TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 26 de maio de 2012

COMÉDIA!!!

Dadá - José do Vale Pinheiro Feitosa

Acabo de chegar da rua onde encontrei uma situação humorística. Vinha pela Rua João Pessoa, quase em frente à Siqueira Campos e encontrei meu amigo Mitonho quase que discursando para o grupo com quem conversava. Com voz de amplificadora ele repetiu muitas vezes o seu desejo: Eu quero mesmo é ser o Dadá! 

Fiquei tonto. Mitonho estava com curto circuito no juízo. Há quanto tempo não se ouve falar no Dadá Maravilha. O Peito de Aço que desapareceu nas brumas do tempo e do esquecimento relâmpago da mídia. Qual o quê? O Dadá era outro. Soube pela voz tonitruante do próprio Mitonho. 

Dadá, o Idalberto Matias Araújo, o “grampeiro” mor da lama brasiliense. Dizia Mitonho: “O homem é pau para toda falcatrua. Descobriria até o Segredo de Fátima. Serviu ao SNI, à polícia, a político de “a” a “z”, bicheiro, trambiqueiro. O homem tem um prestígio danado! Ele é como um camaleão: é espião, grava grampos, ele mesmo distribui, é repórter das revistas e televisões mais importantes do Brasil, participa de complôs e de tanta coisa por dinheiro que até o pai eterno duvida. Eu de boca aberta por Mitonho saber tanta coisa assim de um personagem que nós aqui no Crato nem fixamos o nome. Mas Mitonho continuou com seu palavrório em metralha: Dadá serviu ao Amaury Junior para descobrir as falcatruas contra a Campanha da Dilma e era o primeirão na ocasião de derrubar ministro. Dadá este homem de tantos patrões e tantos serviços é a pessoa mais importante do Brasil. 

Menos Mitonho. Menos! Tem coisa muito pior. Quando se descobre um bueiro de esgoto e o cheiro toma conta do ambiente, esse não é o cheiro pior, tem odores muito mais penetrantes e fétidos. Você viu esse Amaury Junior? Leu o livro dele sobre a Privataria das estatais. Rapaz pense num cheiro de queimar a alma. 

Pode ficar calado! – Mitonho está com a macaca mesmo – Eu sei de toda a sacanagem dos paraísos fiscais, das empresas fantasmas e da lavagem de dinheiro. Sou eu quem tem o quê dizer. Você pode confiar em mais alguém? Não! Desde os tempos da bíblia os trinta dinheiros arrebata até a alma do sujeito. Veja este Dr. Tomás Bastos, que foi ministro da Justiça, pode? Que coisa mais sem medidas: agora aparecer ganhando um mar de dinheiro defendendo o sujeito que fu* com o Estado. Ameaçou autoridades, roubou, enriqueceu e não pagou nada de imposto de renda. A renda anual declarada pelo Cachoeira é menor do que a tua: 23 mil reais. Menos de dois mil por mês. E o doutor salta do mister da Justiça do Estado para ajudar a quem desmoralizou o Estado? Será que vai trabalhar de graça para este pobre que merecia a defensoria pública? Sinceramente eu olho para as coisas do mundo e só me vem as imagens terríveis das aves de rapina ou dos animais carniceiros! 

Olhei de lado e vi a placa da Linea Office: qualidade e bom gosto que você merece. Taí uma rápida escapadela da radiadora de Mitonho.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

PELA VITÓRIA DA DEMOCRACIA INCLUSIVA NO CRATO - José do Vale Pinheiro Feitosa

E por falar nas próximas eleições no município de Crato? Abre-se uma esperança enorme que o esperado que nunca chegou afinal chegue à nossa estação com a doçura da rapadura e muito ferro para resistir à pressão de um verdadeiro gigante adormecido. Venha com a vontade do povo, sem preguiça, aqueles finais de semana prolongados de dolce far niente em ensolaradas praias.
   
Que tenha o espírito do seu tempo e sinta o pulso histórico deste município que é fundamental para a unidade do Cariri. Que não se limite a terceirizar as políticas públicas e seja, ele mesmo, os olhos do povo junto à máquina burocrática que deve servir ao povo. Que convoque o funcionalismo municipal para o peso das responsabilidades que lhes cabem como construtores do bem público.

Educação, Saúde, Meio Ambiente e Cultura em igual importância, com políticas articuladas entre si visando fazer mais com o mesmo e acelerar resultados no tempo de realização. O espírito do tempo é este que amanheceu e está acordado, que ultrapassou os limites do círculo de giz que pensava não poder ultrapassar e, no entanto, era uma falsa prisão. Apenas um risco no chão. 

Comprimento o espírito do tempo da minha cidade. Este sentido libertário do nosso povo. A reconstrução otimista de uma nova realidade do cotidiano dos cidadãos. Sem os passos pesados do abandono, do difícil acesso, do pouco para alguns e do nada para todos. O espírito do tempo como vontade de construir, liderar, ser norte e ao mesmo tempo o revisor dos próprios passos e crítico de suas próprias ações.

O professor universitário, crítico e literário Alfredo Bosi falando sobre o lugar das ideologias disse assim: “Durante o século XVIII, início do XIX, o nascente poder liberal conviveu sem pudor com a escravidão.” Mais adiante ao falar do movimento revolucionário francês e do americano, que forçaram um novo pensamento no seio dos liberais ele diz, ao comentar a lei do ventre livre: “A batalha foi renhida, pois a liberdade dos nascituros acabaria sendo o divisor de águas de dois liberalismos em oposição: o excludente, escravista e o democrático, abolicionista”.

Eis o espírito do tempo: a democracia inclusiva. Que radicalize ao máximo, no âmbito do território da minha terra, aquilo que está consagrado na Constituição Brasileira: um Estado Democrático de Direito. E o município é o Estado em domínio de poderes. Mas quando pensar em descansar reserve alguns minutos para criar o museu da memória do liberalismo excludente.       

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Acalanto


No último dia 17 de Maio,  a Academia Cearense de Medicina  resolveu homenagear um dos luminares da Medicina no Ceará : o Dr. Napoleão Tavares Neves. A justíssima homenagem  o fez adentrar nas hostes daquela instituição como Membro Honorário e deixou todo o Cariri de dentes à mostra. As  Academias têm uma enorme importância em elevar ao pedestal figuras de  grande merecimento e que tantas vezes passam quase que desapercebidas na Sociedade. Como organizações humanas , no entanto, têm política própria e tantas e tantas vezes deixam-se influenciar por pressões de grupos e terminam por cometer injustiças e desvios impensáveis. No caso do Dr. Napoleão, possivelmente, houve apenas um pequeno erro de timing: ele já merecia o Título há muitos e muitos anos. Talvez o fato de ter se estabelecido no interior do Estado tenha contribuído para o esquecimento. Todos os que clinicam longe do litoral fazem parte daquilo que se pode chamar Face Oculta da Medicina Brasileira.  Perdura um certo preconceito embutido : aquele mesmo que alimenta o primeiro mundo contra o terceiro, o Sul contra o Nordeste, a Capital contra o Interior. A simples lembrança da Academia para com o nosso Dr. Napoleão já quantifica a importância dele, capaz de dirimir fronteiras  até então intransponíveis.
                                               São 81  anos de vida e mais de 50 dedicados à Medicina. Nascido no Jardim, criado em Porteiras, radicado em Barbalha, Dr. Napoleão nunca se imiscuiu em briguinhas bairristas: como um Confederado sempre compreendeu a unicidade do Estado do Cariri. Percebe claramente que nossas  diferenças são mínimas e necessárias e que existem imensas similiaridades a nos unir. Sempre teve uma visão bastante sociológica  nas questões que envolvem o Juazeiro do Padre Cícero e também a saga do Cangaço.  Todas estas matérias podem parecer distantes da Medicina, mas não para o Dr. Napoleão que faz parte da última geração de esculápios  para quem a profissão médica estava umbilicalmente ligada ao Humanismo. A Sociologia , a História, a Filosofia,  a Geografia para ele são tão importantes para sua atividade como um livro de Anatomia de Testut. Hoje, diante de tanto aparato tecnológico, os novos profissionais esquecem a complexidade da vida que lhe é posta às mãos. Receitam, prescrevem como se estivessem consertando um Rádio ou uma TV. Não conseguem perceber  que além do enfarte, para lá da úlcera,  existe um espírito atormentado suplicando ajuda. Dr. Napoleão, ainda em plena atividade, seguiu sempre o grande preceito Jungiano:  “ Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”
                                               Nosso médico segue uma genealogia profundamente humanística : Dr. Leão Sampaio, Dr. Pio Sampaio, Dr. Lírio Callou, Dr. Joaquim Fernandes Teles, Dr. Joaquim Pinheiro Filho.  Para todos eles, o atendimento era pronto , rápido, independentemente das condições econômicas do paciente.  E são muitas as histórias que envolvem sua vida profissional. Há alguns anos Dr. Napoleão assumiu uma equipe de PSF em Barbalha. Um sobrinho seu, médico, exercia a função de Secretário de Saúde na cidade e foi ele quem me relatou o acontecido. A relação do Dr. Napoleão com ele era de Tio para sobrinho :  uma cobrança pertinaz pelos direitos da população. Falta de medicamentos, exigüidade de exames complementares era uma coisa inconcebível. Um dia , me contou o sobrinho, ele lhe ligou exigindo que mandasse urgente uma Cesta Básica para uma família da sua área que estava sofrendo de uma doença terrível chamada fome.A Cesta era um remédio imprescindível para curar a grave doença. De outra feita, passando pelos corredores da emergência do Hospital São Vicente, ouviu um jovem médico receitando um pobre matuto. A queixa principal era que tinha sido mordido pro uma lagartixa. O jovem esculápio, sorrindo, liberou o paciente: podia ir para casa, não tinha problema nenhum: lagartixa não é venenosa. Dr. Napoleão voltou, chamou o colega e alertou-o. Podia proceder  a aplicação do Soro Anti-Ofídico. Para Lagartixa, Dr. Napoleão ? -- Perguntou o colega confuso. Dr. Napoleão, então, explicou o que a Ressonância Magnética e a Tomografia Computadorizada não diagnosticam : -- Meu filho, o matuto tem a crença de que se disser que foi mordido por cobra, não escapa da mordedura, por isso nunca revela que  foi por jararaca ou cascavel, diz geralmente o nome de outro bicho. O rapazinho voltou e , através de gestos, descobriu a verdade revelada e o Soro salvador foi administrado.
                                               A Academia Cearense de Medicina , no mesmo dia, homenageou muitos Napoleões : o médico, o historiador, o escritor,  o humanista, o orador inspirado,  o pai de família exemplar, o defensor intransigente do Cariri, o humorista fino, a ética de jaleco branco e, mais que tudo : o Homem . É quase impossível conciliar tantas qualidades numa só pessoa. Em meio a tantas, no entanto, acredito que se sobressaia a pessoa do Dr. Napoleão, um exemplo de humildade e generosidade.  Ele  tem uma raríssima doença oftalmológica:  só consegue ver o lado bom das pessoas. Todos a sua volta só têm qualidades: são inteligentes, bons, sóbrios, estudiosos, direitos e alegres. Nunca o vi tecer críticas a quem quer que fosse.Nas conversas com os amigos é aberto, bem humorado e não tem falsos moralismos. Memória privilegiada, carrega consigo uma enciclopédia invejável  de histórias  do nosso doce quotidiano regional. 
                                               Dr. Napoleão já me confidenciou que fica meio cabreiro com as homenagens, segundo ele, elas são sempre um pouco póstumas. Acredito que todos os nossos atos nesta terra sempre o são. A cada noite, nunca sabemos se a música que nos embala é um acalanto ou uma incelença.  Mas diante de uma figura com tanta vitalidade como ele, certamente é a vida que pulsa em cada título que lhe é conferido. Chesterton dizia que há grandes homens que fazem os outros se sentirem pequenos, mas o grande homem mesmo é aquele que faz com que todos se sintam grandes diante dele. Pois bem, meu caro Dr. Napoleão, todo o Cariri se sente enorme, gigantesco  diante da homenagem merecida que a Academia Cearense de Medicina acaba de lhe outorgar. 

J. Flávio Vieira

Cariri Encantano nas comemorações dos 10 anos do Rapadura Culturarte


Desde ontem, quarta-feira, estamos nos festejos dos 10 anos do Rapadura Culturarte que o prof. Jorge Carvalho comanda, levando para as praças da cidade, aos sábados, um elenco de artistas populares (seresteiros, cordelistas, violeiros, dançarinos, calouros, etc.), o que torna ainda mais interessante e festivo o descanso do final de semana.
O abnegado Prof. Jorge Carvalho começou fazendo um programa de rádio "Pelos bares da Cidade" pela Radio Comunitária Expansão (do grande Gomez!) e não parou mais. Foi pra Rádio São Francisco onde fazia um programa musical com os músicos, compositores e intérpretes caririenses (Abidoral, Junior Rivadave, Cleivan Paiva, Pachelly Jamacaru, Zé Newton Figueiredo, dentre outros) e, um pouco adiante, formatou este Rapadura Cultural (hoje Culturarte) que já dura 10 anos.
Na sexta feira,  o  mestre Jorge Carvalho também vai estar no Cariri Encantado-Protagonistas!, o nosso programa radiofônico pelas ondas da Rádio Educadora do Cariri, 1020 Khz, a partir das 14 horas, para recordar toda a memória do Rapadura Culturarte. Depois, iremos para a praça Siqueira Campos para dar continuidade aos festejos dessa data marcante.
Então, agende-se:
Sexta-feira, dia 25 de maio, na Praça siqueira Campos, tudo começa a partir das 9 horas da manhã. Lançamento de Cordel, Violeiros, Batista & Banda, Abidoral Jamacaru e Luia Carlos Salatiel, Fatinha Gomes e Ranier, Lifanco, João Nicodemos, Ulisses Germano, Alvaro Holanda e Banda.
Todos estão convidados!

Poder + Magnanimidade = “Fundação” - José Nilton Mariano Saraiva

Tornou-se recorrente a exposição sistemática, na mídia, de relatos sobre a história de vida de empresários famosos, jogadores de futebol, artistas de cinema, cantores, apresentadores de TV e por aí vai, que, originários de famílias paupérrimas (preferencialmente ex-moradores de favelas), conseguiram construir fortunas jamais imaginadas ou amealharam um capital que nem em sonhos se fez presente.
E por presumivelmente terem vindo “de baixo”, por teoricamente deterem conhecimento do “outro lado” da vida, hoje, “coração repleto de amor ao próximo”, fazem questão de “ajudar os necessitados”, (re)distribuindo o patrimônio com eles, e coisa e tal. Aqui, uma particularidade-questionamento: oriundos de mundos diametralmente opostos e atuantes em atividades que normalmente não guardam quaisquer similaridades, que estranha força é essa que empurraria tais figuras a descobrirem algo em comum, um elo inquebrantável a os unir, uma força a lhes guiarem numa mesma estrada, a magnanimidade ???
E aí é que surge o outro lado da moeda, a “face oculta” da história de todos eles: é que, pra viabilizar tão “desinteressada e generosa” ajuda aos carentes, estranhamente o caminho escolhido é um só (e de mão única): a criação de uma “FUNDAÇÃO” (logo providencialmente batizada com o nome do pai, da mãe ou de algum parente próximo, porque... “sempre se dedicou aos pobres”); algo tocante, comovedor, capaz de derreter corações, levar às lágrimas, enfim, balançar com a estrutura de qualquer mortal-comum. E tome propaganda, exposição na mídia, xaropadas, homenagens póstumas, blá-blá-blá e coisa e tal, a fim de difundir a atitude tomada e fixar a imagem da benquerença da família.
Só que, nas entrelinhas dessa história toda um precioso detalhe sempre é cuidadosa e estranhamente omitido, convenientemente resguardado e nunca, jamais, lembrado: o que realmente se esconde por trás da criação de uma “FUNDAÇÃO” ???  Por que, unanimemente, existe uma espécie de “preferência nacional” por tal caminho, por parte dos ricaços da vida ???
Pois saiba você, aí do outro lado da telinha, que uma “FUNDAÇÃO PRIVADA” (não aquelas que visam resguardar para a posteridade a história de personalidades ilustres) é uma pessoa jurídica NORMALMENTE USADA PARA MANTER A POSSE DE PROPRIEDADES, CONTAS BANCÁRIAS E OUTROS BENS, “SEM QUE A IDENTIDADE DO (PSEUDO) “BENFEITOR” SEJA REVELADA” (em português bem cristalino e objetivo: trata-se de um “enoooorme” saco sem fundo, onde você poderá armazenar não só o patrimônio pessoal, assim como possíveis doações de terceiros, sem que tenha de prestar contas a seu ninguém, e tudo dentro da lei).
Além do que, muito mais que manter a confidencialidade da identidade do “DISTINTO”, uma FUNDAÇÃO PRIVADA tem ainda  (olha só que beleza)  as seguintes vantagens: 01) PROTEÇÃO DE BENS:  bens colocados (ou doados) em uma fundação privada geralmente ficam “FORA DO ALCANCE” DE EVENTUAIS CREDORES que possam surgir, como resultado de dificuldades financeiras, divórcio, litígio, etc;  (legal, não ???); 02) RETENÇÃO DE CONTROLE: a fundação privada permite que você “retenha o controle” (é mole ou quer mais ???) e possa decidir para quem o controle sobre seus bens será entregue quando você não possa mais exercê-lo; 03) ECONOMIA VITALÍCIA DE IMPOSTOS (aqui, o autentico e verdadeiro “pulo do gato”, o objeto de desejo de todos eles): durante toda a sua vida o “benemérito” realizará economias substanciais (estará isento do pagamento) de “IMPOSTOS SOBRE RENDA E GANHOS DE CAPITAL” (que coisa maravilhosa, não ???), como resultado da utilização de uma fundação privada; 04) ECONOMIA EM IMPOSTOS SOBRE HERANÇA: em caso de morte, o imposto sobre herança, que normalmente incidiria sobre o valor de seus bens, “seria erradicado”;  05) CONTINUIDADE: a fundação privada oferece meios pelos quais seus bens podem continuar sendo administrados de acordo com o desejo do fundador, mesmo após seu falecimento, de modo que os membros mais fracos de sua família possam ser protegidos dos demais, do mesmo modo que o membro perdulário de sua família possa ser protegido de si mesmo (já pensou, até depois de você “bater-as-botas” os benefícios permanecem); e 06) EVASÃO DE LEGITIMAÇÃO: uma fundação privada oferece meios pelos quais os seus bens possam ser passados sem percalços para sua “PRÓXIMA GERAÇÃO” sem interrupções, atrasos, custos substanciais, perda de confidencialidade, associada com o procedimento de legitimação necessariamente subseqüente, caso você não utilize uma fundação privada.
Sacaram ??? Entenderam agora o “porque” de tanta caridade ??? A razão de tanto ”desprendimento” ??? A incrível, recorrente e desmesurada avidez à busca de se criar uma “FUNDAÇÃO” ??? Observaram que, no fundo no fundo, quem tem muito não está realmente nem um pouco preocupado com o pobre ou o carente, mas tão somente USANDO-OS como uma espécie de “MOEDA-DE-TROCA” ??? É decepcionante e constrangedor, pois, constatar que a “magnanimidade” incursa no ato de criação de uma FUNDAÇÃO tem “pés de barro”, já que mero papo furado, conversa pra boi dormir.
Portanto, trate de “se ligar”, mantenha as antenas bem direcionadas: da próxima vez que ouvir relatos piegas e lacrimejantes sobre o “enorme coração” de fulano ou beltrano (Xuxa, Raí, Cafu e outros), pense no que está por trás da equação “PODER+MAGNANIMIDADE=FUNDAÇÃO”: muita hipocrisia e segundas-intenções. E tudo isso cuidadosamente acondicionado em embalagens reluzentes e enganadoras. Na literatura da “ciência econômica”, definiríamos tal artifício de “fetichismo”.
Ou será que agora você vai preferir criar sua própria “FUNDAÇÃO”  ???

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ana Rosa Dias Borges - Uma perseguidora de memórias



Vasculhar,compreender e socializar as histórias de narrativas orais populares do Cariri cearense é um dos prazeres da historiadora e pesquisadora cultural Ana Rosa Dias Borges. A Professora reconhece que  “ao preservarmos nosso patrimônio cultural imaterial estamos contribuindo para o aprendizado da cidadania, tão necessário em nossos dias”. Autora do livro “Narrativas Orais no Barro Vermelho” que é um exemplo da importância do resgate da história a partir das relações de pertencimento e identidade 


Alexandre Lucas - Quem é Ana Rosa Dias Borges?   

Ana Rosa Dias Borges - Cratense, contadora de historias para crianças, avó, historiadora, professora, pesquisadora cultural, amante da arte literária, uma misturança só.

Alexandre Lucas – Você já vem desenvolvendo há muitos anos um trabalho de incentivo a leitura. Fale sobre esse trabalho.

Ana Rosa Dias Borges  - Quando trabalhava com editoras comecei a contar histórias para crianças na Rede de Ensino do Recife. Encantei-me com o que vi e senti ao contar histórias. A necessidade de aprofundamento no tema levou-me a cursar uma especialização em Literatura Infanto- Juvenil, que versou sobre os contos orais, das comunidades narrativas orais da Chapada do Araripe. E assim, de posse desse conhecimento teórico , que empiricamente já me seduzia, intensifiquei as ações de incentivo a leitura, publicando artigos em revistas especializadas em Literatura Infanto- Juvenil e Educação, contando as histórias compiladas da Serra do Araripe em bibliotecas e escolas em geral, oferecendo oficinas de formação para educadores em parceria com secretarias municipais de educação e na rede privada de ensino, prestando assessorias pedagógicas, ministrando palestras, sempre disseminando o encantamento que os contos fantásticos provocam naqueles que estão em processos construtivos literários.

Alexandre Lucas – Você é uma pessoa que busca a partir das suas pesquisas sobre narrativas orais criar relações de identidade e pertencimento com o povo.  Qual o significado disso?

Ana Rosa Dias Borges - O sentimento de pertença e identitário inerente ao ser humano são compartilhados por um mesmo grupo social, ou seja, o mesmo imaginário social. De forma que as idéias, os costumes, as tradições e os mitos fundam uma realidade social e deveriam estar presentes nos processos construtivos educacionais escolares, pois ao preservarmos nosso patrimônio cultural imaterial estamos contribuindo para o aprendizado da cidadania, tão necessário em nossos dias. E as narrativas populares orais, tem esse poder. Elas carregam consigo toda essa gama de simbolismo, valorizam no ser sua identidade cultural o que desencadeia os questionamentos necessários relacionados àquilo que somos e o porque do que somos.

Alexandre Lucas – Você lançou o livro “Narrativas Orais no Barro Vermelho”. Como foi esse trabalho? 

Ana Rosa Dias Borges - A artesania do livro Narrativas Orais no Barro Vermelho teve início quando o projeto que enviei ao MINC foi aprovado. Um programa denominado, Micro Projetos Mais Cultura, que contempla iniciativas culturais de cunho popular e abrangência comunitária.

Assim como eu já tinha desenvolvido a pesquisa dos contos populares na Chapada do Araripe e encontrava-me completamente envolvida com o tema narrativas orais populares, decidi dar continuidade ao trabalho, agora na cidade do Crato. A escolha do Alto da Penha, antes Barro Vermelho, se deu em função de ser essa uma comunidade emblemática, estigmatizada, uma das primeiras áreas periféricas da cidade, com um imaginário coletivo repleto de mitos, lendas, assombrações e também a formação de um tecido social interligada a formação histórica do Crato. Ademais, na minha infância, morei muito próximo e desenvolvi laços afetivos e identitários com o bairro.  

Alexandre Lucas – Você desenvolveu um trabalho de resgate da história dos  Dramas na cidade do Crato. Conte essa história.  

Ana Rosa Dias Borges - Quando criança, no Sitio Guaribas, localizado no Sopé da Capada do Araripe, tive a alegria e o imenso prazer de viver toda a magia dos Dramas. As moças do lugar, antes das festas natalinas, apresentavam os Dramas, que eram duetos cantados, em um palco improvisado, ora em cima de um caminhão, ora em cima de uma grande mesa, ora em uma calçada alta

Alexandre Lucas – Você acredita que a história da nossa ancestralidade vem sendo perdida?

Ana Rosa Dias Borges - Embora ocorram movimentos educativos e culturais com vistas a deter esse processo, percebe-se que são iniciativas tímidas e de abrangência diminuta. Muito da nossa ancestralidade histórica se perdeu. Entretanto, os aprofundamentos e as discussões acadêmicas, as ações dos organismos não governamentais nesse sentido e a implantação dessa temática no Sistema de Ensino Regular, vislumbram a contra mão dessa constatação.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?  

Ana Rosa Dias Borges - De certo estarei sempre envolvida em pesquisas que versam sobre as temáticas populares em memória. No momento estou amadurecendo a idéia de outra publicação. Faltam apenas os recursos. Mas estamos na busca e a concretização dessa ideia muito me fascina.





Surto de "pudor" - José Nilton Mariano Saraiva

A moda agora (e haja saco pra agüentar) é abrir espaço nos diversos segmentos da mídia (jornais, revistas, rádio, televisão e internet), para veicular o repentino surto de “pudor-constrangimento-ultrasensibilidade” que se apossou das “rodadas e decadentes” globais Carolina Dieckmann e Maria das Graças Meneghel (também conhecida por Xuxa).
Fato é que a “cambota”, ex-morena e agora loura, Dieckmann (hoje só pele e ossos, a fim de se enquadrar no vigente e discutível “padrão de beleza” midiático), quando ainda era rechonchuda e tinha algo a (ou precisava) mostrar, teria se deixado fotografar em situações mais ousadas e hoje tais fotos estariam sendo usadas pra presumíveis chantagens, porquanto, se divulgadas, constrangeriam o filho adolescente (porque não pensou nisso antes ??). E haja xaropada diária sobre.
Já a Maria das Graças (Xuxa) Meneghel, mais arisca e esperta, pegou um “atalho” que se mostrou de uma eficiência a toda prova: ainda saindo da adolescência, “se mandou” de casa, lá no Rio Grande do Sul, sem lenço e sem documento, e foi conhecer “as Europa” e o resto do mundo, na companhia do jogador Pelé (e é difícil acreditar que o “negão” fazia isso só pelo rostinho bonito da acompanhante). Entre uma viagem e outra, uma pausa para, na esteira do prestígio do “rei do futebol”, aparecer nua em diversas páginas da revista Playboy, então a coqueluche do momento; fez, ainda, um filme erótico-sensual, onde também se valeu da nudez ao contracenar com um “menor” de idade (mais tarde, conseguiu que o filme fosse proibido de ser exibido). Mais à frente, e sempre por indicação do companheiro famoso, finalmente atingiu o apogeu: foi admitida no seletíssimo “cast” global, onde foi brindada com um programa na TV, só seu; e, por incrível que pareça, viu-se transformada, da noite pro dia, numa tal “rainha dos baixinhos” (ô baixinhos azarados). Então, resolveu “juntar as escovas” e partir pra uma tal de “produção-independente” (palavras suas) com um antigo namorado (Luciano Zafir), de quem engravidou e, passo seguinte, conseguiu uma inacreditável e incrível proeza: que a Rede Globo transmitisse o parto “ao vivo e a cores”, para todo o Brasil. Depois disso, achou por bem despachar o “reprodutor” (que se aproveitou para também tornar-se famoso, já que “pai da filha da Xuxa”). É dose, ou não ???
Como não cuidou de se reciclar, eis que, hoje, ao transpor o “cabo da boa esperança” (49 anos, muita farra e também só pele sobre ossos), com o espaço na televisão ameaçado em razão da pouca audiência e do surgimento de uma concorrente peso-pesado para o horário (Fátima Bernardes), bolou (certamente que orientada por alguém de dentro da própria emissora) mais uma jogada de marketing: numa entrevista (gravada, editada e antecipadamente anunciada à exaustão) ao programa dominical Fantástico, “lembrou-se”, repentinamente, sem mais nem menos, que fora “abusada sexualmente” na meninice/adolescência (aí pelos 13/14 anos, segundo suas próprias palavras) daí sua suposta identificação com as pobres crianças carentes (pois é, o “negão” não teria sido o primeiro).
O que a “coitadinha” da Xuxa Meneghel esqueceu (nem o fará, mesmo que pendurada num “pau-de-arara” e torturada por um desses talibãs da vida), foi de declinar o nome do seu suposto agressor sexual. E aí nos vem à lembrança (e os que vivenciaram aqueles tempos sabem disso) um “pequeno detalhe” que, agora, sim, reveste-se de suma importância: durante boa parte da vida, Xuxa Meneghel foi “intrigada” a ferro e fogo do pai (não se falaram durante anos e anos e só recentemente reataram a amizade). Comentou-se, em oportunidades várias, que tal desavença teria se dado em razão do “racismo” do velho, que não admitia de maneira alguma que a filha houvesse se envolvido com um “negro”.
Mas... e agora, que surgiu essa história do abuso-sexual (um crime hediondo), sem identificação do pedófilo-meliante-estuprador ???
Será que...
Será ???

terça-feira, 22 de maio de 2012

Setaro's Blog: Dor e beleza em Carl Theodor Dreyer

Setaro's Blog: Dor e beleza em Carl Theodor Dreyer: A palavra (Ordet, 1954), de Carl Theodor Dreyer: um monumento da arte do filme. Cliquem na imagem para vê-la na sua beleza e dimensão exat...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

“Vitorioso”, mas... “Derrotado” - José Nilton Mariano Saraiva

Embora nos anais da história do futebol já esteja gravado para a posteridade que o time do Chelsea é o legítimo campeão da Liga dos Campeões da Europa (versão 2012), a verdade é que a vitória do time inglês constituiu-se uma derrota para o futebol. Sim, porque o que vimos os “azuis” apresentaram, principalmente nas partidas contra o Barcelona (time espanhol que joga e deixa jogar) e na final contra o Bayern (esquadra alemã também por demais limitada) foi o antijogo, a anticriatividade, o antifutebol, o defensivismo desbragado, enfim, a absoluta falta de respeito aos que compareceram ao estádio, bem como aos milhões de telespectadores amantes de um “VERDADEIRO” jogo de futebol. A pequenez da postura em campo (que alguns equivocadamente confundem com humildade) e o artifício de atrasar o jogo “ad infinitum”, mostradas pelo Chelsea a cada partida disputada, depõem definitivamente contra o título conquistado, por configurarem covardia em “estado latente”. Ou alguém teria uma definição mais apropriada para um time que não tem o menor constrangimento de postar TODOS os seus jogadores, durante todo o jogo, atrás da linha divisória do gramado (ou em seu próprio campo) como se fosse proibido chutar uma mísera bola em direção ao gol adversário, ao tempo em que não permite que quem esteja disposto a jogar, o faça ???  Alguém poderá advogar seja esse um esquema eficiente, já que findou por levar o time à vitória final. Só que, ganhou sem convencer (porque nada jogou) e,  principalmente, porque mostrou ao mundo uma filosofia e uma postura de incompetência, de derrotado, de covarde, já que sempre à espera que um lance fortuito, um aborto do destino para que a coisa fosse resolvida (e infelizmente isso aconteceu) em cobranças de penalidades máxima (onde nem sempre vence o melhor). Uma coisa ficou demonstrada: as sofríveis e magérrimas vitórias dos ingleses representam, em verdade, a derrota da essência do futebol, do gol, da alegria de ver a rede balançar, da explosão de alegria de toda uma torcida.                                                              Enfim, trata-se de um “VITORIOSO”, MAS... “DERROTADO”.        

domingo, 20 de maio de 2012

A "construção" de um candidato - José Nilton Mariano Saraiva

Assim como o “LEITOR” expedito há de ter a perspicácia de encontrar “detalhes” incertos nas entrelinhas de um texto a fim de compreender o conjunto da obra, ao “ELEITOR” cabe a tarefa de entender que na “construção” de uma candidatura política se escondem inusuais nuances. Sim, porque como no serpentário que é a arena política vige a desfaçatez, a hipocrisia e o cinismo, com toda a gama de conseqüentes resultados propiciados, o terreno torna-se fértil para variadas elucrabações ou à semeadura de culturas às mais exóticas.
Aqui em Fortaleza, por exemplo, todos os dias surgem especulações sobre se será mantido ou não o acordo que já vige há anos entre a atual prefeita da cidade (Luizianne Lins) e o Governador do Estado (Cid Gomes), cujos grupos se apoiaram mutuamente nas respectivas eleições pretéritas (para a Prefeitura e para o Governo), o que foi fundamental para o sucesso de ambas as empreitadas.
Só que, agora, às vésperas das eleições municipais, a cultura endógena foi posta de lado e surgiu um fator exógeno, uma célula cancerígena por demais perigosa, que poderá “melar” a união governador/prefeita: é que, como está desocupado já há bastante tempo, o irmão do Governador, Ciro Gomes, arranjou com o próprio para que fosse nomeado “consultor” do PSB (regiamente remunerado) embora ninguém saiba o que na prática isso significa.
Fato é que, como não existe detalhamento ou exigências do que fazer na nova função, o governador acabou por ganhar um “inimigo-íntimo” com potencial para lhe criar sérios problemas.  Explica-se: pressentindo que o irmão mais novo começa a afrouxar o laço, que as rédeas da coleira de repente folgaram, o irmão mais velho resolveu obstar tal perspectiva, não permitindo que o “caçula” liberte-se do seu jugo (já que responsável pela “construção” política de todo o clã Ferreira Gomes: a ex-mulher e mais dois irmãos lhe devem o acesso à vida publica e, por extensão, aos polpudos salários que recebem).
Autocrata de primeira hora, prepotente, arrogante e não acostumado a ser cobrado ou questionado, Ciro Gomes entende que, mesmo sendo Cid Gomes o presidente do PSB, ele é que tem que mover a peça determinante do xeque-mate que definirá que o partido lance candidatura própria à Prefeitura de Fortaleza; portanto, o acordo entre o PT e PSB estaria a equilibrar-se no fio da navalha. E a sinalização do Governador, por excesso de respeito ou por reconhecer a ascendência do irmão sobre todo o clã, é de que entendeu o recado, já que teria baixado a guarda e passivamente admitido as novas regras impostas. 
Isso posto, num primeiro momento, enquanto fala de “fidelidade” e faz juras de amor no tocante à aceitação do candidato do PT e da Prefeita, Cid Gomes trata de lançar “balões de ensaio” de uma possível candidatura do PSB, borrifando a discórdia e embaralhando o quadro sucessório. Primeiramente, se falou no nome de Camilo Santana como candidato preferencial (que parece não ter entusiasmado); depois, surgiu o nome do neófito Deputado Roberto Cláudio, atual presidente da Assembléia (e outros virão).
Só que tais figuras não passam de “bucha de canhão”, autênticos “bois-de-piranha”, porquanto o verdadeiro “queridinho” dos irmãos Ferreira Gomes parece ser o senhor Ferrúcio Feitoza, até outro dia um ilustre desconhecido de gregos, cearenses, troianos, moicanos e por aí vai.  O que fazer para tentar viabilizá-lo junto à mídia e à população, já que um desconhecido ??? Ora, como Fortaleza será uma das sedes da Copa do Mundo, em 2014, simplesmente colocá-lo como Secretário Estadual Especial para a Copa do Mundo, encarregá-lo de cuidar da reforma do Estádio Castelão (única e exclusivamente), delegar poderes para que represente o Governador em reunião da FIFA e, mui principalmente, abarrotá-lo de dinheiro, muito dinheiro, dinheiro a perder de vista, a fim de que, em tempo recorde, surja como o primeiro do Brasil a cumprir o cronograma da FIFA, entregando a “Arena Castelão” antes do prazo. A partir daí, usar de forma competente a mídia (onde o Secretário tem amigos em postos chaves) objetivando mostrá-lo como um gestor jovem e competente, um administrador sagaz e dinâmico e, portanto, capaz de gerir a própria cidade de Fortaleza. Tai, como se constrói um candidato, vapt-vupt.  Ou será que se o senhor Ferrúcio Feitoza fosse responsável pela esquálida Secretaria da Agricultura ou da Pesca, teria o mesmo destaque, o mesmo generoso espaço midiático ???
Mas...será que administrar uma cidade complexa e do porte de Fortaleza, guarda alguma similitude com o se administrar a reforma de um mero estádio de futebol ??? Ou, ainda, será que outra pessoa, um técnico, colocada na mesma função hoje exercida pelo “queridinho” dos Ferreira Gomes, não teria feito igual ou melhor, em lhe sendo garantida a mesma montanha de dinheiro, o mesmo oceânico fluxo monetário, a mesma exposição na mídia  ???
Ante o exposto, não tenham dúvidas: a aliança PT/PSB dificilmente vingará aqui em Fortaleza, de vez que o candidato do Governador à Prefeitura de Fortaleza tende a ser o agora “midiático” Ferrúcio Feitoza. A não ser – e prestem atenção nesse “detalhe” - que o ex-presidente Lula da Silva e a atual presidenta Dilma Rousseff entrem no jogo e convençam Cid Gomes a não participar da “conspiração” arquitetada pelo mano Ciro Gomes (ainda hoje um pote até aqui de mágoas por não ter conseguido ocupar o Ministério da Saúde, seu objeto de desejo).
Agora, uma particularidade: existem rumores de que o PT aceitando o candidato imposto pelos Ferreira  Gomes, aqui em Fortaleza, o Governador (ou o PSB) abdicaria de lançar candidato no Crato, apoiando “full time” o candidato que o PT cratense indicar. E agora, José ???   

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Setaro's Blog: Gregory Peck: legenda do cinema: Os chamados ídolos da tela, título de um álbum de figurinhas que apareceu nos anos 50, gerando coqueluche, praticamente já desapareceram...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Os Sinos


A morte de cada homem diminui-me,
porque sou parte da humanidade. Portanto,
 nunca procure saber por quem os sinos dobram;
eles dobram por ti.
John Donne

                                               Recentemente vários colegas se juntaram ,atônitos e desconsertados, no velório de um amigo,  contemporâneo dos doces enlevos da adolescência. A morte traz consigo aquela mescla dúbia de sentimentos: estupor, curiosidade, pesar, angústia, dúvida. A inevitabilidade da chegada da sombria Dama da Noite nos impele diretamente à perspectiva futura do nosso próprio fim. Como pôde acontecer tão prematuramente ? Por que  levar uma pessoa tão cheia de vida? Por que é tão árduo construir e tão simples para demolir? Que mistério nos aguarda do outro lado do umbral ?  Até os mais crentes e religiosos, no fundo do coração, carregam consigo, um ponto de interrogação em feitio de cruz. Mesmo os que têm a plena certeza da transcendência , ante o mistério insondável batendo à porta, sempre se deixam invadir pelo biológico instinto de preservação. Um dos colegas do banco de escola lembrava como percebia o ciclo da vida. Começamos indo ao velório dos avós , depois , sem que percebamos, passamos a acompanhar o esquife dos nossos pais e depois , finalmente, o funeral dos próprios companheiros. Nesta última fase, queiramos ou não, perfilamo-nos todos na linha de tiro, sem nenhum escudo adiante, aguardando apenas o disparo e a pontaria ruim ou mais afiada  da velha da foiçona. Todos portando imensos rabos de palha, como não se agoniar vendo o incêndio enorme varrendo a coivara vizinha ?
                                   O desaparecimento do amigo nos joga na cara verdades que teimamos em não enfrentar. A vida é curta demais para a imensidão do sonho que carregamos. Despendemos ainda o tempo mínimo e precioso com iniqüidades, com coisas pequenas, com trabalho excessivo, com encucamentos desnecessários, tentando resolver problemas insolúveis ou auto-solucionáveis. Vamos pondo nas costas uma imensa carga de ódio, remorso, arrependimentos, ambições, aspirações inalcançáveis e inúteis e a travessia ,que por natureza já é breve,   assim vai se tornando ainda dolorosa e insuportável.  Quando o castelo de areia vizinho ao nosso é engolido pela preamar,  despertamos para a devastação próxima e inevitável do nosso forte, ainda em mero projeto, e já pronto a ser lambido pelas águas. No fundo, não é a morte que tememos, mas o simples arremedo de vida que conseguimos moldar com as poucas horas que nos foram disponibilizadas.
                                   Os crentes me asseguram que no final dos dias todos nos reuniremos novamente. Os espíritas me tranqüilizam dizendo que  teremos outras oportunidades em outras vidas que virão adiante. Muitos me oferecem terrenos no céu e me oferecem ainda um número incontável de virgens a escolher – se for chamado apenas velhinho como pretendo, ainda terei disposição para o desfrute ? Outros me ameaçam com  o a fúria de um deus irascível e o terrível clima do inferno, se eu tentar fazer minha travessia terrestre mais prazerosa.
                                   Já tenho preocupações demais para este mundo. Se do outro lado da porta , existir um outro, surpreso,  tentarei fazer o melhor possível por lá, exatamente como tentei proceder por  aqui. Por enquanto vou cuidando da carne, quando for só osso tentarei arrumar a ossada  como melhor me convier. Cantar e dançar na praça antes que os sinos dobrem. E mais tenho que fazê-lo, agora, com responsabilidade dobrada,  por mim e por aqueles que foram ficando no caminho, como se suas vidas continuassem na minha  e se elas já foram curtas pela própria natureza, não têm necessidade nenhuma  de serem pequenas. 

J. Flávio Vieira