TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sépia



                                                                                                J. Flávio Vieira

 Claro. Escuro. Claro-escuro. Claro.  A vida de Tatá da Lamprada clonava os dias , numa alternância regular e milimetrada de alvoradas e crepúsculos. Fora assim por mais de cinqüenta anos: um caçador de instantes, um capitão-do-mato de escorregadios e fugazes  momentos. É que a vida é tão fluida, tão volátil que tantas e tantas vezes nem fica nos céus o rastro brilhante da estrela cadente. Durava , na sua beleza, aquilo que se via : uma lamprada ! Tatá capturava nas chapas instantes únicos: “Meninos, eu vi!” . No princípio, havia hordas de outros caçadores nas praças da cidade, perambulando de rua em rua, prontos a flagrar rostos, risos, casamentos, aniversários. A fotografia era uma espécie de pirâmide  para o povo, ali plantavam, como os faraós, sua semente de imortalidade. Com os anos, os concorrentes começaram a rarear. Foram surgindo outras máquinas mais modernas, a fotografia passou a digital e, com o celular, a atividade de lambe-lambe tornou-se totalmente obsoleta. Mantinha, no entanto,  ainda um certo charme, despertava a curiosidade dos transeuntes como um fóssil. Adquiriu aquele ar de Cult e retrô do vinil . Mas só.
                                   Tatá foi se deixando ficar na atividade, primeiro porque estava velho para recomeçar com câmaras mais modernas, depois porque percebia que suas imagens , embora em preto-e-branco, eram muito mais bonitas e definidas que as da modernidade. E mais permanentes! As dos celulares , bastava um tombo para antecipar o fim inevitável. Também havia se afeiçoado à sua antiga e jurássica Bernardi. Ela envelhecera com ele. A ferrugem e a química já haviam corroído as bandejas de revelação, fixação e lavagem das fotografias, necessitara fazer alguns consertos como em qualquer ser vivo. As fotos, no entanto, saiam perfeitas e revelava-as numa pequena Câmara Escura que improvisara em casa. Todo dia, quando Tatá saía para a praça da matriz, com seu tripé cada vez mais incômodo, afixava as fotos reveladas , juntas com outras  mais antigas, nas laterais do caixote que servia de mostruário e de outdoor. Enquanto os clientes não passavam para receber as encomendas, elas iam ali servindo de publicidade.  O menino risonho montado no cavalinho; o casal de noivos apaixonados,  com olhos brilhando, sem nem ligar para a impermanência dos sentimentos;  o defunto esticado no caixão, com o olhar o vago de quem nada encontrou do outro lado do muro.
                                   Aos poucos, sem que Tatá da Lamprada percebesse, sua vida se foi resumindo a suas fotografias, estampadas na parede da sala, próximo aos santos da sua devoção, acima do oratório. A esposa embarcara para a eternidade há cinco anos, no bote de um aneurisma cerebral. Os filhos haviam partido para São Paulo, naquele destino de judeu nordestino, procurando uma terra que nunca lhes havia sido prometida. Nem davam notícia! A casa se foi povoando de fotografias: as novas  , recém reveladas, esperando a entrega e as da sala  puxadas para sépia pela ação inexorável dos anos. A sua existência , foi se resumindo, pouco a pouco,  num daguerreótipo  : a pose; a cabeça enfiada no pano preto; as mãos metidas ,envoltas também em tecido negro, manipulando a chapa, na dianteira do caixote;o fixador;o revelador; a lavagem; a secagem...
                                   Tatá já nem lembra bem, mas teria sido num fim de inverno, com um céu nublado, desses que não só sombreiam a cidade, mas também nossa alma.  Um rapaz alto procurou-o e pediu para ser fotografado. Disse que ia fazer uma viagem e carecia de  um retrato. Era uma figura diferente que não parecia ser da cidade: vestia um paletó de linho branco, usava óculos escuros e  um chapéu panamá. O rapaz fez pose pedante, de pé, com a mão direita recostada num velho banco da praça. Pediu uma foto única, maior , 18X24 , pagou antecipado e combinou para vir pegar ali mesmo, uma semana depois.
                                   “ Da Lamprada”  nunca fez uma clara relação de causa e efeito, mas o certo é que, a partir daí, coisas inusitadas aconteceram. As fotos da parede da sala começaram, a partir daquele dia, a se tornar cada dia mais nítidas e brilhantes. A esposa, os pais , os filhos , os tios a cada dia iam se tornando mais vívidos nas fotos. Havia apenas, uma exceção, a foto de Tatá , sozinho, na praça, em pleno exercício da função, paulatinamente foi-se esmaecendo. Estranhamente, também, as fotos recentes que Tatá ia revelando, posicionadas depois no mostruário do lambe-lambe, começaram a desbotar rápido, a perder as definições,  o que fazia com que aumentasse a ansiedade do fotógrafo que temia, em não as entregando rápido, desaparecessem as imagens reveladas. Teve, ainda, enormes dificuldades em revelar a foto do rapaz do chapéu de panamá. Simplesmente a imagem não se aparecia . O rapaz, também, não passou, para seu alívio, para pegar a foto no dia combinado. Pensou Tatá que a culpa fosse dos reagentes da revelação, mas,  mesmo trocando-os, os problemas continuaram.
                                   Alguns dias depois, como por encanto, a foto do rapaz finalmente se revelou. Ali estava nítida e reluzente em cima da mesa da sala de jantar. E , dia após dia, se foi tornando colorida, na mesma proporção que a sépia de Tatá da Lamprada desvanecia-se na parede da sala, até se desminlinguir totalmente,  sob a ação implacável de outro  lambe-lambe : o do tempo.

Quem tem Mandela no Coração - José do Vale Pinheiro Feitosa

Paravanda Nelson Mandela. É o nome científico de uma orquídea que existe em Singapura. A protéia, que é a flor nacional da África do Sul, tem uma variedade de cor vermelha que leva o nome de Madiba. Astralopicus nelsonmandelai é o nome que se deu ao fóssil do mais antigo pica-pau da África do Sul. A Singafrotypa Mandela é o nome científico de uma aranha que vive em Cape Town. A “partícula mandela” é uma partícula nuclear descoberta pelo Instituto de Física da Inglaterra que homenageou Nelson Mandela que compõe as homenagens do dia de hoje.  

Guardemos a data, dia 5 de dezembro de 2013, e quem tem Mandela no coração não pode ter Margareth Thatcher no mesmo compartimento. Esta líder conservadora inglesa se opôs a missões de caráter humanitário durante os anos mais sangrentos do regime do Apartheid. Assessor de Thatcher, logo que Mandela teve direito de se pronunciar, atacou o líder africano dizendo que o sofrimento não havia lhe ensinado nada. Mas também não pode ter Ronald Reagan e nem Jacques Chirac ex-premier francês que deu sobrevida ao regime segregacionista.

Quem tem Mandela no coração e o homenageia hoje não pode deixar de esquecer que a organização fundada e dirigida por Mandela, o CNA se encontrava na lista das organizações terroristas ditadas pelos EUA e pelo Reino Unido. Estes não podem confundir a alma da luta de Mandela em vida e agora na morte.

Quem tem a sinceridade do significado de Mandela, aquele que soube perdoar, que deu liberdade ao seu povo não pode acreditar na seiva corrompida pelas letras e palavras do jornalismo do Sistema Globo, da Abril e da Folha de São Paulo que sempre estiveram na trincheira ideológica que guardava a chave do cubículo 2 x 2,5 em que Mandela viveu 27 anos de sua vida.  

Mandela não é a saudade de uma pessoa. Mandela é como a orquídea que recebeu o seu nome. Mandela é a expressão de que no campo todas as flores devem viver. Que todas as flores têm a mesma importância independente da natureza dos carpelos, dos estames, das sépalas ou das pétalas. A Mandela se diz povo e quem diz povo, pronunciando Mandela, se levanta contra a opressão e a exploração das gentes por ricos e poderosos.

A partir de Mandela pode-se até repetir o Sermão da Montanha: “Olhai os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham e nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu com um deles.”


Mandela. A orquídea da liberdade.   

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Não sei se vocês tomaram conhecimento dessa breve, mas contundente polêmica: os organizadores do sorteio da copa teriam desconvidado a atriz Camila Pitanga por ser negra e convidado em seu lugar a apresentadora Fernanda Lima. Isso gerou uma série de protestos o que levou a uma colunista a entrevistar a apresentadora. Que se diga de passagem é uma profissional e aceitou o convite nesse ambiente que é de concorrência. a Fernanda, na entrevista, argumentou em defesa dela de um modo meio maroto e aí que li esta postagem que considero uma das mais claras sobre o assunto do racismo neste limiar entre a sua prática, a liberdade de escolha dos produtores e o profissionalismo. Não costumo postar textos de outros mais esse vale a pena. 

Sobre impostos, racismo e um conselho de minha avó (comentário à entrevista de Fernanda Lima)
Publicado em 29/11/2013 em seu blog Recordar, Repetir e Elaborar
Como a essa altura todo mundo já sabe, a FIFA escolheu a apresentadora branca Fernanda Lima para ser mestre de cerimônias de um evento, no lugar da atriz negra Camila Pitanga. Essa escolha, que gerou acusações de racismo à entidade, foi tema de uma entrevista dada por Fernanda hoje.

Nela, a apresentadora disse não ter nada a ver com isso e procurou distanciar-se da polêmica sobre racismo dizendo coisas como “só porque eu sou branquinha?” e “pago meus impostos”.
Esta não é uma discussão sobre impostos nem muito menos sobre a situação fiscal de Fernanda Lima: é uma discussão sobre racismo. Mas, já que ela tocou no assunto “impostos”, eu gostaria de fazer um breve desvio de rota antes de passar ao que realmente interessa.
Não sei como é em outros países, mas para mim está claro que nós brasileiros temos muito o que aprender sobre impostos, o que eles representam e significam. Em primeiro lugar, precisamos aprender que “pagar impostos” não equivale a rezar um Pai Nosso e duas Ave Marias: não isenta de todo pecado e não livra de todo mal. Para a obtenção de benefícios espirituais, existe o pagamento do dízimo. Imposto é outra coisa.
Precisamos aprender também que pagar impostos não faz de ninguém uma pessoa moralmente imaculada. Pagar impostos é uma obrigação da vida em sociedade. Não é algo para se ter orgulho. Ao pagar seus impostos, você simplesmente não está cometendo o crime de sonegação fiscal – assim como, ao não matar ninguém, você apenas não está cometendo o crime de homicídio. Ninguém sai por aí batendo no peito e dizendo “nunca matei ninguém, hein!”, como se isso merecesse algum parabéns. Em compensação, estufamos o peito para dizer “pago meus impostos”, como se a não-sonegação de impostos fosse indicativa de força de caráter ou de uma alma superior.
Por fim, precisamos aprender que “pago meus impostos” não é argumento para nada. Vale lembrar que Descartes não disse “pago meus impostos, logo existo” nem Hamlet afirmou que “pagar ou não impostos, eis a questão”.  Podemos estabelecer como regra o seguinte: o pagamento ou não-pagamento de impostos não se coloca como argumento em discussões nas quais nosso contador não está interessado. O pagamento de impostos, afinal, é não apenas uma obrigação como também um fato banal e corriqueiro da vida, assim como lavar a louça e escovar os dentes. Usar o argumento “pago meus impostos” em uma discussão sobre racismo faz tanto sentido quanto usar o argumento “escovo os dentes todo dia” em uma discussão sobre políticas de redistribuição de renda.
E, já que não faz nenhum sentido mesmo, vamos logo ao que interessa. Minha avó costuma me dar um conselho-conceito dentro do qual se encaixam inúmeras coisas: “Filhinha, faz tudo direitinho!” Sempre gostei desse conselho justamente pela generalidade da fórmula: as coisas a serem feitas direitinho eram todas aquelas que meu superego assim determinasse.
(Por exemplo, é preciso pagar os impostos direitinho.)
Eu costumava pensar que fazer tudo direitinho seria suficiente – fazer as coisas direitinho era o que a vida exigia de mim. Fazendo tudo direitinho, pensava eu, tudo ficaria bem.
Depois da leitura de certo livro, porém, passei a questionar o conselho de minha avó. Em É Isto Um Homem?, Primo Levi conta como sobreviveu à sua estadia em um campo de concentração na Alemanha nazista. Comecei a ler o livro imaginando que os momentos mais aterrorizantes seriam as descrições de execuções em câmaras de gás. Mas, como costuma acontecer em toda experiência de leitura digna desse nome, minha expectativa foi subvertida: o que mais me impressionou não foram os momentos em que pessoas eram mandadas explicitamente, diretamente para a morte, por assim dizer.
O que mais me chocou foi a descrição das pessoas que morriam no campo por doença e/ou exaustão, após quatro ou cinco meses de trabalho forçado – sem que fosse necessário enviá-las para o gás. Para morrer no campo, você não precisava ter feito nada de errado: pelo contrário, bastava fazer tudo direitinho.  

Se você fizesse tudo direitinho, isto é, se seguisse estritamente as regras impostas pelos alemães – comendo exatamente a ração de comida que lhe era destinada (em vez de roubar algum alimento a mais) e trabalhando com afinco todos os dias (em vez de enganar seu superior e se poupar) – você morreria em poucos meses. Os alemães criaram aquelas regras justamente para que seu correto cumprimento levasse à morte. Assim, bastava que os prisioneiros fizessem tudo direitinho – coisa que a imensa maioria fazia – para que morressem dentro de pouco tempo. Sobreviveram apenas aqueles que conseguiram, em alguma medida, burlar o sistema
Calma, pessoal: eu não vou dizer que o mundo é governado por uma conspiração de nazistas malvados e que vamos todos morrer em cinco meses se continuarmos pagando impostos e escovando os dentes. O que eu vou dizer é coisa muito pior – coisa que eu gostaria que pessoas brancas como eu se dispusessem a ouvir e pensar a respeito.
Ao fazer tudo direitinho, sem mover um dedo para infligir qualquer mal a quem quer que seja, nós brancos somos beneficiários silenciosos de um sistema opressor que nos precede e, apesar de que não o queiramos, nos define. Quando eu era criança, trabalhava em minha casa uma empregada doméstica negra que tinha uma filha mais ou menos da minha idade.
Eu nunca fiz nada de mau para a filha da minha empregada. Assim como Fernanda Lima (e digo isso sem nenhuma ironia), eu sou uma fofa. Nem o rabo do gato eu puxava.
Só que a filha da empregada doméstica, negra e pobre, estudando numa escola de má qualidade e tendo que trabalhar também como empregada doméstica a partir dos 16 anos para complementar a renda da família, teve uma péssima formação escolar. Enquanto isso, eu, a filha da professora de francês, branca e de classe média, estudando numa escola pra lá de razoável e trabalhando a partir dos 15 anos como professora de inglês apenas para ter uma experiência bacana e ganhar um dinheirinho só meu, tive uma formação escolar bastante boa.
Acho que ninguém estranhará se eu disser que a filha negra da empregada doméstica foi uma concorrente a menos para a filha branca da professora de francês no vestibular da USP. Em termos bem concretos, a negritude e a pobreza dela e de tantas outras meninas e meninos me beneficiaram enormemente – e isso apesar de eu nunca ter feito nenhuma maldade para nenhum deles.
Eu sempre fiz tudo direitinho, afinal.
O problema é que “fazer tudo direitinho”, no nosso mundo, é exatamente o que o mundo exige para o mundo permanecer exatamente do jeito que está. Se continuarmos fazendo tudo direitinho, escovando os dentes, pagando impostos, aceitando convites da FIFA e passando no vestibular, passaremos os próximos duzentos anos sem que as futuras Camilas Pitangas sejam alçadas ao posto de estrelas internacionais – e, o que é muito mais grave, sem que as futuras filhas de empregadas domésticas consigam estudar em boas universidades
Claro que Fernanda Lima recebeu o convite da FIFA em função de seu próprio trabalho, esforço e mérito. Ninguém lhe está negando essa conquista. Da mesma forma, eu também passei no vestibular por trabalho, esforço e mérito meu. O que não dá para desconsiderar sem uma boa dose de hipocrisia é o seguinte: Nesse processo de sermos eleitas pela FIFA e pela FUVEST, tanto ela como eu recebemos uma bela ajudinha.
Essa bela ajudinha nos foi dada pelo racismo estrutural da sociedade brasileira, que eliminou centenas e milhares de possíveis concorrentes nossas sem que precisássemos, nem Fernanda nem eu, movermos uma palha para isso. É um sistema perfeito: a gente apresenta o evento da FIFA, estuda na USP e ainda paga de boazinha (afinal – repito – nunca fizemos mal a ninguém!).
Ao dizer que paga impostos, Fernanda Lima tentou se esquivar do assunto racismo. Não posso dizer que não a entendo. Quando o assunto é racismo, nós brancos geralmente preferimos falar sobre impostos, sobre pobreza, sobre o julgamento do mensalão e sobre a morte da bezerra – tudo para não tocar no assunto tão incômodo com o qual morremos de medo de lidar. (Aliás, eu fiz exatamente isso, exatamente neste texto.)
Sem nunca tê-lo ouvido antes, Fernanda Lima mostrou ter compreendido bem a essência do conselho de minha avó. Sua entrevista poderia ser resumida assim: “Pago meus impostos, sou uma cidadã, e agora querem me envolver em treta de racismo? Como assim, se fiz tudo direitinho?
Acontece que, no nosso mundo, uma pessoa branca que faz tudo direitinho é uma pessoa que não se descola da sua posição de opressora. Minha avó que me perdoe, mas é preciso fazer tudo ao contrário.

O "ingrato" - José Nilton Mariano Saraiva

“Meu padim, nos gramados do céu, é mais um craque a orar e proteger o meu verdão”. (de um torcedor do Icasa e fanático do padre Cícero).

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Misturar devoção e fanatismo religioso com a emoção do futebol nunca deu liga, jamais foi recomendável, constitui-se um tremendo despropósito. Até porque, se a “coisa” entornar, indo na contramão do que se pretende, configura-se uma ótima oportunidade para que os “pseudos” santos da vida sejam desmascarados, na perspectiva de um resultado não desejável. A reflexão tem a ver com o time do Icasa, de Juazeiro do Norte, que surpreendeu na recente disputa da Série B, do Campeonato Brasileiro, já que esteve para se classificar para a Série A.

Fato é que, a partir do momento em que o Icasa “pintou” como a grande zebra do torneio, já que entre os quatro clubes que se classificariam à Série A, de pronto torcedores, experts, cronistas esportivos, jogadores, diretoria, comissão técnica, torcida e mais alguns espertalhões da vida resolveram atribuir e propagar aos quatro ventos que tão meritório desempenho dar-se-ia em razão da ajuda de Cícero Romão Batista; e que, por sua intercessão, um time do interior do Ceará figuraria entre os maiores do país; que se tratava de mais um milagre de Cícero e  tantas outras baboseiras da espécie. E então, devidamente documentado pela televisão. tome visita ao tal Horto para rezar junto à estátua, tome o pega-pega na bengala do dito-cujo, tome discursos laudatórios como forma de expressar “mais um milagre” de Cícero e por aí vai.

Pois, coincidentemente, foi a partir daí, do momento da exteriorização de toda essa inconseqüente gororoba, que o time do Icasa entrou em parafuso, tremeu nas bases, desaprendeu de jogar  e terminou por perder a tão almejada classificação para a Série A, dentro de casa, aos pés da estátua do “ingrato” Cícero Romão Batista.


Assim, tal qual lá atrás, quando o tal “milagre da hóstia” restou desmascarado pela própria Igreja Católica, que considerou seu arquiteto-executor nada mais que um grande “charlatão”, o “milagre do Icasa na Série A” não passou de mais uma grotesca farsa que seria creditada a Cícero Romão Batista (aquele mesmo. que se tornou podre de rico a partir do momento em que entrou para a política).

domingo, 1 de dezembro de 2013

Mostra Nacional de vídeos reúne trabalhos de 12 estados brasileiros no Cariri




Trabalhos de doze estados brasileiros foram inscritos na  II Mostra Nacional de Vídeos sobre Intervenções e Performances – Mostra IP que será realizada nos dias 06, 07 e 08 de dezembro, nas cidades de Juazeiro do Norte, Crato e Santana do Cariri respectivamente.   O objetivo do evento  é  incentivar a produção de registros em vídeos de intervenções e  performances e fomentar o intercâmbio neste campo das artes.

Os estados participantes da Mostra são:  Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro ,Amapá ,Ceará ,Distrito Federal ,Amazonas ,Bahia, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso e Rondônia. A mostra contabiliza 39 inscrições e 49 vídeos enviados. 

O evento é uma realização do Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA Cariri  e tem como  co-realizadores o Coletivo Camaradas, Laboratório de Estudos, Vivencias e Experimentos em Arte Contemporânea – LEVE Arte Contemporânea e o Cine Arte Clube da Universidade Federal do Cariri – UFCA e conta  a parceria CUCA da UNE, Instituto Buxixés, Projeto Nova Vida e Companhia Brasileira de Teatro Brincante.

De acordo com o artista/educador, integrante do PIA,  Alexandre Lucas o evento vem se consolidando e destaca que a região do Cariri passa a ser vista como um polo de produção e circulação da Arte Contemporânea. “Estamos contribuindo para democratizar a arte e para  reflexão social”. Lucas acrescenta que os vídeos poderão ser solicitados pelas  escolas para auxiliar pedagogicamente as aulas de artes.        

Para a artista Maria Pinho Gemaque do estado do Amapá que já esteve na região do Cariri desenvolvendo trabalhos com o Coletivo Camaradas, essa Mostra potencializa a discussão sobre a produção artística produzida na contemporaneidade.

O ativista Ricardo Alves, do Coletivo Camaradas destaca esse trabalho foi realizando a custo zero. “Não recebemos nenhuma ajuda financeira para realizar esse evento no Cariri que reúne trabalhos de 12 estados”, enfatiza.       

O evento segue a seguinte programação:  dia 06, às 17h00, Corredor Central da UFCA em Juazeiro do Norte,  dia 07, no Crato, a partir das 8h00, ocupação artística na comunidade do Gesso com as seguintes atividades ensaios fotográficos, intervenções, performances, encontro de cosplay, roda de poesia e exibição dos vídeos a partir das 17h30 e no dia 08 encerramento em Santana do Cariri, a partir das 19h00, na Praça da Cidade.     

Relação dos vídeos inscritos na  II Mostra IP 2013

Nome do Vídeo: O Centro Invisível
Nome do Artista: Tiago Pedro
Estado: Fortaleza Estado: Ceará

Nome Do Vídeo: Infiltrações
Nome Artístico: Antoniele Xavier
Cidade: Macapá Estado: Amapá

Nome do Vídeo: Criogamia E O Risco Do Aborto Clara /Vídeo Performance Ovo Boca
Artístico: Juliana Bom-Tempo
Cidade: Campinas Estado: SP

Nome Do Vídeo: Aula de Pintura III
Nome Artístico: Natasha Parlagreco
Cidade: Macapá Estado: Amapá

Nome do Vídeo: Ação Varrer/ Acción Barrer
Nome Artístico: Sofia Bauchwitz
Cidade: Natal Estado: Rio Grande do Norte

Nome do Vídeo: 1.Sai Da Moita!/2. Unhas Defeitas, 3. Resgate Da Kombi MIXURUCA: Volta Amor!!!

Nome Artístico ou Coletivo: CORPOS INFORMÁTICOS
Cidade:  Brasília Estado: Distrito Federal               

Nome do Vídeo: Rompante
Nome Artístico: Mamutte
Cidade: Belo Horizonte  Estado: Minas Gerais


Nome do Vídeo: "Mundum", "Frisson" E "Despedida".
Nome do Artista: Márcia Beatriz Granero
Cidade: São Paulo  Estado: São Paulo

Nome do Video: Invidia-Não Há Autoridades Apenas Nos Mesmos
Nome do Artista: Felipe Cidade
Cidade: São Paulo  Estado: São Paulo

Nome do Vídeo: 1.Junção II /2. Quem Nos Vê? O Que Nos Olha?
Nome Artístico: Gilmara Oliveira
Cidade: Contagem Estado: Minas Gerais

Nome do Vídeo: A Plebe do Crediário
Nome Artístico: Isaque Ribeiro
Cidade: Belo Horizonte Estado: Minas Gerais


Nome do Vídeo: Vestígios
Nome Artístico: Maria Claudia Vargas
Cidade: Brasília Estado: Distrito Federal


Nome do Vídeo: 1“ Há Tempo Para O Amor...” 2. “ Frô ”
Nome Artístico: Amor Experimental (Parceria entre Rodrigo Munhoz e Recy Freire )
Cidade: São Paulo Estado: São Paulo

Nome do Vídeo: Pedicure
Nome Artístico: Suelen Pessoa
Cidade: Contagem Estado: Minas Gerais

Nome do Vídeo 1: G42MMGMMPG4444M, 2: Desiderata,  3: Te(N)São
Nome Artístico: Tauana M.
Cidade: Brasília Estado: Distrito Federal

Nome do Vídeo: Festa No Metrô
Nome Completo: Obscena Agrupamento Independente de Pesquisa Cênica
Nome Artístico: Obscena Agrupamento
Cidade: Belo Horizonte   Estado: Minas Gerais

Nome do Vídeo: PAUTA #8
Nome Artístico: Renato Hofer
Cidade: São Paulo   Estado: São Paulo

Nome Do Vídeo: Paperdolls
Nome Artístico: Robson Ferraz- Coletivo Plataforma DESVIO
Cidade: São Paulo Estado: São Paulo

Nome do Vídeo: Onde Vivem Os Sonhos
Nome Artístico: T. Angel
Email Para Contato: T.Ang3l@Gmail.Com
Cidade: Osasco Estado: São Paulo

Nome do Vídeo: O Circo Com Instrumento de Reciclagem
Nome Artístico: Mariana Nunes
Cidade: Crato  Estado: Ceará

Nome do Vídeo:  "Ceci N'est Pas Une Pipe" {Este Não É Um Cachimbo}
Nome Artístico: Leo Lee- Coletivo: Transitorio 35
Cidade: Guarulhos Estado: São Paulo

Nome do Vídeo: Assim
Nome Artístico: Keila Serruya
Cidade:   Manaus      Estado: Amazonas

Nome do Vídeo: Figuras Públicas
Nome Artístico: Flávia Naves
Cidade: Rio de Janeiro Estado: Rio de Janeiro

Nome do Vídeo: Over Painting
Nome Artístico: Marina Caverzan
Cidade: São Paulo Estado: São Paulo

Nome do Vídeo: Aos Pés de Aracne
Nome Artístico: Ramanery
Cidade: Belo Horizonte Estado:MG


Nome do Vídeo: Ponte Pênsil
Nome Artístico: Floriana Breyer
Cidade: São Paulo Estado: São Paulo

Nome do vídeo: A Poesia É Pública
Nome Artístico: Thiago Bezerra Benites - Coletivo: CINEMONSTRO
Cidade: Cuiabá Estados: Santa Catarina e Mato Grosso


Nome do Vídeo: Vínculo Zero
Nome do Coletivo: Tete-A-Teta
Cidade: Brasília  Estado: Distrito Federal 

Nome do Vídeo: Bloco Tátil - Intervenção Sobre Gelo-Baiano
Nome Artístico: Gustavo Ferro
Cidade: São Paulo Estado: São Paulo

Nome do Vídeo: 1.Corpo Paisagem.2 Dói-Me Um Corpo Por Todo O Corpo.3 Landscape Com Círculos Móveis I.
Nome Artístico: André Bezerra (Coletivo ES3)
Cidade: Parnamirim Estado: Rio Grande Do Norte

Nome do Vídeo: Paralelos Social
Nome Artístico: Kerolen Duarte/Ocupa Urca/Coletivo Camaradas
Cidade: Crato  Estado: Ceará

Nome do Vídeo: 1.Inala Dor 2. Submenso
Nome Artístico: Maria Vitória
Cidade: Americana  Estado: São Paulo

Nome do Vídeo: E canto aleluia para o ar ou a poética do invisível
Nome Artístico: Laís Guedes
Cidade: Lençóis  Estado: Bahia


Nome Do Vídeo: Bartira
Nome Artístico: Milene Valentir
Cidade:  São Paulo   Estado: São Paulo

Nome do Vídeo: Sobre Hipnose
Nome Artístico: Luísa Nóbrega
Cidade: São Paulo Estado: São Paulo


Nome do Vídeo: Interdito E Interdito 2.0
Nome Artístico: Tábata Costa
Cidade: São Paulo  Estado: São Paulo

Nome do Vídeo: Flores para Santa Maria
Nome Artístico: Camila Lacerda
Cidade: Belo Horizonte   Estado: Minas Gerais  

Nome do Vídeo: Operação 1º de Abril
Nome Artístico: Coletivo Aparecidos Políticos
Cidade: Fortaleza Estado: Ceará


Nome do Vídeo: Inventário das Sombras
Nome Artístico: Coletivo Madeirista
Cidade: Porto Velho Estado: Rondônia


Serviço:

MOSTRA IP
Informações: (88)96616516
 






A "paga" - José Nilton Mariano Saraiva

Meses atrás, neste espaço, fizemos alusão à viagem do Governador do Ceará à capital de Portugal, Lisboa, com o objetivo único e exclusivo de recambiar o gaúcho Moroni Bing Torgan, a fim de concorrer a eleição para a prefeitura de Fortaleza (por um desses partidos que se acham disponíveis nas prateleiras de qualquer bodega de periferia).

Em termos práticos, maquiavelismo puro e em estado latente, porquanto objetivando tão somente valer-se da popularidade do referido senhor na periferia da capital cearense e, assim, dividir a votação com o então candidato (favorito) indicado pela prefeita Luizianne Lins e, por extensão,, jogando a eleição para o segundo turno,  onde o favorito seria o candidato dos Ferreira Gomes. Bingo. Foi só o que deu.

Seguindo o roteiro programado, entre o primeiro e segundo turnos uma montanha de dinheiro foi distribuído nessa mesma periferia, de sorte que a eleição pra prefeito de Fortaleza sofreu uma reviravolta, com a vitória do prefeiturável candidato do Governados do Estado.

Por cumprir “pari passu” o nem um pouco edificante script de fiel da balança, evidentemente que o senhor Moroni Bing Torgan mais à frente iria beneficiar-se, ou ter a “paga” respectiva.

Pois eis que, após 11 meses de mandato, o prefeito-afilhado dos Ferreira Gomes houve por bem nomear a esposa do senhor Moroni Bing Torgan para assessorar a primeira dama da capital, sem que a função para a qual foi nomeada sequer exista no organograma oficial.

Assim, como normalmente as primeiras damas nada fazem, é de se supor que a nova assessora da primeira dama a ajudará a... nada fazer. Para tanto – e o duro de engolir é isso – receberá um “salário modesto” de R$ 7.500,00 acrescido de uma “pequena gratificação” de R$ 3.000,00, totalizando “irrisórios” R$ 10.500,00. E tudo pago com o dinheiro do contribuinte.

A “paga” completar-se-á no próximo ano, com o apoio do Governador do Estado ao senhor Moroni Bing Torgan em sua planejada candidatura a Deputado Federal nas próximas eleições.

A bem da verdade, a esposa do senhor Moroni Bing Torgan não é a primeira a ser beneficiada por esse desprezível esquema de empregar parentes, conforme poderá se constatar adiante: Paulo Gomes, sobrinho do Deputado Estadual Tin Gomes (PHS) está alocado na Regional 1; Renan Colares, filho do Deputado Fernando Hugo (PSDB) bate ponto na Secretaria de Planejamento do Estado; e Gyordanni Conrado, genro do improdutivo Deputado cratense Ely Aguiar (PSDC), se acha na folha de pagamento de uma tal Funcet.

É mole ou querem mais ???
Antes desta postagem uma notícia que acabei de ler. Nas TVs fechadas e até no cinema apareceu uma série, daquelas 1, 2, 3, 4 até o infinito da paciência do expectador, chamada "Velozes e Furiosos". Pois não é que ontem no sul da Califórnia um dos atores principais dos pegas cinematográficos morreu num acidente de trânsito. Foi o ator Paul Walker. Aliás, morreu no banco do carona. Aqui a corrida para vencer no ponto de chegada. 

O destino é a caminhada seus babaquaras.

Um grupo amigo saiu para passear. Composto de homens e mulheres em várias idades. Resolvidos em termos de preconceitos, respeitavam-se as diferenças de gênero e idade. Mas de qualquer modo por uma questão de merecimento, a carga maior dos mantimentos era transportada por aqueles que tinham menor desempenho na caminhada. 

No primeiro quarto do trajeto ainda conseguiram manter uma certa equiparação na velocidade de deslocamento. Mas daí em diante o grupo mais carregado, aquele que já tinha menor desempenho, só piorou a performance. E quanto mais se atrasava, pior ficava, pois além do peso que prendia seus pés ao chão da gravidade, mais desmerecedores se achavam frente aos outros.

Já o grupo que avançava com maior desenvoltura viu-se menos compromissado com a carga que os outros levavam para o bem de todos. Pelo contrário, começaram a demonstrar um senso de arrogância frente aos atrasados, a comentarem sobre a inferioridade deles. A carga não existia para os que se viam com pouco peso, tudo não passava de mero derrotismo, preguiça e descompromisso.

No quatro final do trajeto os mais adiantados passaram a consumir porções adicionais dos produtos transportados pelos outros pois, nessa altura, já tinham plena convicção dos seus merecimentos. Eles viam toda aquela quantidade de comida e água como o privilégio daqueles que são melhores e mais contribuem para o foco da caminhada que é a chegada.

A arrogância por estas questões humanas foi se transformando em ódio contra os atrasados na jornada. Eles dificultariam o momento de atingir o objetivo, ao invés de se superarem mostravam-se cada vez mais vítimas de suas próprias fraquezas. Entre os mais privilegiados, por carregarem menor carga, alguns até radicalizaram as críticas: querendo reduzir ainda mais a ração de comida e água dos que atrasavam na jornada.

Por uma dessas coisas que sempre acontece, um jovem no limite de suas forças, com suor descendo pelo seu corpo como a condensação de uma máquina a vapor, no vazio de toda humanidade com lhes tratavam os que se achavam vencedores na jornada, se toma de uma revolta incontrolável. Põe no lamaceiro à beira da estrada toda a comida e água reservada para o quarto final.

Ficou um clima geral de revolta com ataques à suposta sabotagem e um ódio fascista dos privilegiados que se viam sem comida e água. Mas após a pancadaria de músculos e cordas vocais o que se ouviu foi a frase de quem tinha cometido o desatino de tudo jogar na lama.

- O destino é a caminhada seus babacas. Não é a chegada. Agora comam e bebam o sucesso de primeiro chegar.