TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 25 de abril de 2009

Gilmar , os capangas e as 25 perguntas

Reproduzo as perguntas que o "Doutor"  Gilmar Mendes poderia aproveitar para responder à nação  e continuar mantendo a pose irônica de homem probo:

25 Perguntas a Gilmar Mendes...

Será que o Ministro Gilmar Mendes responderá às perguntas que lhe foram lançadas? Esse e-mail, que está circulando pela internet, precisa chegar até ele e ele responder às questões imediatamente na TV, em horário nobre. Casos assim, coloca-se um ponto final.

1. O sr. sabe algo sobre o "assassinato" de Andréa Paula Pedroso Wonsoski, jornalista que denunciou o seu irmão, Chico Mendes (triste coincidência), por compra de votos em Diamantino, no Mato Grosso?

2. Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2000, quando o sr. era advogado-geral da União?

3. Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2004, quando o sr. já era ministro do Supremo Tribunal Federal?

4. Quantas vezes o sr.. acompanhou ministros de Fernando Henrique Cardoso a Diamantino, para inauguração de obras?

5. O sr. tem relações com o Grupo Bertin, condenado em novembro de 2007 por formação de cartel? Qual a natureza dessa relação?

6. Quantos contratos sem licitação recebeu o Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual o sr. é acionista, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso?

7. O sr. considera ética a sanção, em primeiro de abril de 2002, de lei que autorizava a prefeitura de Diamantino a reverter o dinheiro pago em tributos pela Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino, da qual o sr. é um dos donos, em descontos para os alunos?

8. O sr. tem alguma idéia do porquê das mais de 30 ações impetradas contra o seu irmão ao longo dos anos jamais terem chegado sequer à primeira instância?

9. O sr. tem algo a dizer acerca da afirmação de Daniel Dantas, de que só o preocupavam as primeiras instâncias da justiça, já que no STF ele teria "facilidades" ?

10. O segundo habeas corpus que o sr. concedeu a Daniel Dantas foi posterior à apresentação de um vídeo que documentava uma tentativa de suborno a um policial federal. O sr. não considera uma ação continuada de flagrante de suborno uma obstrução de justiça que requer prisão preventiva?

11. Sendo negativa a resposta, para que serve o artigo 312 do Código de Processo Penal segundo a opinião do sr.?

12. Por que o sr. se empenhou no afastamento do Dr. Paulo Lacerda da ABIN?

13. Por que o sr. acusou a ABIN de grampeá-lo e até hoje não apresentou uma única prova? A presunção de inocência só vale em certos casos?

14. Qual a resposta do sr. à objeção de que o seu tratamento do caso Dantas contraria claramente a súmula 691 http://www.dji. com.br/normas_ inferiores/ regimento_ interno_e_ sumula_stf/stf_ 0691a0720. htm do próprio STF?

15. O sr. conhece alguma democracia no mundo em que a Suprema Corte legisle sobre o uso de algemas?

16. O sr. conhece alguma Suprema Corte do planeta que haja concedido à mesma pessoa dois habeas corpus em menos de 48 horas?

17. Por que o sr. disse que o deputado Raul Jungmann foi acusado "escandalosamente" antes de que qualquer documentação fosse apresentada?

18. O sr. afirmou que iria chamar Lula "às falas". O sr. acredita que essa é uma forma adequada de se dirigir ao Presidente da República? O sr. conhece alguma democracia onde o Presidente da Suprema Corte chame o Presidente da República "às falas"?

19. O sr. tem alguma idéia de por que a Desembargadora Suzana Camargo, depois de fazer uma acusação gravíssima e sem provas ao Juiz Fausto de Sanctis, pediu que a "esquecessem" ?

20. É verdade que o sr., quando era Advogado-Geral da União, depois de derrotado no Judiciário na questão da demarcação das terras indígenas, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem as decisões judiciais?

21. Quais são as suas relações com o site Consultor Jurídico? O sr. tem ciência das relações entre a empresa de consultoria Dublê, de propriedade de Márcio Chaer, com a BrT?

22. É correta a informação publicada pela Revista Época no dia 22/04/2002, na página 40, de que a chefia da então Advocacia Geral da União, ou seja, o Sr., pagou R$ 32.400,00 ao Instituto Brasiliense de Direito Público - do qual o Sr. mesmo é um dos proprietários - para que seus subordinados lá fizessem cursos? O Sr. considera isso ético?

23. O Sr. mantém a afirmação de que o sistema judiciário brasileiro é um "manicômio"?

24. Por que o Sr. se opôs à investigação das contas de Paulo Maluf no exterior?

25. Já apareceu alguma prova do grampo que o Sr. e o Senador Demóstenes denunciaram? Não há nenhum áudio, nada?

Cartuns do João Alberto

O João Alberto me encaminhou alguns cartuns e manifestou seu desejo de postá-los no CaririCult. Já formulei convite para que ele mesmo o faça e, dentre os que me enviou está o que ora se apresenta. Seja benvindo João!

As veias abertas.

Eduardo Galeano - by José Saramago. 

"Grande alvoroço nas redacções dos jornais, rádios e televisões de todo o mundo. Chávez aproxima-se de Obama com um livro na mão, é evidente que qualquer pessoa de bom senso achará que a ocasião para pedir um autógrafo ao presidente dos Estados Unidos é muito mal escolhida, ali, em plena reunião da cimeira, mas, afinal, não, trata-se antes de uma delicada oferta de chefe de Estado a chefe de Estado, nada menos que 
As veias abertas da América Latina de Eduardo Galeano. 

Claro que o gesto leva água no bico. Chávez terá pensado: “Este Obama não sabe nada de nós, quase que ainda não tinha nascido, Galeano lhe ensinará”. Esperemos que assim seja. 

O mais interessante, porém, além de se terem esgotado As veias na Amazon, as quais passaram num instante de um modestíssimo lugar na tabela de vendas à glória comercial do “best-seller”, de cinquenta e tal mil a segundo na classificação, foi o rápido e parecia que concertado aparecimento de comentários negativos, sobretudo na imprensa, tratando de desqualificar, embora num caso ou noutro com certos matizes benevolentes, o livro de Eduardo Galeano, insistindo em que a obra, além de se exceder em análises mal fundamentadas e em marcados preconceitos ideológicos, estava desactualizada em relação à realidade presente. Ora, As veias abertas da América Latina foi publicada em 1971, há quase quarenta anos, portanto, a não ser que o seu autor fosse uma espécie de Nostradamus, só com um hercúleo esforço imaginativo seria capaz de adiantar a realidade de 2009, tão diferente já dos anos imediatamente anteriores.

 A denúncia dos apressados comentadores, além de mal intencionada, é bastante ridícula, tanto como o seria a acusação de que a História verdadeira da conquista da Nova Espanha, por exemplo, escrita no século XVII por Bernal Díaz del Castillo, abunda, também ela, em análises mal fundamentadas e em marcadíssimos preconceitos ideológicos. A verdade é que quem pretender ser informado sobre o que se passou na América, naquela América, desde o século XV, só ganhará em ler o livro de Eduardo Galeano. O mal daqueles e outros comentadores que enxameiam por aí é saberem pouco de História. Agora só nos falta ver como aproveitará Barack Obama da leitura de As veias abertas. Bom aluno parece ser." 

Gilmar Mendes, o patrão.

Seis ministros do Supremo trabalham para Gilmar Mendes

por Severino Motta

Último Segundo/Santafé Idéias

"BRASÍLIA - O site do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), uma escola de direito cujo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, é um dos proprietários, mostra que pelo menos seis outros ministros do Supremo fazem parte do corpo docente da instituição. O fato de seis magistrados trabalharem para o presidente do Supremo voltou à tona nesta sexta-feira, quando dez pessoas realizaram uma manifestação contra Gilmar Mendes em frente ao prédio principal da alta corte.

Procurada para saber que tipo de serviços são prestados pelos ministros e quanto eles recebem do IDP, a assessoria de imprensa da instituição não soube responder. Os ministros listados no site da escola de direito são: Eros Grau, Marco Aurélio Mello, Carlos Ayres Britto, Carlos Alberto Menezes Direito, Cármen Lúcia Antunes Rocha e Cezar Peluso.

Durante uma manifestação na porta do Supremo, os manifestantes taxaram como “absurdo” o fato de ministros trabalharem para a escola de Mendes. Um deles, João Francisco Araújo Maria, que é professor de Ciência Política, disse que um movimento nacional está sendo organizado para protestar contra uma suposta “vocação autoritária de Gilmar Mendes”.

Ele e os outro nove manifestantes distribuíram um documento pedindo que Mendes “saia às ruas” e “não volte para o STF”. No texto eles ainda se solidarizam com o ministro Joaquim Barbosa, que na última quarta-feira disse que Mendes está “na mídia destruindo a credibilidade do judiciário”.

“Esse é um sentimento que está em toda a população brasileira, Joaquim Barbosa só expressou esse sentimento”, disse.

IDP

A assessoria de imprensa do ministro Gilmar Mendes disse que Lei Orgânica da Magistratura autoriza juízes a darem aulas e que o IDP conta não só com ministros do Supremo, mas quase todas as cortes do País. Lembrou ainda que os magistrados dão aulas também em outras instituições e que a prática faz parte da cultura jurídica.

“O advogado aprende com o juiz, o juiz com o desembargador. É algo legítimo, legal e é assim que funciona”, afirmou a assessoria.

Nota do Viomundo: O que é estranho é os colegas de Gilmar exercerem função remunerada que, em última instância, depende da vontade dele, já no papel de empregador. Ou alguém acha que Gilmar daria emprego de professor a Joaquim Barbosa? Sabemos que a prática de dar aulas faz parte da "cultura jurídica". O que não faz parte da cultura jurídica é juízes da mais alta corte do país serem ao mesmo tempo colegas e empregados do presidente do tribunal. Gostaríamos de ter exemplos de outros países em que um juiz-empresário emprega colegas, aos quais pode fazer ou negar favores remunerados." 


Fonte: Viomundo. 

Aconteceu numa paróquia da diocese de Crato

FANATISMO RELIGIOSO
Mulher invade igreja e destrói imagens sacras

Peças destruídas: as imagens sacras (abaixo) foram atingidas com pedradas depois que a acusada invadiu o templo e ameaçou quem se aproximava para tentar contê-la (Foto: Divulgação)






Prisão em flagrante: Maria Leite Brasil, a ´Vera´, 45, (ao lado) disse que tinha feito promessa para ´destruir os santos´

Acusada usou uma pedra de paralelepípedo para atingir as 18 imagens e sete quadros da Via Sacra da Igreja MatrizUm atentado à igreja matriz da cidade de Umari (a 405Km de Fortaleza) deixou indignados os fiéis daquela paróquia e acabou virando caso de Polícia. O fato ocorreu ao meio-dia de ontem, quando a Igreja de São Gonçalo do Amarante, padroeiro do Município, foi invadida e atacada pela dona-de-casa Maria Leite Araújo Brasil, 45, evangélica.
De posse de um paralelepípedo, ela destruiu 18 imagens sacras, sendo três delas do século XVIII, além de sete quadros da Via-Sacra. As imagens viraram pó.A acusada ainda ameaçou os fiéis que tentaram dominá-la e só foi contida com a chegada da Polícia Militar no local da depredação. ´Vera´, como é mais conhecida a acusada, parecia estar possessa e afirmou para os PMs que havia feito uma promessa de ´destruir imagens feitas pelas mãos dos homens que estão provocando guerras no Mundo”. Separada do marido, ´Vera´ tornou-se fervorosa freqüentadora de um templo da Assembléia de Deus na cidade de Umari.
DominadaQuando a patrulha comandada pelo sargento PM Josué e cabo PM Givaldo chegou ao local encontrou o pároco José Luismar Rodrigues em estado desesperador diante da destruição de todas as imagens da matriz.
A mulher foi dominada e encaminhada à Delegacia Regional da Polícia Civil de Icó (a 375Km de Fortaleza), onde o delegado-regional José Gonçalves de Almeida lavrou o flagrante por crimes de danos e violação de templo religioso. Desde o fim da tarde passada, a acusada se encontra recolhida na cadeia pública de Umari à disposição da Justiça.
O pároco José Luismar Rodrigues acompanhou a acusada e os PMs até a delegacia regional de Icó, onde prestou depoimento no auto de prisão em flagrante delito. Segundo o religioso, a destruição das imagens sacras ´jamais será esquecida pelos fiéis de Umari. Ele lembrou que, em toda a sua vida de sacerdócio, nunca tinha presenciado um ato semelhante. “Ela causou danos materiais, espirituais, religiosos e também culturais”, afirma o padre se referindo às imagens santificadas que haviam sido esculpidas há séculos.
O escrivão Judá Tadeu, que lavrou o flagrante contra a dona-de-casa, também lamentou o ocorrido. “Estou na Polícia há 32 anos e jamais tinha visto algo dessa gravidade”, explicou. Logo que tomou conhecimento do fato, a população se dirigiu à igreja e ficou incrédula ao ver as imagens sacras destruídas.
Fernando Ribeiro
Editor
(colaborou, Richard Lopes)
DIÁRIO DO NORDESTE

Do seriado "Coisas da República"


Brasil
O DIA DE ÍNDIO DE JOAQUIM BARBOSA
A descompostura quase provoca uma crise institucional no STF por causa do destempero de Joaquim Barbosa – justo ele, um ministro símbolo de coragem, cultura, inteligência e elegância

Alexandre Oltramari


POLÍTICA NO TRIBUNAL
O ministro Joaquim Barbosa (à dir.) fez acusações sem provas ao presidente Gilmar Mendes: explosão de temperamento

Em 200 anos de existência, o Supremo Tribunal Federal (STF) nunca testemunhara uma explosão de temperamento tão perturbadora. Na semana passada, durante uma rude discussão sobre a aposentadoria de servidores do Paraná, o ministro Joaquim Barbosa atacou o presidente Gilmar Mendes com uma série de acusações sem fundamento que ele leu em algum panfleto partidário. Joaquim Barbosa, culto, elegante, inteligente e corajoso relator do processo do mensalão, teve seu "dia de índio" – aquele costume civilizadíssimo de certas tribos do Xingu que concede a cada guerreiro um dia por ano em que ele pode gritar e ofender quem quiser sem sofrer retaliações.
A cena, transmitida pela tevê, começou quando Barbosa acusou Mendes de esconder informações dos colegas. Era falso. Barbosa desconhecia detalhes do processo porque estava de licença médica quando o caso foi julgado. A discussão já seria preocupante se terminasse aí. Mas ela continuou. Irritado com uma afirmação de Gilmar Mendes de que não tinha condições de dar lição a ninguém, Barbosa perdeu de vez a compostura. "Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país", acusou o ministro. "Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas de Mato Grosso, ministro Gilmar." Mato Grosso é o estado natal do presidente do STF. Capanga é como são chamados os pistoleiros que agem ali.
A maneira inadequada com que o ministro Barbosa expôs suas divergências com o presidente do STF quase mergulhou a corte numa crise institucional. Terminado o bate-boca, o ministro se retirou do STF sem falar com ninguém. Seus colegas, porém, realizaram uma reunião fechada em busca de solução para o conflito. Houve quem defendesse a abertura de processo contra Joaquim Barbosa e até se falou na possibilidade de seu impeachment. Afastada a sugestão mais radical, os ministros discutiram uma moção de censura pública contra Barbosa, mas também não houve consenso. A tese que prevaleceu, depois de três horas de discussão, foi a diplomática. Os ministros decidiram prestigiar Mendes, por meio de uma nota na qual lamentam o episódio e reafirmam sua confiança nele, sem mencionar uma palavra sobre o comportamento de Barbosa. Em almoço com dois colegas no dia seguinte, Barbosa admitiu que se excedeu, principalmente ao acusar o presidente do STF de possuir "capangas", mas descartou a possibilidade de se desculpar publicamente pelo episódio. O presidente do STF, por sua vez, também preferiu encerrar o caso. "Não há crise, não há arranhão. A imagem do Judiciário é a melhor possível", disse Mendes.
Ao contrário do que a altercação da semana passada sugere, Mendes e Barbosa têm muitos pontos de comunhão profissional e pessoal. Ambos estudaram na Universidade de Brasília, ingressaram no Ministério Público por concurso e complementaram seus estudos no exterior. A dupla também comunga o mesmo temperamento explosivo, embora esse traço de personalidade seja mais visível em Barbosa, que já se desentendeu com sete de seus colegas no STF e no Tribunal Superior Eleitoral. Mendes, ex-assessor de Fernando Henrique Cardoso e ex-ministro da Advocacia-Geral da União, foi indicado pelo presidente tucano em 2002. Barbosa, filho de pedreiro, que sempre estudou em escola pública, recebeu a toga de Lula em 2003. Foi escolhido por seus inegáveis méritos jurídicos, mas também pela disposição do presidente da República de nomear alguém com o perfil de Barbosa.
As rusgas entre Mendes e Barbosa, evidentemente, afloraram muito mais pelo que os separa do que pelo que os une. Ambos têm visões de mundo antagônicas. Considerado um elitista pelos adversários, Mendes costuma ser criticado pela maneira arrogante com que expõe suas ideias em público. Deve-se a ele, contudo, o recente desmonte do estado policial que começava a fincar estacas no coração da democracia brasileira. Já Joaquim Barbosa é considerado um procurador da República disfarçado de ministro. Ele acha que o clamor popular deve ser levado em conta pelos juízes, principalmente quando se trata de punir ricos e poderosos, e discorda das críticas que Mendes tem feito à Polícia Federal e ao Ministério Público. O ministro terá uma chance e tanto de colocar em prática suas convicções. Ele é o relator do processo criminal contra os 39 réus do mensalão, o esquema petista que desviava dinheiro público para corromper parlamentares no Congresso em troca de apoio ao governo. Barbosa já deu sinais inequívocos de que dará uma lição de isenção e coerência no caso do mensalão – este, sim, fornido de provas.

(Fonte: VEJA)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Fernando Lugo : do Celibato à Poligamia

Vivana Carrillo, Benigna Leguizamon e Damiana Hortensia Moran Amarrilla, as três ex-namoradas de Lugo


Três mulheres disseram ter tido filhos com ele, quando ainda era padre
Presidente do Paraguai pede perdão por escândalo sexual

24.04.2009 - 20h43

Catarina Pereira
Fernando Lugo, Presidente do Paraguai e antigo bispo católico, pediu ontem perdão mas excluiu a possibilidade de se demitir por causa do escândalo sexual desencadeado pelos três pedidos de reconhecimento da paternidade que o assolaram, um ano após a sua eleição. Lugo disse, num comunicado televisivo, que iria até ao fim do seu mandato, independentemente dos “rumores de instabilidade e conspiração”, citou-o a BBC.O primeiro pedido de reconhecimento de paternidade foi feito há cerca de 15 dias, no feriado da semana santa. A 13 de Abril, Lugo reconhecia publicamente ser pai de Guillermo Armindo, de dois anos, criança que gerara enquanto ainda usava o hábito. A relação com Viviana Carrillo, mãe de Guillermo, começou quando esta tinha apenas 16 anos e durou cerca de uma década. Benigna Leguizamón foi a segunda mulher a revelar que o Presidente era o pai do seu filho de seis anos. Tal como Carrillo, Leguizamón conheceu Lugo na diocese de San Pedro. Na altura tinha 17 anos e uma filha pequena. Neste segundo caso, o Ministério para as Mulheres e o Ministério da Infância e da Adolescência apresentaram um processo judicial contra o Presidente, e ameaçaram exigir um teste de ADN, caso Lugo se recusasse a reconhecer a paternidade de Lucas Fernando, de seis anos, escreveu o New York Times. Na quarta-feira, veio a público um terceiro caso, o de Damiana Móran que, em entrevista ao jornal ABC Color, afirmou que o Presidente lhe terá assegurado que iria assumir a paternidade do seu filho.“Não era minha intenção ofender ninguém e (...) só me resta pedir perdão, com o reconhecimento de que estive em falta para com a Igreja, com o país [e] com os cidadãos”, disse Lugo, garantindo que “esta administração não terá qualquer interrupção até 2013”, ano do fim do mandato. O caso gerou indignação no país, onde 97 por cento da população é católica. A oposição pediu a demissão do chefe de Estado, cuja popularidade tem vindo a decrescer.



Comentário do "Macaco Simão"



Bem feito, seu Bispo ! Foi seguir a ordem do Papa e não usou camisinha..."

Faria melhor com um móbili - por Percival Puggina




Em plena reunião do G-20, Chávez saiu de sua cadeira e foi até onde estava Barack Obama. Nas imagens de tevê que registraram o fato ficou nítida a perturbação inicial do ianque, conhecedor da rotineira falta de juízo do venezuelano. “O que esse sujeito vai aprontar?”, deve ter pensado durante a aproximação. No entanto, Chávez lhe trazia um regalo e o presidente norte-americano descontraiu-se de imediato. Tratava-se de uma versão da obra “Veias abertas da América Latina” do uruguaio Eduardo Galeano.

Para quem não sabe, o livro em questão, vendido como sendo uma leitura que rompe com o ensino tradicional da História, foi publicado em 1971 e sustenta tese originalíssima: nosso subcontinente é pobre porque sempre foi explorado – primeiro pelas metrópoles ibéricas, depois pelos ingleses e, finalmente, pelos norte-americanos. Tenho certeza de que sequer o esclarecido leitor destas linhas tinha notícia de tão inovadora visão da realidade regional, não é mesmo?

Ironias à parte, o mais alienado colegial dos anos cinqüenta do século passado lembra que esse assunto, já então, era tema de colégio. Ora trazido por professores formados na academia dos anos 30, ora por jovens militantes da esquerda, doutrinados nas células onde se planejava o assalto ao poder para alinhar o Brasil com as “admiráveis conquistas da humanidade” alcançadas pela defunta União Soviética.

Enfim, essa é a tese do livro que Chávez escolheu a dedo para presentear a Obama, o que mostra o quanto está atualizada a leitura do caudilho instalado no Palácio de Miraflores. Na mesma semana em que seu pupilo boliviano Evo Morales se declara comunista, marxista e leninista, Chávez resolve entregar esse mimo ao presidente ianque. Se é para ajudá-lo a dormir, faria melhor presenteando-o com um móbili.

O supostamente revolucionário livro de Eduardo Galeano é, na verdade, uma obra reacionária que conspira a favor da ideologia do autor e contra a prosperidade dos nossos países, atribuindo os problemas sociais e econômicos da América Ibérica à ação de maliciosos agentes externos que se vêm aproveitando da nossa inocência. Nada melhor do que a realidade cubana para o desmentir. Há meio século, a antiga Pérola do Caribe rompeu com os Estados Unidos, assumiu, sem pagar um centavo, todo o patrimônio norte-americano na ilha, nunca mais enviou lucro para o exterior, abriu a veia dos russos e passou a beber sangue soviético, em rublos, durante trinta anos. Resultado? Cuba virou uma sucata e atribui sua miséria a quê? À má vontade comercial dos Estados Unidos. Me poupa, Galeano.

Quem leva a sério o livro em questão, a exemplo de Chávez, se deixa cegar pela ideologia e acaba acreditando que somos pobres por culpas alheias. Até parece que aqui sempre se valorizou o trabalho, o mérito e o espírito de iniciativa. Até parece que aqui sempre tivemos bons governos, instrumentos políticos corretos, gestão fiscal rigorosa e elevado espírito público. Até parece que aqui se combate a corrupção e se cultuam elevados valores. Até parece que aqui lugar de bandidos e de corruptos é na cadeia e a Lei se impõe igualmente a todos. Com tantas e tão nobres condutas, se temos uma sociedade às voltas com problemas sociais e econômicos só pode ser por culpa dos outros, não é mesmo? Ou, como contestou alguém, num site em que se discutia a dívida pública brasileira, iniciada com a Independência: “Tente dizer ao seu patrão que não vai trabalhar hoje devido a um resfriado que você pegou há dez anos”.

Barbalha vai realizar Congresso de Folclore e Seminário sobre Religiosidade Popular



II Congresso Cearense de Folclore
I Seminário sobre Cultura, Religiosidade e Festas Populares do Cariri

Barbalha (CE): 26 - 31 de maio de 2009

Será realizado, no período de 26 a 31 de maio do corrente ano, na cidade de Barbalha, o II Congresso Cearense do Folclore e o I Seminário sobre Cultura, Religiosidade e Festas Populares do Cariri. O evento tem como objetivo principal propiciar a estudiosos, professores, alunos e comunidade em geral um espaço de debates e discussões acadêmicas multidisciplinares acerca da cultura, da religiosidade e das festas populares, tendo como referência a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antonio de Barbalha. A promoção e realização são da Prefeitura Municipal de Barbalha, através da Secretaria da Cultura e Turismo, da Comissão Cearense do Folclore e do Centro Pró-Memória de Barbalha Josafá Magalhães.
Tendo como temática o eixo “Festa Popular: cultura, tradição e fé”, o evento científico-cultural terá conferências, mesas redondas, grupos de trabalho, comunicações cientificas e apresentações culturais com grupos da cultura popular tradicional. Será realizado também o Curso de Atualização em Folclore, destinado, sobretudo, aos professores da área de ciências humanas da rede municipal de ensino, estando, porém aberto a professores das redes estadual e particular.
As inscrições para participar do evento e para apresentação de trabalho científico já se encontram abertas, podendo ser feitas através do e-mail:
A programação está disponível no blog: http://maravilhosomundocariri.blogspot.com
Importante: AS INSCRIÇÕES SÃO GRATUITAS
Maiores informações
:
E-mails: comissaocearensedefolclore@bol.com.br;

Deputados aprovam a criação da Região Metropolitana do Cariri

Vista parcial de Crato

Vista parcial de Juazeiro do Norte

Fonte: DIÁRIO DO NORDESTE – 23/04/2009 - http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=632808)


EMENDA À CONSTITUIÇÃO
Deputados aprovam criação de RM do Cariri

O interesse da administração estadual em criar uma nova Região Metropolitana antecipou a mudança da ConstituiçãoO Governo do Estado, nos próximos dias, poderá propor a criação da Região Metropolitana do Cariri. Ontem, os deputados estaduais aprovaram, em primeiro turno, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) modificando textos de artigos da Constituição do Estado que agora, permite a criação de outras Regiões Metropolitanas. Agora, basta a votação do segundo turno da emenda, e a sua conseqüente promulgação para que o Estado envie à Assembléia o Projeto de Lei Complementar propondo a criação da Região Metropolitana do Cariri.
Segundo o líder do Governo na Assembléia, deputado Nelson Martins (PT), para que o Executivo enviasse mensagem para a criação dessa nova Região Metropolitana, era necessário que a Casa desse continuidade à atualização da Constituição, mais especificamente ao Título III da Carta Magna que trata de Organização Estadual, onde compete a criação de Regiões Metropolitanas. Porém, a Mesa Diretora adiantou-se e levou a plenário a PEC que altera os artigos desse Título, permitindo desde já, que o Poder Executivo estadual proponha a criação da Região Metropolitana do Cariri.
Antes da aprovação da PEC o texto constitucional apenas previa a existência da Região Metropolitana de Fortaleza. Com a alteração dos artigos 4º, 32º e 43º , agora fica estabelecido que o “território cearense, para fins das políticas governamentais de estímulo e desenvolvimento, será constituído por conformações regionais resultantes da aglutinação de municípios limítrofes, com base nas suas peculiaridades”, detalha o novo texto.IntegrarJá o artigo 32º detalha que o Estado e os municípios atuarão em conjunto visando “integrar, articular e compatibilizar as ações governamentais”.
Segundo Nelson Martins, isso significa que todos os projetos e ações destinadas à Região Metropolitana poderão ser geridos e mantidos pelas cidades que formam a Região. O parlamentar explica que o Hospital Regional do Cariri, em construção no município de Juazeiro do Norte, terá essa política, onde juntos, os municípios irão manter o equipamento que atenderá a toda a Região.O último artigo modificado, 43º, estabelece que o “desenvolvimento regional se realiza por meio dos processos de descentralização”.
Detalhando ainda que a junção dos municípios deva ser feita respeitando suas afinidades geo-ambientais, sócio-espaciais, sócio-econômicas e sócio culturais.A oportunidade de elevar um conjunto de municípios à Região Metropolitana do Cariri, irá proporcionar uma maior organização social e econômica dessas cidades.
à direita, centro de Barbalha

Quem se emociona com Susan Boyle

Sinal dos tempos é isso aí. Uma senhora de 47 anos, nascida e criada numa cidadezinha da Escócia, teve problemas de desenvolvimento mental na infância, mora sozinha com um gato, nunca teve namorados ou foi beijada e é pobre. Um dia aparece num programa de televisão inglesa de grande sucesso: Britains´s got talent. O nome: Susan Boyle. Uma senhora de porte baixo, gorda, já aparentando mais de cinqüenta anos chega ao palco para a incredibilidade do júri do programa. Uma incredibilidade encenada, feita para criar um clima na platéia e na assistência. Francamente demonstram não acreditar na calouro enquanto ela diz que cantará I Dream uma canção do musical Les Miserabilis. Aí outra jogada de emoção: a canção é a mensagem da personagem Fantine da peça no momento em que esta sonha superar definitivamente a vida miserável que leva.

Afinal tudo é produção, tudo é feito para platéias de uma economia em crise. O sinal dos tempos. Panis et circensis. Por isso mesmo o escritor Marcelo Carneiro da Cunha, no blog Terra Magazine de Bob Fernandes, pretende ser Susan Boyle. E pretende por ser um escritor que tem o quê dizer, pretende dizer e escreve sem parar mesmo não tendo o sucesso de um Paulo Coelho. Então ele quer algo divino (ou midiático pois é o caso de Susan Boyle): “aquele instante de boa e pura mágica, em todos os anos que vieram antes, todo mundo viu apenas o jeito desengonçado e improvável de Susan e não a artista”. Marcelo acredita que Susan tem a “essência” do artista, aquela que fala ao coração dos homens e se comunica com Deus. Não disse, mas foi isso que ficou subentendido em sua solidão de artista que não arrasta multidões.

Circulou pela Internet a mais cabal prova que estamos criando a cultura, como nossos teóricos bem o dizem, a estética da crise. Já vimos isso em filmes de época, em pintura, literatura e até mesmo da arquitetura. Voltemos aos anos 30 e tudo se encontra bem catalogado. A estética da manipulação das pessoas em sofrimento, para que aplaquem sua raiva com a ruptura do progresso que lhes prometeram e não veio. Esta manipulação não é nova, sempre ocorreu, mas agora ela se encontra nitidamente dirigida para este sentido. Basta identificar as explicações que a imprensa inglesa oferta ao seu público.

Para muitos Susan é uma mensageira vinda para acordar a humanidade das frivolidades mundanas, quando a feiúra da personagem é a contraprova de uma Gisele Brünchen dos saborosos anos do consumo americano. Ou então seria Susan um anjo de esperança neste desespero mundial da crise capitalista. Susan seria uma “madre” trazendo esperança para as famílias em franca decadência no tecido social, a falta de emprego, a dignidade e a sanidade mental. Enfim, aquela que tinha tudo contra si, para os padrões vigentes na produção cultural capitalista, supera-se e esta superação é uma mensagem potente para que tudo mude para permanecer como se encontra. Isso quer dizer: a crítica não se encontra ao modo de produção, mas vangloriar os esfarrapados que na loteria do improvável conquistam o prêmio em pleno coliseu televiso.

Tudo encenado, as emoções dosadas, a música da mesma dimensão do investimento financeiro em superproduções, pois sem aquela música, sem aquela emoção já de todo “elaborada” por milhões de pessoas que puderam previamente pagar um ingresso nas grandes cidades do mundo para assistir ao musical, ou compraram os CDs e DVDs.

Afinal é Susan o anjo da indústria de entretimento globalizada a serviço dos anos de crise. Serviço tão perfeitamente adequado ao momento tecnológico de modo a apenas assim ocorrer em razão do You Tube.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ascalon

Hoje é dia de São Jorge Guerreiro, amigos, um dos mais fortes santos da nossa mitologia. Reza a história, que tão facilmente se mescla com as lendas, que teria nascido na Capadócia, atualmente território da Turquia. Teria vindo ao mundo no final do segundo século depois de Cristo. Ainda menino, migraria para Palestina e aos 23 anos, já fazia parte da corte imperial romana, como tribuno militar. Poderia ter levado uma vida na maciota, não fosse sua sublevação contra o martírio dos cristãos em tempos de Diocleciano. Consta ter tornado públicas sua revolta contra a perseguição e, também, sua fé no cristianismo. Terminou torturado e degolado há exatos 1706 anos, na Ásia Menor em Nicomédia. Sua popularidade é impressionante, é patrono da Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia, de Moscou e extra-oficialmente da Cidade do Rio de Janeiro. As artes o imortalizaram nos pincéis de Rafael, Donatello, Martinelli.
Mas de onde teria saltado a imagem mítica que temos de São Jorge a combater implacavelmente o seu dragão ? É possível que tenha surgido da mitologia nórdica na figura de Sigurd , o caçador de dragões. O certo é que as baladas medievais cantavam as suas peripécias como filho do Lord Albert de Conventry e que sua mãe faleceu no seu nascimento tendo ele sido criado pela Dama do Bosque. Seu corpo possuía três marcas: um dragão em seu peito, uma jarreira em volta de uma das pernas e uma cruz vermelho-sangue em seu braço. Já rapazinho, viajando muitos meses por mar, chegou a uma cidade da Líbia onde encontrou um pobre eremita que lhe pôs a par do sofrimento da sua cidade. Ali existia um dragão feroz, de hálito venenoso e coberto de uma carapaça inexpugnável. Todo dia devorava uma donzela e, só assim, aplacava sua ferocidade. Agora só existia Sabra, a filha do rei que seria sacrificada no dia seguinte. O monarca prometera casamento a quem impedisse o sacrifício da princesa. Jorge enfrenta a fera e a mata com sua espada chamada Ascalon. O rei, no entanto, não queria ver sua filha casada com um cristão e o envia para Pérsia ordenando aos soldados que lá o matassem. Jorge, no entanto, se livra do perigo e leva a noiva para Inglaterra onde se casa e vive feliz para sempre. Existem várias versões da mesma história, sempre narrando os heróicos atos do nosso Jorge Guerreiro e da sua valentia frente às adversidades. O interessante é que a ligação íntima de São Jorge com a lua é eminentemente brasileira. A nossa fortíssima influência afro é responsável por isso. Na Bahia, nosso Jorge é associado sincreticamente a Oxossi, o orixá ligado diretamente ao nosso satélite natural.
As lendas mitológicas não são histórias de Trancoso ou da Carochinha. Elas têm profundas raízes fincadas no inconsciente coletivo. O dragão , certamente, representaria o poder diabólico, a idolatria destruída com as armas da fé. A donzela seria a imagem onírica da província que se viu livre da heresia.O interessante é que Papa Paulo VI rebaixou nosso São Jorge a um santo menor, de terceira categoria, com culto opcional apenas em calendários locais. A força mítica, no entanto, falou mais forte, em 2000, João Paulo II terminou reconduzindo nosso guerreiro a um patamar de primeira instância, na hierarquia católica.
A história do nosso guerreiro nos dá margem para algumas reflexões. No fundo, a história narrada oficialmente está sempre embebida de lendas e mitos. Quanto mais o realismo se untar das fontes do fantástico mais perenes se tornarão seus relatos. A ficção é sempre mais palatável e digerível que a realidade nua e crua. O que adoramos em São Jorge não é sua valentia, sua santidade , mas a figura mágica que brota do meio de todas as lendas. O segundo ponto é que as figuras míticas sobreovam todos os livros sagrados; elas não pertencem a uma religião específica, mas se imiscuem em muitas crenças: apenas mudam um pouquinho o nome, as nuances. O mito, por outro lado, é indestrutível pelas armas convencionais; se os enfrentamos ferozmente ou os apoiamos eles crescem com a mesmíssima força. Não terá sido exatemente isso que aconteceu aqui pertinho com o Padre Cícero ? Perseguido, excomungado, de nada adiantou. Tornou-se santo pelas mãos míticas do seu povo. Tentar reabilitá-lo é apenas um mero artifício burocrático. O povo é que empunha a Ascalon , é ele que destrói seus dragões e salva suas Sabras. Às vezes, no entanto, é difícil perceber de onde rescende o hálito venenoso da fera .

J. Flávio Vieira

Os três bois e o leão Por: Pedro Esmeraldo

Esta fábula é do grego Esopo e vou narrá-la para comparar com o comportamento de alguns políticos cratenses.
Três bois muito ligados dividiam tudo entre si: um dia, um leão não podendo saciá-los, devido a sua união convenceu-os a pastarem separadamente.
Pensando bem em decifrar o efeito moral desta fábula, nota-se que pessoa alguma pode conseguir bom desempenho em seu trabalho, sozinho, no meio dos inimigos. Se quiser viver tranqüilo é preciso afastar-se destes algozes e confiar mais nos amigos.
Partindo para um raciocínio digno lembro que a maioria dos políticos cratenses deixam de conviver com os amigos a fim a apoiar integralmente aos inimigos que vêm de fora. Privam o Crato de grandes melhoramentos, a não ser conseguir migalhas e facilmente entregar o ouro aos bandidos. Deixam de lado os amigos sinceros para contemplar o desrespeito e o desmerecimento causando prejuízo ao progresso dessa cidade. Por isso, Crato está se esvaziando e ninguém toma atitudes para evitar esses abusos artimanhosos de seus algozes, afastam o Crato do caminho do progresso acelerado.
Os homens de bem ficam alheios a essas mazelas e não abarcam a causa da justiça e do respeito para com o povo. Ultimamente, o Crato sofre desesperadamente devido o esquecimento e abandono das autoridades da esfera estadual. Nada trazem para cá. Isto considero um desaforo para os filhos amantes desta terra, pois são obrigados a gritarem sozinhos para ver se ao menos amenize o controle do desenvolvimento desta cidade.
Falam do Plano de Aceleração e Crescimento, mas não chega para o Crato.
Dizem que há projetos elaborados pela prefeitura mas só ficam no papel, projetos esses que datam de muito tempo. Apesar de tanta falação, não dão inicio as obras. É o caso da Escola de Agronomia e do Centro de Convenções. Falam, falam, mas cai no esquecimento.
Não se deve esquecer o esvaziamento desta cidade. Já levaram daqui várias instituições estaduais e federais consderando esta terra como sendo terra de ninguém. O que mais aflige é que os políticos não lutam, quedam-se na resignação, não reagem, dizem sempre amém.
Convém citar que os astuciosos e invejosos não deixam vir nada para o Crato. Tudo que vem é arrematado pelos pilantras do engodo.
Não deixam mais o Crato caminhar firmemente. É como se o nome do Crato fosse riscado do mapa. Toda a população tem desgosto desses políticos acomodados que acolhem mansamente as artimanhas para não vir nada para o Crato, a não ser migalhas, dizendo que sendo bom para lá é bom para o Cariri.
Esta conversa falaciosa deixa todo mundo revoltado e indignado. Agora, estão falando em zona metropolitana que seria um contra senso deixar o Crato de lado da zona de apoio, já que esta cidade foi o centro de desenvolvimento cultural, agrícola e política de todo o sul do estado. Lembro ainda, há mais ou menos dois anos, Crato perdeu o Centro Universitário que aqui seria localizado, patrocinado pela UFC. Devido às artimanhas políticas, Crato perdeu esse desenvolvimento educativo. Isto provocou reação de muitos cratenses, através de luta titânica patrocinado pelo Instituto Cultural do Cariri – ICC. Mesmo assim, estão fazendo vista grossa para que venha se estabelecer aqui a Faculdade de Agronomia como fora prometido.
Dizem com muito respeito, que os políticos desta terra não andam caminhando com firmeza e ficam atoleimados diante das palavras indecorosas desses algozes que só vêm aqui atrapalhar e confiscar todo o melhoramento da cidade.
Confirmo que o Crato é uma janela aberta para conectar as cidades vizinhas deste e de outros estados. Não conseguem satisfazer o desejo dessa população que é o de tornar esta cidade no maior Centro Universitário do interior do nordeste.
Recordem-se, ainda, que alguns políticos praticam o clientelismo fisiológico e procuram sanar os problemas com dificuldade, já que o dinheiro é pouco para a prática e bom desempenho administrativo.
Quero agradecer as palavras elogiosas dirigidas a minha pessoa pelo escritor cratense radicado em Fortaleza, filho do particular amigo, ex-vereador Pedro Saraiva de Macedo.
Muito obrigado senhor Zé Nilton, mas continuarei lutando por esta terra até o fim.

Crato, 16 de Abril de 2009.

PEDRO ESMERALDO

As Forças Armadas ou os Sem-Terra

- Eu não acho certo sem-terra. Provoca a guria de 17 anos aspirante à carreira do direito após o jornal da tv na sala da casa.
- E acha certo as enormes propriedades que foram adquiridas na base da caneta nos cartórios?
- E daí? Dono é dono. Agora invadir uma terra alheia é crime, lógico...
- Ôpa, o MST só invade terra que não está produzindo, terra que a justiça já decretou sua desapropriação.
- É? E como é que eles sabem qual terra foi?
- Porque os sem-terra do Pará invadem as terras do Pará, os de Pernambuco em Pernambuco, claro que sabem, acompanham os processos, são organizados, não é a loucura que aparece na tv...
- Não, não é loucura não, até manual de fazer bomba caseira eles tem, li na Veja de painho.
- Você iria para uma guerra desarmada? O patrão dos capangas comprou rifles pra eles.
- Eles enfrentam os capangas porque querem. Se a justiça já tirou a terra do latifundiário, disse no documento que a terra é do governo para dividir e produzir, falta o quê?
- Boa pergunta! Diga você.
- O governo que mande as forças armadas ir tirar os "caras" da propriedade, então. Não tem que ser eles, os sem-terra, que devem fazer isso com foice e enxada. Acho que é por isso que eles são mal vistos, fazendo justiça pelas próprias mãos estão errados...
- A questão é a paciência histórica, meu bem, e as mudanças lentas demais, aí eles pressionam invadindo, pra acelerar, entende?
- Vi outro dia na tv a polícia contra os sem-terra. E a polícia não é do governo?
- Do judiciário, principalmente. Às vezes são autorizados a fazer a segurança desses fazendeiros...tem juízes "amigos" que emperram o processo...não é fácil.
- Mesmo assim não acho sem-terra coitadinho. Qualquer um pode entrar no MST só pra ganhar uma terrinha e ficar esperando.
- Pode. Que tal uma terrinha de assentamento, sob condições básicas de moradia, lá nos confins do município? E participar de passeata o sol a pino, dormir na calçada da Coodevasf, do Incra...que tal?
- Que nada, deve ter algum interesse por trás, gente grande que não vai na linha de frente da invasão...
- Gente grande tem, advogados e outros tipos de funcionários responsáveis pela organização...claro, afinal as salas de audiências não receberiam os maltrapilhos, eles tem quem os defendam.
- Ué, e só as invasões aparecem na tv?
- Exatamente. Dão audiência. Se fosse pra mostrar como é o MST seria propaganda, e aí seria pago.
- Então paguem. Ou ao invés de invadir propriedades, invadam o governo.
- Pagar? E você disse que invadir era crime...ache outro final feliz nessa história.
- Que tal Shrek passando o cetro do poder a Fiona e aparecendo uma bandeirinha do MST com o nome FIM?
- Rarará, seria ótimo. Mas não vai dar pra o Lula conseguir ainda nesta gestão realizar a reforma agrária, infelizmente...o fim desta questão ainda levará alguns anos.Talvez quando Fiona entregar novamente o cetro a Shrek...rsrsrs.

E Gabeira voou com bilhete do congresso sobre os cadáveres dos nordestinos.

Mesmo quando se diz algo que gostaríamos de ouvir, observe a intenção de quem o disse. Um exemplo claro é este poema atribuído a Vladimir Maiakóvski (mas existe a possibilidade que seja de um pastor Luterano Martin Niemöller): primeiro, eles vêm à noite, com passo furtivo/ arrancam uma flor / e não dizemos nada. Já ouvi este poema pela voz do mais radical de direita quando na verdade o poema era outra coisa, denunciava o nazismo alemão dos idos de 30. Já o vi usado contra Stalin e com a intenção de criticar a revolução russa de 1917. Já o vi pelas cordas vocais (pelos tendões manuais digitadores de ideologias) de um ferrenho adepto do czarismo. E, no entanto, Vladimir Maiakóvski definia sua obra e seu ânimo artístico deste modo: "Sem forma revolucionária não há arte revolucionária."

Assim, recordo-me quando vejo esses caninos destilando veneno com o moralismo da corrupção. O sistema como um todo leva o povo à miséria e eles se queixam do outro que levou o butim por eles desejado. A mídia nacional, flor maior de algumas famílias, aponta o dedo acusador contra alguns e se locupleta nas mais tenebrosas jogadas. Sempre que algum paladino da moralidade surge, junto a si está o espectro do mais puro cinismo em busca de vantagens (em negócios e na política). É preciso uma verdadeira “semiologia” do texto para ir à busca dos seus signos e significações.

Passado algum tempo, recordo-me do caso Severino Cavalcanti. Aquele nordestino miúdo, malandro, espertalhão, de sotaque forte, cabeça chata e de um provincianismo a toda prova. Recordo-me do dito cujo perdido naquela mesa imensa da direção da Câmara dos Deputados. Aquele “símio” do zoológico dos horrores da classe média, “sul-sudestina”, recebendo pedradas do Deputado estelar Fernando Gabeira. A mídia nacional transforma a estrela em capas de revista e o “símio” em lixo da história. A estrela, por sobre o cadáver daquele “traste nordestino”, quase se elege prefeito da cidade do Rio de Janeiro. E os letrados, os “limpos” dos bares da Zona Sul carioca, votaram em peso no tipo bem urdido. O azar do esquema “vitorioso”, a ética como “Button” de um convencional, quase a frase: quer emagrecer? Pergunte-me como. O azar foi confiar nos “limpos”, era um feriadão e todos se mandaram para os embalos do interior.

Pois o ético, o deputado transparente, aquele que pode, pois nasceu no sudeste, em Juiz de Fora, acha que pode, mas não os Severinos. Seus porteiros, seus faxineiros, seus pedreiros, seus potenciais eleitores. O Gabeira levou o carinho para passear na Europa com o dinheiro público. Mas o Gabeira pode, ele sabe o que faz, ele sabe apreciar o bom e o melhor do velho continente. Mas os Severinos? Devem permanecer nos confins da civilização em sua grosseria essencial, embebidos do mais perfeito sumo da ignorância. Foi tudo o quê Gabeira falou ao se referir a apenas um Cavalcanti.

Não são necessárias provas. Pobre não pode ter compensação social, não pode estudar, nem desejar a justiça. Pobre nem religião pode ter, pois sempre a sua religiosidade é o piso pantanoso de suas almas porcas. Eis o discurso que muito branco do nordeste e muito abestado de pele morena, com voz de repetição, gosta de fazer sem perceber que falam deles mesmos. Repetem o Fernando Gabeira que pode viajar, pode curtir, pode fumar, cheirar, beber e dar, mas isso é coisa de gente fina. Grosso é o Severino. Imoral é o Severino. Imorais são os nordestinos.

"A evidência".



Por
 Luis Fernando Veríssimo

"É fácil ter opiniões firmes sobre, por exemplo, o câncer (contra) e o leite materno (a favor). Já outros assuntos nos negam o conforto de pertencer a uma unanimidade, ou mesmo a uma maioria. São assuntos em que os argumentos contra e a favor se equilibram e sobre os quais a gente pode ter opiniões, mas elas estão longe de ser firmes. Até opiniões que você julgaria indiscutíveis - exemplo: nada justifica a tortura - são controvertidas, e basta ler as seções de cartas dos jornais para ver como a pena de morte, oficial ou extra-oficial, tem entusiastas entre nós. Em assuntos como aborto, cotas raciais nas universidades, etc. coisas como a religião, a formação, a ideologia e até o saldo bancário de cada um determinam as opiniões divergentes. E não vamos nem falar nos extremos opostos de opinião provocados por qualquer avaliação do governo Lula.

Mas há um assunto sobre o qual você talvez ingenuamente imaginasse que nenhuma discordância seria possível. A brutal evidência - geográfica, cartográfica, literalmente na cara, portanto independente de interpretação e opinião - da iniqüidade fundiária no Brasil, um continente de terra com poucos donos, era tamanha que durante muito tempo uma genérica "reforma agrária" constou do programa de todos os partidos, mesmo os dos poucos donos da terra. Era uma espécie de reconhecimento da injustiça inegável que desobrigava-os de fazer qualquer coisa a respeito, retórica em vez de reforma. O aparecimento do Movimento dos Sem Terra acrescentou um novo elemento a essa paisagem de descaso histórico: os próprios despossuidos em pessoas, organizados, reivindicando, enfatizando e até teatralizando a iniqüidade, para contestar a hipocrisia. A evidência insofismável transformada em drama humano.

Pode-se discutir os métodos do MST, e até que ponto as invasões e a violência não dão razão à reação e não desvirtuam o ideal, além de agravar a truculência do outro lado. Mas sem perder de vista o que eles enfrentam: não só a injustiça que perdura, apesar de programas governamentais bem intencionados e de alguns avanços, como um Congresso recheado de grandes proprietários rurais, o poder político e financeiro dos agro-business e uma grande imprensa que destaca a violência mas sempre ignorou a existência de acampamentos do MST que funcionam e produzem - inclusive exemplos de cidadania e solidariedade. É a minha opinião." 


Publicado originalmente no jornal O Globo, em 12/4/2009. Fonte: Viomundo

Um novo símbolo soviético: o canivete e o martelo

O mundo é um todo sem guarda e que só funciona como um organismo quando interessa aos homens. De outro modo, quando afeta seus interesses, é um pai padrasto, um furibundo deus do olimpo. E víamos nós por auto-estradas de várias pistas em cada sentido, atravessando centenas de quilômetros de canaviais e laranjais. Cidades nucleadas no meio de plantações como miniaturas de megalópoles: um paliteiro de edifícios. Carros e carros, caminhões transportando o consumo, fábrica produzindo, e quase nenhuma pessoa no horizonte ondulado da paisagem. Estamos indo por aí: Araraquara, Ibaté. São Carlos, ao largo da serra de Itirapina, Rio Claro, Cordeirópolis, Sumaré, Hortolândia e finalmente o aeroporto de Viracopos.

Um vôo da Gol Companhias Aérea, como muitos imaginam um rabicho dos ônibus urbanos de Nenê Constantino. E um nome de imperador guarda muitas adagas voadoras aos seus consumidores. Como aquelas sucatas montadas em carrocerias de caminhões rua acima e rua abaixo, carregando gente como tapurus numa ferida animal. E outro fato que se espelha igualmente no nonsense das regras aeroportuárias. Regras de detalhes, chafurdando no meio da missa, sem que o crente comungue com o corpo do cristo. A verdade é que para os dois amigos a Gol e a Infraero são peças da mesma tragicomédia.

Juro. Meu amigo tinha 15 anos quando foi ao checking da Gol, mas ao embarcar já estava de cabelos grisalhos, se tivesse que se referir aos tempos de brincadeira, teria brincado com a bisavó de alguém. Um vôo marcado para as 19:20 horas, o passageiro tem que chegar às 18:20 horas, mas só embarque às 10:40 horas, ao invés de chegar ao destino às 20:20 horas, chega às 23:30 horas. Comida? Trata-se da concorrência entre voadoras por sobre os estômagos dos seus passageiros (algo como a frase de Napoleão sobre os estômagos dos exércitos). Uma coca-cola choca, quando a aeronave já chacoalhava para descer, com um biscoito quebra-dentes. Bem que disse o meu amigo: só poderia ser um empresário da terra de Tiradentes.

E tem a enorme coerência da Infraero, ou outra coisa qualquer que põe uma dúzia de homens e mulheres, como pose de polícia federal, tudo em volta de uma máquina de Raios-X. Vem o meu amigo com um casaco, um pacote envolto em plástico não transparente e uma maleta de mão. Passa o casaco tudo Ok! O pacote também! Mas a maleta é feita prisioneira. Suspeita de terrorismo em última escala, algo fenomenal a acontecer sobre os céus de Campinas. O meu amigo é obrigado a abrir a mala, vasculhá-la de ponta cabeça e quem lá se encontra? O objeto do terror: um canivete que ele carrega para resolver problemas de um órtese que usa. Argumenta: eu venho com esta mala do Rio. Passou no Rio. O homem da Infraero, em sua pose de superioridade paulistana diz: foi erro lá no Rio. E lá vai o meu amigo de volta ao checking, na sigla de objeto retido, envelopar, preencher um formulário e um lacrar o objeto na retenção da aeronave até que no Rio numa complexa operação de segurança, lhe seja restituído o referido retido.

Volta e me encontro com a mala dele, o pacote e o casaco. Ele senta-se com seu ar bonachão e confessa o crime: retiveram meu canivete e deixaram, neste pacote, um robusto martelo de amolecer bife. Conjecturas? No pacote seguia uma lingüiça, fora o símbolo fálico que desviara a atenção da equipe em detrimento de um martelo? Havia nele três fartos pés de Almeirão Paulista junto com frigideiras e panelas no pacote existente. Teria aquilo confundido autoridades com o doce lar de suas fantasias e entre folhas e panelas recordaram-se da domingueira nona italiana, deixando escorregar pelos seus olhos aquela arma da amassar juízos? E a frigideira? Não poderia meu amigo, homem perigosíssimo, sair de avião afora fritando o quengo dos demais, até alcançar a cabine de comando e então ter seqüestrado o avião, até que lhe devolvessem o canivete?

Diante do nonense total só bastaria o avião ter escalas: primeiro na minha cama e depois na dele, já que a viagem fora vaudeville completo. E dia fora repuxado por tantos atrasos.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Onde está o povo?


Vivemos uma semana de homenagens aos heróis brasileiros, Tiradentes, Pedro, etc. Achei este texto de Júlio José Chiavenato interessante para este momento. Fica aberto o debate para os intelectuais da "Velha" e Nova História, da Geografia Nova ou da Nova Geografia, Filósofos, Sociólogos, etc.

Nos livros de história o povo quase nunca aparece. É Pedro I gritando, Bonifácio propondo, Isabel “abolicionando”, Caxias puxando a espada, um tal de “quem for brasileiro, siga-me” ou “morre um liberal mas não morre a liberdade”. Povo que é bom...

Será verdade?

Fala-se muito que este é um “povinho safado”. Dizem que o brasileiro não luta, aceita os fatos passivamente, e que as grandes mudanças na política acontecem sem sua presença.
Melhor repensar algumas coisas. Quem é o povo? O que são grandes mudanças políticas? E, afinal, a velha e anedótica questão – que país é este?

Antes das respostas, porém, vamos lembrar o óbvio: sem povo, não há história. E repetir o truísmo: a história tem sido escrita pelos vencedores. Especialmente no Brasil, com raras exceções, sua interpretação é feita pelas classes dominantes.

Uma das características básicas da historiografia tradicional é negar ao povo qualquer participação profunda nas mudanças da sociedade. A partir daí se exerce um controle ideológico tendo por base o seguinte: são os “grandes homens”, os “heróis” e os “santos” que lutam pelas massas, pois elas são incapazes de entender a grande política.

O Culto ao herói, ao grande homem, é utilíssimo ao poder. Por meio do mito criado aprendemos a respeitar a autoridade e a não questionar o que é “de lei”. O culto aos grandes homens do passado, feito muitas vezes contra, a verdade histórica projeta-se nos anões políticos do presente, menosprezando a capacidade política do povo de cuidar do seu próprio destino. É muito simples entender, mas bastante complexo desarmar toda essa mitificação.

Séculos de dominação ideológica, nos quais raramente aparece o outro lado da história, levam-nos a acreditar nas “verdades estabelecidas”. Com referência a história do Brasil, é mais fácil as pessoas aceitarem mentira do que a verdade. Uma conseqüência lógica. É uma das grandes forças que mantém a opressão sobre a maioria do povo brasileiro.

Saudações Geográficas!
João Ludgero

Promessa de sabotagem.

Lideranças ruralistas pregam abertamente a sabotagem produtiva, a possibilidade de desabastecimento como forma de desgaste do governo, visando ao processo eleitoral de 2010. As ameaças não tiveram qualquer repercussão na grande imprensa.

 

Por Gilson Caroni Filho*


"Há um discurso ideológico recorrente na grande imprensa. Sua arquitetura básica consiste em apresentar a hegemonia do capital financeiro e das transnacionais sobre a agricultura como um “salto tecnológico" que mudou a maneira de pensar dos grandes proprietários de terra e seus representantes mais expressivos.

 

Como os protagonistas dessa decantada “modernidade rural" teriam trocado o radicalismo da UDR (União Democrática Ruralista), pelo diálogo em busca de resultados, o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) teria perdido sua razão de ser, tornando-se um projeto incapaz de dar conta da complexidade do setor agrário. Soariam equivocadas as lutas por mudanças no campo para combater a pobreza, a desigualdade e a concentração de riquezas. Esse ilusionismo, repisado diariamente por ideólogos do “agrobusiness”, sofreu um forte baque há duas semanas.

 

Em matéria publicada pela Folha de São Paulo, em 07/04/2009, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) disse ter “orientado os associados da entidade a trabalhar com uma perspectiva de pé no freio para a próxima safra".

 

O presidente da UDR, Luiz Antônio Nabhan, não mediu as palavras. Para ele, “pé no freio" tem de ocorrer também por uma questão política. Em síntese, o que as duas lideranças pregam abertamente é a sabotagem produtiva, a possibilidade de desabastecimento como forma de desgaste do governo, visando ao processo eleitoral de 2010. Salvo uma nota do ex-ministro José Dirceu , as ameaças não tiveram qualquer repercussão na grande imprensa. Não se viu um articulista protestando contra a "agressão à democracia" ou editoriais cobrando a punição dos que, por interesses de classe, não hesitam em lançar mão de expedientes capazes de deter o "desenvolvimento da economia nacional".

 

Se, como destacou o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, "a reforma agrária deixou de ser aquela medida clássica: desapropriar grandes latifúndios e distribuir lotes para os pobres camponeses, passando a incluir a mudança não só da propriedade, mas também do modelo de produção", algumas considerações devem ser feitas para os extasiados editores de Política e Economia dos jornais nossos de cada dia.

 

Há um toque de ironia que não deve ser esquecido. No Brasil, ainda são os pequenos produtores sem terra (ou com muito pouca) que abastecem o deficitário mercado de alimentos, ativador de inflação, enquanto, até bem recentemente, os créditos, financiamentos, subsídios e favores do Estado eram monopolizados pela grande propriedade. A contrapartida perversa do repasse de recursos do setor público para o privado são os conflitos do Pará ao Rio Grande do Sul e os surtos de violência entre a UDR de um lado e os sem-terra de outro.

 

A solução das classes dominantes para resolver o problema agrário sempre foi a redução dramática da população rural, empurrada para as grandes metrópoles em ritmo que não cessava de se superar ano após ano. Nesse quadro, o MST, movimento de maior expressividade na América Latina, logrou estabelecer o contraponto necessário.

 

O que aparece no noticiário oculta a magnitude dos seus feitos. Silencia-se sobre o trabalho pedagógico feito em acampamentos e assentamentos de todo o país. Um processo que absorve cerca de 160 mil alunos e quase quatro mil educadores em 23 estados, possibilitando o surgimento de 1.800 escolas de ensino fundamental. Milhares de famílias incluídas, êxitos incontestes apesar da timidez de uma política efetiva de créditos. Mas isso não merece ser editado.

 

O embuste de Kátia Abreu — e seu séquito na imprensa e no parlamento — consiste em fingir ignorar que não há país capitalista desenvolvido que não tenha agido decisivamente nessa questão. O saudoso economista Plínio Guimarães Moraes, diretor da Associação Brasileira de Reforma Agrária, escreveu, num artigo publicado em junho de 1985 no Jornal do Brasil, que "a Austrália dos canaviais e a França dos bons vinhos são os exemplos mais aparentes onde predomina o interesse social sobre o individualismo egoísta sem falar na Alemanha onde a função social da propriedade prevalece desde 1919. Mas o que queremos (e podemos) nós?"

 

Qual a nossa resposta à pergunta deixada por Plínio. Um país equânime, justo, sem violência, com salários condignos, com gêneros alimentícios baratos e disponíveis? Ou tudo isso que vivemos até hoje? Se realmente pretendemos uma sociedade inserida em moldes mais equilibrados, necessitamos ter presente que não a alcançaremos sem uma reforma agrária que enterre de vez as desigualdades abissais existentes.

 

Atualmente, de acordo com Guilherme Cassel, ministro do Desenvolvimento Agrário, o Brasil contabiliza 43 milhões de hectares destinados à Reforma agrária nos últimos seis anos, dado que o transforma no país com a maior área de Assentamentos em todo o mundo. De 2003 a 2008, 519.111 famílias foram assentadas e 3.089 assentamentos foram implantados.

 

Resta saber qual escolha faremos. O aprofundamento de um processo inclusivo, rico em tensões e pulsões dialéticas ou os tropéis furiosos do gado de Kátia Abreu e assemelhados? Movimentos sociais e cidadãos em geral devem olhar para 2010 como um ano em que serão decididas questões substantivas." 


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador doObservatório da Imprensa.


 

"Coluna Política" - do jornalista Donizete Arruda

(transcrito do "Jornal do Cariri", edição de 21-04-2009)
Santana com as mãos na cabeça
O prefeito de Juazeiro, Manoel Santana (PT), anda desesperado com a situação enfrentada por seu município. Já está disponível na Caixa Econômica mais de R$ 30 milhões para investimentos e obras que irão beneficiar a cidade. Porém, esses recursos não podem ser liberados porque Juazeiro do Norte está inadimplente. Essa inadimplência decorreria da falta de prestação de contas de verbas recebidas pela administração passada de Raimundo Macedo.
Raimundão nega problema
Em rota de colisão com a administração Manoel Santana, o ex-prefeito Raimundo Macedo (PMDB) fala abertamente sobre seu sucessor. Diz que quem vota no PT uma vez, nunca mais repete o voto. Palavras reveladoras sobre o rompimento entre Santana e Raimundão. Agora, sobre os prejuízos causados ao povo de Juazeiro por erros de seu governo, Raimundão nega através de assessores técnicos e afirma que no dia 30 de dezembro, a prefeitura retirou comprovantes de que estava com todas certidões sem constar nenhuma irregularidade. Essa polêmica promete, pois a verdade é que Juazeiro tem dinheiro na Caixa e não pode gastar, punindo à população.
Luizianne veta nome do Cariri
A prefeita Luizianne Lins anunciou que irá apoiar a reeleição de Ilário Marques à presidência regional do PT. Luizianne descarta apoiar a candidatura do prefeito de Mauriti, Isaac Junior. O nome de Isaac Junior também sofre resistências de outras tendências petistas. E até mesmo entre seus eleitores já há quem defenda sua desistência. Falta habilidade política do prefeito Dr Junior para quebrar resistências a sua postulação dentro do PT.
Sucessão na URCA
A professora Salete Maria é um dos fortes nomes na disputa pela reitoria da URCA. Ultimamente, fazendo mestrado em Salvador, vem ao Cariri para conversar com possíveis aliados e montar sua estratégia de campanha. Salete Maria definiu querer como vice, o professor Waltécio (PCdoB), ex-pró-reitor no início da gestão de Plácido Cidade Nuvens.
Disse me disse
* O ex-prefeito de Barbalha Rommel Feijó prepara sua candidatura a deputado estadual pelo PTB. Feijó espera votos além de sua terra, em Farias Brito, Santana do Cariri e Nova Olinda.
* Sineval Roque criou coragem e vai reunir os vereadores do PSB na cidade do Crato. Agora, falta anunciar apenas o dia do encontro.
* Estão adiantadas as conversas para que o ex-prefeito Walter Peixoto apóie a candidatura à reeleição do deputado Manoel Salviano(PSDB).
* Desculpe a ignorância, quem pagará a conta por Juazeiro do Norte perder R$ 30 milhões por estar inadimplente com o Governo Federal?