TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A tal da "emancipação" - José Nilton Mariano Saraiva

Dos 5.564 municípios distribuídos pelos diversos Estados da federação, mais de 90,0% tem como principal fonte de renda o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), transferência de recursos do governo federal sem a qual não fechariam a contabilidade.

Por essa razão, afigura-se-nos um equívoco sem tamanho que o Legislativo brasileiro (Câmara e Senado) tenha aprovado e encaminhado para sanção do Executivo (Presidência da República) lei chancelando a emancipação (transformação) de 180 distritos em novos municípios.

Afinal, sabendo-se que a arrecadação dos diversos impostos municipais representa tão somente 5% da receita de uma prefeitura, como irão manter a estrutura burocrática necessária para pagar Prefeito, Vice, Câmara de Vereadores, Secretários e o funcionalismo em geral ??? O que sobrará para ser investido em obras e serviços ???

Além do que, há de se levar em conta que a lei estabelece um novo rateio no âmbito dos próprios estados no caso de criação de novos municípios, qual seja: as nascentes urbs terão coeficientes individuais fixados pelo TCU, que entrarão no levantamento de cada estado para a divisão dos recursos, levando, conseqüentemente, à redução das cotas individuais das demais comunas (as já existentes).

Assim, dando com uma mão e tirando com a outra, nada mais temos do que a famosa “socialização da miséria”, porquanto simplesmente  dividir-se-á o mesmo bolo com novos e famintos usuários.

Alfim, um detalhe desalentador: estudos preliminares estimam um impactante aumento de R$ 9,0 bilhões (mensais) nos gastos públicos com a criação dos novos municípios. Valerá à pena, tendo em vista que transformar-se-ão em meros currais eleitorais de políticos profissionais, ao longo do tempo ???


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A latrina no horário nobre



J. Flávio Vieira

                                               Uma polêmica divide a classe artística do país: deve-se exigir ou não autorização dos interessados,   em casos de biografias ?  O Código Civil, atualmente, reza que qualquer cidadão pode impedir a publicação de biografias a seu respeito, se se sentir atingido na honra, boa fama ou respeitabilidade ou se se destinarem as biografias a fins comerciais. Atualmente, existem impedidas de publicação biografias de : Raul Seixas, Roberto Carlos, Guimarães Rosa.  A Associação Nacional dos Editores de Livros, no entanto, entrou no Supremo Tribunal Federal com uma ADIN ( Ação Direta de Inconstitucionalidade), justificando que a proibição das biografias não autorizadas fere frontalmente o preceito constitucional da Liberdade de Pensamento. Artistas se posicionaram, imediatamente,  em falanges diferentes. Um grupo importante chamado “Procure Saber” que inclui : Milton Nascimento, Erasmo e Roberto Carlos ,Chico Buarque, Caetano Velloso, Djavan, Gilberto Gil dentre outros, é frontalmente contrário à ação; já o GAP ( Grupo de Ação Parlamentar Pró-Música) que engloba músicos como Frejat, Alceu Valença, Léo Jaime, Leoni e Dudu Falcão entendem que as biografias devem ser produzidas sem necessidade de prévia autorização.
                                               Não sendo advogado, percebo que o embate não diz respeito, apenas aos simples pontos levantados nas notícias : Direito à Privacidade X Liberdade de Pensamento. Há , certamente, junto a tudo isso a importante questão do Direito ao uso da imagem. Artistas célebres e famosos não se conformam, claro, que suas vidas sejam expostas sem sua autorização expressa e, mais, alguém (biógrafos e editores) lucre fartamente com isso , sem que nem um centavo cai na caixinha do artista.  Os defensores da liberdade biográfica dizem que  se o biografado se sentir atingido de alguma forma, poderá ir à justiça em busca de indenizações por danos morais ou por conta do uso indevido da imagem, sendo, no entanto, necessário lembrar a lerdeza da justiça brasileira. Muitos, por outro lado, já deverão ter falecido e já não terão voz para se defender e apresentar outras versões mais palatáveis que as apresentadas pelos jornalistas.  Além do mais, em caso de difamações ou calúnias,  a simples indenização não cobre o dano terrível muitas vezes causado pela veiculação de uma notícia escabrosa ( mesmo que verdadeira). Uma vez quebrado o colar de pérolas,  já não é  mais possível refazer e montar  todas as peças.
                                               Se a gente observar direitinho os dois grupos, são justamente os artistas mais  midiáticos e importantes do país que se posicionam contra o liberou-geral. Certamente, são eles que mais têm a perder nesta questão. Serão os mais biografados e suas vidas as mais especuladas e dissecadas. Quanto mais podres encontrados : mais mídia, mais polêmica e mais Best-Sellers.
                                               Vou meter minha colher nesse angu de caroço. Sinto-me a antítese do biografado. Minha vida não daria sequer um cordel e empacaria a venda em qualquer barraquinha de feira. Sem glamour, sem aventuras mais pitorescas, sem tramas rocambolescas, percebo minha clara isenção para falar do melindroso assunto. Não há vida que sejam livros abertos, amigos. Todos nós temos nossas páginas pregadas com goma arábica no meio do tomo. Se escarafunchar mesmo não existem heróis nesse mundo : nem santos, nem valentes, nem honestos sem máculas. Cada um de nós carrega o Dr. Jekyll e o Dr. Hyde bem pertinho. Às vezes, um simples e mínimo defeito físico nos tortura, uma deformidade de caráter, uma orientação sexual nos atravanca a vida. Mesmo a Liberdade de Pensamento, como bem maior, tem lá seus limites. É justo , por exemplo, em nome dela, estimular o preconceito? Defender o Nazismo ? Propalar o extermínio por fogo dos moradores de rua ? A privacidade de cada um de nós é um Direito Sagrado. O que se passa na alcova e no banheiro só a mim interessa. Ninguém tem o direito de invadir este espaço, sem meu franco consentimento e tornar públicos segredos que só a mim interessam. Isso não é Bulling ?
                               As histórias trágicas envolvendo até mesmo Memórias de Família são corriqueiras. Pedro Nava, o maior memorialista brasileiro, fala da quantidade de inimigos que arranjou na própria parentada, quando começou a traçar o perfil pouco abonador de alguns ascendentes. Recentemente, um escritor na região , num livro sobre a sua vida, mostrou uma visão própria e desabonadora do próprio pai: foi motivo suficiente para a intriga de irmãos e sobrinhos. Imaginem tudo isso escrito por terceiros e,  mais: além de chafurdar na latrina ainda ganhar dinheiro com isso?  Como vocês reagiriam lendo a biografia do pai ou avô com detalhes sórdidos de crimes cometidos, de trapaças realizadas às escondidas, de distorções sexuais impensáveis , mesmo que sabidamente verdadeiras ?
                               Há países de primeiro mundo como França, Estados Unidos, Reino Unido e Espanha  onde as biografias não autorizadas são permitidas, mas as indenizações são prontas e rápidas àqueles que sofreram algum tipo de difamação. Aqui, o destino dos caluniados e difamados seria  seguir uma procissão enorme de recursos a processos, enquanto o esterco espalhava-se ventilador afora. Leis de primeiro mundo pressupõe-se sejam aplicadas com justiça do mesmo jaez.
                               Posso parecer retrógrado, mas continuo defendendo que o diálogo entre mim e a latrina não precisa ser filmado e veiculado como atração no horário nobre.

A "fotografia" - José Nilton Mariano Saraiva

Não deve existir coisa pior no mundo para o ser humano do que ser pego no “flagra”, no exato momento do cometimento de algum deslize ou da materialização (prática) de um ato excrescente, não tão convencional, que vá de encontro aos bons costumes e à normalidade. E quando tal situação ou momento é “imortalizada pela fotografia” (a tal prova provada) e posteriormente veiculada em primeira página num veículo de penetração nacional, como um jornal de grande circulação, por exemplo, o constrangimento de quem a praticou deve ser algo amazônico, capaz até de fazê-lo recolher-se durante um tempo, até que a poeira baixe e os ânimos serenem. Pelo menos pra quem tem um mínimo de “simancol”.

Pois bem, como é de conhecimento público, a última eleição para a Prefeitura de Fortaleza foi pau puro, briga feia, embate acirrado, jogo bruto e pra lá de pesado, com acusações de ambas as partes: de um lado, o candidato da prefeita sainte (Luizianne Lins) e de outro, o candidato do governador do Estado (Cid Gomes). No meio, como fiel da balança e alvo de todas as atenções, quem findou levando a melhor foi o eleitor dos bairros periféricos da capital, porquanto caminhões e mais caminhões, com carradas de “dinheiro vivo”, teriam sido distribuídos na noite anterior ao pleito. E aí, por uma apertada margem de votos (teoricamente comprados) o candidato apoiado pelo senhor Governador do Estado acabou por suplantar o indicado da prefeita.

Vida que segue, compreensivelmente, dia seguinte, as manchetes (garrafais) dos jornais matutinos da capital se referiam ao seu resultado, destacando a minguada vitória de um praticamente noviço na política cearense, o médico e deputado Roberto Cláudio, criação da “grana desenfreada” e da equipe de marqueteiros da máquina governamental (sim, porque se pessoalmente trata-se de uma figura afável, esteticamente é um autentico desastre: baixinho, careca, redondo de gordo e pesando quase 200 quilos).

Pois bem, muito mais que a manchete do jornal em si, o que chamou a atenção foi a “fotografia” colorida de meia página (na primeira página), publicada para ilustrá-la: nela, com um sorriso de orelha a orelha e claramente turbinado por alguma substância milagrosa (excesso de álcool ???), o assessor do Governador, ex-prefeiturável, ex-governamentável, ex-tudo e, por fim, secretário de Governo, senhor Ferrúcio Feitoza, deixara de lado a formalidade do terno e gravata e carregava nos ombros, sozinho e até com certa facilidade, o peso-pesado Roberto Cláudio e seus quase 200 quilos.

Foi o bastante para se compreender o repentino destaque conseguido pelo senhor Ferrúcio Feitoza que, de uma hora pra outra passara a ser “vendido” como um dinâmico e moderno gestor, modelo de executivo a ser cortejado e imitado, tanto que houvera sido mencionado como concorrente ao cargo do agora prefeito eleito; na realidade, cristalizou-se na opinião pública a certeza de que tal figura não passava de um monumental puxa-saco, bajulador asqueroso e sem nenhum escrúpulo.

Meses após, pra seu azar, através das “redes sociais” (sempre elas) o senhor Ferrúcio Feitoza foi novamente “flagrado”, como sempre sorridente, só que dessa vez dentro do carro do amigo Governador do Estado (evidentemente que no banco de carona), num desses passeios em que o chefe do executivo cearense se permite realizar sem a companhia do motorista particular e todo o seu séquito de seguranças.

O “detalhe” curioso da bendita “fotografia”: como que para corroborar o pejorativo “juízo de valor” que houvera sido emitido lá atrás a seu respeito (na época da eleição), o senhor Ferrúcio Feitoza dessa vez levava, não nos ombros, mas no próprio colo, dedicando extremada atenção, carinho e zelo, o “cachorrinho” do chefe (ninguém sabe se chegou a levar alguma “mijada”).  


PUXA (vida, haja) SACO, como pode alguém se submeter a tamanhos vexames, pelo e em nome do poder ???

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A "aposentadoria" - José Nilton Mariano Saraiva

De par com toda a carga simbólica que a envolve (a certeza de ter sido “útil” e de não ter passado pela vida “em vão”), a “aposentadoria” deveria se constituir numa espécie de merecido prêmio àquele que durante boa parte da vida “ralou” duro para possibilitar o contínuo “giro da roda” e, conseqüentemente, o evoluir do processo produtivo; e, como natural contrapartida, o desejável seria a formação de um capital mínimo que permitisse ao aposentando um tranqüilo descanso mais adiante (e/ou pelo menos a sobrevivência com certa dignidade).

No entanto, não só no Brasil, mas, mundo afora, o tal do “capitalismo selvagem” (via globalização desenfreada), literalmente “decretou” que apesar da “bagagem” adquirida (conhecimento) e da experiência acumulada ao longo dos anos (o saber fazer), aquele que se aposenta passa a ser uma espécie de “produto descartável”, verdadeiro trambolho a obstar o progresso dos mais jovens e, pois, passível de descaso e desrespeito por parte dos que “estão chegando” (a “meninada”). Excluí-los, portanto, passa a ser a senha vigente; escamoteá-los, a palavra de ordem; deletá-los de vez, uma necessidade.

Assim, não tenham dúvidas de que a tão badalada “reinserção” do aposentado no processo produtivo, cantada e decantada em verso e prosa, não passa, em verdade, de uma miríade distante, verdadeira utopia (ou enchimento de lingüiça), porquanto as barreiras para tal se apresentam a partir do momento em que o “carimbo” de aposentado é aplicado àquele que passou a vida labutando com vigor (mas que ainda assim se apresenta física e mentalmente apto à luta).  

A propósito, permitimo-nos dividir com vocês, aí do outro lado da telinha, a magistral colocação da escritora francesa Viviane Forrester sobre os dois momentos: aposentadoria (01) e pós-aposentadoria (02).

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Sobre a aposentadoria:

“Tantas vidas encurraladas, manietadas, torturadas, que se desfazem, tangentes a uma sociedade que se retrai. Entre esses despossuídos e seus contemporâneos, ergue-se uma espécie de vidraça cada vez menos transparente. E como são cada vez menos vistos, como alguns os querem ainda mais apagados, riscados, escamoteados dessa sociedade, eles são chamados de excluídos. Mas, ao contrário, eles estão lá, apertados, encarcerados, incluídos até a medula. Eles são absorvidos, devorados, relegados para sempre, deportados repudiados, banidos, submissos e decaídos, mas tão incômodos: uns chatos. Jamais completamente, não, jamais suficientemente expulsos. Incluídos, demasiado incluídos, e em descrédito. É dessa maneira que se prepara uma sociedade de escravos, aos quais só a escravidão conferiria um estatuto.”

Sobre o pós-aposentadoria:

“Longe de representar uma liberação favorável a todos, próxima de uma fantasia paradisíaca, o desaparecimento do trabalho torna-se uma ameaça, e sua rarefação, sua precariedade, um desastre, já que o trabalho continua necessário de maneira muito ilógica, cruel e letal, não mais à sociedade, nem mesmo à produção, mas, precisamente, à sobrevivência daqueles que não trabalham, não podem mais trabalhar, e para os quais o trabalho seria a única salvação”.


Porreta, não ???  

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A “caixa-preta” do Judiciário – José Nilton Mariano Saraiva

De relevantes serviços prestados à sociedade, o Ministério Público Federal do Ceará (um verdadeiro “ninho de cobras criadas”, no bom sentido), empossou na sua presidência, dias atrás, o desassombrado Procurador da República Alessander Wilcson Sales, sem favor nenhum um técnico competente e que prima pela seriedade e transparência nos seus atos.

Tanto é que, anos atrás, em artigo publicado conjuntamente com o também Procurador da República José Adonis Callou (no jornal O POVO), emitiu o seguinte “juízo de valor” a respeito do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, sediado em Recife:

“Na área de jurisdição do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (Recife-PE) é quase impossível investigar fatos ilícitos praticados por agentes postos em elevadas esferas políticas e da economia”, porquanto...“por aqui é muito comum decisões que trancam as próprias investigações”, já que... “quase sempre as decisões dos Juízes Federais de primeira instância, em atendimento a solicitações do Ministério Público, visando à defesa de interesses coletivos, são imediatamente cassadas pelo TRF”.

O que se comenta é que, como na condição de simples “procurador” não lhe faltou coragem de referir-se publicamente à “caixa-preta” do Judiciário, o Governador do Estado do Ceará já estaria preocupado com possíveis intervenções do novo Procurador Geral da República nos vários escândalos que tramitam na Procuradoria da República local, envolvendo o erário público.


A expectativa da sociedade é, pois, que ele “não bata o catolé” e se disponha a ir fundo na investigação das várias denúncias que envolvem o Governo do Ceará, divulgadas pela imprensa já há um certo tempo. 

sábado, 12 de outubro de 2013

"Mistura" indigesta - José Nilton Mariano Saraiva

Ao “esquecer”, por mera conveniência pessoal, o conceito “pejorativo” que emitira a respeito dos “partidos políticos”, aliando-se a um deles (o PSB, que abriga o supra-sumo do que há de mais conservador e sectário), Marina Silva não só decepcionou os antigos companheiros da tal “rede sustentabilidade” como, também, findou por admitir tacitamente se achar disposta a “vender a alma” ao diabo a troco de uma compensação qualquer (sua candidatura a vice); ao desnudar-se por inteira, findou por mostrar que, ao contrário do que pregara e difundira ao longo da sua trajetória, não é nem um pouco “diferente” dos políticos tradicionais, porquanto neo-partícipe do mesmo jogo sujo que os caracterizam. E em assim procedendo, renegando tudo o que pregara, Marina Silva pode ter assinado o próprio “atestado de óbito”, politicamente.

É que, a partir de então, o seu “puritanismo” tenderá a sofrer um corrosivo processo de desgaste, tanto ético como moral, ao aliar-se a práticas e métodos que reprovara no passado, mas que constam do cardápio “pragmático” do novo chefe, Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB. Tanto é que este, de passagem por Belo Horizonte, ao confraternizar com Aécio Neves admitiu formalmente que o seu partido poderá se “misturar”, sim, com outras agremiações na disputa estadual, visando obter ganhos no plano federal.

E mais: na tentativa de viabilizar a qualquer custo sua candidatura à Presidência da República, Eduardo Campos admite a possibilidade de... “nos Estados dividir palanques de candidatos a governador com outros postulantes ao Palácio do Planalto”. Tanto que lá mesmo em Minas Gerais o martelo já teria sido batido, com o PSB já tendo se aliado ao PSDB, no que para ele seria uma mera... “experiência de palanque duplo”.

Em português claro e cristalino: para Eduardo Campos, as alianças estaduais entre PSB e outros “partidos” em torno de um mesmo candidato a governador serão não só toleradas como estimuladas, contanto que lhe traga dividendos mais à frente.


Terá Marina Silva estômago pra suportar tal tipo de “mistura” indigesta ???

A "farra" hospitalar - José Nilton Mariano Saraiva

Definitivamente, o Hospital Regional Norte, construído pelos Ferreira Gomes em sua terra natal (a cidade de Sobral) e que poderia servir de orgulho para os componentes do clã, não tem lhes trazido muita sorte: primeiro, foi a “montanha” de dinheiro pago à cantora Ivete Sangalo quando da sua inauguração (estupendos R$ 650.000,00); mais à frente, a queda da marquise da portentosa obra, recém inaugurada, deixando feridos; agora, uma rotineira auditoria realizada pelo “Ministério da Saúde” constata o desaparecimento de equipamentos comprados pelo Governo do Estado do Ceará, avaliados em significativos R$ 819 mil.

A vistoria foi realizada dias atrás, entre maio e junho de 2013, e não foram encontrados, segundo o relatório, 13 ventiladores pulmonares (R$ 556.385,31), um aparelho de anestesia (R$ 72.962,00), dois Raios-X móveis (R$ 130 mil) e um foco cirúrgico (R$ 59.926,96).

Segundo o relatório... “por falta de localização de equipamentos pagos, o que contraria o disposto na Lei n° 4.320/64, Decreto n° 93.872/86 e o item 10.3 da Instrução Normativa do Ministério da Administração Pública Federal, os valores constam da proposição de ressarcimento deste relatório e totalizam R$ 819.274,27 que, atualizados monetariamente, na forma da legislação, deverão ser restituídos ao Fundo Nacional de Saúde”. 

Partindo-se do pressuposto da seriedade de que se reveste um procedimento de auditagem, e que seus integrantes não iriam divulgar fatos de tamanha gravidade sem que tenham em mãos a competente prova documental, resta saber: a) onde teria ido parar equipamentos tão caros quanto específicos ??? b) quem se encontraria por trás de tal operação-desaparecimento ??? c) o poder público será diligentemente ressarcido e os culpados punidos exemplarmente ??? d) ou o sumiço será encarado como algo “normal” ???


Com a palavra os “danados” dos Ferreira Gomes. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"Marina" ( III ) - José Nilton Mariano Saraiva

Como havíamos previsto, a decisão (solitária) de Maria Silva, parece não ter agradado aos antigos companheiros. Veja, abaixo, o princípio da debandada.

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Aliado histórico de Marina abandona Rede e diz ter feito 'papel de bobo'
Próximo de Marina Silva desde a época do Ministério do Meio Ambiente, o ex-deputado federal Luciano Zica é a primeira baixa entre aliados históricos da ex-senadora por causa da filiação dela ao PSB. Zica decidiu no final de semana abandonar o projeto de criação da Rede Sustentabilidade. "Nossa proposta era a de fazer da política uma nova política. E o PSB não tem métodos menos velhos que os outros partidos", afirmou à Folha. Então filiado ao PT, Zica foi secretário nacional de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente na gestão Marina (2003-2008). Trocou o partido pelo PV junto com a ex-senadora, em 2009. Foi um dos coordenadores da campanha presidencial de Marina em 2010 e, com a saída dela do PV, passou a articular a Rede em São Paulo. Apesar de não ter cargo na coordenação estadual, Zica era um dos responsáveis pela articulação da Rede com prefeitos, vereadores e deputados. Ele diz que sentiu ter feito "papel de bobo" ao tentar convencer possíveis aliados sobre a "nova política". "Passei meio de bobo na história. Não que eu não seja, mas não precisava ficar tão evidente", queixa-se. "Gastei recursos, energia, tempo na perspectiva de que as discussões se dessem de maneira minimamente horizontal, mas na decisão mais importante vem uma pancada, uma decisão profundamente equivocada. Era uma coisa patética ver aquele ato de sábado. Acho que nenhum dos dois [Marina e Eduardo Campos] estava acreditando muito nisso", afirma. Ele diz que tentou falar com Marina "duas ou três vezes pelo telefone" depois da decisão da Justiça Eleitoral que rejeitou o registro da Rede, na quinta-feira à noite, mas diz não ter sido atendido. Depois disso, tomou a decisão de deixar a Rede sozinho. "Fiz igualzinho à Marina: não discuti com ninguém". Apesar disso, diz que continua amigo da ex-senadora e que ela, sendo candidata, terá seu voto, independentemente de partido. Para Zica, o PSB tem dois problemas principais: a identificação com a "política tradicional" e a posição "lastimável" em temas "fundantes" da Rede, como a sustentabilidade. "É uma contradição muito grande. E, ressalvadas poucas pessoas, como a deputada Luiza Erundina, há muito poucos que se diferenciam da política tradicional." Ele diz que defendia que Marina ficasse fora da disputa e tivesse o papel de "consciência crítica" no período eleitoral. Diz que agora pretende se dedicar a uma "militância de causas" e "fazer a campanha de algum candidato que ache interessante"






terça-feira, 8 de outubro de 2013

"Marina" (II) - José Nilton Mariano Saraiva

Mas... até ontem (e de forma veemente) a Marina não cansou de “escrachar” com todos os "partidos políticos”, sob a justificativa de que (ela) seria “diferente” daqueles que os compõem, daí ter criado a sua personalíssima "rede sustentabilidade", objetivando não se “misturar” ???

Então, como justificar que repente resolva se aliar a um “partido político” (e não numa “rede”) que abriga espécimes tão sectárias quanto ultraconservadoras do xadrez político nacional, da estirpe de um Bornhausen (SC), Heráclito Fortes (PI) e Ronaldo Caiado (MT) dentre outros ???

No novo partido, baixará a cabeça, dirá amém e passivamente se deixará enquadrar, aceitando a posição de vice na chapa majoritária, embora nas pesquisas de intenção de voto seu índice seja quatro vezes superior ao do “titular”, Eduardo Campos ??? E se este, mesmo tendo a sua companhia, não “decolar”, terá coragem de “peitar” o neo-companheiro, exigindo a “cabeça-de-chapa”, por exigência dos seus pretensos partidários e eleitores ???

Alfim, seus próprios adeptos poderão questionar:
Cadê a tal ética ???
Cadê a coerência  ???
Cadê a sensatez ???
Cadê o respeito ???

E se as respostas não forem convincentes e consistentes, a tendência é que depois de todo o “auê”, de toda a “rasgação de seda”, de todo o “carnaval” que foi feito pela mídia, os eleitores descubram que Marina não tem nada de “diferente”, e resolvam optar por um outro candidato.

Alguém duvida ???

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

"Marina" - José Nilton Mariano Saraiva

Diferençar o que comportaria, na opinião de Marina Silva, os conceitos de “partido” e “rede”, é tarefa um tanto quanto inglória. Fato é que, comboiada pelos quase 20 milhões de votos que obteve quando da última eleição presidencial (e talvez até mesmo para marcar posição ou guardar distância dos “políticos tradicionais”), quando se dispôs a agregar seus correligionários num mesmo espaço, de pronto Marina Silva afirmou não se tratar de um “partido”, mas, sim, uma “rede”. Daí o surgimento da expressão “Rede Sustentabilidade” para batizar (e tentar fundar) o seu bloco político.

Para formalização de tal desiderato, bastava que dentre os 20 milhões de eleitores sufragantes do seu nome em todo o país, meros 450 mil (ou 2,25%) assinassem um simplório documento a fim de ser apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral. Feito isso, pronto, a Rede Sustentabilidade se acharia habilitada a nos mostrar na prática a tal “diferença” entre ela e os partidos tradicionais, tão alardeada na teoria.

E aí, a oceânica decepção: apesar da elasticidade do prazo, Marina Silva e seguidores não conseguiram atingir o quorum necessário dentro do tempo estipulado, daí o aborto de uma gestação que se lhes apresentava teoricamente fácil e tranqüila. E com um agravante: já nos estertores do prazo final, no afã de viabilizar a qualquer custo a tal “rede”, milhares de assinaturas foram comprovadamente fraudadas e, por via de conseqüência, rejeitadas pelo TSE. É que a ética houvera mandado lembranças.

Daí Marina Silva ter enfrentado uma autentica “sinuca de bico”: pra conseguir se habilitar como candidata a qualquer cargo, no próximo ano, literalmente se viu obrigada a abdicar dos seus princípios morais, ao sentar no colo de um político que usa e abusa do jogo de conveniências e pragmatismo, o pernambucano Eduardo Campos, presumivelmente candidato à Presidência da República, pelo PSB. Este, matreiro e perspicaz, claramente visando o “caminhão” de votos que teoricamente Marina Silva representa, conseguiu cooptá-la até com certa facilidade, ao oferecer-lhe a posição de vice na chapa majoritária.

Perguntas que se impõem: já que não conseguiu nem as 450 mil assinaturas necessárias à fundação da sua “Rede Sustentabilidade”, será que Marina Silva é realmente dona dos 20 milhões de votos que lhe foram destinados na eleição pretérita, ou tudo não passou de fogo em palha ??? Se realmente se considera “diferente” dos políticos tradicionais, não teria sido uma tremenda incoerência da parte de Marina Silva abdicar da sua “rede” (e tudo o que ela representaria) ao filiar-se ao PSB, um mero “partido”, comandado e abrigo do supra-sumo da conveniência e do jogo desleal ??? Onde foram parar a ética e os princípios morais, tão difundidos por Marina Silva ???


Particularmente, entendemos que a estupenda votação obtida por Marina Silva na eleição passada dificilmente se repetirá, principalmente agora, após sua desastrada opção por se aliar ao que antes reprovara com tanta veemência. 

domingo, 6 de outubro de 2013

sábado, 5 de outubro de 2013

A "rede" - José Nilton Mariano Saraiva

Face não apresentar nenhuma “sustentabilidade”, a “rede” onde a frágil Marina Silva pretendia deitar-se findou não podendo ser utilizada, em razão da existência de um sem número de furos no tecido em que seria confeccionada.

É que, embora uma pessoa de boa-fé e índole idem, a acreana se deixou levar pela empolgação e cometeu um erro bisonho: confiou demais e permitiu (talvez até involuntariamente) que aproveitadores de plantão tentassem, em seu nome, ludibriar o Tribunal Superior Eleitoral, via apresentação de milhares de documentos comprovadamente fraudados (fichas de inscrição de futuros associados), objetivando viabilizar um novo partido político, a tal “Rede Sustentabilidade”.

Descoberta a “maracutaia”, a criação da nova agremiação  restou infrutífera, e como o prazo para tal desiderato termina nesse final de semana, a “Rede Sustentabilidade” findou não vingando.  E com um adendo: como o prazo de filiação partidária individual para quem almeja concorrer às próximas eleições também se acha em sua fase crepuscular, a própria Marina (que não está vinculada a qualquer partido) terá que procurar alguma agremiação que lhe dê abrigo a fim de candidatar-se a algum cargo nas próximas eleições (e aqui, antevendo possíveis ganhos futuros, já que Marina obteve mais de 20 milhões de votos quando concorreu para a Presidência da República nas eleições passadas, nada menos que  sete partidos já lhe ofereceram guarida).

Fica a lição: não se estrutura e funda um partido político da noite pro dia, a não ser que já exista um contingente de aproveitadores vinculados a um algum esquema mafioso qualquer e dispostos a - ao sinal do líder – transferir-se em bloco para uma nova agremiação, mesmo que esta não tenha nenhuma similitude com a antiga em termos de coerência programático-ideológica.


E o exemplo nem um pouco edificante de como obter sucesso em tal tipo de abjeta empreitada (já que tendo que jogar sujo), nos foi dado pelo clã Ferreira Gomes, autentico serpentário de cobras venenosas dispostas ao bote a qualquer instante, a fim de atender interesses não tão republicanos. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A "senha" - José Nilton Mariano Saraiva

Numa entrevista onde o “mediador” (involuntariamente) acabou roubando a cena e se destacando por ter que repreende-lo (educadamente) em diversas oportunidades, no sentido de evitar o floreio verbal (vulgo “enchimento de lingüiça”) atendo-se à objetividade nas respostas, o governador do Ceará, Cid Gomes, foi a estrela do programa “Roda Viva”, da TV Cultura, em 23.09.13.

Ainda assim, algumas inconfidências puderam ser “pinçadas” pelo telespectador, a saber:

a) o irmão mais velho, Ciro Gomes é o seu ícone, seu rumo, seu norte, sua bússola, sua referência maior (expressões por ele usadas), donde podemos concluir que exerce, sim, ascendência sobre ele e o seu governo (a propósito, lembram que o Ciro Gomes disse aí no Crato, que o polêmico, desnecessário e milionário Aquarius, seria construído, sim, porque ele assim o queria ???);

b) Cid Gomes literalmente calou-se, perdeu a pose e exibiu aquele sorriso amarelo da criança que é pega praticando uma travessura, ao ser questionado sobre o “porquê” de na ilha de prosperidade que é o Ceará, o IDH ser apenas o 16º do país, num universo de 26 estados da federação (para os menos avisados, IDH, ou Índice de Desenvolvimento Humano, é a medida que serve como referencia do padrão de vida das pessoas, com base na expectativa de vida, educação e PIB per capita); pois bem, sem saída, limitou-se a balbuciar que “nem tudo acontece como a gente quer”, num reconhecimento explícito de que o seu governo não tá com essa bola toda;

c) dizendo-se “praticamente expulso” do PSB, via “tratamento desrespeitoso” do seu presidente, Eduardo Campos, alfinetou que no seu entender este não será candidato à Presidência da República, nas próximas eleições, apesar da rasgação de seda a respeito, por parte do partido e da mídia;

d) instado a expressar-se sobre se tinha planos de mais à frente concorrer à Presidência da República (em 1918), meio que involuntariamente deu a “senha”: Ciro Gomes é o “candidato natural”, na perspectiva de alguém da família candidatar-se à “presidência”, num futuro qualquer; donde podemos concluir que o “aluguel” do PROS pelos Ferreira Gomes tem um objetivo maior e de prazo mais elástico: apoderar-se do partido daqui a pouco e a partir daí tentar alavancar a candidatura do teimoso “messias” Ciro Gomes, porquanto com tempo de televisão e fundo partidário garantidos pela adesão de todo o grupo político; além do que, uma leva de agremiações nanicas certamente com ele cerrará fileiras.


Portanto, Ciro Gomes será, sim (de novo, outra vez, novamente), candidato à Presidência da República, em 1918 (mesmo que por um partido que no nascedouro não tem qualquer linha programático-ideológica). 

Alguém duvida ???

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

"Nosso" - José Nilton Mariano Saraiva

“Com o PROS a gente tem um partido que a gente pode chamar de NOSSO” (Zezinho Albuquerque, presidente da Assembléia Legislativa do Ceará, porta-voz e aliado de primeira hora dos Ferreira Gomes).

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A primorosa definição – inquestionavelmente perfeita e irretocável - é o retrato emblemático do que já havíamos exposto aqui, lá atrás: para o clã Ferreira Gomes, não existe essa “baboseira” de linha programática ou ideológica no que tange às agremiações partidárias. O importante e essencial é que se lhes apresentem como “moeda de troca” e, conseqüentemente, passíveis de serem disponibilizadas para uso (porquanto apenas um “ajuntamento” de figuras inexpressivas, dispostas à subordinação e caprichos de quem oferecer mais).

Sorte grande do fundador do desconhecido PROS, um simplório vereador da escondida cidade de Planaltina-GO, que certamente nunca antes imaginara que o “seu” partido (que tem como única bandeira lutar contra os impostos e cujo estatuto não impõe nenhuma restrição adesista a quem quer que seja, bastando se dispuser a participar), fosse se transformar em tão pouco tempo numa agremiação vitaminada e marombada pela chegada "de uma lapada só" de mais de trezentos integrantes, oriundos do distante estado do Ceará.

É que, como já houvera acontecido no PPS, quando o matreiro Roberto Freire pressentiu que a adesão dos Ferreira Gomes objetivava tomar de conta do partido e recusou-se a entregar-lhes o comando, os irmãos cearenses também foram literalmente expulsos  pelo presidente do PSB, Eduardo Campos, para onde haviam migrado; como no PDT a principal figura, Heitor Ferrer, é um ácido e costumaz crítico do Governador do Estado e irmãos, restou aos Ferreira Gomes “alugar” o PROS, transformando-o num... “partido que a gente pode chamar de nosso” (conforme magistralmente expresso pelo Zezinho Albuquerque).


Como se constata, um campo fértil e propício para que os Ferreira Gomes dentro de pouco tempo mandem e desmandem, casem e batizem, façam e desfaçam ao bel prazer, daí a pragmática escolha.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Gol de Bicicleta



J. Flávio Vieira

                “Quando eu vejo um adulto em uma bicicleta,
eu não perco a esperança na raça humana.”
H.G. Wells

                               Desde as mais priscas eras , o homem buscou, desesperadamente, maneiras de ampliar seus horizontes de mobilidade.  Um bípede perdia de goleada para as outras inúmeras espécies que com ele disputavam os alimentos. Além de tudo, num mundo tão hostil e sujeito às mais variadas alterações climáticas, o poder de deslocamento fazia-se diretamente proporcional às condições de sobrevivência. A invenção da roda levou o Homo sapiens a um pedestal até então inimaginado. E consta que há 2500 anos atrás, o chinês  Lu Ban inventou um dos meios de transporte mais populares da nossa história: A bicicleta. No ocidente , o Barão germânico Karl Von Drais, no início do Século XIX, montou o primeiro rudimento da Bicicleta moderna : o Celelífero que foi, pouco a pouco, sendo aperfeiçoado e já em 1829 se registrou a primeira Corrida de Bicicleta de que sem tem notícia. No Brasil , a novidade chegou no finalzinho do Século XIX , trazida pelos imigrantes europeus de Curitiba.  A paulistana Veridianada Silva  Prado construiu o primeiro velódromo do país, em São Paulo, na  Praça Rosevelt, na Consolação.  Até então, os veículos eram importados, na década de 40 , do século passado, no pós guerra, começamos , por aqui, a fabricação das nossas próprias bicicletas.
                                   Aqui noeram importados, or aqui, a fabricaçerio veleta de que sem tem notorizontes de mobilidade.  Crato,  observando as fotos antigas, não se percebe como freqüente a presença da bicicleta entre nossos hábitos cotidianos. Possivelmente, nossa geografia acidentada, com terrenos cheios de vales e depressões, não tenha propiciado uma disseminação maior desse meio de transporte, com exceção, talvez, dos moradores da Chapada do Araripe, mesmo assim com um uso mais utilitarista do que esportivo.  Após a nacionalização da produção,  já no pós-guerra , a acessibilidade da bicicleta possivelmente se tornou maior . Desde 1948 , temos a Prova Ciclística  de 21 de Junho aqui na nossa cidade. A informação é do nosso  Huberto Cabral. Se há dúvidas, amigos, se foi o Pedro Álvares  quem descobriu o Brasil, não resta qualquer discussão a respeito de uma outra verdade histórica: foi um outro Cabral, o Huberto, que descobriu e vem descobrindo o nosso Crato. Nos anos 60, houve um grande impulso no ciclismo entre os jovens de minha geração, aqui , possivelmente,  pela passagem de um famoso ciclista de Petrolina  – Souza Filho—que veio fazer uma prova de resistência na Praça da Sé, encantando e influenciando toda garotada.
                                   Nos últimos anos, tem se percebido uma grande população de ciclistas esportivos na nossa região. A Chapada do Araripe, nos fins de semana, se vê apinhada de um sem-número de esportistas das mais variadas camadas sociais, com  bicicletas e acessórios  modernos. Importante lembrar que esse novo pico  na disseminação da modalidade esportiva entre nós, começou por volta de 1986. Alguns jovens cratenses – Ernesto Saraiva, Hercílio Figueiredo, Rui Borges --  criaram   a atividade de “Moutain  Bike” , imantados de uma natural consciência ecológica. Preocupavam-se com a devastação da nossa Chapada e da necessidade de educar os caririenses quanto à necessidade diuturna de preservação. O movimento cresceu, ganhou adeptos e, em 1996, por fim,  já com o poder pensante de outros sócios beneméritos : Ricardo Borges, Ney Reny, Ildemário Júnior, Newton Machado, Ricardo Rocha, Alziane Diógenes, Cézar Bandeira, fundaram a “Eco-Biker´s”. A entidade tem, como logomarca , uma Flor de Pequi e, hoje, congrega em torno de 1300  esportistas. Eles mostram, com orgulho, os resultados de um trabalho espontâneo e profícuo : o Tricampeonato Cearense de Moutain Bike 1999/2000/2001 e o Bicampeonato  Nordestino 2002/2003. Atualmente,  a entidade luta pela implementação da Semana da Bicicleta em nosso município entre 16 a 22 de Setembro, culminando, pois, no Dia Mundial sem Carro; além da promulgação da Lei  2844/13 : a chamada Lei das Ciclovias.
                                   Como parece ter se tornado uma regra nesse mundo, as grandes iniciativas  partem, geralmente, de pessoas simples e visionárias. Sem os anteparos das convenções, dos liames políticos, das ganâncias de Mercado, elas conseguem ver adiante da linha do horizonte. O Crato é detentor de um imenso capital ecológico e teima em não entender esta riqueza. Pomo-nos a macaquerar os municípios vizinhos em busca de uma vocação, quando ela brilha  à nossa frente a todo momento na forma de Ecoturismo. A preservação da Chapada do Araripe é uma lástima. Nossas fontes viraram patrimônio particular; nossos rios tornaram-se  esgotos a céu aberto; caminhões carregam madeira todo  santo dia, ladeira abaixo; vende-se carvão em quase toda esquina; vans fazem da Serra do Araripe aterro sanitário. Não existe qualquer educação ambiental para os esportistas que se aventurem pela Chapada. Caberia ao menos uma mínima ação política no sentido de dar uma infraestrutura mínima a esta atividade. Medidas como: demarcar as trilhas , especificá-las e sinalizá-las;  estabelecer uma educação ambiental básica aos visitantes, segurança e primeiros socorros;  regulamentar um comércio mínimo de água, sucos, energéticos, frutas; alocar lixeiras em pontos estratégicos e fazer coleta regular do lixo; incentivar competições esportivas ; formar e educar  guias para os passeios; criar ciclovias; estabelecer parcerias com a URCA, a FLONA, o IBAMA, Fundação Araripe.
                                   O Crato, por inteira falta de foco, vem perdendo de goleada esse  jogo para as outras cidades do Cariri. A  Eco-Biker´s  vem mostrando, há quase vinte anos, que é possível virar esse placar ,  fazendo um gol de bicicleta.