TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

domingo, 31 de outubro de 2021

UM PAÍS "DESGOVERNADO" - José Nílton Mariano Saraiva

 

  1. UM PAÍS “DESGOVERNADO” - José Nílton Mariano Saraiva

Arrogante e pernóstico, André Esteves, atual dono da Editora Abril (Revista VEJA) e do Banco BTG Pactual, confidenciou, em uma reunião com um seleto grupo de clientes VIP’s do seu Banco, que influi, sim, e decisivamente, nas decisões tomadas em Brasília por alguns dos integrantes da cúpula do Governo Federal.


Assim, por exemplo, quando de qualquer alteração na taxa Selic, oficialmente determinada pelo Banco Central, o seu Presidente, Roberto Campos Neto, de pronto o aciona para saber sua opinião sobre e até quando e onde pode ir. E assim é feito (agora mesmo saltou de 6,25 para 7,75).


Já o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira, sempre procura saber sobre decisões a serem tomadas em assuntos de interesse da própria nação; tanto que, quando da recente debandada de integrantes do Ministério da Economia, em razão de discordarem do chefe (Paulo Guedes), Lira o contatou pra saber “o que fazer”.


E como se fosse pouco, André Esteves asseverou que até alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (não nomeou quais) também procuram saber o que ele pensa sobre importantes questões da república.


Aos não crentes, o vídeo (inédito) de pouco mais de uma hora, está disponível na web, onde se poderá constatar sua desfaçatez ao afirmar aos seus áulicos (entre piadinhas, risos e comentários depreciativos) que “o Brasil está barato” e que “a moeda está excessivamente desvalorizada” (aproveitou a oportunidade para baixar o malho na ex-presidente Dilma Rousseff e tecer fartos elogios ao golpista Michel Temer).


Para aqueles de “memória curta”, dias atrás esse mesmo André Esteves conseguiu sensibilizar o atual Ministro da Fazenda (seu ex-sócio Paulo Guedes), a ceder ao seu Banco, BTG Pactual, toda uma carteira de presumíveis “créditos de difícil recuperação”, do Banco do Brasil, que inicialmente orçada em R$ 3.000.000.000,00 (três bilhões de reais) lhe foi repassada por R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais) ou 10.0% (dez por cento) do seu valor de face (e ninguém, tomou nenhuma providência para obstar tamanha imoralidade).


A pergunta que se impõe, então: quantos outros espertalhões atuantes no “mercado financeiro” mandam e desmandam no atual desgoverno ???

domingo, 17 de outubro de 2021

CIRO GOMES - O EGÓLATRA "QUERIDINHO" DO BOZO - José Nilton Mariano Saraiva

CIRO GOMES - O EGÓLATRA “QUERIDINHO” DO BOZO – José Nílton Mariano Saraiva


Indubitavelmente, quer queiram ou não admitir os respectivos, Sérgio Moro e Ciro Gomes (cada um à sua maneira) passarão à história do país como duas figuras que exerceram papel determinante para que um militar bufão e medíocre como o Bozo ascendesse à Presidência da República e, em consequência, o Brasil mergulhasse no caos dos dias atuais.

Sérgio Moro por, na condição de Juiz Federal, e comprovadamente atuando à margem da lei (por mais paradoxal e incrível que pareça), ter arbitrariamente condenado e prendido o ex-presidente Lula da Silva às vésperas da eleição presidencial (da qual era o favorito), mesmo que sem nenhuma prova dos crimes por ele supostamente praticados, tanto que com base em “atos de ofício indeterminados”, ou seja, inexistentes (e aqui não há como se olvidar da criminosa omissão, à época, do Supremo Tribunal Federal, que deixou aquele juiz agir ao seu querer (é bem verdade que, depois do estrago consumado, voltou atrás e anulou todas as decisões do dito cujo).

Já Ciro Gomes (que concorreu pela terceira vez), ao não obter (de novo, outra vez, novamente) a votação necessária para sequer ir ao segundo turno (ficou com sofríveis 12,47% dos votos), chutou o pau da bandeira e se mandou pra Paris, omitindo-se de participar e apoiar o candidato das esquerdas na escolha do Presidente da República (por essa razão, depois de eleito e embora compreensivelmente não verbalize, no íntimo o Bozo deve ter eterna gratidão ao seu novo queridinho, Ciro Gomes).

Eis que hoje, ao decidir submeter seu nome pela quarta vez à Presidência da República, na eleição de 2022, Ciro Gomes sabe perfeitamente que dois grandes desafios se lhe apresentam:

01) que, apesar do desastre que está sendo sua administração, o Bozo conta com pelo menos “cativos” 25,0% (vinte e cinco por cento) dos votos e, pois, é candidato seríssimo a estar no segundo turno (há que se reconhecer que na possibilidade de um sonhado e suposto segundo turno contra Bolsonaro, Ciro Gomes, na condição de bom tribuno que o é (mesmo que mentindo muito) “trucidaria” e faria “picadinho” do Bozo, em razão do seu despreparo e incompetência; e

02) que, com Lula da Silva candidato (hoje conta com quase 50.0% - cinquenta por cento das intenções de voto), ele, Ciro Gomes, “rodará” solenemente mais uma vez.

A partir daí, num primeiro momento Ciro Gomes tratou de escancaradamente bajular Lula da Silva, na tentativa de fazê-lo desistir da disputa em 2022, tanto que em 05.04.21 (06 meses atrás), de público e pateticamente apela: “a gente devia pedir generosidade a quem já teve oportunidade, como o Lula, QUE É UM GRANDE LÍDER DA HISTÓRIA BRASILEIRA” e que... “tal qual Cristina Kirchner fez na Argentina, desse um passo atrás” (na sua intenção de candidatar-se), porquanto... “ao contrário do que estão dizendo, a tarefa não é derrotar o Bolsonaro, que é uma tarefa muito grande; são duas tarefas: a segunda grande tarefa, mais difícil, que pede muita reconciliação, é botar uma coisa nova nesse ambiente de terra arrasada” (alguém duvida que seria ele a "coisa nova" ???).

Como compreensivelmente Lula da Silva não deu a mínima para tão estapafúrdia proposta (até porque está respaldado por 50.0% dos brasileiros, que querem, sim, que ele volte pra botar ordem na casa e recolocar o Brasil entre as grandes nações do mundo), a partir de então a estratégia cirista mudou radicalmente: a ordem, agora, é “desconstruir” todo o legado de Lula da Silva, mesmo que apelando pra todo tipo de mentira e de ilações às mais grotescas e inverossímeis.

Assim, segundo Ciro Gomes, Lula da Silva teria atuado decisivamente para que a operação objetivando viabilizar o impeachment de Dilma Rousseff fosse à frente.

É o desespero batendo à porta do ególatra (pessoa que tem amor exagerado pelo próprio eu).

sábado, 9 de outubro de 2021

"AS PORTAS DO INFERNO" (ou A VOLTA DO QUE NÃO FOI) - José Nílton Mariano Saraiva

ÀS PORTAS DO INFERNO (ou A VOLTA DO QUE NÃO FOI) – José Nílton Mariano Saraiva

Sem mais delongas e denotando uma insensibilidade a toda prova, o advogado sexagenário paulista Tadeu Frederico de Andrade foi avisado pela própria direção da instituição paulista Prevent Senior, que morreria em poucos dias face à (suposta) irreversibilidade do seu caso. E que, como não tinha mais jeito mesmo, teria que desocupar a caríssima UTI para recepcionar outrem, que já na fila de espera se encontrava (e eram muitos).

Também lhe comunicaram que, a partir de então, seria alocado numa ala hospitalar específica para “tratamento paliativo”, (uma espécie de antecâmara da morte, já que sem direito ao imprescindível oxigênio e à medicação necessária), onde outros já lá se encontravam, abandonados, apenas e tão somente... esperando a morte chegar; como consolo, hipocritamente lhe afirmaram que “morreria confortavelmente” (mesmo que por falta de oxigênio, cara pálida ???).

Portanto e em definitivo, para a Prevent Senior ele já poderia ser considerado “mais um” na sua estatística macabra, só que com um detalhe estarrecedor: muito embora tivesse passado mais de 120 dias internado, com direito a duas entubações, sua morte seria enquadrada em uma outra enfermidade qualquer que não a Covid, já que em seu prontuário o CID (Código Internacional de Doenças) seria modificado, como o de muitos outros o foram (ouviu ainda que... “se sofresse uma parada cardíaca não deveria ser reanimado”).

Não tivesse havido, na oportunidade, uma providencial e dura reação da família, literalmente “peitando” a direção da Prevent Senior ao anunciar que convocaria a imprensa para denunciar o escândalo e acionaria a Justiça no sentido de exigir um mínimo de respeito ao paciente, Tadeu Francisco de Andrade pereceria à míngua, como se fora um desprezível animal abandonado. Assim, tiveram que aceitar que a família contratasse um médico particular que de pronto modificou a medicação e à sua cabeceira permaneceu monitorando o paciente diuturnamente (no próprio hospital) até sua total recuperação.

E eis que agora, na bancada da CPI, aquele que estivera às portas do inferno (e que representa tão bem “a volta do que não foi”), emocionado, desenvolto e didático, narrou pormenorizadamente todo o seu drama e de sua família, no que era corroborado “tim-tim-por-tim-tim”, por um dos médicos (ao seu lado) que fora demitido da Prevent Senior por se recusar a cumprir o seu protocolo macabro, no qual assustadoramente constava que “um óbito é também uma alta” (citado médico também confirmou que o Kit-Covid – gratuito - era enviado através de motoqueiros pela Prevent Senior, bastando para isso que um mero telefonema fosse dado e que uma das Doutoras do Prevent Senior houvera determinado internamente que, “tossiu...kit-covid nele).

Soube-se, a posteriori, que a criminosa mudança do CID (Código Internacional de Doença) visando mascarar a morte pela Covid (mesmo que o paciente tivesse sido entubado duas vezes ao longo da internação), teria sido engendrada pela Prevent Senior em conluio e visando ajudar o governo na sua criminosa omissão da realidade (o kit covid, restou comprovado, não oferece nenhuma efetividade).

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A propósito, e apesar ter ocorrido na década de 40, convém lembrar que no campo de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Grande Guerra Mundial, Josef Mengele ficou conhecido como o “Anjo da Morte” devido às atrocidades perpetradas contra a raça judia.

Mengele fazia visitas semanais aos quartos dos hospitais dos campos de concentração e enviava para as câmaras de gás todos os prisioneiros que não se recuperassem após duas semanas na cama (igual à Covid ???).

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Teríamos por aqui os “anjos da morte” da Prevent Senior... ou tudo não passa de mera coincidência ???

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

"TENEBROSAS TRANSAÇÕES" - José Nílton Mariano Saraiva

  TENEBROSAS TRANSAÇÕES – José Nílton Mariano Saraiva

Na tentativa de alertar para o “modus operandi” mafioso do senhor Paulo Guedes, há um ano atrás (10.09.20) postamos nos blogs da vida o texto abaixo (Um Negócio da China).

Como agora se descobriu que Paulo Guedes já há bastante tempo é titular de uma empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, onde mantém uma montanha de dólares depositado (num claro conflito de interesses, já que responsável pela política econômica do país), não custa republicá-lo, ao tempo em que se indaga: será tomada alguma providência por parte das autoridades competentes visando esclarecer tais tenebrosas transações ???

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UM “NEGÓCIO DA CHINA” - José Nilton Mariano Saraiva

Entorpecida por alguma promessa ou vantagem não detectável pelos mortais comuns (ou até mesmo por visceral desonestidade), a mídia tupiniquim deu quase nenhum espaço para um dos grandes escândalos da atualidade.

Referimo-nos à operação pactuada entre o Banco do Brasil e o banco BTG Pactual, onde aquela estatal governamental cedeu por R$ 300.000.000,00 (TREZENTOS MILHÕES DE REAIS) àquele representante privado, sem nenhuma transparência, toda uma carteira de créditos de (teoricamente) difícil recuperação, orçados em R$ 3.000.000.000.,00 (três bilhões de reais). 

Em português claro e cristalino: para se apropriar de vez daqueles títulos o BTG PACTUAL pagou ao Banco do Brasil o correspondente a dez por cento (10,0%) do seu valor de face.

Para os que desconhecem, o BTG Pactual foi fundado por Paulo Guedes e corriola e, muito provavelmente, nos dias atuais um seu “laranja” deve fazer parte do controle acionário do mesmo.

Aliás, o que não falta do BTG PACTUAL são “cobras criadas” que não dão murro em ponta de faca, já que verdadeiros "abutres" do sistema financeiro, porquanto acostumados a extorquir e se aproveitar de situação análogas e, claro, não meteriam a mão em cumbuca suspeita.

Como a “folha-corrida” do senhor Paulo Guedes não é das mais recomendáveis no mercado financeiro (há fortes suspeitas de ter metido a mão em alguns fundos de pensão das estatais, quando prestou assessoria a alguns deles, anos atrás), não seria de se estranhar que, na condição de Ministro da Fazenda, (ao qual o Banco do Brasil é subordinado) tenha oportunisticamente “vazado” para os sócios do BTG PACTUAL o “negócio da China” que seria a aquisição dos referidos títulos, a preço de banana (evidentemente que deve ter recebido uma boa comissão por isso).

Estranhável é que os “experts” em finanças, que pululam nos periódicos tupiniquins, não hajam se dado ao trabalho de uma simples análise do “porquê” de tal transação, já que de valor superlativo e claramente danosa aos cofres públicos.

sábado, 2 de outubro de 2021

"OPERAÇÃO EXTRAORDINÁRIA" (II) - José Nílton Mariano Saraiva

 "OPERAÇÃO EXTRAORDINÁRIA" (II) - José Nílton Mariano Saraiva


Em aditamento à nossa postagem "Operação Extraordinária", de 30.09.21.

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“É UM GRANDE VEXAME E PARTICIPAMOS DISSO. SOMOS CÚMPLICES”, diz Gilmar Mendes sobre a Lava Jato
Por
Jornal GGN O jornal de todos os Brasis
-
27 de agosto de 2019

Jornal GGN – Durante a sessão da segunda turma do Supremo Tribunal Federal que anulou condenação imposta pela Lava Jato a Ademir Bendine, o ministro Gilmar Mendes reconheceu que a Corte foi cúmplice dos desvios da operação comandada a partir de Curitiba.

“É UM GRANDE VEXAME E PARTICIPAMOS DISSO. SOMOS CÚMPLICES DESSA GENTE. HOMOLOGAMOS DELAÇÃO. É ALTAMENTE CONSTRANGEDOR. TODOS NÓS QUE PARTICIPAMOS DISSO TEMOS QUE DIZER 'NÓS FALHAMOS', disparou o ministro.

Segundo informações do portal Jota, Gilmar citou reportagem da Vaza Jato desta terça (27), em que procuradores de Curitiba ironizam, debocham, fazem ilações sobre as circunstâncias da morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia, denotando ódio em relação a Lula.

Para Gilmar, “A REPÚBLICA DE CURITIBA NADA TEM DE REPUBLICANA, ERA UMA DITADURA COMPLETA (...). ASSUMIRAM PAPEL DE IMPERADORES ABSOLUTOS. GENTE COM UMA MENTE MUITA OBSCURA (...). QUE GENTE ORDINÁRIA, SE ACHAVAM SOBERANOS".

Os procuradores são corruptos, “GENTE SEM NENHUMA MATURIDADE. CORRUPTA NA EXPRESSÃO DO TERMO. NÃO É SÓ VENDER FUNÇÃO POR DINHEIRO. VIOLARAM O CÓDIGO DE PROCESSO PENAL".

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

"OPERAÇÃO EXTRAORDINÁRIA" - José Nílton Mariano Saraiva

 “OPERAÇÃO EXTRAORDINÁRIA” - José Nílton Mariano Saraiva

No auge da “rasgação de seda” por conta das peripécias aprontadas em Curitiba pelo então juiz de primeira instância Sérgio Moro a bordo da sua Operação Lava Jato (já então eivada de “cabeludíssimas irregularidades”), um certo Juiz Federal de Brasília foi questionado por um jornalista mais expedito e corajoso se ele achava correto o procedimento e as posteriores decisões do tal juiz, porquanto afrontando diuturnamente a nossa Carta Maior (Constituição Federal).

De pronto, aquele magistrado afirmou que, como a Lava Jato se constituía uma “operação extraordinária” (supostamente por contar com o apoio de boa parte da população), o tratamento a ser dado a ela deveria também ser “extraordinário”, independentemente de desrespeitar ou não o nosso ordenamento jurídico legal.

Como, naquela oportunidade, o Supremo Tribunal Federal, passiva e inexplicavelmente aceitou tal argumentação, implicitamente conferiu sua chancela aos desmandos do deslumbrado juizeco provinciano de Curitiba (e a coisa chegou a tal ponto que, de forma atípica, decidido ficou que para Curitiba deveriam ser encaminhados quaisquer processos que tivessem na capa o  carimbo de “corrupção”, independentemente de qual estado do Brasil se originasse; assim, com o cavalo selado à sua frente, Sérgio Moro o montou e se danou a exorbitar das suas funções.

Tal reflexão nos remete às seções da CPI da Pandemia (nos dias atuais), quando membros do próprio governo federal associados a grandes “ladrões de colarinho branco” comprovadamente envolvidos em falcatruas monumentais de bilhões de reais, e convocados a se explicar,  lá comparecem já de posse de um preventivo “habeas corpus” concedido pelo Supremo Tribunal Federal, garantindo-lhes o “direito constitucional” de se manterem silentes (e haja saco para aguentar esse corja de marginais repetir 100, 200, 300  vezes essa já velha ladainha, com um sorriso discreto no canto da boca, como a gozar de todos nós).

A pergunta é: se à Operação Lava Jato foi concedida a chancela de “extraordinária” e, pois, capaz de ignorar e passar por cima da própria Constituição Federal, por qual razão à CPI da Pandemia (que tenta desvendar os culpados de pelo menos metade das 600 mil mortes, até aqui) não é concedido idêntico tratamento (operação extraordinária), e, pois, possa ela determinar de pronto a prisão desses bandidos de alta periculosidade ??? (a posteriori, o Ministério Público se encarregaria da decisão final).

A própria lembrança da Lava Jato deveria servir de alerta aos integrantes do Supremo Tribunal Federal: afinal, depois do portentoso estrago feito por Sérgio Moro, em termos de desrespeito ao ordenamento jurídico vigente, aquela Corte Maior reconheceu e decidiu ser o referido juiz “suspeito”, anulando todas as suas decisões.


quarta-feira, 29 de setembro de 2021

"MILAGRE" DA MEIA NOITE - José Nilton Mariano Saraiva

 “MILAGRE” DA MEIA NOITE – José Nílton Mariano Saraiva

CONTÊINERES são recipientes de metal de grande porte e dimensão (alguns até refrigerados), que se prestam ao acondicionamento e transporte de carga em navios, trens ou aviões, por grandes distâncias (preferencialmente de um continente a outro).

Se por si só sua estrutura pesa uma enormidade, imaginem após repleto de toneladas de mercadorias, daí ser necessário para operacionalizá-lo (ou simplesmente deslocá-lo) a utilização de enormes e pesados guindastes, naturalmente que comandado por um profissional habilitado para tal mister (e respectivos auxiliares).

No pré embarque e no pós desembarque, há que se utilizar para o seu transporte terrestre enormes carretas (daquelas com pneus e carroceria em dobro e que desenvolvem uma velocidade de no máximo 20 km/horário) além de, também, que seja manobrada por um profissional preparado.

Por tudo isso, a logística para quem lida com esse tipo de transação há que ser complexa e demandante de recursos de vulto, daí ser fácil concluir que apenas empresários “com bala na agulha” (muita grana) seja capaz de viabilizá-la.

Causou espécie, pois, a notícia divulgada essa semana por dois dos principais telejornais noturnos da cidade (TV Globo e TV Record) nos dando conta que – é vero, senhores, acreditem - 12 (DOZE) enormes contêineres, repletos de mercadorias apreendidas pela Receita Federal, não mais que de repente sumiram, desapareceram, escafederam-se ou foram levados do Porto do Mucuripe, sem que ninguém tenha visto ou ouvido absolutamente nada.

Claro que aí tem mutreta, que aí tem “cachorro grande” (empresários de porte) envolvidos nesse roubo monumental, atípico e, literalmente, portentoso.

Se não, seremos tentados a acreditar ter havido um certo “MILAGRE” DA MEIA NOITE capaz de justificar tal desaparecimento, sem testemunhas.

Mas, aqui pra nós: será que foram alguns “petistas”, alguns desgarrados integrantes do movimento “sem teto”, ou uns “zé-miguéis” da vida os autores de tão insólita peripécia ???

Alô, Polícia Federal, quando teremos uma resposta ???

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Vida !

 


“E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente.

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.”
                                                                                       
Mário Quintana

 

 

                                    D. Celina Teles hoje completa cem anos. O centenário é o sonho de consumo de muitos nessa terra. Vislumbramos a longevidade ( no fundo quase com temperos de imortalidade) sempre com os olhos fitos nas nossas possibilidades e limitações atuais. Atingiríamos, assim, um século de existência lépidos e lúcidos com aquela vitalidade juvenil que explodia , como fogos de artifícios, na nossa adolescência. O tempo, claro, na sua inexorabilidade, cobra-nos a penosa conta por desafiá-lo e, tantas e tantas vezes, o que resta com o passar dos anos é um mero simulacro daquilo que um dia fomos.

                            Talvez o que importe mesmo seja tudo aquilo que desfrutamos no  convívio diário com nossos semelhantes. O amor que destilamos na primavera, o gozo que desfrutamos no verão, a paz que colhemos no outono. Quando o inverno chegar com seu gelo e suas trovoadas teremos tempo de colher, pacientemente, todas as boas lembranças que fomos semeando ao longo do caminho.

                            D. Celina faz cem anos ! Uma existência simples e radiante. Professora de primeiras letras formou muitas e muitas gerações de crianças a quem entregou, pacientemente, a chave do conhecimento e para quem ensinou como destravar as janelas do mundo. Casou com o amor de sua vida. Um homem compenetrado, sério, honesto, simples:  um artista na música, no desenho e, principalmente,  nas artes de viver, de conviver com seus semelhantes, de desfrutar todos os instantes apoteóticos da vida. Luiz Morais tinha uma inata visão holística do universo. Um homem que provou que era possível entrar no lamaçal da política sem sequer manchar o seu límpido e imaculado terno de linho. D. Celina trouxe o contraponto imprescindível ao equilíbrio do lar: a determinação, a rigidez nos momentos que se fazia necessária, a educação dos sete filhos que foram brotando ao longo da existência. Todos condimentados, dia a dia, com o tempero agridoce imprescindível na formação das almas e dos corações. E a força gravitacional de D. Celina estendeu-se aos netos , bisnetos e trinetos que se foram, geração após geração, se acercando da casa da matriarca da família, como viandantes sôfregos que buscam a sombra benfazeja da grande árvore acolhedora.

                            Hoje, cem anos passados, o tempo lhe proporcionou o maior dos prêmios. A possibilidade de contemplar os galhos incontáveis do seu caule de onde brotam:  a ramagem vultosa, as flores perfumadas e os frutos que pendem dos galhos e espalharam-se ribanceira abaixo, para o enlevo dos pássaros e para  novas e opimas messes.

                            Cem anos depois, a professora Celina Teles nos deixa a maior de todas suas lições. Sem alardes publicitários foi, durante toda sua trajetória, debulhando a casca dourada das horas e espalhando pelo caminho. Aparentemente inúteis essas cascas adornam ainda hoje o colo de incontáveis companheiros de viagem, como joias áureas, faiscantes e reluzentes !  Essa é a maior das lições de nossa mestra : Vida !

 

Crato, 10 de Setembro de 2021 

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

A "MAGIA DO FUTEBOL" - José Nílton Mariano Saraiva

 


“A MAGIA DO FUTEBOL” – José Nilton Mariano Saraiva

Quando o futebol brasileiro se fazia respeitar (pela torcida e adversários), às vésperas de mais uma Copa do Mundo da modalidade o país comia, bebia, dormia, sonhava, acordava e vivia a magia do chamado esporte das multidões.

A tal ponto de ignorar solenemente os esperados números de mais uma acirrada pesquisa eleitoral pra Presidente da República; ao mostrar descabida preocupação em debater seriamente sobre a “unha encravada” de um dos nossos craques; ou, ainda, de como o nosso artilheiro ou o nosso goleiro conseguiriam domar a “gorduchinha” (a bola), embora esta seja geometricamente igual pra gregos e troianos, já que com ela convivem a maior parte do tempo, às vezes até intimamente (segundo o folclore popular, exageros à parte, alguns chegam até a dormir com ela, desprezando a própria esposa) .


Às vésperas de uma Copa do Mundo, onde você circulasse, com quem você se fizesse acompanhar, quer fosse num banal e simplório encontro a dois no escurinho do cinema e/ou num ambiente mais concorrido, sofisticado e eclético, como os shoppings da vida, não poderia fugir ou fazer de conta que não estava nem aí, porque a indagação soava inevitável e preocupante: “e aí, você acha que a seleção brasileira vai conseguir mais uma “caneco” ???”


Afinal, o que se esconde por trás da magia e dos excessos do futebol ???

Por qual razão, não só no Brasil, mas no planeta Terra como um todo - do tórrido deserto do Saara à glacial região siberiana na Rússia, da fervilhante Nova York ao conturbado Oriente Médio e por aí vai - milhões de pessoas (crianças, adultos, ricos, pobres, mulheres, homens, pretos, brancos, intelectuais, profissionais liberais e analfabetos) unos se deixam envolver e anestesiar, momentaneamente, a fim de acompanhar vinte e dois marmanjos a correr feito loucos atrás de uma bola, durante 90 minutos ???

Por qual razão nossas dívidas pessoais são esquecidas, nossos compromissos “inadiáveis” postergados, a saúde desprezada (e agredida pelo excesso alcoólico), amores estremecidos reatam, afloram e explodem novas paixões, fábricas são paralisadas (com a consequente suspensão da atividade produtiva), os indecifráveis números da economia são deixados de lado, esquecemos o que seja inflação, PIB, dívida externa, PAC, superávit primário e por aí vai, durante os 30 dias de duração de um “torneiozinho que não tem nem segundo turno” (conforme o ingênuo e fenomenal jogador Mané Garrincha se referia à Copa do Mundo  da Suécia, em 1958, quando o Brasil foi campeão do mundo pela primeira vez ???).

Por qual razão reis, rainhas, súditos, presidentes, o Papa, ditadores e tantas outras pessoas influentes e responsáveis pelo destino de milhões de irmãos, repentinamente se irmanam ao povaréu num mesmo objetivo, um só desejo, uma só promessa de fé, uma só torcida, um só coração ???

Por qual razão, num dia e hora pré-estabelecidos (mesmo sendo dia útil), nos postamos todos ali, contritos, inertes, silenciosos, “taquicardíacos de ocasião”, olhos vidrados na “telinha”, à espera do momento de - até que enfim - soltar o grito de gol há muito preso e entalado na garganta ???

Como explicar a “magia do futebol” ???

 

Postscriptum:

Tal reflexão não vale para a atual seleção brasileira, comandada pelo fracassado e incompetente Tite e repleta de jogadores mercenários.   

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

LOÇÕES DE VIDA (FREI BETTO)

 LIÇÕES DE VIDA ( Frei Betto)


“Há muitos modos de administrar a loucura, porque dela não se prescinde inteiramente. A minha é a arte de tecer letras, combinar vocábulos, consubstanciá-los, garimpar-lhes o significado, aprimorar sintaxes. As palavras me salvam, tornam terrivelmente lúcida a minha demência e dissipam-me as sombras da alma. Tenho com elas uma relação passional, promíscua, lexicofágica. Como-as, bebo-as, respiro-as, são elas que me povoam os sonhos.

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Ao longo de quatro anos de prisão (1969-1973), escrevi a parentes, amigos, confrades, para sublimar o medo, exorcizar demônios, revitalizar a fé. Reajardinei minha esperança através da escrita e, sobretudo, emiti meu pálido clamor em meio a tanta atrocidade”.

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"Minha geração – a dos idos de 68 – vive agora em desconforto. Tantos sonhos e sacrifícios, cantos e passeatas, e o olhar altivo de “Che” iluminando nossos ideais, para resultar em filhos que se drogam, detestam política e, de academia, só conhecem as de ginástica. Para alguns, o culto do corpo compensa a atrofia do cérebro".

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“Somos os nossos atos. Na vida, temos a liberdade de apenas escolher as sementes. Depois, haveremos de, inelutavelmente, colher o que plantamos. Isso vale para a vida pessoal, social e política. Por isso, as nossas opções fundamentais são tão importantes. São elas o nosso verdadeiro retrato. Nem ovo, nem galinha. Os dois juntos. O ovo contém a galinha, a galinha bota o ovo. AS PESSOAS MUDAM MUDANDO O MUNDO; MUDADO, O MUNDO MUDA AS PESSOAS”.

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“Quem se deixa dominar pelo medo de pensar, evita contradições e opiniões divergentes, assimila o pensamento de quem o proíbe de pensar e se alheia da busca da verdade, confundindo-a com a autoridade. Ou pior: julga o seu pobre pensar refletir a verdade lapidar e olvida que há a sua verdade, a minha verdade e a verdade verdadeira. O desafio é buscarmos, juntos, a verdade verdadeira”.

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“Assim é a política: horizonte de sonhos para o qual se caminha ao peso de bolas de ferro presas ao tornozelo. Não há rotas lineares; são todas labirínticas, acidentadas. Em cada curva, uma surpresa, obrigando o viajante a mudar de ritmo e refazer o mapa. Nas costas, a sacola atulhada de vaidades intransponíveis, maledicências, frituras e bajulações desmedidas. Nela se ingressa sem passar pela prova da competência, nem se exige atestado de idoneidade moral”.

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DE: CHE GUEVARA

"Deixe-me dizer, mesmo com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar num revolucionário autentico sem esta qualidade. É preciso ter uma grande dose de humanismo, no sentido de justiça e de verdade para não cair em extremismos dogmáticos, em escolasticismos frios, em isolamentos das massas. É preciso lutar todos os dias para que esse amor à humanidade viva se transforme em atos concretos que sirvam de exemplo e mobilizem". ( CHE GUEVARA )