TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sexta-feira, 15 de março de 2013

FESTIVAL CCBNB DESPREZA TEATRO CARIRIENSE


Nenhum espetáculo de teatro do Cariri na programação do Cariri! 




Expresso aqui minha indignação diante do abandono sofrido pelos grupos e companhias de teatro do Cariri na programação do VII Festival de Artes Cênicas do CCBNB. 

Quem "organizou" essa programação? Certamente não foi alguém com conhecimento suficiente acerca da realidade das artes cênicas da nossa região, ou então foi alguém que simplesmente despreza a produção e os artistas do Cariri. 

Nós, artistas e grupos de teatro de todo o Cariri cearense, exigimos do CCBNB - Centro Cultural Banco do Nordeste explicações sobre esse absurdo. Não é desta forma que se fomenta o desenvolvimento cultural da região. Quais foram os critérios de seleção? Houve edital? Infelizmente as "relações de amizade" tem sido motor de importantes ações do CCBNB, gerando uma corrosiva interferência na imprescindível e justa democratização das oportunidades.

Os grupos convidados pela "curadoria" não tem culpa desse descaso. Merecem nosso abraço e nosso aplauso. A presença deles aqui é importante para o enriquecimento do necessário intercâmbio artístico. Porém, não podemos silenciar diante do golpe desferido contra nós pela organização do "festival". 

15.Março.2013


Cacá Araújo 
Cariri-CE
STRE-CE N° 0764 
Dramaturgo, Ator e Diretor 
Vice-Presidente do SATED-CE 
Movimento Guerrilha do Ato Dramático Caririense 

quinta-feira, 14 de março de 2013

FRANCISCO, o “ingrato” – José Nilton Mariano Saraiva

Numa prova de que a briga de foice foi feia nos herméticos aposentos do Vaticano, os favoritos ao trono papal (dentre os quais um brasileiro) findaram por dançar solenemente (porquanto não conseguiram um consenso), e eis que pintou no pedaço uma “zebra” transamazônica, personificada no argentino Jorge Mário Bergoglio.
A mídia, surpresa e decepcionada por não ter conseguido sucesso em suas previsões, aos poucos conseguiu levantar algumas indicações sobre o histórico do próprio, dando destaque para o fato de ser de uma família pobre (por que será que todo religioso é originário de uma “família pobre”, embora um deles – Cícero Romão Batista – haja morrido podre de rico ???)  e que sua humildade é tamanha a ponto de usar o transporte público em seus deslocamentos pela bela capital argentina.
Mas eis que em, sua primeira aparição pública ante dezenas de milhares de fiéis na praça São Pedro, no seu momento maior, no clímax da sua trajetória (de padre a papa) Bergoglio foi de uma infelicidade imensa, uma ingratidão a toda prova, ao afirmar textualmente "...Parece que os cardeais foram me buscar no final do mundo".
Ou seja, de uma só raquetada (embora não sendo nenhum tenista), Francisco colocou não só a sua Argentina, mas, também, todos os países da America do Sul (Brasil inclusive, evidentemente), como escórias do mundo, periferia da portentosa Europa (hoje falida), da qual Roma (e o Vaticano)  fazem parte.
Teria Bergoglio/Francisco lido e lembrado do nosso Nelson Rodrigues, que professava que o povo sul-americano (em geral) deixa-se tomar por um imenso complexo de vira lata, quando tem que enfrentar (e mesmo conviver)  com os desenvolvidos europeus ???
De qualquer forma, bola pretíssima para o Francisco, pela ingratidão com essa parte do mundo.
**********************
(Vai ser duro, especialmente para o brasileiro, é agüentar os argentinos dizerem que além de um “Deus” (Messi, no futebol), agora eles também têm o Papa, em Roma).
Fazer o quê ???

quarta-feira, 13 de março de 2013

"FERA-FERIDA" - José Nilton Mariano Saraiva


Após a derrota do soberbo time espanhol de futebol do Barcelona, ante a sofrível equipe italiana do Milan (e os dois posteriores reveses no clássico espanhol contra o Real Madri), os “gênios” que militam na imprensa esportiva caíram de pau, baixaram o malho, sentaram a pua e, literalmente, “decretaram” que os defensivistas treinadores adversários finalmente haviam encontrado uma maneira de parar a máquina catalã, de acabar com o futebol-arte do Barcelona, de impor a força-bruta sobre um conjunto harmônico. 
A “receita’, para tanto, seria restringir o espaço dos artistas da bola, exercer uma marcação implacável sobre seus principais executores, não deixá-los livres um instante sequer; especialmente sobre um determinado argentino baixinho, de há muito considerado o melhor jogador de futebol do mundo, da atualidade (e que dentro do campo não vive de apelar pra frescurites, como determinados “astros” brasileiros).
Ironicamente, denominaram tal modelo de a “jaula”, que consistia em adiantar os quatro zagueiros e recuar os quatro meio-campistas, povoando e compactando aquele espaço onde o argentino trafega com exímia maestria e desenvoltura. Fato é que, como o melhor do mundo esteve visivelmente fora do “normal” nas três partidas, teria ficado “preso” na marcação, daí a invencionice de que fora “enjaulado” (e, no entanto, num olhar mais atento, dava pra se notar que o mesmo aparentava estado febril).
Esqueceram os “gênios” da imprensa esportiva que, num ambiente onde a individualidade pode assumir papel determinante, torna-se prematuro provocar uma fera-ferida, com vara curta.
E assim, a resposta do melhor do mundo apareceu na partida de volta: ao entrar em campo já com o placar adverso de dois gols, ele resolveu voltar à normalidade, roubar a cena, emudecer e desmoralizar seus críticos, comandando o “baile” do Barcelona na tonitruante goleada de 4 x 0  (dois dos gols foram seus e teve participação nos outros dois).
Assim, comprovado restou que não há “jaula” no mundo que consiga obstar a genialidade, trancafiá-la em seu interior, impedi-la de manifestar-se em toda a sua pujança, principalmente quando a “fera-ferida” (e que presumivelmente fora enjaulada) responde pelo nome de Lionel Messi.
Ô “argentinozinho” pra jogar.

segunda-feira, 11 de março de 2013

sábado, 9 de março de 2013

Vem !




                               "Eu não acredito em caridade.
 Eu acredito em solidariedade.
Caridade é tão vertical: vai de cima para baixo.
Solidariedade é horizontal: respeita a outra pessoa e aprende com o outro.
 A maioria de nós tem muito o que aprender com as outras pessoas."

Eduardo Galeano

                                   Há algo de novo  pairando por sobre o céu do Cariri, além dos urubus, das pipas  e do Aedes aegypti.  Paulo Freire, com a clarividência que carregava um dos maiores educadores da humanidade, afirmava que havia lutado toda vida para que a justiça social chegasse primeiro que a Caridade. É que a Caridade, amigos, é sempre meio vertical, como tão bem esclareceu nosso Eduardo Galeano; ela, em geral, não traz consigo aquele sentido libertador. De alguma maneira, os caridosos transparecem, claramente, que gostariam que continuassem a miséria e a pobreza para que eles nunca parassem de minorar seus muitos conflitos interiores ajudando aos famintos e pobrezinhos. Se eles não mais existirem, o que será de nós ? --Devem pensar consigo mesmos . As classes mais favorecidas sempre se indignam  quando a miséria lhes bate aos olhos. Reclamam daquela ignomínia, todos são perfeitamente a favor da distribuição de renda, desde que não se mexa, um pouquinho que seja,  com o nosso  quinhão. Qualquer iniciativa no sentido de reverter um pouco este quadro dantesco, a coisa pega fogo. Vejam o Bolsa Família! A revolta da elite é geral : estão viciando os pobres! Desde que inventaram isto, não se arranja mais empregada doméstica , nem trabalhador rural !  Revoltam-se por já não poder pagar uma diária de dez reais ao homem do campo e um terço de salário mínimo aos seus domésticos! O negócio é pagar uma miséria e depois compensar com uma caridadezinha e ficar-se imaginando, depois,  o maior benfeitor da humanidade, com poltrona garantida na corte celestial !
                                   O ouvinte, talvez, não tenha percebido, mas há algo de novo nos ares caririenses,  nos últimos três anos. Um grupo de adolescentes  ,quase duzentos,  todos de Classe Média, reuniu-se, há três anos,  nas férias escolares,  e montou um Projeto chamado : “Vem, vai ter Sorriso !”  O intuito é pedir doações junto à comunidade e depois distribuir cestas básicas com as famílias mais carentes  que são escolhidas, , cuidadosamente , em entrevistas nos bairros mais pobres. Os meninos visitam o comércio, fazem pedágio e promovem shows beneficentes para arrecadação de alimentos não perecíveis. A última edição do Projeto, acontecida em janeiro e fevereiro últimos, amealhou quase três toneladas de víveres. Os shows aconteceram no SESC/ Crato ,  por todo um final de semana, o SESC que ,como sempre,  tem sido o templo da cultura cratense. Inúmeras bandas caririenses compareceram, levando sua contribuição musical , estimando-se um público de mais de duas mil pessoas no evento. O “Vem , vai ter sorriso” não aceita qualquer ingerência nas suas ações seja de política partidária, de grupos religiosos, de entidades comerciais ou filantrópicas. O projeto não é centrado em figurinhas carimbadas, as decisões são tomadas sempre em reuniões amplas. Utilizam, ainda , os meios de comunicação onde circulam com mais desenvoltura : as Redes Sociais. O poder de arregimentação deles é impressionante ! Recentemente foi motivo de uma extensa reportagem televisiva veiculada no Noticiário do Cariri e em todo o Ceará.
                                   O ouvinte pode não entender o que há de novo no “Vem, vai ter sorriso!” Vemos, novamente, as novas gerações preocupadas com as questões sociais que lhes mancham os olhos. Podiam estar em bares, em festinhas, nos clubes, metidos com vícios de cardápio variado,  mas, ao invés disso, de repente, de forma espontânea, resolvem pingar um pouco das gotas que têm em mãos para tentar apagar o incêndio. Percebem que a solução para as nossas graves doenças sociais depende de política pública, mas não cruzam os braços e esperam as iniciativas de Brasília. Sabem que cada um de nós , por vontade própria, é também capaz de minorar a fome de alguns, de fazer brotar sorrisos , de aplacar o sofrimento, assumindo nossa parte, independentemente das ações de outros agentes sociais.E o mais importante de tudo é que, saindo do abrigo, da cômoda vida de todos, da estabilidade familiar, de chofre se vêm diante de outras realidades penosas e desumanas. Muitos , ao entregarem as cestas, saem das palhoças com olhos marejando e isto é engrandecedor. Aprendem valorizar as pequenas coisas desta vida e, mais, despertam para a necessidade de mudança, com a certeza de que o mundo é um sistema de vasos comunicantes e que não é possível ser feliz sozinho. A solidariedade é sempre um caminho de duas mãos : ofertamos por uma das vias e nos beneficiamos pela outra.
                                   O “Vem , vai ter Sorriso! “  traz um novo alento para o mundo, deixa-o mais respirável, mais róseo, mais oloroso. Os meninos talvez não tenham descoberto ainda,  mas, como já se disse:  restará sempre um pouco de perfume nas mãos daqueles que ofertam flores...

J. Flávio Vieira

sexta-feira, 1 de março de 2013

A “estranha diligência” de um Magistrado – José Nilton Mariano Saraiva


Qualquer trabalhador que tenha algum vínculo empregatício, do humilde empregado da bodega da esquina ao mais alto executivo de uma grande corporação, sonha com o dia em que poderá oficialmente jogar tudo pro alto, livrar-se da ditadura do relógio, tomar umas e outras sem maiores preocupações, dormir até tarde, viajar por aí, esconder-se em algum recanto inóspito e de acesso se possível impossível, enfim, sonha em entrar de férias, evidentemente que levando a “mobília doméstica” (família) a tiracolo. Pelo menos esse é o entendimento das pessoas consideradas “normais”.

No entanto, como os integrantes do nosso Poder Judiciário não se consideram pessoas normais, mas, sim, o “supra-sumo de uma casta de iluminados”, a viverem num mundo particular, só deles, eis que, no Judiciário cearense surge uma situação curiosa: é que, embora em pleno gozo de férias, o desembargador Rômulo Moreira de Deus, integrante de um dos nossos Tribunais Superiores, deixou-se localizar facilmente e, procurado pelos empresários-dirigentes do Sindiônibus, sem maiores cerimônias houve por bem emitir, em caráter de urgência, liminar favorável aumentando o preço da passagem do transporte coletivo de Fortaleza de R$ 2,00 para R$ 2,20 prejudicando, assim, milhares de usuários do transporte coletivo (a troco mesmo de quê ???).

Questionado publicamente pelo jornalista Fábio Campos, do jornal O POVO, sobre se seria legal tal atitude, Sua Excelência publicou no mesmo jornal, dia seguinte, um extenso arrazoado sobre, onde enumera pareceres de eminentes juristas assegurando não haver nenhum impedimento em tal ação (trabalhar nas férias, concedendo liminar). Não convenceu, tanto que seus próprios colegas de Tribunal não concordaram com o seu posicionamento. Agora, que ficou esquisito, ninguém tem dúvida.

A pergunta é: e se ao invés do forte Sindiônibus, fosse o ilustre magistrado procurado pra conceder uma liminar em favor de algum pobre indigente necessitado, que estivesse dependendo da liberação de alguma grana prá salvar a própria vida, será que Sua Excelência teria sido tão diligente ???

Você, aí do outro lado da telinha, teria opinião formada a respeito ??? 

Papa dando sopa



O Grupo Escolar Capistrano Landuá, em Matozinho, ganhara fama ,na região ,por se tratar de uma escola bastante ortodoxa, destas de dar pesqueiro em Piaget e chulipa em  Paulo Freire. Os matozenses contavam orgulhosos  a grande quantidade de ex-alunos que ganhou importantes cargos em todo o estado, forjada nas rígidas regras do Capistrano. Comerciantes importantes, barnabés e até deputados ! D. Eufrazina, uma das pioneiras da educação na cidade, tinha sido a fundadora do Grupo e devia-se muito a ela a seriedade disciplinar da instituição,  nos muitos anos que a dirigiu. Com a partida da educadora para os campos celestiais, a escola foi, pouco a pouco , livrando-se dos velhos tempos e investiu-se de um certo ar de liberalidade, com os novos diretores que foram se sucedendo. Falamos em liberalidade, mas é importante dizer que era com os freios de disco matozenses, nada para além do que seria permitido num convento ou numa mesquita. Mesmo assim, a tradicional família de Matozinho malhava o pau nas mudanças  e vivia a recordar os bons tempos do quartel de Eufrazina:
                                    --- Aquilo sim é que era escola e não essa putaria: mistura de cabaré com Circo de Cavalinhos !
                                   Reclamava a cidade que o Capistrano já não tinha o mesmo desempenho dos anos gloriosos. Nem lembravam que o acesso à escola havia se ampliado nos últimos anos e não só a classe média estudava, mas adentraram as classes os mais desfavorecidos, com todos seus imensos problemas. Assim, caiu como uma notícia auspiciosa a nomeação do novo diretor do Grupo : Prof.  Bento de Assis. O mestre tinha fama de durão, fora coroinha de igreja, membro da TFP e um dos mais famosos anticomunistas e dedos-duros na época da ditadura  militar. Os bons tempos do Capistrano tinham tudo para retornar. 
                                   Bento fez valer a sua fama de duro como beira de sino. Fez uma reviravolta na Pedagogia. Implantou a velha Gramática de Carneiro Ribeiro, o ensino do latim e do Grego na grade curricular, a matemática tradicional com sua tabuada ( nada de maquininhas) e a velha palmatória como professor adjunto. Geografia e História,   só antigas e com o seu decoreba incluso. Nada de figurinhas, cartazes e muito menos diabo de computador. Mudou ainda a farda,  com a necessidade dos homens usarem calças compridas, sapatos fechados e ceroulas e as mulheres saias longas, com toda a proteção interna :califon, anágua e combinação. Proibiu ainda os homens usarem cabelos longos e as mulheres , curtos. Brinquinho em macho, piercing em moça era motivo imediato de expulsão. Não bastasse isso, Bento modificou totalmente a merenda escolar, trocando o velho mingau de aveia,  por uma sopa de coentro que ele tentava convencer os alunos ser mais saudável, mas confidenciava aos professores que aquilo diminuía o tesão dos meninos, em plena fase perigosa de explosão hormonal.  As solenidades na escola eram uma sucessão de rezas e mais rezas todas, necessariamente, em latim.
                                   Bento tinha ainda uma profunda preocupação com os possíveis desvios dos alunos em fase de formação. Encheu a escola de beatas tentando ensinar os meninos que sexo só depois do casamento; que camisinha era uma passagem pro inferno. Amedrontavam ainda os guris lembrando que o pecado solitário era um assassinato em massa, pior do que no nazismo, pois milhões e milhões de espermatozóides eram sacrificados.
                                   Semana passada, depois de uns oito meses de mandato, estranhamente, Bento renunciou ao cargo. Reuniu os alunos no grande pátio, na hora da merenda,  e explicou que estava velho e cansado e que precisava passar a diretoria para alguém mais novo e disponível.  Os matozenses, depois, comentaram que a desilusão dele teve outros motivos. Mais de dez alunas tinham engravidado no último ano, para seu desespero. Os meninos viviam no Cyber da cidadezinha , criticando-o no Facebook. O estado abriu ainda sindicância por conta de um enorme   desvio na verba da merenda escolar por uma quadrilha montada dentro da escola por pessoas do Núcleo Gestor, da sua mais inteira confiança. Não bastasse isso vários alunos colocaram no You Tube vídeos de transas entre eles ,em festinhas promovidas por eles mesmos,  em fins de semana, sob o nome : “As Taradas do Capistrano”. A gota d´água, no entanto, parece ter sido a divulgação de pretensas cartinhas de amor do nosso sério diretor ,  dirigidas a um servente da escola chamado Valdemarzão.
                                   Enquanto o Diretor avisava, solenemente, os motivos da sua renúncia, os alunos , ouvidos de mercador,  engolindo a contragosto a insulsa sopa de coentro, começaram a gritar em uníssono:
                                   --- Queremos papa! Queremos papa  !

J. Flávio Vieira

Uma mente "arejada" - José Nilton Mariano Saraiva


Está mais que provado que uma das causas determinantes do “festival pedófilo” que permeia na Igreja Católica tem tudo a ver com a insistência da manutenção do ultrapassado dogma do celibato (dentre outros). Em sã consciência, é difícil imaginar que um homem “normal”, mas que instruído a “evitar olhar nos olhos da mulher”, não sinta o sexo manifestar-se vez por outra (mesmo que involuntariamente). Se até os animais irracionais possuem o instinto do sexo, o que dizer do racional ser humano, ante a profusão de beldades que desfilam por aí, inclusive nas Igrejas ??? E aí não dá pra segurar (literalmente) ou refrear o desejo, daí a monstruosa e bestial busca por satisfazer suas necessidades sexuais com crianças inocentes (e aí o pecado passa a ser hediondo, com direito a passaporte vip para o Inferno).
Configura-se, pois, ato grotesco e incompreensível, por parte da Igreja Católica, a absurda exigência que aqueles que com ela “contraem matrimônio”, assumam o compromisso de lhes ser fiel, inclusive via celibato, até mesmo porque, em outras seitas, religiões ou ajuntamentos religiosos, os pastores, padres, ou seja lá o que for, têm permissão pra paquerar, namorar, casar, ter filhos e por aí vai. Então, por qual razão não na Igreja Católica ??? Por que castrar aos seus integrantes a benção de ser pai ??? Não foi o próprio Senhor que ordenou o “crescei e multiplicai-vos” ???
Eis que de repente, em pleno Ceará, como se fora “um estranho no ninho”, um dos mais fervorosos e ortodoxos defensores da Igreja Católica, num átimo de sinceridade e certamente depois de muita reflexão, resolve expor publicamente seu sonho de adoção de uma espécie de “abertura lenta, gradual e segura” dessa mesma Igreja, ao colocar na mesa as seguintes ponderações (ipsis litteris): “Por que não colocar para os papas uma regra já existente para os bispos? A aposentadoria automática aos 80 anos. Afinal, dirigir uma organização com mais de um bilhão de seguidores é uma tarefa que, além das qualidades espirituais e intelectuais exige também muita aptidão física. E esta última condição torna-se difícil de ser encontrada numa ancião”... “A renúncia do Papa Bento XVI me encheu de esperanças para o futuro. Não custa sonhar em grandes mudanças para a Igreja. Em primeiro lugar, sonho com a extinção do celibato. Isto permitiria a ordenação de maior número de sacerdotes, que estariam mais presentes no meio das comunidades carentes”... e “Desejo também a ordenação de mulheres. Quantas Teresa de Calcutá poderiam surgir?”. 
De parabéns, pois, o conterrâneo e católico praticante Carlos Eduardo Esmeraldo por, sem abrir mão das suas convicções religiosas, ter a coragem de expor sem temores o que muitos outros católicos pensam, mas se recusam a extravasar.
No mais, é esperar e torcer para que o substituto do Benedito XVI consiga INSERIR a Igreja Católica no mundo real, contemporâneo, cibernético, atual, através da paulatina revisão dos seus dogmas milenares. Para tanto, a “demolição” do celibato já seria um bom começo.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

R$ 86.000.000,00 - José Nilton Mariano Saraiva


Você, que com muito sacrifício paga em dia os escorchantes impostos cobrados pelo Governo do Estado do Ceará, não pode deixar de lavrar seu protesto veemente, de manifestar-se de alguma forma, de exercitar sua cidadania. É que, segundo dados oficiais disponibilizados pelo valente Deputado Heitor Ferrer, um dos poucos na Assembléia Legislativa do Ceará que não tem rabo preso, o Governo Cid Gomes, no período 2008 a 2012, literalmente “jogou fora” o montante de R$ 86.000.000,00 (oitenta e seis milhões de reais) via pagamento a seresteiros, sertanejos, forrozeiros e por aí vai.
Para um Estado onde tudo falta, onde a população interiorana passa fome e sede, onde não existe saneamento, habitação, postos de saúde, etc,  gastar em média R$ 17.200.000,00 (dezessete milhões e duzentos mil reais) por ano com esse tipo de promoção, no mínimo configura falta de respeito para com o contribuinte.
Mas, como pimenta nos olhos dos outros é refresco, um dos Tribunais Estaduais (certamente que estimulado pelo Governador) decidiu que o Ministério Público Estadual está proibido de questionar números ou solicitar qualquer documentação relacionada a gastos governamentais.
Assim, resta-nos torcer para que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal se sensibilizem e procurem um jeito de examinar essa autentica farra com o dinheiro público por parte de um governo que se diz sério, mas que, por baixo dos panos, pratica manobras pra lá de suspeitas. 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Horda de marginais - José Nilton Mariano Saraiva



Ao raiar do ano 2000, de férias no Rio de Janeiro, tivemos oportunidade de ver em ação a tal torcida organizada “Gaviões da Fiel”, do Corinthians. E podemos garantir: trata-se de uma coisa assustadora, de arrepiar qualquer um, fazer tremer estátua de pedra. Aos hurros, proferindo palavras de ordem, aquela horda descontrolada de marginais penetrou na estação do metrô em Copacabana e, literalmente, passou como um rolo compressor, verdadeiro redemoinho, por sobre o que encontrou pela frente; catracas, os parrudos seguranças e torcedores do time adversário e por aí vai (ainda bem que os seguranças, pós-passagem e refeitos do susto, num átimo de coerência, nos recomendaram – torcedores do Vasco da Gama - que, se não quiséssemos ser trucidados, tirássemos imediatamente a camisa do time, adversário do Corinthians naquele jogo da final do Campeonato Mundial, dali a pouco, no Maracanã.
Dali até aqui, foram muitas (mas sempre suportadas) as confusões patrocinadas pela “Fiel”, mas eis que, agora, 13 anos depois, os marginais que se dizem torcedores (e que são financiados pelo clube, sim, em suas andanças pelos estádios de futebol por esse mundo afora), chegaram às raias do absurdo: assassinam de forma violenta e covarde um jovem adolescente e, ainda por cima, em um outro país.
 E aí, temos a palhaçada, verdadeira canalhice, patrocinada pela principal emissora de TV do país (Rede Globo), de par com a CBF e torcedores corintianos integrantes de segmentos da mídia esportiva: ante a perspectiva real de o clube ser penalizado com a exclusão de uma competição internacional, dada a repercussão mundial do fato e em sendo o Corinthians um chamariz de audiência e, conseqüentemente, patrocinadores, imediatamente deram um jeito de arranjar um “menor de idade” (acompanhado da mãe), que, orientado com perguntas e respostas devidamente ensaiadas, prestou depoimento exclusivo àquela emissora, em horário nobre, garantindo ter sido o responsável isolado pela barbárie (na realidade, não exista prova nenhuma de que realmente estava presente ao estádio, mas, só em alegar tratar-se de um “menor de idade”, a Globo se previne, na perspectiva de que nada lhe acontecerá; quanto à família, será regiamente “recompensada”, a posteriori).
A matéria foi reprisada nos dias seguintes, nos diversos telejornais da emissora (manhã, tarde e noite), de forma que se firme na mente dos incautos e desprovidos de consciência crítica que tudo não passou de uma fatalidade, que o “coitadinho” não tinha consciência do que estava fazendo, que não direcionou a bomba para a torcida contrária e, enfim, que a vida segue e nada adiantará ficar remoendo coisas da espécie; a Globo continuará bancando o Corinthians, ad infinitum, e arrecadando milhões com os patrocinadores, enquanto os marginais das “organizadas” continuarão impunes e aprontando (covardes e ridículos, alguns dos bandidos que foram presos, portando e exibindo “santinhos” do Cristo, tiveram até a desfaçatez de se dirigir, claro que pela Globo, à presidenta Dilma Roussef, solicitando que o governo brasileiro intervenha para a sua soltura).
O que mais revolta nisso tudo é que, embora todos saibamos tratar-se de uma farsa grotesca, visando não prejudicar os ganhos futuros da Globo, os formadores de opinião de outros veículos de comunicação não questionam, não se interessam no aprofundamento da questão, portam-se como verdadeiros cúmplices da barbárie.
Mas... por que estranhar: afinal, Obama não disse que matou Osama e, embora ninguém tenha visto o corpo, até hoje muitos acreditam seja aquela a verdade verdadeira ???

DOAÇÕES


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

SENHOR DEPUTADO, UM MÍNIMO DE RESPEITO – José Nilton Mariano Saraiva

Quando se dispõe a escolher um determinado candidato, concedendo-lhe, através do voto, um passaporte/mandato para tomar assento numa das várias Assembléias Legislativas (vereador, deputado ou senador) naturalmente que a população espera que o próprio seja emissário e portador das demandas que lhe afligem, através de um trabalho diuturno, sério e de alto nível, consubstanciado em propostas práticas e exeqüíveis; afinal, os problemas são muitos e diversificados, e eles, parlamentares, são a caixa de ressonância da coletividade.

Muitas dessas “Excelências”, no entanto, por despreparo, descompromisso, ou até mesmo por não terem idéia da seriedade do compromisso assumido, terminam por transformar o ambiente parlamentar numa espécie de circo de quinta categoria, estuário das suas ironias e piadas de mau gosto.
A mais nova deu-se dias atrás, quando do “batismo” da rodovia estadual CE-350, que liga os municípios de Pacatuba/Maranguape/Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza: pois bem, a deputada Fernanda Pessoa sugeriu que, para homenagear os índios Pitaguarys, antigos donos de uma parte das terras, a rodovia referenciada recebesse  tal denominação (Pitaguarys); já o parlamentar Lucilvio Girão, legislando em causa própria, sugeriu que o patrono da mesmo fosse um parente, Luis Girão, porquanto teria prestado relevantes serviços a uma das comunidades; e aí, durante a áspera discussão que se seguiu, um terceiro deputado – Ely Aguiar - resolveu fazer gracinha, transformar a arena parlamentar num ambiente circense, ao sugerir que a rodovia fosse batizada com dois nomes distintos: Pitaguarys, no sentido de quem demanda da capital para o interior; e Luis Girão, para quem vem em sentido contrário, do interior para a capital (não, não é brincadeira; o fato foi noticiado pelo jornal O POVO).
Será que o nobre deputado, que tem sua base eleitoral no Crato, não poderia privar os conterrâneos de um espetáculo tão deprimente ??? Será que a população cratense votou nele pra isso ???  Será que o Crato não tem sérios problemas a serem levados ao plenário da Assembléia, visando debatê-los e solucioná-los ???
Senhor Deputado, um mínimo de respeito para com aqueles cratenses que o sufragaram nas urnas (não nos incluímos aí). Se não pode ajudar, pelo menos não nos mate de vergonha...       

domingo, 24 de fevereiro de 2013

festa estranha com gente esquisita

Recuso-me a ficar insone madrugada a dentro assistindo entrega de Oscar: essa festa careta, com suas apresentações pirotécnicas e ocas, com seus apresentadores com piadinhas sem graça, com suas estrelas enfeiuradas com vestidos esquisitos, tudo celebrando um cinema medíocre, previsível, acomodado, salvo raras exceções de um e outro filmes pretensamente ousados, um e outro cineastas estrategicamente desobedientes aos ditames de uma cinematografia acadêmica e dominante.
Na foto, Orson Welles, que só ganhou um Oscar em toda sua ótima filmografia: pelo roteiro de "Cidadão Kane", em 1941. Perdeu Melhor Filme para "Como era verde o meu vale" (muito sintomático!), de John Ford, e ator para Gary Cooper em "Sargento York" (mais sintomático ainda para o bélico público americano).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Reinos de pó



Ricardo III ,da Inglaterra, reinou por um período curtíssimo : entre 1483 e 1485. Sua enviesada ascensão à coroa , historicamente, parece eivada de crimes e assassinatos, o que sempre foi comum nas monarquias absolutistas. Para chegar ao trono, na sucessão de Henrique IV que morrera subitamente, Ricardo precisou dizimar inimigos  e, também, candidatos naturais ao cargo, além de utilizar de manobras jurídicas e armações como a anulação do casamento do seu antecessor por suposta bigamia.  Coroado , Ricardo levou Ricardo V e o Duque de York , seus sobrinhos, à Torre de Londres de onde nunca mais voltaram. Mexendo no instável castelo de cartas dos interesses da aristocracia inglesa, rapidamente, se iniciou uma enorme campanha contra o rei, sob suspeita de usurpação do trono  e que culminou com a Guerra das Rosas , encabeçada pelo Duque de Buckingham e Henrique Tudor , o Conde de Richmond. Em agosto de 1485, as tropas leais ao rei e as revolucionárias do Conde se confrontam na Batalha de Bosworth Field e Ricardo III termina abatido no confronto; dando-se início à Dinastia de Tudor. Apesar do reinado meteórico, ele se tornou , por sua dúbia personalidade, um dos monarcas mais populares do Reino Unido, tendo sido, inclusive, tema de uma das mais importantes peças de Shakespeare. Além de tudo, aumentando a aura de mistério, seu corpo jamais tinha sido encontrado. Ficou célebre o epílogo shakespeareano em que Ricardo III , a pé, sendo perseguido pela sanha do exército adversário, cita, no desespero,  a famosa frase : “Meu Reino por um Cavalo !”
                   No último dia quatro de fevereiro, quinhentos e vinte e oito anos depois da fatídica batalha, escavações num estacionamento em Leicester, no centro da Inglaterra, encontraram um esqueleto que, depois, se confirmou pertencer a Ricardo III. Tinha 32 anos na época da morte, uma profunda escoliose , sinais de trauma craniano por objeto cortante  e uma ponta de flecha entre as vértebras. Exames científicos como Datação pelo Carbono 14 e DNA confirmaram o fim do mistério que já varava meio milênio.
                   Ricardo III estava inumado num simples estacionamento e seu esqueleto não carregava quaisquer diferenças que por acaso o distinguissem de qualquer um dos   mais humildes plebeus do seu reino.  A confirmação da sua identidade , pelo exame de DNA, foi através da comparação com um dos seus últimos descendentes : Michel Ibsen, um marceneiro canadense, radicado em Londres e que não carrega consigo nenhum traço de  nobreza esperado  para um remanescente da Casa de York. O pretenso sangue azul que por acaso teria corrido nas suas veias, também, não tingiu a ossada encontrada, nem a tornou mais colorida e menos opaca do que os remanescentes de qualquer mendigo da Inglaterra. Na morte não há castas: é de pó que são construídas todas as coisas. Vaidade, riqueza, poder , ambição, egoísmo acabam todos no fim da batalha, quando o golpe de misericórdia já está armado e nós trocaríamos todas elas por um  cavalo que nos levasse para bem longe do equitativo  reino do nada, da escuridão e do pó.

J. Flávio Vieira