TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE
sábado, 22 de outubro de 2011
primavera no velho oeste
domingo, 11 de setembro de 2011
outro 11 de setembro
terça-feira, 16 de agosto de 2011
dos palcos e da vida
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
data venia a nós o vosso voto
sábado, 11 de setembro de 2010
é tudo verdade
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
morte misteriosa
Morreu no dia 26 de julho o escritor curitibano Yves Hublet, aquele da certeira bengalada em José Dirceu, quando o então deputado federal, em 2005, saía do plenário da Câmara após depoimento sobre a crise do mensalão.
Belga de nascimento, o escritor tinha 72 anos, e voltava do seu país quando foi preso no aeroporto em Brasília, faleceu na cadeia, e seu corpo cremado.
Mais detalhes dessa morte misteriosa aqui: http://bit.ly/9K0V6l
domingo, 11 de julho de 2010
em Brasília, 19 horas
terça-feira, 2 de março de 2010
Blogueira Yoani Sánchez é detida em Cuba
Nota: Notícia um tanto "velha" mas que nos dá a perfeita idéia da democracia e o paraíso que é Cuba. Vamos ver o dia que esses fatos históricos e essa realidade política vão chegar nas universidades brasileiras.O ato ocorreu por um breve período durante uma passeata contra a violência, quando foram acusados de serem "contrarrevolucionários." Sánchez, 34 anos, disse à Reuters que os agentes forçaram o blogueiro Orlando Luis Pardo e ela a entrar em um carro quando se aproximavam da passeata no distrito de Vedado, levaram ambos a um local perto de sua residência e os soltaram, atirando sua bolsa na rua enquanto se afastavam. "Fomos detidos por três homens que chegaram em um carro chinês preto", disse Sánchez, conhecida internacionalmente por seu blog "Generacíon Y", que frequentemente critica o governo comunista de Cuba. Sánchez afirma ter dito às pessoas que se encontravam próximas que estavam sendo seqüestrados, mas os homens disseram aos transeuntes: "São contrarrevolucionários, não se envolvam." "Não havia chance de resistir, eram homens fortes." Os homens não deram nenhuma explicação pela captura, mas Sánchez disse acreditar que queriam evitar sua participação no protesto. "Estou muito agitada, foi muito intenso", disse ela, acrescentando ter saído do encontro com o ombro e as costas machucados, mas sem ferimentos sérios. Pardo foi solto junto com ela e não sofreu ferimentos, disse Sánchez. Outra blogueira, Claudia Cadelo, foi levada em um carro de polícia separado e solta sem ferimentos em um local diferente. Sánchez disse que os três se reuniram em sua casa para "reconstruir os eventos". Cerca de 60 pessoas compareceram à passeata, um evento raro em Cuba, e exibiram cartazes dizendo "Não à violência. Juntem-se a nós." Eles se agruparam por alguns minutos, não fizera discursos e saíram sem incidentes. Um participante disse que a marcha não tinha Cuba por alvo, mas a violência ao redor do mundo.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Venezuela e Rússia anunciam acordo armamentista de US$ 2.2 bilhões
Por Bill Van Auken – wsws - 22 de setembro de 2009O presidente da Venezuela Hugo Chávez anunciou que durante sua última viagem para Moscou fechou um acordo militar de US$ 2,2 bilhões com o governo russo, buscando suprir Venezuela com tanques de batalha e sofisticados mísseis terra-ar.
O acordo armamentista é um sintoma das tensões acumuladas na região, cada vez mais exacerbadas pelos conflitos entre Washington e outras potências da arena mundial.
No talk show semanal de domingo, "Aló Presidente", Chávez deixou claro que via o acordo militar como meio de contraposição à crescente ameaça de agressão por parte dos EUA, particularmente após o golpe em Honduras e o anúncio do acordo EUA-Colômbia que permite que forças militares americanas usem sete bases em território colombiano.
As armas russas, afirmou Chávez, proveriam a Venezuela com "os recursos mínimos necessários para garantir ao nosso povo a defesa de nosso território e de nossa riqueza energética". Dificultaria, assim, segundo ele "o bombardeio por parte de aviões estrangeiros". O pacote de armas inclui os sistemas de míssil terra-ar S-300, os tanques de batalha 92 T-70 e T92 e lançadores de foguete Smerch para uso contra blindados e outros alvos em terra. O governo russo está fornecendo à Venezuela financiamento para pagar as armas.
Entre 2005 e 2007, a Venezuela possuía contratos para cerca de US$ 4 bilhões em armas russas, incluindo caças, helicópteros e 100.000 rifles de assalto Kalashnikov.
O último acordo também inclui planos para que a Rússia forneça assistência ao programa de energia nuclear venezuelano. "Não faremos uma bomba atômica", Chávez assegurou, "então não nos incomodem como com o Irã."
De sua parte, a Venezuela concordou em permitir que um consórcio de companhias petrolíferas russas, lideradas pela Lukoil e pela Gazprom, se junte à estatal do petróleo venezuelana, a PDVSA, na exploração do campo de petróleo da bacia do rio Orinoco, que produz até meio milhão de barris por dia. O consórcio russo concordou em pagar um bônus adiantado de US$ 1 bilhão e investir cerca de US$ 20 bilhões na produção e equipamento.
Chávez apontou para isso e outros acordos similares como mais uma razão para a Venezuela atualizar seus armamentos. "A presença de firmas russas, chinesas e espanholas dá à bacia do Orinoco uma nova conotação geopolítica em estabelecer os parâmetros de defesa e soberania", afirmou.
Durante seus encontros com o presidente russo Dimitri Medvedev e o primeiro ministro Vladimir Putin, Chávez anunciou que seu governo estenderia seu reconhecimento diplomático à Ossétia do Sul e Abkházia, que se separaram da Geórgia. Em agosto de 2008, o governo geórgico do presidente Mikheil Saakashvili lançou um ataque contra a Ossétia do Sul, provocando a intervenção russa contra a Geórgia e uma declaração unilateral de independência por ambos os territórios, com o apoio de Moscou.
Está claro que Moscou vê seus laços com Chávez como um meio de retaliação contra Washington pelo desenvolvimento militar nas fronteiras russas, e, em particular, contra suas tentativas de trazer a Geórgia e a Ucrânia para a órbita da OTAN.
No período imediatamente após a guerra do ano passado entre Rússia e Geórgia, conforme a OTAN tentava enviar navios para o Mar Negro, a Rússia enviou um grupo de batalha naval para a costa caribenha da Venezuela para realizar manobras conjuntas.
Putin fez referência aos objetivos geo-estratégicos de Moscou em pavimentar uma vinculação com a Venezuela, dizendo que o apoio de Chávez para a política da Rússia contribuía em "tornar as relações internacionais mais democráticas."
Além de Moscou, a viagem de 11 dias de Chávez o levou para o Irã, Bielorrússia, Turcomenistão, Líbia e Argélia.
No Irã, Chávez anunciou que a Venezuela começará a exportar 20.000 barris de gasolina por dia ao país no próximo mês. O Irã, que tem poucas capacidades de refino, depende de importações para 40% de sua gasolina, tornando-se vulnerável a sanções ocidentais. Além disso a PDVSA terá permissão para participar na exploração do campo iraniano de gás Pars do Sul 12, um dos maiores do mundo.
Washington denunciou o acordo Rússia-Venezuela, chamando-o de um "desafio sério" à estabilidade na região.
"O que eles querem comprar e o que eles estão comprando põe para trás todos os outros países da América do Sul," o porta-voz do Departamento de Estado Ian Kelly disse aos repórteres na segunda-feira. Ele completou que Washington se "preocupa com uma corrida armamentista na região."
Na realidade, uma corrida armamentista latino-americana está acontecendo a algum tempo, em grande parte catalisada pelas políticas intervencionistas de Washington e pelo impulso dos fabricantes bélicos dos EUA de arrancar lucros de vendas para as forças militares da região.
Segundo um estudo conduzido pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, os gastos militares na América Latina aumentaram 10 vezes entre 2003 e 2007, de US$ 4,7 bilhões para US$ 47,2 bilhões.
Em 2008, as vendas de armas na América Latina subiram novamente, 30% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 51 bilhões. Enquanto os aumentos na taxa de gastos são dramáticos, o total para toda a América Latina é de aproximadamente 14 vezes menos que o orçamento militar dos EUA, que está próximo dos $700 bilhões.
A Venezuela não é a única a elevar seus gastos militares
Desde 2000, Washington despejou $6 bilhões em assistência militar na Colômbia, que além do Brasil, tem uma das maiores e mais bem armadas forças militares na América Latina. O país recentemente adquiriu 24 caças Kfir de Israel em uma escalada que disse ter o objetivo de contrapor as compras venezuelanas.
De acordo com a firma de análise militar Jane, a Venezuela gastou US$ 3,17 bilhões em suas forças armadas em 2008 — 1,1% de seu produto interno bruto — enquanto a Colômbia gastou US$12,3 bilhões — 5.7% de seu PIB.
Enquanto isso, o governo brasileiro está preparando um gasto de US$ 2,65 bilhões em 36 novos caças da França, que também fornecerá submarinos e helicópteros para as forças armadas brasileiras. Se antecipa que o acordo dos caças inclua a transferência de tecnologia, permitindo que a Embraer, a fabricante de aviões civis e militares firmada durante a ditadura militar, comece a produzir caças do próprio país. A Embraer e outras empresas brasileiras emergiram como exportadores de armas significativos, particularmente para os países menos desenvolvidos.
Significativamente, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva deu basicamente a mesma justificativa para a compra de caças que Chávez deu para seu acordo armamentista com Moscou, embora sem a retórica esquentada.
Lula argumentou que o avanço armamentista era necessário para defender os assim-chamados campos petrolíferos do pré-sal, na costa atlântica do Brasil.
"Deve sempre passar por nossas cabeças a ideia de que o petróleo tem sido o foco de muitas guerras e conflitos" Lula afirmou depois de discutir o acordo de armas com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, na semana passada. "Não queremos a guerra ou o conflito. [As reservas petrolíferas do oceano] representam a possibilidade do Brasil se tornar, dentro de 15 ou 20 anos, uma das principais economias globais".
Embora Washington não tenha sido mencionada, claramente as guerras contemporâneas nas quais o "petróleo tem sido o foco" foram travadas pelas forças militares dos EUA como parte de um impulso de afirmação da hegemonia dos EUA sobre o Golfo Pérsico e a Bacia Cáspia.
A competição por vendas de armas, sobre as quais firmas americanas exerceram um verdadeiro monopólio na América Latina, é apenas parte do enfraquecimento de Washington na região, com a China e a Europa em particular rapidamente aumentando os investimentos e trocas à custa das corporações americanas.
No acordo de bases colombiano e nos planos para o reavivar da Quarta Frota dos EUA para patrulhar águas latino-americanas, é evidente que a elite dominante dos EUA está respondendo ao declínio de seu peso econômico — nessa região assim como em outras — com uma confiança crescente no poderio militar dos EUA.
Em seus acordos com Moscou, Chávez ecoa a política da Guerra Fria de muitos regimes nacionalistas de "esquerda", buscando assegurar o apoio de uma "superpotência" contra a outra. Nesse caso, porém, o regime capitalista mafioso de Moscou se provará um aliado bem mais frágil e menos confiável que a velha burocracia stalinista.
Quanto aos bilhões de dólares em novas armas, o impacto dentro da Venezuela será o de fortalecer o peso social e político das forças armadas do país, instrumento sobre o qual Washington tradicionalmente se baseou para implementar mudanças de regime contra-revolucionárias na região.
[traduzido por movimentonn.org]
terça-feira, 8 de setembro de 2009
E nenhuma palavra sobre os escravos do século XXI. Quanta indignação seletiva... - Resposta ao professor Darlan Reis.
Sim, trabalho escravo existe, mas na China vermelha
Maus tratos, ofensas verbais, horas extras excessivas, deduções ilegais, ausência de extintores de incêndio, banheiros imundos, iluminação inadequada, funcionários que não recebem pensão, nem licença de saúde, nem seguro-desemprego ou assistência médica proporcionada, chegando a casos de dois meses de trabalho sem nenhuma folga. Estas são algumas das conclusões de um inquérito-surpresa na China comunista, realizado pela Fair Labor Association em 39 fábricas das empresas Nike, Reebok e Adidas. O inquérito não incluiu os campos de concentração — fábricas do governo de Pequim onde o trabalho, este sim, é verdadeiramente escravo!Tais características bem poderiam ser consideradas análogas às do trabalho escravo. Entretanto, como tudo isso acontece na China comunista, ninguém protesta: nem causa preocupação à “esquerda católica” tão preocupada com o “trabalho escravo” no agronegócio brasileiro. E o Brasil continua importando em quantidades colossais o fruto do trabalho desses pobres chineses!
Por Luis Dufaur, 29 de Julho de 2007
Doentes mentais trabalhavam como escravos em fábricas chinesas
Mais dez empresários chineses foram presos por maltratar e escravizar doentes mentais em fábricas de tijolos do leste da China, informou a agência oficial “Xinhua”.Os resgatados encontravam-se em tal estado que nem sabiam dizer onde estavam, observou Gao Jie, diretor do Birô de Segurança Pública de Jieshou.O espantoso fato não é novo e até corriqueiro, acontecendo sob o olhar cúmplice das autoridades.A escravidão é um sistema até oficial e atinge milhões em fábricas-prisão, campos de re-educação pelo socialismo e até fábricas oficiais que trabalham para firmas ocidentais.Alguns casos paroxísticos são debelados pelas autoridades para lavar a imagem do sistema.Em 2007, na província de Shanxi (norte) o governo reconheceu que 1.300 crianças e doentes mentais eram usadas acorrentadas como escravos, em diversas fábricas. 95 políticos foram punidos.O caso atual só veio a tona quando as famílias denunciaram pela Internet que seus filhos foram seqüestrados e vendidos como escravos em Shanxi. Hoje o governo socialista trabalha ativamente para que denúncias dessas não possam aparecer mais na Internet.
Por Luis Dufaur, 7 de julho de 2009
Fonte: http://pesadelochines.blogspot.com/
Nota: No blog pode-se achar cenas de tortura, censura, violação aos direitos humanos, ditadura, fome, fraudes, tortura psicológica, repressão e tudo mais que o bom regime socialista sempre conseguiu fazer onde quer que passe. Recomendo que se algum leitor puder analisar com calma o referido blog, estudar com calma o que realmente foi e é historicamente o socialismo, desenterrar com cuidado o que os autores da escola de economia austríaca defenderam (que por sinal, os defensores do socialismo fazem de conta que não existem, ou realmente desconhecem totalmente nomes como Hayek, Misses, Israel Kirzner, Charles Jonson, entre tantos outros) certamente não vão arrependerem-se. O que o post acima pretende fazer não é acirrar de forma desrespeitosa a opinião de quem quer que seja, mas, sobretudo mostrar que na diversidade de opiniões, existem fundamentos históricos, políticos e filosóficos que precisam vir a tona, caso contrário haverá, como aconteceu até agora, sempre um prejuízo a qualquer pessoa que discorde do regime socialista, podendo ser taxado como desumano (que é no mínimo bizarro para alguém que defende um regime que matou 100 milhões de pessoas). As universidades e escolas devem atentar para o perigo da doutrinação socialista escamoteada.
sábado, 15 de agosto de 2009
Opinião: a tática do tucanato paulista.
"Serra, o desespero em campanha"
por Luiz Carlos Azenha
"Existe um princípio do marketing eleitoral nos Estados Unidos segundo o qual você precisa definir o seu adversário antes que ele consiga se definir diante da opinião pública.
Como os EUA são a fonte onde bebem os marqueteiros do Brasil, deve ter nascido aí a estratégia de José Serra para chegar ao Planalto, aliada às ferramentas das quais ele já se utilizou em 2002 para matar a candidatura de Roseana Sarney no berço: o trabalho de agentes públicos que dão um ar oficial aos dossiês, devidamente divulgados pela mídia. O padrão dos "assassinatos de reputação" está de volta.
Dilma, a terrorista, foi obra da Folha de S. Paulo. É uma espécie de pedágio que o jornal pagou, no rodízio que os órgãos da propaganda eleitoral de Serra fazem. Uma hora é a Folha que denuncia, repercutida pela Globo. Outra hora é a Veja que denuncia, repercutida pelo Estadão. De outra feita a Globo denuncia e os jornais correm atrás. É um ciclo de retroalimentação, sempre com objetivos políticos. Informações são misturadas a boatos e ilações. Em um fato real são penduradas dezenas de suposições. A estratégia pressupõe que o eleitor é estúpido, que o leitor, o telespectador e o ouvinte jamais saberão discernir o real do imaginado.
Finalmente, nessa estratégia, as pesquisas eleitorais medem os resultados. Peças da narrativa que não deram certo são descartadas. E é assim que a campanha é calibrada. Dilma a terrorista deu para trás.
Agora passamos a uma nova fase: Dilma, a mentirosa aliada de gente financiada por narcotraficantes.
Para estudar esse fenômeno eleitoral, a edição da revista Veja que chegou às bancas é um primor. Revela uma sofisticação inédita. Na capa, anuncia o confronto Dilma x Lina [a ex-secretária da Receita Federal que acusou Dilma de ter pedido a ela agilidade nas investigações sobre a família Sarney em encontro que a ministra nega].
"Cabe à acusadora mostrar as provas contra a ministra", diz o título. No índice, a chamada é outra: "Dilma: uma rebelião surda contra sua candidatura". Finalmente, na reportagem, o título: "Quem está dizendo a verdade?" O texto é um maravilhoso exemplo de como encher espaço com absolutamente nada.
Começa com uma pensata pretensiosa sobre o uso da mentira na política. Sugere descontentamento entre petistas com a candidatura de Dilma Rousseff. Alinhava "fatos e versões", com os títulos de "o fato", "o que disse a ministra" e "o que foi comprovado". Sugere, sem dizer isso escancaradamente, que Dilma é mentirosa. Ou, pelo menos, que não dá para confiar nela. "Se o rótulo de mentirosa colar na ministra, será muito difícil superar isso em uma campanha", diz o texto. Bastante sugestivo isso, especialmente quando impresso na Veja.
Mas a Veja não seria a Veja sem Diogo Mainardi. Depois de, sob o título de "O Dízimo do Tráfico", especular que dinheiro de narcotraficantes colombianos teria sido investido na Igreja Universal, ele escreve:
"A Igreja Universal, nos últimos dias, atrelou sua imagem à de Lula. É a mesma estratégia empregada por José Sarney. Um apoia o outro. Um defende o outro. Edir Macedo está com Lula e com Dilma Rousseff. Agora e em 2010. Se a Igreja Universal tem um Diploma de Dizimista, assinado pelo Senhor Jesus Cristo, Dilma Rousseff tem um Diploma de Mestrado da Unicamp, supostamente assinado pelo senhor Espírito Santo. O senhor Edir Macedo e o senhor Lula se entendem. Eles sabem capitalizar a fé".
O bom do Diogo Mainardi é que ele facilita sobremaneira o nosso trabalho. Em apenas um parágrafo conseguiu ilustrar a campanha de José Serra ao Planalto melhor que qualquer um faria. Juntou em apenas um parágrafo Lula mentiroso, Lula explorador da fé pública e José Sarney. Por associação, coloca no mesmo saco Dilma, Lula e gente que teria recebido financiamento de narcotraficantes colombianos. Só faltou juntar as FARC e o Fidel Castro.
Mas não se encerra por aí o primor desta edição imperdível. Tem mais. Tem seis páginas dedicadas ao novo e magistral livro de Ali Kamel sobre... Lula. Ou sobre as declarações de Lula. É curiosa essa obsessão do diretor de Jornalismo da TV Globo com aquele que ele, Kamel, tentou desesperadamente derrotar em 2006.
Depois de provar que não somos racistas, Kamel gasta 672 páginas para provar que... Lula não é Lula.
"Um brasileiro médio, mais ou menos crente em Deus e que se vê como proponente de uma sociedade capitalista onde haja mais harmonia entre pobres e ricos". É assim que Kamel define Lula. Sobre isso, leia aqui.
Para terminar, a verdadeira piada de Veja: precedendo as seis páginas dedicadas a Kamel, duas páginas de propaganda da Globo sobre o Criança Esperança. Poderia ser um pouco menos explícito?
PS: Não percam, neste sábado, o Jornal Nacional repercutindo a capa da Veja. Estamos de volta a 2006.
PS2: A simbiose entre Veja, Globo, Kamel e Mainardi se estende aos políticos que alimentam e prestam serviço a ambos. O compadrio entre a elite brasileira é coisa antiga."
quarta-feira, 3 de junho de 2009
"Better dead than red"
Desculpem a atitude de reproduzir outros sites e blogs. Mas tem coisas que são acintosas demais.
Onde é que as coisas vão parar? Os antagonismos de classe aparecem mais claramente é nessas horas.
O jogo político só vale quando certos interesses não são afetados? Somos feitos sempre para perder o jogo? É isso que eles esperam de nós? A atitude da eterna derrota? Ora bolas, estão muito enganados!
Do site Conversa Afiada:
"Tasso e Kátia Abreu ameaçam de morte Ministro de Lula
. “Better dead than red” – foi uma palavra de ordem que os anticomunistas americanos usaram no macartismo e na Guerra Fria: “melhor morto do que vermelho”, ou “comunista bom é comunista morto”.
. A propósito do Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, os senadores Tasso Jereissati e Katia Abreu ofereceram agora ao Brasil uma versão de jagunço para a famosa frase: “ambientalista bom é ambientalista morto”; ou “melhor morto do que ambientalista”.
. O ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissati, disse o seguinte, da tribuna do Senado Federal da República:
“V. Exª (Kátia Abreu) disse uma frase muito importante: “Se dez Mincs desaparecessem da Terra hoje, nenhuma falta…” Não estou querendo que eles desapareçam, até porque eles são engraçados, são divertidos, apenas que não falem bobagem. Mas, se desaparecessem, não fariam a menor falta a nenhum brasileiro.”
. Antes a senadora Katia Abreu, do PFL e presidente da Confederação Nacional da Agricultura, tinha dito:
“Eu quero dizer a esse ecoxiita profissional, alienado da economia nacional, que o Brasil e o Governo podem viver sem o senhor, Ministro. O Brasil sem o senhor não sentirá nenhuma falta. Mas o Brasil sentirá muita falta se os produtores rurais perderem a sua posição. Com a ausência de V. Exª no Ministério, o Brasil não alterará uma vírgula, porque o senhor não conhece o que é trabalho, o senhor não conhece o que é produção, o senhor só trabalhou e conseguiu até hoje acumular um pequeno patrimônio político para ser Deputado Estadual. “
Veja aqui os discursos de ambos.
. Ou seja, a Oposição resolveu partir para a ameaça de morte.
. O Ministro Carlos Minc deveria pedir proteção à Polícia Federal.
Paulo Henrique Amorim
Em tempo: uma amiga navegante me contou que o Arthur Xexéo na CBN, hoje de manhã, disse que isso que a Kátia e o Tasso fizeram é coisa de ruralista: contratam jagunço e mandam matar. A mesma amiga navegante gostaria de ver o presidente Lula, nesse momento em que sofre ameaça de morte, dar total apoio a Minc e mandar a Polícia Federal protegê-lo."
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Lei Rouanet a cultura em perigo análise de Odilon Wagner
Se aprovada, a nova Lei Rouanet fará a cultura do País entrar em colapso. Essa é a opinião do ator Odilon Wagner, que à frente da Associação dos Produtores Teatrais Independentes (APTI) usa, aplica e estuda os mecanismos da lei. Existente há 18 anos, a Rouanet já injetou na cultura cerca de R$ 8 bilhões, sendo R$ 4,8 bilhões somente nos últimos sete anos. O Ministério da Cultura (MinC) apresentou para consulta pública, no último dia 23 de março, sua proposta de revisão na lei, que apresenta mudanças em diversos mecanismos, dos percentuais de abatimento dos investimentos no Imposto de Renda à maneira de distribuição da verba captada. Deu-se, então, início ao debate, com grande parte dos produtores culturais manifestando-se contrários à maioria dos pontos. A proposta fica disponível para consulta pública até esta hoje, dia 6, depois segue para apreciação do Congresso. “Já se começou errado. O governo não convidou quem faz cultura para ajudar na elaboração das novas regras. Quando fomos chamados, o texto já estava pronto”, diz Wagner, que paralelamente ao ativismo cultural mantém a carreira de ator de teatro e TV. E aparecerá em breve na novela Caminhos das Índias, da TV Globo, na pele do golpista Mike, comparsa de Yvone, personagem vivida no folhetim por Letícia Sabatella. Em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio, ele analisa os diversos pontos da reforma sugerida pelo MinC, critica, elogia e indica caminhos para que a cultura não sofra.
Diário do Comércio – É preciso reformar a Lei Rouanet?
Odilon Wagner – Sim. Uma lei que existe há 18 anos certamente carece de ajustes. Mas esta reforma que está sendo proposta é totalmente inadequada, desnecessária e inoportuna. Ocorre no momento errado, traz insegurança institucional para a área cultural. Estamos em meio a uma crise. Naturalmente, os recursos da Lei Rouanet vão cair, porque as empresas lucrarão menos. O próprio ministério estima que este ano as verbas devam cair em torno de 40%. E eles ainda vêm com um projeto de reforma que vai retirar recursos e afastar o investidor em cultura? Não está direito.
O que se pode fazer?
É muito importante que se entenda a Lei Rouanet. O governo está divulgando informações inadequadas, incompletas. Eles se utilizam das exceções para demonizar os efeitos da lei. Citam três ou quatro casos de uso inadequado. Isso representa menos de 1% do total. Os outros 99% de uso legítimo não são citados.
O senhor poderia dar exemplo de uso inadequado?
O mais emblemático foi o caso do Cirque Du Soleil. Quando fez apresentações no Brasil pela primeira vez, há sete anos, recebeu verbas da Lei Rouanet. O patrocinador é o Bradesco e os ingressos são caríssimos. Não convém mesmo que a Rouanet beneficie esse tipo de espetáculo, mas o próprio ministério, que na época cedeu o dinheiro, agora usa o caso como exemplo de mau uso da lei.
Qual motivo levaria o MinC a agir assim?
O ministério tem uma visão estatizante: quer o controle do dinheiro em suas mãos. Hoje, o controle das verbas da Lei Rouanet no mecanismo mecenato está na mão do mercado. Uma empresa pode destinar até 4% de seu imposto de renda devido a um projeto cultural. Mas se continuarem a demonizar a lei, cercando-a de incertezas, haverá debandada. O ministro tem falado na imprensa que os negócios da lei Rouanet não são feitos à luz do dia. No entanto, não há um só condenado, não há acusação formal contra ninguém. Só que quando uma empresa grande ouve isso, afasta-se. E vai preferir pagar o imposto a ter seu nome envolvido nas polêmicas.
A intenção do governo, então, seria esvaziar o mecenato?
É. O governo quer tirar recursos do mecenato para colocar no Fundo Nacional da Cultura, que é o outro mecanismo de captação. A diferença é que, no caso do Fundo, quem destina a verba é o MinC. A caneta está na mão do ministro. Hoje, esse Fundo tem algo como R$ 300 milhões por ano. O mecenato tem R$ 1 bilhão. Fazendo uma analogia, seria um copão cheio e um copinho meio vazio. No meu entender, trata-se de uma questão essencialmente econômica e ideológica. É econômica porque o governo quer usar o copo cheio para encher o copinho vazio. E é ideológica porque, fazendo isso, toma para si a decisão do destino das verbas. Eles querem ter o controle, alegando que isso é necessário por se tratar de dinheiro público. Está errado! Tem que brigar com a Fazenda, com o Planejamento, para conseguir mais verbas. E não tirar de outro lugar da cultura, que já tem pouco. A grande questão desta história é que temos um ministério fraco de orçamento. A cultura não é vista como algo importante no País. Tanto que o orçamento da cultura é 0,6% da União. O ideal seria pelo menos 2%.
E como o senhor vê, na proposta do governo, o vale-cultura, que prevê ceder R$ 50 a quem trabalha para a compra de livros, CDs, DVDs e ingressos?
Excelente, maravilhosa. Apoiamos 100%. É uma grande idéia do ministro. Uma alegação do MinC para a reforma é que os recursos ficam concentrados no eixo Sul-Sudeste. Eles batem nessa tecla, mas a alegação é uma grande mentira. O ministério quer é pegar o dinheiro vindo do mercado, levar para o Fundo, para que o Fundo distribua para onde eles acharem mais adequado. Contudo, a gestão do Fundo Nacional de Cultura também concentra recursos no Sul e no Sudeste. Além disso, de acordo com os resultados encontrados pelo Itaú Cultural no maior estudo já feito no País sobre Lei Rouanet, a concentração de recursos no Sul e no Sudeste equivale a todos os outros índices de concentração no País. É um fenômeno geopolítico. Começa na densidade demográfica, ligada às empresas com maior capacidade de investimento, que também ficam aqui no Sul e Sudeste.
O Ministério sugere a criação de um conselho, que integraria produtores culturais às decisões. Isso não ajudaria a melhorar o sistema de destinação de verbas?
Não. O conselho foi inventado porque o governo diz que assim facilita a vida dos produtores. Em tese, em vez de cada um ser obrigado a ir aos departamentos de marketing das empresas, iria ao Fundo, formando comissões que decidiriam para quem dar o dinheiro, dividido, agora, em fundos setoriais. Mas o erro está na transferência do dinheiro do mecenato para o Fundo.
E a divisão em fundos setoriais? Funciona?
Setorizar é bom. Agora teremos os fundos das Artes (teatro, circo, dança, artes visuais e música), do Livro e Leitura, da Cidadania, Identidade e Diversidade Cultural e da Memória e Patrimônio Cultural Brasileiro. É uma boa idéia. A outra questão que envolve a Rouanet é o excesso de burocracia. Com certeza. O pequeno produtor é excluído pela burocracia. No Sul e Sudeste, 14% dos projetos morrem na base. No Nordeste, esse índice sobe para 25%. Isso ocorre porque grande parte do dinheiro é negada em razão de projetos que não atendem às normas burocráticas impostas pelo próprio governo. Às vezes, técnicos totalmente despreparados cortam orçamentos com base em proposições absurdas. Por exemplo: mandamos certa vez uma proposta para a montagem de uma peça, mas a verba foi negada porque não havia a assinatura do autor, que era ninguém menos do que Guimarães Rosa (1908-1967).
A lei passaria a vigorar em 2010, ano de eleições. Que efeito o senhor estima que teria, politicamente?
No meu ver o Ministério da Cultura está jogando uma bomba na mão do presidente Lula, do próximo candidato do governo ou da oposição. Se uma lei dessas passa, vai colocar a classe cultural contra o governo. E o próximo governante terá que lidar com a situação. Será que a Dilma Rousseff, se eleita, quer esse pepino para resolver?
Qual seria a melhor forma de agir neste momento?
Nossa proposta é, em vez de tirar os parcos recursos que hoje temos no mecenato, vamos buscar recursos para o Fundo. O Fundo tem de criar políticas públicas para o resto do País, por meio de editais, corrigindo assim a desigualdade nos locais onde o mercado sozinho não se regula. Outra ideia é criar a loteria da cultura, entre outras medidas. Nós, produtores culturais, estamos dispostos a nos reunir com o governo e ajudar. O que não pode continuar a acontecer é essa exploração ideológica que não condiz com a democracia que o Brasil vem praticando nos últimos anos. O governo às vezes tem excelentes intenções, mas busca as soluções de forma errada.








