TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

terça-feira, 26 de agosto de 2008

OS FILÓSOFOS DA BATATEIRA E O HOMEM DE NEANDERTAL

Reunião de emergência. Todos os filósofos da batateira convocados para reunião de emergência na ágora, uma clareira no meio da mata do Alto do Urubu. A quorum completo, Chico Preto, o maior filósofo da batateira pergunta:

- Quem convocou a reunião?

- Eu! – responde Chambaril com o dedo levantado.

Chico Breca acende um cigarro, Mitonho solta uma bufa fedorenta com a força de acabar reunião em ambientes fechados e João de Barros abre a camisa da protuberante barriga. O maior filósofo então desencadeia a reunião e Chambaril vai aos fatos.

- É sobre o homem de Neandertal!

- O homi nein dental? – Confuso pergunta de Dona Maria.

- O HOMEM DE NE AN DER TAL! – soletra Chambaril.

Olhares cruzados, lábios de dúvidas, palavras presas na antecâmara da explicação. Chico Preto solta o conhecimento:

- Eram como uns homens primitivos, do tempo das cavernas, que viviam na Europa e que se extinguiram por serem inferiores ao homem moderno, este que somos nós.

Todos com atenção redobrada e Chico pergunta a Chambaril que novidade haveria com este tema tão antigo e definitivamente construído.

- Pois bem, os Neandertal teriam desaparecido por que eram mais burros que os homens, eram uns bichos brutos e totalmente estúpidos. Mas agora descobriram que não. Não eram burros e até construíam instrumentos igualzinhos aos outros homens. Então o que levou os bicho para a desgraça não foi a inferioridade das ferramentas dele, foi outra coisa. E agora?

- Isso é que é filosofia de arromba! Pensar é isso Mitonho entusiasmado com a questão de Chambaril. Os demais não entenderam o fogo de Mitonho e este teve que completar o pensamento: é uma questão muito relevante pois de uma notícia banal Chambaril trouxe uma questão filosófica de lascar. Se não foi a diferença entre eles, se não tinha desvantagem entre si, é outra coisa e isso é o quê Chambaril quer saber.

- Isso tem grande repercussão sobre muita coisa. – Chico Preto ponderando. – Isso leva ao chão a idéia que toda superação ocorre por concorrência, ocorra por superioridade em relação ao outro que foi superado ou extinto.

- Então aquele que supera nem sempre é o melhor que se poderia ter? - Chapa Branca acresce ao debate.

- ISSOChico Preto grita de entusiasmoNem sempre a superação é para melhor, pode ser imperceptível por que não faz diferença e pode ser muito pior.

- Por exemplo, a vitória dos EUA, superando o comunismo ateu da Rússia, pode não ter sido o melhor? – João de Barros politizando a questão.

- Lula pode não ser melhor que Fernando Henrique, ser apenas igual? – Armadiel provocando. Chico Preto vendo a brincadeira e onde poderia chegar, partiu para a síntese:

- Quer dizer que se o homem de Neandertal não foi superado pela evolução da tecnologia, toda esta bobagem que pregam sobre a superioridade moderna por via dos meios, das técnicas ou ferramentas, quer dizer muito mais do que os meios, deve ter algo de princípio e de finalidade nesta bagunça toda. É que vivemos uma filosofia dos meios, dos recursos, do intermédio, mas filosofia é muito mais: é princípio e fim. Se a finalidade é boçal e destruidora da história das pessoas, nenhum meio é suficiente em si. Se os princípios são seletivos na origem, nenhuma sociedade tem paz pelas armas.

- Nem toda diferença é embate de superação. Chambaril, o dono da questão, conclui e completa para melhor compreensão e fechamento da reunião: - A luta dos contrários ocorre entre eles e não entre todas as diferenças e categorias. A luta dos contrários é entre tendências de uma mesma raiz.

- Eita danado! E todos foram descendo a mata do alto do Urubu com esta exclamação.


A Guerra do Paraguai: a verdade dos fatos



A partir da década 70 virou coqueluche, nas universidades públicas brasileiras, a divulgação de “novas interpretações” para a Guerra do Paraguai, o mais longo e sangrento conflito ocorrido na América do Sul. Boa parte dos professores de história daquela época, passou a adotar como verdade inquestionável o livro “Genocídio Americano, a Guerra do Paraguai”, de Júlio José Chiavenatto. Nele consta que o imperialismo inglês manipulou o Brasil, a Argentina e o Uruguai, integrantes da Tríplice Aliança contra o ditador paraguaio Francisco Solano Lopez. Maus brasileiros continuam – ainda nos dias de hoje – afirmando ter sido Dom Pedro II o causador desse “genocídio”, sendo o imperador brasileiro o culpado pela morte de Solano Lopez.
Em novembro de 1994 ocorreu no Rio de Janeiro, na Biblioteca Nacional, o colóquio
“Guerra do Paraguai–130 anos”, no qual o pesquisador inglês Leslie Bethell – da Universidade de Londres – provou que o quadro econômico do Paraguai, no século 19, nunca incomodou a então poderosa Inglaterra. Bethel demonstrou, também, que a decantada ajuda dos bancos ingleses à Tríplice aliança não passou de 15% dos gastos brasileiros com a guerra.
Já o falecido professor Alfredo Arraes Alencar, em interessante artigo, esclareceu:
“A causa remota da guerra (do Paraguai) foi e megalomania de Lopez. Foi o seu ambicioso intento de conquistar territórios, a fim de estender seu domínio até o estuário do (rio) Prata. Para isso preparou-se largamente, armando o exército, construindo navios e levantando inexpugnáveis fortificações.
Declarou Lopez ao escritor espanhol Bermejo: “Sou soldado e tenho de declarar guerra ao Brasil. Se deixei que meu pai firmasse a paz, foi porque eu queria a glória de mostrar às repúblicas vizinhas que basta o Paraguai para derrubar aquele colosso”.
A causa próxima foi o apresamento do “Marquês de Olinda”, episódio ao qual se seguiu a invasão de Mato Grosso pelos paraguaios. Ao Brasil só lhe restava, evidentemente, o repelir a afronta pelas armas.
Autor de numerosas atrocidades, o ditador Lopez esmerou-se em crueldade no “Morticínio de San Fernando”, em agosto de 1868, quando, já em fuga e vendo traidores por toda a parte, julgou-se alvo de uma conspiração e mandou fuzilar, impiedosamente, dois irmãos (Benigno e Venâncio), um cunhado (Badoya), o bispo de Assunção (Palácios) e quatro ministros (Berges, Bruguez, Allen e Barrios), além de numerosas outras pessoas.
Duas irmãs do ditador e sua própria mãe foram encontradas (pelos brasileiros) prisioneiras, debilitadas por maus tratos, a espera de serem entregues a tribunais militares, conforme testemunho do Visconde de Taunay. O embaixador americano em Assunção, Wasburn, indignado, retirou-se do Paraguai, declarando Lopez “inimigo da humanidade”. O verdadeiro genocida. (Cfe. “História do Brasil” do Pe. Galanti, edição de 1905, tomo IV, página 600). E ainda há quem lamente a morte do “bondoso” ditador, lançando essa culpa sobre o “belicoso” e “sanguinário” Dom Pedro II. A tanto chega a vilania dos detratores da Pátria!”

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

LULA BEM AVALIADO


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o terceiro líder mais bem avaliado da América Latina. O político brasileiro somente fica atrás dos chefes de Estado da Colômbia, Álvaro Uribe, e da Costa Rica, Óscar Arias. As informações são do centro de pesquisas Barómetro de las Américas, que realizou a pesquisa divulgada ontem pelo jornal chileno ´El Mercurio´. A presidente chilena, Michelle Bachelet, aparece em 9º lugar, seguida dos líderes de Bolívia, Evo Morales, Argentina, Cristina Kirchner, e Venezuela, Hugo Chávez.
POSTADO POR TARSO ARAUJO
www.tarsoaraujo.blogspot.com

Comentário de Armando Rafael:
Valeu Tarso. Pelo menos sabemos que os latinos americanos consideram Álvaro Uribe (da Colômbia) e Oscar Arias (da Costa Rica) com desempenho melhor do que o presidente brasileiro. O interessante é que Uribe e Arias são considerados "de direita". E como os esquerdistas tupiniquins consideram a palavra "direita" como um "palavrão", as avaliações ficam ainda mais humilhantes...

Geraldo Junior e Banda em Teresina!


Oi pessoal!

Se vocês são de Teresina ou têm algum amigo por lá, pedimos por gentileza que ajudem a divulgar essa nossa apresentação! Gratos!


Geraldo Junior e Banda no Teresina Shopping, dia 26/08 às 21hs.


O grupo estará apresentando o show de lançamento do CD"Calendário (O Tempo e o Vento)", dentro do projeto "Armazém de todos os sertões".


Geraldo Junior - Voz e Flauta

Antônio Queiroz - Baixo

Flauberto Gomes - Zabumba e voz

Ranier Oliveira - Sanfona e voz

Beto Lemos - Viola, violão e voz

Francisco Gomide - Percussões


Contamos com a sua presença! Abraços!

Rádio Chapada do Araripe - Música de Qualidade !

Apresento-lhes a mais nova aquisição da Rádio Chapada do Araripe:

Cabelos de Sansão - Tiago Araripe:



Ouça-o durante a programação normal. Em breve, especial sobre esse raro CD.

Abraços,

Dihelson Mendonça
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domingo, 24 de agosto de 2008


As visões de Veja

A revista Veja publicou recentemente uma extensa matéria sobre o ensino brasileiro, fundamentada em uma pesquisa que ela encomendou ao CNT/Sensus. Nessa matéria de capa a revista endemoniza o sistema educacional brasileiro e aponta o fracasso do ensino a partir de uma colocação dos nossos melhores alunos em um “ranking” mundial de 57 países, com um posto abaixo da qüinquagésima posição. Como sempre, em todas as matérias espetaculosas da revista, existem mais conotações do que denotações.

A revista Veja tem se notabilizado pela linha editorial investigativa, o tanto quanto pela sua irresponsabilidade em apontar o seu dedo sujo para alvos diversos. Por diversas vezes a sua falácia já foi comprovada. Em muitas matérias que visam o estardalhaço, o discurso de veja não passa de uma flatulência sorrateira de uma quiromante absorta em embaralhar suas cartas. Realmente os sistemas educacionais brasileiro e mundial tendem ao fracasso, mas não pelas razões apontadas pejorativamente pela revista, que se auto-intitula como a pitonisa educacional, baseada em estatísticas bastardas e ilhadas constatações de campo.

A conotação da matéria é que o fato de 90% de professores se acharem preparados para darem aula e 89% de pais com filhos em escolas particulares se darem por satisfeitos com o serviço prestado, constitui uma cegueira nacional, uma histeria abobalhada de despreparados, tanto professores como pais. Mas de parvo mesmo o que existe em demasia é a argumentação da revista, que atribui a culpa do fracasso dos alunos brasileiros em “competições” internacionais à doutrinação de esquerda a que eles estão submetidos feita por um batalhão de professores admiradores de Karl Marx. Mais hilariante do que isso é a própria “vidente profissional” achar que essa matéria irá suscitar uma lúcida e ampla discussão sobre o assunto.

O discurso mascarado da Veja, antes de tudo é mambembe, sem embasamento científico nenhum, muito menos coerente com o verdadeiro cerne da questão. Munidos de dados e jogadas ao acaso, os paladinos jornalistas autores da matéria, desfilam um batalhão de bizarrices fantasiosas, muito mais para o baile do vermelho e preto do Flamengo, com seus travestis tresloucados, do que para uma tentativa de texto jornalístico real. Verdadeiros disparates porcos foram jogados às pérolas.

A revista reivindica o tempo e a urgência da tecnologia globalizada como fatores preponderantes para um ajuste radical no compêndio pedagógico brasileiro, e no entanto não toca no assunto da grade curricular; no modelo arcaico de universidade; na metodologia de ensino, que beira o Iluminismo; e nem na dicotomia secular entre profissionalização e formação acadêmica de pesquisa, duas vertentes paralelas do conhecimento no processo de formação do aluno. Em detrimento a tudo isso e mais uma outra gama de implicações associadas, a revista preferiu dar ênfase a um fenômeno transversal, que nem desvenda e nem cega o caminho da aprendizagem: “o perigo da doutrinação de esquerda dentro das salas de aula brasileiras”.

“Muitos professores e seus compêndios enxergam o mundo de hoje como ele era no tempo dos tílburis. Com a justificativa de ‘incentivar a cidadania’ incutem ideologias anacrônicase preconceitos esquerdistas nos alunos”, afirmam os autores da matéria, em tom panfletário, muito mais protéticos do que patéticos, conotando como solução para as cáries do ensino brasileiro, uma dentadura postiça produzida em série, esculpida com a velocidade da luz pelo mais científico de todos os lasers do american way of life.


É claro que existe um anacronismo gritante na postura de esquerda de muitos educadores, que se valem de axiomas marxistas ultrapassados. No entanto, mais do que anacrônica é a postura macarthista utilizada pelos autores da matéria para deslegitimar uma doutrina e legitimar uma outra, embutida na ideologia capitalista de readaptação constante do indivíduo ao meio para não se tornar fraco, sem competitividade, que é a teoria da evolução das espécies, de Darwin. Vale salientar aqui que a campanha histérica empreendida pelo bufão senador Joseph MacCarthy, contra o pensamento de esquerda nos Estados Unidos, deu-se na década de 50, do século XX.

De lá para cá os Estados Unidos, educadamente munidos de alta tecnologia e armas, com seus alunos altamente preparados para o ingresso na economia de mercado, de monstruosa competitividade, construíram uma história alarmante de extermínio da natureza e de crimes hediondos em larga escala contra sociedades do mundo todo, em sua ensandecida cruzada política de “preservação” dos “princípios democráticos”. Nesse sentido a colocação de dados na matéria sobre citações de personalidades socialistas nas salas de aula, tais como “o guerrilheiro argentino Che Guevara, aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo”, é digna de um araponga da Agência Brasileira de Inteligência, infiltrado atrás das linhas “inimigas”, mas atrapalhado em seus conceitos na sua tentativa rebelaisiana de derrubar o “contra-sistema”.

Praticamente todas as universidades européias estão impregnadas com o pensamento marxista, bem como uma parcela significativa de doutores e docentes livres que ministram aulas nas universidades americanas. Da mesma forma essas mesmas universidades estão impregnadas com o cartesianismo reducionista e todas as velharias teóricas ultrapassadas do conhecimento ocidental, que tanto têm servido à concepção desenvolvimentista do capitalismo. Não existe nada de novo no ensino mundial que seja capaz de projetar o aluno para um futuro promissor no convívio social. O modelo continua o mesmo, com o agravante da transformação das escolas em empresas, e por contigüidade, a adoção da produção em série.

Há muito que não se educa. Isso vem desde o modelo enciclopedista de Diderot e D’alambert e o cientificismo positivista, em que a independência crítica foi substituída pelo chamado “pensamento lógico”, reivindicado pela pastelança da matéria. Esse modelo adestra, desenvolve habilidades emparedadas pelo cânone acadêmico. Quanto mais o aluno avança nos estudos, mais ele se torna especialista em diluir o pensamento alheio em suas menores partes. Enquanto isso ele perde a visão do conhecimento como um todo, sem nem chegar a um senso crítico. O que nada mais é do que a reificação do individualismo e a legitimação da competitividade. Essa é a exigência da cultura de massas, de quem esses jornalistas são filhotes, devidamente raciados por alguma pós-graduação. A cultura de massas não acolhe divisores, mas sim reprodutores.

Portanto, a dadivosa indignação dos autores da matéria sobre o ensino brasileiro é um embuste, não passa de uma cena de histerismo escatológico de uma prostituta traída por seu cafetão com uma prostituta bem mais velha. Os próprios jornalistas servem como exemplos do fracasso escolar e da completa falta de perspectivas de solução. A Veja continua com seu encantamento de espia, mas só para broncos.

SOFIA É

Sofia é igual. Tem quatro membros, cabeça e o tronco. Cada movimento que realiza se compara ao realizado ou em realização por outra pessoa. Sua respiração, a apreensão de objetos pelas mãos, a boca como o centro do reconhecimento, os olhos atentos ao que suas mãos tateiam e a enorme variedade como que algo novo passa a ser um foco de atenção. Por isso os adultos dizem: as crianças cegam, quando menos se espera elas estão mexendo em coisas perigosas.

Sofia aos nove meses é muito diferente de tudo o que conheci. Como o filhote de pingüim no coletivo da geleira é reconhecido pela mãe. Como alguém na multidão. Feito um indivíduo ao longo de milhares de gerações. Olhando para Sofia imaginaria que a singularidade poderia ser o átimo de tempo que é dela. Que o espaço em que se realiza seja o diferencial por trás de sua individualidade. Sofia apenas como ser do tempo e do espaço, no entanto, não explica toda esta diferença que percebo nela.

Antes de ir adiante, não encontro razão no seu patrimônio genético. Eis outro mito da modernidade sobre a individualidade de Sofia. Ela não é um pré-projeto, inscrito na mistura de seus pais. Nem lembro as mutações que continuamente ocorrem, isso não é o grande diferencial. Apenas que o código genético é insuficiente (ou a escala boçal do hiposuficiente) para explicar Sofia. Assim como a adição de tempo e espaço (fenotípica), história e cultura.

Sofia é diferente pois parte do movimento, mas não apenas por isso. Por exagerado que possa parecer, tão logo que Sofia pegou num penduricalho da bolsa da avó e toda a sua concentração se voltou para pendular os tais, revelou-se a parte do movimento que não explica Sofia. Pois Sofia é quem explica o movimento. Estava claro que Sofia é um dos seres que, por iniciativas próprias, promovem o movimento do mundo. Tal qual como é hoje e como poderá ser amanhã. E certamente será diferente como Sofia é.

Sim, não caia no mito que o mundo é feito por vencedores e vencidos. Isso é categoria de investimento financeiro. De aplicação de capitais. Do mesmo modo o mundo não é uma corrida para um ponto de chegada. Isso é categoria de projeto. Nem tampouco uma disputa entre partes. Isso é categoria de jogo. O mundo se move ora por diferenças com tendências a se concentrar numa trajetória ou a se dispersar por iniciativas que acentuam as diferenças. Assim Sofia é uma diferença notável na iniciativa e na natureza do movimento.

Sofia como parte do conhecimento tem outra natureza pois poderá se traduzir ou não em outras pessoas. Isso é uma categoria de sucesso social e histórico, mas tampouco é uma necessidade em si do mundo. Poderia até ser uma necessidade das pessoas, mas desde que reconhecida por tal. Se ninguém a reconhecer, se não se reproduzir em outras pessoas, inclusive em Sofia, o fenômeno traduzido em conhecimento mesmo assim existe, se encontra no mundo, apenas não experimentado em conhecimento.

Pra quem estiver em Salvador

(clica na imagem para ampliar)

sábado, 23 de agosto de 2008

Festa da Padroeira - Flor saudade







Quando o Crato era pequeno ,essa festa era enorme.
Tudo em movimento :Parque Maia , petiscos , novena ,amplificadora , garotos e saias !
Minha mãe , já contara ...Meus tempos já passaram ...Meus filhos nem percebem...Minhas netas , nem lembrar !
Tranquei o perfume da festa ,numa lufada de vento...Engarrafado , foi parar no mar.
Nem pra resgatar ...
Meus olhos ainda lembram ,mas a minha alma já cansou de ficar.
Atravesso o beco do Pe.Lauro ,em passos apressados...Beco , sem cheiro de sapoti ...
A praça ainda é quase linda ...A Igreja continua da Penha ,e o sino ainda trabalha ...
Tristeza me derruba ,por apenas um segundo ...
Já enxergo fantasmas ,já brinco com a cara das árvores ...
Filhoses e seu colesterol ...Teimosamente , compro um real ,e saio devagar , a mastigar ....engolindo um choro seco ,que não sabe chover ,nem sabe brilhar ....
Últimos dias de um agosto ...sem a graça do meio-dia,sem a festa do meu luar.
Oxalá as pessoas ainda vibrem...rezem , cantem , e peçam à Nossa Senhora...uma alegria de esmola !

Dançaria pra mim uma ultima vez?!


Eu te queria em minha liberdade
Construindo efetiva e afetivamente
Os elos que nos protegerão em nossas saudades

Teus braços de luz
Bailando

Teus abraços de sol
Teus olhos...

Dançaria pra mim uma ultima vez?!


A vida me tornou assim...
Após um sono de incertezas
Sepulcro de minhas dores
Velas acesas pra o destino

Procissões em teu louvor
O andar do andor
Teus rosto de santa
Tua voz em minha garganta

Flores, rosas. Incenso.
Um sacrário de sentimentos
E um rosário nos dentes.

...Esse teu manto de espelhos...

São pra ti minhas peças de reisado
Minha senhora das dores
E dos prazeres
Aquela que por mim compadece
Quando me perco em penitência

Tu és minha própria essência!
Minha consciência.
Tenha paciência!
São tuas, as cores do meu mundo
Realidade ou sonho profundo
Tanto faz!
Visão clara de um absurdo de nós
Que seja!

Tudo isso é amor!
Quando canto.

Nada disso é amor!
Quando calo.

Estadão explica popularidade de Lula


É isto aí, avante Brasil! Sem ufanismo, mas com trabalho, ética, alegria e paz!
As informações foram publicadas pelo Estadão que não pode ser chamado de petista, lulista ou de esquerda. É preciso acabar com essa falácia de que o bom momento vivido pelo povo brasileiro é resultado do cenário internacional favorável e proclamar com todas as letras que o fato advém da competência do governo do ex-metalúrgico, aquele que não acerta uma concordância, mas está transformando o Brasil numa nação menos desigual e injusta, ao contrário dos intelectuais que acertavam as concordâncias e fizeram exatamente o contrário. Chegou a hora de fazer justiça. Aliás, 88% da população já reconhece os feitos do ex-operário. Estamos perto da unanimidade. Faltam apenas a elite branca e os preconceituosos.
Como o presidente sempre diz, 'nunca antes neste País...'
Emprego, renda, consumo, entre outros, vêm batendo recordes consecutivos e explicam popularidade de Lula
Da Redação – Jornal O Estado de São Paulo
SÃO PAULO - O governo Lula atingiu nos três primeiros meses de 2008 a melhor avaliação positiva desde o início do primeiro mandato, em 2003. O motivo, segundo analistas, seria a seqüência de indicadores socioeconômicos positivos divulgados nos últimos meses. De fato, índices como emprego, renda, consumo, entre outros, vêm batendo recordes consecutivos, numa série de "nunca antes na história desse País" que não parece ter data para terminar. Confira alguns desses recordes:
EMPREGO
A economia brasileira abriu 204,9 mil novos empregos com carteira assinada em fevereiro, um resultado 38,5% superior ao saldo de fevereiro de 2007. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. O resultado do mês passado é o novo recorde da série histórica, iniciada em 1992, para os meses de fevereiro.
No primeiro bimestre do ano, estão acumuladas 347,9 mil novas vagas, um saldo 37% maior que o verificado no mesmo período do ano passado. As melhores marcas de geração de empregos formais, tanto em fevereiro quanto no bimestre, eram de 2006. Com as novas vagas abertas em fevereiro, o estoque de empregos formais da economia cresceu 0,7%, para 29,3 milhões de postos.
O Caged é um registro feito pelo Ministério do Trabalho com base nas informações mensais sobre contratações e demissões repassadas por todas as empresas que seguem as regras da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Todos os setores da economia tiveram resultados positivos em fevereiro, com destaque para os serviços, que criaram 74,4 mil vagas. A indústria, que abriu 46,8 mil, ficou em segundo lugar, seguida da construção civil, com 27,5 mil empregos. Entre os serviços, o segmento ligado ao ensino. O reinício do período letivo permitiu a criação de 31,5 mil empregos. São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul apresentaram os melhores desempenhos.
RENDA
Em 2007, 96% das 715 negociações salariais acompanhadas pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) asseguraram, no mínimo, a incorporação das perdas desde a data-base anterior. É o quarto ano consecutivo em que em mais de 70% das negociações analisadas houve reposição segundo a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Entre 2006 e 2007, a inflação média acumulada foi inferior de 3,9%. Das 715 negociações, apenas em 29 não houve reposição da inflação
COMÉRCIO
Janeiro de 2008 foi o melhor para o comércio varejista em sete anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas do varejo aumentaram 1,8% ante dezembro e 11,8% ante igual mês do ano passado, a maior variação para o primeiro mês do ano desde o início da série da pesquisa, em 2001. Todas as atividades pesquisadas mostraram crescimento nas vendas ante igual mês de 2007.
O maior impacto no resultado total foi dado por hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. O grupo tem forte peso na pesquisa e teve expansão de 8,4% nessa base de comparação. A segunda principal influência veio de móveis e eletrodomésticos, que prosseguem mostrando fôlego surpreendente, com crescimento de 16%, uma forte aceleração sobre a alta de 12% de dezembro ante igual mês de 2007. Essas duas atividades responderam por 6,7 ponto porcentual, ou 57% do aumento total de 11,8% do varejo.
CONSUMIDOR
Impulsionado pelo bom momento da economia e aumento na intenção de compras para os próximos meses, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) disparou em março, com alta de 3,5% ante fevereiro. Em janeiro, havia caído 0,4%. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo estudo, a confiança do consumidor em março foi a maior da série histórica, iniciada em setembro de 2005.
ELEVADOR SOCIAL
Pesquisa O Observador Brasil 2008, feita pela financeira francesa Cetelem com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs, revela que a classe C já é a maioria da população. No ano passado, 46% dos brasileiros pertenciam a essa camada social, ante 36% e 34% em 2006 e 2005, respectivamente. Ela também foi a única que aumentou de tamanho no último ano. De 2006 para 2007, quase 20 milhões de pessoas ingressaram nesse estrato social, um número cinco vezes maior que no período anterior. A classe C reúne hoje 86,2 milhões de brasileiros com renda média familiar de R$ 1.062.
A maior parte do contingente que engordou a classe C vem da base da pirâmide populacional, as classes D e E, perto de 12 milhões de pessoas. Outros 4,7 milhões vieram das camadas A/B, que perderam poder aquisitivo. O restante é proveniente do crescimento vegetativo da população.
Outro dado positivo da pesquisa foi o aumento da renda disponível das classes C e D/E nos dois últimos anos. Em 2005, faltavam R$ 17 para o consumidor da classe D/E pagar as contas no fim do mês. No ano passado, sobraram R$ 22.
Na classe C também houve ganho de renda. Em 2007, sobraram R$ 147, ante uma folga de R$ 122 em 2005. Já para a classe A/B a fôlego diminuiu de R$ 632 em 2005 para R$ 506 em 2007. A renda disponível é a que sobra após os gastos obrigatórios. A enquete mostra que o ritmo acelerado de consumo deve continuar este ano. Celular, computador, itens de decoração e a casa própria tiveram os maiores acréscimos na intenção de compra.
CRÉDITO
A despeito da preocupação do governo, o crédito continua em expansão. Em fevereiro, aumentou 1,1% ante janeiro e atingiu R$ 957,5 bilhões, equivalente a 34,9% do Produto Interno Bruto (PIB), maior marca desde maio de 1995. O Banco Central (BC) estima que chegue a 40% do PIB até o fim do ano.
INADIMPLÊNCIA
Outro motivo para a avaliação positiva é que a inadimplência continua baixa. Em fevereiro, 4,3% dos empréstimos apresentavam atraso superior a 90 dias. O porcentual é ligeiramente menor que o de janeiro, de 4,4%. No caso das pessoas físicas, a taxa de fevereiro manteve-se nos mesmos 7,1% de janeiro e ficou abaixo dos 7,3% de fevereiro de 2007.
DÓLAR BAIXO, BRASILEIROS VIAJAM MAIS
Os brasileiros gastaram como nunca em viagens internacionais nos últimos 12 meses. As despesas com viagens internacionais somaram US$ 8,925 bilhões, enquanto os gastos de estrangeiros no País foram de US$ 5,245 bilhões. Os dados se referem ao período entre março de 2007 e fevereiro de 2008 e são os maiores registrados para um período de 12 meses desde o início da série do Banco Central (BC), em 1947. Nem na época do "populismo cambial", quando o dólar custava menos de R$ 1, a gastança internacional foi tão elevada. Dois fatores impulsionam as viagens ao exterior: o dólar barato e o aumento da renda do brasileiro.
PAÍS AGORA É CREDOR INTERNACIONAL
O Brasil fortaleceu sua condição de credor internacional, mesmo com a piora no quadro econômico internacional. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), o volume de reservas cambiais e outros ativos superava o da dívida externa em US$ 18,807 bilhões em fevereiro. Na prática, é como se o Brasil fosse credor do mundo nesse valor. Em janeiro, a posição credora era de US$ 6,983 bilhões. Os números de janeiro e fevereiro são preliminares. Em dezembro de 2007, o último dado fechado, a posição credora líquida estava em US$ 10,846 bilhões.
INDÚSTRIA
O faturamento da indústria de transformação - que reflete as vendas reais - cresceu 10,5% em janeiro ante o mesmo mês de 2007. É a maior taxa de expansão na comparação com o mesmo período mensal do ano anterior desde agosto de 2004. O conjunto dos indicadores industriais de janeiro, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), também é o melhor para meses de janeiro nos últimos três anos.
As montadoras vão investir US$ 4,9 bilhões no Brasil este ano, o maior montante já gasto pelo setor em um único ano. A maior parte será aplicada no aumento da capacidade produtiva, que passará dos atuais 3,5 milhões de veículos para 3,85 milhões. Em 2009, a capacidade anual chegará a 4 milhões de unidades, um acréscimo de 500 mil veículos em dois anos.
Juntando empresas de autopeças, o investimento chegará a US$ 20 bilhões até 2010. O triênio anterior que teve maior aporte dos dois segmentos foi de 1996 a 1998, quando foram inauguradas 13 novas fábricas, entre marcas que passaram a produzir localmente e filiais das empresas já instaladas no País. Naquele período, foram investidos US$ 11,7 bilhões.
O anúncio da soma dos investimentos e da nova capacidade produtiva ocorre num momento em que o setor registra sucessivos recordes de vendas e há filas de espera de até três meses para alguns automóveis e de nove meses para caminhões.

VEJA - Edição 2075 - 27 de agosto de 2008

Otávio Cabral
Fotos divulgação, Valterci Santos/Gazeta do Povo/Folha Imagem, Alan Marques/Folha Imagem, Ricardo Stuckert/ABR
Brasil
O recado de Garanhuns
O presidente Lula é quase uma unanimidade em sua terra natal, mas isso não seria suficiente para eleger o seu sucessor. O preferido lá ainda é o tucano José Serra
PETISTAS X TUCANOS

Pesquisa mostra que transferência de votos não é automática. Em Garanhuns, a ministra Dilma Rousseff tem um desempenho melhor contra o governador Aécio Neves, mas perde feio para José Serra


Os altos índices de popularidade do presidente Lula autorizam a imaginar que, caso os atuais patamares se mantenham em alta até 2010, a eleição presidencial será uma barbada para o candidato do Planalto. Bastaria ao presidente escolher um bom nome e preparar a festa da posse. Os petistas não têm dúvidas de que o processo de sucessão caminha naturalmente em direção a esse cenário mais do que confortável – e já se engalfinham para tentar influir na escolha do "eleito" para subir a rampa do Palácio do Planalto. A transferência de voto de um líder carismático para um herdeiro ungido pode não ser tão automática quanto se imagina. Uma pesquisa feita em Garanhuns, cidade natal de Lula, com 125 000 habitantes, reforça esse último argumento. Os levantamentos mostram que o governo Lula é aprovado por mais de 55% da população brasileira, um recorde histórico. Em Garanhuns, o presidente é quase uma unanimidade. Nada menos que 97% dos moradores do município avaliam positivamente o governo e apontam o programa Bolsa Família, que beneficia quase metade da população local, como uma de suas grandes realizações. Em quem os garanhuenses votariam se as eleições presidenciais fossem hoje? No candidato de Lula? A pesquisa feita por um instituto ligado à Universidade Federal de Pernambuco mostra que, se Garanhuns fosse tomado como uma amostra do Brasil, o sucessor de Lula seria José Serra, governador de São Paulo.
No cenário eleitoral mais provável – com o tucano José Serra, o deputado Ciro Gomes, do PSB, e a petista Dilma Rousseff, a provável candidata de Lula –, o governador paulista aparece com 40% das intenções de voto, o dobro de Ciro (20%) e o quádruplo de Dilma (10%). Para testar a capacidade de transferência de votos, os pesquisadores também apresentaram Dilma como a candidata apoiada por Lula. Nessa situação, ela sobe para 26%. Mesmo assim, ainda fica bem longe de Serra, que continua liderando com 38%. A pesquisa também traçou outro cenário, desta vez com o tucano Aécio Neves na disputa. Nem assim a transferência em massa de intenções de voto se concretizou. Sem Serra, Ciro Gomes aparece liderando (41%), seguido por Dilma Rousseff (11%) e Aécio (5%). O resultado do levantamento, embora sem nenhum valor para testar as possibilidades reais dos candidatos, está sendo comemorado pelos tucanos, que andam meio desnorteados, sem saber como enfrentar o governo e a popularidade do presidente. "Lula é um presidente muito popular, principalmente nas regiões mais pobres, o que o torna praticamente um rei em grande parte do Norte e do Nordeste", analisa o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). "Mas ele não é Deus, não tem poder divino de eleger seu sucessor."
Animados com o veredicto de Garanhuns, os tucanos pretendem repetir as sondagens em outras cidades do Nordeste na tentativa de aferir a disposição dos eleitores em votar no candidato do governo. "Lula é um eleitor de peso, mas a oposição tem grande chance de vencer em 2010. Se o PSDB tiver uma boa estratégia e marchar unido vencerá a eleição", aposta o deputado José Aníbal, líder do partido na Câmara. O otimismo aparente, no entanto, não dissipa totalmente a perplexidade que toma conta do PSDB. Nas últimas duas eleições vencidas por Lula, em 2002 e 2006, os petistas tiveram o trabalho facilitado pelas constantes disputas entre os próprios tucanos. Ainda faltam dois anos para a eleição presidencial e o problema se repete. Hoje, o governador José Serra é teoricamente o favorito para disputar a sucessão de Lula, mas vem perdendo força na máquina do partido. Já Aécio Neves, que é pouco conhecido nacionalmente, trabalha para ocupar espaços e garantir que a luta pela indicação de um candidato do partido à Presidência passe por Minas Gerais. Dessa forma, enquanto mais uma vez o PSDB se divide, Lula vai unindo o PT em torno da candidatura cada dia mais óbvia da ministra Dilma Rousseff. Daqui a pouco, nem Garanhuns conseguirá resistir.

Interblogs: A força de Cabelos de Sansão num depoimento espetacular

Arthur de Faria

Primeiro eu fui lendo o texto do Zeca do encarte do Cabelos de Sansão e tendo um flashback f...
Eu tinha lá meus 14 anos (sou de 68), e, igualmente interiorano (de uma cidade próxima a Porto Alegre), igualmente vinha pra capital fuçar discos que eu escolhia pela capa ou pela estranheza do nome do sujeito. E, saindo da aula de teoria na escola de música da sinfônica daqui, achei o LP, gostei da capa, do nome do cara, peguei o encarte e vi ali Itamar, Tetê, Vânia, Mané, a turma toda. E isso era mais, muito mais do que o suficiente pra escolher que seria esse o único disco que minha mesada ia poder pagar naquela quinzena. Afinal, o Clara Crocodilo tinha acabado de mudar a minha vida pra sempre e qualquer coisa remotamente relacionada à ele me interessava.
Aí, em Gravataí, como sempre acontecia com discos novos e especiais, o LP se espalhou imediatamente pela turma. Na nossa rede pré-internet e baixamentos, todos copiavam em K7 para todos cada item novo da nossa súmula mínima: o Amoroso do João Gilberto, Pulsacion do Piazzolla, Clara Crocodilo, Grupo Um, Tetê na cachoeira, os gaúchos Musical Saracura e Almôndegas e Quintal de Clorofila, o primeiro da Eliete Negreiros, o primeiro do Premê, os primeiros Itamares...

As mesmas quatro imediatas pérolas que saltaram aos ouvidos do Zeca, anos depois, saltaram aos nossos também naquele instante. Pra mim, então, a curiosidade era ainda maior: nunca tinha ouvido nem Jimi Hendrix nem Strawberry Fields Forever. Pra mim aquilo era tudo só novidade (anos depois ouvi Little Wing e fiquei espantado como era MENOS interessante no original). Era uma revelação sobre como se podia ser tão absolutamente original sem usar as dissonâncias e atonalismos e serialismos do Arrigo nem as polirritmias do Itamar. E ainda trazer uma sonoridade curiosamente regional, tão distante pra quem nunca tinha ouvido uma ciranda, um maracatu. Então dava pra ser daquela turma e ser relativamente simples? Aquilo foi uma luz que explodiu na minha angustiada cabeça de já compositor, pensando o que fazer depois do Arrigo.

Hoje, escutando o CD, parado num estacionamento, dentro do carro, no meio de um fog caprichadamente portoalegrense, meus olhos se encheram d´água muitas e muitas vezes. Lágrimas de reencontro, de alumbramento, de surpresa com um disco que não envelheceu um minuto (OK, o timbre da caixa da bateria, mas é só). Até me deu de novo aquela inveja boooooooooa de Redemoinho, de como eu nao fiz essa música (e não fiz aos 14 e não fiz até hoje, com 39). Alumbramento de remeter aos caras que me fundaram esteticamente, os Irmãos Augustos (como a gente dizia, incluindo o Pignatari), o Lira Paulistana, as tais "vanguardas paulistas" (talvez por isso até hoje me sinta em casa em São Paulo, com ou sem meus amigos músicos, e completamente ET no Rio de Janeiro).

Fazia muito tempo que eu não tinha essa sensação de voltar pra casa (olha aí os olhos cheios d´água de novo! - toca, agora no computador da firma, Fios da Light). E de a casa seguir ali, intacta, sem nenhum sinal de envelhecimento, sem nostalgia.

Te devo essa, seu Araripe.


Fonte: http://www.cabelosdesansao.blogspot.com

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

ENSAIO FOTOGRÁFICO SOBRE A FEIRA DO CRATO.

A feira do Crato ainda que descaracterizada, mas se bem garimpada, rende ao fotógrafo obstinado, imagens interessantes. Por lá fiz este ensaio.

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Fotos: Pachelly Jamacaru
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