TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

domingo, 21 de setembro de 2008

OS TRÊS NÍVEIS DE ADMINISTRAÇÃO OU GOVERNO DE SI MESMO


Já dizia Platão há milhares de anos: “Tente mudar (ou transformar) o mundo – o primeiro passo será mudar (ou transformar) a si mesmo”. Vivemos numa sociedade moderna onde o grande paradigma é se adaptar as mudanças velozes do mundo. Consciente ou inconscientemente a maioria dos indivíduos procura se adaptar a um modo predominante de ser e de poder. Raros são aqueles que seguem um caminho próprio fora do grande circuito competitivo de ser melhor, maior, superior etc. Vivemos empurrados por uma grande onda do inconsciente coletivo – uma espécie de Tsunami psicológico de valores sociais e culturais. E nesse processo não conseguimos ver ou perceber a onda que nos domina e nos faz caminhar sem rumo, sem consciência da multi-realidade cósmica. Assim, cada um quer encontrar um governo eficiente para o outro, mas esquece de aprender a governar eficientemente a si mesmo. Nesse sentido, agimos num campo de energias poderosas que se entrechocam continuamente afetando a todos. A vida social moderna é também o resultado de entrechoques de energias em processo de transformação e criação. E como não conseguimos ver essas energias procuramos logicamente dar uma solução para os problemas que inevitavelmente surgem a cada decisão inconsciente que tomamos. E com a visão reduzida atribuímos as crises, que criamos e participamos, a falta de administração e controle da vida. Mas, a vida não é uma fábrica, um clube ou um empreendimento qualquer. Ela não segue a nenhum modelo de comportamento e organização. A vida é um resultado de forças, energias e estados de consciência as quais se alteram, combinam ou se chocam continuamente. Mas, mesmo assim podemos, por uma questão didática, identificar três níveis básicos de sua manifestação ontológica: alto (estratégico), médio (tático) e baixo (operacional). O nível alto ou estratégico da vida diz respeito ao plano ontológico-espiritual onde as decisões tomadas valem para uma vida inteira ou várias encarnações de realização transcendental. O nível médio ou tático diz respeito ao plano psicológico-social onde as decisões tomadas valem para uma determinada fase ou etapa de nossa vida de realização mental-cultural. E o nível baixo ou operacional diz respeito, por sua vez, ao plano biológico onde as decisões valem principalmente para estabelecer um estado de prazer, equilíbrio e saúde física. Esses três níveis se interligam sutilmente permitindo uma unidade ou fragmentação, harmonia ou desarmonia, transcendência ou estagnação. Nesse sentido, a energia que nos faz infeliz é a mesma que pode nos fazer feliz, basta que tenhamos consciência do processo de administração ou governo de nossas realidades e energias em seus domínios específicos e interiores. Por isso mesmo que Gandhi sabiamente afirmou: “Aquele que não sabe governar [ou administrar] a si mesmo, não sabe governar [ou administrar] ninguém”. Nesse momento, em que somos convocados para escolhermos os futuros governantes municipais, devemos refletir e olhar cada um dos candidatos e vermos se de fato eles sabem governar suas próprias personalidades. Ou seja, se sabem governar seus egos, serão bons governantes, caso contrário seus governos serão réplicas fiéis de suas ingovernabilidades interiores - um desastre!
Prof. Bernardo Melgaço a Silva – bernardomelgaco@hotmail.com – (88)92019234
Salatiel, envio uma poesia que, lendo o artigo de Affonso romano d'Santana no www.gargantadaserpente.com, tornaria melhor o entendimento. Obrigada pela cortesia. Marta.

sal

Sal

Por muito tempo
fui lata sem tampa
joguei o que transbordava
nos botequins,
nos ônibus coletivo com estranhos,
no avião com os comuns,
bancos de praça são os
lugares da fantasia dentro das cidades
às latas entulhadas de formação
auto-formação, Nietzsche aconselha
e os fabricantes de tampas
vieram dar uma força ao inusitado
sem assombro, ou sarcasmo
bestas de línguas de fogo do saber
cuspindo generosidade
se Deus existisse mesmo
faria uma festa no céu
acho que ele dança
e se alegra comigo
quando eu acho que significo

Marta F.
Dos rituais

As catapultas se coçam
Com as pulgas prostitutas
Que pugnam os desertos
No silêncio dos inquietos

As velhas linhas urbanas
Se coletivizam em divisas
Além da constante de Planck
No silêncio dos inquietos

Esse trem metropolitano
Que segue rasgando o finito
Babando sobre os trilhos
É cheio de almas ruidosas

Esse escrito circunscrito
Que corta as unhas e vai ao
Supermercado todo mês
É cheio de almas ruidosas

Assim as andorinhas procriam
As telas eletrônicas entram no cio
Os oxímoros se oxidam e as
Velhas virgens trocam de sexo

sábado, 20 de setembro de 2008

Boa escrita pra mim é isso

ESPERANDO

"Os corpos deveriam estar debaixo dos viadutos; onde sempre os atravesso sem gostar. Guardo as conversas pra mim e não as desovo. Um vício como sugar filtro. Desgrudá-lo da boca. E antes do desenlace, respirar um pouco da fumaça. A garganta queima e fico tonto. As pernas fazem o serviço não sei até quando. Exumo algumas histórias pra guiar minha vida, eu e meu carro; onde imagino Peter Pan na janela, com seu vigoroso sorriso rasgado, em comunhão com Johnny Cash no aparelho de som. A carruagem da lembrança juvenil em meu peito, esse cemitério de histórias, pigarreia e pede desculpas para um amigo próximo dos cinqüenta; que tem a polícia no coração. Eu lembro bem dele, aqui, esperando.

'Meu amigo taquiçêro'; seus olhos esfumaçados são dóceis ao corrigi-lo: ”é taxista. No rosto talhado de sol não há lembrança do escalpo na boca.(...)"

Vão lá e leiam o resto: http://mastigandolinguas.blogspot.com/

O que deu errado? Uma longa fase de crescimento rápido, inflação e juros baixos e estabilidade macroeconômica gerou complacência e elevou a disposição para riscos. A estabilidade levou à instabilidade. (Martin Wolf – Financial Times)



Afinal o que ocorre? Para alguns é o movimento pendular do capitalismo entre o Estado e o Mercado. Por ocasiões o pêndulo tende para o mercado livre, auto-regulado, um ente racional que aposta nas melhores soluções e todos vivem felizes. Por outra é o Estado, regulador, indutor de estratégias, com proteções sociais e a igualdade traz a paz. Mas é isso mesmo o que ocorreu entre os anos 80 e estes 10 primeiros anos do século XXI, compreendido como o da era Teatcher-Reagen?

Aí dizemos dos Estados enfraquecidos, insuficientes para coisas complexas. Estados enxugados e reduzidos a uma linha de base que não interviesse nas leis de ouro do capitalismo. Aliás, cada vez mais as leis do capitalismo se reduzem a uma única: demanda e oferta. Uma vez deixada ao sabor dos seus movimentos, os agentes racionais, que se disseminam no mercado, conhecem exatamente a estrutura da economia e deste modo são capazes de se antecipar à evolução dos fatos. Aí o mundo segue. Mas o mundo é como um animal mesmo, mais que o outro animal do mercado, agita-se e a racionalidade perde a tramontana. Só não se imaginava que um ultra liberal como Martin Wolf viesse dizer que a regra de ouro, ela mesma, levasse à crise.

Mas tem um dado que nos deixa mais confusos. E confusão como sintoma mesmo de um contraditório que atravessa nossa visão, mas não o entendemos, pois nosso modelo de mundo racional se antepõe a esta visão. Ambos não combinam. Qual seja, se o neoliberalismo enxugou os Estados, levou tudo ao Estado Mínimo, que tanta grana é essa que sai das burras dos Estados nacionais para encher as malfadadas ações do mercado? Então o Estado era mínimo, mas o caixa era máximo? O Estado nada podia, era insuficiente e agora pode tudo, até nos salvar de uma quebradeira ao estilo anos 30? O Estado pode fazer guerra ao terrorismo, punir nações não pagadoras, punir populações rebeldes? Tem algo efetivamente contraditório nisso tudo.

Uma maneira de dirimir a contradição é contemplar se efetivamente ela existe. E ao que tudo leva a crer ela não existe. Jamais o capitalismo pôde abdicar dos Estados Nacionais. Apenas precisava limar limites nacionais para que os capitais, especialmente o financeiro, pudessem fazer o jogo livre de "novos produtos" para ganhar dinheiro, inventar a securitização, os derivados e jogar solto na face oculta da Globalização. Mas aí vem a revelação clara da era neoliberal: não se tratava de reformas para o livre mercado, mas de controle sobre os ganhos do trabalho e a proteção social que os movimentos trabalhistas haviam implantado nas sociedades do pós-segunda guerra.

A prova cabal foi a ampliação a quase início do século XX das desigualdades sociais em todo o ocidente. E agora que os Estados têm que salvar as empresas, como fica a questão do trabalho e das sociedades? Será muito pouco improvável que uma crise social não surja deste cenário. Uma crise social que tenderá a rever todo o rebaixamento da vida dos trabalhadores. Não é possível que após a farra das empresas um novo arranjo não se faça. Uma das coisas que mais chocou nos fatos da agonia do Leahman Brothers não foi apenas a sua quebra, mas essencialmente reconhecer-se que o banco operava com produtos fora da regulamentação, "inovadores" e o pior de todos os pecados, não contabilizados.

Uma contabilidade mentirosa, que não revele a verdadeira situação das empresas, é um dano irreparável ao capitalismo. Especialmente ao que resta de vida nele que são os chamados "agentes racionais" pois como este poderão tomar atitudes racionais se as informações não se ajustam à realidade? E vejamos que isso é um grande problema nos EUA, todas as famosas agências de risco erraram feio em sua previsão. Todas estão no furacão da crise, prestes a quebrar ou serem vendidas. A racionalidade esteve a serviço do irracional.

UNIVERSOS PARALELOS: A CASA DO MEU PAI TEM VÁRIAS MORADAS (JESUS CRISTO)?


Por muito tempo a ciência evitou que suas premissas tivessem alguma aproximação ou nenhuma semelhança com outras experiências e saberes considerados não-científicos tais como: místicos, espíritas, religiosos, esotéricos etc. Nesse contexto, o mundo visto pela ciência era bem objetivo, tangível, mensurável, concreto, visível, funcional e racional. E é tão verdade que o grande cientista Max Planck chegou afirmar no início do século XX: “O real é o mensurável”. E assim tudo que era diferente dessas “qualidades materiais da realidade” era visto como uma alienação, um devaneio ou uma ilusão coletiva. E quem pronunciasse algo fora desse quadro da realidade, demonstrada tecnicamente, era considerado um louco, uma pessoa leiga e inocente por acreditar em fenômenos “fantasiosos” (tais como fantasmas, espíritos, almas do outro mundo etc). A recomendação que se fazia aos acadêmicos era de se ter uma atitude e visão centrada nas regras de observação e experimentação lógica, ou seja, o mundo descoberto e confirmado pela ciência. Mas, de uns cinqüenta anos para cá as coisas vem mudando. Assim, inevitavelmente a ciência moderna, que surgiu a partir do século XX, se aproxima dos fenômenos que antes pertenciam ao mundo visto por pessoas simples, leigas, místicas, religiosas, teosóficos, espiritualistas etc. É o caso das chamadas REALIDADES PARALELAS. A TV BBC lançou recentemente um documentário mostrando o que se passou por trás dos bastidores das grandes mentes e teorias que disputavam a supremacia de apontar a origem da matéria e do universo. Durante décadas cinco importantes teorias competiram entre si para provarem que a matéria deve ser vista como um processo sutil e vibracional (teoria das CORDAS) que acontece em níveis profundos e entre realidades paralelas. Ou seja, a realidade que experimentamos, segundo essas teorias, na verdade (se quisermos acreditar na ciência moderna) é conseqüência de fenômenos energéticos que acontecem em faixas de freqüência fora do campo de percepção dos sentidos humanos. E que essa realidade objetiva que nos sentimos pertencentes a ela, em suas três dimensões, na verdade faz parte de um sistema de onze realidades que se comunicam e interagem continuamente em movimentos de “partículas” e “anti-partículas” ultra-velozes (superiores ao da velocidade da luz). Assim, nosso corpo e tudo mais que nos cerca faz parte desse grande e espetacular processo de criação de realidades. Em outras palavras, não existe uma única realidade e nem um único universo, mas um multi-universo e uma multi-realidade. A experiência do acelerador de partículas (de 27 Km de extensão!) que se está montando na fronteira da Suíça com a França é em verdade a tentativa de provar a hipótese de que existe uma “partícula” fundamental (Bóson de Higgs) que somente é possível de captá-la quando provocamos um mini big-bang (a grande explosão cósmica que deu origem a todos os universos). Em 1988 tive a felicidade de vivenciar uma realidade paralela (numa outra dimensão da vida). E foi extremamente difícil para mim falar dentro da academia onde estudava (mestrado e doutorado – poucos foram os que aceitaram e respeitaram o que eu vi) desse fenômeno porque me sentia constrangido com o olhar de meus colegas de pesquisa. Hoje, sinto-me a vontade em dizer: A realidade é como uma cebola, pois tem várias camadas! Ou seja, A CASA DO MEU PAI TEM VÁRIAS MORADAS SIM!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva (88) 9201-9234 – bernardomelgaco@hotmail.com

sexta-feira, 19 de setembro de 2008


Agenor acordou com uma voz estranha em seu ouvido. Achava que era uma voz de criança. Ou de velha, perto de morrer? Pensou que ainda estava dormindo. Não. Estava acordado. A televisão estava ligada. Um pastor com sorriso número trinta abençoava os fodidos da segunda feira. O jornal entrou pela fresta da porta. O escroto do garoto não se preocupava se aquela merda entrava amassado. O menino tinha pressa. A cidade tem pressa sempre. Agenor levantou devagar. Um barulho irritante vinha do banheiro. A pia. Ligada a noite inteira. Que merda. Bateu um remorso, mas depois passou. Lembrou do aqüífero guarani. Ainda ia ter muita água pros fodidos do país depois que ele se fosse. Decidiu não desligar a torneira. Nunca mais. E que se fodessem para todo o sempre os ecologistas de plantão. Pena não ter um gato pra chutar. Pensou em tomar banho. Depois desistiu. Pra quê? Não ia tomar banho. Nem sedativos. Nem fazer a barba. Abriu a porta pra varandinha ridícula de seu apartamento. Olhou a rua. O esgoto continuava estourado. A filha de dona Guiomar estava chegando. Ia tomar umas porradas. Decidiu ver o show. O tapa fez Cidinha cair. Dona Guiomar tem a mão pesada. Cidinha sempre apanha na segunda feira. Acho que acostumou. O chute pegou na boca. Vão separar. – deixa a vadia apanhar! Eles nunca deixam. Olhou de relance o jornal. Nada de novo. Os mesmos roubos. As mesmas mentiras. A mesma desesperança. E o gado segue manso. Cada um pro seu curral. – vai trabalhar não Agenor? Essa moleza vai acabar! Decidiu que não tinha escutado. Decidiu que não era Agenor. Decidiu que era um presidente exilado de uma ilha distante e sem nome. Decidiu que sempre tinha sido um preso político em prisão domiciliar. Decidiu que era um filho da puta abandonado em uma unidade de menores infratores. Lembrou de um menino. Ele? Um personagem de um livro? Filme? Ele? Ele. Com uma baladeira na mão. Uma lagartixa sem cabeça estremecendo na parede. Trocou de roupa. Botou uma bermuda larga. Uma camiseta branca. Procurou. Amassou a antena interna da televisão. Fez um V. amarrou pedaços de elástico. Improvisou uma baladeira. Disse, pra ninguém: - vou sair. Não me espere. Vou caçar lagartixas.

Acaso-enigmático - significante



essa fome é de migalhas
uma vez por semana, massa!
multidão que comeu 7 pães secos
matou a fome
é que o corpo se sacia com pouco
quando a alma levita
e os ossos se amortecem juntos
em estruturas parecidas
aposto as fichas e fico rica
de palavras escritas
por quais motivos motiva
e razões não aparentes
os que lêem como quem não lhes pertence
atiram bumerangues
brilho para os que vêem
e não cegam vulgarizados
às vezes minha linguagem pousa
e demora...
como pombos no poleiro
e ao descansar clareia intuitos ainda vagos

Marta F.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Lúdica solidão

Cá, minha musa
esfregar seus tornozelos lavanda
em minha virilha gordurosa.

A esposa enche o saco.
O filho enlouquece.
No trabalho não se pratica yoga.

Urgentemente careço
de musa com juba e apetite.
Sinto frio e fome.
Meu jeans surrado sumiu.
Minha língua cheia de sapinhos.

Cá, musinha
inspira esse espantalho sem cabeça.
Sinto desgosto e valentia.
Vontade de esbofetear minha sombra.
Apagar a última vela do jazigo.

A esposa tem cistos.
O filho odeia escovar os dentes.

Minha musa não faça cachos.
Joga sua juba sobre meus cílios.
Estou com frio, fome e sono.
Amanhã a gente brinca.

Melancolia

Vinde, espírito fujão.
Atracai em meus tendões.
Estou morto,
mas fiz a barba.
Vinde, espírito ansioso.
Meus ossudos olhos são vossos.
Abraçai minhas costelas secas.
(em um futuro próximo
suntuosas cinzas)
Vinde, espírito perturbador.
Já sangrei todos os fetos da covardia.
Eis meu puro coração,
no espetinho
iguaria deliciosa.

NOVA PRODUÇÃO AUDIOVISUAL CARIRIENSE SERÁ ESTREADA EM BREVE

Nas últimas semanas de agosto encerraram-se as gravações de “As Sete Almas Santas Vaqueiras”. Trata-se de um curta-ficção dirigido por Jackson Bantim. A maior parte das filmagens foram realizadas em Santa Fé, distrito de Crato, localizado a 20 quilômetros da Sede municipal. Reunindo equipe e elenco da terra, o filme evoca a mitologia caririense inspirada na memória de contadores de histórias da região.

A história narra a vida do vaqueiro Anacleto de Mãe que, depois de uma vida pregressa desregrada e libertina, perde sua família e seus bens, vivendo desolado, arrependido e na penúria; busca superação de seu infortúnio através da purificação pelas Sete Almas Santas Vaqueiras.

Foram gravadas mais de cinco horas de imagens. O diretor Jackson Bantim acompanha agora a fase de finalização do curta, que será editado pelo núcleo de produção audiovisual – IMAGO, vinculado ao Laboratório de Estudos e Pesquisas em Espaço Urbano e Cultura, da Universidade Regional do Cariri - URCA.

Agora a expectativa está para a estréia do filme com data prevista para o mês de novembro. Para a ocasião está sendo planejada uma programação que contará com exposição das fotos de cena (still) e exibição de making of.

Vaca estrela e boi fubá


(de Patativa, Nietzsche e Deus, não necessariamente nesta ordem)

por Larissa Santos Pereira

Pensar no que simboliza a música me faz lembrar de Nietzsche, que desafiadoramente, registra: “Eu não acreditaria em um Deus que não soubesse dançar”. Também eu não acreditaria em um Deus estático, enclausurado em sua redoma e apenas preocupado em anotar, diariamente, no grande Livro da Vida, os meus pecados diários. Sou católica, de formação judaico-cristã e, portanto, cresci em um ambiente no qual o Deus era realmente punitivo, mas, em contraponto, fortemente amoroso.
Na Congregação das Irmãs da Sagrada Família, onde estudei e também na minha casa, a palavra Deus era sinônimo da palavra amor. Na minha casa, em especial, este bem-querer se dava tanto nas relações afetivas quanto na marcante presença da música. Ouvir música sempre foi significativo para a nossa família, sendo que o repertório variava dos ditos clássicos da MPB da época (saudosos anos 80), passando pelas “brasas” da jovem guarda e chegando até algumas expressões do forró e rock nacional.
Dentre os cantores, minha mãe tinha predileção por Fagner, cearense que me inquietava pela firmeza com que ca(o)ntava não as músicas “de amor”, mas as histórias do cotidiano nordestino, como a seca e a conseqüente exploração do sertanejo. Nesse contexto, uma composição sempre me chamou a atenção: Vaca Estrela e Boi Fubá, da autoria de Patativa do Assaré, que tece uma narrativa entremeada de sofrimento e lirismo para caracterizar a vida do vaqueiro que, aos poucos, é forçado, pela lógica da seca perversa, a abrir mão de seu gado.
Vaca Estrela e Boi Fubá é uma canção triste, que desperta nos/as ouvintes, uma sensação de estranheza no mundo, um nó na garganta que anestesia a vontade de agir, quase imobilizando o poder de reação. É também uma canção dura. Lembro de não entender porque a vaca e o boi em questão apresentavam nomes tão suaves, contrastando com o universo ali descrito: astúcias do sábio compositor.
Hoje, passadas duas décadas de quando, certamente, ouvi pela primeira vez esta música, ela me veio à mente de forma arrebatadora, trazendo, ao seu lado, Nietzsche e Deus. Ontem à noite fui a uma Estação de Transbordo do Transporte Coletivo de Salvador. A capital da Bahia ostenta cerca de 3.350.523 habitantes, grande parte deles amontoados em sub-bairros, sub-empregos, sub-moradias, sub-opções de lazer, sub-vida, enfim. A Estação Pirajá, onde fui, serve como eixo de condução para muitos bairros periféricos de Salvador, com nomes expressivos, como Palestina ou Boca da Mata.
Ao chegar à Estação eu, incauta escriba, fui informada de que havia uma fila de espera, não só para aguardar (uma média de 20, 30 minutos), como para, finalmente, ingressar no Amontoamento Noturno, vulgo Transporte Coletivo. Foi aqui, ao me reunir aos demais usuários daquele serviço, que recordei da vaca, de Nietzsche e de Deus, necessariamente nessa ordem. Explico-me: é estupenda a sensação de desumanização que aquela experiência causa no indivíduo. A ida, lenta e paciente para o ônibus, me fez imaginar-me como uma vaca, que, silenciosamente, resignava-se e caminhava para o Abatedouro. Não, não é exagero afirmar. Todos/as nós ali, naquele momento, éramos bois e vacas, impregnados da mais pura e ofensiva bestialidade.
A minha caracterização animalizada naquele momento me espantava e, ao mesmo tempo, me indignava. A insistência profunda de Nietzsche ecoava em minhas reflexões: então, esta é a condição humana? É para isso que somos? É isso o que somos? Uma grande massa desprezível a que se titula povo, que se aglutina de manhã e à noite, para ir e voltar dos serviços e/ou estudos e assim, nestas experiências, se animalizar de forma cada vez mais acentuada?
Já nos últimos passos daquela infeliz fila me lembrei de Deus. A lembrança foi fugaz – não há tempo para digressões quando se precisa disputar um lugar em pé em um ônibus com os motores já ligados para partir –, mas intensa o suficiente para, em mim, formular o desejo da pergunta ainda inquietante: “Deus, que música você dança?”.
Larissa Santos Pereira
Manhã de domingo, 13 de julho de 2008.

CABELOS DE SAN-TIAGO-SÃO !

Ficamos felizes com o retorno do Tiago ao cenário da nossa música. Desde outros tempos o Tiago é uma das grandes referências musicais e poéticas para nós daqui dessas terras caririenses. Um grande abraço e muito sucesso.

Conheça a história da Bandeira do Brasil

Nossos símbolos nacionais, bonitos ou feios, certos ou errados, são os Símbolos da Pátria, e a eles devemos respeito. O Brasil tem uma das mais belas Bandeiras do mundo, criada com nossa Independência. Foi modificada ao longo dos anos, por conta das mudanças em nossa História, e só o tempo dirá se ainda terá outras modificações.
A Bandeira Nacional, assim como o Hino, são os símbolos maiores da Pátria, e por isso devem ser respeitados e conhecidos. Tanto a nossa Bandeira quanto o nosso Hino Nacional foram criados na época do Império do Brasil, depois da Independência. Nosso Hino nos primeiros tempos não tinha letra, e a nossa Bandeira era um pouco diferente, e continha o Brasão Imperial.
O verdadeiro significado das cores de nossa Bandeira Nacional não é conhecido pela maioria das pessoas. É muito comum falar-se em “verde das matas, o amarelo do ouro”, mas não é bem assim, ou pelo menos, não é só isso.
A História mostra o motivo:
As cores verde-louro e amarelo-ouro foram instituídas como cores nacionais do Brasil, 11 dias após a proclamação da Independência. A Bandeira do Brasil foi desenhada com as cores das Famílias Reais do nosso primeiro casal de Imperadores, Dom Pedro I e Dona Leopoldina.
Dom Pedro I é representado pelo Verde-Bragança e sua esposa Dona Leopoldina, sendo filha do Imperador da Áustria, pelo amarelo-ouro dos Habsburgos. Em setembro de 1823, o futuro Marquês de Resende, Antonio Teles da Silva Caminha e Meneses, então Embaixador na Áustria, explicando o motivo da escolha do verde e do amarelo ao Príncipe de Metternich, disse que o "amarelo - simbolizaria a Casa de Lorena (Habsburg)", cor usada pela Família Imperial Austríaca, e o "verde - representaria a cor da Casa de Bragança".
Outro documento que comprova isso é uma carta: “datada de 15 dede 1822, ou seja, pouco mais de uma semana da Proclamação da Independência, é sabido que numa carta escrita por Dona Leopoldina à Dona Maria Tereza, da Côrte da Áustria, comenta textualmente, fazendo referência às cores da bandeira, dizendo do “verde dos Braganças e do amarelo-ouro dos Habsburgos” (Silveira, 1972, pag. 230).
O Decreto que criou nossa Bandeira
Segundo o livro "Símbolos Nacionais na Independência" de autoria do General Jonas Correia, o Escudo de Armas e Bandeira do Império foram criados por Decreto de 18 de setembro de 1822. Com relação a Bandeira o decreto diz: "A Bandeira Nacional será composta de um paralelogramo verde e nele inscrito um quadrilátero romboidal cor de ouro, ficando no centro deste o Escudo de Armas do Brasil"
Uma falsa Bandeira Nacional
Em novembro de 1889, um golpe militar derruba o governo imperial. Os golpistas, influenciados pelos integrantes da seita positivista, instituem uma bandeira provisória da República, na tentativa de abolir o símbolo de nossa Monarquia. Assim, copiam a bandeira do clube republicano Lopes Trovão, uma imitação da bandeira dos Estados Unidos da América.
Essa falsa bandeira não foi aceita nem mesmo pelos mais radicais antimonarquistas, e durou apenas cinco dias. Infelizmente, foi essa humilhante imitação de bandeira estrangeira que foi içada no mastro do navio Alagoas, que levou o Imperador Dom Pedro II, prisioneiro e expulso com toda a sua família, para o exílio político mais longo da História do Brasil.
A identidade nacional falou mais alto
A Bandeira Nacional, então, foi motivo de acaloradas discussões. Alguns queriam destruir tudo o que lembrasse o Império, e apresentaram modelos de bandeiras listradas, com cores diferentes. Mas, o próprio Deodoro da Fonseca desejava manter a antiga Bandeira Imperial, dela retirando apenas a Coroa.
Desta forma, estava decidido que as cores e o formato básico de nossa Bandeira permaneceriam.
(Transcrito do jornal “Correio Imperial”, de Belo Horizonte-MG)

A crise da Viação Brasília


Ceará
MOTORISTAS E COBRADORES

Greve deixa 100 mil pessoas sem ônibus no Cariri
Rita Célia Faheina, da Redação
Os grevistas cobram o pagamento dos salários, atrasados há dois meses; entrega de cestas básicas referentes há quatro meses; e o pagamento das horas extras desde 2006. Ainda não houve acordo com a empresa Viação Brasília
18/09/2008 01:22
Usuários dos ônibus da empresa Viação Brasília, que utilizam os coletivos nos trajetos entre o Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Missão Velha, ontem, tiveram que recorrer a transportes alternativos. É que os motoristas e cobradores da empresa paralisaram as atividades. A greve foi parcial na última terça-feira, mas ontem, nenhum veículo circulou. Os trabalhadores cobram o pagamento dos salários, atrasados há dois meses; entrega de cestas básicas referentes há quatro meses; e o pagamento das horas extras desde 2006. Houve uma reunião, na noite da última terça-feira, de representantes dos trabalhadores com dirigentes da empresa, mas os dois lados não chegaram a um acordo. Com o movimento grevista, os usuários, em torno de 100 mil pessoas, que apanham os ônibus no triângulo entre Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha (chamado triângulo Crajubar) tiveram de recorrer às vans que fazem o mesmo percurso.
"Lamento essa greve porque está prejudicando muita gente. Somos pessoas de menor poder aquisitivo e só podemos pagar a passagem (R$ 1,20) cobrada pelos ônibus", disse a dona-de-casa Maria Lúcia Pereira, que mora em Barbalha. Mas ela concorda que a reivindicação dos motoristas e cobradores é justa. "Seria necessário que resolvessem logo essa situação", completou. De acordo com a diretora administrativa da Viação Brasília, Lúcia Ferreira, a empresa tem despesa alta de combustível e com a manutenção dos veículos. E, segundo ela, caso não haja uma regulamentação dos transportes alternativos, a empresa vai ter de fechar as portas. Disse ainda que a diretoria está analisando as reivindicações dos trabalhadores e vão tentar atendê-las. Os ônibus da empresa Viação Brasília fazem a linha entre Crato e Juazeiro do Norte; Barbalha e Missão Velha; e Juazeiro do Norte e Missão Velha. Cerca de 60 vans fazem esses trajetos e o serviço do transportes alternativo entre essas cidades ainda não é regulamentado. Ontem, as vans transitavam superlotadas devido à paralisação dos ônibus. (Colaborou Amaury Alencar)

"O Povo", 18-09-2008

Interblogs: Personagem Principal para presidente do Supremo

Personagem Principal é dona do sensacional blog Embrulho bo Estômago. Dona também de um texto leve, inteligente e provocativo. E cheio de boas surpresas. A última é esse post (que segue em seguida). Com direito a uma revelação (outra grata surpresa): sua foto, onde aparece de beca (ela vai se formar em Direito, o que explica o título deste Interblogs) e com uma beleza estonteante.



Carlos Rafael





Como parei aqui


Pra comer de boca fechada e falar baixo, meus pais sempre pegaram no meu pé. De resto, foi-me dada total liberdade para tomar o rumo e fazer as escolhas que bem entendesse. De tanto poder tudo, acabei sempre optando por nada. Nunca fui de festas ou drogas. A única vez em que imaginei estar frita, foi aos 19, quando cheguei em casa com uma tatuagem nas costas. Minha mãe achou bonitinha e meu pai fez: tsc! Nunca tive a necessidade adolescente de chocar o mundo, fumando maconha ao som de Led Zeppelin. Nunca tive que sair pelos fundos ou deixar os sapatos na porta às 5h da manhã, com medo de acordar alguém, aliás todo mundo sabe que marco presença em pouquíssimos eventos e, quando o faço, volto correndo para casa para assistir a última temporada de House.
Não sei, mas no fundo eu sempre me vi fugindo do convencional. Bailarina, andarilha, talvez boêmia... Eu sempre pude, poxa! Mas não, eu não segurei a onda de ter tanta liberdade nas mãos. E de tanto me abrir para o mundo, de tanto me abrir pra tudo, acabei num estúdio, dentro de um terno preto, posando para o convite de formatura do curso mais careta que existe: Direito.

GO: embrulhonoestomago.blogspot.com.

Lula sobre 2010: Dilma merece; Ciro tem cacife

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em entrevista à TV Brasil que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, "merece" ser candidata às eleições presidenciais de 2010 e que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) também tem "cacife" para concorrer. Contudo, negou que tenha um nome para lançar como candidato. "Neste momento, nem Ciro, nem Dilma, nem ninguém, porque neste momento eu não estou discutindo sucessão presidencial", disse.

» Lula defende união civil gay» Lula: diretor afastado da Abin pode voltar» Lula: Dirceu e Palocci são 'companheiros' » Opine sobre as declarações de Lula

"Eu confio na Dilma. Na verdade, eu confio em todos os meus ministros. Agora, a Dilma Rousseff é a companheira chefe da Casa Civil, companheira que coordena grande parte das coisas que o governo faz. É um dos quadros com capacidade gerencial como poucos na história deste País. Então, ela merece. Não sei se vai ser Dilma, porque também não discuti isso com ninguém ainda", afirmou.
"Primeiro, eu tenho um profundo respeito pelo Ciro Gomes (...). Obviamente que o Ciro tem cacife para ser candidato a presidente da República, tem história. É um homem de um competência extraordinária. Pelo fato de já ter perdido duas vezes, ele é muito mais conhecido do que aqueles que nunca concorreram", falou.
Ele afirmou que seu "sonho" é construir uma candidatura única da base aliada. "Não chegou o momento de discutir quem vai ser o candidato. Vou discutir isso com a base aliada. Eu quero ver se é possível construir uma candidatura única da base aliada, esse é o meu sonho. E aí nós vamos construir alianças", disse.
Questionado sobre as eleições municipais de outubro, Lula disse que optou por adotar uma postura "comedida". "A minha participação na campanha não vai ser quase nada", afirmou. Ele disse que fez, até agora, quatro comícios e que tem basicamente gravado participações para serem veiculadas no horário eleitoral.
"Tenho ido em São Paulo, na capital, porque lá há um enfrentamento direto com dois adversários do governo federal (em referência aos candidatos Geraldo Alckmin, do PSDB, e Gilberto Kassab, do DEM)", disse.
Lula também afirmou que tem ido ao ABC Paulista prestar apoio ao ex-ministro Luiz Marinho, que concorre à prefeitura de São Bernardo do Campo. "Tenho relações históricas com Diadema, Santo André... nessas cidades onde eu puder ajudar vou ajudar", afirmou.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Blues leve - Marta Feitosa


Socorro, vocês são incríveis, amo estes amigos invisíveis palpáveis só à retina.
Fiz o que talvez seja uma composição, não sei, um samba... dedico aos colaboradores da ala musical do blog para apreciação/apropriação. Grata.




leve, leve, leve, leve...esse blues

esse blues é pra você que ouve nú

no quarto de alguém

diz que eu não sei amar falando

língua que solta veneno e doce pro seu espanto

Eu vou sambando de lado

Eu vou sambando apertado

Você achando que eu sou folgado...


OBS: sujeito a acréscimos, adaptações, arranjos...ok?


Marta.

Qauje me lasco em banda

Pois é , amigos, casa de cozinheiro, panela de barro. “O automóve na ladeira se quebrou/ o zabumba se furou/ mas o Gonzaga não morreu”. Cá estou eu aqui vivinho da silva e ressuscitei no sétimo dia. Para o gáudio de tantos amigos e familiares e para o torcimento de rabo de uns pouquíssimos desafetos. O susto , ao menos, teve lá suas vantagens, tive que procurar seguir os conselhos que eu mesmo dava aos outros nestes mais de trinta anos de profissão. Falava , falava e nem percebia que nada tinha de imortal, sou feito da mesma substância perecível de todos e ficava por aí todo fiota talvez confiando que panela de barro não cai de girau: cai sim, senhor e é caco para tudo quanto é de lado. Pois bem, juntamos os estilhaços, colamos o que sobrou com goma arábica e aparentemente está tudo bem. Um furo aqui, um marejo ali, mas ainda dá para cozinhar um anguzinho esperto. Sim, tem lá outra vantagem nisso tudo, nunca pensei que fosse tão querido pelo povo da minha terra. O telefone não parou na minha casa e nas do meus amigos e familiares, soube de roda de orações, de promessas com quase toda a corte celestial e um incréu do meu quilate jamais poderia imaginar que toda essa corrente positiva teria tanto efeito terapêutico. E foi justamente a preocupação dos mais simples e humildes que mais me comoveu, estou , hoje, plenamente convencido que após terminar a faculdade e a.residência e voltar para minha terra, estava fazendo o gesto mais importante de toda minha vida. Nenhum acúmulo de bens neste mundo compensa a alegria de me sentir amado, querido e quase que insubstituível por minha gente, aquela a quem dediquei anos a fio de cuidados e preocupação ( e pretendo assim continuar fazendo) com os parcos recursos científicos, técnicos e humanos que a natureza e a vida me proporcionaram. Sempre de pé à beira do leito dos hospitais, de repente me vi deitado e necessitando da ajuda e do desvelo de tantos e tantos colegas de profissão. Via no rosto deles além do empenho técnico , uma preocupação que extrapolava o científico e esbarrava no humano Sinto-me engrandecido por ter tido, pela primeira vez, a visão plena da outra dimensão do sofrimento, da dor, da angústia.
Toca-me, de cátedra, a certeza da imensa fragilidade humana. Meras estrelas cadentes somos no firmamento da existência. Um fúlgido brilho no céu, que encanta poucos olhos atentos e, de repente, o universo volta à imutabilidade de sempre. E os vestígios que podemos deixar sobre a terra são simplesmente um pouco daquele resplendor que riscou a noite, tocando a retina de alguns e que pode apenas ter maior ou menor intensidade. Mas perfeitamente similares na sua fugacidade.
Como sempre, correram notícias as mais dispersas. Um mundo midiático como o nosso se alimenta de manchetes. Nossas vidas comezinhas e tão insignificantes necessitam ao menos do furor de algumas histórias mais sensacionalistas. Pois ainda não foi desta vez. Pretendo ainda fazer raiva a muita gente, escrever um mundão de potocas e continuar servindo àqueles que me procuram. Acredito que valerá a pena ficar por aqui enquanto contar com a amizade e o desvelo de tantos e possa me sentir perfeitamente útil a todos a quem dediquei minha vida pessoal e profissional. Ainda não foi desta vez que precisei voltar definitivamente para Matozinho.