elmano Rodrigues, que já faz este trabalho para todo Brasil, começou a juntar livros para o projeto UMA BIBLIOTECA EM CADA COMUNIDADE, que tem como objetivo instalar, no ano do Centenário em Juazeiro do Norte, 20 bibliotecas. Neste sentido, em setembro do ano passado, vieram de Brasília 35 mil livros, somando agora mais 35 mil. São esforços desse cearense que nasceu em Farias Brito, reside há 30 anos em Brasília e é funcionário da Editora da Universidade de Brasília. O trabalho de Elmano Rodrigues começa receber apoio da mídia nacional e das instituições, e de mais de 50 editoras de Brasília. O projeto das bibliotecas comunitárias agora recebeu o apoio da Escola de Administração Fazendária, com doações de mais de 100 prateleiras, e 700 bibliocampos.

Segundo Franco Barbosa, a princípio os bairros de Juazeiro do Norte que serão beneficiados são Aeroporto, João Cabral, Frei Damião, São José, Parque Antônio Vieira, Betolândia, Jardim Gonzaga, Horto, Limoeiro, Tiradentes, Socorro; e, na Zona Rural, Sitio Popo, Carás, São Gonçalo e Gavião.

RECICLAGEM

A Prefeitura de Juazeiro do Norte tem uma preocupação especial com a formação de profissionais especializados para suprir as necessidades do mercado de trabalho na Região em diversas áreas, especialmente em reciclagem, dando uma contribuição especial para a preservação do meio ambiente, colocando como exemplo o belo trabalho que vem sendo realizado pela Universidade Patativa do Assaré no Bairro Vila Nova, que já vem atraindo a atenção de setores de áreas governamentais que já começam a contribuir no desenvolvimento e fomento das instituições, tornando-as autossustentáveis.

A Universidade Patativa do Assaré em parceria com a Prefeitura Municipal abriu a primeira biblioteca comunitária do Bairro Aeroporto, com mais de 4 mil títulos. E o acesso da comunidade aos livros, segundo Palácio Leite, diretor da instituição, é uma prioridade. “As bibliotecas comunitárias devem ficar sob a custódia de instituições confiáveis. Não é qualquer associação comunitária que vai receber uma biblioteca. É preciso que o trabalho com a comunidade seja eficiente, e acessibilidade aos livros seja constatada”, enfatiza Franco Barbosa.