“CONFIDÊNCIAS... NA MADRUGADA” - José Nilton Mariano Saraiva
Desde tempos imemoriais
criamos o saudável hábito (ou seria pura insegurança ???) de, ao sentar para
tentar redigir alguma coisa, termos ao lado um velho companheiro de luta: o dicionário.
Assim, logo após o seu
lançamento no Brasil, em 2001, adquirimos o Dicionário Houaiss (embora já
tivéssemos o do Aurélio) por entender tratar-se de uma grande, necessária e
imprescindível obra.
Para que tenhamos ideia da
sua grandeza, basta atentar que, na sua elaboração, nada menos que 200
(duzentos) lexicógrafos e especialistas no mister participaram da empreitada, e
que em suas 2.924 páginas o “livrão” nos traz cerca de
228.500 verbetes, 376.500 acepções, 415.500 sinônimos, 26.400 antônimos e
57.000 palavras arcaicas, além de um sem número de consistentes informações
técnicas, evidentemente que versando sobre a Língua Portuguesa (daí também ter
sido lançado em Portugal). Sem qualquer demérito ao “Dicionário Aurélio”, o
Houaiss lhe dá de goleada. Temo-lo, pois, como um companheiro inseparável,
sempre que – como agora – queremos colocar o preto no branco, tentar passar
alguma coisa pra você, aí do outro lado da telinha.
Pois
foi exatamente numa dessas íntimas trocas de “confidências na madrugada” (vocês também conversam com o Dicionário, no
silêncio da noite ???) que a porca torceu o rabo: a palavra que procurávamos
(que não nos recordamos no momento), começava com a letra “P”, cujo vastíssimo
banco de dados se encontra relacionado entre as páginas 2.099 a 2.340 do
Houaiss, para onde nos dirigimos.
Uma
primeira pesquisa e a surpresa desagradável: nadica de nada da dita-cuja.
Pacientemente, creditamos o seu “não encontro” à zonzeira típica da chegada do
sono àquela hora da madrugada, razão porque nos dirigimos à cozinha para
bebericar um gole d’agua e “lavar a fuça”, objetivando acordar de vez.
Numa
nova tentativa, nada da palavra. Ficamos um tanto quanto “baratinados” e
murmuramos cá com os nossos botões: como é que pode, um “bichão” desse tamanho
(2924 páginas) não ter uma simplória palavra dessa. E assim fomos nos deitar
com a pulga atrás da orelha.
Pela
manhã, já descansado e alimentado, partimos pra encarar a fera de frente,
convictos que dessa vez ela não nos escaparia. Ledo engano. A tal palavra,
definitivamente, não constava do estupendo Houaiss. Inconformados, tomamos
então uma decisão radical: como que a procurar uma agulha no palheiro,
sofregamente conferimos, uma a uma, da página número 01 à página número 2.924,
na perspectiva da falta de alguma página.
Xeque-mate.
Encontramos,
não só no espaço dedicado à letra “P”, mas, também, em mais duas outras letras
(N e O ???), quatro ou cinco páginas faltando (em cada uma das letras) e, em
seu lugar, páginas repetidas, num imperdoável erro de impressão (ou
organização, ajuntamento e por aí vai) para uma obra de tamanho vulto.
Imediatamente
acionamos o site ao qual o havíamos solicitado via Internet (Livraria Saraiva)
e fomos orientados a devolver o Dicionário, via sedex (evidentemente que sem
custos) e, semanas depois, recebemos um outro exemplar de volta (e aí já
completo), com o agradecimento da editora responsável (Objetiva), que alegou
que no “lote” em que se encontrava o exemplar que adquirimos originalmente
teria havido o tal problema (repetição e falta de páginas).
Se,
por conta disso, houve um “recall” a
posteriori (solicitação de devolução de um lote ou de uma linha inteira de
produtos, feita pelo responsável pela impressão do mesmo), não sabemos e nem
nos foi dado conhecimento (mas, aqui pra nós, se você chegou a adquirir um
Dicionário Houaiss, confira pelo menos a letra “P” à procura de páginas
repetidas e consequentemente à falta das que deveriam ali constar, ok ??? ).
No mais, tirante esse
detalhe (atípico), vale a pena investir no Houaiss (e como vale).
Nenhum comentário:
Postar um comentário