TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

 Senhores, 

Uma das “lembranças” mais prazerosas que o Facebook acaba de nos proporcionar, diz respeito à “republicação” do texto de nossa autoria, postado anos atrás, tratando sobre a então criação da Região Metropolitana do Cariri.

E isto porque, tudo o que ali afirmamos naquela época (vide abaixo), é hoje uma dura e cruel realidade, principalmente para os verdadeiros cratenses (mudamos/atualizamos apenas o título do artigo e trechos pontuais).

 

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“DEFINITIVAMENTE, PERDEMOS O BONDE DA HISTÓRIA” - José Nilton Mariano Saraiva

 

Se, enquanto teoria, a criação da Região Metropolitana do Cariri (anos e anos atrás) conseguiu ludibriar muita gente, através da propagação de mentiras e devaneios mil, na prática, a partir do momento em que passou a ser operacionalizada, converteu-se em um colossal embuste, uma farsa sem tamanho, uma nua, crua e indigesta realidade.

Fato é que, para camuflar a escolha de uma única cidade (Juazeiro do Norte) como receptora preferencial dos investimentos governamentais ao sul do Ceará (assim como o fizera com Sobral, ao norte), o Governo do Estado contou com uma legião de muito bem treinados e amestrados “multiplicadores” (deputados estaduais da sua base e secretários de Estado, todos cooptados) que, hipócrita e irresponsavelmente, saíram às ruas a dourar a pílula, alardeando, difundindo e propagando as futuras benesses advindas da criação da Região Metropolitana do Cariri.

Só que, internamente, entre quatro paredes, já havia a determinação política em se evitar a pulverização dos investimentos governamentais entre as diversas cidades da Região do Cariri (desprovidas do “componente político”), centrando-os em uma só urbe, na ilusória e enganadora (ou mafiosa) perspectiva que os benefícios fluiriam e se espraiariam entre as demais comunidades; naquela ocasião, alertamos aqui mesmo neste espaço sobre o perigo da passividade com que aquela conversa mole passara a ser digerida, o que nos valeu diversos rótulos desabonadores, tais quais: bairrista, conservador, retrógrado e por aí vai.

Mas foi assim, verbalizando tal lorota diuturnamente (em alto e bom som), e valendo-se de um pseudo “regionalismo” alavancador do progresso, que foram criados e passaram a operar em Juazeiro do Norte (e só lá) o Aeroporto Regional do Cariri, o Hospital Regional do Cariri, a sede regional da Receita Federal, a Universidade Federal do Cariri, a delegacia regional da Polícia Federal, a unidade regional da Receita Federal e tudo o mais que pudesse ser rotulado de “regional”, obstaculizando qualquer tentativa de igualdade/equanimidade; tudo tinha, obrigatoriamente, que ser em Juazeiro do Norte (e aí, posteriormente, na esteira do prestígio chancelado pela “desonesta” preferência governamental, os empreendimentos privados foram apenas consequência).

Quanto às demais cidades da região, ficaram a ver navios, a esperar por quem não ficou de vir e experimentaram a estagnação absoluta, a involução e a virarem meros satélites errantes a vagar sem rumo e sem norte na órbita juazeirense.

O mais estapafúrdio nisso tudo é que, à época da criação da tal Região Metropolitana do Cariri, por deslavada conveniência política, e falta de justificativa consistente para esconder o marasmo administrativo, ou mesmo na vã tentativa de justificar o injustificável, os (maus) cratenses, inclusive e principalmente algumas autoridades constituídas (que deveriam, sim, ser responsabilizadas pelo estágio a que chegamos, aí no Crato), convencionaram e passaram a adotar o cretino e ultrajante bordão de que, como éramos “UM SÓ POVO, UMA SÓ NAÇÃO CARIRI”, o progresso e a aura desenvolvimentista viriam de forma equânime, igualitária, simétrica (e coitado daquele que ousasse pensar diferente).

Deu no que deu. E como o esvaziamento do Crato, a partir de então, foi e é notório e acachapante, hoje, hipocritamente, as mesmas autoridades e formadores de opinião que engoliram o bolo sem mastigar, que teceram loas àquela criminosa ação governamental, que se deixaram bovinamente estuprar intelectualmente, que se extasiaram com o canto da sereia, e que covardemente se omitiram em questões cruciais, posam de indignados, choram ante as câmeras, manifestam surpresa, reclamam do tratamento “desigual” a que foram submetidos Crato e as demais cidades da região. Pura hipocrisia, deplorável jogo de cena, falsidade em estado latente.

E Juazeiro do Norte, que nasceu, cresceu e tonificou-se à sombra de um grande e colossal embuste, uma farsa grotesca e comprovada (o tal do “milagre da hóstia”), continua adotando e valendo-se do mesmo heterodoxo “modus operandi”, da mesma estratégia suspeita de tramar na calada da noite, que o catapultou à condição de centro receptor de tudo que provém do poder central estadual (com a inestimável colaboração do “componente político”).

Quanto ao Crato, em razão da ignorância política do seu povo (como entender que um alienígena como Ciro Gomes, que nunca fez nada pela cidade, haja obtido 11.000 votos numa mesma eleição), em razão do descaso com que sempre foi tratada uma questão séria e crucial (a escolha dos seus representantes na esfera política) definitiva e merecidamente escorregou na maionese, e assim, sem retorno, PERDEMOS O BONDE DA HISTÓRIA (sem choro nem vela).  

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