TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

VIVE LA FRANCE! - José do Vale Pinheiro Feitosa




J´Attendrai - Dalida

Tornerai composição italiana de Dino Olivieri e letra de Nino Rastelli. Foi registrada em francês como J´attendrai por Rina Ketty em 1938 com letra em francês de Louis Poterat. Foi a canção emblemática do início da segunda guerra mundial.


Tornerai - Tua sabes que te amo, não tenho que de ti /encontrar-me distante, diga-me por que? / A nostalgia não sente no coração / Não te recordas de mim. / Esta minha vida, não, não pode? Durar / Tu és fugitiva, deves tornar / Este meu coração, tu ainda queres. / Tornarás...a mim / por que? / O único sonho sei...do meu coração / Tornarás, por quê? / Sem teus beijos lânguidos, não viverei? / Aqui dentro de mim mesmo / a tua voz que diz, tremendo de amor, / Tornarei? Por que? Tu és o meu coração.

J´Attendrai  

Esperarei!
O dia e a noite, esperarei sempre
teu retorno.
Esperarei  
Porque o pássaro fugitivo tenta se esquecer,
em seu ninho.
O breve tempo passa
batendo tristemente,
sobre meu coração tão pesado.
E, portanto, esperarei
Teu retorno.
(bis)
O vento traz-me
os rumores distantes.
Após minha porta
o escuto em vão.
Puxa, e nada.
Nada me vem.
Esperarei,
o dia e a noite, esperarei sempre
teu retorno.



Por que a primeira pedra sempre é lançada e a mão pioneira é cheia de pecados? Porque viver é rever posições, princípios e conhecimentos.

Toda a degeneração recente da França, que sua história carrega na bolsa do canguru, toda a violência e tortura aplicada aos libertários da Argélia. A França, assim como Portugal, Espanha, Inglaterra, Holanda, Bélgica foram as rapinas da África, América e Ásia. Alemanha e Itália não fizeram do mesmo porque chegaram tarde ao botim colonialista.

E nosso horror latino americano, com a escravidão, saque, tomada de terra, exploração mineral e da produção agropastoril, não se pode extrair da história. Mas o papel das lutas populares, das instituições desenvolvidas, a nossa cultura e tantas outras manifestações do povo não podem ser, igualmente, extraídas.

Agora não se pode aplicar um anátema a toda a França tomando por regra fatos e eventos do seu passado, mesmo o recente, tais como a repressão e tortura e o papel meio barro meio tijolo do seu povo da segunda guerra mundial. Pois na Franca se houve a República de Vichy, também aconteceu a Resistência e todo um ideal de social democracia no pós-guerra.

Nenhuma cultura produziu reflexões tão reais sobre a humanidade, a história e as civilizações. A França é um centro irradiador e fundador do que é a possibilidade de uma civilização mais igualitária, mais humanista, mais avessa à exploração do homem pelo homem.  

Há muita boca torta do hábito, muita facilidade argumentativa, muita preguiça intelectual e muito uso de velhas formas como se na realidade nada houvesse de mudança. Só que a França pulsa sua vida social e cultural na perspectiva crítica do presente e na projeção do futuro.

A civilização francesa é solidária, embora a malha social, sob crise econômica, desemprego e forte pressão imigratória seja geradora de fortes tensões. Há que se qualificar e classificar quem é quem nesta transição. A extrema direita é contra a migração e tem aversão aos muçulmanos, mas na França a maioria não é assim.

A própria recuperação do prestígio de Hollande e as manifestações de massa após o atentado contra os jornalistas do Charlie andaram no sentido de uma sociedade plural e democrática. Os fascistas compõem a minoria e neste episódio não conseguiram, mesmo que tenhamos que colocar um “ainda”, selar o cavalo da história.

E por fim: muita gente andou tendo dúvida sobre as críticas ao Charlie Hebdo. Muita gente andou se apegando ao argumento “analítico” de suas charges usadas fora do contexto. Muita gente repetiu o mantra sem jamais ter lido um número sequer da revista.

Humorismo tem uma natureza muito interessante: é tão sintético que é autoexplicativo. Mas é a síntese do que circula no momento e um tempo depois só faz sentido se contextualizado. Ou seja é uma das expressões mais datadas que existe.


Inclusive acabei de saber que a edição feita após a atentado será reproduzida no Brasil.  

Senhores e trabalhadores no Cariri cearense: terra, trabalho e conflitos na segunda metade do século XIX

Prezados amigos do Cariricult, venho divulgar a minha tese de doutorado, que trata das relações entre senhores e trabalhadores (livres e escravizados), na segunda metade do século XIX. Questões como o problema agrário, disputas, o mundo do trabalho, riqueza e pobreza, são abordadas.



Deixo o link para quem quiser fazer download dessa pesquisa.  Caso tenham dificuldade em baixar o documento, posso enviar por email.

Agradeço pela oportunidade em poder divulgar.

https://www.academia.edu/10245419/_Senhores_e_trabalhadores_no_Cariri_cearense_terra_trabalho_e_conflitos_na_segunda_metade_do_s%C3%A9culo_XIX




CARNAVAL DA SAUDADE 2015

 
Estamos mais uma vez realizando o já tradicional Carnaval da Saudade do Crato Tênis Clube. Em 2015 comemoramos os 10 anos deste evento que tem se destacado na região do Cariri como a mais marcante festa do período momino. Uma festa marcada pelas marchinhas, frevos e sambas.

Em 2015 a festa será animada por duas orquestras da região do Cariri: A Orquestra Prisma, e a Orquestra Carnavalesca Azes do Ritmo, com as participações especiais do Maestro Hugo Linard e do grande Crooner Francisco Peixoto, que certamente farão o "Clube do Pimenta" ferver de alegria e muita emoção.

Dois grandes nomes da nossa cultura serão os homenageados: O Dr. Maurício Almeida Filho, Mauricinho, ex-presidente do Crato Tênis Clube, fundador da inesquecível "Cratucada", que tanto animou os carnavais do Crato, e um dos criadores do "Desfile das Virgens", famoso bloco de carnaval que começou nos anos 1970. O outro homenageado é o Maestro Hildegardo Benício, "in memorian", um músico de alma inteira, que viveu a maior parcela de sua existência, alegrando os seus semelhantes. Grande saxofonista que abrilhantou festas, tertúlias, e muitos eventos por esse Cariri afora. Um dos maiores ícones da nossa história musical.

E, como já é tradição, o Carnaval da Saudade 2015 vai sair a partir das 4 horas da manhã do CTC para encerrar em apoteose, na Praça Siqueira Campos.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

DEGOLA! - José do Vale Pinheiro Feitosa

21 de janeiro de 2015. Passaram-se 222 anos.

A cabeça de Luiz XVI, decepada pela guilhotina, é levantada pelo verdugo Sanson para a multidão que a vendo grita: Viva a Revolução. Viva a República.


Não fora a primeira vez que uma multidão, dentro de um processo político, julgou e determinou a pena capital para um rei. A Inglaterra havia feito o mesmo, mas a morte de Luiz XVI é um momento da história em que tudo muda.

Na França, mais claramente, o processo político do desenvolvimento da burguesia e da classe operária (e do povo em geral) se evidenciou. A burguesia que já havia conquistado a economia e o Estado na Revolução Inglesa e Americana, ali na Revolução Francesa os conquista, criando todas as instituições que darão ares de civilização ao seu futuro político. Os códigos napoleônicos entre eles.

E por qual razão tantos filmes, peças, romances, ensaios, discurso e uma choramingação de saudosista sobre a ordem Monárquica e aquele momento em que a guilhotina separou cabeça e corpo de Luiz XVI?

É que ali, considerando algumas imprecisões históricas, o Jacobinismo se aproximava tanto da base popular, não burguesa, que na Revolução Francesa surgiu um novo fenômeno político que constituiu na grande contradição do capitalismo. Ali começava a nova luta de classes tendo a burguesia como protagonista.

Naquele ato de mais de duzentos anos passados, o exercício político perdia uma instituição central de muitas centenas de anos: a descendência familiar do poder. Mesmo que oligarquias persistam, que famílias patrimonialistas como os Sarney, os Kennedys, Bush, dinastias e outras mais, cursem de pai para filho, a verdade é que, centralmente, a genética não é mais o coração da transmissão do poder.  

Não se pode esquecer que a transição do poder dentro das famílias ainda é marcante na nossa realidade, como Tasso Jereissati filho de Carlos; Samuel filho de Ossian; Roseane filha de Sarney, Artur Virgílio filho de Artur Virgílio e são muitos os exemplos. Mesmo assim esta transição é negociada e representa o poder econômico das famílias burguesas.


Mas definitivamente não representam a gênese divina do poder. E por sinal, no dia 21 de janeiro de 1901 morreu a Rainha Vitória da Inglaterra (a última figura da realeza britânica que realmente detinha poder). 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Je suis Charlie ?

Imaginem essas cenas retiradas do dia a dia do nosso noticiário. Rapazinho, no sul do país, revoltado com o fim do relacionamento decretado pela namorada, resolve, em represária, jogar na internet fotos íntimas do casal, tiradas no Motel em tempos de bem aventurança. O pai da mocinha, revoltado coma exposição pública e definitiva da filha, faz justiça com as próprias mãos, sapecando vários tiros no jornalista improvisado. Em Goiana, Pernambuco, uma lojinha de biquínis terminou pregando uma peça em várias veranistas. O adolescente, filho da dona do comércio, instalou uma câmera escondida no provador e filmou inúmeras mocinhas peladas, na troca de roupa. Depois disso, preparou um CD com as imagens e saiu vendendo em pontos estratégicos: “Garotas Quentes do Verão 2012”. Tudo acabou quando um pai comprou o CD e lá se deparou com a filha em trajes de Eva. O caso foi parar na justiça , os pais e o autor do delito fugiram,  temendo linchamento.
                                   Os dois episódios são típicos desses tempos em que todas as barreiras da individualidade terminaram por ruir. Claro que, em nome da liberdade de pensamento e expressão,  muitos, certamente, saltarão com a justificativa de que é justa a veiculação das fotos. Quem se sentir ferido ou lesado deve procurar a justiça em busca de ressarcimento pelo dano causado.  A atitude do povo goianense e do pai da mocinha da internet em procurar , com força de trabuco, resolver as querelas soam como coisas de Neanderthais. Aprofundemos um pouco mais a questão. Pensem no suplício de todos  lesados , trafegando pela lentidão irritante da justiça brasileira. Oito anos depois, quem sabe, poderá sair uma sentença indenizatória favorável aos danos morais perpetrados pelo namorado abusado e pela lojinha de biquínis. O bolso, como sendo a parte mais sensível do corpo, certamente pesará, pedagogicamente, na consciência dos implicados. Mas as fotos, uma vez veiculadas, continuarão a se espalhar como vírus Ebola e o dano continuará a se fazer permanentemente. Os novos namorados da mocinha poderão receber as imagens pornográficas, como bulling,  e as garotas quentes do verão 2012 continuarão fervendo em outros verões, com cd´s copiados e enviadas imagens pelos tablets e smartphones. Quem lhes devolverá , um dia, a honra eternamente maculada ?
                                   A atitude dos linchadores, claro, pode parecer primária e tribal. Colocando o caso em cada um de nós, no entanto, vem a pergunta : Você teria uma conduta diferente, como pai ?  Ficaria quietinho, procuraria e justiça e esperaria, pacientemente, pelo fim do processo, mesmo vendo o vírus se alastrando, dia a dia ?
                                   Esta questão é extremamente atual. Há poucos dias, os jornalistas da Revista humorística francesa “Charlie Hebdo” foram executados, sumariamente, por três islâmicos que se sentiram ofendidos por charges seguidas retratando ( o que é proibido pela sua religião) e  detratando o profeta Maomé. As repercussões internacionais foram imensas após a barbárie. Líderes mundiais se reuniram na França numa imensa marcha  a favor da liberdade de pensamento e de expressão. De lado se punham os jornalistas injusta e barbaramente executados e, do outro, os vilões: o Islamismo tido como religião brutal e atrasada, totalmente dessincronizada com os tempos modernos em que vivemos.
                                   Nada justifica o massacre, claro, mas é bom, sempre, refletir sobre suas raízes mais profundas. A França possui o maior contingente de maometanos da Europa – 10% da sua população. Vieram, praticamente todos, das antigas colônias francesas, da África e Ásia, sugadas pelos insaciáveis canudos do Colonialismo. Na França são vistos como cidadãos de segunda classe, mesmo com cidadania legal francesa. Carregam, consigo, aquele travo das minorias sapateadas. Não têm o mesmo acesso ao emprego, ao lazer, à educação em meio a esse Apartheid silencioso. São proibidos de assumir aainda, publicamente, seus símbolos religiosos. Quando dos primeiros ataques da Charlie Hebdot , entraram na justiça  francesa, contra o que consideravam uma agressão e perderam fragorosamente em nome da Liberdade de Expressão, embora se imagine que, por trás de tudo, havia decisões eivadas do mesmo preconceito que lhes atravanca o dia a dia. A revista, claro, tem posições francamente iconoclastas e ataca não só o Islã, mas todas as outras grandes religiões mundiais. Daí vem a perigosa conclusão de que o Islã é violento e sanguinário, pois as outras não reagem da mesma maneira.  O Islamismo, é bom lembrar, é a mais jovem das grandes religiões, talvez, por isso mesmo, ainda esteja em tempos de depuração, no Século XII, para ser mais preciso. Há um passado sombrio que acompanha a todas : A Inquisição, As Cruzadas, a dizimação das comunidades indígenas, o Holocausto, As oferendas aplacatórias da ira divina  dos Incas e Aztecas.
                                   A grande encruzilhada termina por aparecer. Tem ou não limite a liberdade de expressão ? Tudo pode ser veiculado e a regulação será feita , tão-somente, pela justiça ? A imprensa se queixa que lhes estão querendo infringir marco regulatório. Mas ela é livre ? Ela não é manietada por seus patrocinadores e pelo Capital que a sustenta ? Imaginem se a Revista Carta Capital, a dois dias antes da eleição presidencial, publicasse uma reportagem mostrando que o candidato Aécio Neves faria parte do Cartel de Medellin. Imaginem ainda que esta  notícia, infundada, o fizesse perder a eleição. Claro que ele entraria na justiça e daqui a uns sete anos terminasse ganhando a questão e recebendo uma indenização. Mas seu mandato perdido quem o ressarciria? E seus eleitores que teriam sido burlados como seriam ressarcidos ?

                                   Voltando para os princípios universais da Ética não me parece que essa pretensa Liberdade de Expressão se enquadre em nenhum deles. A conduta do Charlie Hebdo pode ser usada como uma Lei Universal ? Estaria essa Liberdade beneficiando o maior número de pessoas possível ? Entendo que há limites éticos sim, nessa Liberdade e que precisam ser regulados não só pela justiça, mas pela própria sociedade. O respeito às diferenças, às opções sexuais, à religião ou ao ateísmo e o combate indiscriminado a qualquer tipo de preconceito são direitos inalienáveis dos seres humanos. Emocionei-me e chorei com o massacre dos humoristas do Charlie Hebdot, nada justifica aquele ato terrível. A agressão reiterada, no entanto, a minorias eternamente escravizadas poderiam ter sido evitadas, a  Sociedade Francesa já vem se responsabilizando secularmente por essa atitude. Queria que o humor continuasse a me fazer refletir sobre a vida , sim, mas também que me proporcionasse sua mais perfeita função : Rir.

J. Flávio Vieira

SAIR DA RÉGUA PRIVADA E IR PARA A PÚBLICA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Alguém já havia tido algum conhecimento sobre Alberto Nisman?

Muito provável que não. A maioria dos brasileiros, mesmo aquele bem informado, não sabe a respeito. Os Argentinos sim. Devem saber.

Agora saibam como tomamos conhecimento sobre Alberto Nisman. Jornais, rádios, televisões, blogs e outros rastilhos, diziam: morreu promotor que associava governo Kirchner à manobra para esconder a participação do Irã nos atentados contra entidades judaicas na Argentina.

O promotor foi encontrado morto, com um tiro na cabeça, no seu apartamento. Aí estava montada a arapuca comunicacional. Antes da investigação, realçava-se a suspeita que a autora do crime teria sido a presidenta Argentina.

Acrescente a isso o fato, que interessa ao governo de Israel, associar o Irã, o inimigo de maior potencial, ao ato terrorista na Argentina. E considere que o fato aconteceu há 20 anos, portanto num intervalo em que muita coisa mudou. Na América do Sul, na Argentina, no Oriente Médio, em Israel e no Irã.

Agora é investigar o que de fato aconteceu com o promotor. Há uma possibilidade que a justiça argentina, poder independente, declare suicídio. Enquanto isso o governo Argentino tratou logo de tornar público o relatório do promotor com todas evidências. Ou não evidências.

A questão é o tratamento da informação, por meios que detém o domínio da comunicação, como matéria de ataque e defesa e não como exposição da realidade. Mas aí vem uma discussão necessária. A crítica ao modelo principal de condução da informação e conhecimento na nossa civilização.

Aliás, a questão do Charlie Hebdo foi um momento especial ao que se denomina regulação da mídia. A liberdade e o controle como contraditórios que ora serve de argumento a um lado para, logo em seguida, servir ao outro lado.   

Afinal tudo é uma questão política. Vamos lembrar na liberdade que o Sistema Globo defende como fundamental. Mas quando aquele pastor chutou a imagem de uma santa na Record, a Globo pediu punição e o rolo compressor foi tal que o pastor foi demitido, a outra emissora pediu desculpa.

Liberdade e controle a serviço da concorrência comercial é um péssimo uso destes parâmetros sociais e políticos. Por isso a regulação de mídia centra-se essencialmente na questão do monopólio da informação. É preciso que ocorra a pluralidade de meios, temas, conteúdos e visões diferentes.

Os membros da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão já chiaram que a regulação econômica pode enfraquecer economicamente os veículos de comunicação. E não disseram mentira. Acontece que isso tem muito a ver com o modelo de negócio destas empresas oligopolizadas. E a regulação nasceu nos EUA, exatamente em razão dos monopólios e oligopólios, ou o que tanto se dizia como trustes.  

A regulação, enfim, é pluralidade, estímulo à democracia, check and balances no conteúdo e técnicas, um meio público que abra possibilidades para investigação, apuração, tratamento e divulgação da informação e do conhecimento.

Em última análise o destino da liberdade e democracia no campo das mídias é um contraditório, onde a informação seja tratada cada vez menos como mercadoria ou um bem econômico e cada vez mais como traço da civilização de acesso universal. Onde a verdade não é um pântano acumulado, mas um rio que circula e se transforma como se move a natureza de todas as coisas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

FUZILAMENTOS GLOBALIZADOS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Não é apenas por proximidade no tempo. Se bem que a contemporaneidade dos fatos nos façam automaticamente raciocinar assim. Qual a questão?

A relação entre o fuzilamento dos jornalistas do Charlie Hebdo e o fuzilamento do brasileiro, traficante de drogas, na Indonésia. Embora de natureza distinta os dois fatos parecem guardar uma relação implícita.

A relação é sobre quais valores a civilização contemporânea, de natureza globalizada, vai implantar em suas diretivas históricas. E aí despontam alguns destes valores: democracia e liberdade; direitos sociais e humanos, governança mundial e fases de desenvolvimento do capitalismo globalizado com as suas instituições e regras.

Aliás, valorizar atributos de uma civilização já é um problema pois a rigor não se trata de precificação de bens. O que se discute são os fundamentos de uma civilização, numa fase histórica sui generis: há um continente universal a conter os conteúdos de todas as culturas.

Bem ou mal este continente está em evolução, especialmente pela natureza de conter no mesmo “espaço” da história tantas e diversificadas experiências humanas. E, particularmente, no momento histórico, quando nosso raciocínio bem poderia ser: ora como existem grandes linhas culturais cobrindo enormes segmentos da humanidade – islamismo, cristianismo, budismo, confucionismo, iluminismo, racionalismo, materialismo, etc. – este continente será mais fácil.

Mas, ao contrário, são estas grandes extensões culturais que mais se chocam na ideia de uma democracia, liberdade, direitos, governança e crítica ao capitalismo. Como vigas a sustentar esta ordem-desordem mundial, as grandes culturas têm força suficiente para sabotar, apagar, acender, destruir e confundir a síntese de diretivas históricas globalizadas.

De qualquer maneira como a estrutura básica, que sustenta o futuro planetário da humanidade, é o modo de produção, distribuição e consumo, incluindo seus “avatares” financeiros, que se encontra numa crise de modelo, isso implicará no deslocamento de forças globalizadas (as grandes vigas da cultura mundial). Outra questão é a própria condição material do planeta terra incluindo aí seus mares; o solo e a biota; o ar e o clima e grandes desastres provocados pela própria ação humana (como explorações e guerras, especialmente a nuclear).  

Ontem passou o dia aqui na minha casa um grande artista brasileiro que mora na Europa. A visão dele, mesmo incluindo as suas particularidades, é de uma região inteira sob enorme impacto econômico, social e político prestes a viver um grande desastre. Uma terceira guerra mundial.


E concluo como tese: a guerra do neoliberalismo (consequente) e enormes dores da globalização assimétrica, mas mesmo assim de natureza universal.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Marchinhas ao Twitter - José do Vale Pinheiro Feitosa

Rei Zulu - Antonio Almeida e Nássara - BLECAUTE

REI ZULU

O pré-capitalismo da janela na chapa quente do capitalismo. Escutava um mundo onde o capitalismo ainda não chegará.

O Rei Zulu. Nos limites das relações dele mesmo. Sem a interveniência do dinheiro como seduzem, se amam, comem e dormem embaixo de um teto.

E tem mais ele namora atrás do murundu.

Pai Adão - Antonio Soares, Hélio Nascimento, Agenor Madureira - ALCIDES GERARDI

Pai Adão
Nunca amou um compromisso. Um cartório com firma reconhecida. Sem testemunhas e celebrantes.

Amou o corpo. Apenas ele. Não uma leva de parentes e aderentes. A tornar grupal aquilo que apenas o desejo entre eles.

Pedreiro Valdemar - Roberto Martins e Wilson Batista - BLECAUTE

Pedreiro Valdemar
Você conhece? Ele levanta o céu e não tem indulgência para entrar. Reza, esfola os joelhos, derrete velas, mas não se encontra entre os escolhidos.

Ele construiu um puxado para os de pouca poupança purgar as falhas da vida. E detendo tão pouca, no purgatório não pode entrar.

Ajudou nos alicerces do inferno, mas o negócio por lá é de alto cacife e nem no inferno pode morar. E agora?

É o pedreiro Valdemar que não tem onde morar.

A Lua é dos Namorados - Armando Cavalcanti, Klécius Caldas e Brasinha - ÂNGELA MARIA

A Lua é dos namorados

E foi quando na prateleira da mercearia se podia comprar Lua a granel. Levar um eclipse por embrulho. Uma alça da espada de São Jorge para sair da cidade pelos caminhos levando seu retalho.

A vitória do império foi a lua. A mesma lua dos namorados agora tinha dono com bandeira fincada e tudo.

E cercaram a Lua para vender aos lotes.

Máscara Negra - Zé Keti, Hildebrando Matos - DALVA DE OLIVEIRA

Máscara Negra

Por que a alegria se banha em lágrimas? Está fazendo um ano foi no carnaval que passou. Eu quero matar a saudade. Deixe que hoje é carnaval, beijar e não levar a mal.

O carnaval são estes encontros marcados, plenos de desencontros. Cheio de marchas rancho para expor tal tristeza.

Até Quarta-Feira - Umberto Silva e Pedro Sete - DISCO DE MARCHINHA

Até Quarta Feira

Meu bem, meu querer, meu duplo, vamos brincar separados. Não tem problema até se passarem três dias. Até quarta-feira.

E se o acaso nos encontrar não o transformaremos em necessidade. Um pra lá e outro pra cá. Assim como se nunca nos houvesse criado esta fantasia.

Pelo menos que seja até toda a tristeza desta canção chegar ao fim.


Voltei! - Osvaldo Nunes

Voltei!


Voltei! Aqui é meu lugar. A saudade era maior e voltei para ficar. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015


Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade tão diminuta entre os dois é a inesperada distância.

Viva e tente esperar que os padrões, as fórmulas e formas se apresentem igualmente as conhece. E quando elas se apresentarem examine o quão diferente são do que se esperava. É que nesta distância, mesmo que diminuta, uma grandeza de eventos sempre acrescenta algo ao imediato anterior.

Por isso teus conhecimentos dogmáticos perdem os pontos fundamentais pelo enxame de segundos que os transformam a partir de uma teia capilar de erros e críticas. Nem apenas essas modificações negativas, mas contribuições positivas que somam questões novas quando a soledade e a monotonia já se insinuavam como verdade.

E creia a história não é aquela dos personagens ilustres. Por isso toneis de elogios se esvaem no asfalto esburacado de uma classe dourando seus privilégios de serem lembrados. Mas a lembrança está no povo. No coletivo. Nesta imensa dimensão da proximidade que é distância universal.

Nem imagens coloridas em movimento, grandes e luminosas edições em papel de alta qualidade conseguem superar a iniquidade da adulação que permeia a narrativa estabelecida. Apenas toque a tela e verás a eminência do povo, num desfile sintético, a carregar o corpo de mestre Antonio Aniceto.

Antonio Aniceto com uma enxada e uma flauta de taboca foi a proximidade maior desta distância que existe para garantir a diversidade do mundo. Mas uma diversidade que existe para se aproximar, se igualar onde a terra para se plantar nunca seja por concessão.

Assim como as surpreendentes orações do Papa Francisco a acabrunhar dogmas.


Então o que se dizer da mais recente declaração do Dalai Lama: “O que diz respeito às crenças sociopolíticas, considero-me um marxista. O marxismo é fundado em princípios morais, enquanto o capitalismo é baseado apenas em ganância e interesse pessoal. O marxismo está preocupado com as vítimas da exploração imposta por uma minoria. O fracasso do regime soviético não foi o fracasso do marxismo, mas o fracasso do totalitarismo.”

"ZERO" - José Nilton Mariano Saraiva

China e Coréia do Sul (lá do outro lado do mundo) se nos apresentam como dois exemplos emblemáticos do poder transformador da Educação rumo ao desenvolvimento de uma nação e, conseqüentemente, da alavancagem de uma melhor condição de vida aos respectivos povos.

E conseguiram alcançar tal desiderato só recentemente (há menos de 50 anos), quando seus dirigentes literalmente “viraram a mesa” ao optarem pela deflagração de uma autentica revolução no seu dia-a-dia, via direcionamento de uma significativa parcela do seu PIB (Produto Interno Bruto) para a área educacional. Tanto é que, hoje, são reconhecidos como potencias mundial e exemplo para as demais nações do planeta. Portanto diletos, bem-vindos e saudáveis filhos da era do conhecimento.

A reflexão é só para lembrar que aqui no Brasil temos o Exame Nacional do Ensino Médio-ENEM, que avalia o conhecimento adquirido dos alunos que concluíram ou estão a concluir o Ensino Médio; serve como método de entrada em diversas universidades públicas substituindo seus respectivos vestibulares, através do Sisu; e é utilizado como critério de avaliação para oferta de bolsas de estudos pelo Governo Federal em universidades particulares pelo Prouni.

Pois bem, na última “seleção-prova” realizada pelo ENEM (dias atrás) dos 6.000.000 de candidatos que participaram, nada menos que 529.000 conseguiram a inacreditável “proeza” de zerar - tirar “nota 0”, sim senhor - na redação. Atestado inconteste da falência do modelo que aí está. Uma vergonha, aqui, na China, Coréia do Sul ou qualquer outra parte do mundo.

Convém ressaltar que muito antes dessa situação calamitosa se materializar, o Governo Federal já sinalizava sua preocupação para com o setor educacional, ao batalhar incessantemente pela alocação dos recursos oriundos da exploração do pré-sal para o Ministério da Educação.

Para que haja a mudança desejada, no entanto, temos de partir do pressuposto de que a “chave do sucesso” está numa varredura completa lá no “ensino médio”: reformando currículos; investindo pesado na formação de professores; incentivando a leitura e além do oferecimento de condições materiais que possam motivar a todos.Trata-se de uma tarefa hercúlea, mas que perfeitamente atingível, conforme já nos mostraram China e Coréia do Sul.

Só assim, a “tragédia” ocorrida no exame do ENEM desse ano servirá do tão necessário empuxo para que a nação ingresse de vez no seleto grupo de nações de primeiro mundo. 

Claro que temos tudo para chegar lá. É só seguir o caminho que China e Coréia do Sul nos apontaram: priorizar a Educação.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Je ne suis pas le bourgeois - José do Vale Pinheiro Feitosa

Je ne suis pas Lula, Dilma, Cardoso, Serra, Bolsonaro, le Pape, le Clergé, le Patriarcha, Le Imam, Le Dalai-Lama.

Como não sou a comissão de frente da multidão que marchou em Paris contra o fuzilamento dos cartunistas e jornalistas do Charlie Hebdo.

Como não sou os apressados que retiraram as charges do Charlie do contexto para tentar provar que eles eram ao contrário do que se diziam.

Como, também, não fui leitor do Charlie, mas sei da linhagem crítica que sua editoria representou para a denunciar a ordem burguesa no mundo todo. Assim como sei que o Charlie tinha lado e o lado numa escrita crítica é sempre polêmico.

Como sei que a crítica ao capitalismo e à ordem burguesa teve, durante os séculos XIX e XX três linhas de ação diferentes. Uma reformista e duas revolucionárias. A social democracia é a que mais adiante foi por ser reformista e aceitável pelo sistema até que o neoliberalismo deu um chega para lá nela. As outras duas são revolucionárias com críticas entre ambas: a anarquista e a comunista.

Como sei que que as palavras anarquismo e comunismo estão inteiramente contaminadas de conteúdo ideológico e de acepções que nada representam de sua matriz. É assim que a luta ideológica se faz, tentando estigmatizar o adversário.

No dicionário que a nossa mente carrega, anarquismo, por exemplo, é quase apenas sinônimo de caos e agora são aqueles jovens vestidos de preto, os black blocs atirando pedras. Ou são aqueles assassinos, sabotadores e terroristas entre o final do século XIX e XX.

Come je ne suis pas les drones et les assassinats sélectif. Estes que são praticados pelas estratégias e táticas do imperialismo e do neo-colonialismo.

Come je ne suis pas le lois de la charia et les martyrs musulmam, esta prática de questionar a ordem por formas isoladas em que se mata mas não se muda nada.

Como denuncio a ação imperialista americana e francesa sobre a Líbia, o Iraque, a Síria, o Afeganistão, o Paquistão, descarregando uma chaga de destruição em que todos se matam sem evoluir em sentido algum, a não ser encharcar o terreno de sangue.

Je suis la liberté, la igualité et les droit humain et la protection sociale.


Como sou a crítica permanente da civilização e seu desenvolvimento além do estágio atual.      

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Amor americano - Los Jaivas - poema de Pablo Neruda

Era a época em que jovens músicos clássicos migraram para o rock. E usando os recursos eletrônicos, especialmente dos sintetizadores, abriram a senda do rock progressivo. Algum tempo após tornara-me parte carioca, passo num dos primeiro shoppings da cidade e escuto um rock progressivo bastante diferente. Com instrumentos musicais andinos. Descobri o conjunto chileno Los Jaivas que ainda hoje está ativo. E eram jovens que faziam uma música nova no país que havia mergulhado na idade média. A era Pinochet não matou o novo. Foi só uma questão de tempo para tudo vir à tona. Esta música que ouviram de um poema de Pablo Neruda fiz uma tradução ao modo das possibilidades. Mesmo que uma ponte, sempre existem outras possibilidades. Afinal é poesia. 

Suba comigo, amor americano. 
Pablo Neruda

Beija comigo as pedras secretas.
A prata torrencial da Urubamba
faz voar o pólen em sua copa amarela.

Voe o vazio da trepadeira,
a planta pétrea, a grinalda dura
sobre o silêncio do costado serrano.
Vem, minúscula vida, entre as alas
da terra, enquanto – cristal e frio, ar golpeado –
apartando esmeraldas combatidas,
oh água selvagem, baixas da neve.

Amor, amor, até a noite abrupta,
desde o sonoro pedernal andino,
até a aurora de joelhos rubros,
contempla o filho cego da neve.

Oh, Wilkamayu de sonoros fios,
quando rompes teus trovões lineares,
em branca espuma, como ferida neve,
quando teu vendaval alcantilado
canta e castiga despertando o céu
que idioma traz ao ouvido apenas,
desarraigada de tua espuma andina?

Quem apresou o relâmpago ao frio
e o deixou na altura encadeado
repartido em suas lágrimas glaciais
sacudido em suas rápidas espadas,
golpeando seus estambres aguerridos  
conduzido em sua cama de guerreiro,
sobressaltado em seu final de rocha?
   
Que dizem teus clarões acossados?
teu secreto relâmpago rebelde
antes viajou povoado de palavras?
Quem vai rompendo sílabas geladas,
idiomas negros, estandartes de ouro,
bocas profundas, gritos submetidos,
em tuas delgadas águas arteriais?

Quem vai cortando pálpebras florais
que vem a mirar desde a terra?
Quem precipita os racemos mortos
que baixam em tuas mãos de cascata
a debulhar sua noite debulhada
no carvão da geologia?

Quem despedra o ramo dos vínculos?
Quem outra vez sepulta os adeuses?

Amor, amor, não toques a fronteira,
nem adores a cabeça submergida:
deixa que o tempo cumpra sua estatura
no seu salão de mananciais rotos,
e, entre a água veloz e as muralhas,
recolhe o ar do desfiladeiro
as paralelas lâminas do vento,
o canal cego das cordilheiras,
o áspero cumprimento do orvalho,
e suba, flor a flor, pela espessura,
pisando a serpente despedrada.

Na escarpada zona, pedra e bosque,
pó de estrelas verdes, selva clara,
Mantur estala como um lago vivo
E como um novo piso do silêncio.

Vem ao meu próprio ser, a alvorada minha,
até as soledades coroadas.
O reino morto vive todavia.

E no relógio a sombra sanguinária
do condor cruza com uma nave negra.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Aprés moi le déluge - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nenhuma frase representa tão bem a ideologia burguesa que essa em que após sua ordem apenas restará o dilúvio. É a fórmula ideológica de cessar toda crítica e qualquer ação para questionar e modificar esta ordem calcada no capitalismo econômico.

Esta ideologia para que cumpra sua sentença é niilista e no extremo tal niilismo sustenta o radicalismo das forças populares a serviço da ordem burguesa. Após o capitalismo, só o vazio e assim amedrontam o povo com a impossibilidade de uma sociedade que promova a justiça social, tenha plena liberdade e que avance a civilização.

Acontece que temos forças produtivas suficientemente desenvolvidas, amplo conhecimento da realidade da natureza e aprendizado suficiente sobre nós mesmos para podermos construir exatamente isso: bem estar, liberdade e contínua crítica da civilização. E não podemos avançar sem que toda a “institucionalidade” burguesa ou agregada a ela seja criticada.

A ideologia niilista da burguesia, vamos dizer um pouco menos, niilista para o mundo sem ela, com ela controlando tudo, apenas resta aos outros o destino neste vale de lágrimas. E isso não é pouco para dizer, especialmente quando o terrorismo do dilúvio é desaguado continuamente na consciência das pessoas.

Por isso seus pensadores, seus soldados e mulas ideológicas tanto temem de algo que não seja a ordem niilista do dilúvio. O bem estar geral é sempre combatido como a corrupção da ordem sem a qual é o dilúvio. A liberdade é sempre combatida como uma degeneração moral em que a moldura é a censura e o paspatur o poder maior. A civilização vista como um carro descendo uma grande ladeira necessitado de enormes freios.

Então tudo que existe é sujeito à crítica. Apenas ela é capaz de orientar os passos dentro de uma ordem que se declara a última fronteira da história (e até já decretou o fim dela).  

TÊNUE E PERIGOSA FRONTEIRA - José Nilton Mariano Saraiva

A priori, e com absoluta convicção, que fique bem claro: assim como meio mundo e a outra banda pensa, também entendemos como vil, inadmissível e covarde, sob qualquer ângulo que se observe, o atentado ao jornal francês (e as mortes daí decorrentes).

No entanto, e já que a questão está posta à mesa, bem que se poderia aproveitar a ocasião para tentar esclarecer dúvidas ou questionamentos pertinentes: afinal, qual o alcance desse tal “direito de expressão” ou “liberdade de imprensa”  ??? Não haveria aí uma certa “subjetividade” caolha, um certo “excesso” de bondade, uma determinada e indesejável “liberalidade”, para com os integrantes de tal segmento ???

Ou o “agredir”, “desonrar” ou “injuriar” publicamente se enquadraria em tais conceitos ??? O “enxovalhar” com outrem, em razão de divergências político-religiosa-cultural, poderia ser considerado algo “normal”, “direito” ou “permissível” ??? A tentativa de incitar terceiros  contra uma determinada instituição, cultura ou crença (e a imprensa tem esse poder, sim), se enquadraria como “aceitável”, mesmo que através de “inocentes” (?), mas, paradoxalmente, ácidas e auto-explicativas “charges-(pseudo)humorísticas” (?) como restou comprovado ser a característica marcante do Charlie Hebdo ???

Não custa lembrar (guardadas as devidas proporções), que por essas bandas algo parecido (na essência) aconteceu recentemente, quando o panfleto da Editora Abril (a revista ÓIA-Veja) antecipou o lançamento de sua edição semanal para manchetar em capa (sem que houvesse nenhuma prova comprobatória) que “Lula e Dilma sabiam de tudo” (sobre os malfeitos da Petrobras). E não só os brasileiros como todos com um mínimo de neurônios consideraram tal iniciativa um autentico “jogo sujo”.

Assim, repetimos a fim que dúvidas não pairem e/ou julgamentos precipitados sejam externados: em sã consciência ninguém é favorável a que qualquer ser humano seja “executado” de forma violenta e covarde por essa iniciativa (falta de respeito a instituições, crenças ou pessoas, literalmente), mas, não seria o caso de se pensar duas vezes (o “escriba”,  lá na origem, quando com o papel à frente e a caneta à mão) antes de tentar “descredenciar de graça e irresponsavelmente” um presumível “adversário” ???

Afinal, se no Ocidente veneramos um ser superior a quem denominamos “Deus” e a ele exigimos respeito, por qual razão lá no Oriente as pessoas não podem venerar e exigir respeito ao “seu” ser superior, denominado “Maomé’ ??? Como aceitar seja ultrajado, gratuitamente ???

Juntando as pontas, a verdade é que é perigosamente imperceptível (sob qualquer ótica), a fronteira entre o “poder” teoricamente albergado no tal “direito de imprensa” ou “liberdade de expressão” e a convivência pacifica de povos de “credos díspares” ou “culturas antagônicas” (até porque os fundamentalistas são, na acepção plena do termo, isso mesmo, fundamentalistas; e, pois, jamais abririam mão dos seus princípios, por mais que os consideremos radicais).  

Assim, embora a comoção que tomou conta de todos (insuflada pela imprensa, sim) com o ocorrido em Paris, seja de certa forma compreensível (afinal, Paris é Paris), também deveria servir de uma séria reflexão sobre os “excessos” do “quarto poder” (a imprensa), antes que dele nos tornemos reféns. A propósito, aqui em Fortaleza, no bairro denominado Bom Jardim, todos os dias uma “carrada” de gente é fuzilada sumariamente e sem piedade, sem que a imprensa repercuta (afinal, assim como Paris é Paris, Bom Jardim é Bom Jardim e... estamos conversados).

Alfim entendemos que antes de adentrarmos e bradarmos tratados sociológicos ou coisa parecida, a respeito, urge que nos questionemos seriamente sobre essa tênue e perigosa fronteira: afinal, qual o alcance desse tal “direito de expressão” ou “liberdade de imprensa”  ??? Seria o mesmo que os “anarquistas” usam para exigirem “democracia”, quando dos seus excessos em manifestações ???

Mas... anarquia e democracia por acaso têm alguma semelhança uma com a outra ??? Não são amazônica e diametralmente opostas ??? Como esconder-se atrás de uma para justificar a outra, se tão paradoxais ???



sábado, 10 de janeiro de 2015

LUPIN, LEMBREI DE VOCÊ! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Que sumiu destas páginas. Não mais vi suas charges e cartuns instigantes. Aquela parte da humanidade que não se encontra na fileira dos contentes. Tinha uma capacidade crítica sintética que é quase um dom na nossa verborragia de todos os dias. 

E Lupin lembrei de você por um acontecimento que nem sei se lhe é uma boa recordação. E nem para os que estiveram no solavanco daqueles dias. Um sentimento de morte e de dor. De integridade desfeita. De agressão ao núcleo mais preservado que se imaginou.

E Lupin tocava exatamente nesta questão. Até os nossos núcleos de preservação já foram invadidos. Tudo virou pop, consumível, rotulado, precificado. Quando até os alicerces que deveriam sustentar uma exuberante doutrina são descobertos para que de suas ruínas se extraiam entradas pagas, aquelas charges publicadas por Lupin disseram o que era necessário.

E por isso retorno a esta questão da crítica. Da coragem de expor todo um terreno instável que ou provoca tragédia por desmoronamento ou deixa as pessoas atoladas à espera que a morte as liberte. 

Pronto Lupin. Era só para fazer um elo entre os últimos dias e aqueles.  

NOVO INCÊNDIO DO REICHSTAG? José do Vale Pinheiro Feitosa

O mundo se espatifou. Morreu gente pra burro. De fome, de bala, de praga, largado, fugindo, morreu gente. A Europa em frangalhos, se matava uns aos outros, mais a uns que a outros só porque o sujeito estava fora da linhagem da grande burrice humana.

Aí a grande guerra acabou. Os estúpidos se olharam no espelho e outros se maquiaram para aparentar outra coisa do que teriam sido. Mas afinal em torno da estripação generalizada, o melhor mesmo seria manter as vísceras no abdome.

Acordo feito e começou uma paz de araque. Um bando de burgueses tecendo regras para tudo. Na igreja, na calçada, na rua, debaixo da escada, nos lupanários a mijar na fidelidade impossível. E esta hipocrisia ficou à amostra.

Foi este acordo de merda, sem futuro e pleno de apenas representações que foi questionado pelos filhos dos operários e da burguesia. Na música pop, nas manifestações de rua, na iconoclastia ampla e geral.

Esvoaçantes vestimentas de hipocrisia rasgadas no cerne da cultura. Tudo, que é sistemático esteve sujeito ao olhar crítico e desarranjador de uma fé que escondia a descrença de tudo que era por medo de ser diferente.

E por aí que vejo a geração, o trabalho, a linha, a sequência do seminário Charlie Hebdo. Estamos falando da cultura que mostrou a arrogância e o embuste de tantos valores feitos apenas para alienar a consciência da realidade.

Vamos ao cerne. Há uma direita raivosa querendo superar as desgraças do capitalismo salvando a alma dos capitalistas. E são estes “cavaleiros do apocalipse” que necessitam de um novo “incêndio do Reichstag” para implantar o autoritarismo raivoso e violentador nos governos europeus.

Este atentado tem tudo menos culpa dos cartunistas. Quem assim andou pensando, escrevendo e falando não consegue esconder o rabo das suas farsas burguesas. Ora se você é muçulmano jamais desenhe Maomé, mas não venha me proibir de desenhar o que desejo desenhar, inclusive Maomé.

É este o limiar do problema. Se algo não pode ser criticado, nada o poderá. Para a crítica não há limite, embora se tenha como certo que este mandato crítico, faz parte do desmascaramento e ao mesmo tempo do aprendizado. Ninguém vai querer ser a seiva de uma civilização degenerada em perdas do faz-de-conta.

A morte do pessoal do Charlie não é apenas a morte privilegiada de europeus. Nisso eu discordo de muitos que analisaram assim. O que se tem por parte disso é que os fascistas são aqueles lá fora, não a revista. E a morte da revista tem o mesmo dom da mudez que existe nos milhares de iraquianos, sírios, afegãs, paquistaneses mortos na ação imperial americana e europeia.


A questão é que a Europa anda rapidamente para o velho cenário turbulento do sofrimento e da perseguição, tudo para salvar os anéis dos senhores do dinheiro. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Será que nossas paixões se diluíram nas águas amazônicas deste continente chamado Brasil? Por que tantas tragédias parecem menores que em outras nações? E falo dos dramas, das dores, das perdas, das corridas ao precipício das nossas condições estaduais.

Mas assim não foi com o Rio Grande do Sul. A simples unidade política do que antes era uma carnificina entre ximangos e maragatos engendrou uma revolução no país inteiro. Ali se vivia na fronteira entre ser e não ser, entre cruzar a linha ou não cruzar. E não cruzaram.

Como o Uruguai cruzou e tornou-se uma cunha perfeita a dividir a bacia do Prata. E nós pouco sabemos de sua cultura. Sabemos de sua história, de ter tido uma educação universal, excelente qualidade de vida e que isso tudo decaiu com a crise dos seus produtos primários.

Que a tragédia se fez em forma de uma ditadura Militar sangrenta, como cá. Que os músicos, poetas, artistas, profissionais liberais, pegaram em armas para superar o impasse e novamente retornarem ao lugar de sua forma na história.

O Uruguai é um tanto argentino, muito gaúcho, mas é sobretudo um encontro dele com a sua alteridade. E até o encontro deles com eles mesmos.


E pouco sabemos da música Uruguaia, seus ritmos variados, suas influências variadas, desde a milonga, passando pelo tango, pela música negra (candombe), por tantos estilos, inclusive latinos em geral e brasileiro em particular. 

Al otro lado del rio - Jorge Dexler 

Com "Al otro lado del rio" Jorge Dexler ganhou um Troféu Oscar de trilha sonora. Para o filme "Diários de Motocicleta" de Walter Salles. Escutem com atenção a letra da música, estamos falando da juventude de Che Guevara tentando conhecer uma alternativa ao lado da vida em que ele se encontrava.  

No quiero hablar de esas cosas - Samantha Navarro

Olhem que música e mulher bonitas! Ficamos com vontade de ouvi-la várias vezes.

Amandote - Jaime Roos

Uma canção por demais experimentada, mas com arranjo e uma voz singular. 


JE SUIS CHARLIE - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ora atravessar a rua de uma cidade se diferencia quando eram carroças e quando automóveis. Isso é: em Nova York, Paris, Londres, na era das carroças o descuido ao atravessar uma rua era fatal. Talvez não no Crato.

O que se tem é que casas de um lado e outro, uma via estreita e concentração de pessoas é o modelo humano que caracteriza a cidade. Os equipamentos, instrumentos e tecnologias mudam muito, mas as cidades são o que são.

Onde quero chegar?

A que o modelo do capitalismo é o mesmo. Tem evolução, recebe novas práticas, acentuam-se as transações, sua logística, facilita eletronicamente sua matemática, mas o velho capitalismo é o mesmo e está em crise. Crise séria. A ponto de pensadores como Wallerstein imaginarem uma passagem ao pós-capitalismo.

Formular o pensador americano que ao entrar em declínio esta ordem se desagregando liberta uma certa emergência (por falta da ordem) ao mesmo tempo em que expande os valores de um pós-capitalismo. Essa dinâmica pode pender para o lado de um sistema mais democrático e igualitário como exatamente para o oposto com um mundo mais hierarquizado, violento e desigual.  

Aí é que entra a política e a consciência de cada um, seja quem for, onde estiver e o que fizer. Estas duas alternativas irão “brigar” pela sucessão de modo que o conjunto histórico compreende o que cada um fizer, a cada momento, e casa assunto que se apresente à nossa realidade.

Estamos novamente na ocasião do poder da politização (consciência) de cada um.

Sobre o atentado em Paris é o que vemos. Compreender duas coisas simples: ele é um atentado político, como é, também, uma armadilha para empurrar a política para o lado da hierarquia, violência e autoritarismo. Essa é a direita da história. Aquela que tem a oportunidade de criar o horror aos migrantes de todos os continentes que estão na Europa.


Como diz a historiadora francesa Maud Chirio: “puro produto do obscurantismo e da tradição da violência fascista contra toda a filosofia das Luzes e do pensamento livre. A sociedade francesa está, portanto, confrontada com dois extremismos que acabam fazendo o jogo um do outro (jihadistas e extrema direita).  

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

ALAHU AL AKBAR (Deus é Grande) - José do Vale Pinheiro Feitosa

Sobre o atentado à revista humorística Charlie Hebdo na França, com o assassinato do pessoal de sua redação, incluindo o editor Charb e alguns cartunistas, entre os quais Cabu e o “Pelé” do cartunismo: Wolinski.

Sobre este atentado.

A razão histórica já tem boas análises do grande historiador Inglês Eric Hobsbawm. Melhor dizendo, sem desconsiderar as variantes fortuitas e conjunturais, ele sintetiza a razão, dos dois grandes conflitos mundiais do século, no liberalismo econômico como uma filosofia totalitária a dominar todas as instâncias sociais, econômicas e políticas.

Agora se conjure a crise do sistema bancário, o desmantelamento das proteções sociais na Europa, o problema energético (somos uma sociedade energizada e pelo petróleo) e mais a velhas rixas religiosas, étnicas e temos um caldo para ferver. Quem imagina o problema da Rússia com a Ucrânia como algo isolado, erra por usar antolhos.

Há hoje, anotem nos seus caderninhos, um grande questionamento dos valores democráticos como construídos após a segunda guerra mundial. Até animais “demofóbicos” andam dizendo que o Brasil vive numa ditadura. E dizem isso como forma de apregoar a ditadura. Para fugir à nau desgarrada da doutrina liberal (laissez-faire) os povos querem organização política para juntar a todos em busca de soluções.

Esta ação agudiza o campo das disputas políticas. O liberalismo controla os meios (mídia, finanças e produção), não cederá, mas a urgência da vida urbana, dependente de dinheiro para acontecer a cada passo que dar, é inquietante. E aí é que na velha, romântica, racional e brutal Europa o problema é politizado como em nenhum outro lugar.

Sempre foi assim. Os EUA passaram a grande recessão numa guerra surda, com levas de miseráveis de um lado para outro nos trens que não paravam de circular, mas sem nenhuma mudança social que não pelos braços do governo Roosevelt. Já na Europa foram os movimentos populares, desesperados, que politizaram a extrema direita, criando o Fascismo (Nazismo) e a fórmula autoritária.

Este atentando contra o Charlie é um atentado da extrema direita contra um jornal de esquerda, progressista, criticava a direita francesa, a ocupação israelense na palestina e propunha pensar o islamismo como um dado da história. Antes do atentado o último número da revista tratava de um romance escrito por Michel Houellebecq, intitulado Soumission, ficção em que o governo de Hollande ao seu fim apenas encontra a alternativa da Frente Nacional (de Le Pen, de extrema direita) ou o poder religioso. Aí o escritor desenvolve uma tese em que para não se deixar a Frente Nacional conquistar o poder, há um acordo para que o partido islâmico vença.

Então o livro é a construção desta suposta era de domínio político do islamismo na França sob um clima nada simpático.  Por isso o livro é tido como uma linha auxiliar da campanha de Marine Le Pen da FN. E desse modo gerou uma forte polêmica e tornou-se capa do Hebdo.  

Apenas se passaram 24 horas e muitas coisas serão esclarecidas ainda. Mas já existem certas evidências. A primeira: fica claro o “profissionalismo” dos atacantes. É gente fortemente treinada. A ação foi fulminante, rápida, arrasadora e até quando escrevo este texto, os principais suspeitos não haviam sido aprisionados. É quase certo que exista uma organização por trás disso tudo.

O ataque interessa às demandas autoritárias e antidemocráticas. Interessa à direita francesa. É um estopim para revoltas populares e para ampliação da xenofobia que já tomou conta de amplos segmentos na Europa. Por parte do governo se verá um endurecimento que extrai liberdades e favorece soluções de cúpula ao invés da construção popular. Enfim a vida em Paris hoje está um pouco mais difícil, especialmente nos ambientes públicos, inclusive o dos meios de transporte coletivo.

As principais mensagens das autoridades pelo mundo, Hollande, Dilma, Cameron, Rajoy, Merk e Obama apontam a questão do ataque à liberdade de imprensa. Mas a questão não é a liberdade específica da imprensa, mas a liberdade como um valor fundamental do indivíduo e do seu modo de socialização, culturalmente, economicamente e políticamente. Aí é que mora a grande questão.

Estaríamos diante de algo parecido com o atentado contra o príncipe herdeiro da Áustria que desencadeou a Primeira Guerra Mundial? Acredito que como rumo político estamos, não necessariamente como estopim de um grande conflito, mas como uma mudança geral na segurança entre as nações, assim como foram os atentados às Torres Gêmeas.

Algo este atentado diz a respeito de uma realidade em que:  “a metade dos principais projetos de óleo xisto dos EUA fica inviável com as cotações a US$ 60,00/barril”; “seis anos de ajuste, Europa enfrenta deflação recessiva, Itália tem desemprego recorde, Alemanha e França assistem a uma espiral de extremismo xenófobo, Grécia inclina-se para a esquerda, Portugal tem 500 mil desempregados e Espanha devastou sua rede de proteção social; “no Brasil indústria automobilística demite mais de mil funcionários.”


*Alahu al Akbar – assim os atacantes gritaram ao entrar e começar a chacina. Na ocasião a frase parecia o sentido de evocar a força maior, mas na realidade, como autores da ação, eles eram o próprio Deus se manifestando.






domingo, 4 de janeiro de 2015

O "DANADO DO XICO" - José Nilton Mariano Saraiva

E o Papa Xico parece que veio mesmo pra ficar.

É que, após investir de forma contundente contra os padres-pedófilos que infestavam (e infestam) a Igreja Católica, recriminando-os publicamente, afirmou: “Não haverá tratamento preferencial quando se tratar de abuso de crianças. Esse é um problema muito sério. Quando um padre comete abuso, ele trai o corpo do Senhor. Um padre deve guiar as crianças pelo caminho da santidade. E a criança confia nele. Se em vez disso, ele abusa dele ou dela, é algo muito sério”, acrescentou, revelando ainda que o Vaticano está investigando vários bispos por crimes relacionados a abuso de menores.
Mais recentemente, durante um desses eventos que reúne a cúpula da Igreja, teceu duras e ácidas críticas (ao vivo, olho-no-olho) aos cardeais medalhões da Instituição, literalmente rotulando-os de desatualizados e preguiçosos, porquanto portadores de “alzheimer espiritual e exibicionismo mundano” (a TV mostrou tudo).

Não esquecer que em dias anteriores, até como forma de provar que a corrupção é uma praga endêmica e que não respeita governos, instituições, países, seitas ou religiões, o Papa Xico já houvera botado pra correr uma cambada de religiosos corruptos e ladrões que de há muito “aliviavam” (roubavam) os cofres do Banco do Vaticano.

Pois bem, nessa semana o Papa Xico houve por bem acusar o recebimento de uma carta subscrita por 26 mulheres italianas, que imploraram sua interferência visando acabar com o tal “celibato”, a fim que pudessem manter relações “normais” (e “não proibidas”, como vige) com os padres-amantes, vinculados à Igreja Católica, a saber: "Caro papa Francisco, nós somos um grupo de mulheres de todas as regiões da Itália que escrevemos para romper a parede de silêncio e de indiferença que nos cerca todos os dias. Cada uma de nós vive, viveu ou gostaria de viver uma relação de amor com um membro do corpo eclesiástico, por quem somos apaixonadas", afirmam as signatárias. As mulheres não revelaram suas identidades nem os nomes dos seus companheiros padres, mas deixaram um número de telefone na correspondência e pediram "com humildade, que alguma coisa mude, não apenas por nós, mas também pelo bem de toda a Igreja". 

Agora, aqui pra nós, não seria mais racional e lógico a Igreja Católica reconhecer que o celibato apenas estimula os padres a cometerem “pequenos delitos” (masturbar-se, por exemplo) e acabar de vez com essa autentica excrescência ??? Afinal, como imaginar que a sexualidade dos padres não se manifeste ao se deparar no recinto da Igreja com aquelas beldades que a freqüentam em trajes sumaríssimos e pra lá de provocantes ???  Será que a depressão que acomete alguns desses padres (inclusive alguns famosos e metidos a cantor) não seria provocada por se obrigarem a esconder já terem tido contato íntimo com alguma mulher, criando-lhe o tal conflito de consciência ???

Sob pressão, em recente pronunciamento o Papa Xico já sinalizou com a possibilidade de discussão sobre o Celibato dentro da Igreja Católica, ao afirmar: “A Igreja Católica tem padres casados, católicos ​​gregos, católicos coptas e no rito oriental. Não é um debate sobre um dogma, mas sobre uma regra de vida que eu aprecio muito e que é um dom para a Igreja. Por não ser um dogma de fé, a porta sempre está aberta" (conforme reproduzido pelo jornal espanhol El País).


Fica a dúvida: e aí, o “danado do Xico” vai mesmo encarar ???