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KASSIO NUNES NO TSE É INSUSTENTÁVEL
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A
ascensão do bolsonarismo fez o país se acostumar com as aberrações na
política. Não que antes fossem inexistentes, mas é que esse extremismo
fuleiro que sequestrou a direita brasileira levou a coisa para um outro
patamar. Os absurdos são tão grandes e numerosos, que o país vai se
anestesiando e muita coisa importante vai passando batido.
Faltando
uma semana para o primeiro turno, parece que ainda não nos demos conta de
que o Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, está sendo presidido por um
juiz cercado de suspeitas gravíssimas de corrupção e comprometido com o
grupo político que tentou dar um golpe de estado em 2023.
De
tudo o que se sabe da promiscuidade entre juízes do Supremo Tribunal
Federal e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Kassio Nunes é o que tem o caso
mais grave. Nem Alexandre de Moraes, nem Dias Toffoli, nem André Mendonça
apareceram tão enrolados no celular do Vorcaro quanto Kassio Nunes, que
era chamado pelo criminoso de “KN”.
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Nesta semana, ficamos sabendo da existência de
um contrato de advocacia de R$ 427 milhões entre o
Banco Master e a “Turma do KN” — o termo era usado para se referir à patota
do Kassio, mais especificamente o desembargador
Newton Ramos, do TRF-1, e sua esposa, a advogada
Camilla Ramos.
A Polícia Federal suspeita que o objetivo do contrato
era o de promover ações de interesse de Daniel
Vorcaro nos tribunais superiores. Caso a “Turma do
KN” conseguisse destravar R$ 8,5 bi em precatórios,
ganharia a bolada de quase meio bilhão prevista em contrato.
A suspeita é de um caso de venda de sentenças.
O desembargador repassava a uma funcionária do
banco Master alguns pedidos para Daniel Vorcaro, como
esse: “Ministro Kassio me pediu para ver se vocês
conseguem para ele uma tarifa promocional para o
Fasano. Só uma diária. Entrando sexta e saindo
sábado”.
Vorcaro respondeu prontamente: “pode colocar na minha
conta". As suspeitas que rondam KN têm requintes
de pornochanchada. Além de diárias em hotel de luxo,
as mensagens revelam que o banqueiro contratou uma prostituta para KN. Os pombinhos teriam se encontrado no
apartamento de Fabiano Zettel, que é pastor da Igreja
Lagoinha e operador financeiro da quadrilha criminosa
de Vorcaro.
Também não nos esqueçamos do filho do
ministro, que, em apenas dois anos de carreira como
advogado, acumulou R$ 27,7 milhões de patrimônio. Só de Daniel
Vorcaro ele recebia R$ 500 mil por mês, como apontam as mensagens trocadas entre o banqueiro e o
diretor jurídico do Banco Master.
Tudo ainda está sendo investigado, mas os
indícios são fortes o suficiente para que houvesse um
clamor popular pelo afastamento de KN do TSE.
Enquanto não surge, o ministro vem demonstrando
empenho em defender no tribunal o grupo político que
lhe deu a toga.
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Comitê
eleitoral do candidato bolsonarista
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KN
tem emplacado uma série de decisões absurdas em favor de Flávio
Bolsonaro. No início de junho, o seu ato de estreia na presidência do TSE
foi o de proibir uma pesquisa eleitoral da Atlas/Intel a pedido de
Flávio Bolsonaro, que aparecia despencando nas intenções de voto.
Ainda
antes do início da campanha eleitoral, o senador publicou um vídeo nas redes dizendo
que Lula viajou aos EUA como “defensor do PCC e do Comando Vermelho” e
que fez “mais pelo crime do que pelo povo brasileiro". Disse ainda
ter “Deus” ao seu lado, enquanto Lula teria “o diabo”. A candidatura de
Lula entrou com pedido de remoção do vídeo pela grave acusação sem
provas, mas KN negou.
Segundo ele, não houve imputação de crime ao presidente da República na
fala de Flávio, apenas o uso de linguagem "contundente, hiperbólica
e retórica". O caso acabou indo para plenário e, por 5 a 2, os
juízes derrubaram a decisão vergonhosa do presidente do tribunal.
Nesta
semana, KN atendeu a mais um pedido da candidatura de Flávio e determinou que o presidente Lula
tirasse do ar um vídeo em que fala sobre o caso Master. É realmente
impressionante ver KN julgando conteúdos eleitorais envolvendo o
escândalo protagonizado por Daniel Vorcaro. O juiz suspeito de ter
transado com uma prostituta de luxo contratada pelo banqueiro não viu
problema em proibir a veiculação de conteúdos negativos para ele.
Uma
apuração da Folha revelou que pelo
menos cinco ministros e técnicos do TSE dizem ter identificado um
alinhamento de KN com as posições da equipe jurídica de Flávio Bolsonaro.
O TSE parece ter virado um comitê eleitoral do candidato bolsonarista.
Enquanto a “Turma do KN” é suspeita de blindar Vorcaro nos tribunais, o
próprio KN é suspeito de blindar o candidato do banqueiro no TSE.
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Quando
foi julgar Alexandre de Moraes no caso Master, KN se declarou impedido. A justificativa é
curiosa. O ministro alegou que não se sente confortável em participar da
sessão na posição de presidente do TSE. "Eu entendo que tenho uma
missão, e que para mim eu entendo que essa missão é mais importante, que
é assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026. O TSE tem se mantido
equidistante de todos que rondam o processo eleitoral. Eu não tenho
dúvida, e os debates vão influir, que esse julgamento pode impactar o
processo eleitoral. Então não me sinto confortável de participar desse
julgamento. Eu me declaro impedido", disse o ministro.
Ora,
ora. KN não se sente confortável em julgar o caso Master no STF, mas não
vê problema em julgar o candidato favorito de Daniel Vorcaro no TSE. O
descaramento é grande, mas coerente com alguém que foi indicado pelo
bolsonarismo.
O escândalo do Master é a principal pauta desta
eleição e tem potencial para decidi-la. E o juiz, responsável por
determinar como o jogo será jogado, está soterrado sob suspeitas por sua
relação pornográfica com Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro.
Às
vésperas de uma nova eleição, o Brasil tem à frente do seu tribunal
eleitoral um nome indicado pelo mesmo grupo político que, na eleição
anterior, não aceitou o resultado das urnas e tentou um golpe de Estado.
É esse o nível de bizarrice em que se encontra a democracia brasileira. O
golpismo segue à espreita e com ainda mais força que na última eleição. Além
de Donald Trump, eles contam com as canetadas de KN.
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Flávio Bolsonaro é um homem acostumado a
mentir, tanto que estreou na política com uma
mentira. Aos 19 anos, ele recebia um salário da Câmara dos
Deputados, em Brasília, mas no mesmo período fazia
faculdade de Direito, no Rio de Janeiro. Flávio se
lambuzou no funcionalismo fantasma, uma tradição familiar.
De lá pra cá, foram muitas as mentiras criadas
para acobertar uma série de trambiques. Mas, em 2026,
Flávio está batendo seus próprios recordes,
especialmente sobre sua relação com Daniel Vorcaro. Segundo
um levantamento da agência de checagem Aos Fatos, o
bolsonarista contou 43 mentiras sobre Vorcaro
Primeiro, ele disse que “nunca teve contato”
com o ex-banqueiro quando o seu contato apareceu na
agenda do celular dele. Dois meses depois, quando foi
questionado pelo Intercept sobre o financiamento de
Vorcaro para o filme “Dark Horse”, negou e gargalhou
na cara do repórter. Horas depois, após a publicação da Vaza Flávio, se viu obrigado a confessar que conhecia o
banqueiro desde dezembro de 2024.
Mesmo depois de tudo escancarado, ele seguiu
se fazendo de inocente e tentando jogar o dono do
Master no colo do Lula e do PT. Em julho, ele jurou que nunca havia entrado no avião do
Vorcaro:
"Vocês não vão ver eu [sic] em festinha
de Vorcaro, em clubes de whisky de Vorcaro. Vocês não
vão me ver viajando para Londres, Estados Unidos,
para Paris, para tudo que é lugar. Nunca entrei em
avião do Vorcaro".
No último domingo, quando foi revelado que
Alexandre de Moraes voou no avião do banqueiro,
Flávio compartilhou a notícia com indignação. Quatro dias depois, veio à tona que o
senador viajou dos EUA para o Brasil com a família no
mesmíssimo avião. E, como de costume, ele meteu o louco e fingiu que não sabia que Vorcaro era dono do
jato.
O fato é que a PF extraiu do celular do Vorcaro três meses de conversas
dele com o senador e identificou pelo menos seis
encontros entre os dois. Eles tinham uma relação
íntima. Mas Flávio continuará se fazendo de
desentendido.
E assim, de golpe em golpe, Flávio vai levando
o seu eleitorado na flauta. Ele não teme ser desmascarado
pelos fatos. Não sente vergonha de negar o inegável.
Mas não estamos falando de alguém com transtorno de
mitomania. Flávio mente com método. Mente com agenda.
Afinal, estamos falando de alguém que foi criado por
Jair Bolsonaro.
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Negando o inegável - parte II
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José Medeiros é deputado federal pelo PL, do
Mato Grosso, e candidato a senador do estado. Essa
não é a primeira vez que ele tenta o Senado. Em 2010,
Medeiros virou um senador de um jeito, digamos, pouco
republicano. Ele era o segundo suplente da chapa que
elegeu Pedro Taques, do PSDB. Quando o tucano saiu
para assumir o governo de Mato Grosso, Medeiros fraudou a ata eleitoral e se colocou como primeiro suplente, vaga que
era de Paulo Fiúza. Simples assim. O TRE acabou
cassando o seu mandato por unanimidade.
Com essas credenciais morais, não se pode
esperar muito desse deputado. Mas a fauna
bolsonarista sempre consegue nos surpreender. Nesta
semana, um áudio vazado de Medeiros revelou
exatamente o que políticos bolsonaristas pensam no
seu íntimo: “Você sabe que o meu eleitor é aquele
eleitor que ora para alienígena e bebe detergente”
É realmente fascinante a sinceridade dessa
gente no escurinho do Whatsapp. Em público, eles
louvam a tradicional família brasileira e seus bons
valores. No privado, admitem que o seu eleitorado é
formado por idiotas. E ainda tiram um sarro da cara
deles.
Após o vazamento do áudio, Medeiros seguiu o
script bolsonarista e fez o que todos eles fazem
quando são constrangidos com a realidade dos fatos: meteu
o louco.
“O áudio foi cortado, tiraram o começo,
tiraram o fim e jogaram os pedaços para a imprensa
para gerar ódio dentro da nossa própria casa”,
afirmou o deputado. Desesperado com a bomba jogada às
vésperas da eleição, mandou um recado pros eleitores
que se sentiram ofendidos:
“Você está pensando em não votar em mim por
causa de piada sem graça, tirada do contexto, e
denúncias que não afetam em nada a minha honestidade
e a minha honra? Você está caindo justamente na
cilada dos meus inimigos”
O deputado acusa seus adversários políticos de
vazarem o áudio e descontextualizá-lo. Mas ele não
fez a mínima questão de explicar qual é o contexto em
que a barbaridade foi dita. No fundo, Medeiros sabe
que não precisa. Ele tem certeza que o bebedor de
detergente e o crente em alienígenas vão engolir esse
papinho.
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