TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Inscrições abertas para aulas de danças no Cariri

Sentir a dor alheia - Emerson Monteiro



Isto já ensinam as religiões desde priscas eras, em se colocar no lugar do outro nas horas necessárias, para saber o que ele sentirá diante das circunstâncias que o levaram ao erro de comete delitos graves ou leves quais sejam. Antes dos julgamentos prévios há de haver essa formação de uma consciência da dor que ele amargura, e, só então, agir e condenar.

Tais avaliações anteriores às sentenças previnem o risco das limitações humanas; o impulso dos interesses particulares e injustos. Invés de jogar mais carga nas costas dos semelhantes pela precipitação, buscar, sim, diminuir o peso que outros carregam, porquanto, no solo comum das existências, funcionam bases maiores da justiça que predominam todo tempo.

Inúmeras vezes, o egoísmo dos desejos próprios determina as ações das criaturas, levando-as ao tribunal antes de realizar os julgamentos a que se propõem. No Evangelho, Jesus trata o assunto com extrema clareza quando fala de quem enxerga o argueiro no olho dos outros e não vê a trave que existe no olho de quem julga. Bem humano esse jeito de laborar, no transcorrer dos séculos.

Com isso, aprender a lição da transferência para si mesmo das agruras alheias, o que facilita sobremodo o gesto de viver, orientação dos campos da sabedoria. Observar na distância de algumas braças até compreender e julgar, e procurar a justiça nos armários da consciência individual, pois a lei superior mora gravada no íntimo do ser que somos, a fim de enquadrar os companheiros de viagem nos artigos em que é sujeito lá estarmos escondidos, eis uma norma de real valor, neste mundo ainda contraditório.

O resultado dessa atitude refinada produzirá frutos bons junto ao direito universal da Natureza, nos momentos que virão depois, guardando saldos positivos de bênçãos em forma de saúde perfeita, amizades, respeito coletivo e construção definitiva das esperanças de um paz social duradoura em benefício de todos nós.

sobre a vírgula

Vírgula pode ser uma pausa... ou não:
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro:
23,4.
2,34.

Pode criar heróis:
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução:
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião:
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar:
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo:
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.



Detalhes Adicionais:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.



* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...

* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...

Por quê ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Meses atrás, no transcurso e após a horripilante e pavorosa tragédia que se abateu sobre a decantada cidade do Rio de Janeiro (sem favor nenhum, uma das mais belas e sofisticadas metrópoles do mundo), pela insistência e recorrência um detalhe chamou a atenção de todos nós: quando algum sobrevivente ou membro de alguma família envolvida na tragédia provocada pelo excesso de chuvas tinha a oportunidade de manifestar-se ante as câmeras televisivas, não perdia a chance de louvar a Deus, de garantir ter sido a “mão de Deus” responsável por retirá-lo do meio da enxurrada, de reafirmar que somente a “intervenção divina” explicaria sua sobrevivência e, enfim, que por sua benevolência e magnanimidade “Ele” seria merecedor de todos os créditos e honrarias por ali se encontrar, vivo.
Mas...
Como explicar, então, às famílias enlutadas, o destino fatídico e cruel de quase mil pessoas, dentre as quais dezenas de crianças inocentes e idosos ainda saudáveis, PAVOROSAMENTE SOTERRADAS (vivas) pelos deslizamentos, ou levadas de roldão, ribanceira abaixo, sem qualquer chance de reação, pela força descomunal das águas das chuvas (vindas do céu) ??? Como justificar, de forma consistente e convincente, que a “mão de Deus” não haja guiado essas dezenas de centenas de pessoas, em meio à violência do turbilhão, a uma ilha qualquer, a um porto seguro, salvador e de águas plácidas e cristalinas ??? Como explicar que a benevolência e magnanimidade do “homem lá de cima” (como o rotulou um dos sofridos sobreviventes) hajam contemplado alguns, enquanto, desafortunada e desgraçadamente, famílias inteiras (pais, mães, filhos, parentes outros e simples conhecidos) desciam de roldão na enxurrada, evidentemente que aterrorizados, sem vislumbrar qualquer perspectiva de salvação ??? Que Deus é este que, ao tempo em que concede a “graça e salvação” a alguns, despreza ou esquece de tantos outros fervorosos adeptos ??? Ou será que a “graça e salvação” estariam no desaparecer prematuro, no ir-se mais cedo desse mundo conturbado e violento e, portanto, os que prematuramente pereceram seriam, em verdade, uns privilegiados, ou “escolhidos” de Deus ??? Quais os critérios determinantes para se esclarecer quem deve ou não deve ser salvo pela “intervenção divina”, numa tragédia de tamanha proporção e força ???
Se a chuva é uma “benção dos céus” ou uma “dádiva divina” ou "um presente de Deus", existirá um “Deus” magnânimo e benevolente e um outro cruel e maldoso, capaz de fazê-la provocar tamanha catástrofe ???
POR QUÊ ???

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

isso?

Ainda uma esperança
A que se cansa
Que morre primeiro
Que subverte e convida a andar pra trás
Pra frente já se vai
Resta-nos o acomodar dos esperançosos
Certamente que a linguagem do globo
está perto do domínio da imagem
chegaremos ao futuro sentados, piscando os olhos
A tela é invertida
Ao que me parece, ela é que nos vê
O novo é um ciclo de sabotagens
Quero escrever pra ontem

Ver... pra crer - José Nilton Mariano Saraiva

Os que trafegam pelo litoral cearense certamente se depararão, em algumas das suas belas praias (Aquiraz, Mucuripe e Pecém, por exemplo) com aqueles enormes “cata-ventos”, de apenas três pás (hélices ou palhetas), fincados lá na parte mais alta das dunas. São as tais “centrais-eólio-elétricas”, produtoras da energia gerada pela força dos ventos (e que colocam o nosso Ceará no panteão de maior produtor nacional de tal espécie de força-motriz).
O que é difícil de observar, já que normalmente as vislumbramos de passagem, ao longe e em movimento (normalmente, de dentro do próprio carro), é a dimensão ou o tamanho da “coisa”.
Pois bem, ontem, durante a corriqueira caminhada matinal, vislumbramos três enormes carretas estacionadas no acostamento do final da Avenida Aguanambi/ começo da BR-116, na saída/entrada de Fortaleza; fomos lá conferir, já que realmente chamavam a atenção. Para se ter idéia do tamanho delas (na verdade, composta de apenas uma “boléia”, ou cabina do motorista, mas com vários “estrados” de carrocerias, conjugados), basta que se diga que cada uma tinha “APENAS” e tão somente 34 (trinta e quatro) pneus (daqueles enormes, quase do tamanho de uma pessoa mediana).
O mais substantivo, no entanto, capaz de deixar qualquer um boquiaberto (ou de queixo-caído), era a carga que cada uma transportava: as “pás” (hélices ou palhetas) dos tais “cata-ventos”: uma peça única, corrida (sem emendas ou sequer parafusada), medindo incríveis 45 (quarenta e cinco) metros de comprimento (correspondente à altura de um prédio de 15 andares, sim) por cerca de 02 a 03 metros de largura (na base), e cerca de 1,5 metros na sua parte final. Só vendo... pra crer (assustador, até).
Curioso, pedimos licença, nos identificamos e abordamos educadamente aquele que nos pareceu ser o chefe do grupo (e fomos muito bem recepcionados), quando tomamos conhecimento, também, que cada uma delas pesava “APENAS” e tão somente 10 (DEZ) TONELADAS (cada carreta carregava duas) e que a velocidade máxima do veículo, na estrada (num retão) atingia “incríveis” (???) 40 (quarenta) quilômetros por hora (imaginem numa subida). Estavam vindo de São Paulo (evidentemente que já há vários dias), se dirigiam para a cidade de João Câmara, no Rio Grande do Norte e contavam com uma escolta (lá presente) de quatro carros (de marca Fiat), conduzindo “seguranças” de uma empresa privada.
Agora, vocês, aí do outro lado da telinha, botem a imaginação pra funcionar: se cada uma dessas “pás” (hélices ou palhetas) tem esse tamanho e pesa esse absurdo (e nós vimos, ao vivo), e cada “cata-vento” recebe três delas (ou trinta toneladas) qual será o diâmetro e peso dessa “base de sustentação” em que serão instaladas, sabendo-se que sua altura é de 50 (cinqüenta) metros; imaginemos, também, o grau de dificuldade de se descarregar (como já o fora carregar) tal “brinquedo”, transportá-lo, tanto ao longo da estrada como lá pra parte mais alta de uma duna, içá-lo a 50 metros de altura e, finalmente, acoplá-lo à base (que tipo de guindaste se presta pra tal tipo de serviço e qual o “parafuso” capaz de sustentar ou agüentar o tranco ???); imaginemos, ainda, a força descomunal que deve ter o vento pra mover não só uma, mas três “geringonças” desse porte, a fim que o gerador seja acionado e a energia produzida; e, o mais importante, imaginemos qual o critério técnico usado para se determinar em que parte desse imenso Brasilzão tais tipos de projetos são viáveis (onde tem vento com força e constância capaz de), já que, além de toda uma logística de produção e transporte, e o conseqüente custo exorbitante, naturalmente há que se obedecer a rígidos critérios técnicos que não admitem falhas de avaliação e escolha do local a ser instalado.
E saibam, de quebra, que no Ceará se encontra não só a primeira “usina-eólio-elétrica” do mundo construída sobre dunas de areia, bem como a maior usina do gênero, da América Latina; a primeira, se acha instalada na Praia da Taíba, no município de São Gonçalo do Amarante (55 quilômetros de Fortaleza), e a segunda, na Prainha (em Aquiraz, 30 quilômetros da capital). Além delas, está em pleno funcionamento o Parque Eólico do Mucuripe, com os aerogeradores instalados na Praia Mansa, zona leste da Capital. Juntos, parque e “usinas-eólio-elétricas” do Estado produzem atualmente 17,4 Megawatts (no Brasil são 22,6 MW), sendo 2,4 Megawatts na Praia Mansa, 05 MW na central da Taíba e 10 MW na usina da Prainha.
Enfim, um lembrete: quando você passar por uma dessas gigantescas “usinas- eólio-elétricas”, não custa lembrar de que não se pode mudar um país de dimensões continentais, como o é o Brasil, de uma hora pra outra, ou da noite pro dia, ao toque de uma varinha de condão, antecedido da pronúncia de algumas palavras mágicas. A coisa não funciona assim. E que, inquestionavelmente, perdemos muito tempo, no passado, mas, no presente, estamos alicerçando as bases que nos tornarão, indubitavelmente, numa potência mundial, no futuro (este, mesmo ali, na esquina). Necessário, pois, o esforço de todos pra chegarmos lá.
E a energia, como se sabe, é a mola propulsora ou fator determinante pra que isso aconteça (mas aí teríamos que nos reportar ao Pré-sal, e o espaço não comporta).

Programa Cariri Encantado Sonoridades - 03/08/2011

Conexões musicais: João Gilberto & todas as bossas

João Gilberto nasceu em Juazeiro da Bahia em 10 de junho de 1934. Ele é a síntese da Bossa Nova com sua voz e seu violão inconfundíveis. Foi o maior influenciador de outros músicos que já apareceu na MPB, a exemplo de Chico Buarque e Caetano Veloso. Sem falar de quase todos os cantores, compositores e instrumentistas da primeira geração da Bossa Nova.

Com seu jeito tranquilo aliado a um trabalho que faz questão de ser impecável, por onde ele passou criou histórias pitorescas. Ninguém entendia como algum artista poderia ser tão difícil quanto ele. É conhecida de todos a história do show em que ele dispensou a orquestra e exigiu que se desligasse o ar condicionado. Quem não entendeu o chamou de chato ou excêntrico. Só quem sabe o som que vem da música, o compreendeu.

João Gilberto é aquele que chamamos de Mago ou de Mito. Um dos poucos músicos que carregam o som em suas entranhas - não permitindo distorções, meras invencionices ou truques de estúdio. João percebe qualquer semitom fora de lugar, pois é um perfeccionista, um verdadeiro gênio musical.
Base do texto de Carô Murgel.

As músicas que irão tocar no programa
1. Eu vim da Bahia (Gilberto Gil)
2. Palpite infeliz (Noel Rosa)
3. Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), com Stan Getz e Astrud Gilberto
4. Besame mucho (Consuelo Velasquez)
5. Eu quero um samba (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida)
6. Corcovado (Tom Jobim) - com Stan Getz e Astrud Gilberto
7. Doralice (Dorival Caymmi e Almeida) - com Stan Getz
8. Desafinado (Tom Jobim e Newton Mendonça) - com Stan Getz
9. Pra machucar meu coração (Ary Barroso), com Stan Getz
10. Falsa Baiana (Geraldo Pereira)
11. Ave Maria do morro (Herivelto Martins)

Serviço
O programa Cariri Encantado Sonoridades é produzido pelas Officinas de Cultura e Artes & Produtos Derivados – OCA, e transmitido todas as quartas-feiras, das 14 às 15 horas pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e www.radioeducadoradocariri.com.
Pesquisa, redação e apresentação de Carlos Rafael Dias.
Operação de áudio de Iderval Silva.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

FIM DE FÉRIAS - No Terraçus Bar e Petiscaria




Desfilando sucessos do rock das décadas de 60 a 90, as bandas "HOLYWOOD" e "REI BULLDOG" prometem festejar o final das férias no seu melhor estilo nessa sexta-feira, dia 5 de agosto, no TERRAÇUS BAR E PETISCARIA. A Holywood com o seu repertório voltado para as músicas que fizeram parte das trilhas sonoras dos comerciais do Cigarro Holywood e que já tem uma fantástica legião de fãs pelo Cariri afora, vai abrir a noitada. É a hora de esquentar o friozinho gostoso do sopé da Chapada do Araripe para ouvir as belas canções que a banda nos apresenta, para, em seguida, curtir o maravilhoso som da nova banda caririense que já conquistou o coração da moçada: a REI BULLDOG. Formada por roqueiros que veneram os Beatles, a banda cover dos garotos de Liverpool deverão completar a noitada, com sucessos inesquecíveis e muito som nessa noite que promete ser maravilhosa.

Atenção Beatlesmaníacos! Vamos viver esse fim de férias com toda a alegria e energia que essa noite de sexta-feira promete!

Vamos nessa Cariri!

INFORMAÇÕES:

SERTÃO POP PRODUÇÕES
KAIKA LUIZ
(88) 3521.5398 / 9666.9666 / 88242131

"O Mistério das 13 Portas " no DN

Livro reúne ícones do Cariri

Lançamento do livro ofereceu uma identificação com o público infantil, envolvido com as tradições do lugar

Ilustrações da obra infantil "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica", de autoria do médico José Flávio Vieira, lançado na cidade do Crato

Obra infantil aborda tradições e histórias que povoaram a região, enfatizada por apresentar-se em áudio

Crato. Lançado, nesta cidade, o livro "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica", de autoria do médico José Flávio Vieira, com Ilustrações de Reginaldo Farias. A solenidade de lançamento aconteceu no Cine Teatro Salviano Arraes, antigo Cine Moderno, localizado no calçadão da Rua Bárbara de Alencar.

O livro, engenhosamente, faz uma tessitura dos mitos caririenses e acompanha um CD com 15 Músicas e um Áudio-Livro com a exposição da história. A narração do livro na voz de Luiz Carlos Salatiel é destinada a deficientes visuais, justifica o autor, destacando que é o primeiro livro cearense com áudio.

O projeto foi vencedor do I Prêmio Rachel de Queiroz da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult). Na oportunidade, foi promovido um show com a presença de vários músicos e compositores cearenses que participaram do projeto, entre os quais Luiz Carlos Salatiel, Lifanco, Ibbertson Nobre, Luiz Fidelis, Pachelly Jamacaru, Amélia Coelho, Ulisses Germano, Zé Nilton Figueiredo, João do Crato, Leninha Linard, Abidoral Jamacaru, Fatinha Gomes, André Saraiva, Elisa Moura, João Neto, Bonifácio Salvador, Rodrigo e o Coral Mensageiros de Cristo.

Alusão

Zé Flávio faz questão de dizer que a produção contou com a participação de mais de 60 pessoas que deram sua colaboração, a partir de sua neta, Thais, de 13 anos de idade, que leu o livro com o objetivo de indicar se o texto estava à altura do público infantil. Com base nesta leitura, o autor teve que fazer algumas correções antes de liberar o trabalho para impressão.

A obra destinada ao público infantil trata de um Reino Encantado com o nome de Aimará, localizado no pé de uma serra, com árvores grandes e frondosas, cercado de fontes perenes que banhavam o vale. Ali, nasciam flores e cresciam muitas fruteiras. Era o paraíso dos pássaros, entre eles uma ave especial que era o guardiã do Reino e se chamava Soldadinho. Aimará era governada pelo Rei Tristão e a Rainha Bárbara. Com tantas fruteiras e caças, os habitantes não precisavam trabalhar muito. O Reino criado pelo autor é uma alusão à região do Cariri.

Ao lado, havia outro Reino com o nome de "Trono do Altar", governado pelo Rei Joaquim que, ao contrário do Rei Tristão, era guerreiro, perverso e invejoso. Terminou invadindo o Reino de Aimará. Com o tempo, o Reino foi destruído em consequência do pipoco da pedra da Batateira que inundou a região. Os sobreviventes se refugiaram na serra do Horto, onde se encontra a estátua do Padre Cícero, fundador de Juazeiro.

Ao longo da história, o autor lembra as lendas que povoam o imaginário popular do Cariri. Entre elas, uma baleia que morava embaixo da Igreja da Sé, o boi misterioso, a cobra da lagoa encantada, a pedra de Nova Olinda e outras crendices que construíram e povoaram o mundo do Cariri encantado. No trajeto místico em busca de decifrar o mistério que envolveu a destruição do Reino, o autor denuncia os crimes ambientais, o progresso avassalador e a ganância do homem. Por fim, depois de uma longa caminhada, um dos personagens encontra as 13 portas do Castelo Encantado, que são representadas por 13 mitos que escreveram com o seu jeito de ser a história do Cariri.

Maldição

Uma história construída por gente simples como Canena, uma mulher que vendia tapioca com fígado no Crato antigo. Tandô, um moreno metido a cangaceiro que carregava na cartucheira, ao invés de balas, fragrâncias dos mais diversos perfumes silvestres do Reino.

O Rei da Serra, um ermitão que fez da floresta do Araripe a sua morada e única propriedade. Capela, um travesti valente que se tornou o defensor dos injustiçados. Vicente Finim, o filho ingrato que, por maldição da mãe, virava lobisomem nas noites de lua cheia. Maria Caboré, uma serviçal que morreu de peste bubônica, enquanto tratava dos pais. O Príncipe Ribamar da Beira Fresca, que inventou uma fábrica de descaroçar fumaça. Noventa, um chapeado, um profeta que foi alfabetizado enquanto trabalhava. Zé Bedeu, um boêmio que fez das praças do Crato o seu lar. Padre Verdeixa, um missionário irreverente que arranjava um pé-de-briga por onde passava. Zé de Matos, um poeta que vagava, fazendo poesias nas feiras do Crato. O Beato Zé Lourenço, um líder espiritual que foi perseguido pelos poderosos e Jeferson da Franca Alencar, o ecologista que conseguiu salvar alguma coisa do Reio Encantado.

Identidade

O autor justifica que a história de uma região nem sempre é escrita por nobres. Estes mitos que alimentam conversas de mesas de bares, nos alpendres das fazendas e nos terreiros das casas sertanejas são os verdadeiros símbolos da identidade da Nação Cariri.

Com estes personagens, mitos e crendices, o médio José Flávio com a ajuda de músicos e intérpretes regionais, consegue transformar um elenco de lendas numa denúncia contra a devastação da natureza, alimentada pela ignorância de muitos, pela ganância especulativa ou pela cegueira política.

MAIS INFORMAÇÕES
Secretária de Cultura, Esporte e Juventude do Crato
Centro Cultural do Araripe
Telefone: (88) 3523.2365


ANTONIO VICELMO
Repórter
Diário do Nordeste em 10/07/11

Cusco


Quando viajamos empreendemos sempre duas viagens. Uma nos afasta geograficamente do lugar onde habitamos e o deslocamento nos transporta, magicamente, para paragens desconhecidas, para novos costumes, novas línguas, novas culturas. Simultaneamente, fazemos uma excursão por nossas trilhas internas percebendo a existência de novas verdades, novos modos de sentir o mundo , outras formas de conviver com miragem estonteante da vida. Viajar de alguma maneira nos completa e , quando retornamos, é como se trouxéssemos as gavetas da alma rearrumadas, os armários do espírito com cada coisa reposta no seu devido lugar. Talvez, por isso mesmo, é que a ida seja tão prazerosa quanto a volta, como se o ir e o vir fossem, exatamente, os cíclicos movimentos de um mesmo pêndulo.

Senti exatamente isso quando visitei o Peru nestas férias. Foi como se voltasse para casa. A desértica paisagem do sul peruano, com sua pluviosidade rara e eventual, fez-me imergir novamente no Nordeste brasileiro, como se daqui nunca tivesse me ausentado. A placidez do humilde povo do Peru se assemelha enormemente à resignação do nordestino frente às adversidades climáticas e sociais. As roupas de cores vivíssimas e alegres, a música farta e escorreita que fluem das flautas fazem-se um contraponto à aridez da paisagem, às intempéries da natureza. Não tão diferente das vestimentas estampadas nas roupas do nosso povo mais simples, de forte influência afro. O peruano, no entanto, é profundamente orgulhoso da sua cultura e do seu país no que difere cabalmente do povo brasileiro, que ainda carrega consigo, mesmo nos tempos atuais, aquele complexo de cão rabugento, de raposa hidrofóbica.

Perambulando pelas ruínas do Império Inca em Paracas, Nazca e Cusco tem-se à nossa frente o filme da destruição de uma das mais avançadas culturas dos Séculos XII ao XV pela ganância do Colonialismo Espanhol, bem mais predatório do que o Português em terras de Pindorama. Os Incas que no seu auge ocupavam um território gigantesco de mais de 1.800.000 Km2, englobando o Peru, o Equador, a Bolívia, o Chile, Colômbia e norte da Argentina, foram dominados, estranhamente, por algumas caravelas espanholas com pouco mais de 200 soldados. Como terá sido possível ? A pólvora? A guerra biológica ? Quem sabe a ingenuidade Inca em acolher o satanás no seio do seu povo, como se enviado de Deus. O certo é que a Espanha perpetrou um dos maiores crimes da história da humanidade em nome da sua ganância incontrolável.

Os jesuítas chegaram com os espanhóis e promoveram a devassa religiosa do Império Inca, destruindo os inúmeros templos e construindo suas igrejas justamente em cima dos antigos monumentos religiosos , boa parte das vezes utilizando as mesmas pedras que estruturavam as paredes antigas. Os próprios Incas já tinham anteriormente procedido de forma igual com as culturas pré-incas. É que os deuses , amigos, são tão mortais como nós humanos. Onde hoje se encontram os poderosos deuses de outrora ? Zeus, Júpiter, Thor, Osíres , Viracocha, Inti ? “Estão todos dormindo, dormindo profundamente...” Que destino aguarda as sumidades do momento : Jeová, Buda, Maomé ?

Em meio as montanhas andinas, viajando pelo Vale Sagrado dos Incas, tem-se imediatamente uma imersão transcendental. Dos pícaros é quase que impossível olhar para baixo, acima tudo parece estranhamente familiar. Em quitchua, a língua oficial dos Incas, Cusco significa umbigo do mundo. Alguma coisa dá à luz dentro de nós quando visitamos a cidade. Bate-nos a solidão de Pachacuti, em Macchu Picchu, esperando candidamente a destruição final do sonho, pelas hostes inexoráveis do senhor Tempo.

J. Flávio Vieira

Memória do lançamento de "O Mistério das 13 Portas"























































































Fotos: Henrique Maia em 07/07/11

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ainda a “Exposição” – José Nilton Mariano Saraiva

Conhecemos o sensato e equilibrado Emerson Monteiro (embora sem uma maior proximidade, naquela ocasião) desde os bancos escolares, quando cursávamos o antigo “primário” no saudoso Grupo Dom Quintino, ainda ali onde é hoje, esquinas das ruas São Francisco e Monsenhor Esmeraldo, no bairro Pinto Madeira; depois, levados pelo colega comum José Newton Agostinho (outro “pedra noventa”), também militamos juntos numa espécie de clube de serviço (composto de adolescentes), de nome Interact Club, que ficou conhecido em razão dos seus integrantes saírem pelas ruas do Crato (do comércio aos bairros de gente com poder aquisitivo capaz de), à busca de donativos para distribuição com os menos favorecidos (portanto, já ali, aos 13, 14 anos, o Emerson mostrava sua preocupação com o “social”).
Depois, o Emerson Monteiro conseguiu aprovação no concurso do Banco do Brasil (BB) e de nossa parte fomos aprovados no do Banco do Nordeste (BNB) e, assim, cada um seguiu caminhos outros, desconhecidos, diferentes. Ficou, no entanto, a lembrança da sua inteligência, da sua sensatez, da firmeza das suas ações, do caráter retilíneo já definido, da sua preocupação com as “questões sociais”, de par com certa timidez (ainda hoje uma de suas características).
Muito tempo depois, já morando em Fortaleza e o Emerson de volta ao Crato, tomamos conhecimento, através de familiares, de um “azedo” artigo publicado no Jornal do Cariri, de autoria de um determinado advogado da cidade (que não nos conhece e o qual não conhecemos), no qual fomos citados mais de uma vez, de maneira um tanto quanto desrespeitosa; de imediato, resolvemos que não ficaríamos calados e, quando soubemos que o Emerson Monteiro era um dos diretores da publicação, imediatamente entramos em contato, via e-mail, solicitando o mesmo espaço, à mesma página, a fim de exercer o competente “direito de resposta”; como esperado, ele nos escancarou as portas e assim o texto de nossa lavra “Ao mestre, com carinho”, foi publicado na íntegra (o tal advogado preferiu não treplicar, ao constatar que não estava lidando com algum irresponsável).
O preâmbulo acima é só pra que nos reportemos sobre um recente artigo do Emerson Monteiro (“O parque de exposições de Crato”, veiculado nos blogs do Cariri) tratando da delicada e discutível “relocalização” do Parque de Exposições da cidade; ali, ao nos segredar que “...coça por dentro uma vontade de falar qualquer palavra de cidadão no quadro que se estabeleceu”, o nosso educado Emerson mostra-se visivelmente desconfortável, já que “...a querela estabelecida virou domínio público”; aproveita pra discorrer sobre o crescimento do evento, do caos do trânsito no período da festa, da judiação provocada pela selvageria das alturas do som ensurdecedor (pra humanos e animais, conforme o seu depoimento) e, alfim, sobre a formação de “...uma espécie de cabo de guerra entre os gestores do Município cratense e o Executivo estadual quanto ao jeito certo de resolver, daqui para adiante, onde funcionará o Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti”.
Como estivemos na cidade durante os últimos quatro dias do evento (e de conhecido, lamentavelmente, só encontramos o Pedro Esmeraldo), vamos abordar alguns “detalhes” que não constam do texto do Emerson: 1) há, sim, embora as partes não admitam, interesses “não tão republicanos” por trás de toda essa querela; 2) como o atual presidente do “grupo gestor”, responsável pela organização do evento, é “sogro” do atual Governador do Estado, não há a menor chance de alguém tomar-lhe o lugar (pelo menos enquanto o “genro” estiver dando as cartas; 3) como o Governador do Estado e o prefeito da cidade de há muito não falam o mesmo idioma, é notório o progressivo esvaziamento da nossa cidade (devidamente “escondido” por trás de uma farsa grotesca, a criação de uma tal Região Metropolitana do Cariri, maneira “legal” de direcionar os recursos e empreendimentos estaduais para uma única cidade da região); 4) embora haja espaço suficiente, sim, pra ampliar o atual “Parque de Exposição” (já que apenas 1/3 da sua área é usada/utilizada), bem como para a criação de largas vias de acesso em seu entorno, capazes de resolver de vez o problema da trafegabilidade, o desinteresse do governador do Estado em “bancar” tal idéia (ou projeto) parece ter a ver com a pretensão, externada publicamente pelo próprio querido “genro”, de adquirir – COINCIDENTEMENTE DE UM DOS COLEGAS INTEGRANTES DO TAL “GRUPO GESTOR”, uma enorme área, a preço exorbitante, distante da cidade e certamente de difícil acesso à população, para sediar o “novo” parque (mesmo que no “..Sítio Palmeiral, NAS BANDAS DOS BREJOS, entorno da Avenida do Contorno”, conforme assegura o Emerson).
No mais, seria bastante interessante e certamente esclarecedor se saber o “nome” (ou “nomes”) de quem patrocina e a quem se destina a polpuda “bilheteria” dos dois shows (“noite do brega” e “jovem guarda”) realizados no recinto do atual parque, antes do início oficial do evento, já que, não constando da programação oficial, só pode ter “particular” usufruindo da farra.
Um picolé de chocolate (recheado de morango), pra quem desvendar o "mistério".

Crônicas cangaceiras - Emerson Monteiro


Em dias recentes, com satisfação recebi o livro Cariri: cangaço, coiteiros e adjacências, de Napoleão Tavares Neves, publicado pela Thesaurus Editora, de Brasília DF, em 2010. Sob o ordenamento das memórias recolhidas de suas observações e escutas, Dr. Napoleão descreve as presenças do cangaço na região do Cariri cearense e entorno através de crônicas bem narradas, fotografias primorosas de um passado que ainda perdura no seio desta humanidade, inclusive nos interiores sertanejos.

Capítulo a capítulo, vemos desfilar episódios marcantes que nutriram as histórias repassadas dos ancestrais da primeira metade do século XX, nas salas, varadas e bagaceiras de sítios e engenhos, dotes imorredores daquilo que praticaram coronéis, polícias e cangaceiros, desfilar de casos que apavoraram o imaginário social antes de chegar o tão propalado desenvolvimento da indústria moderna.

Enquanto escorrem das letras filmes desse acervo de rifles e punhais dos tempos em sobressalto, nas maldades dos Marcelinos, de Sabino, Antônio Silvino, Lampião, cenas horripilantes de crimes impunes dos dois lados do feudalismo em decadência, transcorria também a história do mesmo homem e das dimensões trágicas que carrega consigo na busca da perfeição.

Quando criança, ouvia, na escola, apenas o lado romântico das vitórias, nos acontecimentos históricos. Esse aspecto escabroso de cores amargas pouco aparecia na movimentação das tropas e dos confrontos. Achava até que o pior restava só na memória. No entanto ainda se anda longe dos dias de paz plena.

As versões escutadas pelo autor barbalhense, ora transmitidas através dessa obra literária que leio, atende às necessidades do conhecimento de assuntos ocorridos aqui por perto, lugares conhecido no desfilar dos calendários. As marcas cruéis da violência campeavam nas quebradas das serras, no meio dos marmeleiros das campinas esturricadas, nos brejos. Tiros, incêndios, cavalgadas, talhes de facões, medo, destruição, em época de ninguém obedecer aos ditames da Lei nas ações, fosse qual banda fosse que a executasse, casos típico dos fuzilados do Leitão, nos arredores de Barbalha, e do fogo das Guaribas, em Brejo Santo, para executar Chico Chicote.

Esse tropel de cenas guardadas pelo escritor transmite com maestria o panorama daquela fase rude que parece não ter fim diante das injustiças que pouco mudaram nos dias de hoje. A diferença mais forte, porém, é que as histórias tristes deixaram de ocupar as conversas noturnas das varandas brejeiras de sítios e fazendas, e repontam frescas na guerra aberta de extermínio a plena luz do dia nos programas televisivos dos horários de almoço da atualidade cangaceira.

Clipping de André Setaro: Godard falsifica a si mesmo

Clipping de André Setaro: Godard falsifica a si mesmo: "Pedro do Coutto Numa ao mesmo tempo confusa e fascinante entrevista a Fiachra Gibbons, do jornal inglês The Guardian, tradição do Clara ..."

Pesquisadores e brincantes conversam sobre Cultura Popular na URCA



O que é cultura popular? É o tema da roda de conversa realizada pelo Projeto “No Terreiro dos Brincantes” desenvolvido pela Universidade Regional do Cariri – URCA, através do Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC.

A roda de conversa acontecerá dia 03 de agosto (quarta-feira), às 19 horas, no Salão de Atos da URCA e contará com participação da Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará e coordenadora do Núcleo de Estudos Regionais da URCA , atuando nas áreas de Religião, Cultura Popular e Patrimônio Imaterial, Renata Marinho Paz; do dramaturgo, folclorista e pesquisador de cultura popular, Cacá Araújo; do pesquisador, artista/educador e integrante da União dos Artistas da Terra da Mãe de Deus, Jean Alex e da Mestra Mazé do Reisado Dedé de Luna.



A intenção do evento é propiciar uma aproximação entre os pesquisadores e os brincantes, além de possibilitar que o público tenha a oportunidade de escutar os próprios feitores da cultura popular.


O evento faz parte das ações de formação/vivencia dos monitores do Projeto “No Terreiro dos Brincantes”, além deste momento que é aberto aos interessados no assunto. Os monitores terão ainda oficinas sobre noções de fotografia, filmagem, roteiro e produção cultural.


Essas são etapas preparatórias para a segunda edição do Projeto que visa produzir documentários de curta duração sobre cultura popular, os quais são disponibilizados na Internet e as escolas, pesquisadores e brincantes.


De acordo com a monitora do Projeto No Terreiro dos Brincantes, Alyne Feitosa esse é momento para aprofundar o conhecimento sobre cultura popular e ressalta a importância de reunir no evento o erudito e o popular para compreensão estética, artística e cultural do povo do Cariri.


Para o professor doutor Roberto Siebra, atual diretor do Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC, essa roda de conversa possibilita que a universidade se aproxime do conhecimento valoroso das manifestações populares. Ele enfatiza que esse conhecimento é na maioria das vezes desprezado por uma elite intelectual.