TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A história mostra que os EUA são ávidos por ações militares

Retirado do blog Diário do Centro do Mundo:

Veja o que diz num editorial o jornal chinês Global Times, que reflete o pensamento do governo: “Sem uma defesa formidável, os sentimentos irracionais contra a China podem piorar, e se converter em ação. Na condição de maior potência militar, os Estados Unidos colocaram a China no centro de sua estratégia de defesa. A história prova que os Estados Unidos são ávidos por ações militares. Quando os americanos estão confiantes em sua superioridade, eles costumam usar a pressão militar sem nenhuma cerimônia.”

A democracia européia é um arranjo degenerado - José do Vale Pinheiro Feitosa

Uma coisa o é mesmo que tenha por necessidade a sua contradição. Mesmo que esta coisa o seja já deixando de ser, ela será identificável até com maior realismo por que parte das afirmações no âmago dos movimentos contraditórios.

A Europa é o vetor histórico da democracia da modernidade. O renascimento juntando o mundo greco-romano e o cristianismo e restabelecendo o indivíduo como o centro da história foi o marco fundante da moderna democracia. Depois a nova base mercantil, a descoberta do mundo novo e a industrialização com a acumulação capitalista, completaram o edifício desta democracia.

Em todo caso: a democracia moderna tem a Europa como fundamento. Até por isso se costuma às vezes, numa espécie de paradoxo, acrescentar o termo “cristã” para designar a “democracia” de base européia. Acho que não precisamos ampliar para falar nos princípios que regem esta democracia: é do conhecimento de todos.

A questão é que a Europa há mais de século bem corroendo por dentro a instituição democrática. A começar pelo mundo comercial e sua fachada diplomática. A diplomacia européia tornou-se aquela novilíngua que George Orwell denunciava em seu livro 1984. A destruição da linguagem universal da democracia, por outra língua que desdiz o que está a dizer, faz parte da maior decadência que o pensamento europeu já teve em toda a sua história.

O Holocausto Judaico não deve ser posto apenas na “cônsul” da Alemanha. Ele é Europeu. O colonialismo dos séculos XVIII ao XX é coisa européia. A primeira guerra mundial (que aconteceu principalmente no território europeu e nas suas áreas de colônia) foi a guerra das trincheiras com os marechais dizimando a juventude até a fileira das crianças. A segunda guerra nem se fala. Sem contar o “herdeiro bastardo da democracia européia” querendo fazer subprodutos dos seus ideais com as entranhas do povo de Nagasaki e Hiroshima.

É este corpo histórico decadente que deita falações sobre o mundo árabe. Que deseja uma carnificina sádica e cínica sobre a África. Que soltou a raposa no galinheiro para nutrir-se na carcaça magra de Gregos, Portugueses e Espanhóis. São estes deformados morais que falam a novilíngua em seus ditames diplomáticos: a ameaçar, ameaçar e ameaçar.

O Irã não pode ter a bomba nuclear, mas Israel pode. A Índia teve a bomba e deram a mesma ao Paquistão e lá tem talibã a dar na canela. Os EUA querem a guerra nas estrelas e claro a velha Rússia já se aliou à Nova China para ambos se entupirem com as meizinhas de dizimar carnes e mentes. A Europa trás o estigma da morte. Isso é comum nos corpos terminais.

Muito cuidado com o que eles dizem. Nós os que queremos viver, não deveremos mais ler as “lições de democracia européia” estas estão cheias de páginas danificadas.

José Flávio Vieira - O médico das palavras



Escritor inquieto e bem humorado, José Flávo Vieira busca no seu trabalho como médico o enredo e a alma para suas histórias carregadas de humanismo e questionamentos sobre a vida. Com uma produção crescente nos ultimos anos o médico/escritor consegue conseque fazer o hibridismo entre o erudito e popular, entre o local e o universal.

Alexandre Lucas - Quem é José Flavio Vieira?

José Flávio Vieira - Sou um sujeito esquisito, casado com a Medicina e amante da Literatura. Faço parte de uma longa tradição de médicos que se ligaram às Letras :Lobo Antunes, Guimarães Rosa, Moacir Scliar, Ronaldo Brito, Pedro Nava. A Medicina nos faz viver nesse limite impreciso entre a vida-morte, saúde-doença, bem-estar--infelicidade e acredito nos ajuda a conhecer um pouco mais da fragilidade humana. Pedro Nava dizia que ao médico era tão importante o Livro de Fisiologia como a leitura de Balzac. Não me considero escritor na acepção mais plena da palavra, assim como um corredor de fim de semana não pode se arvorar de Maratonista. A Literatura é um apêndice importante na minha vida, me deu a possibilidade de conhecer novas pessoas, fazer novos amigos e registrar, além da êfemero da oralidade, minha relação com a vida e o mundo.

Alexandre Lucas - Quando teve início sua atuação na literatura?

José Flávio Vieira - Cresci dentro de uma Livraria. Meu pai era professor de Língua Portuguesa e próprietário da Livraria Católica aqui em Crato. Desde menino gostei de escrever, na quinta série já redigia os primeiros textos e os primeiros poemas. Como adolescente tinha um diário escrito religiosamente. No Colégio Estadual Wilson Gonçalves fundei o primeiro Jornal Mural, participei de Grêmio Literário e fui um dos fundadores do Jornal Vanguarda nos fins dos anos 60 . Ali participei também da primeira Coletânea de textos: "Cariri Jovem 67". Hoje, olhando para trás ,com o distanciamento dos anos, imagino que desde mininote pulsava em mim esta tendência e já observava o mundo com olhos de escritor.

Alexandre Lucas – fale da sua trajetória:

José Flávio Vieira - Em 1970 fui estudar em Recife e entrei na Faculdade de Medicina em 1972, formando-me em 1977. Fiz Residência Médica no Hospital Getúlio Vargas na Veneza Brasileira(1978-79) : Cirurgia Geral. No período de Faculdade , em plena Ditadura Militar, participei de Jornais estudantis, como "O Esculápio" . Participei, também, dos Festivais da Canção do Cariri em 1974 e 1975 com o Grupo Kirimbau formado por primos e irmãos meus. Fui letrista de várias canções (" Sargaços" , quarto lugar em 1974; "Salvo Conduto", terceiro lugar em 1975 e muitas outras). Veio dessa época os meus primeiros problemas com a censura. Formado, voltei ao Crato em 1980 e desde então aqui estou. A vida de médico e pai de família me tomaram o tempo e escrevi apenas esporadicamente para os jornais da região. A partir de 1997, no entanto, comecei a escrever regularmente uma crônica nos sábados. Em 2003 lancei o primeiro livro "A Terrível Peleja de Zé de Matos com o Bicho Babau nas Ruas do Crato", um texto teatral que terminou sendo montado, através do II Edital de Incentivo às Artes do Estado do Ceará". Teve Direção minha, de Luiz Carlos Salatiel, Joaquina Carlos, Mauro Cézar, Abidoral Jamacaru e João Nicodemos e envolvia uma trupe de mais de 15 atores. Foram mais de 40 apresentações no Estado do Ceará, com grande sucesso, inclusive com premiação de Melhor Texto, no Festival de Acopiara.Em 2008 lancei o "Matozinho vai à Guerra", um livro quase que memorialístico e muito bem humorado e que terminou tendo uma das histórias : "Zezinho e o Cinematógrafo Herege" sendo levada ao Cinema por Jéfferson Albuquerque Júnior ( 2011) . Finalmente, em 2011, lancei "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica" , um livro infantil baseado nos mitos caririenses . O Livro tem ainda um CD com 15 músicas feitas em parceria com inúmeros artistas : Abidoral Jamacaru, Luiz Fidelis, Lifanco, Luiz Carlos Salatiel, Zé Nilton Figueiredo, Pachelly Jamacaru, Amélia Coelho, Ulisses Germano, João Nicodemos e com direção musical do maestro Ibbertson Nobre; além de um Audio-Livro que vem anexo . "O Mistério..." ganhou o I Prêmio Rachel de Queiroz" da SECULT e está adotado como paradidático em inúmeras escolas cratenses. Participei ainda de Coletâneas : "Cariricaturas" e "No Azul Sonhado" e fui vencedor dos três Prêmios SESC de Contos ( 2007-2009-2011) , com coletâneas também publicadas. Continuo escrevendo para o Rádio e para o jornalismo virtual ( blogs : Cariricult, Coletivo Camaradas, No Azul Sonhado e o meu : Simbora prá Matozinho).Fui convidado este ano, ainda, a participar do Projeto "Livro de Graça na Praça" em Belo Horizonte, com conto em coletânea que será lançada em Outubro.

Alexandre Lucas – como você consegue conciliar o trabalho médico com a literatura?

José Flávio Vieira - Esta pergunta muitos colegas e clientes me fazem. Como você arranja tempo? Digo sempre que tempo a gente sempre arruma se assim interessar. E para mim escrever traz um grande deleite, um grande prazer, não é um trabalho a mais, mas uma maneira de voar para fora das tariscas da gaiola da pesada vida cotidiana. Além do mais, sou um hiperativo e não consigo ficar parado muito tempo. Não bastasse isso, a Literatura para mim é uma extensão da minha vida profissional como médico e é nesse manancial que eu bebo para derramar depois no papel.

Alexandre Lucas – Todos os dias você escreve?

José Flávio Vieira - Normalmente escrevo uma vez por semana. Sou um indisciplinado, anárquico por natureza, mas nesse ponto sou muito determinado: escrevo às quintas, a não ser quando existe um Projeto novo, aí caio de cabeçae torno-me mais regular.

Alexandre Lucas – A sua forma de escrever une o humor com o linguajar nordestino. Você acha que isso caracteriza a sua poética?

José Flávio Vieira - O humor é uma característica certamente da maneira com que escrevo, falo, vivo. É inclusive uma característica familiar, acredito que roubei das minhas raízes varzealegrenses. Gosto também de mesclar a linguagem erudita com a popular( que no fundo são o verso e anverso de uma mesma moeda) e, principalmente nos diálogos, busco imprimir a doce língua do povo. Uma tentativa geralmente inglória de levar o doce da oralidade para a forma escrita.

Alexandre Lucas – Como você ver a relação entre literatura e política?


José Flávio Vieira - Acredito que a Arte é revolucionária na sua essência e, no fundo, o artista sempre se posiciona politicamente. Escrevemos sempre para denunciar, para tentar mudar o leme do barco e dar uma nova direção. Não aprecio, no entanto, a arte engajada ( qualquer tipo de engajamento no fundo é um cerceamento da atividade artística), embora admita a necessidade disso em determinadas situações, como na Ditadura Militar, por exemplo.

Alexandre Lucas - O seu livro Matozinho vai à guerra foi indicado para o vestibular da Universidade Regional do Cariri – URCA. Você acredita que isso potencializa a produção literária da região?

José Flávio Vieira - Fiquei muito feliz com a indicação, até porque era uma luta de muitos anos. Finalmente temos a possibilidade de olhar também para o umbigo. A URCA acordou para a possibilidade de ter uma visão também regional da Literatura. Isso certamente potencializa a produção literária local e abre horizontes imensos para que a juventude conheça os nossos escritores regionais. O Ceará tem um viés terrível: ele não olha para si , ele sempre vislumbra o mar em busca de Miami. A possibilidade da Arte Popular fazer parte do cotidiano das pessoas passa necessariamente pela Escola e, finalmente, começamos a descobrir isto.

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos?

José Flávio Vieira - Tenho um Livro pronto de histórias mais urbanas : "A Delicada Trama do Labirinto" que estou vendo a possibilidade de publicar ainda esse ano. Penso ainda num livro de Contos que ainda merece um trabalho mais demorado. E tenho pronto um Audio- Livro de textos: " Ícaro". Penso ainda escrever alguma coisa sobre a História da Medicina aqui no Cariri. E mais: pretendo voltar a escrever para o teatro , uma das minhas paixões.

Alexandre Lucas – Quais os desafios?

José Flávio Vieira - Gosto de trabalhos coletivos ,onde possa envolver os inúmeros artistas da região. No Zé de Matos juntamos teatro-dança-música e em "O Mistério das 13 Portas" mais de 50 artistas estiveram participando do Projeto. Congregar tantas forças não é fácil, passa por administração de egos e sensibilidades, mas potencializa imensamente o trabalho e este é um desafio interessante. Um outro desafio é fazer com que o nosso trabalho seja reconhecido na nossa própria casa, que as pessoas leiam nossos escritores,assistam a nossas peças teatrais, que nossas Rádios toquem nossos artistas, que o Reisado seja visto como uma expressão da nossa identidade e não como extraterrestres que desceram numa nave espacial na Bela Vista.E também que os palcos das nossas festas mais tradicionais não sejam exclusividade do que existe de mais reles na Cultura brasileira. Isso passa pela Escola e é lá onde devemos exercer a nossa força para que a mudança pouco a pouco se efetive. E mais: o Estado precisa ser obrigado a exercer sua função , através de Política Cultural.E aí temos uma arma poderosa que precisa ser engatilhada : o voto.

Alexandre Lucas – Como você vê a relação entre arte e política?

José Flávio Vieira - A Arte por si só é um instrumento político de mudança, de vislumbre de novos tempos e novos rumos. Precisará apenas ter a leveza, a delicadeza para ser Arte e fugir simples e cartorial panfleto.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Carta ao Patativa do Assaré - José do Vale Pinheiro Feitosa

Amigo Patativa, aqui no miolo da ritmada passarela do samba, um espetáculo de encher todos os espaços, pois não foi que me danei a pensar em ti. Naqueles idos dos 75, quando nosso amigo comum, Dr. Mário Dias, o trouxe para o Hospital São Francisco de Assis para tratar do teu problema ortopédico.

A Marquês de Sapucaia, onde as escolas de samba desfilam, é quase vizinha do São Francisco de Assis. Hoje as escolas são tão poderosas quanto as extravagâncias de efeitos especiais do cinema de Hollywood. Mas o velho hospital sucumbiu. A Universidade Federal do Rio de Janeiro não sabe o que fazer com aquele prédio, hoje decadente e se destruindo ao abandono.

Lembras-te daquelas rodadas de conversa e poesia em volta do teu leito de hospital? Eu nunca esqueci e quem por ela passou também não. Estudantes de medicina e enfermagem, professores que até bem pouco nem sabiam quem tu eras. E tu tão pequeninho, já com a pele marcada por vincas, um olho sem luz e uma voz lamentosa a exuberar os sertões.

É isso mesmo meu querido amigo, foi no ensurdecimento do desfile das Escolas Campeãs, que me reencontrei contigo. Relembrando nosso chão em transformação, o tempo a correr e esta enorme discrepância que se juntou na história do nosso tempo. Assim como o poder de teu pensamento e tua voz plangente; feito o gigantismo de tuas idéias poéticas e este teu corpo baixo de sertanejo empobrecido de governo e sociedade.

Pois eu sei que tu poderias bem me aparecer exatamente ali, naquele território onde por último nos encontramos. Não me esqueço da tua caneta titubeante, como a sofreguidão de analfabeto a assinar uma escritura doando tudo que tem para a humanidade. Não me esqueço de ter recebido exatamente aquela genialidade do J. de Figueiredo Filho publicando teus poemas. Acho que foi a primeira publicação de tuas declamações.

E tu escreveste assim: “Ao amigo José do Vale Pinheiro Feitosa a amizade do Patativa, Rio de Janeiro, 30 -1 – 75”. A promessa de amizade muito me honra, mas no teu jeito de encantar, uma missão deitou-me e espinhou todas as horas da vida para a realidade na qual nos atolamos: A fome é fera homicida/ Destrói a nossa matéria / E elimina a nossa vida,./ De tudo quanto é miséria,/ A fome tem uma dose, / É mãe da tuberculose / E da sepultura irmã: / Provoca tanta anarquia / Que o devoto contraria / A oração da manhã.

E no coração do samba em decibéis de audiência, a minha mente resolveu te prestar conta do que fui como médico. A primeira coisa, velho amigo, não foi nada do que dois idiotas escreveram para detratar-me como um personagem sem visibilidade na história da saúde pública brasileira.

Pois depois das nossas conversas eu estava numa favela combatendo a fome, a tuberculose e aquelas epidemias de vírus e diarreia que destruíam a vida de adultos e crianças. Meu velho amigo eu não esmoreci. Fui corajoso como tu fostes não só em teus poemas, mas nas leiras de teu plantio. Fui para a luta política para criar um sistema público universal de saúde. Andei o Brasil todinho de cabo a rabo para ajudar a administração pública de estados e municípios.

E quando presto minhas contas a você, quando juntos passamos horas e eu estava no último ano para me formar em medicina e nós querendo fazer mais do que tínhamos. Mas fizemos. Encontrar a exuberância da tua memória, recitando de cor toda a tua criação. Aquele radinho de pilha que nosso parco salário de iniciante serviu para musicar tuas horas de tédio naquele leito. Aquela carta que a Tereza tão carinhosamente escreveu enquanto ditavas para divulgar para a rádio MEC, que tinha um programa aos sábados sobre folclores, que tu estavas ali não muito distante dos estúdios dela.

Então, a força, a coragem e poder do homem estão naquele desfile das escolas de samba e foi por isso mesmo que a tua presença não me largou o tempo todo. Ambos são da mesma matéria da história brasileira

Rio de Janeiro, 24 de fevereiro de 2012.

José do Vale Pinheiro Feitosa

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

"PPP" - José Nilton Mariano Saraiva

Apesar da recorrência (e até por isso mesmo), não deveríamos nos estarrecer com a comprovada má fé e desfaçatez da Justiça (???) brasileira, quando se trata de julgar quem tem poder e grana: haja embromação, gincanas, má vontade, atalhos, lerdeza, descaso e, alfim, a impunidade; cadeia mesmo e punições outras (e isso o dia-a-dia nos mostra), só prá turma sob o abrigo da sigla PPP (prostituta, pobre e preto).
Vejam, abaixo, o vai-e-vem, a celeridade e o absurdo andamento (verdadeiro labirinto, objetivando claramente não levar a lugar nenhum) de um processo movido contra o então Governador de Roraima e hoje Senador Romero Jucá (PMDB), por crime eleitoral.
Foram “APENAS” OITO ANOS E 29 DIAS (18/10/2002 a 16/11/2010), para, alfim, se chegar à "brilhante" conclusão (apesar de toda a comprovada bandalheira), de que “NÃO HÁ PROVAS MÍNIMAS” .
Tenham um pouco de calma e leiam até o fim; pelo menos terão um bom motivo pra testar suas coronárias, tal a indignação que provoca (observação: o cearense LEONIDAS CRISTINO, ex-prefeito de Sobral, também foi beneficiado por tal artimanha).
Aos fatos.

José Nilton Mariano Saraiva

*************************

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - INQUÉRITO Nº 2663 ( RÉU: ROMERO JUCÁ – PMDB )

Número de documentos: 33 - Número de páginas: 1.150 - Estado do procedimento: Arquivado - Requerente de absolvição/condenação: Procuradoria Geral da República pediu arquivamento. Informações de abertura: - Termo de depoimento à PF em 18/10/2002 dá início à investigação. Foram depoimentos de Gilma Gonçalves, Edilene Ferreira e Maria José Bezerra. -Inquérito 2663, motivação/objeto e provas: sobre crimes eleitorais, uso de funcionários da prefeitura na campanha de 2002. -Volume 3 reúne documentos mostrando escala, funções, caça de votos pelos funcionários públicos. -Suspeita de tentar matar a testemunha com uma Kombi branca (pág. 71, volume 4). -Ameaças vindas da prefeitura, segundo as testemunhas, após as denúncias (págs. 114-118, volume 4).
Descrição dos principais fatos do andamento:
-Em 25 de julho de 2003, O DELEGADO diz que está com muito trabalho e pede pra redistribuir (pág. 171, volume 4). -Em 6 de outubro de 2003, OUTRO DELEGADO também diz que está com muito trabalho e que novos delegados tomaram posse. Por isso, pede pra redistribuir (P. [pág.] 199, volume 4).
-A TERCEIRA DELEGADA diz que despacha em 26/12/2003 porque teve que participar de outra operação (pág. 215, do volume 4). -Em 16/2/2004 o QUARTO DELEGADO assume o caso (pág. 219, do volume 4). -Em 2/6/2004, o delegado diz que estará em missão e deixa o inquérito no cartório (pág. 231 do volume 4). -Em 28/6/2004 estaria em missão em Brasília, novamente pára o inquérito (pág. 233, do volume 4). -Em 30/8/2004, O QUARTO DELEGADO É REMOVIDO e redistribui o inquérito (pág. 245 do volume 4). -Em 7/10/2004 assume O QUINTO DELEGADO (pág. 249, volume 4). -Em 3/1/2005, o delegado diz que férias e excesso de trabalho prejudicaram o andamento (pág. 255 do volume 4). -Em 9/3/2005 OUTRA DELEGADA assume a investigação porque o titular saiu de férias (pág. 262, do volume 4). -Em 9/6/2005, a delegada que assumiu interinamente culpa o excesso de trabalho (pág. 275 do volume 4). -Em 13/9/2005, a delegada diz que tem que fazer segurança de uma festa da homologação da Raposa do Sol e por isso não poderá atuar no caso até 2 de outubro (pág. 285, do volume 4). -Em 9/11/2005, delegada volta a culpar excesso de trabalho e diz que Romero Jucá não é investigado e, por isso, não pode copiar os autos (pág. 291 volume 4). -Em 10/12/2005, a delegada diz que vai viajar e pede mais prazo (pág. 299, volume 4). -Em 10/3/2006 UM NOVO DELEGADO assume o caso, porque novos policiais chegaram à superintendência de Roraima. Ele diz que tem excesso de trabalho (pág. 309 do volume 4). -Em 26/6/2006, o delegado novamente pede mais prazo e culpa o excesso de trabalho (pág. 317 do volume 4). -Em 31/7/2006 repete o mesmo procedimento, com as mesmas palavras (pág. 325 do volume 4). -Em 16/9/2006 NOVO DELEGADO assume e diz que tem excesso de trabalho (pág. 327, volume 4). -Em 19/9/2006 os autos vão pro cartório eleitoral para pedir mais prazo. O despacho é feito apenas em 9/10/2006, porque o chefe do cartório diz haver excesso de trabalho por causa das eleições (pág. 331 do volume 4). -Foi remetido para a PF em 18/12/2006. Delegado despacha apenas em 10/01/2007. O delegado culpa o excesso de trabalho (pág. 336 do volume 4). -Em 10/1/2007 vai pra OUTRO DELEGADO, O SÉTIMO . Ele despacha em 29/1/2007, e culpa excesso de trabalho (pág. 340 do volume 4). Juca é investigado oficialmente. -EM 6/2/2007, O MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL PERCEBE QUE JUCÁ É SENADOR E CINCO ANOS DEPOIS MANDA PARA O SUPREMO (pág. 344 do volume 4). -Sobe para o Supremo em 18/5/2007, mas o juiz cita o deputado federal Urzeni da Rocha Freitas (pág. 347 do volume 4). -Em 22/6/2007 chega ao gabinete do Celso de Mello. -Resumo do caso na página 360 do volume 4. -Em 19/11/2007, a PGR pede a oitiva do Juca a perícia nas urnas apreendidas. Propôs a reautuação do feito como inquérito. -Em 20/12/2007, a PF (Leandro Daielo, como substituto da Fazendária) MANDA DE NOVO pra superintendência de RR para cumprir diligências (pág. 381 do volume 4). -Em 6/2/2008 intima o Jucá (pág. 390 do volume 4). -Em 19/2/2008, Edilene Ferreira de Oliveira volta à PF e confirma o mesmo depoimento dado na página 15 do inquérito (pág. 415 do volume 4). -Em 19/2/2008, Gilma Gonçalves também confirma o que dissera seis anos antes (p. pág. 419 do volume 4). -Em 12/3/2008 vence o prazo pro Jucá depor, o delegado pede mais prazo (pág. 424 do volume 4). -Em 10/6/2008 novo ofício pedindo que o Jucá marque o depoimento (pág. 248 volume 5). -Em 11/7/2008, Jucá diz que só poderá ser ouvido pela PF no seu gabinete em BSB no dia 28/7, às 14h30. -Em 12/12/2008 a PF diz que ainda falta a oitiva do Romero Jucá (pág. 284 do 5 volume). -Em 25/2/2009, o PGR diz que Jucá marcou hora pra oitiva, mas ela não foi realizada (pág. 2 do volume 8). -Em 13/4/2009 a PF responde que não houve perícia técnica nas urnas apreendidas, pergunta que havia sido feita em 2007 (pág. 1 do volume 21). -Em 14/4/2009, a PF pede novamente para Jucá marcar sua oitiva. -Em 12/6/2009, a PF diz que falta “apenas” inquirir o Jucá (pág. 19 do volume 22). -Em 16/11/2010, o MPF diz que não é necessário mais prazo, porque as provas já seriam suficientes (pág. 2 do volume 7). O MPF DIZ QUE NÃO HÁ “PROVAS MÍNIMAS QUE INDIQUEM QUE ROMERO JUCÁ E TEREZA JUCA TENHAM FEITO PAGAMENTOS DE VALORES A ELEITORES” (PÁG. 5).

O Oscar go...

"Com todo respeito a Sergio Mendes, Carlinhos Brown e Carlos Saldanha (foto acima), foi patético ver tanta gente torcer apaixonadamente por um Oscar para “Real in Rio”, uma canção repleta de clichês, cantada em inglês, tema de um filme tão brasileiro quanto “Uma Noite no Rio”, com Carmen Miranda.

Assim como a medalha de ouro que o futebol nunca conquistou em Jogos Olímpicos, o Oscar se tornou objeto de uma veneração quase divina e irracional.

Se o Oscar é importante para a indústria cinematográfica brasileira, seria o caso dela discutir o assunto seriamente. Se não é, deveríamos tratar desta festa com mais humor. A seriedade e, pior, o ufanismo nas últimas semanas por causa de “Real in Rio” beirou o ridículo". O texto de Maurício Stycer (colunista de TV da FSP que é ótimo quando não tá falando do BBBosta) vai direto na ferida. Aqui na cidade da Bahia só faltaram decretar feriado antecipado caso Carlinhos Brown ganhasse o prêmio. Afinal de contas não era o Brasil que iria ganhar o Oas car mas o trio de compositores (com uma norte-americana no meio, inclusive). O Oscar não é uma Copa do Mundo ou uma Olimpíadas onde países concorrem por medalhas. A coisa mais parecida com isso é o prêmio pra melhor filme estrangeiro que por sinal tem o maior competidor fora da competição. Na hora de se ufanar por besteiras é melhor dar um tempo e pensar um pouquinho. Menas, torcida brasileira, menas.

Educar é uma questão de Estado - José do Vale Pinheiro Feitosa

Vamos falar de educação tomando por base um país que desenvolveu um dos melhores sistemas de educação do mundo: a Finlândia em terceiro lugar no Ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos. E o que diz Pasi Sahlberg, diretor de centro estudos vinculado ao Ministério da Educação finlandês?

“Todo sistema escolar é financiado pelo Estado, os alunos não são massacrados com toneladas de exercícios, o dever de casa é mínimo, mas toda a estrutura se volta para qualidade do professor e dos ambientes de aprendizado. Não existe avaliações periódicas de alunos e os docentes não recebem a sua remuneração por desempenho.”

Leram direitinho. Tudo diferente do que “mentes brilhantes” advogam para o Brasil: privatizações, massacre do aluno até o cansaço e os professores alimentados por uma máquina burocrática de avaliação de desempenho com a finalidade de melhorar seus ganhos. Lá na Finlândia é tudo ao contrário da ideologia vitoriosa no Brasil e que derrotou Darcy Ribeiro e Brizola.

Vamos aprofundando na história filandesa. O sucesso educacional deste país se deveu a um princípio simples que as “redes globos” brasileiras combateram até o limite da desonestidade. A reforma educacional da Finlândia “não foi guiada pelo sucesso escolar e, sim, pela democratização do acesso a escolas de qualidade” disse Pasi Sahlberg ao jornal o Globo (afinal a contradição existe). A estratégia envolve recursos e uma política continuada de investimentos pois isso começou na década de 70 e até hoje os governos respeitam. E o caminho é simples: “toda criança tem ensino obrigatório de nove anos e todas passaram a estudar em escolas públicas parecidas e com o mesmo currículo nacional.”

O caminho é diametralmente oposto ao modelo americano e que influencia enormemente o Brasil. Aliás, as regiões do Cariri, Sobral e Fortaleza vivem uma verdadeira máquina de mercado privado na educação. A classe média paga caro por um ensino “performático”, voltado para o acesso a universidades não sem razão de natureza privada e com tendência ao aumento de vagas.

Olhem que diferente daqueles mitos que tomam conta dos outdoors da vias públicas, com escolas apontado os campeões do vestibular e apresentando “mestres” como um cartaz de um herói de ficção. Na Finlândia é a vida como ela é, humana, duradoura e igualitária: “Os pontos fortes do sistema finlandês são o foco nas escolas, para que elas possam ajudar as crianças a ter sucesso; educação primária de alta qualidade, que dê uma base sólida para as etapas seguintes do aprendizado; e a formação de professores em universidades de ponta, que tornaram a profissão uma das mais populares entre os jovens finlandeses. (Pasi no Globo).

E tem mais a dizer sobre a preparação do professor: “Professores são profissionais de alto nível, como médicos ou economistas. Eles precisam de uma sólida formação teórica e treinamento prático. Em todos os sistemas educacionais de sucesso, professores são formados em universidades de excelência e possuem mestrado. O salário dos professores deve estar no mesmo patamar de outras profissões com o mesmo nível de formação no mercado de trabalho. Também é importante que professores tenham um plano de carreira, com perspectivas de crescimento e desenvolvimento.” Portanto esta é uma questão nacional e não sujeita apenas aos municípios.

E o que o educador Finlandês diz não é diferente do que muitos educadores brasileiros dizem, mas os “mercadistas” do laissez-faire de arrabalde apontam em outra direção: “entender qual é a essência do bom ensino e do bom aprendizado. As crianças devem ser vistas como indivíduos que têm diferentes necessidades e interesses na escola. Ensinar deve ser uma profissão inspiradora com um grande propósito de fazer a diferença na vida dos jovens. Infelizmente, esses princípios básicos deram lugar a políticas regidas pelo mercado em vários países. Essa lógica de testar estudantes e professores direcionou os currículos e aumentou o tédio em milhões de salas de aula. A fórmula para uma reforma da educação em muitos países é parar de fazer essas coisas sem sentido e entender o que é importante na educação.”

Procurem ler a matéria no site do Globo, pois vou encerrar por aqui, a postagem está ficando longa, mas a análise do professor finlandês é cabal para derrubarmos todo este status enganoso que rouba recursos públicos e desampara o futuro dos jovens. Leiam o que diz o finlandês: “a experiência da Finlândia mostrou que é possível construir um modelo alternativo àquele que predomina nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países. Mostramos aqui que reformas guiadas pelo mercado, com foco em competição e privatizações não são a melhor maneira de melhorar a qualidade e a equidade na educação. Segundo, é importante focar no bem-estar das crianças e no aprendizado da primeira infância. Só saudáveis e felizes elas aprenderão bem. Terceiro, a Finlândia mostrou que igualdade de oportunidades também produz um aumento na qualidade do aprendizado. É preciso que o Brasil combata essa desigualdade de acesso. Só um plano de longo prazo para a educação e compromisso político possibilitarão que os resultados sejam alcançados.”

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Um dia de papo com Bruno Pedrosa - José do Vale Pinheiro Feitosa

Passamos o dia aqui no Rio em companhia do Bruno Pedrosa. Chegou antecipadamente ao Brasil em relação à abertura de uma grande exposição, chamada Presságios no Museu do Ingá em Niterói. Chegou antecipado, pois trabalha numa escultura para a Universidade Federal Fluminense. A escultura feita em vergalhão de ferro de várias espessuras terá quatro metros de altura e é a expressão do que ele faz no desenho.

Esta é uma característica do Bruno Pedrosa, ele vai da escultura à pintura carregando a mesma temática, as mesmas soluções estéticas. Uma escultura é a terceira dimensão de um desenho/pintura dele. Conviver com o Bruno é uma das coisas mais agradáveis de se fazer, especialmente ontem quando a noite me prometia o desfile das campeãs na Marquês de Sapucaí.

O Bruno Pedrosa é um ser cuja expressão ao vivo e a cores é a força telúrica dos sertões da pecuária nordestina. Quando ouço ou leio amigos torcendo o nariz para a estética de Glauber Rocha, imagino que arte não seja apenas aquela estética de cortes ligeiros e efeitos especiais de Hollywood. A narrativa enxuta e a mensagem já resumida.

É a arte de longas narrativas, milenares (aliás muita gente confunde o milenarismo religioso com a milenar cultura nordestina) que vai das alturas do canto provençal às planícies ressequidas dos nossos sertões. E tem mais, não é o feudo medieval da agricultura, é um semi-feudo do vaqueiro e das distâncias descomunais para a venda da boiada.

Por isso ele diz que apenas embarcou nas artes plásticas quando compreendeu “concretamente e espiritualmente a carreira de artista”. Então eis o que se tem por dizer a respeito do artista: uma luta entre o concreto e o espiritual na calcinada vida da modernidade (pós-modernidade). A luta de Bruno Pedrosa não é diferente de outras lutas ontológicas da vida nordestina: do Antonio Conselheiro, do Padre Cícero, do camponês tentando construir uma vereda entre o chão e o céu.

Bruno Pedrosa por isso mesmo faz arte como se fosse uma missão. Por sinal uma missão para libertar a carne dos impulsos milenares que ali vegetavam como parte inseparável do seu ser. Aí o artista faz o que deve ser feito: “uma necessidade irrenunciável de catarse, um modo de liberar completamente os meus impulsos interiores”.

Mas é preciso dizer que nesta frase não se tome da ligeireza de buscar cores narcísicas neste sertanejo. Ao contrário a trajetória artística (claro que pessoal) de Bruno é sua interioridade em confronto com o exterior e por isso mesmo, é a renúncia ao palco de si mesmo para, através do “conhecimento e auto-conhecimento”, realizar a “comparação contínua consigo próprio e com todas as coisas que capturarão a sua atenção”.

Ao encerrar este nota estou cada vez mais convencido que converso de vez em quando com um religioso da caatinga. Um ser entre a abundância de aconteceres e a escassez de continuidades hibernais. Por isso mesmo é que o Bruno, com seu corpo magro, alto e longas barbas transita na Europa como um cristão primitivo e asceta. Há em Bruno uma semelhança milenar com o judaísmo dos desertos da Galiléia, ou melhor dizendo, das cavernas das encostas do Mar Morto com a aridez e o batismo dos essênios.

Sobre a "EDUCAÇÃO" ( Darcy Ribeiro )

“Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas e entre elas a maior, a escolarização das crianças”.

“É sabido que a escola de turnos é uma perversão brasileira, que não existe no mundo civilizado. Por toda parte, considera-se que só uma “escola de tempo integral”, para alunos e professores, dá garantia de uma escolaridade proveitosa. O retrocesso às escolas de turno só é explicável por sectarismo e ignorância”.

“Esse modelo de escola (de “tempo integral”) atende aos três requisitos essenciais de uma escola popular eficaz. “Espaço” para a convivência e as múltiplas atividades sociais durante todo o largo período da escolaridade, tanto para as crianças como para os professores. O “Tempo Indispensável”, que é igual ao da jornada de trabalho dos pais, em que a criança está entregue à escola; larga disponibilidade de tempo possibilita a realização de múltiplas atividades educativas, de outro modo inalcançáveis, como as horas de “Estudo Dirigido”: freqüência à Biblioteca e à Videoteca, o trabalho nos laboratórios, a educação física e a recreação”.

“Hoje, nosso professorado é formado numa das disciplinas falsamente profissionalizantes ministradas no nível médio, quase sempre em cursos noturnos, de onde sai incapaz de ensinar”.

“O “Programa Especial de Educação” previa que todas as escolas deveriam funcionar ordenadas dentro de um projeto pedagógico unido e de uma organização escolar padronizada, do contrário teríamos a reprodução do que ocorre nas redes de ensino em geral, onde, por um equívoco do que significa “Democratização da Educação”, temos escolas totalmente entregues às suas Diretoras que, muitas vezes mal preparadas para suas tarefas, orientam suas unidades melhor ou pior, de acordo apenas com sua competência, mas sempre diferentes umas das outras, tanto pedagógica como administrativamente”.

Sobre Darcy Ribeiro:

"Seguramente, Darcy Ribeiro foi o homem que mais lutou pela educação no Brasil. Falar dele apenas como educador seria pouco. A proliferação de idéias e vontade de realizar projetos fizeram dele muito mais. Começou como antropólogo, elaborando trabalhos de impacto mundial. Mas tarde, ingressou na área educacional, criou a Universidade de Brasília, da qual foi o primeiro Reitor e, em seguida, Ministro da Educação com apenas 30 anos de idade. Sua produção no setor de ensino e cultural deixou marcas no país: criou universidades, centro culturais, uma nova proposta educativa com os Centros Integrados de Educação Pública (CIEP’s), além de deixar inúmeras obras escritas em várias línguas. A propagação de suas idéias rompeu fronteiras. Viveu em vários países das América Latina, especialmente no Chile, aonde conduziu programas de reforma universitária. O extraordinário progresso do povo chileno nas áreas social, cultura e econômica nos últimos vinte anos, deve-se indubitavelmente aos programas de reforma da educação iniciados por Darcy Ribeiro naquele país e que, infelizmente, por forças e interesses cinzentos, não pôde implementar no Brasil".


Post Scriptum (em "aditamento"):

01) "A situação social do país é inviável e o Brasil tem uma gigantesca população com capacitação apenas para o trabalho manual, a qual vai se reduzindo frente ao progresso tecnológico. É preciso investir tudo o que for possível em educação. Se eu tivesse apenas 1 (um) real para gastar e devesse escolher onde destiná-lo, se à saúde ou à educação, investiria tudo na educação". (Hélio Jaguaribe).

02) Como você, aí do outro lado da telinha, pode observar (e pra evitar julgamentos precipitados), TODAS as citações acima (inclusive o "Sobre Darcy Ribeiro") estão "aspeadas" e, portanto, NADA é da nossa autoria (quem dera tivéssemos competência para tal); apenas transcrevemos e postamos.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Estamos de luto: Pery Ribeiro morre aos 74 anos!

A voz do talentoso filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins somente ouviremos agora pelos registros fonograficos nos LP e CD gravados. Pery Ribeiro foi quem primeiro gravou a clássica "Garota de Ipanema", um dos grandes hits da Bossa Nova, o ritmo samba-jazz que colocou a música brasileira nos palcos do mundo.

paintWork by LUPIN



O Universo Neoliberal em Desencanto – Entrevista com José Carlos de Assis e Francisco Antonio Dória. Parte I

O título desta entrevista é o mesmo do livro lançado recentemente pela Civilização Brasileira pelo Professor e Economista José Carlos de Assis, pelos professores e matemáticos Francisco Antonio Dória, Marcelo Tsuti e Nilton da Costa. Como se trata de uma entrevista longa para um blog, resolvi reparti-la em três partes, mas publicá-las simultaneamente no mesmo dia. Para facilitar a leitura vou publicar na ordem inversa para que o leitor tenha uma sequência de postagens que obedeça à sequência cronológica da entrevista.

O esforço em passar a gravação para o texto tem por destino a leitura de professores e alunos de economia, mas serve para todos nós que fomos inundados pela teoria Neoliberal e transformada em bandeira ideológica desde a segunda metade dos anos 80. Outra explicação importante: a alma do Neoliberalismo, ou liberalismo, se encontra na famosa frase de Adam Smith de que os comportamentos egoístas das pessoas no mercado levariam necessariamente a um equilíbrio.

Em primeiro lugar o mercado é um fenômeno do capitalismo e o seu equilíbrio é uma condição histórica essencial à sua sobrevivência. O que os liberais transformaram em verdadeiro teorema matemática foi a idéia de que o equilíbrio viria pela própria dinâmica dos agentes do mercado. Aquele famoso matemático da Teoria dos Jogos, Johnny Nash, que demonstrou que jogadores em suas táticas individuais tenderiam com o tempo a equilibrar o jogo já que ninguém extrairia mais vantagens com novas medidas. O Nash é conhecido de todos, é aquele personagem do filme Uma Mente Brilhante.

Pois então, a entrevista é uma boa crítica ao neoliberalismo e no final é revelado um grande tento da matemática brasileira. Três brasileiros acabam de elaborar um teorema matemático em que demonstram que é impossível determinar se um mercado atingiu um ponto de equilíbrio ou não. Afinal o Neoliberalismo tem se revelado cada vez mais uma artimanha política dos ricos para preservarem suas riquezas em detrimento do bem estar social e dos direitos sociais. A Europa que o diga.

A ENTREVISTA

Um livro que debate a crise mundial é O Universo Neoliberal em Desencanto. Os professores Francisco Antonio Dória, doutor em matemática e física e o Professor José Carlos de Assis da Universidade Estadual da Paraíba que é economista.

O Professor José Carlos de Assis assim sobre o que seja o neoliberalismo: para ser bem simples o neoliberalismo é uma espécie de conspiração dos ricos para pagar menos impostos. Na verdade é um esforço para você destruir o Estado de Bem Estar Social onde ele foi construído que foi principalmente na Europa. Está baseado em dois princípios, duas teses: o Estado Mínimo e a Auto-regulação dos Mercados. O Estado Mínimo entende-se um Estado financiado basicamente pela comunidade das populações e cada vez menos pelos ricos. Estão cada vez pagando menos impostos. Este Estado mínimo não responde ou responde cada vez menos por obrigações sociais e direitos sociais. A Auto-regulação dos Mercados é a idéia de que o capital pode se regular. O capital deve ter liberdade absoluta de aplicação e circulação independentemente de objetivos sociais e de objetivos políticos mais amplos. É claro que tem outras instâncias em que se deve apreender o neoliberalismo com, por exemplo, a idéia de Banco Central Independente. Que cai no mesmo princípio, o Banco Central Independente é um Banco Central que é fundamentalmente a favor dos ricos. Quer dizer a favor da riqueza da preservação da riqueza líquida em detrimento muitas vezes do crescimento econômico.

A opinião do Professor Francisco Antonio Dória sobre o que é o Neoliberalismo. Neoliberalismo obviamente é um termo pejorativo. Neoliberalismo é o nome que a gente dá pejorativamente à teoria Neoclássica Econômica, que o estudante de economia também conhece como Teoria Microeconômica. E o conceito central dessa teoria que é bem diferente da Macroeconomia praticada pelos grandes economistas clássicos etc. incluindo-se aí nos clássicos o Marx, é o Mercado. O Mercado é uma entidade abstrata que supostamente calcula, aloca de maneira eficiente, distribui, realiza as benesses do sistema econômico automaticamente e sem que ninguém precise se preocupar. É uma visão deturpada da mão invisível de um grande clássico Adam Smith que diz expressamente a mão invisível é o seguinte. Cada um age de maneira egoísta, mas o resultado é o bem comum. É uma visão utópica que a gente sabe através de experiências feitas com sistemas econômicos controlados que não funcionam. Isso é o neoliberalismo.

O Universo Neoliberal em Desencanto – Entrevista com José Carlos de Assis e Francisco Antonio Dória. Parte II

O que leva vocês a pensar que o Neoliberalismo não renascerá no fim da atual crise. Diz o economista José Carlos de Assis: Olha eu cometi até uma imprudência por que eu disse que o Neoliberalismo estava morto. Pelo menos enquanto ideologia organizadora da sociedade. Eu até cheguei a escrever isso num outro livro meu chamado a crise da Globalização. Eu achava que enquanto ideologia realmente ele ia sobreviver. Por que ideologia não morre, por que tem gente que acredita em horóscopo tem que acredita em ideologia as mais, anarquismo, coisa que aparentemente estariam ultrapassadas, mas que sobrevivem na memória coletiva e que de repente sobressaem. A sobrevivência ideológica do neoliberalismo é possível, ela é real. O que eu achava que não ia acontecer é a sobrevivência, pelo menos no curto prazo, da ideologia como uma instância organizadora da sociedade e das economias. No entanto ele está reaparecendo nessa condição. Talvez um pouco devido à incompetência de nós, a nossa incompetência como pessoas progressistas, sobretudo, em formular uma alternativa ao capitalismo ultra liberal. Eu não acredito que o capitalismo vá acabar. Essa crise não vai acabar com o capitalismo. O capitalismo está entranhado em toda a sociedade, em todas as sociedades, o capitalismo está entranhado na Ásia, está entranhado na Europa. Não vai acabar. O que vai acabar e que certamente tem que acabar é o neoliberalismo econômico. Ou o liberalismo radical em economia. Isso é o que tem que acabar para passar para um novo estado, uma nova situação, que é o capitalismo regulado. Esse capitalismo regulado, há uma coisa estranha por que os progressistas com medo de acolherem a idéia de que você tem que aceitar o fato de que o capitalismo em suas bases vai continuar, eles não conseguem formular o quê que é a prática real e a prática política do capitalismo regulado. Coisa que é até relativamente fácil por que ele aconteceu. Você teve um momento de capitalismo regulado, sobretudo na Europa. Você pega um país como a França. A França 66% do PIB é setor público. Na Alemanha que todo mundo diz é um país liberal coisa e tal, 56% é governo. São países altamente regulados, agora na verdade eles estão tentando destruir esta base de regulação. Mas isso é um modelo, ao contrário, é um modelo a ser seguida. É um modelo de sociedade. Em relação a isso é que eu acho é que a gente tem que destruir realmente o que resta de ideologia neoliberal como reguladora do sistema mundial e propor uma alternativa real em termos de sociedade e em termos de economia.

Agora o professor Francisco Dória: Eu vou ser curto e grosso. A diferença entre uma coisa e a visão alternativa. A visão Neoliberal e a visão alternativa, que no caso é a economia fundamentos Keynesianos pode ser resumida da seguinte maneira. A ênfase no caso neoliberal é a proteção aos fluxos financeiros, a liberdade dos fluxos financeiros, a liberar dos sistemas financeiros, a liberdade dos bancos, vamos ser pejorativos. Enquanto que a teoria Keynesiana está sintetiza no título da sua grande obra: Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda. Do emprego, o ponto central é o emprego. Qual é a parte mais visível da crise européia? O desemprego. Qual a parte mais visível da crise a americana? O desemprego. E a resposta está dada na teoria econômica Keynesiana que está aí desde mil novecentos e trinta e tanto.

Professor José Carlos de Assis a crítica de vocês aos bancos centrais independentes. Não seria pior ela sobre o comando de políticos demagógico? Bom isso aí tem que ser esclarecido por que é outro ponto ideológico extremamente relevante na empulhação que se faz da política econômica contemporânea. Ninguém é contra um banco central operacionalmente independente. Qualquer agência pública tem que ser operacionalmente independente. Você tem uma agência de regulação de telefonia, na operação dela ela tem que ser independente por que ela é quem conhece os detalhes técnicos da operação do setor. Então a gente é a favor de um banco central operacionalmente independente. O que a gente é contra é um banco central politicamente independente no sentido de que seus objetivos políticos sejam muito restritos. O Banco Central Europeu que foi construído em plena hegemonia do pensamento neoliberal só tem um objetivo: controlar, regular a inflação. Enquanto o Banco Central Americano, é uma sociedade muito mais, sobretudo a elite da sociedade americana tem uma participação muito maior nos lobbies políticos e não ia deixar isso na mão de segmento de banqueiros apenas. O banco central americano que é o FED tem como objetivo....tem três objetivos centrais. Controlar a inflação sim, mas tem também, fornecer à economia os recursos necessários à expansão da economia e em terceiro lugar, promover o emprego máximo. O nosso banco central tem como objetivo único controlar a inflação. Então em nome do controle da inflação ele pode fazer qualquer coisa, inclusive uma taxa de desemprego cavalar. Isso é que a gente é contra. Esse tipo de Banco Central que é uma criação, sobretudo dos anos 80 para cá, teve um sucesso no mundo inteiro. Que foi um pouco que a gente for discutir mais um pouco, a causa disso, é mais uma vez a proteção da riqueza. Financeira. Quando você tem um banco central que não se preocupa com o emprego é um banco central restritivo que reduz a disponibilidade de dinheiro na economia e, portanto, só protege os interesses de quem já tem dinheiro. E não dos que não têm dinheiro.

Professor Antonio Dória existe este conflito entre banco central independente versus banco central subordinado aos políticos. Veja não é banco central independente, é banco central dependente do sistema financeiro, que é o banco central que nós temos. Primeiro eu quero lembrar que quem criou, uma das primeiras pessoas a pedirem um banco central independente foi Marx. Marx e Engels no manifesto comunista vamos ler lá, ninguém ler estas coisas, isso é que acho impressionante. Toda a discussão sobre banco central independente acaba parando no fato de que as pessoas não conhecem as bases e as origens dos conceitos e das idéias que estão sendo defendidas. Agora, especificamente no caso brasileiro, eu li a pedido do Assis, e em cima disso a gente fez o capítulo três do livro, eu li o texto teórico do banco central que expõe a técnica das metas de inflação. Eu tive que ler quatro vezes aquele paper, devo dizer eu estou habituado a texto matemático complicado, mas este realmente foi um dos mais difíceis que eu li. E o resumo do que está dito é o seguinte: regime de meta de inflação o que é que é? É uma regra de três metida a besta. Vocês me perdoem a franqueza, mas quando você resume toda a matemática que está exposta no paper o que resulta é isso. Nós temo que a meta de inflação é obtida a partir de uma espécie de regra de três, de um lado tem a expectativa de inflação e do outro lado tem a taxa de juros que deve supostamente controlar aquela expectativa de inflação. Agora que dita a expectativa de inflação? O mercado, o mercado financeiro. A pesquisa de mercado que o banco central faz todo mês, antes da reunião do comitê responsável. Ou seja, o mercado quer taxas de juros altas, por que está ganhando em cima do empréstimo em dinheiro improdutivo. Com isso determina, dá uma sugestão de meta de inflação, conhece o mecanismo, conhece a fórmula, a expressão matemática que liga a expectativa de inflação à taxa de juros e acaba resultando, O quê? A taxa de juros que o mercado deseja. Isso é independência de banco central? Claro que não.

O Universo Neoliberal em Desencanto – Entrevista com José Carlos de Assis e Francisco Antonio Dória. Parte III

Professor José Carlos de Assis o senhor quer acrescentar mais alguma coisa? Uma coisa importante se você só tem uma variável de controle que é a taxa de juros, qualquer outro fator inflacionário na economia acaba sendo reduzido a esse, então a fórmula tem em si mesma um risco de ineficácia brutal. Por que você tem, por exemplo, uma pressão inflacionária que venha do câmbio em determinada situação. Na medida em que você tenha uma situação dessas e se você usa a taxa de juros para controlar a inflação você pode estar arriscado a estrangular a economia em nome do controle da inflação. E às vezes você até controla a inflação, mas você controlaria de uma forma alternativa muito menos sacrificante para a sociedade. Essa é que é a questão.

Antonio Dória: Pois é Assis, eu quero acrescentar outra coisa, um trabalho muito interessante sendo feito por uma aluna minha de pós graduação, Juliana que tem experiência direta do mercado financeiro, por que ela é analista de mercado financeiro. E ela chama a atenção que em certos casos o regime de metas de inflação é inflacionário, por quê? Vamos supor que você tenha que acrescentar juros ao que seja de consumo compulsório. Por exemplo, comida? Você tem que consumir comida de qualquer jeito. Você pode botar o preço que for, você pode diminuir a quantidade mas você está consumindo aquilo. E o juro é um custo a mais, que está elevando mais ainda o preço. Quer dizer o regime de meta de inflação se não for aplicado com muito cuidado, e naquelas fórmulas eu não vi isso, acaba sendo ao contrário do que desejam um regime inflacionário.
Na sua opinião o que representa os teoremas de vocês como demonstração das bases do neoliberalismo. Deixa eu dizer primeiro a origem deles. A idéia deles foi sugerida por um grande economista matemático americano, chamado Alain Lewis, eu conto toda história no livro, e ele é chamado o outro Nash, por que o perfil dele em termos teórico é muito semelhante ao perfil de John Nash. A única diferença que tem é que Lewis tenha feito grandes trabalhos ele não ganhou o prêmio Nobel. O John Nash, prêmio Nobel de Economia a respeito de quem foi feito um filme Uma Mente Brilhante. Esse teorema nos foi sugerido pela pessoa que aparece como autor principal que é o Marcelo Tsuji, um economista paulista que nos foi encaminhado a mim e ao Nilton da Costa pelo Delfim Neto. O Delfim é uma grande cabeça teórica e achou que Tsuji podia dar algumas idéias muito boas para a gente e podia, eventualmente, fazer, como acabou fazendo, a pós graduação conosco, conosco eu estou dizendo, o Nilton da Costa que é o terceiro autor do teorema e eu. E o que esse resultado mostra é o seguinte: o mercado é dito como uma espécie instrumento de cálculo de pontos de equilíbrio, de situações adequadas, perfeitas em economia. Tudo bem, o que a gente mostra é que no caso geral nós nunca sabemos quando o mercado chegou no equilíbrio. No caso geral! Há casos particulares em que você pode dizer agora o mercado está equilibrado, os preços que nós temos estão equilibrados. Mas no caso geral, quando você está lidando com modelo matemático muito complexo é impossível computacionalmente você determinar se o mercado chegou ao um ponto equilíbrio ou não. Ou seja, a tese central da teoria Neoclássica ficou muito prejudicada com este teorema. Parece que o Nash ficou furioso quando soube.

Momentos da arte do filme: Veja aqui em versão integral "O sétimo selo", de I...

Momentos da arte do filme: Veja aqui em versão integral "O sétimo selo", de I...: Disponibilizo, para os leitores deste blog, a versão integral de O sétimo selo (Det sjunde inse glet , 1956), de Ingmar Bergman.

Lula para o Banco Mundial – (Gregory Chin da York University, Canadá)

O anúncio da saída de Robert Zoellick como presidente do Banco Mundial provocou uma nova rodada de debate sobre a escolha do próximo chefe da importante instituição de Bretton Woods. Demandas estão crescendo para quebrar a tradição de 65 anos de selecionar automaticamente um americano como o próximo chefe do Banco Mundial. Existem outras alternativas claras. No momento em que as economias avançadas preferem falar sobre como corrigir desequilíbrios macroeconômicos globais de comércio e finanças, para o Sul, os desequilíbrios são mais básicos: incluindo o desequilíbrio Norte-Sul na representação nas instituições globais. Brasil está entre aqueles que pressionam para dar a devida consideração aos candidatos dos países desenvolvimento. Guido Mantega, ministro das finanças do Brasil, disse: “Não há nenhuma razão para que o presidente do Banco Mundial seja de uma nacionalidade específica. Deve ser apenas alguém competente e capaz. Nosso objetivo é que os países emergentes tenham a mesma chance de competir para conduzir estas organizações multilaterais”. Mantega não precisa ir muito longe.
Sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva [presidente de 2003-2010], o Brasil entrou na crise financeira global forte e bem governado e emergiu mais rapidamente do que as economias mais avançadas. Seus bancos e multinacionais continuaram a subir nos ranking globais. Lula tem sido um dos líderes mais carismáticos do Sul Global, na última década. Seu perfil foi enérgico nas reuniões do G20, chamando aqueles que mal administram a economia mundial, e exigindo reformas para corrigir arranjos desatualizados de representação no sistema econômico global. Suas credenciais como um campeão das economias em desenvolvimento são fortes. Ele tem viajado pelo mundo, defendendo fortes laços Sul-Sul, inclusive com a África, e dentro dos Brics, e jogou apoio a fóruns regionais para a América do Sul. Ele exigiu uma maior voz aos países em desenvolvimento na tomada de decisão global e definição de agendas. Lula é respeitado por formadores de opinião do Norte. O Brasil tem feito contribuições substanciais para as instituições multilaterais, a partir do sistema da ONU, para dar mais do que a China para a Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), fundo do Banco Mundial para os países mais pobres. No mundo da influência política, tanto em Chatham House, em Londres, como na Sciences Po em Paris, Lula foi premiado com honras do tipo “pessoa do ano”. A nomeação do ex-presidente brasileiro não serviria por si só para resolver os desafios que se colocam à legitimidade do Banco Mundial. Embora os problemas de credibilidade do Banco não sejam tão graves como do FMI, não deve ser esquecido que há apenas quatro anos o Banco nomeou seu primeiro economista-chefe do mundo em desenvolvimento – da China. O simbolismo da nomeação de Lula seria difícil de perder.
Para os EUA, iria quebrar a espera dos Estados Unidos sobre a presidência e poderia ser visto como risco numa altura em que muitos ao redor do mundo estão questionando o modelo de desenvolvimento que o Banco deve promover A crise financeira mundial abalou os pressupostos anteriores. Para os poderes tradicionais, e tem sido grande, a escolha de Lula não deve ser subestimada. Se, por razões de saúde, Lula preferir não assumir o cargo – uma resposta totalmente compreensível – a pesquisa deve então recorrer a alguém com características semelhantes, mesmo que de credenciais não iguais.

FIM DE TARDE - I Wanna Rock!

Depois de um longo período, estamos retomando o projeto "FIM DE TARDE", uma forma diferente e super bacana de curtir a balada mais cedo. Além de ser um diferencial pelo horário, esse projeto tem como maior bandeira o respeito às pessoas, aos vizinhos do TERRAÇUS e principalmente o cumprimento do que determina a lei. Queremos diversão e arte e com esse projeto achamos que dá para conciliar diversão, arte e respeito às pessoas. A SERTÃO POP tem essa preocupação e queremos mostrar que vale a pena.

O evento acontecerá no próximo sábado, dia 3, a partir das 18h, com as maravilhosas bandas REI BULLDOG - tocando BEATLES sem parar, e LOS THE OS, com seus rocks, blues e o carisma que lhe é peculiar.

Vamos nessa. Acabou o carnaval, agora "Eu quero Rock!"

Os ingressos antecipados custarão 10 reais e serão vendidos nos seguintes locais:

CRATO - LOJA LARAS (Praça da Sé - em frente ao Museu) - 3521.2820
JUAZEIRO - PORÃO ROCK (Rua Carlos Gomes, 441 - ao lado de Prefeitura) - 3511.7527

OS INGRESSOS NA PORTARIA SERÃO COBRADOS A 15 REAIS

https://www.facebook.com/events/242523919169430/?context=create#

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

It´s been a long, long time - José do Vale Pinheiro Feitosa

video´

O mundo explodia em guerra, a política sofria terremotos, a economia afundava e os EUA eram a imagem escapista de Hollywood. A juventude americana vivia as benesses econômicas do keynesianismo de Roosevelt, com seu New Deal. Para quê lutar? E morrer se o mundo era tão doce e sonhador?

Mas não teve como aquele império emergente ficar fora. Onde a produção econômica era destruída pela guerra, havia necessidade de quem ousasse produzir em escala. E assim a juventude americana encantada e encantadora foi para as bases militares em outras terras. Levando seus ritmos e suas saudades.

As mulheres ficaram. Saíram do lar para as fábricas, dirigiam caminhões, manipulavam na esteira de produção. As mulheres que ficaram eram outras e os rapazes morriam e se mutilavam no corpo e na alma, numa saudade imensa daqueles ritmos, daquelas músicas, daquelas cenas de paraíso em vida diretamente das telas.

E aí a guerra acabou. Era dezembro de 1945 e os soldados tinham que abandonar os solos conquistados e retornarem para a América. As mulheres já não estavam mais nos lares e agora iriam sofrer a concorrência da mão de obra de retorno à esteira do machismo.

Afinal IT'S BEEN A LONG, LONG TIME, e alguém precisava erguer os espíritos femininos para receberem os rapazes de volta ao lar e este lar teria que ser refeito. Os laços se restabeleceriam e os abraços e “Kiss me once, then kiss me twice. Then kiss me once again. It's been a long, long time.”

Você nunca saberá quantos sonhos sonhei com você. Ou como simplesmente tudo era vazio sem você. Então me beije uma vez, então me beije duas vezes. Então me beije mais uma vez. Foi um longo, longo tempo. It´s been a longo, long time, foi a canção mais popular do fim da segunda guerra nos EUA.

Foi escrita na perspectiva de uma esposa ou amante acolhedora do seu homem de retorno da guerra. Composta por Jule Styne (compôs entre outras canções: It´s Magic, Just in Time, People, Saturday Nigth, Three coins in the fountain) e letra de Sammy Cahn a música alcançou a primeira posição nas paradas americanas com a orquestra de Harry James e vocal de Kitty Kallen já em 24 de novembro de 1945.

No mês seguinte surgiu uma nova e diferente versão com Bing Crosby acompanhado pelo trio Les Paul e logo atingiu o topo. Na segunda semana de dezembro outra canção assumiu o primeiro lugar, mas a segunda quinzena do último mês de 1945 foi de It´s been a long novamente com Harry James.

Dezenas de artísticas gravaram a canção, em vários continentes, mas a versão de Harry James acima, com a voz de Helen Forrest me parece a mais intensa e calorosa de todas as versões. Uma vez que você nunca saberá quantos sonhos eu tive com você. Ou quantos pareciam vazios sem você. Então me beije uma vez, e me beije duas vezes e me beije mais uma vez. Foi um longo, um longo tempo. Foi um tempo extremamente longo.

O Carnaval e D. Hélder Câmara

Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. Estive recordando sambas e frevos, do disco do Baile da Saudade: ô jardineira por que estas tão triste? Mas o que foi que aconteceu....Tú és muito mais bonita que a camélia que morreu. BRINQUE MEU POVO POVO QUERIDO! MINHA GENTE QUERIDÍSSIMA. É VERDADE QUE 4a FEIRA A LUTA RECOMEÇA. MAS, AO MENOS, SE PÔS UM POUCO DE SONHO NA REALIDADE DURA DA VIDA!"

Dom Helder Câmara, 01 de fevereiro de 1975 durante sua crônica radiofônica "um olhar sobre a cidade"da Rádio Olinda AM.

"Herança indesejável" - José Nilton Mariano Saraiva

Se houvesse necessidade de abrigar em um mesmo espaço todas as pessoas que por ela são regularmente remuneradas mensalmente, a Prefeitura do Crato certamente enfrentaria oceânicas dificuldades, porquanto teria de dispor de uma generosa área para reuni-las, tal o número de habilitados (seriam milhares, conforme se comenta na cidade, dentre os quais uma legião de apadrinhados políticos, que só lá aparecem em final de mês pra receber a grana).
Tanto é que, cerca de dois anos atrás, na fase crepuscular do ano civil (aí pelas vésperas de Natal e Ano Novo), sem que se saibam quais os critérios utilizados, trezentos (300) “infelizes” foram escolhidos e “premiados” com o amargo e indefectível “bilhete azul”, sob a justificativa da necessidade de “enxugar a folha de pagamento”, amoldando-á à Lei de Responsabilidade Fiscal (e isso - realçou-se à época - sem que houvesse solução de continuidade no que concerne à execução dos serviços ofertados à população). Ou, didaticamente: estavam “sobrando”, não fariam falta nenhuma e que se virassem... petê saudações.
Mas, como estamos em 2012 (um ano eleitoral), e mesmo sem que novas demandas tenham surgido em termos de atividades essenciais ao bom funcionamento da máquina, repentinamente o poder municipal cratense se deu conta de que havia um “déficit” funcional de 360 postos, que precisariam ser preenchidos, daí a urgente necessidade de um concurso público a fim de ocupá-los (distribuídos por 46 cargos, que vão de “cuidador social”, “músico”, “auxiliar de cuidador social”, “turismólogo”, “topógrafo” e pro aí vai, as remunerações oscilam entre R$ 545,00 a R$ 1.445,77).
Para tanto, através da Licitação nº. 2308.01/2011-03, de 23.08.11, e ao exorbitante preço de R$ 560.000,00 (quinhentos e sessenta mil reais) divididos em 04 (quatro) parcelas de R$ 140.000,00 (cento e quarenta mil reais), quitadas a partir de 03/10/11, a desconhecida empresa Serctam-Serviços de Consultoria Técnica aos Municípios (CNPJ 73323008000162), estabelecida à Av. Rui Barbosa, 3389, Joaquim Távora, Fortaleza-CE, foi a escolhida para elaborar o tal concurso (desconhece-se quantas empresas participaram da atrativa licitação ou, até, se a referida se restringiria ao “bloco do eu sozinho”).
O certo é que, para concorrer, os 10.750 candidatos pagaram taxas de inscrição que variaram de R$ 40,00 a R$ 100,00, resultando numa arrecadação bruta de R$ 600.940,00 (se não houve nenhuma dispensa de taxa); de um nível baixíssimo (nota mínima 05 pra aprovação), as provas se realizaram nos dias 08.01.12 e 15.01.12 e já em 06.02.12, o resultado final foi divulgado; nada menos que 6.804 candidatos (63,30% dos inscritos) foram aprovados e a convocação dos “felizardos” já foi antecipadamente anunciada para o mês de março/12.
O “porquê” do vapt-vupt (ou extramada “agilidade”) por parte da Prefeitura do Crato ???
Presumivelmente, em razão do Artigo 73, inciso V, da Constituição Federal, rezar que nos três meses que antecedem o pleito eleitoral e até a posse dos eleitos, é “...proibido nomear, contratar, ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex-officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito” (além do que, em complementaridade, a Lei de Responsabilidade Fiscal, em seu art. 21, parágrafo único, determina que qualquer ato expedido por Poder ou Órgão da administração pública, que resulte em aumento da despesa com pessoal, nos últimos 180 dias anteriores ao final do mandato, é nulo).
Você, aí do outro lado da telinha, sacou ??? Não ??? Tá com bloqueio mental, ó cara ???
Conjeturemos, então (ou sejamos essencialmente pragmáticos): empregando 360 pessoas (evidentemente que maiores de idade e, portanto, potenciais eleitores) às vésperas de uma eleição onde um dos concorrentes naturalmente é indicado pelo atual “detentor do trono”, a audaciosa “presunção-objetivo” é que não só eles, mas também alguns dos familiares tendam a sufragar o próprio (sem levar em conta o caos em que se encontra a cidade). Assim, pressupondo-se que cada um deles (ou parte) consiga convencer pelo menos um ou dois parentes para o “voto de agradecimento”, teríamos aí algo em torno de 600/1.000 votos, que certamente influenciariam no resultado final. Clareou ???
Agora, se na prática tal teoria será recepcionada, não se sabe. O que se sabe, com base estritamente nos números divulgados, é que a admissão de 360 novos funcionários representará um acréscimo extra (mensal), de exatos R$ 321.421,72 na “Folha de Pagamento” da prefeitura do Crato (e aí, se computarmos os custos com previdência social e outras obrigações legais, certamente tal valor será alçado a pelo menos o dobro).
Como não se tem notícia de qualquer acréscimo nas dotações orçamentárias das combalidas Receitas das prefeituras por esse Brasil afora, não há como deixar de se inquirir: a) a austera Lei de Responsabilidade Fiscal será ignorada, dançará solenemente ???; b) a Prefeitura do Crato agüentará tal “tranco” por quanto tempo ???; c) ou, definitivamente, marchará para o colapsar ???; d) se tal acontecer, a responsabilidade deverá ser atribuída a quem “apagou a luz” (saiu por último), deixando pra trás um enorme abacaxi (rombo) pra ser resolvido ???; e) e se o vencedor do pleito for o candidato da situação (do prefeito), pressupondo-se que obrigatoriamente teria conhecimento da “armação”, também poderia ser responsabilizado ???; f) na hipótese de “vingar” o candidato da oposição (que irá pegar o barco singrando em águas turvas), recorrerá a quem, já que sem nenhuma culpa no cartório ???; e (alfim, principalmente); g) como e com quais recursos o novo gestor pagará a salgada fatura, oriunda de uma "herança indesejável"???
Alô, MPF, TCM, OAB, CGU... help !!!

Mais uma entrevista com um torturador - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ainda sobre o tema do torturador entrevistado em revista brasileira: acabei de ler esta entrevista no site Outras Palavras: http://www.outraspalavras.net/2012/02/09/as-bombasticas-revelacoes-de-mister-dops/ Faço a referência apenas para quem interessar possa comparar com a entrevista da Veja. A entrevista tem o título de As bombásticas revelações de Míster DOPS.

O final da entrevista é bem uma representação da natureza do aparelho de repressão da ditadura militar brasileira. Vale salientar que a repórter desejava identificar os locais onde corpos de militantes de esquerda assassinados sob tortura foram enterrados clandestinamente. Olhem o primor de conclusão:

“Quando entrei no taxi para ir embora, refletindo sobre quem afinal estaria ameaçando quem, lembrei de uma ocasião em que nossas relações eram mais amistosas e pude lhe perguntar por que “eles” tinham enterrado os corpos, em vez de atirá-los ao mar ou incendiá-los para apagar definitivamente as provas.

De pé, na sala decorada com os estofados confortáveis, rodeados por mesinhas enfeitadas com fotos de família e bibelôs de inspiração religiosa, Bonchristiano reagiu: “Nós somos católicos, pô!”.”



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A gargalhada do torturador na Revista Veja - José do Vale Pinheiro Feitosa

Se Madre Teresa de Calcutá usasse sua missão junto aos pobres da Guerra de Bangladesh para justificar atrocidades em nome do cristianismo ou para preservar o seu próprio poder, estaria derrubada a sua missão. Pois foi isso que uma recente entrevista da Revista Veja fez.

Trouxe à tona um torturador que se justifica e dar gargalhadas com as ameaças que fazia e a conseqüente confissão do torturado. O nome da “fera” Marcelo Paixão de Araujo e se sente, assim como por tabela a revista, plenamente justificado pela luta contra o comunismo. Finalmente a revista achou um torturador ideológico que acredita na tortura com instrumento eficaz.

O torturador, e a revista em seu papel de pregar uma “nova guerra fria”, até culpa a tibieza do general Geisel ao dizer que desconhecia a tortura ou que estivesse por trás de suas ordens. A tortura é matéria de ação, de estratégia de vitória e, portanto, estaria justificada.
Se no Brasil de fato tivesse havido um tribunal contra estes crimes, a justificativa não existiria. Até pode existir quem goste dos crimes nazistas, dos crimes de Stalin, de Mussolini, de Kadafi ou do seu bárbaro assassinato, mas não tem como não qualificar tais atos como crimes contra a humanidade.

É neste aspecto que se enreda a revista Veja ao imprimir em letras as gargalhadas do torturador. Se os EUA tivessem tido uma enorme crise social e política, todos os seus governos a partir dos anos 50 estariam sujeitos às mesmas condenações do Julgamento de Nuremberg, ou do julgamento de Adolf Eichmann em Israel ou do Tribunal Internacional agora com os genocidas da ex-iugoslávia.

A entrevista da Veja vem a comprovar o quanto a lei da Anistia prejudicou a recuperação democrática brasileira. Acontece que o Golpe Militar foi ilegítimo do ponto de vista político, uma ferida moral na sociedade brasileira e um assalto aos bens culturais do povo brasileiro.

Pessoas sem legitimidade alguma tomaram o poder, vilipendiaram a memória dos que prenderam, torturaram e exilaram. Usaram as mídias para destruir o patrimônio moral de inúmeros brasileiros, inclusive de líderes que apoiaram o golpe militar como Carlos Lacerda e Juscelino.

Fora alguns exemplos de jovens que pegaram em armas ou de alguns líderes desesperados da esquerda, o maior volume de torturas, de perseguições e desaparecimentos ocorreu sobre pessoas que eram oposicionistas ao regime, mas que jamais fizeram guerra armada contra as instituições armadas. Para esta grande maioria a saída do golpe era pela via política e não pela via armada.

Mas foram os políticos como Rubem Paiva que era um liberal ligado ao antigo partido socialista, nada tinha por ligação com qualquer articulação da guerra fria e que foi preso, torturado e morto por uma típica façanha de loucos em tática para sustentar suas ilegitimidades junto ao povo brasileiro.

As gargalhadas do torturador nos microfones da revista Veja nos deixa a certeza de que tem muita gente boa sendo envenenada por pequenas doses de um metal pesado que só mais tarde surgirá nas entranhas de suas almas como pesadelos terríveis sobre o futuro e sobre os outros brasileiros. Quem justificar seu ódio à esquerda por esta via há muito fugiu da via democrática. Assim como Madre Teresa fugiria se não fosse quem fosse.

A TODOS NÓS QUE SOMOS (IM) PACIENTES TERMINAIS!

OS CINCO MAIORES ARREPENDIMENTOS DOS PACIENTES TERMINAIS

Recentemente foi publicado nos Estados Unidos um livro que tem tudo para se transformar em um best seller daqueles que ajudam muita gente a mudar sua forma de enxergar a vida. The top five regrets of the dying (algo como “Os cinco principais arrependimentos de pacientes terminais”) foi escrito por Bronnie Ware, uma enfermeira especializada em cuidar de pessoas próximas da morte.
Para analisar a publicação, convidamos a Dra. Ana Cláudia Arantes – geriatra e especialista em cuidados paliativos do Einstein – que comentou, de acordo com a sua experiência no hospital, cada um dos arrependimentos levantados pela enfermeira americana. Confira abaixo.
1. Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim
“À medida que a pessoa se dá conta das limitações e da progressão da doença, esse sentimento provoca uma necessidade de rever os caminhos escolhidos para a sua vida, agora reavaliados com o filtro da consciência da morte mais próxima”, explica Dra. Ana Cláudia.
“É um sentimento muito frequente nessa fase. É como se, agora, pudessem entender que fizeram escolhas pelas outras pessoas e não por si mesmas. Na verdade, é uma atitude comum durante a vida. No geral, acabamos fazendo isso porque queremos ser amados e aceitos. O problema é quando deixamos de fazer as nossas próprias escolhas”, explica a médica.
“Muitas pessoas reclamam de que trabalharam a vida toda e que não viveram tudo o que gostariam de ter vivido, adiando para quando tiverem mais tempo depois de se aposentarem. Depois, quando envelhecem, reclamam que é quando chegam também as doenças e as dificuldades”, conta.
2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto.
“Não é uma sensação que acontece somente com os doentes. É um dilema da vida moderna. Todo mundo reclama disso”, diz a geriatra.
“Mas o mais grave é quando se trabalha em algo que não se gosta. Quando a pessoa ganha dinheiro, mas é infeliz no dia a dia, sacrifica o que não volta mais: o tempo”, afirma.
“Este sentimento fica mais grave no fim da vida porque as pessoas sentem que não têm mais esse tempo, por exemplo, pra pedir demissão e recomeçar”.
3. Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos.
“Quando estão próximas da morte, as pessoas tendem a ficar mais verdadeiras. Caem as máscaras de medo e de vergonha e a vontade de agradar. O que importa, nesta fase, é a sinceridade”, conta.
“À medida que uma doença vai avançando, não é raro escutar que a pessoa fica mais carinhosa, mais doce. A doença tira a sombra da defesa, da proteção de si mesmo, da vingança. No fim, as pessoas percebem que essas coisas nem sempre foram necessárias”.
“A maior parte das pessoas não quer ser esquecida, quer ser lembrada por coisas boas. Nesses momentos finais querem dizer que amam, que gostam, querem pedir desculpas e, principalmente, querem sentir-se amadas. Quando se dão conta da falta de tempo, querem dizer coisas boas para as pessoas”, explica a médica.
4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos.
“Nem sempre se tem histórias felizes com a própria família, mas com os amigos, sim. Os amigos são a família escolhida”, acredita a médica. “Ao lado dos amigos nós até vivemos fases difíceis, mas geralmente em uma relação de apoio”, explica.
“Não há nada de errado em ter uma família que não é legal. Quase todo mundo tem algum problema na família. Muitas vezes existe muita culpa nessa relação. Por isso, quando se tem pouco tempo de vida, muitas vezes o paciente quer preencher a cabeça e o tempo com coisas significativas e especiais, como os momentos com os amigos”.
“Dependendo da doença, existe grande mudança da aparência corporal. Muitos não querem receber visitas e demonstrar fraquezas e fragilidades. Nesse momento, precisam sentir que não vão ser julgados e essa sensação remete aos amigos”, afirma.
5. Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz
“Esse arrependimento é uma conseqüência das outras escolhas. É um resumo dos outros para alguém que abriu mão da própria felicidade”.
“Não é uma questão de ser egoísta, mas é importante para as pessoas ter um compromisso com a realização do que elas são e do que elas podem ser. Precisam descobrir do que são capazes, o seu papel no mundo e nas relações. A pessoa realizada se faz feliz e faz as pessoas que estão ao seu lado felizes também”, explica.
“A minha experiência mostra que esse arrependimento é muito mais dolorido entre as pessoas que tiveram chance de mudar alguma coisa. As pessoas que não tiveram tantos recursos disponíveis durante a vida e que precisaram lutar muito para viver, com pouca escolha, por exemplo, muitas vezes se desligam achando-se mais completas, mais em paz por terem realmente feito o melhor que podiam fazer. Para quem teve oportunidade de fazer diferente e não fez, geralmente é bem mais sofrido do ponto de vista existencial”, alerta.
Dica da especialista:
“O que fica bastante claro quando vejo histórias como essas é que as pessoas devem refletir sobre suas escolhas enquanto têm vida e tempo para fazê-las”.
“Minha dica é a seguinte: se você pensa que, no futuro, pode se arrepender do que está fazendo agora, talvez não deva fazer. Faça o caminho que te entregue paz no fim. Para que no fim da vida, você possa dizer feliz: eu faria tudo de novo, exatamente do mesmo jeito”.

De acordo com Dra. Ana Cláudia, livros como este podem ajudar as pessoas a refletirem melhor sobre suas escolhas e o modo como se relacionam com o mundo e consigo mesmas, se permitindo viver de uma forma melhor. “Ele nos mostra que as coisas importantes para nós devem ser feitas enquanto temos tempo”, conclui a médica.
Publicado em janeiro/2012.

(MATÉRIA QUE ME ENCAMINHOU NENA SALATIEL. VIA E-MAIL)