TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 5 de setembro de 2020

DESIDERATA (Max Ehrmann)

Siga tranquilamente o seu caminho, entre a inquietude e a pressa, lembrando-se que HÁ SEMPRE PAZ NO SILÊNCIO.

Tanto quanto possível, sem se humilhar, mantenha-se em bons termos com todas as pessoas que o cercam. 

Fale a sua verdade, mansa e claramente, e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes, pois eles também têm a sua história para contar. 

EVITE AS PESSOAS AGRESSIVAS, AGITADAS E QUE FALAM ALTO; ELAS AFLIGEM O ESPÍRITO. 

Se você se comparar com os outros, acabará se tornando presunçoso ou magoado, pois sempre encontrará alguém superior ou inferior a você. 

Desfrute as suas realizações, bem como os seus sonhos e mantenha-se interessado em sua carreira, por mais humilde que seja, pois ela é um ganho real, na sorte mutante dos tempos. 

Tenha cautela nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcia, mas não se torne cético, porque a virtude existirá sempre. Muita gente luta por altos ideais e por toda parte a vida está cheia de heroísmos. 

Seja você mesmo, sobretudo não simule afeição nem seja descrente no amor, porque, mesmo diante de tanta aridez e desencanto, ele é tão eterno quanto a relva. 

ACEITE SERENAMENTE OS ENSINAMENTOS DO PASSAR DOS ANOS, RENUNCIANDO AOS HÁBITOS PRÓPRIOS DA JUVENTUDE.

Alimente a força do espírito, que o protegerá no infortúnio inesperado, mas não se desespere com perigos imaginários: O MEDO NASCE DO CANSAÇO E DA SOLIDÃO. 

A despeito de sua disciplina rigorosa, seja gentil consigo mesmo; afinal, você é filho do universo, irmão das estrelas e das árvores e tem o direito de estar aqui. E, quer se aperceba disso ou não, não tenha dúvida que o Universo segue na direção certa. 

Portanto, ESTEJA EM PAZ COM DEUS, COMO VOCÊ O CONCEBA e, quaisquer que sejam seus trabalhos e aspirações na fatigante jornada da vida, mantenha-se em paz com sua própria consciência. Pois, apesar de todas as falsidades e sonhos desfeitos, este ainda é um mundo lindo e maravilhoso. 

Seja cauteloso. Lute para ser feliz.


ACIDENTES DOMÉSTICOS - José Nilton Mariano Saraiva

Anos atrás, quando no exercício do mandato de Deputado Federal, em Brasília, Roberto Jefferson, ao depor numa certa CPI, desafiou o então todo poderoso Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, ao afirmar que este lhe despertava “os instintos mais primitivos”.

Semana depois, Roberto Jefferson apareceu em horário nobre, nos principais jornais televisivos, com um dos olhos arroxeado e bastante inchado e, instado a revelar a causa, afirmou candidamente que batera com a cabeça em um móvel doméstico, daí a grave contusão.

Embora todo mundo imaginasse, até com certa razão, que tal história não tinha nenhum fundamento, a mídia tupiniquim, corrupta, covarde e safada, simplesmente não procurou se inteirar da questão (e ficou valendo a versão do “desonesto” e mentiroso Deputado, de que sofrera um acidente doméstico).

A reflexão é só pra lembrar que, dias atrás, foi noticiado pela mesma mídia corrupta, covarde e safada, que o atual Presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, houvera sofrido um vulgar acidente no recinto do lar.

Só que, dia seguinte, a ilustre personalidade foi transferida às pressas para um daqueles caros e luxuosos hospitais de São Paulo, a fim de tratar da contusão sofrida (dentro de casa, lembrem-se).

Passados alguns dias de internamento (quem pagou a conta ???), eis que o ministro Dias Toffoli nos aparece na TV, em horário nobre, com uma enorme cicatriz no meio da testa, o que nos leva a imaginar que não deve ter trombado com algum inocente móvel dentro de casa (como Jefferson) mas que a coisa foi bem mais séria, e fora de casa (como Jefferson).

E a nossa corrupta, covarde e safada imprensa não move uma só palhinha pra esclarecer à sociedade o que teria acontecido com uma das autoridades institucionais do país (mas, pelo "talho" na testa no ministro, parece mais coisa de milicianos profissionais, pagos ou não).

 

Acidente doméstico ??? 

 

Vôte... 


sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Depois da noite, a aurora raiará ?

“Gramsci deixou escrito o retrato fiel

daquilo que eu sou: «Pessimista pela razão,

 otimista pela vontade». Isso diz tudo”.

                                              José Saramago

 

                                   


Se há uma profissão que se viu terrivelmente abatida nesta epidemia foi a de astrólogo. Nostradamus nenhum, de final de ano, adivinhou o cangapé que o mundo daria neste 2020 ! O Tarô deu xabu, os búzios ficaram tan-tans, as bolas de cristal opacificaram-se.  Faço-me, também, profundamente pessimista com aqueles que imaginam que surgirá um novo mundo pós-covídico. A história tem mostrado que as mudanças, após os cataclismos, são muito mais de superfície que de essência. A história das pandemias mostra, claramente, que a ciência evoluiu sobremaneira, mas o comportamento humano é muito menos moldável e mutável.  As mesmas fases repetiram-se , com quase nenhuma alteração, desde a Peste de Atenas, há mais de dois milênios e meio, a Peste Negra do Século XIV e a Covid-19. A fase de NEGAÇÃO que leva a figuras importantes subestimarem a gravidade da praga: “É só uma Gripizinha!”. A CULPABILIZAÇÃO : diante da tragédia é preciso encontrar , rápido, um culpado para perseguir. Em Atenas gritou-se:  “Foram os estrangeiros que trouxeram a peste !”  Na Peste Negra a responsabilidade foi lançada em cima dos judeus, dos bruxos e dos hansenianos. Na Epidemia de Cólera de 1862-64, aqui no Cariri, os judeus foram imputados como responsáveis e, na praga do Tracoma, os ciganos. Aos Alemães se imputou o aparecimento da Gripe Espanhola e na Covid-19, jogou-se o ônus em cima dos chineses e pululam teorias conspiratórias mundo afora. A REVOLTA CONTRA MEDIDAS SANITÁRIAS  também se repete no curso da história, como na Revolta da Vacina no Rio em 1904 e agora contra o confinamento,  proibição de aglomerações  e contra a vacinação, novamente, pelo governo brasileiro. A  POLITIZAÇÃO das epidemias, também, tem um histórico recorrente, minimizando-se quase sempre os efeitos da tragédia, maquiando e escondendo dados estatísticos. A profusão de CHARLATÃES e de remédios miraculosos é uma outra praga repetitiva como as próprias epidemias. A Cloroquina preconizada oficialmente pelo Ministério da Saúde, que nenhum efeito tem para o Covid, já havia tido seu princípio ativo sido prescrito, da mesma maneira, no Cólera e na Gripe Espanhola. Sem falar na INVULNERABILIDADE, aquela sensação que , em determinados momentos, toma de conta de algumas pessoas que, como possuidores de superpoderes, sentem-se imunes às pragas: “Comigo não acontece !”

                                   O mundo, passada a nuvem covídica, voltará a ser o que sempre foi: pouco solidário, cego quanto as distorções sociais, adepto do  Darwinismo Social  do “quem for podre que se quebre”. Ficam, no entanto, algumas lições  claras e insofismáveis. A primeira é a importância da Saúde Pública  estruturada na minimização dos efeitos terríveis das pestes. Sem Saúde Pública organizada, não se combate a contento as pandemias ( riqueza só não basta, vejam os EUA). Por outro lado, as desigualdades sociais catapultam as pestes e levam de roldão pobres, ricos e remediados, embora os descamisados e descuecados sejam as vítimas preferenciais. Há que se lutar por um mínimo de recursos e vida decente para todos. Em terceiro lugar: o Meio Ambiente tão atacado e vilipendiado no Brasil tem uma importância fundamental na explosão e progressão de epidemias: 60% de todas as doenças são zoonóticas ( Ebola, AIDS, Influenza Suina e Aviária, Febre Amarela, Dengue, Chikugunya, Zica, só para citar algumas). Aos cientistas, a quem o governo brasileiro imputa de causadores de balbúrdia e fumadores de maconha, cabe a possibilidade de cura com novos medicamentos e de prevenção com as vacinas ( estas também tão perseguidas , acusadas de malefícios e difamadas) . E, mais que tudo, o chamado Estado Mínimo ( mas Máximo para alguns) mostrou-se totalmente ineficaz em trazer um grão de segurança social em tempos críticos como os que vivemos.

                                   As lições aí estão para os olhos que quiserem ver. Passada a nuvem sombria, todos esquecerão que um dia fez-se noite. Tudo retornará como dantes no quartel dos governantes. A ciência andou de Boing nas últimas centúrias e a humanidade montada em casco de tartaruga. A razão nos sopra nos ouvidos lições de pessimismo, mas é imprescindível que umedeçamos nossa vontade com os ventos do otimismo e da transformação.

Crato, 03/09/2020

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

EXCENTRICIDADE - José Nilton Mariano Saraiva

Recorrente - mas ainda assim impressionante - como aqueles que atingem certo destaque em alguma profissão, principalmente os que lidam diretamente com o público, se transmutam da noite pro dia, tanto em termos comportamentais como em termos visuais. Dentre estes se sobressaem, justamente pelo contato mais próximo com o povo, jogadores de futebol e cantores dos mais diversos estilos (bregas, sertanejos, românticos e por aí vai), sejam nacionais ou internacionais. 

Os primeiros (jogadores de futebol) normalmente oriundos de famílias paupérrimas, quando finalmente “chegam lá” fazem questão de ostentar, de exibir, de ser “diferente”, como a querer mostrar que não são inferiores a ninguém, compensando de certa forma a “vida-de-cão” que levaram no passado. Assim, visando mandar para o espaço o complexo de inferioridade enrustido durante tanto tempo, além dos carrões, roupas de grife, joias caras e mansões luxuosas, adotam os mais esquisitos e ridículos cortes de cabelo, que de pronto passam a ser adotados por seguidores fanáticos (que o diga o tal do Neymar e seu estilo moicano ou aquele horroroso corte exibido pelo tal Ronaldo Gordo Nazário, no final da Copa do Mundo do Japão, onde o Brasil foi vencedor).

 

Já no tocante aos cantores que se destacam a coisa é mais “seleta, refinada e eclética”, a saber: uns, embora teimem em falar e pregar a “humildade”, nos seus shows exigem dos patrocinadores uma determinada marca de água mineral importada (preferencialmente de um país distante); frutas, preferencialmente aquelas oriundas dos cafundós do planeta Terra; não dispensam uma bebida de primeira qualidade, evidentemente que também de outras plagas; já um outro só faz o show se o camarim for decorado unicamente na cor azul, com móveis confeccionados de uma madeira tal, e outras extravagâncias. 


Tempos atrás, um deles nos apareceu com uma exigência que, muito mais que excentricidade, poderia ser confundida com “frescura pura” (e não é pelo fato de ser reconhecidamente um homossexual assumido); fato é que o renomado (e bom) cantor britânico Elton John exigiu para uma certa turnê (Follow the Yellow Brick Road), que empreendeu no Brasil, mimos que chegaram às raias do absurdo.


Assim, além do cachê altíssimo que recebeu, exigiu dos patrocinadores do seu show (aqui em Fortaleza), dentre outros itens: 01) que, toda a Arena Castelão, onde foi realizado o evento, fosse climatizada a 19 °C; (assim, embora normalmente a temperatura ambiente da Arena Castelão seja de 35/40°C, em todas as áreas por onde ele fosse circular, a temperatura não poderia passar dos 19 graus e PT saudações); 02) que, no seu camarim fosse instalado um telão de alta definição, a fim que pudesse assistir a canais esportivos; 03) que, fosse criado o “Espaço Elton John Hospitality” (espécie de sala de visitas) com ornamentação de plantas naturais com pelo menos 1,80 metro cada, preferencialmente palmeiras e fícus; e 04) que, para comer, estivessem disponíveis saladas de frutas, de legumes e sopas vegetarianas (aqui, até que não foi muito exigente). Descartou, entretanto, qualquer proteína animal. 


Será que os patrocinadores do evento conseguiram atender a todas as exigências do bom, mas já decadente cantor ??? E se não o fizessem, será que o mesmo recusar-se-ia a cantar para seus adeptos do Ceará ??? 


No mais, para os que se dispuseram a ir ao show, foram colocados à venda 40 mil ingressos (a “preços de banana” em fim de feira, na mais recôndita periferia), a saber: gramado cadeira ouro (R$ 600), plateia inferior direita (R$ 140), gramado cadeira prata (R$ 460), gramado cadeira bronze (R$ 360), camarote vip open bar (R$ 500), camarote privativo (R$ 800), plateia inferior esquerda (R$ 140), plateia superior especial (R$ 300), plateia superior esquerda (R$ 110) e plateia superior direita (R$ 110). 


E aí, você foi um dos que lá compareceram ???

 

CARTA A UM JOVEM BRASILEIRO (Rogério Cezar de Cerqueira Leite)

 

CARTA A UM JOVEM BRASILEIRO

(Rogério Cezar de Cerqueira Leite)

Eu gostaria de escrever-lhe uma carta sobre poesia, embora sem o talento do alemão Rainer Maria Rilke, sobre a importância da literatura, das artes, do conhecimento; enfim, sobre tudo o que enriquece a humanidade. Mas eis que nossos líderes agridem tudo que alicerça a cultura de um povo, tal seja a filosofia, a sociologia, a história.

Eu queria escrever-lhe sobre a dádiva da natureza ao brasileiro, sobre as nossas matas, os nossos rios, a nossa fauna e a nossa rica e bela biodiversidade. Pois bem, nossos dirigentes não apenas corrompem as providências para amenizar as inexoráveis e trágicas consequências do aquecimento global como também incentivam o desmatamento e a poluição da atmosfera.

Eu queria falar-lhe, jovem brasileiro, da dignidade do trabalho e da necessidade de conhecimento para enfrentar a dinâmica implacável do progresso tecnológico. Entretanto, esse novo governo asfixia nossas universidades com cortes de verbas e obtusa perseguição.

Eu queria falar-lhe de ciência e tecnologia, da consequente industrialização do nosso país e dos benefícios sociais e econômicos que adviriam de investimentos em pesquisas. Mas esses nossos governantes continuam a desindustrialização começada nos governos Collor e FHC, cortando recursos para ciência, tecnologia e formação pós-graduada, sem o que não haverá industrialização possível já em futuro próximo.

Eu queria escrever-lhe sobre o valor da cidadania, da liberdade, sobre a decência do homem de bem. Porém, “esses arremedos de déspotas” que presidem sobre esta nação liberam a posse de armas, cooptam e protegem milicianos, homenageiam extorsionários e torturadores, estimulam a violência.

Eu gostaria de poder falar-lhe sobre nosso país, sobre nossa história, nossa arte, nossos escritores, nossa música, nossas conquistas. Mas não posso. Nosso país se curva aos interesses imperialistas dos EUA.

Eu queria falar-lhe do ideal de justiça, da solidariedade. Contudo, só vejo ostentação, narcisismo. 

JUÍZES VIVENDO EM PALÁCIOS "NABABESCOS", SERVIDOS A LAGOSTAS, PAGAS COM O SUOR DO TRABALHADOR BRASILEIRO. O QUE UM JUIZ DO SUPREMO COME DE LAGOSTA E BEBE DE VINHO IMPORTADO, DIARIAMENTE EM UMA ÚNICA REFEIÇÃO, EQUIVALE AO QUE COME POR MES UMA FAMÍLIA QUE VIVE COM SALÁRIO-MÍNIMO. 

E, ao contrário de suas excelências, o cidadão brasileiro paga por suas refeições. Eu pensava em conversarmos sobre seu futuro, seus sonhos. E olho para nossos congressistas, supostos guardiões da cidadania e de seu porvir. E só ostentam escandalosa cupidez. 

Confesso que eu queria inculcar-lhe, jovem brasileiro, uma certa compulsão por justiça social, um certo interesse pelo próximo e pelo distante, um pouco de civilidade enfim. Mas seria um esforço perdido, tendo em vista a dominação intelectual e ideológica desse governo por um farsante, obsceno e fascista, uma espécie de Rasputin de bordel.

Eu gostaria de encontrar alguma palavra de alento para apaziguá-lo. Eu não queria ser cínico ou parecer desalentado, derrotado. Seria talvez bom se eu pudesse fingir, mentir um pouco. Mas não. Só posso pedir-lhe que me perdoe, e a todos aqueles das gerações que precederam a sua, pelo que lhe subtraíram e talvez também pelo que lhe ensinaram.

 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

O BRASIL QUE SABER - José Nilton Mariano Saraiva

 

Por qual razão o “integro”, “honesto” e “insuspeito” Presidente da República se exaspera quando lhe fazem uma pergunta tão simples:

 

"Presidente @jairbolsonaro, por que e para que sua jovem esposa, Michelle Bolsonaro, recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz e esposa ?"

 

Por qual razão os integrantes do Supremo Tribunal Federal se negam a participar de tão grave questão, questionando-o oficialmente ???

domingo, 23 de agosto de 2020

A "MUTRETA" DO TAL VALE-REFEIÇÃO - José Nilton Mariano Saraiva

Criado através da Lei 6321 de 15.04.1976, o vale-refeição (adstrito às estatais), ao contrário dos que muitos pensam não se trata de nenhuma “benevolência” da empresa para com o seu funcionário, ou de um gesto de magnanimidade do governo federal.

Na verdade, aqui se aplica magistralmente aquela história do “dar com uma mão e tirar com a outra” e, claro, beneficiando sempre o patrão (empresa), em detrimento do empregado.

É que, a posteriori, quando for prestar contas ao fisco ao final do exercício fiscal, a empresa poderá deduzir, do lucro tributável para fins de imposto de renda (das pessoas jurídicas, evidentemente), o dobro das despesas realizadas em programas de alimentação do trabalhador (o tal vale refeição).

Além do que, como tal valor é excluído do conceito de “salário in natura”, nele não incide o custeio da Previdência Social e o do FGTS (ou seja, a empresa ao subsidiar a refeição do seu servidor, se beneficia de um quádruplo benefício fiscal).

Confira, abaixo, os artigos 1º e 3º da tal lei:

Art. 1º As pessoas jurídicas poderão deduzir, do lucro tributável para fins do Imposto sobre a Renda, o dobro das despesas comprovadamente realizadas no período-base, em programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho na forma em que dispuser o Regulamento desta Lei.

Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga "in natura" pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.

É isso aí; vivendo e aprendendo.

 

 

 

 

 


sábado, 27 de junho de 2020

"HOLLYWOOD" - José Nilton Mariano Saraiva

Ainda sobre as “homenagens” (algumas um tanto quanto “fora do prumo”) prestadas por “pais-torcedores” aos seus ídolos (principalmente do futebol, do cinema e da música popular), materializadas no batismo do filho com o nome de um deles, vale lembrar uma “sui generis”.
Como sabemos, durante muito tempo o cinema americano não tinha concorrente em termos de convincentes, belos a preparados atores/atrizes, qualidade técnica, recursos especiais, direção, produção e o escambau (hoje, outros países já conseguem produzir filmes com a mesma qualidade na direção, na produção e com “artistas” reconhecidamente convincentes na arte de representar). Mas, que foram os americanos que dominaram por muito tempo a “sétima arte”, isso ninguém há de contestar.
E aí quem se destacou foi o pequeno distrito de “Hollywood”, na cidade de Los Angeles, que serviu de abrigo aos grandes estúdios cinematográficos de então, que por sua vez detinham em seus “casts” o suprassumo ou o filé-mignon na tarefa de representar; assim, os categorizados profissionais do cinema normalmente se vinculavam a um desses estúdios. Portanto, chegar a “Hollywood” (a “meca do cinema”) era o sonho, o ápice, o apogeu e a aposentadoria de qualquer “artista” que pretendesse ser reconhecido como tal.
Pois foi para homenagear “Hollywood” (“ninho” dos grandes atores do cinema) que os humildes e iletrados pais do nosso personagem resolveram dar-lhe o nome daquele pequeno distrito americano. E assim, quando veio ao mundo, o rebento querido recebeu um nome fora dos padrões tão usuais à época aqui no Brasil (José, Raimundo, João, Joaquim, Sebastião, Manoel e por aí vai); além de que, o “nobre” e pomposo nome o diferenciaria dos demais meninos e “mascararia’ a pobreza em que a família vivia atolada até o pescoço.
Só que, em razão do despreparo do anotador-cartorário de plantão, a homenagem acabou saindo um tanto quanto esdrúxula, esquisita, estapafúrdia até: e assim veio ao mundo o nosso glorioso “Oleúde José Ribeiro”.
Depois de crescido, o agora tonificado e vigoroso negro “Hollywood/Oleúde” virou jogador de futebol e, atualmente, com o alcunha/apelido de “Capitão” tornou-se um suplício e tormento para os atacantes do time contrário, porquanto, atuando na defesa, adotou o estilo “xerifão”: do pescoço pra baixo é tudo canela.
Além do mais, ele é um “capitão” (do time) e, portanto, merece respeito. E tome porrada, a torto e a direito, pra cima e pra baixo (quem for podre que se quebre).

sexta-feira, 26 de junho de 2020

O "VELHO PADRE" - José Nilton Mariano Saraiva


O velho Padre, que durante anos tinha trabalhado com afinco e dedicação com o povo africano voltara ao Brasil e, agora, doente e moribundo, internado no Hospital Geral de Brasília, é a notícia e manchete midiática da hora.
Já nos últimos suspiros, ele faz um sinal à enfermeira, que se aproxima. - Sim, Padre? diz a enfermeira. - Eu queria ver dois proeminentes políticos, antes de morrer, sussurrou o Padre. - Acalme-se, verei o que posso fazer, respondeu a enfermeira. De imediato, entra em contacto com o Congresso Nacional e logo recebe a notícia: ambos faziam absoluta questão de visitar o velho Padre moribundo (para tanto, as respectivas agendas foram canceladas).
A caminho do Hospital, na “modesta” limusine de um deles, Jáder Barbalho diz a Renan Calheiros: - Eu não sei por que é que o velho Padre nos quer ver, mas certamente que, dado o seu prestígio internacional e popularidade junto aos pobres, isso vai ajudar a melhorar a nossa imagem perante a Igreja e ao próprio povo, o que é sempre bom. De pronto, Renan Calheiros assentiu: realmente, ali estava uma grande oportunidade para eles aparecerem e, é tanto, que oportunisticamente até fora enviado um urgente comunicado oficial à imprensa sobre a visita.
Quando chegaram ao quarto, com toda a mídia presente (rádios, jornais, TV, Internet, etc), o “velho Padre” pegou na mão de Jáder Barbalho, com a sua mão direita, e a mão de Renan Calheiros, com a sua mão esquerda.
Houve um respeitoso silêncio, enquanto câmaras foram estrategicamente direcionadas ao trio, já que repórteres televisivos (inclusive do exterior) transmitiam ao vivo e a cores aquele grave momento; para tanto, aproximaram seus microfones para captar aquelas que certamente seriam as últimas palavras daquele santo homem, que apresentava-se com um ar de pureza e serenidade no semblante.
Então, Renan Calheiros (fazendo pose para as câmaras e imprimindo a devida impostação na voz), disse: Padre, porque é que fomos nós – eu o Jader - os escolhidos, entre tantas pessoas ilustres das que compõem o nosso glorioso Congresso Nacional, para estar ao seu lado, neste momento especial ?
O “velho Padre”, com um sorriso angelical no rosto, afirmou: -Meus filhos, sempre em toda a minha vida procurei ter como modelo nosso Pai Celeste, o Nosso Senhor Jesus Cristo. -Amém, disse Jáder Barbalho. -Amém, disse Renan Calheiros.
E aí o velho Padre fuzilou, sarcasticamente:
“ENTÃO...COMO ELE MORREU ENTRE LADRÕES, EU QUERIA O MESMO PRA MIM !!!”
Em seguida, encarando as câmaras, “bateu as botas”.
Sorrindo.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

"MADEIRA DE DAR EM DOIDO" - José Nilton Mariano Saraiva

Quando no exercício da sua atividade profissional (jogador de futebol), o argentino Diego Simeone ficou conhecido pela alcunha de “madeira de dar em doido”, popularmente adotada no meio futebolístico pra designar aquele jogador durão, voluntarioso em excesso, obediente tático por excelência, de uma exacerbada e genuína valentia.

Assim, com Simeone, do pescoço pra baixo (evidentemente que do adversário) era tudo canela. E haja porrada, a torto e a direito (às vezes, até deslealmente). Às reclamações porventura existentes, a velha máxima: futebol é jogo prá homem, se quiser moleza vá jogar gamão ou dominó.

Pois bem, apesar desse excesso de valentia, e até por isso mesmo,  Simeone brilhou não só na Argentina (e com sua seleção), mas mundo afora; mas, de tanto viajar e de tanto se dedicar e mostrar a velha garra portenha (quem dera os brasileiros neles de espelhassem), cedo cansou, encerrando prematuramente a carreira.

Então, dedicou-se à função de treinador. E eis que conseguiu levar o modesto time do Atlético de Madrid (no qual atuou e foi campeão como jogador) ao título espanhol (2013/14), depois de 19 anos na fila, desbancando os milionários e poderosos Real Madrid e Barcelona, que sobraram na curva. Sem dúvida, um feito espetacular e que alavancou sua carreira profissional.

O que chama a atenção no time por ele treinado é que seus comandados refletem a imagem e semelhança do antigo jogador Simeone, em termos de obediência tática, de dedicação, de entrega, de doação, de valentia, de vigor físico. Todo isso, aliado a um preparo físico excepcional, faz com que a equipe “simeonesca” se defenda em bloco e em bloco parta para fulminantes ataques (tal qual a seleção da Holanda, de 1974), daí a dificuldade dos adversários em derrotá-la. Claro que, aqui acolá imprevistos acontecem, mas normalmente a vitória é certa (em citada temporada, foram apenas 04 derrotas em 38 jogos).

O título do Campeonato Espanhol foi mais um exemplo do sucesso do clube durante a "era Simeone". Afinal, esse foi o quarto título até o momento do treinador desde que assumiu o comando em 2011: Liga Europa (2011-12), Supercopa da Europa (2012), Copa do Rei (2012-13) e Campeonato Espanhol (2013/14).

A prova definitiva que Simeone veio para ficar, e do reconhecimento do seu trabalho, está no fato de que ainda hoje (após 10 anos) permanecer firme no comando do Atlético de Madrid e ser adorado pela sua vibrante torcida.




(jogador de futebol), o argentino D

A "SINUCA DE BICO" - José Nilton Mariano Saraiva

O “jogo de sinuca” é uma das diversões mais saudáveis e prazerosas pra se passar o tempo e jogar conversa fora, preferencialmente com uma “geladérrima” ao lado e uma suculenta “panelada” assistindo tudo. E, claro, com a torcida vibrando e dando pitaco, ao lado. Difícil imaginar que ainda exista alguém que não o tenha praticado, independentemente da idade, credo, raça ou sexo.


Relativamente fácil, o objetivo é “encaçapar”, em um dos seis buracos existentes na mesa de jogo, obedecendo a uma pré-determinada sequência numérica, bolas de cores distintas e valendo entre 01 e 07 pontos. Para tanto, existe uma oitava bola, apelidada de “carambola” (ou traidora), que é a que se presta unicamente pra “empurrar” as “co-irmãs” pro “buraco” (pra dentro da caçapa), evidentemente que impulsionada pela maestria do “taco” do jogador. Consagra-se aquele que ao final fizer mais pontos.

Como em todo jogo, entretanto, no de sinuca também existem suas técnicas, segredos e táticas. Dentre elas, certamente a que apresenta maior grau de dificuldade para o “jogador da vez”, é quando o adversário lhe aplica a famosa “sinuca de bico”.

A “sinuca de bico”, que muitos cognominam “beco-sem-saída”, se dá quando o jogador tem a bola-da-vez protegida atrás de uma ou mais bolas, de forma que fica extremamente difícil acertá-la, mormente em estando a mesma na “bica” pra ser encaçapada.

É aí que entra a excelência e refinamento técnico do jogador da vez, que terá obrigatoriamente que usar as bordas da mesa de jogo (tabelas) para atingir a bola-do-jogo, sem tocar nas que estão entre elas. Há que se usar o chamado “efeito”, a fim de encontrar um “caminho alternativo” pra se atingir o objeto de desejo (a bola da vez): pelos lados, por cima, jogando prá trás, enfim, inventando uma “marmota” qualquer.

Fato é que o esporte cresceu tanto que até já existem redes de TVs que patrocinam e exibem campeonatos de sinuca, trazendo para tanto “experts” do mundo inteiro na arte de encaçapar as bolinhas. E você ficará de “queixo-caído” se tiver oportunidade de ver o que os grandes mestres “aprontam” em cima do tabuleiro verde.

Vale conferir.