TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

DESVENDANDO MORO - Rogério Cezar de Cerqueira Leite

O húngaro George Pólya, um matemático sensato, o que é uma raridade, nos sugere ataques alternativos quando um problema parece ser insolúvel.

Um deles consiste em buscar exemplos semelhantes paralelos de problemas já resolvidos e usar suas soluções como primeira aproximação. Pois bem, a história tem muitos exemplos de justiceiros messiânicos como o juiz Sergio Moro e seus sequazes da Promotoria Pública.

Dentre os exemplos se destaca o dominicano Girolamo Savonarola, representante tardio do puritanismo medieval. É notável o fato de que Savonarola e Leonardo da Vinci tenham nascido no mesmo ano. Morria a Idade Média estrebuchando e nascia fulgurante o Renascimento.

Educado por seu avô, empedernido moralista, o jovem Savonarola agiganta-se contra a corrupção da aristocracia e da igreja. Para ele ter existido era absolutamente necessário o campo fértil da corrupção que permeou o início do Renascimento.

Imaginem só como Moro seria terrivelmente infeliz se não existisse corrupção para ser combatida. Todavia existe uma diferença essencial, apesar das muitas conformidades, entre o fanático dominicano e o juiz do Paraná -não há indícios de parcialidade nos registros históricos da exuberante vida de Savonarola, como aliás aponta o jovem Maquiavel, o mais fecundo pensador do Renascimento italiano.

É preciso, portanto, adicionar um outro componente à constituição da personalidade de Moro -o sentimento aristocrático, isto é, a sensação, inconsciente por vezes, de que se é superior ao resto da humanidade e de que lhe é destinado um lugar de dominância sobre os demais, o que poderíamos chamar de "síndrome do escolhido".

Essa convicção tem como consequência inexorável o postulado de que o plebeu que chega a status sociais elevados é um usurpador. Lula é um usurpador e, portanto, precisa ser caçado. O PT no poder está usurpando o legítimo poder da aristocracia, ou melhor, do PSDB.

A corrupção é quase que apenas um pretexto. Moro não percebe, em seu esquema fanático, que a sua justiça não é muito mais que intolerância moralista. E que por isso mesmo não tem como sobreviver, pois seus apoiadores do DEM e do PSDB não o tolerarão após a neutralização da ameaça que representa o PT.

Savonarola, após ter abalado o poder dos Médici em Florença, é atraído ardilosamente a Roma pelo papa Alexandre 6º, o Borgia, corrupto e libertino, que se beneficiara com o enfraquecimento da ameaçadora Florença.


Em Roma, Savonarola foi queimado. Cuidado Moro, o destino dos moralistas fanáticos é a fogueira. Só vai vosmecê sobreviver enquanto Lula e o PT estiverem vivos e atuantes.

Ou seja, enquanto você e seus promotores forem úteis para a elite política brasileira, seja ela legitimamente aristocrática ou não.


ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, físico, é professor emérito da Unicamp e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e do Conselho Editorial da Folha.

sábado, 8 de outubro de 2016

QUANDO PAUL MC CARTNEY ESTEVE AQUI - Dr, Demóstenes Riveiro (Cardiologista)


Ao saber do show do Paul McCartney em Fortaleza, Sindyjeine, minha mina mais recente, não me deixou em paz. Ela iria de qualquer jeito, pouco importava o preço do ingresso, e ficaria no melhor lugar – eu que me virasse!

Aos sessenta anos, tentei derrotar o destino e inutilmente argumentei que ela merecia repouso pela gravidez avançada, que havia despesas médicas inevitáveis e que tudo era extremamente caro. No entanto, não sei o que fez, mas ela conseguiu com o meu patrão o pagamento antecipado das minhas férias e do décimo-terceiro salário.

Daí em diante, não sossegou mais. O tempo inteiro ouvia Beatles e Paul McCartney, colocou um piercing no nariz, comprou um par de botas e tatuou “Imagine” bem no final das costas. No dia do show, pegamos um táxi e enfrentamos o desconforto da multidão. Por entre bacanas barrigudos e madames deslumbradas, eu me dei por vencido e, com a periguete cada vez mais louca, ingressei no camarote.

Macca” entrou no palco e eu vi um ser iluminado. Ele logo incorporou o garoto do Cavern Club e, na explosão de luz e som que se seguiu, deixou a multidão extasiada. Quando tocou Get Back,” a gata botou boneco, vibrou como nunca e se endiabrou numa dança diferente, saltitando que só uma guariba.

Paul, visivelmente saudoso, não esqueceu os companheiros que se foram. Ao violão, em “Here Today,” homenageou John Lennon; para George, tocando o que parecia um cavaquinho, deu uma volta por “Something” e quando a banda entrou com o inesquecível solo de guitarra, eu me comovi e fui às lágrimas; e foi emocionante quando ele se ergueu numa plataforma e cantou “Blackbird,” aquele protesto sutil contra a discriminação racial.

Quando rolou “All my loving,” não segurei a nostalgia, beijei de novo a garota e voltei a um tempo distante quando “Os Águias de Barbalha” começavam e encerravam o baile ao som de “From me to you.” Sindyjeine não se cansava e se empolgou como nunca com o refrão de “Hey Jude.” Passava a mão na barriga e disse que essa canção iria embalar “Maquinha,” - o irmãozinho de Jimmy - que chegaria em breve.

Depois de tanto agito, na volta pra casa, terminamos num hospital. Ela entrou em trabalho de parto e a criança nasceu prematura. O bebê é uma menina. Achei muito esquisito, pois a neném tem o olho puxado, Sindyjeine é um tipo bem cearense e eu não conheço nenhum parente oriental. Ela acha que foi o efeito do uísque, das bolinhas, do baseado antes do show ou presepada de alguma entidade.

A danadinha se chamará Yoko, mas ainda estou completamente atordoado. Prevendo zombaria, recorri a minha mãe. Quem sabe, ela soubesse de algum familiar distante no Japão e, assim, eu ficaria sossegado. Mas a velha negou essa possibilidade. Afagou a minha testa, sorriu de leve e disse compassivamente: meu filho, crie juízo e nunca mais se meta com menina nova!




















terça-feira, 4 de outubro de 2016

VITÓRIA ACACHAPANTE - José Nílton Mariano Saraiva


Embora as pesquisas divulgadas horas antes do pleito garantissem que os dois candidatos estavam “rigorosamente empatados” (41% a 41% nos votos totais e 48% a 48% nos votos válidos), após a abertura das urnas o que se viu foi algo totalmente diferente: o candidato José Aílton Brasil obteve contundentes 58,78% enquanto o adversário Samuel Araripe amealhou sofríveis 38,38% ou 20,40% de diferença (13.097 votos a mais, ante o comparecimento de 72.344 votantes).

Algumas constatações podemos extrair de tais números:
01) que, os “científicos” institutos de pesquisa não merecem a credibilidade que lhe querem atribuir, daí o erro retumbante nos números do Crato (se foram ou não manipulados, não se pode afirmar, embora se possa desconfiar);

02) que, se tivesse feito uma administração pelo menos razoável durante os 08 anos em que ficou à frente do município, o senhor Samuel Araripe teria feito um melhor papel na tentativa de voltar ao paço municipal;

03) que, o referido e experiente senhor parece ter apostado na velha máxima de que “o povo tem memória curta”, daí ter tido a coragem de voltar a candidatar-se, depois da tragédia que foram os seus dois mandatos à frente da municipalidade, quando comprovadamente o Crato quase que se acaba;

04) que, após anos e anos, a população do Crato finalmente parece ter acordado de vez para a importância e o valor do voto – ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA - daí não mais aceitar sufragar alguém em razão unicamente de ser de “família tradicional” (o senhor José Aílton Brasil é filho de um agricultor do distrito de Dom Quintino, enquanto o adversário compõe umas das elitistas famílias cratenses).

Fato é que ressurgem as esperanças de que o Crato possa finalmente sair do atoleiro colossal em que está metido já há bastante tempo, por conta dos equívocos da sua população quando chamada a escolher o gestor da cidade. E aqui há que se destacar a imensa responsabilidade de senhor José Aílton Brasil e seu vice, André Barreto Esmeraldo, depositários de um transatlântico de votos de felicidade dos munícipes.

É agora ou nunca. O Crato tem jeito. É só tratarem de recolocá-lo nos trilhos. A VITÓRIA “ACACHAPANTE” do dia 02.10.16 foi só o primeiro passo. Boa Sorte, é o mínimo que podemos expressar.




sexta-feira, 30 de setembro de 2016

JUDICIÁRIO - UM PODER "AVACALHADO" - José Nílton Mariano Saraiva

Já se sabia que o Poder Judiciário brasileiro faz tempo que abdicou da nobre função de “guardião” da Constituição Federal para tornar-se num antro de conveniências e conchavos mil, além de potencial receptor de propinas e mimos de toda ordem, objetivando beneficiar quem tem “bala na agulha” (a bandidagem de alto coturno ou pessoas de influência).

E um exemplo grave aconteceu aqui mesmo em Fortaleza (atualmente é manchete dos principais jornais), quando Desembargadores de “plantão” nos tribunais da vida (ajudados por cerca de 40 advogados) em finais de semana adotaram a “praxe” de conceder habeas corpus “a granel” a bandidos (traficantes de alta periculosidade) ao “módico” preço de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais, a “unidade”). E isso, descobriu-se agora, já dura cinco anos, pelo menos.

Fato é que, até ser descoberta a maracutaia, um festival de habeas corpus pôs na rua a nata da criminalidade, enquanto as “excelências togadas” se locupletavam junto às famílias por esse mundo afora (só um dos Desembargadores concedeu cinco deles em um único final de semana). Quando descobertos, e após julgados (quando o são) o “castigo” é uma verdadeira dádiva para Suas Excelências: são aposentados, compulsoriamente, recebendo o salário integral (algo em torno de R$ 35.000,00 mensais), além de plano de saúde e por aí vai.

Se direcionarmos os holofotes para o Sul do país, uma outra constatação da falência do nosso Judiciário: após o surgimento da Operação Lava Jato, um juiz de primeira instância consegue centralizar em sua Vara de Curitiba todos os processos que se referem à corrupção, independentemente de que ocorra no Acre, Ceará ou Rio Grande do Sul. Ou seja, para combater tal tipo de crime, o Brasil só tem um único juiz: Sérgio Moro.

E aí aconteceu o inevitável: deram tanto corda ao próprio, que ele se achou no direito de esquecer que temos uma Carta Maior, estuprando-o diuturnamente; assim, acabou a presunção de inocência, não mais existe necessidade de provas pra se condenar alguém (basta que o juiz tenha “convicção” que fulano ou beltrano é culpado), a condução coercitiva é feita na marra (sem necessidade de qualquer notificação antecipada ao suposto suspeito) e, enfim, o Estado Democrático de Direito foi pro beleléu, escafedeu-se. Com um agravante: as ações de Sua Excelência são seletivas e priorizam, comprovadamente, um único partido, o PT, em sua “caçada implacável”.

Em condições normais, ao Supremo Tribunal Federal caberia por um freio em Sua Excelência, mostrar-lhe os excessos e arbitrariedades praticadas e, enfim, fazer-se respeitar como poder autônomo. O que vimos, entretanto, foi decepcionante: aquela egrégia corte nega-se a julgar o “mérito” das questões, adstringindo-se a examinar tão somente o “rito” processual. Autentica cafajestice, que resultou no golpe que afastou uma Presidenta da República eleita com 54,5 milhões de votos, sem que os que a sufragaram tenham sido consultados.

Fato é que Sérgio Moro, incensado por uma mídia desonesta e embevecido pelo apoio de parte da população acrítica, chegou ao clímax da desonestidade e abuso: gravar uma conversa da Presidenta da República e depois publicizá-la através da mídia. E a única atitude de um dos membros do STF (os demais omitiram-se), foi repreendê-lo, sem maiores consequências.

Insatisfeitos e visivelmente incomodados com a baixaria do juiz, 19 advogados de escol solicitaram ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região a instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o juiz Sérgio Moro, na oportunidade sugerindo o seu afastamento cautelar da jurisdição até a conclusão da investigação, por conta dos abusos perpetrados.

E aí deu-se a excrescência: o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, houve por bem arquivar tal pedido, sob o argumento de que... “a Operação Lava Jato constitui um caso inédito no Direito brasileiro, com situações que escapam ao regramento genérico destinado aos casos comuns” e, portanto, em tal contexto, não se pode censurar o magistrado, ao adotar medidas preventivas da obstrução das investigações”. Em português claro e cristalino: segundo Suas Excelências, embora as atitudes do Moro sejam flagrantemente ilegais e inconstitucionais... “são aceitáveis porque a Lava Jato é algo muito maior que a própria Constituição Federal”.

Face o exposto, uma alternativa seria o PT e o próprio ex-presidente Lula da Silva forçarem a barra e partirem para a ofensiva, através da impetração de uma ação substantiva e consistente junto ao omisso, medroso e covarde Supremo Tribunal Federal, forçando-o (o Supremo) a vir para o centro do ringue manifestar-se á sociedade sobre (se a Constituição Federal ainda tem alguma validade, ou se daqui pra frente será usada apenas como papel higiênico).

Por hora, a conclusão irretorquível é que no Brasil dos dias atuais vige um ESTADO DE EXCEÇÃO, para o qual decisivamente contribuiu a nossa avacalhada Suprema Corte.

Alguém tem alguma dúvida ???


terça-feira, 20 de setembro de 2016

DE: SÉRGIO MORO - PARA: SÉRGIO MORO (José Nilton Mariano Saraiva)

Se alguém por essas bandas (Brasil) duvidava que o deprimente espetáculo patrocinado meses atrás pela Câmara Federal para aprovar a cassação (sem crime de responsabilidade) da Presidenta Dilma Rousseff, algum dia poderia voltar a acontecer, dada à palhaçada de que se revestiu e a consequente repercussão negativa resultante, quebrou a cara.

Nem o banco esfriou e a “República de Curitiba” não só o bisou, como tratou de armar um circo bem mais amplo e repleto de holofotes, que abrigasse a imprensa nacional e internacional, com direito a um sem número de “transparências” (power point), mas com um só mote: acusar Lula da Silva de ser o “maestro”, o “general” e o “comandante” de todas as ações irregulares havidas no decorrer dos tais “mensalão” e “petrolão”.

E aí, empolgado e visivelmente picado pela mosca azul, o pastor evangélico Deltan Dallagnol, com o seu ar messiânico, não economizou nos adjetivos e deitou falação sobre a culpabilidade de Lula da Silva nos dois processos e, alfim, antecipou ali mesmo o veredicto final: deve ser preso e pagar por tudo aquilo. Bastou, entretanto, que um repórter mais perspicaz fizesse uma simplória pergunta para que o circo literalmente desabasse: “Doutor, e as provas ???”. E a resposta foi um misto de bizarrice e hilaridade: “Não temos prova, mas temos convicção”.

Ou seja, sem tirar nem por, aconteceu exatamente o que presenciamos no julgamento do tal “mensalão”, quando a ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, inquirida sobre a existência de provas, disparou: “Não tenho prova cabal contra o Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. E assim foi feito, vapt-vupt. Sem cuspe.

Fato é que, apesar do vexame propiciado por Dallagnol e sua troupe na apresentação da denúncia contra Lula da Silva, ela tem toda a chance de ser aprovada e, enfim, se anuncie a prisão do ex-presidente, e por uma razão simplória: existe uma gritante anomalia na “República de Curitiba”. Lá, Sérgio Moro manda e desmanda, casa e batiza, bate e assopra e, enfim, determina como e quando as coisas devem acontecer. Dallagnol e demais procuradores do Ministério Público não passam de caixa de ressonância, ouvintes atentos e cordeirinhos amestrados prontos a executar o que o Juiz lhes determinar; Moro e o Ministério Público Federal curitibano são como carne e unha, visceralmente ligados, constituem uma mesma entidade, agem em conjunto, se confundem.
Assim, não há que se duvidar que o próprio Sérgio Moro instrua-os como devem apresentar a denúncia e por onde seguir. Ou seja, o que Dallagnol envia para o Sérgio Moro é o que o Moro lhe enviou para que seja devolvido em forma de denúncia. Ou mais precisamente: seria uma espécie de correspondência de MORO para MORO (com tabelinha do procurador). Não há, pois, como referida denúncia não ser aceita, apesar da comédia pastelão patrocinada pelos procuradores curitibanos. Simplesmente porque em assim acontecendo, Moro estaria a negar o próprio Moro. 
 
Em razão de tais arbitrariedades, a pergunta que então se impõe é: afinal, para que serve mesmo o “livrinho” (Constituição Federal) ??? Para que serve um Supremo Tribunal Federal cuja missão maior é exatamente ser o “guardião” do livrinho, fazendo-o ser respeitado ??? Ou o marginal Sérgio Machado estava coberto de razão quando disparou: “Nunca tivemos um Supremo tão merda como esse”.

A conferir.

domingo, 18 de setembro de 2016

HORA DE REFLEXÃO - José Nílton Mariano Saraiva

Se até um “gari” de qualquer prefeitura desse Brasilzão afora sabe que é ilegal gravar alguém sem a competente autorização judicial, como entender que um cidadão com graduação em Direito e, ainda por cima, tabelião e todo poderoso dono de um dos maiores cartórios de Fortaleza (mesmo que por herança) se disponha a fazê-lo e, posteriormente, veicular a gravação ilegal em uma emissora de grande audiência, objetivando prejudicar um adversário político ???

Pois foi exatamente o que aconteceu no Crato, meses atrás, quando o ex-prefeito da cidade, Samuel Araripe (e aliados), houve por bem gravar o vereador Dárcio Luiz de Souza, ex-correligionário e atual desafeto político, objetivando obter informações que prejudicassem o seu sucessor (com o agravo de que o vereador em questão se achava comprovadamente “embriagado”).

A reflexão, asquerosa e triste, mas verdadeira (já que amplamente divulgada pela mídia), é só pra lembrar que, como nas demais cidades brasileiras, nos próximos dias a população do Crato será convocada a escolher aquele que comandará os destinos da cidade nos próximos 04 anos. E aí, pode ser que a “praga” que se abateu sobre nossa cidade, já há mais de 40 anos, reapareça: por pura irresponsabilidade ou burrice siderúrgica dos seus habitantes, à frente do município ascendem pessoas despreparadas e sem o mínimo tino para alavancar o município, daí a situação vexatória em que nos encontramos.

Sim, porque se observarmos que, agora, na vizinha Juazeiro do Norte, o muito bem articulado “cratense” Arnon Bezerra pontua como favorito para se tornar prefeito da cidade (com perspectivas de fazer uma grande administração, como já se tornou praxe por lá, daí o “pool” desenvolvimentista inquestionável dos últimos anos), em Crato temos a candidatura daquele que em 08 anos à frente da municipalidade a fez regredir pelo menos 80 anos, exatamente pelo isolamento político, pela não alinhamento com o Governador do Estado (quem poderia ajudar a cidade) e outras autoridades, e enfim, por ser desprovido da necessária vocação para gerir a coisa pública”, além de capaz de atitudes abjetas como a acima narrada.

E, agora, com um “detalhe” digno de registro: como candidato a vice, temos um cratense que passou quase toda a vida curtindo as praias cariocas, sem nem lembrar da terra natal; uma espécie de “Playboy do Leblon” (Aécio Neves) piorado e que, não mais que de repente, por pura conveniência, descobriu que o Crato existe.

No mais, é fácil constatar a inaptidão do gerir a coisa pública por parte do ex-prefeito e atual candidato. Basta atentar para o que o Crato perdeu ou deixou de ganhar naquele período: o Sesi, o Sebrae, o Campus da UFC (embrião da Universidade Federal do Cariri), a Delegacia da Polícia Federal, o Hospital Regional do Cariri, a Procuradoria da República, o Centec, a Justiça do Trabalho, o Centro Cultural do BNB e por aí vai, sem esquecer também o criminoso fechamento de diversas escolas municipais, tanto na cidade como nos distritos e zona rural.

Alguma aleivosia ?? Estamos a falar alguma inverdade ???

Enfim, o momento é grave e requer uma definição corajosa: ou o cratense se “toca” que a sua “principal arma” (o voto) deve ser usada de forma racional e séria, visando o bem comum e objetivando “sacudir” a cidade de vez, ou vamos continuar nessa lengalenga que levou o Crato à condição de “satélite errante” ou “cidade dormitório” da cidade vizinha.

Vamos refletir sobre ???


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

"DARCY RIBEIRO"

Assim era o grande Darcy Ribeiro.
E assim não são outros...
Que exemplo, não, Min. Barroso?
Aliás, olha o que mais ele costumava falar:


Como Darcy é atual, não? Tanto as suas lutas, como as suas “derrotas” e as suas lições. Sem falar, é claro, do exemplo de vida.
Chefe da Casa Civil de Jango... criador do Parque do Xingu... fundador da UnB... idealizador dos CIEPs, com educação em tempo integral para os pobres... Senador...
E pode terminar a sua vida colecionando tamanhas “derrotas”.
Bem-aventurado! Esse entrou para a História pela porta da frente!

terça-feira, 6 de setembro de 2016

A "RESSURREIÇÃO" - José Nílton Mariano Saraiva

Como o juiz Sérgio Moro e seus procuradores se tornaram uma espécie de “heróis nacionais”, e os bandidos “delatores” da Lava Jato uma espécie de “Maria Madalena”, passível de perdão e dignos de toda a credibilidade (Paulo Roberto, Cerveró, Pedro Barusco, Delcídio, Fernando Baiano e por aí vai) urge atentar para a gravíssima declaração prestada pelo ex-Senador Delcídio do Amaral a repórter Malu Gaspar, da Revista Piauí, em junho passado, durante um almoço na casa do irmão, onde narrou o “método” utilizado contra ele a fim de convencê-lo a iniciar, logo logo, o processo de “deduração”: de acordo com o explicitado, teria ficado trancado em um quarto sem luz, na PF de Brasília, que enchia de fumaça do gerador do prédio e que "aquilo encheu o quarto de fumaça, e eu comecei a bater, mas ninguém abriu. Os caras não sei se não ouviram ou se fingiram que não ouviram. Era um gás de combustão, um calor filho da puta. Só três horas mais tarde abriram a porta. Foi dificílimo", Daí, dali ter saído direto para uma conversa com Sérgio Moro. Isso parece verossímil, já que é do conhecimento público que o juiz Sérgio Moro ignora a presunção de  inocência, prende sem provas, rebola o sujeito no fundo de uma cela deixando-o praticamente incomunicável, numa clara forçação de barra a fim de forçá-lo a delatar, conforme confirmou o procurados da próp´ria Lava Jato, Manoel Pastana, que enalteceu o modus operandi morista: "para o pássaro cantar, ele tem que ser enjaulado". Ante o exposto, e face a credibilidade que boa parte da população empresta aos "respeitáveis bandidos delatores", cabe indagar: temos aí, no método utilizado contra o Delcídio, em pleno século XXI, uma espécie de "ressurreição" das câmaras de gás dos campos de extermínio nazista (aqui individualmente), ou tudo não passa de mera coincidência ??? Afinal, a confirmar-se o que foi atribuído ao Delcídio do Amaral, em português cristalino e contundente, ele afirmou com todas as letras ter sido TORTURADO. Será verdade ???







domingo, 4 de setembro de 2016

HERÓI - Dr. Demóstenes Ribeiro (Cardiologista)

Quando eu cheguei ao Rio de Janeiro, depois de longa viagem, o Brasil já estava na guerra. Desempregado, me alistei voluntário e sonhava retornar como herói. Stalingrado, Normandia, Monte Castelo e Montese não me saíam da cabeça. A toda hora eu me via triunfal, entrando em Berlim com o Exército Vermelho e atirando no nazismo o disparo final.

Logo a guerra acabou e arranjei trabalho. Comecei como aprendiz de mecânico e, vagando pelos cabarés da Lapa, conheci João Cândido, mestre-sala dos mares, o navegante negro, um mito entre os boêmios do lugar. Mas, o sonho agora era voltar pra casa.

Um dia, voltei e a cidade quase não mudara. O campo ia invadindo a periferia e a miséria continuava. Alguns coronéis espertos e seus descendentes brigavam pela prefeitura. Desde aquela época, roubar o dinheiro público era um bom negócio.

E fui recebido com admiração inesperada. Não me fizeram perguntas, pareciam saber tudo a meu respeito. Envolveram-me com uma aura imerecida e que eu não entendia muito bem. Vai ver, alguém espalhou que eu lutara na Itália e que no combate matara um oficial alemão, trazendo a sua máuser como troféu.

Sossegado, eu vivia de pequenos trabalhos na oficina. No aniversário do município ou no Sete de Setembro, estava sempre à frente do desfile com a farda de ex-combatente e a minha pistola. Era um tempo democrático. Pelo rádio de pilha e pelo jornal “Novos Rumos,” ouvi falar da Revolução Cubana e de justiça social. Outros também ouviram e formamos um pequeno grupo. Nos dias de feira, eu, Aéri, Zé Cadete... A gente reunia alguns trabalhadores e conversava sobre liga camponesa e reforma agrária, salário e carteira profissional.

A vibração foi grande quando Jânio renunciou e Brizola garantiu a posse de Jango. O socialismo parecia perto e, no delírio, não enxergávamos a marcha da reação. Veio o golpe militar e tudo mudou. Segundo delatores e oportunistas, nós e outros camaradas daríamos apoio aos guerrilheiros da serra do Araripe. Quando eles chegassem, o prefeito e o delegado, o padre e o juiz, o sacristão e as beatas mais fanáticas não escapariam do paredão. Fui preso, tomaram a minha máuser e nunca mais eu pude desfilar.

Agora, Dilma caiu, Prestes está morto, Cuba agoniza e a União Soviética não há mais. No entanto, a miséria sertaneja, as favelas, a violência urbana provam que eles não venceram e a evolução da história é inevitável: cedo ou tarde, o socialismo democrático vingará.

Não sou nem fui herói. Mas, se não me perguntaram, por que eu iria destruir a fantasia de quem era dono tão somente de ilusões? Na verdade, jamais estive na Itália, nunca mataria alguém e aquela pistola eu comprei de um velho malandro na Praça Mauá.






sexta-feira, 2 de setembro de 2016

"SÓ NO CRATO MESMO" - José Nilton Mariano Saraiva



SÓ NO CRATO MESMO” - José Nílton Mariano Saraiva
  
Objetivando prevenir futuros colapsos hídricos em Fortaleza, por conta dos periódicos e inclementes períodos de estiagem que assolam o Ceará (desde sempre), o então governador do Estado, Tasso Jereissati, começou a construir (em 1995) o açude Castanhão (com capacidade de armazenamento de 6.700.000.000 m³), a aproximados 250 quilômetros da capital (foi concluído em 2002).

À época, estudos técnicos detalhados sobre a melhor localização para uma obra de tamanho vulto e importância chegaram à conclusão que a opção adequada seria a região jaguaribana e, ainda assim, com uma péssima notícia para os habitantes da pequena cidade de Jaguaribara: a área a ser inundada, para servir de leito e represar as águas futuras que privilegiariam a capital do Estado deixaria aquela urbe definitivamente submersa (para trás, pois, ficariam os restos mortais dos entes queridos, os templos religiosos tradicionais, suas concorridas praças, suas memórias e por aí vai). Foi um drama, com choros, velas e ranger de dentes, mas que, finalmente, contou com o “aprovo” da Assembleia Legislativa Estadual. Prego batido, ponta virada.

Assim, depois do processo de convencimento da população e das indenizações respectivas, a cidade de Jaguaribara e seus habitantes foram REMANEJADOS para uma cidade novinha em folha, planejada, projetada e construída com esmero e cuidados, evidentemente que acima do nível do futuro reservatório e mantendo a denominação original.

A reflexão é só para lembrar que a RELOCALIZAÇÃO de qualquer pequena comunidade e/ou de uma cidade de maior porte, com o concomitante REMANEJAMENTO dos seus habitantes, só pode ser feita se comprovadamente o interesse público prevalecer e falar mais alto (como se deu em Jaguaribara) ou se houver uma hecatombe natural que obrigue ou expulse os moradores daquela área (tsunamis, terremotos, etc).

Pelo que se sabe (apesar de a história registrar que ali já foi “mar” milhões de anos atrás, e os fósseis da vizinha Santana do Cariri comprovariam isso), atualmente a cidade do Crato não se acha em possível “área de risco”, não existe nenhuma “falha geológica” em seu subsolo ou mesmo algum indício que indique uma futura catástrofe e, portanto, teórica e tecnicamente estamos livres de uma RELOCALIZAÇÃO indesejada (continuaremos, ad finem, ao sopé da Serra do Araripe).

Mas, como o “Crato é final de linha”, já que “só vai ao Crato quem tem negócios lá”, é difícil entender por qual razão o autor de tão contundente depoimento (o então prefeito da cidade Samuel Araripe ao tentar justificar, em 2009, o marasmo e fracasso da sua administração) insiste em voltar à sua prefeitura, onde reinou durante oito (08) anos, durante os quais a cidade regrediu oitenta (80); afinal, o que o Crato perdeu e/ou deixou de ganhar naquele período, face o isolamento político do seu mandatário ou sua não vocação para a coisa pública, foi algo de extraordinário: o Sesi, o Sebrae, o Campus da UFC (embrião da Universidade Federal do Cariri), a Delegacia da Polícia Federal, o Hospital Regional do Cariri, a Procuradoria da República, o Centec, a Justiça do Trabalho, o Centro Cultural do BNB e por aí vai, sem esquecer o criminoso fechamento de diversas escolas municipais, tanto na urbe como nos distritos e zona rural.

Destaque-se, que já àquela época o então prefeito não contava com o apoio do Governador do Estado (que certa vez, abandonando o protocolo e remetendo às calendas gregas o respeito institucional, sem se fazer anunciar antecipadamente chegou a circular pela cidade sem dar a mínima para o prefeito), embora contasse com o apoio do Senador Tasso Jereissati; e, hoje, coincidentemente, a mesma coisa acontece: novamente não tem o apoio do atual Governador do Estado (um filho do Crato) e continua vinculado ao Senador Tasso Jereissati.

Em resumo: como definitivamente o Crato não será RELOCALIZADO e o candidato não contará com o apoio do Chefe do Executivo Estadual, quem tem um mínimo de “consciência crítica” é levado a imaginar que a tendência natural é que o resultado seja o mesmo: marasmo, retrocesso, atraso, involução.

Não custa lembrar que o alheamento, passividade e descompromisso do seu povo para com a cidade (principalmente em épocas de eleição) é que levaram o Crato à lamentável condição de “cidade-dormitório” das urbes vizinhas (Juazeiro e Barbalha) e pode ser sintetizada no bordão que, inadvertida ou pateticamente, seus habitantes repetem até com certo orgulho (?): “só no Crato mesmo”.

Cabe, então, o questionamento: será que “só no Crato mesmo” a população reconduzirá ao trono alguém que foi comprovadamente reprovado no passado, em termos administrativos gerenciais ???

domingo, 28 de agosto de 2016

"CARTÓRIOS", PARA QUÊ ??? - José Nílton Mariano Saraiva

Na antiguidade, “cartórios de registro de imóveis” eram responsáveis por emitir documentos de fé pública, atestatórios da legalidade e da certeza de que qualquer mortal comum era, sim, proprietário legítimo de um dado imóvel, sobre o qual exerceria plenos poderes.

Assim, o ato de compra, venda ou simples aquiescência em ser fiador de alguém numa transação imobiliária de aluguel, só se realizaria ou validaria se o “cartório de registro de imóveis” emitisse o competente “registro” comprobatório da “propriedade” do referido bem.

Como, entretanto, vivemos outros tempos, onde um juizeco de primeira instância (Sérgio Moro) estupra diuturnamente a Constituição Federal, contando com a omissão e passividade criminosa do próprio Supremo Tribunal Federal, isso já não é possível (na verdade, o “ex-guardião” da nossa Carta Maior acoelhou-se, vergonhosamente abriu as pernas e se deixou usar; tanto que a “agenda” do STF quem determina é o Moro, o ritmo da dança é o Moro que impõe).

Assim, se você aí do outro lado da telinha acha é o “proprietário” do apartamento, casa ou sítio que adquiriu depois de “ralar” muito, de economizar trocados anos e anos até, finalmente, poder adquirir e quitar seu imóvel, é bom tirar o cavalinho da chuva; o juizeco Sérgio Moro e seus raivosos procuradorezinhos de Curitiba, pode muito bem decidir que não, que na realidade o “proprietário” é uma outra pessoa, que você talvez nem conheça (estamos TEMERosos, a respeito).

Em São Paulo, por exemplo, os senhores Fernando Bittar e Jonas Suassuna estão na iminência de perder um sítio adquirido anos atrás e devidamente registrado no cartório de registro de imóveis competente (e o “registro” de propriedade foi exibido publicamente), simplesmente porque o juiz Sérgio Moro “cismou” que o real dono é o ex-presidente Lula da Silva e sua mulher Marisa, que o frequentam com assiduidade, a convite dos donos. Ou seja, o documento emitido pelo cartório competente não tem nenhuma validade, é falso, irrelevante, não condiz com a realidade. O que vale é o que “pensa” Sérgio Moro, mesmo que não tenha nenhum documento sobre, a fim de comprovar suas ilações (bom lembrar, que o mesmo modus operandi foi usado para atribuir a propriedade de um apartamento na praia de Guarujá ao ex-presidente, embora não haja nenhum registro, a respeito e, agora, tenha surgido a proprietária do próprio).

Fato é que o golpe perpetrado por políticos corruptos e comprovadamente ladrões, visando destituir uma presidenta democraticamente eleita com quase 55 milhões de votos, contou com a inestimável e decisiva colaboração dos “togados” do Supremo Tribunal Federal, que desde o começo chancelaram as arbitrariedades patrocinadas por uma juizeco-partidário e que tem como objetivo maior inviabilizar a candidatura invencível de Lula da Silva, em 2018.

Agora, “dose” é você ter que aguentar um Aécio Neves (atolado até o pescoço nas falcatruas de Furnas e Petrobras), o Cássio “procrastinação” Cunha Lima (que foi cassado quando governador da Paraíba, por roubo), um Agripino Maia (também comprovadamente ladrão do erário), um Aloisio “300 mil” Nunes (que recebeu dinheiro do assalto à Petrobras), um Michel Temer (que atuou com desembaraço - $$$ - nas “docas” de Santos), um Ronaldo Caiado (acusado de manter empregados em regime de escravidão) e por aí afora, virem a público para atacar uma pessoa honrada como a presidenta Dilma Roussef.

Alfim, a constatação horripilante: “cartórios de registro de imóveis” hoje são desnecessários, já eram, não têm mais qualquer validade e não mais merecem fé pública. O que vale agora é o que o juiz Sérgio Moro pensa e determina (e tudo por culpa do Supremo Tribunal Federal).




sábado, 27 de agosto de 2016

É GOLPE

Editorial do Le Monde: ou é golpe ou é, no mínimo, uma farsa


Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.”
Dilma Rousseff, a primeira presidente mulher do Brasil, está vivendo seus últimos dias no comando do Estado. Praticamente não há mais dúvidas sobre o resultado do julgamento de sua destituição, iniciado na quinta-feira (25) no Senado. A menos que aconteça uma reviravolta, a sucessora do adorado presidente Lula (2003-2010), que foi afastada do cargo em maio, será tirada definitivamente do poder no dia 30 ou 31 de agosto.
Dilma Rousseff cometeu erros políticos, econômicos e estratégicos. Mas sua expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um episódio glorioso da jovem democracia brasileira.
Para descrever o processo em andamento, seus partidários dizem que esse foi um “crime perfeito”. O impeachment, previsto pela Constituição brasileira, tem toda a roupagem da legitimidade. De fato, ninguém veio tirar Dilma Rousseff, reeleita em 2014, usando baionetas. A própria ex-guerrilheira usou de todos os recursos legais para se defender, em vão.
Impopular e desajeitada, Dilma Rousseff acredita estar sendo vítima de um “golpe de Estado” fomentado por seus adversários, pela mídia, e em especial pela rede Globo de televisão, que atende a uma elite econômica preocupada em preservar seus interesses supostamente ameaçados pela sede de igualitarismo de seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT).
Essa guerra de poder aconteceu tendo como pano de fundo uma revolta social. Após os “anos felizes” de prosperidade econômica, de avanços sociais e de recuo da pobreza durante os dois mandatos de Lula, em 2013 veio o tempo das reivindicações da população. O acesso ao consumo, a organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas não conseguiam mais satisfazer o “povo”, que queria mais do que “pão e circo”. Ele queria escolas, hospitais e uma polícia confiável.
O escândalo de corrupção em grande escala ligado ao grupo petroleiro Petrobras foi a gota d’água para um país maltratado por uma crise econômica sem precedentes. Profundamente angustiados, parte dos brasileiros fizeram do juiz Sérgio Moro, encarregado da operação “Lava Jato”, seu herói, e da presidente sua inimiga número um.
A ironia quis que a corrupção fizesse milhões de brasileiros saírem para as ruas nos últimos meses, mas que não fosse ela a causa da queda de Dilma Rousseff. Pior: os próprios arquitetos de sua derrocada não são santos.
O homem que deu início ao processo de impeachment, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, é acusado de corrupção e de lavagem de dinheiro. A presidente do Brasil está sendo julgada por um Senado que tem um terço de seus representantes, segundo o site Congresso em Foco, como alvos de processos criminais. Ela será substituída por seu vice-presidente, Michel Temer, embora este seja considerado inelegível durante oito anos por ter ultrapassado o limite permitido de doações de campanha.
O braço direito de Temer, Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento do governo interino, foi desmascarado em maio por uma escuta telefônica feita em março na qual ele defendia explicitamente uma “mudança de governo” para barrar a operação “Lava Jato”.
Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

PRESIDENTA, SIM SENHOR - José Nílton Mariano Saraiva

Na grotesca (e infrutífera) tentativa de “gozar” com a cara da Presidenta Dilma Rousseff, a ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, ao ser consultada como gostaria de ser tratada quando assumir a presidência daquela corte (se presidente ou presidenta), afirmou: “eu fui estudante e eu sou amante da Língua Portuguesa; acho que o cargo é de presidente, né ???”.

A despreparada ministra bem que poderia ter consultado a página 2292, do Dicionário Houaiss, a fim de não proferir asneiras e babaquices do tipo. Confiram abaixo o que consta na referida página:

Presidenta s.f.
1 - mulher que se elege para a presidência de um país;
2 - mulher que exerce o cargo de presidente de uma instituição;
3 - mulher que preside (algo).

Portanto, Dilma foi (e continua sendo) PRESIDENTA do Brasil (e quem não gostar que vá reclamar ao Papa Chico).

Babacas.



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

"CRATO... É FINAL DE LINHA" - José Nílton Mariano Saraiva

Condição “sine qua non” de todo administrador público que se preze, a probidade administrativa encontra bons e imprescindíveis aliados na transparência, bom senso, equilíbrio e/ou, principalmente, ponderação na hora da tomada de decisões ou no simples ato de expressar-se perante os munícipes.

Em sentido contrário, sob pena de inviabilizar suas ações, obstando-lhe o acalentado caminho em busca de voos políticos mais altos, a improbidade administrativa, possessividade, pessimismo e afobação não devem constar do dicionário de referida autoridade, por mais pressionada que se encontre.

As reflexões acima têm a ver com um determinado “encontro”, que vivenciamos aqui em Fortaleza (maio-2009), quando o então prefeito do Crato (Samuel Araripe), atendendo convite da Associação dos Filhos e Amigos do Crato (AFAC), compareceu ao auditório da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), a fim de discorrer sobre sua gestão à frente da municipalidade.

Depois de muita rasgação de seda nas preliminares e da exibição de belos slides da cidade, lá pras tantas e aí já visivelmente incomodado com as interrupções da sua fala e os recorrentes questionamentos a respeito do “marasmo” da sua administração ou do “porque” do Crato não conseguir acompanhar o pool desenvolvimentista da cidade vizinha, Sua Excelência literalmente perdeu as estribeiras e foi incisivo e contundente (ipsis litteris):

PESSOAL, VOCÊS TÊM DE ENTENDER QUE O CRATO É FINAL DE LINHA; SÓ VAI AO CRATO QUEM TEM NEGÓCIOS LÁ”.

Ou seja, não mais que de repente, a posição geográfica do Crato (em relação à capital ou a Brasília ???) foi usada e responsabilizada como justificativa primeira e única para a sua visível estagnação, seu progressivo esvaziamento, sua parada no tempo, sua inexorável caminhada rumo a tornar-se uma “cidade-dormitório” da urbe vizinha.

Só não nos foi explicitado como é que a cidade vizinha, que dista apenas 12 quilômetros da nossa, tudo consegue, o tempo todo e com relativa facilidade, daí o acirramento da rivalidade (e aí, querendo ser engraçado num momento que exigia seriedade, o prefeito referiu-se a um certo cratense que teria plantado em seu quintal um coqueiro enorme, objetivando não enxergar a estátua de Cícero Romão, lá na serra do horto; desnecessário dizer que não deu Ibope algum).

Pelo contrário, estupefatos, os componentes da plateia se entreolharam abismados e pasmos, num misto de espanto e decepção, à procura de entender aquele testemunho patético sublinhado de capitulação, acomodação ou simples descaso para com o destino da cidade.

Definitivamente, não estávamos ali para ouvir aquilo, mas a verdade é que, ao vivo, perante todos nós, aquele que deveria representar a esperança e o porvir de novos tempos, se nos mostrava, sim, a impotência em forma de gente, o pessimismo em estado latente, a desesperança em sua mais completa acepção, a incapacidade de alinhavar palavras minimamente confortadoras aos seus munícipes.

E então, lembramo-nos do “testemunho-narrativa” que pessoalmente ouvimos de um dos integrantes da comitiva que esteve em Fortaleza quando da reunião com o então reitor da UFC (Renê Barreira), onde definitivamente se bateria o martelo na definição da localização do “Campus Cariri” da UFC (embrião da UFCA): segundo ele, o prefeito do Crato (Samuel Araripe) estava, sim, naquele dia em Fortaleza (onde tem residência fixa à beira mar), mas teria se negado terminantemente a comparecer àquele importante e decisivo evento para o futuro da cidade do Crato, sob a justificativa de que a decisão já houvera sido tomada e, pois, a sua presença, não alteraria em nada o desenrolar do processo. Que os “bois de piranha” (Jurandir Temóteo, Nezim Patrício e outros) representassem a cidade e galhardamente enfrentassem a travessia do rio, sozinhos.

Fato é que, nessa balada, por preguiça, inaptidão para a função pública da sua autoridade maior e/ou reconhecido isolamento político (apesar de apoiado pelo mesmo Tasso Jereissati, de agora), o Crato perdeu o Sesi, o Sebrae, a Universidade Federal do Cariri, a Delegacia da Polícia Federal, o Hospital Regional do Cariri, o Aeroporto da Região, a Procuradoria da República, o Centec, a Justiça do Trabalho, o Centro Cultural do BNB e por aí vai (não esquecer o criminoso fechamento de diversas escolas municipais, mormente nos distritos e zona rural).

Por essa razão, hoje nos invade um sentimento de enorme desesperança, pesar e decepção, quando tomamos conhecimento que o PSDB, coligado com partidos “barriga-de-aluguel” de matizes ideológico-progmático os mais díspares possível, oficializou a candidatura da mesma figura (Samuel Araripe) para concorrer à prefeitura da cidade, e com um adendo pra lá de desestimulante: terá como candidato a vice-prefeito um jovem cratense que passou boa parte da vida curtindo as praias cariocas (Thales Macedo), espécie de genérico do “playboy do Leblon” (Aécio Neves), que não mais que de repente descobriu que o Crato existe.

A pergunta que se impõe, então, é: se “o Crato é final de linha” porquanto “só vai ao Crato quem tem negócios lá” (como publicamente declarou em 2009 o senhor Samuel Araripe), como pensar em reconduzi-lo ao trono, já que o atraso e a inoperância político-administrativa caracterizaram seus 8 anos à frente do município ??? Acharam pouco ???

Será que Sigmund Freud explica ??? 


domingo, 31 de julho de 2016

DEUS É BOM PAI

Deus é Bom Pai

                             (Demóstenes Ribeiro – Médico Cardiologista)

          Não sei quando vou terminar esse rodízio de pizza. O último funeral me deixou esfomeada, jazz-singer não tem que ter cara de fome e o excesso de peso combina com a minha cor.

          Pra uma filha da rua, fui bem longe, pois nem sei onde nasci e é um milagre ter chegado aqui. A velha com quem andava pelo mundo, foi o que mais parecido eu tive como mãe e pai. Vagávamos de cidade em cidade, não tínhamos o que comer, dormíamos ao relento e ela sempre a repetir que Deus era bom pai.

          Depois, ela me deixou com uma senhora bondosa e não tive mais notícias, desapareceu pra sempre, certamente morreu. Essa dona parecia gostar de mim. Teve muitos filhos, mas vivia quase sozinha, eles estudavam longe. Acho que eu aliviava a sua saudade. Passei a chamá-la de mãe, ela me deu nome e carinho, farda e colégio, era bem diferente do marido. Pra ele e a família, sempre fui negra e saco de pancada.

          Quase habituada a um resto de vida, eu sofria muito em silêncio, mas não transparecia. Tinha planos, sonhava em ser artista, achava que tinha algum talento, cedo ou tarde, o mundo e a fama sorririam para mim. E quando o Michael Jackson começou, eu logo aprendi o moonwalk.

          Um dia, cansei de ser escrava e me mandei. De carona em carona, motorista a motorista, cidade em cidade, cheguei a Fortaleza. Perdida no centro, entrei numa igreja evangélica. Um velho se aproximou de mim e começamos a conversar. Ele se comoveu com a minha história e fui morar no seu barraco. Virei faxineira, doméstica, entrei pra igreja e me convidaram para o coro quando me viram cantar.

          Certa vez, cantei no velório de um irmão e a viúva disse que iria me ajudar. Tempos depois, não lembro agora, morreu o pai do pastor. No final da cerimônia, sem que ninguém esperasse, ataquei de “Meu Querido, meu Velho, meu Amigo.” Cantei num ritmo mais lento, alternei graves e agudos e fiz todo o mundo chorar.

          Um agente funerário assistiu e me convidou pra trabalhar na sua empresa. Ele assinou minha carteira e virei a atração dos funerais. Nunca mais me faltou trabalho.
Já comecei a estudar inglês e estou me sofisticando. No futuro só cantarei “spirituals  and blues.”

           Ontem mesmo, uma adolescente, filha única, voltando pra casa mais cedo, ouviu gemidos na penumbra e flagrou a mãe com a vizinha sapatão, inteiramente peladas, fodendo uma a outra, com um caralho de plástico, na cobertura da Beira-Mar. A mocinha não suportou o pesadelo, saltou do vigésimo andar e se estatelou no asfalto. Foi um belo salto e o céu recebeu a sua alma. O pai está arrasado. Hoje, vou cantar no velório. Ensaiei “Tears in Heaven” e será uma consagração. Ninguém vai ficar sem chorar.

           O garçom não está gostando, mas tão cedo eu não saio. Diva não tem que ser esbelta.  Espero morrer antes de ficar velha e se exagerar na comida o sono vem mais fácil. Outro dia, depois de um rodízio desses, dormi profundamente no meio das minhas bonecas e sonhei legal. Fui até o Mississipi. Fazia um luar bonito e participei de uma jazz-session. Quando cantei Summertime, Ella Fitzgerald, sem que ninguém percebesse, falou no meu ouvido que eu era a sua continuação. Deus realmente é bom pai.














segunda-feira, 4 de julho de 2016

Quase uma vez, o Japão - (Demóstenes Ribeiro – Médico Cardiologista)

Na cadeira de balanço, iniciando a sesta e de olhos semicerrados, um riso silencioso invadiu o rosto do meu avô.
- “Rindo do que, vovô?
- Das mulheres, sempre as mulheres.
- Mas não há mulher nenhuma aqui.
- Como nenhuma, elas estão sempre presentes!
- Mas eu continuo sem enxergá-las, o senhor enlouqueceu?
- O espírito feminino é onipresente.
- Onipresente, só Deus.
- Ora, Deus e as mulheres, não percebe?
- O senhor não está legal, tomou seus remédios direito?
- Estou ótimo e lembrei de uma delas. Foi engraçado e assustador.
- Uma delas... O senhor e sua mania de grandeza.
- Mais respeito com o velho. Ainda vai aprender muito se tiver a humildade em me escutar.
- Qual é a história de hoje?
- Muitos lugares, muitas mulheres, o mistério feminino a desvendar. Naveguei
muitos mares... Fossem calmos ou revoltos, desbravei!
- Mentiroso!
- Mais respeito com o seu avô, eu nunca faltei com o meu dever!
- Fala então, garanhão!
- Atravessei o mundo inteiro, mas faltava completar uma missão.
- Faltava o quê, vovô?
- O Oriente, o extremo Oriente, a terra do sol nascente... Quando cheguei a São
Paulo, não saía da minha cabeça o inacessível Japão.
- E daí?
- Daí, a espera paciente, não forcei a natureza das coisas. No entanto, nem o mais sincero e esperançoso amor escapa ao sobrenatural.
- Como assim?
- Era uma sansei delicada. Nariz afilado, traços ligeiramente ocidentais. A alma-
gêmea. Quem sabe em vidas passadas eu não fora um samurai. De origem humilde, alguma semelhança havia entre o drama nordestino e a saga dos seus avós. E, sem sair de São Paulo, fui lhe mostrando o sertão. No Cantinho do Nordeste, ela riu com as emboladas e os versos de cordel. Dançou xaxado e forró. Queria saber de histórias, Padre Cícero, Lampião... Apaixonados, meu filho, até haver o pior.
- O que aconteceu, vovô?
- Num feriado, tivemos o dia inteiro e, após uma manhã no Ibirapuera, fomos ao Restaurante Oxumaré. Comida baiana, ela nunca havia provado. Cansada de sushis e sashimis, foi ao self-service e ficou deslumbrada. Iniciou com uma batida de pitanga, comeu um acarajé, outra batida de cajá. Moqueca de peixe, bobó de camarão, adorou sarapatel, repetiu o vatapá. Carne-seca com purê de aipim. Avançou no caruru. Serviu-se de tudo um pouco. Findou com baba-de-moça e cocada de mamão. Já era tardinha, quando saímos pra casa, e um orixá esfomeado, ela parecia incorporar.
- Qual a tragédia, afinal?
- À noite, iniciando o amor, conhaque, calabresa e amendoim. Eu fiquei desconfiado, pois ela queria sempre mais e a seguir veio o desastre.
- Conta logo, vovô!
- De repente, a japonesinha saltou na cama, deitou de bruços e gritou feito uma louca: agora, cabra da peste, vais conhecer o Japão! Seguiu-se uma explosão fétida e furiosa, um pum atômico, mais de mil megatons, Hiroshima e Nagasaki. Quase pedindo socorro, abri portas e janelas, sacudi os lençóis e esvaziei o bom-ar até que aquele Exu presepeiro fosse embora.
- Uma hecatombe, vovô!
- Cabeça baixa e olhos úmidos, ela repetia desculpe. Sayonara, sayonara, com a timidez ancestral. Foi um adeus definitivo. Maldita comida baiana! Nem conheci o Oriente e casei com a sua avó!”
Tudo verdade. Vovô nunca mentiu pra mim.