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quinta-feira, 18 de março de 2021

O "JOGO PESADO"... DO VATICANO - José Nilton Mariano Saraiva

 O “JOGO PESADO”... DO VATICANO - José Nilton Mariano Saraiva

Quem conhece um pouco da história da Igreja Católica Apostólica Romana sabe, perfeitamente, que por trás dos indevassáveis muros do Vaticano e ao longo dos seus incontáveis corredores e porões, entre abraços de tamanduá, tapinhas nas costas e falsos sorrisos, existe uma espécie de briga de foice em quarto escuro, na oportunidade em que se tem de escolher um novo Papa; conchavos, corrupção, falsidade, traição, oferecimento de vantagens, tráfico de influência, concessões e o escambau são a essência dos encontros cardinalícios quando da escolha do sucessor de Pedro.

Assim, quando a “fumaça branca” emerge da cafonérrima chaminé do Vaticano, anunciando ao mundo a escolha do novo Papa, o jogo jogado até ali terá sido pesado e desleal, e nem sempre o resultado do conclave é do agrado de todos.

Quem não lembra do alegre cardeal italiano Luciane, que após entronizado e rebatizado como João Paulo I, em pouco mais de um mês no exercício da função foi encontrado morto em seus aposentos, suspeito de ter sido envenenado por discordar do “modus operandi” vigente ???

Assim, no Vaticano nada difere das diversas arenas políticas espalhadas pelo mundo, quando da eleição de mandatários nos mais diversos países. É o tal “componente político”, que na cúpula da Igreja Católica também se faz presente, sim.

Por essa razão, aquele que consegue “chegar lá”, trata de segurar o bastão por cima de pau e pedra (se possível até o instante em que “bate as botas”), nem que para tanto tenha que enfrentar constrangimentos mil (conforme nos mostrou o carismático polonês João Paulo II, que, acometido de todo tipo de doença - Parkinson, demência, dificuldade motora, etc), não largou o osso de forma alguma. Foi duro na queda.

Surpresa, sim, houve, quando, quase chegando aos 80 anos, o cardeal alemão Joseph Ratzinger, radical ex-integrante da juventude nazista e ultraconservador, conseguiu sucedê-lo, após acirrado conclave; afinal, havia a expectativa de uma nova era para a Igreja, uma nova postura ante os desafios do mundo moderno.

No entanto, pós eleição, Ratzinger (agora Bento XVI) manteve sua postura de distanciamento ao que acontecia no seu entorno, já que os ultrapassados e envelhecidos dogmas da Igreja Católica jamais foram ameaçados; assim, celibato, divórcio, aborto, contraceptivos, punição de padres pedófilos, alinhamento político do clero com causas sociais e políticas do terceiro mundo, enfim, desafios típicos do contemporâneo mundo foram deixados de lado.

Para surpresa de todos, eis que, apenas oito anos após sentar-se no trono papal, cansado, abatido e sob uma pressão insuportável, Bento XVI anunciou que iria “se mandar” (renunciar ao trono de Pedro), deixando seu rebanho na orfandade (e de um pai vivo).

E aí, a revelação “bombástica”: na cúpula da Igreja Católica, anunciou ele, vige, sim,... "a hipocrisia religiosa, o comportamento dos que querem aparentar, as atitudes que buscam os aplausos e a aprovação" (ipsis litteris).

Portanto, se nada fez de produtivo durante sua gestão de 08 anos à frente da Igreja Católica Apostólica Romana, o alemão de certa forma se redimiu ao anunciar aos seus pares, de viva voz, aquilo que todo mundo já desconfiava: no Vaticano, cerne do cristianismo, impera a discórdia, o jogo sujo, a luta (fratricida e desonesta) pelo poder. Enfim, o “componente político”.





quarta-feira, 17 de março de 2021

"BIOGRAFIAS" - José Nilton Mariano Saraiva

 “BIOGRAFIAS” – José Nilton Mariano Saraiva

Embora poucos tenham se dado conta, na República Federativa do Brasil existe um “cantinho” onde seu povo, por conta própria, decidiu adotar o “regime monárquico”. E, gulosos que são, para fazer inveja a quem de direito, os integrantes desse “cantinho” acharam por bem que teríamos não um, mas “dois reis”, independentemente de alguém aprovar ou não; assim, temos o “rei” Roberto Carlos (cantor romântico) e o “rei” Pele (no futebol).

Sobre o “rei” Pele, já foram escritas milhares e milhares de páginas, realçando, sempre, sua performance “nos gramados” do mundo inteiro e os encontros sociais com seus “iguais” (reis de tudo que é canto). Hoje, o questionamento é sobre a retidão do seu “caráter”, porquanto  teria deixado de reconhecer uma filha legítima, porque gerada fora do casamento.

No tocante ao rei Roberto Carlos, embora de vida discreta, sabe-se que já  casou uma “ruma” de vezes, gerou um prole considerável, mas, outro dia foi manchete na mídia nacional em razão de ter ameaçado processar um jornalista que decidira lhe fazer uma homenagem, escrevendo sua biografia, sem consultá-lo.

Portanto, a “reflexão”, seria: biografias devem ou não ser autorizadas ?

O bafafá a respeito nos remete a uma entrevista concedida pelo jornalista Lira Neto, depois que colocou no mercado, em 2009, a volumosa (e cara) biografia que produziu enfocando o padre Cícero Romão Batista (são centenas e centenas de páginas).

Pois bem, após narrar o conceito “objetivo” da Igreja Católica a respeito (tanto que na prática redundou na expulsão do sacerdote das suas hostes), bem como as “subjetividades” dos fanáticos adeptos (tanto que sem nenhuma comprovação dos pretensos milagres), aquele jornalista foi instado a pronunciar-se se acreditava realmente na ocorrência do tal “milagre da hóstia”.

Depois de tergiversar, gaguejar, tossir e pigarrear, Lira Neto diplomaticamente “tirou o braço da seringa”, ao afirmar que àquela época, lá (em Juazeiro do Norte) houvera acontecido “ALGUMA COISA”, mas que não poderia precisar o “quê”.  Ou seja, até o biógrafo levanta dúvidas a respeito da veracidade da informação que acabara de divulgar.

Sem dúvida, uma ducha de água fria nos adeptos de Cícero Romão Batista, que aguardavam um depoimento incisivo e contundente de sua parte, confirmando a sua convicção a respeito (afinal, não manifestada).

Assim , o “houvera acontecido alguma coisa”, do biógrafo Lira Neto, deixa a porta entreaberta para que livremente trafeguem versões outras e mais consistentes, inclusive e principalmente a da própria Igreja Católica, segundo a qual o tal “milagre da hóstia” não passou de uma grotesca farsa e desbragado charlatanismo, tanto que seu arquiteto-idealizador (o próprio Cícero Romão Batista) foi sumariamente desautorizado, excomungado e expulso da instituição.

Particularmente, entendemos que ancorados no generoso e amplo sentido embutido no conceito “liberdade de expressão”, ninguém tem o direito de sair por aí devassando a vida de outrem, sem prévia autorização (do próprio, se vivo, ou de pessoas autorizadas, pós morte), já que objetivando puramente fins mercantis.

domingo, 14 de março de 2021

O "GARANHÃO HOLANDÊS" - José Nilton Mariano Saraiva

 O “GARANHÃO HOLANDÊS" - José Nilton Mariano Saraiva

Visualmente, ele não tem nada de especial ou que chame a atenção da mulherada: barriga tipo tanquinho, óculos fundo de garrafa e um tanto quanto desengonçado devido à altura, o holandês Ed Houben de repente virou celebridade, tornou-se um verdadeiro pop star, atração por onde anda, em razão da nova e interessante profissão que adotou: potencial “reprodutor humano” (tanto que apareceu no “Fantástico”, da Globo).

Sem cobrar nada, mas unicamente imbuído em “prestar favor”, ele vem ajudando mulheres de todo o mundo a engravidar, naquilo que ele considera “um dever moral”. A condição é uma só: que a “operacionalização” se dê através do método tradicional, ou seja, via prática do “ato sexual”.

Magnânimo, para Ed não há nenhum tipo preferencial de mulher: pode ser alta ou baixa, negra ou branca, gorda ou magra, rica ou pobre, olhos verdes ou castanhos, cabelo liso ou pixaim e por aí vai (ele "traça" todas, sem qualquer preconceito).

E a “coisa” parece que “pegou” de vez e de uma forma tal, porquanto o distinto garante que já engravidou mulheres na Holanda, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Inglaterra, Itália, Israel, França, Áustria, Canadá e Vietnã (de tais encontros, assegura que já vieram ao mundo mais de 100 filhos).

Pois bem, a fama do distinto é tanta que meses atrás Ed “pintou no pedaço” (Brasil) a fim de atender pedidos de mais de 100 (cem) mulheres no eixo São Paulo-Brasília-Rio de Janeiro (e a próxima parada, já agendada, será na longínqua China, onde já foi requisitado por dezenas de mulheres).

Todo gabola e picado pela mosca azul, o cosmopolita "GARANHÃO HOLANDÊS" garante que a qualidade e a quantidade dos seus espermatozoides são acima do normal, mas que... “essa rotina é muito estressante, já que eu perco um tempão nisso” (será que tá “abusando da fruta"???).

E atenção para o detalhe: o único custo para as mulheres que têm interesse em “encomendar” um rebento robusto e saudável é fornecer-lhe passagem (ida e volta) e estadia em hotéis cinco estrelas. Só isso, nada mais.

E aí, será que Ed Houben deixou algum fruto por aqui ??? As mulheres cearenses ficaram satisfeitas ???

quarta-feira, 10 de março de 2021

"MOVIDOS PELO ÓDIO" - José Nilton Mariano Saraiva

 Os que conhecem um pouco da história da humanidade certamente hão de lembrar que o “holocausto nazista” teve como mola propulsora e determinante o “ódio visceral” que Adolf Hitler devotava aos judeus de todo o mundo, porquanto, segundo ele, uma raça inferior, a ser exterminada definitivamente da face da Terra, independentemente de ser adulto ou criança, homem ou mulher, preto ou branco e por aí vai (assim, em poucos meses seis milhões deles serviram de cobaia e padeceram de experimentos horrorosos nas mãos dos carrascos nazistas, sem dó nem piedade, antes de serem encaminhados às câmaras de gás).


Guardadas as devidas proporções, mas com DNA idêntico (o “ódio visceral”) no Brasil dos dias atuais o mesmo tratamento foi adotado pelos integrantes da Operação Lava Jato contra o ex-presidente Lula da Silva e família; assim, todo tipo de atrocidades e desvios ilegais foram contra ele perpetrados, visando eliminá-lo de vez da vida pública (aqui, uma tortura “não física”, mas a seletiva e igualmente eficiente: a “tortura psíquica”).


Pra começar, o estupro ou roubo da própria identidade do ex-presidente, já que, de forma sarcástica e pejorativa, a ele se referiam apenas e tão somente como o “9” (ou “nine”, em inglês) em razão de ter apenas 9 dedos nas duas mãos (face ter perdido 1 deles num acidente de trabalho, como todos sabemos, quando ainda metalúrgico).


Exemplo: em mais uma tentativa de agradar ao chefe (Deltan Dallagnol) a procuradora Laura Tessler houvera redigido mais uma peça acusatória contra Lula da Silva e, quando advertida da absoluta falta de materialidade da mesma, força e barra, insiste e persiste, porque… “VAI SER DIVERTIDO DETONAR UM POUQUINHO MAIS A IMAGEM DO 9”.


De outra parte, é sabido que, indistintamente, todos os presos em regime fechado têm o direito, previsto em lei, de acompanhar o enterro de familiares próximos (pai, mãe, filho, irmão e por aí vai).


Pois bem, quando do enterro do irmão mais velho, Vavá, Lula da Silva, que houvera sido preso a mando de Sérgio Moro (mesmo sem nenhuma prova) solicitou a competente autorização para comparecer ao enterro.


Então, a Polícia Federal emite um parecer afirmando que seria temerário liberá-lo, porquanto poderia ser sequestrado pela militância. Ao que um dos procuradores da Lava Jato (Januário Paludo, o decano) irônico e sarcástico, debocha: “O SAFADO SÓ QUER MESMO PASSEAR”.


Essas e outras revelações desumanas e asquerosas constam de diálogos no Telegram, e deixam claro que Moro, Dallagnol e demais procuradorizinhos raivosos, tal qual Adolf Hitler, agiam, sim… “MOVIDOS PELO ÓDIO” (em relação ao ex-presidente e familiares).













domingo, 7 de março de 2021

VAMOS MORRER BOVINAMENTE ???

 VAMOS MORRER BOVINAMENTE ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Tivéssemos um dirigente com um mínimo de sensibilidade, discernimento, responsabilidade e respeito ao povo, quando o coronavírus começou a fazer o “estrago” que fez na China e na Europa, teríamos adotado medidas preventivas para recepcioná-lo quando aqui aportasse.

O que se viu, no entanto, foi o psicopata que está Presidente da República tentar fazer gracinha com coisa séria, ao rotulá-lo de uma “gripezinha” ou um “resfriadinho”, incapaz de atingir o Brasil (porquanto, asseverou, o brasileiro “toma banho até em água de esgoto e não adoece”).

Deu no que deu e, hoje, no entender de renomados cientistas de todo o mundo, o nosso país se acha na iminência de tornar-se o “celeiro” do vírus mortal e, pois, passível de ser isolado do resto do mundo, tornar-se um pária internacional (como, aliás, reverberou jubilosamente, dias atrás, o analfabeto que está Ministro das Relações Exteriores).

E bem que poderia ser diferente. Afinal, lá nos primórdios, quando o vírus mostrou seu transnacional apetite mortífero, o governo federal recebeu pelo menos 03 ofertas do Instituto Butantan, no tocante à vacina a ser usada para enfrentá-lo.

A primeira, em julho/2020, previa a possibilidade de entrega de 60.000.000 (sessenta milhões) de doses, ainda no último trimestre do ano passado; não houve interesse e, assim, pelo menos 30.000.000 (trinta milhões) de brasileiros deixaram de ser imunizados (com duas doses).

Uma segunda oferta foi feita no mês de agosto/2020, de 45.000.000 (quarenta e cinco milhões) de doses ainda naquele ano, e os 15.000.000 (quinze milhões) de doses restantes no primeiro trimestre de 2021; de novo, outra vez, novamente, não houve interesse (porque a vacina era “chinesa”).

Na terceira oferta, em novembro/2020, o Burantan aumentou o quantitativo para 100.000.000 (cem milhões) de doses; de novo, não houve retorno (mas, segundo declarou o medíocre e neófito general Ministro da Saúde, não havia necessidade de “tanta aflição”, porquanto não era o governo que tinha que ir atrás de vacinas, mas, sim, as farmacêuticas é que tinham a obrigação de vir oferecê-las).

Há que se destacar, ainda, que desde setembro do ano passado, já em pleno auge da pandemia, a farmacêutica Pfizer ofereceu ao governo brasileiro nada menos que 70.000.000 (setenta milhões) de doses da vacina contra o coronavírus. Mais à frente, aumentou tal quantitativo para 100.000.000 (cem milhões) de doses. A proposta também não foi aceita, nem houve justificativa para tal crime.

Hoje, quando o Brasil lidera o ranking dos atingidos pelo coronavírus, com absurdas 2.000 mortes diárias (com tendência de atingir 3.000 já, já) estamos a mendigar às farmacêuticas do mundo todo por um resto de vacina que exista (é que, como o governo brasileiro não se manifestou na época devida, outros

países tomaram o seu lugar na fila).

O resultado de tal descaso é que estamos praticamente com 270.000 mortes (e com tendência de, no ritmo galopante que vivenciamos, chegarmos dentro de pouco tempo aos 300.000 óbitos); de outra parte, o número de infectados já passou dos 10.000.000.

É evidente que o principal responsável por tal descalabro, pela omissão criminosa praticada, tem nome e endereço: Jair Messias Bolsonaro, Palácio do Planalto, Brasília-DF.

Por essa razão, é incompreensível que não tenha ainda surgido um movimento sério, de caráter nacional, objetivando interditar ou afastar esse psicopata incompetente da Presidência da República, pelo via judicial ou através das ruas (afinal, temos um autentico genocídio em execução).

Ou vamos esperar a morte chegar, bovinamente ??? Que povo mais frouxo e acomodado é esse, PQP ???

A propósito, aos que não lembram, “psicopata” é aquele ser... “possuidor de ‘sintomas de transtorno de personalidade antissocial’, que expressa insensibilidade em relação a outras pessoas, busca sempre o conflito, é extremamente egocêntrico e nunca demonstra sentir culpa, arrependimento ou remorso”.

terça-feira, 2 de março de 2021

"RIXA" ENTRE GENERAIS - José Nilton Mariano Saraiva

Nos primórdios/meados de 2018 (aí pelo mês de abril), já padecendo de grave enfermidade degenerativa (tanto que fazendo uso de cadeira de rodas), o general Eduardo Villas Boas, à época Comandante do Exército Brasileiro, teve influência decisiva para que o Brasil chegasse à situação calamitosa atual, ao abertamente desafiar o Supremo Tribunal Federal (via articulação golpista), fazendo-o recusar um habeas corpus que poderia ter impedido a prisão do ex-presidente Lula da Silva (assim, o ex-presidente viu-se inviabilizado de voltar à Presidência da República, já que favorito absoluto nas pesquisas).

E não foi nem preciso usar sequer uma simplória baladeira como arma. Cirúrgico, o instrumento usado para tal fim foram duas postagens na Internet, e enviadas à Rede Globo minutos antes de mais uma edição do Jornal Nacional, de forma que pudessem ser divulgadas para todo o Brasil em horário nobre e naquela mesma noite, onde declarava:

a) “nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais”; e

b) “asseguro à nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem, de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões”.

A consequência foi a ascensão do Bózo e sua gangue ao poder, logo após.

Pois bem. Recentemente, durante o lançamento de um livro laudatório à sua pessoa, questionado sobre, o general Villas Boas declarou que aquele procedimento teria sido uma “decisão conjunta do alto comando do exército”, visando impedir a qualquer custo que o Supremo Tribunal Federal concedesse o tal habeas corpus (que poderia beneficiar o ex-presidente).

Eis que, um dos generais integrantes do “alto comando” do Exército à época (e que “está” ministro do atual desgoverno) tira o braço da seringa ao vir a público afirmar corajosamente não ser verdade o que dissera o general Villas Boas, porquanto não tomara parte daquela decisão (ou sequer fora ouvido) sobre.

Ou seja, um dos dois generais, independentemente da hierarquia funcional de momento, faltou com a verdade ou mentiu desavergonhadamente.

Fato é que, depois de eleito e numa cerimônia pública para a qual o general Villas Boas foi um dos convidados de honra (mesmo em cadeira de rodas), em seu pronunciamento o agora presidente, dirigindo-se diretamente a ele, afirmou de forma peremptória e incisiva ter sido o general um dos principais responsáveis por ele ter conseguido chegar ali (se eleger presidente) e que... “aquela conversa que tivemos levarei para o túmulo” (o que teriam conversado ???).

Logo após, mesmo inválido (com dificuldade de locomover-se), em estado vegetativo-terminal e, consequentemente, improdutivo para qualquer atividade, o general Villas Boas foi aquinhoado com uma dessas “suculentas” e prestigiadas assessorias (“aspone”, vulgo assessor pra porra nenhuma) junto à Presidência da República, sem nenhuma obrigação de sequer chegar nas proximidades do Palácio do Planalto (sede do governo) em dias de pagamento (a grana é religiosamente creditada em conta).

Só que “guloso”, o general ainda conseguiu com que uma das filhas fosse nomeada e inclusa numa das folhas de pagamento do governo federal.

No mais, como um diz que foi uma “decisão conjunta do alto comando do exército” e o outro retruca que sequer foi convidado a opinar (sobre o comunicado enviado à Globo), quem merece ficar com a pecha ou alcunha de mentiroso: o “general-chefe” ou o “general-subordinado” ???

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Gangorra

 


J. FLÁVIO VIEIRA

 

                                               Várzea Alegre, berço do meu pai e avós, como o próprio nome indica, é a terra mais jocosa do Cariri. O riso, ali, é quase uma instituição pública e a jocosidade , a irreverência são cultuados com a mesma fortaleza que, EM  outras terras,  reverenciam-se  heróis épicos. Essa maneira desprendida , sutil e vaporosa de olhar a vida, focando mais nas suas incongruências que nas suas certezas, faz do varzealegrense uma figura radiante, jovial , pronto, a todo instante, a quebrar as solenidades insuportáveis do cotidiano. Eles vivem atapetando os dias de histórias , estripulias e potocas de seus tantos Pedro Malasartes,  Cancão de Fogo e João Grilo. Nas narrativas, os presepeiros sempre são os principais protagonistas  das histórias burlescas que entrecortam o cerimonial monocórdico e solene dos discursos, das rezas, das ladainhas.

                                   Dali saltou a tradição dos “Contrastes” que preenche tantos e tantos relatos da  Terra de Papai Raimundo e que vão sendo catalogados, cuidadosamente ,numa espécie de fabulário popular e contados , de geração a geração, num doce exercício de memorialística e oralidade. Dias desse ganhei um livro onde se catalogava a culinária popular de Várzea Alegre, minunciosamente, entre eles seu impagável Cuscuz de Arroz.  Alguns dos disseminadores dessa tradição  ficaram famosos como o Padre Vieira, Zé Clementino e o poeta Zé Gonçalves. Mas a força perenizadora   deste legado está na grande galeria de contadores  de chistes , troças e pilhérias que pululam por todos os cantos e esquinas da cidade. E até saltam dos limites do município, numa espécie de grande Várzea Alegre, em vilas circunvizinhas como Mangabeira, Cedro, Várzea da Conceição. Este espírito folgazão e galhofo levou a cidade a ter o mais animado carnaval de rua do Cariri. E , possivelmente, fez do varzealegrense o mais  bairrista dos caririenses. Viajam, ganham o mundo, naquele destino quase semítico do nordestino, mas nutrem o sonho eterno de, juntado algum pé-de-meia, retornarem , definitivamente, para finalizarem suas histórias naquele mesmo lugarzinho onde, um dia,  tudo teve início. Mudem-se para onde se mudarem, viajem para onde viajarem, o varzealegrense nunca sai da encosta da Serra Negra e da  beira do Riacho do Machado.

                                   Esse elo íntimo e telúrico com sua terra me faz lembrar uma das suas histórias, contadas em rodinhas de calçadas e, certamente, pouco a pouco, temperadas com os artifícios da ficção. Nos anos 60, a famosa Rádio Cultura de Várzea Alegre tinha como um dos programas de maior audiência o “Violas que o Povo quer”. Na época, o violeiro apresentador era “Asa Branca” ,  cultuado quase como um astro do Rock.  A direção da Rádio começou a sofrer o assédio contínuo de um outro cantador, iniciante, que se intitulava de  “Assum Preto”. Queria porque queria participar da atração, que , infelizmente, já tinha um titular desenrolado e venerado em toda região.  Assum vivia temperando a viola nos botecos do centro e, no horário do Violas, invariavelmente, ficava aceirando os locutores, atrás de uma oportunidade. A insistência já era motivo de chacota no “Sanharol” , sítio onde nosso violeiro residia.

                                                Respingo de água mole, em laje dura, termina por causar furo. Um belo dia “Asa Branca” caiu doente e, de última hora, a direção da Rádio soube da ausência inevitável do apresentador. E aí ? Que fazer ? Iriam perder audiência com aquele buraco na programação. Alguém, então, lembrou de “Assum Preto”. Ele não vivia arrodeando e pedindo arrego ? Chegara , por fim a oportunidade ! Esperaram a chegada invariável do cantador, na hora aprazada,  e nada. Por incrível que possa parecer, naquele dia ele se empalhou com alguns bêbados, numa mesa de bar e ficou por lá , temperando a viola, cantando algumas loas e bebericando. Um dos locutores partiu às pressas e o trouxe meio a contragosto. Assum Preto botou uma banquinha, fez-se de difícil, mas por fim acedeu. De peito empinado como galo de rinha, dedilhou as cordas da viola e sapecou os primeiros versos na abertura do “Violas que o Povo quer”. Era quase um desabafo, mesclado com a empáfia de alguém que , por fim, a duras penas, tinha alcançado seu objetivo,  apesar do descrédito de todos:

 

                                   “ Quero mandar um abraço

                                   Pra minha mulher, a Socorra !

                                   Nega velha que reside

                                   Prá lá do Sítio Gangorra

                                   Bem queu dixe para ela

                                   Quinda canto nessa Porra !"

 

Crato, 26/02/21

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

"PASSAPORTE PARA ROUBAR" - José Nilton Mariano Saraiva

 

“PASSAPORTE PARA ROUBAR” – José Nilton Mariano Saraiva

Circunscrita, de princípio, às nossas fronteiras (e à covarde e bovina passividade do nosso povo), de repente a “coisa” assumiu ares cosmopolitas, porquanto destaque em horário nobre nos principais jornais televisivos mundo afora, em razão, principalmente, de ter como principal protagonista um dos “filhos-numerais” (Flávio Bolsonaro, o primogênito) do atual Presidente da República, (Jair Bolsonaro) contando com a inestimável e inescrupulosa ajuda de um miliciano de alta periculosidade (Fabrício Queiroz) que, de simples motorista do dito-cujo (como ficou conhecido no começo), passou a ser decantado como um “expert”, verdadeiro “mago” em termos de finanças.

Aos fatos.

À época, eleito Deputado Estadual (pelo Rio de Janeiro) e já tendo absorvido in totum todos os “nobres ensinamentos” professados pelo pai (então Deputado Federal e integrante do baixo clero da Câmara), o filhão querido montou, dentro do seu gabinete parlamentar (com a inestimável ajuda do “motorista” Fabrício Queiroz, recomendado pelo pai), o esquema conhecido por “rachadinha”.

Aos leigos, a tal “rachadinha” nada mais é que o “recolhimento compulsório” ao final de cada mês (e quem não topar que peça pra sair), de um avantajado percentual do salário de cada um dos funcionários do gabinete, em favor do “chefe” (aquele lance de “dá com uma mão e tomar com a outra” ou mesmo uma espécie de “dízimo”, tão comum entre os evangélicos, tal qual o patrão o é).

Fato é que tal “fábrica” de gerar dinheiro (sem fazer força) permitiu que o filho-numeral seja hoje detentor de um patrimônio absolutamente incompatível com a sua remuneração (são lojas em shopping, apartamentos, uma montanha de dinheiro vivo, imóveis e por aí vai).Lavagem de dinheiro, na mais completa acepção do termo.

O resto da história todo mundo sabe: denunciaram, primeiro, o motorista Fabrício Queiroz, que passou meses escondido na casa do próprio advogado (Wassef) do pai-Presidente e, quando encontrado (por mero descuido), deram um jeito e fazê-lo curtir uma prisão-domiciliar tranquila, de onde continua dando ordens.

Já o “filhão-numeral” (hoje Senador da República), denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pelos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro, contratou uma banca advocatícia de peso (tá gastando parte do que roubou) de sorte que, através de recursos e mais recursos, a “coisa” foi indo, foi indo, até chegar à Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.

Que achou por bem “anular a quebra do sigilo bancário e fiscal” do dito-cujo, sob a pífia argumentação da existência de “problemas de  fundamentação na decisão judicial anterior” e de que ”não há indícios de que o parlamentar tenha cometido os crimes de lavagem de dinheiro e de falsidade ideológica” (eles sempre arranjam um “brecha” quando se trata de “cliente” com bala na agulha).

Os votos favoráveis a Flávio Bolsonaro partiram dos ministros João Otávio Noronha, Reinaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Parcionik, que divergiram do relator, ministro Félix Fischer.

Alfim, se vigorar e prevalecer tal decisão, os marginais detentores do vil metal (e são muitos) já sabem como obter o seu “passaporte para roubar” e, mais que isso, chancelado pelas excelências togadas dos nossos tribunais superiores.

É só seguir, pari passu, o itinerário feito pelo filhão-numeral-bandido.