TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

domingo, 20 de abril de 2014

De 21 a 29 de abril de 2014 o Cariri entra na rota da Dança Nacional. A Associação Dança Cariri realiza a VI edição do Semana D da Dança Cariri


 
A Associação Dança Cariri realiza de 21 a 29 de Abril de 2014 a VI Semana D da Dança Cariri e o II Seminário de Dança. Serão 24 espetáculos, 04 oficinas 01 workshop, 01 aula pública, 01 cortejo, apresentação comunicações e artigos científicos.

Os espetáculos acontecerão nas ruas de Juazeiro do Norte e Crato, nos palcos do SESC Juazeiro do Norte e no Teatro Municipal Salviano Arraes. As oficinas e palestras acontecerão na sede da Associação Dança Cariri.

Serão 09 dias de atividades intensas, onde a região do Cariri cearense recebe artistas e professores de dança de todo país realizando um intercambio com os artistas locais e promovendo o fortalecimento da dança no Ceará/Brasil.

As inscrições das oficinas e palestras são realizadas pelo email associacaodancacariri@gmail.com ou na Associação Dança Cariri – Rua Conceição 1391 Bairro São Miguel – Juazeiro do Norte/Ceará.

Curta, compartilhe e compareça!

Programação

Dia 21/04/2014

10h Oficina de dança contemporânea -  Cia compassos (PE). Local

ADC

 

16h Aula Pública de ballet com Carolina Rocha

Local Praça do Giradouro - Juazeiro do Norte/Ceará

 
17h Espetáculo na Rua

Os brincadores - Cia compassos  (PE) Local -  Pça do Giradouro – Juazeiro do Norte/Ceará

 

Dia 22/04/2014

10h Oficina de Dança Moderna com Arthur Marques (PB/RJ) Local ADC

 
19h Reisado Mestre Lucia terreiro

 
19h30

Solenidade de Abertura

Espetáculo Sete Buracos Cia Compassos (PE)

Local SESC Juazeiro do Norte/Ceará

Dia 23/04/2014

10h Oficina de Dança Moderna com Arthur Marques Local ADC

 

16h Palestra Dança na Universidade: pensando as relações entre a formação profissional e a produção artística no Brasil de hoje.  Prof Dra Helena Katz (SP)

Local ADC

 

19h Apresentação Irmãos Aniceto (CE)

Terreiro Mestre Margarida


19h30 Espetáculo ‘Concêntrico’ Arthur Marques (RJ/PB)

Espetáculo Cajuína Alysson Amancio/Renato Dantas (CE) Local SESC Juazeiro do Norte

Dia 24/04/2014

10h Oficina de Sapateado

com Valeria Pinheiro Local ADC

 

16h Palestra As danças dramáticas populares no Nordeste Prof Dr Oswald Barroso (CE) Local ADC

 

19h30 Espetáculo (S) EM MIM Inspire Arte (CE)

 

Estreia Cacos para um Vitral Comum Unidade Oitão de Teatro (CE)

Local SESC Juazeirodo Norte/Ceará

 

 

 

Dia 25/04/2014

9h Aula de Dança Contemporânea

Dança contemporânea com Erick Brenno Local Teatro Salviano Arraes - Crato

 

10h Oficina de Dança Contemporânea com Sueli Guerra Local ADC

 

16h Palestra O que é dança contemporânea: a narrativa de uma impossibilidade

Prof Dra Thereza Rocha (RJ/CE) Local ADC

19h30

Espetáculo ‘Vata Hetnografia de mim’. Valéria Pinheiro (CE)

Espetáculo ‘O Santuario’ Erik Brenno (PB)

 

Dia 26/04/2014

10h30  Workshop de Jazz / Nilton Cesar

Local Teatro Salviano Arraes - Crato

10h Oficina de Dança Contemporânea com Sueli Guerra/Funarte

Local ADC

 

 

14h Apresentação de Comunicação e artigos científicos

 

Elvis Pinheiro

Renato Dantas

Renata Otelo

João Dantas

Alysson Amancio

Kelyenne Maia

Cecilia Raiffer

 

Local ADC

 

16h Palestra Corpo religado: entre o tradicional e o contemporâneo

 do corpo na dança

Prof Dra Teodora Alves (RN)

Local ADC

 

17h Debate

Dialogos Danças populares e Contemporâneas

Local ADC convidados Valéria Pinheiro, Eleonora Oliveira, Teodora Alves e Alysson Amancio

 

19h30 Espetáculo ‘Por um instante’ Ballare Escola de Artes  

Grupo Gaya – UFRN

Grupo de Dança da UFRN

BR  116 – Revisitado – Alysson Amancio Cia de Dança

Local SESC Juazeiro do Norte/Ceará

 

 

Dia 27/04/2014

10h30 Workshop de Jazz com Nilton Cesar Local Teatro Salviano Arraes - Crato

 

10h Oficina de Dança Contemporânea com Sueli Guerra (RJ)/Funarte

Local Teatro Municipal Crato

 

17h Apresentação Irmãos Aniceto (CE)

Espetáculo na Rua  ALAFIÁ – Work in Progress/ Alysson Amancio Cia de Dança (CE)

Local Largo da RFSA

 

19h30 Solenidade abertura Crato

Homenagem a João do Crato e Wilemara Barros

Grand Pas des Deux Corsário – Ballet Gonzalez com Beatriz Rocha e

 

Cia da Ideia (RJ) Espetáculo Batuque

 

Local: Teatro Municipal Salviano Arraes

Dia 28/04/2014

10h30 Workshop de Jazz com NILTON Local Teatro Salviano Arraes - Crato

10h Oficina de Dança Contemporânea com Sueli Guerra (RJ)/Funarte

Local Teatro Municipal Salviano Arraes Crato/Ceará

 

16h Debate: Profissionalização da dança no Cariri

Convidados: Kelyenne Maia, Luciany Maria, Danielle Esmeraldo, Alysson Amancio

Local Teatro Municipal Salviano Arraes Crato/Ceará

 
19h 30 Espetáculo A cadeirinha e eu - Fauller - Cia Dita (CE)

Espetáculo 'Qualquer tamanho' Cia das Artes Sintra (CE)

Cia de Dança Daniel Telles (CE)

Espetáculo Estados Alterados Cia de Dança Carolina Rocha (CE)

Local Teatro Municipal Salviano Arraes Crato/Ceará

 

Dia 29/04/2014

9h Oficina de Jazz com NILTON

Local Teatro Municipal Crato

 

 

19h30 Aula/Espetáculo

Com Wilemara Barros – Cia Dita (CE)

Local Teatro Municipal Crato

Comemoração dos 50 anos da bailarina cearense Wilemara Barros.
 

 

 

 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Gabriel


Pequena grande homenagem do jornal O POVO (de 18.04.14), ao poeta que se foi, ontem:


“SEM ANOS DE SOLIDÃO - Gabriel, depois de ler você, a humanidade nunca mais se sentiu só”.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

UM POUQUINHO MENOS SENADOR ÁLVARO DIAS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Tem escrita médica que nem farmacêutico decifra. Existem garatujas que seriam incapazes de decifração até mesmo por Jean-François Champollion que traduziu a Pedra de Roseta e assim revelou a escrita hieroglífica. Ao contrário das lentas e solitárias escritas dos escrivães dos cartórios, alguns médicos brasileiros, enxugando filas de cem clientes, com demandas variadas, riscam nas receitas um cipoal indistinto.

Nos anos eleitorais é lícito, correto e necessário pegar todas as contradições dos adversários. Portanto constranger Dilma, Aécio ou Eduardo é parte do jogo. Mas assim como as receitas médicas, o debate eleitoral precisa apontar caminhos, problemas e soluções.

E tem mais. O receituário médico revela doutrinas e condutas organizadas de modo sistemático sujeitas a conceitos, preconceitos e superáveis no curso dos avanços sociais, políticos e da ciência. Igualmente as práticas políticas quando se expõem as ideias dos candidatos e seus partidos.

Pois não é que o Senador Álvaro Dias do PSDB do Paraná tratou de fazer política com a escrita de um médico cubano como forma de atingir a candidata Dilma Roussef. Acontece que o médico ao solicitar uma ultrassonografia de mama, escreveu “ultrassão dos peitos”.


Mais do que fazer política Álvaro Dias caiu na vala fétida do preconceito. E esta história tem tudo para ter por trás um “profissional de saúde nacional que escreve um português digno da Academia Brasileira de Letras” dando de bandeja a história para o Senador. 

Mafiosas "Excelências" - José Nilton Mariano Saraiva

Agora é oficial. Não se pode ignorar ou tergiversar.

O presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE), desembargador Luiz Gerardo Pontes Brígido, mostrando ser uma pessoa corajosa e destemida, declarou hoje (15.04.14) à mídia cearense aquilo que todo mundo já sabia, mas evitava imiscuir-se em razão da gravidade de que se reveste a questão e do “peso” dos atores envolvidos: a “corrupção” corria livre, leve e solta nos “plantões” de finais de semana daquela corte (e que a grana disponibilizada era coisa alta e apetitosa), face envolver bandidos de alta periculosidade.

Para se ter idéia do alcance e magnitude do problema, sabe-se que, irmanados, servidores daquela corte, advogados e até dois desembargadores participavam da perigosa quadrilha. O bem montado esquema, visando principalmente beneficiar bandidos envolvidos com o tráfico de drogas e assassinatos, constava da apresentação de “alvarás de soltura” apenas e tão somente no decorrer dos “plantões” dos finais de semana, quando à frente dos trabalhos estivessem os “sortudos” desembargadores que chefiavam o bando.

Para se ter idéia do alcance e propósitos das mafiosas “Excelências”, enquanto em dias normais a média de concessão dos tais “alvarás de soltura” se situava na faixa de 15 ocorrências, durante os “plantões” de final de semana (principalmente à noite) esse número saltava para 70 liberações (fala-se que cada liberação não custava menos que R$ 100.000,00).

Lamentavelmente, já se sabe que face à brandura das nossas leis, o tal “segredo de justiça” prevalecerá e não teremos oportunidade de conhecer quem são os corruptos (já identificados e denunciados ao Conselho Nacional de Justiça).


Agora, aqui prá nós: se tínhamos o Poder Judiciário como um fiel guardião contra os excessos praticados com os menos favorecidos, a quem agora recorrer ???

terça-feira, 15 de abril de 2014

O "GIRO DA RODA" - José Nilton Mariano Saraiva

As recentes e oportunas postagens do Zé Flávio e do Carlos Esmeraldo tendem sinalizar para o tão almejado “recomeço” do Crato (e o seu despertar para uma nova era), porquanto provocadoras de reflexões e debates sobre os erros cometidos no PASSADO e o que poderá ser feito HOJE na perspectiva de que tenhamos  algum FUTURO. 
De um lado, o Zé Flávio foca sua análise no saudosismo e pessimismo dos cratenses, deixando transparecer terem sido fatores determinantes e responsáveis pelo estado de hibernação que acomete a cidade já há uns 40 anos; aproveita a oportunidade e nos chama a atenção para a necessidade do estabelecimento de metas que representem a vocação da cidade, sugerindo cuidados com a Cultura e a Ecologia.
Já a vertente ofertada pelo Carlos Esmeraldo, além de reforçar o explicitado pelo Zé Flávio, basicamente nos direciona à necessidade de “união” do povo cratense em prol da cidade.
Particularmente, entendemos que há, sim, perspectiva de reversão do quadro, desde que nossa população se conscientize da necessidade de engajar-se mais efetivamente nessa luta.
Afinal, como negar que o Crato chegou a esse deplorável estado de paralisia em razão da irresponsabilidade do seu povo no momento de usar sua arma mais importante, o voto.
Sim, porque optar por um quadro político sem nenhum vínculo ou comprometimento mais sério com a cidade (nas eleições proporcionais), ou que na eleição majoritária (prefeito) escolha o candidato levando em conta a tal “tradição famíliar”, como recentemente fez o nosso povo, é algo imperdoável (assim como escolher pessoas despreparadas e que objetivam apenas “se fazer” na política, é crime).
Como mostrou o Carlos Esmeraldo em sua postagem, é através de uma representação política atuante e unida que conseguiremos a tão sonhada alavancagem da economia, E isso representa o quê ??? Ora, implantação de indústrias e atração de empreendimentos comerciais de porte, com a conseqüente criação de empregos, geração de renda, aumento do consumo, movimentação do comércio e, alfim,  benefícios para a cidade, via recolhimento de impostos e taxas. Assim, aumentando sua base arrecadadora, o poder municipal terá condição de investir em novos planos e projetos, que decerto beneficiarão a cidade e seus habitantes. A isso se deu a alcunha de o “giro da roda”. Portanto, façamos a “roda girar”, no Crato, e o resto virá em conseqüência.
Claro que, como mostrou o Zé Flávio, a chegada do progresso tem sua porção dicotômica (ônus-bônus, positivo-negativo e por aí vai), comumente deixando seqüelas, tipo aumento da criminalidade e de roubos, transito caótico e demais mazelas. E aí surge o grande dilema: crescer e se sujeitar a isso tudo (já que decorrência desse mesmo progresso) ou ficar “deitado eternamente em berço esplêndido” (à espera que as coisas aconteçam naturalmente), abdicando do desenvolvimento e tornando-se uma cidade dormitório (como o é o Crato hoje), onde apenas um restrito grupo de pessoas se beneficia. Mas, se optarmos por isso, como o poder municipal arranjará dinheiro até para saldar sua folha de pessoal  ???
Urge, pois, que comecemos a mudar o jogo, via realização de seminários e debates, objetivando “acordar” os habitantes da cidade no tocante a influencia do seu voto quando da escolha dos que nos representação nos mais diversos foros .
Em suma: para nos catapultar do marasmo vigente, educação, política e economia se nos afiguram como complementares e necessários, porquanto essenciais numa possível retomada de crescimento.

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Post Scriptum

“Educando o jovem não será necessário punir o homem” (autor desconhecido).


segunda-feira, 14 de abril de 2014

CRATO VERDADEIRO - 250 ANOS DE TRADIÇÃO POPULAR



PROGRAMAÇÃO

15h00min: 1. Cortejo do Judas, acompanhado pelo Grupo de Caretas do Distrito da Bela Vista (Mestre Cirilo), Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Catirinas e Mateus, Boi, Burrinha, Jaraguá e brincantes de reisados locais, atores em personagens regionais. Seguem animados com carro-de-som pelo trecho: Rua Vicente Tavares Bezerra, nº 176, Bairro São Miguel (próximo ao LACEN) – Rua São Francisco – Rua Monsenhor Assis Feitosa – Centro Cultural do Araripe. 

17h:00min: 1. Chegada ao Sítio do Judas, montado no Centro Cultural do Araripe, onde o traidor permanecerá até a hora de seu julgamento e malhação, sob a vigilância dos Caretas; 2. Tradicional roubo do Sítio do Judas: os Caretas vigiam o sítio montado e açoitam com chicotadas os que ousarem roubar. A façanha é sair do sítio sem apanhar (e com o roubo). 

19h:30min: 1. Distribuição e leitura do Testamento do Judas, elaborado em versos (cordel); 2. Malhação do Judas, com show pirotécnico e artistas circenses em perna-de-pau com malabares de fogo. 

20h00min: Forró pé-de-serra. 

22h00min: Encerramento. 


“Cafajestino Estuprador” foi a personagem eleita em 2014, com a justificativa de que o Mundo, o Brasil, o Ceará e o Cariri tem sido cenário de casos de estupro, seja envolvendo pessoas da família das vítimas, bandidos marginais, religiosos ou outras espécies de monstros. É, portanto, um grito de socorro aos céus e de revolta contra a impunidade, bem como à negligência dos poderes constituídos, associado ao resgate, preservação e desenvolvimento da cultura tradicional popular.

A Coordenação

ESPECTROS NÃO DECLARAM QUE ESPREITAM A TORTURA - José do Vale Pinheiro Feitosa

O homem é a única espécie que tortura seu semelhante” – Leneide Duarte-Plon.

Esta frase destila simultaneamente dois sentidos: um paredão que prende e a instigação para o rompimento da inércia. No primeiro sentido nada se pode fazer a respeito da maldade humana. Ela é uma extensão do seu ser assim como o fato de se compor de tronco, cabeça e membros.

E a tortura nos diz dos tempos de hoje e drena sobre o nosso corpo pela força motriz das ditaduras e da violência de classe que, profundamente, se enraizaram na história do país. Especialmente na superfície da nossa pele por força da Ditadura Militar, que criou, sob a tutela de servidores do Estado, de coronéis, generais, brigadeiros e almirantes, a tortura não como extensão humana, mas como extensão do próprio regime.

E a referência deste texto é o cearense Tito de Alencar Lima. O dominicano chamado Frei Tito. E qual o sentido da referência? O rompimento da inércia. Os humanos podem superar suas práticas mesmo que milenares. Eles podem ser diferentes de si mesmo sem perder a sua humanidade.

Ele pode condenar a tortura e jamais deixar-se levar pela prática da tortura. Um dos mais revolucionários movimentos da antiguidade foi o cristianismo. Rompeu a inércia sobre um conjunto imenso de naturezas arraigadas ao ser humano como a situação escravagista do Império Romano e o farisaísmo da elite da igreja judaica de Jerusalém.

E na contagem do tempo não restam dúvidas que a violência instituída no Estado brasileiro era parte da ruptura democrática e da subordinação integral ao império americano frente aos conflitos da guerra fria. Mas dizer isso não é dizer tudo.

Frei Tito foi torturado, alquebrado, milimetricamente fragmentada a sua integralidade de modo que ao final só lhe restou uma corda pendurada numa árvore para sustentar um corpo que desde os porões pervertidos havia perdido o seu ser. Encontrar o galho tensionado pelo peso dos quilos do corpo inerte não completa a narrativa.

Em Frei Tito se encontram as ventosas sugadoras dos torturados e do regime que os sustentava. Não se pode lembrar Frei Tito sem esquecer os generais, brigadeiros e almirantes. Sem esquecer toda aquela hierarquia subalterna que transferiu a cadeia de comando até as mãos de Sérgio Paranhos Fleury, Capitão Benoni Albernaz e tantos outros que cínicos se apegam a razões que apenas justificam a inércia do paredão. O paredão da maldade humana insuperável.



sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Treva e o Arco-íris



Existem momentos na vida onde
 a questão de saber se se pode pensar
diferentemente do que se pensa,e perceber
diferentemente do que se vê,
 é indispensável para continuar
 a olhar ou a refletir.

J. Flávio Vieira
                                                Há dois  sentimentos correlatos que pairam , como uma nuvem  negra, sobre a cabeça dos cratenses. De um lado , o Saudosismo crônico, perceptível, claramente, nas gerações mais antigas. Estas pessoas viveram,  plenamente, aquilo que se considera o apogeu da Vila de Frei Carlos: os três primeiros quartéis do Século XX. Conheceram uma cidade cônscia do seu passado glorioso, com  seus múltiplos pioneirismos : O Araripe, primeiro Jornal do interior do Ceará ( 1854); a nossa centenária Banda de Música; o Cinema Paraíso (1911), o primeiro do interior do Nordeste;  a primeira instituição educacional do interior do Ceará, o Seminário São José ( 1875); D. Bárbara do Crato, a primeira heroína brasileira; o Hospital São Francisco, primeiro de todo Sul Cearense. Saltam ainda aos olhos figuras históricas de porte nacional, nascidas, formadas ou criadas nas margens do nosso Rio Grangeiro :  o pintor Vicente leite; o cineasta e diplomata Hélder Martins;  o Senador Alencar; Tristão Gonçalves; os escritores Ronaldo Correia de Brito, Batista de Lima, Fran Martins; os cineastas Hermano Penna, Rosemberg Cariri, Jéfferson Albuquerque Júnior;  os poetas Zé de Matos, Cego Aderaldo, Geraldo Urano; o semeador de universidades , Martins Filho; o escultor Sérvulo Esmeraldo; místicos como o Padre Cícero e o Beato Zé Lourenço,  isto apenas para citar alguns.

                                                O outro sentimento que se junta ao nosso saudosismo inveterado é, certamente,  o  Pessimismo. Ele advém do destino tomado  por nossa vila, nos últimos trinta anos.  Os amantes do Crato carregam um certo complexo de inferioridade, um certo travo, quando percebem, claramente, que  se comparados, em termo de progresso, com outros municípios próximos , aparentemente ,  temos murchado e não mantivemos o mesmo ritmo de Juazeiro, Barbalha, Brejo Santo.  Atiram-se farpas para tudo quanto é lado, procurando culpados, principalmente na área política, pela suposta hecatombe. E traçam-se estratégias esquisitas , na busca de um remédio para a hemorragia , como copiar o Turismo Religioso do Juazeiro, atraindo os romeiros, construindo estátuas gigantescas que rivalizem com as do Padre Cícero. Ora, as cidades, como as pessoas,  têm sua própria  vocação .  Inclinações não se criam do nada, pela simples vontade, de um ou outro cidadão. Seria como um pai , tendo um filho com tendência natural para o comércio, tentar fazê-lo maestro de orquestra sinfônica.  Seria possível ?  Talvez, mas sem aptidão  inata, jamais se transformaria num Beethoven ou num Chopin.  
                                               A visão do  desfalecimento do Crato é vesga. Observamos apenas com um olhar profundamente capitalista.  Interessa-nos o olhar frio dos livros de Economia. Mesmo que aumentássemos imensamente o nosso PIB, o benefício viria para todos, ou apenas para a pequena parcela de ricos e afortunados ? Sempre tivemos uma vocação Cultural e ecológica por conta da nossa Chapada Nacional do Araripe. O progresso o que nos trouxe ? Só benefícios ? Em nome dele , desmatamos profundamente nossa reservas, poluímos nossos rios, destruímos todo o nosso patrimônio arquitetônico. O povoamento desordenado das encostas tem trazido prejuízos difíceis de se avaliar. Vale o progresso a todo custo ? O aparente desenvolvimento das cidades circunvizinhas( na realidade uma inchação) tem trazido junto seus imensos efeitos colaterais : trânsito caótico,  colapso na infra-estrutura, violência crescente.
                                                O último Índice de Desenvolvimento Humano no Ceará(IDHM) mostrou que perdemos apenas para Fortaleza , ficamos em terceiro no estado, empatados praticamente com Sobral ,que ocupa o segundo lugar.   Este índice mede três indicadores básicos : longevidade, educação e renda. Queiramos ou não, vivemos num éden. Hoje, com as grandes cidades caririenses  praticamente conurbadas ,  havendo um contínuo fluxo entre elas, há necessidade de buscarmos  este progresso a qualquer preço, sob risco de piorar a qualidade de vida dos nossos habitantes ? Por que não alimentarmos nossa vocação natural, centrando nossas atenções na Cultura da nossa terra e na nosso imenso capital  ecológico ?  Talvez o saudosismo e o pessimismo que invadem a alma dos cratenses dependam apenas  do ângulo para onde focamos nosso olhar:  se deste lado há treva, do outro corre um rio cristalino e um arco-íris circunda os céus.

Crato, 11/04/14

segunda-feira, 7 de abril de 2014


BYE BYE, BYRON – José Nilton Mariano Saraiva

Ao contrário do que pensam alguns, Byron Queiroz não infelicitou a vida apenas e tão somente dos funcionários (ativos e aposentados) do BNB. Basta conversar com quem teve o infortúnio de trabalhar sob seu tacão para constatar que por onde passou (tanta na iniciativa privada, como na função pública), sempre se portou de forma autocrática, desagregadora, desrespeitosa, insensível e inescrupulosa, principalmente com os da base da pirâmide. Com os superiores era diferente, porquanto já aquela época se especializara em manipular números, fraudar balanços, trafegar na ilegalidade, em prol da empresa à qual prestava serviços. Tanto é que, quando assumiu o BNB, numa reunião com os graduados da instituição, de forma sarcástica e debochada acusou-os de incompetentes e despreparados, já que conseguira viabilizar empréstimos do Banco para a tal empresa, apresentando balanços fraudados. Essa era a prova, regozijava-se, de que o quadro técnico do BNB era fraco.

Já no exercício da presidência do BNB, não tinha nenhum escrúpulo de “peitar” os auditores independentes, exigindo que o Balanço da instituição fosse estruturado à sua maneira, fugindo léguas das determinações emanadas dos dispositivos dos órgãos competentes (Banco Central, Conselho Federal de Contabilidade, Tribunal de Contas da União e Comissão de Valores Mobiliários). Tanto é verdade que, além dos recorrentes pareceres adversos da Auditoria Independente, o Ministério Público Federal num dos seus relatórios, fulminou: “...partiram de Byron Queiroz todas as diretrizes para a adulteração dos resultados nos registros contábeis do Banco” já que “...determinava quanto e como deveria ser o resultado dos demonstrativos contábeis do BNB e os demais (subalternos) encarregavam-se de operacionalizar as fraudes” (tudo isso foi confirmado por um dos seus Diretores, após briga intestina).

Graças à solidez e consistência das denúncias dos aposentados do BNB (que ele rotulara de despreparados) foi condenado pela Justiça Federal do Ceará em dois processos (14 anos de prisão, em cada um deles), mas, por injunções políticas da cúpula do PSDB (FHC e Tasso Jereissati), acabou inocentado pelo Tribunal Regional Federal, do Recife-PE.

Enfim, não é porque Byron Queiroz morreu que devemos nos compadecer, passar um borracha no passado e esquecer o terror e a tirania que foi sua era no BNB, cujo objetivo maior foi o de causar sofrimento e dor a muita gente. De “DNA” com características eminentemente nazistas, mau-caráter na acepção plena do termo, desonesto até a medula, Byron Queiroz foi uma figura desprezível e desprezada.


Agora, nas profundezas do inferno, Lúcifer terá um sério concorrente para praticar as suas maldades. Bye Bye, Byron.  

domingo, 6 de abril de 2014

CAFAJESTINO ESTUPRADOR É ELEITO JUDAS EM CRATO-CE


14ª FESTA POPULAR DA MALHAÇÃO DO JUDAS
19 DE ABRIL DE 2014 | SÁBADO DE ALELUIA | CENTRO CULTURAL DO ARARIPE (RFFSA)
CRATO-CARIRI-CEARÁ

RESULTADO DA APURAÇÃO
(Em ordem decrescente dos votos obtidos)

Total de votos apurados: 9.984

1º. CAFAJESTINO ESTUPRADOR (Eleito): 3.098 votos (31,02%)
Justificativa: O Mundo, o Brasil, o Ceará e o Cariri têm sido cenário de casos de estupro envolvendo pessoas da família das vítimas, bandidos marginais, religiosos e outras espécies de monstros. Esta opção é um grito de socorro aos céus e de revolta contra a impunidade, bem como à negligência dos poderes constituídos.

2º. CORRUPÇÃO NO CRATO-CE (1º Suplente): 2.789 votos (27,94%) 
Justificativa: A população cratense está atônita diante de tantos escândalos de corrupção que dia a dia vem revelando a lama em que se atolaram importantes setores da política local. Assim, malharemos a corrupção no Brasil e no Mundo através de nosso próprio exemplo. 

3º. ALEX SOEIRO (2º Suplente): 1.385 votos (13,87%)
Justificativa: Monstro homofóbico que matou por espancamento o próprio filho de 8 anos de idade, alegando que o garoto era afeminado e queria corrigi-lo. O crime aconteceu na cidade do Rio de Janeiro em 2014. 

4º. DEPUTADO JAIR BOLSONARO (3º Suplente): 1.291 votos (12,93%)
Justificativa: Político de direita, fascista, homofóbico e defensor do retorno à ditadura militar.

5º. DONA VIOLÊNCIA (4º Suplente): 772 votos (7,74%)
Justificativa: O Brasil tem altíssimos índices de violência urbana (violências praticadas nas ruas, como assaltos, sequestros, extermínios, etc.); violência doméstica (praticadas no próprio lar); violência familiar e violência contra a mulher, que, em geral, é praticada pelo marido, namorado, ex-companheiro, etc... Suas causas são sempre as mesmas: miséria, pobreza, má distribuição de renda, desemprego e desejo de vingança. 

6º. VOTOS EM BRANCO: 494 votos (4,95%)

7º. VOTOS NULOS: 155 votos (1,55%)


Crato-CE, 05 de abril de 2014.

Comissão Eleitoral
Cacá Araújo, Chico Morais, Valdênia Araújo, Wideny Toyota e Evandro Primo

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Anais



J. Flávio Vieira
                                            
   Se havia um crime, em Matozinho, imprescritível e com pena de morte sumária era o tal do adultério. A galha, definitivamente, não se mostrava um adereço dos mais palatáveis naquelas brenhas. É que corno, amigos, por ali, sempre foi cargo vitalício. Impossível se livrar daquelas antenas depois de afixadas no meio da testa. Nem na morte ! Geralmente aquela situação acrescia-se à causa mortis:
                                               --- Morreu do coração ! Pobre do Astrogildo! Dizem que depois daquele molho de chifres, ele amofinou, afinou o pescoço e, ontem, parece que a raiz dos bichos  cutucou as coronárias e ele .... pum !
                                               A mitologia matozense arrolava um sem número de casos de tragédias consumadas por conta dos saltos de cerca.Capações, homicídios, surras homéricas.  Cidade pequena , os segredos tinham muros baixos. Peripécias amorosas desvendavam-se,  facilmente, ao olhar perscrutador de uma infinidade de fofoqueiras . A fofoca, aliás, sempre se mostrou um dos esportes mais tradicionais de Matozinho.
                                               Por incrível que possa parecer, Serrinha do Nicodemos ficava a pouco mais de vinte quilômetros dali. Pois lá, existia uma tolerância fora do comum para os casos de corneamentos.  Havia  um modernismo de costumes incompreensível  para um cafundó do Judas daqueles.  Diziam os matozenses que em Serrinha, como todos eram cornos atuais ou em potencial, ninguém podia falar de ninguém. As cidades circunvizinhas, por outro lado, malhavam o pau :
                                               --- “ Em Serrinha, só não reside entre dois cornos, é quem mora de esquina!”
                                               ---“Se der uma chuva de argolas em Serrinha, meus amigos, não cai nenhuma no chão!”
                                               Havia uma antologia de histórias envolvendo  os cornos mansos de Serrinha. Difícil sempre saber até onde terminava a realidade e onde começava a ficção.  O certo é que os serrinhenses não se exasperavam  com esses comentários. Aceitavam de bom grado as conversas e aprenderam, eles mesmos, a rir delas. Até ajudavam a propalá-las . Claro que , em casa, os forasteiros tinham que manter uma certa conduta. Nada de querer espinafrar demais o pacífico povo de Serrinha. O cão era quieto , mas nada de cutucá-lo com vara curta.  Pois aqui vão três dessas histórias que ouvi  lá mesmo em Serrinha, contada por Pedro “Chifre de Ouro”, um magarefe local. Só conto porque mantenho distância regulamentar.
                                               Serrinha era detentora de um tipo específico de corno: o Corno Azul. Segundo Pedro, a gênesis deste espécie deve-se a   Generino Penalba. Ele trabalhava na SUCAM e precisava viajar frequentemente pela zona rural. Graciosa, a esposa, ficava em casa de melé solto. Há mais de cinco anos,  mantinha um romance firme  com Sitônio, o vigia da rua.  Generino, um dia , soube das marmotas da esposa. Resolveu, então, voltar antes do fim de semana. Entrou em casa pé ante pé e escondeu-se embaixo da cama. Não tardou muito a mulher  sair da cozinha e abrir a porta para o namorado. Deitaram-se na cama e começaram o rala-e-rola.  Generino, embaixo, sentiu-se incomodado, agoniado com aquele funga-funga . Pensou em tomar alguma providência, mas manteve-se firme no posto. Terminado o movimento, Sitônio acendeu um cigarro e conversou com a amante, com ar relaxado de quem já degustara o fruto proibido:
                                               --- Meu bem ! Você gostou ? Eu estava pensando aqui comigo. Seu marido é um sujeito muito legal, muito compreensivo. Eu estou até pensando em dar um presente para ele. Vou comprar uma camisa. Você entrega como fosse uma lembrança sua. Qual será a cor de camisa que ele gosta, hein ?
                                               Antes que Graciosa adiantasse a preferência do marido, ouviu-se uma voz roufenha, vindo debaixo da cama, como se fosse alma penada:
                                               --- Azullllll  !
                                               Zé Pom-pom trabalhava como jardineiro na casa do prefeito de Serrinha.  Passava o dia na cidade e retornava à tardezinha para um sítio,  próximo à vila, onde morava. Um dia  alguém lhe  sussurrou: estava sendo traído. Quando saía  de casa  , um sujeito entrava e ficava namorando com a esposa até o finzinho da tarde. Pom-Pom ficou bravo, zuadou, ameaçou peixeira. Eles vão ver ! De manhãzinha, saiu para o trabalho e se escondeu, atrás de uma mangueira.  Era outubro, um calor de derreter tacho de fornalha. Lá para o meio dia, Zé viu o negrão entrando de casa adentro e fechando a porta. Acercou-se  para se certificar do fragrante. Ouviu uns uis e uns ais abafados e não teve dúvida. Correu, subiu no poste de energia elétrica  da casa e cortou os fios . Sorridente, olhou para uma pequena platéia que esperava , ansiosamente, o sangue escorrendo pelo chão e cantou a vingança:
                                               --- Taí, bando de filho de uma égua ! Trepem agora ! Quero ver é os pentelhos se incendiar ! Como esse calor vocês vão é morrer tudo tostado !
                                               Desde aquele dia, perdeu o Pom-Pom e  passou a ser conhecido como Zé do Poste.
                                               A última de Serrinha aconteceu na semana passada. Josa é um trabalhador rural , morador de um coronel  da região.  Saiu com uma lata nas costas para pegar água numa cacimba  mais ou menos distante. Precisava abastecer os potes de casa e as latas da cozinha. Na volta, já próximo de casa, ouviu um reboliço no mato e uns gemidos. Aproximou-se, com a lata cheia  no ombro , afastou um pouco o mato e tomou um susto. No chão estava sua mulher pelada, no maior escandelo com um vizinho, também nas mesmas condições .  Deu um supapo  danado e ameaçou:
                                               --- Bando de sem vergonhas ! Ói a putaria ! Eu só não jogo essa lata d´água no lombo de vocês,  porque tão com esses corpos quentes e é capaz de vocês estoporarem ! Joviu ?
                                               Esta foi uma das vinganças mais terríveis já acontecidas nos anais de Serrinha dos Nicodemos !

Crato, 03/04/14
                                              

terça-feira, 1 de abril de 2014

Mudança de "cenário" - José Nilton Mariano Saraiva

Pois é, só mudou o cenário. Depois de Juazeiro do Norte, São Paulo e Fortaleza, agora o problema se deu no Mato Grosso: o comandante de um avião da Avianca acionou, nesse domingo passado, a torre de controle do aeroporto, para pedir ajuda terrestre ante a possibilidade de ter que fazer um “pouco complicado”. 

O problema foi o mesmo verificado nas vezes anteriores: travamento do trem de pouso dianteiro da aeronave, numa recorrência que, quer queira ou não a companhia aérea admitir, aponta para falha grave na manutenção das aeronaves. 

A pergunta é: será que estão esperando um acidente de proporções fatais para cuidar melhor da segurança de passageiros e tripulantes ???