TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A Rima e o Poeta

Contam os sábios , que num mundo desse universo , uma rima e um poeta nasceram. Cada um com seu destino, valiam-se do tempo , a procura do encontro certo .Ela - a rima , mora num país do norte, onde o azul das águas é cercado por muros rasteiros e arenosos. Ali desenha seu caminhar. Seu canto ora alegre , ora triste, sempre se perde , arrastado pelas ondas , num verso indeciso !
Falta-lhe o poeta , que lhe vestirá de luz , e a levará para o fundo inatingível do oceano azul.
Do outro lado desse mundo , no sul , vive um poeta entre muralhas pétreas e verdes montanhas, que retém a sua solidão . Artesão de sua caminhada , com a pena talha , a fria enxangue pedra !
Mas , por mais que se esmere , nada surge que tenha forma... Falta-lhe a rima , fonte onde consome a sede da criação , que fecunda a gota de tinta , que contém o verso , o mais belo ...
Ela , a rima , caminha todos os dias pelos campos de areia , a escrever em covas , rimas que o poeta espera ...
Rimas não achadas,se afogam nas marolas de espumas, e vão para o fundo , permanecendo dormentes , no reino de Poseidon.
Lá, nenhum poeta , mesmo com atrevimento , poderá colhê-las , sem que se torne, um eterno prisioneiro !
O poeta em seu mundo terreno encontra muitas rimas. e a rima encontra muitos poetas .
Mas nenhum deles se sentem fartos , nesses tantos encontros.
O poeta precisa da rima certa ...
E a rima necessita do poeta , que lhe conduza ao poema ...

Dizem os sábios , que ainda hoje , continuam procurando um canto ,
aonde definitivamente , juntos possam ficar !

PALAVRAS ATUAIS

Atentem para a declaração a seguir transcrita:
" No Brasil, a República, desde seus primórdios, tem mostrado a mais assombrosa ausência do senso de justiça, e no seio do nosso mundo político está hoje quase inteiramente apagada a consciência do direito. A desgraça da República, o seu mais grave mal desde o seu começo foi a invasão das questões financeiras pelas paixões políticas. A República não precisa fazer-se terrível, mas de ser amável; não deve perseguir, mas conciliar; não carece de vingar-se, mas de esquecer; não tem que se coser na pele das antigas reações, mas que alargar e consolidar a liberdade".
Isso foi dito por Rui Barbosa, ministro da República, no longícuo 1890, seis meses após o golpe militar que derrubou a Monarquia no Brasil. O que surpreende é a atualidade da frase, 118 anos após ser proferida.
Se partirmos para analisar a nossa segurança pública dá para envergonhar qualquer cidadão que tenha o mínimo de vergonha. E a educação pública? E a lepra de corrupção que se alastra em todas as camadas da população? E nossa distribuição de renda, a mais perversa do planeta? E o aposentado, humilhado no fim da vida, ganhando 13 reais por dia para se alimentar, vestir, comprar remédios para os achaques da idade, pagar o aluguel e outras despesas indispensáveis a uma criatura humana. Depois de trabalhar a vida inteira ganha por dia menos que um ajudante de pedreiro...É por essas e outras razões que o brasileiro perdeu o orgulho que tinha pela pátria. Não tem mais saco para campanhas eleitorais, nem perde mais tempo com a desacreditada classe política.

Eu vi Fortaleza... Por: Dihelson Mendonça

Atenção: É expressamente proibida a reprodução, utilização do material abaixo sem autorização expressa do autor.


Clique nas fotos para ampliar:



















Fotos: Dihelson Mendonça
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Qual político do Crato vai entrar para defender os Artistas Locais junto ao Governador ?

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Olá, Pessoal,

Agora é que nós saberemos quem é mesmo amigo do governador CID GOMES, e principalmente, de quem Cid Gomes é amigo...
Está havendo um movimento de apoio aos artistas encabeçado pelo grupo "Coletivo Camaradas", que já se reuniram na câmara municipal do Crato, e enviaram carta ao Sr. governador Cid Gomes, pelo fato de a Expocrato - antiga exposição do Crato, a festa mais tradicional da cidade, desde muitos anos, com sua entrega ao governo do estado e a terceirização dos shows, há uma total exclusão dos artistas locais no palco principal.

Faz muito tempo que aqui no Crato, alguns candidatos posam de "amigos do governador", e é nessa hora que precisamos que eles apareçam de fato, afinal, quem vai encampar, ajudar na luta dos artistas locais pelos espaços no palco principal junto ao Governo do Estado ?

Quem é amigo do Governador,
ou melhor,
De quem o Governador é amigo ?

Por: Dihelson Mendonça

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quarta-feira, 25 de junho de 2008

MÔNADA


-ol – a, um, único,

sol (i) - sol, solis, solus, solum,

Sol, solis;
astro, deus,
presença ou ação contínua,
exposto ao sol,
secar-se pela ação do astro,
matéria do que lhe é devido.


Solus;
a, um, , solitário,
somente, solidão,
abandono, retiro,
lugar secreto,
saudade,
separado, isolado,
despovoar, desolar,
devastar, assolar,
destruir.

Solum;
parte achatada e inferior de um todo,
fundo, pavimento,
solo, chão,
fundamento,
planta
do ,
jogar ao chão,
embaixo, abaixo,
região.

De um se leva ao senhor,
dominador,
dia solar,
do dom,
domingo.

De outro ao isolamento,
ilha distante,
desolada,
secreta,
.

Desta ao rés,
da superfície,
plana e planta,
os pés,
fundamentada.


Eu: senhor, solitário, assentado.
Tu: senhora, solitária, assentada.
Ele: senhor, solitário, assentado.

E assim a mesma raiz,
que diz: a, um,
é aquela que se nega,
o senhor é parte do servo,
a solidão do outro,
o solo da atmosfera.


E o sol?
São tantas estrelas,
e nebulosas.

Folclore político do Crato*

Por Sebastião Nery

Virgílio Távora, governador, recebeu telegrama do Crato:
"Senhor governador, solicito V.Exª. recursos enfrentar seca município. Cordiais saudações."

Virgílio respondeu:
"Senhor prefeito, aguarde, 19 de março, passagem Equinócio. Cordiais saudações."

Dia 20 de março, o prefeito telegrafa de novo:
"Senhor governador, apesar banquete e homenagens preparamos receber condignamente enviado V.Exª., até agora Dr. Equinócio não apareceu. Cordiais saudações."


*Folclore político, por Sebastião Nery. Rio de Janeiro: Record, 1978

Justiça seja feita

Emerson Monteiro

Em 14 de março de 1997, tomava posse na reitoria da Universidade Regional do Cariri a professora Maria Violeta Arraes para um mandato pró-tempora, no qual permaneceu até o final do primeiro semestre de 2003, perfazendo assim seis anos e alguns meses nas funções antes desempenhadas pelos profs. Antônio Martins Filho, Manoel Edmilson do Nascimento e José Teodoro Soares.

Personalidade forte de cearense nascida em Araripe, município do entorno da Chapada, início do sertão, dona Violeta Arraes marcou sua permanência à frente da Urca com o zelo de líder dedicada, criativa, sensível, votada ao desenvolvimento regional, suscitando, através da expansão do Ensino Superior, as contingências responsáveis pela ampliação do espaço físico e das inovações imprescindíveis à atualização do corpo acadêmico. Por seu intermédio se deram concursos públicos necessários à formação do quadro de professores, criação de novos cursos e estudos aprofundados de uma reforma estatutária modernizadora da autarquia estadual, no formato de congêneres melhor aquinhoadas.

Senhora de patrimônio aprimorado nas lutas democráticas pela autodeterminação dos povos nos valores definitivos da cidadania de nossa gente, manteve apreciável histórico de realizações, inclusive no Exterior, com livre trânsito junto a próceres políticos e meios artístico-culturais do Brasil e de outras nações, sábios, pesquisadores, dirigentes, realizadores, artistas e intelectuais de escol.

No decorrer de seu período à frente da Universidade do Cariri, Dona Violeta exercitou com soberania sua devoção à mística de ações pautadas pela correção. Influente perante as autoridades estaduais e federais, conseguiu os recursos de soerguer o aparato físico dos campi, em época oportuna, dado o rápido crescimento do número de alunos, propiciando acompanhamento dos avanços registrados na sua história. Ela agiu com entusiasmo e coração, nos moldes técnicos e de bom gosto que se pode dizer proficientes.

Com o mínimo de senso de justiça, portanto, torna-se, nesta ocasião de sua perda, lhe tributarmos nosso preito de gratidão a quem se rendeu às suas raízes caririenses e aceitou retornar à província interiorana para conduzir o processo de consolidação da Instituição de Ensino Superior do Cariri; reforma e ampliação do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri; instalação da Bacia-Escola do Araripe; aquisição do campus do Crajubar, em Juazeiro do Norte; ampliação e reforma das instalações dos campi do Pimenta e do de São Miguel, em Crato; além da criação do curso de graduação em Enfermagem, na área de Saúde; e dos cursos de Licenciatura Plena para professores do Ensino Fundamental; cursos de pós-graduação nas áreas de Maio Ambiente, Educação, Economia, Geografia, Letras, História e Paleontologia; e dos cursos de mestrado em Sociologia, Direito, Desenvolvimento Regional e Letras; dentre outras tantas realizações apreciáveis.

Sabe-se que uma universidade requer sucessivas gerações a fim de padronizar métodos e tradicionalizar formas de saber. A sólida contribuição que Violeta Arraes veio oferecer ao Cariri, em termos de construtora desse perfil, galvanizando assim o respeito e a integração dos princípios civilizatórios regionais, garantia de tudo aquilo que se realiza para a continuação do nosso futuro.


Ainda coisas do coração

canto meu vácuo
que se prende
ao meu enfadonho
músculo.
Se não canto,
tropeço:
o cadarço é longo,
minha artéria pequena.

DOR


No instante que a lágrima cai não há poesia
Há um registro de dor,
Uma falta de sentido, em tudo que existia

Há feras nas brumas, que assustam o poeta
E sua lira desfolha, qual folhas de outono
Que tocam, (as lágrimas e folhas), a tez da terra

Portanto, para o poeta nada mais há senão o brado,
Nada mais resta senão a dor em plana luz do dia
Que lhe fere os olhos, como a terra é ferida pelo corte do arado.

Seus passos não o levam mais a outros mundos,
E aqui jaz o poeta, jaz entre os potros e éguas
Nos umbrais de trevas mais imundos.

Ergue sua mente e em sua frente nada há senão a escuridão,
Não há mais Norte e sua sorte perdeu-se com sua fé.
Sente dores tão fortes que nem mesmo mil formas de morte o salvão.

Matéria do jornal "O Povo" - 25-03-2008

Bárbara de Alencar

Túmulo de heroína sem visitação

Faltam visitantes ao túmulo de Bárbara de Alencar. Ele fica no distrito de Itaguá, no município de Campos Sales, onde estão os restos da avó do escritor cearense José de Alencar. O espaço é bem conservado e cuidado. Três pessoas se revezam, tomando conta do túmulo. Segundo a população, pesquisadores, historiadores e estudantes podiam freqüentar mais o local, que fica na Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
De acordo com o professor e historiador Fábio Alencar, que reside em Itaguá, "a heroína, infelizmente, está esquecida". A Prefeitura de Campos Sales tenta revitalizar a história de Bárbara de Alencar, com um projeto que pede o tombamento do seu túmulo. O prefeito da cidade, Paulo Ney Martins (PSB), disse que enviou ofício ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, solicitando o tombamento. O ministro respondeu ao prefeito. Paulo Ney, no entanto, afirmou que não podia ontem dar mais detalhes sobre o assunto ao O POVO, porque estava fora da cidade.
Em situação ruim também está a Fazenda Alecrim, no município de Pio IX, no Piauí, onde a heroína morou. O lugar fica a 18 quilômetros do distrito de Itaguá, já na divisa dos estados do Ceará com Piauí. Segundo moradores, a estrutura física da casa está comprometida. Em um dos quartos, ainda estão pertences de Bárbara de Alencar. Ela foi uma das primeiras mulheres que se envolveram com política. Nascida em Pernambuco, em 1765, viveu a maior parte de sua vida no Crato, no Ceará. Bárbara foi presa em Fortaleza, em 1817, por participar de movimentos a favor da independência do Brasil. Também tentava livrar um irmão e dois filhos da prisão. Ficou no cárcere em Recife (PE) e Salvador (BA) e foi solta em 1821, por causa da Anistia Geral. (colaborou Amaury Alencar)

Crato, "quem já ti viu, ó não te esqueces mais"

Por intermédio cariricult, faço saber que estou confeccionando um mine álbum com imagens do município do Crato, sob o título: “Crato, “quem já te viu, ó não te esqueces mais”. O mine álbum, é composto de 50 fotografias mesclando imagens da cidade com outras colhidas em toda extensão do município. A cidade parte urbana: Panorâmicas, praças, igrejas, ruas, museus, arquitetura, etc. E... a serra do Araripe, costumes e tradições do nosso povo, o folclore, artesanato, personalidades, comidas típicas, festas, religião, paisagens, etc. etc...

O mine álbum-fotográfico em tamanho 10 x 15, funciona como um produto artesanal, uma lembrança muito adequada para dar como presente ou ser adquirido por turistas em visita à cidade.

Interessados passar email: pjamaca@bol.com.br ou, ligar para: 3521.0831
Venda sob encomenda.

Em foco, o Seminário São José, hoje, dia 25 de junho 2008, a cidade está com clima maravilhoso! É aquele tempozinho bom que faz nessa época e que já prepara o espírito do cratense para a festa maior da cidade, a EXPOCRATO.

Seminário São José

Vista apartir do Seminário

Seminário São José


Foto: Pachelly Jamacaru
Protejidas pela Lei: 6.910 dos
"Direitos autorais"

terça-feira, 24 de junho de 2008

SP: morre a ex-primeira-dama Ruth Cardoso



Laryssa Borges
Direto de Brasília

O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, confirmou nesta noite a morte da antropóloga e ex-primeira-dama Ruth Cardoso, 77 anos. Segundo o senador, Ruth morreu em casa pouco depois das 20h30. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estava ao lado da mulher.
O senador não soube precisar a causa da morte. Por causa do falecimento, o PSDB cancelou a solenidade de comemoração dos 20 anos do partido que ocorreria nesta quarta-feira. A cúpula tucana se dirige agora a São Paulo para prestar solidariedade. O PSDB confirmou o cancelamento no seu site.
Ruth Cardoso encerrou ontem uma série de exames no hospital Sírio Libanês. Segundo sua assessoria, ela realizou um exame cardiológico conhecido como cateterismo que, de acordo com os médicos, mostrou não haver necessidade de intervenção cirúrgica.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) lamentou a morte da ex-primeira-dama e disse que o Brasil perdia "uma mulher exemplar". "Dona Ruth teve um comportamento exemplar como primeira-dama. Foi uma mulher culta, preparada, que fugiu aos padrões rotineiros de uma primeira-dama. Foi exemplar e fará falta".
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), também lamentou a morte de Ruth e disse que "o Brasil tem o dever de venerar sua memória". "Dona Ruth fez um trabalho admirável no campo social, com o programa Universidade Solidária. Ela teve a oportunidade de colocar em prática seus vastos conhecimentos do setor. Foi uma mulher de muitos méritos".

Introcraniana solidão

Quando o desastre
ainda resvala
na fumaça do vazio
o rato aprender
a viver sóbrio
com a viva lembrança
do queijo estragado.
Ou a ratoeira tão singela encanta
ou a urina que cintila envenena.
De qualquer modo,
minhas unhas cinzas
meus ossos doravante encardidos.

Aos pés do Mar


Estou aos pés do mar
Ele canta e dança ,
em movimentos ondulantes ...
O céu de um azul clarinho ...
O mar da cor de opala,
adornado de espumas prateadas ...
Respeito esta força
que traga e larga
Respeito o mundo dos seixos e algas ...
No fundo de mim ,
algo se agita ...
Canta e cala .
Antes de completar o pensamento
Antes de entender o sentimento ,
eu navego e me afoito ,
nas minhas próprias águas
Pesco o teu olhar
perdido num horizonte
que não vislumbro ...
Pesco , e solto ...
E fico a catar conchinhas !

segunda-feira, 23 de junho de 2008

EM OUTUBRO ELEGEREMOS O CRATO

Luiz Carlos Salatiel estes dias estive com a Iracema. Quando um diálogo entre vocês dois houver, dê-lhe meu e-mail para que não a perca nesta diversidade carioca. Enquanto tentei anotar meus telefones para ela nos cumprimentos finais da missa de sétimo dia pela Violeta, faltou-me completar o que pretendia. Agora você sabe que muito mais a seu respeito conheço.

Um muito mais que acrescenta, porém eu tinha concluído que o Crato precisa tê-lo na política do mundo real. Chamo de mundo real esta vocação subterrânea dos parlamentos (e das Câmaras) traindo o voto popular na pequena troca que troça da democracia ao sujeitar-se ao executivo em crise de epilepsia. Se os conselhos populares, se os conselhos de políticas públicas, se o controle social e se as câmaras promovessem a democracia o executivo teria uma governança maravilhosa da vida da cidade. A sociedade poderia sentir o em que se encontra, ter a certeza que o irrealizado não é a corrupção de sua vontade e nem o destino cruel que determina sua insatisfação permanente. O irrealizado é apenas a expressão do que pretendia mas não conseguiu os meios necessários para tal. No passo que segue outros meios construirá e mais realizados terá, reduzindo o déficit que é apenas o histórico da própria usurpação da democracia.

O complexo de estabelecer-se a democracia é que nela tem que haver o povo e povo é toda as gentes, do Romualdo, da Cruz, da Batateira, do Seminário, do Alto de São Francisco, todas as gentes sem adjetivos. O simples é que não existe outra forma de realizar a democracia. Apenas com o parlamento, a contínua manifestação dos conselhos, do controle social e da territorialidade dos desejos é possível a democracia. Um executivo idiota pensa que democracia é aplicar modelos de gestão empresarial à vida política e social de uma cidade. Isso faz a burocracia permanente, bem treinada a servir à sociedade e a gerir o interesse e a coisa pública. O executivo cursa diuturnamente as políticas públicas que a vontade expressa no parlamento e nos conselhos determinar.

A verdade meu caro Salatiel é que os executivos ainda estão viciados nos arranjos de fornecedores, nas prioridades dos setores mais privilegiados, na humilhação dos vereadores através de uma espécie de otorrinolaringologia que os torna afônicos. Não deixa de ser uma mácula imunda o que os deputados e senadores (estaduais e federais) fazem com as verbas públicas. Negociam adrede, fora da região e em detrimento das necessidades gerais, comissões para seu próprio esquema de perpetuar-se como indigno representante do povo. Jamais isso pode ser aceito. Ao final estes indignos se tornam profissionais burocratizados e negocistas da iniqüidade geral, acoimando aqueles de quem dependem. Não merecem o povo que representam, costumam comprar casa fora e fugir com a família para o litoral onde os filhos se tornam cracas iguais aos pais.


Quando traço tais caricaturas não falo de tudo e de todos. Se assim fosse não teria sentido falar do que se fala. Justamente por este desvio não ser universal é que espero que você esteja no mundo real da política. Que a democracia seja exercício de hábito, que a vida seja compreendida naquele espaço e naquele tempo em que tudo afinal acontece. Por isso a cultura é um conceito tão importante para este caminho. É um conceito que junta expressão e comunicação, ou seja o povo como coletivo que pensa no indivíduo e seu reconhecimento do outro. Então Salatiel, a Fundação J. Figueiredo desde é um patrimônio da democracia. E como tal uma instituição desejosa de rumos que a sociedade lhes e apropriada à execução das ações que lhes forem confiadas. Isso tudo transparente, com contratos de gestão e com um conselho do tamanho do nosso povo.



O a Deus

Depois que Cícero morreu
Não foi nem o asco do vazio
Nem o azedume inquieto da tamarindo
Que tanto tem testemunhado tudo
Nem muito menos as evoluções imberbes
Do catarro nas narinas dos infiéis
Que parecem procriar lacunas
E cômodos para a acomodação do meretrício
Foram mesmo os dias bastardos aqueles
Esconderijos de metais alumiados
Que dissolveram as soluções
Em soluços e esparsos

Agora o vórtice da chapada
Fornece o friume das ladainhas
E a cor furtiva nas mãos postas das carpideiras
A poucos metros dentro da sala está
O mistério desenhando no descascar das paredes
O mar negro o mar morto e o pacífico
Agora não sobram xícaras virgens
Apenas palavras ermas se renovam e
Despencam da imprecisão
E passam a ciscar no terreiro
O solícito está estendido em branquidão
Guarando sobre as pedras

Mais do que nunca são parcos
Esses dias bastardos sem culhões
Não é sem unhas esse desespero áspero
Que se alumbra feito enfermo de ataque epilético
Há uma notícia ainda guardada no candeeiro
A luz é um véu feito de organdi que diz
Se tu voltar pelo vale do Cariri
Lembra de pagar a estrada com pegadas firmes
Sem que se aborreça o vento só por cuspir
Agora a argila é argola que pode
Prender em seu visgo em vigor
O supremo direito de ir e vir


Marcos Leonel




AS IMPONDERAÇÕES DE POUND

Ezra Pound é um poeta que divide opiniões e sensações. Para muitos ele não passa de um americano fascista desgraçado. Para outros ele é ilegível, ou inelegível para qualquer cadeira da academia, assim o queira a convicção ou a falta de, do eleito leitor brasileiro. Já para alguns ele é o posto, é na poesia aquele que não se substitui, sem jamais ter sido um impostor.

Não importam aqueles que o colocaram em uma jaula, num campo de concentração em Pisa, já com sessenta anos, durante três semanas consecutivas, quando as tropas norte-americanas invadiram a Itália no final da Segunda Guerra Mundial, acusado de traição por ter feito durante a guerra uma série de transmissões radiofônicas, em Roma, consideradas contrárias ao seu dever de lealdade para com os Estados Unidos.

Como também não importam aqueles que o colocaram em um pedestal supremo, concretamente construído pelos irmãos Campos e o grupo Noigrandes, arrebatando dele para o cânone alternativo da palavra, a lavra de consciência obrigatória do autor no fazer literário, nas traduções e na crítica do material poético, devidamente comparado, verso a verso, com as obras que compõem aquilo que ele, Ezra Pound, resolveu chamar de Paideuma, o repositório estético-literário das civilizações.

O que importa é que a obra de Pound é imponderável. Não basta ler a sua obra, é necessário compreendê-lo como um todo, para que se possa dimensionar a grandeza desse intelectual da era moderna. A sua concepção de que a poesia tem três modalidades: Melopéia - aquela em que as palavras são impregnadas por uma propriedade musical que orienta o seu significado; Fanopéia - um jogo de imagens sobre a imaginação visual; e Logopéia - a dança do intelecto entre as palavras; resume a sua própria obra, tão original, tão grandiosa e tão trabalhada lingüisticamente.

Muitos preferem que os seus livros sejam esquecidos e seus poemas não sejam jamais lidos, em detrimento de um sentimentalismo fácil e de um lirismo que parece ter tomando conta de praticamente toda a produção poética universal. Outros se deleitam com o leite eterno da modernidade derramado em flagrantes de colagens literárias, descontínuas e fragmentadas dos seus “Cantares”, obra inacabada, de conotação epicizante, que condensa citações literárias, crítica social, filosofia, bem como personagens e passagens históricas e mitológicas.

Já eu prefiro a engenhosidade inspirada dos poemas guardados para a eternidade no volume auto-intitulado de “Personae”. Neles o poeta se apossa literariamente e literalmente, das personalidades de grandes poetas universais, e faz poesia impregnada de mistério e história, com, fielmente, o mesmo sotaque e o mesmo estilo daqueles poetas escolhidos. São as chamadas vozes literárias de Ezra Pound. Alguns desses poemas fazem parte da manifestação de vanguarda liderada pelo autor, conhecida como “Imagismo”, movimento que também faziam parte T. E. Hulme; F. S. Flint; Hilda Doolittle e Richard Aldington, entre outros.

Dentre esses vários poemas, que são considerados menores por parte da crítica, um me chama por demais a atenção, que é “A tumba em Akr Çaar”, do livro Ripostes, lançado em 1912, paralelo ao Pré-Modernismo brasileiro, durante a chamada república café-com-leite e no preâmbulo da Primeira Guerra Mundial. Esse poema resume toda a genialidade do poeta: seu ritmo estonteante, sua perspicácia com a palavra, suas entrelinhas mal delineadas, seu intelecto privilegiado ao questionar valores e a sua arte suprema de nos levar a um tempo distante, fora do próprio tempo. Aqui está essa peça rara.

A TUMBA EM AKR ÇAAR

“Sou tua alma, Nikoptis, tenho velado
estes cinco milênios, e teus olhos mortos
não se moveram, nem responderam nunca ao meu desejo,
e teus membros leves, por onde em chamas eu saltei,
não incandescem com meu corpo nem com açafrão.

Vê, a relva leve se estendeu sobre teu leito
E te beijou com mil línguas de grama.
Porém não tu a mim.
Tenho em vão decifrado o ouro sobre o muro
E extenuado o pensamento sobre os signos.
Nada existe de novo em todo este lugar.

Tenho sido gentil. Vê: deixei as jarras seladas,
Com medo que acordasse reclamando por teu vinho.
E tuas vestes, mantenho-as brandas sobre ti.

Ah, desmemoriado! Como houvera eu de esquecer?
- o mesmo rio de anos atrás,
O rio? Eras então bem jovem.
E três almas vieram sobre Ti -
E eu vim.
E penetrei em teu corpo e as expulsei.
Tenho vivido intimamente contigo, tenho convivido,
Acaso não fui eu quem tocou tuas palmas e as pontas dos teus dedos,

Penetrou, e através de ti, e até os teus calcanhares?
Como “pude eu entrar”? Não era eu tu em Ti?

E nenhum sol vem descansar minha vigília.
E sou dilacerado pelos mil dentes da noite.
E luz nenhuma cai sobre mim, e tu não dizes
Palavra alguma, dia após dia.

Ah! Que eu poderia fugir para longe, a despeito dos signos
E todo o seu ardiloso lavor sobre a porta.
Para longe, através dos campos verde-vítreos...
Porém tudo está quieto:

Eu não irei.
(Tradução de Augusto de Campos)

Marcos Leonel

ACORDA TEU CORAÇÃO CARIRI

Duas coisas que cultura não é: a) a manifestação isolada de artistas e intelectuais e b) os meios que divulgam a cultura. No primeiro caso se trata, no mundo capitalista, de aspectos ligados ao trabalho, ao trabalhador ou seja, a quem vende seu trabalho no mercado. No segundo caso, igualmente no mundo atual, de um produto que se compra e vende no mercado. Ambos existem como categoria histórica e embora não se possa ter cultura sem tais coisas, um tempo houve que não foi assim e um haverá de existir que assim não será. Então se queremos falar de aspectos teleológicos da cultura, em outro pensamento se encontra.

Duas coisas que cultura é: a) a apreensão da realidade pela humanidade e b) a linguagem humana com a qual se manifesta com sua contemporaneidade em relação às suas percepções intergeracionais. Por isso qualquer apreensão, embora uma qualidade de tempo e espaço de cada povo, não se resume ao modo de adjetivá-las, tentar criar selos de qualidade que afinal são o modo "preconceituoso" com o qual um povo classifica o outro. Os europeus viam a cultura africana e ameríndia como algo primitivo, puramente atrasado e sem valor estético. Aí vieram os cubistas com toda modernidade da arte, inclusive Carl Jung com O Homem e seus Símbolos e tudo se pôs no lugar do não colonialismo. O mesmo argumento se aplica à cultura como linguagem humana, sem a universalidade do pensamento, sem a apreensão da complexidade do mundo e da sua cristalina simplicidade (vejam bem intelectualidade nos tempos atuais é um mero padrão de qualidade, um selo de escolaridade) não se pode compreender o outro. E outro é a base da comunicação. Portanto, neste sentido, cultura é ao mesmo tempo estética (relativa a tempo, espaço e povo) e ética (relativa ao outro).

Agora ao que vem isso tudo. No seguinte sentido: não se formam artistas sem povo e não se constrói comunicação deste povo sem a conquista do espaço de comunicação. Ao falar de conquista é claro que falo em luta, mas é preciso entender a luta necessária em cada tempo. E a luta do tempo no MEU CARIRI é a luta pela expressão do imenso patrimônio que existe (não é só dos outros ou do folclore é de cada humano da região inclusive artistas e políticos) e criação de um público que interaja com a elaboração cultural. No meu entender alguns pontos são necessários:

a) os atuais candidatos a Prefeito (especialmente o Samuel que deseja a reeleição) deveriam elaborar um projeto cultural que financie as manifestações artísticas locais (especialmente os artistas) considerando a liberdade de criação e manifestação; a troca com outras culturas (oficinas, amostras, shows etc.) e pricipalmente a formação de público, especialmente nas escolas. No meu entender a prefeitura tem que criar uma grade de eventos regulares de manifestações culturais variadas (fotografia, música, pintura, escultura, poesia, literatura, teatro etc.) que tanto pode ser intinerante nos espaços da própria escola como podem ser eventos que congreguem várias escolas e os seus familiares.

b) os artistas do Crato (Cariri) têm que politizar os espaços de manifestações e expressão cultural. Para isso duas contradições devem ser superadas de cara: a disputa por hegemonia de grupos e a arapuca da "farinha pouca meu pirão primeiro". Em seguida mapear os espaços, as fontes de financiamento, as oportunidades não exploradas e criar um roteiro político de ocupação da cultura local. Volto ao tema da EXPOCRATO: aquele é um patrimônio público e da região e não cabe a um só organizador organizar o que é de todos. Os artistas locais devem ter força, conquistada por eles mesmos, na agenda do referido evento.

c) a cultura cearense não existe sem a cultura caririense. O Ceará não terá a mesma força de expressão de Pernambuco e Bahia se não juntar o litoral com o interior. E quando falo em juntar quero dizer de expressão, não de concessão, mas da verdadeira força da voz do Cariri e ela só aparecerá neste pântano de silêncio com a unidade política entre povo, artista e os políticos regionais.

domingo, 22 de junho de 2008

UM VENTO COM SAUDADE DO PÉ DA SERRA DO CRATO

"Eu sou...sou...eu sou um matuto...sou um matuto do da serra do Crato". E num ritmo discursivo, com pausas centenárias, completou sua homenagem concentrada, composta por três períodos apenas: "Ela foi quem me ensinou. O vento que circula no da serra do Crato é um vento com saudade do mar". Em seguida com a voz tolhida pelo choro retornou ao assento em que se encontrava. Alemberg, com a cabeça baixa e suas lágrimas formando um pequeno lago sobre as lentes dos óculos. Era uma saudade que não dispersava, sobretudo recolhia volume.

Na porta da pequena capela do Memorial do Carmo, o Rio de Janeiro era contemporâneo como o é. Por trás um grande vai e vem de policiais militares, helicópteros sobrevoando a área, a Avenida Brasil caudalosa, contraditória entre um Mercedes Benz conversível e as favelas de suas laterais. Na porta, enquanto esperávamos, o professor Cândido Mendes se espantava: eu não tinha consciência do quanto Violeta era conhecida no Rio de Janeiro. Cândido era um amigo da militância da juventude universitária católica dos idos dos anos cinqüenta de Maria Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau.

Um destaque para Bia Lessa. Desde os momentos críticos do CTI como uma mini deusa, sabendo que poderes não tinha para mudar o curso mortal, mas querendo para a amiga um final de dignidade. E que dignidade era essa? A humanidade de Violeta. Naqueles dias mesmo a pequenina, miudinha, quase nada, Bia tinha dado um valor estético inusitado para a campanha da moda no Fashion Rio. Mas no dia seguinte ela dizia: com um país feito o nosso aquilo não é nada. Era Bia e você esteve na altura de quem a conhece, de quem vai muito longe, pois sabe que o horizonte que esconde não é fim em si, é apenas a curvatura do cosmo.

Entre os depoimentos, ouviram-se os dos filhos. São depoimentos, em quaisquer circunstâncias, muito especiais. Lendo texto de São Francisco de Assis, Eça de Queiroz pela voz de um deles ou o mais jovem reconhecendo que o abandono que a militância da mãe lhe parecera era apenas o processo do encontro dele mesmo com a humanidade. Maria Benigna, Henri e Jean Paul, ao lado de um sofrido Pierre Gervaiseau. Pierre é um europeu muito disciplinado, sabe bem das dificuldades terceiro mundistas, mas por vezes quer uma resposta mais direta deste povo, quem o conhece pode imaginá-lo irritado naqueles embates. Não é bem assim e neste momento tem uma grandeza de compreensão e paciência própria de quem as possui.

Quando a família abriu os depoimentos aos amigos, Turíbio Santos trouxe o depoimento pela interpretação de Villa Lobos. Uma arte apropriada àquela brasileira que pertence a um povo que tantos violonistas teve e entre eles este que tem nome ruidoso, inquieto mesmo. Mas este nome grego, Turíbio, recebeu a bênção de um candomblé sincrético, aquele de todos os Santos.

Almino, um intelectual de peso, escritor sólido, com a difícil missão de conduzir a Casa Ruy Barbosa do Ministério da Cultura, enfim uma pessoa importante. Sai do seu assento em que se encontrava e andou como um humílimo camponês. Posou com a leveza de uma ave sertaneja e do galho em que estava, extraiu a síntese da relação com a tia, repetindo a oração do anjo da guarda, verso a verso, enquanto o professor Cândido Mendes lhe fazia eco. Nisso veio pela capela, como se fazia naqueles terreiros de cantadores, um homem e seu violão. Sentou-se num banco que às pressas lhe deram e tocou uma linda canção, música de seu filho e letra dele, que falava do sertão, do nordeste, destas eternidades que entram como categoria do todo. Caetano Velloso ainda retornou e repetiu, ao final da cerimônia e abriu a voz com: no meu cariri quando a chuva não vem/ Não fica ninguém somente Deus ajuda/ Se não vier do céu/ Chuva que nos acuda/ Macambira morre, Xique-xique seca, Juriti se muda. ...E em seguida Caetano cantou: apenas a matéria vida era tão fina.

A política nacional, da qual Violeta é matéria, não esteve como mera presença. Apenas oportunidade de mostrar-se. O governo de São Paulo deslocou membros seus, entre aqueles de maior expressão nacional, mas todos com um vínculo pessoal com Violeta: Aloísio Nunes Ferreira e Alberto Goldman. Carlos Augusto e Guel Arraes com suas esposas desde sempre ao lado da tia, estiveram como lembrança do grande amor que ela lhes tinha, sei que sabem, mas fica mais evidente quando dito por um terceiro que sozinho com ela tomou conhecimento de tal. Cacá Digues trouxe duas faces, aquela do nordestino universal igual Violeta e a outra de Nara que se tornou uma espécie de anjo sublime dos dias após em que Violeta ficou sem a amiga. E tantas pessoas fortes do universo estelar de Violeta entre elas, nestas falhas memórias, a Maria Elisa e a Cristina. E o Amir Haddad que entrou silencioso, como um personagem do seu teatro de rua, quase sem falar com ninguém, veio até a amiga, a fixou por algum tempo e, terminada a cerimônia, foi-se.

O texto central da cerimônia foi a narrativa do contexto histórico de Violeta na visão do professor de filosofia, diretor do museu de arte moderna, ex-dominicano, humanista e pensador Blanquart. Um ser como a humanidade de vez em quando extrai de seu movimento. Um francês que filosofa com o corpo, aliás isso é bem francês, poderia ser de quem da filosofia extraiu uma imensa revolução social, política e econômica e desta resulta o seu modo de capturar a vida nos séculos XIX e XX. Lendo em francês enquanto Cândido Mendes relia em português, aquele texto deveria retornar para o nosso silêncio reflexivo quando os fatos podem se alongar mais do que momentos.

Para completar Violeta o padre que realizava a cerimônia. Era um homem vindo dos sertões de Pernambuco, largado na periferia do Rio de Janeiro, junto ao ministério de capelas esquecidas. Recebeu a incumbência do ofício assim como uma rotina de sua vida. Por todo o tempo em que oficiava sua rotina se mantinha. Mas a partir de um certo momento, parece ter reconhecido Cândido Mendes, Alberto Goldman e Caetano Velloso e como ele mesmo humildemente repetiu: a ficha lhe tinha caído. Oficiava uma cerimônia para alguém muito importante.

Mas de todas as importâncias que pude extrair, uma que todos sentimos, mas talvez algumas pessoas do Crato não saibam. O quanto Violeta levou o nome desta cidade para a cultura brasileira. Talvez na cidade "tenha caído a ficha" do quê ela representou para si. E falo deste "" por saber que não é incomum que pessoas se alienem da sua própria realidade, cultivando um individualismo utilitarista que as reduz ao invés de ampliá-las.


Imaginação




Me leva pra junto dele
Me enrosca nele
Faz com que ele me beije ,
me deseje ...
me ganhe com seu abraço !


Que esse nó seja forte ...
E que nem o aço , corte !
Me deixe construir esse amor
pedra a pedra ...
Me traz como presente
esse fogo incandescente
para arder em minha alma...

Imaginação ...
Faz isso por mim ... ?
Constrói e reconstrói ,
a todo instante ,
esse amor ,
em mim !


Acaso

Rocha aberta
passagem sob a montanha
Caminhos no horizonte
Sementes ...
Uma a uma...
Jogadas nas beiras
desse mundo !


Sementes de encontros...
flores no face a face


Sementes de carinho ...
flores de afinidades


Sementes de silêncio
flores de aceitação


Sementes nas mãos do acaso ...
Poemas nascerão !


Amor disponível

Sou como o barco do teu mar ...
por mais que navegue
há muito pra navegar !


Como a nuvem
que escorre no céu ...
quanto mais voa
mais céu tem pra voar


Como a montanha ,
que rasga a terra ,
querendo estrela tocar ...


Como o toque ,
que se torna desejo ...
Como o beijo que não sacia


Que fazer ?
compor rimas,
desse amor disponível,
em pautas de eternidade ?