TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 8 de março de 2014

"777" - José Nilton Mariano Saraiva

O “777-200” não é um aviãozinho qualquer. Com capacidade para 400 passageiros e pesando milhares de toneladas, atinge a estupenda velocidade de 950 km horários e é dotado do que há de mais moderno e revolucionário em termos tecnológicos. Difícil imaginar, pois, que uma máquina tão portentosa desapareça assim, sem mais nem menos, no trajeto “Malásia-China”, com 239 pessoas a bordo

E, no entanto, a infausta notícia oriunda da Ásia é de que essa maravilha tecnológica, depois de apenas duas horas de voo e, evidentemente, já em velocidade de cruzeiro, simplesmente haja desaparecido dos radares e, provavelmente, despencado lá de cima e mergulhado nas profundezas do Oceano

O que teria acontecido: falha humana, defeito técnico ou atentado terrorista ??? Afinal, essas são as únicas opções de um acidente aéreo e, somente se encontrarem a “caixa-preta” da aeronave no fundo do Oceano se terá ciência do ocorrido (lembremo-nos do acidente do vôo Rio-Paris, meses atrás, quando conseguiram resgatar a “caixa-preta” do fundo do mar, possibilitando a constatação de que, além da falha técnica, houve erro grotesco do piloto e co-piloto ao levarem o avião para o centro de uma tormenta meteorológica de proporções alarmantes).
    
Fato é que, embora o transporte aéreo ainda se nos apresente como o que oferece mais segurança, comodidade e rapidez, quando uma tragédia de tamanha proporção acontece, ceifando a vida de tanta gente, é que entendemos da nossa insignificância.

Pessoalmente, já passamos por uma experiência um tanto quanto desagradável e traumática, no tocante a viagens aéreas, quando o avião que faz a rota Fortaleza-Juazeiro, depois de tocar o solo, “arremeteu” de forma abrupta e violenta. E, durante aproximadamente cinco minutos, depois de um silêncio sepulcral, onde só se ouvia o chororô de alguns e as preces de outros, finalmente o pouso se fez. Na saída, como ninguém se manifestou, indagamos dos “simpáticos” componentes da tripulação, postados à porta, o que houvera ocorrido. A resposta: “uma lufada de vento muito forte, daí o comandante preferir arremeter”. Como não “deglutimos” aquele argumento, dia seguinte ligamos para o “0800” da empresa Avianca e, para nossa surpresa, a desculpa foi a mesma.


Agora, aqui pra nós: vento no interior do Ceará, em dia de sol brabo, sem nuvens,  capaz de desestabilizar uma aeronave pesando toneladas ??? Claro que o comandante jamais colocaria em seu relatório que falhou feio, colocando a vida de dezenas de pessoas em perigo. Mas foi isso o que aconteceu. 

"SE..." - José Nilton Mariano Saraiva

"Hilária” (mas se alguém optar por considerá-la “patética”, sinta-se à vontade), a manifestação de um adepto de Cícero Romão Batista quando, inconformado em razão da Infraero haver suspendido a liberação de determinada verba para a ampliação do aeroporto da cidade, saiu-se com essa pérola (realmente digna de um almanaque humorístico) num dos blogs do Cariri:  (ipsis litteris) “...se Padre Cícero ainda fosse o prefeito de Juazeiro esta cidade teria sido escolhida como sede de jogos da Copa, ganharia um novo e luxuoso Romeirão e o nosso aeroporto seria internacional e já estaria concluído. Ah, Como Padre Cícero faz falta”. Como se vê, autentico supra-sumo do “fanatismo” puro e desbragado, beirando às raias da insanidade e da estupidez.
Sim, porque a verdade é que se aquele “mitômano” (Cícero Romão Batista) vivesse na atualidade e adotasse o mesmo “modus operandi” de sua época, de uma coisa tenhamos certeza: teria de enfrentar um Ministério Público Federal e uma Polícia Federal atuantes e expeditos, que decerto o deteriam por improbidade administrativa, enriquecimento ilícito, corrupção ativa, corrupção passiva, formação de quadrilha e outras irregularidades (e não precisaria nem ser julgado sob a égide da teoria  “domínio do fato”).
Aliás, o próprio “testamento” do referido o põe a nu, incriminando-o, porquanto nos expõe um patrimônio generoso e exuberante, incompatível com o seu “statu quo” (fontes de renda ou origem dos recursos).
Há que se atentar, ainda, que quando usou e abusou da coitada da Maria de Araújo, debilitada e assustadoramente doente (expelia sangue pela boca recorrentemente), “obrigando-a” a participar na capela do Socorro da encenação que ficou conhecida como o “milagre da hóstia” (foram 93 “apresentações” no espaço de 02 anos, ou 04 vezes por mês, ou mais precisamente, 01 vez por semana – vide jornal O POVO, de 19.01.14, página 38), outro não era seu objetivo senão beneficiar-se pessoalmente (na tentativa de cristalização de uma farsa grotesca). Só que, em assim procedendo, implicitamente assumiu a responsabilidade de levá-la a óbito prematuro, como de fato aconteceu, aos 51 anos de idade.

Sugestão para reflexão no próximo seminário sobre o dito-cujo: deixar de lengalenga e conversa fiada, examinando, à luz do Direito, se teria havido “dolo eventual” em tal procedimento. 

terça-feira, 4 de março de 2014

FUCK .E.U* (Victória Nuland - Subsecretária de Estado Americano) - José do Vale Pinheiro Feitosa

“Não os temais, pois não há nada encoberto que não venha a ser revelado e nem oculto que não venha a ser conhecido. Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meu discípulo, e a verdade vos libertará.”
Evangelho de São Mateus e São João.
“Em um mundo de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário.”
George Orwell.
Cada pequena vela acende um canto do escuro.
Roger Waters

O momento é muito grave. O que acontece na Ucrânia, na Síria, na Venezuela, no Egito e em muitos outros lugares acontecidos, em acontecimento e por ainda acontecer tem um denominador comum: a mão dos Estados Unidos da América. E, principalmente, os Estados Unidos não atendem mais aos interesses do seu povo: são apenas as marionetes das grandes transnacionais, bancos e corporações.

Quando Snowden revelou toda a trama de espionagem daquela máquina de estratégias, sabotagens e perseguições estava marcado um poder antipopular que atende aos interesses somente de uma minoria (os famosos 1%). Logo o território mais livre que se conseguiu em termos de debate se mostrou um grande embuste manipulado e vigiado por forças que desejam dominar a liberdade de todos.

Esta contradição permanente entre o livre pensar e o controle totalitário (ao estilo big brother) é um móvel dramático do início desse século XXI e é uma longa herança do século passado. Acontece que os grandes e universais meios como os livros, o teatro, o rádio, a televisão, o cinema e agora a internet (que é uma telecomunicação) são instrumentos que facilitam a promoção de controles, manipulações e poderes centrais totalitários.

Esses meios atingem muito rapidamente grandes massas populares usando técnicas de psicologia social, levantando mitos culturais, estimulando ódios antigos e trazendo para o presente aberrações anacrônicas qual o antissemitismo, a perseguição de africanos na Europa, o ódio dos ucraniano aos russos como é o último rastro de ódio e sangue.

Organizações políticas de direita se multiplicam pela Europa, em grave crise econômica, desemprego e quebra dos direitos sociais. O denominador comum destas organizações é o nacionalismo com forte ação de xenofobia. A xenofobia é o denominador comum da direita europeia em seus vários matizes.

Acontece que temos desde uma direita democrática que aceita o jogo das contradições até a extrema direita, violenta, do tipo fascista, que não tem limites para a ação de causar danos ao que consideram o inimigo. Em situações de descontentamento popular em relação aos governos esta direita violenta se impõe sobre a maioria. Afasta os lideres moderados e ocupa a cena principal.

Na Ucrânia quem venceu foi a extrema direita manipulada por agentes estrangeiros e certamente pelo papel financiador e estimulador dos EUA que pretendem causar prejuízos à Rússia. Criar uma inquietação na fronteira da sua velha inimiga. A única nação que ainda se contrapõe ao jogo da política externa americana, como no caso da Síria. Este é o jogo político internacional de extrema gravidade.
Muita gente não sabe. Mas quem venceu a segunda guerra mundial foram os Russos. Os americanos fizeram corpo mole sem entrarem na Europa até quando o grande exército russo estava na fronteira da Alemanha. Eles apostaram no desgaste humano e de materiais da União Soviética para que restasse aos EUA, ao final da guerra, uma hegemonia inquestionável.


Não foi o que aconteceu até os anos 90. Mas adveio a crise econômica, a União Soviética destroçada, a União Europeia se compondo e a China crescendo. Esse é o quadro que desemboca nesse ano de 2014, com uma farsa de guerra fria e uma tragédia de terceira guerra mundial que ninguém mais imaginava. 

* FODA-SE UNIÃO EUROPEIA.

domingo, 2 de março de 2014

Revista "VEJA"

‘Preferiria não’: a resposta da socióloga Silvia Viana ao pedido de entrevista da Revista Veja


‘Preferiria não’: a resposta da socióloga Silvia Viana ao pedido de entrevista da Revista Veja


Veja a resposta da socióloga Silvia Viana, autora de “Rituais de sofrimento” à revista Veja.

Ao final ela conclui ao estilo do personagem de  Bartleby (o Escrivão), do escritor Herman Melville: “prefiriria não”.

Procurada pela segunda vez pela revista semanal ‘Veja’ para uma entrevista sobre o BBB14, a socióloga Silvia Viana, disse ao jornalista:

“Respondo  ao seu e-mail pelo respeito que tenho por sua profissão, bem como pela compreensão das condições precárias às quais o trabalho do jornalista está submetido. Contudo, considero a ‘VEJA’ uma revista muito mais que tendenciosa, considero-a torpe. Trata-se de uma publicação que estimula o reacionarismo ressentido, paranóico e feroz que temos visto se alastrar pela sociedade; uma revista que aplaude o estado de exceção permanente, cada vez mais escancarado em nossa “democracia”; uma revista que mente, distorce, inverte, omite, acusa, julga, condena e pune quem não compartilha de suas infâmias – e faz tudo isso descaradamente; por fim, uma revista que desestimula o próprio pensamento ao ignorar a argumentação, baseando suas suposições delirantes em meras ofensas.

Sendo assim, qualquer forma de participação nessa publicação significa a eliminação do debate (nesse caso, nem se poderia falar em empobrecimento do debate, pois na ‘VEJA’ a linguagem nasce morta) – e isso ainda que a revista respeitasse a integridade das palavras de seus entrevistados e opositores, coisa que não faz, exceto quando tais palavras já tem a forma do vírus.
Dito isso, minha resposta é: Preferiria não”.
Atenciosamente, Silvia Viana

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

SÓ EXISTIREMOS SE TIVERMOS TERRA - José do Vale Pinheiro Feitosa

O parque Nacional Indígena do Xingu foi criado em 1961 pelo Presidente Jânio Quadros. Tem 27 mil quilômetros quadrados, na área de influência dos rios formadores da bacia do Xingu, fica na região norte de Mato Grosso numa zona de transição entre o Planalto Central e a Amazônia. O parque foi o resultado da luta dos irmãos Villas Boas (Orlando e Claudio) que viajavam para a região desde os anos 40. Quem redigiu o projeto foi Darcy Ribeiro, então funcionário do Serviço de Proteção ao Índio. E recebeu o apoio de figuras de uma grandeza humana que são ricas pela narrativa e um espelho para estimular a juventude a ser ousada e humana muito além desse individualismo consumista. Falo do Marechal Rondon e do Noel Nutels.

O Marechal Rondon é herói na acepção da palavra. Um herói da transformação e ocupação humana e econômica do vastíssimo território do oeste brasileiro. Até então o Brasil era tão somente uma tripa litorânea que ia de Belém a Porto Alegre (sei não são bem à beira mar). Existe uma vastíssima literatura sobre Rondon. Noel Nutels, o chamado índio Cor de Rosa (Orígenes Lessa escreveu um livro com este nome evocando Noel.)

Quero dizer que tenho histórias fantásticas do Noel Nutels. Trabalhei num setor do Ministério da Saúde junto com a equipe do Noel. Mas vou apresentar breves traços de sua história: nasceu na Ucrânia, membro de uma família judia que migrou para Recife. Lá ele completa a infância, forma-se em medicina e vai morar em São Paulo e é o médico da primeira expedição Roncador-Xingu em 1943. Enfim: aproveita a expansão do Correio Nacional (serviço da aeronáutica para transporte de postagens) o dirige para as selvas, onde em clareiras era deixado com uma equipe e passava meses cuidando dos índios que eram dizimados por doenças de brancos.   

Terra quando pela primeira vez examinou as fotografias daquela, agora, pequena bola azul,
tão solitária no infinito e o poeta saudoso do seu exílio então atrás das grades de uma prisão

O que restou do povo Juruna (no século XIX eram dois mil) vive em sete aldeias, próximas à Br-80 no baixo Xingu. Em 2001 o que haviam sido se reduzira a 241 pessoas mas isso já era uma recuperação demográfica (no final da década de 60 eles eram 50 membros, a maioria jovens). A língua deles pertence ao tronco tupi e existe uma denominação que a chama de yudjá (significa dono do rio) mas é dada por outros povos. A palavra juruna é um termo nheengatu dada ao povo há vários séculos, que se traduz como “boca preta” que era uma tatuagem perene na face. Essa tatuagem foi registrada há 150 anos, mas deixou de ser usada e o povo juruna desconhece que existiu um dia.  

Antes de seguir adiante: o nheengatu foi a segunda língua geral criada no Brasil e era mais amazônica, a outra foi a paulista. Quando os europeus penetraram o interior e foram criando uma economia sedentária, foi-se criando a partir do tupi-guarani uma língua que pelo isolamento em relação à Europa foi tomando corpo e se tornando a língua nacional (como vivos foram duas). O Marquês de Pombal recriando as estruturas coloniais obrigou o ensino do português. Mas era pelas línguas gerais que as diversas etnias se comunicavam.

No anos 70 um índio da etnia Xavante se denominando Mário Juruna, assim como o menino que disse que o rei estava nu, expôs as ditadura e seus líderes. E foi de uma simplicidade fantástica. Com um gravador. Dos primeiros gravadores portáteis e à pilha. Juruna desmentiu todas as falsidades dos membros do governo apenas usando como instrumento o gravador.

Ele ia a Brasília para reivindicar coisas para o seu povo. Chegava ao gabinete e gravava a conversa com a autoridade. Então falava com os repórteres sobre o que haviam prometido e dito. Resultado o gravador do Juruna passou a ser o desmascaramento da mentira oficial.  Os jornalista para provocarem, perguntavam a razão do gravador e ele respondia: “Para registrar tudo o que o homem branco diz.” A repercussão foi tal que o jornal O Pasquim chegou a entrevista-lo. E foi uma boa entrevista ele era muito inteligente, com respostas rápidas e de muito bom humor.

Um Índio composição de Caetano Veloso - gravada por Milton Nascimento

Em próximas postagens pretendo falar mais do que ouvi sobre Noel Nutels e relatar um dia inteiro em que passeie com Juruna pelo Rio, com direito a almoço aqui em casa. Mas antes vou deixar mais uma frase do Juruna para adoçar a amargura desses deslumbrados com o Agronegócio.


ANTES DE TUDO, O ÍNDIO PRECISA DE TERRAS. ÍNDIO É O DONO DA TERRA. ENTÃO, O BRANCO DEVE RESPEITAR A TERRA DO ÍNDIO”.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

De "plantões" e "prendas" - José Nilton Mariano Saraiva

A notícia, inserta no jornal O POVO, de 23.02.14, apenas confirma publicamente aquilo que todo mundo sabe, mas tem medo de exteriorizar: no Poder Judiciário, que deveria constituir-se um poder acima de qualquer suspeita, a corrupção também se faz presente. E em seus escalões superiores, usando expedientes suspeitos.

É que determinadas bancas de renomados advogados de Fortaleza espertamente optam por impetrar “habeas corpus” junto ao Tribunal de Justiça do Estado, em favor de bandidos de alta periculosidade (já presos), só e exclusivamente só, quando dos plantões judiciários de finais de semana (no fim do ano passado, houve a tentativa de liberar pelo menos três criminosos de uma quadrilha especializada em assaltos, seqüestro e tráfico de drogas, reincidentes no mundo do crime e que já haviam sido condenados em pelo menos um processo).
E tem mais:  01) na busca para tentar evitar a liberação “legal”, os advogados dos bandidos apresentaram mais de um pedido de habeas corpus para o mesmo criminoso numa tentativa de confundir o sistema de distribuição eletrônica e chegar ao “desembargador do acerto”; 02) em um dos casos, três advogados diferentes (contratados pelo mesmo escritório) repetem a solicitação em datas distintas; 03) apurou-se também que alguns escritórios de advocacia esperam por plantões específicos de determinados desembargadores - a lista dos escalados para cada plantão passou a ser pública, por determinação do Conselho Nacional de Justiça.
Para tanto, sabem quanto era a “prenda” de Sua Excelência o Desembargador de plantão ??? De apenas e tão somente "irrisórios" R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) por cada “habeas corpus” deferido (em um mesmo plantão do TJCE, nada menos que 64 recursos foram apresentados).
Descoberta a maracutaia,  pelo menos duas investigações estão em curso no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e outras para serem encaminhadas. O desembargador Gerardo Brígido, presidente do TJCE não quis comentar o assunto. Limitou-se apenas a dizer que os fatos estão no CNJ.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

"Cunhado generoso" - José Nilton Mariano Saraiva

      Lembram de Patrícia Saboya Gomes, ex-mulher de Ciro Gomes e cunhada do Governador Cid Gomes ??? Pois bem, sem nenhuma experiência na área, foi nomeada recentemente “reitora” da Universidade do Parlamento (deve ter alguma remuneração);
      Mesmo desprovida do “douto saber”, necessário e exigido, será nomeada (na próxima semana) pelo cunhado, governador Cid Gomes, conselheira do Tribunal de Contas do Estado, cargo vitalício e que paga algo em torno de R$ 25 mil mensais; para tanto, os “cordeirinhos” da Assembléia Legislativa (deputados aliados) já garantiram a aprovação da mensagem governamental.
      Não esquecer que, quando Senadora da República, notabilizou-se porque fez tanta traquinagem num voo internacional (junto com uma amiga) que o comandante da aeronave, lá de cima, pediu à policia de Roma, aqui embaixo, para recepcioná-las quando pousasse. Ficou retida até que a diplomacia resolvesse o problema.
      Com relação à sua vida parlamentar, como vereadora, deputada e senadora, sempre foi de uma nulidade a toda prova, autentico zero à esquerda. Tentou a prefeitura de Fortaleza em mais de uma oportunidade, mas o povo não permitiu.
      Dedução disso tudo: nada mais legal do que ter um cunhado generoso. Né não ???

AÇÃO ENTRE AMIGOS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Estamos lendo, por meio de uma grande revista, a condenação de uma prática. Aquela porta giratória em que o sujeito e o predicado trocam de lugar o tempo todo. Terminam pelo que se chama de ação entre amigos. Um grupo se organiza para dominar uma área do Estado e dele extrair vantagens financeiras. Este fenômeno foi largamente identificado pelos americanos quando criaram as Agências Reguladoras. O nome técnico foi de captura do agente regulador. É isso que se encontra há muitos anos no corpo da burocracia estatal, seus programas e atividades (ouvi longos relatos sobre Sebastião Camargo e contratos com a Aeronáutica ainda no princípio do anos 50 do século passado). 

Existe uma proteção fenomenal da prática. Ela acontece dentro de partidos políticos que permeiam vários governos e pela alternância de poder podem ter acesso à famosa caneta que assina. Um dos parafusos desta prática é o financiamento privado de campanhas eleitorais (que estão cada vez mais caras. Um vereador de município com menos de 40 mil habitantes do interior do Ceará pode gastar até duzentos mil reais para se eleger.

E no campo da sociedade a prática adquire um valor simbólico, que a legitima de alguma maneira, pela denúncia que estimula a alternância. A denúncia é uma das medidas mais adequadas justamente para o sistema funcionar sempre, mesmo com outros atores. Salvo denúncias surgidas das áreas de controle externo ou dos tribunais de conta, o que funciona mesmo é quando um agente privado se sente prejudicado nesse jogo, usa a imprensa para gerar o escândalo. Que tem repercussão política sobre candidaturas, mas nem sempre contra o partido, força as peças para que o jogo continue a funcionar. Continuar com os negócios proveitosos com o Estado.

Esse caso mesmo que Carta Capital tão bem demonstra, que irá gerar acusações contra o PSDB, inclusive com o viés de revanche, dado que este partido se tornou uma UDN a denunciar nos outros as práticas que o movem. Mas movem também grandes partidos e inclusive o PT que se dizia tão diferente. O PT usou tanto o expediente que Darcy Ribeiro chegou a denominá-lo de "UDN de macacão." E agora o que estamos falando?

Que a "ação entre amigos" é comum em todos os governos, em obras públicas, serviços de manutenção, serviços de propaganda e marketing (que na verdade é a chamada comunicação), serviços de informática, serviços terceirizados de toda ordem e nas ONGs e OS. Estas duas últimas modalidades chegam a ser fatiadas entre aliados para que gerem recursos para a continuidade do "partido" a ocupar o poder.

É nessa questão que a política, a verdadeira política, deveria agir. Encontrar mecanismos que economizem recursos e com os quais os ralos sejam vedados. E, claramente, isso não é pós-fato, a vociferação de tribunais, o denuncismo, a escaramuça para tirar vantagens e gerar manchetes. A revisão da lei de licitações é uma grande questão. Não só a transparência é necessária, como a participação no processo mesmo é necessário. Há que se reduzir a burocracia que serve para esconder os malfeitos. Entre outras medidas que reduzam a "captura da verbas públicas" pela "ação organizada entre amigos". Acrescentando evidentemente o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais. 

Vejamos um paralelo com o que citado sobre os governos do PSDB e o desperdício da água. Quando o atual Ministro da Saúde foi nomeado, setores do PSDB denunciaram esta porta giratória entre ele com agente público e sua empresa privada de consultoria. Qual a resposta principal do Ministro? Transferir a empresa para a esposa. Nada mais cínico. Mesmo que ele não receba grandes volumes de dinheiro pelas consultorias que presta aos governos, que sejam migalhas frente a essas denunciadas pela Carta Capital, o que se verifica é a universalidade da prática nos agentes públicos dos governos de muitos partidos. 

Inclusive do PSDB e do PT, mas não só deles. Apenas se destacam por serem os principais partidos em disputa no país.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

As chancas de Alphonsus



                                       
J. FLÁVIO VIEIRA

                                               Alphonsus Publius Catarinus Maximus !  Esse nome, carregado de um latinório trava-línguas, poderia fazer parte da Mitologia Romana. Como diabos teria aterrissado em Matozinho ? Primeiro, é importante lembrar que o nosso Alphonsus  não trouxe esse epíteto da pia batismal. Nascera, sem sangue azul, molhando fraldas esfarrapadas, como muitos dos seus conterrâneos. Ainda adolescente,  enfurnara-se num Seminário, na capital,  e por muito pouco escapou da ordenação. Fora aluno exemplar e seus superiores vaticinavam-lhe uma brilhante carreira religiosa, coisa para arcebispo ou cardeal. Apaixonou-se, no entanto,  por um rabo de saia , filha de uma das copeiras do Seminário , e ela terminou arrancando-lhe a batina e  ele, em compensação, assungou-lhe  a saia . Partiu, então, nosso Catarinus para a dura vida de chefe de família, como comerciário. Nunca, no entanto, abandonou aquela mania de  sacristia, falava  apenas em latim vulgar e irritava-se por não ter interlocutores fora das hostes sacerdotais. Foi aí que resolveu, num penoso processo, mudar, em cartório,  o nome de matuto, Afonso Possidônio , de Catarina ( sua mãe) ,  para o pomposo : Alphonsus Publius Catarinus Maximus. E foi de posse desse novo registro civil que um dia aportou em Matozinho, carregando já uma récua de filhos. Com o dinheiro juntado, por muitos anos, estabeleceu-se por lá com um pequeno Armarinho e, já madurão, mudou-se para uma fazendola que adquiriu  e renomeou-a  de “Parnaso”.
                                   Em Matozinho,  teve que abandonar o latinório,  pois ninguém ali estava à altura da sua  sapiência lingüística. No Seminário versara-se em autores clássicos portugueses como Herculano e Castilho e sabia todo o “Eu” do nosso Augusto dos Anjos de cor. Negava-se, assim, terminantemente,  a falar em linguajar reles, fugia dos galicismos e anglicismos como o capeta de água benta. Erros de português, se legislasse, seriam punidos com prisão perpétua, salvo os de concordância verbal onde deveria se aplicar, sem remorso,  a pena capital. Publius mostrava-se, ainda, totalmente a favor da redução da maioridade penal: a partir de 12 anos, se desferir golpe de morte no vernáculo: galés perpétuas ! Ademais , nada de se resumir a uma centena de verbetes apenas, num idioma tão rico como o português:
                                   -- O  ” Caldas  Aulete” tem trezentos mil verbetes é pra se usar ! --- Costumava dizer  Catarinus .
                                   Até na emissão quase que automática de palavrões , nosso  vernaculista se policiava. “Filho da Puta” , virava  “Rebento de uma deusa de lupanar” ; “Maricas” , dizia “Pederasta sub-reperício “; “Vá para PQP !”  tornava-se nos lábios de Catarinus : “Diriga-se à Messalina que vos concebeu!” . Personagens famosos de Matozinho, também, ganharam denominações menos rasteiras : “Jojó Fubuia” terminou rebatizado por Johann Etanol; Janjão da Botica transformou-se em Jonh Pseudo- Esculápio.
                                   Dias atrás correu por toda Matozinho o ocorrido na Barbearia de Barba de Gato. Alphonsus lá chegou tentando encomendar um corte de cabelo. Dirigiu-se para nosso barbeiro, semi-analfabeto, com o seguinte palavreado :
                                   --- Ó Fígaro ! Quanto queres de remuneração pecuniária para desbastar estas excrescências córneas que se avolumam por sobre minha calota craniana ?
                                   Barba de Gato, mais perdido que cachorro em noite de São João, diante de tamanha catilinária, interrogou-o:
                                   --- Kumas ? Oxente , O homem  endoidou ou veio das estranjas !
                                   Contrariado, Alphonsus, raivoso, ameaçou :
                                   --- Se dizes por insipiência, perdoar-to-ei ! Se,  no entanto,  pretendes zombar da minha alta prosopopéia, desferir-te-ei um golpe com  este instrumento perfuro-contuso que o vulgo o denomina “bengala” , no frontispício da tua caixa craniana,  com tamanha impetuosidade, que ela  há de metamoforsear-se , em iníquos instantes, em meras cinzas cadavéricas !
                                   Registra ainda o folclore de Matozinho  uma outra epopéia  do nosso vernaculista. Pela manhã , ele despertou o filho caçula ,Dioclecianus Tertius, pedindo-o para ir até ao mercado público a fim de comprar uns cuscuzes  para o café da manhã. Convocou-o com este petardo:
                                   -- Tertius, prólio meu ! Levanta-te deste leito adormecente e caminha até àquele aglomerado humano que o povo denomina de mercado e compra-me massas côncavas a que o vulgo rotula de cuscuz, para que possamos saborear no nosso jantar matinal !
                                   Semana passada, a praça da matriz parou diante de uma cena inusitada. Alphonsus  buscou um engraxate, no intuito dar um trato nos seus pisantes. O problema é  que se tratava de uma figura popularíssima em Matozinho e que carregava um apelido  hilário : “Cu de Apito” . Imaginaram todos a dificuldade que teria nosso emérito vernaculista em tipificar o engraxate de forma mais erudita. Em alto e bom som, Publius aproximou-se  e , com sua inconfundível voz tonitruante, encomendou o serviço:
                                    --- Insigne polidor de pantufas ! Poderias genufletir-te ante mim e tornar luzidias estas minhas pré-históricas chancas !  Vinde,  ó Óstio anal chilreador !

Crato, 21/02/14

ANTOLHOS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Antolhos. Aquele anteparo que cega a visão lateral. Pode ser este o sentimento de alguém que leu a notícia da apreensão policial de um menor de idade, tentando roubar um casal de turistas em Copacabana.

Acontece que o caso ainda arde na chapa quente do noticiário. Este mesmo menor foi alvo de intenso debate nacional. Ele fora espancado e acorrentado a um poste por um grupo de vingadores que circulam pelas ruas do Bairro do Flamengo.

Em primeiro lugar a repercussão no Rio foi imediata. Yvone Bezerra, que se tornou uma referência em defesa das crianças assassinadas na Candelária no anos 90, foi quem desacorrentou o menor e denunciou o ato.

Depois uma apresentadora do SBT cometeu a burrice de, usando um serviço concedido, estimular o ato de espancamento e tripudiar em torno do menor. Aí o debate virou nacional. Muita gente não aceita este tipo de estímulo à violência com o uso de serviços públicos.

Agora o menor foi apreendido numa tentativa de roubo e foi encaminhado para um desses órgãos formais de recuperação por meio da justiça. Aí vem a história dos antolhos. Quem não consegue visualizar a lateralidade do mundo, imediatamente vai vociferar contra quem defendeu o direito humano.

Vai usar a reincidência ou comprovar que o menor era ladrão e merecedor do que sofreu. Efetivamente justificando a justiça pelas próprias mãos. As mãos mais fortes que inclusive podem ser pagas como os pistoleiros.
   
A apresentadora do SBT se não der a notícia por satisfação, irá dar um jeito de mostrar que ela tinha razão. Afinal o debate é público. E a vingança é uma das mais antigas ações do drama humano.

Mas aí vamos para a lateralidade. Um mesmo ator (o menor) recebendo dois tratamentos distintos. No primeiro ele foi agredido em seu direito humano (escrito na lei). E no segundo ele vai se submeter à normas sociais em razão do seu ato.


Isso faz toda a diferença. 

POR QUE É GOLPE? José do Vale Pinheiro Feitosa

A instabilidade social e as manifestações populares, aliadas a grupos políticos organizados militarmente, deixam no ar a ação de ruptura dos regimes que hoje funcionam baseados no sufrágio de candidatos. A questão está mais ou menos assim: um grupo deseja romper as políticas de renda, falta de proteção social, desemprego, despejo por dívidas e se manifesta. Grupos distintos, com outros propósitos políticos, aproveitam a ocupação das ruas e vão para o confronto militar franco.

Na Síria, na Ucrânia isso é bem visto. (Claro que por fora, acirrando posições países fortes tomam partido financiando um lado ou outro e até os dois). A Ucrânia é mais grave porque há um problema crônico básico de setores étnicos em relação à Rússia (imperial ou soviética). Estes setores ocuparam o campo da extrema direita política, são organizados, perduram há muitos anos de tal modo que aderiram ao Exército Nazista durante a invasão da União Soviética na Segunda Guerra.  

A situação na Ucrânia é de tal modo um retorno ao nazi-fascismo original que judeus já são perseguidos por lá. Este Jam Koum, um dos bilionários do WhatsSpp vendido para o Facebook, migrou há alguns anos para os EUA em razão das perseguições feitas contra judeus. E isso foi no final da União Soviética, em 1989, e no ano de 2004 aconteceu na Ucrânia a tal Revolução Laranja que foi comemorada como um grande ato político pela mídia ocidental.

A revolução laranja, dez anos atrás, se deu com uma revolta popular em razão de uma fraude eleitoral em que o segundo lugar Viktor Yanucovych (esse mesmo atual presidente) foi confirmado no lugar do que teria sido o primeiro colocado que é Viktor Yushchenko. A eleição foi anulada, Yushchenko disputou e venceu. Acontece que o paraíso não chegou e Yuschenko se desgastou e quem está no poder é o outro Viktor.

Mais do que uma insurgência contra o Governo, o que se tem por trás é a ruptura do processo em que a maioria vence a eleição. No caso da Venezuela isso é nítido e mesmo quem torce contra Maduro, deve imaginar que no mínimo o país tem uma grande divisão e que por eleições vão fazendo projetos de seguir adiante. O mesmo processo que elegeu Maduro, poderá eleger Capriles nas próximas eleições.

O que deseja esse López? Provocar ruptura para ele mesmo ser o autor e aí Capriles e companhia vai para o espaço. A oposição na Venezuela nunca se uniu e por isso perde tantas eleições. É preciso compreender um pouco a formação social da Venezuela. Por muitos anos uma parcela da população foi privilegiada com o Petróleo do país. Tinha uma vida de classe média até superior a de outros países latino-americanos.

Essa parcela educava os filhos nos EUA, tratava a família e tinha casas por lá onde passava as férias. Essa parcela se alienou do seu próprio país e do seu povo. O Leopoldo López fez a maior parte de seu ensino básico e de sua formação universitária nos EUA. Isso significa que parte da identidade e das ligações dele são com aquele país.

O que ele propõe nas ruas é a ruptura dos resultados das eleições no curso do mandato do eleito. Além do mais ele tem usado táticas de movimentação que recordam o ocorrido em 2002 no golpe contra Chávez. Por exemplo o aparecimento de mortes por balas perdidas em manifestações para depois gerar mais tensão social.


Leopoldo López não só participou do golpe de 2002 como, nesse momento, se diz orgulhoso do fato. Ou seja defende abertamente um golpe. A BBC Brasil o classifica assim: popular, carismático, imprevisível, arrogante e sedento de poder.  

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

CRIANÇA SÍRIA, FUGITIVA DA GUERRA, VAGA DESGARRADA NO DESERTO. O ONU SALVA CRIANÇA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Na mesma linha da postagem anterior. A CNN divulgou uma história com dois ingredientes hollywoodiano: uma criança sozinha andando no deserto. Havia se perdido da família. Eram sírios em fuga pelo deserto da Jordânia. Salvo por uma equipe do Alto Comissariado da ONU e registrado por repórteres e fotógrafos, ele carregava uma bolsa com umas migalhas para comer e uma garrafa para matar a sede.

A notícia virou o mundo. A jornalista Hala Gorani publicou a história no Tweet e despertou a emoção dos leitores. Foi este o trabalho pela informação?

Não!

Não passava de uma farsa. A criança não estava sozinha, acompanhava um grupo de pessoas em fuga, incluindo os familiares do garoto que caminhava alguns passos à frente dele. Um fotógrafo que seguia à frente tirou uma foto do grupo e ao ampliá-la que estava lá? O menino que teria sido encontrado sozinho na solidão do imenso deserto. 

Estes americanos são mesmo a moral suja imperial. Financiam a desgraça e ainda tiram proveito econômico até da notícia dos efeitos que eles foram parte da causa. 

Manchete em orgia no submundo - José do Vale Pinheiro Feitosa

Calma pessoal. O assunto não é o da chamada. Apenas para começar a falar das Manchetes que são a primeira impressão e por vezes a única que fica de uma notícia. 

A manchete dos jornais é resultado da hierarquização da notícia (informação). O destaque mostra a importância do fato. Isso foi tão marcante que se expandiu por todos as mídias. Rádio, Televisão, Internet etc.

Acontece que jornais e os sites são ligados a empresas que prestam serviços e vendem ou apoiam opiniões. E é aí que a hierarquia toma a feição da manipulação, da armação e das campanhas de natureza política.

Agora mesmo nas manifestações da Venezuela aconteceu uma enorme leva de manipulações nos sites da internet. Fotos que eram tidas como sendo das manifestações na verdade eram imagens de manifestações, conflitos e vítimas acontecidas em outros países e muito antes.  

Empresas do mercado de mídias chegaram a reproduzir tais fotos, como por exemplo a CNN. Mas a novidade é que usando a internet como fonte da falsidade, também rapidamente é a fonte do desmascaramento. Foi o que aconteceu.

Acirrando-se posições os consumidores dos meios de comunicação precisam ficar atentos para as tais “hierarquizações”. Só para se observar um exemplo que está em curso desde o início da manhã de hoje.

Desemprego sobe em janeiro e fica em 4,8%, aponta IBGE. SITE GLOBO.COM
Desemprego fica em 4,8%, menor taxa em 11 anos. Site Brasil247 simpático ao governo.
Meia hora após Globo.com refaz a manchete: Desemprego registra menor taxa para janeiro desde de 2003, diz IBGE.

Isso tudo em razão da pesquisa mensal que faz o IBGE sobre o emprego no Brasil. Acabou de sair o relatório e o que acontece é que passado o mês dos empregos temporário (dezembro com as festas de finais de ano) o desemprego sempre aumenta quando se comparam os dois meses (janeiro com dezembro pois o indicador do IBGE, sendo mensal, é bem dinâmico).


É tanto que mais vagas foram cortados no setor do comércio seguida de educação, saúde e administração pública. De fato, em onze anos este indicador de janeiro foi o menor, a taxa de pessoas empregadas cresceu em relação a janeiro de 2013 assim como o rendimento real habitual do empregado. 

O pouco que se planta alimenta a filharada - José do Vale Pinheiro Feitosa

Lá o pouco que se planta
Alimenta a filharada
O pouco com Deus é muito
O muito com Deus é nada

A cada nota musical a espuma azul cobre mais a sujeira que baixou do mundo. Novamente o refrão: Lá o pouco que se planta.

Não é a África. É a mama África. É o Rio de Janeiro destilando o seu código genético. Alimenta a filharada.

- Olha aí! Eu vou dar um tempo. Sair uns dez dias. São férias mesmo. Não vou ficar mofando em casa. São dez dias.

A esponja pinga água e esfrega a espuma azul sobre o metal. Botas longas. Roupa padronizada com símbolos e tudo. Alto e esguio como um Watusi. Um Etiopiano da nascente do Nilo Azul. O pouco com Deus é muito.

- Vou lá em Itacuruçá. Com sete contos vou lá naquele parque e passo o dia inteiro. Vou dar uma olhadela naquela ilha lá. Ela tá lá. Eu vou. Vou e volto por quinze contos.

Vai da traseira à dianteira esfregando a espuma azul. Gira volta pelo outro lado. Vidros. Limpadores levantados. Espelhos. Porta. Rodas. O muito com Deus é nada.

- De chumbada e molinete? Eu gosto com a chumbada amarrada na barra e a gente em cima do barco.

- Aí. Eu fiz muito isso lá em Macaé. Ali naquele lugar perto da Base da Petrobrás. Comprei uma chumbada legal. Uns camarãozinho no maior caô. Deu legal.

As mãos molhadas apertam o botão que liga a bomba do esquiço de água.

- E este interruptor não é um perigo? Vocês todos molhados.

- De vez em quando vem um choquezinho básico.

O jato de água vai retirando a espuma azul misturada ao cinza da sujeira. E recomeça. Lá o pouco que se planta. Alimenta a filharada.

- É um samba de partido alto?

- Zeca Pagodinho na parada. O Zeca pagodinho é daquele jeito mesmo. Eu já cruzei com ele. Lá no posto de gasolina que eu trabalhei na Barra. Ele chegou perto de mim, disse que eu esperasse que ia me dar alguma coisa, meteu a mão no bolso e tirou umas notas toda amassada. Ele é assim mesmo. Não tem farsa.

- É sincero.

- Autêntico. Outro dia um amigo deu carona para ele ir lá naquele Pet Shopping que fica ali no Recreio. O Zeca pediu carona e o amigo: mas Zeca é tu mesmo! Vá lá meu irmão, toca esse bicho para frente que tá um calor danado.


- Não tem farsa. Pega o carro aí, dá uma volta e põe ali na frente para eu enxugar. 

Sujeito Pacato - Cantada por Zeca Pagodinho. Composição de Serginho Meriti e Claudinho Guimarães.

Carnaval da Saudade - 2014



Mesas e ingressos avulsos à venda na secretaria do Crato Tênis Clube. Telefone 3523.3793

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Explosões, balas, chamas, cinzas e corpos humanos - José do Vale Pinheiro Feitosa

As ruas das cidades em cinco continentes pegam fogo. Multidões furiosas tomam conta de praças, largos e ruas. Atacam, queimam e destroem prédios públicos. Multidões destilam mortos todos os dias. A violência é ampla por onde a desesperança, o desemprego, a falta de meios se estabeleceram.

Em Caracas, em Kiev, Saravejo, em Bangcoc o mundo assiste a um febril sintoma que uma grande insatisfação permeia as pessoas. Guerras civis explodem para todos os lados, na Líbia, na Síria, no Iêmen e cruzam continente de Ocidente a Oriente de Norte a Sul.

Ao mesmo tempo manifestações de intolerância, de natureza fascista, acontecem nos EUA, em Israel, na Europa, no centro da África e na Ásia. Aqui no Brasil ela ainda se encontra num estágio de pequenas explosões mas os sinais desta revolta podem aderir a movimentos maiores.

Os Estados Nacionais se enroscam em suas próprias fronteiras. O drama da migração entre o Norte da África e a Europa já atingiu uma dimensão em que a civilização caiu por terra: isso em Lampedusa e no Canal de Gibraltar. Agora a Suíça cria um grande mal estar com a comunidade Europeia por meio de plebiscito que restringe a migração.

Não há um sistema monetário alternativo ao combalido dos dias atuais. Os líderes estão correndo em busca de compensar as fragilidades com a tentativa de formar blocos econômicos, além das velhas propostas, agora surge a ideia do Acordo Transatlântico para se contrapor ao Pacífico.

 Não existe governança financeira e nem produtiva. Não existe uma governança para a crise. As pessoas estão se matando, desesperadas e não surge nenhuma condução política que fomente mudanças coletivas que supere o modelo predatório em que todos viramos mercadoria. Ainda pior, mercadoria vendida na bacia das almas.

As ruas incendiadas vão buscar soluções. Se as lideranças políticas e os partidos, especialmente os de esquerda, pararem de lutar, logo veremos o fundamentalismo tomar conta da desordem estabelecida.
E não nos enganemos: este fogaréu todo é anticapitalista. Ele não é mais capaz de oferecer aquilo que na falta desespera as pessoas. Pode, a exemplo, do partido Nazista, tomar conta da situação e fazer um capitalismo regimental com necessidade de beber continuamente na fonte do ódio, da perseguição e do inimigo interno.


O crescimento do fascismo é sintoma da revolta e do fracasso da esquerda em mobilizar o povo neste estado de desespero que destrói e pode alienar. Isso sem esquecer a manipulação contínua dos governos. Especialmente da grandes potências. 
QUANDO É CONSIDERADO LEGÍTIMO DERRUBAR UM GOVERNO DEMOCRATICAMENTE ELEITO? 

EM WASHINGTON A RESPOSTA SEMPRE FOI SIMPLES: QUANDO O GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS DIZ QUE É.   


Mark Weisbrot – The Guardian

VÁ PARA CURA! VÁ PARA A COREIA DO NORTE! VÁ LIMPAR BANHEIRO! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Resolvo falar de um ícone da canção portuguesa. Chama-se Fernando Tordo, tem 65 anos, viveu parte de sua vida sob a ditadura salazarista e outra na democracia. Sonhou um Portugal melhor para os filhos e os netos.


Vencedor de prêmios de festivais da RTP, Fernando foi gravado pela nata da canção portuguesa pós-ditadura como Dulce Pontes, Carlos do Carmo, Mariza, Carminho, Simone de Oliveira e muitos mais. Fernando fez belíssimas canções com o poeta José Carlos Ary dos Santos tais como Tourada, Estrela da Tarde, Lisboa Menina e Moça, O amigo que eu Canto e mais esta Balada para os nossos filhos, que poderemos ouvir abaixo na própria voz do compositor.


Um Portugal melhor para os filhos e netos, Fernando Tordo viu sair pelo ralo com a crise que abala a Europa e Portugal em especial. Nos último ano vivia de uma aposentadoria de um pouco mais de duzentos euros (R$ 659,78) e, segundo seu filho o escritor João Tordo recebia uma pequena aposentadoria da Sociedade Portuguesa de Autores que dava para pagar a gasolina com a qual ia de cidade em cidade cantando suas músicas, ora com casa cheia, noutra mais ou menos e noutras vazias.
Fernando Tordo pegou uma avião e veio morar em Recife. Não conhecia bem o Brasil e o Brasil não conhece sua música admite o próprio filho escritor (que ele cita na música acima) numa carta que escreveu e publicou no jornal “Público” de Portugal. Mas veio e antes despediu-se no Facebook dos amigos e admiradores que ainda tem.

Fazendo as contas Fernando veio tentar uma nova e desconhecida vida aos 65 anos de vida.

No Face recebeu carinho e muitas pedradas no estilo que estamos lendo em revistas como Veja, a extrema insensibilidade humana tal qual aquela Australiana que disse que não iria se sujar ao se referir a uma manicure negra num salão de beleza de Brasília ou a tal Rachel do SBT apoiando a tortura de um menino de rua.

Para ilustrar estes tempos e intolerância anti-humana que é gerada nas redes sociais vou colar o próprio texto que se encontra na carta feita pelo João Tordo:

“Outros, contudo, mandaram-no para Cuba. Ou para a Coreia do Norte. Ou disseram que já devia ter emigrado há muito. Que só faz falta quem cá está. Chamam-lhe palavrões dos duros. Associam-no à política, de que se dissociou activamente há décadas (enquanto lá esteve contribuiu, à sua modesta maneira, com outros músicos, escritores, cineastas e artistas, para a libertação de um povo). E perguntaram o que iria fazer: limpar WC's e cozinhas? Usufruir da reforma dourada? Agarrar um "tacho" proporcionado pelos "amiguinhos"? Houve até um que, com ironia insuspeita, lhe pediu que "deixasse cá a reforma". Os duzentos e tal euros.

Esse tipo de discurso Fascista tem muito da intolerância a reinar a cabeça de muita gente. Por falar nisso um estudo americano recente feito numa amostragem bem calculada demonstrou que os ignorante desconhecem que o são e têm maior tendência para a arrogância. Claro que o ódio todo se deve às declarações de Fernando antes de embarcar de Lisboa ao Recife.

 “Ainda tenho muita coisa para fazer, muita música para escrever, muita canção para cantar, muita gente para conhecer, portanto é muito provável que aproveite estes últimos anos da minha vida porque não os quero consumir aqui, eu não quero. Não aceito esta gente, não aceito o que estão a fazer ao meu país” refere. “Não votei neles, não estou para ser governado por este bando de incompetentes”.
“O que é natural é que faça como foi aconselhado a muitos jovens mas também poderiam ter aconselhado a mim. Tenho 65 anos, quero-me ir embora, mas sem drama nenhum. Passou a ser insultuoso ao fim de 50 anos de carreira ter de procurar trabalho desta maneira, ter que viver quase precariamente. Não quero, não muito obrigado, vou-me embora. Mas satisfeito!”