TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

sábado, 23 de setembro de 2017

CRÉDITOS ÀS "EXCELÊNCIAS" TOGADAS - José Nilton Mariano Saraiva


Desde tempos imemoriais, enfática e peremptoriamente temos manifestado neste espaço que a barafunda jurídica vigente no país nos dias vigentes deve ser creditada única e exclusivamente às preguiçosas, prolixas e medrosas “excelências” togadas com assento no Supremo Tribunal Federal.

Não tivessem de forma vergonhosa se omitido naquele momento extremamente grave e delicado no qual se armou o golpe parlamentar capitaneado por um marginal visando o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, hoje não estaríamos a experimentar tamanha desventura (há, inclusive, a suspeita que sabiam de tudo antecipadamente e que se aliaram aos executores, conforme se depreende do diálogo Romero Jucá/Sérgio Machado).

Tanto é verdade que, lá adiante, as “excelências” de novo cruzaram os braços e puseram venda nos olhos ao permitir que, impunemente, um juiz de primeira instância atropelasse a própria Constituição Federal ao divulgar conversas da mandatária maior do país, afora outros abusos flagrantemente ao arrepio da lei.

Fato é que, adepto dos holofotes, incensado pela mídia desonesta, picado pela mosca azul e vislumbrando que os covardes integrantes do STF não se manifestariam com medo da reação popular (já que teoricamente tratando de um tema de tremendo apoio popular, qual seja a corrupção), referido juiz é hoje quem manda e desmanda no país e, inclusive, determina a própria agenda daquele tribunal.

Assim, há que se prosseguir o golpe, com uma “ruma” de ladrões de alta periculosidade instalado no Planalto Central a “liquidar” com o Brasil, a preço de banana em fim de feira (o retrato emblemático é o pré-sal”, nosso outrora passaporte para o futuro, que está sendo literalmente “doado” às grandes petrolíferas internacionais), enquanto que, sob o comando de um juiz de primeira instância, a “República de Curitiba” trata de impedir, por cima de pau e pedra e mesmo que inexistam provas contra, que o candidato francamente favorito às próximas eleições, Lula da Silva, se viabilize como candidato. Apenas e tão somente pela “convicção” de um juiz pop-star deslumbrado.

Portanto (e rememorando), às “excelências” togadas, (prolixas, medrosas e covardes) com assento no tal Supremo Tribunal Federal (que de “supremo” não tem nada) devem ser dirigidos, sim, todos os créditos pelo iminente “extermínio” de um país que tinha tudo pra dar certo.

Definitivamente, o “complexo” de vira-lata voltou. Que pena.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

SUGESTÃO AOS DEPUTADOS - José Nilton Mariano Saraiva

Prezado Deputado Chico Lopes (dep.chicolopes@camara.gov.br)

Tomamos a liberdade de fazer-lhe uma simplória sugestão: que você advogue aí na Câmara Federal (sòzinho ou junto à turma da esquerda), que a sessão plenária que irá votar o sonhado impeachment do Temer, seja realizado num dia de domingo, de sorte que toda a população brasileira possa acompanhar via TV (lembremos que a primeira denúncia contra Temer foi realizada providencialmente em um dia útil e, portanto, muitos deixaram de acompanhar e, em consequência, a "pressão" sobre os mafiosos deputados não foi a que se esperava).


Afinal, não custa lembrar, esse foi um dos trunfos do marginal Eduardo Cunha para literalmente fulminar a nossa presidenta Dilma Rousseff (no domingo todos estarão em casa e poderão acompanhar o voto do seu deputado, que assim pensará duas vezes antes de proferir  um possível voto no Temer).

Acreditamos que se viabilizada tal pretensão certamente o resultado da votação será surpreendente.


Receba o nosso abraço

José Nilton MARIANO Saraiva
(Aposentado do BNB)
Fortaleza-CE


Post Scriptum
Se alguém tem interesse, autorizo usar tal mensagem pra ser enviada a outros Deputados que conheçam. 

sábado, 9 de setembro de 2017

PARA O PÁSSARO CANTAR ELE TEM QUE SER ENJAULADO” - José Nílton Mariano Saraiva

Ainda com relação à “deduragem” do Palocci, permitimo-nos reeditar uma nossa postagem de mais de um ano atrás, que tem tudo a ver com o quadro atual.

Independentemente da canalhice praticada por Palocci, seria interessante se saber se o “modus operandi” usado com ele pelo juiz Sérgio Moro foi o mesmo posto em prática com outros bandidos, lá atrás.
Vejam, abaixo, a postagem antiga e tirem suas conclusões.

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A “RESSURREIÇÃO” - José Nilton Mariano Saraiva

Como o juiz Sérgio Moro e seus procuradores se tornaram uma espécie de “heróis nacionais”, e os “bandidos delatores” da Lava Jato uma espécie de “Maria Madalena”, já que passíveis de perdão e dignos de toda a credibilidade, urge atentar para a gravíssima declaração prestada pelo ex-Senador Delcídio do Amaral a repórter Malu Gaspar, da Revista Piauí, quando narrou o “método de convencimento” utilizado contra ele, a fim de estimulá-lo a iniciar, incontinente, o processo de “deduração”. 
 
Conta Delcídio, que na PF de Brasília teria ficado trancado em um quarto sem luz, que ficava vizinho ao gerador do prédio e que... “aquilo encheu o quarto de fumaça, e eu comecei a bater, mas ninguém abriu. Os caras não sei se não ouviram ou se fingiram que não ouviram. Era um gás de combustão, um calor filho da puta. Só três horas mais tarde abriram a porta. Foi dificílimo”. Desnecessário dizer que dali saiu direto para o colo do Sérgio Moro, onde entregou o Lula.

Isso parece verossímil, já que é do conhecimento público que o juiz Sérgio Moro, numa clara forçação de barra e a fim de forçar o preso a delatar, ignora a presunção de inocência, prende sem provas, rebola o sujeito no fundo de uma cela (deixando-o praticamente incomunicável) e literalmente baratina a mente do indigitado.
 
E foi um próprio procurador da Lava Jato, Manoel Pastana, que tratou de confirmar tudo isso, ao enaltecer o modus operandi morista: “PARA O PÁSSARO CANTAR ELE TEM QUE SER ENJAULADO”.
 
Ante o exposto, e face a credibilidade que boa parte da população empresta aos “respeitáveis bandidos delatores”, cabe indagar: temos aí, no método utilizado contra o Delcídio, em pleno século XXI, uma espécie de “RESSURREIÇÃO” das câmaras de gás dos campos de extermínio nazista (só que aqui individualmente), ou tudo não passa de mera coincidência ???

Afinal, a confirmar-se o que foi atribuído ao Delcídio do Amaral (mesmo sendo um bandido), em português cristalino e contundente, ele afirmou com todas as letras ter sido vítima de TORTURA.
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Terá acontecido o mesmo com o Palocci ???




quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A "DEDURAGEM" DE PALOCCI - José Nílton Mariano Saraiva


Não deveria constituir-se surpresa para ninguém o contido na fala do ex-ministro Antônio Palocci ante o juiz Sérgio Moro, quando, literalmente, serviu na bandeja a cabeça do ex-presidente Lula da Silva.

Afinal, provado e comprovado restou, desde sempre e contemplando diversos infelizes “torturados” nas masmorras de Curitiba (sob o comando daquele juiz) que a “senha” para os que sonham em livrar-se da prisão e/ou ter sua pena diminuída, via “delação”, é uma só e fácil de pronunciar: Lula.

Como não o fez meses atrás, durante a primeira audiência que teve com o Moro, quando caiu na esparrela de magnanimamente oferecer-se para citar operações, valores, datas e nomes de empresários de alto coturno que de certa forma poderiam ser enquadrados como corruptos nas transações com o governo, Palocci não só foi “contemplado” com 12 anos de prisão, como foi humilhado publicamente por aquele juiz, que definiu aquela sua atitude como uma espécie de “vingança” do ex-ministro para com os ditos cujos (desnecessários os nomes dos “coitados” dos empresários e, quanto às suas traquinagens, “não vêm ao caso”).

Jogado de volta ao fundo de uma cela, pressionado por familiares e amigos, vendo o tempo passar e esvair-se qualquer alternativa de acordo, Palocci deixou-se corromper pelo “método moriano” (tortura psíquica), e então, esquecendo a amizade, princípios morais, éticos, religiosos e por aí vai, resolveu seguir o mesmo script adotado meses atrás pelo Marcelo Odebrecht e o Léo Pinheiro, vivenciadores do mesmo dissabor: servir ao juiz Moro o que este almejou desde sempre, a citação do nome Lula. E assim, durante uma audiência de duas horas, a “entrada, menu principal e sobremesa” foi só e unicamente “Lula” (foi Lula ao molho, Lula grelhado, Lula cozido, Lula empanado e por aí vai); o Moro a esta hora deve estar empanzinado de tantos “Lulas” que lhe foram servidos. Com um detalhe que deveria ser considerado e omitem: o “NÃO”, insistente e nauseante do Palocci, sobre se houvera participado pessoalmente das tais reuniões que citara. Ou seja, mais uma vez nenhuma “prova” objetiva e real contra o ex-presidente.

Como está prevista uma audiência do Lula com o Moro no próximo dia 13, teremos o contraponto: à versão de um desesperado em busca de redução da pena, o depoimento de um autêntico “estadista”, que o povo gostaria de ver novamente à frente da nação, conforme já indicam as pesquisas.

No entanto (sejamos realistas), independentemente do desempenho de Lula da Silva em tal audiência, Moro e seus procuradores raivosos dificilmente deixarão de condená-lo, inviabilizando-o de concorrer nas próximas eleições (e não duvidem que, mesmo sem provas, encontrem algum jeito de prendê-lo).

Fato é que, após um curto período de bem-estar e progresso (sob Lula e Dilma), tudo indica que voltamos à condição de “república bananeira”.

O "GRITO DO IPIRANGA" (por Mino Carta)


Mino Carta, Diretor de Redação da revista Carta Capital, é, sem favor nenhum, um dos maiores jornalistas do país, face a coerência e a maneira desassombrada como expõe suas posições políticas. Atentem, pois, para a sua antológica versão sobre o tal “Grito do Ipiranga”, inserta na edição nº 968, de 06.09.2017, página 14, daquela revista semanal.

Ipsis litteris:

Há tempos, meus botões, iconoclastas à beira do sacrilégio, sustentam que nem tudo nos cardápios da Marquesa de Santos ostentava perfeitas condições de consumo. Eventuais indagações a respeito parecem despidas de sentido. Ocorre, entretanto, que um mexilhão estragado, digamos, poderia ter exercido notável influência sobre o Grito.

Sabe-se que Dom Pedro vinha de Santos depois de almoçar com a amante e, ao subir a serra no caminho de São Paulo, deu para experimentar os dissabores da digestão penosa, com consequências abaixo do umbigo. Nas alturas do Ipiranga, próximas da cidade, um renque de bananeiras cuidou de lhe oferecer abrigo para o cumprimento da operação inevitável, embora nem sempre definitiva, em tais ocasiões. E das sombras o príncipe finalmente emergiu para proclamar a Independência.

Em paz com as entranhas – ou ainda a sofrer do aperto inconcluso ? - gritou, segundo as páginas amarelecidas, “Independência ou Morte”. A ser verdade factual a frase que a história coloca na boca do príncipe, ela ganha o som da irritação. Por que propor uma alternativa tão drástica ? A palavra morte ali não se justifica, mesmo se em jogo estava uma imponente briga familiar que o opunha ao pai Dom João VI. Sobra a hipótese de que a parada forçada debaixo das bananeiras tivesse sido insatisfatória.

Como se sabe, a retórica oficial no Brasil se esbalda. Claro está que o nosso herói não montava o cavalo de Napoleão, como pretende o pintor francês François-René Moreaux ao retratá-lo na chegada a São Paulo. Na opinião dos meus botões, tratava-se de um muar. Na tela, o povo festeja o gesto do seu príncipe, a mostrar consciência de um triunfo há tempo almejado. No meio da festa, enxergo, ok ! surpresa, um rosto talvez mulato.

No caso, a verdade factual obviamente é outra. Metade da população era de escravos, e quem não era só com o passar dos meses foi obrigado a dar-se conta da mudança, pela qual, teoricamente, o Brasil deixava de ser colônia. Não demoraria muito para tornar-se súdito do império britânico em lugar do português. Demoraria a Abolição, de fato ainda não extinta até hoje no país da casa-grande e da senzala.”


Post Scriptum: Será por essa razão que o nosso Brasil ficou conhecido internacionalmente pela pejorativa alcunha de “república bananeira” ???

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

ACERTO DE CONTAS - Dr. Demóstenes Ribeiro



Só me faltava esse enfarte e os olhos dela. Eu já os vira antes, lembrei do que não devia e revivi minha maldição. Pois, até 68 tudo era sucesso. O mar e as mulheres, Simonal e as chacretes na TV, até o telefone tocar e ter que me apresentar no quartel. Acabou a boa vida e eu, que só navegava e me divertia mundo afora, recebi em silêncio outra missão:

“- Precisamos de você. A coisa é séria, o perigo ronda o país. Eles estão em toda a parte. Nos sindicatos, na Igreja, nas forças armadas... Se não agirmos, destruirão o Brasil e a liberdade. Nós já lhe matriculamos na medicina.

- Na medicina, e o vestibular?

- Não faça perguntas. É a segurança nacional. Estão recrutando universitários. Mude a aparência, identifique os cabeças e nos informe. Na hora H, saberemos que é um dos nossos.”

Simpático e discreto, eu gostava do curso e da moçada, tinha paixão por ginecologia e obstetrícia, e até ganhei o apelido de G.O. Um dia, fui chamado de novo:
“ – Você terá que sumir, estão desconfiando, temos informes. Esqueça a faculdade. Vamos apertar essa canalha no Nordeste.”

E foi assim que, na equipe de interrogatório, eu me tornei o Anatomista. Às vezes, me dava pena aqueles jovens, iludidos com a revolução cubana e usados no delírio de uns velhos porra-loucas, sem saber. Porém, eu aplicava direitinho o choque elétrico. Alguns, logo abriam o bico; outros iam pro afogamento, pro pau-de-arara ou pra cadeira-do-dragão.

Certo dia, em Recife, trouxeram uma mulher bonita, talvez ligada ao Lamarca. Já estava desfigurada, quase sem luz nos olhos. Anselmo estava presente. Já haviam assassinado o Marighela, e o Fleury veio de São Paulo colher mais informações. Com ele, a morte entrou na sala. Urina, sangue, fezes, o grito lancinante e agoniado... Ela morreu e não entregou o capitão.

Ninguém concorda comigo, mas a gente não se navega. Cumpri ordens, fiz o trabalho sujo e fiquei sem nada. Mas conheço quem se deu bem, gente que ficou milionária, virou nome de rua ou foi reitor. Esse é o mundo: roubo, delação e mau-caratismo geral.

Mudei de nome e hoje, pra ganhar a vida, dirijo caminhão. Passo a noite acordado, estrada afora. Só me faltava o enfarte e, de novo, aquele olhar. Pois a doutora não me é estranha e acho que me reconheceu. Ela disse que amanhã iria me examinar com mais cuidado.

Não sei por que tanto passado a me mandar lembranças. Sou mais um à deriva, entre os inúmeros sobreviventes do mal. Está chegando o centenário da Revolução Russa. Um dia vão alterar essa lei da anistia e o acerto de contas virá, cedo ou tarde.
Já é madrugada e, antes que me descubram, vou fugir desse hospital pra Porto Velho ou outro lugar bem longe. Mais uma vez, trocarei de nome. Talvez, transportar madeira. Quem sabe eu esqueça o Anatomista e essa estória de G.O.

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Dr. Demóstenes Ribeiro - Médico Cardiologista - Fortaleza-CE












sábado, 2 de setembro de 2017

SUCESSO NO FRACASSO


"É impossível viver sem fracassar em algo, a menos que viva com tanto cuidado que acabe não vivendo de verdade, e nesse caso você falha por omissão.
O fracasso me deu confiança que nunca tive passando em provas. Me ensinou coisas sobre mim mesma que jamais poderia ter aprendido de outra maneira. Descobri que tinha uma grande força de vontade e mais disciplina do que imaginava. Também descobri que tinha amigos, que valem mais do que rubis.
Saber que você se reergueu mais sábio e mais forte que antes significa que você tem no fim das contas, segurança em sua forma de sobreviver. Você nunca vai se conhecer de verdade, ou a força de seus relacionamentos, até que sejam testados pelas adversidades. Tal conhecimento é um presente, ainda que duramente ganho, vale mais que qualquer qualificação que já recebi.
Então, se eu tivesse um “vira-tempo” diria a minha eu de 21 anos (tenho hoje 42) que felicidade pessoal é saber que a vida não é uma lista de aquisições e conquistas. Suas qualificações e seu currículo não são a sua vida. Embora vão conhecer muitas pessoas, da minha idade ou mais velhas que confundem as duas coisas.
A vida é difícil, complicada e além do controle total de alguém, a humildade de saber disso vai permitir que vocês sobrevivam às suas inconstâncias…"


J.K.ROWLING (madrinha de “formandos” em Harvard, em 2008)

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A DITADURA DO JUDICIÁRIO = José Nílton Mariano Saraiva


Pernósticos, arrogantes, sarcásticos e aureolados (por conta própria) de um certo grau de superioridade sobre os mortais comuns, os preguiçosos e prolixos ministros que integram o Supremo Tribunal Federal conseguiram o que seria impossível num país sério: que a sociedade em peso alcunhasse o Poder Judiciário (brasileiro) como o mais corrupto dos poderes (e, convenhamos, não é pouca coisa, se levarmos em conta que temos um Legislativo repleto de ladrões e um Executivo dominado por uma quadrilha de marginais, denunciados ao próprio STF).

E a figura emblemática e fiel de tal perversão é o truculento juiz mato-grossense Gilmar Mendes, hoje o homem mais poderoso da nação (a ponto de servir como conselheiro informal do gangster sem povo e sem voto, Michel Temer, que “está” Presidente da República, via golpe). Tivéssemos uma imprensa expedita, imparcial e atuante, a pergunta que meio mundo e a outra banda gostaria que fosse feita, desde lá atrás, seria: afinal, “QUANTO” ou “O QUÊ” o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, recebe por cada um dos habeas corpus, que concede vapt-vupt, beneficiando bandidos de alto coturno ??? (lembremo-nos que aqui no Ceará, nos plantões de final de semana, os senhores Desembargadores recebiam R$ 150.000,00 por cada HC concedido).

Afinal, e é só examinar a lista de “clientes” de Sua Excelência pra se constatar que é composta só de marginais de alta periculosidade, mas de bolsos recheados de dólares, euros e outros “abre cofres” (Daniel Dantas, o “médico-tarado”, o chefe do jogo de bicho e por aí vai). E seria pouco inteligente imaginarmos que Sua Excelência se disponha a passar pelo corrosivo desgaste que há tempos enfrenta apenas e tão somente pra se afirmar como um juiz independente e corajoso. Aí tem propina e propina alta.

No mais, e até porque o temem (e “tremem” de medo de enfrentá-lo, por alguma razão), as demais “Excelências” que compõem o Supremo Tribunal Federal não diferem muito do Gilmar Mendes: todos se julgam acima dos mortais comuns. Todos são sarcásticos e pernósticos. Espécie de semideuses ou “deuses depravados”, aos quais são permitidos abusos de toda ordem.

Ainda agora, argui-se a suspeição de Gilmar Mendes para julgar determinados processos, porquanto seria como legislar em causa própria, tal o grau de intimidade que guarda para com os acusados. Para tanto, no entanto (sem trocadilho) constitucionalmente caberia as “Excelências” do STF tomarem tal iniciativa, pondo-lhe freios. Mas, se são iguais, como esperar que o façam ???

Estamos, pois, queiram ou não admitir alguns, sob o tacão da ditadura judicial. 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A hoje "VELHA SENHORA" - José Nílton Mariano Saraiva

Aliando discrição, simplicidade e até traços de uma certa nobreza (por mais que paradoxal), ao vir ao mundo ela já conseguira o que parecia impensável: a unanimidade, sobre sua beleza e suas formas perfeitas, suas graciosas curvas e até sua postura um tanto quanto aristocrática (para os padrões então vigentes), responsáveis por sua caracterização como uma “gracinha”, autêntica “jóia”, detentora de um charme indescritível, um verdadeiro presente dos deuses.

Embevecidos e orgulhosos, os cratenses sentíamos imensa satisfação em mostrá-la aos que aqui aportavam, em visitá-la periodicamente ou, simplesmente, em transitar à sua frente ou arredores, admirando-a e inflando o nosso ego com o que as pessoas dela comentavam; e, se distantes nos encontrávamos do torrão natal por algum motivo, não cansávamos de citá-la em conversas informais, ou mesmo recomendá-la aos que pretendiam visitar a cidade do Crato.

E assim sua fama cresceu, atravessou fronteira, espraiou-se rincões afora. O astral era tamanho e a curiosidade tanta, que todos nutriam o desejo interior de algum dia conhecê-la, mesmo que por um fugidio e único momento, para simplesmente comprovar tudo o que dela diziam. E vindo, e vendo-a, saiam satisfeitos, radiantes, solidários, a difundi-la mais a mais por outras plagas. Era, realmente, de uma beleza ímpar, diferente... avançada para os padrões da época.

Com o passar do tempo, entretanto, dada à inexorabilidade do ciclo normal da natureza, naturalmente a jovem cresceu, adolesceu, virou adulta, transmutou-se e viu processar-se o arrefecimento de ânimo, o rareamento das manifestações de simpatia; a chegada da rotina, enfim, acabou com o seu encanto e tornou-a “normal”.

Além do que, por falta de carinho, cuidados e incentivos, seu aspecto físico compreensivelmente decaiu a olhos vistos, enquanto outras beldades, turbinadas por energéticos e vitaminas, que a ela passaram a ser negadas, apareceram ao longo do caminho, tomando-lhe o lugar e adeptos, deixando-a no ostracismo e na saudade.

Os que dela deveriam zelar e cuidar, simplesmente a abandonaram criminosamente, deixando-a por muito tempo ao relento, exposta ao sol, chuvas e trovoadas, enquanto seu “habitat natural” foi indiscriminadamente invadido e ocupado por companhias nada recomendáveis, sufocando-a sem dó nem piedade.

Hoje, sua imagem é de dar pena e dó e dela até nos envergonhamos: superada, decadente, isolada, decrépita, acanhada, sitiada, evitada pelos antigos admiradores e também pelas novas gerações, abandonada pelo poder público que tinha obrigação de cuidá-la, ela é o retrato preciso, emblemático e pujante daquilo em que transformaram o Crato ao longo desses últimos 40 anos: uma cidade cidade-fantasma, cidade-dormitório, sem perspectivas, sem futuro, sem nada, e a reboque de migalhas governamentais.

Quem te viu e quem te vê, RODOVIÁRIA DO CRATO !!!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A "ODISSÉIA" DOS "ESMERALDO" - José Nilton Mariano Saraiva


Imagine um jovem casal, que houvera contraído matrimônio três dias antes, de repente “se mandar” do Crato, a bordo de um “fuscão-branco” apinhado de pertences, rumo ao desconhecido, mas de encontro ao primeiro emprego do jovem engenheiro recém-formado.

Para tanto, tiveram que trafegar dias e dias (varando terras inóspitas do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará), na maior parte do tempo por estradas de barro ou piçarra, sujeitos a atoleiros ou derrapagens imprevisíveis, já que à época “asfalto” era um sonho distante.

E que, em chegando ao destino pretendido (nos rincões do Estado do Pará, estrada Tomé-Açu/Paragominas), instalaram-se à beira da “selva amazônica” (vilarejo Quatro Bocas do Breu), numa rústica “casinha branca” de madeira, longe de tudo e de todos, tendo como fiel companheiro apenas um rádio de pilha para se conectar com a civilização.

Para a jovem esposa, então, que nunca houvera saído do conforto da casa dos pais, uma verdadeira “provação” (mas que alicerçada na fé), porquanto ficava o dia sozinha, enquanto o marido labutava na construção da estrada, longe dali, com retorno apenas ao anoitecer (anoitecer, aliás, que era desvirginado apenas e tão somente pela luz do candeeiro, já que energia elétrica à noite, ali e à época, nem em sonhos).

Posteriormente, devido às fortes chuvas da região, que inviabilizariam o andamento da obra em execução por meses e meses, o jovem casal teve que embrenhar-se ainda mais Brasil adentro, e agora sim, cruzando a portentosa selva amazônica rumo ao planalto central do país (estado de Goiás). Loucura, coragem ou muita fé em Deus ???

Fato é que o “previsível” aconteceu: dividindo aquele “projeto de estrada” com possantes carretas, mas que mal rodavam devido às precárias condições da malha, eis que o “fuscão-branco” atolou de vez, obstruindo a passagem de todos. Como resultado e única alternativa viável, uma inusitada decisão: o tal “fuscão” foi suspenso, no braço, por dezenas de caminhoneiros (com o casal dentro), e colocado de volta à estrada mais à frente, onde prosseguiram viagem rumo à recém-inaugurada capital do Brasil, Brasília.

Estes, apenas dois “suculentos” detalhes da verdadeira “odisséia” vivida por aquele jovem casal cratense que, após penar muito em pleno início da vida matrimonial, mas com uma confiança inabalável no seu “Deus”, conseguiram ao final voltar ao amado torrão natal, o Crato.

No mais, nas 303 páginas do livro “A PRAÇA DOS NOSSOS SONHOS” (Memórias), o hoje maduro casal, conterrâneos Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali Figueiredo Esmeraldo, firmam um pungente e inigualável tratado de amor incondicional ao Crato, em suas mais variadas facetas: à praça dos sonhos (da Sé); a praça Siqueira Campos (onde começaram a namorar); a praça de São Vicente; os colégios onde estudaram; a feira semanal do Crato; as casas onde moraram; os amigos; professores e por aí vai. Evidentemente, à família foi reservado destaque especial, com menções a irmãos, primos e, principalmente, aos respectivos pais/mães.

Uma confidência: de tão agradável o livro, o “deglutimos” (lemos) em “duas sentadas”. Resta, então, agradecer a Carlos Eduardo Esmeraldo e Magali Figueiredo Esmeraldo, cratenses dignos do orgulho de todos nós, pela brilhante obra produzida.