TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Euclides do Crato : O Geômetra político de Chico Mendes


“Não há nada como o sonho para criar o futuro.

Utopia hoje, carne e osso amanhã.”

Victor Hugo

Chico Mendes virou lenda. Nascido em 1944 em Xapuri, no Acre, seu nome sedimentou-se, historicamente, na luta pela preservação da Floresta Amazônica. Sindicalista, Seringueiro, Ativista Ambiental, Chico ficou eternamente lembrado, em todo mundo, por sua intransigente luta contra a vil e escravagista exploração do trabalho rural , na Região Norte do Brasil. Ainda criança viu-se imerso no expropriador Ciclo da Borracha, onde levas de pobres seringueiros viam-se lanhados pelo poder do capital ,da mesma forma com que as seringueiras eram talhadas para a extração do leite.

Iniciou a vida de líder sindical , tardiamente, aos 30 anos, como Secretário Geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. Já a partir de 1976, participou dos famosos “empates” que eram pacíficas manifestações dos trabalhadores impedindo os desmatamentos , quando colocavam os próprios corpos para proteger as árvores. Além de ações em defesa dos nativos na posse de glebas de terra numa região historicamente infestada de latifúndios. Participou , depois, da fundação do Sindicato dos Trabalhadores rurais de Xapuri e elegeu-se vereador pelo MDB , ali já começaram as ameaças de morte contra ele. Não bastasse isso, em plena ditadura militar, vê-se acusado de subversão e é preso e torturado. Foi um dos fundadores do PT e um dos dirigentes do partido no Acre. Por influência dos fazendeiros, é incluído na Lei de Segurança Nacional, sob falsa imputação de assassinato de um capataz de fazenda, sendo absolvido no decorrer do processo.

Em 1981 assume a Presidência do Sindicato de Xapuri, cargo que ocuparia até o fim dos seus dias. Em 1985, Chico liderou o I Encontro Nacional dos Seringueiros, quando foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) que ganhou fama internacional com a proposta da “União dos Povos da Floresta” que unificava propostas de seringueiros, castanheiros, pescadores, indígenas, quebradores de coco babaçu e ribeirinhos, com a criação de Reservas Extrativistas.

Em 1987 leva denúncias sobre a devastação da Floresta a fóruns internacionais, conseguindo bloquear o financiamento do BID a projetos de destruição ambientalista. Recebe inúmeros prêmios internacionais por sua luta em defesa do Meio Ambiente, entre eles o Global 500 da ONU. Após a desapropriação de terras e a criação das primeiras Reservas Extrativistas, aumentam as ameaças à sua vida. Era uma Morte Anunciada. Em 1988, aos 44 anos, tomba sob os tiros de escopeta dos fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva. Após o assassinato, mais de trinta entidades se reuniram para formar o Comitê Chico Mendes. Mataram o homem, não arrefeceram sua luta, até 2006 , mais de 43 Reservas Extrativistas já tinham sido criadas, abrangendo mais de 8,6 Milhões de Hectares e abrigando mais de 40.000 famílias. Com Chico Mendes, o Brasil inteiro despertou para um olhar ambientalista, como até então nunca tinha acontecido.

Quase todos têm uma clara dimensão do legado de Chico Mendes. Ficava sempre no ar, no entanto, uma incógnita. Como se formou politicamente o Líder Sindical? Nascido numa região, à época esquecida do mundo, sem escolas, a única escapatória do pobre era o extrativismo do látex. A indústria de extração era centralizada numa elite feudal que explorava os trabalhadores até a última gota. A ausência de educação formal para os seringueiros era por si só uma técnica que tinha o fito claro de impedir o crescimento político dos seringueiros. Aquilo não interessava ao patrão, primeiro porque afastava as crianças do trabalho, diminuindo a produção e , por outro lado, abria um perigoso campo para o conhecimento do mundo e futuras e inevitáveis reivindicações. Não sabendo ler nem contar, abria-se a perspectiva da expropriação, da dissimulação. O seringueiro estava sempre devendo, dizia o próprio Chico na sua biografia. O Acre, o Brasil, o Ambientalismo brasileiro mudaram devido a um desses acasos imprevisíveis, desses toques da sorte que, imediatamente, os mais crédulos debitam a forças superiores.

Segundo Chico, em 1962, aos 18 anos, ele enfurnado no seringal, era completamente analfabeto. Pois um dia , chegou no seu barraco um seringueiro diferente, com um outro linguajar e que terminou impressionando toda a família. Aos poucos ganhou a confiança dos companheiros e interessou-se por Chico, oferecendo-se para ensiná-lo a ler. O pai concordou e aí, todo sábado, nosso futuro líder sindical caminhava três horas , mato a dentro, até o barraco do mestre, onde , não tendo cartilhas, usava jornais velhos para alfabetizar o nosso Chico. Aos poucos, o aluno foi aprendendo as primeiras letras. Muitas vezes as aulas varavam noites e , aos poucos, o professor foi introduzindo e discutindo notícias políticas dos jornais.

Só depois de um ano, segundo o próprio Chico, o mestre se identificou. Chamava-se Euclides Fernandes Távora. Era Tenente do Exército e havia participado, junto com Luiz Carlos Prestes , da Intentona Comunista de 1935, ele e inúmeros outros colegas de farda. Depois da débâcle, fora preso com vários outros em Fernando de Noronha. Ele, no entanto, tinha vários parentes importantes do outro lado. Era sobrinho de Juarez Távora e sob a influência do tio, conseguiu fugir da Ilha, vindo para Belém. Ali participou de um outro Movimento que tinha a influência do Major Barata, terminando por ser novamente preso.

Fugira novamente , agora para a Bolívia. Ali, já na década de 50, Euclides participou de movimentos de Resistência de operários bolivianos e mineiros. Houve grande repressão por lá também e, no pega prá capar, ele novamente escapuliu , embrenhando-se na selva boliviana , terminando por atravessar os seringais e vir bater ali no Acre, estabelecendo-se na Fronteira do Brasil. Ali mesmo, imerso na floresta, travestido de seringueiro, foi que Euclides Távora conheceu Chico Mendes e fez com que mudassem os rumos do Sindicalismo e Ambientalismo brasileiros.

É ainda o próprio Chico Mendes quem disseca cuidadosamente como o professor , aos poucos, o foi conduzindo pelos ínvios caminhos da política brasileira. Lia as colunas políticas dos jornais e discutia com o aluno , cuidadosamente, o que estava por trás das letras frias. Após o Golpe Militar de 1964 , então, os ensinamentos políticos se intensificaram. Euclides conseguiu um Rádio e junto com Chico ouvia os programas em português da “Voz da América” , A “BBC de Londres” e a “Central de Moscou”. As discussões furavam as madrugadas : por que essas rádios tinham versões tão diferentes sobre o mesmíssimo Golpe Militar ?

As lições estenderam-se até 1965, quando Euclides reforçou a importância do Movimento Sindical na resistência à ditadura estabelecida e reafirmou o otimismo quanto ao aparecimento de novos sindicatos e novas lideranças. Segundo Euclides, era preciso entrar nas organizações sociais todas eivadas de pelegos, pois só havia condições de mudar o status quo através de um trabalho interno, que remexesse as entranhas do monstro. O final da história é do conhecimento de todos.

O mais interessante, amigos, é que Euclides Fernandes Távora, segundo o próprio Chico Mendes revela na sua biografia, era cratense. Seu pai , Joaquim Távora, aqui morou por muitos anos e, segundo informações de Chico, todos os filhos teriam nascido aqui. Joaquim Távora procedia de Jaguaribe, onde teria nascido na Fazenda Embargo. Era Joaquim filho de um outro Joaquim : Antonio do Nascimento e Clara Fernandes da Silva Távora. Este casal, além do pai de Euclides , foi pródigo em filhos importantes ao Brasil : Juarez Távora, um dos líderes do Tenentismo de 1922 e candidato à Presidência da República em oposição a Juscelino Kubistchek ; Manoel Fernandes Távora , médico e depois Senador, que estudou no Seminário São José, em Crato e aqui clinicou por todo ano de 1903. Manoel inclusive trabalhou no Amazonas e Acre, razão possível da escolha da Região Norte por Euclides, após a Intentona Comunista. Sem falar em outros Távoras igualmente ilustres: Dom Carloto Távora, Bispo de Caratinga em Minas Gerais; Monsenhor Antonio Távora; o Desembargador Elisário Távora e o advogado Belisário Távora, estes últimos tios, pelo lado materno, do pai do nosso Euclides.

Depois de 1965, não conseguimos qualquer informação sobre o paradeiro do nosso Euclides Távora, o cratense mestre do grande Chico Mendes. O certo é que como um Nostradamus ele , visionariamente, parecia antever o futuro. Previra que os anos de chumbo durariam de 10 a 20 anos, que o movimento sindical se organizaria e que se a Ditadura Militar pensava que humilhando, torturando e cortando o movimento libertário, o exterminaria, estava redondamente enganada. Podava apenas os galhos, as raízes germinariam como por encanto e o povo organizado aspergiria as novas sementes ao vento e, em breve, o Brasil seria um grande “empate” contra a opressão e a injustiça social. Euclides sabia que o sonho e a utopia são apenas um dos estágios da realidade : como a pupa e a borboleta.


J. Flávio Vieira

"MONSTROS SAGRADOS" - José Nilton Mariano Saraiva

Como não poderia deixar de ser, por esse mundo afora são muitas e diferentes
as "falas" e o "modo de expressar-se" dos povos (na realidade, a cultura de cada um). Você já imaginou, por exemplo, como seria estranho e esquisito se de repente os brasileiros tivéssemos que escrever "de trás pra frente" (ou da direita pra esquerda), como é feito lá pras bandas do explosivo Oriente Médio ??? Ou se usássemos aqueles “garranchos” (na verdade, símbolos e não letras) usados lá no Japão e na China ???
Por essa e outras é que a nossa língua portuguesa é realmente algo fantástica, inigualável, rica, fabulosa. Um exemplo ??? Tomado de forma isolada (ou ao “pé-da-letra”), o substantivo “monstro” remete-nos, de pronto, a uma figura desprezível, horripilante, ruim, cruel, desprezível e, enfim, a alguma coisa contrária à própria natureza, algo como que uma autentica criação do “capeta” e seus discípulos.
De outra parte, se atentarmos para a palavra “sagrado”, até sem muito esforço intelectual seremos imediatamente induzidos a crer em algo que inspira respeito, divindade, estima, sublimação, digna de veneração, como se fora originária dos deuses.
O que poderia resultar, então, do inusual “ajuntamento”, um até pouco tempo atrás improvável “acasalamento”, uma espécie de associação, junção, sociedade (ou seja lá como se possa denominar), entre o substantivo tido como demoníaco e o adjetivo considerado quase que celestial, entre o profano e o sagrado, entre as supostas “representações” do capeta e do Divino ???
O que significaria, em sua acepção plena, a expressão “monstro sagrado” ???
“Na lata” e sem medo de incorrermos em alguma heresia ou qualquer disparate: ao adjetivarmos a palavra “monstro” com a qualificação “sagrado” (não tão comum nos dias atuais), estamos, na realidade, subvertendo o real e tétrico significado da palavra “monstro”, passando então tal expressão a assumir mesmo que transitoriamente a acepção de venerável, inalcançável, intocável ou inatingível.
Isto posto, vamos ao que interessa: dentre a infinidade de blogs que compõem a comunidade virtual dos dias presentes, a cidade do Crato tem o privilégio de sediar os blogs “No Azul Sonhado”, “Cariricult” e “Cariricaturas”, sem favor nenhum repositórios de cabeças pensantes às mais ilustres, felizes detentores de uma miscelânea de cucas privilegiadíssimas, enfim, ambiente, abrigo e certeza de um manancial intelectual de qualidade comprovada, trincheira de dá inveja a gregos e troianos (torna-se necessário, no entanto, que os seus responsáveis tomem os devidos cuidados a fim de evitar qualquer espécie de "contaminaçao" indesejada, que acabe por desfalcar o time).
E, dentre tantas e tão destacadas figuras, no meio de tantas “cobras-criadas”, de tantas sumidades, permitimo-nos, sem receio de ferir suscetibilidades, nomear duas figuras que, em seus respectivos estilos, se destacam pela maneira séria, competente, leve, envolvente e gostosa de expor publicamente; de um lado, temos suas narrações de “causos”, “reminiscências”, “mungangas” e “presepadas”; e, quando necessário, a manifestação didática e de maneira incisiva e contundente das suas posições políticas, suas visões do mundo, suas ricas experiências de vida.
Referimo-nos aos honrados, íntegros e respeitáveis senhores José Flávio Vieira e José do Vale Pinheiro Feitosa, cratenses que ultrapassaram fronteiras e dignificam e orgulham todos nós, filhos da terra de Bárbara de Alencar.
São os nossos “MONSTROS SAGRADOS”.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Xico Sá , o greco-cratense

Mais estranho que a ficção III: O analfa político

Deveria volver aos 17 e ser um comuna à moda Brecht (bem aí na foto) por excelência. É o que a bola da realidade pede.

Como hoje é quinta, porém, a clássica quinta dos infernos, é dia de mais um episódio da série “Mais estranho que a ficção”, justíssima homenagem semanal ao mr. Chuck Palahniuk e o seu livraço homônimo de crônicas.

Palahniuk, para quem não lembra, é o cara que escreveu “Clube da Luta”, livro porreta filme idem. Sem mais lengalenga, direto no miocárdio, vamos nessa, sempre tentando falar aos corações aflitos:

I- O Brasil, SOS, o Brasil, SUS, o Brasil... é o único país do mundo onde a pequena burguesia, também conhecida como burguesia-gabiru, carece politizar o câncer de um ex-presidente para discutir saúde pública.

II- O pior analfabeto político, título de poema do velho Brecht, é aquele capaz de politizar a multiplicação desordenada das células.

III- Não é preciso ler Norberto Bobbio (* Turim, 18 de outubro de 1909 + Turim, 9 de janeiro de 2004) para saber que não há doença grave de direita nem de esquerda.

Doença leve, óbvio, é de centro, como resfriado e ressaca moral de colunista político ou comentarista de redes sociais.

IV- Meu particularíssimo respeito às doenças graves devo tão-somente à educação e solenidade adquirida na infância greco-cratense. Até a palavra câncer era proibida. Falava-se “aquela doença” e outros paliativos lacanianos.

V- Mas já que resolveram botar a mãe e a ideologia no meio, politizemos de vez a dengue, a varíola, a febre amarela, a caxumba (na minha terra é papeira), a febre do rato, a peste bubônica, o istampô-calango e outras febres da selva.

VI- Real-politik! Donde o mosquito da dengue, por exemplo, é municipal; a gritaria é estadual e o remédio da Sucam é federal.

VII- Vamos politizar, com todo panfleto & fúria, as mortes no trânsito, a poluição atmosférica, o colesterol.

VIII- Sou repórter do tempo em que câncer e suicídio não eram notícia, seus mal-educados. Eram respeito e silêncio.

IX- Mas sobretudo sou do tempo de hoje, entonce, bora ao bom-combate. Viva o contraditório, o esperneio geral da nação, esculhambem, mas, pô, vocês não tiveram pais ou simplesmente ainda não fizeram o primeiro exame de próstata?

X- Que vossos diagnósticos nunca sejam positivos, amém.

Escrito por Xico Sá às 23h23

3ª GUERRILHA COMEÇA HOJE EM CRATO-CE


DE 03 A 27 DE NOVEMBRO DE 2011
TEATRO - DANÇA - MÚSICA 
RUA - PALCO - ARENA


PROGRAMAÇÃO COMPLETA


RUA
Praça da Sé e escolas (Crato-CE) 


03.11.2011 (Quinta): 
19h30min - A Comédia da Maldição, de Cacá Araújo (Cia. Cearense de Teatro Brincante, de Crato-CE, Direção de Cacá Araújo, Indicação: Livre, 70min)
Local: Praça da Sé (Crato-CE)


A Comédia da Maldição (Foto de Gessy Maia)

04.11.2011 (Sexta):
16h50min - O Apelo do Mosquito, de Wanderley Tavares (Cia. Wancylu’s Gat Produções, de Crato-CE, Direção de Wanderley Tavares, Indicação: Livre, 15min)
Local: Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental Liceu Diocesano de Artes e Ofícios (Bairro Seminário, Crato-CE) 


19h30min - Sangue Prata, de Tiago Sousa (A2 Cia. de Dança, de Crato-CE, Direção de Tiago Sousa, Indicação: Livre, 40min)
Local: Praça da Sé (Crato-CE) 


05.11.2011 (Sábado):
19h30min - A Farsa do Panelada, de José Mapurunga (Cia. Fazendo Arte de Teatro, de Juazeiro do Norte-CE, Direção de Kinko Pelegrine, Indicação: Livre, 50min)
Local: Praça da Sé (Crato-CE) 


06.11.2011 (Domingo)
19h30min - O Reino Maluco de Branca de Neve, de Joylson John Kandahar (Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, de Juazeiro do Norte-CE, Direção de Joylson John Kandahar, Indicação: Infantil, 40min) 
Local: Praça da Sé (Crato-CE) 


07.11.2011 (Segunda):
09h - O Apelo do Mosquito, de Wanderley Tavares (Cia. Wancylu’s Gat Produções, de Crato-CE, Direção de Wanderley Tavares, Indicação: Livre, 15min)
Local: Educandário Paraíso da Criança (Bairro Vilalta, Crato-CE) 


15h - Repi Bansdei Tchuiu: Feliz dia do ônibus para você, de Mauro César e grupo (Comunidade Oitão, de Juazeiro do Norte-CE, Direção de Mauro César, Indicação: Livre, 60min)
Local: Ônibus Juazeiro/Crato 


19h30min - Charivari, de Lourdes Ramalho (Grupo Ninho de Teatro, de Crato-CE, Direção de Duílio Cunha, Indicação: Livre, 50min)
Local: Praça da Sé (Crato-CE)


PALCO E ARENA
Teatro Rachel de Queiroz, Crato-CE


08.11..2011 (Terça, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Asa Branca, de Darley Rodrigues (Cia. Teatral Curumins do Sertão, de Farias Brito-CE, Direção de Maria Gonçalves “Lorinha”, Indicação: Livre, 60min, Palco)


09.11.2011 (Quarta, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Irmandade Secreta do Boi Sagrado, de André de Andrade (Cia. André de Andrade, de Juazeiro do Norte-CE, Direção de André de Andrade, Indicação: Livre, 50min, Palco)


10.11.2011 (Quinta, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Eu e tu contra o bicho mais feio do mundo, de Luciom Caeira (Luciom Caeira e Cia., de Juazeiro do Norte-CE, Direção de Luciom Caeira, Indicação: Infantil, 60min, Palco)


11.11.2011 (Sexta, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
O fantástico mundo das mágicas, de Tio G (Grupo Tio G e sua trupe, de Juazeiro do Norte-CE, Direção de Tio G, Indicação: Infantil, 60min, Palco)


12.11.2011 (Sábado, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
A Donzela e o Cangaceiro, de Cacá Araújo (Cia. Cearense de Teatro Brincante, de Crato-CE, Direção de Cacá Araújo, Indicação: 12 anos, 90min, Palco)


13.11.2011 (Domingo, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Vórtices, de Álysson Amâncio (Alysson Amâncio Cia. de Dança, de Juazeiro do Norte-CE, Direção de Alysson Amâncio, Indicação: Livre, 50min, Arena)


14.11.2011 (Segunda, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Zefa, a missão, de Marcos Sachiell (Cia. Teatral Os Trapilhões, de Juazeiro do Norte-CE, Direção de Marcos Sachiell, Indicação: Livre, 50min, Palco)


15.11.2011 (Terça, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Circo do Sopé, de Josernany Oliveira e Felipe Tavares (Circo-Escola Alegria, de Crato-CE, Direção de Josernany Oliveira e Felipe Tavares, Indicação: Livre, 40min, Arena)


16.11.2011 (Quarta, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Mulier, de Yarley de Lima (Cia. Yoko de Teatro, de Crato-CE, Direção de Yarley de Lima, Indicação: 16 anos, 50min, Arena)


17.11.2011 (Quinta, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Leprosos (adaptação de poemas de Augusto dos Anjos), de Mano Damasceno (Cia. Desabafo de Teatro, de Juazeiro do Norte-CE, Direção de Mano Damasceno, Indicação: 12 anos, 50min, Palco) 


18.11.2011 (Sexta, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Os Fugitivos, criação do grupo (Cia. Teatral Anjos da Alegria, de Crato-CE, Direção de Flávio Rocha, Indicação: Infantil, 45min, Palco)


19.11.2011 (Sábado, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Clarícias – a palavra que treme (baseado na biografia de Clarice Lispector), de Dakini Alencar (Dakini Cia. de Dança e Teatro, de Juazeiro do Norte-CE, Direção de Dakini Alencar, Indicação: 14 anos, 40min, Arena) 

20.11.2011 (Domingo, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
As Encalhadas, de Willyan Teles (Cia. Teatral Arriégua, de Crato-CE, Direção de Wyllian Teles, Indicação: 14 anos, 80min, Palco)


21.11.2011 (Segunda, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
As Anjas, de Ueliton Roccon (Cia. Entremeios de Teatro, de Crato-CE, Direção de Mauro César, Indicação: 12 anos, 80min, Palco)


22.11.2011 (Terça, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Psicose, de Sarah Kane (Grupo Centauro de Teatro, de Crato-CE, Direção de Márcio Rodrigues, Indicação: 16 anos, 40min, Arena)


23.11.2011 (Quarta, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
O Rapto das Cebolinhas, de Maria Clara Machado (Grupo Máscaras da SCAC, de Crato-CE, Direção de Jardas Araújo, Indicação: Infantil, 60min, Palco)


24.11.2011 (Quinta, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Não culpa eles, culpa nós, de Franciolli Luciano (Cia. kanoistravezdenovo, de Jati-CE, Direção de Franciolli Luciano, Indicação: 14 anos, 60min, Palco) 


25.11.2011 (Sexta, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
Se creres, serás salvo, de Luka Severo (Grupo Cícera de Experimentos Teatrais, de Juazeiro do Norte-CE, Direção de Luka Severo, Indicação: 12 anos, 40min, Palco)


26.11.2011 (Sábado, 1ª sessão: 19h, 2ª sessão: 21h)
O Cravo e a Rosa, de Xico Abreu (Cia. Elas de Teatro, de Crato-CE, Direção de Kelyenne Maia e Carla Hemanuela, Indicação: Infantil, 50min, Palco)  


SEMINÁRIO E MÚSICA


27.11.2011 (Domingo)
14h - A Dramaturgia Brasileira Caririense e outorga do Troféu Juscelino Leal Lobo Júnior às companhias e homenageados 
Local: Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)


20h - Show de Encerramento, Lifanco & Convidados (Indicação: Livre, 120min)
Local: Centro Cultural do Araripe / RFFSA (Crato-CE)


Crato-CE, novembro do ano 2011.

Cacá Araújo
Coordenador Geral

O vídeo de George Macário atacando Almina Arraes na Câmara de Vereadores para defender a Administração Samuel: José do Vale Pinheiro Feitosa

O meu primeiro texto em solidariedade a Almina Arraes, com base na carta protesto dela, recebeu apoios e uma catilinária de protestos vindo de um ex-funcionário do prefeito. Ao dizer que ele não tem mais qualquer vínculo com a prefeitura e que tudo é apenas por amizade estou usando as palavras do próprio protestante e suas eivadas certezas incomprovadas.

Nos comentários o professor Armando Rafael disse:

“Foi, certamente, um momento infeliz do vereador George Macário, o qual, como líder da situação, não precisava usar palavras desrespeitosas para com uma das pessoas mais respeitáveis da cidade de Crato–– a Sra. Almina Arraes de Alencar Pinheiro.”
Aí o ex-funcionário de Samuel abriu uma verborragia, um paiol de adjetivações e começou a atirar para todos os lados. Quais os principais argumentos do malabarismo de palavras?

Dihelson Mendonça disse em vários trechos:

“Armando, isso aí é mais uma campanha difamatória contra o Prefeito Samuel Araripe.

Um bate-boca ocorrido na câmara de vereadores na última semana no Crato, está servindo de lenha para que os raivosos possam espalhar a mentira, a desagregação e as desavenças na cidade do Crato, de forma irresponsável. Só que dessa vez tudo foi gravado e filmado.”

Seja por que foi mal informado e não leu o protesto de Almina, ou seja, para confundir o leitor e eleitor numa tentativa de diminuir os efeitos ruins do discurso do Samuel, o Dihelson continuou:

(a vereadora Mara Guedes) “tentou fazer ilações no seu discurso, puxando o foco do tema em discussão para a Sra. Almina Arraes, uma respeitável senhora, na tentativa de ressussitar um assunto que já havia sido esgotado, quando criou-se na câmara uma polêmica sobre os temas Loucura e Senilidade.” E mais na frente conclui: “Loucura é uma coisa, Senilidade é outra. O problema todo é que a vereadora Mara Guedes ainda está marcada por uma briga sobre esse tema com o vereador Dárcio Luiz.”

Ora Almina não postou o seu protesto falando em loucura. Leiamos nas palavras dela mesmo: (George Macário) “havia dito em sessão na Câmara dos Vereadores do Crato, não ser verdade o caso da SAAEC e que eu estava sem memória, com as idéias perturbadas, demente. No caso, quem mentiu?” O Dihelson ou não leu Almina ou estava inventando fumaça para esconder os fatos. Aí vem um coisa típica do argumento tendencioso, o que Almina escrevera não tinha importância ela estava equivocada, o povo do Crato equivocado e os filhos da cidade que moram longe, o meu caso, mais ainda e mesmo assim pretendiam orar contra os santos da devoção do ex-funcionário de Samuel. O que ele diz:

“Agora, muitas pessoas não estão sabendo da missa o terço e ficam falando besteira e propagando mentiras de "Ouvi Dizer", só que dessa vez, tudo foi gravado, filmado e o George virá a público ainda hoje ( Domingo ) esclarecer, e discutir o tema na Segunda-Feira na câmara, e segundo ele, mostrar o MAL que a Vereadora Mara Guedes está fazendo à sua família nos últimos dias na cidade do Crato,..”

A vereadora que levantara a questão é que seria a culpada por levar o bom moço, o filhinho de papai, num arroubo de defesa da administração, investir contra o que ele chama de minha parenta. Convenhamos que parentes destas natureza é melhor distância, por vezes os estranhos têm mais ética. E o Dihelson blefava, tudo fora mesmo gravado só que não desdizia o que Almina protesta. Ou então o Dihelson é um pecador da desinformação e ainda acusa a todos e a Deus por serem desinformados. Vejam como ele tenta criar um manto de credibilidade para que naveguemos nas águas de suas crenças:

“Ainda bem que estou sempre por lá na câmara, temos todas as gravações, e o que eu falo não é coisa de ouvi dizer nem mentiras dos raivosos de plantão. Por outro lado, ressalto que é uma tremenda sacanagem esse circo arquitetado para tentar atingir o prefeito Samuel Araripe em coisas que "Só no Crato Mesmo"... propagado por daqueles que só passam o tempo em criar mentiras e espalahar inverdades sobre fatos que não presenciaram, não viram as gravações e não viram como a coisa toda aconteceu.”

Então não fica a impressão que Dihelson ouviu tudo e os outros é que não ouviram. Pois bem todos ouvirão agora e tirarão as conclusões que bem acharem. Mas concluirão com a evidência mais completa dos fatos: o próprio vídeo. E antes que digam que o vídeo foi editado, é preciso informar: foi retirado apenas o pedaço do trecho em que ele afirmava o que levou Almina a protestar. E para finalizar leiam a promessa que o Dihelson fez aos leitores do Crato. Deve ter cumprido para servir ao George naquele ato em que a montanha pariu um rato, agora o vídeo mesmo dos fatos em questão nunca publicaram:

“Agora, é de interesse do Blog do Crato, como o site da cidade, em transmitir as sessões ao vivo, e temos transmitido sempre que possível. Amanhã faremos. Transmitindo e gravando na íntegra, para que a população tenha acesso à informação verídica, sem maquinações de qualquer espécie.”

Bom, agora assistam ao vídeo por que a partir de certo momento a catilinária de Dihelson Mendonça começou a ficar repetitiva por falta de novas evidências e o próprio George Macário igualmente trouxe uma carroça cheia de não-argumentos, como uma criança que foi encontrada com maquinações e fica botando a culpa em todo mundo em volta.

Não sei não. Na verdade não conheço o Samuel, mas conheci o Ossian e o Ossianzinho que foi meu contemporâneo na cidade e na faculdade de Medicina e duvido que o Samuel tenha gostado deste besteirol todo da dupla provocando desgaste político gratuito no próprio grupo deles. Samuel certamente está preparando um candidato a sua situação e este também não deve ter gostado nada de algo assim.


Geraldo Júnior – Um caboclo de asas

Articulado, inquieto, poeta, músico, brincante, ator, produtor e missionário do Estado Espiritual do Cariri Geraldo Júnior espalha pelo Brasil e mundo a musicalidade que ele denomina de Música Cariri, Música regional plugada no universo. Um dos fundadores da banda Dr. Raiz.

Alexandre Lucas - Quem é Geraldo Júnior?

Geraldo Junior - Sou um Cariri, filho de Geraldo Freire e Zilmar Batista! Sou um privilegiado por ter nascido nessa região tão rica e bela e sou muito feliz pelos amigos que tenho! Hoje vivo em transito, acho isso normal, é uma necessidade da minha labuta, queria pode estar entre aqui e lá mais vezes, mas o teletransporte ainda não foi popularizado, por enquanto tenho que me contentar com visitas semestrais! A internet ajuda muito a manter esse contato e de certa forma nunca sair do cariri, pois ele está dentro de mim! Me expresso artisticamente através dessa lente! Tento estar conectado com o mundo real e virtual além-sertão, além-mar, além-céus!

Alexandre Lucas - Você dar poesia?

Geraldo Junior - Não tenho a ousadia de me considerar poeta! Humildemente descrevo alguns sentimentos e sensações que vivi e vou vivendo por aí, o que se torna música ainda é um tatinho mais elaborado rsrsrs, mas a musicalidade de minhas palavras é empírica. Gosto de ler e viver tudo que absorvo! Mantenho dois blogs! o Caboclo de Asas, com temas diversos e o Poesia Cariri, com temas diretamente ligados ao que escrevo em relação a região. Este segundo precisa ser atualizado. Farei isso esses dias...

Alexandre Lucas - Quando teve inicio seu trabalho artístico?

Geraldo Junior - Ainda criança! Meus pais me deram boas pisas e referencias de caráter! Boa música! Estórias de meus pais, tios e outros familiares, as viagens pra Caririaçu no sitio de nossa família! Os reisados nas ruas, as bandas de pifano! As romarias… Ai uma vez invetei de entrar na fanfarra do Colégio Municipal de Juazeiro! Aí pronto! Toquei, piston, cornetão, lira, tarol, surdo, bumbo… Depois comprei uma guitarra! E foi aquela revolução na minha vida! rsrsrs
Com os amigos da escola colocamos uma banda de rock, e logo em seguida tivemos o grupo Dr. Raiz, nesse meio tempo estive envolvido e fiz várias oficinas de teatro e musica de cena! Hoje prestes a completar 32 anos, acho, considero que tenho 15 anos de carreira! E ainda continuo correndo muito! rsrsrs

Alexandre Lucas - Quais as influências do seu trabalho?

Geraldo Junior - Olha, dentre tantos nomes que eu poderia citar da música brasileira e universal, que são óbvios, e claramente perceptíveis, prefiro falar de artistas e grupo do meu lugar, e que me dão identidade! Todos os mestres e grupos de cultura popular da região! Esse conhecimento junto com toda a cultura popular do cariri! São a essência do meu trabalho! As influencias… É tudo que se possa imaginar, até o que "não presta" e o que "não gosto"! rsrsrs mas sempre sem perder la ternura! Jamais!

Alexandre Lucas - Fale da sua trajetória?

Geraldo Junior - Como falei antes! Comecei, desde quando passei a ter uma idéia e percepção do mundo onde estava inserido! Sempre escrevi, logo cedo comecei a cantar e tocar brincando, até que ficou mais sério! Muita coisa devo aos meus companheiros de trabalho como a banda Dr. Raiz, e todos que por nela passaram! As viagens que fizemos juntos, a minha não tão breve passagem pelo meio acadêmico no curso de letras da URCA (ainda pretendo voltar), minha ex-companheira, Dane, me ensinou muita coisa sobre produção! Sobre arte, sobre a vida. Muito do que sou hoje devo especialmente a ela, a qual tenho muito carinho! Os trabalhos que fiz com os grupos de cultura popular da região, sempre como vivência ou troca, amizade mesmo… nunca quis estar com um gravador ou um caderninho anotando… Acho isso importante, mas, preferi estar apenas do lado mesmo. Tenho muito carinho por todos e sou feliz porque sei que isso é reciproco! Nomes como Zabumbeiros, Abdoral, Salatiel, Luiz Fidelis, Luciano Brayner! Entre tantos outros me são referencia! Considero o Dr. Raiz meu 1º disco! Com muito orgulho. Depois fiz o calendário com uma rotatividade maravilhosa de músicos gravando e tocando! Darlan, Cicero Tertuliano, Antonio Queiroz, Flauberto Gomes, Maria e Francisco Gomide, Ranier Oliveira, Genival do Cedro, Lifanco e Rebeca e Joana Queiroz! E claro, o excepcional Beto Lemos, meu grande parceiro, arranjando e tocando varias coisas! Ibbertson Nobre também foi muito importante nesse processo! Aprendemos muito com ele! Salve!
Atualmente estou finalizando o meu novo disco que tem como nome provisorio "Warakidzã - Senhor do Sonho"o disco se aprofunda ainda mais nas raizes ancestrais do povo cariri com suas historias, personagens e lendas! O novo album além dos sons mais tradicionais, também traz uma sonoridade um tanto psicodélica, onde timbres de guitarra e efeitos eletrônicos serão percebidos mais de cara! Pretendo lançar até novembro. A formação da banda, ja é uma galera de vários lugares que conheci aqui no Rio, grandes parceiros! Se não fosse essa galera não teria como estar com esse novo trabalho: Beto Lemos e Ranier Oliveira - Cariri, Filipe e Marcelo Müller - Rio Grande do Sul, Gabriel Pontes - Rio de janeiro, Eduardo Karranka e Cláudio Lima - Bahia e ainda mesmo não gravando, pessoas que tem me acompanhado nos shows: Joana Araujo - Maranhão, Ricardo Miranda - Cariri, Abu - Bahia e por aí vai!

Alexandre Lucas - Você participou da Sociedade dos Cordelistas Malditos?

Geraldo Junior - Participei sim! Foi um momento de muito aprendizado! Infelizmente como cordelista de fato, sou um fiasco! rsrsrs mas minhas letras inevitavelmente passam pelas métricas dos folhetos e cantorias! Algumas delas são escritas mesmo na métrica dessa escola!
Salve meus amigos da SCM desde os seus primórdios ainda no circulo de leitura do SESC Juazeiro! Abraços em todos!

Alexandre Lucas - Como você caracteriza seu trabalho?

Geraldo Junior - Música Cariri. Música regional plugada no universo!

Alexandre Lucas - Como você ver a relação entre arte e política?

Geraldo Junior - Olhe, a política pode ser uma arte, como qualquer outra coisa que um ser desenvolva. A arte também pode ser política ou não. A minha naturalmente, geralmente é, às vezes não. Não me prendo a isso. O que crio, só desconfio ou descubro o que é quando já é por si só, em todos os aspectos.
Contudo, vejo com fundamental importância, ser politizado. Infelizmente hoje o termo esta bastante desgastado, né?!… E pra não confundir prefiro chamar de politicagem, o que acontece de negativo em relação a este assunto. Que pra não fugir do tema, por hora, prefiro falar com brevidade.

Alexandre Lucas - O seu trabalho vem se expandindo pelo Brasil?

Geraldo Junior - Bastante! E agora felizmente, também pelo exterior! Já toquei em várias regiões do país e mesmo onde ainda não fui fisicamente, meu trabalho já foi até lá por conta dos meio virtuais! A internet é uma ferramenta fundamental e maravilhosa pra difusão da música, se comunicar com os amigos, os fãs, (hoje é quase a mesma relação) gosto de manter contato com todos e tenho muito carinho por isso. Toma tempo, claro, mas sou bastante recompensado pelo tempo que dôo a isso! Esse ano fui a Coimbra num evento maravilhoso da universidade em parceria com o SESC. Lá fizemos vários contatos e já existem propostas pra voltar em breve!

Alexandre Lucas - Recentemente você esteve em Portugal. Fale desta experiência.

Geraldo Junior - O evento foi a "Mostra SESC Luso-brasileira de Culturas"! E contou com artistas brasileiros, especialmente do ceará, e também de grupos portugueses! Foi um importante intercambio, lá estive com meus colegas do Dr. Raiz, mais outros queridos como Franklin Lacerda, Ermano Morais, Os Anicetos! Imagina essa cambada no velho mundo?! Rapaz, junto com o pessoal de lá do além-mar! Foi um carnaval! Momento muito belo de força e poesia!

Alexandre Lucas – O que representa a música na sua vida?

Geraldo Junior - Música é minha vida. É o que sei fazer, sem arte minha vida não tem sentido.


Alexandre Lucas - Qual a contribuição social do seu trabalho?

Geraldo Junior - Olha, eu não canto qualquer coisa por cantar, sempre busco ter poesia em meu trabalho e fazer as pessoas se sensibilizarem. Direta ou indiretamente minha música questiona a realidade. É minha forma de contribuir com a sociedade. Cada apresentação pra mim é um ritual. Não é simplesmente uma situação de subir ao palco, é mais de cantar e dançar louvando a vida. Estar em conexão com todos. Como um folguedo, dar as mãos e brincar, se conectar com o encantado. Se deixar de estar ligado no presente, na realidade...

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

Geraldo Junior - Hahaha tenho que me organizar, tenho embrionado um trabalho cênico solo, e ainda pretendo gravar um DVD, Um Disco de poesias, um outro só com musicas da cultura popular tradicional pra todas as idades, mas principalmente, pensando no público infantil, e outro disco só cantando compositores da região com nomes que já citei acima!

Fora isso to sempre compondo! Eu sonho muito! Viajo sempre! hihihi

Não sei se terei tempo pra tudo isso! Mas vamos em frente!

Por fim, posso dizer que estou vivendo um momento feliz, e sou orgulhoso em poder levar o nome e a cultura da minha terra, do meu povo, pra o mundo conhecer!


Site:
http://www.geraldojunior.com.br/

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

cartum por LUPIN



O efeito Kirlian em certa República estudantil da Fortaleza dos anos 70 - José do Vale Pinheiro Feitosa

Vou citar nomes de pessoas que provavelmente conheçam ou não: Jackson Sampaio professor da Universidade Estadual do Ceará; Gianni Mastroianni, médico endoscopista gástrico morando em Fortaleza, Barreto o qual só lembro o sobrenome, é publicitário e jornalista e pelo que sei mora em Teresina e o rebelde, filósofo e viajante da alma que acabo de esquecer o nome. Viviam numa república num bairro próximo da Faculdade de Medicina de Fortaleza. Freqüentei muito aquela república para tertúlias políticas clandestinas e culturais rebeldes.

O Tarcísio Tavares, o nosso querido Tarcisinho, médico cratense andava por ali, o Geraldo Acioly, Geraldinho que andou pela França e o reencontrei num governo petista em Fortaleza; o Marcos Penaforte, ex-deputado e secretário de Saúde do Ceará, o César Penaforte, irmão e hoje fazendo doutorado na Holanda; um quadro do Pecezão, o Cândido, com seu tronco dobrado para frente e os olhares laterais e para trás em busca dos agentes da ditadura em perseguição dele. O Tarcísio Baturité, morou muito tempo no Crato na casa de um tio que era funcionário da SUCAM, é médico, além do cronista e escritor Airto Monte. E muitos mais além da Lêda Araripe, médica psiquiatra, o José Wellington de Oliveira Lima, grande bioestatístico da UFC e José Wellington que o distinguíamos pelo sobrenome de Piauí, professor de Epidemiologia da Escola Nacional de Saúde Pública.

O ambiente nem se fala. Uma casa de subúrbio, com varanda, três quatros, uma sala e uma cozinha para esquentar água para o nescafé e leite em pó. Açúcar? Sem refino, em grumos e quase um formigueiro a passear no açucareiro. As baratas? Já sabemos, são covardes e não se dão à vista, a não ser para as mulheres. Uma casa despojada, algumas camas patentes de mola e muitas redes. Na porta o indefectível fusquinha cor de goiaba do Gianni Mastroianni. Com este descobrimos o universo de pores de sol na praia da COFECO, desembocadura do rio Cocó, das nuances de cores na borda do escurecer e o supremo da descoberta: a lua não era bidimensional. Era um perfeito 3 D (está na moda não?) aos nossos olhares filosóficos nas brumas que tanto mexeram com o “desbunde”.

Isso mesmo o “desbunde”. A reação do sistema na alma daquela juventude rebelde, estudiosa do marxismo, com profundo senso de urgência na mudança do status quo social e econômico do país. Não houve um só vetor para atingir amplamente aquela inegável adesão ao sistema ao mesmo tempo em que a “consciência ecológica” e “espiritual” avançava sobre mentes racionais e disciplinadas no materialismo histórico.

Este ambiente foi mais intenso no meu último semestre na capital cearense, a banda derradeira de 1972. E os debates eram imensos, intensos e freqüentes. Lembro da “seriedade” e do “horror intelectual” do nosso querido Jackson Sampaio. Junto com a infiltração de temas que tomaram vulto nas preocupações humanas ao correr do tempo como o desequilíbrio ecológico e outros espirituais que viraram moda, com apegos sinceros e outros escapista diante da época mais cruel da ditadura. Além do mais corria um bom debate sobre estética e, claro, diante de certa rebeldia underground muito que havia na cultura desde as roupas e os cabelos.

Um livro que marcou o “desbunde” daquela geração universitária em Fortaleza foi “O Despertar dos Mágicos” do jornalista francês Louis Pawles em parceria com Jacques Bergier. Um contraponto estimulante para certa “rigidez” da lógica e racionalidade de nossa militância política. Mas sem dúvida uma grande aventura escapista para a leitura histórica dos conflitos políticos, sociais e econômicos que vivíamos. Aí o debate corria madrugadas e os mais ortodoxos chegavam ir aos limites do medo com o fascismo.

Não foi sem razão que as religiões orientais entraram na vida daquela juventude que não encontrava mais novidades nas velhas crenças do ocidente. Junto com as porta das percepções da “Ilha” de Aldous Haxley subiram de valor os “experimentos” do “nirvana” e da “consciência cósmica”. E foi numa desta que os primeiros passos daqueles neófitos da grande viagem se viram expropriados por um hippie paulista e uma companheira uruguaia que prometiam a mais pura de que os Guajajaras do maranhão eram capazes de colher. Muita gente deixou de chegar perto do êxtase sob a mangueira de bruma rosa. O danado do hippie quase que rouba o enlevo da Cléo e Daniel do escritor Roberto Freire.

Aí a acumulação capitalista ocupou o espaço. Ou melhor, o negócio viu a oportunidade e inventou uma revista chamada Planeta. Que se diga de passagem não era menos honesta do uma Super Interessante da vida. Queria desvendar os mistérios do universo e convenhamos os mistérios são muito mais estimulantes dos que a aridez de complexos problemas humanos na crosta deste planeta incerto e de uma sociedade desigual. Uma técnica para dar credibilidade às “teses” da revista Planeta já não pode ser utilizada nos tempos atuais.

Toda teoria de poucas evidências, recheada com fatores de confusão e associando coisas apenas por que estão presentes no tempo e no espaço, do tipo os “deuses eram astronautas”, tinha um mote certo para se mostrar inquestionável. Eles diziam que a União Soviética atéia havia testado aquilo e concluíra pela verdade. Pronto, estava feita a prova, ler em russo não era para ninguém e menos ainda quem lesse não conseguiria ter acesso a textos da ciência russa naquela época mais intensa da guerra fria.

Uma das referências era o Efeito Kirlian que fotografava a aura das pessoas. Aqui estamos entre o budismo e o espiritismo kardecista. Aliás, o efeito Kirlian não foi descoberto por ele: foi descoberto pelo padre porto alegrense Landell de Moura em 1904. Muita gente adere ao pensamento e se encanta com as imagens luminescentes extraídas com a técnica Moura/Kirlian. De fato esteticamente têm um efeito arrebatador e permite extrair momentos de êxtase nas pessoas mais sensíveis.

A questão é que a técnica tem a mesma capacidade de enriquecer o olhar como existe com os raios x que até permitem aos médicos que conhecem a anatomia humana estudar problemas de saúde em órgãos internos que os olhos não enxergam. Agora mesmo existe uma nova técnica de ultrassonografia, desenvolvida para estudar a composição do queijo em queijarias francesa e que tem mostrado capacidade superior à própria biópsia hepática para estudar evolução de doenças hepáticas.

O efeito Kirlian, que é fotografar objetos submetidos a campos elétricos de altas voltagens e frequência e de baixa intensidade de corrente, encontra luminescências belas tanto nas pessoas, quanto nos animais, plantas e também em materiais inorgânicos. Embora os russos tenham em conta que podem estudar alguns efeitos emocionais e de saúde, nada é definitivo, mas o valor estético é notável. Basta procurar na internet que veremos belas imagens.

Quanto àquela república, acabei de telefonar para um dos moradores dela e nem ele foi capaz de lembrar o nome esquecido do nosso querido rebelde e viajante da alma. Contou-me o Geraldinho, muitos anos após, que um dia, numa das aulas terríveis de estruturalismo na faculdade de filosofia, o nosso esquecido levantou-se de repente e com as mãos sobre a cabeça, que parecia ferver, disse: ai meu Deus que saudades da minha jumentinha lá em Jaguaribe.

Show de Calazans Callou - Rua da Moeda - Recife-PE 12 de NOV.












Callou e os Achadores de Cacimbas, tem pouco mais de um ano, e já vem emplacando seu som, pelas apresentações feita em Gravatá-PE, agora desse a cidade serrana para aportar literalmente na Rua da Moeda, situada no Recife antigo, antigo cais do porto. O projeto Esse é o Som do Recife, chegou em boa hora para prestigiar quem ainda não tem espaço para mostrar sua música em terreno tão cobiçado. Pois ali está o palco da efervecência e multiplicidade cultural do estado de Pernambuco. Estamos prontos, para realizarmos nosso sonho. Esse projeto já é sucesso, começou em outubro e se estenderá até meados de dezembro, levando um público conceitual e de crítica apurada. Será um grande teste para nós. Estaremos lá com toda energia que vem dessas duas cidades muito parecidas em sua essência, Crato e Gravatá: muito verde, cachoeiras e conciência de preservação ambiental. Nós não nos preocupamos com rótulos ou penduricalhos lançados por olhares atravessados, a maior virtude de Callou e os Achadores de Cacimbas é ter seu som sem colagens, árido mas de fácil fertilidade. Nessa apresentação estaremos divulgando parcerias com: Geraldo Urano, Carlos Rafael, Socorro Moreira, Tiago Araripe, Marcos Leonel (Elcapone tá é bêbo), Lupeu Lacerda, Wilson Bernardo e a pernambucana Geovânia Freitas. Dia 12 de novembro as 22 horas. Quem estiver pelo Recife, aparece por lá, serão todos bem vindos. Shows gratuitos

O "editar" textos - José Nilton Mariano Saraiva

Reza o velho (e sábio) adágio popular que “em panela em que muitos mexem a comida sai crua ou sai queimada”. Pois não é que na (vã) tentativa de sair da incômoda situação em que se colocou (teria usado inapropriadamente o termo “senilidade” na tentativa de descredenciar a respeitável octogenária D. Almina Arraes), a posteriori, no “discurso-defesa” proferido em sessão da Câmara Municipal do Crato, o líder do prefeito acabou metendo os pés pelas mãos ao (atabalhoadamente ou não) “transferir” ou “repassar” in totum para um aliado político (o atual presidente da SAAEC) o pesado ônus pelas graves acusações sofridas por aquela senhora (numa autentica versão crepitante do “fogo-amigo”), conforme se depreende do parágrafo que estranhamente não foi dado a conhecer ao distinto público, mas que diligentemente “transcrito” e veiculado pelo filho de D. Almina Arraes, Joaquim Pinheiro, na forma de comentário, a saber:

"Joaquim Pinheiro disse...
Vereador George,
Vc "esqueceu" de incluir no cariricaturas o parágrafo do seu aparte que transcrevo abaixo:
... foi exagero por parte da minha parenta que hoje é considerada na própria família como pessoa que está na iminência de ser interditada por conta da sua senilidade por questões já da idade, já criando fatos que não existiram ...(inaudível) inclusive, inclusive isto foi o motivo de defesa do próprio Presidente da SAAEC...
No dvd isto foi dito por S Excia, e não pela Vereadora Mara.
1 de novembro de 2011 18:57"

Como se vê, o “editar” textos - publicar só o que interessa e jogar pra debaixo do tapete aquilo que não é “conveniente” – não é e nunca foi uma política muito recomendável, porquanto alguém mais expedito e antenado poderá não concordar, divulgando-o ipsis litteris (como é feito, no momento).
E agora, vão também tentar descredenciar o Joaquim Pinheiro, já que ele deixa patente (também) não concordar com a estranha, risível e inacreditável “interdição” da mãe, conforme sugerido na peça do ilustre vereador-suplente ???

As luzes na visão - Emerson Monteiro


Quando o Sol nasce traz de dentro de si todas as cores para gregos e troianos contemplar numa admirável percepção. Independente do gosto das criaturas, clareia sem discriminação; brilha sobre maus e bons, luz intensa sobre as mais diversas e surpreendentes histórias. Mostra o filme das existências, isto livre de impor, a quem quer que seja, sua vontade poderosa, possibilitando a experiência viva do valor do olhar de todos.

Com isso, a chance de utilizar essa capacidade ofertada pelas tantas oportunidades indica o quanto resta aprender diante das películas exibidas no cinema esplendoroso da natureza humana. São as lições dos sonhos múltiplos, a generosidade que desenvolve o transcorrer dos filmes exibidos sem parar, sessão interminável. Hoje, uma superprodução a cores no jeito de Cecil B. DeMille e seus épicos imorredores tirados das páginas bíblicas. Amanhã, episódios em preto e branco dos contos de Edgar Allan Poe, recheados de surpresas e mistério. Na sala imensa os motivos mil para olhos abismados ganhar contornos variados, nos detalhes e no todo.

Caminhar, pois, ao sabor dos muitos instrumentos, a fim de melhorar qualidade, na mesa dos apetites vindos ao nosso gosto na função dos elementos. Buscar carinhosamente aprimorar esse saber pessoal diante dos meios, os valores individuais, eis o que praticar, invés de exigir dos outros. Descobrir no próprio ser as escolhas e realizar os instantes com sabedoria e bom gosto.

Conquanto o filme insista continuar todo tempo na tela do presente individual, cabe utilizar o enredo em proveito do aprimoramento, através das boas práticas adotadas. Ver o bem que queremos ao mundo inteiro, dentro de nós, através das lentes do enxergar, até que possa permitir crescimento amplo do amor, estilo inigualável onde nada muda se nós não mudarmos, qual ensinam os professores.

Além de tudo, há que continuar a projeção nas consciências, independente de questões particulares. As luzes das manhãs sempre chegam fortes à razão e ao sentimento e selecionar o que assistir só depende desse gesto das predileções do espectador, na visão mágica que se movimenta aqui em nossa frente.

"A DONZELA E O CANGACEIRO" CONTINUA EM CARTAZ PELA FORÇA DO PÚBLICO


TEATRO LOTADO... 
MAIS UMA APRESENTAÇÃO MARCADA PARA QUARTA!!!

Um público de cerca de 300 pessoas disputou as 180 vagas para ver o espetáculo "A DONZELA E O CANGACEIRO" neste dia 1º, depois de superlotar a apresentação do dia anterior.

Muitas pessoas ficaram de fora e, com ingresso na mão, concordaram em voltar ao Teatro Rachel de Queiroz nesta quarta-feira, dia 2 de novembro, às 20h, com o fim de assistir à peça.

A Cia. Cearense de Teatro Brincante, através de Cacá Araújo, seu diretor, agradece o reconhecimento e o carinho recebido calorosamente na cidade e na região, palco e razão da sua existência.

SERVIÇO:
Ingressos - R$ 5 (meia e antec.) / R$ 10 (inteira)
Indicação - 12 anos

PATROCÍNIO:
Governo do Estado do Ceará
Secretaria da Cultura do Ceará
Lei Estadual de Incentivo à Cultura
Prefeitura Municipal do Crato
Secretaria de Cultura do Crato

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A força das Palavras enfrentando as palavras da Força - José do Vale Pinheiro Feitosa

Lendo a “força das palavras” de Sérgio de Luiz Balsito, do Sinal Nacional, para Almina Arraes em que destaca “a lucidez e objetividade da autora no desenvolvimento da obra foram pontos de destaques nos comentário recebidos”, vem à memória o recente episódio das “palavras da força”. Todos nós ficamos confortáveis, pois somos capazes de distinguir uma da outra.

Uma vez que a força das palavras de pessoas como Almina Arraes fazem parte dos mistérios da eternidade enquanto tudo é aparentemente finito, a palavra da força é a desgraça do finito fantasiado da eternidade se desmanchando em pó. Enquanto a força da palavra vai além do combustível para mover a máquina do sucesso e deste modo tornando o sucesso um resto no principal que é a conquista de si mesmo como humano, a palavra da força não resiste nem às imagens que capturam os eventos.

A palavra da força edita o outro para garantir a força. Por isso acusa mentira nos outros quando mente. Ameaça a integridade alheia para esconder o próprio ardil. A palavra da força tem horror ao futuro e esconde o passado para manter um eterno hoje. A palavra da força não pode imaginar o futuro em que ela não esteja e nem reexaminar as imagens do vídeo do passado onde a farsa de agora se desfaz.

A palavra da força treme diante da responsabilidade de suas próprias palavras. As palavras da força mudam de cor, dançam de um lado para outro, num rodopio exuberante igual raios laser. E se os raios laser não cegarem a assistência, ao menos esconderão o palco das palavras que pedem interdição, os gestos que dizem loucura, as cenas de subterfúgios para não aparecerem as garras ferinas da palavra da força.

As forças da palavra de Almina Arraes não são para brandir o estatuto do idoso e nem criar um status bolorento de uma idade se encaixando no arranjo geral de uma sociedade solidária assaltada por egoístas conquistando a pepita de ouro a qualquer custo. Pelo contrário, as palavras de Almina têm força por que são includentes. Poder expressar sua arte de pintora. Ser parte do conclave de idéias ainda incipiente na internet e não temer as barreiras tecnológicas.

A força da palavra de Almina é por que é revolucionária, pela mulher e por todos aqueles que o capitalismo deseja interditar numa espécie de parque infantil com babás de meia idade dizendo o que devem fazer. Algum idiota que não consegue enxergar além da ponta do nariz irá argumentar com a senilidade, como se ao assumir a palavra da força não estivesse expressando a própria decadência.

Almina Arraes faça minha a força das palavras de Sérgio de Luiz Balsito, mas gostaria de fazer uma confissão: eu sou mais invejoso do que imaginava ser. Por que o Sérgio se antecipou antes de mim a explicar tão bem o seu papel revolucionário de um segmento ativo da nossa sociedade?

Acabei de ler uma história que lembra este contraste entre a força das palavras e as palavras da força. O jornalista Uruguaio Rodolgo Porey estava encapuzado ao lado de um estudante e ambos sendo supliciados por torturadores. Foi quando ouviu do estudante a frase: Me cago em dios (cago em Deus). De repente o chefe dos torturadores gritou de lá: Respete las ideas ajenas, mocito! (respeite as idéias alheias, mocinho!). E eles sendo torturados exatamente por terem idéias diferentes dos torturadores que o supliciavam por isso.

Almina Arraes está jogando um segmento esquecido da sociedade no debate da rede mundial e isso me orgulha muito enquanto cratense. Revolução é isso e os reacionários de sempre sonham em interditar. Mas se me orgulho de Almina mais ainda me orgulha o povo da minha terra que tão perto se aproxima em solidariedade a Almina.

As oposições e o câncer na Laringe do ex-presidente Lula - José do Vale Pinheiro Feitosa

O câncer na laringe do ex-presidente Lula, como todo tumor maligno, tem capacidade de destruir as estruturas na qual se inicia e de se espalhar para outros órgãos onde os atingirá. O princípio geral de todo tratamento do câncer é destruir ou retirar as células cancerosas para que elas não causem os problemas citados. Por isso o presidente Lula fará quimioterapia que é a destruição das células cancerígenas para que não continuem causando problemas na sua laringe e nem se espalhe para outras regiões do seu corpo.

O câncer de laringe é o mais comum dos tumores malignos que atinge a região da cabeça e do pescoço e são tão comuns que chegam a representar 2% de todos os tipos de cânceres. Existe uma quantidade imensa de grupos, tipos e sub-tipos de cânceres, sem contar o estágio em que já se encontra a definir uma rota de sobrevivida ou cura.

O presidente Lula tem um tipo câncer em estágio inicial com muitas chances de cura definitiva. Mas o câncer de laringe nele é muito mais do que simplesmente uma doença atingindo uma pessoa. Nele o câncer é politizado, vai além de apenas sinais, sintomas, diagnóstico, tratamento e recuperação.

O câncer nele é no aparelho fonador, aquele que efetivamente articula a voz. E a voz é o instrumento, o veículo principal do pensamento do político. A sua voz é quem empresta emoção, quem realça fatos e diminui factóides. Desde sua liderança no movimento operário que sua voz move o espírito e a consciência da luta dos trabalhadores, especialmente em São Paulo. A sua voz foi central na formação de um dos maiores partidos das Américas e no exercício político no governo do Brasil.

Em Lula até mais do que em pessoas como Fernando Henrique, em comparação tomando um exemplo recente. Lula, como Brizola e outros grandes líderes nacionais vieram da cultura oral, daquela forma básica que é a voz. A voz em que a maioria dos brasileiros se comunica e transmite idéias. A voz em Lula é até muito mais que um instrumento de comunicação. Em Lula a voz é poder político de um momento histórico do povo brasileiro.

Por isso os seus adversários ficam tão excitados, rodeando o assunto sem quererem se expor em baixarias, sempre querendo saber por quanto tempo e se pode ser definitivo que esta voz se cale. Outro efeito do tratamento do câncer de Lula é a contradição que os adversários exploram pelo fato dele não fazer o tratamento num hospital público.

Desta exploração entre o público e o privado residem dois efeitos a colar na mente das pessoas: Lula é elitista e só quer as coisas boas da elite branca de São Paulo e por outro lado os hospitais públicos são muito ruins, por isso ele não se atreve a ir a um hospital público fazer o seu tratamento.

A oposição realmente está usando uma contradição política, mas sob bases mentirosas. É uma forma inteligente e precisaria outra inteligência para derrubar esta bobagem toda. Os hospitais de câncer públicos são mais consistentes que os privados e existe uma simbiose imensa entre os dois setores, especialmente pelo duplo emprego dos médicos e profissionais de saúde numa e noutra ponta. Eles são mais consistentes por que têm mais volume de atendimento, fazem pesquisa, têm estatísticas de protocolos de tratamento e são os principais centros de formação de profissionais de cirurgia e clínica oncológica no país. Fora disso só quem vai financiado pelo governo ou aqueles privilegiados que vão fazer formação no exterior com o objetivo de ganhar rios de dinheiro com a exploração comercial da doença.

Mas aí vem um sério problema do atual Ministério da Saúde. Nunca vi tanta inércia diante de uma manipulação da opinião pública como esta exercida pela oposição, especialmente na internet. Será que ninguém veio a público para colocar os pingos nos ii? Eu pelo menos não li nenhuma manifestação dos Conselhos e Sindicatos dos profissionais de saúde rebatendo este besteirol que vai colar como uma verdade.

Sob o elitismo de Lula isso decorre de fato de outro fenômeno pessoal e político. Lula tem um médico particular que circula na elite médica de São Paulo que vive do grande negócio de milhões de dólares entre o Sírio Libanês, o Alberto Sabin, a Beneficencia e assim por diante. O fenômeno político decorre primariamente da dicotomia criada no país entre o setor público e a saúde suplementar. A saúde suplementar, dos planos de saúde, passou a ser a grande fonte de financiamento de hospitais poderosos e tem muito prestígio no operariado especialmente paulista da origem de Lula. Muitos acordos sindicais, de natureza salarial se fazem com a concessão de planos de saúde coletivo. Poucos brasileiros sabem que os planos de saúde são fundos mutuais e que os principais financiadores são: os operários em seus acordos com patrões e o governo federal com a renúncia fiscal.

Outro dado da exploração política do câncer de Lula foi o oportunismo de demonstrar que Lula tem este câncer por que fuma muito e bebe bebida alcoólica em excesso. Novamente a idéia é uma manipulação por que se você pretende apontar a questão de indivíduo não pode interpretar isso desta maneira. O fato de beber e fumar são fatores de risco, extraído de estudos gerais da população e apontam uma probabilidade comparativa com grupos que não fumam e nem bebem. Não é uma causa específica, até por que o câncer foi o primeiro problema de saúde pública a derrubar os conceitos da das doenças infecciosas quando se tinha a idéia que uma doença como a tuberculose tinha como causa única o bacilo da tuberculose.

O câncer de laringe, como a maioria dos cânceres, tem múltiplas causas e nunca se sabe como elas contribuem especificamente. Então o que se deseja, mais uma vez, é usando uma evidência probabilística jogar para o público que Lula está pagando os seus pecados. Mas câncer nenhum é um pecado. Pode ser uma precaução, uma prevenção primária ou secundária, mas não um sentimento moral que evidentemente falta em quem faz tentativas de tirar tais ilações sobre a doença do ex-presidente da república.

"O Mistério das 13 Portas ..." Um outro Olhar...

Tive o privilégio de assistir ao espetáculo infantil “ O mistério das treze portas”, na verdade, um grande evento que traz à luz os seres que fizeram história, nas suas transgressivas formas de ser e de conceberem a vida. Sujeitos massificados e excluídos socialmente, atingidos com as pedras do preconceito de uma sociedade que apenas lhes permitiu a mísera visibilidade do desdém e da zombaria, julgando-os com critérios absolutamente elitistas.

À medida que os nomes desfilavam naquele palco, igualmente reavivavam e se abriam lentamente “as portas” das minhas lembranças desses personagens que percorreram as ruas do Crato e deixaram suas marcas, resgatadas, hoje, graças a sua sensibilidade antropológica e de todos que tornaram possível o livro, e consequentemente, o espetáculo.

Parabenizá-los é muito pouco diante do coquetel cultural que degustamos ao sabor das músicas e da diversidade dos artistas. Jamais esquecerei o cântico performático de João do Crato que mesclou tão bem, corpo, voz e coração num só pulsar interpretativo.

Claro, que também deixo aqui algumas observações, que talvez sirvam de sugestões, a partir da minha limitada percepção crítica. A meu ver, a idéia do Mateus e da Catarina como apresentadores foi maravilhosa, no entanto, julgo que se esses mesmos personagens teriam mais brilho e mais aceitação do público infantil, dando ao texto um caráter de conotação de história como bem é feito no livro, sem aquele empilhar de folhas digitadas que lhes cobriam o brilho e acabaram comprometendo, relativamente, o show, dando-lhe uma ideia de um ensaio, apenas.

Quanto à apresentação musical, julgo que seria mais interessante e condizente com a proposta que os cantores estivessem TODOS, e não só alguns, caracterizados com o personagem que estavam representando, uma vez que se trata de um trabalho para crianças, e, a compreensão infantil opera mais com o concreto, o visto, e não o subjetivo. Sem contar, também, na expectativa criada no público adulto, em ver e relembrar os sujeitos ali anunciados, evidente que não se esperava um teatro naturalista na sua essência. No entanto, na minha forma de perceber, ali não era apenas um mero show musical; a música estava em função de um contexto maior, por alargar e aprofundar o texto e o resgate histórico que se pretendia dar no final, com o intuito de formar um tecido único, a partir de cada fio ali exposto.

Mas, acredite, meu caro Zé Flávio, nada afetou o brilho da tão inspiradora ideia, a composição e a poesia presentes no tributo ao Beato Zé Lourenço foi realmente encantadoras. Já fico no aguardo do abrir de outras portas, em que espectador e leitor adotando a postura da Alice do Lewis Carroll, adentrem em outros países das maravilhas culturais que sua inspiração como escritor pode e sabe tão bem proporcionar.

Blog do Rui Porão: MANDACARU, no mato sem cachorro | http://ruiporao.blogspot.com/2011/02/mandacaru-...MARIA DAS GRAÇAS DE OLIVEIRA COSTA RIBEIRO
IFCE- CAMPUS CRATO-CE


escapulário

Mal amanhece ou anoitece
eu tiro um pedaço do meu coração
e colo em um poema. No dia seguinte
a mesma coisa sem pensar duas vezes.

A minha sorte é que o coração de poeta
é igual a fígado de bêbado após um mês -

não viu nada,
não ouviu nada

e nem se lembra
da última pinga
ou do último
verso.

Setaro's Blog: Ernesto Geisel e "Dona Flor"

Setaro's Blog: Ernesto Geisel e "Dona Flor": 1) Luiz Carlos Barreto, numa longa entrevista à TV Senado, conta a sua trajetória de homem de cinema e, lá pelas tantas, fala de Dona Flor e...