AVISO AOS NAVEGANTES

Estamos no Ano 3 desta nossa revista eletrônica CaririCult. Uma construção coletiva que nos aproxima através da poesia maior que é a vida. Mais vale dizer: cada colaborador é responsável pelas suas opiniões aqui emitidas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

para um mestre do samba

sim
em completo silêncio aguardamos
também com o peito cheio de dor
aquele samba sobre o infinito

de nada sabemos e por isso calamos
aguardando até hoje
o teu samba sobre o infinito

quebre o silêncio por favor
para que os defeitos deste mundo
não tenham efeito sobre nós
quando ouvirmos bem fundo
o teu samba sobre o infinito

nós que de nada sabemos
e por isso calamos

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

NOTÍCIAS DA GUERRILHA


GUERRILHA SE CONSOLIDA COMO ESPAÇO DAS ARTES CÊNICAS DO CARIRI

A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um projeto de grande repercussão e aceitação popular, consolidando- o como um importante veículo de difusão dos espetáculos locais.

Na noite de quinta-feira, a Cia. Mandacaru de Arte e Eventos apresentou a peça "AS IRMÃS CASTANHOLAS", escrita e dirigida por Joylson John Kandahar. O teatro estava lotado, demonstrando o prestígio da Guerrilha junto à população.

Cacá Araújo, coordenador do evento, calcula que, nestes 13 dias, mais de 3.500 pessoas assistiram aos espetáculos. Estima-se que até o dia 22, pelo menos 4.500 pessoas tenham participado da Guerrilha.

Sexta-feira, 20 de novembro, a Cia. Livremente de Teatro entrará em cena com o espetáculo "ESPERANDO COMADRE DAIANA", às 19h30min, no Teatro Rachel de Queiroz, em Crato-CE. O texto é de Emannuel Nogueira e a direção de Jean Nogueira.

Programa Cariri Encantado com Salete Libório

Aquela que é considerada a Dama do Teatro Cratense, Salete Libório, será a entrevistada do programa Cariri Encantado desta sexta, 20 de novembro.
A pessoa de Salete Libório confunde-se plenamente com o Teatro. Incontáveis são os anos de sua militância na arte dramática, notadamente em benefício do teatro cratense. A sua montagem da peça Bárbara (texto de José Carvalho), quando interpretou o papel principal, é considerada como uma das eficientes produções teatrais da região. A propósito, a admiração por esta heroína da história brasileira, de quem é descendente direta, é outra paixão que motiva a atriz.
Salete Libório reside atualmente em Fortaleza, mas se encontra na terrinha por conta da realização da Mostra Sesc Cariri de Cultura, acompanhando, árdua e ardorosamente, a programação teatral.
O programa Cariri Encantado é veiculado todas as sextas-feiras, das 14 as 15 horas, na Rádio Educadora do Cariri AM 1020, com apoio do Centro Cultural BNB Cariri.
A apresentação é de Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael Dias.

José Rosemberg nas Tramas do Século XX - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Se a alguém se poderia nomear ser de um determinado século, este seria José Rosemberg. Poderia, pois se dizer que alguém é o mais profundo do século XX não se torna uma anunciação banal. Nós em grande maioria vivemos nas tramas dos séculos, mas comumente não encontramos as maquinarias que os movem. Somos parte, vivemos o seu espaço e tempo, mas somos tocados por uma mistura de angústias, sonhos, frustrações que se perdem em significado. Apenas vivemos aquela escala da história da humanidade como um todo amorfo do que chamamos as dificuldades da vida. Dificuldades da vida como se estas fossem inerentes à vida.

José Rosemberg estava radicalmente ligado ao século XX. Entendia perfeitamente suas misérias e vantagens, compreendendo seus mecanismos históricos de onde teriam vindo e no que resultariam. Era ajustado homem da racionalidade fundada desde o Renascimento e o Iluminismo, um militante contra a assimetria social, um cientista que entendia não apenas o objeto de sua observação, mas o contexto em que esta observação era realizada.

Era do século XX aquele século simultaneamente trágico e transformador. Trágico ao derrubar até o último muro de um hectare remoto da micronésia igual acontecia ao porto de Liverpool e seu embarque e desembarque contínuo do comércio mundial que tomou conta de todos os oceanos. Todos, inclusive a camada de gelo dos pólos que tantos imaginam derretidas pelos limites que a natureza apresenta frente ao “progresso humano”.

Transformador como o século das revoluções, das grandes guerras, inclusive do holocausto que atravessou em miséria sua etnia judaica tão próxima ao progresso Europeu desde o mercantilismo. Se alguém disser que o século XX é o século da Europa, pode tomar a essência de José Rosemberg e ali estará a Europa ocidental e sua imensa porta de liberdade e possibilidades.

Quando se tomar os textos científicos do professor e for surpreendido pelo fascínio com que ele os elaborava. Quase se divertindo com a linguagem dos números, da genética, da biofísica e bioquímica, abordando questões complexas da epidemiologia, percebe-se que aí não se esgotava o cientista. Ele compreendia seu século, deu um salto qualitativo ao revelar o conduto histórico daquilo tudo, os motivos pelos quais assim se conformavam e os limites sem o quais não se entende nada.

José Rosemberg inventava o tempo, o tempo do seu século, quase como um alfaiate, tomado da profissão do pai, costurando a vestimenta de uma era. Por isso não existem separações nos seus domínios: artes, ofícios, pensar e executar fazia parte de um contínuo que é a própria história. Por isso quando se for levantar o papel que ele teve como historiador da medicina moderna e particularmente da brasileira, vai-se encontrar um texto original e inigualável em termos da revelação social e política desta imensa prática quase capitalista da atualidade.

Ao compreender o seu século como um movimento fundamentado no embate da forças sociais, José Rosemberg na prática se torna imortal. Aquela imortalidade dos grandes cenários da humanidade, livres dos salões e dos chás das cinco.

A GUERRILHA É DO CARIRI!!!




Dia 18 de novembro de 2009, foi a oportunidade de ver um grande espetáculo na Guerrilha do Ato Dramático Caririense: DENTRO DA NOITE ESCURA, texto de Emannuel Nogueira, com a Companhia Livremente de Teatro, no Teatro Rachel de Queiroz, em Crato-CE.

A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é a reunião das potencialidades artísticas da região. Desde o dia 7 até 22 de novembro, várias companhias de dança e teatro se apresentam ao grande público, mostrando a riqueza cultural do Cariri.

Hoje é dia de comédia: AS IRMÃS CASTANHOLAS, com a Cia. Mandacaru de Artes e Eventos, às 19h30min, no Teatro Rachel de Queiroz, Crato-CE.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

um pouco de luz














um pouco de luz no coração
um pouco de luz no sonho
um pouco de luz entre os dedos
um pouco de luz no medo

um pouco de luz na cidade
para limpar as farpas do dia
sobre as calçadas nomes esgarçados
projetos mortos morta melodia

um pouco de luz é tudo o que se quer
quando os olhos mal sabem o que é poesia
poesia é dor ou será júbilo?
poesia é um grito no escuro?


poema e foto: chagas

Um frio febril - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma vez corpos vivos retemos tempo e calor. Ao tempo inventamos, ao calor produzimos. O tempo como fração do universo ao calor natureza do cosmo.

O tempo é elástico. Expande-se naquilo que se denominou espaço. Mas o calor é primordial, tende a esgotar-se na elasticidade do tempo.

Ambas as retenções que conceituam nossos corpos vivos estão no cosmo e temos uma dificuldade imensa de imaginar que pela natureza elástica, não tenham um estado de origem. Uma vez que o tempo se elastece somos levados irremediavelmente para imaginar uma origem de máximo repouso desta natureza elástica. Igualmente se deve ao calor igual paradigma, localizando-o em primórdio explosivo quando surgiu o calor.

Acontece que nenhum corpo vivo se origina espontaneamente no cosmo. Há uma descendência e, portanto, uma gênese. Isso significa que nenhum ser vivo tem um lugar ou um tempo ou um calor devido no cosmo. Todos dependem da originalidade e suas conseqüências (que se diga não deixa de ser uma parte da originalidade).

Ao que dialogo com você em estado febril. Após uma alternância entre o frio do outono italiano, seus trens e prédios em estágio de produção de calor em ambiente de calefação. Tantas tosses, igualmente assoadas nas narinas (nisso os europeus são escrachados, fazem um canto nasal úmido em pleno restaurante), por momento suores e noutro a frígida natura com olhar nas montanhas e seus picos nevados.

Com o centro do compasso no lago de Como girando por Zurique, Lugano, Turim e Milão. Toda a vizinhança do planeta em seu hemisfério norte pronto para o inverno com aquele frio que é frio mesmo se não venta. Mais ainda frio se uma brisa contempla todas as nossas fossas e transita na superfície como em busca do mais profundo do nosso corpo.

Eis o frio externo. O frio que está fora de nós e vem como um exército para nos conquistar.

Mas já nos trópicos escaldantes deste Rio de Janeiro, tão belo e sujeito a chuvas e trovoadas, outro frio me dominou o corpo. Um frio que vem do calor. Um frio sem externalidade. Um frio que vem de dentro, com tremores sob qualquer variação deste tão homogêneo tempo quente de verão carioca. É um frio de filigranas, um ventilador que assopre qualquer vento todo o corpo se abala numa calda instável de “morte e de dor”.

Mesmo que a cabeça esteja escavada por tanta bacteriemia, o corpo dolorido de uma sova jamais sofrida, é no âmago de meu corpo que nasce este frio febril. Um frio que na vizinhança do possível nos afaga com a verdade que o corpo se conceitua em tempo e calor. Sem os dois é apenas matéria comum sem originalidade, gênese ou conseqüências.

BR 116 NA GUERRILHA - SÁBADO 19:30

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária


Dia 18/11, quarta-feira

Música – Blues (com Michel Macedo)
14h Programa de Rádio na Educadora do Cariri AM. 60min.

Especiais - Atividades Infantis - ARTE RETIRANTE
16h Sessão Curumim: A Fuga das Galinhas. 84min.
Local: Caririaçu

19h Especiais - MOSTRA CONEXÃO BRASIL CCBNB (Mostra SESC - Cariri)

Centro Cultural BNB Cariri
Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

ARTE POSTAL


GUERRILHEIROS SEGUEM VITORIOSOS!!!

COQUETEL


DENTRO DA NOITE ESCURA


GUERRILHEIROS DO ATO DRAMÁTICO MOSTRAM O TEATRO CARIRIENSE!

Desde o dia 7 último, a Guerrilha do Ato Dramático Caririense, realizada no Teatro Rachel de Queiroz, em Crato-CE, mostra as principais produções das artes cênicas da região. Peças infantis, dramas, comédias, dança... É o universo Cariri revelado para si e para os visitantes de todas as partes do país e do planeta.

Ontem Wanderley Tavares encantou o público com o monólogo "COQUETEL", demonstrando a força e a excelência da dramaturgia caririense.

Hoje, quarta-feira, dia 18 de novembro, será apresentado o espetáculo "DENTRO DA NOITE ESCURA", de Emannuel Nogueira, com a Cia. Livremente de Teatro, de Juazeiro do Norte-CE, dirigido por Jean Nogueira, às 19h30min, no Teatro Rachel de Queiroz, Crato-CE.

A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é uma realização da Sociedade Cariri das Artes e Sociedade de Cultura Artística do Crato, Pontos de Cultura do Brasil, em parceria com grupos e companhias de artes cênicas do Cariri. A programação segue até o dia 22 de novembro de 2009.

Guerrilheiro Cacá Araújo
Coordenador Geral da Guerrilha do Ato Dramático Caririense

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Gesta de Arrebol


“Um fim de mar colore os horizontes”
Manoel de Barros



Reconheço : sou um espécie de mestre frustrado. Filho, sobrinho, afilhado de professores e marido de uma educadora, imagino que ,no íntimo, gostaria de estar numa sala de aulas. Até tateei a profissão por um tempo, mas terminei sendo colhido pelo vendaval de uma outra atividade igualmente espinhosa e gratificante: a Medicina. Mas, nas profundas escarpas do espírito, sempre me turva uma certa inveja quando me deparo com os educadores. Percebo que eles têm nas mãos a possibilidade única de transformar pessoas e edificar nações. Se os pais já se sentem realizados vendo seu sangue disseminando-se no rio do tempo, entre filhos e descendentes, imaginem a felicidade do professor pai de incontáveis rebentos da sabedoria e do conhecimento. Como médico, pressinto que temos a possibilidade de endireitar o caule, cuidar da casca, consertar os galhos , ajudar no desabrochar do fruto; mas só o mestre guarda consigo os mistérios e segredos da germinação da semente. A Medicina recupera corpos, a educação funde consciências.
Hoje tudo isso me veio à mente, quando o maior dos mestres -- o tempo-- levou na sua lufada um de seus colegas. Chamava-se Alderico de Paula Damasceno. Ele exerceu o magistério entre nós por mais de sessenta anos. Discípulo do maior historiador caririense , o Padre Antonio Gomes, o professor Alderico foi um visionário. Ensinava história crítica nos anos 60-70, em plena Ditadura Militar, num tempo em que a cadeira de história, em geral, se confundia com a de Contos de Fadas e Histórias da Carochinha. Exigia, com veemência, de todos os seus alunos, uma clara e pessoal opinião sobre pontos específicos da História Geral e do Brasil . Tinha verdadeiro pavor ao que ele chamava de “Decoreba”. Premonitoriamente, antevia os rumos da modernidade onde tudo se imita, se copia-cola, se macaqueia. O professor ensinava que os livros de história apresentavam apenas a versão oficial e que era imprescindível ,a quem desejasse entender o mundo, levantar o véu da aparente normalidade e descobrir as íntimas razões dos fatos que geralmente se encontravam depositadas no baú da Economia. Trabalhava com provas abertas, tinha pavor da loteria da múltipla escolha e mais: subtraía preciosos pontos a cada erro de português cometido. Entendia que o conhecimento da Língua era condição sine qua non de sobrevivência , soberania e cidadania.
Devemos ao professor Alderico ainda uma outra descoberta igualmente mágica. Aficionado da Educação Física ele cobrava dos seus alunos condicionamento e terá sido um dos pioneiros, entre nós, em associar a Atividade Física Regular a uma melhora na saúde humana. Como treinador da nossa Seleção Cratense – um das suas paixões – o professor Alderico já entendia a importância do treinamento físico regular na melhoria do desempenho esportivo, em tempos que isto era mera especulação e a Medicina Esportiva ainda engatinhava. Esta faceta de sua personalidade terminou lhe proporcionando a energia hercúlea que o acompanhou por noventa anos , enfrentando uma terrível queda de braço com a “Indesejada das Gentes” por cinco meses. Gostava da vida e, percebo, era esse amor que o mantinha vivo e esperançoso mesmo ante todas as vicissitudes e limitações da idade.
Inúmeras gerações de jovens foram forjadas pelo professor Alderico: Professores, engenheiros, médicos, juízes,promotores, artesãos, comerciantes, filósofos, um sem número de profissionais das mais diversas atividades, espalhados pelos recantos mais recônditos do país. Fundidos pela têmpera do Mestre, todos carregam consigo um pouco daquela determinação e vigor. Simplesmente porque Alderico não era um simples professor de História ou Educação Física. Seus ensinamentos sobre passavam as páginas dos livros , a mera grade curricular, ele ensinava uma matéria dificílima e rara chamada : “Vida”.
Como um bom missionário viveu beneditinamente. Guardava , no entanto, um tesouro depositado carinhosamente numa ampla sala da casa: sua biblioteca. Muitos dos seus livros hoje se encontram comigo e, a cada dia, me pergunto se sou digno da herança recebida. O Mestre sabia de cátedra que a riqueza não se concentra no brilho do ouro e do diamante, nem no tilintar das moedas, mas numa outra fulguração mais brilhante que o sol e que inebria almas e mentes : o conhecimento.
O professor Alderico fecha um ciclo áureo da educação cratense que contou com : Pe Gomes, Pe David, Vieirinha, Zé do Vale, Adalgisa Gomes, Luiz de Borba, Eneida Figueiredo, Ivone Pequeno, Gutemberg Sobreira e muitos outros. Fecha-se apenas um parágrafo, a história continua indefinidamente em aberto e continua sendo escrita, criticamente, por seus incontáveis discípulos. Hoje, triste, sei que falo de crepúsculos, mas carrego no coração a perfeita certeza, que este por-de-sol é apenas o prenúncio de muitas auroras por vir. No horizonte, em meio ao negror da noite, já se percebem os sanguíneos raios que defloram a escuridão e emprenham o arrebol vindouro de claridade e de luz.

J. Flávio Vieira

Mostra Sesc Cariri: programação de hoje, dia 17/11


Música da Macedônia e peça com bonecos

A Mostra Sesc Cariri de Cultura continua e, nesta terça-feira (17), traz uma atração musical bem curiosa. São os cariocas do Brasov, que lançam o CD “Uma Noite em Tuktoyaktuk”. Em seu show, eles tocam desde música cigana Macedônia até um cover da Gretchen, passando por uma canção do Leste Europeu. A apresentação acontece a partir das 20h30, no Terreiro de Mestra Margarida, no Sesc Juazeiro.

Um pouco antes, às 20h, na RFFSA, em Crato, a Companhia Amok de Teatro, do Rio de Janeiro, encena o espetáculo “O Dragão”. A peça, a partir de depoimentos reais, trata da guerra entre palestinos e israelenses, mostrando que atrás de toda a violência e crueldade há espaço para uma real humanidade.

Na cidade de Nova Olinda, às 20h30, acontece o show dos paulistas do Mamelo Sound System, que tocam - no Armazém do Som na Praça - um ritmo musical denominado por eles próprios como “hip-hop afro-futurista brasileiro”. Em Barbalha, no Teatro Neroly, a Companhia PeQuod de Teatro, do Rio, apresenta a peça de bonecos “O Velho da Horta”, baseado na obra do escritor Gil Vicente.

Um cortejo da Cultura Popular nas ruas de Juazeiro do Norte acontece na tarde de hoje, na principal via da cidade, a partir das 15 horas, com concentração no SESC. O evento promove uma integração entre os artistas e a população, nessa grande festa que tem sido a Mostra SESC de Arte e Cultura.

Em Juazeiro, nos locais como Marquise Branca, Marcus Jussier, no Pirajá, e Casa da Rua da Cultura, na rua do Cruzeiro estão sendo realizadas várias apresentações.

Agenda do dia 17 de novembro

>Juazeiro do Norte:

. Memorial Padre Cícero
- 20h30: Madre Couraje (Mérida Urquia-Cuba).
. Largo do Memorial
- 17h: Reprise (La Mínima-SP).

. Marcus Jussier (Pirajá)
- 17h: O Hipnotizador de Jacarés (Circo Girassol-RS).

. Quadra do Sesc Juazeiro
- 18h: Rito de Passagem (Índio.Com Cia de Dança-AM).

. Teatro Marquise Branca
- 18h: Esparrela (Teatro Bigorna-PB).

. Conexão Brasil CCBNB
- 19h: Merci (Ana Barroso-RJ).

. Teatro Patativa do Assaré
- 23h: Ele Precisa Começar (Felipe Rocha-RJ).

. Terreiro de Mestra Margarida e Armazém do Som
- 18h: Segunda Toada para João e Maria (Núcleo Dois-SP).
- 20h30: Uma Noite em Tuktoyaktuk (Brasov-RJ).

. Casa da Rua da Cultura
- 22h: Residência da Casa da Rua da Cultura (Cia de Teatro Stultífera Navis-SE).
- 22h: O Abajur Lilás (Grupo Imagens-CE).

. Programação Especial (Sesc Juazeiro)
- 14h: Seminário Arte & Pensamento – A Reinvenção do Nordeste. Dr. Luizan Pinheiro: “Ontologia do Cariri: a cidade atravessada por múltiplos olhares”.
- 15h15: Seminário Arte & Pensamento – A Reinvenção do Nordeste. Dr. Luís Manoel Lopes: “Barbaramente estéreis; maravilhosamente exuberantes: os sertões em variações”.
- 18h: Laboratório de Troca de Afagos – LATA (Conversas Gravadas na UFC). Entrevistas com Ricardo Guilherme.

>Crato:

. Teatro Municipal
- 20h: O Dragão (Cia Amok de Teatro-RJ).

. Praça da Sé
- 16h: Lançamentos e performance dos Cordelistas Mauditos.
- 17h: Performance do poeta CHACAL.

. Terreiradas
- 16h: Terreiro de Mestre Aldenir – Bairro Vila Lobo. Coco da Mestra Marinês/Banda Cabaçal São João Batista/Reisado Congo do Assentamento Olho D’Água.

. Mostra nos Bairros- Bairro Populares
- 17h: O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado (Cia São Jorge de Variedades-SP).
- 18h30: Soldadinho do Araripe (Aquasis-CE).

. RFFSA
- 17h: Silêncio Total (Cia Riso da Terra-PB).
- 18h: Viagem Instrumental (Mandrágora-DF).

. Sesc Crato
- 22h: Santiago do Chile, 1973(Grupo de Dois-RJ).

. Galpão das Artes
- 23h: Encantrago (Ver de Rosa um Ser Tão Expressões Humanas / Teatro Vitrine-CE).

. Crato Tênis Clube
- 22h: Mangiare (Grupo Pedras-RJ).
- 23h: Lenynha Vas (CE).
- 01h: Fóssil, Cabaça: Reggae Cariri (Liberdade & Raiz-CE).

>Nova Olinda:

. Teatro Violeta Arraes
- 19h: Inventário (Roda Gigante-RJ).

. Armazém do Som na Praça
- 20h30:Mamelo Sound System-SP.

. Artes Visuais
- 14h: Exposição Pina Bausch (Fotografia Dada Petrole).


>Barbalha:

. Praça Central
- 17h:Ciclopes (Cia Mystério e Novidades-RJ).

. Teatro Neroly
- 19h: O Velho da Horta (Cia Pequod de Teatro-RJ).

. Escola de Artes Reitora Violeta Arraes Gervaiseau – URCA
- 21h: O Hospício (Matulão de Artes Cênicas-CE).
Enviado por Elizângela Santos (AC Comunicação)

duas palavras

duas palavras no bolso
para que servem?
não seria melhor um canivete?

talvez uma marreta
tivesse maior serventia
para arrebentar o muro
de cristal entre os olhos

desencontro de nossas mãos frias
cabeças de vento
cheias de paisagens danificadas

isso de ser sozinho no metrô
acaba com a gente
de estação em estação
silêncio estagnado
na palma da mão

duas palavras no bolso
não valem um vintém

a praça se mostra um crime
não obstante a catedral
com todas as promessas de salvação

duas palavras que não cabem numa reza
duas palavras que sujeitam
às regras do dia: rapidez e medo

duas palavras que não se combinam
nem podem ser trocadas
contrariando o destino

Estamos de Luto!

A nossa cidade está enlutada pelo falecimento, ontem, de um dos maiores nomes da Educação que conhecemos: Prof Alderico Damasceno!
Hoje, após velório e homenagens feitas por ex-alunos, professores, familiares e autoridades, com o acompanhanhamento da Banda de Música do Crato, o corpo seguiu do salão nobre da Urca para sepultamento no túmulo da família no cemitério da nossa cidade.
Nossos sentimentos de pesar à família enlutada.
Vida eterna à memória do Prof. Alderico Damasceno!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O "Homem" e o aquecimento global.

Sempre desconfiei desse discurso sobre o "Homem" que está destruindo a Natureza e provocando o aquecimento global. Quando você olha e percebe que desde o Al Gore, passando pelos meios de comunicação e até a Xuxa, ficam falando disso, algo estranho existe nessa história. Primeiro é esse fatalismo, que condena todos os seres humanos, como se fosse algo natural do ser humano destruir a Natureza. Não são todos os seres humanos que "destróem a Natureza". A Natureza não está em crise. O que está em crise é o sistema que tendo por base o lucro e a exploração humana, provoca problemas ambientais. Mas isso, Karl Marx e Friedrich Engels já diziam há muito tempo atrás.
A História mostra que os homens são condicionados por situações diversas, entre elas, as condições de classe social. Na ordem social do capital onde a lógica é a do mercado, pulverizam-se florestas para que se crie gado, por exemplo. Quem faz isso? Os poderosos homens e mulheres do agronegócio, não todos os "homens". Chega de fatalismo e determinismo! E olha que acusam o marxismo disso...

Sobre a questão do aquecimento global, leiam essa entrevista do Professor José Carlos Parente de Oliveira, da Universidade Federal do Ceará - UFC, dada ao jornal Diário do Nordeste e capturada na internet por mim através do site Viomundo.


ENTREVISTA - Professor José Carlos Parente de Oliveira * (15/11/2009), no Diário do Nordeste

´O planeta está esfriando!´

Na contramão do ambiental e politicamente correto, o professor cearense José Carlos Parente de Oliveira, 56, da UFC, Doutor em Física com Pós-doutorado em Física da Atmosfera, diz que, cientificamente, não se sustenta a tese de que a atividade humana influencia o clima no planeta, que não está aquecendo. "Na verdade, a Terra está esfriando", afirma ele. Na entrevista a seguir, o professor Parente põe o dedo em uma antiga ferida: "Perdemos o foco do problema. E o foco do problema são os meios de produzir, é a forma errada de como o homem produz seus bens"

Por que o senhor caminha na contramão do ambientalmente correto e proclama que o planeta não está aquecendo, mas esfriando?

A busca da verdade deve ser o norte, o foco da atividade em ciências. E penso que não é isso o que ocorre com o tema aquecimento global. A sociedade está sendo bombardeada por notícias, reportagens na tevê, filmes e tudo isso com a mensagem de que as atividades humanas relacionadas às queimas de combustível fóssil (petróleo, carvão e gás) são as culpadas pelo aquecimento da Terra. O grande responsável por esse bombardeio é o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês), que é um órgão da ONU.

O senhor quer dizer que um organismo da ONU está provocando um terrorismo ambiental?

Vejamos. A hipótese do aquecimento global antrópico defendido pelo IPCC não possui base científica sólida. Não há dados observacionais que provem cabalmente a influência humana no clima. Se voltarmos um pouco no tempo nós constataremos que entre os anos de 1945 e 1977 houve um resfriamento da Terra, acompanhado de grande alarde de que o planeta congelaria, haveria fome, milhares de espécies desapareceriam etc. E veja que nesse período houve grande queima de carvão e petróleo motivada pela reconstrução da Europa e da Ásia após a 2ª Guerra Mundial. Outro exemplo de não conexão entre concentração de CO2 e temperatura da Terra ocorreu entre os anos 1920 e 1940, período em que a Terra esteve mais quente que os anos finais do século XX, e nesse período a atividade de queima de combustível foi de apenas 10% do que foi observado nos anos 1980 e 1990.

Afinal, o que é mesmo que está acontecendo?

Por volta dos anos 1300 ocorreu o Período Quente Medieval em que a temperatura da Terra foi superior a atual em cerca de um grau centígrado. Segui-se então um período frio conhecido como Pequena Era Glacial por volta dos anos 1800. Esses períodos são bem conhecidos dos estudiosos do clima terrestre. O que está ocorrendo é uma recuperação da temperatura pós Pequena Era Glacial, mas essa recuperação é lenta e ocorrem oscilações em torno dela. Para visualizar, podemos pensar em uma reta que ascende lentamente, ocorrendo oscilações em torno dela. Essas oscilações ocorrem em menores escalas de tempo, e são originadas por fatores naturais, como a radiação solar, a interação dos oceanos, principalmente do Pacífico, cuja temperatura oscila com período aproximadamente decenal. Porém essa recuperação cessou em 1998.

Então, em vez de estar aquecendo, a Terra está esfriando agora? Mas isso é o contrário do que proclamam as ONGs, os cientistas, os jornais. Quem está errado?

No ano de 1998, houve um fenômeno atípico: um super El Niño aqueceu a terra quase um grau acima da média em que ela se encontrava. Desde esse fenômeno do El Niño, a temperatura da Terra, sistematicamente, vem diminuindo, conforme os dados coligidos pelos satélites. Esses dados, porém, não são aceitos e nem utilizados pelo IPCC nos seus documentos.

Qual a razão? Há um viés político por trás disso?

Penso que a atividade cientifica não está desvinculada da política. São as nações e sua sociedade que definem o ramo da ciência a ser financiado por elas. Entendo que a atitude do IPCC é para favorecer cientistas, pesquisadores que defendem a tese hipotética de que o homem é culpado pelo pequeno aquecimento do planeta, que cessou em 1998 e que foi menor do que o anunciado. Os satélites que medem o clima da terra desde 1978 indicam que, de 1998 para cá, estamos vivendo um período de diminuição da temperatura. Só para que se tenha uma ideia de que esse dado de redução da temperatura é levado a sério, o grupo de pesquisas da Nasa que lida com lançamento de satélites está programando para 2021-2022 o envio de uma nave que deixará o sistema solar. Ora, a atividade solar é muito importante e é um impedimento para que uma nave como essa saia do sistema solar. Por que eles programam esse lançamento para 2021-2022? Resposta: porque será o ano em que o sol terá a menor atividade. E a atividade solar é muito bem relacionada com a temperatura da terra, via efeito indireto de formação de nuvens baixas. Essa correlação de nuvens baixas, atividade solar e temperatura da terra está muito bem documentada na literatura científica.

Qual é a causa do aumento de furacões, tempestades, tufões, terremotos na Ásia, na África, na Europa e nas Américas?

Há um exagero nas notícias. Quando mergulhamos na literatura científica, observamos que terremotos severos, de níveis 4 e 5, estão sendo reduzidos. A frequência desses eventos tem diminuído nos últimos anos. No litoral da China, trabalhos científicos mostram que nos últimos 50 anos a atividade de furacões também se reduz. O efeito destruidor do furacão Catrina, sempre mencionado porque destruiu New Orleans (EUA), aconteceu mais pela falta de providências preventivas dos governantes, que não ouviram as advertências dos cientistas. Os muros de contenção de New Orleans precisavam ser recuperados. E ninguém fez nada. O estrago do Catrina nada teve a ver com o clima. Faltou a ação do Governo.

O senhor condena o uso de combustível fóssil, como o carvão, na geração de energia elétrica?

Vamos particularizar o Brasil, pois é aqui que essa discussão se dá. O Brasil é um País privilegiado. Praticamente 80% de sua matriz energética são de origem hidráulica, e aí nós não necessitaríamos de carvão mineral. Mas, no mundo, há países que não têm esse privilegio brasileiro e têm de utilizar para o seu bem estar e desenvolvimento o carvão e o petróleo. Não há outra alternativa. As alternativas limpas que se apresentam . a energia eólica e a energia solar, por exemplo, ainda não são completamente eficientes, pois necessitam de mais pesquisa, de mais estudo porque não obtêm ainda o rendimento ótimo. Há maneiras racionais de usar carvão e petróleo sem que se agrida o ambiente. Assim, a discussão que considero mais fundamental do que saber se o homem aquece ou não o planeta é a seguinte: o que o homem deve fazer para não poluir o mar, os rios, o lençol freático, para não derrubar e não queimar florestas, para manejar corretamente o solo. É esta a ação do homem que deveria ser o centro das atenções de todos, cientistas, pesquisadores, políticos, governantes, reis, rainhas e príncipes.

Agora o senhor está no caminho ambientalmente correto...

Veja: quando o homem queima a floresta, ele não está aumentando a temperatura do planeta, mas piorando as suas próprias condições de vida e ameaçando a fauna e a flora.

Quando o senhor expõe estes pontos de vista em auditórios acadêmicos, a crítica vem contundente?

É surpreendente que não, porque os argumentos que utilizo são baseados em dados da natureza e fazem com que o público os aceite. Já fiz uma centena de seminários. Eu diria que só duas vezes eu fui interpelado de forma mais contundente, não pela maioria, mas por dois colegas pesquisadores que defendem o ponto de vista amplamente divulgado pelo IPCC. Mas eu já ouvi a manifestação de muitas pessoas favoráveis ao que exponho em minhas palestras e conferências.

O que o senhor acha das ONGs ambientalistas?

Quando a questão do aquecimento começou por volta de 1980, as ONGS encontraram aí uma oportunidade de se tornarem mais visíveis. Aí, elas ficaram, inadvertidamente, prisioneiras deste tema, por meio do qual tiraram DE foco o real problema do mundo. E o real problema do mundo é o da água, é a poluição da água e do ambiente. O responsável por esse problema é o meio de como a produção de bens se dá. O modo de produzir, destruindo os recursos naturais e utilizando-os sem nenhum controle, faz com que o planeta e a raça humana se tornem frágeis. Hoje, a linha de atuação das ONGs levará, no curto prazo, a uma situação bastante complicada nos países pobres. Exemplo: se a reunião de Copenhague, em dezembro, decidir que o uso de carvão e de petróleo deve ser cortado em 40% como se propõe, países como a China, a Índia, toda a África e também o Brasil terão problemas. 400 milhões de indianos juntam e queimam esterco para se proteger do frio e até para cozinha r; na China, a situação é mais dramática: 800 milhões de chineses nunca viram uma lâmpada acesa. Cortar a queima de combustível fóssil em 40% será o mesmo que implementar nesses países uma teoria ecomalthusiana para controlar ferozmente essa população pobre do mundo.

O senhor acha que os países ricos, que poluíram para crescer, querem impedir agora que os pobres cresçam?

Eu não concordo com essa teoria da conspiração. Mas é muito esquisito que se tente agora definir quotas de queima de combustíveis para todos os países, indistintamente. Isso não pode. Um americano consome 20 vezes mais do que um africano. Não se pode colocar todos os países da mesma forma na panela furada do aquecimento global. O africano é tão responsável pelo planeta quanto o americano ou o chinês. Nós perdemos o foco do problema. E o foco do problema são os meios de produzir, é a forma de como o homem produz seus bens. O que devemos fazer é focar na questão da água, da poluição ambiental, porque é possível queimar com responsabilidade. Mas para isso é necessária a decisão política. A boa gestão ambiental é, na minha opinião, a saída.

Comunicado

Ultimamente passo por uma fertilidade poética
que muitas vezes enche o saco
de quem não entende essa avalanche desconhecida.

Portanto, como a sinceridade é a minha lâmina mais afiada,
a partir de agora os meus fetos, rebentos, filhos do vazio,
terão apenas um berço: meu blog, http://domingosbarroso.blogspot.com

Cariricult e Cariricaturas pertencem à minha alma
com a mais elevada gratidão.

Não posso, tampouco tenho o direito, de despejar todos os dias
e em todas as horas insaciáveis versos
como se a morte me abraçasse amanhã.
Causo desconforto e, sem dúvidas, até afasto outros leitores
a quem a Poesia é uma tolice.

Tenho pressa, e não me canso do caminho.

A Salatiel
A Carlos Rafael Dias
A Socorro Moreira
A Claude Bloc

(respectivos administradores dos blogs acima citados)

beijo-lhes a alma.

Do poeta
Domingos Barroso

domingo, 15 de novembro de 2009

Banda Cascabulho hoje no Crato Tênis Clube


Na programação do Banquete Dionisíaco da Mostra Sesc Cariri de Cultura, a banda Cacabulho, de Recife, Pernambuco, será a grande atração com o espetáculo Brincando de Coisa Séria. O show da Cascabulho está previsto para as 23 horas, no Crato Tênis Clube. O grupo cratense de forró pé-de-serra, Herdeiro do Rei, fará a abertura, com o espetáculo Todo Dia é São João.

O Cascabulho formou-se em torno da figura de Jackson do Pandeiro, de quem o grupo recriou diversas músicas. Revelação do Abril Pro Rock de 1997, eles investem na tradição e no folclore, resgatando valores e ritmos poucos difundidos e misturando-os ao som urbano. O nome surgiu do hábito que a avó do vocalista Silvério tinha de alimentar os porcos com restos de cascas de frutas, o cascabulho. A banda, natural do município de Carpina, Zona da Mata pernambucana, é formada por Silvério Pessoa (voz), Jorge Martins (percussão e vocal), Wilson Farias (percussão, baterial e vocal), Marcos Lopes (percussão, vocal e guitarra), Kleber Magrão (percussão, vocal e teclado) e Lito Viana (baixo, cavaquinho e vocal). Em 1997, com participação no Free Jazz e a aparição na entrega do Prêmio Sharp, que homenageou Jackson do Pandeiro, tornaram-se conhecidos no eixo Rio-São Paulo. O Cascabulho já levou sua mistura de ritmos ao Canadá e aos Estados Unidos. Com o show no Summer Stage Festival no Central Park, recebeu elogios de Jon Pareles, crítico do New York Times. Isso tudo antes de gravar o primeiro disco. O CD de estréia, Fome Dá Dor de Cabeça, traz o coco, forró e maracatu embalados por um espírito pop. Em 1999, o disco levou o Prêmio Sharp na categoria regional e a música Quando Sonhei que era Santo o de melhor música também na categoria regional. Em 2000, o vocalista Silvério saiu do grupo para se dedicar à carreira solo. (Fonte: Cliquemusic).

Alguém está lembrado que hoje é feriado? - por Armando Rafael

(Fonte: site Terra)
Proclamador da República é pouco conhecido em sua terra natal – por Odilon Rios
O Marechal Deodoro da Fonseca nasceu em 5 de agosto de 1827 em Alagoas. Entrou na política em 1885. Era um dos homens mais próximos ao imperador Dom Pedro II. Em 15 de novembro de 1889, proclamou a República. Iniciou a "República das Espadas", porque dois marechais ocuparam a presidência: Deodoro e, logo depois, o também alagoano Floriano Peixoto, isso antes de dar início a "República Velha", com presidentes civis.
Na cidade onde nasceu o proclamador da República, o marechal Deodoro da Fonseca, a população pouco conhece ou nunca ouviu falar do primeiro presidente do Brasil, que assumiu o cargo após a derrubada do Império, em 15 de novembro de 1889. O município de Marechal Deodoro fica a 25 km de Maceió, às margens da Lagoa Mundaú, e tem uma das praias mais visitadas e belas do Brasil, o Francês. No lugar, navios da Segunda Guerra Mundial foram afundados pelas tropas alemãs, piratas franceses tentaram invadir o Brasil pelo mar durante o período colonial e igrejas em restauração guardam mistérios: túmulos de famílias influentes de Alagoas foram descobertos durante as escavações.

A casa onde nasceu e viveu o marechal é um museu. Há três dias, a cidade está em festa em comemoração à Proclamação, mas o pescador Chagas da Silva, 64 anos, desconhece o porquê de tanta gente que vai e vem pelas ruas e praças de Deodoro. "Sei não, é por causa do governador que tá vindo para cá?", pergunta. "Tem a ver com o Lula? Por que me disseram que ele não vem para cá. Sei não por que tanta festa", disse. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado para a festa. Não foi, mas mandou representantes de escalões da União para anunciar obras no município.

O funcionário público João Jacinto da Silva ouviu falar pouco do filho ilustre de Marechal ou da Proclamação da República. "Não sei bem quem ele foi. Sei que vai ter um show do Zezé di Camargo e Luciano no domingo. Por isso tem a festa, não é?", pergunta. Armando o palco que vai receber as autoridades para o desfile militar deste domingo, Ivanildo Santos da Silva sabe da Proclamação. "Ouvi falar do Marechal Deodoro, mas, o quê é mesmo esse período da História brasileira?", questiona. "Sei lá, tem a ver com um representante aqui da cidade", responde a sua propria indagação. E a festa? "Dizem que é porque vão anunciar um monte de coisas no Francês".
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marechal Deodoro tem 45.141 habitantes. Cerca de 65% da população é pobre; 6.292 são analfabetas e apenas 99 pessoas recebem acima de 20 salários mínimos. Por causa do alto índice de assassinatos, duas favelas receberam nomes de países em conflito: Iraque e Israel. O "Iraque" de Marechal Deodoro chama-se hoje conjunto Esperança.

Na última semana, a movimentação nas escolas era considerada acima do normal. Os alunos preparavam-se para o desfile militar, as bandas de fanfarra conferiam as partituras e treinavam as músicas para o dia festivo. "Há 170 anos Marechal Deodoro deixou de ser a capital de Alagoas e, por três dias, depois de um decreto legislativo, o governador transferiu para a cidade do proclamador a chefia do Executivo Estadual em comemoração a este dia", lembra o secretário do Gabinete Civil, Álvaro Machado. A comemoração dos 120 anos da República começou na sexta-feira e trouxe autoridades a Marechal Deodoro. Entre elas, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Há poucos metros da Prefeitura, lotada de políticos, a vida na cidade continuava quase normal. Uma rotina só quebrada pela quantidade de policiais circulando pelas ruas.

O reforço de PMs, a pedido do prefeito Cristiano Matheus (PMDB), existiu por causa de boatos sobre protestos contra sua administração. Panfletos foram apreendidos, chamando Matheus de "mentiroso". "Estamos no 11° mês de administração e estamos superando desafios", disse. Em Marechal, prefeitos e vereadores já foram afastados dos cargos, acusados de corrupção e lavagem de dinheiro.

sábado, 14 de novembro de 2009

Brumas

I
Se este coração apertado
não for reflexo do que a mente sonha

então o sofrimento humano
é uma farsa.

De nada adianta
o verso,
o pensamento

ambos suspensos
atravessados
pela sombra.

II
Se este ventre em chamas
não for refluxo de lembranças antigas

então a angústia humana
é galhofa.

De que serve
o verso,
o pensamento

ambos entreabertos
entrelaçados
pela dúvida.

cartum de AREND VAN DAM


Redentoras Bobagens

Alguém ganhou uma flor
esqueceu dentro do copo.

Passei por ela muitas vezes
não percebi o presente.

Até que em um estalo
dei-me conta

que aquela flor
não era mais de ninguém

abandonada no copo,
afogada na água suja.

Então agradecido
peguei-a,

levei ao nariz
seus cabelos com bobes

(não havia cheiro)

troquei a água,
passei uma esponja no copo

esqueci a flor sobre o armário
entregue ao seu silêncio.

Não tive surpresa:
a minha mão permanecera

uma mão sem perfume
sem esperança.

O Riso

Sempre soube,
não é segredo:

"muita luz cega."

Que farei agora
caolho de um
míope de outro?

A minha esperança
é que eu logo

me acostume
com a nova casa -

os móveis antigos
ainda no meio

ocupando espaço
despertando angústia.

Mas é o jeito,
não posso enganar o tempo -

cresceu a corcunda,
a cruz perdeu o peso.

Do alto da montanha
não sinto vontade

nem de arriscar um voo rasante
nem de enforcar o último monge.

Apenas espremo
uma espinha no queixo.

Tramas

I
Meus olhos veem
coisas abstratas

passeando pelas paredes
debruçando-se sobre a cama

somem,
reaparecem

visíveis,
enlouquecedoras

e no exato momento
que me levanto

o raio de luz desloca-se
por debaixo da porta do banheiro

entra no vaso
flutua

II
Um raio de luz
que desce dos céus
em uma tépida tarde

é capaz fingir-se
muitas coisas,

muitas coisas visíveis
abstratas

e nem a descarga
força-lhe o sumidouro

uma vez que ainda flutua
dentro do vaso

apenas o raio
um raio de luz
em tarde de trégua -

aberto,
transparente.

Interblogs: a ternura de Aeronauta

Sou fã de telinha de Aeronauta, uma das maiores escritoras que este terreiro virtual já nos proporcionou. O melhor, é a capacidade da Aeronauta de nos surpreender. E ela sempre nos surpreende, nos alegra, nos comove, nos faz refletir, sorrir e até chorar e nos faz vivos com suas histórias que remetem, invariavelmente, ao seu passado glorioso, repleto de mãe, pai e irmã. Trago hoje, neste interblogs, a última criação da Aeronauta, algo simplesmente belo e terno (Carlos Rafael Dias).

Ciranda

Vida sem exagero é coisa sem graça. Vida sem metáfora é leitura de jornal. E a dor da gente não sai no jornal, sabiamente arrematou Chico. Desde pequena, portanto, invento minha vida. Por isso Dona Celé, nossa vizinha beata da infância, me contava histórias tenebrosas de santos - pra que eu tomasse tento e parasse de mentir. As folhas das carambolas lá do quintal sempre foram dinheiro, cédulas vivas e verdes, para comprar o mingau das bonecas. Tinha tanto dinheiro nessa época. E minhas bonecas, além do mingau, muitas roupas. Que mãe costurava, acreditando em tudo.
Como viver sem imagens, sem escavar o imaginário e de lá tirar uma casa, toda feita de chocolate? Ah, tantas casas tenho. Invento vestidos vermelhos, culpas que não nasceram, verdades inatingíveis e ocultas. Aqui tudo é de brinquedo, ainda guardo muitas cédulas, e meu pé de carambola nunca morre. Não, não se assuste, entre na brincadeira; é uma ciranda tão linda, é uma ciranda tão bela, é uma ciranda eterna...


Fonte: wwwaeronauta.blogspot.com

AGENDE-SE!



http://mostracariri.wordpress.com/2009/10/07/programacao-xi-mostra-sesc-cariri-de-cultura/

Repente

que sábado massa
de alfenim quente

entre os dentes
um suspiro -

meu filho
no playstation

minha mãe na canção nova

meu diabinho resmungando
meu anjinho fazendo a unha

lá fora um sol tomando a calçada
as árvores mostrando as saias

que sábado perfeito
de bila no buraco

sem tremer o queixo
sem arroubos

um sábado encantado
de achar dinheiro

no armazém da esquina

em seguida
ganhar aquela musa

com suas coxas grossas
com suas meias jazz

chupar um picolé de morango
sujar as mãos, lamber os dedos

sonhar sem fim
até o fim dos sonhos

acordar assustado
supondo mijo na cama

mas são sonhos

sonhar sem fim
até o fim dos sonhos

um dia eu entro
no meu coração
faço sala

rejeito beber sozinho
um cafezinho quente

espero a outra metade
uma fábula

tenho quarenta e quatro
como está minha próstata?

ABRIR A CORTINA DO EU - Por Emerson Monteiro

Venha comigo. Vamos juntos erguer a barra do horizonte e vislumbrar algumas imagens resistentes ao esquecimento. Parei, ouvi ruídos e flagrei, circulando sorrateiras nesse espaço que habita a fronteira de mim com a memória, algumas ideias do mundo divisório, transcendental, filhas infinitas do ativo das horas e do ritmo trepidante lá no sótão pegajoso das pausas que pulsam sem parar, limite de coisas e inexistências.
Essas nuvens tradicionais de palavras conhecidas, sentimentos às vezes impetuosos, impacientes poças d’água espalhadas ao longo do caminho, deslizavam ligeiras em propulsão acelerada sob pés indecisos desta sombra que passa numa velocidade selvagem, cativa de atitudes ferinas, a conduzir fragmentos ao final de vários dias, causando reviravoltas no céu, algazarra festiva de andorinhas alegres, inconsequente bando afogueado de colegiais no intervalo das vidas.
Formas de juventude eterna, momentânea. Tudo possibilidades juvenis, sonhos afinados com o vento, feira livre de escorregadias ilusões, lógica perene de turmas de formação e contextos impostos por saltimbancos autoritários, na cena que se abre ao expectador sequioso de nós próprios, riscos, papéis, recordações, arquivos jogados fora, lama fermentada de velhos aniversários e alucinada comemoração.
Com isso, a vontade farejava encontros novos, cruzamento genético de letras e sentido, forçando com bravura o pulmão do parágrafo e gerando blocos consistentes de valores, na alma dos calendários, marcas doridas, atos contidos de luzes, cicatrizes, aventuras, pontos assustados no azul do firmamento, corpos suados de notas musicais e pinceladas agressivas, sonhos absurdos, sementes plantadas em outra dimensão, calada, quieta de querer, dentro das dobras dos corações celerados. Energia que circulava toda a pele do momento, tatuagem de cascas de árvore estóica, vítima do imprevisível carrasco pontiagudo, fagulhado, passado de folhas secas na cascata das eras, tintas e sons assoberbados de dúvida ao impacto da emoção cristalina.
Com passos calculados, cuidadosos, de fera na busca do alimento, ações sincopadas, o espectro arrisca estender mãos no oco do imediato e lota de influência cada aspecto no seguinte do imaginário, e avança clandestino pela greta entre as moléculas da ânsia, corredor vazio diante da sequência dos acontecimentos, película dirigida autor genial, mestre do inesquecível e sábio todo imortal.
De pronto, cresce nos olhos clínicos um tato suficiente a florir de esperança fumegante o desejo, na areia da permissão, ainda que, consigo, traga germes de interdição, todavia, consistente qual meteoro enlavecido na farra vertiginosa da transformação dos impulsos em matéria prima, metamorfose de açúcar em sal, mel em pólen.
Houvesse circunstância favorável, abrir-se-ia a cortina num volteio de brisa, aos acordes do silêncio adormecido na leveza do mistério. Então, luvas crispadas, nervosas, romperiam a vitrine da memória, e poemas e prosas jorrariam em traços e sílabas, silvos e gemidos, inundando a antessala do furor, lívidos atores do espetáculo do alvorecer, e pediriam à orquestra que jugulasse a noite com fanfarras maravilhosas. Entretanto, o pano só se renderia aos metais, largando desenhos conclusivos no ar platinado, sonoro, carrancudo, da presença do senhor e soberano do inevitável tudo Isso.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Pouco Tempo

Abra a janela
para que a borboleta amarela
visite seu escritório -

taças empoeiradas,
enciclopédias nunca abertas.

Decerto a pequena criatura
errou de caminho

mas já que as asas
debatem-se entre
a poltrona e os pufes

não se mova
não acenda seu cigarro
nem escreva um poema

olha que estranho
lá fora todos os postes apagados
a rua completamente escura

talvez a criaturinha
saiba muito bem
porque entrou por sua janela -

sopinha quente,
pão com doce de leite dentro.

Meu olho me incomoda. Penso na bíblia sem serventia na sala: “se teu olho etcétera e tal, arranca-o e joga-o na fogueira”. Os caras não eram de brincadeira não. Olho jornais antigos. Gosto de noticias frias. Uma amiga minha fala que amou São Paulo as escuras. Imaginou que fosse o fim do mundo, mas não tinha trilha sonora competente, e ela sacou que era só mais um desastrezinho. Um cara escreveu no jornal “meu deus, eu não vi o rio de janeiro”. Me deu vontade de responder que também não. Fiquei com receio que ele entendesse que eu o estava apoiando, que aquilo era um tipo de oração e tal, não repliquei. Passo em revista as revistas, e meu amigo Gustavo me conta que a uniban não aceita meninas de vestidinho. Se teu olho te envergonha... me cago de medo desse povo que volta e meia proíbe alguma coisa. Mirisola diz que Jesus só anda mal acompanhado. Porra mirisola, você me assusta com sua lucidez. Daí penso que lucidez também pode ser passível de proibição. Assim como também não concordar. – “você nãoconcorda? Seu filho da puta! Vou cortar fora seus testículos para que você não estupre mais ninguém!” ui. Ui. Ui. Se meu olho me incomoda... o pastor quer cortar fora pedaços das pessoas: comeu? Corta o pau. Jogou bola ruim? Corta o pé. Roubou do povo? Recebe um milhão de votos e vai eleito. Minha poesia pede pra passear lá fora, peço pra ela fazer silêncio, que pode ser que apaguem as luzes, que pode ser que eles venham com seus cassetetes pra bater a granel, que pode ser que os picolés derretam, que pode ser que William bonner seja expulso por andar de minissaia expondo a bunda branca de vergonha do jornal nacional.

Esquecimento

Quando estiveres por um fio
sê o mito -

e quando te sentires gigante
procura debaixo das unhas
a terra úmida de tua cova.

Ao outro agradece
pelo caminho indicado
pelo abraço forte
pela tenra lágrima

mas somente tu és o responsável
pelos gravetos na floresta
pelo fogo no teu ventre
pela chama que sobe
até as nuvens.

Não permitas ao outro
o direito sobre

tua alma intrigante
o corpo molenga
a mente aturdida.

Deixa claro
que mesmo após tua morte
ao outro cabe apenas as alças
do teu ataúde -

quiça uma coroa de plástico
e um sorriso.

Assim, amarás de verdade
o outro que te ama.

Ou (tens a liberdade)
junta todas essas palavras
e à fogueira que acendeste
lança-as, pula, festeja.

Marretadas

No apartamento
andar de cima
marretadas.

Quase um mês
de marretadas.

Os operários emudecidos
olham-se entre si,
gesticulam
e marretadas.

Ao lado um recém-nascido
engasga-se com tanta poeira.

O dono do apartamento
fugiu desde a primeira marretada.

Só aparece final de semana
lançar os olhos aos entulhos
desculpar-se aos vizinhos
por tanto transtorno.

Assim minhas férias
trancado no apartamento
ouvindo o silêncio das almas
e o barulho infernal das marretadas.

Mas sem tragédia física.

Afinal entre uma e outra marretada
ainda posso ouvir uma serra Bosch
lixar e polir azulejos.

LOUVAÇÃO AOS SÁDICOS LEITORES...A MARGINALIA.-Wilson Bernardo!

OS GUARDADORES DA SEDE NO POTE...
Dentro de um pote a essência da sede
Dentro de um livro a saliência do saber.
Funções de estruturas desobedecidas
No mormaço dos orvalhos.
Na boca do sapo
Água dormida de encher boca de quartinha.
Palavras desalentadas na insônia
Das estiagens
E os peixes desconfiados da vida
Na boca de anzóis fisgados.
Letras paginadas no saciar das sedes
Enumeradas tardes nubladas de afazeres.
Morfemas!
Estudar na fome das paginas a profecia do saber.
Wilson Bernardo(Poema,Dezenho "Cariri caldeirão" & Pop Art)

O Expresso Mundo está chegando


Começa hoje a 11ª Mostra SESC Cariri de Cultura. E hoje também estou abrindo o bar-café "Expresso Mundo", na antiga estação ferroviária do Crato (RFFSA). Um local de alegria, abraços, beijos, paquera, emoções, bate-papo, boa música, encontros, leitura, cultura, despedidas, amizades, amores, e de muitas emoções.
Entre nesse expresso e viva mundos diferentes.
Expresso Mundo, onde todo mundo se expressa.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Glóbulos Vermelhos

Meu coração cozinha sem cheiro
tenta ouvir a geladeira.

Mas não há ruídos.

As geladeiras de hoje
não se queixam dos pesares.

A solidão mais fria
calculada, distante.

Arrasto de volta
meu chinelão vísceras
até o quarto.

Cruzo os braços
e as pernas -

deixo o teto
beijar-me as faces.

Muros & Pontes

Não terá sido, certamente, por mero acaso que se considera a Grande muralha da China , por consenso, a maior obra da engenharia humana. Os seus mais de 8000 kilometros, construídos por mais de quinze séculos, além de ser a única construção humana visível do espaço sideral, credenciam-na a este posto. Acredito, no entanto, que existe, como em tudo neste mundo, uma razão subjacente, para tamanho encantamento. A humanidade é fascinada por muralhas. Desde o Gênesis, quando nossos ascendentes primevos – Adão e Eva—foram escorraçados “para fora dos jardins do Éden” , subentende-se que alguma fronteira existia entre o paraíso e o resto do terra: quem sabe uma muralha? A queda de Tróia pressupôs um drible nas suas muralhas através das peripécias de um Cavalo oco, atapetado de guerreiros no seu bojo. O crescimento das nossas antigas civilizações aconteceram pela a construção de fortes, muros , cercas, com o objetivo claro de protegê-las contra o ataque dos inimigos. Um Muro, também, - o “das Lamentações—é o lugar mais sagrado dos judeus, nos dias de hoje. O desenvolvimento da Sociedade Feudal e depois Capitalista erigiu o muro como seu tótem: o símbolo da propriedade privada. Após a Ia. Grande Guerra, a França criou também a sua muralhinha na Fronteira entre ela, a Itália e a Alemanha: a Linha Maginot. A Guerra da Coréia criou um muro virtual : o Paralelo 38. Mesmo com o advento do comunismo, nos primórdios do Século XX, o muro continuou plenamente em voga, basta lembrar a Construção do mais famoso deles, o de Berlim, em 1961. A queda do de Berlim , em 09/11/89, há exatos vinte anos, não cessou a construção de muitos outros muros . Os Estados Unidos erigiram um imenso na sua fronteira com o México na tentativa desesperada de impedir a entrada de migrantes hispânicos. Israel elevou em 2002, na Cisjordânia, um outro muro com o fito de afastá-la dos palestinos. Nos tempos atuais, as grandes cidades dividem-se entre os criminosos presos por trás dos muros das prisões e o resto da humanidade presa atrás de muros altíssimos construídos ao redor de suas residências. Os maiores conflitos mundiais entre nações e entre pessoas encontram-se centrados em limites de fronteiras: até onde vai o meu muro e onde começa o seu ? O adolescente, na esquina, se pergunta : deve ou não usar um muro plástico ( a camisinha) , na tentativa de evitar a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis ? Existem ainda as paredes que construímos sem nenhuma argamassa: intuitivamente cada um dos nós delimita um espaço. Até aqui é meu, até aqui é seu : no ônibus, na rua, no trabalho, na escola, em casa. Sem falar nas imensas paredes que erguemos ,psicologicamente, entre nós mesmos e as outras pessoas: inimizades, picuinhas, despeito, inveja, competição. A raiz da intolerância no mundo encontra-se no soerguimento paulatino de muitas barreiras : ideológicas, religiosas, culturais, étnicas, econômicas.
A queda do Muro de Berlim, há vinte anos, representa muito mais que o esfacelamento de uma ideologia, de uma outra maneira fechada e maniqueísta de interpretar o mundo. O Muro talvez seja o maior símbolo histórico da humanidade. A respiração do planeta depende da queda de infinitas muralhas construídas física, virtual e psicologicamente ao longo de toda nossa história. O futuro depende da nossa capacidade de fabricar pontes, passarelas, no lugar de muros e cercas. Quando levantamos uma fortaleza , nem percebemos, mas na outra sala, simultaneamente, já começamos a confeccionar o nosso próprio Cavalo de Tróia.

J. Flávio Vieira

SOPA DE LETRAS



Nada a ver com essa dor no peito. Nada a ver com a constatação absoluta e intrínseca dos meus defeitos com cheiro de cocaína e vinho tinto. Procuro o vidro com as anfetaminas coloridas. Vontade de ir assim sem sim. Vontade de ir sem dormir. De verdade, não conheço mais o cara que aparece na minha identidade. Te falo isso por telefone e você foge com seus delírios mal vestidos. Com seus vestidos cor de nada. Com suas flores de plástico recicladas de garrafas pet. Nada a ver com essa ânsia. Nada a ver com a discordância das notas desse piano. De onde veio a merda desse piano? eu mastigo os seios dos meus medos. Depois os regurgito. Pro meu deleite de fim de noite. No silencio entre uma apitada e outra de um guarda que nada aguarda da vida. Que nem eu.

Uma lágrima

Uma lágrima de sal
Para as mortes distantes
Para as mortes de entes
Como eu e você, como agora e antes
Chora a parafina na vela, no castiçal
Chora a luz bruxelante, nesse silêncio de umbral
Uma lágrima para os mortos de Unganda,
Uma lágrima para o afegão.
Uma lágrima na tua consciência
É desde já uma revolução.
Uma oração pelos cambojanos,
Uma reza pelos cubanos fuzilados no paredão,
Onde hoje o sol brinca com as cores de sangue
Espichadas, que escorreram pelo chão.
Uma lágrima de sal, pela fome no Butão
Uma oração antes do café da manhã
Antes de qualquer comemoração.
Uma lágrima de sal, para adoçar o teu mar
Para descortinar essas trevas,
Para fazer de conta que você se importa.

Foto: Nuno Ferreira

A Lâmina

Espreita-se uma dorzinha de cabeça
no limiar do córtex pré-frontal.

Por isso as lágrimas lavam meus óculos.

Não é saudade.
Não é desejo.

Apenas uma dorzinha de cabeça
agora resvalando-se por minha nuca.

A lágrima mais eficaz que sabão neutro.

Os óculos brilham
sequer vejo os arranhões.

Um Poema Lírico

Farejo carne na esquina.
Batom cereja.
Água de Cheiro.

[Confortável no meu quarto
ou na sala de cinema?]

Ofereço-lhe moedas
e bombons -

é tudo que tenho
no bolso.

A presa tenta desvencilhar-se,
agarro-lhe pelo pulso,
sussurro-lhe aos ouvidos:

"seu professor de Le Parkour
não é mais criativo que eu..."

A presa treme,
antes que caia
abraço-lhe a alma.

A cabeça quase encosta na calçada
então suspendo-a:

é lindo um beijo no pescoço.

POP ART...WILSON BERNARDO.

São João de Pedro...
Wilson Bernardo(arte)

O PECADO DE CLARA MENINA NA GUERRILHA 2009

A GUERRILHA É SUCESSO TOTAL!!!




GUERRILHA DO ATO DRAMÁTICO CARIRIENSE
TEM GRANDE SUCESSO DE PÚBLICO


A Guerrilha do Ato Dramático Caririense -Troféu Juscelino Leal Lobo Júnior, promovida pela Sociedade Cariri das Artes e Sociedade de Cultura Artística do Crato, Pontos de Cultura do Brasil, é uma grande vitrine das artes cênicas produzidas no Cariri cearense. Iniciada no último dia 7, no palco do Teatro Rachel de Queiroz, em Crato-CE, é sucesso de público, tendo que duplicar as sessões todos os dias, em virtude da grande demanda. Cerca de 1.000 (mil) espectadores viram os cinco espetáculos que foram exibidos até a noite de ontem: A FLOR E O SOL, OS 3 PORQUINHOS, OS ANIMARTISTAS, O MÁGICO DE OZ e A BELA E A FERA. Hoje será apresentada a peça infantil MARIA ROUPA DE PALHA (teatro de bonecos), às 19h30min, com o grupo teatral AMAR, dirigido por Stênio Diniz e Ivete Alexandre.

O dramaturgo Cacá Araújo, idealizador e coodenador do projeto, afirma que a Guerrilha está superando as expectativas de público, graças à qualidade dos espetáculos e a uma numerosa platéia local, que valoriza e prestigia os artistas e grupos da região. "A Guerrilha do Ato Dramático Caririense é um movimento de afirmação da identidade cultural do Cariri e do Brasil, é a expressão mais profunda da inventividade e ousadia de dramaturgos, atores e encenadores caririenses; é a maior mostra da produção local em artes cênicas", completa Cacá Araújo.

Outro fator importante, segundo o diretor teatral Flávio Rocha, é a unidade dos grupos teatrais em torno de uma ação de fortalecimento e divulgação de suas obras. Isso vai se desenvolver e representar um grande patrimônio para o turismo cultural e a educação de crianças, jovens e adultos.

Na sexta-feira, dia 13, começará a programação destinada ao público adulto, com a apresentação da peça O PECADO DE CLARA MENINA, romance cômico medieval-sertanejo que está em cartaz há 3 anos, com a Companhia Cearense de Teatro Brincante, tendo circulado por várias cidades do Ceará e Paraíba.

Programa Cariri Encantado destacará Mostra Sesc Cariri de Cultura


O programa Cariri Encantado de amanhã, 13 de novembro, destacará a 11ª Mostra Sesc Cariri de Cultura, entrevistando Dane de Jade (foto), coordenadora e uma das idealizadoras do evento que é considerado a maior mostra de cultura do interior do Ceará,.

O programa de amanhá veiculará as seguintes músicas:

- Raio de Fogo (Banda Montage)
- Mais Tarde, Mais Forte (Abidoral Jamacaru)
- Asas da Poesia (Gildário de Assaré)
- De Lenda e Cantigas (Zé Nilton)
- Retalhos (Luiz Carlos Salatiel e J. Flávio Vieira)-
- Fraternex (Leonardo Leo, Calazans Callou e Carlos Rafael)
- Calar o Amor (Leninha)
- Kariri com K (Moreira), com Moreira & Morais
- Não Haverá Mais um Dia (Pachelly Jamacaru)

O programa trará ainda as poesias "que futuro tem a poesia", de Chagas, e "livro de veludo", de Domingos Barroso, além de uma crônica de Lupeu Lacerda.

O programa Cariri Encantado é veiculado pela Rádio Educadora do Cariri AM 1020 todas as sextas-feiras, das 14 às 15 horas, com apoio do Centro Cultural BNB Cariri.
A apresentação é de Luiz Carlos Salatiel e Carlos Rafael.

Cinema Francês!

( clique na imagem para melhor visualização)
Celebrando o ano da França no Brasil, a XI Mostra Sesc Cariri das Artes traz uma pequena mas significativa expressão do cinema francês contemporâneo. A Seleção ficou por conta dos editores da revista Cahiers du Cinema. É a partir de 14/11, sempre às 16 horas no Cine Cariri shopping (em Juazeiro do Norte) e a entrada é franca.

Reisado Manoel Messias

O reisado Manoel Messias vai fazer parte da programação do Centro Cultural Banco do Nordeste no mês de novembro. A apresentação do grupo juazeirense acontece hoje à tarde, conforme programação abaixo, e amanhã em Crato. O prefeito Dr. Santana através da secretaria de cultura empresta seu apoio ao reisado colocando a disposição transporte para o deslocamento dos integrantes. Os grupos de reisados juazeirenses São Miguel e Guerreiros Nossa Senhora Aparecida se apresentam nesta sexta-feira em Fortaleza, na Mostra de Cultura da UFC – Universidade Federal do Ceará.

Confira a agenda de apresentações do grupo Manoel Messias:

Juazeiro do Norte – 12 de novembro
13h30min – Liceu Anderson Borges de Carvalho
14h30min – E. E. M. Adauto Bezerra
16h – E. E. F. M. Maria Amélia Bezerra

Crato – 13 de novembro
13h30min – E. E. F. 18 De Maio
14h30min – E. E. M. Wilson Gonçalves
16h – E. E. F. Pedro Felício

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária


Dia 12/11, quinta-feira

Música – COMPOSITORES DO BRASIL
14h Programa de Rádio na Educadora do Cariri AM. 180min.

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: Liceu Anderson B. Carvalho (Juazeiro do Norte)
13h30 Reisado Manoel Messias. 30min.

Local: E.E.M Gov. Adalto Bezerra (Juazeiro do Norte)
14h30 Reisado Manoel Messias. 30min.

Local: E.E.F.M Maria Amélia Bezerra (Juazeiro do Norte)
16h Reisado Manoel Messias. 30min.

Literatura/Biblioteca - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

Livro de Veludo

Eu berro, uivo, corto o dedo
acho a vida intragável
já acendi velas
vomitei no travesseiro
nunca fui amado
nem amei criatura alguma

Eu forjo provas do crime
minto, iludo quem me cerca
tenho inveja do homem belo
meu sonho é traçar divas superstars
sugar-lhes a alma, roubar-lhes os diamantes

Eu não presto atenção ao outro
aproveito-me da amizade sincera
adoro minhas flatulências
não tenho paciência com idosos
nem com mancebos arrebatados
amo minhas paredes
já comi na infância muito barro
engordei solitárias
fui um mísero sonhador
sempre levando chutes na bunda
das musas estonteantes e cruéis
experimentei alfenim quente
mastiguei raízes químicas
bebi, fumei, queimei o nariz

Sou um sujeito horrendo
e entre mortos, feridos e loucos
a Poesia sempre vence
nunca vacila.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ciranda

Sinto, mas não quero bebida.
Esfriar os dedos segurando um copo.

Também não quero fuligem nos lábios
tampouco queimar meu nariz beduíno.

É chegada a hora da lucidez
vasculhar minhas gavetas
queimar todos os papéis.

Cansei de tapar os poros
com cal e barro.

A ponte faz tempo
espera meus passos
sobre as tábuas soltas.

Quem sabe eu despenque.
Plante orquídeas nas nuvens.

VER com os olhos livres


Sangue Quente

Nem na tristeza nem na alegria
à minha alma prometo fidelidade.

Se versos me cansam
rasgo-os.

Se flores me entediam
piso, destrincho, escarro.

Palavras ásperas no céu da boca
onde pela manhã somente havia
chocolate e patchouli.

em vão

onde ficaram aquelas palavras
que preenchiam cartas
agora folhas mortas?

não se sabe quantas vezes
os olhos acenaram ao mar
buscando imagem de um rosto
seu cheiro na brisa
exatamente na hora
em que resultam dois lados
de um vaso em choque com o chão

longas ruas consomem os passos
porque ressurge um louco embriagado
de medo e de solidão
girando em torno de um nome
pele morena
beleza de abalar a alma
e deixá-la em completo silêncio

o silêncio é um deserto dentro
do que ouvia a chuva
de tarde
espalhar sua música
águas por todo canto
cantando cantando cantando

um muro que se faz de tempo

Centro Cultural BNB Cariri: Programação Diária




Dia 11/11, quarta-feira

Atividades Infantis - HORA DO RECREIO
Local: E.E.F. Julita Farias. (Caririaçu)
15h30 A Triste Partida. 20min.

Atividades Infantis - ARTE RETIRANTE
Local: Caririaçu
16h 100 Canal: Casa de Sementes Senhor dos Exércitos. 5min.
16h05 Sessão Curumim: Espanta Tubarões. 89min.

Literatura/Biblioteca - OFICINA DE FORMAÇÃO ARTÍSTICA
15h Contadores e Contamores. 240min.

Literatura/Biblioteca - BIBLIOTECA VIRTUAL
18h Noções Básicas de Utilização da Internet. 180min.

Atividades Infantis - ARTE RETIRANTE
Local: Sítio Belorizonte, Distrito de Lameiro (Crato)
19h Os Piratas que Não Fazem Nada. 85min.

Rua São Pedro, 337 - Centro - Juazeiro do Norte
Fone (88) 3512.2855 - Fax (88) 3511.4582

Manhã

Não importa a lua
o jardim suspenso
a musa bailarina
o vinho
o ópio.

Ao poeta apenas
o eterno deleite
do amor sem fraudes.

Não carece dinheiro
coroa de louros
títulos
algodão doce
cavalo alado.

Faça um poeta esperançoso
oferecendo-lhe em bandeja
de prata ou de zinco
o amor sem fraudes.

Aguardo a cafeteira dar o sinal:
"pronto seu cafezinho quente."