TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

"Catinga insuportável" - José Nilton Mariano Saraiva

Até que enfim o Crato chegou às manchetes, jornalísticas e televisivas. Pena que de uma forma nada positiva, não merecedora de encômios, nem um pouco edificante. É que o ex-prefeito da cidade, sentindo-se traído por um vereador que houvera sido seu aliado durante todo o tempo em que esteve no trono (nos últimos oito anos), resolveu fazer-lhe uma “visita amigável”, em companhia de um outro membro do legislativo cratense. Pois bem, durante o encontro, conversa vai conversa vem, ao tempo em que o incitava a fazer declarações comprometedoras (possível corrupção) contra o atual prefeito da cidade (seu adversário político), o ex-prefeito acionava um gravador a fim que a conversa registrada ficasse para a posteridade.

Nos dias seguintes, devidamente editados e vazados a conta-gotas, trechos da conversa gravada foram liberados para a imprensa, objetivando mostrar um suposto “modus operandi” mafioso do atual mandatário da cidade (compra de votos). Então, a coisa fedeu e uma “catinga insuportável” tomou de conta das ruas, praças, bares, clubes sociais, igrejas, bancos, consultórios, lotéricas e por aí vai, já que ao ouvir a própria voz num programa de alta audiência numa das emissoras da cidade e constatar que houvera sido enganado de forma humilhante pelo ex-amigo, a única e esfarrapada desculpa brandida por Sua Excelência (???) foi a de que naquela oportunidade havia “tomado umas e outras” e estava “fora de si” (sic), daí ter falado o que não devia. Assim, a se confirmar a fala do parlamentar, o ex-prefeito teria se aproveitado de uma pessoa em adiantado estado de embriagues a fim induzi-la a fornecer informações que comprometeriam um adversário político (e isso é bastante grave).

A propósito, é de domínio público que o ex-prefeito do Crato é um dos herdeiros de um dos maiores cartórios de Fortaleza (deixado pelo pai para a família) e, conseqüentemente, até por dever de ofício deve saber que qualquer gravação feita sem a autorização da justiça, além de não ter qualquer valor jurídico constitui-se crime grave, passível de punição. E é difícil acreditar (diríamos até impossível) que a Justiça conceda autorização para que uma pessoa física (ou mesmo qualquer autoridade) bisbilhote a vida de quem quer que seja, sem que haja um motivo relevante e de interesse coletivo (picuinhas, então, visando beneficiar-se pessoalmente, nem pensar). Assim, caso se sinta prejudicada, basta que a parte ofendida procure a Justiça em busca da competente reparação, cabendo até a impetração de processo e a conseqüente indenização por danos morais.

Agora, aqui pra nós, independentemente do desenlace de tão lamentável e vergonhoso imbróglio, que só serviu para manchar ainda mais o nome da cidade em nível nacional, o que se pode concluir é que as partes envolvidas (ex-prefeito e diversos vereadores) demonstraram não ter nenhum apreço pela ética, qualquer consideração para com o cargo para o qual foram guindados, nenhum respeito para com os que os elegeram.


Como estamos às vésperas de mais uma eleição, é bom atentar para isso, porquanto já se comenta que o ex-prefeito pretende se candidatar a Deputado, no próximo ano. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

"Mistério" - José Nilton Mariano Saraiva

Terá feito alguma viagem transcontinental e esquecido o danado do notebook em casa ???  Ou estará curtindo “adoidado” a noite parisiense e esquecido do Crato ??? Avançou um pouco e perdeu-se na imensidão da gélida Sibéria ??? Ou empreende uma sofrida escalada ao Monte Everest, objetivando quebrar algum recorde ??? Decidiu se auto-exilar por uns tempos ???  Ou estará com alguma doença que não lhe permite aparecer ???  Terá sido seqüestrado por algum fã incondicional e ardoroso ???  Ou recolheu-se voluntariamente a fim de elaborar alguma obra literária monumental ???  Resolveu dá um tempo, a fim de testar o Ibope ??? Ou foi contratado por alguma organização ultra-secreta, objetivando elaborar uma vacina contra a corrupção ??? Enfim, por onde andará ??? Mas, que mistério danado é esse ???

De concreto, o que se sabe é que já há cerca de quase três meses os “diaristas” dos blogs cratenses “No Azul Sonhado” e “Cariricult” não têm tido o prazer de acessar e se deleitar com os textos fabulosos do conterrâneo Zé do Vale Pinheiro Feitosa, sem favor nenhum (junto com o Zé Flávio Vieira), um dos dois “monstros sagrados” dos blogs caririenses na arte de colocar o preto no branco (e antes que algum apressadinho de plantão emita algum “juízo de valor” equivocado, que fique bem claro: não, não o conhecemos pessoalmente; mas, algum dia vamos ter, sim, tal privilégio).

Fato é que nunca uma ausência foi tão sentida; nunca a constatação de uma ausência foi tão reclamada; nunca foi tão fácil constatar que os dois blogs do Crato perderam em substância e qualidade devido a uma “não presença”.

E como quem promete não pode faltar, tá na hora de voltar, Zé do Vale.    

terça-feira, 5 de novembro de 2013

ADEUS !

MOSTRA SESC / CRATO

CONVITE ENTERRO 

* 1998     + 2013  

O "babaca" - José Nilton Mariano Saraiva

Falastrão e flagrantemente desequilibrado emocionalmente quando sob pressão, o senhor Ciro Gomes viu-se rejeitado pelo povo em mais de uma oportunidade em suas tentativas de ascender politicamente ao cargo majoritário da nação, claro que por achá-lo inabilitado e despreparado para tal mister (já pensou uma figura dessas num foro internacional, discutindo algum tema delicado de interesse da nação).

Assim, retornou ao Ceará, onde o irmão, mandatário maior do Estado e presidente do PSB, arranjou-lhe uma “boquinha” ao nomeá-lo “assessor especial” do partido (sem que até hoje se saiba quais as atribuições pertinentes e o salário pago). Tanto é que, irrequieto por não ter o que fazer e por ter sido relegado ao ostracismo (decerto uma situação dolorida para quem houvera se acostumado às manchetes), forçou a barra e conseguiu ser designado Secretário de Saúde do governo, aonde já chegou fazendo barulho, como se fora o salvador da pátria. Só que, acostumado a mandar e desmandar por onde andou, vem se constituindo uma incômoda pedra no sapato do Governador-irmão, por conta da descabidas interferências que dia-a-dia patrocina, tanto que já há quem questione quem realmente manda no governo, se ele ou o mano querido.

Sua mais recente “travessura” deu-se na cidade do Iguatu, quando o irmão teve a infeliz idéia de incluí-lo na comitiva governamental que cumpriria uma série de compromissos naquela urbe. É que, chegando à cidade antes do governador, deparou-se com uma manifestação de estudantes da Universidade Regional do Cariri-URCA, protestando contra o estado caótico em que se encontra a educação não só naquela universidade como também em todo o estado do Ceará (enquanto vultosas verbas são destinadas a projetos de utilidade duvidosa).

E aí (claro que na tentativa de voltar às manchetes por cima de pau e pedra), o senhor Ciro Gomes deu um jeito de armar seu circo particular: cercado pelos áulicos de plantão e de parrudos seguranças (e eles nunca desgrudam do próprio, estão sempre lá na cola, dispostos a até baixar o sarrafo) bateu boca com os estudantes, chamou-os de “babacas”, investiu contra um deles, tomou-lhe o cartaz que portava e rasgou-o acintosamente, como se fora o “valentão do pedaço”.

Pergunta que se impõe: quem é mesmo o “babaca” dessa história, aquele que de forma democrática exerce seu direito de lutar por melhorias que contemplem todo o universo de uma atividade essencial (como a educação), ou essa figura menor, recorrentemente desequilibrada, que se julga o “messias” do mundo contemporâneo???


Quem é o “babaca” ???   

domingo, 3 de novembro de 2013

5ª GUERRILHA COMEÇARÁ DIA 5 DE NOVEMBRO


5ª GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE
Troféu Juscelino Leal Lobo Júnior
Crato | Cariri | Ceará | Brasil | 5 a 20 de novembro de 2013


PROGRAMAÇÃO GERAL

Trincheira Rua
Praça Siqueira Campos

Dia 5 (ter)
19h – Abertura 
20h – PELEJAS DE UM CORAÇÃO (Livre, 40 min, Grupo Cícera de Experimentos Cênicos, Juazeiro do Norte)

Dia 6 (qua) 
20h – O BAÚ DE HISTÓRIAS (Infantil, 50min, Cia. Arte e Cultura de Teatro, Crato) 

Dia 7 (qui)
20h – APAESHOW - RESGATANDO TRADIÇÕES E VALORES DE NOSSA GENTE (Livre, 50 min, Cia. de Artes da APAE, Juazeiro do Norte)

Dia 8 (sex) 
20h – O BAILE DO MENINO DEUS (Infantil, 50min, Grupo de Teatro Zaíla Lavor, Juazeiro do Norte)


Trincheira Palco
Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva

Dia 9 (sab) 
17h – O BOI DA CARA PRETA (Infantil, 50min, Grupo de Teatro Zaíla Lavor, Juazeiro do Norte)
19h – O HÓSPEDE (12 anos, 50min, Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte)
20h30min – QUANDO AS GALINHAS GEMEM (14 anos, 40min, Grupo Teatro em Película / Núcleo Cariri, Crato)

Dia 10 (dom)
17h – PIMPÃO, O PALHAÇO TRAPALHÃO (Infantil, 50min, Cia. Kanoistraveisdinovo de Teatro, Crato) 
19h – A DONZELA E O CANGACEIRO (Livre, 60min, Cia. Brasileira de Teatro Brincante, Crato)
20h30min – MARCAS (12 anos, 50min, Trupe dos Pensantes, Crato)

Dia 11 (seg)
19h – A COMÉDIA DA MALDIÇÃO (Livre, 60min, Cia. Brasileira de Teatro Brincante, Crato)
20h30min – REMINISCÊNCIAS (16 anos, 60min, Grupo de Teatro Ganimedes, Juazeiro)

Dia12 (ter)
19h – O EVANESCENTE CAMINHO (12 anos, 50min, Cia. Engenharia Cênica, Juazeiro)
20h30min – MEMÓRIAS DE UM CABARÉ (12 anos, dança-teatro, Cia. de Dança Vidar’t, Projeto Nova Vida, Crato)

Dia 13 (qua)
19h – ESPERANDO COMADRE DAIANA (Livre, 60min, Cia. Livremente de Teatro, Juazeiro) 
20h30min – MAIS PERTO (14 anos, 50 min, Grupo de Teatro Centauro, Crato) 

Dia14 (qui)
19h – AVISEM QUE FAZ MAL (14 anos, 50min, Coletivo Dama de Vermelho, Juazeiro) / QUERO COMER SEU CORAÇÃO (14 anos, 50min, Grupo de Teatro Duavesso, Crato) 

Dia 15 (sex)
17h – LINDO BALÃO AZUL (Infantil, 40min, Grupo de Teatro Centauro, Crato) 
19h – MALENTENDIDO (14 anos, 50min, Cia. Kanoistraveisdinovo de Teatro, Crato) 
20h30min – AS IRMÃS CASTANHOLAS (12 anos, 80min, Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, Juazeiro do Norte)

Dia 16 (sab)
17h – A LIÇÃO MALUQUINHA (Infantil, 50min, Grupo Ninho de Teatro, Crato) 
19h – E AGORA NÓS? (12 anos, 50min, Grupo Teatral Loa, Fortaleza) 
20h30min – # HAMLET MÁQUINA (18 anos, 50min, Grupo Plantas Embaixo do Aquário, Crato) 

Dia 17 (dom)
17h – O REINO MALUCO DE BRANCA DE NEVE (12 anos, 50min, Cia. Mandacaru de Artes e Eventos) 
19h – OS 3 PORQUINHOS (Infantil, 50min, Cia. Teatral Anjos da Alegria, Crato) 
20h30min – UMA ÚLTIMA VEZ (18 anos, 65min, Cia. Arte e Cultura de Teatro, Crato) 

Dia 18 (seg)
19h – QUANDO NOS ENCONTRAMOS FOI TARDE DEMAIS (14 anos, dança-teatro, 50min, Grupo Cícera de Experimentos Cênicos, Juazeiro do Norte)
20h30min – EMBRIAGADA (14 anos, 50min, Cia. Teatral Moreira Campos, Fortaleza)

Dia 19 (ter)
19h – (S)EM MIM (14 anos, dança-teatro, 40min, Inspire Espaço de Dança, Juazeiro do Norte)

Dia 20 (qua)
19h – O MENINO FOTÓGRAFO O MENINO FOTÓGRAFO (10 anos, 50min, Grupo Ninho de Teatro e Cia. Engenharia Cênica, Crato e Juazeiro)
20h30min – RETRATO (Livre, 50min, Cia. Yoko de Teatro, Crato) 


POLÍTICA CULTURAL E FORMAÇÃO
Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva

RODA DE CONVERSA
- POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A CULTURA NO CONTEXTO DA GUERRILHA
Dia 6 (qua), 15 às 17h (Com Cacá Araújo | Ação Pró-Cooperativa de Artes Cênicas do Cariri) 


MESA REDONDA
- LEGISLAÇÃO DO ARTISTA E AÇÃO SINDICAL
Dia 9 (sab), 15 às 17h (Com Oscar Roney e Itami de Morais | SATED-CE) 

OFICINAS
- CANTO, CENA, CORPOMENTE – PREPARANDO O ATOR/BAILARINO/CANTOR 
De 6 a 10, das 15 às 18h (15h/a | Coordenação de Márcio Rodrigues)
- PERFORMANCE: O CORPO COMO ELEMENTO DE REFLEXÃO SOCIAL
Dia 7 (sex), das 14 às 17h (03 h/a | Com Alexandre Lucas | Coletivo Camaradas)
- AQUILO QUE EU LEMBRO FAZ CORPO EM MIM: OUVINDO A VOZ DOS MOVIMENTOS CORPORAIS
Dias 15 e 16, das 14 às 18h (08 h/a | Grupo Cícera de Experimentos Cênicos) 


RELEASE:

A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um evento reconhecido no calendário da cultura nordestina e de profunda significação para o desenvolvimento das artes cênicas no Cariri cearense, fruto que é da vitalidade e pujança das companhias aqui sediadas. 

Realizamos quatro edições (2009, 2010, 2011 e 2012), mobilizando, incluindo e difundindo quase duas centenas de espetáculos de teatro, dança e circo, produzidos e realizados por cerca de 30 companhias em funcionamento na região e prestigiados por milhares de espectadores de todas as idades. Em 2013, com 32 espetáculos que traduzem o talento dos artistas caririzeiros, mais uma vez faremos brilhar os céus de nossas almas. 

Somos um movimento de afirmação e resistência cultural que procura estimular e fortalecer a produção regional em artes cênicas, valorizando artistas e grupos locais como importantes na consolidação da nossa identidade e preparando a região para intercâmbio que não exclua o valoroso patrimônio cênico de nossas gentes.

Cacá Araújo
Idealizador e Coordenador da Guerrilha do Ato Dramático Caririense

sábado, 2 de novembro de 2013

O "berço" - José Nilton Mariano Saraiva

Inserta lá no meio dos versos de Joaquim Osório Duque Estrada, que alfim compõe o Hino Nacional Brasileiro, a frase aparentemente inocente e comodista - “deitado eternamente em berço esplêndido” - durante muito tempo serviu para que os pessimistas de plantão tratassem de afinar o discurso negativista, tentando ridicularizar e achincalhar o próprio país, porquanto retrataria com fidelidade uma espécie de “estado de espírito” omisso e acomodado dos seus dirigentes. Daí a perspectiva de um futuro desalentador e sombrio, profetizavam. Só que, ao longo dos anos, trabalhando com denodo e em silencio, nos bastidores, o Governo Federal paulatinamente conseguiu inserir o país no tabuleiro desenvolvimentista, via projetos bem estruturados, criteriosos e consistentes (inclusive apoiando de forma decisiva a iniciativa privada), daí o Brasil figurar, hoje, como um dos cinco emergentes que no futuro (que tá logo ali na esquina) se firmará, sim, como uma potência mundial. Pois bem, nessa bendita arrancada que já iniciamos rumo ao primeiro mundo, um dos insumos basilares que faz a “roda girar” é, sem sombra de dúvida o petróleo (apropriadamente cognominado “ouro negro”) em razão da miscelânea de utilidades que incorpora, daí sua conseqüente e necessária presença em tudo que represente alavancagem, progresso, desenvolvimento. Em qualquer idioma e rincão do planeta Terra. E então, “fiat lux”: por obra e graça do petróleo, no Brasil houve como que um despertar repentino, de sorte que o “deitado eternamente em berço esplêndido”, tão criticado e achincalhado pelos negativistas, se transfigura e nos apresenta uma outra conotação, um outro horizonte, uma outra faceta: sim, senhores, nosso país literalmente repousa, desde tempos imemoriais, num portentoso reservatório de petróleo, que poderá transformá-lo num dos maiores produtores-exportadores do produto, com tudo de bom que isso representa. É que a competente estatal brasileira Petrobrás, expertise na exploração em águas profundas, depois da descoberta de imensas reservas petrolíferas nas profundezas oceânicas do pré-sal (Bacia de Campos), agora anuncia um outro feito capaz de nos catapultar rumo ao primeiro mundo, verdadeiro passaporte para se adentrar no seleto grupo de países preferenciais: o recém-descoberto campo de Libra guarda algo em torno de impressionantes 15 bilhões de barris de petróleo (como se não bastasse, logo após a descoberta de Libra, aquela estatal e o governo de Sergipe anunciaram a descoberta de uma monumental nova reserva do mineral, no litoral de Sergipe-Alagoas, ainda maior em termos de área (2.418,77 Km²) do que a de Libra. Claro que a extração de toda essa riqueza do fundo do oceano é por demais complicada e onerosa, mas não faltarão parceiros dispostos a alocarem os recursos necessários, via aceitação da “partilha” proposta pelo governo brasileiro (que ficará com 75% do que for extraído) daí a tendência a que nos tornemos um dos maiores produtores-exportadores de petróleo. E inquestionáveis serão os reflexos na alavancagem desenvolvimentista e sustentável propiciada. Fato é que, se vivíamos “deitado eternamente em berço esplendido” (mesmo tendo como colchão um mar de petróleo), agora o gigante não só despertou, mas levantou, e tende a ocupar lugar de destaque no conceito das nações. Evidentemente nossa geração não alcançará o apogeu disso tudo, mas, olhando em termos macros, nos conforta saber que nossos descendentes (filhos, netos) hão de usufruir das benesses de um país que o mundo há de respeitar. Alguém duvida ???

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Tá Russo !



J. FLÁVIO VIEIRA


                               Jonathan Swift ( 1667-1745)  , escritor irlandês, viveu naquele período que antecedeu, diretamente à Revolução Industrial.  Vivendo em Londres, testemunhou a cidade se apinhando de pobres diabos , em meio às profundas migrações do meio rural para uma ainda nascente metrópole. Juntos se avolumavam  todos os problemas de ordem sanitária, habitacional, econômica  que, inclusive, tinham dizimado grande parte da população , na Grande Peste de Londres, um ano antes do nascimento do escritor. Swift foi, certamente, um dos maiores sátiros da Literatura Universal. Em 1729, ele escreveu uma das suas pérolas : Uma modesta proposta para prevenir que, na Irlanda, as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país e, para as tornar benéficas para a República”. No folhetim, Swift propunha, vendo a terrível situação de mendicância das crianças dos humildes  no Reino Unido,  que elas fossem vendidas a peso, por volta de uma ano de idade, e transformadas em carne para consumo humano. Segundo sua tese , os benefícios seriam enormes : a tenra carne de criança, teria grande aceitação; os rendeiros mais pobres, cheios de filhos, teriam um grande capital a negociar; pela grande quantidade de pequerruchos a serem postos no mercado, haveria uma grande injeção de capital, no país; seria ainda um grande incentivo ao casamento, já que os filhos vindouros renderiam grana; aumentaria o cuidado das mães pelos filhos, antevendo o lucro; os homens passariam a gostar tanto de suas mulheres na gravidez, quanto das suas éguas prenhes e , muitas outras vantagens são citadas, corroborando a tese aparentemente estapafúrdia do autor. Swift, de forma drástica, queria denunciar a terrível situação social  numa Londres e Irlanda  com olhos fitos , diretamente, no capital e no seu lucro. Deixar os bebês morrerem de moléstias, fome e inanição, seria menos perverso do que fazer valer sua Proposta ?
                               Lembrei Swift, amigos, justamente porque, justamente 284 anos após sua autodenominada “Modesta Proposta”, apareceu, no Brasil, um discípulo do mestre Irlandês. Em Piraí, Rio de Janeiro, o vereador Paulo Carvalho de Oliveira, conhecido popularmente por “Russo”, apresentou um projeto polêmico na Câmara. Propõe, abertamente, cassar o voto dos moradores de rua. Em discurso inflamado na tribuna defendeu sua teoria, com veemência :                                            -- "Mendigo não tem que votar. Mendigo não faz nada. Ele não tem que tomar atitude nenhuma. Eu não dou nada para mendigo. Não adianta me pedir que eu não dou. Se quiser, vai trabalhar”.  
                               Em seguida, olhos esbugalhados, babando pelos cantos da boca,  citou o texto que, como por encanto, o pôs numa máquina do tempo e o aproximou de Swift que dorme , há três séculos na Capela de São Patrício em Dublin :
                               ---  “Aliás, acho que mendigo deveria virar comida para peixe !”
                               Definitivamente, as nossas Câmaras de Vereadores andam passando por momentos difíceis. A de Juazeiro mereceria ser barrida do mapa e a de Crato poderia, sem grandes problemas, ser transformada numa Casa de Leilões. Quem dá mais ?
                               Na visão do Russo , mendigo não é gente, enfeia a cidade, não quer trabalha, e não pode exercer seu direito de cidadão, mesmo de última classe. E ele, inclusive, tem uma espécie de Solução Final para o problema, inspirado mesmo de viés, no grande escritor irlandês. Na verdade, Paulo Carvalho tem, pasmem todos, uma visão que não é muito diferente de muitos e muitos meninos de classe média alta deste país e que já se haviam  antecipado na resolução desta crítica mancha  urbana, quando tocam fogo nos pedintes que dormem nas praças públicas  e  criaram um prato especial : o indigesto  “Churrasco de Mendigo”.
                               Observando bem, Paulo de  Carvalho e Swift estão separados não só por três séculos. A proposta do vereador de Piraí , por incrível e absurda que possa parecer, é real, saiu da sua cabeça como verdade e necessidade insofismáveis. E mais, ele não está sozinho, ele representa um enorme segmento da nossa mais refinada sociedade. Este grupo entende os mendigos como a borra , a lama da sociedade e que só servem para poluir visualmente as cidades. Os eleitores de Carvalho defendem pena de morte e, para eles,  a pobreza é sinônimo de preguiça e de furto. Swift, como todo grande artista, montou sua sátira para alertar uma Sociedade adormecida das profundas injustiças sociais que pululavam à sua frente. Paulo de Carvalho apresenta uma tese que orgulharia Eichmann , Mengele e Hitler.
                               O vereador poderia, muito bem, se preocupar com os terríveis e milenares problemas que continuam devastando a humanidade. Este outro, Paulo, já está resolvido. Todos nós, Russo,  eu,  você e os mendigos que você pretende dizimar, temos um banquete marcado prá daqui a pouquinho. E seremos servidos  todos como prato principal, não aos peixes, meu amigo, mas aos vermes.

Crato, 01/11/13

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"A hora é agora" - José Nilton Mariano Saraiva

Tão brincando com fogo. E a experiência ensina que quem brinca com fogo tende a queimar-se (cedo ou tarde). Principalmente quando impera a falta de cuidados, os excessos, a afobação, enfim, o desrespeito ao bom senso e às leis. A reflexão acima tem a ver com as tais manifestações que se espraiam pelo país desde junho passado. Manifestações que, se pacíficas, ordeiras e com objetivos definidos, encontram respaldo no próprio texto constitucional (tanto que o Governo tem, via polícia militar dos Estados, na medida do possível, se limitado a proteger seus integrantes ao longo das caminhadas). Mas que perdem tal respaldo a partir do momento em que seus integrantes confundem liberdade com libertinagem, democracia com anarquia. Afinal, esconder-se atrás de uma máscara objetivando atentar contra o patrimônio público e privado (depredando a torto e a direito), impedir o ir e vir das pessoas, agredir os que tentam manter a ordem, bloquear vias importantes por onde escoa a produção nacional e por aí vai, não é bem um “ato democrático”. Exemplificancdo: a rodovia Raposo Tavares é uma das principais do estado de São Paulo, por onde trafegam milhares de veículos diariamente; não só automóveis particulares e o transporte público, mas, principalmente, caminhões e carretas que transportam cargas para os mais diversos rincões do país. Ou seja, a Raposo Tavares é um dos importantes corredores por onde se processa o “giro da roda” - a movimentação da economia do país. Eis que, de repente (e a televisão mostrou ao vivo), a Raposo Tavares literalmente parou em razão de um quilométrico e monumental congestionamento, em pleno dia útil. É que, mais à frente, obstruindo-a e provocando tal confusão, doze (12) pessoas (sim, senhores, apenas doze solitários “manifestantes”) se acharam no direito de parar a maior cidade do país, via protestos contra a falta de moradia. Já na rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte, cerca de 90 pessoas impediam o ir e vir de quem quer que seja, ao tempo em que incendiavam caminhões e ônibus, em protesto pela morte de um adolescente de 17 anos por um policial militar. Fato é que, se agora o Governo Federal não tomar uma decisão dura o suficiente para se fazer respeitar (tolerância zero, via intervenção da Força de Segurança Nacional), os tais manifestantes sentir-se-ão à vontade para deflagrarem um movimento anárquico de inimagináveis proporções. E o objetivo maior, sabemos todos nós, é levar a anarquia até o ano 2014, quando o Brasil estará na mídia mundial em razão da realização da Copa do Mundo e das eleições presidenciais. E aí, as manifestações de junho de 2013 serão consideradas “fichinha”, “café pequeno”, ante os estragos que pretendem implantar, já que desmoralizando o Governo e o próprio país ante a comunidade internacional. Urge, pois, que o Governo Federal entre pra valer no embate, antes da chegada definitiva do caos. A hora é agora.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

"Ronda" - José Nilton Mariano Saraiva

A partir do momento em que o Governo do Estado do Ceará se decidiu pela criação do programa “Ronda do Quarteirão” (espécie de tropa de elite da polícia militar) visando combater com mais eficiência a bandidagem (segundo a propaganda oficial), uma medida causou estranheza: sob o pífio argumento de que as prováveis perseguições de marginais deveriam ser feitas por carros potentes e rápidos, os veículos a serem utilizados pelos policiais seriam de uma só marca, com tração 4 x 4 e cilindrada 2,7. E aí se descobriu a cereja no bolo: a Toyota era a única marca que atendia àqueles requisitos e a Newland, revendedora de tal marca em Fortaleza a beneficiada, a quem também caberia a manutenção (caríssima) de toda a frota, por tempo indeterminado. Hoje o programa “Ronda do Quarteirão”, se constitui numa espécie de calcanhar de Aquiles do Governo do Ceará, porquanto criticado por gregos e troianos, além do que seus integrantes não teriam recebido o tratamento adequado para manobrar equipamento tão sofisticado, daí as constantes quebras e, conseqüentemente, em constante manutenção nas oficinas da Newland (afinal, única beneficiária). Ainda assim, independentemente das críticas e do pífio resultado alcançado, o Governo do Estado do Ceará houve por bem abrir licitação para a compra de nada menos que 400 (quatrocentos) novos carros, a serem incorporados à frota. E aí surgiu um problema: desta vez, a General Motors (Chevrolet), que houvera fabricado um carro com as mesmas qualificações da Toyota, foi a montadora vencedora da licitação, já que com um melhor preço. E aí, estranhamente, usando de um artifício capaz de suscitar dúvidas, o Governo do Estado do Ceará houve por bem desclassificá-la, sob a alegativa de que os novos carros deveriam ter a cilindrada de 3,0 e não mais 2,8, como na licitação anterior. Isto posto, o carro escolhido foi o mesmo (Toyota), a revendedora a mesma (Newland), que ficará responsável pela manutenção da frota. O prejuízo para os cofres público será da ordem de R$ 10,0 milhões (o suficiente para comprar 63 carros a mais), daí o Tribunal de Contas do Estado já ter sido acionado pelo aguerrido Deputado Heitor Ferrer. Mas, como naquela corte o Governo manda e desmanda o contribuinte não deve alimentar expectativa de que a coisa seja mudada. Agora, aqui pra nós, bem que poderiam nos informar qual o percentual da comissão que a Newland tá disponibilizando para ter tantos privilégios.

sábado, 26 de outubro de 2013

"Biografias" - José Nilton Mariano Saraiva

“Biografias” – José Nilton Mariano Saraiva
Mas...afinal, biografias devem ou não ser autorizadas ???
O bafafá a respeito nos remete a uma entrevista concedida pelo jornalista Lira Neto, depois que colocou no mercado, em 2009, a volumosa (e cara) biografia que produziu enfocando Cícero Romão Batista (são mais de 500 páginas).
Pois bem, após narrar o conceito “objetivo” da Igreja Católica a respeito (tanto que na prática redundou na expulsão do sacerdote das suas hostes), bem como as “subjetividades” dos fanáticos adeptos (tanto que sem nenhuma comprovação dos pretensos milagres), aquele jornalista foi instado a pronunciar-se se acreditava realmente na ocorrência do tal “milagre da hóstia”.
Depois de tergiversar, gaguejar, pigarrear, Lira Neto diplomaticamente tirou o braço da seringa ao afirmar que àquela época, lá (em Juazeiro) houvera acontecido “alguma coisa”, mas que não poderia precisar o quê. Ou seja, até o biógrafo levanta dúvidas a respeito da veracidade da informação que acabara de divulgar.
Sem dúvida, uma ducha de água fria nos adeptos de Cícero Romão Batista, que aguardavam um depoimento incisivo e contundente de sua parte, confirmando a sua convicção a respeito, afinal não manifestada.
Assim, o houvera acontecido “alguma coisa”, do biógrafo Lira Neto, deixa a porta entreaberta para que livremente trafegue versões outras e mais consistentes, inclusive e principalmente a da própria Igreja Católica, segundo a qual o tal “milagre da hóstia” não passou de uma grotesca farsa, desbragado charlatanismo (tanto que seu “arquiteto-idealizador” foi sumariamente desautorizado, excomungado e expulso da instituição).
Particularmente, entendemos que ancorados no generoso e amplo sentido embutido no conceito “liberdade de expressão”, ninguém tem o direito de sair por aí devassando a vida de outrem, sem prévia autorização, já que objetivando puramente fins mercantilistas.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A mala e a alça




J. Flávio Vieira

                               Tardezinha. Beira de praia. O sol sangra distante ao som rítmico das ondas que se espedaçam na areia . Preamar. De quando em vez,  o chuá-chuá mântrico é entrecortado pelo agudo grito das garças riscando os céus. A moça sentara-se num banco e observava tudo, atentamente, como testemunha privilegiada,  o espetáculo. A paz e a beleza do mundo como que se transportavam para dentro dela: arrefeciam um pouco seus muitos conflitos interiores, como se lançassem água fria na fervura. De repente, um menino se aproxima da mocinha. Carregava lá seus dez anos distribuídos num corpo franzino, bronzeado,  vigiados por olhos vivíssimos. Trazia , embaixo do braço, uma pequena tabuleta onde prendera um pedaço de cartolina e, na outra mão, um crayon. Ela percebeu, claramente, pela conversa que se seguiu, que a necessidade o havia apeado cedo da inocência e das fantasias infantis. Parecia uma fruta que se tivesse colocado no carbureto pra antecipar o amadurecimento.
                               --- Moça, você não quer que eu pinte seu retrato ? São só dez reais e vai ficar muito bonito !
                               Por baixo da cartolina branca, trazia , então,  vários modelos já pintados anteriormente e que usava como publicidade. Apresentou-os pausadamente à cliente. A mocinha, de início, resistiu à investida, mas o menino carregava muitas artimanhas e técnicas de sedução.
                               -- Dez reais não é nada!  A senhora é tão bonita  que eu devia era fazer de graça !  Juro que pintaria,  se não estivesse precisando pagar uma continha na barraca  ali de seu Anfrízio!
                               De alguma maneira,  o garoto sabia que a beleza da paisagem, àquela hora,  imantava  todos de um sentimento de permanência, de eternidade. Como se o crayon tivesse a capacidade de tornar sólido,  o etéreo daqueles instantes,  fossilizar a efemeridade daquele momento mágico. Talvez, por tudo isso, a mocinha tenha acedido.
                               --- Tá certo ! Mas quero sair linda, viu ?
                               O pintor sentou-se no chão,  diante da moça refestelada no banco e, rápido, começou a esboçar os contornos do rosto, tendo no segundo plano:   algumas nuvens e um projeto de lua cheia.  Usava os dedos e o dorso da mão para espalhar, aqui e ali,  a tinta e uma borracha para eventuais correções. Conhecia os mistérios da profissão e percebia que toda mulher, nesse mundo, se acha mais bela do que aparenta. Entendia, pois, na sua psicologia pictórica, que a interatividade com a modelo é, sempre,  essencial no  resultado final.
                               --- Moça, seu rostinho é meio redondo, você não prefere que eu alongue um pouco ?  Acho que fica mais bonito!
                               --- Alongue, meu filho, tenho um complexo danado dessa cara de lua cheia...
                               O pintor , freneticamente, como um Pollock tupiniquim, esparramava a tinta na cartolina enquanto , meticulosamente, ia indicando possíveis correções que podiam melhorar a arte final.
                               --- Essa cicatrizinha no queixo, não é bom tirar ?
                               --- Tire, isso foi de um acidente que quero esquecer!
                               --- Se eu aumentar um pouco o busto, você vai ficar mais sensual !
                               --- Pois aumente !
                               --- Seu narizinho é charmoso, mas é um pouco chato. Posso arrebitar ?
                               --- Arrebite, vá lá ! Você presta atenção em tudo, né ?
                               --- Seu cabelo tá curtinho, acho que ficava mais legal se a gente botasse um pouco mais de volume, cobriria  mais suas orelhas que são um pouco cabanas...
                               --- Pois avolume,  eu quero é ficar melhor ! Já que não posso fazer  plástica, ao menos no retrato é possível, né ?
                               Em poucos minutos , com movimentos cada vez mais rápidos e sincronizados, o menino finalizou a obra. Assinou num cantinho : “Juvenal” e, logo abaixo, datou: “2013”. A menina observou, detalhadamente,  o quadro e gostou do que viu. Ali estava  justamente como gostaria de ser, sem um defeito sequer: linda, deslumbrante, poderosa, com um sorriso pendendo nos lábios. Pagou, elogiou o trabalho do artista e saiu para casa levando sua relíquia debaixo do braço. No outro dia,  mandou botar no quadro , com uma moldura antiga e dourada  e um passe-partout  bege.  Afixou  na sala de jantar,   logo acima do divã azul.  
                               Os dias se passaram e a menina começou a encafifar. O retrato lá estava lindo e deslumbrante, todo visitante admirava-se da beleza da obra, mas ,invariavelmente, seguia-se a pergunta fatídica;
                               --- Quem é ? Sua irmã? Uma prima ? Sua tia ?
                               De tanto responder e explicar, cansou. Resolveu tirar o quadro da parede. Chegou à conclusão que nós somos nós , não só por nossas qualidades, mas também por nossos defeitos.  Sem a alça,  a mala poderia  ser até mais bonita  e simétrica, mas seria apenas uma caixa. As pretensas deformações que nos tornam mais feios são , justamente, aquelas que nos dão a identidade , que terminam nos fazendo diferentes e únicos.

Crato, 24/10/13
                              

Geraldo Junior - Warakidzã (Álbum Completo) [Full Album]


Quer ouvir tudo de uma vez?! Pois pega a ficha técnica aí também!

Geraldo Junior - Álbum Warakidzã 2011/2012

01 Mitologia Cariri Música: Geraldo Junior e Grupo / Texto: Rosemberg Cariry

“Afirma a tradição que o Cariri era o território mítico de Badzé – o deus do fumo e civilizador do mundo. No princípio era a Trindade: Badzé era o Grande - Pai, Poditã era o filho maior, que ensinou aos índios a reconhecer os frutos, a caçar animais, a fazer farinha de mandioca, a preparar utensílios de uso cotidiano, a dançar, a cantar e a fazer os rituais de pajelanças, e Warakidzã (senhor do sonho), o filho menor. Os dois irmãos habitavam a constelação de Órion.”

Extraido do texto: O CARIRI CEARENSE – A nação das Utopias, de Rosemberg Cariry
Geraldo Junior – Voz, efeitos e flauta
Eduardo Karranka - Guitarra
Marco Bz – Efeitos e vibratone

02 Treme-Terra (ou Grito de Guerra) Geraldo Junior

Cada dia é mais um dia de mistério
Sei que vai ficar mais sério
Vamos ter de conversar
Sobre o destino de tudo
As nossas vidas o mundo
Pois sem amor
Onde é que as coisas vão parar?

Esse teu beijo é pecado na boca de quem lhe roubou
Esse teu cheiro me invade lembrando o que passou

Até parece saudade
Nem posso acreditar
Que ainda penso em você
Depois de tanto penar

Essa paixão é canção de louvação ao passado
Essa paixão é zabumba, dançado improvisado
É uma pareia de pife tocando bem afinado
É um chiado de prato num contra tempo danado
Meu peito é paixão, é revolução
Minha voz canção, é grito de guerra
Descendo a serra, subindo ladeira
Fazendo zoeira, em meu peito se encerra
Levanta poeira amor treme-terra

Ainda penso em você

Geraldo Junior – Voz, triângulo e flauta
Beto Lemos – Viola, zabumba e vocal
Ranier Oliveira – Piano e orgão elétrico
Filipe Müller – Baixo
Gabriel Pontes – Flauta
Eduardo Karranka - Guitarra
Cláudio Lima – Bateria

03 Meu Canarinho, Minha Beija-Flor Domínio Público
* Peça de Reisado e Guerreiro Caririense

04 Canção pra o Beija-flor Geraldo Junior

Hoje eu vou cantar
Para o meu amigo beija-flor
Que deixou seu ninho
E não mais voltou

Saiu a voar pelo mundo
Buscando sua linda flor
Mil beijos não seriam ainda
Capazes de curar sua dor

Ah! Meu peito a mil por hora
Beija-flor eu tenho tua sina
A flor que tem meu amor
Meu beijo provou e sumiu pela vida

A flor que tem meu amor meu beijo roubou

Geraldo Junior – Voz e triângulo
Beto Lemos – Viola e ganzá
Ranier Oliveira – Sanfona e vocal
Filipe Müller – Violão e vocal
Eduardo Karranka - Guitarra
Cláudio Lima – Bateria e vocal
Baixo Fretless e vocal – Marcelo Müller

05 Mais Tarde, Mais Forte Abdoral Jamacaru

Tudo tem tempo de ser
E quando um grito custa a nascer
Se atira além do horizonte
Viaja nos quatro ventos

Estala que nem chicote
Ressoa muito pra pouco chão
Dói, lateja, explode
E voa sem direção

Dói na canção
Dói no refrão
Tem força de água de cheia
Que cai no mar e passeia

Tem madrugada morrendo
Tem aurora raiando
Tem noite parindo o dia
Novo grito sangrando

Geraldo Junior – Voz e triângulo
Beto Lemos – Viola e mineiro
Ranier Oliveira – Orgão elétrico
Filipe Müller – Baixo
Gabriel Pontes – Sax tenor
Eduardo Karranka - Guitarra
Cláudio Lima – Bateria e vocal

06 Força e Poder Geraldo Junior

Eu não tenho força pra te domar
Mas eu tenho poder pra te conquistar!

Teus dias se vão como
Fossem estrelas cadentes
Teu sorriso é de repente
Quase nem pra sonhar
Teu ciclo é lunar
Tua história é diferente
Mesmo assim sei que agente
Segue num mesmo caminho
Entre rosas e espinhos
Teus desejos de mulher

Me azunhe, me devore
Quero ser os teus instintos
Só assim tudo o que sinto
Poderá te realizar
Mas enquanto eu cantar
Com teu cheiro em minha mente
As palavras simplesmente
Vão rasgar toda incerteza
Com você não há tristeza
Entre nós não há mistérios

Geraldo Junior – Voz
Beto Lemos – Viola, violoncelo e vocal
Ranier Oliveira – Piano elétrico
Eduardo Karranka – Guitarra
Gabriel Pontes – Sax soprano
Cláudio Lima – Bateria
Baixo Fretless – Marcelo Müller

07 Vou no Vento Música: Abdoral Jamacaru / Letra: Cláudia Rejane

Ô maninha eu vou num vento
Pra chapada do Araripe
Vou fazer uma cantiga
Vou passear por ali
Adentrar naquela fresta
Que os espíritos da floresta
Deixaram no Cariri

Trago a sede de esperança
Um baú pra colher paz
Quero ver na mata a dança
Cada habitante de ti
Será um irmão a mais
O teu chão será meu pai
E a floresta minha mãe

Geraldo Junior – Voz, trompete, ganzã, surdo e vocal
Beto Lemos – Viola, violoncelo e vocais
Filipe Müller – Baixo
Gabriel Pontes – Sax soprano
Eduardo Karranka – Guitarra
Cláudio Lima – Bateria e vocal
Jonas Correa – Trombone

08 Ancestrais Geraldo Junior

Ela me dará outra canção?
Meu peito involuntário se contrai
Aguardando em paciência e oração
Ela me consome o coração

Mas o que construí
Não se desfez
Não se desfaz
E ha de não se desfazer jamais!

O passado, os ancestrais
Deuses tortos
O Horto, um cais.
Da igreja da sé à matriz do juazeiro
É o caminho de um mundo inteiro

A partida, a chegada
O reencontro, o confronto
O crescendo na orquestra!
Eu fico tonto.

Me prometeste uma existência longa e de prazer
Viver o amor, a bel felicidade
Warakidzã, o sonho, o rito de passagem
Rompendo os ciclos de nossa imortalidade

Que nos atrai
E se refaz
E nos disfarça
Só para nos reconhecermos mais
Ancestrais!

Minha menina, te dou tudo o que quiser
Porque por ti, conheço o perfume da flor
Sou cariri minha sina me fez cantador 
Vi a mãe d’água! Sei teus segredos, mulher!

Geraldo Junior – Voz, flautas e vocal
Beto Lemos – Viola e violoncelo
Filipe Müller – Baixo
Gabriel Pontes – Sax tenor
Eduardo Karranka - Guitarra
Cláudio Lima – Bateria e vocal

09 Bendito da Virgem do Rosário Domínio Público
* Bendito cantado pelos penitentes do Sítio Cabeceiras de Barbalha CE

10 Asa Quebrada Geraldo Junior

Estou de asa quebrada
Meu canto pende
Meu desejo era voar
No imenso da tarde
Para te encontrar

Tanto já aconteceu
Foi um milagre
Um sonho no Juazeiro
Movendo montanhas
E um vale inteiro

Pois só o amor nos livra de todo pecado

Aquela nossa história
Varou o tempo e se perdeu
Quem sabe já estávamos juntos
E nem nos demos conta
Conta por conta
Um dia agente se encontra
Seguirei essas candeias

Se não agora, dia de finados
Amor penado
Se não então, te dou louvores
Na romaria da Mãe das Dores
Essa canção correrá toda a cidade
Vencendo toda maldade
Pra só restarem os amores

Geraldo Junior – Voz
Beto Lemos – Viola e vocais
Eduardo Karranka - Guitarra
Ranier Oliveira – Sanfona e vocal
Filipe Müller – Violão e vocal
Cláudio Lima – Bateria e vocal
Baixo Fretless e vocal – Marcelo Müller

11 Seis Cordas Luiz Fidelis

Quem tem uma viola só chora se quiser
São seis cordas pra amarrar uma mulher

E depois prender dentro do seu coração
Pra depois calar a boca do violão
Os maus olhos derrubam qualquer paixão

Morena faceira do cabelo cacheado
Seu laço de fita já laçou o meu olhado
E agora quero ser seu namorado

Geraldo Junior – Voz e triângulo
Beto Lemos – Viola e vocal
Eduardo Karranka - Guitarra
Cláudio Lima – Bateria e vocal
Kiko Horta – Acordeon
Baixo – Fábio Mesquita
Joana Queiroz – Clarinete
Diogo Jobim – Sintetizador Kaossilator 

12 Marcha de Reisado / Perguntai como se Chamas / Tanta Flor, Tanta Beleza / Reisado é Bom Domínio Público
* Peças de Reisado e Guerreiro Caririense

Perguntais como se chama
É tão galante o menino
Eu me chamo rei dos peixes
Jesus, cordeiro divino

Levanta, Pedro alevanta
Dessa cadeira divina
Pergunta a nossa senhora
Se tem santo na matriz

São Pedro se alevantou-se
Procurou o santo e não via
Nossa senhora chorava
Quando o divino saía

Tanta flor, tanta beleza
A flor mais mimosa é a minha
Meu reisado se conhece
Pelo som da violinha

Reisado é bom
Reisado foi minha infância
Ainda hoje eu tenho lembrança
Do Reisado que eu brinquei

Chegou a vez
Eu hoje vou recordando
E a velhice desmanchando
O que a mocidade fez 

Geraldo Junior – Voz, ganzá, triângulo e vocais
Eduardo Karranka - Guitarra
Beto Lemos – Viola, violão, rabeca, violoncelo, zabumba, tarol e vocais

13 A Alma Afoita da Revolução Geraldo Junior
* Poesia declamada: Vigília - Livro “Romeiros” de Oswald Barroso

É meio dia, é sol a pino
Eu já transpiro e vou dizer! 

O meu lamento não tem história
Não tem memória, o mundo não se acabou
Daí por diante segui pensando
Não acabou, mas está se acabando

No meio dia de um vinte e três de junho
Uns quatro anos depois do final dos tempos
Tanto calor mexeu com a minha cabeça
Eu estou vendo! Quase não me arrependo

Lá vem a banda, talvez seja uma miragem
Dobrado e marcha, mas parece um funeral
São deserdados, esqueléticos soldados
Numa parada, um desfile ou coisa igual

Não tem beleza, a miséria em suas faces
Verdade e lenda se ajuntaram num só hino
Vão celebrando vitórias que nem sei se temos
O purgatório já não cabe um nordestino

Pro fim da vida até que morte nos ampare
Será que existe pra esse mundo uma salvação
Se não, eu fico aqui vagando pelo tempo
Com minha alma afoita por revolução 

Geraldo Junior – Voz e triângulo
Beto Lemos – Viola
Filipe Müller – Baixo
Gabriel Pontes – Flauta
Eduardo Karranka - Guitarra
Cláudio Lima – Bateria e vocal
Jefferson Gonçalves – Gaita

14 Rainha do Maracatu Geraldo Junior

Deusa da rua
Moreninha cor de fogo
Às vezes muito, me fazendo pouco
Rodava a saia, me deixava louco

E no seu passe de maracatu
Girava o mundo com calma
E minha alma quando quase apagava
Ela voltava, mas, só me olhava

Ainda vou contar meus segredos
Eu mostro a ela o toque do meu tambor
Que ela deixou quando bailava em meus sonhos
E o meu desejo lhe corou

Geraldo Junior – Voz, ferro de maracatu, agogô, tarol, surdo, tambor, treme-terra e vocal
Beto Lemos – Viola e vocais
Ranier Oliveira – Orgão elétrico
Filipe Müller – Baixo
Eduardo Karranka – Guitarra
Cláudio Lima – Bateria e vocal
Jonas Correa – Trombone
Eduardo Santana – Trompete

15 Warakidzã - Senhor do Sonho Geraldo Junior

Quando a verdade descer nos meus olhos
E o destino vier nas encostas
O sol me trará novamente
A luz que preciso pra me encandear

Aí serei como o fogo
Descendo no alto da serra
Trazendo na roda do tempo
As horas que marcam meu desencantar

Vem que o destino chamou
E é chegada a hora de desencantar
Vem que o fim desaguou
E a grande pedra vai rolar
Eu já traguei do meu fumo
Guardado comigo o ano inteiro

E agora revelo em teu sonho
A baleia que irá despertar
Com a virgem trazida em seu dorso
Ela nos guiará

Geraldo Junior – Voz, trompete, ganzã, surdo e vocal
Beto Lemos – Viola e vocais
Gabriel Pontes – Sax soprano
Eduardo Karranka – Guitarra
Cláudio Lima – Bateria e vocal
Baixo – Marcelo Müller
Jonas Correa – Trombone

16 Pra Ninar o Cariri Abdoral Jamacaru

O sol doura o cume verde da chapada do Araripe
Sonolenta a tarde cai, noite vem ninar o Cariri

Dorme o canavial, marmeleiro, pequizal
E as palmeiras do coco Babaçu

Cores, claros, urubus reis,
Vinvin, jacu, caboclolindo
Zabelê, cigarras, papa-ventos
Guaxinins, rolinhas, cascavel, guará
Já vão dormir.

Repousa o camaleão
Borboleta, gavião
Fecha a folha o maliçal
Dorme em paz criança e ancião

Geraldo Junior – Voz
Beto Lemos – Viola, violão, rabeca e violoncelo
Joana Queiroz – Clarinete
Diogo Jobim– Sintetizador


Ficha técnica:
Arranjos: Beto Lemos
Direção: Geraldo Junior
Gravado por Fábio Mesquita no Studio Making Of Records – RJ
Sintetizador e Microkorg Kaossilator gravados no Estúdio da Etnohaus – RJ
Pianos eletricos e orgãos gravados por Ibbertson Nobre no Ibbetson Studio – Crato CE
Editado, mixado e masterizado por André Magalhães no Estúdio Zabumba no Cariri, Nova Olinda – CE e Estúdio NaGoma – SP
Arranjos de Treme-Terra E Alma Afoita da Revolução – Ranier Oliveira e Beto Lemos
Projeto gráfico e ilustrações de Boni
Fotos: JoA Azria (capa do encarte) e Thailyta Feitosa (fundo do CD)
* Aquarela de Rebeca Queiroz (contra-capa do encarte): Seu Cachoeira de Palhaço Mateus

Agradecimentos:
Minha família, meu Ceará amado e a nação Cariri e todo esse sertão além das fronterias politicas! Dane de Jade, Sidnei Cruz, Tahiba, Rosemberg Cariry, Oswald Barroso, Beto Lemos, Fábio Mesquita, Bruno, Diego, Jefferson Gonçalves, Gabriel Gomes (Cotoco), André Magalhães, Fábio Mesquita, Beth Fernandes e Emrah, Grupo Filhotes de Leão, Casa Gira Mundo, Terreirada Cearense (Gabriel, Cláudio, Joana, Felipe e todos os outros que já passaram por esse projeto), Paloma Fraga, CCBNB, Fundação Casa Grande, Carlos Gomide, Carroça de Mamulengos, Reisado Discípulos de Mestre Pedro (Os Irmãos), Felipe Magalhães e toda a galera do Estúdio Nagoma, Gil Duarte e Mirian, Flauberto Gomes, Dudé Casado, Daniel Batata, Antônio Queiroz, JoA Azria, Nathan Thrall, BEATOS, Oficina Casa do Alto (George Belisário, Thailyta, Regivânea, Michel, Carol, Maria, Mauro, Amélia e Haarllem), Roberta Naddeo, Joana Queiroz, Filipe e Marcelo Müller, Kiko Horta, Marco Bz, Jonas Correa, Eduardo Santana, Diogo Jobim, Mariana Albanese, Boni, Maíra, Abdoral, Luiz Fidelis, toda a galera da Etnohaus, todos os músicos que gravaram e tocam comigo, e sempre, a todos os Mestre de cultura Popular tradicional do universo.