TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

domingo, 28 de junho de 2009

Os governos das Américas e o Golpe Militar de Honduras

Hoje um grande teste para o momento original que vivem as Américas. Com Barack Obama nos EUA, os presidentes de Esquerda pela América Latina. Além do mais eleições para alternância de poder, derrotas e vitórias. As Américas vivem de fato um novo tempo?

Então vem o golpe de Honduras. Irá se sustentar? Sabemos que nenhum golpe de Estado se sustenta sem apoio de Nações Estrageiras fortes. Durante a noite vamos observar as falas dos presidentes das repúblicas nos três continentes. Amahã vamos sentir as medidas práticas.

O grande teste é o seguinte: se de fato os golpistas mantiverem o poder e ele não for restaurado ao presidente eleito, tudo o mais se reverte. Em saltos da história não é possível conviver simultaneamente com a afirmativa e a negativa na mesma frase.

SOPA DE LETRAS by LUPIN


O tempero de hoje é do MARLON BRANDO.Pensei em acrescentar um comentário,mas achei desnecessário.A frase é uma sacada bem humorada,e só.Bom apetite!
Utilidade

Um dia fiz um poema para um cara
que não usava meias
outro dia ao me encontrar
tirou os sapatos, os pés cheiravam,
até pó pra chulé já usava, o desgraçado
tornou o mundo menos fedorento
com um verso que não valia
nem uma moeda de prata

O QUE ESTAMOS BUSCANDO? O MISTÉRIO DO SENTIDO DA UNIDADE DE SER



Bernardo Melgaço
O que estamos buscando? Qual a orientação que queremos dar em nossas vidas? Certamente, não queremos apenas "quantidade de vida", ou mesmo "vida incompleta". Almejamos algo mais. Algo que possamos desfrutar completamente em vida. Ou seja, algo que possua valor, peso, sentido, dimensão e, portanto, QUALIDADE. Queremos encontrar a essência das coisas da vida.

Queremos encontrar sem saber o que, como e onde. Tateamos no escuro da percepção na busca da essência das coisas da vida. Por isso, ansiamos em encontrar em cada coisa esse ponto, esse centro essencial. Sabemos por experiências, que a vida só tem sentido quando vislumbramos encontrar uma referência dessa essência fundamental. A essência que nos anima. Todo nosso esforço, todas as nossas descobertas têm por intenção, mesmo indiretamente, a reorientação de nossas visões para o centro essencial da vida. É a vida e a sua existência a questão chave. Viver por viver não tem valor, não tem significado algum. Precisamos experimentar o belo, o agradável, o saboroso, o extasiante, o apaixonante, o romântico, o sútil, o amoroso, o confiável, e assim por diante. Essa é a busca que consciente ou inconscientemente realizamos todos nós.

É essa experiência tateante que nos empurra para frente. Inevitavelmente caimos, mas logo levantamos. Sofremos e desejamos. Matamos e morremos. Mas, o grande sonho é a esperança de encontrar, ou melhor, de experimentar a grandeza de algo superior a nós mesmos (em nós mesmos).

Daí o surgimento da crise. Mas, também como consequência o conflito e a oportunidade de encontrar a trilha da Verdade maior: "Vocês conhecerão a Verdade. A Verdade vos libertará". É preciso continuar. Desistir nunca. Assim, com nossa visão obscurecida, caimos e mergulhamos num oceano de conflitos, guerras, desajustes e desequilíbrios. E poucos são os "buscadores" que escapam da força magnetizadora do mundo das formas. De "buscadores" nos tornamos vítimas. Nos misturamos ao mundo que no início queríamos desvendar. É o paradoxo do caminho do homem em busca da essência das coisas.

Assim, mesmo inconsciente, desejamos encontrar uma referência do caminho certo. Em dado momento nos perguntamos: qual é o caminho verdadeiro? Será que existem vários caminhos? Ou, será que existe apenas um único caminho? Buscamos aqui e ali essas respostas tanto na ciência quanto na religião. Tentamos decifrar, interpretar e traduzir os caminhos traçados pelos grandes mestres que passaram pela Terra. Mas, isso é tudo em vão. Não encontramos, de pronto, a resposta adequada. Várias são as referências, os marcos deixados por aqueles que conseguiram caminhar. Mas, tudo em vão.

Existe um mistério que permeia a nossa busca da essência das coisas. Os marcos deixados nos apontam em direção à perfeição, à beleza e à unidade. De forma que, ficamos na intenção, no desejo de querer "uma estrela no céu, enquanto nossos pés estão presos na Terra".

Romper com os grilhões que nos aprisiona ao "chão da Terra" é o desafio de sermos totalmente livres para vivenciarmos a "estrela no céu". De maneira que, estamos sempre conformados com esse destino que nós mesmos criamos. É preciso ganhar asas e voar para pontos mais altos do nosso "céu-ser". Mas como fazer isso? Não sabemos, enquanto sociedade, como fazer essa tarefa suprema.

Ao longo de vários séculos acumulamos muito conhecimento. Hoje conhecemos muito. Muito mesmo. No entanto, paradoxalmente, não sabemos o que nos é de fato essencial para viver. Esse é o grande mistério: nem muito, nem pouco, nem mais e nem menos. Mas o essencial. O essencial é tudo que precisamos.

O essencial torna-se o que nos é oculto sempre. Cabe aqui uma pergunta: o que é mesmo "essencial"? Será que é essencial ter? Ou será que é ser? É essencial adquirir bens materiais? Ou será que os bens materiais são necessários? O essencial é uma questão de quantidade ou de qualidade? Possuir isso ou aquilo é essencial ou é útil? Útilidade e essencialidade são as mesmas coisas?

O mundo que criamos é centrado na utilidade ou essencialidade das coisas? Creio eu, que o mundo moderno gira sob o eixo da útilidade. Queremos as coisas que nos são úteis. Não podemos, ou melhor, não conseguimos trocar o que é essencial. Trocamos o que é útil entre nós. Não podemos trocar o ar, o vento, o clima, o chão, etc. Trocamos o que é útil para o bem comum de um grupo, sociedade, tribo ou clã. É importante analisarmos essa questão de forma mais profunda.

O essencial já existe e sempre existiu antes das necessidades humanas. O essencial não pode ser criado pelo homem. O homem cria e projeta as coisas úteis para si. A vida é essencial. Não podemos trocar a vida. Não podemos vender a vida. Podemos trocar sapato por dinheiro. Podemos vender roupas, alimentos, etc. O essencial não está associado a "quantidade de", mas a "qualidade de" vida. É claro, que existe um valor essencial na própria quantidade. Mas, não é a quantidade que determina o valor essencial. Por exemplo, as vezes faz-se necessário uma quantidade de água, ou seja, um valor essencial de volume de água para saciar nossa sede. O essencial é a nossa satisfação existencial.

Se não percebemos isso continuaremos confundindo as coisas. Continuaremos valorizando a utilidade das coisas e não a essencialidade. Essa distorção vem causando sérios danos e desajustes no sistema energético humano. Com essa visão apurada podemos melhor compreender os desvios. Por exemplo, o trabalho social numa empresa é útil ou essencial? Certamente que é útil para a troca com dinheiro, mas não é essencial. Essencial é o trabalho ou esforço individual que cada um precisa realizar em si mesmo a fim de alcançar o equilíbro ontológico/existencial. Podemos ver, então, que não podemos sobreviver apenas com o trabaho útil. O trabalho útil não consegue por si mesmo nos manter vivos com saúde. Se nos esforçamos continuamente no trabalho útil geramos "stress", desequilíbrio e portanto, doenças. E consequentemente sofrimento e perda do valor essencial da vida.

O trabalho útil precisa estar subordinado ao trabalho essencial. Ou seja, se estamos equilibrado em nossa estrutura interior, podemos então, utilizar melhor nossas capacidades físicas. A produção essencial não pode ser medida. Ela apenas deve ser incentivada. A produção oriunda do trabalho essencial gera bens não-econômicos: paz, equilíbrio, harmonia, felicidade, alegria, bem-aventurança, etc. Essas coisas são essenciais para todos nós. Sem isso, a vida perde total sentido de existência.

O que aconteceu para que nos desviássemos tanto desse trabalho essencial? Creio eu, que foi a supervalorização do trabalho útil em detrimento do outro essencial. Invertemos a natureza das coisas. Forçamos um caminho. Nos iludimos com as nossas descobertas. O homem moderno está adoecendo e perdendo o controle de suas próprias energias vitais. O aumento do número de hospitais, médicos, psicólogos indica não a evolução de uma sociedade, mas ao contrário do que pensamos, indica um grande problema nos desequilíbrios de valores de utilidade das coisas.

A nossa psique desaprendeu a exercitar os valores essenciais. Vivemos submersos num mundo de valores utilitaristas. Valores de consumo de utilidades. A natureza é governada por princípios essenciais, valores naturais. Não podemos normatizar um valor natural. Podemos acordar sobre um valor artificial ou virtual. A bondade é um valor essencial ou natural. E sempre existiu em qualquer civilização humana. Da mesma forma, a fé, a fraternidade, a amizade, o perdão, etc.

O trabalho essencial é hierarquicamente superior ao trabalho útil. O caminho essencial é estreito e sua porta pequena. Retornar a trilha do trabalho e da produção essencial é a grande conquista de que precisamos para efetivamente sabermos quem nós somos. Ser essencial. E não apenas ser útil: médico, engenheiro, motorista, enfermeiro, etc. O essencial é perene. O útil é provisório, temporal. Não conseguiremos mudar a rota de conflitos se não mudarmos a busca. Do útil para o essencial. O essencial requer renúncia e restrição. O mestre Einstein, foi um dos raros seres que vislumbraram isso. Vejamos, o que ele disse (Como Vejo o Mundo, Nova Fronteira):

"Se quisermos uma vida livre e feliz, será absolutamente necessário haver renúncia e restrição" p.64

E o mestre Jesus Cristo também chegou a dizer:

"É mais fácil um camelo atravessar o buraco de uma agulha do que um homem rico ir para o Reino do Céu"

É preciso mudar a rota da busca. Da utilidade da qualidade para a essencialidade da qualidade. Essa mudança deve ocorrer dentro de cada indivíduo. É no homem e não nos produtos físicos que a qualidade deve se desenvolver. É claro, que como resposta da visão interior podemos criar produtos mais úteis para o nosso benefício. Mas, a recíproca não é verdadeira, ou seja, a qualidade dos produtos não produzirá no homem a mudança de rota. Produzirá mais valores utilitaristas. Reforçará o caminho da utilidade. E de seus valores de uso e troca.

Seguindo dessa forma o homem se afastará cada vez mais daquilo que ele mais quer encontrar: a qualidade de vida total, realizada na vivencialidade do Amor Cósmico Universal. Esse afastamento produzirá no homem moderno, um aumento de tensão interior. Essa tensão em processo de crescimento conduzirá o homem a utilizar seus valores utilitaristas na projeção, na explosão psíquica inevitável. O homem poderá se autodestruir. A busca do Amor é a meta. É imprescindível para o desenvolvimento equilibrado de qualquer sociedade humana. Sem Amor, a vida é vazia, oca, sem valor, sem sentido verdadeiro e sem essência.
RJ, OUT/1992

No reino da informática

Emerson Monteiro

No filme 2001: Uma odisséia no espaço, o computador de bordo (protótipo de máquina inteligente (Hal 9000, abreviatura de Hardware Abstract Layer, ou Camada de Abstração de Hardware) de uma nave especial resolve, de iniciativa própria, confrontar seus operadores, no que, ao ser descoberto e desligado, antes elimina um dos dois tripulantes.

A propósito dessa película famosa de Stanley Kubrick, em face do acidente momentoso do voo 447, da Air France, percurso Rio de Janeiro - Paris, ao custo de mais duas centenas de vidas, a humanidade presencia hipótese semelhante, de máquina que quebra a linha do resultado previsto, porquanto uma possível pane dos computadores de bordo da aeronave, precedente dos mais perigosos, acha-se no meio das conjecturas que deram causa à ocorrência.

No caso, a possibilidade de falha humana não se descarta, contudo a falha mecânica, ou eletroeletrônica, merece urgente consideração. Enquanto isto, milhares de aviões, a todo instante, alimentados pelos dados e circuitos de tais preciosidades da técnica, circulam o alto dos céus, dentro de condições idênticas às do fatídico voo.

E como abordar esse personagem indispensável do cenário contemporâneo, computador, a onisciência da informática, que tomou o lugar das limitações humanas? Aonde chega o antigo projeto da liberdade, demanda dos sonhos inúmeros da multidão laboriosa?
Isso traz à baila alguma abordagem quanto ao domínio da máquina sobre o ser humano, recorrência da ficção científica desde as primeiras horas da cibernética.

Os comuns adoradores da oitava maravilha tecnológica bem que reconhecem, as melhores máquinas tendem a desobedecer (não por maldade, num juízo de valor) às leis da robótica e, frias, sofisticadas, imperam no mundo percentual dos riscos mínimos inesperados, haja vista série de fatores, porquanto perfeição absoluta ainda inexiste, nas variáveis da ciência e da técnica.
Por refinadas que se proponham peças e equipamentos, margem inelutável de erro persiste, no horizonte do provável.

Os chamados paus das máquinas vez por outra impõeem graves danos às corporações, mais dia, menos dia, conclusão salutar, devido à exaustão dos materiais, às condições atmosféricas, ao inesperado seqüencial do desenvolvimento dos sistemas, dentre outros, e à ação do homem, seu genial criador.

Visto quando na terra, vá lá que se possam reparar os impasses. Contudo nas alturas ou nas profundezas oceânicas, implicariam noutras interpretações e sequelas por vezes drásticas. De tanto ceder território a esse império das máquinas, a história demonstra assim o grau da dependência extrema da civilização a geringonças, no altar do fetichismo, o que reduz as margens da segurança de todo o esforço de geração à cômoda opção de rendição total à inconsciência. A submissão de tais pressupostos conduzirá a sociedade a um comando central (ao Grande Irmão, de George Orwell), ou significará o início da jornada coletiva em prol da consciência clara do que se fará da fabulosa produção capitalista dos objetos industriais.

A BUSCA DA UNIDADE: ESPIRITUAL-SOCIAL-INDIVIDUAL



PENSAMENTO PARA O DIA – 28/06/2009
Qual é a mensagem de SAI? 'S' representa a Espiritualidade, 'A' representa a Associação e 'I' representa o Indivíduo. Isso quer dizer que você deve dar prioridade à espiritualidade; depois da espiritualidade, à sociedade (associação); e somente por último prestar atenção ao interesse individual. Mas hoje o homem segue a ordem inversa, ou seja, ele mantém seu interesse individual acima de suas responsabilidades sociais, dando ainda menor importância à espiritualidade. Como conseqüência, ele está se distanciando de Deus. Em primeiro lugar, o homem deveria tomar o caminho da espiritualidade e, então, servir à sociedade, entendendo o princípio da unidade. Somente então haverá progresso no nível individual.
SATHYA SAI BABA


A BUSCA DA UNIDADE
(RENÉE WEBER - SÃO PAULO: CIRCULO DO LIVRO - 1990):
"Repetidamente, e por muitos anos, tentaram falar-me a esse respeito, de ambos os lados do espectro - cientistas e místicos -, mas sem êxito. Às vezes minha mente - longamente treinada nos rigores da filosofia - quase se convence, vencida por algum argumento cuja validade não consigo rejeitar na hora. Mas, pouco depois, isso se dissipa novamente, por não ter ido suficientemente fundo nem me tocado o cerne que persiste em resistir àquilo. Outras vezes, ouvindo meus colegas discorrerem sobre filosofia no estilo modesto e comedido que se tornou a maneira oficial de fazer filosofia americana - tomar pequenos problemas que se encaminham por si mesmos à solução -, descubro que sou uma desgarrada, pois não me contento com nada menos que o todo. É um sentimento estranhado em mim. Está comigo desde a infância, acompanhando-me nos anos de estudo nas melhores universidades, onde permaneceu camuflado por prudência.
E ainda permanece. Tem sido o substrato, a escala pela qual avalio toda verdade específica com que me deparo.
Trata-se do sentido da unidade das coisas: homem e natureza, consciência e matéria, interioridade e exterioridade, sujeito e objeto; em suma, a percepção de que tudo isso pode ser reconciliado. Na verdade, nunca aceitei sua separatividade, e minha vida - particular e profissional - foi dedicada a explorar sua unidade numa odissëia espiritual.
...No meu diálogo mais profundo se deu no silêncio; no Nepal, aonde fora para ver o Himalaia. Sua grandiosidade, calma e beleza sobrenatural tocaram-me tão fundo que essas montanhas passaram a ser o meu símbolo de aspiração espiritual. Avistá-las evoca um sentimento de reverência diferente de tudo o que já presenciei, exceto, talvez, a visão de uma galáxia de centenas de bilhões de estrelas.
...A beleza e a profusa variedade de suas formas funcionaram como fonte de real significado em minha vida, e desde o começo senti uma afinidade com os frutos da natureza: animais, plantas, rochas, florestas, águas, terra, céu, e até as remotas galáxias e estrelas. Ninguém me ensinou isso; simplesmente despertei para o mundo convicta de minha ligação com aquelas coisas. Esse sentimento, comum na infância e freqüentemente perdido quando crescemos, permaneceu comigo.
Só bem mais tarde aprendi os nomes desses sentimentos - imanência e transcendência de uma força na natureza - e soube que outros sentiram a mesma coisa e escreveram a esse respeito. A busca da fonte moldou minha vida e meu trabalho. O que realizei de importante o fiz na esperança de penetrar os véus que ocultam a face da natureza.
Empreendi o estudo da filosofia na universidade porque a filosofia parecia sustentar a promessa de conduzir além desses véus, de descortinar a realidade por trás das aparências. Nessa crença, fui encorajada por Platão, o primeiro filósofo com quem travei conhecimento. Foi o começo de uma jornada intelectual e espiritual.
Entretanto a filosofia, por sua vez, não pode, por si mesma, cumprir o que parece prometer. Ela parte de um ponto muito distanciado do estudo dos processos da natureza, e, em sua roupagem moderna, ignora a natureza como um todo, deixando essa tarefa para os cientistas. Busquei a estrutura íntima das coisas, que - embora tenha sido outrora campo de atuação filosofia - tornou-se no século passado o âmbito da ciência. A física, um passo mais próximo da natureza, parece debruçar-se sobre a estrutura íntima, mas descobri, anos depois, que o misticismo se aproxima mais de tudo por ser mais abstrato, e, também, mais penetrante que a ciência, mais obcecado pela simplicidade e a unidade. Tal fato está contido na ordem severa de Eckhart: "Para descobrir a natureza em si, todas as suas formas devem ser despedaçadas".
Cada um desses domínios oferece sua recompensa, uma parte daquilo que procuro, mas revela lacunas. Sozinho, nenhum pode proporcionar uma visão coerente das coisas. Fritz Kunz (como assinalei nos créditos) foi quem me conscientizou de que busco a integração de tudo - filosofia, ciência, misticismo - e de que essa busca não é vã, apenas prematura. Só nas últimas décadas é que o movimento rumo à unidade desses domínios floresceu na cultura americana, e ainda assim no seio de uma minoria, que, entretanto, vai crescendo mais e mais.
...A filosofia, ao tempo em que a estudei (universidades da Pensilvânia, Colúmbia e Sorbonne), praticamente abandonou seu objetivo original - o "amor à sabedoria" -, em virtude do qual fora batizada. Nos últimos três séculos, a concepção de filosofia foi desaparecendo, estando quase extinta em nossos tempos. Qualquer filósofo profissional, apanhado no ato de "buscar a sabedoria", torna-se suspeito, é sutilmente colocado no ostracismo e tido como - só exagero um pouquinho - um perigo para (a carreira de) seus alunos".





O Modernismo sob a ótica
De Peter Gay

Mais uma vez a editora paulista Companhia das Letras é responsável pela publicação de uma verdadeira obra de arte contemporânea, através da completa acepção da palavra pertinência. Agora a editora celebra a cultura em um calhamaço de 578 páginas sobre a origem e expansão do Modernismo, escritas pela competência e erudição do respeitadíssimo historiador alemão Peter Gay, autor de obras consagradas como “O Estilo na História” e “Freud: uma vida para o nosso tempo”.

“Modernismo – O Fascínio da heresia - de Baudelaire a Beckett e mais um pouco” é o extenso título desse livro urgente para aqueles que vivem de aparências, imprescindível para aqueles que necessitam de uma alimentação saudável e fundamental para quem tem sua parcela de culpa, direta ou indireta, em nosso quadro universal do fracasso escolar, terra em que a pilantragem é matéria farta para teses de doutorado e o exibicionismo de títulos é a legitimação da mediocridade indelével. Nessa obra basilar, Peter Gay despiu a linguagem da cosmética teórica e assumiu corajosamente suas particularidades e preferências.

Dos incontáveis códices estéticos que servem “cientificamente” para fundamentar o arcabouço artístico do Modernismo, Peter Gay se utiliza, de forma minimalista, praticamente de dois axiomas: a heresia estética – como ele chama a transgressão aos cânones artísticos estabelecidos desde o período clássico até a famigerada era vitoriana – e o intenso mergulho psicológico da abordagem da existência do ser e do estar, em que pesem aí a descontinuidade do discurso e a fragmentação da realidade. Para tanto, o autor desvenda com muita habilidade e proficiência, como a história forneceu os motivos e os elementos que proporcionaram uma mudança tão radical, que foi o Modernismo, na forma de conceber, produzir e vender a arte.

“Modernismo – O Fascínio da heresia - de Baudelaire a Beckett e mais um pouco” é um magistral compêndio histórico de segmentos artísticos, de autores e de obras que perfazem a práxis modernista, abarcando de uma só vez literatura, teatro, artes plásticas, música, balé, cinema e arquitetura. Mesmo sem a pretensão de ser uma história social do Modernismo, Peter Gay não deixa de aprofundar as implicações da história, das ciências, da política e da economia, com todos os seus desdobramentos no cotidiano das relações sociais, na formação do paradigma modernista.

O que isso significa, bem como o que isso sugere, o leitor descobre através de uma leitura extremamente agradável e prontamente alertada para outras abordagens complementares, afinal de contas são galáxias complexas para caberem totalmente em um universo de apenas 578 páginas. Já na tomada inicial, quando o autor estabelece a presença de Charles Baudelaire como uma das pedras fundamentais nessa guinada estética, o leitor mais atento sente que um detalhamento do ambiente da segunda revolução francesa, de 1848, fornecerá muito mais subsídios para a aceitação da importância toda do maldito das flores do mal. Nesse caso, se o leitor tiver em mãos o livro “O Velho Mundo Desce aos Infernos”, de Dolf Oehler, também da Companhia das Letras, a festa será repleta de transversais.

A erudição e o refinamento das idéias de Peter Gay nos remetem diretamente à leitura de outros livros cheios de contigüidade tais como “A Emoção e a Regra”, com organização de Domenico de Masi, da editora José Olympio, que aborda os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950 e atesta para o leitor que o paradigma modernista nãos se restringiu apenas a arte; e “Pós-Modernidade: a lógica cultural do capitalismo tardio”, de Fredric Jameson, da editora Ática, que mostra para o leitor os desdobramentos culturais, políticos e econômicos que vieram depois do Modernismo. A leitura desses outros livros não indica uma deficiência no livro de Peter Gay, muito pelo contrário, comprovam a envergadura e complexidade dessa obra magnífica.

Seria enfadonho esboçar aqui uma lista de autores e obras, bem como de tendências e peculiaridades expostas por Peter Gay ao longo de sua obra. É bem mais profícuo afirmar que até o mais perdulário dos imbecilóides reacionários, após a leitura desse livro, retirará das suas fuças o ar de parvo e a atitude de beócio diante de um quadro de Kandinsky ou de uma composição de Varèse. Mas se o incauto leitor não souber quem é nenhum dos dois nomes citados é melhor continuar acreditando que questão de gosto não se discute.

Munido de um conhecimento espetacular Peter Gay esmiúça com seu escafandro intelectual como o ódio à burguesia tornou-se um dos instrumentos que solaparam os quadrantes da estética conservadora rumo aos caminhos tortuosos e abismados da arte pela arte, até chegar ao litígio completo com o senso comum, passando pelo viés anarquista do desconstrucionismo das vanguardas, traduzido dramaticamente pela negação da própria arte em obras desconcertantes, como as sátiras prolíferas de um Marcel Duchamp, por exemplo.

Vale ressaltar que uma obra com uma temática dessa desnatureza jamais fugiria da polêmica. Sendo assim, a obscuridade e o enigma, que são próprios do desfazer modernista, se apresentam na obra de Peter Gay justamente através de algumas ausências inesperadas. É paradoxal atribuir uma importância descomunal à poesia de T. S. Eliot, sem fazer nenhuma menção à genialidade poética de Ezra Pound, o verdadeiro mestre do Modernismo e do próprio T. S. Eliot, ou até mesmo nenhuma referência às vertigens abissais de Fernando Pessoa.

Também é surpreendente como o autor alemão detalha o atonalismo musical até Schoenberg, passando por John Cage, sem abranger o concretismo eletrônico de Karlheinz Stockhausen. Outras tangências irremediáveis dizem respeito a nenhuma citação de Jorge Luís Borges e José Saramago, quando Peter Gay constrói uma cádetra justa a outro mestre do Realismo Fantástico, que é Gabriel Garcia Marques. Mas isso é o de menos. O saldo é muito mais superior em informações do que em formações, o que torna essa obra um verdadeiro antídoto à picaretagem, à ignorância e ao achismo provinciano.

sábado, 27 de junho de 2009

instantâneo

nem bem o dia amanheceu
o azul do céu aguardando
os objetos de cristal
o próprio som nos cristais reverberando,
um som todo de luz
pronto para acolher as vicissitudes
que sobrariam na fuga da tarde
com o vento entre os prédios
cansados de barulho

dois homens bebendo
em meio à fumaça do cigarro
um deles que aponta lá embaixo
o homem com a pasta na mão
o chiado dos sapatos
que ninguém pode ouvir
por causa dos motores

um telefone escrito num guardanapo
esvoaça ao dobrar a esquina
com a pressa de um camelo

quem é o homem com a pasta?
ele carrega o quê?
carrega a distância entre nossas mãos
enquanto se debate no calor
preso na sutil armadilha do suor

são quase três horas
um táxi
quem gritou?
dois homens bebendo no calor

é assim que acaba o dia?

Desastre de um transgênico ou um crime ambiental? - por José do Vale Pinheiro Feitosa

O mundo, seja no reino mineral, animal ou vegetal, é um dispersor de diversidades. Especialmente nos reinos animal e vegetal. O papel do homo sapiens sobre a natureza é inquestionável pela global capacidade de modificação que teve e mantém. Uma das mais evidentes é a agricultura e a pecuária.

Ao se tornar sedentário, aquele homem de caça e colheita, foi de encontro à natureza: funcionou como um redutor de diversidades. A monocultura, como a soja, a cana, a laranja, a uva entre tantas, é o exemplo mais acabado e que se encontra na raiz da extinção de espécies e, portanto, da diversidade na terra.

Não é por acaso que os estudos se voltaram para um elo perdido da humanidade, para a pré-história, quando outros alimentos, mais ricos que os atuais, eram utilizados. Um caso clássico é o do Amaranto a grãos.

O Amaranto a grãos foi cultivado há cinco mil anos pelos povos primitivos do México, junto com a abóbora e a pimenta. Na cultura Asteca o Amaranto se destaca como uma grande fonte de nutrientes, de qualidade terapêutica e ritualística. Eram aproveitados os grãos até como farinha para diversos alimentos como os tamales e das folhas se faziam molhos deliciosos.

Como rito a farinha do Amaranto era oferecida no panteão dos deuses astecas e simultaneamente comidas pelos fiéis como se faz com o pão na comunhão com o cristo. Desta mesma farinha se fazia uma pasta com qual se elaboravam artesanatos para as crianças recém-nascidas, com motivos de flechas, arcos etc.

Segundo pesquisadores, o rito com o Amaranto e o abandono do seu cultivo decorreu da perseguição cristã e da imposição seletiva pelas escolhas dos conquistadores europeus. O Amaranto virou uma erva daninha da monocultura do século XX em todas as Américas, especialmente nas grandes extensões de soja.

Mais do que uma vingança vinda da pré-história o que passo a relatar é uma comprovação daquilo que a soberba e a ganância monopolista do capital faz. Falo da questão da agricultura e da criação de animais geneticamente modificados (TRANSGÊNICOS). Como sabemos objeto de grandes discussões científicas, por vezes até mesmo extremadas.

Qual o núcleo duro e racional da cautela com a manipulação e dispersão destes organismos geneticamente modificados? A primeira delas era o monopólio que as empresas de manipulação genética passariam a ter na produção dos alimentos da humanidade. Com isso tornando a iniciativa privada o cárcere dos países e dos povos. Tudo pelo lucro e a humanidade como suserana.

A segunda tinha por base a possível hibridização entre os seres geneticamente modificados e os demais. Em outras palavras, genes modificados poderiam migrar para outros seres vivos, inclusive de espécie diferente. Os grandes manipuladores negaram isso e “compraram consciências”, pois este era, inegavelmente, um fenômeno evidente na natureza: a transferência contínua de genes intra e entre espécies.

A terceira era a seleção natural. Desde muitos séculos (não apenas com Darwin que sistematizou o conceito) que se conhece o poder da seleção natural. Como também se conhece o poder ainda maior num território de monocultura, já que a seleção além de ocorrer velozmente, termina por ser substituída por uma ou poucas espécies.

Mesmo assim grandes Multinacionais como a MONSANTO, velha conhecida das lutas pelo Meio Ambiente, foi em frente e as plantas geneticamente modificadas se espalham pelo mundo todo. No Brasil a estratégia destas empresas foi corroendo por dentro das instituições e dos plantadores até que por força violenta do fato consumado, se estabeleceu.

Agora nos EUA se comprovou a migração de um gene da soja geneticamente modificada, chamada Roundup Ready para o Amaranto. Aquele mesmo que alimentava os Astecas e se tornaram a erva daninha incontrolável da cultura de soja. Como funciona a estratégia da Monsanto?

A Monsanto descobriu e produziu o Roundup, um herbicida que destrói qualquer erva daninha, inclusive a soja. É o que se chama um herbicida total. Num segundo passo a Monsanto manipula geneticamente a soja, introduzindo um gene que resiste ao Roundup. Um negócio das arábias: ganha no grão para plantio e torna cativo o plantador ao seu herbicida.

Aí aconteceu o que negavam, agora se pode afirmar e a Monsanto tem de responder por isso nos tribunais: houve hibridação entre a soja e o Amaranto. Agora só dar Amaranto, muito mais “competente” que a soja no processo de seleção natural. Os campos que antes eram de soja, agora são de Amaranto. Já se identificaram nos EUA cinco mil hectares e outros cinqüenta mil estão sob ameaça.

Tem uma saída. Sem a Monsanto por ganância, a civilização que renegou o Amaranto nos seus primórdios, agora o terá no prato. Modificado geneticamente, mas certamente livre do herbicida e da concorrência com outras espécies.

A SANTIFICAÇÃO DO CORPO ESTA NO SEXO...

Aos celibatários filhos da santa madre igreja orgânica.



A DESCOBERTA DO PRAZER.

Noite passada de lua clara
Deitei-me ao lado de minha mãe,
Meus pensamentos tornaram-se por
Momentos pecaminosos.
Freud explica!
Minha irmã não tira os olhos do meu pai
E se sente órfã quando ele não a banha.
Freud explica!
Ao defecar o prazer alucina
Homens , mulheres e belas adormecidas.
Freud complica!
Sexo e prazer, minha mãe, meu pai,
Estou na duvida do ciúme e o desejo.
Freud complica!
Tenho lembranças e esperanças de mamar,
Dormir e acalantos...
Freud desmistifica!
Freud complica?
Freud explica!
A sociedade camufla as necessidades
E os desejos,
Freud desnuda o sexo e os impulsos do pensamento.
Incesto paternal fraterno.
Freud explica, o desejo necessita.


A PRIMEIRA NOITE DE SEXO DE UMA MULHER CATÓLICA.


Ai!
Aiaiiiiiiiiiiiii!
Hummmmmmmmmmmm!
Hummmmmmmm!
Ecce Homo*
Spiritus Santus.


*Eis o homem

Wilson bernardo(poema & fotográfia)

PENSAMENTO PARA O DIA – 27/06/2009




Preso nas espirais da criação, o homem está cego para o fato de que ele é parte do Divino Criador. Identificando-se com seu envoltório físico, ele não enxerga a unidade de todos os seres no Um Universal Absoluto. O homem escreveu e estudou textos incontáveis sobre disciplina e descobertas espirituais, e confundiu-se viciando-se em rivalidades e argumentações dialéticas. Mas aquele que colocou em prática ao menos uma página ou duas desses livros torna-se silencioso e livre de qualquer desejo por fama ou vitória. Ele está contente nas profundezas de seu ser. Ele ara o campo de seu coração, planta as sementes do amor e colhe os frutos da coragem e da equanimidade.
SATHYA SAI BABA

Cientistas desvendam luzes vistas pelos astronautas da Apollo



http://educacao.ig.com.br/noticia/2009/06/26/cientistas+desvendam+luzes+vistas+pelos+astronautas+da+apollo+6964919.html
26/06 - 10:54

Apolo11
Este artigo segue as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Por diversas vezes os astronautas do Projeto Apollo informaram aos controladores sobre a existência de estranhas luzes, visíveis até mesmo quando fechavam os olhos. Estudos revelaram que a causa dos lampejos seriam o choque de raios cósmicos, mas só agora os pesquisadores determinaram com exatidão a origem desses raios.


Um recente trabalho publicado no site da revista Science mostrou que a causa dos lampejos são os raios cósmicos gerados no interior da Via Láctea e acelerados pelas explosões solares que ocorrem no interior da Galáxia.

Segundo a astrônoma Eveline Helder, ligada à universidade de Utrecht, na Holanda, os raios cósmicos galácticos são formados em sua maior parte de prótons que se deslocam próximos à velocidade da luz, acelerados por uma gigantesca energia centenas ou milhares de vezes maior que aquela gerada no interior do LHC, o Grande Colisor de Hádrons pertencente ao Centro Europeu de Pesquisa Nuclear.

De acordo com Helder, há muito tempo os pesquisadores imaginavam que esses raios seriam a bolha em expansão das estrelas que explodiram, mas não haviam evidências concretas que provassem essa teoria. Os dados surgiram após cuidadosas observações feitas com o telescópio VLT (Telescópio de Grande Porte), pertencente ao Observatório Europeu Austral, ESO, localizado nos Andes chilenos.

O trabalho de Evelin e seus colegas se baseou nos restos de uma estrela que explodiu no ano de 185, a 8.200 anos-luz de distância. Naquela ocasião a explosão supernova foi observada por astrônomos chineses, que a descreveram como um forte brilho visível até mesmo à luz do dia e atualmente é conhecido como RCW 86.

"Até agora não sabíamos se as explosões estelares eram capazes de produzir quantidade suficiente de partículas que explicasse o elevado número detectado na atmosfera superior e testemunhado pelos astronautas Projeto Apollo. Nossas medições foram bastante precisas e a resposta é positiva", explicou a cientista.

Foto: restos do que sobrou da supernova, hoje chamada RCW 86, que explodiu no ano de 150. A explosão foi testemunhada pelos chineses e pode ser observada até durante o dia. Crédito: ESO/VLT-Very Large Telescope.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Os Novos Marqueses

Numa civilização de alta capacidade produtiva, em processo hierarquizado, tende a ocorrer um enorme desperdício enquanto as pessoas passam fome. Hoje o Michael Jackson morre como se fosse um membro da nossa família. E Jackso é o paradigma da produção vertical da música mundial: tinha um rancho de milhões de dólares e que gastava por ano mais de dez milhões para ser mantido, chamado Never Land. Enquanto a fantasia milionária se expandia, milhares poderiam se alimentar e possuir a terra do sempre para uma vida material necessária.

Qual o problema das grandes riquezas? É que elas consumem enorme quantidade de recursos, construída pelo trabalho e que poderia gerar progresso de um número maior de pessoas. E na psicologia social assim como gera o vitorioso, o ídolo, o ícone, também revela a inveja, o privilégio, a imputabilidade e a revolta popular. Examinem e vejam se não é o caso, por exemplo, do Senado Federal.

Um grupo de brasileiros, representantes do povo, adota uma posição hierarquicamente superior, funcionam como verdadeiros marqueses da república (anacronismo em estado bruto). Para não se ocuparem com a cozinha de sua instituição, delegam a burocratas nomeados por eles, a tarefa de manter a mordomia da corte. Um marquês tem um emprego para o neto aqui, outro facilita uma negociação ali e lá longe outro recebe um apartamento funcional para algum empregado doméstico. Resultado, o próprio marquês se torna devedor do burocrata. Inverteu o fluxo: o burocrata também é Marquês.

E poderia chegar a mais. Eles aprendem o caminho com facilidade, basta que eles mesmos controlem a mídia, para não acontecer o que aconteceu com o Zogbi e o Agaciel. O azar foi a oposição querer destruir o esquema da situação no Senado, a mídia também querendo, tudo tem curso, um escândalo atrás do outro feito rosário. Juntando a isso a revolta dos Marqueses com os burocratas que passaram a chantageá-los, o caldo está feito. Igual também, todos lembramos, na roda da Câmara dos Deputados.

Aí eu olho para as nuvens pesadas desta tarde de frente fria aqui no Rio e imagino que os capitalistas estão se comendo. Agora é a Globo com seus salários milionários olhando para os salários milionários da Petrobrás. Privilégios, tráfico de influência, juros subsidiados, chantagem jornalística, donos ricos e empresas pobres, nunca será uma prática dos Mesquitas, dos Marinhos, dos Frias, dos Civita e todos os barões desta vasta mídia regional.

E agora retornando à fila da megasena: o acúmulo para uso de pessoas é um desastre para a humanidade. Isso é apenas a transferência monetizada, pura e simples, de enorme esforço humano de quem trabalha. E este semideus, recebe o dom da divindade pela simples posse dos cifrões, agora decide onde aplicar toda esta massa simbólica de horas ou anos de esforço de um grande grupo de pessoas.

Quem sabe como um Bill Gates ainda receba as loas pelo emprego residual de recursos em prol da caridade ou de um suposto zelo pela humanidade. E assim imaginamos, se não levarmos em consideração que o software livre, solidário e coletivo, é um oposto demonstrado que não estaríamos amarrados e tanta propriedade. A assim não seria justa a pirataria? Já tem um deputado na União Européia.

REVOLUÇÃO DA ALMA – ARISTÓTELES (TEXTOS E FIGURAS RETIRADOS DA INTERNET)

















BENS E VALORES: A REALIZAÇÃO HUMANA PARADOXAL (NECESSIDADE MATERIAL X EVOLUÇÃO ESPIRITUAL)



Segue abaixo parte de um capítulo da minha tese de doutorado defendida em 1998 na COPPE/UFRJ:

"A vida e a evolução da vida empurram a consciência do ser para frente em busca de mudanças tais que renovem as concepções e visões de mundo. E com isso, uma nova maneira de viver, interagir e produzir se realiza em direção a uma qualidade de vida melhor. O ser sente que as mudanças são inevitáveis. O ser individual é por natureza um processo de mudança e no resultado dessas mudanças, ele infere sobre os passos seguintes. É preciso mudar. E de mudança em mudança formamos um universo de experiências e conhecimentos a respeito da natureza.
Nesse caminho de mudanças surge momentos para um repouso, uma meditação e reflexão. Creio, que o momento atual está exigindo uma pausa para reflexão. É uma pausa para se analisar o ritmo, a rota, o cansaço, as conquistas, as distorções e os desvios na ação de criar e mudar. Todos os dias vemos aumentar a lista de problemas “urgentes”:

É urgente solucionar a insegurança que o cidadão vive.
É urgente solucionar a pobreza das classes de baixa renda.
É urgente solucionar a superpopulação dos nossos presídios.
É urgente solucionar o abandono dos meninos e meninas de rua.
É urgente solucionar a fome de muitos milhões de brasileiros.
É urgente solucionar a questão da saúde da população.
É urgente solucionar o analfabetismo racional e não-racional (espiritual)
É urgente solucionar a falta de ética.
É urgente solucionar...a falta de solução!

A questão é saber qual é o verdadeiro sentido da mudança. Se a mudança eleva ou diminui a consciência do ser e da natureza que lhe cerca. Vivemos nas sociedades modernas uma espécie de síndrome da mudança. E os chavões dessa síndrome são: “mude antes que se desvalorize”, “mude para melhor”, “mude para impressionar”, “mude para ganhar”, “mude para consumir o meu produto”, “mude para garantir a sua salvação”. O indivíduo vive sob o efeito das sugestões das mudanças urgentes, ou seja, ele vive numa sociedade consumidora de mudanças efêmeras.

"Se a vida moderna está de fato tão permeada pelo sentido do fugidio, do efêmero, do fragmentário e do contingente, há algumas profundas conseqüências. Para começar, a modernidade não pode respeitar sequer o seu próprio passado, para não falar do de qualquer ordem social pré-moderna. A transitoriedade das coisas dificulta a preservação de todo sentido de continuidade histórica. Se há algum sentido na história, há que descobri-lo e defini-lo a partir de dentro do turbilhão da mudança, um turbilhão que afeta tanto os termos da discussão como o que está sendo discutido. A modernidade, por conseguinte, não apenas envolve uma implacável ruptura com todas e quaisquer condições históricas precedentes, como é caracterizada por um interminável processo de rupturas e fragmentações internas inerentes” (HARVEY, 1989, p.22).

Cabe aqui uma pergunta: será o sentido da vida moderna orientado por esses dois modos complementares de construir destruindo ou destruir criando “eternamente” sem que o ser de fato se dê conta da necessidade de transcender essa (sua) própria lógica ilógica absurda? Pois, “a essência eterna e imutável da humanidade encontrava sua representação adequada na figura mítica de Dioniso: “Ser a um só e mesmo tempo “destrutivamente criativo” (isto é, formar o mundo temporal da individualização e do vir-a-ser, um processo destruidor da unidade) e “criativamente destrutivo” (isto é, devorar o universo ilusório da individualização, um processo que envolve a reação da unidade)” (loc. cit.). O único caminho para a afirmação do eu era agir, manifestar a vontade, no turbilhão da criação destrutiva e da destruição criativa, mesmo que o desfecho esteja fadado à tragédia” (HARVEY, idem, p.26)

Fomos educados, desde o berço, que somente seríamos úteis a sociedade se trabalhássemos em prol das mudanças sociais. Assim, implicitamente ficou estabelecido que “quem não pertencer ao “SINDICATO DA MUDANÇA UTILITÁRIA””, seria alijado do grupo. E assim estaria desempregado e, portanto, marginalizado e inferiorizado em sua identidade social. E assim naturalmente surgiu a “SÍNDROME DA MUDANÇA MODERNA”, ou seja, a ordem é mudar, reconstruir e inovar, principalmente quando as eleições políticas estiverem próximas de se realizarem. A famosa lei de Lavoisier vem sendo aplicada principalmente nas relações econômicas e políticas: “Nada se cria. Nada se perde. Tudo se transforma [em questões políticas e econômicas]”. Mas, sem uma visão ética sagrada, a transformação nunca alcança a dimensão do ser e do Amor em ser. Ela sempre fica na dimensão do ter, da propriedade e da racionalidade do ganho utilitário e iníquo: “Tudo passa menos o ser. Tudo vai mas o ser fica. Tudo se transforma, mas somente o ser permanece. Tudo progride, mas o ser não evolui”.

Em períodos “de intenso progresso técnico, como o nosso, as máquinas envelhecem rapidamente: em 1957, o avião, o automóvel de 1956 estão fora de moda, ultrapassados. É preciso por-se em dia para um rendimento dos mais altos, com grandes despesas. Assim nasce e se desenvolve um desejo excessivo de mudança, uma instabilidade psicológica...É preciso falar das influências nocivas da técnica sobre a psicologia dos operários e das massas populares...No período de artesanato, o operário tinha domicílio perto de sua oficina; depois que a técnica venceu o espaço, milhões de operários fazem todos os dias fatigantes deslocamentos! Assim, também, se a técnica transformou aldeias pobres e sujas, mas, de economia estável em cidades miseráveis, repugnantes, de economia instável e de psicologia neurótica, onde está o progresso?” (LALOUP e NÉLIS, 1965, p.102-104). Aonde está o tão desejado e falado “amor de uns para com os outros”?

A inserção do ser no mundo de mudanças social e existencial assume um contexto paradoxal nas relações dinâmicas capital/indivíduo (efêmera) e pessoa/amor sagrado (eterna). O capital como subproduto da criação e o amor sagrado como “subproduto” da pessoa. Tanto o capital quanto o amor são valores. O primeiro é de natureza psicológica. E o segundo é de natureza ontológica. A transformação do valor psicológico em ontológico é que determina o sentido de evolução espiritual no interior da natureza humana. Nesse sentido, podemos visualizar um fluxo de transformação de energia, de consciência e de vida:

capital---->indivíduo/pessoa---->amor matriz sagrado

Esse fluxo diz respeito do serviço do capital em relação ao indivíduo. E o serviço da pessoa em relação ao amor sagrado. O capital como processo de valoração ao servir o indivíduo empresta-lhe poder para equacionar os problemas de produção de produtos necessários à sobrevivência. A pessoa ao servir ao amor sagrado empresta-lhe obediência no processo de valoração dos princípios da vida existencial. O ser como um todo procura se manter em equilíbrio atendendo as necessidades tanto do plano da sobrevivência profana quanto do plano da existência sagrada. E em todos os dois planos a repetição da relação (“o valor (relação) aplicado sobre o próprio valor (relação) gera autovalor (autorelação)” é a base do crescimento e evolução.

A relação face a face “também tem uma dimensão teológica, como insiste Levinas, pois quanto mais fundo entrarmos no relacionamento face a face, mais somos impelidos e urgidos por um amor que não conhece limites, ou, em outras palavras, por uma experiência de Deus. Encontramos Deus na, e através da, face do outro no sentido de que encontramos aqui uma autoridade além da qual não há apelo e que é infinito em suas implicações” (GORRINGE, 1997, p.24-25).

Nesse contexto, podemos destacar uma descontinuidade ontológica formada entre os planos capital-indivíduo e pessoa-amor sagrado. O sentido oposto complementar
“capital<----indivíduo/pessoa<-----amor matriz sagrado”, diz respeito ao processo de transformação da energia vital e da consciência no processo de formação do mundo sócio-econômico. Assim sendo, podemos destacar o trabalho de retribuição ao serviço realizado tanto da vida individual em relação ao capital quanto da vida pessoal em relação ao amor sagrado. A transformação do amor sagrado em capital se dá na conversão ontológica da pessoa em indivíduo. Essa transformação é uma verdadeira revolução material (sentido complementar à evolução espiritual). Essa revolução material provocou uma mudança de plano de percepção da verdade eticamente sagrada para uma verdade utilitariamente estética-técnica. O sentido de transformação capital---->-indivíduo/pessoa----->-amor matriz sagrado diz respeito ao processo de construção do saber tradicional e de revelação do bem último no ganho do Amor. E o caminho inverso diz respeito ao processo de construção do saber moderno e de descoberta do último bem no ganho do capital.

As reflexões éticas “dizem respeito às questões do “bem” e do “mal”. Recorrem, portanto, freqüentemente a conceitos tais como “bem último”, “bem superior”, “critério último”, etc.; convém averiguar o que estes conceitos recobrem. Fala-se de bem “último” em oposição a bem “instrumental”; não são desejados por si mesmos, mas unicamente como instrumentos que permitem adquirir uma outra coisa - uma casa ou uma roupa, por exemplo. Essas “outras coisas”, por sua vez, podem também ser bens instrumentais; as roupas, por exemplo, são desejadas porque protegem do frio, nos tornam bonitos, etc. Assim, parece que se quer A como instrumento para se obter B, que se quer B para se obter C, e assim por diante. Podemos questionar se essa cadeia pára em algum momento, se em sua extremidade se chega a algum bem que é desejado por si mesmo e não com vistas a outra coisa. O conceito de bem “supremo” opõe-se ao de bem “subordinado”. O bem “supremo” é, numa doutrina ética, aquele ao qual sempre se dá a preferência quando uma escolha deve ser feita. No liberalismo utilitarista, por exemplo, o bem “supremo” consiste na felicidade da coletividade; o bem “subordinado” é a liberdade. Se uma liberdade particular contribui para a felicidade coletiva, é considerada desejável; se diminui a massa global de felicidade, é não desejável. Deste modo, considera-se desejável que os indivíduos disponham de liberdade de escolher seu local de moradia ou sua profissão, pois estas liberdades aumentam a felicidade coletiva. No entanto, não é considerado desejável que os pais disponham da liberdade de decidir se vão propiciar ou não instrução para seus filhos. Tal liberdade diminuiria a felicidade coletiva. A liberdade é assim rejeitada quando entra em conflito com a felicidade; portanto é “subordinada” à felicidade, que é o bem “supremo””(VERGARA, 1995, p.25-27)".

Onde estão nossos verdadeiros valores culturais?

Caro Salatiel,

Estou enviando-lhe o texto que, espero despertar o seu interesse, pois desejo vê-lo publicado. Será publicado no Cariricult, se houver o interesse? Aguardo sua reposta. Um abraço.


Onde estão nossos verdadeiros valores culturais?
Antonio Veylla Duarte*

Já se foi o tempo em que o brasileiro valorizava de corpo e alma seus valores culturais. São poucas as localidades em nosso país em que fielmente uma categoria ainda preserva sua identidade, como é o caso de nosso Cariri. Porém, ainda assim enfrentamos problemas, não apenas no vale caririense, mas em todo o Brasil. A seguir, através de uma pequena história, entenderemos o por quê.
Era uma tarde comum a qualquer outra, quando minha irmã chegou em casa. Como eu sou chato de nascença, resolvi perturbá-la um pouco, com aquele meu bom humor de costume. Aproximei-me e lhe disse:
__Irmãzinha, e falei sua alcunha, o seu aniversário é no próximo mês; então, poderia comprar para mim um presente?
Ela murmurou e responde-me: "O que é desta vez?''
Respondi que queria muito adquirir um CD do Pequeno Coral do Crato, aquele maravilhoso grupinho de crianças cantoras, regido por Divani Cabral. Ela perguntou quanto custava, e respondi que apenas uma garça (R$5,00). "Espere", foi a sua resposta. Se a tal espera correspondia à chegada de seu aniversário, isto é que eu não sabia. Passados poucos dias, ela me entregou o valor correspondente ao CD tão querido. Ora, as aulas do semestre 2009.1 da URCA estavam próximas de começar, e eu não podia gastar dinheiro com supérfluos. Nos cinco dias seguintes sofri o dilema de guardar aquela garçazinha e decidir se a gastaria nas minhas necessidades acadêmicas ou investir no CD. Aconteceu que a tentação de comprar o disco prevaleceu, pois eu não esquecia aquela bela aprasentação do Pequeno Coral no Festival da Canção do ano passado.
Comprei o álbum e o ouvi, ouvi,e tornei a ouvir. Não me arrependo do que fiz. Aquelas vozes das crianças são encantadoras. É um trabalho histórico e cativante.Que lindo coro. Um trabalho riquíssimo em multiculturalidade, mesclando músicas que retratam o nosso Nordeste,junto ao inglês, infantil, erudito e popular. Um orgulho para nós cratenses. Dizer " parabéns" seria pouco à vista de um trabalho de tão excelente qualidade.
Quero deixar bem que fazer propaganda não é o meu objetivo. Senhores leitores, prestem atenção. é revoltante saber que um trabalho como o do Pequeno Coral esteja sem o reconhecimento que verdadeiramente merece, enquanto que no Brasil inteiro estoura músicas (se é que são dignas de ser chamadas assim) com letras imbecis, escandalosas, baixas, inescrupulosas, apelativas e uma série de adjetivos ruins. É lamentável. Músicas, ou melhor, lixos, com conteúdo depravado e conjunto vazio em talento. Onde estão nossos conceitos e valores? O Pequeno Coral, composto de uma dedicada e competente regente e crianças talentosas, que estudam e dedicam seu tempo livre à arte, é trocado por um bando de desempregados desqualificados que veem na música a solução para não passar fome! É o belo trocado pelo ordinário. Enquanto meia dúzia de mortos de fome buscam na música refúgio para suas necessidades, mesmo que da forma mais insuportável, outra dúzia de idiotas curte estas porcarias e, ainda, acha tudo 'bonitinho'! É mais ou manos assim:"Ai, ele não é lindo?", "ai, que gato sarado"," eita mulherão gostoso!" Esta realidade vergonhosa e infeliz. É o ridículo ultrapassando o culto e o belo. O orgulho perdendo espaço para o opróbrio.
O que fazer,então? Ora, não peça para as rádios tocarem esse tipo de perdição, não ouça ou cante suas músicas, não vá aos seus shows, não compre seus álbuns, valorize a você mesmo,a sua família e a sua cultura. Force esta onda musical de depravação entrar em extinção,já!
Só para encerrar o meu protesto, a regente Divani Cabral contou-me que os CDs gravados pelos dois corais do Crato tiveram seus exemplares mandados às rádios de nossa região... E estas não as tocam!! Enfim, não se deixe contaminar por qualquer coisa sem futuro que aparecer. Valorize o esforço, a dedicação, o amor, as belas mensagens, ensine as nossas crianças a apreciar o que é digno.
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*Antonio Veylla Duarte é estudante do curso de Letras da URCA, faz teatro e coral na SCAC (Teatro Rachel de Queiroz).

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Michael Jackson morre aos 50 Anos


O cantor e compositor Michael Jackson, 50, morreu na tarde desta quinta-feira (25), após sofrer uma parada cardíaca em sua casa, em Los Angeles. Segundo o jornal "Los Angeles Times", os médicos do hospital da Universidade da Califórnia confirmaram a morte do cantor, que teria chegado ao local em coma profundo.
De acordo com o jornal, Jackson não estava respirando quando os paramédicos chegaram a sua residência, em Holmby Hills, por volta das 12h20 (horário local). Michael recebeu uma massagem cardiopulmonar ainda na ambulância e seguiu direto ao hospital da Universidade da Califórnia, que fica a dois minutos da casa do cantor. O cantor estava preparando sua volta aos palcos para uma série de 50 shows em Londres, a partir do dia 13 de julho, com ingressos esgotados.

Michael Joseph Jackson nasceu em 29 de agosto de 1958 em Gary, Indiana. Quinto filho do metalúrgico Joe Jackson, Michael mostrou seu talento para a música e para a dança muito cedo. Ele começou sua carreira nos anos 60, aos cinco anos, com o grupo Jackson 5, formado também pelos seus quatro irmãos mais velhos. Desde a pré-adolescência, quando a banda lançou os primeiros discos, o cantor se tornou uma das figuras mais conhecidas e adoradas da música norte-americana.
O estouro solo veio em 1979, com o quinto disco dele, "Off The Wall", que, graças a uma empolgante e original mistura de disco, funk e pop, abriu caminho para o que o cantor viria a se transformar nos anos seguintes.

Na década de 1980 lançou dois de seus melhores discos, "Thriller", de 1982, e "Bad", de 1987, e consolidou a posição de superastro. Foi aí também que surgiu a imagem de um artista de hábitos e atitudes cada vez mais estranhos. É o exemplo perfeito de criança-prodígio que, cada vez mais famosa e idolatrada, acaba por criar um mundo próprio distante da realidade.Ao mesmo tempo em que batia recordes de vendas com "Thriller" --que segundo o livro "Guiness" vendeu entre 55 milhões (segundo a gravadora Sony e a associação de gravadoras dos EUA) e mais de 100 milhões de cópias (de acordo com empresários do cantor)--, colocava sucesso atrás de sucesso nos primeiros lugares das paradas e lançava moda entre os adolescentes de todo o mundo com suas roupas e coreografias, em especial o "moonwalk". Mas Michael era motivo de especulações pela sua postura infantilóide, modificações profundas em seu rosto e branqueamento de sua pele. Nos anos 80, dizia-se até que o cantor dormia em uma câmara hiperbárica para retardar o envelhecimento.A partir do início dos anos 90, os fatos sobre sua vida particular já chamavam muito mais atenção do que sua música --que, diga-se, nunca mais repetiu a genialidade da trilogia "Off The Wall", Thriller" e "Bad". Por mais que lançasse discos de modo superlativo, como o fez com "Dangerous", em 1991, o que atraía o público eram as histórias sobre o megalômano rancho Neverland, na Califórnia, e a preferência do cantor por estar sempre acompanhado de crianças, entre elas o então ator mirim Macaulay Culkin, astro do filme "Esqueceram de Mim".Foi na década de 90 que surgiu o caso que abalaria a carreira e a vida de Jackson. Em 1993, o cantor foi acusado de ter molestado sexualmente um menor de idade. Segundo relatos da época, Jackson fez um acordo milionário com a família da suposta vítima fora dos tribunais em 1995. Nos anos seguintes, se casaria com a filha de Elvis Presley, Lisa Marie, e com a enfermeira Debbie Rowe, mãe de dois de seus três filhos. O cantor se apresentou ao vivo no Brasil em 1993 e voltou ao país em 1996 para gravar o clipe da canção "They Don't Care About Us" no Rio de Janeiro e na Bahia com o grupo Olodum.Sem lançar disco desde 2001, quando gravou "Invincible", nos últimos anos Jackson foi notícia graças ao julgamento pelo qual passou entre 2004 e 2005, também acusado de ter molestado um menor em 2003. Absolvido das dez acusações, logo após o julgamento o cantor passou por uma temporada de exílio no Barein, como convidado da família real do país. Em reconhecimento a sua carreira, em 2002 foi eleito o artista do século pela premiação American Music Awards.Michael reeditou em 2008 o clássico "Thriller", que traz a participações de nomes atuais como Will.i.am e Akon, e colocou uma nova compilação nas lojas, "King of Pop". Em março de 2009, anunciou sua volta aos palcos com uma temporada de 50 shows em Londres, que começaria em 13 de julho e seguiria até fevereiro de 2010.A demanda pelos shows foi tão grande que dezenas de apresentações extras foram acrescentadas, ao mesmo tempo em que centenas de ingressos surgiram em sites de leilão online como o eBay, em meio a críticas à maneira como as vendas estão sendo feitas. Segundo cálculos da Billboard, o cantor poderia levar para casa mais de 50 milhões de dólares com os shows.Em maio deste ano, surgiu também um boato de que Jackson estaria sofrendo câncer de pele. Segundo o The Sun, os médicos haviam diagnosticado sinais da doença em seu corpo e células que poderiam provocar câncer de pele no rosto, mas a notícia foi desmentida logo em seguida.Uma produtora de shows norte-americana queria proibir que Michael Jackson voltasse aos palcos e ameaçava seu retorno. A AllGood Entertainment Inc, de Nova Jersey, alegava que tinha contrato com o cantor para que ele não se apresentasse até 2010. Os assessores do artista, no entanto, não se preocuparam com a possibilidade de uma ação judicial que criasse obstáculos aos shows.Jackson ainda é o "Rei do Pop" para sua legião de fãs, apesar de seu comportamento e de sua aparência por vezes bizarros nos últimos anos. Ele já vendeu em torno de 750 milhões de discos, ganhou 13 Grammy e é visto como um dos maiores artistas pop de todos os tempos.
Do site UOL

Onça Maracajá

Foi pego de surpresa, no contrapé. Paulino nunca imaginou. Voltando da selva inóspita da rua, chegara a casa incólume desta vez. Escapara do trânsito caótico, do tombadinha, do descuidista, das armadilhas espalhadas no escritório pelos colegas de trabalho, da facada inevitável do guarda de trânsito. Mal abriu a porta do lar-doce-lar, a onça maracajá , de bote pronto, o atacou. O ataque feroz prescindiu de script, de legenda. Só depois de muita tapa no terreiro dos olhos, de muita unhada e mordida, de muito: “o que é diabo é isso, meu amor”; “tá doida, enlouqueceu?” , é que conseguiu alguma vaga explicação. A mulher, travestida de puma, na ponta dos cascos, arrepiada como se incorporasse uma entidade maligna, lhe apontava uma plaquinha, erguida entre os dedos da mão direita, como se lhe lascasse um cartão vermelho. Sem parar de bater, se debatendo como menino frente a agulha de injeção, aos gritos, interrogava:
--- Seu nojento, seu traidor, diga logo quem é a sirigaita, o que é que isso significa, o que é , hein ? Pensa que eu sou besta? Tenho cara de abestada?
Só com dificuldade , ante tanto pinote e saracoteio, conseguiu distinguir um envelope de “camisinha” , na mão da esposa. Meio contrafeito, como menino flagrado roubando bom-bom, resolveu partir para o ataque.
--- Você surtou, Gesivalda ? Pirou de vez? Bem que eu desconfiava que isso um dia ia acontecer: você num pára de ouvir música sertaneja! E eu lá sei donde diabos você tirou isso! Eu é que pergunto: que gracinha é essa? Tá de namoradinho novo, é ? Anda me chifrando por aí, enquanto tou me matando no escritório?
Ante o contra ataque inesperado, as forças da esposa redobraram e o arranca-rabo tomou proporções inesperadas:
--- O quê, seu filho da puta? Lave essa língua antes de falar comigo, seu nojento! Bem que você merecia era ponta mesmo prá tomar jeito de gente, seu corno! Como você explica essa “camisinha” aqui que nossa empregada , a Gumercinda, encontrou no seu bolso e jogou com uns papéis em cima da nossa cama, hein? Ela mandou a calça prá lavadeira, mas quem devia ter ido era você, lavar esses “pussuídos” cheio de doença do mundo, na lavagem a seco!
Paulino sequer teve tempo de armar alguma defesa de última hora: Gesivalda , antes de qualquer julgamento, já lhe foi aplicando a pena e ele sabia que aquilo era apenas o início. A partir dali : tome cara feia, tome greve , podia preparar uns dez litros de saliva para contornar superficialmente o problema. Prestes a entrar de férias, percebeu que estava perdido: o raro descanso anual tinha ido prá cucuia, não fosse um fato totalmente inesperado. No meio da confusão, entra na sala o filho adolescente do casal, Daniel e toma a imediata defesa do pai. Meninão criado com pizza , sanduba e fermento , tornara-se um varapau e matou a charada num instante:
--- Mamãe, pare de acusar o pai! A senhora não tem razão! Ontem eu usei a calça dele para ir àquele som na casa de Nicolau e , claro, levei uma “camisinha” para qualquer urgência. Essa aí é minha, sua engraçadinha, e eu quero de volta imediatamente !

Paulino respirou aliviado , fechou o cenho, partiu para o quarto e não quis mais conversa. Indignou-se com tanta injustiça. Arrumou-se e saiu. Aproveitou a oportunidade para uma farrinha com os amigos, em represária às acusações infundadas. Gesivalda, com consciência pesada, ficou tristonha pelos cantos, arrependida do papelão. Não se perdoava. Devia ter investigado mais, estava casada há mais de vinte anos e não tinha tanto o que reclamar. Viveram outras crises previsíveis, mas nada que saculejasse demais o relacionamento. Tinham dois filhos, o Daniel de quinze anos e a Amanda de treze. O casamento, ultimamente, andava meio arrefecido, como todo que se encaminhasse para as bodas de prata. Ela chegara nas margens terríveis da menopausa e isso lhe trouxera alguma insegurança, desconfiança a mais e talvez aquilo explicasse um pouco aquele destempero . Resolveu dar o braço a torcer e , no outro dia, pediu desculpas ao marido. Paulino , ainda chateado, perdoou a mulher com alguma frieza, percebia que o ocorrido lhe contabilizava alguns álibis futuros .
A paz aos pouco foi retornando à casa . Notou-se, visivelmente, uma maior aproximação de Daniel e Paulino. Pareciam parceiros e camaradas da mesma galera. Gesivalda andou meio cabreira porque desconfiou, pelos sinais exteriores, que a mesada do filho havia aumentado consideravelmente. Já havia transcorrido mais de uma quinzena do ataque da felina, quando a mãe percebeu uma conversa meio sussurrada entre pai e filho. Aproximou-se, sem que eles percebessem e , por trás da porta, pegou o restinho da conversa. A pulga voltou para trás da sua orelha novamente. Não quis acreditar , mas ,ao que parece , Daniel estava explicando ao pai que ia sair à noite com uma gatinha e pedia ao velho uma das suas “camisinhas” emprestadas. Quis armar ,mais uma vez o velho barraco. Temeu, no entanto, uma “rata” igual à anterior e preferiu juntar provas, antes de abrir novamente o processo. Pensou, pensou e chegou à conclusão que seria importante ouvir a única testemunha ocular do caso : a Gumercinda.
Até então havia poupado a doméstica. Era um assunto interno , que necessitava de sigilo e não queria que vazasse. As novas evidências, no entanto, não lhe deram outras opções. A curiosidade falou mais alto que a discrição. Procurou a empregada e foi direto ao assunto:
--- Gumercinda, lembra daquela calça que estava em cima da minha cama, naquele dia que você encontrou a camisinha? Quem vestiu a calça no dia anterior, o Daniel ou o Paulino ?
Gumercinda não hesitou em nenhum momento :
--- A calça, patroa, foi o Daniel que usou. Estava toda suja, acho que ele tinha ido pra uma festa.
Gesivalda respirou um pouco aliviada e juntou :
--- Então aquela camisinha, você encontrou no bolso da calça dele, não foi ?
A resposta de Gumercinda não podia ser mais imprevisível:
--- Não, Dona Gesivalda, a camisinha tava era no vestido da Amanda!

J. Flávio Vieira

O CAMINHO DE RETORNO À MORADA DE DEUS NO HOMEM



"O verdadeiro lugar de moradia de Deus é o coração do homem. Você não precisa procurar Deus. É ignorância (Ajnana) não ser capaz de reconhecer sua própria Divindade inata. Você precisa investigar a razão dessa ignorância. Ela acontece principalmente pelo fato de você seguir o caminho externo (Pravritthi Marga) durante a vida inteira, sob a influência dos órgãos dos sentidos, que são direcionados aos objetos externos. Você não está fazendo qualquer esforço para seguir o caminho interno (Nivritthi Marga). Assim, você está se ocupando plenamente das atividades externas e negligenciando totalmente o caminho interno. Você vê tudo sob um ponto de vista do mundo e não reconhece a Divindade que permeia tudo. Você precisa fazer um esforço para mudar sua visão - de externa para interna - para perceber essa Divindade".
SATHYA SAI BABA

Segue abaixo parte de um capítulo da minha dissertação de mestrado defendida em 1992 na COPPE/UFRJ:

"O método [ou Caminho] científico tanto na dimensão material/racional quanto na dimensão espiritual/sensível depende dos conjuntos de pressupostos que o constituem. O conjunto de pressuposto das ciências racionais se baseia nos paradigmas das construções mentais (os axiomas). O processo de ganho de conhecimento no campo científico é eminentemente dinâmico e se transforma, à medida que novas construções vão sendo propostas e aceitas como válidas. Os princípios ou pressupostos quando bem formulados adequadamente, asseguram a possibilidade de se alcançar os objetivos do experimento. A relação do sujeito com o objeto observado depende dos princípios e dos métodos para a obtenção de maior quantidade e melhor qualidade de informações. O grau de confiabilidade dos princípios, bem como o método correto, são fatores imprescindíveis para desenvolvimento de qualquer experimento, tanto na lógica "cerebral" quanto na "lógica" do coração. A questão passa portanto a ser sobre quais princípios nos devemos apoiar, já que o universo de pressupostos possíveis é imenso. Por isso ALLEAU (1976) afirma: "Aquilo que menos se sabe a cerca de qualquer coisa é o princípio dela ".
Os cientistas desenvolvem suas pesquisas envolvidos num conjunto de princípios hierarquicamente encadeados. Os princípios referem-se a uma hierarquia de domínios, referentes aos campos (VER FIGURA ACIMA):
a) do saber;
b) do saber-fazer;
c) do saber-fazer-acontecer;
d) do saber-fazer-acontecer-transcender.

Nessa cadeia o primeiro é uma pré-condição para o segundo e assim sucessivamente até que o ultimo contém a todos em si.
No campo do saber o homem desenvolve uma ciência da investigação: aprende a conhecer ou interpretar mentalmente os fenômenos da natureza produzindo um conjunto de CONHECIMENTOS.
No campo do saber-fazer o homem desenvolve uma ciência experimental: aprende a experimentar ou "controlar" os fenômenos da natureza produzindo um conjunto de EXPERIÊNCIAS.
No campo do saber-fazer-acontecer o homem desenvolve a ciência das descobertas: aprende a prever eventos, descobrir leis físicas e visualizar fenômenos da natureza com relativa antecedência produzindo um conjunto de PERCEPÇÕES INTUITIVAS.
No campo do saber-fazer-acontecer-transcender o homem aprende sensivelmente a compreender as leis e fenômenos da natureza, produzindo um conjunto de AMOR-SABEDORIA, que transcende a mera "modernidade" da existência.

Esses campos da cadeia hierárquica do ser são direcionados segundo níveis da dinâmica de sobrevivência:
a) evolução do eu;
b) descobrimento e manutenção do prazer;
c) fortalecimento do poder do grupo;
d) impulso de amor pela natureza.

Inicialmente somos impulsionados para o processo de evolução do eu. Devido às interferências dos valores e da visão do mundo esse impulso é desviado para o descobrimento e a manutenção do prazer, expressos no fortalecimento do poder do grupo, que gera facções e divisões por todo o ambiente político, social, familiar, profissional, etc. O impulso de amor pela natureza, fim último do impulso de evolução do eu, é distorcido por desvios, de modo a ficarmos cativos de impulsos intermediários, numa simbiose ilusória, identificada como expressão da defesa da sobrevivência.

Uma vez perdida a noção de que a evolução se enraíza e culmina no Amor, nossa visão fica direcionada para o descobrimento do poder e para a paixão pelo prazer. Desvirtuamos a noção de evolução degenerando-a num processo semi-mecânico de afirmação pela força da "materialidade" da vida.

A escolha dos caminhos de evolução e de descobrimento conduz à inevitável experiência de aquisição de "poder". Mas esse poder, que a humanidade pratica, se autonomiza face ao verdadeiro caos de valores reinante no mundo moderno. É um processo conducente a um beco sem saída. Sendo os valores e as virtudes as condições de possibilidade da evolução, o esforço por retomar a trilha evolutiva se torna "solitário", precisando tatear no escuro da consciência para o reencontro dos valores. A buscarmos encontrá-los no "mundo material" corremos o risco da idolatria dos poderes modernos. Nos resta a "perigosa" alternativa de nos voltarmos para a "interioridade" do "mundo espiritual", reencontrando a trilha do autoconhecimento como a busca daquilo que Jesus Cristo chamou do "Reino dos Céus" dentro de nós.

MORAIS (1971) assim comenta:
"Nada nos ajuda nesse processo dramático, pelo qual rompemos os elos de ligação com áreas essenciais da vida. O que penetra dentro de nós faz-nos ainda, paradoxalmente, caminhar mais para fora. O que nos torna cada vez presa mais fácil da solidão" (p.197).

Prosseguindo com o comentário de MORAIS temos:
"Nos desencontramos a cada passo; procuramos, com irriquieta agonia, nosso eu interior e quando nos damos conta de nós, auscultamos apenas os estertores vazios do não-eu, ou seja, de todos os apelos vindos do mundo exterior, num pandemônio incongruente através de todas as sugestões ultrapoderosas dos processos de comunicação.

Já não nos damos conta do que somos e vagamos como inquietos sonâmbulos pelas avenidas superlotadas de outras pessoas igualmente como nós, sofrendo as mesmas emoções. Padecendo os mesmos sofrimentos, como sobretudo vagando ou escapulindo para mundos irreais, na desesperada busca da fuga e todos os outros mecanismos que nos dêem menor sensação de instabilidade, num mundo que se tornou móvel demais debaixo dos nossos pés e, mais ainda, dentro de nossas próprias cabeças" (p.195)".

quarta-feira, 24 de junho de 2009

CURSO E SUPERAÇÃO DE UMA REVOLUÇÃO

Assim era. Assim foi.

Quando aquele barbudo alemão escreveu sobre o capitalismo como sistema hegemônico na história, a acumulação há ocorrera. A partir do século XV o processo mercantil e suas “companhias” abrem o processo. Se esticar mais quem sabe a cabeça do homem europeu já estava se preparando no Renascimento e Lutero acelerou o processo como nunca. Depois vieram os enciclopedistas, os iluministas e a ideologia se fundara. Mas a verdadeira ação acumulativa do capital ocorria no “Atlântico Revolucionário”.

Como seres terrestres, os mares formavam as rotas das gentes e mercadorias, mas na terra ocorria tudo que era revolucionário. O fim das terras comunais, as cercas para criação de ovelhas, os teares reais e dos capitalistas. A expulsão das terras ancestrais, as rebeliões religiosas, o castigo monárquico, os portos e o degredo ultramarinho. Pois era no ultramar que o segredo da acumulação ocorria. Seja pelas capitanias hereditárias, pelas Companhias das Índias ou pela Companhia da Virgínia, o processo de degredo, escravidão, exploração e castigo formava a raiz da acumulação.

Seguramente em sentido mais amplo a acumulação primordial do sistema hegemônico foi através do massacre de grandes parcelas da humanidade em todos os continentes. Seja na Europa, nas Américas, África, Oceania ou Ásia. Nem o pólo norte dos esquimós escapou do sistema mercantilista que drenou os recursos para formação da Revolução Industrial, do sistema Financeiro e das Instituições Imperiais.

E foi uma violência tanto para o corpo como para a alma. O móvel da revolução que pôs por terra as velhas instituições feudais ocorreu no centro da religiosidade em todos os continentes também. O cristianismo se fragmentou em centenas de pedaços, ora capitaneando a revolta popular e noutra como a espada de dâmocles sobre as cabeças exploradas. Assim surgiu o terror, velhas instituições a serviço da acumulação mercantil reapareceram como a Inquisição Espanhola e Portuguesa, a caça às bruxas, instituições muito parecidas em objetivos e metas se implantaram nos territórios da Europa, África e Américas em captura da mão-de-obra.

Nenhum momento da história, até então, experimentara tanto deslocamento de populações, tantas destruições de culturas seculares e milenares, tanto ímpeto destrutivo. As velas abertas aos ventos nos mares singrados eram o pano no qual tanto figurava a cruz como o nada por escrito e pintado. Nestes momentos a alma era o estorvo da humanidade, na corrida de mãos de aço, de chicotes alugados, grilhões arrebitados, tudo a serviço da acumulação que gerou alguns impérios que foram mudando de território a cada ciclo de cinqüenta ou cem anos.

Quando aquele alemão barbudo desnudou as chagas do capitalismo, não era um primeiro entre tantos. Desde sempre que a revolução capitalista trouxe a violência de alguns contra tantos. E por isso até hoje a humanidade, mesmo quando não tem consciência plena disto, imagina uma alternativa não violenta, sem exploração e de igualdade entre todos.