TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

domingo, 11 de janeiro de 2015

TÊNUE E PERIGOSA FRONTEIRA - José Nilton Mariano Saraiva

A priori, e com absoluta convicção, que fique bem claro: assim como meio mundo e a outra banda pensa, também entendemos como vil, inadmissível e covarde, sob qualquer ângulo que se observe, o atentado ao jornal francês (e as mortes daí decorrentes).

No entanto, e já que a questão está posta à mesa, bem que se poderia aproveitar a ocasião para tentar esclarecer dúvidas ou questionamentos pertinentes: afinal, qual o alcance desse tal “direito de expressão” ou “liberdade de imprensa”  ??? Não haveria aí uma certa “subjetividade” caolha, um certo “excesso” de bondade, uma determinada e indesejável “liberalidade”, para com os integrantes de tal segmento ???

Ou o “agredir”, “desonrar” ou “injuriar” publicamente se enquadraria em tais conceitos ??? O “enxovalhar” com outrem, em razão de divergências político-religiosa-cultural, poderia ser considerado algo “normal”, “direito” ou “permissível” ??? A tentativa de incitar terceiros  contra uma determinada instituição, cultura ou crença (e a imprensa tem esse poder, sim), se enquadraria como “aceitável”, mesmo que através de “inocentes” (?), mas, paradoxalmente, ácidas e auto-explicativas “charges-(pseudo)humorísticas” (?) como restou comprovado ser a característica marcante do Charlie Hebdo ???

Não custa lembrar (guardadas as devidas proporções), que por essas bandas algo parecido (na essência) aconteceu recentemente, quando o panfleto da Editora Abril (a revista ÓIA-Veja) antecipou o lançamento de sua edição semanal para manchetar em capa (sem que houvesse nenhuma prova comprobatória) que “Lula e Dilma sabiam de tudo” (sobre os malfeitos da Petrobras). E não só os brasileiros como todos com um mínimo de neurônios consideraram tal iniciativa um autentico “jogo sujo”.

Assim, repetimos a fim que dúvidas não pairem e/ou julgamentos precipitados sejam externados: em sã consciência ninguém é favorável a que qualquer ser humano seja “executado” de forma violenta e covarde por essa iniciativa (falta de respeito a instituições, crenças ou pessoas, literalmente), mas, não seria o caso de se pensar duas vezes (o “escriba”,  lá na origem, quando com o papel à frente e a caneta à mão) antes de tentar “descredenciar de graça e irresponsavelmente” um presumível “adversário” ???

Afinal, se no Ocidente veneramos um ser superior a quem denominamos “Deus” e a ele exigimos respeito, por qual razão lá no Oriente as pessoas não podem venerar e exigir respeito ao “seu” ser superior, denominado “Maomé’ ??? Como aceitar seja ultrajado, gratuitamente ???

Juntando as pontas, a verdade é que é perigosamente imperceptível (sob qualquer ótica), a fronteira entre o “poder” teoricamente albergado no tal “direito de imprensa” ou “liberdade de expressão” e a convivência pacifica de povos de “credos díspares” ou “culturas antagônicas” (até porque os fundamentalistas são, na acepção plena do termo, isso mesmo, fundamentalistas; e, pois, jamais abririam mão dos seus princípios, por mais que os consideremos radicais).  

Assim, embora a comoção que tomou conta de todos (insuflada pela imprensa, sim) com o ocorrido em Paris, seja de certa forma compreensível (afinal, Paris é Paris), também deveria servir de uma séria reflexão sobre os “excessos” do “quarto poder” (a imprensa), antes que dele nos tornemos reféns. A propósito, aqui em Fortaleza, no bairro denominado Bom Jardim, todos os dias uma “carrada” de gente é fuzilada sumariamente e sem piedade, sem que a imprensa repercuta (afinal, assim como Paris é Paris, Bom Jardim é Bom Jardim e... estamos conversados).

Alfim entendemos que antes de adentrarmos e bradarmos tratados sociológicos ou coisa parecida, a respeito, urge que nos questionemos seriamente sobre essa tênue e perigosa fronteira: afinal, qual o alcance desse tal “direito de expressão” ou “liberdade de imprensa”  ??? Seria o mesmo que os “anarquistas” usam para exigirem “democracia”, quando dos seus excessos em manifestações ???

Mas... anarquia e democracia por acaso têm alguma semelhança uma com a outra ??? Não são amazônica e diametralmente opostas ??? Como esconder-se atrás de uma para justificar a outra, se tão paradoxais ???



sábado, 10 de janeiro de 2015

LUPIN, LEMBREI DE VOCÊ! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Que sumiu destas páginas. Não mais vi suas charges e cartuns instigantes. Aquela parte da humanidade que não se encontra na fileira dos contentes. Tinha uma capacidade crítica sintética que é quase um dom na nossa verborragia de todos os dias. 

E Lupin lembrei de você por um acontecimento que nem sei se lhe é uma boa recordação. E nem para os que estiveram no solavanco daqueles dias. Um sentimento de morte e de dor. De integridade desfeita. De agressão ao núcleo mais preservado que se imaginou.

E Lupin tocava exatamente nesta questão. Até os nossos núcleos de preservação já foram invadidos. Tudo virou pop, consumível, rotulado, precificado. Quando até os alicerces que deveriam sustentar uma exuberante doutrina são descobertos para que de suas ruínas se extraiam entradas pagas, aquelas charges publicadas por Lupin disseram o que era necessário.

E por isso retorno a esta questão da crítica. Da coragem de expor todo um terreno instável que ou provoca tragédia por desmoronamento ou deixa as pessoas atoladas à espera que a morte as liberte. 

Pronto Lupin. Era só para fazer um elo entre os últimos dias e aqueles.  

NOVO INCÊNDIO DO REICHSTAG? José do Vale Pinheiro Feitosa

O mundo se espatifou. Morreu gente pra burro. De fome, de bala, de praga, largado, fugindo, morreu gente. A Europa em frangalhos, se matava uns aos outros, mais a uns que a outros só porque o sujeito estava fora da linhagem da grande burrice humana.

Aí a grande guerra acabou. Os estúpidos se olharam no espelho e outros se maquiaram para aparentar outra coisa do que teriam sido. Mas afinal em torno da estripação generalizada, o melhor mesmo seria manter as vísceras no abdome.

Acordo feito e começou uma paz de araque. Um bando de burgueses tecendo regras para tudo. Na igreja, na calçada, na rua, debaixo da escada, nos lupanários a mijar na fidelidade impossível. E esta hipocrisia ficou à amostra.

Foi este acordo de merda, sem futuro e pleno de apenas representações que foi questionado pelos filhos dos operários e da burguesia. Na música pop, nas manifestações de rua, na iconoclastia ampla e geral.

Esvoaçantes vestimentas de hipocrisia rasgadas no cerne da cultura. Tudo, que é sistemático esteve sujeito ao olhar crítico e desarranjador de uma fé que escondia a descrença de tudo que era por medo de ser diferente.

E por aí que vejo a geração, o trabalho, a linha, a sequência do seminário Charlie Hebdo. Estamos falando da cultura que mostrou a arrogância e o embuste de tantos valores feitos apenas para alienar a consciência da realidade.

Vamos ao cerne. Há uma direita raivosa querendo superar as desgraças do capitalismo salvando a alma dos capitalistas. E são estes “cavaleiros do apocalipse” que necessitam de um novo “incêndio do Reichstag” para implantar o autoritarismo raivoso e violentador nos governos europeus.

Este atentado tem tudo menos culpa dos cartunistas. Quem assim andou pensando, escrevendo e falando não consegue esconder o rabo das suas farsas burguesas. Ora se você é muçulmano jamais desenhe Maomé, mas não venha me proibir de desenhar o que desejo desenhar, inclusive Maomé.

É este o limiar do problema. Se algo não pode ser criticado, nada o poderá. Para a crítica não há limite, embora se tenha como certo que este mandato crítico, faz parte do desmascaramento e ao mesmo tempo do aprendizado. Ninguém vai querer ser a seiva de uma civilização degenerada em perdas do faz-de-conta.

A morte do pessoal do Charlie não é apenas a morte privilegiada de europeus. Nisso eu discordo de muitos que analisaram assim. O que se tem por parte disso é que os fascistas são aqueles lá fora, não a revista. E a morte da revista tem o mesmo dom da mudez que existe nos milhares de iraquianos, sírios, afegãs, paquistaneses mortos na ação imperial americana e europeia.


A questão é que a Europa anda rapidamente para o velho cenário turbulento do sofrimento e da perseguição, tudo para salvar os anéis dos senhores do dinheiro. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Será que nossas paixões se diluíram nas águas amazônicas deste continente chamado Brasil? Por que tantas tragédias parecem menores que em outras nações? E falo dos dramas, das dores, das perdas, das corridas ao precipício das nossas condições estaduais.

Mas assim não foi com o Rio Grande do Sul. A simples unidade política do que antes era uma carnificina entre ximangos e maragatos engendrou uma revolução no país inteiro. Ali se vivia na fronteira entre ser e não ser, entre cruzar a linha ou não cruzar. E não cruzaram.

Como o Uruguai cruzou e tornou-se uma cunha perfeita a dividir a bacia do Prata. E nós pouco sabemos de sua cultura. Sabemos de sua história, de ter tido uma educação universal, excelente qualidade de vida e que isso tudo decaiu com a crise dos seus produtos primários.

Que a tragédia se fez em forma de uma ditadura Militar sangrenta, como cá. Que os músicos, poetas, artistas, profissionais liberais, pegaram em armas para superar o impasse e novamente retornarem ao lugar de sua forma na história.

O Uruguai é um tanto argentino, muito gaúcho, mas é sobretudo um encontro dele com a sua alteridade. E até o encontro deles com eles mesmos.


E pouco sabemos da música Uruguaia, seus ritmos variados, suas influências variadas, desde a milonga, passando pelo tango, pela música negra (candombe), por tantos estilos, inclusive latinos em geral e brasileiro em particular. 

Al otro lado del rio - Jorge Dexler 

Com "Al otro lado del rio" Jorge Dexler ganhou um Troféu Oscar de trilha sonora. Para o filme "Diários de Motocicleta" de Walter Salles. Escutem com atenção a letra da música, estamos falando da juventude de Che Guevara tentando conhecer uma alternativa ao lado da vida em que ele se encontrava.  

No quiero hablar de esas cosas - Samantha Navarro

Olhem que música e mulher bonitas! Ficamos com vontade de ouvi-la várias vezes.

Amandote - Jaime Roos

Uma canção por demais experimentada, mas com arranjo e uma voz singular. 


JE SUIS CHARLIE - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ora atravessar a rua de uma cidade se diferencia quando eram carroças e quando automóveis. Isso é: em Nova York, Paris, Londres, na era das carroças o descuido ao atravessar uma rua era fatal. Talvez não no Crato.

O que se tem é que casas de um lado e outro, uma via estreita e concentração de pessoas é o modelo humano que caracteriza a cidade. Os equipamentos, instrumentos e tecnologias mudam muito, mas as cidades são o que são.

Onde quero chegar?

A que o modelo do capitalismo é o mesmo. Tem evolução, recebe novas práticas, acentuam-se as transações, sua logística, facilita eletronicamente sua matemática, mas o velho capitalismo é o mesmo e está em crise. Crise séria. A ponto de pensadores como Wallerstein imaginarem uma passagem ao pós-capitalismo.

Formular o pensador americano que ao entrar em declínio esta ordem se desagregando liberta uma certa emergência (por falta da ordem) ao mesmo tempo em que expande os valores de um pós-capitalismo. Essa dinâmica pode pender para o lado de um sistema mais democrático e igualitário como exatamente para o oposto com um mundo mais hierarquizado, violento e desigual.  

Aí é que entra a política e a consciência de cada um, seja quem for, onde estiver e o que fizer. Estas duas alternativas irão “brigar” pela sucessão de modo que o conjunto histórico compreende o que cada um fizer, a cada momento, e casa assunto que se apresente à nossa realidade.

Estamos novamente na ocasião do poder da politização (consciência) de cada um.

Sobre o atentado em Paris é o que vemos. Compreender duas coisas simples: ele é um atentado político, como é, também, uma armadilha para empurrar a política para o lado da hierarquia, violência e autoritarismo. Essa é a direita da história. Aquela que tem a oportunidade de criar o horror aos migrantes de todos os continentes que estão na Europa.


Como diz a historiadora francesa Maud Chirio: “puro produto do obscurantismo e da tradição da violência fascista contra toda a filosofia das Luzes e do pensamento livre. A sociedade francesa está, portanto, confrontada com dois extremismos que acabam fazendo o jogo um do outro (jihadistas e extrema direita).  

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

ALAHU AL AKBAR (Deus é Grande) - José do Vale Pinheiro Feitosa

Sobre o atentado à revista humorística Charlie Hebdo na França, com o assassinato do pessoal de sua redação, incluindo o editor Charb e alguns cartunistas, entre os quais Cabu e o “Pelé” do cartunismo: Wolinski.

Sobre este atentado.

A razão histórica já tem boas análises do grande historiador Inglês Eric Hobsbawm. Melhor dizendo, sem desconsiderar as variantes fortuitas e conjunturais, ele sintetiza a razão, dos dois grandes conflitos mundiais do século, no liberalismo econômico como uma filosofia totalitária a dominar todas as instâncias sociais, econômicas e políticas.

Agora se conjure a crise do sistema bancário, o desmantelamento das proteções sociais na Europa, o problema energético (somos uma sociedade energizada e pelo petróleo) e mais a velhas rixas religiosas, étnicas e temos um caldo para ferver. Quem imagina o problema da Rússia com a Ucrânia como algo isolado, erra por usar antolhos.

Há hoje, anotem nos seus caderninhos, um grande questionamento dos valores democráticos como construídos após a segunda guerra mundial. Até animais “demofóbicos” andam dizendo que o Brasil vive numa ditadura. E dizem isso como forma de apregoar a ditadura. Para fugir à nau desgarrada da doutrina liberal (laissez-faire) os povos querem organização política para juntar a todos em busca de soluções.

Esta ação agudiza o campo das disputas políticas. O liberalismo controla os meios (mídia, finanças e produção), não cederá, mas a urgência da vida urbana, dependente de dinheiro para acontecer a cada passo que dar, é inquietante. E aí é que na velha, romântica, racional e brutal Europa o problema é politizado como em nenhum outro lugar.

Sempre foi assim. Os EUA passaram a grande recessão numa guerra surda, com levas de miseráveis de um lado para outro nos trens que não paravam de circular, mas sem nenhuma mudança social que não pelos braços do governo Roosevelt. Já na Europa foram os movimentos populares, desesperados, que politizaram a extrema direita, criando o Fascismo (Nazismo) e a fórmula autoritária.

Este atentando contra o Charlie é um atentado da extrema direita contra um jornal de esquerda, progressista, criticava a direita francesa, a ocupação israelense na palestina e propunha pensar o islamismo como um dado da história. Antes do atentado o último número da revista tratava de um romance escrito por Michel Houellebecq, intitulado Soumission, ficção em que o governo de Hollande ao seu fim apenas encontra a alternativa da Frente Nacional (de Le Pen, de extrema direita) ou o poder religioso. Aí o escritor desenvolve uma tese em que para não se deixar a Frente Nacional conquistar o poder, há um acordo para que o partido islâmico vença.

Então o livro é a construção desta suposta era de domínio político do islamismo na França sob um clima nada simpático.  Por isso o livro é tido como uma linha auxiliar da campanha de Marine Le Pen da FN. E desse modo gerou uma forte polêmica e tornou-se capa do Hebdo.  

Apenas se passaram 24 horas e muitas coisas serão esclarecidas ainda. Mas já existem certas evidências. A primeira: fica claro o “profissionalismo” dos atacantes. É gente fortemente treinada. A ação foi fulminante, rápida, arrasadora e até quando escrevo este texto, os principais suspeitos não haviam sido aprisionados. É quase certo que exista uma organização por trás disso tudo.

O ataque interessa às demandas autoritárias e antidemocráticas. Interessa à direita francesa. É um estopim para revoltas populares e para ampliação da xenofobia que já tomou conta de amplos segmentos na Europa. Por parte do governo se verá um endurecimento que extrai liberdades e favorece soluções de cúpula ao invés da construção popular. Enfim a vida em Paris hoje está um pouco mais difícil, especialmente nos ambientes públicos, inclusive o dos meios de transporte coletivo.

As principais mensagens das autoridades pelo mundo, Hollande, Dilma, Cameron, Rajoy, Merk e Obama apontam a questão do ataque à liberdade de imprensa. Mas a questão não é a liberdade específica da imprensa, mas a liberdade como um valor fundamental do indivíduo e do seu modo de socialização, culturalmente, economicamente e políticamente. Aí é que mora a grande questão.

Estaríamos diante de algo parecido com o atentado contra o príncipe herdeiro da Áustria que desencadeou a Primeira Guerra Mundial? Acredito que como rumo político estamos, não necessariamente como estopim de um grande conflito, mas como uma mudança geral na segurança entre as nações, assim como foram os atentados às Torres Gêmeas.

Algo este atentado diz a respeito de uma realidade em que:  “a metade dos principais projetos de óleo xisto dos EUA fica inviável com as cotações a US$ 60,00/barril”; “seis anos de ajuste, Europa enfrenta deflação recessiva, Itália tem desemprego recorde, Alemanha e França assistem a uma espiral de extremismo xenófobo, Grécia inclina-se para a esquerda, Portugal tem 500 mil desempregados e Espanha devastou sua rede de proteção social; “no Brasil indústria automobilística demite mais de mil funcionários.”


*Alahu al Akbar – assim os atacantes gritaram ao entrar e começar a chacina. Na ocasião a frase parecia o sentido de evocar a força maior, mas na realidade, como autores da ação, eles eram o próprio Deus se manifestando.






domingo, 4 de janeiro de 2015

O "DANADO DO XICO" - José Nilton Mariano Saraiva

E o Papa Xico parece que veio mesmo pra ficar.

É que, após investir de forma contundente contra os padres-pedófilos que infestavam (e infestam) a Igreja Católica, recriminando-os publicamente, afirmou: “Não haverá tratamento preferencial quando se tratar de abuso de crianças. Esse é um problema muito sério. Quando um padre comete abuso, ele trai o corpo do Senhor. Um padre deve guiar as crianças pelo caminho da santidade. E a criança confia nele. Se em vez disso, ele abusa dele ou dela, é algo muito sério”, acrescentou, revelando ainda que o Vaticano está investigando vários bispos por crimes relacionados a abuso de menores.
Mais recentemente, durante um desses eventos que reúne a cúpula da Igreja, teceu duras e ácidas críticas (ao vivo, olho-no-olho) aos cardeais medalhões da Instituição, literalmente rotulando-os de desatualizados e preguiçosos, porquanto portadores de “alzheimer espiritual e exibicionismo mundano” (a TV mostrou tudo).

Não esquecer que em dias anteriores, até como forma de provar que a corrupção é uma praga endêmica e que não respeita governos, instituições, países, seitas ou religiões, o Papa Xico já houvera botado pra correr uma cambada de religiosos corruptos e ladrões que de há muito “aliviavam” (roubavam) os cofres do Banco do Vaticano.

Pois bem, nessa semana o Papa Xico houve por bem acusar o recebimento de uma carta subscrita por 26 mulheres italianas, que imploraram sua interferência visando acabar com o tal “celibato”, a fim que pudessem manter relações “normais” (e “não proibidas”, como vige) com os padres-amantes, vinculados à Igreja Católica, a saber: "Caro papa Francisco, nós somos um grupo de mulheres de todas as regiões da Itália que escrevemos para romper a parede de silêncio e de indiferença que nos cerca todos os dias. Cada uma de nós vive, viveu ou gostaria de viver uma relação de amor com um membro do corpo eclesiástico, por quem somos apaixonadas", afirmam as signatárias. As mulheres não revelaram suas identidades nem os nomes dos seus companheiros padres, mas deixaram um número de telefone na correspondência e pediram "com humildade, que alguma coisa mude, não apenas por nós, mas também pelo bem de toda a Igreja". 

Agora, aqui pra nós, não seria mais racional e lógico a Igreja Católica reconhecer que o celibato apenas estimula os padres a cometerem “pequenos delitos” (masturbar-se, por exemplo) e acabar de vez com essa autentica excrescência ??? Afinal, como imaginar que a sexualidade dos padres não se manifeste ao se deparar no recinto da Igreja com aquelas beldades que a freqüentam em trajes sumaríssimos e pra lá de provocantes ???  Será que a depressão que acomete alguns desses padres (inclusive alguns famosos e metidos a cantor) não seria provocada por se obrigarem a esconder já terem tido contato íntimo com alguma mulher, criando-lhe o tal conflito de consciência ???

Sob pressão, em recente pronunciamento o Papa Xico já sinalizou com a possibilidade de discussão sobre o Celibato dentro da Igreja Católica, ao afirmar: “A Igreja Católica tem padres casados, católicos ​​gregos, católicos coptas e no rito oriental. Não é um debate sobre um dogma, mas sobre uma regra de vida que eu aprecio muito e que é um dom para a Igreja. Por não ser um dogma de fé, a porta sempre está aberta" (conforme reproduzido pelo jornal espanhol El País).


Fica a dúvida: e aí, o “danado do Xico” vai mesmo encarar ???

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Réveillon - José do Vale Pinheiro Feitosa

Hoje à noite comemora-se! Um intervalo de tempo. Que por vezes adquire uma personalidade substantiva: o ano. Que assim se põe a receber qualificativos: ruim, bom, tomara que passe, o que virá, como será o outro ano?

O Réveillon dos franceses nos é um toque de impressão da dominância cultural. Na época em que a França nos influenciava. E a palavra Réveillon é uma composição de “retour a la veille”. Ou seja, o retorno à véspera. Acordar para o novo tempo.

Neste retorno os governos do Brasil e dos Estados assumirão um mandato eleitoral. Não é uma ruptura com o passado. É uma passagem, projetada, do que aconteceu nestes últimos momentos do dia 31 de janeiro.

Mas, então, esta unidade organizativa, que é o ano calendário, serve de marcação para que as remadas no barco da vida sigam um determinado ritmo. Uma determinada velocidade. Um curso definido.

Mas é apenas organização. A vida é um contínuo de tempo se é a ele que temos atenção. Um espaço de vida onde se faz nele o que chamamos tempo. De modo que a contagem é mera ilusão, enquanto o que fazemos, os sentidos e significados que imprimimos, as decisões e posturas que tomamos é quem de fato se encontra no espaço do tempo do sol.

E nesta ação, que envolve a consciência de cada um, temos o bate pronto ou aquilo que é muito refletido, a longa decisão, pois afinal é este intervalo entre o perceber e o agir e ele é relativo. De qualquer modo este intervalo (se demorado ou não) e o conteúdo da ação é quem entrará no contador da consciência de cada um.

Duas coisas são certas. A primeira: eu quero ser mortal. Num mundo em que tudo que amo o é, porque quereria me prolongar além delas. A mortalidade delas impregna-me de um suave caminho de igualmente seguir. Não por vontade própria. Mas por ser o curso necessário de igualar-me a elas. E o mais importante, mesmo mantendo a crítica ao diferente, sempre a gravidade da igualdade me aprisionou.

A segunda: entre os próximos se encontra o desejo de igualdade, de solidariedade, de dançar a mesma valsa da história. Não tem sentido qualquer a pregação do socialismo, do campo da liberdade, do amor ao próximo, se aqueles com quem dormimos e acordamos, parecem o tédio da existência.

Na pia onde as nossas escovas se cruzam, o acordar é o desejo de viver. A seguir na sala, na cozinha e de porta a fora onde houver gente e sentido da igualdade e da liberdade.

Assim neste contínuo entre 2014 e 2015 o desejo maior que posso anunciar é se tenha igualdade e liberdade. Não como moeda de valor, mas como essência desses segundos onde a capilaridade do nosso ser acontece.   

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A fala de DILMA (transcrição)

”O saudável empenho de justiça deve também nos permitir reconhecer que a PETROBRAS é a empresa mais estratégica para o Brasil e que mais contrata e investe no país. Temos que saber apurar e saber punir, sem enfraquecer a PETROBRAS, sem diminuir sua importância para o presente e para o futuro. Temos que continuar apostando na melhoria da governança da PETROBRAS, no modelo de partilha para o pré-sal e na vitoriosa política de conteúdo local. TEMOS QUE PUNIR AS PESSOAS, NÃO DESTRUIR AS EMPRESAS. Temos que saber punir o crime, não prejudicar o país ou sua economia. Temos que continuar acreditando na mais brasileira das nossas empresas, porque ela só poderá continuar servindo bem ao país se for cada vez mais brasileira. A PETROBRAS e o BRASIL são maiores do qualquer problema, do que quaisquer crises e, por isso, temos a capacidade de superá-las. E delas e deles, sair melhores e mais fortes”.  (Dilma Rousseff)

domingo, 28 de dezembro de 2014

O Amor que nega interpretações - José do Vale Pinheiro Feitosa

Os brasileiros tomaram conhecimento detalhado do assunto através do jornalista Fernando Morais que escreveu o livro “Os últimos soldados da Guerra Fria.” Foram onze agentes cubanos infiltrados nos EUA para, em Miami, vigiar os movimentos dos grupos anticastristas.

Em 1998, o FBI prendeu dez deles e um fugiu.

Dos dez restaram presos cinco, conhecidos como Lo Cinco. Eram Antonio Guerrero Rodríguez, nascido em Miami em 1958, engenheiro aeronáutico, poeta com 22 anos de prisão; Fernando González Llort, nascido em Havana 1963, graduado em relações internacionais com 18 anos de prisão; Ramón Labañino Salazar, nascido em Havana em 1963, economista sentenciado a 30 anos; René González Sehwerert, nascido em Chicago em 1956, piloto e instrutor de voo, sentenciado a 15 anos e o quinto é Gerardo Hernández Nordelo, nascido em Havana em 1965, graduado em relações internacionais, caricaturista e sentenciado a duas vezes a prisão perpetua e mais quinze anos.

É a Gerardo Hernández que o caso pertence. Originário de família cubana humilde, nasceu seis anos após o triunfo da revolução. Entre outras experiências em vida, participou, em 1989, de 54 missões de guerra durante a ajuda militar cubana a Angola.

Mas o caso começa agora. Em 1988, vindo de uma história da adolescência, Gerardo casa-se com Adriana Pérez O´Connor. Vai para a guerra. Retorna a Cuba como herói e logo a seguir é enviado em missão secreta a Miami onde trabalha em artes gráficas numa revista. Adriana ficou morando em Havana.

Em 1998 os cubanos são presos, entre eles, Gerardo e este recebe a pior sentença e fica incomunicável. Adriana Pérez se torna uma potência a denunciar a situação do marido e reivindicar sua libertação. Manifesta-se na televisão pelo mundo, vai falar com autoridades diplomáticas de muitas nações. Chega aos EUA, visita até mesmo a Casa Branca para tentar ver o marido.

Impossível até de um encontro através de portas de vidro. Adriana jamais conseguiu ver o marido. Dois dos cinco terminam suas sentenças, são soltos e retornam a Cuba. Não havia qualquer esperança para Gerardo que não fosse a solidão e perpétua cadeia. Mas Adriana é um personagem da liberdade.

Aí chegam estes últimos meses de 2014 (16 anos passados), Gerardo que fora preso com 33 anos, já tem 49 anos e Adriana que tinha 28 anos, tem 44 anos. Numa surpreende manobra, o Presidente Obama dos EUA abre negociação com Raul Castro e todos são libertados. De um lado e outro. Do outro lado, Gerardo Hernández Nordelo volta a pisar o solo de Havana.

E a sentir o calor do corpo abraçado de Adriana, seus beijos latinos, sua história de solidariedade e no limite das possibilidades. Cuba faz uma festa para o retorno dos prisioneiros. O grande Silvio Rodriguez canta com eles em praça pública. Adriana e Gerardo, o caso de amor, estão juntos na cena pública.

Uma pausa narrativa. O amor que é este senso de ter o outro no presente e no futuro é a constituição da reprodução dos tempos neste processo sorvedouro de aconteceres. Por isso o amor é a prova acabada da solidariedade histórica. Na fragilidade, a viga que sustenta, é a história dos dois.

Agora retornando. Eis que surge nas imagens de programas de televisão um casal amoroso, com o marido passando a mão sobre a barriga grávida de Adriana. Uma gravidez de mais de seis meses. E eles a espera do fruto deste amor.

Pronto. A trilha de interpretações e perplexidade se espalha. Quem é o verdadeiro pai do filho de Adriana? Gerardo, este afastado do corpo de Adriana até bem próximo do mês de dezembro, não poderia ser. Um caso de amor aceito como a decisão no limite da idade de Adriana? Aos 44 anos a reprodução lhe era cada vez mais impossível. Então Gerardo tinha um acordo tácito de dar sentido ao útero fértil da mulher?

Nada disto.

Tudo pertencia às negociações secretas entre Cuba e os EUA. Um senador americano, Patrick Leahy (do Comitê de Defesa) teria sido parte de uma ação de inseminação artificial com o sêmen de Gerardo. A implantação do embrião foi feita no Panamá às expensas do governo cubano.


Agora o filho de Adriana restabelece o elo na história.  

ESCOLHA A HISTÓRIA AO INVÉS DA FARSA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nilton Mariano tem levantando aqui no blog um ponto de vista político que é histórico. Tem substância conceitual e é válido para as análises do presente.

Não faz parte deste antepositivo grego “néo” que inunda um pensamento, igualmente histórico, mas com enormes perdas conceituais. A exemplo dos neoliberais e neoconservadores.

O liberalismo, por exemplo, mostrou-se, historicamente, um desastre social e humano e esteve na raiz de duas guerras mundiais. Além, é claro, de criar o império Americano que espertamente se aproveitou das destruições na Europa e na Ásia para criar suas bases.

Ou alguém imagina que enquanto a Inglaterra, a Alemanha, a Itália, a França e a União Soviética (Rússia), China e Japão, eram destruídos, os EUA não estivessem lançando mão de reservas estratégicas, mercados e domínio geopolítico?

Esta é a tragédia do liberalismo, que retornou com o antepositivo do novo, para ter como principal resultado (até agora) a maior concentração de renda jamais vista na história da humanidade. E concentração de renda neste nível é um desastre anunciado.

Concentração de capital nas mãos de poucos e organizado numa rede articulada, que se pretende lógica, de lógica não tem nada. Primeiro porque concentração é feita de capital já realizado. Este estoque não cria nada de novo apenas se marca posição de futuras gerações (os herdeiros estroinas) na fila do futuro. Segundo apaga as decisões democráticas e realça a arrogância destrutiva oligarca.

O componente conservador acrescido do antepositivo néo é um verdadeiro nonsense de ideias. Junta fragmentos de valores que não podem se sustentar porque o mundo todo se transforma e pouco se conserva. Se abraçam a uma religiosidade ou espiritualidade ritualística, formada por frases rígidas e geladas, e muito pouco de transcendência filosófica. A grande vantagem do cristianismo, até mesmo sobre a narrativa bíblica do velho testamento, foi o humanismo filosófico de sua bem aventurança.

A tradição histórica com a qual Nilton Mariano raciocina é válida porque consoante a realidade. A realidade da maioria e não das minorias. Faz parte de um projeto de Nação, quando os impérios e as nacionalidades estão atuantes como nunca. Não caiu no conto da sereia da inevitável sujeição globalizada e luta pela liberdade possível.


Nós que gostamos de ler. De comentar. Analisar. Temos muito a ganhar com as bases bem conceituadas da história.     

sábado, 27 de dezembro de 2014

"A PETROBRAS É NOSSA" - José Nilton Mariano Saraiva

Após 60 anos da sua criação (Lei 3004, de 03.10.1953, sancionada pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas), a PETROBRAS continua alvo da cobiça dos insaciáveis e grandes conglomerados internacionais que atuam no setor. Com uma diferença ímpar: agora, a PETROBRAS não só é uma empresa de ponta, de indiscutível qualidade técnica, como detém o “know how” de exploração do petróleo em águas ultra-profundas, que lhe possibilita o que antes parecia inimaginável – atingir as portentosas reservas de óleo e gás aprisionadas à camada do pré-sal, a nada menos que assombrosos sete mil metros de profundidade, em alto mar (e os céticos, descrentes e pessimistas já devem ter tomado conhecimento de que a extração já começou – atualmente são 600 mil barris/dia, só no pré-sal - e que se vem confirmando aquilo que os técnicos já tinham anunciado: o produto é de primeira qualidade e as jazidas “IMEDÍVEIS”... mas não “IMEXÍVEIS”). 

E como o pré-sal num primeiro momento é o nosso indiscutível “passaporte-garantidor” de um promissor futuro, em termos de suporte à educação e à saúde, porquanto as significativas verbas dali advindas já estão comprometidas por lei para tais áreas, teoricamente todos os brasileiros deveriam valorizar e se orgulhar da PETROBRAS.

E, no entanto, já há tempos um pequeno grupo de “entreguistas” com interesses contrariados (e essa “cambada” tá em todo canto) trata de querer transferir por cima de pau-e-pedra e de mão beijada todo esse manancial para os “gringos”; primeiro, lá atrás, quando durante o comprovado corrupto governo tucano de FHC pensou-se até em mudar o próprio nome da empresa para PETROBRAX, conquanto tal sufixo soaria melhor a ouvidos nobres (temos aqui o famoso “complexo de vira-lata”) num futuro processo de privatização; agora, aproveitando-se do fato de que alguns desonestos políticos (e os temos aos borbotões) lá imiscuíram agentes mafiosos (e em postos-chaves) objetivando desviar vultosas quantias para fins particulares, isso a partir da retirada de um determinado percentual  quando da assinatura de contratos milionários com grandes corporações que prestavam serviço à instituição (no entanto, para desespero da “tucanalhada”, um dos principais delatores do esquema – o bandido Paulo Roberto Costa - tratou de confirmar o óbvio ululante: os presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff de nada sabiam e de nada compactuaram).

Aliás, ironicamente foi graças à sanção de uma lei pela presidente Dilma Rousseff, dando autonomia de atuação à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, que pela primeira vez por essas bandas temos tido a imensa e grata satisfação de assistir grandes empresários (corruptores) sendo detidos, trancafiados e no aguardo dos julgamentos respectivos.

No momento, a expectativa volta-se não só para a divulgação por parte do Supremo Tribunal Federal dos nomes dos agentes (corruptos) que se beneficiaram do esquema (dezenas de políticos de destaque, com assento no Congresso Nacional) como, principalmente, pelas penalidades que lhes serão impostas, e que todos esperamos sejam prá lá de rigorosas, independentemente das agremiações políticas às quais se achem vinculados, obrigando-os a devolver o que foi surrupiado e mantendo-os em “cana” por um tempo, um bom tempo.  

Assim, como o governo depois de tomar conhecimentos dos malfeitos já iniciou uma ampla assepsia e faxina rigorosa na PETROBRAS, extirpando as células cancerosas que a ameaçavam de metástase, resta a certeza que à educação e à saúde estão garantidos os recursos necessários a catapultar de vez o Brasil rumo ao desenvolvimento (a propósito, não custa lembrar que até no “sagrado (?) recinto do  Vaticano”, localizado no coração da desenvolvida Europa, o matuto hermano Papa Francisco não só confirmou a existência de uma “quadrilha de corruptos” que há tempos solapava seus abarrotados cofres, como também não titubeou em afastar os “ladrões de batina” para bem longe; mas, por qual razão não prende-los ???).

E, sem que haja aqui nenhuma intenção de se fazer qualquer proselitismo e/ou apologia à corrupção ou malfeitos em organizações governamentais (longe disso), mas tão somente mostrar a endemicidade que representa tal chaga, não custa lembrar que recentemente o governo da poderosa China, ante a impossibilidade de acabar com os corruptos dentro do governo, houve por bem estabelecer um “limite-aceitável” (?) de 10% (dez por cento) de corrupção na máquina estatal. Difícil de acreditar, não ???

Mas, retornando ao fio da meada, independentemente da situação criada por aqui, de uma coisa tenhamos certeza: se nos seus primórdios o lema usado para forçar (literalmente) a criação da PETROBRÁS foi o de que “O PETRÓLEO É NOSSO”, agora, que maus brasileiros e muitos especuladores estrangeiros tentam desvalorizá-la para dela se apossar a preço de banana, o recado do Governo é curto e grosso: “A PETROBRÁS É NOSSA”.

Xô, gringalhada !!!
 
Post Scriptum,

Durante muito tempo (até recentemente), o “ex-quase-futuro” ministro da fazenda do “playboy do Leblon” (Aécio Neves), senhor Armínio Fraga, funcionou como um dos principais assessores do mega-investidor húngaro-americano George Soros - aquele que não dá murro em ponta de faca – que vive de especular no mercado financeiro. Pois não é que de repente o referido senhor se danou a adquirir milhões de ações da PETROBRAS. Por qual razão fazê-lo, se a empresa não tem futuro ???. Dá pra imaginar quem o aconselhou, a respeito ??? Ou o que aconteceria à PETROBRAS se o “ex-quase-futuro” chegasse a ministro da fazenda ???

Elementar, meu caro Watson.   

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014



Gostaria de desenhar um árvore de natal com velinhas acesas. Desejar ao mundo de paz. Uma eterna paz que nos garanta a vida sobre a terra. A vida que é esta forma mais dinâmica da matéria. 

Gostaria de abraçar todas as coisas com as quais não concordo. Mas não posso. Elas são conformadas com arrogâncias, soberba e exclusão. Uma aderência a privilégios vis que não têm a menor importância quando um de nós abraça ao outro.

Gostaria de ter um natal diferente de guerras. Das promessas de um império que se desintegra e pela qual nada podemos. Que se desintegra com um navio afundando, arrastando tudo que flutua em sua volta.

Gostaria de muito mais do que tenho e posso. Pois sermos história, termos o que contar, o que traduzir, é como a edição destas imagens que acompanham esta música de John Lennon.

Gostaria que nenhum ser que admirei, admiro e admirarei se imagine um Ícaro com as penas desmanchando. Pois sei dos seus vôos exuberantes no planisfério das nossas contradições. E sei que sol nenhum descolou os móveis de sua evolução.

Gostaria que a minha terra se transforme numa marca inconfundível da história do seu povo. Pois entre erros e acertos, apegos e desapegos, é a experiência pela qual o que acontece é o que tem por acontecer. Mas tudo que é afinal a conclusão, pode ser previsto. E por previsto ser revisto. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A SÍNTESE DOS FESTIVAIS E A MORTE DE JOE COCKER - José do Vale Pinheiro Feitosa

A música sempre entremeou-se na malha cultural do mundo ocidental a partir da produção industrial em massa. É que se tornou um produto de massa de uma produção voltada para atender o universo social.

Após a segunda guerra mundial o cinema, o rádio e depois a televisão deram abrangência continental à música produzida em estúdio e depois multiplicada em cópias individuais. Os aparelhos eletrônicos produzidos em massa e vendidos às residências deram realidade ao efeito multiplicador.

Mas houve um momento em que esta infiltração generalizada deu um salto e passou a representar, de modo quase nucleado, toda uma época histórica, especialmente a dinâmica cultural e política. Isso aconteceu com os festivais entre os anos 60 e 70.

No início dos anos 80, os festivais ou assemelhados, já começavam a se diluir novamente no tecido cultural e se transformaram em show business. O exemplo mais clássico é o que vem acontecendo com Rock in Rio. Enfim os festivais deixaram de nuclear um tempo, um momento da história.

No Brasil os festivais tiveram papel igual ao que aconteceu em todo mundo. Os festivais da Record e depois da Globo colimaram a mudança comportamental da sociedade e politizaram a questão social e econômica do país. Especialmente foram políticos na insurgência contra o regime militar. Mas também trouxeram vários ensaios culturais que chocaram plateias e segmentos da sociedade.

O festival mais badalado dos EUA, aquele que mais representou este sentido nuclear de uma época foi o de Woodstock. Um grito contra a velha sociedade do pós guerra. De mulheres do lar, do papai trazendo o pão no final do dia, descendo do seu Cadilac, entrando na casa de subúrbio, beijando mamãe e todos felizes assistindo à televisão aos goles de Coca-Cola.

Woodstock foi um grito contra a guerra do Vietnã e os políticos conservadores de então, especialmente o governador da Califórnia um conhecido do futuro: Ronald Reagan. Foi um momento de junção de criatividade pura. In extremis. A criatividade no limite do corpo e de sua perenidade.  

Woodstock foi além dos ensaios musicais que até então haviam galvanizado os jovens. Foi além do “make love not war”. Muito depois da paz e da flor. Foi um ensaio de inserção musical pura. Onde as palavras e as notas musicais se fundiam numa sonorização experimental que elevava os músicos e A assistência a um estado isolado e desprovido de tudo mais que há no mundo.

Por isso as drogas e o álcool foram veículos tão possantes naqueles experimentos sobre o palco num terreno rural no interior americano, onde todos acampavam e viviam numa coletividade sem partes. As três figuras que mais sentido deram a este componente de Woodstock foram Janis Joplin, Jimi Hendrix e Joe Cocker. Os dois primeiros foram tragados pela overdose.

Joe Cocker teve uma janela de sobrevivência. Apenas ontem morreu. De câncer do pulmão, muito provavelmente decorrente de algum dos hábitos que teve. Joe Cocker em Woodstock fez com With a little help of my friends dos Beatles o que Karl Marx fez com a filosofia de Hegel, a girou de ponta cabeça.


Aí é que vem o sentido colimador de uma época. Que arrasta para o núcleo tudo que já existe e neste denso senso o funde e o expele como a terra faz com suas rochas ao engolir a crosta e a devolve-la em formato metamórfico. Joe Cocker marcou um momento que, por certo, muitos iguais a história ainda terá.  

With a little help of my friends - Joe Cocker no festival de Woodstock - canção dos Beatles. 

You can leave your hat On - Joe Cocker - trilha do filme 9 e 1/2 semanas de amor.

Up where we belong - Joe Cocker

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A seguir algumas músicas de natal feitas por compositores brasileiros. Menos uma que é uma versão de uma música americana aqui cantada por Celly Campelo. Aliás vamos começar por ela. 

I saw mommy kissing Santa Claus de Peter Boyd que teve uma versão do Jackson 5, puxada por Michael Jackson - a versão de Celly Campelo chama-se literalmente Eu vi papai beijar Papai Noel.

Aqui a clássica junção entre o simbólico e o pai, de modo que as crianças não se incomodam com a existência real da figura. O que é importante é que receba os presentes em nome dele. 

A segunda já vem para o nosso campo brasileiro, do grande e genial sambista paulistano Adoniran Barbosa. 

Véspera de Natal - Adoniran Barbosa

Agora vem a crítica do mundo real. O pobre paulistano que chega em casa, não tem presente. Vai comprar uma comidinha e resolve se vestir de papai noel para completar a fantasia das crianças. E deu no que deu.

Agora o grande o nosso grande Assis Valente.

Recadinho de Papai Noel - Carmem Miranda - música de Assis Valente.

Assis Valente compôs o clássico de natal brasileiro. Esta aqui é bem o estilo daquela época que não conta uma história inteira, mas lembra o tema nas estrofes. Assim ele lembra de que todos são feitos de barro. Como pede uma lua-de-mel para ver se seria feliz na noite de natal. 

E a clássica de Assis Valente: 

Boas Festas - Carlos Galhardo e Assis Valente - música de Assis Valente

Cantada em vários países do mundo. Boas Festas é uma clássica crítica social. Onde o Natal é lembrado com desigualdade. 

CARTA DE NATAL - José do Vale Pinheiro Feitosa

Pronto! Pendurei a minha meia furada no cabide de minha consciência. Nela expôs uma carta à fonte do nascimento daquilo que eu sou.

Uma carta estranha. Como um lençol de retalhos. Costurados com uma linha fraca que se solta a cada solavanco das minhas necessidades. A carta para despedir tudo aquilo que forma o que sou. Tudo aquilo que, continuamente, molda meu modo de pensar, sentir e agir.

Este tudo é que a sociedade de consumo e o “moto perpetuo” do sistema que é dinâmico, contraditório e que assim nos faz a dominação política e ideológica. Este sonho de plástico. A liberdade descartável do capitalismo.

Amanhã quando acordar não quero mais figuras irreais, que vivem no mundo da fantasia, na Lapônia gelada da Disneylândia. Eu quero meu pai de carne e osso, humano como só ele pode. Detentor de princípios e dúvidas, certezas e regras, mistérios e luz solar, quero este ser que é vivo como eu, que tem medo e seguranças que se formam no dia-a-dia de cada ação.

Não quero mais beber os goles do outdoor desta bebida estranha, que promove azia, que não se bebe pelo gosto, mas pela vaga promessa que assim serei igual aos outros. Que assim aproveitarei mais a vida.

E a vida só precisa de um gole de água para matar a sede.

Não quero mais a propaganda que promete me libertar apenas para que seja igual aos outros que consomem a mesma mentira. Prefiro sair com estes amigos imperfeitos, igual a mim, que andam pelas ruas, curtem a luz plena, a penumbra e gostam de ouvir as coisas que cantam.

Hoje devolvo às mãos do mito gerador deste natal de mercadorias, onde não sei a minha posição se comprado ou comprador. Assim devolvo todas as fantasias brilhantes e excrescentes que ao meu corpo tentam confundir.

Devolvo o seu caldo ralo de felicidade, a sua incolor liberdade, esta meia peça de roupa chamada autoestima, esta igualdade tão sólida quanto um feixe de luz e esta exclusividade que mente para mim do amanhecer ao anoitecer e perdura nos meus sonhos.

Devolvo todos os objetos de desejo que tentas colar às minhas necessidades.

Amanhã a voz do pregoeiro já não mais ouvirei. Os meus símbolos e signos não estão a serviço de suas vendas e agora desprego de sua voz tudo aquilo que hoje me diferencia socialmente de alguém, segundo as palavras dele.

O que me diferencia é exatamente aquilo que me iguala. E o que me igual não pertence ao universo de suas palavras, não me venhas dizer que preciso ficar atualizado com a moda, com a novidade, com o upgrade, com qualquer coisa que não seja novidade porque extraída dos passos que dou na vida, do encontro e desencontro que tenho de acordar e discordar.  

Pegue seu carrão, com palavras inglesas no câmbio, no motor, nos freios e enfie nos louros da ambivalência de promessas nunca realizadas. E quando alguém apaixonado pela natureza, montar naquela máquina de lucros e seguir lanhando a superfície das terras interioranas, como se fizesse algo excepcional que não seja destruição de vida e distorção do amor à natureza.

Como lhe disse, eu sou. Se tenho é circunstancial. E mesmo o que tenho se extensão de mim não é mais do que extensão de todos: a praia, a cidade, a praça, os sertões, o açude, o pôr do sol, esta brisa agradável sob o tronco da frutificação de uma cheirosa safra de cajá. O perfume do cajá eu sou. Não tenho.

E sei da arapuca que é acumular, rodear-se de uma falsa abundância de coisas. Eu nunca esqueci do meu amigo Guajenito, lá no Morro do Escondidinho, no bairro do Rio Comprido. Ele juntando tudo que pegava abandonado e jogando sobre o teto de seu barraco que vergava ao peso de tanto acumulado.

E pois termino por dizer que esta “democracia do ter não sendo nada”, apenas objeto da máquina de produção e venda, não visto mais. E sei porque não visto mais.

A grande maioria reza a oração do consumo sem se dar conta que tudo é exaltação da mentira da abundância que não existe. Hoje mesmo, neste natal, milhões de brasileiros passarão fome. E passarão fome porque toda esta mitologia do consumo esconde o quanto tudo isso é um exercício perverso e infernal da exclusão social e econômica.

Toda esta ideologia do mito e da fantasia é a forma aceitável da exclusão. Até que a revolta se instale além da fantasia e desnude o povo.

O rei não precisa desnudar. Ele não liga mesmo para a sua nudez. Esta época até isso permitiu a ele.




A MOTIVAÇÃO DE GOLPISTAS

“sendo explorados por políticos derrotados nas últimas eleições. Repudiados pela estima pública, coitados, infelizes políticos esses só alcançam os altos cargos públicos pelas nomeações ou pelos golpes. E como as nomeações que usufruem têm prazo limitado, limitado pela Constituição, eles provocam o clima dos golpes, fazem a propaganda dos golpes nas costas das honradas classes armada da Nação, não com o intuito de salvarem o Brasil, mas com o intuito de salvarem a eles mesmos.”  

Deputado Último de Carvalho - Plenário da Câmara dos Deputados - 3ª Sessão Convocação Extraordinária - 10 de fevereiro de 1955.  

sábado, 20 de dezembro de 2014

LUTANDO POR CAUSAS REAIS - José do Vale Pinheiro Feitosa

O que segue é surpresa para muita gente. E apenas o é por algumas questões de vícios de conhecimento, preconceito, ignorância de mudanças e assim por diante. Não é incomum que pessoas de classe média, supostamente informadas digam que a educação brasileira é uma desgraça, assim como a saúde pública brasileira. E têm tanta convicção que são incapazes de raciocinar até com as próprias palavras.

Ouvindo um médico vaticinando sobre a “inexistência” da saúde pública brasileira (para ele o que interessa é o equipamento de sua especialidade, ressonâncias, tomografias etc.) acaba se traindo. Lá pelas tantas diz que no Brasil ele, como médico, é obrigado a atender uma pessoa passando mal. Pelo menos as primeiras medidas, aí telefona para o SAMU completar o atendimento (só que até então o SAMU não existia).

Olhem estes dados divulgados pela OCDE sobre o Brasil após a realização da Pesquisa Internacional de Ensino e Aprendizagem (TALIS). São dados coletados em 2013. O estudo abrange vários países, entre os que fazem parte da OCDE e que aqueles que são associados. Na média do conjunto de países analisados, 89% dos professores dos anos finais do ensino fundamental tinham curso superior. O Brasil deve ser um horror, não?

Ao contrário. Ele é superior à média, 94% tem curso superior. E com outra característica: 95% acredita que pode ajudar os seus alunos a pensar de forma crítica. Mas isso é apenas uma parte pois na média dos países os professores levam 7 dias por ano fazendo treinamento em organizações externas às escolas. Esta “merda” de nosso país não deve ter um dia de treinamento.

Peraí gente fina. No Brasil os docentes passaram em média 21 dias em treinamento externo. E nem por isso deixamos de ter muitos problemas. Mas não aqueles da inexistência e nem da demagogia política. É preciso ter o mais possível de professores em contrato de tempo integral e por tempo indeterminado. É preciso reforçar a avaliação externa e brigar pela escola de tempo integral.


Agora lutem pelo certo. Para dar universalidade aos valores do ensino. Com ignorância dos fatos, preconceitos, e informações defasadas perdemos muito da contribuição de cada um.    

OS BOAS VIDAS! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Diárias caríssimas. Os hotéis de Armação dos Búzios, postos nas encostas da chamada Orla Bardot (em homenagem à atriz francesa Brigitte Bardot que ficou alguns dias no que, então, era uma vila de pescadores). O sol lentamente de pondo, a aberta enseada cujo lado oposto será visto como um rosário de luzes no incrível crescimento de Barra do São João e Rio das Ostras.

Na piscina do hotel um grupo de hóspedes conversa alto como sói acontece nas intoxicações alcoólicas e diante da relevância dos assuntos que ali tratam. Um apanhado básico: um senhor empregado de uma grande empresa que faz negócios com petróleo, um sujeito perto dos quarenta anos médio empresário, sua mulher, uma amiga e um médico residente e sua garota, também, médica.
O único carioca era o empresário, os demais eram de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais. O senhor tinha uma fala contínua, um tanto monótona e tecia considerações técnicas sobre os negócios de suas empresas, lucros e perdas. O empresário, era o mais exaltado, falava alto, partilhando suas opiniões com que estivesse no deck da piscina.

A síntese de opiniões e sentenças daquela gente. O Brasil está falido, tudo é corrupção, os planos de saúde estão falidos, a medicina pública não existe, a economia está falida, ninguém investe no país. Como tinha um doutor na roda, fazia residência (e já podia pagar um hotel daquele) o assunto eram os médicos cubanos. Medicina básica era uma porcaria. Só existe a especialidade.

Os cubanos porque não foram cuidar do vírus ebola? (igual a esta gente que fica de Petralha em Petralha usando nomes de fantasia, que não sabe ler e nem se informa, pois Cuba foi quem mais enviou médicos para combater o Ebola). E que o governo brasileiro enviava para Cuba todo mês dez mil reais por cada médico, que assim eram mercenários e as sobras deste dinheiro servia para financiar as eleições de Fidel e Dilma no Brasil (o restabelecimento de relações regulares entre Cuba e os EUA vai deixar muita gente sem discurso).

E tinha pérolas da deformação de caráter e qualificação profissional. O principal recurso médico é a relação humana. Humana no seu amplo sentido socioeconômico, cultural, psicológico e individual e isso se aprende, como é óbvio, pela relação direta. Pois o Doutor criticava um programa federal que oferece pontos na classificação das residências médicas, públicas, para os médicos que vão prestar serviço na atenção básica dos serviços públicos.

O governo bem podia, como muitos países fazem, obrigar os doutores que se educam com o dinheiro do povo a ir aprender a não explorá-los num estágio obrigatório de dois anos. Não o fez: é optativo, tem um bônus que é melhorar sua classificação nas provas de acesso à residência, além de ganharem mais de sete mil reais por mês. O doutor na piscina em Búzios, se achando no meio da conversa de ricos, quer sua residência em cirurgia e que ganhe muito dinheiro para voltar à piscina de Búzios e outras fantasias no exterior.

Chamava a atenção o tom alto das mulheres, fazendo capela para o canto dos machos. Riam das piadas infames. Enquanto o empregado do bar fazia uma batida de frutas e álcool atrás a outra, os conceitos vomitavam as belas encostas de Búzios.

A fina flor da cultura “petralha” (tucanalha isso depende do lado, não é o conteúdo é no método que reside o problema) de internet marcou o seu desfile naquela piscina. O empresário declarou-se um eleitor orgulhoso de Jair Bolsonaro (que não precisa de apresentação para quem é de fora do Rio e que foi o deputado federal mais votado este ano). E, aos risos das mulheres, o homem abriu o verbo contra a deputada Maria do Rosário que foi agredida pelo Jair.

Aliás quem viu o vídeo da origem do embrulho pode interpretar o que aconteceu. Jair dava entrevista a favor da redução da maioridade penal. Maria do Rosário também e abriu um debate com Jair. Que sem que e nem para que pediu que ela contratasse um menor estuprador que fora preso em São Paulo para levar a filha na escola. Uma argumentação pessoal e desnecessária a este tipo de debate.

A questão é que Jair Bolsonaro retornou ao assunto recentemente, em pleno plenário e ele repete esta prática agressiva com outros deputados. Esta é a explicação por trás da notícia. Mas o que o empresário disse: que absurdo! Vocês viram o nome dela: Maria do Rosário. É nome de coitada. É gentinha. Rosário! E toda a plateia caiu na risada.

O mais impressionante: este mesmo dito cujo ainda acusou os “petralhas” de serem responsáveis pela divisão de classe no Brasil. E não vou nem contar, para não esticar, imaginem o que disseram sobre os vagabundos do Bolsa Família, chegando a dizer que tinha gente ganhando dois mil reais por mês para não fazer nada.


Assim, como seus companheiros ali, onde uma caipirinha custa mais de um terço da verdadeira bolsa família per capita.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014