TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O CALDEIRÃO DO BEATO ZÉ LOURENÇO


O TEXTO QUE SEGUE FOI POSTADO COMO COMENTÁRIO -RECEBIDO HOJE -A UMA POSTAGEM DE DEZEMBRO DE 2007. DECIDI PUBLICÁ-LO AGORA COMO POSTAGEM ORIGINAL PELA IMPORTANCIA DO SEU CONTEUDO.

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA...

"As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!" Otoniel Ajala Dourado

O MASSACRE APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

No CEARÁ, para quem não sabe, houve também um crime idêntico ao do “Araguaia”, contudo em piores proporções, foi o MASSACRE praticado por forças do Exército e da Polícia Militar do Ceará no ano de 1937, contra a comunidade de camponeses católicos do Sítio da Santa Cruz do Deserto ou Sítio Caldeirão, que tinha como líder religioso o beato JOSÉ LOURENÇO, seguidor do padre Cícero Romão Batista.

O CRIME DE LESA HUMANIDADE

A ação criminosa deu-se inicialmente através de bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como se ao mesmo tempo, fossem juízes e algozes.

A AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará foi de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO / CRIME CONTRA A HUMANIDADE é considerado IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira bem como pelos Acordos e Convenções internacionais, e por isso a SOS - DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - Ceará, ajuizou no ano de 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo que: a) seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) sejam os restos mortais exumados e identificados através de DNA e enterrados com dignidade, c) os documentos do massacre sejam liberados para o público e o crime seja incluído nos livros de história, d) os descendentes das vítimas e sobreviventes sejam indenizados no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

A Ação Civil Pública inicialmente foi distribuída para o MM. Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, redistribuída para a 16ª Vara Federal na cidade de Juazeiro do Norte/CE, e lá chegando, foi extinta sem julgamento do mérito em 16.09.2009.

AS RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

A SOS DIREITOS HUMANOS inconformada com a decisão do magistrado da 16ª Vara de Juazeiro do Norte/CE, apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife, com os seguintes argumentos: a) não há prescrição porque o massacre do Sítio Caldeirão, é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos das vítimas do Sítio Caldeirão não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do Czar Romanov, que foi morta no ano de 1918 e encontrada nos anos de 1991 e 2007;

A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

A SOS DIREITOS HUMANOS, a exemplo dos familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, por violação dos direitos humanos perpetrado contra a comunidade do Sítio Caldeirão.

A “URCA” E A “UFC” PODEM ENCONTRAR A COVA COLETIVA

A Universidade Regional do Cariri – URCA, pelo Laboratório de Pesquisa Paleontológica – LPPU bem como a Universidade Federal do Ceará podem encontrar a cova coletiva, pois têm tecnologia para tal.

COMISSÃO DA VERDADE ATRAVÉS DO PROJETO CORRENTE DO BEM

A SOS DIREITOS HUMANOS pede que todo aquele que se solidarizar com esta luta que repasse esta notícia para o próximo internauta bem como, para seu representante na Câmara municipal, Assembléia Legislativa, Câmara e Senado Federal, solicitando dos mesmos um pronunciamento exigindo que o Governo Federal informe a localização da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão.

Paz e Solidariedade, Dr. OTONIEL AJALA DOURADO OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197 – 8719.8794 Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS www.sosdireitoshumanos.org.br

Peru de Natal

Dr. Túlio Montenegro parou por um momento, no pequeno ambulatório de Cirurgia, observando aquela senhora atarracada e gorducha.Ela entrava para a revisão , com um enorme sorriso estampado no rosto. Em meio àquela simpatia explícita, ele disfarçou um pouco o cansaço e sequer percebeu a enorme caixa que ela trazia nas mãos, amarrada desajeitadamente com cordões. Por um buraco ,no topo, em feitio de periscópio, emergia a cabeça negra e o bico vermelho daquilo que demorou muito a perceber se tratar de um peru.”Taqui queu trouxe pro Senhor, Dr. Túlio” -- foi logo gritando a velha bonachona, desfiando um rosário de agradecimentos, pelo tratamento recebido e pela cura. Dr. Túlio já se acostumara àquilo e agradeceu do fundo do coração pelo presente. Paciente rico sequer retribui o favor, acha que foi tudo obrigação e reclama das mínimas coisas . Aprendera, no entanto, que os pobres mostram-se assim: agradecidos, despojados e são eles que acabam fazendo ou destruindo famas. É que existem tantos e tantos no país e fazem-se tão solidários entre si, que funcionam como uma grande agência publicitária :levam suas mágoas ou agradecimentos de língua em língua, de casa em casa : vox populi, vox dei .Pensou , enquanto a examinava, após um muito obrigado efusivo, na tarefa , digna de Indiana Jones, para transportar aquele presente do interior do estado até à capital. Primeiro a cuidadosa engorda do bicho, forçando milho de goela abaixo, por alguns meses. E o tratamento dos gogos eventuais? Depois a difícil embalagem da ave tão grande, contida dentro de uma caixa de papelão. Sem falar nas dificuldades do transporte do peru, dentro do ônibus, sob protesto do cobrador de dos outros passageiros. Depois ela ainda teve que empreender a caminhada da rodoviária até o hospital , com o peso da penosa grande e gorda e dos anos da carregadora.Aquilo sim, pensou Dr. Túlio com os botões da bata branca, aquilo sim senhor é que era uma retribuição, um reconhecimento pelo trabalho prestado e que gratificava sua alma bem mais que muitos pagamentos de cirurgias de novos ricos.
Depois que a encorpada paciente por fim deixou o consultório, Dr. Túlio acordou para o problema que agora tinha às mãos. Faltavam ainda uns dois meses para o Natal, morava num apartamento confortável e amplo, mas num apartamento ! Não tinha chácaras. Onde diabos iria hospedar aquele bípede por tanto tempo ? Colocou-o na mala do carro e partiu para casa, após o expediente. Ao chegar, já levou uma bronca da mulher pela aquisição de um novo e incômodo hóspede. “Vai melar tudo, não tem lugar para botar este bicho aqui, é melhor dar para o vigia”.Dr. Túlio, pacientemente, explicou à esposa o esforço da senhora para trazer o presente , não parecia justo e cristão livrar-se da lembrança. Finalmente acordaram que o peru ficaria amarrado na área de serviço , esperando para nutrir a ceia de natal dos Montenegro. O bicho acomodou-se por lá. Manteve aquele ar meio passivo, aquele olhar vívido e atravessado e só soltava sua salva de gluglus quando a filha menor de Dr. Túlio, punha-se a incentivar a ave com assovios.A menina, aos poucos foi se afeiçoando ao peru. Sua cachorrinha poodle, Filó, com o passar dos dias, criou uma amizade estreita com o bicho, a tal ponto que só dormia com a cabeça recostada nas suas asas. O afeto da criança terminou por contagiar a babá , a cozinheira e, por fim, a mãe que descobriu a importância da amizade natural que brotou dentro de sua casa e que de alguma maneira contagiou a todos.
Semana antes do Natal, Dr. Túlio Montenegro lembrou-se de um outro desafio. Diferentemente dos perus da Sadia, era preciso matar aquele animal enorme, de véspera. Quem diabos sabia mais fazer isto ? Depois do galeto congelado, do chester temperado, todo mundo desaprendera o ritual macabro : embebedar o peru com aguardente, sangrá-lo friamente , quando já estivesse grogue, pôr na água fervente, despelar e tirar os canhões... Desesperou-se quando descobriu que já não existiam, nesta geração, carrascos de peru! Alguém no hospital informou de uma atendente de enfermagem que era metida em magia negra e que possivelmente ainda devia manter a frieza necessária para tamanho assassinato. Procurou-a e combinou com ela, quase que clandestinamente, como se premeditasse um crime, a possibilidade de realizar este trabalho sujo. Um pouco a contragosto a empreita foi acertada.
Véspera de Natal, a calamidade! Dirigiu-se à área e pediu à cozinheira que colocasse o peru na caixa pois ia levá-lo ao sacrifício. Aí veio a avalanche: a filha começou a chorar e a gritar, a cozinheira e a babá , emburradas adiantaram que não preparariam o peru abatido e a esposa, berrando , avisou logo que se ele inventasse de matar o bichinho, simplesmente não haveria clima nenhum para se fazer a ceia de natal.Até Filó latia sem parar como se acuasse tatu. Dr. Túlio, diante de tantos advogados peruanos, não teve outro jeito, senão recuar. No outro dia, iluminou-se com a certeza de que nunca tinham feito uma ceia mais imersa no espírito natalino. Na área o peru e Filó como que reconstituíam a majestosa cena da manjedoura . Aos amigos e colegas que a partir daí, cientes da história, o perguntavam quando ia matar o peru, ele respondia com o sorriso que havia roubado daquela humilde senhora do interior :
--- O peru, meus amigos, vai morrer de velho, agora ele já é Montenegro !

J. Flávio Vieira

ver comos olhos LIVRES

um amigo brasileiro com nome estrangeiro:DIETER ROOS.

Rock and Roll é isso: Fã bebe Urina de Ídolo...

Uma cena absolutamente degradante ocorreu nesta semana, quando uma Banda de Rock daquelas de décima categoria preparou um coquetel com Kijo, Tequila e Suco para uma das suas fãs. Isso mostra o nível mental que esses caras possuem:





Parabéns Roqueiros!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Veja fez uma simulação da cobertura jornalística da viagem de conquista dos EUA pelos Beatles


Essa seria a capa da revista:



Essa seria a entrevista nas páginas amarelas com o Brian Epstein, o empresário da banda:

O empresário dos Beatles conta como descobriu a banda e
explica qual foi a transformação a que submeteu os rapazes para transformá-los
em astros internacionais: 'Eles são muito inteligentes'


O empresário por trás do fenômeno: 'Trouxe elegância, habilidade organizacional e dinheiro para eles', diz Epstein

Brian Epstein era o gerente da loja de discos North End Music Store (NEMS), em Whitechapel, Liverpool, quando um rapaz entrou e pediu um disco dos Beatles, em outubro de 1961. Ele não conhecia a banda, mas aquele nome ficou guardado em sua cabeça. Duas semanas depois, estava no Cavern, um pub sujo e apertado, para assistir a um show dos Beatles em plena hora do almoço. Brian ficou apaixonado pelo carisma dos rapazes e, então, tornou-se o empresário do grupo. Foi graças a ele que os Beatles começaram a se profissionalizar. Mudaram antigos hábitos, como o de comer e fumar no palco, e passaram a usar ternos – tudo com o dedo e a visão de Brian. Foi ele também o principal articulador da bem sucedida viagem dos Beatles aos Estados Unidos. Dos bastidores dos estúdios da CBS, rede de TV americana onde os Beatles se apresentaram, ele concedeu a seguinte entrevista a VEJA:

VEJA – Quando o senhor conheceu os Beatles?
Epstein – Foi em 1961. Era um sábado qualquer, no fim de outubro. Um garoto veio à minha loja e pediu um disco de um grupo chamado The Beatles. Sempre foi a nossa política considerar todo e qualquer pedido. Escrevi num bloco de anotações: "My Bonnie. The Beatles. Verificar na segunda-feira". Nunca tinha dado bola para nenhum grupo beat de Liverpool, na época tão populares nos clubes. Não faziam parte da minha vida, porque eu estava além da faixa etária do grupo, e também por estar sempre muito ocupado. O nome "Beatles" não significava nada para mim, se bem que eu lembrasse vagamente de tê-lo visto num cartaz de publicidade anunciando uma noite dançante no New Brighton Tower, e tinha achado a grafia esquisita e despropositada.

VEJA – E depois disso, o que aconteceu?
Epstein – Na segunda-feira, antes mesmo de eu ter tempo de checar o pedido, duas garotas entraram na loja e pediram o mesmo disco. Muito se especulou sobre isso até agora, mas este foi o número total de pedidos do disco nessa época em Liverpool: três.

VEJA – Foi o suficiente para o senhor se interessar pela banda?
Epstein – Para mim foi o bastante. Eu achei que era significativo: três pedidos de um disco desconhecido em dois dias. Havia alguma coisa aí. Na época, eu estava interessado no panorama musical de Liverpool. Cheguei até a escrever um artigo sobre isso para o Mersey Beat, um jornal quinzenal de música popular, fundado por Bill Harry, um estudante da escola de arte e amigo dos Beatles. Acho até que eles já tinham ouvido falar de mim.

VEJA – E o que o senhor fez então?
Epstein – Fiz contatos e descobri o que não tinha percebido ainda: que os Beatles eram um grupo de Liverpool, que acabara de retornar do extremo quente, úmido e sujo de Hamburgo, onde haviam tocado em clubes barra-pesada. Aí uma garota que eu conhecia me disse: "Os Beatles? São o máximo. Estão no Cavern esta semana". Então fui lá conferir.

VEJA – E como foi o encontro?
Epstein – Foi estranho no começo. Fui até o camarim improvisado e cumprimentei os rapazes. Eles foram educados, mas pouco receptivos. Acho que já sabiam do meu interesse em empresariá-los, mas não quiseram demonstrar que estavam interessados também. Ficaram na defensiva, mas eu sabia que eles estavam empolgados com a ideia.

VEJA – O senhor então se tornou o empresário dos Beatles, e decidiu mudar a postura da banda. Como foi essa transformação?
Epstein – Acho que os tornei mais profissionais. Os Beatles são muito inteligentes, sagazes, mas não eram requintados. Trouxe isso para eles: elegância, habilidade organizacional e dinheiro. Primeiro, estimulei-os a tirar as jaquetas de couro e, então, proibi que aparecessem de jeans. Depois disso, fiz com que usassem suéteres no palco e, por fim, com muita relutância, ternos. Não tenho certeza, mas acho que o primeiro terno foi usado para uma transmissão ao vivo da BBC. Ah, e proibi que eles fumassem e bebessem no palco também, hábitos pouco condizentes para uma banda que busca o sucesso.

VEJA – Como surgiu o seu interesse pela música beat?
Epstein – Meus pais eram proprietários de uma grande cadeia de lojas de móveis sediada em Liverpool. Portanto, desde criança, fui criado para administrar o negócio deles. Eu estudei na Academia Real de Arte Dramática e sabia que tinha que trabalhar em algo ligado ao meio artístico. Tornei-me gerente da NEMS e acabei transformando a rede de lojas de discos em uma das maiores do norte da Inglaterra. Há uns dois anos, mais ou menos, notei que houve um aumento muito grande na procura pela música beat, típica das bandas de Liverpool. Achei então que empresariar os Beatles seria um projeto interessante.

VEJA – O senhor foi o principal responsável pela ida dos Beatles aos EUA. Por que achava que ela seria tão importante assim?
Epstein – Sabia que os Estados Unidos podiam nos promover ou acabar conosco. Então, tivemos que montar uma grande estratégia para tornar os Beatles conhecidos na América, antes mesmo de eles chegarem. Fizemos uma campanha publicitária forte, nas lojas de discos e nas rádios dos EUA, puxada por um disco que acabou conquistando o gosto dos americanos. No fim das contas, acho que nossa vida vai mudar daqui para frente.

VEJA – O senhor e John Lennon viajaram juntos para Espanha recentemente. Alguns jornais fizeram insinuações sobre algum envolvimento amoroso entre os dois. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Epstein – Nada. Não falo sobre esse assunto.


E essa seria a reportagem:



Quatro garotos britânicos desembarcam em Nova York, cativam
multidões e fazem um show visto por 73 milhões de pessoas pela TV.
Os adultos torcem o nariz, mas esse fenômeno chegou para ficar


O show que mudou tudo: Paul, George, Ringo e John no palco do programa de Ed Sullivan, nos estúdios da CBS, em NY

A espera foi longa e sofrida – ao menos para os padrões de um adolescente que não consegue tirar alguma coisa da cabeça. Demorou mais de um ano desde que eles estouraram na terra da rainha, mas os americanos finalmente puderam ver de perto os Beatles, o jovem fenômeno britânico que contagia multidões e enlouquece seus fãs, no último dia 9, no Ed Sullivan Show, da TV CBS. A audiência televisiva da apresentação, realizada num teatro da Broadway, em Manhattan, foi nada menos que impressionante: 73 milhões de pessoas ficaram grudadas à tela durante a exibição. A partir do momento em que Paul McCartney abriu a boca para cantar close your eyes and I’ll kiss you (de All My Loving), não tinha mais volta. Não há um canto da América que não tenha sucumbido à febre da chamada "beatlemania".

Foram cinco canções apenas: All My Loving, Till There Was You, She Loves You, I Saw Her Standing There e I Want To Hold Your Hand. E foi o bastante para que os Beatles tivessem os Estados Unidos a seus pés. Mas o começo ainda foi tenso, por conta de um contratempo: o guitarrista George Harrison só conseguiu subir ao palco às custas de muito remédio, por causa da violenta gripe com a qual tinha desembarcado na América. George não participou da passagem de som e nem do teste de palco para as câmeras, realizados no dia 8. Quando os Beatles tocaram Till There Was You, John Lennon foi enquadrado pela câmera, e uma legenda divertida apareceu: Sorry girls – he’s married ("Desculpem, garotas – ele é casado"). Segundo a produção do programa, a platéia que assistiu os Beatles dentro do estúdio da CBS foi de 728 pessoas – todas elas agora na mira da inveja de dezenas de milhões de fãs.

Não é para menos. A apresentação dos Beatles no programa já entrou para a história. Há mais de uma década, o carismático Ed Sullivan apresenta o show de variedades que se tornou uma verdadeira instituição americana. Todos os domingos, às 20 horas em ponto, os telespectadores ligam a TV e não perdem uma cena do programa, transmitido ao vivo – não só para ver nomes consagrados da música popular, mas também para descobrir novas tendências e talentos promissores. Com os Beatles não foi diferente, ainda que tenham se apresentado entre comediantes e shows de mágica. Na noite em que os quatro rapazes ingleses tomaram o palco, algo de muito especial aconteceu. Numerosos artistas já tiveram a chance de se apresentar ali. O impacto do show dos britânicos, porém, parece ter sido mais poderoso do que qualquer outro.



Descanso depois do pandemônio: o quarteto passeia num barco na Flórida

Um exemplo? A polícia de Nova York informou que, durante o tempo em que os Beatles se apresentaram naquela noite de domingo, não houve um crime sequer reportado nos Estados Unidos. Ao ser questionado sobre isso, George Harrison brincou: "Até os criminosos pararam durante 15 minutos enquanto estávamos no ar". E ele está certo. Difícil ficar indiferente a uma apresentação da banda. Não é apenas o charme de John, Paul, George e Ringo que contagia. As melodias são memoráveis e as letras das canções são diretas e coloquiais, criando um elo emocional instantâneo entre os quatro garotos e seus fãs. As mensagens são claras: "de mim para você", "ela te ama", "quero segurar sua mão". Nada mais simples, nada mais doce. Os Beatles, pelo que se vê, aprenderam esse truque ouvindo muito Carole King e Gerry Goffin, do Brill Bulding.

Estratégia e promoção - Quando a gravadora Capitol lançou I Want To Hold Your Hand e I Saw Her Standing There, em 26 de dezembro do ano passado, o coração da indústria musical americana já estava preparado. Já na semana seguinte, o disco entrou na parada, em 83º lugar,pulando para 42º na outra semana e chegando ao topo em 15 de janeiro. Os Beatles, que na ocasião estavam trabalhando duro em Paris, comemoraram com o empresário Brian Epstein (que colocou um penico na cabeça imitando um chapéu) e com o produtor George Martin, os dois mentores do sucesso do grupo.

Antes da primeira incursão até os EUA, a Capitol montou um cuidadoso esquema de divulgação, incluindo anúncios, aparições promocionais e até peças publicitárias.Além da agenda montada pela gravadora, Brian havia planejado outras aparições para a banda. Com muita insistência, convenceu Sullivan a receber os Beatles em seu conceituado programa de TV. Quando o apresentador estreou seu show, em 1947, já era respeitado nos bastidores da TV americana (ele vem do colunismo social e também teve passagem pelo rádio). O programa dele, contudo, não foi o único responsável por dar início à febre.

Na verdade, a conquista dos Estados Unidos começou já no dia 7, quando o voo 101 da Pan Am aterrissou em Nova York, no Aeroporto Internacional da cidade (que há dois meses passou a ser chamado de John F. Kennedy, em tributo ao presidente morto no ano passado). No exato instante em que os Beatles pisaram pela primeira vez em solo americano, cerca de 10.000 fãs entraram em delírio à beira da pista. E a cena atraiu a atenção do mundo todo. A histeria da beatlemania é algo até hoje nunca visto, nem nos anos de Elvis Presley.


Histeria: fãs pedem permanência eterna

Humor contagiante - Aproximadamente duzentos jornalistas estavam a postos no saguão do aeroporto. Os repórteres pareciam certos de que conseguiriam arrancar alguma declaração tola ou polêmica dos rapazes. Mas os quatro lançaram mão de seu charme e irreverência e dobraram qualquer resistência à sua chegada. Quando um repórter perguntou sobre um movimento em Detroit para acabar com os Beatles, Paul respondeu: "Nós também temos nosso movimento para acabar com Detroit". Quando a entrevista começou a ficar muito barulhenta, John soltou um sonoro "calem a boca". Todos riram. No dia seguinte, o jornal londrino The Times publicou: "O humor dos Beatles é contagiante".

Os garotos de Liverpool não são, contudo, uma unanimidade. O mundo adulto não sabe bem o que fazer com eles. Boa parte da imprensa "séria" americana tratou o quarteto com condescendência. Como a abertura da reportagem da revista semanal Newsweek: "Visualmente, são um pesadelo. Ternos eduardianos apertados e cabelos em forma de tigela. Musicalmente, um desastre: guitarras e bateria detonando uma batida impiedosa, que afugenta ritmo, melodia e harmonia. As letras (pontuadas por gritos de ‘yeah, yeah, yeah’) são uma catástrofe, um amontoado de sentimentos baseados em cartões do dia dos namorados".

Seguindo a mesma linha, O New York Daily News publicou: "Bombardeada com problemas ao redor do mundo, a população voltou seus olhos para quatro jovens britânicos com cabelos ridículos. Em um mês, a América os terá esquecido e vai ter que se preocupar novamente com Fidel Castro e Nikita Krushev". Mas será mesmo que eles logo mergulharão de volta à obscuridade? Os Beatles podem parecer estranhos a princípio, quase como bonecos. Mas uma os difere do resto das estrelas que dominam as paradas de sucessos hoje em dia: ninguém os manipula. O jovem quarteto provou que artistas pop não têm que ser falsos ou bobos, ou uma combinação de ambos. O importante é que são reais. Fumam, bebem, até falam palavrões. E derrotam seus inimigos com charme e um doce sorriso.

Na virada para 1964, os Beatles se tornaram a maior banda do mundo. Agora, há uma câmera ligada em qualquer lugar em que estejam. A visita aos EUA só potencializou o espantoso assédio a que são impiedosamente submetidos: são filmados ou fotografados dentro do avião, com a multidão à espera no aeroporto, no desembarque, na entrevista coletiva, dentro da limusine, no hotel, nos estúdios de rádio do DJ nova-iorquino Murray the K (talvez o maior incentivador da beatlemania nos EUA), e, claro, no palco do Ed Sullivan Show. As lentes que capturaram a eletrizante apresentação dos quatro no programa, porém, fizeram mágica. Transmitiram para mais de 70 milhões de pessoas uma sensação que já tinha conquistado multidões de fãs do outro lado do Atlântico. Apostar que tenha sido apenas uma febre momentânea parece no mínimo arriscado.

Fonte: Veja.com

Ela

Quantas vezes já disse
que é hora do cafezinho quente

mas nunca sinto o mesmo gosto
nem entra pelas narinas o mesmo perfume.

Assim é a vida
dessa alma alheia

que se abrigou nos cachos
das minhas axilas

e agora ao levantar-me
eis ela, essa alma atenta

dentro do açucareiro,
pelas bordas da xícara.

Copiando tudo e pirateando sempre

Por Alexandre Lucas*

O direito a liberdade, a diversidade e ao conhecimento da produção cultural e cientifica da humanidade é furtado pela lógica do mercado capitalista. Um punhado de empresários que formam a grande industrial cultural monopolizam os gostos, os hábitos e impõem a ideologia dominante, como ferramenta para desarmar as camadas populares de uma concepção ampla e critica da realidade. O Artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos é negligenciado a todo vapor, ou será que gozamos do artigo que diz “Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.

Uma cultura feita em laboratório e produzida em escala maciça sinaliza para o que Karl Marx apontava “A produção cria o consumidor...A produção produz não só um objeto para o sujeito, mas também um sujeito para o objeto” é neste contexto que é determinado os bens de consumo da alma, como afirma Edgar Morin ao referir-se a industria cultural “A produção cultural é determinada pelo próprio mercado”.

A grande barreira é de ordem econômica. O segmento da indústria cultural, que inclui o mercado editorial, musical, audiovisual, os veículos de comunicação, dentre outros são beneficiado com impostos diferenciados, ou seja, impostos menores, comparadas a outros segmentos da economia. Entretanto, o grande público, não é beneficiado com essa diferenciação, ficando a mercê desta perversa façanha burguesa, tendo em vista que os diversos aparatos jurídicos e a visão mercantilista são avessos a acessibilidade e a democratização da produção cientifica e cultural como componentes para emancipação humana.

O acesso aos bens culturais, ainda continua sendo um grande privilégio para poucos. As camadas populares não tem acesso as salas de cinema, ao livro, ao CD, ao DVD, a internet, a pluralidade e diversidade das linguagens artísticas, as descobertas e aos benefícios da ciência e da tecnologia, pois o acesso é escasso e caro. Vale destacar que existem de fato diversas conexões que sustentam essa exclusão, dentre elas, a legislação do direito autoral, a de concessão para funcionamento das Rádios e TV, a lei que dispõe sobre patentes e o financiamento público para uso privado, a exemplo dos recursos destinados as universidades para pesquisa cientifica e que posteriormente beneficia os grupelhos de empresários ou os recursos públicos que são destinados a produção cinematográfica, que após os filmes prontos, a sua circulação ocorre nas arquibancadas dos Shoppings Centers da vida capitalista.

Por outro lado cria-se o dissenso popular e a alternativa contra o mercado e a favor da democratização da produção cultural e cientifica, notoriamente multiplicam-se as formas de possibilitar que o livro possa ser barateado, através da fotocópia, que a música e o cinema possa ser adquirido por valores acessíveis em qualquer calçada e a internet tornou-se a grande hospedeira de baixo custo que disponibiliza instantaneamente um vasto e infinito acervo bibliográfico, cinematográfico, musical, pictórico, fotográfico, etc. A quem defenda que isso seja uma ilegalidade e criem obstáculos e mecanismos de repressão para impedir esses avanços. Esses são certamente os que estão do lado oposto da emancipação humana e concretamente afinados com os interesses homem/mulher mercadoria.

Concomitantemente, a defesa desta suposta ilegalidade devemos travar uma batalhar pela modificação da legislação atual para que aponte e que reconheça a produção cientifica e cultural como patrimônio da humanidade e que para ela esteja a serviço. É preciso subverter a infame mentalidade privada/capital, impondo uma luta contra a ilegalidade social que é legitimada pela lei mercadológica.

Se a lógica é outra, a nossa também tem que ser outra. Por isso na conjuntura atual só podemos concluir que copia e pirataria é difusão cultural.

*Coordenador do Coletivo Camaradas, pedagogo e artista/educador.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Controle social e democracia - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Este texto aspeado abaixo o fiz num comentário para o blog de um ex-editor da Rede Globo quando este comentou a situação da programação diante da pata de elefante dos laboratórios farmacêuticos. Ele se referia a uma matéria que criticava os efeitos danosos de determinado medicamento e que "caiu" por pressão do laboratório fabricante. Espero retornar a esta abordagem num futuro próximo, com mais detalhes. Só para vocês ficarem alerta: sabemos todos que o fundo da Educação Básica aumentou e todos esperamos uma melhora geral na educação. Pois bem parte do jornalismo brasileiro e de jogadas políticas se devem a editoras (inclusive a Abril) disputando o fornecimento público. Outro dado uma fonte de escândalos, espeiclamente este de Bsb com conexões na Secretaria de Educação de São Paulo tem o mesmo modelo: a exploração denosa dos fundos públicos.


"Estou no final da minha carreira na saúde pública com algumas convicções. Há que se enfrentar o setor produtivo nas circunstâncias atuais. Não se poderá enfrentar a indústri farmacêutica, de imunobiológico, imagens etc. sem um forte setor público sobre controle da sociedade. Este modelo baseado em "empresários (?)" que ganham milhões como vendedores de luxo para garantir os grandes lucros deste setor não pode ser. Se cria um sistema tão perverso que a maior parte das vezes não se sabe onde começa o lobista da tecnologia de saúde e termina o médico. Por vezes onde se tem garantia de lucro certo na ponta de liminares da justiça no que se convencionou chamar-se Judicialização. É uma cadeia que precisa ser combatida, da ponta mais simples até a mais complexa: a) os visitadores de laboratório à serviço da indústria; b) os "empresário (?)" que inventam demanda para a indústria; c) os congressos financiados largamente para o discurso único deste merchandising (não existe mais ciência como algo crítico, no condicional e sujeito à superação); e) os lobistas, associados a deputados, senadores e membros do executivo em todas as esferas de governo com a finalidade de "empurrar" compras sobre os Fundos de Saúde e f) a aliança entre operadoras de planos de saúde e prestadores de saúde com a finalidade de se usufruir do plano mutual que afinal só existe pela contribuição solidária de quem paga o plano, inclusive com incentivos fiscais. Aliás, não diga que nega, pois na parte mais complexa existe o Programa Fantástico (e toda uma jogada maldosa em vários outros programas) que costuma gerar demanda por tecnológias absurdas desde que começa a segunda feira e as portas dos "negócios" se abrem."

Parabéns, Zé!


Hoje é o aniversário de Zé Flávio. Portanto, para todos os seus companheiros do blogue Cariricult é um momento de alegria e satisfação. Vida longa, pois, a este escrevinhador (é assim que ele gosta de ser intitulado, ao invés do formal termo "escritor"), que tem dado exemplos diários de sabedoria e generosidade. Em nome de todos os que fazem esta revista eletrônica, transmito o nosso mais afetuoso abraço, com desejos de paz, saúde e felicidade. Parabéns, Zé!

Uns imortais fetichistas - Por Emerson Monteiro

Fetichismo, essa mania corrosiva que se tem de juntar coisas das margens dos rios, sejam pequenas ou grandes. Culto de objetos materiais ou apego a eles. E fazemos isso vida a fora, vida a dentro. Aonde se vai, junta troço. Viaja-se e a bagagem vale pelas lembranças que se transporta, para si ou para os outros. Morre-se e ficam relíquias, botijas, testamentos recheados de bens materiais; os baús, as recordações dos amigos, nas rodas; as histórias infalíveis, resgates insistentes.
Fetiche: objeto animado ou inanimado, feito pelo homem, ao que se atribui culto. Enquanto o tempo consome a matéria, apegamo-nos aos garranchos das ribanceiras, no afã de perpetuar o imperpetuável que escoa das vertentes abertas nas elevadas cordilheiras. Nisso de contrapeso seremos hábeis em reunir motivos de fixação que nada fixam, desfeitos na paisagem móvel da existência, dias aquecidos de impermanências graves, lições infindas, perenes em tudo, por tudo, portanto.
Anéis e dedos que também não ficam. Caravanas que passam aos cães que ladram e passam no mesmíssimo formato da pauta dessa ópera insólita, estridente, agônica, permeada de silêncios agudos.
Sonha-se no esquecimento das horas, companheiras constantes de pêndulos que se movem impávidos. Nuvens suaves de outono, inverno, primavera, verão. Sol que vem e vai e fica, e nós é que vamos.
O esforço de cristalizar as coisas se transforma em rochas fósseis, rochas cristais, marcas de espécies extintas no aço, no petróleo, nas enciclopédias, na lama dos guetos. Na história de bichos-alimária, cães de palha. Todos, todas esfoladas, esfolados vivos, felizes bonecos de papelão.
Energia infinda, essa, sim, que permanece no fluir universal, na busca de Deus das criaturas. O rugir dos ventos nas folhas que se balançam e caem. O som de eras milenares em muralhas que se desmoronam dos monumentos carcomidos e reconstruídos de suor e impulsos desconectados. As imaginações de lideranças retocando civilizações que se debatem na busca de permanecer nas páginas esvoaçantes dos reinos ilusórios. Tropas armadas em conquistas estéreis, incógnitas dramas de quem padece as derrotas. Guardadas as lanças e proporções no terço dos armamentos enferrujados nas praças cheias de gente vaidosa, nos festins descompassados... Castelos vazios, horas calmas, madrugadas espasmódicas desses faustos de angústia.
Nos bolsos, a imunidade, seixos frios se misturam nas contas do rosário de lágrimas que se fizera saudade solta, croaxando no peito, e malas pesadas nos braços mortais da infinita espera. Olhos fixos na miragem desses invernos desconhecidos. Firmeza na voz e pigarro na garganta seca. Fora, cantam os pardais, efetivos a formar outra vez seus velhos ninhos teimosos, nos beirais de construções; a paisagem fantasmagórica do extático, testemunha imbatível do definitivo encontro; repulsão e expectativas.
Nesse dia e desse jeito de cenário, os artesões do depois vêm elaborando fios e tecerão longas auroras, nos cabos de luzes multicolores, em volta das marcas erguidas no seio das catedrais de pedra. Notas harmônicas envolvem as palmas abertas de um tempo que deposita nas estrelas seus filhos diletos. Aqueles velhos fetiches guardados se somam em muitos nós, apegos desfeitos nas pessoas. Serão almas livres aladas que pairam no além, aonde Deus espera de braços abertos.
Antes, éramos todos fetichistas contumazes e mudamos o sentido daquilo que nos alimentava. Nos lábios, favos de mel. Lindos laços envolveram os seres e nisso vem o dia raiar nos páramos suaves dos vínculos eternos, bloco útil das emoções permanentes.

Dentes

Ultimamente vivo mordendo os lábios
a língua, gengivas

meus dentes andam loucos
desorientados
sem a mínima coordenação motora.

Tanto faz miolo de pão
bagaço de laranja
bolo
frango
carne moída.

Ao som das batidas do peito
meus dentes dançam

pulam
exasperam-se

arrancando raízes
sangrando pelas coroas
amálgamas, resinas.

Meus dentes,
umas figuras:

gigantes
anões
corcundas
dilacerados
altivos
afiados

todos debaixo
do céu vermelho da boca

à espera de um pescoço
um dedão bem feminino

o lóbulo de uma orelha com brinco
um par de coxas lambuzadas de creme.

Ecos de Copenhague - por José do Vale Pinheiro Feitosa sobre um texto do blog off do jornal la libération.

O desfecho da Conferência de Copenhague ainda ecoa no mundo . Afinal a mudança do clima não se descola da produção mundial e tampouco da crise financeira atual. Os atores da conferência eram os Estados Nacionais e o que se viu foi exatamente isso: a história em transformação e um processo de encontrar o novo. Não seria diferente e muita gente deve ter percebido isso: desde o início do século XX, quando se tomou consciência que a inteligência humana aplicada à produção resultara na maior produtividade jamais vista, que se busca uma sociedade mais solidária e menos sujeita à crises cíclicas, inclusive com guerras. Durante todo o século XX, mesmo quando se tratava de lutas pelo fim do colonialismo, havia uma forte desejo de progresso material e de uma sociedade menos exploradora do homem pelo homem. Não tenhamos dúvida, esta questão do clima está nesta mesma matriz, procurar uma ordem mundial mais solidária e menos exploradora, portanto com menos privilegiados.

Mais ainda, como a ordem mundial se faz pelos Estados Nacionais, aquele com maior poder, que mais se apropria da produção mundial, no caso os EUA, sempre ditou os rumos e as regras da acumulação. Agora a coisa toda está em crise. Atores que não tinham peso começam a aparecer. Outros que não poderiam se manifestar, começam a questionar. E os ator principal, os EUA, não conseguem mais dar o rumo.

Este texto abaixo foi publicado no "le blog off" do Journal La Libération e foi traduzido pela Caia Fittipaldi. Para não aumentar muito a postagem, vou colocar nos comentários o texto original em Francês para aqueles que tenham facilidade com a língua poderem fazer sua checagem sobre a tradução para o Português:

"É verdade que, sendo eu argentina, o que aqui escrevo parecerá meio esquisito. Paciência. Acabamos de assistir, no quadro da total degringolada das negociações sobre o clima em Copenhague, ao fracasso final de uma superpotência (os EUA) e à vigorosa entrada em cena de uma nação (Brasil) que esperava impaciente para ocupar seu lugar.

Os discursos de Obama e Lula foram muito mais que discursos sobre as questões que se esperava que nossos chefes de Estado devessem resolver em Copenhague. Esses dois discursos, em minha opinião, marcarão para sempre a longa e tortuosa história do declínio do império norte-americano.

Recusar-se a negociar é o primeiro sinal de fraqueza dos “poderosos”. Hoje, Obama não deu qualquer sinal de qualquer flexibilidade possível, nos três temas que pôs sobre a mesa. E isso, depois de ter cuidadosamente evitado assumir que os EUA são os principais responsáveis históricos pela acumulação na atmosfera, de gases de efeito estufa.

Quanto a Lula... tudo é liderança, vontade, desejo, ambição. Evidentemente Lula não é perfeito – mas a questão não é essa. O que interessa é que Lula mostrou aos olhos do mundo que seu país está pronto para jogar o jogo dos grandes, na quadra principal.

Assistimos na 6ª-feira em Copenhague, já disse, ao fracasso de uma superpotência encarquilhada, curvada sobre ela mesma, afogada em instituições anacrônicas, sufocada por lobbies impressionantes, sitiada por mídias que condenam os cidadãos à ignorância e ao medo do próximo, e os fazem sufocar de medo do futuro.

É chegada a hora da potência descomplexada e abertamente ambiciosa e desejante do Presidente Lula. Lula não se assusta ante a tarefa de assumir o comando de um barco quase completamente naufragado."
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O Show na Terra

Luiz Domingos de Luna

É muito fácil observar
A presilha dos seres humanos
Sentidos, prazeres, desenganos.
Uma paisagem a embelezar

Tudo parece um sonho
Emoções sentimentos
Um corpo lançado ao vento
Na busca de um mundo risonho

Cada um num carrossel a girar
O filme da vida pontuando
O Futuro ao presente ocupando
A Câmera a história registrar

A máquina humana em movimento
Os líquidos internos em plena ação
Uma desordem que vai parar- Pena!
Deixar a cadeira, para outro ocupar.
É um show com tempo determinado
É Viver plenamente a emoção?
É A razão e emoção conjuntamente
Ou o grande parque da Ilusão?

Poesia de Luiz Domingos de Luna - Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora (CE)

ARTE POSTAL-ABSTRATOS







sábado, 19 de dezembro de 2009

Flor de Pequi

Nosso inimigo-mor
veste-se com nossa pele
espreita por trás das nossas retinas

anda glorioso sustentado
por nossos músculos e tendões
até finge nossas mãos na hora da escrita.

Nosso inimigo-decano
é traiçoeiro, cínico

espera a mente dúbia
para lhe forjar medos.

Chegado o tempo de fustigar o corpo:
abdominais, pesos, sobriedade.

Chamar para o duelo
esse humano cruel

esse palhaço
esse espantalho sem cabeça.

Hoje tem Chico César na Rffsa


P.S.: Todo mundo lá!

Um Plínio de muitos marcos




Dez anos sem Plínio Marcos

Por Carlos Minuano

Conheci Plínio Marcos no início da década de 90, época em que ele celebrava quatro décadas de trabalho com a peça 40 anos de luta, monólogo em que contava histórias e fazia um balanço de sua vida e obra. No entanto, quando falava a respeito, costumava acrescentar, com seu humor típico, “20 anos trabalhando e os outros vendendo livro!”. Ele se referia aos duros anos de censura da qual foi vítima, e que o obrigou a sobreviver vendendo seus livros em portas de teatro. Até 1980, todas as peças que escreveu foram censuradas.
A perseguição começou logo na primeira peça, Barrela, que em 1959 foi proibida após uma única apresentação. Neste mês, em que a primeira censura faz 50 anos, completam-se também dez anos sem Plínio Marcos. O dramaturgo morreu no dia 19 de novembro de 1999, em uma tarde de sexta-feira, de falência múltipla dos órgãos, aos 64 anos de idade. Não por acaso, acaba de sair do forno uma justa homenagem, Bendito Maldito – uma biografia de Plínio Marcos (Editora Leya, 500 págs., R$44,90), escrita pelo amigo e critico teatral, Oswaldo Mendes.
Estruturada em atos e cenas, semelhante a uma peça de teatro, a biografia mostra a trajetória meteórica de um dos mais importantes nomes da dramaturgia brasileira, da infância em Santos ao sucesso em São Paulo, como autor de teatro. “No primeiro ato, o herói se apresenta, define caminhos, faz opções que determinarão a sua história. No segundo ato, uma sucessão de acontecimentos aflora as certezas e as contradições, os conflitos explodem. No terceiro ato, o desfecho que sintetiza as ações de uma vida inteira”, explica Oswaldo Mendes. Uma linha do tempo acompanha a narrativa e permite ao leitor identificar a época em que aconteceu a ação e o ajuda a entender motivações de muitos episódios.
Plínio Marcos nasceu em 1935, no bairro portuário de Macuco, em Santos e teve um currículo extenso e bem diverso. Antes do teatro e dos livros, trabalhou como estivador, jogador de futebol, camelô e palhaço de circo. Aliás, foi lá, segundo ele, em um circo de ciganos no qual passou cinco anos, que aprendeu a escrever para teatro. Entre suas principais obras estão as peças Abajur lilás, Navalha na carne, Dois perdidos numa noite suja e os livros Querô - uma reportagem maldita, Na barra do Catimbó e Histórias das quebradas do Mundaréu. Teve também uma sólida carreira no jornalismo, como cronista, passando por diversos jornais, Última Hora, Diário da Noite, Folha de São Paulo e nas revistas Veja, Realidade e Caros Amigos, entre outras. Sua obra também recebeu várias adaptações para o cinema, entre elas Navalha na carne, A mancha roxa, Dois perdidos numa noite suja e Querô. A vida em Santos Uma das histórias resgatadas na biografia é a de como Plínio, ainda em Santos, se virava para driblar os tempos de dureza. “Para não ficar sem trocados no bolso, ele inventava expedientes, como o de vender o mesmo livro para várias pessoas”, conta Mendes no livro. Um exemplo foi O pagador de promessas, peça de Dias Gomes, impossível de ser encontrado nas livrarias locais. “Daí vem o Plínio e nos diz que poderia conseguir o texto”, conta Pedro Bandeira, em Bendito Maldito. Uns dez logo se interessaram. Na volta, Plínio procurou o primeiro: “Está aqui a peça. Você vai ler agora? Não? Então me deixa ler, depois eu devolvo”. Plínio foi ao segundo, ao terceiro, enfim, repetiu para todos a mesma lorota. Quando os amigos perceberam o golpe, não adiantava mais nada. “Nenhum de nós podia dizer que ele levou o dinheiro e não entregou a encomenda. Só podíamos dizer que o Plínio tinha pedido o livro emprestado e ainda não o havia devolvido”, diverte-se Bandeira. A última entrevista Em 1999, ano de sua morte, Plínio estava abatido por uma série de problemas de saúde, decorrentes de uma diabete insistente. Não morava mais na velha e minúscula quitinete do Edifício Copan, mas em um confortável apartamento no agradável e tranquilo bairro de Higienópolis, com sua companheira na época, a jornalista Vera Artaxo. Apesar dos problemas de saúde, Plínio vivia um bom momento, sua obra finalmente era reconhecida, após décadas de duras perseguições. Ele acabava de ser homenageado na França, com a tradução e leituras de duas peças suas. E, aqui no Brasil, seu trabalho finalmente voltava a ser visto, e ele pôde, nesse período, sentir o reconhecimento do público, da classe artística e da crítica.
Em uma de suas últimas entrevistas, concedida a este repórter em agosto de 1999, Plínio falou bem menos que antigamente, mas em vários momentos mostrou sua fúria crítica de sempre, disparando sua metralhadora para todos os lados. Na ocasião, um de seus alvos principais foi FHC, que havia acabado de se reeleger. “Este Fernando Henrique ficar aí duas gestões é um ‘puta' dum absurdo do 'caraco'. É um incompetente comprovado”, disse. A porrada não foi menor quando questionei sobre um possível novo cenário caso Lula tivesse vencido as eleições de 98. “Também não entrou por incompetência, aliás, no meu entendimento ajudou a eleger o Fernando Henrique, porque as pessoas tinham medo do Lula e a defesa foi essa besta que está aí”.
Ele também lembrou das duras críticas que recebeu ao longo de sua vida, como no caso de A mancha roxa, 1988, uma de suas peças mais polêmicas, sobre o trágico drama da Aids, evidentemente vista pela ótica dos esquecidos, dos marginalizados: “Teve uma toupeira que escreveu se tratar de uma obra-prima que ninguém devia assistir. Quando ganhei o prêmio de melhor autor, joguei nos críticos e mandei eles à merda! Não preciso de prêmio, não sou cavalo de corrida! Preciso é de espaço para trabalhar!”, disse ele quase gritando.
O dramaturgo, como sempre fez, defendeu a arte como um instrumento de ação social e de subversão. “O artista está ficando muito mercenário, é preciso mais idealismo. A gente não pode esperar que os poderosos financiem a arte, ela tem que ser rebelde”. Para ele, somente assim a arte daria sua contribuição à sociedade com um elemento fundamental, a contestação. “Num momento de merda como o que estamos vivendo, evidente que precisa do artista pra poder instigar”.
A biografia Bendito Maldito resgata muitos testemunhos da força e do impacto do teatro de Plínio Marcos, como a reação do médico e escritor Roberto Freire ao assistir a peça Dois perdidos numa noite suja. “Se a peça fosse uma merda sairia no meio”, teria dito Freire. Ao ver a plateia vazia, concluiu que sair durante o espetáculo seria impossível. Estava ruminando a roubada em que se metera quando a peça começou. “Dez minutos depois eu estava fascinado. Que Nelson Rodrigues coisa nenhuma, ali estava a melhor peça de teatro feita no Brasil. No final, eu estava em prantos”.
Roberto Freire registrou o seu entusiasmo em texto para a revista Sinal, em que comparava Eles não usam black tie, de Guarnieri e Dois perdidos numa noite suja, de Plínio Marcos: “Quase dez anos os separam... A impressão que tenho é de que não se escreveu nada entre ambas. Porque faltou sinceridade, não houve real necessidade de escrever, nenhum outro autor teve bastante coragem de retratar seu mundo, ou seus mundos não possuíam nada digno de retrato. Ver Dois perdidos numa noite suja não é mole. Tem bastante humor para a gente descarregar a vergonha, o medo e a covardia que a honestidade do autor nos provoca. É a peça mais suja e cruel jamais escrita no Brasil. Por isso, linda e necessária, importante e verdadeira”.
Ao final da entrevista, acho que prevendo ser a última vez que falaria com Plínio Marcos, perguntei a ele se gostaria de deixar alguma mensagem para as novas gerações, ao que ele respondeu: “Quem estiver fazendo, tem que continuar fazendo e quem não estiver fazendo está morrendo e deixando as coisas morrerem”.



Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum de novembro.

Mensagem antecipada de Natal


Sabadozinho é um sábado sozinho ou um sábado lindozinho? Tanto faz como tanto sábado. Zinho ou zen, prefiro Zé. Zé Nilton com suas fotografias lindas e uma mensagem mais ainda. O melhor é que fui eu quem as postei, daqui de casa, com Zé ditando todas as senhas e segredos e sagrados. Zé é Zé e o resto é zen. E neste sábado, o penúltimo de 2009, recebi uma presença e um presente. Salatiel e uma garrafa de vinho. O vinho, decidi, desde o primeiro momento, que vou bebê-lo com Orlando, outra presença que está chegando; mas somente amanhã, quando todos seremos domingo. E Salve Domingos Sávio, o maior poeta vivo e na ativa que conheço. E que se salve Geraldo Urano, na sua batalha cotidiana pela lúcida e enésima vez. E Wilson Bernardo, dando crédito para a máquina fotográfica emprestada? Hilário ou hidrante? Ou mares nunca navegados dantes? Não é à toa nem ateu que ele é único fotógrafo sem máquina do Crato. Ele bem que poderia fundar o MSM (Movimento dos Sem-Máquina Fotográfica). E por falar em movimentos organizados, se existe um gentleman nesta "blogosfera caririense" (os créditos podem ser endereçados para Dihelson Mendonça "in" blogdocrato.com) esse é José do Vale Pinheiro, o JVP. Ô home de couro grosso!, tal qual os vaqueiros do sertão com seu gibão e olhos de Lampião. Ulisses Germano, outro que vem à baila neste baile de escrita automática a la beat generation, escreveu e lançou um cordel sobre o espinho que furou o olho de Lampião. E por falar em cordel, hoje tem Los The Os (o crédito do nome da banda é de Lupeu) encerrando a rica programação cultural do Centro Cultural BNB Cariri neste ano que se finda...

Centro Cultural BNB Cariri – Programação Diária


Dia 19 de dezembro, sábado

- ATIVIDADES INFANTIS - CRIANÇA E ARTE

14h Teatro Infantil: Animartistas. 50min.

14h Bibliotequinha Virtual. Instrutor: Gilvan de Sousa

O objetivo é despertar o interesse das crianças pela internet, mediante a realização de atividades educativas e jogos. 240min.

15h30 Contação de Histórias: Uma História Puxa a Outra, com Bete Pacheco (Juazeiro do Norte-CE)

Contar histórias é uma arte antiga, passada de geração a geração. Ouvindo histórias, desenvolvemos o gosto pela leitura, ampliamos nosso vocabulário e educamos nossa atenção, estimulando nossa imaginação de forma bem divertida. 60min.

16h Teatro Infantil: Animartistas.

17h Sessão Curumim: T'Choupi. 70min.

- CINEMA - CURSO DE APRECIAÇÃO DE ARTE

15h História e Estética do Videoclipe. 180min.

- ESPECIAIS - CINEMA - ARTE RETIRANTE

19h As Aventuras de Azur e Asmar.

Os meninos Azur e Asmar foram criados juntos pela mesma mulher, Jenane. Eles cresceram como se fossem irmãos, até serem separados. Amar cresceu ouvindo as histórias da mãe sobre a lendária Fada dos Djins e, quando se torna adulto, decide partir à sua procura, contando com a ajuda do andarilho Crapoux. É quando Azur e Asmar se reencontram, agora não mais como irmãos, mas como rivais na busca da Fada. Animação. Cor. Dublado. Livre. 2006. 109min.

Local: Sítio Carrapato, Distrito do Lameiro, Jaraguáfilmes. Fone: 88 9619 1898 / 9619 1897

- MÚSICA - ROCK CORDEL

19h30 Banda Los The Os.

Formada em fins de 2006 no Cariri, a Los The Os busca valorizar as raízes e o estilo moderno do rock'n'roll e do blues. Desse vasto repertório de blues e rock'n'roll, a banda também tem um projeto paralelo no qual faz cover da maior banda de todos os tempos: The Beatles, intitulado LOS THE BEATLES. Neste show a banda vai celebrar os 40 anos de Abbey Road (26/09/1969), 12° álbum dos Beatles. Este disco foi marcado pelo uso de novos recursos tecnológicos que estavam surgindo na época e é considerado por muitos um dos melhores. 60min.

Fonte: Centro Cultural BNB Cariri (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte)

cartum por QUINTERO