TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ARTE DE CONCEPÇÕES...WILSON BERNARDO.

CARNE DE PESCOÇO!

Cabeça de boi vaga
Vazios
Vasos
Cabeças enlatadas
Quitutes
Latas de sardinhas
Amores Bombril
Esponjas que lavam almas
Cabeças que vagam
O vazio das latas.


O BIG-BEM FAVELAS...
O relógio de Londres amanheceu
na lapa
esperando o sol nascer
no pulso de Zé Malaca
com horas e afagos marcados
com dona Zefa mulata.

WILSON BERNARDO(POEMAS & desenhos)

Paz e Amor, o símbolo


Passou-se mais de uma década para que o símbolo criado a partir das bandeirinhas que orientavam embarcações no mar ganhasse as ruas e se transformasse no que conhecemos hoje como símbolo da Paz e do Amor.



Originalmente, foi desenhado pelo inglês Geraldo Holtom para servir ao Comitê de Ação Direta Contra a Guerra Nuclear numa campanha de desarme nuclear e é uma sobreposição da letra N (nuclear) à letra D (Dissarmament).
Nos anos 60 foi adotado pelos pacifistas nos protestos contra a guerra do Vietnam e, depois, em Woodstock, na mais contundente manifestação pela Paz e pelo Amor livre e uso da sexualidade sem fronteiras repressivas.

Globo X Record : uma guerra privada com armas públicas



Por Rodolfo Vianna

Não há mocinhos em nenhum dos lados da recente briga entre a TV Globo e a Rede Record de Televisão. Também não há mentiras nos ataques de uma contra a outra: os Marinho sempre tiveram uma relação espúria com o poder e a Record, uma interação promíscua com a Igreja Universal do Reino de Deus. Mas o problema central nessa guerra é que estão guerreando com armas alheias. Estão guerreando com armas públicas.É ingenuidade de pouco eco crer que não existem interesses econômicos e ideológicos guiando os grandes grupos de comunicação do país. A comunicação de massa tem papel estratégico na organização social e criação de valores e a informação também sofre diversos tipos de manipulações, das mais explícitas – edições de texto/imagens, escolha das fontes, qualificações – às mais sutis – o que é silenciado, o “tom” sobre o informado, as relações de uma notícias com outra, a ordem de apresentação.É por isso que a luta pela democratização da comunicação não se restringe à criação de normas de conduta ao jornalismo hoje praticado, buscando a isenção e objetividade. Essa luta tem de visar a possibilidade de multiplicação de vozes, a multiplicação do que é informado e como é informado, permitindo ao cidadão obter mais dados sobre uma determinada realidade para que, com eles, forme seu juízo. Com o monopólio ou oligopólio da informação, restringem-se as versões da realidade, orientando visões de mundo.Qual o problema, então, com a recente disputa entre a Rede Globo e a Rede Record? Esta última está expondo a milhões de telespectadores informações que antes só eram conhecidas de um grupo restrito sobre a tenebrosa história da maior emissora do país. A Globo, por sua vez, ataca o sistema nervoso da segunda maior emissora, os incontáveis problemas da Igreja Universal do Reino de Deus. O conflito quebra um tácito pacto de não agressão entre os poderosos, e mais informações são disponibilizadas ao público. Quando dois gigantes brigam, os pequenos podem tirar proveito, imagina-se.Só que esta “guerra” escancara de uma forma sem precedentes uma prática ilegal e imoral: os interesses privados estão sendo defendidos com armas públicas, as concessões de TV entregues aos Marinho e a Edir Macedo. Ao lançarem mão destas “armas”, comprometem a função social dos meios de comunicação e, mais, infringem normas de utilização de uma concessão pública de radiodifusão.Diferentemente de um jornal impresso, que é privado e responde atualmente somente às leis dos códigos Civil e Penal (já que não existe mais a Lei de Imprensa...), as emissoras de televisão operam por meio de concessões públicas e, como tais, estão obrigadas a cumprir determinações legais para o seu funcionamento. Não podem fazer o que bem entender com a sua programação, uma vez que só possuem o direito de chegar aos lares de praticamente todos os brasileiros porque o Estado brasileiro, em nome do povo, as tornou concessionárias públicas de radiodifusão.Portanto, não importa quem tem razão nessa guerra privada entre Globo e Record. As duas cometem um gravíssimo erro ao utilizar a arena pública da radiodifusão de forma privilegiada para travarem as batalhas privadas que lhes interessam. A Rede Globo, caminhando por mais anos nessa estrada, tem mais expertise. Seus interesses são mais bem travestidos de “notícias” relevantes apresentadas à sociedade nos seus telejornais. A Record peca por um amadorismo tacanho, com a edição de “reportagens” em que nem sequer se preocupam em fazer a clássica divisão da objetividade aparente entre “opinião” e “informação”. Mas não importa o nível de sofisticação de cada uma delas. A disputa Globo x Record é a mais recente e nítida apropriação do público pelo privado.Em tempo: nestes mesmos dias de “guerra” entre as duas maiores emissoras de TV do país, os representantes dos empresários da área de comunicação se retiraram da comissão organizadora da I Conferência Nacional de Comunicação. A Conferência, prevista para ocorrer no final desse ano, visa a ser um amplo espaço de debate e deliberação sobre temas da área, incluindo as formas de concessão e renovação de espectros de radiodifusão, conteúdo e programação, publicidade etc. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) foi uma das entidades que se retiraram do processo. Mais do que isso, foi a entidade que liderou o movimento de esvaziamento da Conferência pelo empresariado.A Rede Globo e a Rede Record são associadas da Abert. Estão, portanto, do mesmo lado quando a tarefa é sufocar a justa reivindicação do direito de a sociedade brasileira discutir a comunicação. Malandro é o gato que já nasce de bigode...


(Observatório do Direito à Comunicação)


Rodolfo Vianna é jornalista e membro do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social

O sequestro de um filme baiano

Revoada, longa-metragem baiano de José Umberto, quando na mesa de montagem, no Rio, por causa da repentina necessidade de seu autor ir a Salvador para ser operado de urgência, foi sequestrado pelo produtor e montado à sua revelia. Um atentato contra a liberdade de criação artística. Publico aqui uma mensagem de um antigo companheiro de José Umberto que, do exterior, acompanha os fatos macabros desse episódio triste do cinema baiano.
Caro André Setaro,
Este texto é a uma reação, uma resposta (desde o estrangeiro) ao seqüestro realizado por Rex Schindler do filme Revoada do cineasta baiano José Umberto Dias. Assim, escrevo-lhe sobre a minha relação com o cineasta e com a atividade artística baiana dentro do contexto econômico-político nacional.
Conheço José Umberto Dias desde 1968: éramos colegas do curso de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia (quando esta ainda estava localizada no bairro de Nazaré) da Universidade Federal da Bahia (UFBa). Naquele tempo, a convite do diretor iniciante Zé Umberto e do roteirista Zé Carlos Menezes, tive uma pequena participação ("ponta") no seu primeiro curta metragem Perâmbulo.
Tempo depois, ainda que estivesse fortemente interessado em sociologia, teatro e cinema, e já tivesse participado de algumas experiências teatrais com relativo êxito (como ator na peça Rebelião do Novo Sol de Capinan, Tom Zé e Chico Assis; como ator e co-diretor do Gey Espinheira na obra teatral Os Justos de Albert Camus; como ator e músico da peça Rosa-Rosae do professor Nelson Araújo, como ator principal do super-8 O Rei do Cagaço do Edgard Navarro), continuava dedicado a música e a composição musical, sendo então, tocador de violão, participante de festivais de música popular, e estudante de teoria, ritmo e violoncelo nos Seminários de Música da UFBa.
Foi nesse período que Zé Umberto também me convidou para compor uma das músicas do seu primeiro longa metragem O Anjo Negro (1973): aceitei imediatamente e compus a música que, ambos (ele e eu) ficamos satisfeitos com o resultado fílmico-musical.
Embora nascido em Salvador, vivo atualmente nos USA. Aqui neste país, tenho sido professor de Língua, Literatura e Estudos Culturais em diversas universidades norte-americanas: University of Califórnia, San Diego; University of Minnesota, Washington University, University of Wisconsin. Apesar da distância da terra natal, procuro, dentro do possível, acompanhar as realizações artísticas (filme, música, literatura...) e seguir a discussão cultural no Brasil, na Bahia, além de aproveitar para continuar falando e escrevendo na língua portuguesa com os amigos brasileiros. Faz um ano, estive na Bahia para o lançamento do meu livro Memorial da Ilha e Outras Ficções em Salvador, Feira de Santana e Lençóis. Em Salvador, estive constantemente acompanhado e assistido por muitos amigos, mas sobretudo por dois queridos amigos-artistas: o cineasta Edgard Navarro (que escreveu uma generosa matéria para o jornal A Tarde sobre meu livro) e a artista plástica Norma Couto (criadora da capa do citado romance).
Mas voltando a minha relação com o cineasta Zé Umberto e o filme O Anjo Negro, ainda vivia em Salvador quando fiquei sabendo que embora o filme tivesse sido exibido em várias capitais do país, teve seu lançamento nacional prejudicado pela estrutura colonial do mercado devido à sistemática submissão dos interesses nacionais aos interesses do capital estrangeiro (sobretudo da indústria de entretenimento norte americana).Não era a primeira, nem a última vez que um filme brasileiro sério, realizado com muitas dificuldades materiais (dado a grande limitação financeira e material do setor cinematográfico) tivesse baixa assistência das pessoas, devido ao entreguista circuito exibidor brasileiro. Tampouco estas limitações eram reduzidas ao cinema: já era uma condição estrutural de todo processo de produção cultural e artística (literatura, música, artes plásticas...) brasileira, dentro do sistema capitalista, na sua vertente tupiniquim. Foi desde essa época que aprendemos que o Brasil não era, nem é, um país pobre; era e é sim, um país injusto, por isso colonizado e imperializado.Também nesta época aprendemos que um dos objetivos centrais da política cultural da ditadura militar brasileira era inviabilizar (através da censura, do seqüestro, da prisão e da eliminação física de intelectuais e artistas) a produção cultural da resistência brasileira (fosse ela modernista, nacionalista de esquerda ou socialista). O exílio de Glauber Rocha, realizador de Deus e o Diabo na Terra do Sol e de Terra em Transe, foi e é um dos mais significativos emblemas daquela miserável política.
Também nesse tempo aprendemos que um dos eixos centrais da política ditatorial consistia em neutralizar o crescimento do cinema nacional através do desenvolvimento tecno-burocrático do sistema televisivo (TV Globo e companhias) nacional para homogeneizar ideologicamente a mentalidade da sociedade brasileira por todo o território nacional, cooptando, simultaneamente, os tubarões, os delatores, os oportunistas, e os picaretas em geral dentro do setor.
A corrupção, a falta de transparência, a concentração de riqueza na mão de uma pequena minoria, o crescimento da disparidade econômica entre ricos e pobres, o aumento da violência no campo e cidade, foram e são as principais características antidemocráticas da sociedade brasileira que herdamos da ditadura militar; mas até hoje, não houve nenhuma punição para os militares responsáveis por toda essa desgraça social. A impunidade segue sendo a moeda corrente da nossa política nacional e local. (Para aqueles que ainda não notaram, mirem-se no exemplo do PT e do "nosso grande líder" o Sr. Lula da Silva, que atualmente anda abraçado com os senhores José Sarney e Fernando Collor, dois dos políticos mais degradados e corruptos da sociedade brasileira, ombro a ombro, com o ex-governador baiano, o finado Antonio Carlos Magalhães).
É dentro desse contexto histórico alucinante que me permito afirmar que o seqüestro do filme Revoada é muito mais do que um abuso de poder e da violência local contra o cineasta José Umberto ; é uma alegoria, e um sintoma da injustiça e da impunidade que devasta a sociedade brasileira contemporânea.Observando retrospectivamente a presença dos tubarões capitalistas ou governamentais nas revoltas águas baianas da produção artística local (até onde sei, os mais notórios dos ataques predatórios se manifestaram no setor do cinema: Rex Schindler contra Luiz Paulino em Barravento, Vivaldo Costa Lima contra Tuna Espinheira na Fundação do Pelourinho, e, mais recentemente Moisés Augusto contra Edgard Navarro em Eu me lembro, Rex Schindler contra José Umberto em Revoada) me solidarizo não só com José Umberto e o filme Revoada mas com todos os trabalhadores das artes em geral e do cinema nacional em particular, vitimados pela sistemática opressão e exploração do capital nacional e estrangeiro.Dado o anterior, tudo o que quero, concretamente, neste momento, deste texto, é pressionar para que o produtor Rex Schindler devolva ao diretor e roteirista José Umberto o material filmado de Revoada para que o diretor possa proceder a montagem e a edição do seu filme de acordo a sua concepção pessoal. É um direito inalienável e legítimo do autor baiano.Para isso, seguiremos resistindo a opressão do Sr. Rex Schindler, e lutando para que as autoridades baianas despertem da sua acomodação burocrática e tomem as rédeas neste assunto absurdo: consigam a devolução imediata do material filmado de Revoada ao seu legítimo autor: o roteirista e diretor José Umberto.
Atenciosamente,
Jorge Vital de Brito Moreira
A imagem mostra um momento de Revoada, com Jackson Costa e Edlo Mendes.

A difícil tarefa de comentar fatos públicos

A televisão cada vez fica mais parecida com certas práticas da internet. O opiniático. Aplica-se a própria a qualquer assunto, todos nós as temo, e pronto o jogo foi feito. Mas acontece que não é bem assim.

A comunicação ocorre para cotejar os fatos e usar a investigação correta para esclarecê-los. Neste caso a não ser que opinar sirva propriamente para se identificá-la, não se deve opinar simplesmente com o que se tem. É preciso pesquisar, confrontar e no máximo expor as duas faces entendíveis dos fatos.

Novamente o Maurício Tavares, já até discutimos este assunto. Entendo que nenhum assunto é vedado a qualquer pessoa. É um direito universal de toda pessoa discutir qualquer assunto, trazê-lo até os parâmetros que possui. Mas igualmente é necessário, e aí vem a discussão com o Maurício, que ao fazê-lo em ambiente coletivo e de natureza pública, é preciso buscar outras vozes para complementar a prévia visão que já se tinha.

Agora retornando ao ambiente da televisão. Isso aconteceu, salvo engano, com o Boris Casoy na emissora do Sílvio Santos. Saiu-se daquela clássica locução da notícia para o comentário acrescentado a ela. Daí isso virou hábito e um novo estilo.

Hoje as emissoras não controlam nem mais as expressões faciais dos seus apresentadores. Eles fazem a cara de asco, de perplexidade, de prazer com as notícias que lêem. O casal do Jornal Nacional usa o recurso sistematicamente.

A outra, por exemplo, é no Bom Dia Brasil a apresentadora com cara de APAE complementando: e aí Mariana tem de lembrar que em caso de sangramento é preciso fazer um torniquete. Minutos após retorna para dar a informação correta do Corpo Bombeiros: não fazer torniquete, por uma toalha úmida sobre a ferida comprimi-la tentando parar o sangramento.

Na verdade este problema de apresentação e comentário é um problema sério para qualquer um. Ontem ouvia no rádio alguém comentando algum ritmo e na verdade apenas juntava os vocábulos para ocupar o tempo a si dedicado. Não tinha qualquer informação, apenas a repetição de termos.

Itamar afirma que Lula é 'menos democrata que os militares'


Ex-presidente da República diz que o Congresso Nacional é totalmente manipulado pelo Executivo

O Estado de S. Paulo
Wilton Junior/AE

Segundo Itamar, nem o governo militar interferiu tanto nos outros poderes

RIO DE JANEIRO - Depois de reclamar do que chamou de "interferência indevida e violenta" do Executivo no Congresso Nacional, o ex-presidente da República Itamar Franco (PPS) afirmou nesta quarta-feira, 26, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "se diz muito democrata, mas foi menos que os militares, porque está interferindo". Itamar, que foi homenageado na Câmara Municipal do Rio, não poupou comparações. "O Senado hoje é totalmente manipulado pelo presidente da República. Nem no regime militar assistimos isso tão forte como se assiste hoje. No regime militar se podia ter presidentes de comissões, como eu fui", afirmou.
Ele citou especificamente a "interferência no problema" da CPI da Petrobrás. "Nem o regime militar me proibiu de ser presidente (de comissões)", disse o ex-presidente, que era senador e comandou a comissão de assuntos nucleares. "E o problema nuclear era, para o presidente Ernesto Geisel (1974-1979), tão interessante quanto sempre foi a Petrobrás. No entanto, o governo, àquela época militar, não nos exigiu a relatoria e eu, como senador da oposição, presidi a política nuclear, como presidi a comissão que examinou as eleições diretas", lembrou.
O governo Geisel decretou o fechamento do Congresso, em abril de 1977. "É claro que, naquela época, eles podiam cassar mandatos. O presidente (Lula) ainda não chegou a esse absurdo. Não sei se até 2010 ele vai cassar", afirmou Itamar. O ex-presidente ressalvou que o Legislativo está permitindo a interferência do Executivo. "O presidente na República está atuando violentamente no Legislativo, particularmente no Senado, e o Legislativo, de um modo geral, está permitindo. O que a gente começa a escutar nas ruas é ruim: 'Fecha o parlamento'. Não vão no núcleo central da crise, que é o presidente da República", discursou.
Itamar voltou a defender a candidatura a presidente do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), para ele "a única efetivamente de oposição". "Enquanto alguns ciscam para lá e para cá, o governador de Minas está ciscando para a frente." Também disse que, com a eventual candidatura da senadora Marina Silva (sem partido-AC), haverá uma "alteração para melhor" do processo eleitoral, que "vai deixar de ser plebiscitário, como o governo deseja".
Sobre uma eventual candidatura sua, desconversou: "Entrei no PPS porque resolvi não continuar em voo solo. Para atuar politicamente, não eleitoralmente. Estava na arquibancada, vendo o jogo um pouco de longe. Agora passei a sentar no banco de reservas, mas sem chuteiras." O ex-presidente foi homenageado na Câmara Municipal do Rio, que rememorou o atentado ocorrido no dia 27 de agosto de 1980, quando cartas-bomba enviadas ao gabinete do vereador Antonio Carlos (MDB) e à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) mataram a secretária Lyda Monteiro da Silva.

Programa Cariri Encantado desta sexta-feira, 28, será com Lifanco

O programa Cariri Encantado de amanhã, sexta-feira, 28, abordará a música de Lifanco. E, como de praxe, o artista enfocado estará presente para ilustrar a música com depoimentos e considerações.

Lifanco é, reconhecidamente, um dos maiores músicos do Cariri. Virtuoso violonista, tem discos lançados, a exemplo de “Alpendres do Brasil” (2003), onde desponta o seu trabalho de cantor, compositor e arranjador , e “Lifanco e o Reisado Nação Cariri” (2007), voltado para seu trabalho de pesquisa da música de raiz e da cultura popular caririense.

Lifanco é um dos mais requisitados músicos de estúdio e de palco da região, merecendo destaque como arranjador e/ou músico dos discos de Abidoral e Pachelly Jamacaru, Luiz Carlos Salatiel, Lívia França, Jonteilor, Zé Nilton e Lenynha.

O programa Cariri Encantado vai ao ar todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, pela Rádio Educadora do Cariri 1020 e com apoio do Centro Cultural BNB Cariri. A apresentação é de Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias.

Interblogs: Marcelo Tas dá sua opinião sobre ser PT

Capturei este artigo do blog Embrulho no Estômago.
O nome do blog é, por assim dizer, bastante providencial para este Interblogs. (Carlos Rafael Dias):

O ser petista

Marcelo Tas

Por não ser petista, sempre fui considerado "de direita" ou "tucano" pelos meus amigos do falecido Partido dos Trabalhadores. Vejam, nunca fui "contra" o PT. Antes dessa fase arrogante mercadântica-genoínica, tinha respeito pelo partido e até cheguei a votar nos "cumpanheiro". A produtora de televisão que ajudei a fundar no início da década de 80, a Olhar Eletrônico, fez o primeiro programa de TV do PT. Do qual aliás, eu não participei.

Desde o início, sempre tive diferenças intransponíveis com o Partido dos Trabalhadores. Vou citar duas.

Primeira: nunca engoli o comportamento homossexual dos petistas. Explico: assim como os viados, os petistas olham para quem não é petista com desdém e falam: deixa pra lá, um dia você assume e vira um dos nossos.

Segunda: o nome do partido. Por que "dos Trabalhadores"? Nunca entendi. Qual a intenção?

Quem é ou não é "trabalhador"? Se o PT defende os interesses "dos Trabalhadores", os demais partidos defendem o interesse de quem? Dos vagabundos? E o pior, em sua maioria, os dirigentes e fundadores do PT nunca trabalharam. Pelo menos, quando eu os conheci, na década de 80, ninguém trabalhava. Como não eram eleitos para nada, o trabalho dos caras era ser "dirigentes do partido". Isso mesmo, basta conferir o currículum vitae deles.

Repare no choro do Zé Genoníno quando foi ejetado da presidência do partido. Depois de confessar seus pecadinhos, fez beicinho para a câmera e disse que no dia seguinte ia ter que descobrir quem era ele. Ia ter "que sobreviver" sem o partido. Isso é: procurar emprego. São palavras dele, não minhas.

Lula é outro que se perdeu por não pegar no batente por mais de 20, talvez 30 anos... Digam-me, qual foi a última vez, antes de virar presidente, que Luis Ignácio teve rotina de trabalhador? Só quando metalúrgico em São Bernardo. Num breve mandato de deputado, ele fugiu da raia. E voltou pro salarinho de dirigente de partido. Pra rotina mole de atirar pedra em vidraça.

Meus amigos petistas espumavam quando eu apontava esse pequeno detalhe no curriculum vitae do Lula. O herói-mor do Partido dos Trabalhadores não trabalhava!!!

Peço muita calma nessa hora. Sem nenhum revanchismo, analisem a enrascada em que nosso presidente se meteu e me respondam. Isso não é sintoma de quem estava há muito tempo sem malhar, acordar cedo e ir para o trabalho. Ou mesmo sem formar equipes e administrar os rumos de um pequeno negócio, como uma padaria ou de um mísero botequim?

Para mim, os vastos anos de férias na oposição, movidos a cachaça e conversa mole são a causa da presente crise. E não o cuecão cheio de dólares ou o Marcos Valério. A preguiça histórica é o que justifica o surto psicótico em que vive nosso presidente e seu partido. É o que justifica essa ilusão em Paris.... misturando champanhe com churrasco ao lado do presidente da França...

Eu não torço pelo pior. Apesar de tudo, respeito e até apoio o esforço do Lula para passar isso tudo a limpo. Mesmo, de verdade. Mas, "pelamordedeus", não me venham com essa história de que todo mundo é bandido, todo mundo rouba, todo mundo sonega, todo mundo tem caixa 2...

Vocês, do PT, foram escolhidos justamente porque um dia conseguiram convencer a maioria da população (eu sempre estive fora desse transe) de que vocês eram diferentes. Não me venham agora querer recomeçar o filme do início jogando todos na lama. Eu trabalho desde os 15 anos. Nunca carreguei dinheiro em mala. Nunca fui amigo dessa gente.

Pra terminar uma sugestão para tirar o PT da crise. Juntem todos os "dirigentes", "tesoureiros", "intelectuais" e demais cargos de palpiteiros da realidade numa grande plenária. Juntos, todos, tomem um banho gelado, olhem-se no espelho, comprem o jornal, peguem os classificados e vão procurar um emprego para sentir a realidade brasileira. Vai lhes fazer muito bem. E quem sabe depois de alguns anos pegando no batente, vocês possam, finalmente, fundar de verdade um partido de trabalhadores.

MARCELO TAS é jornalista, autor, diretor de TV e comanda o programa CQC na Bandeirantes.

Caso Dilmagate

Edital da segurança do Planalto previa armazenamento de dados

O edital da contratação da empresa responsável por instalar equipamentos de segurança no Palácio do Planalto previa um armazenamento de registros por pelo menos seis meses, segundo documentos divulgados pelo Jornal Nacional. O governo exigia que fosse feito um back-up (cópia de segurança) e os dados fossem guardados definitivamente.

Em nota, Gabinete de Segurança Institucional (GSI) afirmou que as imagens de câmeras de segurança do Planalto ficam armazenadas apenas por 30 dias e são substituídas por outras gravações.

O comunicado do GSI foi divulgado depois que a oposição solicitou imagens para confirmar ou descartar o suposto encontro entre a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Segundo relato de Lina, Dilma pediu que a ex-chefe do Fisco desse agilidade e terminasse as investigações envolvendo empresas ligadas ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Fonte: Terra

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Frase



"Não confio em gente que sabe exatamente o que Deus quer que elas façam. Sempre coincide com aquilo que elas próprias desejam."


Susan Brownell Anthony

Day Tripper

Na semana que passou os meus ouvidos ganharam de presente uma sonora maratona de música erudita por conta do XV Rio International Cello Encounter. A culminância deu-se na Igreja da Candelária, no domingo, dia 24, com a apresentação do Octeto de Violoncelos de Turim. A arte barroca das imagens beatas, o luxo dourado dos portais, a beleza colorida e hipnótica dos vitrais e o apelo religioso daquele monumento arquitetônico católico, aliado ao primor dos sons das cordas dos violoncelos ao executar a Ária na Corda de Sol, de J.S.Bach, me comoveram de forma tal que transcendi. A perfeição daquele sublime momento me fez morrer e renascer outra vez, de outro jeito, melhor. O concerto, que também incluiu peças de Villa-Lobos no repertório, recebeu os aplausos de uma entusiasmada platéia impressionada com a performance primorosa do grupo da musical cidade italiana.
Momento especial nos reservou o virtuoso octeto no bis obrigatório: Day Tripper, dos Beatles, soou como uma oração psicodélica dentro daquela nave cristã.
Depois do concerto, outro momento mágico: pela primeira vez me encontrei “tête-à-tête” com o até então virtual amigo José de Vale Pinheiro Feitosa, que estava acompanhado de esposa, filho, irmã e cunhado. Já havíamos combinado o encontro na Candelária, mas só depois do concerto é que nos avistamos (também na foto, de chale no pescoçõ, minha irmã Iracema).
Um abraço fraterno antecedeu a nossa eufórica conversa sobre o CaririCult e outros projetos culturais ao sabor de um café expresso no Centro Cultural BB, bem perto da igreja. Um bom começo para o que pode vir. Ja marcamos novo encontro para a próxima e última semana minha aqui no Rio. Grande Zé do Vale!

Bob Fernandes do Terra Magazine entrevista Everardo Maciel

Pensei duas vezes antes de colar aqui esta postagem do Terra Magazine. Mas como acabei de postar abaixo um texto que tem tudo com esta questão, resolvi postar. É uma entrevista com Everardo Maciel sobre a recente questão da Receita Federal (Petrobrás, Lina/Dilma e Fiscalização das Grandes Empresas). Isso sem falar nos burocratas que acabam de se exonerar e que ao serem nomeados pela Ex-Secretária Nina Vieira foram acusados de aparelhamento sindical pelos editoriais dos Jornais, especialmente o Estadão. É um pouco longa, mas vale a pena superar estes factóides para centrarmos a discussão no núcleo principal.

O pernambucano Everardo Maciel mora há 34 anos em Brasília. Foi secretário executivo em 4 ministérios: Fazenda, Educação, Interior e Casa Civil, e foi Secretário da Fazenda no Distrito Federal. Everardo é hoje consultor do FMI, da ONU, integra 10 conselhos superiores, entre eles os da FIESP, Federação do Comércio e Associação Comercial de São Paulo e é do Conselho Consultivo do Conselho Nacional de Justiça.

Mas, nestes tempos futebolísticos, às vésperas de 2010, com tudo o que está no ar e nas manchetes e, em especial, diante do que afirma Everardo Maciel na entrevista que se segue, é importantíssimo ressaltar que ele foi, por longos 8 anos, "O" Secretário da Receita Federal dos governos Fernando Henrique Cardoso.

Dito isso, vamos ao que, sem meias palavras, afirma Everardo Maciel sobre os rumorosíssimos casos da dita "manobra contábil" da Petrobras - que desaguou numa CPI -, da suposta conversa entre a Ministra Dilma Rousseff e a ex-Secretaria da Receita Lina Vieira e da alardeada "pressão de grandes contribuintes", fator que explicaria a queda na arrecadação:

- Não passam de factóides. Não passam de uma farsa.

Sobre a suposta manobra contábil que ganhou asas e virou fato quase inquestionável, diz o ex-Secretário da Receita Federal de FHC:

-É farsa, factóide... a Petrobras tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares.

E o caso Dilma/Lina?

- Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal. Se era banal deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era grave deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.

E a queda na arrecadação por conta de alardeada pressão de grandes contribuintes?

-Farsa, factóide para tentar explicar, indevidamente, a queda na arrecadação.

Sobre essa mesma queda e alardeadas pressões, Everardo Maciel provoca com uma bateria de perguntas; que ainda não foram respondidas porque, convenientemente, ainda não foram feitas:

- Quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? A Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras?

Com a palavra Everardo Maciel, Secretário da Receita Federal nos 8 anos de governo Fernando Henrique Cardoso:

Terra Magazine - Algo perplexo soube que o senhor, Secretário da Receita Federal por 8 anos nos governos de Fernando Henrique Cardoso, não tem a opinião que se imaginaria, e que está nas manchetes, editoriais e colunas de opinão, sobre o caso das ditas manobras contábeis da Petrobras, agora uma CPI?
Everardo Maciel - Independentemente de ter trabalhado em qualquer governo, meu compromisso é dizer a verdade que eu conheço. Então, a verdade é que a discussão sobre essa suposta manobra contábil da Petrobras é rigorosamente uma farsa.

Uma farsa, um factóide?
É exatamente isso. Farsa, factóide. E por quê? Porque não se pode falar de manobra contábil, porque a contabilidade só tem um regime, que é o de competência.

Traduzindo em miúdos, aqui para leigos como eu....
Eu faço um registro competência... quer dizer o seguinte: os fatos são registrados em função da data que ocorreram e não da data em que foram liquidados. Por exemplo: eu hoje recebo uma receita. Se estou no regime de competência, a receita é apurada hoje. Entretanto, se o pagamento desta receita é feito no próximo mês, eu diria que a competência é agosto e o caixa é setembro. Isso é competência e caixa, esta é a diferença entre competência e caixa, de uma forma bem simples.

Cabe uma pergunta, de maneira bem simples: então, Secretário, há um bando de gente incompetente discutindo a competência?
Eu não chegaria a fazer essa observação assim porque não consigo identificar quem fez essas declarações, mas certamente quem as fez foi, para dizer o mínimo, pouco feliz.

Por que o senhor se refere, usa as expressões, "farsa" e "factóide"?
Vejamos: farsa ou factóide, como queiram, primeiro para explicar indevidamente a queda havida na arrecadação. Agora, a Petrobras, no meu entender, tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares. Para especialistas.

Então por que todo esse banzé no Oeste?
Não estou fazendo juízo de valor sobre a competência de ninguém, mas, neste caso, para o governo, me desculpem o trocadilho, o que contava era o caixa. E o caixa caiu. Para tentar explicar por que a arrecadação estava caindo, num primeiro momento se utilizou o factóide Petrobras. No segundo, se buscou explicações imprecisas sobre eventuais pressões de grandes contribuintes, às vezes qualificados em declarações em off como financiadores de campanha. Entretanto, não se identificou quem são esses grandes "financiadores de campanha" ou "contribuintes". Desse modo, a interpretação caiu no campo da injúria.

O senhor tem quantos anos de Brasília?
Não consecutivamente, 34 anos. Descontado o período que passei fora, 30 anos.

Diante desse tempo, o senhor teria alguma espécie de dúvida de que o pano de fundo disso aí é a eleição 2010?
Eu acho que nesse caso, em particular e em primeiro lugar, o pano de fundo era a sobrevivência política de uma facção sindical dentro da Receita.

Seria o pessoal que o atormentou durante oito anos?
Não todo tempo. E de qualquer sorte, de forma inócua.

Sim, mas me refiro para o que reverbera para além da secretaria,do que chega às manchetes... os casos da Petrobras, um atrás do outro.
Todos esses casos são, serão esclarecidos, e acabam, acabarão sendo esquecidos, perderão qualquer serventia para 2010. São factóides de vida curta. Depois disso chegamos à terceira fase do factóide.

Mais ainda? Qual é?
Aí vem a história do virtual diálogo que teria ocorrido entre a ministra-chefe da casa civil, Dilma Rousseff, e a secretária da receita, Lina Vieira. Não tem como se assegurar se houve ou deixou de haver o diálogo, mormente que teria sido entre duas pessoas, sem testemunhas. Agora tomemos como verdadeiro que tenha ocorrido o diálogo. Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal.

Sim, e aí?
Se era algo banal, deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era algo grave, deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.

À parte suas funções conhecidas, de especialista, por que coisas tão óbvias como essa que o senhor tá dizendo não são ditas? Já há dois meses essa conversa no ar sem que se toque nos pontos certos, óbvios...
Eu não sei porque as pessoas não fazem as perguntas adequadas...

Talvez porque elas sejam incômodas para o jogo, para esse amontoado de simulacros que o senhor aponta? Quais seriam as perguntas reveladoras?
Por exemplo: quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? Ainda uma outra pergunta: a Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras? Respostas a isso permitiriam lançar luz sobre os assuntos.

Última pergunta, valendo-me de um jargão jornalístico: trata-se então de um amontoado de cascatas?
Não tenho o brilhantismo do jornalista para construir uma frase tão fortemente elegante e esclarecedora, mas, modestamente, prefiro dizer: farsa e factóide. Ao menos, no mínimo, algumas das coisas que tenho visto, lido e ouvido, não passam de factóides. Não passam de uma farsa.

VOTANDO NO BRASIL

Já não se pode dizer que os acusados são vítimas e nem que os acusadores sejam inocentes. O que mais confunde a situação e a oposição é, em primeiro lugar, o lugar da oposição e da situação. Ambas se encontram no mesmo pantanal: ou têm um projeto de desenvolvimento nacional, uma proposta de governo popular e democrático além de uma política de produção e distribuição de renda ou não têm.

A dificuldade entre os principais atores na sucessão do Governo Lula é que se misturaram quanto aos métodos de sustentação de acordos políticos para governar e no financiamento de partidos e eleições. A rigor tais métodos do PSDB/DEMO/PMDB com a presidência de FHC e do PT/PMDB com Lula se confundiram muito. Ninguém poderá dizer que o PT de Lula não aprendeu os métodos do PSDB de FHC. O Mensalão é o emblema disso tudo.

Mas se retornando ao primeiro parágrafo e retirando o cinismo natural em toda luta política, o que temos de mais provável. Em relação ao PSDB e ao PT um diferencial que não se resume ao candidato. O PSDB foi a costela esquerda e ética do antigo PMDB. Incorporou a modernidade na administração do Estado, sujeitou-se ao projeto hegemônico dos EUA e Europa e depois aderiu ao “choque de capitalismo” sem incorporar 200 anos de crítica que se fazia a este sistema. No governo FHC adotou a máxima neoliberal, atacou a máquina do Estado, vendeu as Estatais (que eram patrimônio da sociedade brasileira) na bacia das almas e deixou graves problemas na economia e na infra-estrutura, especialmente eletricidade.

O governo Lula adotou uma política econômica conservadora. Manteve o rentismo das elites com juros altíssimos. Se computarmos as despesas do Tesouro Nacional com juros veremos que se gastou muito mais com estas transferências para pessoas ricas do que com programas sociais, com projetos de investimento em desenvolvimento ou aplicação de ciência, tecnologia e forças armadas.

Então para que não me torne propagandista do governo Lula, que, inegavelmente, já agora no sétimo ano se pode afirmar foi muito superior a FHC. Na gestão econômica, em distribuição de renda, em investimento de infra-estrutura entre outros itens. Ultrapassado esta questão fundamental, pois influirá na disputa eleitoral, passo considerar o local da disputa o ano que vem.

O Brasil já é uma das grandes indústrias do mundo, tem território cultivado para ampliar as fronteiras de produção, uma diversidade enorme de minerais, fontes de energia renovável e agora o petróleo do Pré-sal. Além do mais já tem uma enorme quantidade engenheiros, uma população próxima aos 200 milhões de habitantes, a maior parte urbanizada, ensino universitário descentralizado, rede de telecomunicações que cobre todo o território, energia elétrica rural e centros de pesquisa de referência. É o território mais estratégico da América do Sul e com sua costa Leste voltada para o Continente Africano.

O Brasil vive a necessidade de ampliar a renda, o consumo interno e ter um projeto estratégico para o Atlântico sul. Esta é a grande questão nestas eleições. Seria quase uma questão de zelo que um blog como o Cariricult não se resumisse à troca de pedradas com um falso moralismo e uma ética que apenas atapeta o pântano.

Em torno destas questões teremos as propostas eleitorais para o ano que vem. Muita gente irá camuflá-la com o discurso Udenista do roubo, da corrupção ou com a platitude Esquerdista de que temos a honra por que somos honrados por nascença. Quem de fato tem uma visão da realidade, sabe que naquelas questões está o nosso futuro.

Enfim: não atende a estas questões o discurso udenista do liberalismo para nós e o discurso da ingenuidade esquerdista de que somos puros por que temos a causa do povo. Vamos dizer o que desejamos fazer com o Pré-sal, para ampliar a renda dos brasileiros, como inserir a nação no seu destino estratégico, como serão as grandes metas em educação, saúde e tecnologia.

Cartão vermelho de Suplicy causa bate-boca com Fortes


Marina Mello
Direto de Brasília


A atitude do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) de mostrar um cartão vermelho na tribuna pedindo a renúncia do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), causou um bate-boca com o colega Heráclito Fortes (DEM-PI) no Plenário.

O senador democrata afirmou que a atitude de Suplicy não era "sincera" porque ele e outros senadores do PT não assinaram as representações apresentadas pela oposição ao Conselho de Ética.

"Por que vossa excelência não assinou o recurso que Nery assinou (de recorrer ao Plenário pelo desarquivamento das ações contra Sarney no Conselho), se é tão sincera essa postura de agora? Por que não assinou para ter legitimidade agora?", questionou. Além disso, Heráclito afirmou que Suplicy deveria ter a coragem de mostrar o cartão ao presidente Lula que, segundo ele, foi quem provocou a crise no Senado ao se interferir nas relações do Legislativo.

"Vossa excelência deveria guardar esse cartão vermelho para apontar ao presidente Lula que foi quem invadiu o campo aqui. Para o presidente Lula, já que foi ele que deu cartão amarelo para o líder do seu partido (Aloizio Mercadante). Vossa excelência não tem coragem de dar cartão vermelho a Lula", disse.

Visivelmente nervoso, Suplicy começou a gritar e a negar que não tinha sido sincero. Ele se justificou dizendo que apresentou o cartão vermelho porque não concorda com algumas das posturas de Sarney que, na visão dele, não correspondem ao ideal ético.

"Para voltarmos à normalidade, o melhor caminho é que sua excelência renuncie ao cargo no Senado. Se há forma do povo brasileiro compreender bem o que isso significa, é falarmos a linguagem do esporte mais popular do Brasil. (...) Mas, em virtude do presidente Sarney não ter aceito a sugestão de explicar tudo, o que faz o juiz nos campos de futebol do Brasil para que todos entendam: apresenta o cartão vermelho", disse Suplicy.

Como Heráclito insistiu nas críticas, Suplicy então mostrou o cartão vermelho para o democrata, que reagiu.

"O cidadão brasileiro espera que vossa excelência venha aqui falar sobre um escândalo que envolve seu governo e a Receita Federal. Não queira ser juiz de futebol, queira ser senador da República. Use o argumento e não o gesto, esse gesto te diminui, esse gesto envergonha São Paulo. Recebo esse cartão vermelho do senhor como um troféu", afirmou.

Sarney é acusado de cometer irregularidades como edição dos chamados atos secretos, desvio de recursos de um patrocínio feito pela Petrobras à fundação que leva seu nome, além da prática de tráfico de influência em favor do namorado de uma neta sua. No Conselho de Ética, as 11 ações contra o presidente do Senado foram arquivadas. Sarney nega as acusações.

Redação Terra

terça-feira, 25 de agosto de 2009

VIVA!!!!O CALDEIRÃO DA SANTA CRUZ DO DESERTO!Wilson Bernardo.

"Sobre as cabeças os Aviões...O meu Nariz!"

Pia em que se batisou o Padim CIço Romão,Sé catedral em Crato-ce.

A OSTIA NA BOCA DO BOI.

Na boca do boi o capim mastiga
a ruminancia
e a engorda alimente
todas as bocas insanes
de consumos desprovidos.
Os vegetais imploram ao mundo
a ruminancia dos seres obejetos.
uma caixa de orações e oferendas
latas de consumos que se revestem.
Templos!
O boi diante do oratório simplifica
a angustia da ostia
o milagre de ruminar o corpo de Deus.
Wilson Bernardo(poema e fotografia)

O SUICÍDIO É JUSTO!?...Wilson Bernardo.

O que vem a será morte dos impulsos...Pulsos!
O rappa em Iguatu


A RACIONALIDADE DOS FATOS!

Acima de tudo o suicídio
é justo
contestações ideológicas.
O que se contempla
com a morte...
as suas razões!
somos todos potenciais de causas.
Wilson Bernardo(Fotografia & poema)

SOPA DE LETRAS por LUPIN


Extraídos de Guimarães Rosa

Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!

Manter firme uma opinião, na vontade do homem, em mundo transviável tão grande, é dificultoso.

Viver — não é? — é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver mesmo.

Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas.

A colheita é comum, mas o capinar é sozinho.

Ecumênico

Sexo-pecado-não-pecado
era homem, era santo, ERA HOMEM
na igreja do absurdo
o mito não fazia cocô, que absurdo!
teria um intestino superdesenvolvido
com uma câmara de reciclagem avançada?
o corpo não foi exumado,
não teriam encontrado capim no seu estômago
não era gado.
não era gado.
chega de gado!

Doméstico

A centelha dos meus olhos
o esmalte dos meus dentes
com o tempo perdidos
nas Cruzadas,
no arrebatamento

e a alma sonhadora
nada mais era
uma chaleira fumegante
a lançar vapores.

Meus cabelos pretos outrora
hoje um couro cabeludo esbranquiçado

e o andar tão altivo
agora no meio do caminho
as pedras fazem fila.