TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

American Way of Death - José do Vale Pinheiro Feitosa



Antes que me imagine um “anti-americanista” de carteirinha, volte-se para si mesmo e compreenda o quanto a ideologia política, o estilo de vida e a cultura americana são fortes sobre a formação brasileira da geração pós-guerra. Muitos entre nós tivemos a oportunidade de sermos crítico em relação ao American Way of Life, afinal a URSS, a Social Democracia Europeia, além dos movimentos de libertação colonial, nos ofertaram esta oportunidade sem par.

O modelo americano de “desenvolvimento humano” é cada vez mais questionado pelo grau de pobreza e violência que produz, associado a uma dependência consumista que parece viver para si mesma, com enorme reação por esgotamento e corrupção da natureza que o modelo tem provocado sem qualquer parâmetro sustentável. Acho que ficou evidente que os EUA, por exemplo, parecem muito despreparados para desastres ambientes como furacões e tempestades tropicais. Primeiro foi Nova Orleans, mas isso  parece ter ficado às custas do atraso relativo, mas agora o impacto foi em Nova York e aí já não dar para esconder a marca de batom na cueca.  

O American Way of Life que começa com uma ideia generosa de liberdade e vontade de crescer individual, vai se transformando num caos progressivo não em razão do individualismo exacerbado, mas face a face com a concentração da renda e o poder absoluto do capital e das grandes corporações na área de energia, guerra, alta tecnologia e assim por diante. Por isso ele vai tomando uma série de faces de clivagem que mais e mais demonstram seus problemas.

Vou tomar quatro destas faces que existem quase em parelhas, uma a depender da outra. A primeira é expressa sistematicamente nos filmes como algo do tipo “é meu trabalho”. Isso para se referir tanto ao orgulho e de um plantador de frutas da Califórnia, quanto a um assassino pago para perseguir migrantes ilegais destas ditas plantações. “É o meu trabalho” e naquele mundo livre para viver, matar é um meio de vida. A face gêmea é de esperança frente ao espanto destrutivo e “animal” do sistema: “uma segunda chance”. Quantas vezes não a ouvimos em diálogos e até mesmo no argumento de um filme esta frase que parece dizer que o sistema pode oferecer outra chance. Em todos os ciclos de depressão econômica a segunda chance nunca aparece, mas se existe, certamente é para os mercenários a serviço do poder absoluto.

As outras duas faces são filhas diretas do neoliberalismo econômico: “cada um por si” e “a culpa é somente sua”. As duas faces de clivagem no bloco do American Way of Life parte do princípio que nem Adam Smith parecia acreditar: que o mercado seja perfeito. Teria oportunidades iguais para todos e se a pessoa não as buscou é culpa puramente delas. Coisas do tipo você tentou e não conseguiu, não precisa regulamentar práticas monopolistas e nem controlar juros, nem qualquer outro artificio para tirar você da concorrência através de práticas de sabotagem. O problema é que você não teve competência e espírito para se estabelecer.

A segunda é o do tipo: a culpa é do seu pai que não criou um patrimônio por herança. Quem mandou você não estudar o que deveria ter estudado? Por qual motivo não trabalhou mais horas do que as longas jornadas da vida? É esse o argumento do “a culpa é somente sua”.

E agora que o Obama ganhou que tal repetir uma frase que cai bem: um outro mundo é possível. Ou a de Hemingway: o mundo é um bom lugar e vale a pena lutar por ele.      

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Tome Pílulas Amargas - José do Vale Pinheiro Feitosa


A Constituição Federal define quatro princípios para a administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Focando o assunto: a administração das leis submete-se a tais princípios constitucionais. No caso do processo do Mensalão trata-se de um caso típico de administração da lei, não estamos discutindo constitucionalidade de assuntos litigantes. No caso o foco da constitucionalidade é o STF e seus ministros, pois são eles a aplicar a lei.

Ontem o Ministro Relator do Processo do Mensalão, Joaquim Barbosa e por extensão o STF, ao meu entender, andou arranhando três desses princípios: impessoalidade, moralidade e eficiência. Chega da Europa onde foi fazer um tratamento com a medicina da sua confiança e se comporta como uma estrela de mídia, fazendo piadas com alívios de dores. Em seguida faz um discurso para as televisões em transmissão direta criticando réus que manifestaram desacordo com as sentenças que o Ministro deseja aplicar-lhe, depois manda prender o passaporte de todo mundo, pretende ampliar as condenações e ataca o comportamento moral dos seus pares, especialmente do Revisor com o qual se sente contrariado.

Não vou cansá-los com os detalhes desses princípios, pois estão disponíveis na internet, mas há uma vasta análise do julgamento que põe dúvidas imensas sobre inclusive o princípio da legalidade em razão de que a jurisprudência é inovadora ao caso e por outro lado existem outras jurisprudências a favor e contra ao que se aplica ao caso. Mas há uma vasta discussão sobre a quebra geral de todos os princípios: a diferença de tratamento a fatos idênticos acontecidos na base pelos mesmos autores que é o chamado Mensalão do PSDB igualmente com raízes em Minas Gerais.

Esta história exprime muito bem a sociedade que queremos e qual a democracia que se espera nela. Uma parcela enorme da população brasileira sabe muito bem que além de princípios políticos e ideológicos se necessita raciocinar e extrair conhecimentos com a realidade. É claro que o julgamento no STF é um confronto entre partidos políticos assim como é cristalina a posição das grandes corporações de mídia de cunho nacional com o resultado do julgamento.

Envolvendo um STF em base questionável politicamente e uma mídia corporativa que faz um discurso de absoluta liberdade comercial como a se confundir com o interesse público e a expressar uma liberdade de crítica que não aceita para si, requer de todos nós certo arranjo interno fora das paixões. A questão de uma sociedade plural na qual um partido como o PT seja objeto de crítica e punições é a medida para igualmente pensar-se nas Organizações Globo, Abril, Folha, Estado de São Paulo apenas para falar aquele eixo corporativo mais evidente.

Gustavo Gindre no Observatório do Direito à Comunicação exprime um jogo empresarial das Organizações Globo que expões toda a contradição do discurso de combate ao estatismo e apoio incondicional ao liberalismo e as práticas empresarias da mesma na mesma pauta cínica. As Organizações defendem mesmo é o controle da família Marinho sobre a Holding; não conseguiu dar um pulo internacional tornando-se algo global como até mesmo empresas mexicanas; fez pressão pela Lei 12.845 que ampliaria a participação das teles no mercado de mídia; apoiaram o máximo de 30% de participação estrangeira no mercado de produtoras e programadoras; proibiu a contratação de eventos nacionais por produtores estrangeiros como campeonatos de futebol e até mesmo de talentos brasileiros; ao mesmo tempo aquele Telecine é uma mera associação com a Universal, Paramount, Fox entre outras e com a Sony-Columbia naquele canal chamado Megapix. Em outras palavras as Organizações querem ser um ponto de passagem dos estrangeiros ao mesmo tempo em que usando o Estado dificulta-lhe o ingresso no mercado nacional. É o pedágio amplo e universal da cultura nacional.

Sentiram o quanto é preciso pensar sobre o que vemos e ouvimos?     
    

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Tudofel: Seu Jefferson e o Sítio Fundão

Tudofel: Seu Jefferson e o Sítio Fundão: Quebradas era como a gente se referia a alguns locais que costumávamos frequentar em bando . A denominação por si é sugestiva, indic...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Os odiosos odientos - José do Vale Pinheiro Feitosa


A UDN ainda é uma teia de aranha em algumas memórias do passado. Ela não existe mais, porém o udenismo do "mar de lama" faz parte da realidade política, social e cultural atual. Impossibilitada de apresentar uma projeto alternativo para promover a ascensão social de grandes massas da população. esse "udenismo" espectral se refugia no ódio. 

Faço ressalva: existia uma militância udenista no exercício legítimo da política e esta não é um zinabre do tempo, isso é um lustro da vida em sociedade. Aqui quem critico é a corrente udenista furibunda, magoada, perdedora, que não media consequências e usava os piores métodos para combater os adversários e além do mais era golpista. Só para medir a diferença procurem no Google algo sobre a banda de música da UDN para entender que não falo amplamente do partido. Ou leia a recente entrevista de Aécio Neves na revista Carta Capítal. 

Mas o que tenho recebido de e-mails odientos sobre o julgamento do Mensalão é algo que expõe o que os repassadores são por sucessão das práticas atuais em alguns partidos ou são os velhos golpistas de sempre, que apoiaram a ditadura militar, tinham ódio de tudo que combatesse o regime e depois com a democracia esconderam a vestimenta até que o baile à fantasia os reconvocasse.

Aliás li um texto lúcido no blog da Cynara Meneses sobre Lobão, Roger Moreira e Leo Jaime em que os "rebeldes" dos anos 80 desvestiram as fantasias libertárias e rebeldes e hoje mostram o que realmente foram e são: filhinhos de papai com direito aos uns muxoxos adolescentes. Os meus repassadores de e-mail com os piores xingamentos contra Bolsa Família, Cotas Raciais, ENEM, Lulas, Dilmas, PT e outras secreções dos canais biliares terminam descendo pelas alças intestinais aos destino dos canais que os coletam.

O que me fez vir a esse desabafo, não apenas pelo conteúdo, mas por receber tais e-mails de pessoas a quem considero como de valor equilibrado foi o que escreveu Bob Fernandes no seu Terra Magazine: Brasil afora há quem venere Lula. E ele sabe disso; é muito mais agradável informar e ser informado sobre isso. Mas certamente Lula deve saber, alguém deve dizer a ele de quando em quando: além de fazer oposição, um direito de todos, há quem lhe devote um ódio profundo.

Sem dúvida que é preciso se antecipar aos fornos do fascismo, mas também é alentador que a humanidade ainda mantem o espírito de sobrevivência ou de permanecer em vida de modo a jamais aceitar os foguistas destes fornos.     

Tudofel: Arqueologia do vinil

Tudofel: Arqueologia do vinil: Sou do tempo do disco do vinil ou do LP, como assim se abreviava o termo Long Playing da mesma forma se abrevia hoje Compact Disc par...

A Luta dos Contrários - José do Vale Pinheiro Feitosa


As culturas das grandes civilizações expressam toda a grandeza, no sentido matemático, do que seja uma civilização, isso para contrastar com as culturais tribais de sociedades coletoras e caçadoras ou apenas agrícolas. Uma grande civilização normalmente abriga muito mais contradições, pois as classes dominantes e dominadas são mais claras, a expansão territorial é uma marca, a face guerreira por consequência e principalmente a grande rede de produção e comércio. Por certo entendemos que nessa complexidade dialética se encontra os povos dominados pelas expansões territoriais.

Se pegarmos qualquer manifestação de uma cultura da grande civilização vamos encontrar não só os elementos em conflito como, também, o evoluir desta relação ao longo do tempo. Peguemos o cinema americano como exemplo. Ele expressa toda fricção das classes sociais americanas, sua expansão, seus ciclos econômicos, as transformações urbanas e rurais ao mesmo tempo em que acentua, ao longo do tempo, o papel de fonte de discurso e propaganda do “sonho americano” que é afinal o domínio das elites com a natureza já imperial.

Por isso Hollywood é visto essencialmente como máquina de propaganda da política imperial, fazendo por vezes um discurso escapista em relação à realidade e, por outra, fazendo uma pregação ideológica da elite imperial (incluindo instituições como a indústria, bancos, bolsas de valores, impérios midiáticos, universidades etc.). Não estranhemos esta enorme capacidade de “articular” vontades traduzidas numa inteligência estratégica nem sempre baseada em pessoas isoladamente, especialmente grandes lideranças.

A evolução empresarial globalizada evoluiu de tal modo que apenas 147 empresas dominam 40% das riquezas controladas pelas maiores empresas em todo o mundo. Isso numa escala globalizada é uma dimensão nunca dantes vista na história: 1% das empresas controla uma rede estratégica inteira. Neste sentido até mesmo instituições como o cinema de Hollywood já não é parte do projeto apenas americano, mas de toda a ideologia e cultura forjada pelo comando estratégico de poucos agentes. Embora os EUA sejam a grande fonte do modelo imperial e concentrador, o espírito privatista domina a cultura globalizada especialmente pelas estruturas bancárias que são os representantes majoritários daquele comando de apenas 1% das maiores empresas do mundo. A “austeridade” em prol dos bancos pode gerar a força política contraditória a esse comando privado do mundo e essa é a perspectiva política da atual crise. Os desdobramentos nos dirão.

Dois filmes de produção americana expressam muito bem o evoluir da cultura americana ao longo do século XX e início do atual século. O primeiro é um filme que retrata o breve casamento de Ernest Hemingway e Martha Gellhorn considerada a maior correspondente de guerra americana. A essência desse filme é de um país em expansão, mas vivendo ainda uma crise interna de pobreza que por isso mesmo tinha enorme simpatia pelos povos do mundo em crise. Hemingway como escritor do “Por quem o Sinos Dobram” e Gellhorn como correspondente da revista Collier´s na Guerra Civil Espanhola ainda tinham o espírito de solidariedade social pelos povos. O jornalismo aceitava que correspondentes como Gellhorn fizesse matérias arrasadoras sobre violações humanas mesmo que isso contrariasse e ideologia imperial ou os acordos estratégicos do grande capitalismo americano. O livro da Martha a Face da Guerra relatada toda esta questão.

O outro filme é “O Informante” que aparentemente mostra o poder avassalador da indústria do cigarro americana quando surgiram as evidências que ela manipulava o tabaco para ampliar o vício e que o consumo de cigarro era uma nova forma de epidemia. A indústria como é da natureza de todo cinismo privado reagiu dizendo que não reconhecia o vício e jogava toda a responsabilidade do fumar aos fumantes como se não houvesse essa manipulação física e a de psicologia social através da propaganda e marketing.

O filme trata não apenas do poder desta indústria, mas essencialmente demonstra o quanto a imprensa no ambiente imperial, globalizado e privatista tornou-se a função ideológica da hegemonia estratégica do núcleo (elite) imperial avassalador. A observação da cultura é uma fonte inesgotável do aprendizado histórico e da fricção dialética.

Tudofel: Escutando a maioria silenciosa

Tudofel: Escutando a maioria silenciosa: Tinha acabado de comprar a biografia de Keith Richards – Vida – e ainda estava nas primeiras páginas quando entrei despretensiosament...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Os Carbonários - José do Vale Pinheiro Feitosa


Nos tempos áureos da ditadura, em razão do programa econômico na época chamado de arrocho e hoje, austeridade, os ditadores inventaram uma instituição para acalmar o povo onde se venderiam alimentos por preços mais baixos. Mas como era da natureza social da dita cuja, o foco era a classe média tradicional já existente e o destino, por consequência, barrar a mobilidade econômica e social da maior parte da sociedade. Era o tempo do crescer o bolo para depois dividir.

Então os senhores do acordo conservador, nascido nas manifestações da ”família com deus pela liberdade”, inventaram uma coisa chamada COBAL e não sem razão dois mercados foram implantados na Zona Sul do Rio: no Humaitá e no Leblon. Com o tempo e o fim da ditadura a COBAL foi se modificando e os espaços livres foram se transformando em bares e restaurantes muito bons. No Leblon, por exemplo, todos os sábados era uma festa de figuras da cultura nacional, tomando uma e comendo outras, enquanto compravam um horti-frutti aqui e acolá. Tom Jobim era uma das figuras de destaque.

Na COBAL aqui perto, a do Humaitá, igualmente aconteceu de se multiplicarem restaurantes e bares e não só para o almoço, mas como para noitadas. Aí começa de fato a nossa história. Falo da meninada que até pode ter sido arrastada para as tais manifestações do conservadorismo golpista. Mas que, também, pertenceu a alguma família perseguida pelo furor punitivo de quem praticou um ato ilegal e que fora treinada para botinadas. Acontece que esses meninos entre os cinco anos e os vinte anos no 31 de março de 64, logo era parte da revolução dos costumes que rebentava a face interna do conservadorismo, das passeatas estudantis que expunham a truculência econômica e social da política ditatorial e, claro, forçaram o aumento de vagas nas universidades e ali viveram uma liberdade maior que os pais, embora ao final alguns concluíram que “somos os mesmos e vivemos como nossos pais.” Um exagero depressivo por certo.

Ontem à noite na COBAL do Humaitá, num mezanino, um local um tanto ajambrado, de panos pretos e iluminação precária, chamado Espírito das Artes uma festa do estilo pleno daquela meninada. Toda ela dos cinquenta anos em diante. Cabelos brancos é a moda, roupas à vontade e largadas o estilo, cabelos longos, bonés, mesas, copos, bebidas e comidinhas. Três apresentações com a chamada Prata da Casa. Não do Espírito das Letras, mas dos donos da festa.

Era uma festa do corpo docente e ex-alunos do mestrado e doutorado da COPPE (Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro). O Mário Vidal completava 60 anos com a camisa do Tricolor para comemorar suas raízes: criado na Rua General Glicério em Laranjeiras onde jogara bola e criara conjuntos musicais da época com a turma da rua.

Mas antes vamos ao estilo da festa. Quando o tempo se move e o atacado toma conta das emoções, dos sentimentos e da memória, jamais o tempo volta. Mas ontem no a granel ambiente, entre goles e goles, belisco e belisco, luzes e música as pessoas circulavam pelo espaço vazio a moda de salão de festa. Entre uma mesa e outra, falando aqui e acolá, sentando-se a observar quem circulava e quem circulava movendo o corpo como se numa passarela a mostrar-se.

As “moças” e os “rapazes” eram a rebeldia não localizada lá nos anos setenta, mas esta daqui e de agora. Aqueles caras de “pós”, “pós-doctor”, longos enfrentamentos pelo hemisfério norte nas vetustas universidades ocidentais e alguns até transitado pelo oriente, são a expressão do que nada é sólido e tudo se move. Compreendem as leis conservadores da mecânica newtoniana, mas alguns se afoitam no impreciso conceitual da quântica, descem à observação no campo teórico do modelo matemático, não apenas para exploração capitalista, mas vão ao centro filosófico da matéria, pelo menos aquele mais atual: a partícula.

Ninguém é “saradão”. De academia, pelo menos na aparência. Mas certo que usam alguns paradigmas atuais: dieta, exercícios, pilates, RPG e o regular check-up. Mas todo mundo era rebeldia expressionista. Paqueras certo que houve. Trocas de olhares proibidos entre outros quando a cada um a parelha estava ao lado. Era o clima geral das festas destes Steve Jobs do Brasil. E já vou adiantado para os mais apressados: a diferença não se encontra entre nós aqui e os engenheiros de lá, não é medida por QI e nem melhor cultura: é tão somente o desenvolvimento capitalista dos EUA e do Brasil. Como sabemos é uma visão de momento. Não tardam que alunos dessa meninada se tornem o mesmo que o símbolo do engenheiro criativo e revolucionário. Basta o Brasil manter a trajetória de grande centro acumulador e irradiador aqui no Hemisfério Sul.

Vamos ao programa. O Mário Vidal, aniversariante e engenheiro de produção e a Betinha Gomes médica começaram o show com San Francisco de Scott McKenzie, Preta Pretinha do Moraes Moreira e Twist and Shout dos Beatles. Sacaram a seleção? Uma transgressão de estilos distintos como típico daquele embate entre a indústria fonográfica de origem americana: os da casa e o peso da música em inglês. Foi essa a formação musical desta meninada.

Depois veio o conjunto Comitê de Ética formado pelo Mário, Paulo Soares, Renato Bonfatti e José Mário Carvão. Todo mundo entre docência e discência da COPPE. No programa A volta dos VIPS, Honk Tonk Women dos Rolling Stones, A Hard Day´s Night dos Beatles, Gatinha Manhosa do Erasmo, Adivinha o quê?, Lulu Santos; Primavera do Tim Maia e Simpathy For The Devil dos Rolling Stones. O Simpathy tornou-se o símbolo da meninada: o Paulo fez uma voz baixa e gutural e o Zé Mário era o próprio adolescente, um tanto destrambelhando no balançar, com uma mão num bolso e outra largada, mas um pouco tensa. Era aquele que todos eram: sem jeito, mas prontos para pegar desde novos rumos até o amor.

E a noitada entrou pela meia noite com a música instrumental, do exposto através do canto solista de cada instrumento. O outro conjunto formado pelos físicos Celso Alvear e Ricardo Amorim, pelo matemático Mario Jorge e pela professora de letras Sonia Mundim. O Celso no violão, o Ricardo no sax tenor, o Mário baixo elétrico e Sonia no teclado. Esse pessoal é mais músico, todas as semanas se encontra e toca em conjunto. O Mário Jorge toca em bares na noite do rio. O Ricardo Amorim é o protótipo homem da rebeldia, fora do mercado de música, mas fazendo música ininterruptamente, tem duas graduações, pós-graduações e hoje mesmo faz o ENEM para a faculdade de Música do UFRJ.
O Celso Alvear embora um corpo ousado que coleciona carros porque tem dificuldade em vendê-los, escala as montanhas do Rio, pinta bem, entre outras atividades físicas, é na verdade uma mente flutuando numa região imprecisa. Se tentarmos observar onde se encontra, essa observação já é o suficiente para movê-la para outro espaço. Não é que seja uma incerteza absoluta, é uma precisão local tocada pela imprecisão conceitual. O Mario Jorge o conheci jorrando sonhos para quem pretendeu fazer uma grande saúde pública: modelar fluxos hospitalares para tornar estas instituições inteligentes e voltadas para as pessoas que a procuram.

Esse pessoal como se vê são os rebeldes um tanto quanto de garagem, não gostam tanto das passeatas, mas vão, não quebram o pau, mas indicam os pontos frágeis de fratura. A Sonia conheci ali e não tenho nada a acrescer ao que não seja a sua própria performance no grupo que tocou: a belíssima A Rã do João Donato, Just Friends de Klemmer e Lewis, Satin Doll de Duke Elington, A Foggy Day de Gershwin, There Will Never be Another You - Warren e Gordon; Vou Vivendo do Pixinguinha, Sossego do K- Ximbinho, Acariciando, Abel Ferreira; Migalhas de Amor, Jacob do Bandolim; Inclemência, Guerra Peixe e Flores do saudoso maestro Moacyr Santos que como dizia Vinicius de Morais: não és um só, és tantos.

Daí que de fato em rebeldia advogo: abaixo o controle remoto, os veículos automotores e a cultura comercial do atacado. Viva o varejo e o a granel. Ou viva a rebeldia sem comércio algum que é afinal a mensagem de tudo.  
  

Tudofel: Os Brilhos e mistérios de Don Tronxo

Tudofel: Os Brilhos e mistérios de Don Tronxo: Don Tronxo, cujo nome de batismo é João Fernando, é uma dessas lendas urbanas. Nasceu em João Pessoa, mas cedo se radicou nas swingin...

Expectativas 2013

O tempo passa, as expectativas se avizinham. O Dia da Confraternização Universal está chegando. O ano de 2013 está guardado como um grande ano para o Crato e outras cidades que elegeram ou reelegeram seus prefeitos. Aqui no Crato, como não poderia deixar de ser, esperamos nervosamente as indicações do senhor prefeito eleito Ronaldo Muniz, para as secretarias que irão compor a sua base de administr
ação. Nesse momento, nomes são muito importantes para a população, pois é através deles que saberemos os rumos que cada secretaria vai ter. É através do gestor das secretarias que temos uma visão mais profunda do que nos espera. Porque sabemos: prefeito nenhum trabalha sozinho, e os nomes que comporão essas pastas, devem ser nomes que tenham identidade com o nosso município e mais ainda, com a secretaria que ele ou ela irá administrar. Infelizmente no Brasil não funciona como alguns países da Europa, como Portugal, onde até os secretários são votados pelo povo, e que, para se candidatar ele tem que ter realmente aptidão, conhecimento e que isso seja comprovado através de suas titularizações. Mas isso são coisas do primeiro mundo! Bom, voltando à nossa realidade, gostaria de aqui externar a minha esperança nas escolhas que o prefeito Ronaldo Muniz Gomes de Matos e Raimundo Filho me depositam nesse sentido. Sei o quanto ambos os gestores serão lúcidos e altivos nesse momento tão importante para a nossa cidade, inclusive respeitando as suas falas em campanha. Isso sim, me deixa bastante tranquilo, o que certamente irá fazer com que as suas escolhas conheçam a nossa terra como eles, Ronaldo e Raimundo Filho, muito bem conhecem. Que os seus companheiros de batalha pelo bem e crescimento do Crato sejam os melhores que se poderá ter, independete de partidos, ideologias e/ou apoios políticos, mas dentro de uma realidade urgente de colocar a nossa querida cidade no patamar do orgulho e da alegria de ser cratense.

Kaika Luiz - 05/11/2012

A cultura do bom negócio no Ceará não dever ser exemplo no Crato

Rosemberg Cariry um exemplo de Secretário de Cultura  Foto: Alexandre Lucas 

Por Alexandre Lucas

A Expocrato vem a cada ano sendo alvo de críticas no que diz respeito a sua programação cultural. As argumentações são justas e pertinentes diante das atrocidades de exclusão dos artistas da região do Cariri num dos principais eventos regionais. É notório, que esse evento público (privado) só serve para encher os bolsos dos empresários das grandes bandas que fazem parte de um monopólio musical e das produtoras. 

Vale destacar que a concessão para exploração privada do evento é publica e não estabelece critérios para que seja garantida a diversidade musical e a inclusão dos artistas neste mega evento.
O fato é que a Expocrato tornou-se um bom negócio para poucos. Poucos estilos musicais, poucos artistas do Cariri, poucos que lucram. Pouco desenvolvimento e rendimento para região, do ponto de vista, de formação de platéia, afirmação de identidade e diversidade cultural e de turismo cultural e sustentável.

O fato é que essa política do “pão e circo” é recorrente em todo o Estado do Ceará e vem provocando uma insatisfação generalizada por parte dos artistas ligados a música cearense que vem perdendo espaço com políticas equivocadas como o “Férias no Ceará” (O secretário de Turismo do Estado possivelmente nunca estudou nada sobre turismo cultural e sustentável, se estudou nunca entendeu)  e as descaradas inaugurações ou anúncios de obras regadas pelas bandas ligadas ao monopólio da música ou seja as bandas que estão a serviço da reprodução do machismo, da homofobia, da violência, da vulgarização sexual, enfim da forma pela forma, que  agora tem o sustentáculo financeiro do Governo do Estado. Fato que só nos faz lembra algo típico da política desenvolvida nos tempos dos coronéis, aonde por qualquer motivo se fazia uma festa banhada através do desperdício de recursos públicos.

O dinheiro gasto com esse “bom negócio” (termo utilizado pela política desenvolvida pelo governo tucano de Fernando Henrique Cardoso que considerava a “cultura como um bom negócio”) possivelmente poderia ter proporcionado a circulação de grandes shows dos cearenses para os cearenses potencializando a diversidade musical do nosso povo, bem como poderia ter servido para a gravação de milhares de Cds, muitos artistas  tentam há anos conseguir o mínimo de recursos para  gravar o seu trabalho. Já as bandas do tipo “chupa que é de uva” basta piscar os olhos para fazer um “bom negócio”.

Essa postura assumida pelo Governador é contrária a conjuntura nacional e estadual no campo das políticas públicas para a cultura. Contraditória até mesmo com a política defendida e executada pela Secretária de Cultura do Estado do Ceará, apesar das severas criticas merecidas das ultimas gestões desta pasta.

Essa pratica despeita e rasga as resoluções da constituinte cultural, das conferências municipais e estaduais da Cultura. Será que o Governador nunca teve acesso as informações destes fóruns? Será que ele desconhece as reivindicações dos trabalhadores da arte? Será que ele sabe que nestes fóruns os cearenses defenderam o nosso patrimônio, inclusive da música e do direito a diversidade musical? Acredito que sabe sim! Mas enquanto isso prefere financiar a chacina do “jogaram uma bomba no cabaré”.

Esse modelo não deve servir de exemplo para os municípios do Ceará. O Crato que recebe esse extraordinário evento deve ter a sua programação musical pensada no sentido de atender outra lógica, que ao meu ver seria a lógica da diversidade musical e da sustentabilidade do setor musical cearense.
Lembro-me de uma experiência exemplar que aconteceu no Crato na década de noventa do século passado quando a Expocrato era administrada pela Secretaria de Cultura do Município e tinha a frente nomes como Rosemberg Cariry, Cacá Araújo e Dane de Jade o que possibilitou que a programação musical tivesse a alma e a  efervescência da diversidade nordestina, aonde o popular e o contemporâneo comungasse no mesmo palco, como aconteceu com os Irmãos Aniceto e Hermeto Pascoal.           
Enfim uni-vos contra a barbárie cultural e as produtoras culturais mercenárias!     

* Pedagogo,  artista/educador, integrante do Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA e do Centro Universitário de Cultura e Arte – CUCA.
  

domingo, 4 de novembro de 2012

Fuja do Atacado e Venha para o a Granel - José do Vale Pinheiro Feitosa


Uma longa e especial caminhada: do Bairro Jardim Botânico até a Rua Primeiro de Março no Centro da Cidade. Destino: Centro Cultural do Banco do Brasil. Isso tudo passando pelos palácios da Rua São Clemente, a claridade aguda da enseada de Botafogo e um dos mais lindos jardins botânicos do mundo: o Aterro do Flamengo.

A exposição sobre o impressionismo do CCB nos foi impossível após 13 quilômetros de jornada: fila com o mínimo de hora e meia de espera. Mas ali mesmo por volta do CCB, um quadrado envolvendo as ruas do Mercado de um extremo e dos Mercadores e Visconde de Itaboraí no outro e verticalmente as ruas do Ouvidor, Rosário e a Travessa Tocantins o Rio é continuamente o Rio. Claro com as novidades da época, mas são dezenas de bons e até sofisticados restaurantes inclusive com conjuntos de chorinho para seus frequentadores. Não sem razão terminamos numa Brasserie como foi central a cultura francesa na primeira metade do século XX aqui na cidade.

Aí o relato geográfico termina e começo outro sentimental. Relato esse vivido por quem nasceu e criou-se numa terra e depois se mudou para outra. Ou seja, grande parte da população brasileira, especialmente da minha geração. Quando chegamos à nova terra, trazemos todo aquele matulão de cores, sons, gostos e paisagens que somos nós. Chegamos com os falares, os costumes, roteiros e trilhas do viver do mundo original. De modo que tudo é novidade. O Rio de Janeiro de cada esquina era novidade, desde compreender o que fosse um condomínio para quem apenas em casa vivera até qualquer detalhe de sua arquitetura. Isso sem contar a mais bela geografia de todas as cidades do mundo.

Hoje as ruas são entes conhecidos, transitados, estacionados e usufruídos. Por uma razão especial trabalhei em toda a Rosa dos Ventos da cidade. De modo que a cidade como um todo é um planisfério igualmente transitado e equalizado na memória. Em outras palavras: poucas novidades. Mas então a beleza dialética entre o sabido e aprendendo, entre o conhecido e a novidade cessou? De certo modo aquilo que um dia foi novo, agora é cotidiano e isso reduz o sentimento que tão bem se fotografou como um flash na saída do túnel da Rua Alice e dali o Pão de Açúcar surgiu com um pedaço da Baia da Guanabara abaixo de onde me encontrava.

Naquela ocasião, é bem verdade que estimulado por uns dois copos de cerveja especialmente porque tomados numa birosca da Favela do Escondidinho com o povão mais carioca que existe, eu comemorei comigo por morar nesta cidade. A cidade que de algum modo fora a essência da realização urbana, cultural e política do país e que todos tínhamos como desejo de ida. Depois é que São Paulo tornou-se este atrativo em particular para os cearenses.

Como disse agora tudo é conhecido e aí tudo é reduzido em sentimento e emoção? Em parte para quem é muito caseiro, circula em veículos automotores, metrô ou trem é isso mesmo: um cotidiano acrescido de rotinas. Porém quem estica nos bares, planta os pés nas areias da praia, samba, ouve chorinho e frequenta praças, algo permanece de primavera. E agora sei de algo que os pensadores, poetas, pintores entre outros que foram cultivadores do bucólico nos séculos XVII e XIX em longas caminhadas rurais descobriram. Poetas como Byron, Shelley, por exemplo, ou pensadores como Kant ou Nietzsche.

Quem também descobriu foi o nosso Humberto Teixeira em conjunto com Luiz Gonzaga tal qual nos cantam na Estrada de Canindé: “vai oiando coisa a grané, coisas qui, pra mode vê, o cristão tem que andá a pé.” É isso aí: quando o físico recupera-se da preguiça do automóvel, tem força e liberdade para andar nas ruas, estradas e trilhas o novo que se esconde no velho se manifesta como não se imagina. É neste apanhar o mundo e sua vida a granel que o sentimento de pertença ao lugar retorna sem o zinabre do tempo. Andar a pé não é coisa pru matuto desentupir apenas as veias do coração. Andar nos trajetos da vida passo-a-passo é desentupir as manifestações do grande movimento do ser.

Mas o assunto tem mais e paro aqui, pois a postagem já está demasiada. Amanhã continuarei para quem conseguiu chegar nesta coisa a granel. 

sábado, 3 de novembro de 2012

Tá chegando a hora. Agendem-se!


Lenine abre 14ª Mostra Sesc Cariri de Culturas

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   Seg, 29 de Outubro de 2012 16:00
Lenine / Foto: Hugo Prata 
“Isso é só o começo” – canção que abre e fecha o novo show de Lenine, intitulado Chão, dá o tom perfeito à nova fase da turnê. Desde março deste ano, o espetáculo foi visto em mais de 20 cidades brasileiras, passando também por Chile, Argentina e Uruguai. No dia 8 de novembro, o cantor estreia no Crato apresentando a turnê, na abertura da 14ª Mostra Sesc Cariri de Culturas. O show acontece na RFFSA, às 22h, e é aberto ao público.

Em junho, foi a vez do lançamento europeu, com apresentações em Paris, Toulouse, Milão e Vienne. De volta ao Brasil, Chão recomeça seu giro nacional por Paraty, abrindo a décima edição da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty.


Com direção musical do próprio Lenine, em parceria com Bruno Giorgi e JR Tostoi, o show tem em cena os três num espaço repleto de instrumentos e equipamentos eletrônicos, responsáveis por reproduzir os ruídos orgânicos que permeiam nove das dez faixas do disco, como “Chão” (Lenine / Lula Queiroga), “Envergo mas não quebro” e “Isso é só o começo” (Lenine/Carlos Rennó).

Juntos, Lenine, Bruno e JR Tostoi ainda têm a incumbência de transpor os sucessos do compositor – indispensáveis – para essa nova atmosfera. “Jack Soul Brasileiro”, “Leão do Norte” (Lenine/Paulo César Pinheiro) e Paciência (Lenine/DuduFalcão) são alguns deles.

Paulo Pederneiras, diretor de arte do espetáculo, criou um cenário em tons vermelhos, que ocupa apenas o chão da caixa cênica, em contraste com o entorno totalmente negro.  Três lâmpadas simples, uma sobre cada um dos músicos, compõem a cena. À equipe de Paulo somam-se Fernando Maculan e Gabriel Pederneiras.
Lenine / Foto: Beto Figueiroa
Lenine / Foto: Beto Figueiroa

Para Lenine, levar Chão ao palco é mais do que simplesmente tocar as canções do álbum. A ideia é ambientar o espaço com os sons como o canto do canário belga Frederico VI, o ruído ensurdecedor das cigarras no verão da Urca, a agoniada derrubada de uma árvore por uma motos serra, entre outros.

Chão, produzido e tocado por Bruno Giorgi, JR Tostoi e por Lenine, é o décimo álbum de carreira do cantor e compositor. Numa evidente opção estética – instigada pelo canto de um pássaro, que invadiu a gravação de uma das faixas - o trabalho revela-se “eletrônico, orgânico e concreto”, com dez músicas inéditas, imersas na delicada intimidade de ruídos sem edição.

“No início, havia apenas a palavra e meu principal significado de chão: tudo aquilo que me sustenta. Chão, quase onomatopeia do andar – que soa nasal, reverbera no corpo todo. É pessoal, passional e intransferível” – conta Lenine, explicando como surgiu a inspiração para o nome do disco e, consequentemente, da turnê.

SERVIÇO
Turnê Chão – com Lenine

Local: RFFSA (Crato)
Data: 8/11
Horário: 22 horas

A Líbia e os Cadáveres Assassinados de São Paulo - José do Vale Pinheiro Feitosa


É só para lembrar. Quando trucidaram Kadhafi e agora se sabe com a participação de agentes da OTAN, alguns entre nós comemoramos. Acharam aquilo justiça para um ditador. Não todos, porém os mais radicais gozavam a morte do ditador como a senha para que se fizesse o mesmo com Fidel, Hugo Chávez, Ahmadinejad e outros do “coração” das viúvas da Guerra Fria.

Aliás, ontem a Rússia publicou um relatório sobre Direitos Humanos nos Estados Unidos e o Império não tem muita lição a dar a ninguém. Foi um relatório bastante sustentado posto que baseado em dados da ONU, de ONGs como Human Higths Watch, Repórteres sem Fronteiras. A posição dos EUA no ranking dos direitos humanos é 47ª, melhor do que a Rússia, mas a ideia é que não têm lições a dar a ninguém.

Mas também surgiram alguns dados preocupantes no noticiário de ontem. A guerra civil na Líbia anda solta. A truculência de grupos armados é horizontal e vertical. Ultrapassa as fronteiras da religiosidade e das lutas ideológica, é uma violência aparentemente sem causa, metafisicamente é a tortura e a morte. E a querida e civilizada Europa e mais os EUA abandonaram a Líbia à própria sorte. De fato os “civilizados” devolveram à Líbia a liberdade. A liberdade de se matarem uns aos outros.

Mas tem algo mais grave. Os grandes bancos Europeus e mais alguns Americanos que por ordem do boicote de países como França, Itália, EUA, Inglaterra entre outros bloquearam 157 bilhões de dólares de contas do governo e de membros do governo Líbio. O certo que é que com o fim da ditadura este dinheiro fosse devolvido ao povo Líbio ao menos para recuperar os estragos dos bombardeios da OTAN. Segundo o mesmo relato os bombardeios da OTAN destruíram dez vezes mais a estrutura do país do que os ataques aéreos de Rommel na Segunda Guerra Mundial.

Mas o dinheiro sumiu. Escafedeu-se. Funcionários dos bancos lavaram o dinheiro em paraísos fiscais e agora ninguém sabe, ninguém viu em que mãos o saque europeu foi parar. Rapinaram um país que havia acumulado reservas e infraestrutura e as hienas ideológicas ainda assinam colunas louvando tais práticas.  

No jornal o Globo uma explicação para o aumento da violência em São Paulo. O jornalista Bob Fernandes já havia chamado a atenção para um fato estranho. Se a guerra era de bandidos contra as forças policiais por qual motivo as mortes só ocorriam entre agentes da Polícia Militar e não da Polícia Civil?

O Globo aponta uma especificidade que pode explicar esta seletividade homicida. A guerra entre bandidos e a PM paulista é fruto da briga por pontos de caça níquel. As “milícias” incrustadas na Polícia Militar avançaram sobre o domínio dos caça níqueis e claro como em todo jogo mafioso o pau comeu. E assim como a briga entre Sampaio e Alencar do Exu nunca tem um paradeiro, sempre há uma camisa manchada de sangue, a barbárie paulista migrou para a pura carnificina.  

Agora vem a pergunta: os Tucanos que governam São Paulo há tantos anos têm parte da culpa? Claro que têm. E culpa maior porque ao invés de levantar a questão da corrupção dentro da corporação policial, tratam de ficar com um jogo besta de oposição e situação. Eles são os anjos e o PT os demônios. Não é bem assim cara pálida: o mundo cá fora é independente do PT e do PSDB e se estes não traduzirem o mundo em que atuam, ambos ficam cada vez mais parecidos. 

Saudação ao escritor J. Flávio Vieira, por ocasião da outorga do troféu Prata da Casa, no CEJA – 29.10.12


“A mim me interessa o povo, há três séculos capado e recapado, sangrando e ressangrando”. (J. Capistrano de Abreu).

Meu Caro J. Flávio Vieira
Como escritor lhe saúdo neste momento, assim o quis os meus pares desta casa.
Não se considerem desonra as minhas palavras direcionadas para afirmação da inexistência, até a pouco, de alguém, cuja escrita desse conta das dimensões da cultura, dos costumes e da história criados pelo nosso povo. Temos sim, um legado de muitos excelentes escritores, oriundos principalmente da fase áurea dos anos 50, quando a confluência das bases materiais e humanas da época criaram as condições para se pensar e fazer a literatura e a história regionais.
No entanto, o discurso histórico sobre nossas origens valeu-se dos documentos e monumentos produzidos sob a ótica eurocêntrica de viés evolucionista, e em nenhum momento alguma voz se atreveu a palmilhar a difícil senda de uma história a contrapelo. Se assim o fizesse, denunciaria os fundamentos da História marcadamente positivista e mistificadora das verdades do vencedor. Descobriria o quanto de ruínas trouxe a ideologia da aceleração do tempo histórico, embutidos na ânsia de “civilizar” povos distantes dos centros de poder. E como esse processo onde se alinhavam as ideias dominantes do Reino e da Religião engendrou um mundo desintegrado da voz, da vez, do tudo ou do nada do outro.
A Literatura em suas diferentes linguagens acompanhou de certa forma esta racionalização. Sobram apologias, loas e legitimação aos feitos do branco colonizador. Quando se procura de alguma forma enaltecer a positividade de nossos povos ancestrais, no caso, os índios, invoca-se uma condição nula para os primeiros donos daqueles tristes vales: a de guerreiros. Ora, quem fez a guerra não foram eles. Os nossos indígenas foram compelidos a ela. Em condições absurdamente desvantajosas partiram em defesa de sua sobrevivência. Sobrevivência que falou mais alto quando serviram a forças públicas ou privadas em defesa de interesses que não eram os seus. Nela, (na literatura) somo felizes, gentis, passeamos entre canaviais, nos compadreamos com nossos patrões, os grandes nos permitem a sombra... Este ideal de igualdade mascara a hierarquia que se implantou na nossa organização social, para dizer que as coisas estão todas em seus devidos lugares. Então, para que o enfrentamento no plano da crítica histórica e literária?
Louve-se de bom grado o discurso da Literatura de Cordel. De certa forma a Literatura de Cordel foge desse viés consensual quando exprime, à guisa de reportagem, o drama do sido confrontado na trama da utopia e da realidade. Aqui a narrativa põe para enxergar “o outro olho de Lampião” da História, metáfora para dizer que o que estava ofuscado na narrativa da História do vencedor, de repente aparece translúcido e falando, e dizendo, porque foi trazido para isto pela coragem do escritor que se desvencilhou das amarras ideológicas da História de mão única. Aqui aparece a festa, a alegria, a maldade e a bondade dos desejos humanos porque quebra o plano de uma história única e permite a inserção de outras histórias, onde se encontra a realização da utopia.
Nesse plano de circularidade plena dos personagens do sido ou do acontecido, ou seja, do outro reprimido pela História, acredito situar-se a escrita do homenageado, o escritor cratense J. Flávio Vieira. Essas observações, currente calamo, sobre a narrativa cordelista, no meu entender, estão presentes na obra de nosso escritor.
E mais: Ele entroniza na Arte Literária em nosso meio a outra forma de dizer o mesmo. Para tanto adota com muita sabedoria um instrumento da Arte Literária – a alegoria (*), justamente no sentido de “dizer o outro”. E assim o fazendo ilumina a História, confere brilho ao que era opaco, desencanta o que estava encantado,  introduz a alegria do outro, -  do outro que não conta, mas estaria ali ajudando na construção de Tebas, na construção  da Cidade de Deus, na construção de Aimará, de Matozinho, de  Craterdan;  o outro  de carne e osso, que fala, que age e que faz esta terra onde “há lugar para todos aqueles de boa vontade”, porque foi trazido para isto pela coragem do escritor que se desvencilhou das amarras ideológicas da História de mão única. 
Essa passagem de seu livro “O Mistério das treze portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica”, quando a serpente fala para um atônito Mateu, solitário de uma história que se realizou como utopia, é exemplar:
Mateusss, o que dá alma a um Reino não ssão os prédiosss, as roçasss, os pássarosss, os riosss. Nem o povo. Muitosss habitantesss não têm uma identidade própria e, como uma cabaça sssolta no rio, ssseguem, sssem parar, o curso das águasss. Um Reino, como uma pessoa, precisa de um essspírito. E quem preenche o essspírito de um Reino sssão figurasss encantadasss e especiaisss: poetasss, profetasss, beatosss. São elesss que guardam consigo o encantamento de um reino. Essesss são a chave de sssuas  alegrias e de sssua felicidade”... E conclui: “Encantadasss todasss  asss pessoasss mais importantesss Aimará ficou sssem sssuas fadasss e ssseus duendesss e, sem elesss, o Reino perdeu a cor, o aroma e o sabor”.
Eis a grande contribuição do autor para a reflexão da interface da Literatura e História: a flexibilização da narrativa para concretizar outras possibilidades do que poderia ter acontecido. Com isto, aparecem os outros, “todos os outros possíveis à História, tornando, ‘possíveis’ até mesmo os impossíveis da História”.
Finalizando, os escritos J. Flávio Vieira tem necessariamente um refinamento da visão antropológica sobre as coisas do mundo, naquilo que ela tem de mais includente – o servir para pensar. O que ele propõe e o que exprime através de seus personagens, para mim, expressa o sentimento de um escritor que não tem lados, mas que tem princípios.

                                                   Prof. e Historiador Zé  Nilton Figueiredo

(*) O conceito de Alegoria segundo Walter Benjamim

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O Dia do Começados - José do Vale Pinheiro Feitosa


“Olha, a melhor coisa do mundo hoje é a paz. É a paz, é a união. Porque a paz é saúde e a união é a grande coisa boa no mundo. E hoje em dia é pouco o que a gente vive: é a paz. Mas o quê eu gosto mais é a paz e união.”

“O quê é que eu acho da vida é que nós mora aqui em cima desse chão, mas aqui não tem nada nosso. O pessoal briga por terra, por isso por aquilo outro, mas nenhum tem terra. Ele (Deus) deixou tudo para o homem viver. Para o homem viver e não mendigar o pão do outro. Tudo o quanto é feito na terra é da terra. A fonte mais forte que existe no mundo é a água. Nosso povo faz e acontece, faz tudo, mas tem que ter a água. Nós passa sem o feijão um dia dois, nossa passa sem carne três ou quatro, cinco dias, nós passa sem essas coisas, mas sem a água nós não passa.”   
  
Afinal de conta todos nós vamos morrer. Mesmo quem está nascendo hoje, que tem toda a esperança da vida, de viver uma vida longa vai morrer também e quando a gente morre o quê que acontece? 
  
“O quê é que acontece é que nós vamos ficar no limbo do esquecimento. Vamos ficar no limbo do esquecimento. Eu posso morrer hoje minha família chora, cai por aqui, por acolá, faz tudo em conta, quando é com os tempos estão cantando, estão dançando, tão tudo, não se lembrou, acabou-se, eu estou no limbo do esquecimento. Aquilo que eu pratiquei na terra aquilo esqueceu-se, aquilo eu morri mas não vou me lembrando daquilo não.” (Entrevista com Manoel Galdino, camponês, barbeiro e pescador de jangada nascido no lugarejo de Siupé, morador de Paracuru e que tinha 87 anos na data da entrevista para o Programa Paracuru Minha Terra Minha Gente).

Duas palavras têm força de presença universal na nossa cultura: finados e defunto. Ambas funcionam na dinâmica do coração como um eclipse na luz da vida. Nós os nordestinos temos por hábito ao falar de alguém que já morreu apostando antes de seu nome a palavra “finado”. A palavra defunto é usada com mais raridade, pois tenho a impressão que suas sombras são muito mais amplas.

Hoje é o dia de finados, daqueles que já se findaram. Viveram e por isso conquistaram o fim. Quem nunca findou encontra-se num impreciso nada que admitimos existir como forma de se contrapor com a continuidade do tempo, pois no tempo continuamente brota existência que sabemos autoalimentada do que já existe. Em outras palavras: nada vem do nada.

A palavra defunto por mais que escureça meu coração tem uma raiz latina muito interessante, assim como seu Manoel Galdino soube expressar. A raiz da palavra latina para defunto tem o significado de aquele que cumpriu a vida, mas pode ser também, a junção da partícula negativa “de” com o verbo que em latim significa funcionar.

Por isso, embora não seja um cultor do dia de finados, bem sei que ele é a liberdade do limbo do esquecimento. E com certeza é o repatriamento dos nossos nesta continuidade do tempo. Maria do Carmo, a segunda esposa de José do Vale Arraes Feitosa acaba de ligar-me dos Currais, a terra em que um dia ele plantou pés de acerolas.

Naquele exato momento Paulo César o mais novo do primeiro casamento e Diana Maria a mais nova do segundo casamento, estavam na cidade em alguma padaria comprando pão e leite para a noite em família. E assim, todos nós fugimos do limbo do esquecimento.  
  

Cortejo das artes no Crato


É A GRANA, ESTÚPIDO! - José do Vale Pinheiro Feitosa


É a grana, estúpido! Repetindo a frase do marqueteiro James Carville na campanha de Bill Clinton de 1992. A grana é fonte do poder absoluto e só a sociedade diretamente ou pelo Estado pode controlar este poder. Os liberais acreditam mais na liberdade das “mãos-cheias-de-grana” do que no bem comum da sociedade. O discurso desta corrente econômica evoluiu do dinamismo pessoal e das possibilidades criativas dos sujeitos para a defesa franca e bastarda dos ricos.

Os liberais navegaram tão mais além de suas raias singradas que se tornaram meros “capitães-do-mato” a “serviço” das “mãos-cheias-de-grana”. Por isso é que enquanto os comuns afiliados às correntes ideológicas da direita neoliberal, abrigadas no Brasil no PSDB e DEM, mas espalhada em todos os partidos, afinam sua fé confessional, apenas são a correia de transmissão daquelas ditas “mãos-cheias”.

Na verdade a essência, o núcleo ideológico, “núcleo duro” como os “intelectuais” do PSDB gostavam de dizer nos anos das privatizações, são economistas, jornalistas, dono de mídia e funcionários de bancos de investimento no jogo financeiro do mais absolutismo do capitalismo em todos os tempos.

Quando falamos de absolutismo estamos nos entendendo: é a contrarrevolução ao movimento liberal burguês dos velhos tempos. Afinal uma parcela “golpista”, por meio de uma enorme concentração financeira, criou a hegemonia absolutista que enforca as empresas produtivas, as contas dos Estados Nacionais e os caraminguás das famílias.

Na base de toda a crise atual está esse poder absolutista operando sob a forma da chamada “austeridade” gargalando as instituições, promovendo a recessão ampla geral e irrestrita e destruindo a renda das famílias. E o pior é que não existem reações “pacíficas” à “austeridade”, mesmo o exemplo da Islândia que levou o povo a escrever a própria constituição através de um plebiscito, não tem nada de manso ou mera passagem de bastão.

A verdade é que o salve-se quem puder dos momentos mais agudos deste abalo sistêmico levam os ratos a pularem dos barcos. E foi assim que um funcionário do Banco HSBC levantou os depósitos de lavagem de dinheiro e fuga fiscal de milionários de todo mundo. Entre estes “mãos-cheias-de-grana” muitos gregos. Isso mesmo: os gregos que hoje não têm emprego, passam fome e agitam as ruas. 

Esta lista acabou nas mãos de Cristine Lagarde, atual mandatária do FMI quando ainda era ministra francesa. Cristine por algum sentimento de raiva ou para criar instrumento para salvar o Euro e a União Europeia, entregou a lista para o Ministro das Finanças da Grécia. Esse não fez nada. Nada aconteceu no poder executivo, no poder legislativo e no judiciário. Todos fazem parte do mesmo esquema absolutista de enforcar o povo grego.

Há poucos dias o jornalista grego Costas Vaxevanis teve a lista em suas mãos e não mediu consequências. Publicou a lista das “mãos-cheias-de-grana” com suas contas ilegais na Suíça e outros países. Como o sobrenome do homem lembra para nós de fala portuguesa: foi um Vexame. Empresários, advogados, médicos, jornalistas, ex-ministros e até pessoas jurídicas de companhias gregas escondiam a mufunfa do fisco grego.   

O jornalista foi processado. O jornalista! Não os sonegadores. O jornalista foi processado e pegaria até três anos no xilindró. Só que o clima nas ruas da Grécia não está para peixe e os gregos devem muito aos europeus para que o espírito de grupo funcione favoravelmente a quem esconde grana quando os cobradores querem receber.

Ora o jornalista foi inocentado. Talvez esqueçam de fato das consequências para os nomes da lista, mas uma coisa é certa, o jogo desse povo está exposto. Mas não é impossível que algum leitor que chegue até estas últimas linhas diga: a culpa é do excesso de impostos. Mas como cara pálida? Você é contra o liberalismo? É pelo superávit primário e pelos juros que as “mãos-cheias-de-grana” recebem mais notas entre os dedos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A "fatal omissão" de um líder - José Nilton Mariano Saraiva



Nas eleições recém-findas (em Fortaleza), juntos os candidatos Heitor Ferrer/PDT (262365 votos), Moroni Torgan/DEM (172002 votos) e Renato Roseno/PSOL (148128 votos), totalizaram no primeiro turno o expressivo montante de 582495 votos. Como não foram ao segundo turno, tal espólio foi disputado pelos candidatos Elmano de Freitas/PT (318262 votos) e Roberto Cláudio/PSDB (291740 votos), que totalizaram 610002 votos.
Evidentemente, largaria com respeitável vantagem no segundo turno quem conseguisse o apoio ou a simples indicação (individual), dos candidatos acima citados (mesmo sem contar com os representantes dos partidos “nanicos”), daí a gravidade extrema da “neutralidade” ou “omissão” manifestada pelo Deputado Heitor Ferrer, que durante mais de sete anos foi o mais cáustico, coerente, costumaz e consistente crítico do Governador do Estado; e, no entanto, na “hora H”, na hora da “onça beber água”, na hora de dá o troco ao Governador, Heitor Ferrer estranhamente “bateu-catolé” (ou pipocou feio), sob a pífia justificativa de que caberia ao partido, e não a ele, pronunciar-se. No entanto, no entender até dos seus próprios eleitores, moralmente Heitor Ferrer tinha a obrigação de, para manter sua postura e coerência do discurso, declinar seu apoio ou indicação ao candidato-rival do governo. 
Fato é que, com a abertura das urnas emergiu com toda a sua crueza e pujança o profundo “estrago” provocado pela fatal omissão de um líder na condução do seu rebanho: o candidato do governo acresceu à sua votação estupendos 358867 votos (ou mais 123,00%) enquanto o seu opositor recebeu 258083 votos (ou mais 81,09%); na totalização final, a diferença foi de 74172 votos (650607-576435 votos).  
Se nos bairros considerados “elitizados” e “classe-média alta” (cujos insensíveis moradores não estão nem aí para a questão “social” e seus desdobramentos) o candidato governista manteve a supremacia do primeiro turno (Aldeota – 21348 x 9164, Edson Queiroz - 14842 x 8900, Centro - 14821 x 11541, Meireles - 10049 x 4835, Mucuripe - 8109 x 6829, Luciano Cavalcante - 3438 x 2592, Cidade dos Funcionários - 6636 x 3931, Dionísio Torres - 9777 x 4690, Praia de Iracema -  4931 x 2778, Papicu - 5212 x 3386 e Varjota - 6898 x 3839, dentre outros), certamente que nos bairros periféricos os eleitores do Heitor Ferrer ficaram “à deriva” ou “boiando feito merda n’agua” e expostos ao assédio implacável de propostas não tão republicanas assim (houve denúncias de generoso derramamento de dinheiro na periferia, na noite anterior à realização do pleito, por parte da turma do governo), findando por decidirem a eleição de modo que nem eles imaginavam.
Lembram daquela velha história de que “por falta de um grito se perde uma boiada” ???). Pois é.