TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 17 de março de 2022

 CARTA A CECÍLIA FLESCH - Benedito Costa


A apresentadora e repórter da GloboNews, Cecília Flesch, cometeu a estupidez de zombar no Twitter da fala de Lula, que pronunciou "adevogado". Quebrou a cara. Internautas mais cultos, linguistas, se manifestaram criticando o preconceito linguístico.

"A Carta a Cecília Flesch", da autoria de Benedito Costa, é muito mais que uma aula de etiqueta. E revela toda a extensão da ignorância, não de Lula, e sim da jornalista da GloboNews que “corrigiu” rindo o termo adEvogado pronunciado pelo presidente Lula em seu brilhante discurso.

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Segue o texto:

"Carta a Cecília Flesch"

Prezada jornalista,

Trabalhei vinte anos para essa empresa em que você está agora. Centenas de jornalistas “passaram pelas minhas mãos”, expressão não muito feliz, mas verdadeira. Vai que você não a entende e faz leituras indevidas dela. Isso não é legal, viu?

A maioria deles, em estado de indigência com os entendimentos da realidade da língua materna. Assim como você. Isso é uma pena.
Um jornalista tem a língua como principal ferramenta -- e entendê-la deve ser um dever, antes mesmo de um direito. Ou há um paralelo: direito e dever. Mas essas palavras confundem algumas cabecinhas, não é?

Seus colegas andam confusos e perdidos em outras áreas também.
A questão não é o fato de os jornalistas saberem o que é uma epêntese, ou uma vogal epentética, pois isso foge ao escopo do curso de jornalismo. A questão é o jornalista, que tem a língua como principal ferramenta, como eu disse, não entender seu funcionamento.
Grande parte dos falantes do Sul usam a epêntese no caso de “advogado”, assim como em grande parte do país se fala “peneu”. Incluindo você.

Aliás, você tem outros vícios de linguagem, que não são da minha preocupação.

Seus bandidos de estimação sulistas também usam epênteses, assim como vogais finais sem abrandamento, o que é inclusive uma piada local. Aliás, as pessoas não sulistas riem do nosso "pente" e não "pentchi" -- e isso é uma piada do nível do tio do pavê, que nos faz revirar os olhos. Afinal, tanta gente diz "treis" em vez de "três" porque isso é natural da língua.

Grande parte dos seus colegas têm vergonha do "r" retroflexo e isso dá uma dor de cabeça danada para as fonoaudiólogas da sua empresa, que também não estão muito interessadas com a naturalidade da língua e sim com o preconceito mesmo.

Preconceito vende mais que os produtos duvidosos que vocês colocam no ar, porque o preconceito é mais fácil de entender e é mais palatável.

Em paralelo, o preconceito é um tipo de arma dos fracos e despreparados, que não têm algo mais profundo a dizer.

São pessoas ignorantes mesmo. Pseudo intelectuais, pedantes, vazias. Creem que um corte Chanel ou um scarpin de bico fino sejam suficientes para se fazer um trabalho bem feito.

Até o dia em que a empresa os joga na sarjeta, como tem ocorrido repetidamente na Globo -- e a sociedade, na lata de lixo da história, afinal a contribuição deles -- e a sua -- para o jornalismo, a ética, a "verdade" é nula, nada, nadica de nada.

Mas o mais grave para um jornalista, além de ser jagunço dos donos da empresa para a qual trabalha, é a vaidade e a ideia de superioridade, mesmo. Tratar as pessoas de cima para baixo.

Não sei se você tem doutorado na área. Creio que não. Quase nenhum de seus colegas têm. No máximo, as pós e os cursos in Company que a Globo oferece, geralmente têm conteúdo de gestão... e de autoajuda.

E a pessoa de quem você debocha tem 16 ou mais doutorados "honoris causa", algo que você, certamente, não imagina o que é. Até porque, no máximo, seria a paraninfa paga de uma faculdade de esquina.

O mais engraçado para você é o seguinte. Eu esquecerei você amanhã. Mas outros, não. A cada frase que você pronunciar agora haverá um sujeito disposto a procurar descompassos entre o que a língua é e o que vc pensa que ela seja.

Sinto que você contribua para o empobrecimento das discussões linguísticas. Nós levamos séculos de observação e estudo para entender o que é uma epêntese e outros metaplasmos.

Sinto também que, dentre tantas coisas importantes ditas pelo sujeito de quem você debocha, você tenha escolhido isso, uma epêntese.

Matar as aulas de edição e produção na faculdade parece não ter sido um bom negócio.

quarta-feira, 16 de março de 2022

 “LULA LIVRE” REQUER SEGURANÇA MÁXIMA - José Nilton Mariano Saraiva

Como parte da grande mídia começa a aventar a possibilidade do ex-presidente Lula da Silva se tornar alvo de atentados no decorrer da campanha eleitoral, (re)postamos texto de nossa lavra redigido meses atrás, tratando sobre (não, não descobrimos a pólvora).

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Meses atrás, adstringindo-se tão única e exclusivamente aos “autos” (as conversas aéticas e escabrosas de Moro e sua quadrilha, interceptadas por hackes, aconteceram muito depois de lavrada a reclamação), a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal houve por bem reparar a tendenciosa decisão do ex-juiz de primeira instância Sérgio Moro, que houvera condenado sem nenhuma prova o ex-presidente Lula da Silva, no tocante ao tal triplex de Guarujá, tanto que o fez sob o hipócrita argumento do cometimento de “atos de ofício indeterminados” (algo absolutamente inédito e inusual em nosso receituário jurídico, porquanto, se “indeterminado”, inexistente).

Impetrado pela defesa do ex-presidente, o julgamento da “suspeição” do ex-juiz houvera sido iniciado nos primórdios de 2018 e já apontava um placar de 2 x 0 favorável àquele magistrado, (votos de Edson Fachin e Carmen Lúcia) quando o ministro Gilmar Mendes solicitou “pedido de vistas” em novembro daquele ano.

Nesse meio tempo, surpreendentemente o ministro Edson Fachin (logo ele, que sempre demonstrou ojeriza ao ex-presidente), em decisão monocrática, opta por “anular” todas as decisões tomadas pelo ex-juiz Sérgio Moro em relação aos processos envolvendo o ex-presidente, porquanto a Vara de Curitiba seria incompetente para julgá-los, remetendo os autos para Brasília (onde tudo recomeçará do começo).

Voltando ao fio da meada: retomado no final de 2019 o processo da suspeição do ex-juiz, Gilmar Mendes e Roberto Lewandowski, VALENDO-SE APENAS DE DADOS CONTIDOS NOS “AUTOS”, (nada sobre as interceptações dos hackes, é bom que se repita, já que estas aconteceram muito depois) decidiram-se favoráveis à defesa do ex-presidente, igualando o placar em 2 x 2, deixando que o voto decisivo (que seria dado pelo decano Celso de Melo, hoje aposentado) fosse proferido pelo “novato” Nunes Marques (piauiense), que houvera sido escolhido a dedo e nomeado meses antes pelo bucéfalo que está Presidente da República.

Coincidentemente, na véspera da retomada do julgamento do pedido de suspeição de Moro, indagado pela imprensa se temia um confronto com o ex-presidente Lula nas eleições de 2022, o “traste” que ocupa a Presidência da República, sarcástico e arrogante, arrotou que Lula da Silva era “inelegível”, como que anunciando antecipadamente qual seria o voto do seu indicado: ou seja, Nunes Marques proferiria o voto que seria a pá de cal e definitivamente inviabilizaria o ex-presidente de concorrer. Dito e feito, e assim, aos 45 minutos do segundo tempo o placar aponta 3 x 2 para o ex-juiz (e, pois, Lula da Silva inelegível).

Surpreendentemente (mas de forma legal) já nos acréscimos do julgamento Carmen Lúcia pede para se manifestar e, de forma incisiva e contundente (logo ela, que sempre votou contra o ex-presidente) decide rever seu voto, em razão de “dados novos apensados aos autos”: 3 x 2, agora pela suspeição do ex-juiz e, consequentemente, pela anulação da pena imposta a Lula da Silva.

Resumo de tudo isso: em duas frentes, o ex-presidente Lula da Silva tem de volta o passaporte homologatório à sua candidatura na próxima eleição, enquanto Sérgio Moro e a quadrilha de procuradorizinhos raivosos de Curitiba são desmascarados de vez (agiram, sim, e de forma tendenciosa, ao arrepio da lei e merecem ser julgados pelos crimes cometidos).

Quanto ao “novato” Nunes Marques, que no seu “debut” em grandes causas no Supremo Tribunal Federal, proferiu seu voto equivocadamente (já que claramente em obediência ao seu tutor), porquanto baseado unicamente nas interceptações dos hackes (que a defesa, Gilmar Mendes, Roberto Lewandowski e Carmen Lúcia não usaram) mostrou que ainda tem muito que aprender (aliás, o próprio lembrou a quem dele discordou, que tenham paciência porque ele ainda tem 26 anos como ministro daquela corte).

No mais, não custa lembrar: como o assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, foi comprovadamente obra de “milicianos” de aluguel, SERIA DE BOM ALVITRE QUE O PT E LULA DA SILVA REFORÇASSEM DE IMEDIATO SUA SEGURANÇA, porquanto Fabrício Queiroz (apesar de tudo o que fez) está livre e solto para servir de elo entre a família Bolsonaro e a “nata” da criminalidade que habita não só morros, mas até condomínios luxuosos no Rio de Janeiro (lembremo-nos que o provável assassino da vereadora Marielle Franco, o tal do Lessa, era morador e vizinho de condomínio da família Bolsonaro).

Fortaleza, 24.03.21
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sexta-feira, 11 de março de 2022

 DESISTIR DO BRASIL ??? - José Nílton Mariano Saraiva


O sonho de todo brasileiro tido como integrante da classe média é o de, ao adentrar o mercado de trabalho, paulatina e sofregamente, mês a mês, se obrigar a guardar parte do seu já minguado salário para, mais à frente (depois de anos), adquirir o “objeto de desejo” de todos nós: um carro próprio, “estalando” de novo (que, de certa forma, pelo menos no seu imaginário, elevará seu “status” ante a sociedade), ao tempo em que propiciará um mínimo de conforto à família.
E como temos uma população significativa e, consequentemente, um mercado interno pujante (pelo menos em termos quantitativos) isso permitiu que grandes montadoras de veículos progressivamente se instalassem no Brasil, oriundas das mais diversas partes do mundo (Estados Unidos, Japão, Rússia, Coréia, China e por aí vai).

Eis que agora, de par com o progressivo achatamento do salário do “trabalhador classe média”, surge um ator que certamente dificultará em muito a realização do tal sonho – o aumento cavalar e insuportável do combustível: gasolina, etanol, diesel e gás (a coisa é tão séria que, manter um carro, hoje, corresponde a agregar uma outra família – insaciável - ao já combalido orçamento familiar).

Como o salário do mortal comum brasileiro é pago na moeda corrente no país, o “real”, e o preço que temos que pagar pelo combustível passou a ser cobrado ao correspondente à moeda internacional, o “dólar americano”, quase que certamente a realização daquele sonho será obstado (afinal, desde 2016, durante o governo Michel Temer, a Petrobras adota a chamada Política de Preços de Paridade de Importação, que vincula o preço do petróleo ao mercado internacional).

Como no “mercado internacional” o mar não está pra peixe em termos de estabilização do dólar (e tudo desgraçadamente gira em torno dele), no médio prazo a perspectiva - sombria, mas realista – será a de que, com um “mercado interno” sem o suficiente poder de compra, a indústria automobilística (ou grandes montadoras) findem por “desistir do Brasil” (afinal, hoje, por aqui, apenas “jogadores de futebol” famosos - uma minoria - firmam seus contratos em dólar).

Questiona-se, então: será que os escorchantes aumentos dos combustíveis findará por inviabilizar a própria indústria automobilística brasileira ???

Em assim acontecendo, dentro em breve vamos ter que recorrer à transformação da nossa “lata velha” (carro antigo) num “guaribado” carro novo, naquele programa do apresentador global.

Vôte...

sexta-feira, 4 de março de 2022

DECISÃO UNÂNIME - José Nílton Mariano Saraiva


E o Ciro Gomes apareceu na TV para deitar falação sobre a decisão unânime do Tribunal Regional Federal 5 (TRF 5 - Recife-PE), que anulou dias atrás a operação de busca e apreensão na sua casa, realizada em dezembro de 2021.

A propósito, convém lembrar que quando o então presidente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), senhor Byron Costa Queiroz foi condenado pela Polícia Federal, aqui no Ceará, em dois processos distintos, a 14 (quatorze) anos de prisão (para cada um), indisponibilidade dos bens e por aí vai, em razão das portentosas falcatruas cometidas em desfavor da instituição, recorreu a esse mesmo Tribunal Regional Federal 5 (TRF 5-Recife) e foi também INOCENTADO POR UNANIMIDADE (nos dois processos).

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

UM "ESTRANHO NO NINHO" - José Nílton Mariano Saraiva

 UM "ESTRANHO NO NINHO" - José Nílton Mariano Saraiva

Em substituição a Collor de Mello, defenestrado da Presidência da República (via impeachment, o primeiro no Brasil), em razão de malversação do dinheiro público (através do seu “braço direito”, PC Farias), assumiu o mineiro Itamar Franco, que houvera sido indicado à vaga de vice teoricamente apenas pra cumprir uma formalidade institucional (a partir dali, no entanto, o tempo restante para o cumprimento do mandato, como titular, seria de 02 anos e 2 dias – de 29.12.92 a 01.01.95). 


Com cara de “avoado” (aquele que está ou vive distraído, ou “nas nuvens”) o despreparo e dificuldade gerencial de Itamar Franco se pôde avaliar pela constância com que mexeu na parte mais sensível do governo durante esses 02 anos: o Ministério da Fazenda (afinal, foram seis -06- os que atuaram na pasta em tal interregno, entre os quais Ciro Gomes). 


Dentre esses seis -06- quem bem aproveitou o tempo que esteve ministro foi o tucano Fernando Henrique Cardoso, que juntou uma “penca” de economistas de primeira linha e começou a alinhavar um “plano de estabilização econômica”, que mais à frente seria denominado “Plano Real”, até porque já tencionava concorrer à sucessão de Itamar Franco (para tanto, teria que desimcompatibizar-se a tempo). 


Na oportunidade, Rubens Ricúpero, ex-embaixador brasileiro nos Estados Unidos o sucedeu, “caindo do cavalo” pouco tempo depois ao, inadvertidamente, ter uma conversa confidencial por demais comprometedora captada por antenas parabólicas (“o que é bom a gente fatura, o que é ruim, esconde”). 


E só aí o “avoado” lembrou de Ciro Gomes, que foi empossado após renunciar ao Governo do Ceará (que houvera assumido meses antes), mas não levou, porquanto os verdadeiros “pais do real” (os economistas lá atrás convocados por FHC) não admitiam intrusos em seu trabalho. 


Não é verdade, pois, a até hoje recorrente afirmação de Ciro Gomes, de que... “ajudei a fazer o Plano Real sob a liderança do Presidente Itamar Franco” (na verdade, era um “estranho no ninho”, tanto que passou apenas 03 meses e 25 dias como ministro).

 

Até porque o “Real” fora adotado e implementado em duas fases distintas: primeiro, através da adoção de uma “moeda escritural”, a URV (Unidade Real de Valor), em 28.02.94, e que foi substituída definitivamente pelo “Real” em 01.07.94, E Ciro Gomes só lá chegou em 06.09.94 (portanto, já encontrou o “prato feito”, sem que tivesse direito a acrescer algum condimento). 


Na sequência, foi “mandado embora” tão logo Fernando Henrique Cardoso assumiu a Presidência da República, sendo substituído por Pedro Malan, daí a birra que até hoje mantém com o próprio (FHC).


Alfim, um lembrete não esquecível: oficialmente, na papelada atinente à criação do Real, as assinaturas lá constantes são de Itamar Franco (Presidente da República) e Rubens Ricúpero (Ministro da Fazenda). 


O resto, é conversa fiada, pra boi dormir. 

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Post Scriptum: 


-Também não é verdadeira a afirmação de Ciro Gomes de que... “eu peguei a inflação com 3% ao mês e entreguei com zero". Afinal, no mês de setembro de 1994, quando ele assumiu a Fazenda, o IPCA – indicador que mede a inflação oficial do país – estava em 1,53% e em seu último mês no cargo a inflação foi de 1,71%. Outrossim, os preços dos produtos ainda subiram 2,62% e 2,81% em outubro e novembro, respectivamente. Os dados são do IBGE. 


-Os economistas que teriam sido os grandes responsáveis pela formulação do Plano Real foram: Pérsio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan, Edmar Bach e Winston Fritsch.

 


terça-feira, 7 de dezembro de 2021

 "CEREJEIRAS EM FLOR" (o filme) - José Nilton Mariano Saraiva


Prenhe de emoções, fotografia belíssima, mas com uma narrativa que exige permanente atenção ( já que um tanto arrastada e sonolenta ) “CEREJEIRAS EM FLOR” não é, definitivamente, um filme que empolgue ou se direcione aos mais jovens; longe disso, adapta-se e parece ter sido produzido, sim, visando à velha-guarda, à turma passada na “casca-do-alho”, aos românticos de plantão, aos sessentões da vida.

No princípio, a primeira e impactante bordoada: a modorrenta rotina de um casal de americanos (classe média), já maduros, filhos dispersos pelo mundo, é quebrada com o recebimento por parte da mulher (Trudi), do duro e apavorante diagnóstico médico sobre um recente “mal-estar” do marido (Rudi): doença incurável e agressiva, poucos meses de vida.

Sua opção, então, é poupá-lo daquela trapaça do destino, blindá-lo até o limite do possível e aproveitar ao máximo o tempo restante junto ao velho companheiro de guerra, sem que, evidentemente, ele desconfie de nada.

Como conhecer as “cerejeiras em flor” e visitar o “monte Fuji” (no Japão) sempre fora o sonho da sofrida Trudi, a sugestão ao marido de empreender aquela tão esperada (e adiada) viagem, aproveitando para também visitar os filhos em Berlim/Alemanha, é feita: e, embora recebida sem muita empolgação pelo sistemático e monossilábico Rudi, é levada adiante.

E aí, já na primeira parada, na Alemanha, começam a se descortinar desagradáveis e amazônicas diferenças entre pais e filhos: para surpresa de ambos, a filha Karolin revela-se uma lésbica assumida (a ponto de beijar na boca a namorada, de língua, na frente dos pais, visivelmente constrangidos), enquanto o filho Klaus, a mulher e os dois netos não se mostram nem um pouco receptivos ou dispostos a acompanha-los pela cidade. O clima pesado é latente.

Num passeio a dois, nos arredores de Berlim, um fatal, desagradável e imprevisto golpe: durante a estadia e pernoite numa simplória pousada, a sempre disposta e saudável Trudi não acorda pela manhã e jaz inerte sobre a cama: morte súbita, na madrugada.

Após a cremação do corpo, o caçula Karl (solteiro), que viera às pressas de Tókio para a cerimônia, a contragosto leva o pai para o Japão. Executivo por demais ocupado, também não tem tempo pra dedicar ao “velho”; e aí, sozinho, vagando sem eira e nem beira, lenço ou documento, pelas ruas da cidade, Rudi se depara com uma jovem dançarina de butô (de nome Yu), ainda adolescente e (descobre mais tarde) órfã e moradora de rua. Aprende muito com ela.

E é através de Yu que Rudi resolve “mostrar” à sua inesquecível e querida Trudi as cerejeiras em flor e o monte Fuji; para tanto, no momento propício, por baixo das próprias roupas passa a usar as roupas da mulher e, quando do DESABROCHAR DAS CEREJEIRAS EM FLOR, ele simplesmente se livra das suas vestes e carinhosamente se porta como se fora a própria, dedicando-lhe aquele momento mágico.

Já o segundo ato da homenagem à Trudi revela-se um tanto quanto mais difícil: hospedado (por vários dias) ao sopé do “tímido” (sempre escondido) monte Fuji, todas as manhãs ao abrir a janela do quarto se depara com o mau tempo a encobrir a montanha. Já desapontado e prestes a partir, faz uma última tentativa e, então, depara-se com aquela visão estonteante, soberba, magnífica: à sua frente (ou literalmente aos seus pés) o monte Fuji revela-se por completo, coberto de neve, com toda a sua indescritível beleza e pujança.

Sai às carreiras, aproxima-se o mais que pode e, livrando-se das vestes masculinas, TRANSMUDA-SE EM TRUDI, dedicando-lhe aquele momento sublime. Sozinho, ensaia passos de uma dança que dançara com a mulher lá na pousada, na noite anterior à sua morte e, como já cumprira com o seu dever – “MOSTRAR” a Trudi as cerejeiras em flor e o monte Fuji (que ela tanto queira conhecer) não resiste a tamanha emoção e tomba... morto.

Sem dúvida, um grande filme.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

ATLÉTICO MINEIRO - EM "UM OUTRO PATAMAR" - José Nílton Mariano Saraiva

ATLÉTICO MINEIRO, EM “UM OUTRO PATAMAR” - José Nílton Mariano Saraiva


Merecidamente, com três rodadas de antecedência, o time do Atlético Mineiro sagrou-se Campeão do Brasileirão 2021, desbancando o favorito e milionário elenco do Flamengo (mais conhecido como Mengão, mas que transmutou-se em “mingau” e foi comido pelas beiradas).

Para tanto, o Atlético formou um esquadrão de respeito, onde se destacam dois repatriados (Hulk e Diego Costa, ambos ainda jogando muita bola) junto com alguns estrangeiros (do Chile; Vargas; da Argentina: Zaracho e Nacho Fernandez; da Venezuela: Savarino; do Equador: Alan Franco; da Colômbia: Dylan; e do Paraguai: Alonso) que se encaixaram como uma luva no time comandado pelo experiente treinador Cuca.

Fato é que, a conquista do bicampeonato brasileiro (a primeira vez foi 50 anos atrás) certamente será eternizada por torcedores mais fanáticos, através de tatuagens, do pagamento de promessas ao santo preferido e – por que não - do batismo do filho recém-nascido com o nome do jogador do time; assim, não nos surpreendamos se, não mais que de repente (daqui a 09 meses, pelo menos) tenhamos uma série de Hulks, Diegos, Aranas e por aí vai).

E aí, não custa lembrar que, décadas atrás esse mesmo Atlético Mineiro cometeu a ousadia de contratar um dos maiores goleiros do mundo (da época), e que brilhou em Copas do Mundo e torneios internacionais defendendo sua seleção: o uruguaio Mazurkiewicz, que simplesmente, na versão futebolística, “pegava tudo, até pensamento” (era difícil vencê-lo) e que foi campeão e virou ídolo no Atlético.

E isso foi traduzido quando um apaixonado torcedor do time resolveu homenageá-lo, para sempre, batizando o primeiro filho com o seu nome: Mazurkiewicz.
Só que a homenagem, por conta do despreparo do anotador cartorário, saiu um tanto quanto “truncada” (para não dizer atrapalhada) já que Mazurkiewicz transformou-se, sem mais nem menos, em Mazuquiebe (e carregará ad aeternum tal nome). Isso, no entanto, não deslustra ou invalida a intenção original do pai/torcedor. O ídolo foi referenciado, sim.

Uma outra homenagem, também ocorrida em Minas Gerais e coincidentemente envolvendo mais um jogador de futebol, deu-se quando a mãe resolveu batizar o rebento com o nome de Fábio Júnior, que mais tarde viria a ser um dos grandes ídolos do América Mineiro.

Pois bem, apesar de “parrudo”, Fábio Júnior era dono de uma boa técnica e conseguiu destacar-se mesmo atuando num time de menor expressão.

Tanto que, ao término de mais uma partida pelo Campeonato Mineiro, o repórter abordou-o para a tradicional entrevista sobre o resultado do jogo, o gol que fizera, o “banho de cuia” que desmoralizou o zagueiro adversário e por aí vai e, ao final, carinhosamente resolveu mandar “...um abraço para o seu Fábio”, E aí se deu um diálogo interessante:

Jogador : “quem é seu Fábio ???”
E o repórter, surpreso: “Ué, seu pai, você não é o Fábio Júnior ???”.
O jogador, assustado, retomando a palavra: “Tá de brincadeira, ó cara, o nome do meu pai é Bastião”;
O repórter, abismado: “mas como, o seu nome não é Fábio Júnior ???”
E aí veio o esclarecimento definitivo:
Jogador: “não, cara, é que minha mãe era fã de carteirinha do cantor Fábio Júnior e resolveu homenagear ele me dando o mesmo nome”;
O repórter, agora mais tranquilo, não perdeu a pose: “bem, então dê o meu abraço em seu Bastião, ok ???”
Jogador, rindo: “OK, obrigado”.

A curiosidade é que nenhum dos “Fábios” (o original e o genérico) é filho de nenhum “Fábio” (Senhor), a fim de ter no sobrenome o “Júnior”; enquanto o que “poderia” ter sido o pai (o cantor) se chama Fábio Correa Ayrosa Galvão (nascido em São Paulo em 21.11.1953 e filho de William), o que “quase” foi seu filho (o jogador), assina Fábio Júnior Pereira (nascido em Minas Gerais em 20.11.1977 e filho de Sebastião da Silva Pereira).

Exerceram competentemente as respectivas profissões, apesar, evidentemente, da acentuada diferença de idade: nasceram no mesmo mês (11), quase no mesmo dia (20/21), mas, o ano (quanta diferença): 1953 e 1977.

Mas, pensando bem e aqui pra nós, bem que um poderia ser pai do outro, né não ???

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

O "RISCO" SÉRGIO MORO - José Nílton Mariano Saraiva

 O “RISCO” SÉRGIO MORO - José Nílton Mariano Saraiva


Na Itália, no alvorecer de 1992, foi deflagrada a Operação Mani Pulite (Mãos Limpas), visando o combate à corrupção, que provocou prisões, suicídios, quebradeira generalizada, mortes e a própria desestabilização socioeconômica do país.

Para alguns, vitoriosa, fato é que ao seu final emergiu como “salvador da pátria” ninguém menos que o comprovadamente corrupto e ligado à máfia, empresário midiático Sílvio Berlusconi, num redesenho político por ninguém esperado. E como que a contestar o sucesso da Operação Mani Pulite, em sua administração a corrupção não arrefeceu e continuou a reinar, apesar do colapsar de tradicionais partidos políticos.

Tudo a ver com o atual quadro reinante no Brasil, onde a Operação Lava Jato, iniciada em 2014 e comandada pelo “deslumbrado” juiz de primeira instância, Sérgio Moro, interferiu de modo cruel e crucial na economia e na política, literalmente paralisou o país, desempregou milhões e atentou contra a própria democracia, já que a Constituição Federal foi dia a dia desrespeitada.

Dentre outros direitos, por exemplo, acabou a presunção de inocência, assim como foi ignorada a obrigatoriedade de provas para se prender alguém. A “perseguição implacável e sistemática” a um ex-presidente foi diuturna e escancarada, objetivando não permitir que algum dia voltasse nos braços do povo.

E quando se pensava que o Supremo Tribunal Federal, como guardião da Constituição Federal, poria um fim nos comprovados excessos do juiz Sérgio Moro, prevaleceu o que já houvera sido decidido lá atrás (durante a Ação Penal 470, mais conhecida por mensalão) quando a ministra Rosa Weber, passando por cima do ordenamento jurídico nacional, durante um dos julgamentos de presos políticos, asseverou: “NÃO TENHO PROVA CABAL contra José Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. E assim foi feito. E ficou por isso mesmo.

Portanto, para que compreendamos o “RISCO” iminente imiscuído no apoio ao ex-juiz Sérgio Moro, no momento em que ele se anuncia candidato à Presidência da República, em 2022, temos que direcionar os holofotes para um seu artigo (Considerações sobre a Operação Mani Pulite) do princípio da década 2001.

Para reflexão, transcrevemos trechos daquele extenso arrazoado. Qualquer semelhança com a desonesta ofensiva contra o PT e Lula da Silva, desde sempre, não foi mera coincidência. Foi, sim, um propósito claro e definido: acabar com a agremiação e desmoralizar seu ícone maior (um dos maiores Presidentes da República que o Brasil já teve), prendendo-o sem nenhuma prova de qualquer crime, já que por “atos de ofícios indeterminados” e alijando-o da disputa presidencial.

O resultado é que, num primeiro momento, tal qual lá (na Itália) cá (no Brasil) surgiu alguém vinculado à máfia miliciana e defensor da tortura (Jair Bolsonaro), gestado no raivoso ventre oposicionista, e o resultado, catastrófico, estamos a vivenciar nos dias atuais. E o mesmo Sérgio Moro, o instrumento necessário para que Bolsonaro chegasse lá, agora se declara candidato à presidente, certamente objetivando implementar o mesmo modus operandi italiano por aqui.

Confiram (ipsis litteris) o que pensa o deslumbrado ex-Juiz Moro:
“A DESLEGITIMAÇÃO da classe política propiciou um ímpeto às investigações de corrupção e os resultados desta fortaleceram o processo. Consequentemente, as investigações judiciais dos crimes contra a Administração Pública espalharam-se como fogo selvagem, desnudando inclusive a compra e venda de votos e as relações orgânicas entre certos políticos e o crime organizado. As investigações “mani pulite” minaram a autoridade dos chefes políticos – como Arnaldo Forlani e Bettino Craxi, líderes do DC e do PCI – e os mais influentes centros de poder, cortando sua capacidade de punir aqueles que quebravam o pacto do silêncio. Assim, o processo de DESLEGITIMAÇÃO POLÍTICA foi essencial para a própria continuidade da operação mani pulite”.

“A operação “mani pulite” redesenhou o quadro político na Itália. Partidos que haviam dominado a vida política italiana no pós-guerra, como o Socialista (PSI) e o da Democracia Cristã (DC), foram levados ao colapso, obtendo, na eleição de 1994, somente 2,2% e 11,1% dos votos, respectivamente. Talvez não se encontre paralelo de ação judiciária com efeitos tão incisivos na vida institucional de um país”.

“Os responsáveis pela operação mani pulite ainda FIZERAM LARGO USO DA IMPRENSA. Com efeito: para desgosto dos líderes do PSI, que, por certo, nunca pararam de manipular a imprensa, a investigação da Mani Pulite VAZAVA COMO UMA PENEIRA. Tão logo alguém era preso, detalhes de sua confissão eram veiculados no L'Expresso, no “La República” e outros jornais e revistas simpatizantes. Apesar de não existir nenhuma sugestão de que algum dos procuradores mais envolvidos com a investigação teria deliberadamente alimentado a imprensa com informações”.

“OS VAZAMENTOS SERVIRAM A UM PROPÓSITO ÚTIL: O CONSTANTE FLUXO DE REVELAÇÕES MANTEVE O INTERESSE DO PÚBLICO ELEVADO E OS LÍDERES PARTIDÁRIOS NA DEFENSIVA. Bettino Craxi, especialmente, não estava acostumado a ficar na posição humilhante de ter constantemente de responder a acusações e de ter a sua agenda política definida por outros”.

"A publicidade conferida às investigações teve o efeito salutar de alertar os investigados em potencial sobre o aumento da massa de informações nas mãos dos magistrados, favorecendo novas confissões e colaborações. Mais importante: GARANTIU O APOIO DA OPINIÃO PÚBLICA ÀS AÇÕES JUDICIAIS, impedindo que as figuras públicas investigadas obstruíssem o trabalho dos magistrados, o que, como visto, foi tentado”.

“A estratégia de investigação adotada desde o início do inquérito SUBMETIA OS SUSPEITOS À PRESSÃO DE TOMAR DECISÃO QUANTO A CONFESSAR, espalhando a suspeita de que outros já teriam confessado e levantando a perspectiva de permanência na prisão pelo menos pelo período da custódia preventiva no caso da manutenção do silêncio ou, vice-versa, de soltura imediata no caso de uma confissão (uma situação análoga do arquétipo do famoso dilema do prisioneiro)”.

“Além do mais, havia a DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE UMA CORRENTE DE CONFISSÕES OCORRENDO ATRÁS DAS PORTAS FECHADAS DOS GABINETES DOS MAGISTRADOS. Para um prisioneiro, a confissão pode aparentar ser a decisão mais conveniente quando outros acusados em potencial já confessaram ou quando ele desconhece o que os outros fizeram e for do seu interesse precedê-los”.

“O ISOLAMENTO NA PRISÃO ERA NECESSÁRIO PARA PREVENIR QUE SUSPEITOS SOUBESSEM DA CONFISSÃO DE OUTROS: dessa forma, acordos da espécie “eu não vou falar se você também não” não eram mais uma possibilidade. HÁ QUEM POSSA VER COM MAUS OLHOS TAL ESTRATÉGIA DE AÇÃO E A PRÓPRIA “DELAÇÃO PREMIADA”.

“A PRISÃO PREJULGAMENTO é uma forma de se destacar a seriedade do crime e evidenciar a eficácia da ação judicial, especialmente em sistemas judiciais morosos. Desde que presentes os seus pressupostos, não há óbice moral em submeter o investigado a ela. As prisões, confissões e a publicidade conferida às informações obtidas geraram um círculo vicioso, consistindo na única explicação possível para a magnitude dos resultados obtidos pelo operação Mani Pulite”.

“A PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA, NO MAIS DAS VEZES INVOCADA COMO ÓBICE A PRISÕES PREJULGAMENTO, NÃO É ABSOLUTA, constituindo apenas instrumento pragmático destinado a prevenir a prisão de inocentes. Vencida a carga probatória necessária para a demonstração da culpa, aqui, sim, cabendo rigor na avaliação, não deveria existir maior óbice moral para a decretação da prisão, especialmente em casos de grande magnitude e nos quais não tenha havido a devolução do dinheiro público, máxime em país de recursos escassos. Mais grave ainda, no Brasil, a prisão pós-julgamento foi também tornada exceção, para ela exigindo-se, por construção jurisprudencial, os mesmos pressupostos da prisão prejulgamento”.

"NO BRASIL, ENCONTRAM-SE PRESENTES VÁRIAS DAS CONDIÇÕES INSTITUCIONAIS NECESSÁRIAS PARA A REALIZAÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL SEMELHANTE. Assim como na Itália, a classe política não goza de grande prestígio junto à população, sendo grande a frustração pelas promessas não-cumpridas após a restauração democrática”.
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Como se vê, fascismo puro. Na veia. Sem choro nem vela. É isso que queremos pro Brasil ???