TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Manifesto em defesa do MST

Você também pode defender o MST. De onde estiver.

Leia o Manifesto em defesa ao movimento e ajude a divulgar.

Manifesto em defesa da Democracia e do MST

"...Legitimam-se não pela propriedade, mas pelo trabalho,

nesse mundo em que o trabalho está em extinção.

Legitimam-se porque fazem História,

num mundo que já proclamou o fim da História.

Esses homens e mulheres são um contra-senso

porque restituem à vida um sentido que se perdeu..."

("Notícias dos sobreviventes", Eldorado dos Carajás, 1996).


A reconstrução da democracia no Brasil tem exigido, há trinta anos, enormes sacrifícios dos trabalhadores. Desde a reconstrução de suas organizações, destruídas por duas décadas de repressão da ditadura militar, até a invenção de novas formas de movimentos e de lutas capazes de responder ao desafio de enfrentar uma das sociedades mais desiguais do mundo. Isto tem implicado, também, apresentar aos herdeiros da cultura escravocrata de cinco séculos, os trabalhadores da cidade e do campo como cidadãos e como participantes legítimos não apenas da produção da riqueza do País (como ocorreu desde sempre), mas igualmente como beneficiários da partilha da riqueza produzida.

O ódio das oligarquias rurais e urbanas não perde de vista um único dia, um desses novos instrumentos de organização e luta criados pelos trabalhadores brasileiros a partir de 1984: o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra - MST. E esse Movimento paga diariamente com suor e sangue - como ocorreu há pouco no Rio Grande do Sul, por sua ousadia de questionar um dos pilares da desigualdade social no Brasil: o monopólio da terra. O gesto de levantar sua bandeira numa ocupação traduz-se numa frase simples de entender e, por isso, intolerável aos ouvidos dos senhores da terra e do agronegócio. Um País, onde 1% da população tem a propriedade de 46% do território, defendida por cercas, agentes do Estado e matadores de aluguel, não podemos considerar uma República. Menos ainda, uma democracia.

A Constituição de 1988 determina que os latifúndios improdutivos e terras usadas para a plantação de matérias primas para a produção de drogas, devem ser destinados à Reforma Agrária. Mas, desde a assinatura da nova Carta, os sucessivos Governos têm negligenciado o seu cumprimento. À ousadia dos trabalhadores rurais de garantir esses direitos conquistados na Constituição, pressionando as autoridades através de ocupações pacíficas, soma-se outra ousadia, igualmente intolerável para os senhores do grande capital do campo e das cidades: a disputa legítima e legal do Orçamento Público.

Em quarenta anos, desde a criação do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), cerca de um milhão de famílias rurais foram assentadas - mais da metade de 2003 pra cá. Para viabilizar a atividade econômica dessas famílias, para integrá-las ao processo produtivo de alimentos e divisas no novo ciclo de desenvolvimento, é necessário travar a disputa diária pelos investimentos públicos. Daí resulta o ódio dos ruralistas e outros setores do grande capital, habituados desde sempre ao acesso exclusivo aos créditos, subsídios e ao perdão periódico de suas dívidas.

O compromisso do Governo de rever os critérios de produtividade para a agricultura brasileira, responde a uma bandeira de quatro décadas de lutas dos movimentos dos trabalhadores do campo. Ao exigir a atualização desses índices, os trabalhadores do campo estão apenas exigindo o cumprimento da Constituição Federal, e que os avanços científicos e tecnológicos ocorridos nas últimas quatro décadas, sejam incorporados aos métodos de medir a produtividade agrícola do nosso País.

É contra essa bandeira que a bancada ruralista do Congresso Nacional reage, e ataca o MST. Como represália, buscam, mais uma vez, articular a formação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o MST. Seria a terceira em cinco anos. Se a agricultura brasileira é tão moderna e produtiva - como alardeia o agronegócio, por que temem tanto a atualização desses índices?

E, por que não é criada uma única CPI para analisar os recursos públicos destinados às organizações da classe patronal rural? Uma CPI que desse conta, por exemplo, de responder a algumas perguntas, tão simples como: O que ocorreu ao longo desses quarenta anos no campo brasileiro em termos de ganho de produtividade? Quanto a sociedade brasileira investiu para que uma verdadeira revolução - do ponto de vista de incorporação de novas tecnologias - tornasse a agricultura brasileira capaz de alimentar nosso povo e se afirmar como uma das maiores exportadoras de alimentos? Quantos perdões da dívida agrícola foram oferecidos pelos cofres públicos aos grandes proprietários de terra, nesse período?

O ataque ao MST extrapola a luta pela Reforma Agrária. É um ataque contra os avanços democráticos conquistados na Constituição de 1988 - como o que estabelece a função social da propriedade agrícola - e contra os direitos imprescindíveis para a reconstrução democrática do nosso País. É, portanto, contra essa reconstrução democrática que se levantam as lideranças do agronegócio e seus aliados no campo e nas cidades. E isso é grave. E isso é uma ameaça não apenas contra os movimentos dos trabalhadores rurais e urbanos, como para toda a sociedade. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que custou os esforços e mesmo a vida de muitos brasileiros, que está sendo posta em xeque. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que está sendo violentada.

É por essa razão que se arma, hoje, uma nova ofensiva dos setores mais conservadores da sociedade contra o Movimento dos Sem Terra - seja no Congresso Nacional, seja nos monopólios de comunicação, seja nos lobbies de pressão em todas as esferas de Poder. Trata-se, assim, ainda uma vez, de criminalizar um movimento que se mantém como uma bandeira acesa, inquietando a consciência democrática do país: a nossa democracia só será digna desse nome, quando incorporar todos os brasileiros e lhes conferir, como cidadãos e cidadãs, o direito a participar da partilha da riqueza que produzem ao longo de suas vidas, com suas mãos, o seu talento, o seu amor pela pátria de todos nós.

Contra a criminalização do MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA!

Pelo cumprimento das normas constitucionais que definem as terras destinadas à Reforma Agrária!

Pela adoção imediata dos novos critérios de produtividade para fins de Reforma Agrária!

São Paulo, 21 de setembro de 2009

Plínio de Arruda Sampaio, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária, ex-Deputado Federal Constituinte pelo PT-SP (1985-1991) e ex-consultor da FAO

Osvaldo Russo, estatístico, ex-presidente do INCRA (1993-1994), diretor da ABRA e coordenador do núcleo agrário nacional do PT

Hamilton Pereira, o Pedro Tierra, 61, é poeta e membro do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo

Antônio Cândido, crítico literário, USP

Leandro Konder, filósofo, PUC-RJ

István Mészáros, Hungria, filósofo

Eduardo Galeano, Uruguai, escritor

Alípio Freire, escritor

Fábio Konder Comparato, jurista, USP e Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra

Fernando Morais, jornalista e escritor

Dr. Jacques Alfonsin, jurista, Porto Alegre

Altamiro Borges, PCdoB

Nilo Batista, jurista

Alberto Broch, Presidente da CONTAG

Artur Henrique, Presidente da CUT

Augusto Chagas, Presidente da UNE

Bartira Lima da Costa, Presidente da CONAM

Ivan Pinheiro, secretario geral do PCB

Ivan Valente, Deputador Federal PSOL/SP

José Antonio Moroni, diretor da ABONG e do INESC

José Maria de Almeida, CONLUTAS, presidente do PSTU

Nalu Faria, coordenadora geral da Sempreviva Organização Feminista - SOF e integrante da executiva nacional da Marcha Mundial das Mulheres.

Paulo Pereira da Silva, Deputado Federal PDT-SP e presidente da Força Sindical

Renato Rabelo, presidente do PCdoB

Renato Simões, Secretário de Movimentos Populares do PT

Roberto Amaral, ex-Ministro da Ciência e Tecnologia, Secretário Geral do PSB

Sérgio Miranda, PDT-MG

Valter Pomar, Secretário de Relações Internacionais do PT

Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB

Dom Ladislau Biernaski, Presidente da CPT

Dom Pedro Casaldáliga, Bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia - MT

Dom Tomás Balduino, conselheiro permanente da CPT

Frei Betto, escritor

Leonardo Boff, escritor

Reverendo Carlos Alberto Tomé da Silva, TSSF, Anglicano, Capelão Militar

Miguel Urbano, Portugal, jornalista

Anita Leocádia Prestes, historiadora, UFRJ

Beth Carvalho, sambista

Adriana Pacheco, Venezuela, ViveTV

Adelaide Gonçalves, historiadora, UFCE

Ana Esther Ceceña, UNAN

Antonio Moraes, Federação Única dos Petroleiros - FUP

Associação Brasileira de ONG's - ABONG

Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF)

Chico Diaz, ator

Cândido Grzybowski - IBASE

Comitè italiano de apoio ao Movimento Sem Terra (Amigos MST-Italia)

Antônio Carlos Spis, CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais)

Dora Martins, juíza de direito, e presidenta da Associação de Juízes pela Democracia

Emir Sader, sociólogo, LPP/UERJ

Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB)

Hamilton de Souza, jornalista, PUC-SP

Heloísa Fernandes, socióloga, USP e ENFF

Jose Arbex, jornalista, PUC-SP

Maria Rita Kehl, psicanalista, São Paulo

Osmar Prado, ator

Paulo Arantes, filósofo, USP e ENFF

Vandana Shiva, Índia, cientista

Virginia Fontes, historiadora, UFF/Fiocruz

Vito Gianotti, jornalista e historiador, Núcleo Piratininga de Comunicação - Rio de Janeiro


Letras musicais - (homenagem ao dia do compositor) - Por Claude Bloc

Letras musicais
onde viceja o néctar
claves de sol ,
sonatas, sinfonias,
o despertar do amor
em dó maior

flores do âmago,
o mínimo no máximo,
o sedutor encanto,
o brinde aos sentimentos
sustenidos ...


Um toque musical
sensibilidades
sons e tons
melodias vibrantes
que se soltam pelo vale
em ré, em mi
em pura harmonia...
e neste dia

que já seria
feliz em si (bemol?)
será também em ti,

compositor!

.
Homenagem aos compositores de nossa terrinha e em especial a Pachelly, Abidoral, Cleivan Paiva, Zé Nilton, Salatiel, Célia Dias, Correinha, Ulisses Germano, Calazans Callou, Tiago Araripe ... sem esquecer tantos outros que encantaram e adornaram nossa vida com a sua música.
.
Texto por Claude Bloc
..

A volta da banda Fator RH

A banda Fator RH, uma das pioneiras do movimento roqueiro caririense, está de volta para uma única apresentação. Será na abertura do Festival Estudantil da Canção, neste próximo sábado, dia 10, às 19:30, no Centro Cultural do Araripe (antiga Rffsa).

Da formação original, já confirmaram presença Carlos Rafael, Marcos Leonel e Igor Arraes.

Enquanto não chega a hora do show, matem a saudade com essas fotos e um texto escrito por Marcos Leonel, já publicado neste blogue.




BANDA FATOR RH- Final dos anos 80, Baile Rock à Fantasia,
Bar Banho de Bica, em Crato. Da esquerda para a direita: Sergestes
Tocantins, Lupeu , João Eymard (na bateria), Calazans Callou e
Marcos Leonel.


UMA QUESTÃO DE SANGUE

Por Marcos Leonel


Essa é a primeiríssima formação do Fator RH, segunda banda de rock autoral do Cariri. Após o término da pioneira Pombos Urbanos, - que tinha em sua formação Carlos Rafael, bateria e voz; Nicodemos, guitarra e voz; Segestes Tocantins, baixo e voz; e Marcos Lubisome, guitarra - eu, Segestes e Rafael formamos um grupo de ensaio que originou a banda Fator RH. Primeiro Calazans se juntou ao grupo, para tocar baixo. Depois Lupeu foi integrado como vocalista e anarquista. Logo em seguida Calazans trouxe João Eimar para tocar bateria no lugar de Rafael, que passou à linha de frente nos vocais. Estava feita a conspiração, só faltava a guerrilha.

Corriam os anos 80, a new wave comandava o cenário musical do rock lá fora e aqui começava a todo vapor o chamado Brock. Estávamos lá, inconformados com a falta de oportunidades e com a pasmaceira do quadro cultural caririense. O Fator RH estava na área, não para fazer o papel de testemunha ocular, mas participar de tudo aquilo, mesmo entrando pela porta de trás e sem nenhum convite. Nossa trincheira era o discurso poético, tendo à frente as sacações geniais de Rafael, o cinismo beat de Lupeu e a lisergia do meu universo musical. Ouvíamos de tudo: desde a música independente brasileira até às experimentações da Orchestra Universal de Sun Ra.
Nossas influências eram a música crua do Hasker Dü, do Ramones, Sex Pistols e Raul Seixas, via Segestes Tocantins; a pauleira sem misericórdia do Sepultura e do Slayer, via Lupeu; os blues e a música alternativa brasileira, via Rafael; o experimentalismo de Robert Frip e Frank Zappa, da minha parte; o rock dos anos 70, através de João Eimar; e a poesia bem sacada de Zé Ramalho, através de Calazans. Nosso som era cru, era na veia, era muito mais rock’n’roll do que aquilo que fazia sucesso, como Paralamas, Legião e outras coisas mais intragáveis como Kid Abelha e Gang Noventa. Nosso som estava mais para Talking Heads e Joy Division do que para o heavy metal poser do período; estava muito mais para Isca de Polícia e Tiago Araripe do que para Titans ou Legião.

Era um período difícil demais para quem fazia rock, sendo autoral ainda nem se fala. Não existiam espaços. Nós é que inventávamos, como em encontros de estudantes e campanhas eleitorais do PT. Também não existia público, nós é que inventávamos que tínhamos público. Comprar encordoamento era uma verdadeira aventura, e cara. Quando João Eimar anunciou que tinha uma bateria, foi uma verdadeira festa. Os ensaios valiam mais do que as próprias apresentações. Eram verdadeiras epopéias. Ensaiávamos na casa de Segestes, um sítio, fora do Juazeiro (hoje é o parque ecológico das Timbaúbas). Muitas comédias temos para contar. São lances pitorescos, dignos de um best seller. Essa formação do Fator RH tinha cerca de sete músicas no repertório, o que já era demais. Entre elas figuravam: Nomes, Buraco Negro, Fator RH, Margarete, Marinalva e outras pérolas do cancioneiro rebelde caririense. Pena que eu não lembro onde foi essa apresentação. Sei que era Rafael de bateria e voz; Lupeu nos vocais; eu e Segestes de guitarra; e Calazans no baixo.

Marcos Leonel

Amém

Pesquisa realizada em escolas públicas de todo o País revelou que 99,3% dos entrevistados admitem algum tipo de preconceito no ambiente de ensino. Chamado de bullying, o assédio moral tem sido responsável por evasão escolar, além de causa de problemas psicológicos que podem, em alguns casos, durar a vida toda. Em 501 escolas, mais de 18,5 mil pessoas foram ouvidas, entre alunos, pais, mães, professores, diretores e funcionários. O estudo tem como objetivo, dar subsídios para a criação de ações que transformem a escola em um ambiente de promoção da diversidade e respeito às diferenças. Foi constatado que 96,5% dos entrevistados têm preconceito com portadores de necessidades especiais, 94,2% têm preconceito étnico-racial, 93,5% de gênero, 91% de geração, 87,5% socioeconômico, 87,3% com relação à orientação sexual e 75,95% têm preconceito territorial.

Com relação à intensidade, a pesquisa apurou que, quando o preconceito é de gênero, geralmente, parte do homem para a mulher.

Evangelho de Lucas

17:34 Digo-vos que naquela noite dois estarão deitados numa mesma cama; um será tomado, e outro será deixado.
17:35 Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada.

AMÉM.

"Capitalism: A Love Story", de Michael Moore

Tenho a honra de publicar aqui, diretamente de Chicago, um artigo escrito pelo Professor Jorge Vital de Brito Moreira, que viu e gostou muito de Capitalism: A Love Story, o novo filme de Michael Moore ainda inédito no Brasil. Baiano, itaparicano por natureza e vocação, o Professor Vital é, agora, mestre em universidades dos Estados Unidos, mas nunca se esquece de seu tempos baianos, quando participou de uma série de atividades artísticas nesta soterópolis. Homem de mil instrumentos, escritor, professor, sociólogo, é, também, músico. Mas vamos ao artigo:

Capitalism: A Love Story (Capitalismo: uma história de amor) é o último documentário (2009) escrito e dirigido pelo realizador Michael Moore. O filme foi estreado recentemente na 66a Edição do Festival de Veneza em 6 de setembro de 2009 no circuito da competição oficial pelo Leão de Ouro e lançado nacionalmente em USA e Canadá no último dia 02 de Outubro.O documentário se concentra na maior crise financeira global de 2007–2009, na transição do governo de George W. Bush para o de Barack Obama e no alucinante resgate financeiro (em trilhões de dólares) de ambos presidentes para “salvar” as corporações (Goldman Sachs, Citicorp, Merrill Lynch, Bank of America) e as companhias de seguros imobiliários (AIG, Fannie Mae, Freddie Mac): as principais responsáveis pela crise econômica atual.Para isso, Michael Moore, faz um inteligente trabalho onde mostra o processo histórico que transformou a democracia no estilo Franklin Roosevelt ( com a melhor distribuição da riqueza entre os norte-americanos) na plutocracia antidemocrática do capitalismo imperial autofágico da atualidade (com a trágica destruição da classe media e trabalhadora de USA).O filme começa com seqüências que mostram a verdadeiros ladrões de bancos –filmados por câmaras de segurança em meio de um assalto armado– agarrando o dinheiro roubado enquanto a musica “Louie, Louie” e os créditos cinematográficos funcionam como contraponto à introdução do espectador no universo do crime organizado.

Estas cenas estabelecem uma abertura para a equivalência material e moral entre este roubo inicial e os sistemáticos assaltos e crimes que os titãs do capital financeiro e seus protetores políticos cometem contra o povo estadunidense e por extensão contra todos os povos das nações periféricas (Brasil incluído) que vivem sob o modelo capitalista norte-americano.

A continuação, o documentário apresenta uma inteligente montagem combinando sequencias de um filme antigo com cenas da televisão de USA na atualidade: de um lado se mostra as causas da decadência do império romano, do outro os sintomas da decadência do império americano; num caso, a superexplotação do trabalho escravo, do outro, do trabalho assalariado; de um lado, as corridas de carros, as lutas de gladiadores romanos, do outro, as lutas dos brutamontes e as corridas dos carros norte americanos.

Em poucas palavras, nessas cenas vemos como o moderno Império Americano utiliza as mesmas técnicas de entretenimento do antigo Império Romano, o denominado “panes et circenses” (pão e circo), para manipular ideologicamente, escondendo dos povos (romano e norte-americano) a verdade brutal da dominação, da exploração e da alienação social.

Adiante, o filme revela (apoiado numa rigorosa documentação visual e escrita de fatos e dados relevantes) a aliança e a agenda escondida (hidden agenda) entre os poderosos grupos financeiros, as corporações multinacionais, os congressistas e os presidentes de USA, eleitos com os milhões de dólares de contribuição dessas mesmas corporações. Como era de se esperar deste processo de corrupção, os presidentes eleitos retribuem a “generosidade” das corporações financeiras, escolhendo para ocupar os cargos de Secretários do Tesouro e de Presidentes (Chairman) da Reserva Federal, os nomes indicados por essas mesmas corporações.

Nesse processo, podemos observar como um grupo de CEOs são transformados em proprietários da política econômico-financeira da administração dos Presidentes de USA. Assim, o filme mostra os noticiários de TV onde o espectador pode observar o desfile de caras e de nomes dos mais importantes “coordenadores” entre a Presidência (desde a de Ronald Reagan até chegar à de Barak Obama) e os interesses da plutocracia norte-americana: Alan Greenspan, Donald Regan, Robert Rubin, Lawrence Summers, Henry Paulson, Timothy Geithner e Ben Bernanke são nomes onipresentes em Wall Street, no governo e na media americana.

Mas o melhor ainda está por ser visto. Michael Moore faz um conjunto de entrevistas com diversos setores da população local (membros da igreja católica, do senado americano, da bolsa de valores, das agencias imobiliárias, da classe trabalhadora e da classe media) revelando, pouco a pouco, o infame resultado do processo de acumulação, concentração e centralização do capital em USA.
O resultado é a eliminação sistemática do trabalho produtivo e dos trabalhadores ligados ao setor: uma das cenas mais impactantes é a que mostra o inicio da destruição da industria automobilística (a demolição das instalações da General Motors em Flint, Michigan) acompanhada ironicamente pela música “O Fortuna” de Carmina Burana de Carl Orff. O resultado é extremamente perturbador para o espectador.

A partir desse ponto, Michael nos mostra o que está acontecendo também do lado dos perdedores, dos arruinados por este abominável processo: o desemprego, a falta de seguro médico, a falta de ingresso para pagar as contas, o aluguel ou a hipoteca atrasada. Neste ponto, os moradores que não podem pagar suas hipotecas devolvem as suas casas, apartamentos, condomínios às corporações hipotecárias (as mesmas que foram responsáveis por suas ruínas) que as revendem no mercado de bens e raízes, colocando, por um lado, dezenas de milhares de famílias subvivendo em barracas de lona; pelo outro, uma classe de especuladores/predadores denominados “Urubus de condomínio” (Condo Vultures) que supervivem da desgraça e da carcaça alheia...

Apesar do meu impulso para seguir descrevendo as cenas trágicas e abomináveis do filme (um exemplo, os seguros de vida dos trabalhadores mortos, “Dead Peasants”, não vão parar na mãos dos seus familiares, mas ao contrario, vão parar nos bolsos dos patrões, ou seja, das multinacionais como City Bank, Bank of America, Wal-mart, etc.), prefiro não continuar na descrição, pois não quero arruinar as muitas surpresas que o documentário tem para oferecer. Ele contem também um grande conjunto de momentos cômicos, mordazes e comoventes (vi pessoas emocionadas chorando, rindo e até aplaudindo o filme na platéia) articulado a uma irônica história de amor representada pelo título, pois esta é a pergunta (Que preço pagam os estadunidenses por seu amor sado-masoquista ao capitalismo?) que o documentário trata de responder e responde, denunciando e acusando valente e brilhantemente o sistema.Como em seus filmes anteriores (Roger and me; Bowling for Columbine; Fahrenheit 9/11; SICKO) Michael Moore responde misturando a dor e a tragédia das vítimas com a comedia hilariante, incluindo fragmentos de filmes antigos, de noticiários de TV, de jornais, de documentos oficiais (reportes) do Governo e das Corporações de USA.

O documentário também mostra muitas cenas que comprovam algumas vitórias reais dos oprimidos: como quando os trabalhadores em Chicago ocupam sua fábrica para obter o pagamento que os patrões (via Bank of America) lhes devem; ou como quando um grupos de inquilinos pobres de Florida resistem coletivamente a evacuação de uma família negra da sua casa pela policia local; ou ainda, como quando um grupo de fabricas criadas pelo sistema de cooperativas de trabalhadores produzem indivíduos felizes, pois são, simultaneamente, trabalhadores e proprietários das mesmas fabricas e por isso não existe a hierarquia “normal” construída pela dominação e a opressão acostumada pela produção do lucro sobre todas as coisas.

Nessas partes, o filme sugere explicitamente que somente o amor solidário, a organização, a participação, a resistência, e a luta coletiva dos trabalhadores contra o sistema capitalista atual, serão condição suficiente para gerar um novo sujeito histórico e um novo movimento social capacitado para superar a desgraçada relação patológica a que nos subordinamos todos os dias sob o infame modo de produzir e reproduzir a sociedade atual.Por aqui paro. Só me resta recomendar aos leitores da sua coluna, aos cidadões da Bahia e do Brasil que façam o que for possível para ir a um cinema local para assistir, gozar e aprender de um dos melhores documentários que vi em USA.
Jorge Vital de Brito Moreira

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Igreja.

Igreja
(Melodia - Titãs, Letra - Nando Reis)

Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto de vigário
Nem da missa das seis.
Eu não gosto de terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus.
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Eu não tenho religião.

Apraz

Então dobrarei gentilmente a colcha.
O lençol branco posto sobre o travesseiro.
Duas palmadinhas.

Um olhar resignado às paredes.
Nenhum inseto.

As sandálias observadas
se as correias para cima.

Cada qual solícita
no seu canto
debaixo da cama.

Juro que ninguém acordará para lhes enfiar os pés.
Juro que as sandálias do poeta terá enfim descanso.

Então é hora de deitar-se,
abrir bem os olhos

até que o sono profundo
de quem vaga no Purgatório
eternize-se num sopro.

Bolas de sabão
espocadas no braço.

VER com os olhos livres!


O povo brasileiro em evolução - por José do Vale Pinheiro Feitosa

O Brasil continua sendo um país muito desigual do ponto de vista social, econômico e de saúde. Existe uma margem muito grande em que esta desigualdade pode melhorar em parte por ser este quadro fruto de um modelo de desenvolvimento que já se esgotou. O modelo que assentou as bases econômicas no consumo de apenas 20 a 30 % da população ao qual se convencionou chamar de classe média. Nada mais enganoso chamá-la classe média.

Não se trata a rigor, do ponto de vista de classes social, de uma classe média. O que chamamos como tal é na verdade uma mistura de funcionários públicos, empresários e operários mais bem qualificados. Ou eventualmente fazendeiros e até mesmo operários das linhas mais dinâmicas. Esta é a parcela de 20 a 30% que paga imposto de renda, tem automóvel, os filhos freqüentam escolas privadas e possuem planos de saúde privados. É a parcela que vai a supermercado e freqüenta os shoppings.

Com o fim da inflação, com os resultados das políticas públicas de educação, saúde, saneamento básico e de melhoria de renda dos mais pobres, o quadro começou a se modificar. Já não se sustenta mais o modelo concentrado. Segmentos passam a dinamizar a economia, o consumo e a chamada indústria de produtos populares começam a se expandir. Se alguém, por exemplo, entrar num supermercado clássico da classe média encontrará um tipo de marca, mas se for a inúmeros outros que crescem nas periferias sociais, encontrará outras marcas para os mesmo produtos.

Esse é o motivo pelo qual os últimos governos do Brasil efetivamente estão à frente de mudanças importantes. Seja na educação pública, na saúde pública, na segurança ou nos programas sociais de incentivos da renda e ao desenvolvimento. O que temos de modificar é a qualidade da nossa análise, especialmente aquela oriunda da mídia nacional.

Vejamos um exemplo. A questão do ranking do IDH brasileiro em relação a outros países. Não se pode adotar a posição rasa como a notícia foi divulgada. Parecia uma postura de má fé. Em primeiro lugar evite-se sempre a comparação de IDH entre países. Não tem sentido comparar o Brasil com Belize, Antigua e Barbados, Honduras, São Domingos. O IDH é um indicador composto (longevidade, alfabetização e concentração e valor da renda) e na média nacional existem municípios maiores que estes países com IDH muito superior. Portanto o ranking não serve para nada. O valor está no seguinte: o país avança ou ficou parado? Pelo ranking não saiu do lugar. Nada mais enganoso.

O Brasil em termos de IDH já se encontra em nível alto segundo a classificação do PNUD (baixo (abaixo de 0,499); médio (até 0,799), alto ( acima 0,800). O IDH é expresso em números decimais cujo valor máximo é 1. Em 1980 o nosso nível era médio (0,685), mas desde do ano 2000 passamos para a classificação alto e o índice continuou sempre crescendo a cada ano, atingindo atualmente 0,813.

Outro saiu hoje no Globo On Line. O título é classe média encolhe. Ou seja, a proporção na população de pessoas que recebem mais de R$ 685,00 reduziu-se em relação às demais faixas de renda. Qual o significado? É que as pessoas com renda inferior ampliou a renda, pois o crescimento anual da renda nesta faixa foi muito maior que a média nacional. Os índices de crescimento da renda dos mais pobres tiveram padrões de crescimento chineses.

Esta é a virada de um novo país, sem inflação, com aumento do salário mínimo, com proteção social e com políticas públicas de desenvolvimento com menor concentração. Isso vai ao paraíso?

Tenho por mim que não. Mais cedo ou tarde entrará em contradição com os arranjos políticos de hoje (PT/PMDB e PSDB/DEM). Mas aí talvez esta classe emergente invente novos arranjos políticos. Quem sabe até mesmo revolucionários da forma de organização econômica.

Apatia política - por Pedro Esmeraldo


É duro e triste narrar os erros dos cidadãos em relação a fraqueza de nossos políticos atuais que não têm coragem de enfrentar a luta cotidiana, mas temem falar a verdade para ver se conseguem coragem de lutar em benefício de sua cidade. Ao mesmo tempo, alertamos aos cidadãos que todos devemos reagir aos impulsos provenientes destes chefes políticos da capital do estado, visto que negam tudo para o Crato, até mesmo pão e água.
Ao passarmos em frente da construção do "Centro de Convenções" observamos as obras paradas; não sabemos por qual motivo, mas dizem que seria um desprezo total à cidade do Crato.
Perguntamos às pessoas que estavam ao redor da obra e responderam (com respostas evasivas) disseram então que ouviram dizer que tinha sido cometido um erro de engenharia da construtora responsável: Essa conversa esfarrapada não aceitaremos jamais, pois se trata da mesma construtora que está edificando outros prédios e ainda continuam em ritmo de elevação da construção da obra que sempre está em movimento bem equilibrado.
Infelizmente, as nossas autoridades se quedam na resignação, não reagem, não procuram averiguar as verdadeiras causas e não gritam com brados bem altos; não queiram desprezar o Crato, olhem senhores: Crato não é bugre podre para que venham cercear o seu desenvolvimento, respeitem o Crato, pois foi daqui que surgiram as escolas desenvolvimentistas da região. Não queiram tratar o Crato com desdém, já que, às vezes, querem desfazer de nossa terra "dando migalhas" e ainda têm a intenção de mostrar aos habitantes que são bonzinhos, pois constantemente comparecem a esta cidade vociferando em praças públicas, dizendo palavras injuriosas, como que desejam dar satisfação ao povo. Mas o povo não aceita essas palavras desaforadas. Ao mesmo tempo, pedimos a esses senhores que quando pisarem neste chão, saiba pisar devagarinho, pois nós saberemos corresponder às boas qualidades de serviços que nos forem prestados.
Nós, os cratenses temos o direito de gritar, reclamar e falar a verdade, e ao mesmo tempo solicitando grandes benefícios que retribuam os bens tributários que o povo lhe oferece.
Texto: Pedro Esmeraldo

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

POEMA DAS NECEcIDADES METROPOLIZADAS...Wilson Bernardo!

A DESCOBERTA DO PRAZER.
Noite passada de lua clara
Deitei-me ao lado de minha mãe,
Meus pensamentos tornaram-se por
Momentos pecaminosos.
Freud explica!
Minha irmã não tira os olhos do meu pai
E se sente órfã quando ele não a banha.
Freud explica!
Ao defecar o prazer alucina
Homens, mulheres e belas adormecidas.
Freud complica!
Sexo e prazer, minha mãe e meu pai,
Estou na duvida do ciúme e o desejo.
Freud complica!
Tenho lembranças e esperanças de mamar,
Dormir e acalantos...
Freud desmistifica!
Freud complica?
Freud explica!
A sociedade camufla as necessidades
E os desejos,
Freud desnuda o sexo e os impulsos do pensamento.
Incesto paternal fraterno.
Freud explica, o desejo necessita.
Wilson Bernardo(Foto & Poema)

Vibrações da realidade

No afã deste tempo que me recuso dizer contemporâneo
Os jovens estudam rapidamente e vencem o tempo (acham)
E possessos de um frenesi rasteiro, de um brincar na superfície do conhecimento
“Estudam”, e estudando hoje em dia se consegue se gente (de que tipo?)
Conseguem a passos largos com esforço desvencilhar-se de si,
Dos sonhos que pesam, e ao longo da marcha, ao partir do cais
Os sonhos vão sendo largados.
Não há espaço para sonhos na embarcação,
Há uma galeria de espaço imenso, que consome a via-láctea
Para pendurar os quadros falsos da realidade.
Os jovens do meu tempo, estão regidos por a ferrugem das mentes
Dos falsos profetas.
Numa orquestração de tolos marcham ao abismo,
De lá se jogam um a um, desperdiçando a única vida
Sob o comando da voz que brada e da batuta que corta o ar:
- Estudem paro o concurso, ou para o vestubular.
E na queda inútil, há dez segundos antes da morte,
Vem por assalto a poesia nos olhos: é um fim de tarde
Arde o sol, os pássaros, o cheiro do prado,
Faz graça o vento no rosto, na pele, nos cabelos...
Mas se esfacela no chão, na falência das mãos e pés quebrados,
No agonizante coração e nos ossos expostos do tornozelo.
O instante poético é raro, só na hora morte há de conhecê-lo.

Foto: Tang Hsueh Sheng

domingo, 4 de outubro de 2009

Pérola Transparente

Tentaste tirar-me
até a Poesia -

o bem valioso
mais que o Vazio.

Falhaste por julgar meu mestre morto.

Precisou apenas inquietude minha
para que a ponte refeita
a margem cuidada
e o rio retornasse
ao seu curso natural.

A maçã é minha,
mordo-a como desejo -
prazerosamente,
dentadas barulhentas.

Não me digas que é pecado
saborear a carne da primavera
deixando rastros com os dentes.

Conquisto as benditas flores da planície
quando pisco no máximo três vezes -

as hastes curvam-se,
as pétalas voam.

ARTE POSTAL por LUPIN


Morreu Mercedes Sosa, “a voz” da canção na América Latina


BUENOS AIRES, Argentina — A cantora argentina Mercedes Sosa, conhecida como 'La Negra', uma das vozes mais famosas da música contemporânea e defensora apaixonada dos direitos humanos, faleceu neste domingo, aos 74 anos, depois de passar duas semanas internada.
A artista receberá as honras reservadas às principais personalidades da Argentina, com o corpo sendo velado neste domingo no Congresso.
Mercedes Sosa, conhecida como 'La Negra' por seu longos cabelos negros, foi uma das artistas argentinas mais populares das últimas quatro décadas
Nascida em 9 de junho de 1935, foi dona de uma das vozes mais representativas do cancionário popular argentino e da América Latina e gravou mais de 40 álbuns.
A cantora gravou diversos duetos com artistas brasileiros, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gal Costa, Milton Nascimento, Fagner e Beth Carvalho.
Outras estrelas internacionais com as quais dividiu os palcos foram Luciano Pavarotti, Sting, Lucio Dalla, Nana Mouskouri, Tania Libertad, Joan Baez, Andrea Bocelli, Alfredo Kraus, Konstantin Wecker, Silvio Rodríguez, Pablo Milanés, Luz Casal, Ismael Serrano e Shakira.
Sosa foi herdeira e símbolo de um movimento de música folclórica com forte compromisso político que teve como grande nome Atahualpa Yupanqui, que morreu em Paris em 1992.
O corpo da cantora será cremados e as cinzas espalhadas em sua cidade natal de Tucumán, em sua adotiva Mendoza e na capital Buenos Aires, informou a família.
Hospitalizada em 18 de setembro com um grave quadro de insufiência renaç e hepática, a artista faleceu na madrugada de domingo.
Ativista política, entre os grandes momentos de sua carreira figuram as apresentações que fez na Capela Sistina do Vaticano (1994), no Carnegie Hall de Nova York (2002) e no Coliseu de Roma (2002) para pedir pela paz no Oriente Médio, ao lado de Ray Charles, entre outros.
"Foi a voz dos que não tinham voz na época da ditadura (1976-1983) e levou a angústia pelos direitos humanos na Argentina a todo o mundo", declarou o músico Víctor Heredia, cantor e compositor de algumas músicas que ficaram famosas na voz de Mercedes Sosa como "Razón de Vivir".
O roqueiro Charly García, recém recuperado de um grave quadro de saúde, também homenageou 'La Negra': "Ela foi em seu momento a melhor voz argentina. É quase uma estrela do rock".
Em sua apaixonada busca artística, Sosa incursionou no rock argentino, ao lado de músicos populares como Charly García, Fito Páez e León Gieco.
Sosa lançou recentemente o álbum duplo "Cantora" e foi indicada este ano para o Grammy Latino por melhor álbum e melhor cantora de álbum folclórico. Nesta obra ela dividiu espaço com artistas como Joan Manuel Serrat, Luis Alberto Spinetta, Caetano Veloso, Shakira, Gustavo Cerati, Charly García, Calle 13 e Joaquín Sabina.
A presidente chilena Michelle Bachelet enviou uma mensagem de admiração à artista, que considerou "a voz mais vigorosa da América latina".
Sosa era considerada uma das maiores difusoras da obra da cantora e compositora chilena Violeta Parra, depois de transformar "Gracias a la vida"(veja letra da música abaixo) em seu tema emblemático.
"Como vocês sabem, 'Gracias a la vida' é uma canção nossa, mas também universal. Há múltiplos artistas de vários países que a gravaram e a tornaram famosa e uma destas vozes é a de Mercedes Sosa", destacou Bachelet.
"Nasci em Tucumán e vivo em Buenos Aires. Sou cantora. Sou viúva. Tenho um filho, Fabián Ernesto, e duas netas. Dirijo um Audi pequeno. Fiquei muito doente e me reencontrei com Deus. Sou progressista. Sou embaixadora do Unicef", se autodefiniu Sosa em uma entrevista em 2000.

Copyright © 2009 AFP. Todos os direitos reservados

Gracias A La Vida

Composição: Violeta Parra

Gracias a la vida,
que me ha dado tanto
Me dió dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
Traba noche y dia grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando
Gracias a la vida,que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida

e...

e ser somente emoção
ilha a milhas da razão

toda ciência do mundo
só servirá para arrancar-me
da cama montada de enfermidade
e levantar e ver a claridade da rua

o calor na pele dos muros
se junta ao brilho dos alfanjes

nos becos algaravia
numa dança com o rosto do regente
concentração de notas
que suas mãos espalham
desenho de música no espaço

o olhar do mouro sem granada
sua alma gravada no flamenco
as mil facetas do tempo
as mil facetas do tempo

(........................................)

na calçada em frente ao banco
o menino estremece
ao duro olhar
lançado contra o que seria
e ali mesmo se perdeu
como tudo o que se perde
no extravio do amor

por favor, que horas são?

sábado, 3 de outubro de 2009

Permanência

Não adianta soltar fogos
com pólvora alheia -

voz abafada,
coração trêmulo.

Do arrebatamento de ontem
a veia saltita pela fronte -

talvez o aneurisma
de vez me abrace.

Direi olá estrelas
quando abrir os olhos.

CELIBATÁRIOS FABRICANTES DE HÓSTIAS...Wilson BernardoÓ

A consumação do corpo no desafogar da alma...

BRINCANDO NA CAMA DO SENHOR.
E o homem bebe o sangue de Deus!
E o homem come o corpo de Deus!
Em seguida a túnica se transforma
E o homem come a mulher.
O motel e o templo,
O senhor e o homem,
Profanos e cativos dormem
Numa tarde pecaminosa.
O corpo é santo?
A carne e o vinho,
Semelhança e sonhos,
Eis o corpo
Eis o sangue
E o homem come o homem
E a mulher se deita com a semelhança.
Wilson Bernardo(Poema & Fotografia)

EM BREVE:

NÃO VIDE BULA (Em: Curta Versagem, de Francisco de Freitas Leite)


NÃO VIDE BULA

Não morra de saudades!
Recomendou-me o médico.
Ao Abunã faltam só três léguas,
daí, ao Pando, um passeio de catraia.
Respire outros costumes, fará bem.
Haveria mais razão se, como o apurinã,
morresse de gripe.
Saudade não.
Tome açaí e continue com a poesia
ou a prosa, você escolhe.
Na feirinha, encontra-se câmera fotográfica
de duzentos, duzentos e vinte,
lembre a você que ainda existe a vaidade.
Calma...
Se nada der certo, ainda
pode-se namorar as moças da vila
ou tomar, sem variar, o tacacá da esquina.
Parece mentira, mas
água de igarapé não lhe fará bem
(os mistérios acentuam as saudades).
Passeio de circular,
compras na galeria pode.
Guaraná e cacau nem pensar.
Ou, se preferir, pode também pegar malária,
só não fale de saudade.

Notícia perdida entre as manchetes do jornal O POVO




Pedreiro morre após cair de prédio em Sobral
O operário estaria sem o equipamento de segurança no momento do acidente
02 Out 2009 - 16h41min

Um pedreiro morreu após cair do terceiro andar de um prédio em construção em Sobral, município a 230 quilômetros de Fortaleza (Região Norte). Segundo informações do mestre de obras, José Gerardo da Mota, 48 anos, estava sem equipamento de segurança no momento do acidente. O operário ainda foi conduzido por uma equipe do Serviço Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu e faleceu no local.
-------------------
Chamava-se José.
José Gerardo. Pedreiro de profissão.
A sexta-feira, 2 de outubro, começara como uma sexta-feira qualquer.
Por volta do meio-dia a grande maioria dos brasileiros assistia em casa, pela televisão, a escolha da cidade que iria sediar os jogos olímpicos de 2016.
Mas o que esse fato mudaria na vida de José?
Em determinada hora, José ouviu o conhecido som-assovio (Brasillllllllll) da Rede Globo confirmando: ganhamos mais uma.
Naquele instante, o sol ardia no rosto precocemente envelhecido do pedreiro. Limpou o suor com a mão calejada.
– Amanhã é sábado (deve ter pensado ele) o sol só me atazana na parte da manhã.
E relembrou que ao meio dia do sábado receberia os 175 reais das horas trabalhadas durante a semana e iria para casa, onde o aguardava a mulher e a ruma de filhos.
Teria a tarde do sábado para fazer reparos na humilde casa onde residia. E um domingo monótono, mas livre do peso das latas de massa e dos tijolos.
O destino, no entanto, tinha outros planos para José.
A boa altura do solo, em cima de um andaime, José deu um vacilo. Fatal.
Sem equipamentos de segurança, José sentiu a sensação de um vôo raso em direção ao chão.
Suas últimas imagens, entremeadas de dor, foram visões dos seus companheiros correndo para socorrê-lo. Não adiantou. Na construção que ajudava a erguer, José sentiu a vida findar-se.
Neste sábado, os despojos mortais de José Gerardo da Mota serão devolvidos a terra.

Armando Rafael

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

CARTUM por LUPIN


Cariri Cangaço – Uma grande Construção Coletiva

Nosso cariri recebeu nos últimos dias, exatamente 74 personalidades do universo do estudo do fenômeno Cangaço, do Brasil. De 22 a 27 de setembro tivemos a oportunidade de ter em nossa região os mais variados olhares e as mais variadas análises sobre este fenômeno que tanto marcou a face deste lado do nordeste brasileiro.
Suas origens, causas, reflexos e conseqüências, que ainda hoje são visíveis por entre as mazelas que tanto castigam o nosso sertanejo, principalmente os que vivem mais distantes dos centros desenvolvidos.

O sentimento que norteou a criação do Cariri Cangaço, não foi outro senão, o desejo de proporcionar ao maior número de pessoas, notadamente aos mais jovens, uma oportunidade de conhecer mais de perto tão instigante e polêmico tema; a partir de um conjunto de palestras e debates que contou com a participação de vários profissionais, das mais variadas áreas. A antropologia, a sociologia, a história, a política, a medicina, a crença popular, o mito, a fantasia e a realidade, se uniram para subsidiar as muitas afirmações e reflexões provocadas ao longo do seminário. Humildemente espero que aqueles que tiveram a oportunidade de terem estado conosco ao longo do seminário, tenham se sentidos contemplados.

Outro aspecto que nos chama a atenção: A perfeita sintonia e harmonia que norteou os trabalhos de toda a equipe de produção do Cariri Cangaço. A partir dessa nossa iniciativa vieram se somar a Universidade Regional do Cariri – URCA através da Pró-Reitoria de Extensão, a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC, as prefeituras municipais de Crato; Juazeiro do Norte, Barbalha e Missão Velha; o Instituto Cultural do Cariri – ICC, o Instituto Cultural Vale do Cariri – ICVC, o Centro Pró-Memória Josafá Magalhães, e ainda o apoio vital do Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria da Cultura, do Centro Cultural Banco do Nordeste, do SEBRAE, do SESC Ceará, da Expresso Guanabara, do Grupo São Geraldo, da Gigi Tecidos, do Hotel Vila Real e do Panorama Hotel. Sem esses parceiros não teríamos realizado o Cariri Cangaço. Foram três meses de preparativos, 438 inscritos, 167 profissionais envolvidos, apresentação de 19 grupos artísticos tradicionais, 41 visitas técnicas aos principais pontos turísticos da região e uma certeza: Valeu a pena.

Com o mais sincero sentimento de gratidão, gostaríamos de em nome de toda a organização do Cariri Cangaço; dizer muito obrigado ao bom povo do Cariri. Parabéns a todos!

Manoel Severo –
Curador e Coordenador Geral do Cariri Cangaço

Pachelly Jamacaru no programa Cariri Encantado de logo mais


O programa Cariri Encantado de logo mais (14 às 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri) terá Pachelly Jamacaru como convidado.

Pachelly é um dos mais importantes artistas do Cariri. Cantor, compositor, músico, poeta e fotógrafo, Pachelly está em cena desde meados dos anos de 1970, quando, ainda garoto, integrava o Grupo Nessa Hora, liderado pelo seu irmão Abidoral Jamacaru, e assíduo participante dos famosos festivais da canção, realizados no Crato. Por sinal, em 1978, na última edição do Festival, Pachelly foi o vencedor com a música "Não haverá mais um dia", posteriormente registrado no disco Massafeira, que reuniu grande parte da então nova geração musical do Ceará. O projeto Massafeira foi coordenado pelo cantor Edinardo, do Pessoal do Ceará.

A morte da imprensa


"Nossa imprensa é previsível, empolada, chata. Meu Deus como é chata!"

Paulo Francis

No Vale das águas... Fotopoesia, Por pachelly Jamacaru e Claude Bloc

Dedicado a José do Vale
..........................................

Nada é definitivo
No código das águas
Mornas, lascivas...
Como os pensamentos.
Movidas pelo vento
Marés insondáveis
Passam por mim



E as pedras passivas
Definham em silêncio
E o vento retorna
E passa frenético
Soprando segredos
Á doçura dos lagos



E assim nunca sei
Quando o sonho se achega
E não quero perder-me
Neste sono entre vales
Sobre restos de um tempo
Águas passarão...



Nessas águas correntes
Pelo desvão da vida
A planície repousa
Rastros de tempestade





É que trago comigo
O estigma de outros tempos
Águas que se agitam
Remoendo saudades
Encortinando o céu
Refletindo as estrelas
...E nas águas, os sonhos
Repousam, repousam
E me vem tanto medo,
De perder-me no vale
E na planície restar.



Fotos: Pachelly Jamacaru e poesia: Claude Bloc

O King Size.

Assista ao vídeo e descubra o que é ser um "King Size".

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Curva

O mestre de nós mesmos
a nossa sombra que nunca descansa
debaixo da luz ou de passeio no corredor escuro.

O sorriso de soslaio
nunca saiu da face
do lagarto iluminado.

Sementes não faltam:
a frondosa árvore cospe
os mais suculentos frutos.

SOPA DE LETRAS por LUPIN


O Palanque é nosso!

Conferência Municipal da Cultura do Crato

Dia 02/10/2009 ( sexta-feira)
Horário: Das 8h às 17 horas
Local: Auditório do Centro Cultural do Araripe – REFSA


Camaradas, companheiros, artistas, brincantes, produtores e amigos,

Estamos num momento de mobilização para a Conferência Municipal da Cultura no Crato que será nesta sexta-feira, a partir das 8 horas (manhã), no Auditório do Centro Cultural do Araripe REFSA.

Lamentamos e discordamos do processo de divulgação da conferência que foi divulgado de “ultima hora”, ou seja, no dia 30 de agosto.

Entendemos que esse é um momento importante para discutir as demandas das políticas públicas para a cultura e que deve ter ampla mobilização e divulgação.

Neste sentido, o Coletivo Camaradas estará empenhado em construir, mobilizar, divulgar e articular com amplos setores da sociedade o êxito desta Conferência como parte integrante de construção do Plano Nacional de Cultura. Esse é um dos passos para fortalecer a política pública que vem sendo consolidada no país, o que repercute diretamente nos municípios e estados.

Saudações culturais,


Alexandre Lucas
Coordenador do Coletivo Camaradas

Venezuela e Rússia anunciam acordo armamentista de US$ 2.2 bilhões

Por Bill Van Auken – wsws - 22 de setembro de 2009

O presidente da Venezuela Hugo Chávez anunciou que durante sua última viagem para Moscou fechou um acordo militar de US$ 2,2 bilhões com o governo russo, buscando suprir Venezuela com tanques de batalha e sofisticados mísseis terra-ar.

O acordo armamentista é um sintoma das tensões acumuladas na região, cada vez mais exacerbadas pelos conflitos entre Washington e outras potências da arena mundial.

No talk show semanal de domingo, "Aló Presidente", Chávez deixou claro que via o acordo militar como meio de contraposição à crescente ameaça de agressão por parte dos EUA, particularmente após o golpe em Honduras e o anúncio do acordo EUA-Colômbia que permite que forças militares americanas usem sete bases em território colombiano.

As armas russas, afirmou Chávez, proveriam a Venezuela com "os recursos mínimos necessários para garantir ao nosso povo a defesa de nosso território e de nossa riqueza energética". Dificultaria, assim, segundo ele "o bombardeio por parte de aviões estrangeiros". O pacote de armas inclui os sistemas de míssil terra-ar S-300, os tanques de batalha 92 T-70 e T92 e lançadores de foguete Smerch para uso contra blindados e outros alvos em terra. O governo russo está fornecendo à Venezuela financiamento para pagar as armas.

Entre 2005 e 2007, a Venezuela possuía contratos para cerca de US$ 4 bilhões em armas russas, incluindo caças, helicópteros e 100.000 rifles de assalto Kalashnikov.

O último acordo também inclui planos para que a Rússia forneça assistência ao programa de energia nuclear venezuelano. "Não faremos uma bomba atômica", Chávez assegurou, "então não nos incomodem como com o Irã."

De sua parte, a Venezuela concordou em permitir que um consórcio de companhias petrolíferas russas, lideradas pela Lukoil e pela Gazprom, se junte à estatal do petróleo venezuelana, a PDVSA, na exploração do campo de petróleo da bacia do rio Orinoco, que produz até meio milhão de barris por dia. O consórcio russo concordou em pagar um bônus adiantado de US$ 1 bilhão e investir cerca de US$ 20 bilhões na produção e equipamento.

Chávez apontou para isso e outros acordos similares como mais uma razão para a Venezuela atualizar seus armamentos. "A presença de firmas russas, chinesas e espanholas dá à bacia do Orinoco uma nova conotação geopolítica em estabelecer os parâmetros de defesa e soberania", afirmou.

Durante seus encontros com o presidente russo Dimitri Medvedev e o primeiro ministro Vladimir Putin, Chávez anunciou que seu governo estenderia seu reconhecimento diplomático à Ossétia do Sul e Abkházia, que se separaram da Geórgia. Em agosto de 2008, o governo geórgico do presidente Mikheil Saakashvili lançou um ataque contra a Ossétia do Sul, provocando a intervenção russa contra a Geórgia e uma declaração unilateral de independência por ambos os territórios, com o apoio de Moscou.

Está claro que Moscou vê seus laços com Chávez como um meio de retaliação contra Washington pelo desenvolvimento militar nas fronteiras russas, e, em particular, contra suas tentativas de trazer a Geórgia e a Ucrânia para a órbita da OTAN.

No período imediatamente após a guerra do ano passado entre Rússia e Geórgia, conforme a OTAN tentava enviar navios para o Mar Negro, a Rússia enviou um grupo de batalha naval para a costa caribenha da Venezuela para realizar manobras conjuntas.

Putin fez referência aos objetivos geo-estratégicos de Moscou em pavimentar uma vinculação com a Venezuela, dizendo que o apoio de Chávez para a política da Rússia contribuía em "tornar as relações internacionais mais democráticas."

Além de Moscou, a viagem de 11 dias de Chávez o levou para o Irã, Bielorrússia, Turcomenistão, Líbia e Argélia.

No Irã, Chávez anunciou que a Venezuela começará a exportar 20.000 barris de gasolina por dia ao país no próximo mês. O Irã, que tem poucas capacidades de refino, depende de importações para 40% de sua gasolina, tornando-se vulnerável a sanções ocidentais. Além disso a PDVSA terá permissão para participar na exploração do campo iraniano de gás Pars do Sul 12, um dos maiores do mundo.

Washington denunciou o acordo Rússia-Venezuela, chamando-o de um "desafio sério" à estabilidade na região.

"O que eles querem comprar e o que eles estão comprando põe para trás todos os outros países da América do Sul," o porta-voz do Departamento de Estado Ian Kelly disse aos repórteres na segunda-feira. Ele completou que Washington se "preocupa com uma corrida armamentista na região."

Na realidade, uma corrida armamentista latino-americana está acontecendo a algum tempo, em grande parte catalisada pelas políticas intervencionistas de Washington e pelo impulso dos fabricantes bélicos dos EUA de arrancar lucros de vendas para as forças militares da região.

Segundo um estudo conduzido pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, os gastos militares na América Latina aumentaram 10 vezes entre 2003 e 2007, de US$ 4,7 bilhões para US$ 47,2 bilhões.

Em 2008, as vendas de armas na América Latina subiram novamente, 30% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 51 bilhões. Enquanto os aumentos na taxa de gastos são dramáticos, o total para toda a América Latina é de aproximadamente 14 vezes menos que o orçamento militar dos EUA, que está próximo dos $700 bilhões.

A Venezuela não é a única a elevar seus gastos militares

Desde 2000, Washington despejou $6 bilhões em assistência militar na Colômbia, que além do Brasil, tem uma das maiores e mais bem armadas forças militares na América Latina. O país recentemente adquiriu 24 caças Kfir de Israel em uma escalada que disse ter o objetivo de contrapor as compras venezuelanas.

De acordo com a firma de análise militar Jane, a Venezuela gastou US$ 3,17 bilhões em suas forças armadas em 2008 — 1,1% de seu produto interno bruto — enquanto a Colômbia gastou US$12,3 bilhões — 5.7% de seu PIB.

Enquanto isso, o governo brasileiro está preparando um gasto de US$ 2,65 bilhões em 36 novos caças da França, que também fornecerá submarinos e helicópteros para as forças armadas brasileiras. Se antecipa que o acordo dos caças inclua a transferência de tecnologia, permitindo que a Embraer, a fabricante de aviões civis e militares firmada durante a ditadura militar, comece a produzir caças do próprio país. A Embraer e outras empresas brasileiras emergiram como exportadores de armas significativos, particularmente para os países menos desenvolvidos.

Significativamente, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva deu basicamente a mesma justificativa para a compra de caças que Chávez deu para seu acordo armamentista com Moscou, embora sem a retórica esquentada.

Lula argumentou que o avanço armamentista era necessário para defender os assim-chamados campos petrolíferos do pré-sal, na costa atlântica do Brasil.

"Deve sempre passar por nossas cabeças a ideia de que o petróleo tem sido o foco de muitas guerras e conflitos" Lula afirmou depois de discutir o acordo de armas com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, na semana passada. "Não queremos a guerra ou o conflito. [As reservas petrolíferas do oceano] representam a possibilidade do Brasil se tornar, dentro de 15 ou 20 anos, uma das principais economias globais".

Embora Washington não tenha sido mencionada, claramente as guerras contemporâneas nas quais o "petróleo tem sido o foco" foram travadas pelas forças militares dos EUA como parte de um impulso de afirmação da hegemonia dos EUA sobre o Golfo Pérsico e a Bacia Cáspia.

A competição por vendas de armas, sobre as quais firmas americanas exerceram um verdadeiro monopólio na América Latina, é apenas parte do enfraquecimento de Washington na região, com a China e a Europa em particular rapidamente aumentando os investimentos e trocas à custa das corporações americanas.

No acordo de bases colombiano e nos planos para o reavivar da Quarta Frota dos EUA para patrulhar águas latino-americanas, é evidente que a elite dominante dos EUA está respondendo ao declínio de seu peso econômico — nessa região assim como em outras — com uma confiança crescente no poderio militar dos EUA.

Em seus acordos com Moscou, Chávez ecoa a política da Guerra Fria de muitos regimes nacionalistas de "esquerda", buscando assegurar o apoio de uma "superpotência" contra a outra. Nesse caso, porém, o regime capitalista mafioso de Moscou se provará um aliado bem mais frágil e menos confiável que a velha burocracia stalinista.

Quanto aos bilhões de dólares em novas armas, o impacto dentro da Venezuela será o de fortalecer o peso social e político das forças armadas do país, instrumento sobre o qual Washington tradicionalmente se baseou para implementar mudanças de regime contra-revolucionárias na região.

[traduzido por movimentonn.org]

Essa quase ninguém acerta...



Aí vai um desafio para quem quiser testar seus conhecimentos de língua Portuguesa. Trata-se de um teste realizado em um curso na American Airlines. Na frase abaixo deverá ser colocado
1 ponto e 2 vírgulas para que a frase tenha sentido.
PENSE antes de ver a resposta que está no comentário. Afinal, assim não seria um teste.
Essa já é difícil para brasileiro.. Imagine para americano...

MARIA TOMA BANHO PORQUE SUA MÃE DISSE ELA PEGUE A TOALHA.

Não abra o comentário antes de tentar acertar, porque assim não vale...

2ª matéria da denúncia do jornal O POVO (1º/10/2009)



Descuido
Peças históricas convivem com sujeira no Museu do Geopark
Livros, mobiliário, material de informática e fósseis estão misturados dentro do Museu de Paleontologia da Urca, em Santana do Cariri
Larissa Lima
enviada ao Cariri
larissalima@opovo.com.br




01 Out 2009 - 02h09min

O Museu de Paleontologia de Santana do Cariri é considerado o coração do projeto Geopark Araripe, em Santana do Cariri. O POVO foi ver de perto como está o local, em refoma há um ano. Para resgatar como era a rotina do cenário, hoje em construção, a equipe contou com a memória do ex-coordenador de guias do museu e atual guia turístico da Prefeitura, Henrique Duarte. Mas as lembranças começaram a ficar doloridas com a entrada no prédio.

Livros da antiga biblioteca, antes aberta à comunidade, permanecem numa estante, cobertos de pó. Dividiam o espaço do salão principal com os trabalhadores em plena finalização da obra. Os vestígios da reforma também tentam esconder expositores com fósseis dentro, réplicas de dinossauros, uma maquete que antes representava todos os estratos geológicos do Geopark, mobiliário, material de laboratório e equipamentos de informática.

O pó também não é suficiente para acobertar uma pilha de fósseis formada no salão principal do museu. Em outra sala, caixas de papelão rasgadas acolhem outros seres fossilizados, a poucos passos de um acesso lateral para a rua, sem segurança. ``Dá vontade de chorar. Eu sei o valor que isso tem, tanto científico como histórico``, diz, segurando e explicando as peças onde bate o olho. ``Esse fóssil aqui é tridimensional. Dá para saber qual foi a última refeição do peixe``.

Questionado sobre o procedimento da reforma, o reitor da Urca, Plácido Cidade Nuvens, que foi fundador do museu, declarou que O POVO ``atinou para algumas negligências da empreiteira (responsável pela obra)`` e, por isso, estaria ``fazendo drama``. Segundo ele, o cenário encontrado era insignificante diante da importância da reforma, que estaria quebrando um jejum de quatro anos sem investimentos.

Além disso, os fósseis do acervo do museu estariam divididos entre uma sala especial ou guardadas em estantes, trancadas à chave. Os fósseis encontrados no prédio em reforma seriam resultado de apreensão da Polícia Federal (PF) nas ações de combate ao contrabando e estariam sob a guarda do Departamento Nacional de Proteção Mineral (DNPM). De acordo com o reitor, a previsão é de que o museu seja reaberto em outubro.

O geólogo Artur Andrade, responsável pelo escritório do DNPM na região do Cariri, confirma a origem dos fósseis. No entanto, eles teriam sido doados pela PF ao Museu de Santana há cerca de quatro anos. ``Se eles estivessem sob a guarda do DNPM, estariam no nosso escritório, não no Museu. (O material) não deixa de ter valor científico. Deveria estar num lugar melhor preservado, não junto com cimento, poeira, ao bel prazer.``


E-Mais

>Segundo Artur Guedes, os fósseis encontrados no Museu não têm valor científico elevado, por terem sido modificados por quem tentava contrabandeá-los.

> Ele diz que o contrabando de fósseis na região do Cariri tem diminuído nos últimos anos, mas ainda ocorre.

> No ano passado, o crânio fossilizado de uma espécie de pteurossauro foi oferecido em um site dos Estados Unidos por R$ 1,2 milhão. Ele seria proveniente da formação Santana.

> A legislação que protege os fósseis brasileiros é o Decreto-Lei nº 4.146, de 1942. O texto diz, em artigo único: ``Os depósitos fossilíferos são propriedades da Nação, e, como tais, a extração de espécimes fósseis depende de autorização prévia e fiscalização.``

> Com o museu em reforma, as rotas turísticas em Santana do Cariri perderam força. Antes, 24 mil turistas passavam anualmente pelo museu.

2 minutos visuais

Caixas de papelão

01 Out 2009 - 02h54min

Vários objetos fossilizados encontrados na região estão amontoados em um canto do museu, algumas colocados em caixas de papelão e próximas de material de construção. Em um dos andares, O POVO encontrou várias mesas expositoras, cobertas de pó.