TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Reunião com autoridades debate atos de racismo e direcionamentos para questões relacionadas a estudante da URCA



A Reitora da Universidade Regional do Cariri (URCA), Professora Otonite Cortez, e o Vice-Reitor, Patrício Melo, estiveram reunidos com membros da Comissão de Direitos Humanos da Universidade e o Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB Subsecção de Crato, além de representante do curso de História da URCA e Pró-Reitores, para tratar sobre questão de ato de racismo praticada contra aluno da Instituição. O aluno tratado no caso justificou sua ausência da reunião e esteve representado pela estudante Vanusa Ferreira.

Na ocasião foram debatidas as ações, algumas delas já sendo executadas pela Universidade, no intuito de combater atos de discriminação e preconceito dentro da URCA, assim como promover uma política de conscientização. Segundo o membro da OAB, Frederico Lemos, é importante que sejam efetivadas as ações educativas e de conscientização, mas não compete à URCA realizar assistência judicial ou mesmo psicológica.

A Reitora destacou ações que já vêm sendo efetivas, e ressaltou a criação de uma Comissão de Sindicância para apurar o caso, além da Comissão de Direitos Humanos da URCA, cuja presidente é a Professora do Curso de Direito, Francisca Edineusa Pamplona. Na ocasião, disse que serão encaminhados ofícios para a Secretaria de Desenvolvimento Social de Juazeiro do Norte, direcionado à Coordenação da Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade, com solicitações para suporte psicológico para o aluno. O ofício será encaminhado em nome de Kátia Lopes, coordenadora de Proteção Social. Além disso, a Reitora chegou a disponibilizar o acompanhamento da assessoria jurídica da Instituição ao aluno, para registrar um Boletim de Ocorrência junto à delegacia. Mas, até o momento, o próprio alunos ainda não se manifestou nesse sentido. Ele chegou a ser recebido pela Reitora, no Gabinete da Universidade.

“A história de vida dos que compõe a Administração Superior da URCA, dentro e fora de Instituição, desautoriza a acusação de omissão em qualquer situação de ofensa ou crime contra os direitos humanos”, disse a Reitora. Desde que foi comunicada de atos de racismo, e homofobia, no ano passado, conforme a Reitora, se instalou a problemática institucionalmente. Inclusive, a URCA chegou a criar e instituir o 6 de maio como o Dia Institucional de Combate ao Preconceito e à Discriminação, inserido no calendário acadêmico.

Ações de conscientização e combate ao preconceito e discriminação

A universidade publicou no site institucional nota de repúdio ao ato de preconceito praticado contra o aluno, no final de março, além de propor um programa interdisciplinar de combate ao preconceito. O ato chegou a ser comunicado pela administração da Universidade, à Secretaria Nacional da Igualdade Racial, além de solicitar material educativo para distribuição na URCA.

 No âmbito do enfrentamento, foram realizadas reuniões para debater ações nesse sentido, com representantes de departamentos, incluindo os coordenadores de cursos. Outro aspecto importante foi a instalação de uma comissão de sindicância, que teve o seu prazo de atuação ampliado. Formada por professores e alunos, cada um dos componentes poderia solicitar reunião do grupo. O aluno vítima de preconceito e ameaças chegou a ser chamado para auxiliar nos trabalhos, mas não compareceu. A Comissão de Direitos Humanos da URCA foi restabelecida durante reunião realizada na última terça-feira, 13.

Para a reunião com autoridades constituídas realizada na última terça-feira, ainda foram convidados delegado, defensor público, Ministério Público, além dos diretores de Centro de Humanidades e a chefia de Departamento do Curso de História. Segundo a Reitora, cada instituição deve atuar dentro dos marcos de sua competência. “Agiremos nesse caso, como estamos fazendo, com serenidade e a maturidade, no qual deve se pautar o gestor de um órgão público”, destaca.

Além das ações educativas realizadas por vários cursos, departamentos e grupos de pesquisa, a URCA está desencadeando ações educativas, importantes para a desconstrução do preconceito e pela afirmação dos direitos humanos. Nos dias 15 e 16 de maio, acontece o I Encontro de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos Fundamentais. O evento é promovido pela URCA, por meio do Grupo de Estudos e Pesquisas de Direitos Humanos Fundamentais e os cursos de pós-graduação em Direito Administrativo, Direito Processual Civil, Direito das Famílias, Direito Previdenciário e Trabalhista.

Fonte: URCA

Mais informações:
Telefones: (88) 3102-1212 - 8812.5525 ramal 2617
www.urca.br

quinta-feira, 15 de maio de 2014

"Sufoco" - José Nilton Mariano Saraiva

Ainda a propósito da calamidade hídrica que atinge o todo poderoso Estado de São Paulo, que terá que se valer do “volume morto” (aquele resto d’agua que fica abaixo do nível das comportas) do reservatório de Cantareira, a fim de sanar sua sede e atender suas necessidades básicas, claro que nesse momento todos os brasileiros se unem num só sentimento de solidariedade e torcem (mas torcem mesmo) para que as águas caiam lá de “riba” e a coisa volte à normalidade. A situação é crítica, merece e precisa ser encarada como tal.
De outra parte, e sem qualquer revanchismo, o “sufoco” dos dias atuais servirá para que os paulistanos (e sua classe política, especialmente) se     conscientizem do que é se viver numa região semi-árida, onde a precipitação pluviométrica é deficiente, como o Nordeste brasileiro e, deixando de lado picuinhas políticas que a nada levam, atentem para a importância de uma obra da dimensão da transposição das águas do Rio São Francisco, tão criticada por eles (confiram, abaixo, sua grandiosidade e dimensão).
“O Projeto de Integração do Rio São Francisco faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Formado por dois canais que somam 477 quilômetros lineares, a integração do Rio São Francisco também envolve a construção de 14 aquedutos, 09 estações de bombeamento, 27 reservatórios e 04 túneis para transporte de água.  O projeto vai garantir a segurança hídrica de mais de 12 milhões de pessoas em 390 cidades de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
A Estação de Bombeamento (EBI 1) é a primeira elevatória do Eixo Norte. No mês de março, o Ministro da Integração Nacional iniciou a montagem das duas bombas dessa estrutura. Cada equipamento (bomba) pesa 100 toneladas, o equivalente a 100 veículos populares. O processo de montagem do equipamento é iniciado conforme as estações são concluídas. 

Ao todo, três elevatórias estão em construção 24 horas por dia entre os municípios pernambucanos de Salgueiro e Cabrobó. As estruturas vão elevar a água em 176 metros acima do nível do rio São Francisco – altura que pode ser comparada a um prédio de 58 andares.  Cerca de 1.100 trabalhadores estão contratados para atuarem nesses serviços. As Estações são responsáveis por elevar a água do rio São Francisco, que serão conduzidas pelos canais que vão beneficiar os estados de Pernambuco, Ceará e Paraíba.”

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Porto



                                                                                                                          J. Flávio Vieira
 Suetônio Carabina jamais imaginou que , um dia, seu caminho cruzasse com o do machadiano Simão Bacamarte. Havia lá algumas similitudes que transpunham os sobrenomes francamente bélicos: os dois eram médicos e terminaram, nas suas histórias, passando por algumas sinucas de bico. Suetônio, no entanto, abraçara a cirurgia e Simão, o personagem principal de “O Alienista”, fizera-se psiquiatra e acabara por virar de ponta cabeça a pequena Itaguaí.  Suetônio , mais jovem, instalou-se na beira-mar , sob a filosofia simplória ( tão preponderante entre os seus pares) de que quem faz carreira no mato é preá e calango.
                               Carabina seguiu o curso esperado na sua profissão. Vida de louco, saltando de plantão em plantão, buscando salvar vidas praticamente com as unhas e os dentes, em meio a serviços totalmente destroçados. Casou , teve dois filhos, financiou um apartamento e dois carros importados e , beirando os cinqüenta, aguardava apenas o enfarte. Construiu ainda  uma casa enorme na praia, onde buscava compensar o espaço que lhe faltava no apartamento e na vida. Final de semana, invariavelmente, partia para lá com a mulher e os filhos que, já fisgados pela mordida de cachorro doido da adolescência, iam trombudos e sob protesto. Na sexta, à tarde, a esposa partia com os meninos e Suetônio  seguia apenas do dia seguinte. Há mais de quinze anos dava plantão  na emergência  de um hospital de periferia, exatamente nas sextas feiras.
                               Anos e mais anos naquela rotina, um dia, não mais que de repente, Suetônio esbarrou com uma vizinha no elevador. Em casa, ele e a mulher já haviam se tornado quase que irmãos. Afinal , comentava ele com os colegas, um sujeito que come a mãe dos próprios filhos deve ser um tarado sexual. Conversa vai , conversa vem, terminaram por trocar telefones e passaram a namorar por baixo de sete capas. Altina era uma morenaça de meia idade, recém separada e que ainda carregava consigo  algum travo do veneno que se foi destilando no relacionamento passado.  Passou, assim, a utilizar, facilmente,  o antídoto carabinesco como droga de eleição. Estabeleceu-se, claro, um grande problema lojístico. Ele e Altina moravam no mesmo prédio, qualquer deslize: a vaca escorregaria para o brejo.
                               De início combinavam , por telefone, encontros em motéis distantes. Aos poucos, no entanto, Suetônio percebeu que a sexta feira à noite transformara-se num achado. A esposa e os filhos já estavam na praia. Ele apenas entregava o plantão a um colega a partir das dez da noite. Voltava para casa, ligava para Altina que, sorrateiramente, subia para seu apartamento e, aí, a lua de mel  estava garantida. No dia seguinte, cedinho, a noiva se esgueirava escada abaixo e ele partia para praia, cansado, estafado de um plantão bem mais caloroso e lúdico.
                               A farra permaneceu imutável por mais de um ano. Um dia, no entanto, como podia se prever, o cão atentou. Não se sabe bem se a hecatombe teria acontecido por mero acaso ou se a esposa de Carabina desconfiou de alguma coisa : algum telefonema, alguma peça íntima extraviada. O certo é que, sob o pretexto de ter esquecido a chave da casa da praia, de madrugadinha,  a patroa retornou numa fatídica sexta feira. Abriu a porta do apartamento com a outra chave que carregava no chaveiro do carro. Quando empurrou a porta do quarto de casal, quase cai estupefata com a cena que presenciou. Suetônio e Altina, em pelo, dormindo o sono dos serafins, na cama do casal, após a  estafante batalha de Eros.
                                A esposa armou o maior barraco:
                               ---  Na minha cama, seus sem vergonhas ! Me respeitem ! Peraí queu voltou já e vai ser caco de ovo e de priquito pra tudo quanto é lado !
                               A mulher, como um miúra enfurecido, partiu para a cozinha em busca do rolo de pastel. Altina, juntou os trapos, como pode , vestiu-se à medida que descia as escadas, e se escafedeu, antes que a fera voltasse para cumprir a ameaça e chegassem as testemunhas oculares para flagrar o mico. Quando a esposa retornou, ainda aos berros, encontrou um Carabina estranho. Olhos fitos na parede, face  inexpressiva, sem balbuciar qualquer palavra. Nem sob a ameaça do rolo de pastel no toitiço,   Suetônio se aluiu.   Permaneceu imóvel por mais de meia hora, quando se levantou, abriu o guarda roupas, vestiu o smoking , pôs o cromo alemão nos pés e depois partiu para o banheiro  e entrou debaixo do chuveiro. Voltou, sem dizer palavra, plantou bananeira e ficou assistindo televisão de ponta cabeça. De início a esposa ainda enfurecida, imaginou que tudo fosse uma armação, mas ,depois do segundo dia, começou a se preocupar. Carabina permanecia silente, não se alimentava, parecia alheado. Foi aí que resolveu chamar um colega e compadre psiquiatra, o Dr. Loreto.
                               O alienista veio de pronto e encontrou um paciente totalmente desconectado do mundo. Pensou , de início, num surto agudo de esquizofrenia catatônica. Quando a esposa, no entanto, saiu do quarto, em plena consulta, para pegar alguns remédios que Carabina tomava eventualmente, súbito o paciente recompôs-se e sussurrou para o psiquiatra:
                               --- Loreto, bico calado! Me interne imediatamente, depois eu te conto tudo !
                               O alienista sacou que havia alguma coisa errada. Quando a esposa retornou ele disse-lhe que , a seu ver, parecia um surto psicótico e que se fazia imperioso um internamento em uma Clínica de Repouso.
                               -- É para prórpia segurança dele e da família !Avise aos familiares e amigos que se trata de uma estafa, para não queimar o filme do meu compadre !
                               Procedido ao internamento,  Loreto , por fim, ficou a par da enrascada em que  Carabina se metera. Manteve-o ali por mais uma semana e, depois, deu alta sob a severa orientação de que melhorara, mas apenas parcialmente e que nunca se poderia prever quando os surtos retornariam.
                               --- Ele não pode ter nenhum tipo de preocupação ! Todo cuidado é pouco! A saúde mental dele é um castelo de cartas !
                               Suetônio voltou ao trabalho. Não se tocou mais ao assunto melindroso das sinuosas e derrapantes curvas de Altina. Se Simão Bacamarte descobrira, um dia, que a loucura é um continente no mar da razão, Carabina acabava de confirmar que, em casos específicos, pode ser também um porto.

Crato,  09/05/14

terça-feira, 6 de maio de 2014

A DISPUTA SERÁ ENTRE PT E PSDB? - José do Vale Pinheiro Feitosa

A cinco meses das eleições presidenciais tudo indica que a disputa se dará entre a atual Presidenta Dilma Roussef e o Senador Aécio Neves. Ambos mineiros, mas igualmente atrelados politicamente ao projeto paulista. Parece cada vez mais difícil para Eduardo Campos do PSB construir uma via alternativa a esta polaridade política que já perdura duas décadas.

Obstáculos de várias ordens se põem no caminho de Eduardo para expressar a verdadeira alternativa a que se propõe. O domínio dos meios de comunicação pelo eixo São Paulo-Rio e a vinculação deles à hegemonia internacional dos EUA é um grande obstáculo. Eduardo apenas será validado se for para facilitar o segundo turno com Aécio Neves.

Outro grande obstáculo do Eduardo é conseguir fontes de financiamento para mais do que ser linha auxiliar do projeto político bipolar PT e PSDB. Sendo um político de grande prestígio em seu estado, Eduardo Campos não teve tempo para se constituir como um grande líder nordestino. Eduardo não foi nos últimos anos aquele personagem que atuou nas cenas principais do país.

Não vamos esquecer que Collor de Mello foi inflado pelo medo das oligarquias com os partidos de origem trabalhista. A mídia lhe deu uma dimensão política maior do que tinha e os meios empresariais deu eco a isso durante todo o seu mandato como governador de Alagoas. Numa sociedade empobrecida e injusta a campanha de que funcionários públicos ganhavam absurdos enquanto o povo morria de fome, colou como uma luva no sentimento popular.

E observemos a contradição de que um verdadeiro Marajá nordestino conseguia convencer que toda a exploração dos trabalhadores era devido aos altos salários do setor público. Era um desvio linguístico e um corta luz da realidade em que os empresários esfolavam os trabalhadores. Os empresários eram quem puxavam os cordões do Collor. Quando ele não se prestou mais para o exercício do fantoche, tiraram-no de cena, mas tendo o cuidado de aliviá-lo de todos as denúncias recebidas com aconteceu no ano atual. Contemporaneamente José Dirceu do Partido dos Trabalhadores recebe regime prisional fechado quando o plenário do TSF lhe deu regime aberto.  

Udenismo é a palavra chave para compreender esse linguajar que construiu a mercadoria Collor de Mello, com a rede Globo hegemônica fazendo todo a estratégia de Marketing e o merchandising inserido nos noticiários de suas emissoras. A primeira face do Udenismo no Brasil é ser extensão dos empresários conservadores atrelados ao projeto americano e ser a cozinha da mídia nacional. A marca é o denuncismo, o moralismo anacrônico, a agressão verbal aos adversários, o levante da classe média e especialmente a bandeira de que é preciso escorraçar da vida política todo ator que milite na causa dos trabalhadores.

Isso acontece até nas disputas municipais. Mesmo quando apenas representam brigas paroquiais de grupos querendo dominar o poder municipal, é certo que os atores que operam nas redes sociais, jornais, rádios e televisão representam verdades e mentiras do que é interesse público e dos trabalhadores (“quem trabalha é quem tem razão”). Não é incomum que vozes do poder de ontem que eram tão virulentas contra qualquer crítica de sua administração, hoje se diga a voz da democracia perseguida pelo poder atual. E tome denúncias e CPIs para cima do Executivo.

Empresários conservadores, mídia empresarial, udenismo e a falsa figuração das verdades do povo se constitui no recheio onde a polaridade na política atual ainda se manifesta. Isso tudo serve para melhorar efeitos e esconder os verdadeiros projetos políticos (econômico e social) que representam. Dando o desconto de ser ele do campo trabalhista, entendo que o PT e o PSDB estão apresentando as seguintes propostas segundo Paulo Vanuchi:

“A ideia de que o Brasil tem que seguir nessa linha de promover crescimento, mais emprego, recuperação do salário mínimo e gastos sociais em programas como o Bolsa Família.” (a linha de ideias tem como matriz os interesses dos trabalhadores e assalariados).

“O estado não pode gastar tanto na questão social e é preciso estimular a produção dos grupos empresariais, controlar os gastos excessivos, impedir que o salário mínimo cresça criando problemas para empresas e prefeitos com a defesa de que se houver um relativo aumento do desemprego, esse será o remédio amargo que o sistema capitalista requer que a economia funcione melhor.” ( a linha de ideias das grandes corporações produtivas e financeiras).


A dar credibilidade à análise de Vanuchi tem-se a própria mídia-empresarial ao acompanhar declarações do Senador Aécio Neves e do financista Armínio Fraga e o próprio discurso da Presidenta Dilma no dia primeiro de maio.  

segunda-feira, 5 de maio de 2014

VIVA O POVO BRASILEIRO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nesse feriado do primeiro de maio fui assistir ao filme Getúlio que trata dos dias desde o atentado contra Lacerda até o suicídio do Presidente barrando o golpe político que se armava. Ao mesmo tempo tenho fuçado blogs e jornais sobre a crise da Ucrânia e sem perder de vistas as próximas eleições brasileira.

Mesmo que os EUA e a União Europeia tenham dado um troco à Rússia em seu proselitismo no mundo, especialmente na Síria e no caso Snowden, de repente passamos a enxergar o renascimento da grande Rússia que fora perdida com o fim da União Soviética. E mais ainda: a China incomoda mais do que a mídia ainda expõe. Basta se observar que Obama tem dito para sentir a tensão que se cria no assunto China.

Acontece que os EUA e a União Europeia estão numa louca corrida para conquistar o Leste Europeu e forçam a América Latina a aderir aos seu bloco comercial. Isso considerando o jogo no Mar da China e no sudeste asiático. Enfim o polo ocidental do hemisfério norte, não quer conversa de BRICs e nem a consolidação econômica de um rede cooperativa e complementar entre a China e a grande Rússia (com essa possibilidade a grande Rússia se torna mais turbinada).

Aí vêm as eleições este ano no Brasil com dois discursos em disputa que se consolidam sem a aparente possibilidade de uma terceira alternativa. Acontece que o Eduardo Campos, por essas coisas da política, que poderia fazer essa alternativa se consolida com uma força auxiliar da viabilidade de Aécio Neves. O Aécio com um discurso de fazer corar de vergonha o seu avô Tancredo Neves, diz uma bocado de bobagens sobre suas semelhanças com Eduardo e na prática diz que o Campos seria um auxiliar dele.

Mas o que tempos em disputa nas eleições? Um discurso de austeridade econômica, lacerdista nos termos que levaram ao suicídio de Getúlio (corrupção, destruição do adversário, união de mídias etc.) e atrelado ao bloco União Europeia/EUA. O outro discurso marcou posição no primeiro de maio propondo a união dos trabalhadores e da classe média como modo e manter a independência do Brasil em relação aos conflitos mundiais.

Retornemos a Getúlio. Nos anos 30 e 40 do século passado, a crise econômica do liberalismo econômico a ordem mundial se esfacelou em vários modelos de sociedade – comunista, social democrática, fascista etc. A evolução de uma guerra mundial, com milhões de mortos, terminou por consolidar um modelo hegemônico de economia e sociedade.

Getúlio Vargas chegou à Presidência da República por uma luta armada que destituiu o governo e empossou outro. Em 32 a oligarquia do café de São Paulo tentou impor seu jogo. Em 35 trabalhadores e militares tentaram a alternativa comunista. Em 37 houve assalto ao próprio palácio presidencial por parte dos integralistas (que representavam o modelo fascista). E claro a eclosão da segunda guerra mundial acelerando enormemente o processo.

Getúlio adotou um modelo pendular, independente em relação às nações em conflito, ao mesmo tempo que foi consolidando uma aliança com as classes trabalhadoras urbanas e com uma certa classe média que nasceu dos empregos estatais. Com as radicalizações, que processos tão intensos como esses determinam, a verdade é que o Brasil se manteve como força nacional com peso na economia mundial, na cultura e como exemplo de nação independente no contexto mundial.


Eis a questão central dessas eleições: não aderirmos a qualquer bloco, não sermos caudatários de nenhuma nação ou blocos, mantermos capacidade de diálogo internacional amplo, promover a união de quem trabalha e produz e sobretudo ter o que dizer como modelo de sociedade no grande conflito que ocorre no que se chama crise econômica. 

domingo, 4 de maio de 2014

FESTA DAS MÃES E ANIVERSÁRIO DO CTC



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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Grande demais para falir - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quem não esqueceu e ligou os dois neurônios para a mensagem deve lembrar. A empresa privada é superior à pública pois se fracassar falirá enquanto no outro caso a sociedade pagará a ineficiência. E assim a coisa privada ocupou todo o cenário e prometeu um vida muito melhor para todos.

Mas não entrega a velocidade da internet. A telefonia móvel é uma mixórdia de mentira, raiva e engabelação. Mudaram o modelo de negócio das companhias aéreas e tudo é pago, até certos assentos na fileiras apertadas.

Quer dizer: a consonância entre o que pode e deve e aquilo que entrega não existe. E é caro. Muito caro. Certos medicamentos psiquiátricos custam mais de R$ 800,00 mensais para ter efeito. Medicamentos contra o câncer não só custam o mesmo que apartamentos luxuosos como são controlados por uma máfia picareta que ganha nas duas pontas.

Observem que a manutenção da vida já ultrapassou os limites das necessidades básicas contínuas. O domicílio tem inúmeros taxímetros rodando continuamente: eletricidade, água e esgoto, retirada do lixo, televisão a cabo e telefonia. Mas a dependência não fica aí: toda a parafernália eletroeletrônica e mecânica que entulha os vãos dos domicílio tem a necessidade sistemática de manutenção.

Uma lâmpada iluminada a eletricidade se tornou um escândalo de obsolescência: duram menos de um décimo que poderiam durar. Já viram como os faróis dos automóveis não levam nem seis meses para queimar? O quanto estas lâmpadas novas a gás que economizariam a conta da luz queimam com muito menos horas de uso do que o fabricante promete?

Então inverteu-se a racionalidade e o avanço do conhecimento num cavalo de pau louco onde a dinâmica é a dos cassinos. Um bando de ricos apostando lucros em medidas arriscadas que transformaram a produção em canal privilegiado de enganar e extrair maiores lucros.    

E agora na crise de 2008, que dizem ser a crise ideológica daquele discurso neoliberal, caiu a viga principal que o sustentava. E o tombamento da estrutura tem a frase germinal dele: grande demais para falir.


Voltamos à origens: se não podem falir, a sociedade paga a conta.  

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Pelé e o Brasil - José do Vale Pinheiro Feitosa

A consciência crítica sobre a ditadura e o massacre social no nosso país sempre viu Pelé como um mito que não se preocupou com as origens de classe e etnia de sua família. Nunca fez um gesto para denunciar o status quo que sufocava os pobres e nem levantou lebres contra o racismo que se expressa contra a população que se originou na África.

Pelé, um negro e ídolo popular, chegou até falar em amor quando vivíamos uma das situações mais críticas de repressão política. Gostava de aparecer ao lado dos poderosos e andou bem distantes de mitos negros de repercussão mundial como Miriam Makeba que abriu uma luta mundial contra o Apartheid em sua África do Sul.

O que se diz sobre ele no mundo sujo do marketing, associações com empresas, patrocínios e contratos de jogadores é uma corrente que toma energia na mesma fonte dos velhos cartolas do futebol. A face corrupta e mercenária por vezes é assacada contra ele nos meios de comunicação especializado.

Por tudo isso Pelé é posto do outro lado da rua em relação àqueles que lutam por uma vida melhor, por justiça social e por maior igualdade pública. Mas aí é que começa a minha narrativa.

Pelé foi por muitos anos o maior símbolo da capacidade dos negros em todas as sociedades que os discriminam. Pelé, pode ser que não Edson Arantes do Nascimento, mas Pelé é a força da raça, o vitorioso, o gênio aquele ser superior que toda cultura deseja. Especialmente a cultura dos povos explorados e oprimidos.

Pelé, até por ser brasileiro, por vir de um país pobre e sujeito às tempestades dos impérios arrogantes, terminou por representar no imaginário de povos em igual situação a rota da superação histórica. Por isso todo brasileiro que estivesse no mais remoto lugar da Ásia, da África, da América do Sul e até da Europa era automaticamente identificado por Pelé. Pelé era sinônimo de brasileiro.

Esta coisa que o Brasil ainda carrega. De ser este gigante territorial que pode contribuir com outro modo de fazer política. De ser alegre, tolerante, aberto à diversidade, lutar pelo progresso material nacional mas sem comandar a estratégia imperial do domínio e do controle dos povos. Este Brasil mulato, branco, negro, indígena e japonês que é cor de todas as cores.   


Em conclusão: os setores mais progressistas não conseguem ver em Pelé a essência da sua genialidade popular e o mais arraigado pensamento de direita, que deseja ser o Brasil o mero reflexo de um espelho do majestoso imperial do hemisfério norte, vê no nosso povo apenas a sua marcha serviçal. 

"É FOGO" - José Nilton Mariano Saraiva

Numa dessas nossas andanças pelo Brasil, certa vez desembarcamos em Curitiba, a belíssima e agradável capital do Paraná, já à noitinha e com o tempo bastante frio. Em chegando ao hotel, a surpresa: no hall, dentro dos elevadores, nos corredores, nas portas dos apartamentos e, enfim, por todo o prédio, cartazes em letras garrafais anunciavam: “A falta d’agua é fogo”.

De princípio, não demos maior importância, porquanto a prioridade era se acomodar o mais rápido possível e logo partir para conhecer a noite curitibana.
E aí a surpresa: ainda no elevador, o “office-boy” encarregado de transportar as malas, notando o sotaque diferente dos integrantes do grupo, indagou de onde éramos. Ao saber sermos cearenses, do Crato, Fortaleza e tal, identificou-se como também cearense, só que se São Benedito, na Serra da Ibiapaba. Não se conteve e, apontando para o cartaz afixado numa das laterais do elevador, disparou: “Tão vendo isso aí ? É que aqui tá faltando água há vários dias e “eles” tão passando por grande dificuldade” E emendou: ”Eu acho é pouco. Só assim “eles” vão ter consciência do sofrimento que nós, nordestinos, passamos com a seca”. Já instalados, telefonema da portaria reverberava o dito pelo office-boy: “Senhor, queríamos comunicar-lhe que toda a cidade está com problemas de falta d’agua e, assim,  pedimos sua compreensão a fim de consumir o menos possível, só o absolutamente necessário”.

A reflexão nos remete ao drama pelo qual passa o todo poderoso Estado de São Paulo, atualmente no enfrentamento de uma estiagem braba e demorada, com água faltando até para as necessidades básicas e com perspectiva de racionamento iminente. E como o tal São Pedro não tá nem aí para o drama dos paulistanos, a tendência é a coisa piorar.

Mas, como não há mal que dure para sempre, naturalmente a “coisa” passará algum dia; e aí, pode ser que eles deixem de “frescura” e não fiquem a reclamar da transposição das águas do Rio São Francisco, sob o argumento que a Região Nordeste não é prioritária e que se está jogando dinheiro fora com um projeto de tamanho alcance social.


Por enquanto, vão ter que reprisar o lengalenga que ouvimos dos  curitibanos, àquela época:  “A FALTA D’AGUA É FOGO”. 

sábado, 26 de abril de 2014

TESTES PARA ELENCO DE ESPETÁCULO


MONÓLOGOS DAS FLORES VIOLADAS
Drama de Cacá Araújo baseado em fatos reais.

1. Sinopse:

Antônia, Isabel, Alice e Cecília são parte de um universo atormentado e agonizante. Suas histórias são traços da realidade e a elas é imposto o trágico destino de viver à margem da dignidade.

É denso e atormentado o percurso psicológico das personagens: ouvem e repetem vozes e ações, sentem e repelem as agressões e os odores da violência. É a vida que se arrasta ferindo e manchando a inocência... É a morte que, mesmo vindo cedo, demorou demais.

2. Proposta do espetáculo:

A peça, escrita em 2008, foi baseada em fatos reais descritos na série de reportagens intitulada DOCUMENTO BR – HISTÓRIAS DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NAS RODOVIAS FEDERAIS, publicada pelo jornal O POVO, Fortaleza-CE, em 17 de dezembro de 2006.

Sua encenação enveredará pelo naturalismo e se propõe ser uma denúncia que, pelo choque, inspire a reflexão, ações educativas e o funcionamento da justiça.

3. Inscrições:

3.1. As atrizes poderão se inscrever através do endereço eletrônico cacaraujo66@yahoo.com.br ou por meio de mensagem privada aqui nesta página do Facebook, no período de 26 de abril a 10 de maio de 2014. 
3.2. Para efetivar a inscrição, deve-se encaminhar uma breve comunicação contendo: a) nome completo, nome artístico, data de nascimento, endereços (físico e eletrônico), contatos telefônicos, e currículo resumido (até 10 linhas). 

4. Seleção:

4.1. Os testes serão realizados nos dias 17 (sábado) e 18 (domingo) de maio de 2014.
4.2. Feita a inscrição, cada atriz receberá, por via eletrônica, orientações contendo data específica, hora e local, além de textos-base para a composição de uma cena com duração de 3 a 5 minutos.
4.3. Serão selecionadas 04 (quatro) atrizes, que comporão o elenco do espetáculo "Monólogos as flores violadas", com dramaturgia e direção de Cacá Araújo.

Crato-CE, 26 de abril do ano 2014.


Cacá Araújo
Diretor da Cia. Brasileira de Teatro Brincante

+ Informações:
(88) 8801.0897 
(88) 9921.7140 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Pompeia




J. FLÁVIO VIEIRA

                                               A mulher ralhava, os filhos implicavam.  Aquele hábito diário do velho Vulpino Seabra incomodava toda a família. Lembravam que os tempos agora eram outros, que a violência andava à solta, que com  internet e afins já não se justificava sair flauteando por aí, mal o sol se esgueirava por trás da  serra, ainda espreguiçante. Nem precisava: tinha um Sacolão logo na esquina , e o vendedor de porta em porta com sua  carrocinha. Sentiam-se os familiares   diminuídos, vendo um membro importante da família teimando com um trabalho de vassalo. Principalmente porque os tempos das vacas magras já haviam passado, os velhos tinham se aposentado, os filhos estavam bem colocados: queriam mais era travestir-se de um ar nobiliárquico e apagar de vez , da memória de todos, aqueles passado de liseira. Vulpino, no entanto, fazia ouvidos de mercador. Preparava, com desvelo de ourives, o velho cigarro de palha que dependurava aceso em um dos cantos da boca, pegava a cesta grande, raceada com balaio,  e , num nem “escuto o barulho da mutuca”, partia para o Mercado, antes que os raios sanguíneos escorressem  como uma hemorragia na linha do horizonte.  Desde que se aposentara sempre fora assim. Cedinho trazia para casa frutas e verduras frescas , ainda com o cheiro de terra e de orvalho.
                                               Vulpino trabalhara na agricultura e o convívio com o multicolorido das frutas e verduras , o cheiro doce das primícias terrestres lhe traziam uma profunda paz à alma. Além de tudo, como todo velho, tinha um acordar madrugante e exasperava-se com a preguiça dos demais familiares. No mercado encontrava com os demais companheiros de geração e iam, pouco a pouco, entre um corredor e outro, colocando as fofocas em dia. E havia, ainda, inúmeras outras qualidades. O mercado fazia-se um lugar propício para as contravenções culinárias. Ali tomava o caldo de mocotó logo pela manhã, espantava o anjo da guarda com a primeira bicada de zinebra , com o tira-gosto de buchada ou sarapatel.  Naquele espaço inda não tinham sido descobertos o sal e  o colesterol . A rapadura e doce de leite nunca fizeram mal  ao diabetes. Ademais,  qualquer indisposiçãozinha transitória tinha, logo defronte, a barraquinha das meizinhas : marcela, ipepaconha, boldo, capim santo, hortelã...  Àquelas horas, todos os pecadilhos eram permitidos e nem adiantava os implicadores de sempre virem especular : nunca havia testemunhas de possíveis delitos cometidos. Valia a Lei da Omertà.
                                               Havia ainda uma outra grande atração no Mercado de Frutas. Sempre era possível ir se enxerindo para uma ou outra vendedora. Puxava-se conversa daqui, encomprida uma outra ali e, muitas e muitas vezes, reacendiam-se chamas que se imaginavam totalmente extintas, sufocadas em meio às cinzas dos anos. Vulcões inativos , remexidas placas tectônicas enferrujadas, voltavam a cuspir lava como nos tempos de Pompéia e Herculano.
                                               Por tudo isso, Vulpino não abria mão da viagem matutina. Percebia que vinha um pouco mais de verduras e frutas na cestinha, quando retornava do mercado. Trazia o mistério do frescor das fontes e da erupção súbita dos vesúvios extintos.
Crato, 24/04/14