TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A MENSAGEM FANTASIADA

O meio é a mensagem. Famosa frase do pensador McLuhan, que demonstrou ser a informação era “processada” pelos meios de comunicação, para então ser entregue. Em outras palavras a informação já não era mais a originária.

Quem entrega a mensagem acrescenta, subtrai, inverte, transforma a informação. E inclusive autocensura, esconde a informação do grande público. Hoje a crítica feita aos meios de comunicação, especialmente os hegemônicos é que fazem tudo isso pelo que se chama editar a informação.

Alberto Dines em entrevista com o pensador Zygmunt Bauman levanta a solução da pluralidade de fontes de informação, para que a população pudesse ter melhor consciência de sua realidade. Ao mesmo tempo que concorda com Dines, Bauman aponta um revés grave neste caminho.

As pessoas estariam tão desejosas de conforto que teriam criado verdadeiras zonas de proteção para não se exporem a outros, a ideias e circunstâncias que se tirem pasmaceira confortável. Enfim a imagem clássica da redução do burguês de revolucionário a uma enfadonha vida de negócios e convenções mudas e surda.

O pensador inclusive aponta as redes sociais e a internet em geral como um exemplo desta criação de “zonas de conforto” (acrescente a dezenas de opções de canais de televisão com o controle remoto para correr rápido do desgosto). Ali apenas dialogamos e procuramos o que não nos incomoda, aquilo do qual não divergimos, “desligamos” tudo que é incômodo.

Ou seja, as pessoas podem até ter fontes plurais de informação, mas tenderiam a se manter inertes a elas para não ter que articular suas próprias contradições. Esse é certamente o lado da cultura de consumo, da mercadoria enfeitiçada, dos símbolos irreais de uma digestão rápida de processos, performances e objetos.

Mas a crítica não se perde, apesar das zonas de conforto.  E mais ainda, logo a contradição é tão marcante que a inquietação se sobreleva ao conforto que, em última análise, depende das circunstâncias afinal mutáveis. E temos fôlego e indignação para apontar a censura das grandes corporações de Meios de Comunicação e de suas Agências de Notícias, todas sediadas nos países centrais (especialmente EUA) e sujeitas a todo tipo de pressão ideológica das Agências Governamentais de natureza imperial.

Ernesto Carmona, jornalista, escritor chileno e jurado internacional do Project Censored, publicado em Proyecto Censurado e traduzido por Carlos Santos para o site esquerda.net e reproduzido pelo site Carta Maior, aponta as 10 notícias mais censuradas pela grande mídia em 2014 e 2015 foram as que seguem abaixo.

O 1% mais rico possui metade da riqueza mundial, de modo que em 2016 apenas um 1% da população possuirá mais riqueza que os 99% restantes.  A segunda é que o fracking (processo de fratura hidráulica do subsolo para extrair petróleo e gás) envenena as águas subterrâneas. Esse envenenamento contaminou os aquíferos da Califórnia.

A terceira notícia mais censurada foi que 89% das vítimas paquistanesas de drones americanos nem seque são apontados como militantes islâmicos (ou seja, o famoso efeito colateral). A quarta é que a luta da Bolívia pelo direito à água deu certo e muitos países seguem o exemplo. A quinta:   o desastre nuclear de Fukushima se espalha pelo Oceano Pacífico e já ameaça chegar à costa ocidental da América do Norte.

A sexta notícia é que os níveis de metano na atmosfera atingiram o máximo histórico nos últimos anos e o Oceano Ártico tem perigo crescente e com alterações de modo abrupto, inclusive com a liberação de grandes quantidades de metano que é contido pelo gelo. A sétima notícia é que o medo da espionagem dos governos condiciona a liberdade de expressão dos escritores, incluindo jornalistas e advogados. Em comparação com outras nações, a polícia dos EUA mata muito mais: 100 vezes mais que as polícias inglesas, 40 vezes mais letal que as alemãs e 20 vezes mais que as canadenses.

As grandes corporações de mídia vivem de afagar os egos dos multimilionários esquecendo-se dos pobres. E a décima é que a Costa Rica já tem predomínio em sua matriz a energia renovável. Assim diminuindo a geração por combustíveis.  

Isso apenas significa que a grande mídia é apenas um projeto geopolítico. E todos os impactos citados, positivos e ou negativos, devemos avaliar com critério inclusão e exclusão. Não repetir os erros já verificados.  


sábado, 17 de outubro de 2015

SEXO SEM NATALIDADE

Como dantes, nunca se ouviu tantas vezes que antes se viu algo igual, os indivíduos mudam como se transforma a demografia. Redução vertiginosa da fertilidade, envelhecimento da população, urbanização universal e articulação global.

O eixo da fertilidade é o sexo, que é o eixo do amor, mesmo aquele dito de todos a favor de todos. E agora o que teremos? Grandes implicações em tudo que é indivíduo e coletivo: gênero, personalidade, moral, família, sociedade e conteúdo do projeto de futuro (filosofia).

O sexo que sempre esteve associado ao desejo, já se encontra codificado como mercadoria e consumo. Todos os símbolos se tornaram meios de venda. E mais do que nunca o sexo, sem natalidade, se encontra robustecido pelas marcas do lazer (prazer).

Como produto pós-biológico, o sexo é conduzido socialmente como conquista sem barreiras de gênero, de raça, de idade, posição econômica (ou para alcança-la) e sobretudo como estética aquisitiva para exposição pública (especialmente de belas espécimes do sexo feminino).

Por isso se ultrapassaram, por meios químicos, os limites de idade e se fabricam parafernália de brinquedos, cremes, vestimentas, luzes e assim continua para puro sexo como diversão. Sem natalidade. Ou seja, sexo sem história a ser feita.

Assim como se tornaram toscos os efeitos especiais dos filmes dos anos 80 diante da computação gráfica, os brinquedos e bonecos de sexo estão se aperfeiçoando. Já há quem diga, como o futurólogo Ian Pearson (blog Opera Mundi) que “o sexo virtual e o sexo com robôs superarão as relações íntimas entre humanos.

No fundo o que temos é construção filosófica da sociedade de consumo, especialmente aquela de base tecnológica, retirando a relação corpo a corpo entre as pessoas. O que falta esclarecer é o quanto a exclusão do corpo pode nos fazer mais humanos, espiritualizados e mentalmente aceitáveis.
A rigor a filosofia destas fontes tem o forte desejo de, com um aperto de botão, sumir com o corpo para uma ambiência que chamam de virtual, mas que não passa de meras gravações e interações sobre estas gravações.


E retornemos a outras fontes filosóficas: a memória (gravação) não explica toda a nossa humanidade. Ela é parte não o todo. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Guerrilha 2015 divulga programação de espetáculos




07 | Sab
16h – O PALHAÇO MÁGICO (Tio G Eventos, Juazeiro do Norte-CE, Infantil, 70min, Palco)
19h30min – FEITO DE NÓS MESMOS (Grupo Dançá Mais Eu, Recife-PE, Livre, 45min, Anfiteatro)

08 | Dom
16h – A FADINHA E A NATUREZA (Cia. Tábua de Pirulito, Crato-CE, Infantil, 50min, Palco)
19h30min – UM BRAVO CANTO PARA DESATAR OS PERVERSOS NÓS! (Confraria da Paixão, São Paulo-SP, 14 anos, 80min, Palco)

09 | Seg
19h30min – ZUMIRA: A HISTÓRIA DE UMA RAINHA (Grupo Época de Teatro, Campos Sales-CE, Livre, 40min, Palco)

10 | Ter
19h30min – VERSOS DE MATUTO (Cia. Teatral Arte Livre, Trindade-PE, Livre, 40min, Palco)

11 | Qua
19h30min – AMOR INPROCESS (Grupo Cícera de Experimentos Cênicos e Cia. Ortaet de Teatro, Iguatu-CE, 16 anos, 40min, Palco)

12 | Qui
19h30min – EU SOU ASSIM... (Cia. WSA do Teatro, Icó-CE, 14 anos, 40min, Palco)

13 | Sex
19h30min – INQUISIÇÃO (Cia. Ludens em Cena, Juazeiro do Norte-CE, Livre, 40min, Anfiteatro)

14 | Sab
16h – TAMPINHA EM UM MUNDO DE HISTÓRIAS (Bete Pacheco, Juazeiro do Norte-CE, Infantil, 50min, Anfiteatro)
18h00min – EXISTE OUTRA PESSOA ENTRE NÓS DOIS? (Trupe Versos & Canções, Fortaleza-CE, 12 anos, 40min, Palco)
19h30h – E AGORA NÓS? (Grupo Teatral Loa, Fortaleza-CE, 16 anos, 50min, Palco)
21h – O TRIUNFO DE DIONÍSIO, A CELEBRAÇÃO (Grupo de Teatro Louco em Cena, Barbalha-CE, 18 anos, 50min, Anfiteatro)

15 | Dom
10h – PALESTRA DE LEGISLAÇÃO e BANCA EXAMINADORA do SATED-CE para emissão de Atestado de Capacitação Profissional para Registro Profissional dos Artistas e Técnicos na Superintendência Regional do Trabalho (SRTE/CE) do Ministério do Trabalho e Emprego (Sated-CE, 120min, Sala de Ensaios)
16h – A CAIXA DE BRINQUEDOS (Cia. Teatral Jovens em Cena, Juazeiro do Norte-CE, Infantil, 50min, Palco)
19h30min – MORTE ANUNCIADA (LATOR Produções, Fortaleza-CE, Livre, 45min, Palco)
20h30min – TOQUE-ME (Coletivo Dama Vermelha, Juazeiro do Norte-CE, Dança-Teatro, 16 anos, 50min, Anfiteatro)

16 | Seg
19h30min – CRIADORES EM CENA (Grupo Criadores em Cena, Fortaleza-CE, Livre, 90min, Anfiteatro)

17 | Ter
19h30min – UM TOM DE VINÍCIUS (Grupo de Teatro Zaíla Lavor, Juazeiro do Norte-CE, Dança-Teatro, 12 anos, 40min, Palco)
20h30min – AS SETE FORMAS DE AMAR (Cia. Mákara de Teatro, Crato-CE, 16 anos, 50min, Palco)

18 | Qua
19h30min – MARACATU (Maracatu Raízes, Crato-CE, Livre, 40min, Anfiteatro)

19 | Qui
19h30min – BUQUÊ DE SANGUE (Cia. Arte e Cultura de Teatro, Crato-CE, 14 anos, 40min, Palco)

20 | Sex
19h30 – SEPARACIÓN (Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte-CE, 14 anos, 90min, Palco)  

21 | Sab
19h30min – A COMÉDIA DA MALDIÇÃO | Especial: comemoração 10 anos em cartaz (Cia. Brasileira de Teatro Brincante, Crato-CE, Livre, 60min, Palco)
21h – ACORDA GUETO (Irmandade Rap, Crato-CE, Música, Livre, 50min, Anfiteatro)

Cacá Araújo
Coordenador Geral

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

TEMOS PAPA, VIVA O PAPA ! - Demóstenes Gonçalves Lima Ribeiro (*)

Aos prantos, ela se jogou ao pés do Frei Abelardo e implorou para que a criança ficasse. Era mais um menino consagrado a São Francisco, vestindo marrom desde o nascimento e que a mãe não tinha como criar. Percebendo minha comoção, o superior aceitou, mas que eu me responsabilizasse.

Aparentava sete anos e se chamava Raimundim. Logo, os moleques o apelidaram Perna-Santa – apesar do defeito, corria, driblava e chutava de maneira surpreendente. Quem sabe, dali não brotasse um novo Chagas, aquele que começou no Salesiano, brilhou no Treze, voou pra Roma e envelheceu nos braços de uma condessa italiana. Mas, se ele ia bem no futebol, na alfabetização era um desastre. Sempre o pior aluno, jamais a pendeu a ler e a escrever, independente do esforço e de diversas tentativas pedagógicas.

Com o tempo, me convenci de que era impossível alfabetizá-lo e ordená-lo frade. Além disso, como se agravaram o defeito na perna e um problema na coluna, o sonho do futebol foi embora. No entanto, sempre de batina marrom, adorava limpar o altar, tocar a chamada da missa, responder ladainha, sacudir o turíbulo e estar à frente nas procissões. Tornou-se um agregado da Igreja e virou irmão Raimundim.

Memória prodigiosa, ele sabia de cor os evangelhos e nenhuma liturgia lhe faltava. Na Semana Santa, apoderava-se da matraca na procissão do Senhor Morto e ficava a noite inteira ajoelhado na Sexta Feira da Paixão. Ninguém na Ordem Franciscana conseguia acompanhá-lo, E assim continuou até quando Frei Abelardo faleceu e eu fui promovido a pároco.

Curvado sobre a bengala, barba e cabelos brancos, Raimundim envelheceu precocemente, tão longe aquele menino que eu vislumbrava um craque. Ao saber que Bento XVI renunciou, ele se recolheu em orações, aumentou as penitências, não comia nem dormia, cada vez mais introspectivo e solitário.

Certo dia, o Bispo convocou o clero pra orientações no período da vacância papal. À tarde, quando voltei, percebi algo estranho, um povaréu imenso ia da estação ferroviária à Igreja dos Franciscanos. Mil fogos espocando, banda de pífanos, bacamarteiros e maneiro-pau. O badalar dos sinos e um mar de braços erguidos num ondular de chapéus e gritos ritmados de “temos Papa, viva o Papa, temos Papa...”.

A muito custo, atravessei beatas ajoelhadas e, penitentes em flagelação. Cheguei à sacada da Igreja e constatei perplexo: era ele mesmo, agora sem marrom, mas de batina, estola e solidéu brancos. O crucifixo pendia do pescoço e Raimundim abençoava a multidão que ecoava “temos Papa, viva o Papa, temos Papa...”.

Retomei o fôlego, olhei no azul dos seus olhos e fulminei colérico: o que é isso Raimundim, pode me explicar que loucura é essa ??? Sereno, ele fitou-me com extrema gravidade e falou para que só eu escutasse: Oxente, Frei Serafim, eu ia deixar os romeiros sem Papa ???


(*) Demóstenes Gonçalves Lima Ribeiro (médico cardiologista, nascido em Missão Velha, residente e exercendo a profissão em Fortaleza) 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

As reflexões, imaginações, especulações, adivinhações, ocupam parte do nosso viver. Por isso mesmo tanto representam na vida. Porém as grandes questões são ações e reações frente ao surgir, ao momento, ao acontecendo.
A fusão entre o longo da imaginação e o imediato do acontecer é uma das maiores evidências pelas quais o amor existe. Ele é o manifesto do relâmpago e o reboar dos trovões.
Aqui um pouco desta experiência:


domingo, 4 de outubro de 2015

DIREITOS HUMANOS

Na selva viva das redes sociais apareceram tipos que apenas refletem as palavras odientas de desesperados, ou que têm tanta insatisfação com a própria história que vivem à caça de culpados como os nazistas aos judeus, ciganos, comunistas, gays e tantos que poderiam, indefesos, serem a expiação de tanta culpa. Mas essa é a origem imediata de um discurso mas existem outros mediatos.

Há na selva desarmônica heranças históricas que teimam em permanecer apesar de outros tempos.  A herança das polícias (que se assemelhavam a pistoleiros, bandidos, justiceiros, vingadores etc.) que existiam para proteger os privilégios de elite em explorar e perseguir a população de trabalhadores e camponeses.

Vejamos uma questão. Quem mais semeia o ódio contra os Direitos Humanos, inscritos na Constituição Federal, nas Leis Nacionais e na Carta da Declaração dos Direitos Humanos da ONU são grupos militares (especialmente policiais).

 Os grupos militares do Estado o tempo todo tentam privatizar em benefício de suas operações o que é um monopólio do Estado: a violência em defesa das pessoas e seus direitos. A violência do Estado é pela justiça que é um modo de pesos e contrapesos para garantir a plena liberdade à acusação e à defesa.

Quando um grupo, seja de mídias, religiosos, políticos, de interesses ou corporativo tenta estigmatizar todo o curso da justiça quer apenas se apropriar da violência que é monopólio do Estado. Quando policiais vêm com aquele discurso genérico de que prendemos e o juiz solta, logo imagine que eles querem apenas para eles o monopólio que é do Estado.

Por isso os discursos de má qualidade contra os direitos humanos normalmente nascem de picaretas políticos, de exploradores da raiva pública nos grupos de mídia e de grupos militares que querem o privilégio da violência para si.

Ao criminoso o caminho corretivo é o da justiça. À violência se contrapõe a educação, a democracia, a justiça e os direitos humanos. E por isso toda a dinâmica tem que ser pelos direitos humanos, que passo a escrever segundo os termos de um vídeo divulgado pelo Youtube chamado: “A História dos Direitos Humanos (legendado em português). Tomo algumas frases essenciais:

Onde fica o lugar dos Direitos Humanos?

“Indivíduos de pensamento livre que se recusam a ficar calados;
Que compreendem que “Direitos Humanos” não é uma lição de história em sala de aula;
Palavras escritas nas páginas de livros;
Não são discursos, propagandas, ou campanhas de relações públicas;
São as escolhas que fazemos diariamente como seres humanos;
São as responsabilidades que todos nós compartilhamos que são:
Respeitar uns aos outros;
Ajudar uns aos outros;

E proteger aqueles que precisam”.
A estética da arma de fogo

Ao assunto das mortes por arma de fogo. A primeira coisa pensemos nas armas como uma posse. Um objeto pessoal. Uma categoria de fetiche. De design. Misturada ao consumo como estas tecnologias digitais cada vez mais atraentes. Isso tudo se encontra nas séries de armas de fogo, especialmente as chamadas armas leves.
Em segundo lembremos o caso do cigarro. Desde que na abertura do Canal de Suez, para ganhar tempo dos trabalhadores, inventaram a máquina de fazer cigarro, que ele se tornou um objeto de consumo de massa especialmente na indústria americana. Afinal as grandes tabageiras se fundaram no Império Inglês e o americano, convenhamos, é apenas o mesmo transferindo ativos para a América do Norte.
Os americanos usaram a maior máquina de gerar consumo com o cinema. E foi no cinema, na estética do cinema, cenas preparadas para dar profundidade e estética ao ato de fumar. Aquele momento da reflexão, o charme da sedução, a virilidade masculina, o desafio da juventude, tudo isso foi usado para aderir o público ao consumo do cigarro.
E tem um fato mais criminoso ainda. As estratégias foram se adequando à faixa etária que aderia ao consumo. Quando esta baixou para menos de 18 a indústria não teve escrúpulo algum, avançou no estímulo específico. Humphrey Bogart e outros meninos transviados formavam a imagem. A tragédia é que Bogart morreu de câncer provocado pelo cigarro assim como o cowboy que era o homem de Marlboro.
Pois agora a indústria armamentista faz o mesmo no cinema. A estética da arma de fogo, fazer clics viris para encaixar a bala, as munições que destroem tudo à frente, o ódio, a vingança desenfreada, as acrobacias para atirar deitado, no ar, caindo, pulando com as balas saindo em câmara lenta e explodindo no "inimigo".
Enquanto no cigarro a estética se associava ao drama e às seduções de amor, agora é no ódio desmedido que a estética da arma se justifica. Por isso Hollywood tem feito tanto filme destruindo tudo. Com a queda das torres gêmeas a vontade de destruir tudo que se move e tudo que se encontra em pé se aprofundou na cultura americana.
Agora imaginem, o que esta estética faz com uma sociedade acumulativa, com uma meritocracia de faz-de-conta, onde o sucesso é sempre o revés, as insatisfações aumentam e o ódio cresce ao tentar explicar as permanentes derrotas da imensa maioria. Um estado permanente de culpa de terceiros pelo próprio fracasso.

Imaginem o que isso gera com a estética da arma de fogo. Especialmente na mão de quem já não consegue sair do estado de alienação do feitiço da mercadoria e da estética cultural da destruição ampla, geral e irrestrita.

sábado, 3 de outubro de 2015

A PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DE BRUNO PEDROSA

Onde o Vêneto começa seu abraço aos alpes dolomitas, vive um artista plástico corre-mundo, que hoje navega o abstrato pictórico, mas foi nas sinuosidades, ângulos e ilusões da tridimensionalidade que se descobriu. Após formar-se na Escola de Belas Artes no Rio de Janeiro, é aquele joio que fica das levas de formandos que desistem ou escondem suas obras em guardados. Ele viveu, vive e viverá até o fim dos tempos levando o pão para casa do valor de mercado de sua arte.

E para compreender os séculos gestados a partir do Renascimento, o Bruno Pedrosa é um espécime em amostra. Não por ser quase italiano, ou por artista plástico, mas pelo que aquele movimento fez ao buscar no passado uma bússola para abrir novas, inimagináveis e interditadas trilhas da alma.

Séculos que carregam simultaneamente a ousadia iconoclástica, a inovação, o questionamento do posto ou a revisão da realidade ao mesmo tempo em que se veste de corpo e alma com o arcaico que sua passadas derruba. Nascido e alimentado numa longa mesa patriarcal, com 32 assentos, no sertão do Riacho do Machado no Ceará, com as barbas e cabelos de profeta, Bruno Pedrosa é o tipo humano dos nossos séculos renascentista-iluminista-técnico-científico.

E este caleidoscópio de eras, das dimensões imperiais, dos fragmentos civilizatórios e localidades culturais resultou neste associativismo abstrato. Em que o obscuro é parte essencial da luz. Da realidade multiforme e por isso mesmo sensível.  

Nos últimos quarenta anos do século XX, numa cidade típica do mais profundo interior nordestino, localizada no centro geodésico do Nordeste, ali se desenvolveu o coletivo daqueles séculos. Uma cidade ajoelhada aos séculos coloniais com os olhos brilhando para as luzes inovadoras que piscavam nas publicações jornalísticas, nas ondas da Rádio Araripe e nos fótons projetados na tela dos cinemas.   
E foi numa peça automotiva do pós-guerra, um jipe com tração nas quatro rodas, que Bruno Pedrosa, poderia ser Raimundo, Pinheiro ou Campos, assistiu à explosão da sedução. Uma jovem cratense ganhara o título de Miss Ceará e iria para a disputa nacional. E a cidade comemorou igualmente com já fazia com Antonio Corninho um transeunte das ruas.

Não é para esticar. Mas Antonio Corninho era no Crato a representação da modernidade com adereços do arcaísmo. Pela rua central de comércio as senhoras das honradas famílias faziam compras nas lojas chiques. Era o ambiente de exposição da sociedade, da elite da cidade. E por ela também passava Antonio Corninho e os gaiatos gritavam: Antonio Cornin! Comunista! E Antonio Corninho fazia descer do mais intenso arcaico uma profusão de palavrões suficientes para abalar até os cabarés do Gesso.

Então puseram a Miss em pé, ao lado do motorista, no jipe sem capota, se movendo pelas ruas principais da cidade. Apinhadas de gente, fogos espocando, sorrisos largos e a miss desfilando a glória da beleza. Especialmente para Bruno Pedrosa, então uma criança beirando a adolescência.
As famosas misses das capas da revista O Cruzeiro, desfilavam em vários trajes. O escolhido para o desfile no Crato foi aquele de banho na piscina. Um maiô colante que expunha todos os centímetros da perfeição, dos cabelos até as unhas pintadas dos pés, passando por toda vibração erétil do corpo da juventude desbragada. E ali Bruno Pedrosa.

Que já manifestava seus pendores para o desenho. E com pedaços de gesso de um conserto da vizinhança, desenhou aquele corpo sensual, de maiô, desfilando num jipe no cimento da passarela que atravessava o jardim da casa. A casa de uma tia carola e violenta que, segundo o sobrinho, quando apresentou as credenciais ao chefe do fogo eterno, recebeu deste uma pequena gleba para ali implantar seu inferno particular e fora dos domínios do decaído.

O cimentado, da miss desenhada, foi esfregado, raspado, tomou banho de ácido, até que nem lembrança restasse daquele pecado mortal do lembrado adolescente. Foi um prazer interrompido. Assim como ser pego no auto prazer solitário e por escândalo surgirem vituperações de todas as injúrias possíveis.

Acontece que segurar a era de Bruno Pedrosa, é igual segurar a água líquida pela mão. É uma era amoldável aos continentes, mas capaz de drenar, pelas falhas estruturais existentes em todos os contidos. Logo estava Bruno na fazenda do pai. Na redondeza pessoas moldando telhas para depois queimar no forno como uma cerâmica.

E com a telha moldável, a argila ainda mole, Bruno Pedrosa desenhou a miss sedutora sendo conduzida naquele jipe na representação do alazão do prazer. Um tio viu aquilo e encantou-se qual o sobrinho. Mandou queimar a telha. Pôs a dita com a face desenhada para baixo, do alpendre, bem na mira do seu olhar quando deitado na rede usada para sonhar.


E ali ficou anos sem fim visíveis aos olhares admirados por aquela primeira exposição de uma obra de Bruno Pedrosa. 

domingo, 27 de setembro de 2015

PCdoB de Crato elege nova direção e aprova resolução política

Integrantes do novo Comitê Municipal do PCdoB

Ontem, 26 de setembro de 2015, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) realizou Conferência Municipal na câmara de vereadores, com a participação de grande número de delegados.
Prestigiaram o ato político de abertura o Dep. Federal Chico Lopes (PCdoB-CE), Vereador Amadeu de Freitas (PT-Crato) e André Barreto (PDT-Crato), Vereador Juracildo Fernandes (PCdoB-Santana do Cariri), entre outras destacadas lideranças dos movimentos sociais.
Na ocasião, o deputado Chico Lopes abonou a filiação de várias lideranças ao PCdoB, que se somaram às mais de duas dezenas que engrossaram as fileiras partidárias nos últimos sessenta dias.

I. Composição do novo Comitê Municipal do PCdoB (Diretório):
Adriana Fernandes Batista de Oliveira Freire, Ana Maria Alves Grangeiro, Antonio Carlos Ferreira Araújo (Cacá Araújo), Diogo Stálin de Alcantara Araújo, Edite Dias de Oliveira Silva, Elza Sônia Duarte Alencar, Francisco José de Sousa (Franzé Sousa), Francisco Moreira Firmino, Jandiclê de Lima, Joana Darc Caetano França, Maria Ismar Alves de Lima, Maria Luzinete Agostinho dos Santos, Samuel Cardoso da Silva, Samuel Duarte Siebra.

II. Novo Secretariado Municipal do PCdoB (Executiva):
PRESIDENTE (Secretário Politico): Antonio Carlos Ferreira Araújo (Cacá Araújo); VICE-PRESIDENTE (Secretário de Organização e Formação): Samuel Duarte Siebra; TESOUREIRO (Secretário de Finanças): Samuel Cardoso da Silva; SECRETÁRIO DE JUVENTUDE: Diogo Stálin de Alcantara Araújo; SECRETÁRIA DE MOVIMENTOS POPULARES E SOCIAIS: Elza Sônia Duarte Alencar; SECRETÁRIO DE COMUNICAÇÃO: Francisco José de Sousa (Franzé Sousa).

III. Delegados à 22 Conferência Estadual do PCdoB / Ceará:
Titulares:

Antonio Carlos Ferreira Araújo (Cacá Araújo)
Cristiane Duarte Siebra Simões 
Elza Sônia Duarte Alencar
Francisco José de Sousa (Franzé Sousa)

Suplentes:

Diogo Stálin de Alcantara Araújo
Francisco Moreira Firmino

Delegado nato:

Samuel Duarte Siebra


IV. Resolução Política
A Conferência Municipal do PCdoB de Crato aprovou, sem emendas, o Projeto de Resolução Política e de Construção Partidária apresentado pelo Comitê Estadual, e deliberou por unanimidade a Resolução Política do Comitê Municipal que segue abaixo:

CONFERÊNCIA MUNICIPAL DO PCdoB / CRATO-CE 

CÂMARA MUNICIPAL, 26 DE SETEMBRO DE 2015


RESOLUÇÃO POLÍTICA

Introdução

1. Fundado em 1922, o Partido Comunista do Brasil é o partido mais antigo do país. Viveu 60 anos na clandestinidade. Em 1962, rechaçou o oportunismo de direita, reorganizou-se, adotando a sigla PCdoB, e realçou sua marca revolucionária em defesa do Socialismo. Muito perseguido pelo regime militar, dirigiu a Guerrilha do Araguaia em 72-75. Ao fim da ditadura, alcançou a legalidade. Hoje, com atuação em todos os segmentos da luta popular defende a construção de um novo e ousado projeto de desenvolvimento nacional, que priorize o crescimento da economia, a afirmação da soberania, a valorização do trabalho e a distribuição de renda.
2. A atual conjuntura nacional e estadual, em que as forças democráticas se mantiveram nos respectivos governos, aponta para a negação do isolamento político e a necessidade da retomada do diálogo com a sociedade e articulação entre partidos do campo popular, não só em decorrência das eleições municipais que se avizinham, mas da tarefa de manter e ampliar conquistas sociais e a legitimidade do governo Dilma, constantemente ameaçado pelas hordas reacionárias e golpistas.

Situação Municipal

3. O Crato está à beira de um colapso administrativo. Há tempos não se via tamanha incapacidade gerencial, que condena o servidor público ao descaso e a população é vitimada pela inexistência de políticas de desenvolvimento econômico e social que lhe restabeleça a autoestima e promova a qualidade de vida. No campo político, nosso município amarga a decadência e o declínio que o levaram a perder o protagonismo regional que outrora exerceu, dando lugar à estampa de terra de escândalos que desmoralizam os poderes executivo e legislativo e envergonham cidadãos e cidadãs. O interesse público é negligenciado através de práticas fisiologistas em que grupos da velha e da nova elite se locupletam.
4. Diante desta realidade, o Partido Comunista do Brasil – PCdoB de Crato – está construindo, juntamente com os partidos de esquerda e progressistas, especialmente aqueles que integraram a aliança que elegeu Camilo Santana ao Palácio da Abolição, somados aos movimentos sociais, um novo rumo para o município, que aponte para a justiça social, participação popular, transparência e atenção às reais necessidades dos cratenses. Será, portanto, dessa frente ampla, democrática e popular, denominada FRENTE CRATO POPULAR, que surgirão os nomes daqueles que representarão esse projeto como candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereadores. E, sem dúvida, entre os nomes à disposição para as chapas majoritária e proporcional, estarão quadros do PCdoB, dispostos a empunhar a bandeira das mudanças.
5. O Partido delibera que, entre as condicionantes políticas para integrar as chapas majoritária e proporcionais que concorrerão à Prefeitura Municipal do Crato e Câmara de Vereadores, exige-se o alinhamento às seguintes condições: a) oposição declarada à atual gestão municipal; b) posicionamento contrário à ofensiva conservadora de extrema direita capitaneada pelo PSDB e PMDB.
6. Resolve, ainda, que, sob nenhuma hipótese se aliará ao atual prefeito municipal ou a quem possa ser por ele indicado ou apoiado.
7. No que concerne às eleições proporcionais, esta Conferência considera prioritária a eleição de parlamentares do PCdoB e delibera que sejam envidados esforços no sentido de compor chapa própria de candidatos a vereador/a, podendo, na impossibilidade de cumprir a presente determinação, celebrar coligação.
Conclusão
8. O PCdoB lembra, na oportunidade, que suas resoluções nacionais, estaduais e municipais devem, obrigatoriamente, ser observadas, respeitadas e aplicadas pelo conjunto de filiados e militantes, sendo ou não candidatos, conforme Estatuto.
9. Reafirma, por fim, determinação contida no documento de resolução do Comitê Estadual do PCdoB apontado que “ao realizar entendimentos com foco na disputa municipal, com possíveis desdobramentos relativamente a participação na gestão em caso de vitória, é preciso deixar claro que o Partido é nacional, tem seu programa e projeto político próprios. O apoio administrativo e político à gestão municipal, inclusive através de nossos parlamentares e gestores estaduais e federais, não pode e nem deve ser confundido com o apoio ou adesão a projetos de âmbito estadual ou nacional do prefeito quando diferentes dos interesses do Partido, nem a subordinação do Partido e de seus militantes à sua liderança. O Partido é aliado no município, mas tem seus projetos próprios para o País e para o estado. Este é um aspecto que precisa ficar muito claro, desde o princípio, nas conversações com os possíveis aliados. Este comportamento faz parte de um justo combate que precisa ser desenvolvido contra uma cultura política arcaica que prevalece em muitos municípios e rebaixa o papel dos aliados e dos partidos, tentando subordiná-los integralmente ao prefeito, inclusive a projetos eleitorais que ultrapassam os limites municipais. (...)”

Crato-CE, 26 de setembro de 2015.
A Conferência Municipal do PCdoB de Crato-CE

Ato político de abertura
Executiva municipal: Diogo Stálin, Franzé Sousa, Cacá Araújo, Elza de Alencar, Samuel Cardoso e Samuel Siebra 

"(...) E viva o Partido Comunista do Brasil!"

sábado, 26 de setembro de 2015

PEDRO CARDOSO E ONDE SE ENCONTRAM O ARTISTA E A TELEVISÃO BRASILEIRA.

Podemos apontar alguma característica específica nas famílias? Com a urbanização, a globalização parece uma pergunta sem referência. Mas a verdade é que certas lideranças familiares projetam, numa sequência de descendentes, valores que se transmitem entre as gerações. Lembro da família Cardoso (de FHC) que tem papel na história desde o fim da Monarquia.

O pai do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, militar, era uma das lideranças destacadas do nacionalismo e foi deputado federal pelo PTB do Distrito Federal na legislatura de 1955. Aliás, FHC, embebedado pela USP, ufanou-se em superar a era Vargas.

Mas eu queria falar era do Pedro Cardoso, ator, figura de destaque no teatro e televisão, até bem pouco tempo fez o Agostinho na série da Globo chamada de Grande Família. Olhem só alguns trechos do que diz Pedro Cardoso numa entrevista para o UOL:

“O mundo ainda é moldado para atender ao interesse sexual masculino. Principalmente no mundo artístico. Acho que não há nada mais subserviente aos interesses econômicos, hoje em dia, que o mundo artístico. Acho que nós artistas esquecemos de muito tempo que nós somos do contra. Que nós temos que estar um pouco na contramão do interesse econômico”.

“Hollywood colocou os artistas perto dos ricos e essa atração por uma vida mais rica, com mais dinheiro, ela é muito complicada, no meu entender, para o artista. A pessoa que te paga nunca de paga para você dizer o que você quer. Paga para você dizer o que ela quer que você diga”.

“Mas chega um momento, às vezes, que é poderosa a divergência, nessa hora o artista é demitido. Ou ele vende a alma ao diabo e diz o que não está no coração dele... Eu acredito que a arte é simbólica. Que o gesto artístico não é uma reprodução da realidade. Até porque eu acho que a realidade não é reproduzida. Ela só é possível viver. Quando eu te conto algo que me aconteceu, já é uma narrativa. Já é uma coisa que tem uma linguagem ali. É inevitavelmente simbólica”.

“A atual administração da TV Globo, tanto a parte burocrática quanto a artística, está empenhada em projetos de autores e não de atores. O petróleo da comunicação social, em teledramaturgia, é o ator. É o ator que dá cara ao trabalho de todos. Isso confere ao ator um poder incomensurável. Eu penso que a empresa, e não só a Globo, inconscientemente nega o poder ao ator. Na organização de poder da empresa quem tem poder não são os atores. Os atores ficam esperando serem convidados. A Globo não é sensível a nenhum movimento feito pelo ator”.

“Eles não querem atores autores. E ele não precisa necessariamente escrever. O Antonio Fagundes e o Lima Duarte quando representam, a autoria da representação deles é tão poderosa que aquilo é uma autoria que o público reconhece. No momento atores assim não são bem vistos. Porque atores assim cobram caros. O mercado, no momento, não quer pagar autores. Ele prefere atores que já entraram no mercado tendo abdicado de antemão de sua autoria. Já entraram subservientes ao autor”.

“Os atores fazem qualquer coisa que lhes mandam. Têm pouca voz. Eu sou tido e havido como um sujeito que briga. Eu brigo pela minha autoria. Quando eu encontro um diretor que compreende que o que há entre mim e ele é apenas uma relação de função e não de hierarquia”.

“Eu acho que o saldo da Grande Família se deve em grande parte ao relaxamento das relações hierárquicas entre o Guel, o Claudio Paiva e o elenco. Porque a autoridade é inimiga da criação. O ambiente da criação é a liberdade”.

“Televisão no Brasil se dedicou a construir uma espécie de pais que não é verdadeiro. Eu acho que isso atrasa o amadurecimento político, emocional, do Brasil. Então eles negam o Brasil verdadeiro. Eu vou dar um exemplo: houve um tema sobre liberdade. A nossa máquina inconsciente rapidamente colocou uma questão de escravidão. Porque o problema da liberdade no Brasil está indissociavelmente ligado à escravidão. Este tema tratado com verdade é difícil para o Fantástico. Porque o Fantástico trata dos assuntos com uma falsa verdade. Até quando diz que uma coisa é verdade parece um entretimento, parece uma coisa bobinha, uma coisa engraçadinha. E eu faço uma coisa que é engraçada mesmo. Não uma coisa engraçadinha. ”

“Eu defendo a regionalização da programação. Eu acho um crime que o nordeste brasileiro não tenha uma teledramaturgia própria. Se for ruim para o negócio mudamos então o negócio. É ruim para esse negócio como está organizado hoje. Mas os artistas do Rio de Janeiro não vão poder ganhar tanto. Não vão ganhar tanto aqui, mas eu vou poder trabalhar lá. Vou ter mais liberdade. O mercado ficaria infinitamente maior, câmeras, contrarregra, todo mundo ia ter mais emprego. O dinheiro ia circular mais nas regiões. O Brasil ia perder este centralismo São Paulo e Rio de Janeiro”.


“O Brasil mudou muito mais do que a televisão brasileira mudou. A televisão brasileira ainda está igual à televisão do FH. Nós estamos já aqui no Brasil pós-Dilma, embora ela ainda esteja. E a gente tem que retratar este Brasil que mudou. Se a gente ficar fazendo a televisão que era da época do Fernando Henrique o público vai fazer outra coisa. ”

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

UM JUIZ "DESAJUIZADO" - José Nílton Mariano Saraiva

Lamentavelmente, no Brasil ainda vige o retrógrado processo de “indicação política” para os almejados e vitalícios cargos de ministros dos tribunais superiores, tanto em nível federal como estadual (STF e TCE, são exemplos), sem que se vislumbre indício de que a coisa mude algum dia. Afinal, o corporativismo far-se-á sempre presente (legislar contra ou acabar com os privilégios e mordomias, jamais).
Assim, embora na teoria a condição sine quo non para que alguém faça parte de uma dessas cortes de notáveis (mesmo que indicado) associe o douto conhecimento da natureza da função sobre a qual legislará, a um perfil de clarividência, sensatez, educação e equilíbrio, na prática a coisa não funciona bem assim. Muitos dos nossos juízes (não todos, evidentemente) escudados por um linguajar rebuscado e prolixo e por uma certa aura de superioridade, pecam pelo ativismo politico desbragado, pela extemporânea manifestação fora dos autos, pela flagrante parcialidade em determinadas decisões e, enfim e por extensão, pelo exercício de uma inidoneidade moral a toda prova.
E como isso ocorre originalmente em nível de judicatura federal, como o exemplo vem da “turma do andar de cima”, a consequência direta é que se espraie às instâncias de menor porte, em estados e municípios. Basta atentarmos para as recorrentes vendas de liminares a preços escorchantes, pelo beneficiamento de detentores do vil metal e por aí vai, sem que haja uma providência efetiva e moralizadora para obstar tal prática, para constatarmos a imoralidade presente em nosso judiciário
O exemplo mais que emblemático disso tudo tem agora o Estado do Ceará como protagonista: é que embora, segundo a imprensa, cobrasse algo em torno de R$ 150 mil “per capita” pela liberação da bandidagem (traficantes, de alta periculosidade), eis que o “magnânimo” juiz responsável por diversas solturas foi… “condenado à PENA DE CENSURA por desvios funcionais durante plantões judiciários, como a concessão irregular de liminares e direcionamento de ações” e assim “não poderá figurar em lista de promoção por merecimento pelo prazo de um ano; nada terá que devolver aos cofres públicos e continuará recebendo integralmente seus polpudos vencimentos”. Além do mais – é vero, senhores, acreditem – se efetivamente fosse condenado à pena máxima, “Sua Excelência” receberia como severo e exemplar “castigo” a aposentadoria compulsória). Aqui pra nós, existe excrescência maior?
Pois bem, e retomando o fio da meada: indicado por FHC para compor a egrégia corte do Superior Tribunal Federal (STF), o mato-grossense Gilmar Mendes queimou etapas e foi efetivado na função, mesmo tendo um perfil ao avesso do avesso das encimadas qualificações exigidas. E desde o princípio mostrou pouco apreço pela magistratura, porquanto tendencioso e claramente hostil à razoabilidade e ao bom senso (lembremo-nos que, em um mesmo dia, mandou soltar duas vezes, sem maiores justificativas, o bandido mór do Brasil, Daniel Dantas, que houvera sido preso pelo Juiz Federal Fausto de Sanctis; a troco mesmo de quê ???).
Intolerante, sectário, prepotente e mal educado, Gilmar Mendes demonstra frequentes laivos de autoritarismo e de pouca paciência para o contraditório, como se fosse o detentor da verdade primeira e única. Assim e sem nenhuma cerimônia, desde que empossado tenta transformar o recinto daquela seleta corte numa espécie de arena política chinfrim, ao investir de forma desrespeitosa e ultrajante contra seus pares, ao tempo em que defenestra agremiações e pessoas que não professam o seu medieval credo (atualmente, está sendo processado pelo jornalista Luis Nassif).
Eis que agora, após um ano e meio de posse do processo que trata sobre financiamento empresarial nas eleições (que houvera solicitado para “vistas ou melhor examinar” e de passar nada menos que cinco horas proferindo seu voto favorável – já vencido e inútil – desandou a acusar um partido político (PT) de tentar se beneficiar, assim como investiu furiosamente contra uma instituição de classe (OAB), ao não aceitar que o seu lídimo representante manifestasse a opinião da categoria sobre, conforme lhe permitia o rito processual. Repreendido pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes rebateu desrespeitosa e arrogantemente: “Eu sou ministro da Corte, o advogado é advogado” (como se nota, até parece julgar-se um “ser superior” em relação aos mortais comuns). Ao ser informado por Lewandowski de que “aqui quem manda sou eu e o advogado da OAB tem o direito, sim, de se pronunciar”, abruptamente retirou-se do recinto.
Foi o bastante e suficiente para que (até que enfim) dia seguinte a OAB o “peitasse” publicamente, ao emitir a seguinte nota de repúdio: “Ressalta o Colégio de Presidentes da OAB que comportamentos como o adotado pelo Ministro Gilmar Mendes são incompatíveis com o que se exige de um Magistrado, ferindo a lei orgânica da magistratura, e estão na contramão dos tempos de liberdade e transparência. Não mais o tempo do poder absoluto dos juízes. Não mais a postura intolerante, símbolo de um Judiciário arcaico, que os ventos da democracia varreram. Os tempos são outros e a voz altiva da advocacia brasileira, que nunca se calou, não será sequer tisnada pela ação de um Magistrado que não se fez digno de seu ofício”.
A expectativa é, pois, que com o zangão e “desajuizado” juiz ainda bufando de raiva e expelindo fogo pelas narinas, o colegiado do Supremo Tribunal Federal se pronuncie a respeito, recriminando-o e punindo-o severamente, sob pena de, não o fazendo, assinar um inaceitável atestado de compactuação com todas as asneiras e desmandos por ele provocadas, até aqui. Se assim proceder, a OAB se credenciará ao respeito da sociedade.
* José Nilton Mariano Saraiva,

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A CONJUNTURA

Chegou em casa despejando ira. Paga seus impostos em dia e direitinho. O governo ameaça mais algum para cobrir suas faltas.

A empregada chega logo depois com ar desanimado: não conseguira fazer o curativo da úlcera na perna. No posto de saúde estava faltando muita coisa.

Ele já estava no embale mesmo e tocou diagnóstico na situação: não tem nada mesmo. É uma bagunça de cabo a rabo. Quem já viu faltar esparadrapo e gaze? É o roubo da Petrobrás.

O senhor pode adiantar um vale para eu ir na farmácia?

Pelo amor de Deus. Sou funcionário do governo, não vou ter mais aumento. O que ganho não cobre a despesa. Amanhã não vou mais comprar carne todo dia.

Carne! Não vai ter mais carne? Como pode?

É o governo que não dá aumento. A conta não fecha.

Igual ao posto de saúde. Não tem dinheiro para o mínimo. A empregada lembra.

É este governo incompetente. Põe logo outro no lugar que tudo melhora.

E assim termina o assunto caseiro e vai para o bar tomar umas e outras.

Lá se encontra seu Laércio num papo animado com Aloísio Nuvens e seu Fernando Airoso. A conversa deles: deixa os babacas pagarem a conta do ajuste. Depois a gente denuncia o estelionato.

O bom pagador de impostos se aproxima a tempo de ouvir o encerramento da questão: já pensaram se fôssemos nós a fazer esta lambança? A raiva que o povo ia ter da gente?


E um pouco tonto de tanto ruído mental, encostou-se no balcão e, na sorrateira, roubou o esparadrapo do comerciante. Já era uma economia, só precisava agora comprar a gaze para a empregada. 
Como atuam os setores que articulam a queda da Presidenta Dilma?

Nas ruas uma postura de classe. Um “paulistanismo” arrivista, vinculado à globalização subalterna e a uma espécie de neocolonialismo com outras regiões brasileiras (especialmente o Nordeste). A rua não teria o peso, mesmo com o descontentamento, se não houvesse estímulo da mídia e algum financiamento.

Os dados da crise e o desgaste político do governo é um fenômeno pós-eleitoral. Tem a força motriz na derrota eleitoral seguida. Mesmo com o avanço do PSDB nas eleições presidenciais passadas, que já representava o desgaste do governo Dilma, a verdade é que toda a articulação e a grita é pós-eleitoral e de janeiro para cá.

Tenho consciência que antes eram as eleições e hoje é o governo. A luta antes era a disputa e agora é a oposição. O que é novo em relação aos anos recentes é a ação política para negar a disputa anterior. Se ela não fosse válida, porque não mobilizar o povo na ocasião. Claro, naquele momento não havia clima e a oposição confiava na vitória. Assim se nomeia de golpe aos seus passos de janeiro para cá.

Por isso setores “mais progressistas”, simpatizantes do PSDB, estão tentando se descolar desta primeira versão da cassação da Presidenta (e do PT) evidentemente golpista e passaram a pegar carona na figura emblemática de Hélio Bicudo. Que não se perca nas semelhanças com o sobrenome e o símbolo do PSDB.

Como os quadros metabolizam o momento? (É semanal. A cada semana uma nova dose, especialmente na mídia):
a) O PMDB sente a fraqueza e tenta buscar a sua grande fatia do bolo, aquela de quem se senta à mesa há décadas. Lembra a solução pós-impedimento de Collor com uma espécie de Itamar Franco (Michel Temer?).

b) Segmentos mais racionais sabem que não será igual ao impedimento de Collor, agora há um partido ainda forte (pelo menos no imaginário brasileiro) para ser derrubado além da Presidenta. Para tal setor o tempo atual é juntar forças para selecionar os que ficarão num suposto “Governo de União Nacional”, mas excluindo o PT e, claro, os Movimentos Sociais e os partidos mais à esquerda (PSOL, PCO etc.). Um adendo: o ideal para eles é não brigar com os Movimentos Sociais, sabem da instabilidade do neoliberalismo pós-crise 2008 e, portanto, não é possível uma mão pesada ao estilo Margareth Thatcher.

c) Setores ainda marcados pelo ideário socialdemocrata, simpatizantes do velho PSDB de Covas e do FHC dos seus livros quando ainda não negados, querem que o Partido ocupe o vácuo que pensam será deixado pela queda do PT (mais à esquerda) e assim se legitime uma coluna dorsal que não desconsidere de modo desbragado o avanço social recente. É o pessoal que exulta com Hélio Bicudo.

d)    Os segmentos à direita usam de artifícios radicais, com base num ódio extremista que vinga em todo mundo, para manter aceso o processo e ampliar o desgaste, atirando continuamente no governo cambaleante. O pagamento pela queda da Dilma e do PT será uma fatia de políticas e poder, mas não serão a espinhal dorsal da tal União Pós-PT.

e) O Empresariado, especialmente o paulista, usa a mídia corporativa para exaurir politicamente a Presidenta, com uma mão consegue concessões para seus negócios e com a outra desgraçam Dilma com quem a elegeu.

f)   O PT nesta altura apenas sufoca. O governo é dele. A queda do governo é um forte golpe político contra o PT. Mas ele parece não entender a dimensão da ação adversária e de vez em quando alguém, que sabemos vinculado a ele, vem a público para dizer que o tempo da Presidenta se esgota rapidamente. Ora a sede e matriz do PT é o “paulistanismo” e nesta altura não é improvável que as mentes se confundam entre o que é política e o que o vício torto pelo cachimbo da raiz cultural.

Em desfecho. A ideia do PT de apresentar Lula como um espantalho ao golpe não é de todo desprovida de razão, pois a direita, pelas reações de Delegados da PF e Promotores Públicos, em conluio com a mídia corporativa, demonstra que a tese funciona. Mas, por outro lado é um tiro apenas conjuntural, não apresenta um plano para o futuro ao demonstrar preguiça de lutar e se organizar, pois aí é que algo pode se contrapor.

Mais do que um mero golpe. Mais do que mero direito político democrático da oposição, o que estamos vivendo é uma luta entre capital e trabalho sob a forma ideológica do neoliberalismo e dos direitos e proteção social. Pode-se pensar em táticas, mas estas se sujeitam a estratégia maior para as consequências da luta.

O PT ao expor o ex-Presidente se apresenta como uma espécie de covardia em relação a seus próximos passos histórico, pois apresentar a “solução Lula” é, também, uma espécie de plano futuro de concessões ao capital que sabe da moderação do líder.


O plano Lula, sem uma forte mobilização política, mais carrega a canibalização de um líder do que a marcha e um povo soberano. 

domingo, 13 de setembro de 2015

PCdoB INTENSIFICA CAMPANHA DE FILIAÇÃO



O Partido Comunista do Brasil - PCdoB de Crato-CE, comunica que está aberto a novas filiações com vistas a fortalecer o partido na luta nacional contra o golpismo, contribuir na conquista de maiores avanços sociais no Ceará, e, em Crato, unir as forças democráticas e populares para derrotar o grupo político "ronaldista", marcado pela corrupção e incapacidade administrativa, bem como conter a ofensiva conservadora da extrema direita capitaneada pelo PSDB e PMDB.

Fundado em 1922, o Partido Comunista do Brasil é o partido mais antigo do país. Viveu 60 anos na clandestinidade. Em 1962, rechaçou o oportunismo de direita, reorganizou-se, adotando a sigla PCdoB, e realçou sua marca revolucionária. Muito perseguido pelo regime militar, dirigiu a Guerrilha do Araguaia em 72-75. Ao fim da ditadura, alcançou a legalidade. Vive hoje uma das suas fases mais ricas, com atuação em todos os segmentos da luta popular em prol da construção de um novo e ousado projeto de desenvolvimento nacional, que priorize o crescimento da economia, a afirmação da soberania, a valorização do trabalho e a distribuição de renda.
Venha com a gente para o PCdoB!

FILIE-SE!!!

Atenciosamente,

A Direção Municipal

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DOCUMENTOS PARA LEITURA:

Programa: http://www.pcdob.org.br/documento.php?id_documento_arquivo=1

Estatuto: http://www.pcdob.org.br/documento.php?id_documento_arquivo=2

O que é ser comunista: http://www.pcdob.org.br/texto.php…

Crato:https://www.facebook.com/1539279413001666/photos/pb.1539279413001666.-2207520000.1442169602./1574456436150630/?type=3&theater

Crato2:https://www.facebook.com/1539279413001666/photos/pb.1539279413001666.-2207520000.1442169602./1539285086334432/?type=3&theater

sábado, 12 de setembro de 2015

"RATINGS" INFLADOS E... SUSPEITOS - José Nílton Mariano Saraiva

Sem que haja ainda um necessário de desejado modelo alternativo, que de forma honesta e imparcial privilegie o "contraditório" e faça uso de equações mais adequadas e consistentes (a China começa a esboçar um), o mundo hoje se fia cegamente, para o bem ou para o mal, no que é produzido e incessantemente divulgado pelos norte-americanos, mesmo que às vezes falte a devida comprovação (só para ilustrar, lembremo-nos da presumida  "morte" do saudita Osama Bin Laden, sem que absolutamente ninguém haja v isto o corpo). 

Por isso mesmo, o escarcéu provocado por pusilânimes e desonestos segmentos da mídia econômica brasileira, em razão do tal "rebaixamento" do rating do Brasil por parte da agência de classificação de risco americana Standard & Poor's, é por demais questionável. E por uma razão simplória: comprovadamente, foi uma decisão de cunho "político", porquanto levou em conta o momento difícil que atravessa a economia brasileira (perfeitamente suplantável), mas deixou de considerar, como deveria e honesto seria, as imensas potencialidades que temos a médio e longo prazos, bem como o robusto e confortável "colchão" de 400 bilhões de dólares das nossas reservas, além do "imedível" mar de petróleo que possuímos (um "ativo" acima de qualquer suspeita e que os próprios americanos estão de olho já há bastante tempo).

Há que se considerar, ainda, que não só a Standard & Poor's, mas igualmente as suas congêneres, as também americanas Moody's e Fitch, faz tempo que "pisam na bola" ou "escorregam na maionese", ao produzirem relatórios inconsistentes e mesmo desonestos (como o atual sobre o Brasil), porquanto estruturados num modelo questionado por economistas do mundo todo, mas que têm o poder (dada à inexistência de uma outra versão), de momentaneamente espalhar o "terrorismo" e destruir reputaçoes mundo afora.

Tanto é que, 10 anos atrás, quando as três agências encimadas avaliaram o "rating" ou nota de crédito dos títulos hipotecários norte-americanos como AAA (grau máximo de confiabilidade), investidores de todo o mundo "aceitaram o pepino" como crível e quebraram a cara ao adquirir tais papéis, porquanto baseados em empréstimos garantidos por propriedades sobrevalorizadas.

Naquela oportunidade, como a "avaliação" das tais agências mostrou-se sem a menor consistência, porquanto assentada em "títulos podres"emitidos irresponsavelmente, não demorou mito (2008) para que a tal bolha do mercado imobiliário americano "estourasse", levando o mercado de ca´pitais a uma crise financeira mundial sem precedentes, resultando na quebra do (teoricamente) inabalável e sólido banco de investimentos Lehman Brothers, possuidor de uma robusta e alentada carteira de títulos hipotecários (que viraram pó, de uma hora pra outra).

Assim, face a repercussão  mundial da "quebra generalizada" das bolsas de valores mundo afora e do pandemônio causado internamente, o governo americano literalmente se viu obrigado a injetar na economia astronômicos  850 BILHÕES DE DÓLARES para "amansar o mercado", ao tempo em que oficialmente considerou a agência de classificações de riscos Standard & Poor's como inidônea e responsável pela crise na economia mundial. Processou-a na Justiça americana, assim como impingiu-lhe pesada multa face o ocorrido. De sua parte, o austero diário Wall Street Journal acusou-a de má fé e de má conduta.

Como resultado, a Standard & Poor's virou "RÉ" em um processo movido pelo Departamento de Justiça dos EUA, que acusou-a de ter "mascarado" o grau de risco de investimento nos chamados papéis subprime (vilões da crise financeira desencadeada em 2008). Segundo a acusação, a empresa teria sido desonesta ao, propositadamente,  ter ocultado chances reais de preuízos a quem embarcasse naquela "canoa furada"  (como de fato aconteceu).

Sem saída ou argumentos, a Standard & Poor's houve por bem reconhecer tal acusação (que errou, sim, e grosseiramente), ao firmar um compromisso extrajudicial concordando em pagar ao Tesouro americano uma multa equivalente a quase US$ 1,4 bilhão (R$ 5,4 bilhões na cotação da época). O episódio findou por reacender o debate sobre a credibilidade das agências de classificação de risco e os possíveis conflitos de interesse envolvendo suas atividades (já que contratadas por "agentes do mercado").

No mais, há que se atentar que o governo norte-americano não é o primeiro a processar a Standard & Poor's pelas equivocadas e grosseiras avaliações; também um tribunal lá do outro lado do mundo (na Austrália) condenou a agência ao pagamento de uma indenização milionária por ter confundido e induzido os investidores locais com suas "falsas avaliações". Em Nova York, outro tanto de enganados investidores moveram ação similar.

No momento, como economistas de escol (inclusive lá de fora) já se manifestaram sobre o equívoco grotesco da avaliação da Standard & Poor's sobre a nossa economia, não seria o caso do governo brasileiro partir pra a ofensiva, contestando publicamente o método adotado e mostrando ao mundo as "mancadas-homéricas" por ela patrocinadas, via "ratings" inflados e sob suspeita, que objetivam prioritariamente elevar suas receitas e obter maior participação no mercado ???