TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 23 de abril de 2011

Parabéns Luiz!



Grande Abraço Rapaz!
Pachelly Jamacaru

Rock me baby

Desliga essa rádio aí do lado e ouça um bom blues com as feras!!!!

Santa Semana, Pachelly Jamacaru




A negação do ócio?

Charge de Lute

Saber acordar - Emerson Monteiro

O ânimo de viver representa a nossa cara diante das outras pessoas. Enquanto isso, bom conhecer um tanto mais das possibilidades que existem de poder controlar o nosso humor à medida que vivemos os dias e as horas. Dominar os passos que a gente vem andar. Pisar no jeito de evitar acidentes ou criar condições desfavoráveis nos gestos de plantar nossa imagem no coração dos semelhantes, essas outras pessoas. Fazer o nosso marketing particular pelas estradas em que andamos.
Certa vez, ouvi de um amigo que o freguês, dormir à noite e acordar de manhã, sem se lembrar de Deus para fazer uma oração isso parece coisa de bicho bruto, de herege que arrasta a existência de jeito atropelado, rude, batendo nas laterais da sorte, rês arrombando cerca, esquecido da concentração de suas forças nos objetivos que interessam das normas do bom viver. Já amanhece o dia trombudo, amuado, cara fechada, agressivo, procurando briga, contrariado com tudo e todos.
Há gente que numa hora está pelos pés, noutra pela cabeça. Pessoas de duas caras, como o povo qualifica. Os pacientes do transtorno bipolar, na classificação da atual da ciência. Galinhas de ovo virado, nos chistes de calçada. Não veem nem porque e aparecem trombudos no terreiro, logo cedo, querendo briga a qualquer custo, desmanchando o que construiu na noite anterior. Se o marido, se a mulher, pouco importa, sai da cama, ou da rede, caçando confusão, de cara por acolá. Nas repartições, os chefes que entram nas salas mal humorados, calados, fungando, enfezados, juntando troços, pronto a criar um incidente administrativo e levar em frente, apurar, punir. Muitos, lá adiante, dias depois, voltam arrependidos, a pedir perdão, desculpando esfarrapado, desconfiados, até a próxima situação que vierem a criar. Ô, homem grosseiro, mulher grosseira, que fere a sensibilidade alheia, meio gente, meio bicho, a mistura dos dois.
Disso, agora só cabe tirar algumas lições práticas. Saber acordar, eis o princípio fundamental dessas leis da vida. Amar a existência. Conhecer as regras da experiência, praticar a cortesia, a amabilidade na relação familiar, na boa vizinhança, aprender o tratamento com as demais criaturas. Ir expandindo o círculo aos distantes, desconhecidos; na rua, no trânsito, no trabalho, na escola, nos grupos que participar. Dividir a leveza desse costume numa sequência de ações que frutifiquem quais sementes de frutas doces nos corações ali perto de quem conviver.
Quando pessoas maltratam quem amam, imagine o que farão com aqueles que nem conhecem. Jesus ensina amar os próprios inimigos, pois os amigos já são amigos. Conquistar quem nos desgosta, eis o segredo da harmonia coletiva. Desde cedo, de manhã, ainda deitados, naqueles cinco minutos durante os quais planejamos o dia, usar a oportunidade de formular os pensamentos. Buscar o tempo bom dos sentimentos e pisar maneiro esse chão, a fim de nele colher consciente seus valores positivos. Devagar chegar lá longe e viver no tempo certo.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

sofri em mim, em ti.

não cabe retrocesso.

o peso, a pedra, a dor

e o limite tão forte

que nos SALVA.

(carlos nejar)

Gêtsemani


Não, não transparecia cansaço nem fastio, embora a cena se repetisse há tantos e tantos anos. Apenas uma leve asa de indignação ruflava ao seu derredor. Como um moderno Prometeu acorrentado, fazia-se eterno pasto à águia do cristianismo. Parece até que ganhara a maldição da imortalidade. Ressuscitavam-no todo ano, em meio às velas, ao vinho e ao roxo da Semana Santa. No seu curto e sub-reptício reinado, fazia-se, rapidamente, senhor de uma quinta , ganhava roupas esfarrapadas, mas modernas, metia-se a cavaleiro. Metamorfoseava-se de uma personalidade qualquer escolhida entre os sempre novos e fartos Judas da humanidade e partia, no Domingo da Ressurreição, para o seu calvário particular.Até um testamento lhe seria providenciado, ele que não deixara sobre a terra nenhum legado que fosse além da pura e cristalina infâmia. Até os 30 dinheiros, levara ao santuário antes do pêndulo do corpo e do final balanço da corda.

Suas memórias, se escritas, seriam um farto material para o estudo do inconsciente coletivo. Havia, com certeza, algo de sanguinário, de sádico e tribal naquela malhação.A simples encenação daquela selvageria, no fundo, contradizia-se frontalmente com as lições de amor, de solidariedade e compreensão que terminaram por permear todo o Novo Testamento. A primeira pedra que ninguém ousara lançar sobre Madalena , agora fariseus multiplicados aos montes atiravam nele com sanha animalesca, sem nenhum remorso, sem nenhum pejo.

Neste ano, ali estava novamente no cadafalso, aguardando o desenlace tão previsível. Enquanto observava a faísca zigzagueante do estopim, teve , por fim uma clara visão do mundo que um dia abandonara pensando em se livrar dos seus demônios e fantasmas. Na verdade a turba não malhava ao Judas, mas tentava destruir as imperfeições pessoais que via nele refletidas. É como se diante do espelho, o quebrassem, por temerem a imagem horrorosa mas verdadeira que se revelaria na superfície cristalina. Nada mudara em tantos anos! Bastava fitar a multidão para ver claramente presente e cristalizado em todos os corações o veneno um dia inoculado no Gêtsemani: a indecisão de Pilatos, a tríplice negação de Pedro, a parcialidade de julgamento de Caifás, a eterna opção dos eleitores por Barrabás. Parecia claro para ele agora que não foram os filhos do Pai que povoaram o mundo, mas sim a raça de Judas. Sim, seus filhos tinham prosperado como nunca sobre a face da terra . Estavam muitos ali familiarmente reunidos, com suas fraquezas, suas indecisões e seus vícios bem à mostra : lábios preparados para o beijo fatídico, mãos entreabertas esperando, sofregamente, os trinta dinheiros...

J. Flávio Vieira

Roberto Carlos - Emerson Monteiro


Neste mês de abril (2011), Roberto Carlos inteirou 70 anos (dia 19), dos quais 50 de sucesso absoluto na música popular brasileira, com algumas incursões pontuais ao exterior, sobretudo aos países de língua espanhola das Américas. Menestrel de repetidas gerações, ele segue firme e forte, através dos espetáculos que apresenta acompanhado de músicos virtuosos, demonstração inequívoca do talento e da organização que lhe caracterizam a genialidade humana por demais reconhecida.
Escrever a propósito de Roberto Carlos contextualizaria um tempo deste País de tantas contradições e mudanças, desde os inícios da carreira, nos anos 60, quando vivíamos as notas iniciais da exceção política, às convulsões mundiais ocasionadas pela Guerra Fria, às rebeliões da juventude na Europa e ao movimento hippie espraiado pelo mundo inteiro, ainda somados os movimentos tropicalista e da Jovem Guarda, e os heróicos festivais da música de protesto; os exílios da fina flor dos expoentes musicais, o crescimento das drogas, amor livre, eliminação de líderes mundiais sob a agressividade que, impiedosa, campeou na época, a culminar no desencanto dos sonhos interrompidos e na morte de John Lennon, em Nova York.
Da cidade ao sertão, de parceria com Erasmo Carlos, em passes mágicos, gerava sucessos trazidos pelo rádio e pelo disco, e que funcionavam quais trilhas sonoras do quadro nacional, amenizando a rotina dos indivíduos. Angústias, apreensões de toda aquela juventude, encontraram eco no lirismo bem elaborado das letras dos astros pop, também abertas aos sentimentos cristãos da gente simples, marcos indeléveis do nosso melhor cancioneiro.
Os álbuns do cantor assinalam, pois, cada fase desse tempo, enquanto a vida transcorria no salão enorme das existências, aceleradas pelo progresso industrial da fase econômica. Agora, nos miados eletrônicos da digitalidade pós-moderna, em arquivos mp3 da Internet, disponíveis se acham as inesgotáveis canções de Roberto Carlos, pomos de recordação e saudades, velhas melodias que fizeram a cabeça de milhões e que desfilam atuais seus amores, suas festas, de tantas alegrias, velhos tempos, belos dias.
Aqui eu me pego a falar nisso meio sem jeito, narrando do pouco que restou das impressões motivadas pelos heróis eternos da geração e suas criações guardadas a sete capas nos baús do destino, aprendizado permitido pelas artes na ilustração das histórias do cotidiano coletivo. Então, falar na música, a divina música composta e interpretada por quem sabe produzir com extrema sabedoria, assinala de bênçãos a vida brasileira entre esses dois séculos de riqueza cultural.

Vem aí !


Baseado em história do "Matozinho vai à Guerra"
de J. Flávio Vieira


Um curta de Jéfferson Albuquerque

Estrelando:

Kélvia Maia
Renato Dantas
Orleyna Moura
Cacá Araújo
Jean Nogueira
Franciolli Luciano
Raul Poeta
& grande elenco

Quando Maio chegar !

O apelo feroz dos ditadores - Emerson Monteiro

Nas recentes manifestações da África, quiseram revisar o passado e sonhar com a democracia, indo nas ruas derrubar ditadores ali postos ao peso dos esquemas diplomáticos das potências ocidentais. Nesse instante, um sintoma veio à tona que é saber do quanto os ditadores adoram comandar como nenhum outro que nunca usufruiu do poder. Almas envolvidas nas tramas da ganância, eles enfiam as unhas no lombo dos conterrâneos e agarram quais gaviões raivosos. Sugam a lama do que restou dos direitos humanos e impõem regimes de força a troco da fraqueza dos que confiaram neles e lhes permitiram chegar ao topo da pirâmide social. Nisso, exploram o produto nacional bruto em proveito próprio. Descem o malho no povo e sacodem os chãos, feitos cavaleiros do Apocalipse. Recebem armas, adquirem parceiros à custa dos aliciamentos, cedem bens vitais dos países e deflagram trágicas guerras que enchem os cemitérios e os noticiários. Escondidos nas camarinhas de palácios enormes através dos vícios e das maldades, durante passeios elaboram o discurso com que alienam as suas vítimas. Monstros apegados à força bruta, logo constroem prisões inexpugnáveis e alimentam a máquina da propaganda para manusear perversas maquinações. Ah, os ditadores, esses chicotes dos imprevidentes que lhes deixaram subir ao trono, ou facilitaram meios disto acontecer. Há quantos séculos se repetirá a cena... Peças de reposição dos impérios, negociam a safra das vidas e populações nos mercados da perdição, a troco do fanatismo imposto pelas facilidades recebidas. Quem abrir um livro de história observará essas anomalias da espécie humana, esses aleijões dos crimes hediondos. Por trás de toda guerra existirá um ditador, coringa da ignorância dos valores e dos bons princípios da paz, espécie de assombração à ordem natural das coisas, espantalho da regularidade no papel violento dos que desmancham prazeres. Enquanto isso, na velha participação e nos vários continentes, de uma hora para outra, o desaviso das pessoas, e lá estão eles de malas prontas para entrar no jogo de empurra da política. Abrir os olhos e guardar as lições será dever da cidadania, que nunca relaxe e se sujeite sem observar que, nas encostas das sombras, esses carrascos fedorentos analisam um jeito astuto de abocanhar o festim. Longe, em países afastados, maus exemplos de tiranos em queda apareceram nos acontecimentos recentes. Agora reduzidos a cinzas, mas que serviram de espinho de garganta na intenção de vender o que saqueavam das gentes que exploraram décadas a fio.
Consciência pública requer atitude, o que nem todo dia se dispõe o comodismo das massas. Contudo, depois retornam aos seus afazeres e devolvem aos terceiros seus destinos, e passam a morar em cima dos barris de pólvora. Manter a estabilidade social é bem comum, toda hora, todo tempo. Os turnos eleitorais servem de base para deter essas ambições de tais mentalidades doentias. Cuidado dobrado, pois, nas eras de calma; e trabalhem as lideranças no sentido de reger o futuro, numa construção favorável aos bons costumes.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

SOPA DE LETRAS



Breve !


















Lançamento em Maio !

Livro Infantil / CD Músicas / Audio-Livro

Uma Celebração à Mitologia Caririense



Livro/ Letras - J. Flávio Vieira

Projeto Musical :

Luiz Carlos Salatiel
Abidoral Jamacaru
Lifanco
Amélia Coelho
Pachelly Jamacaru
Ulisses Germano
Luiz Fidelis
João Nicodemos
Zé Nilton Figueiredo

Intérpretes Convidados:

João do Crato
André Saraiva
Eliza Moura
Mazé (Reisado de Dedé de Luna)
Valéria Santana ( Reisado de Dedé de Luna)
Leninha Linard
Ermano Morais
Fatinha Gomes
Coral : Mensageiros de Cristo (Ponta da Serra)
Lívia Beatriz

Arranjos:

Ibbertson Nobre

Músicos:

João Neto
Ibbertson Nobre
Bonifácio Salvador
Rodrigo
Lifanco
Golerim
Dudé
Betim


Audio- Livro

Luiz Carlos Salatiel
Fernanda Cardeal



Aguardem !





SI VIS PACEM, PARA BELLUM

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Judas


Malhação AsSUSta?


Pois é, amigos, contra fatos não há argumentação que se sustente. Este ano o Judas de Crato vai ser o SUS—o Sistema Único de Saúde. A eleição foi aberta e envolveu mais de treze mil eleitores, segundo notícia divulgada amplamente na imprensa regional. O SUS terminou eleito com mais de um terço dos votos apurados, vencendo os Políticos Corruptos, Muammar Kadafi, o Tsunami do Japão e os Candidatos Paraquedistas. Pela concorrência abatida nas urnas, dá para se ter uma idéia da antipatia da população para com o nosso Sistema de Saúde , já com a maioridade dos 21 anos e que simplesmente a vem decepcionando dia após dia. O descontentamento pode ser aferido a todo instante pelos noticiários: filas intermináveis, pacientes internos em macas e corredores, falta de leitos nas UTI´s, emergências superlotadas, gestantes dando à luz nas calçadas e ambulâncias. Os mais otimistas haverão de argumentar que a amostragem da pesquisa foi pequena, mas tenho a plena certeza de que o resultado não seria diferente se ampliássemos o universo a ser pesquisado. O SUS iria para o cadafalso da mesma maneira e teria seus miolos esfacelados em praça pública.

Apropriemo-nos da aura de santidade desses dias e reflitamos um pouco sobre a eleição. O resultado , claro, é indiscutível, mas merecerá, o nosso Sistema Único a pena de morte imposta pelo tribunal popular? Bem, como profissional de saúde há mais de 30 anos, sinto-me no dever de não lavar as mãos. Sei que, historicamente, o povo tem uma certa predisposição para privilegiar os Barrabás dessa vida. Não serei um Pilatos, embora corra o risco de deixarem também alguma cruzinha de sobra também para mim.

Criado com a Constituição de 1989, o SUS foi arrancado a fórceps do ventre do capitalismo. Para que se alcançasse esse benefício foi necessário que muitos fossem torturados, presos, assassinados. Nada nos foi dado, mas conquistado com sangue, suor e lágrimas. De repente, se viu o estado na obrigação legal de prover a saúde da população de forma universal e integral e, mais, tendo, necessariamente, que ouvir os ditames do povo através dos Conselhos de Saúde. O sonho, sabíamos desde então, era vultoso, imenso, quase que inatingível. Mas pela primeira vez, na história, o Brasil se via na imposição legal de assumir a saúde dos brasileiros, como nunca o fizera em quase quinhentos anos. Os avanços não são tão fáceis de se perceber, mas foram enormes e insofismáveis. Acabamos praticamente com todas as doenças de controle vacinal: pólio, sarampo, coqueluche, difteria e tantas outras patologias, sumiram da face do nosso país. As novas gerações não percebem isso porque simplesmente não conviveram com essas doenças que são do passado, hoje, por conta do SUS. A Mortalidade Infantil – uma tragédia nordestina histórica—foi reduzida de maneira drástica: cadê os enterros de anjos? Acabaram-se os indigentes, todos , agora têm acesso ( limitado, eu sei) aos exames dos mais simples aos mais sofisticados e aos tratamentos mais avançados: transplantes, cirurgia cardíaca, Neurocirurgia, hemodiálise, todos hoje existentes já no Cariri. Os medicamentos são distribuídos através das Farmácias Básica e Popular. O Programa de Agentes de Saúde e de Médico da Família aproximaram os profissionais dos seus pacientes e levaram médicos/enfermeiros/dentistas aos mais distantes rincões desse país. E, mais, criamos um imenso banco de dados epidemiológicos que facilitam imensamente as ações estratégicas de saúde. Em Crato, no ano passado, a maior causa de Morte foram as doenças cardiovasculares, em segundo as causas externas ( acidentes, homicídios, suicídios) e, em terceiro os cânceres. Estes dados não são diferentes dos países desenvolvidos.Apesar das seguidas epidemias de Dengue, não tivemos nos últimos anos um óbito sequer pela forma Hemorrágica( só este ano já tivemos três casos). Tudo isso seria impossível sem o rapazinho que vai ser malhado no próximo domingo.

Por que, então, a má fama do SUS? É preciso entender que o sonho de dar saúde integral e universal para duzentos milhões de habitantes bate num empecilho: financiamento. Cadê dinheiro para cobrir essa utopia? Verba limitada, os investimentos são alocados prioritariamente para a prevenção, o que é mais que perfeito. A área de alta complexidade como diálise, transplantes, cirurgias complexas, é cara e não pode ser limitada sob pena de se condenar um mundão de pacientes crônicos. O corte, então, foi feito justamente no setor secundário: o atendimento nos hospitais secundários. Essa limitação redundou no colapso da rede de urgência/emergência, com muitos hospitais fechando as portas e os doentes sendo penalizados todos os dias com desassistência, filas , espera, sofrimento e morte. São justamente esses sofredores e desassistidos que votaram pela malhação do grande vilão que vêem pela frente: o SUS.

Em solidariedade ao sofrimento do povo, até concordo com a malhação. Acredito que a politicagem rasteira ( pai de todos os males) é que mereceria ser enforcada, mas : vá lá ! Temo apenas pelo simbolismo. Pode passar a idéia que o melhor é matar, estraçalhar o SUS. É imprescindível não esquecer os seus avanços e a melhoria na qualidade de saúde da população. Para que tenhamos um SUS realmente eficaz , o caminho já foi descoberto. É luta! Um embate político para fazer com que o tema saia dos palanques e entre na vida real. A continuação da luta de tantos presos, mortos, torturados. E que pode ser encetado como na malhação : pelo voto livre e consciente. Colocar o pé na porta para que ela não se feche novamente para a o povo e empurrar forte para que tenhamos financiamento adequado e gestão eficiente. Precisamos do aperfeiçoamento e financiamento adequado do SUS e não da sua dissolução. Quando a bomba explodir dentro das entranhas do Sistema Único de Saúde, serão os brasileiros mais pobres que serão atingidos por suas farpas e será ele mais uma vez que será malhado, como, aliás, já o vem sendo há mais de quinhentos anos.

J. Flávio Vieira

As Santas Cores de Antônio

VELHAS E ETERNAS AMIZADES!!!!!!!!!!!!!!

Dois lados que se completam - Emerson Monteiro


Essa mania de confrontar, em tudo, por tudo, sujeita encher de tormentas o mar das embarcações, nos movimentos de tornar cinzentas as manhãs até doer nos ossos, a ponto de reverter em drama aquilo que deverá ocorrer de modo sadio, auspicioso. Insistir na tecla de viver em paz consigo e com os colegas chega a parecer teimosia, quando, na verdade, ser alegre e sonhar querendo calma muda o instinto da miséria humana, já que quase esqueceram isso jogado fora, nas ribanceiras do caminho.
Conquanto o mundo às vezes ofereça cantos de carroceria aos circunstantes, a história fala diferente e confirma sequências de acontecimentos suficientes para acreditar nos aspectos positivos, todo tempo. Quanto de heroísmo oculto nos lugares improváveis. Quanta esperança na juventude, nas escolas. Luzes acesas em noites escuras, clareando prosperidades nos céus.
Ver isto, o que a natureza equilibra em forma de organizar condições, nos momentos desencontrados. Olhar aspectos que definam o seguimento das variações, permitindo sorrir e continuar, independente das opiniões contrárias e dos desistentes empedernidos, endurecidos.
Somar pontos favoráveis; significar transposição dos obstáculos, desde que firmes os pensamentos no sucesso dessa longa estrada. Contar, sempre, com as estações felizes, que alternam viagens, no jeito dos alimentos gostosos, repousos e sonos tranqüilos nas madrugadas silenciosas, prazeres familiares e conquistas obtidas. Deixar de fixar os fracassos apenas quais dolorosas perdas, enquanto podem representar lições de esquecer e aprender os efeitos neles contidos. Ninguém, que se preze, repetirá erros dolorosos, no mínimo por instinto de conservação e amor próprio.
A religião de viver elabora, destarte, frutos na casa das consciências, livros abertos da condição das criaturas. Trazer para si dias dourados em jeito de sabedoria. Crescer sobre raízes que estabelecem passos em sentido da formação de novos seres dentro do mesmo ser. Plataformas de progresso. Visões brilhantes, portas abertas ao gosto de conhecer pessoas e descobrir amigos, nas muitas diversas oportunidades. Mundo feliz de existências. Cura de males antigos. Visualizar possibilidades a todo instante, no trabalho, nas ruas, nos pensamentos e sentimentos; estabelecer formulações de imagens mentais qual revelar o mistério da fé nos planos maiores das maiores circunstâncias.
Isto, sim, fomentar mudanças no universo dos objetos de aparentes contradições, no meio das quais circulam pessoas e instintos de satisfação, pois a perfeição dos elementos pulsa na mão tal matéria prima do desejo harmonioso de paz. Gestos e falas que elevam e jamais escondem a eterna força da criação aos protagonistas desta cena, diante do palco infinito das oportunidades, boas e semelhantes às maravilhas.

“Fetiche” – José Nilton Mariano Saraiva

Grosso modo e sem maiores delongas, sob a ótica da Ciência Econômica “fetichismo” seria o artifício de se “dourar a pílula”, valorizando um determinado produto ou mercadoria (aplicando-lhe um caprichado “banho de loja”), agregando-lhe, consequentemente, um valor simbólico ou irreal, calcado na mais pura fantasia, e estimulando, assim, pessoas dos mais diferentes extratos sociais (mesmo aqueles que não têm onde cair morto) a o adquirirem avidamente (pra consumo ou pra presentear alguém), em conformidade com a bem elaborada ditadura do marketing.
O exemplo acabado e perfeito de tal definição se nos apresenta exatamente nesta época de Semana Santa, quando as grandes redes de supermercado literalmente bombardeam os consumidores, via telinha, apresentando-lhes desde o “suculento” processo de produção até a exibição de gôndolas apinhadas de “ovos-de-pascoa” dos mais diferentes e variados matizes, privilegiando: embalagens chamativas e atraentes, tamanhos variados, ovos com com recheio ou não (normalmente um vagabundo “sonho de valsa” de R$ 0,50), e por aí vai. E haja exploração em cima do pobre e indefeso coitado.
E, no entanto, se nos déssemos ao trabalho de friamente analisar a relação “custo-benefício” embutida em transações da espécie, constataríamos a mais absoluta e pura “enrolação”, a desonestidade em essência, bastando para tanto nos darmos conta que uma simplória barra de chocolate, também embalada com esmêro, com o mesmo peso do tal “ôvo-de-pascoa” e de valor nutrivo semelhante, poderá custar a metade do dito-cujo.
Isto posto, não há como deixar de reconhecer que sábio foi o Marx, que lá atrás já profetizara, definitivo: “...o fetiche relaciona-se à fantasia (simbolismo) que paira sobre o objeto, projetando nele uma relação social definida, estabelecida entre os homens”.
E aí, vai um ôvo-de-pascoa, no capricho (de 100 gramas e custando os olhos da cara) ??? Com ou sem recheio especial ??? Quer embalado pra presente ou vai deglutí-lo aqui mesmo ???

terça-feira, 19 de abril de 2011

Personagem

Teve uma visão, e não tinha nada a ver com mediunidade, e vê o em que ainda haverá de ser aceito. E não está pronto.
Tem o corpo fechado, não teme invasores. Sua mãe relutava em convencê-la a dormir coberta, impor medo condicionando à proteção material de um lençol a segurança da mente. Ignorando recomendações, a menina brincava de desafiar as almas mortas, dormia nua ou a saber que no indivíduo vivo há força incalculável, só os torturados sabem, maior um vivo forte que a morte, ou os mortos...devaneios da coragem desmedida de uma garotinha.
Mas a visão era coisa para contar num outro texto, neste era imperioso fabricar a festa com todos os complementos, festa para uma pessoa só. Não duas, uma mesmo. Co-particular, nada estranho. Bebida alcóolica (drogas, como estão designadas), azeitonas e queijos, que o salgado na corrente sanguínea não a deixa esmorecer, tem a pressão baixa...música, dança, uma sessão de alongamentos e uma de provas de roupas, além de caneta, papel...não tudo em todas as vezes, nem nessa sequência escrita, as palavras coisinhas limitadas, o sentir faz o lixo de ser só e único e incompleto ser o luxo da existência. Sentir-se ao avêsso. Estar consigo. Quando se escreve não se está consigo, mas em pensamentos voltados a outros. A solidão é luxo, e nada triste. Luxo também é ter um banco em casa para sentar e pensar, quantos param para pensar sem que esteja numa fila, sem conhecidos por perto? Talvez tenha a palavra "bancos" em algum poema escrito bem antes dessas madrugadas se tornarem tão solitárias, sente um leve mal-estar. Tem a ver com a visão que teve hoje. O corredor. As paredes. Não tocará nesse assunto, fica o ruminar do boi numa metáfora. E amanhã acordar com o corpo cheio de incômodos certamente a levará a perguntar-se se valeu a pena uma noite assim. Apressa-se em ler mais e escrever menos durante os próximos dias, armazenar energia, guardar pensares em gavetas virtuais. Enclausura-se, acha mais seguro não ver gente de frente nem de lado. Em letras. As pessoas pelas letras. E ninguém conhecido.
Oportuna festinha, que está para o espírito assim como um lenço de papel para quem está precisando assoar o nariz, tempo de explorar a criatividade sem livros, sem parâmetros, sem mestres. A poesia por ser uma linguagem concisa ajusta-se aos seus propósitos, não que seja uma poeta, gosta de minimalismos. Como opção ao dizer, sendo o dizer maior que o enquadramento num estilo. Não quer conhecer poetas antigos nem novos, na força das produções do passado nem do presente para o surgimento do novo. O novo sairia do absoluto distanciamento da realidade, tanto menor a influência do conheciemnto adquirido, na mente humana um acúmulo de futuro guardado inexplorado e quantos se dignam a encarar a necessidade de ultrapassar esse tempo atual sem gozar esse pobre período histórico de inutilidade maquiada de distração e lazer tão sedutores. Foge, balançando os cabelos. Nem pensa, atrai pensamento da doce liberdade de olhar uma nuvem, uma ave voando, ouvir os barulhos da madrugada, tocar numa semente, sentir a textura, respirar odores, captar sinais nas frases ouvidas, ler as pessoas mal escritas e bem descritas, e as bem escritas e mal descritas, um paradoxo, flertar a política, decifrar economia, tantas manias, tantas manias...