TRIPULANTES DESTA MESMA NAVE

domingo, 29 de setembro de 2013

“Xadrez” versus “Política” – José Nilton Mariano Saraiva

Atentem: independentemente do escopo programático-ideológico, não há qualquer escrúpulo do clã Ferreira Gomes em aderir a uma nova agremiação partidária, conquanto seus interesses sejam contemplados.

E aí vige a estratégia adotada por um experimentado jogador de xadrez: fria, calculista, amadurecida e, enfim, executada com determinação, a jogada da vez será sempre feita objetivando o ganho futuro (até mesmo no longo prazo), mesmo que momentaneamente seja necessário abdicar de, ou sacrificar algum “peão’.

Ainda agora, o governador do Estado e todo o seu séquito de vereadores, baba-ovos, prefeitos, puxa-sacos, deputados, áulicos, auxiliares e cães-de-guarda (fala-se em mais de 500 seguidores), tão “arribando” e, conseqüentemente, detonando o PSB, teoricamente por conta da decisão da cúpula do partido em lançar candidato próprio à Presidência da República (no próximo ano), contrastando com a intenção dos Ferreira Gomes em não participar da disputa e apoiar a atual presidenta Dilma Rousseff.

Se fosse só por isso, digno de encômios e merecedor de aplausos seria tal posicionamento. No entanto, trata-se de puro jogo de cena. Perfumaria barata... de quinta categoria. Pois, basta um “passar d’olhos” pelo histórico dos Ferreira Gomes pra se constatar  que seu  modus operandi é visceralmente contrário a todo e qualquer ato em que esteja em jogo o valor “lealdade” (e o ex-amigo Tasso Jereissati tá aí mesmo, “vivinho da silva”, como um fantasmagórico arquivo ambulante, a fim de  comprovar isso). 
 
A verdade é que os Ferreira Gomes irão aonde o poder estiver, mesmo que tenham que se sujeitar, temporariamente, a procurar abrigo num partido nanico (o tal Pros, por exemplo), mas que da base de sustentação do governo.

Que, aliás, provavelmente já deve ter sido preventivamente cobrado no tocante à divisão do bolo, lá na frente, tendo em vista a perspectiva real de Dilma Rousseff emplacar um segundo mandato (e o incrível é que o próprio PT, que os Ferreira Gomes sempre abominaram, já que um “reduto de imprestáveis”, também teria sido sondado para abrigá-los).

Fato é que, no dia-a-dia aqui da província (Estado do Ceará), Ciro Gomes já tomou de conta do governo do irmão Cid: primeiro, dando “pitacos” na área de Segurança, onde não foi bem sucedido; agora, ao exigir e conseguir a Secretaria de Saúde do Estado. E já encostou a Secretário da Fazenda na parede, ao anunciar que precisará de muito, muito dinheiro para resolver as pendengas da área. Alguém tem alguma dúvida que conseguirá ??? (de uma só “raquetada”, e ninguém sabe a que custo, já foram “compradas” vagas na rede hospitalar privada, a fim de acabar com o tal “piscinão” do Hospital Geral de Fortaleza, cujo prazo de validade de 90 dias foi estipulado pelo próprio). Por qual razão tal grana não foi disponibilizada para que o Secretário anterior resolvesse o problema, tai a incógnita.

Se conseguir fazer um bom trabalho, Ciro Gomes viabilizar-se-á para, lá na frente, com a provável reeleição da presidenta, aí sim, cobrar a conta pela “lealdade” de agora, exigindo o Ministério da Saúde, seu objeto de desejo de há muito (já tentou duas vezes e foi rejeitado).


Alguém quer pagar pra ver ???

sábado, 28 de setembro de 2013

Efeito "pedagógico" - José Nilton Mariano Saraiva

Partindo-se do pressuposto de que o Jornal do Cariri não cometeria a irresponsabilidade de trazer a público algo tão grave sem que seus responsáveis detenham em mãos os competentes documentos comprobatórios (e se não tiverem, que sejam sumariamente processados) afigura-se-nos por demais sérias e passíveis de rigorosa apuração as denúncias de que a Diocese do Crato se acha envolvida em atos de corrupção e malfeitos e o seu líder maior, Vossa Excelência Reverendíssima, Bispo Diocesano Dom Fernando Panico, acusado de estelionato e formação de quadrilha.

Afinal (segundo o jornal), quando nada menos que 52 (cinqüenta e dois) dos 54 (cinqüenta e quatro) padres vinculados à Diocese se reúnem com pauta definida e elaboram um abaixo-assinado (que já estaria circulando nas paróquias) pedindo a saída do “chefe”, é porque algo de muito sério ocorreu.

Assim é que, nos últimos 24 meses a Diocese teria emitido 35 cheques sem fundo, passado pelo vexame de enfrentar protestos de uma dezena de títulos, além do que existiria uma ordem judicial de busca e apreensão do carro em que o senhor Bispo circula.

Pra completar, o senhor Bispo estaria construindo uma mansão orçada em R$ 1,5 milhão, erigida num imenso terreno que teria sido adquirido à Diocese por um membro da própria Igreja Católica (monsenhor Dermival), por irrisórios R$ 60.000,00.

Ao comparecer à Delegacia de Polícia a fim de prestar esclarecimentos sobre (uma imagem constrangedoramente lamentável até para ateus, agnósticos e por aí vai), o senhor Bispo alegou “falha administrativa”, limitando-se a informar que a venda das casas já foi cancelada (como se isso o eximisse de culpa e apagasse o crime perpetrado) e que a tal mansão de R$ 1,5 milhão lhe teria sido “DOADA” pelo monsenhor Dermival (ainda segundo o jornal).

Agora, cá entre nós, vejam vocês o “efeito pedagógico” de atos e atitudes praticados por determinados líderes: a) uma das desculpas usadas pelos fiéis de Cícero Romão Batista a fim de justificar o extraordinário patrimônio por ele amealhado (sem que tivesse renda compatível ou herdado alguma riqueza), foi a de que tudo seria oriundo de “DOAÇÕES” (como se vê, o mesmo argumento de agora); e, b) como estratégia para tirar o Bispo do foco dos holofotes, uma das sugestões seria convencê-lo a requerer sua aposentadoria de imediato (método usado pelos maus políticos e integrantes do nosso Judiciário, depois de “aprontarem”).

Alfim: se há consistência (veracidade) no que foi divulgado - que a corrupção fez moradia na Diocese do Crato - nada como uma auditoria rigorosa para por os pingos nos devidos “is”; no entanto, se as denúncias são inconsistentes (inverídicas), está a Diocese do Crato na obrigação moral de processar seus detratores, exigindo-lhes retratação pública (a omissão seria desastrosa).


No mais, a divulgação de uma “requentada” reportagem sobre o esforço do Bispo em conseguir a “reabilitação” de Cícero Romão Batista mais atrapalha que ajuda, porquanto ficaria explicitada a tentativa de “desviar o foco” da questão substantiva: há ou não corrupção na Diocese do Crato ???

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Texto do Prof. Batista de Lima sobre "A Delicada Trama do Labirinto"

Batista de Lima

caderno3@diariodonordeste.com.br
24.09.2013


O Crato de J. Flávio

Os limites entre o conto e a crônica, muitas vezes, são tão tênues que os leitores os confundem. Essa confusão, entretanto, começa quase sempre com o autor ao colocar na ficha catalográfica o gênero a que se reporta o livro. Talvez a solução fosse criar-se um gênero intermediário que se chamaria "concrônica". Entretanto isso se torna irrelevante quando o leitor, em vez de estar à busca de rótulos, procura outros valores subjacentes das narrativas.

Essa observação vem a propósito do mais recente livro de J. Flávio Vieira. "A delicada trama do labirinto" é seu título, e na ficha catalográfica consta ser um livro de contos. Acontece que o leitor observa que, a partir do primeiro texto, há uma intercalação entre contos e crônicas. São narrativas bem urdidas que dispensam qualquer rótulo. O que importa é o envolvimento do leitor em labirintos urdidos, feitos teias de aracnídeos a partir da capa perfeitamente elaborada e representativa do conteúdo do livro, surgida da inteligência de Reginaldo Farias. A capa é uma iluminura que já apresenta na estrutura de superfície do livro, os contornos de seu interior.

As narrativas, e são muitas a se apresentarem em 240 páginas, trazem os mais diversificados cenários. Logo na página 41 encontramos "O ovo do sonho", que lança autor e leitor pelos caminhos do retorno a um paraíso perdido. J. Flávio, remanescente da juventude dos anos dourados, nos transporta para uma tertúlia em que se apresentam The Fevers, Os Pholhas e os Golden Boys. Mesmo sendo nos dias atuais, nessa tentativa do retorno, toda a indumentária daqueles anos é retirada do baú. "A velha calça Lee, boca de sino; o empoeirado sapato cavalo de aço; a camisa volta ao mundo e o negro blusão de couro". Depois ainda existe o "Topázio", da Avon, e a Brilhantina Glostora. Isso é apenas a preparação para a tertúlia, em que o Rum com Coca-Cola e Mariazinha de saia plissada lhe esperam.

Dos cenários que vão se construindo ao longo do livro, o Crato é o mais constante. Afinal, mesmo tendo cursado Medicina, em Recife, foi nessa cidade caririense em que J. Flávio Vieira veio ao mundo em 1952, e passou infância e adolescência, estudou, e hoje clinica. Seus verdes anos foram de formação cultural caririense com a presença dos muitos mitos e outros ícones culturais que marcam o sul cearense. Ali no Crato, frequentou os cinemas Moderno, Cassino e Educadora. Dançou no Crato Tênis Clube, AABB e Itaitera; flertou na praça Siqueira Campos; banhou-se nas inúmeras nascentes do pé da Serra do Araripe; sujou-se daquela cultura mística e mítica que impregna as almas como a tiborna dos engenhos do vale canavieiro.

Dr. José Flávio Vieira possui a dimensão do efêmero que se apodera da existência humana desde o nascedouro da criatura. Por isso se apega à memória, como a única forma de iludir-se de que está sustentando o tempo pelo cabresto para evitar esse puir que ele impõe à vida. Suas narrativas imprimem um retorno, mesmo que nessa arqueologia haja um esquife sendo velado na sala de uma casinhola como culminância de sua escavação, "pingos ácidos de nada, corroendo o tecido já puído do devir". O autor consciente da fragilidade do ser, e de forma existencial, não poupa o leitor das agruras do efêmero. Ler seus textos é compartilhar de uma angústia memorial que só os cônscios da pequenez humana são possuidores sapientes.

Montado nessas sabenças dos livros e nas experiências no contato com o povão com quem lida, por 15 anos foi juntando causos, crônicas e contos até parir essa bela obra que vem apadrinhada pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Como afirma nas primeiras páginas, esse livro tem sua urdidura montada sobre "três principais monogramas. O primeiro, trançado com os diáfanos fios da poesia; o intermediário, bordado com a emaranhada e irregular seda da ficção; o último, por fim, tecido com a sinuosa e delicada linha da reflexão". É uma coletânea de textos desafiadores do poder corrosivo do tempo, mesmo conscientes da impotência de sustentação dessa lida, daí seu persistente trabalho de desconstrução.

O escritor J. Flávio Vieira é um bom contista mas melhor ainda é cronista. O seu conto "Lã", que abre essa coletânea é antológico. A simbologia da velhinha fiando nos remete a um turbilhão de imagens que vão da tecedera Penélope aos teares da nossa infância, urdindo uma tecitura que pode ser o texto, a esperança, a vida ou o suportar da existência. Acontece que logo em seguida vicejam belas crônicas como "Avô avoado", "Fênix", "Peru de Natal" e "Uma mera notícia de jornal". O bom de suas crônicas é que vez por outra aparece o Crato como cenário de seus escritos.

É nas crônicas em que o Crato mostra a cara. J. Flávio na sua arqueologia resgata personagens populares ameaçadas de se afogarem no ostracismo. São pessoas do povo que por um detalhe a mais fugiram do senso comum do cidadão tradicional da cidade. São homossexuais, boêmios, madames de lupanares, malandros e chapeados que marcaram época por quebrarem as convenções de uma sociedade marcada pela preservação das tradições religiosas com lances de aristocracia. São também ícones e equipamentos culturais de uma cidade que mudou para pior ao longo dos anos, desgastando um romantismo cuja culminância ocorreu nos famosos anos dourados. Esse sensível escritor reconstrói esse paraíso devastado no seu retorno nostálgico. Daí ele permitir ao leitor transformar o texto Crato em um teto onde lateja, pulsa e sangra um paraíso perdido.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

"Locador X Locatário" - José Nilton Mariano Saraiva

Os artigos 504 e 1.322 do Código Civil e o artigo 27 da Lei do Inquilinato, que tratam da relação “locador X locatário”, prevêem no item “preferência legal”, que quem aluga um imóvel tem o direito (preferência) de adquiri-lo quando for posto à venda e que, caso não queira ou não tenha condição de fazê-lo, lhe será dado um prazo para desocupá-lo, “mediante notificação judicial, extrajudicial ou outro meio de ciência inequívoca”.


Pois bem, o senhor Carlos Pedro Bacurau, presumivelmente cratense, locatário de há muito de um dos imóveis (são dezenas e dezenas) pertencentes à Diocese do Crato, concedeu entrevista à televisão Verdes Mares (veiculada hoje, 25.09.13), onde reclama da desobediência aos citados dispositivos legais por parte da cúpula da Diocese cratense, porquanto o imóvel (casa) aonde mora, foi transferido unilateralmente a um terceiro e, estranhamente, por um preço infinitamente inferior (R$ 60.000,00) àquele que ele teria oferecido à Diocese (acima de R$ 200.000,00).

Além do que, denunciou de forma enfática que mesmo o imóvel tendo sido vendido a um terceiro, seu aluguel continuou a ser cobrado pela Diocese e à Diocese mensalmente é creditado o valor respectivo.

Instado a pronunciar-se a respeito, o senhor Bispo Diocesano do Crato, Dom Fernando Panico reconheceu (também em entrevista à televisão) ter passado por cima da lei (no tocante ao “direito de preferência”) e simplesmente desculpou-se (sem antes tentar transferir a culpa para uma dessas imobiliárias da vida), ao tempo em que confirmou, também, que realmente o aluguel do imóvel (já vendido pela Diocese) era cobrado e embolsado pela própria (segundo ele, com autorização do novo proprietário).

Como, já há um certo tempo a Diocese do Crato se acha envolvida num cipoal de denúncias de corrupção e seja notícia das páginas e programas policiais, algumas indagações se fazem pertinentes: a) por qual razão o imóvel ocupado pelo senhor Bacurau foi vendido por um preço subfaturado (R$ 60.000,00) já que (segundo suas próprias palavras) ele havia ofertado um valor muito maior (acima de R$ 200.000,00) ???; b) que motivos levariam alguém a adquirir um imóvel e abdicar do seu aluguel, deixando que o antigo proprietário continue recebendo-o (o que foi confirmado pelo Bispo do Crato) ???; c) isso é ou não é jogar dinheiro fora ???; d) se existe uma imobiliária envolvida (como alegou o Bispo), quem foi o responsável pela sua contratação, que não a Diocese do Crato ???; e) algum diligente preposto terá passado por cima da autoridade diocesana ???; f) se afirmativo, já terá sido identificado ???; e, finalmente, g) ou existirá realmente algo de podre no “reino da Dinamarca” (no caso, a Diocese do Crato), como de há muito se comenta, aqui e alhures ???


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Professor Pinheiro: Sejamos todos canalhas

Deputado Estadual pelo PT Professor Pinheiro  é ex-secretário de Cultura do Estado do Ceará 


Por Alexandre Lucas*

Dois discursos, duas compreensões de caminhos e o mesmo partido marcaram a abertura da III Conferência Estadual de Cultura do Ceará realizada em Fortaleza,  no período 20 a 23 de setembro de 2013. O discurso de saída do ex-secretário de Cultura, o professor Pinheiro, que deixa a pasta para assumir sua vaga na Assembleia Legislativa e o discurso de chegada do novo Secretário, o professor Paulo Mamede, apesar de serem do mesmo partido, apontou  a contradição de discursos.    
    
Nas duas gestões do Governo Cid Gomes, a Secretaria de Cultura do Estado vem sendo dirigida pelo Partido dos Trabalhadores – PT. O que tem demonstrando uma série de equívocos e contradições comparada aos avanços que vem ocorrendo na conjuntura nacional.  O que percebemos neste período foram um atrofiamento e a criação de um sistema inoperante de gestão e de políticas públicas para a cultura, essa foi uma marca presente nas duas ultimas gestões dos professores Auto Filho e Pinheiro.

Os trabalhos da Secretaria  Estadual de Cultura concentraram suas ações, quando tiveram, na região metropolitana de Fortaleza, a lógica de acesso aos recursos públicos da cultura para a população foi invertida, a política de editais passou a analisar aspectos jurídicos em primeiro plano e como secundário o conteúdo dos projetos, privilegiando neste caso restritos círculos.   O atraso na liberação de recursos para pagamento de editais e cachês foi uma das identidades desta instituição. Os fóruns de linguagens se concentraram também na capital cearense. As ações de formação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura  que antes circulavam pelas regiões do Estado foram cessadas. Não é percebida nenhuma política pública que se caracterize como vetor de desenvolvimento social, econômico e sustentável para o conjunto da população cearense que tenha sido brotada destas gestões. Temos ainda grandes problemas no que diz respeito à própria estrutura de funcionamento e operacionalização da SECULT – CE.

Por outro lado, vivemos uma conjuntura de ascensão dos movimentos sociais ligados à arte e a cultura em nosso país, um dos fatores que impulsionaram essa situação foi o avanço das forças progressistas no campo institucional, a partir do Governo Lula.

O Ministério da Cultura teve avanços consideráveis no que diz respeito à ampliação, diversificação e descentralização dos recursos públicos para financiamento da cultura, bem como o entendimento da necessidade  das políticas intersetoriais como elemento estruturante de desenvolvimento, que caminhem  além de uma gestão de governo.

Um dos destaques do Governo Lula foi o Programa Cultura Viva (O Programa dos Pontos de Cultura) que se caracterizou como principal política pública do Ministério da Cultura, Dentre os fatores destacamos que representou o programa que mais descentralizou recursos públicos para cultura no Brasil. No Governo de Fernando Henrique Cardoso, o Ministério da Cultura tinha cerca de 100 convênios com instituições de grande porte, a maioria vinculada ao sistema financeiro, como as fundações culturais bancárias. Já no final do Governo Lula esse numero chega próximo a 3.000 convênios com as mais diversas instituições e movimentos sociais ligados às culturas e as artes do povo Brasileiro, atingido as populações da zona rural e urbana, da cultura digital e indígena,  do hip-hop  e dos terreiros de candomblé, das escolas de samba e das escolas para pessoas com necessidades educacionais especiais. Mas, o Cultura Viva representou mais que descentralização de recursos, representou também a compreensão da importância do domínio dos recursos tecnológicos, a partir dos kits multimídia que foram proporcionados a cada “ponto” e que puderam fazer com que a diversidade do povo brasileiro  redescobrisse  e descobrisse  o Brasil, contando as suas histórias com os seus olhares e percebendo a partir do olhar do outro. Esses pontos espalhados pelo Brasil criaram as suas teias, os seus intercâmbios e as suas articulações políticas que ultrapassaram o viés institucional e que contribuiu para o acrescentamento das lutas e o empoderamento dos movimentos sociais ligados a cultura, tendo destaque, por exemplo, a luta pela  PEC 150 que prevê o percentual de recursos para a cultura de 2% para a União, 1,5% para os Estados e 1% para os Municípios, bem como do Projeto de Lei do Cultura Viva.

Apesar de temos sofrido com o retrocesso da atual gestão do Ministério da Cultura em relação ao Programa Cultura Viva, continuamos avivados  defendendo a retomada deste Programa, agora como Política de Estado.    

Nesta compreensão, os movimentos sociais da Cultura foram protagonistas por avanços nas políticas públicas do Ministério da Cultura. De acordo com o idealizador do Programa Cultura Viva, o historiador Célio Turino “É preciso transformar o Cultura Viva em política pública efetivamente apropriada pelo povo”.   

Esse dois paralelos tem um entendimento diferenciado do papel e das formas de dialogo com os movimentos sociais. Parece-me que o primeiro, que está relacionado à situação do Ceará se prisma no discurso dos movimentos sociais, mas que não consegue torna-lo orgânico dentro da sua estrutura de gestão e o segundo parece que torna os movimentos sociais  parte integrante da gestão, sem cair no servilismo. Vale ressaltar que me remeto no caso da conjuntura nacional nas gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira.

Mas o que isso tem haver com a III Conferência de Cultura do Ceará?  Vamos contextualizar, em agosto de 2012, artistas de diversas cidades cearenses começaram a se mobilizar politicamente em torno do Movimento Arte e Resistência – MAR, o qual discutiu e apresentou diversas críticas e proposições para a gestão da cultura. Pela internet circulou uma petição pública  que contou com cerca de três mil assinaturas de artistas, produtores, pesquisadores, brincantes, escritores e gestores culturais. O documento foi encaminhado ao Governador e ao Secretário de Cultura da época, Professor Pinheiro.

O documento continha sete eixos de proposições: 1 – Gestão: Reestruturação e qualificação da SECULT-CE, 2 – Autonomia da Secretaria da Cultura, 3 – Formação, 4 – Equipamentos Culturais,  5 – Editais, 6 – Produção e Circulação e  7 – Recurso/Orçamento. O Governador Cid Gomes recebeu a documentação e dias posteriores anunciou um pacote para a pasta da  cultura. O pacote  não contemplava as reivindicações do documento na sua essência, apenas anunciava basicamente duas coisas: reformas de equipamentos culturais e realização de concurso.

O documento entregue tinha dossiês também das seguintes linguagens: Dança, Teatro, Áudio Visual, Circo, Música, Patrimônio, Artes Visuais. A Documentação foi referenda por 98 entidades, entre companhias, grupos e coletivos das cidades de Crato, Fortaleza, Maracanaú, Paracuru, Itapipoca, Tabuleiro do Norte e Juazeiro do Norte.

Entretanto, essa demanda foi desprezada e as vozes dos diversos segmentos  abafadas. O ex-secretário  que enche a boca para manifestar  sua identidade ideológica e que aos quatro cantos diz ser das fileiras do Partido dos Trabalhadores carrega um discurso contraditório entre concepção e tratamento dado aos movimentos sociais, um discurso de ódio aos acontecimentos de agosto de 2012. Não existe uma receita, isso é claro, para compreender a   conjuntura da Secretaria de Cultura do Estado, diante das  dimensões e complexidades que é enfrentar um órgão com poucos recursos, mas é preciso para qualquer gestor, em especial, aos que em tese está ligado as forças progressistas fazer um esforço  para escutar, mediar e encaminhar as demandas dos movimentos sociais.  

Ao finalizar o seu discurso de abertura da Conferência e despedida da Secretaria, o professor Pinheiro falou de forma clara e imperativa duas coisas: chamou a movimento de 2012 de Canalha e a outra coisa  foi dizer  que iria lutar pela aprovação do Plano Estadual de Cultura na Assembleia Legislativa. O Plano é fruto de uma série de encontros não capitalizados politicamente, mas é um instrumento importante para avançar nos marcos jurídicos da cultura e das conquistas sociais, muitas das proposições do documento encaminhado ao Governador estão contidas no Plano.   

Desta forma podemos compreender que agora o professor Pinheiro quer ser um canalha, seja canalha professor, terá o nosso apoio!

Já o atual secretário Paulo Mamede, também do PT,  disse no seu discurso  que veio para ser ponte, logo se conclui que os caminhos estavam interrompidos e acrescentou dizendo que “Eu tenho lado, meu lado, é os movimentos sociais”. Pois é professor Pinheiro, o secretário Mamede já veio canalha. Agora só falta você! Sejamos todos canalhas.

*Pedagogo e artista/educador. 
alexandrelucas65@hotmail.com 

 


"Isonomia" - José Nilton Mariano Saraiva

A rua Ana Bilhar, aqui em Fortaleza, localiza-se a duas quadras da Av. Beira Mar, área nobre da capital cearense, onde o preço do metro quadrado de terreno custa os olhos da cara, quase atingido  a estratosfera. Portanto, só mora naquela área quem tem “bala na agulha” (grana, muita grana).

Mas, além da grana, tudo indica que os que ali residem também gozam de certo prestígio junto às autoridades do município, talvez em função do “status” da moradia. Assim é que, estribados nessa condição privilegiada, POR CONTA PRÓPRIA resolveram criar na via pública uma “ciclofaixa” (via de transito para uso exclusivo de bicicletas), a fim de não correram nenhum risco de serem atropelados quando se exercitam pelas manhãs e à noite. Dito e feito: cotizaram-se e providenciaram a pintura de uma faixa, numa extensão de dois quilômetros, na lateral da citada rua.

Acionada por motoristas que por lá trafegam, e que se sentiram incomodados em razão da diminuição do espaço de manobra, a AMC (autarquia que cuida do trânsito na cidade) compareceu ao local e, num primeiro momento, face não ter havido nenhuma consulta ou autorização oficial, ameaçou obstar tal intento, apagando a tal faixa no asfalto.

Conversa vai conversa vem, a AMC resolveu por assumir a “maternidade” (já que uma instituição) do serviço feito pelos moradores, não só alargando a citada faixa, mas dando-lhe contornos definitivos e oficiais; além do que, proibiu os carros de estacionar durante os dois quilômetros sinalizados e, a partir de certa data, passará a cobrar uma multa salgada (R$ 574,00) do proprietário de carro que se aventurar a trafegar por ali, além de lhe “premiar” com 07 pontos na carteira (infração gravíssima).

Poderíamos entender isso tudo como uma vitória da cidadania, porquanto uma iniciativa dos moradores, posteriormente chancelada pela autoridade competente (e, pois, merecedora de aplausos). Mas, eis que, quando os moradores de uma rua do “miserável” Bom Jardim, bairro periférico da capital, resolveram criar uma ciclofaixa idêntica (espelhando-se no que fizeram os moradores da “nobre’ rua Ana Bilhar), a AMC logo logo pintou no pedaço e, de pronto, não só apagou a faixa pintada, como, também, ameaçou com represálias que ousasse tomar qualquer providência em contrário.


Quais as razões pra tamanha discriminação ??? Por que, não, um tratamento isonômico ??? Todos não são iguais perante a lei ??? Ou, aqui, os fracos não têm vez ???

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Pedras que "falam" - José Nilton Mariano Saraiva

Como até os paralelepípedos segredavam de há muito entre si, a escudaria italiana Ferrari resolveu dispensar o sofrível piloto brasileiro Felipe Massa e por uma razão que salta à vista, de tão cristalina: absoluta falta de resultados. É só observar que enquanto o espanhol Fernando Alonso, com carro idêntico, está sempre pontuando, e se constitui hoje na única ameaça real ao alemão Sebastian Vetel, o nosso representante se arrasta sofregamente pelas pistas do mundo, numa inoperância de dá dó (e depois do grave acidente da Hungria, ano passado, o pedal mais acionado pelo Massa passou a ser o freio, ao invés do acelerador).

Isso, evidentemente, causou certo rebuliço junto à emissora global que retransmite a Fórmula 1 para o Brasil, porquanto, sem a presença de um patrício entre os contendores, a tendência é que os patrocínios para a transmissão desapareçam e, conseqüentemente, se  inviabilize a existência da equipe automobilística no organograma global. Em outras palavras e bem sucintamente: desemprego à vista, em larga escala.

De outra parte, pressionado a arranjar uma escudaria que abrigue o Felipe Massa e, por tabela, o Brasil no círculo da Formula 1 no próximo ano, seu dirigente maior, Bernie Ecclestone, num recado direto à Rede Globo, foi incisivo e categórico:

“o maior problema para que o Brasil tenha um piloto experiente no ano que vem está na falta de patrocinadores. Se Felipe TROUXER PATROCINADORES tudo irá mudar e o Brasil deverá ter piloto no grid em 2014. Um país de economia forte como o Brasil tem totais condições de investir num piloto", arrematou.


Pra quem não havia se mancado ainda, tai a senha: a Fórmula 1 de há muito deixou de ser um esporte competitivo, para transformar-se num rentável e milionário negócio; assim, se arranjar patrocinador tem lugar garantido (apesar de toda mediocridade); se não arranjar tá fora, até porque tem gente na fila esperando (os árabes estão à espreita). 

domingo, 22 de setembro de 2013

"Manuel Simplício" - José Nilton Mariano Saraiva

Abstraindo-se aquela máxima preconceituosa de que “homem que é homem não acha homem bonito” (porquanto corre o risco de ser tachado de veado, bicha, gay e por aí vai), a verdade é que o laureado ator francês Alain Delon, além do dom natural de representar com extrema competência, era, sim, um homem bonito e charmoso e que destroçou corações femininos mundo afora (tanto é que uma de suas esposas foi a atriz austríaca Romy Schneider, uma mulher belíssima, desejada e disputada por meio mundo de homens, e que se tornou famosa após o filme “Sissi, a Imperatriz”). Hoje, com quase 78 anos de idade, Alain Delon continua atuando (não mais em filmes), mas no teatro francês, esbanjando competência, charme e... destroçando corações femininos.

Pois bem, aqui em Fortaleza Alain Delon serviu de referência (ou modelo) para um “cabeça-chata” autêntico, oriundo lá dos grotões do interiozão brabo. De estatura elevada como o francês (quase dois metros), vasta cabeleira e esbelto, nosso conterrâneo, estimulado pelos irmãos mais novos (que sabiam da sua adoração pelo artista francês), meteu na cabeça que seria por essas bandas a cópia fiel do ídolo famoso, embora não tivesse nenhum pendor para a arte de representar. Só que o nome de batismo (onde estavam os pais quando escolheram um nome tão horroroso ???) não ajudava nem um pouco: Manuel Simplício.

Mas, eis que, não mais que de repente, Manuel Simplício conseguiu se engajar numa atividade que jamais imaginara e de grande visibilidade: integrar a equipe esportiva de um jornal da capital, onde ficou responsável por uma coluna diária. E então, mesmo que por linhas tortas, realizou o sonho da vida: em homenagem ao ídolo maior, adotou o pseudônimo  Alan Neto (sem o “i”, a fim de tornar-se mais “deglutível”).

Fato é que, hoje, Manuel Simplício, embora com uma barriga saliente, já nem se lembra do nome original (aquele escolhido com tanto esmero e carinho pelos pais), e só atende pelo pseudônimo com o qual homenageia e lembra o ídolo maior: Alan (Delon) Neto.


Manuel Simplício ??? Que diabo é isso ???

sábado, 21 de setembro de 2013

Craques do "crack" - José Nilton Mariano Saraiva

Pejorativamente, para eles somos todos uns “paraíbas”. Não importa que você tenha nascido no Ceará, Piauí, Pernambuco, Maranhão ou em qualquer um dos nove estados que compõem a Região Nordeste. De acordo com o decretado pelos “gênios-pedantes” moradores das regiões Sul-Sudeste do país, somos uma só raça, os “paraíbas”, e PT saudações (qualquer reclamação encaminhar ao Papa Chico).

Tal preconceito conta com um aliado importante para a sua consecução e propagação: as diversas redes de televisão, cujos núcleos centrais lá se localizam e que normalmente, quando se referem à Região Nordeste (em temas complexos ou não), o fazem de forma não muito lisonjeira ou até mesmo desrespeitosa (nas novelas, por exemplo, as falas e modos dos “artistas” que interpretam os “paraíbas” beiram ao deboche e ao ridículo; puro sarcasmo).

No entanto, contraditoriamente essa mesma televisão todos os dias É OBRIGADA a mostrar para todo o país o estado triste, abjeto e deplorável em que vivem determinados segmentos dos moradores daquelas regiões (Sul-Sudeste), que vivem sitiados em áreas conhecidas como “cracolândia”, onde o consumo de drogas pesadas é uma realidade que a todos envergonha.

Só que, quando é pra divulgar “estatísticas” fajutas a respeito da tragédia que se tornou o consumo de “crack” no país (com todos os seus malefícios), invariavelmente à Região Nordeste é creditado a maior parcela de culpa; aqui se localizaria o maior pólo consumidor da droga, aqui não existiria controle nenhum por parte das autoridades competentes, aqui o consumo seria por demais exacerbado porque só tem analfabetos, e por aí vai (pelo menos é isso o que consta da mais nova pesquisa lançada à praça).

No entanto, se tivessem um pouquinho de humildade, seriedade e uma nesga que fosse de clarividência, os institutos de pesquisa e televisões, examinando a questão com imparcialidade e à luz da realidade, facilmente  constatariam que é exatamente nas regiões Sul e Sudeste do país que se encontram, sim, os verdadeiros “craques do crack” (e que seleção imbatível).


São uns calhordas !!!   

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

"Auxílio-locomoção" - José Nilton Mariano Saraiva

A cidade de Aquiraz dista pouco mais de 20 quilômetros de Fortaleza (cerca de meia hora de carro), daí figurar como pertencente ao seu perímetro urbano. Possui praias belíssimas e conhecidas internacionalmente (Beach Park, Prainha, Iguape, Barro Preto e outras) que se constituem atrativo e chamariz àqueles que valorizam a tal “qualidade de vida”. Tanto é verdade que muita gente que trabalha em Fortaleza reside em Aquiraz, tal a facilidade de locomoção (a ampla CE-040 passa dentro da urbe).

Mas, também aqui, há pessoas que não valorizam muito essa tal “qualidade de vida”, daí que muitos dos funcionários lotados na Prefeitura de Aquiraz optaram por residir em Fortaleza. Nada demais, a não ser o fato de que, além do salário normal, a Prefeitura de Aquiraz premia 71 (setenta e um) dos seus servidores (que teoricamente moram na capital) com uma verba mensal extra (individual) de R$ 4.800,00 a título de “auxílio locomoção”; ou seja, a Prefeitura da pequena Aquiraz tem um gasto extraordinário mensal de R$ 340.800,00 – ou o correspondente a R$ 4.090.000,00 por ano.

Questionado sobre tão excessivo gasto, o cara-de-pau do prefeito da cidade alegou, sem o menor escrúpulo, que esse tal “auxílio locomoção”, além de absolutamente necessário, possuí uma certa elasticidade, porquanto não serviria apenas para o combustível, mas, sim, pra comprar pneus, peças, manutenção e - pasmem os senhores - até pra trocar o carro, se o servidor municipal assim o desejar.

Como se vê, de novo eles (os políticos), continuam gozando com a cara do contribuinte, já que insensíveis e até estimuladores da farra com o dinheiro público; ou existe justificativa pra explicar tamanha excrescência ???

Agora, aqui pra nós: quantas escolas ou creches seriam construídas com esses R$ 4.090.000,00 que hoje são entregues de mão beijada a uns poucos, em detrimento da população carente ???    

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

"Soberania Nacional", sim senhor !!! - José Nilton Mariano Saraiva

E aconteceu o que jamais se imaginaria se, por exemplo, ocupando a Presidência da República Federativa do Brasil se encontrasse alguém da estirpe do “pavão” Fernando Henrique Cardoso, um entreguista de primeira hora: o Brasil, através de comunicado público da lavra da Presidenta da República, Dilma Rousseff, resolveu cancelar uma visita oficial de Estado em solo americano (agendada de há muito), com o todo poderoso presidente dos Estados Unidos, o simpaticíssimo “colored” Barack Obama.
A razão foi a falta de resposta convincente ao questionamento público da presidenta brasileira ao presidente americano, exigindo, sim, que se esclarecesse, também publicamente, quais as razões e finalidades que motivaram a espionagem por parte do serviço secreto americano de correspondências e escutas de instituições, cidadãos e empresas brasileiras (dentre as quais a própria Presidência da República e a estratégica Petrobrás).
Isso porque, como é do conhecimento daqueles que têm um mínimo de senso crítico, na “teoria” os Estados Unidos vivem a pregar a não intervenção em assuntos internos de países outros, mas, na “prática”, são os primeiros a se intrometer na vida de todo mundo, desde que estejam em jogo seus suspeitos interesses, conforme se pode constatar nas guerras “inventadas” (mas de efeitos reais) que patrocinam nos quatro quadrantes do planeta.
Partindo de tal pressuposto, a iniciativa da presidenta brasileira de cancelamento da viagem aos Estados Unidos se constitui, sim, um ato de afirmação da nossa soberania, conforme deixam claro as manchetes dos principais jornais de todo o mundo.

Assim, queiram ou não os estafetas do caos e entreguistas de plantão, mostramos que não mais estamos dispostos a se curvar aos humores “yanques”, ou dançar conforme o ritmo por eles orquestrado. 

Bastinha – Uma crítica bem humorada


Cordelista, professora e responsável pela inclusão da disciplina de Literatura Popular do Curso de Letras da Universidade Regional do Cariri, Bastinha Job vem desenvolvendo o seu trabalho poético desde a infância. Pertencendo a Academia dos Cordelistas do Crato,  ela destaca com orgulho que “É bastante dizer que ela  (Academia) revelou inúmeros poetas, atualmente com mais de mil títulos publicados e mais de um milhão de folhetos lançados, com temáticas abrangentes”.    


Alexandre Lucas – Quem é Bastinha?

Bastinha - Professora aposentada,
cordelista na ativa,
Assaré do Patativa
é minha terra amada;
Crato é a mãe idolatrada,
que me acolheu em seu seio,
aqui encontrei o veio
da joia da Educação,
da completa Formação
que me deu força e esteio.
Alexandre Lucas – Como se deu seu contato com a poesia?

Bastinha - Leio desde a meninice
Patativa e Aderaldo,
deslumbrei-me com Clarice,
no momento, leio Ubaldo,
Pompílio e Zé da Luz
estilo que me seduz;
E viajei com Lobato,
neles, vivi a magia
 setas da  minha  poesia
e guias do meu contato.
Alexandre Lucas – Fale da sua trajetória poética:
Bastinha - Minha trajetória começou desde criança quando fiz o curso de declamação na Escola de Arte de Sara Quixadá Felício Participei de muitos jograis que se apresentavam em grêmios escolares, comemorações. Continuamente, fiz o Curso Primário, o Pedagógico e cursei Letras na antiga Faculdade de Filosofia. (URCA) Ensinei Língua Portuguesa em quase todos os colégios do Crato. Durante muitos anos (até aposentar-me) na referida URCA . No ano de 1993 consegui um gol de placa: criei com dois colegas, a Cadeira de Literatura Popular sendo a primeira professora do mencionado Curso. Graças a Deus a Cadeira se mantém forte e firme descobrindo vários talentos.
Alexandre Lucas – O que representa a Academia dos Cordelistas do Crato para você?
Bastinha - A Academia dos Cordelistas do Crato,  fundada pelo saudoso Elói Teles de Morais, no ano de 1991, não é só um marco na minha vida; mas  para toda a Cultura Popular do Crato e do Nordeste. Através dela, me descobri cordelista. Ela também resgatou o cordel que estava agonizante, mascarado pelos meios de comunicação de grande  e monopolizador poder. E o melhor, foi  por causa dela ,que eu não medi esforços para fundar a Cadeira de Literatura Popular da URCA. A Academia., sim, merece um troféu!
Alexandre Lucas – Como você define a sua poesia?
Bastinha - Eu faço poesias críticas
com pitadas de humor
e alfinetadas políticas,
mas também falo de amor;
meu poetar é a arma
que incita ou que desarma,
que faz rir, que faz chorar;
em suma ela é catarse
autêntica e sem disfarce
um compromisso a se honrar!

Alexandre Lucas – Como ocorre o seu processo criativo para a poesia?

Bastinha - Não tenho um processo criativo específico. Sigo as minhas intuições inspiradas  pelos fatos do cotidiano, acontecimentos políticos, sociais, religiosos e, sobretudo, crítico humorísticos.

Alexandre Lucas – Como você avalia a produção literária na região do Cariri?

Bastinha - Nossa região é muito bem servida neste setor. Nossa Cultura é rica e diversificada. No tocante à literatura de cordel, principalmente, houve grandes impulsos, nessas duas últimas décadas,com a criação da Academia dos  Cordelistas do Crato (a qual pertenço). É bastante dizer que ela revelou inúmeros poetas, atualmente com mais de mil títulos publicados e mais de um milhão de folhetos lançados, com temáticas abrangentes. Nossa Academia transpôs fronteiras, e, só precisa  de apoio financeiro dos órgãos competentes.

Alexandre Lucas – Você acredita que a literatura é um instrumento político? 

Bastinha - É sim. A política é que não toma conhecimento de sua importância na literatura. Através da poesia, o poeta critica, louva, aplaude,orienta  e se engaja em qualquer setor: político, social, religiosa, histórico, onírico, etc, etc...

Alexandre Lucas – Quais os seus próximos trabalhos? 

Bastinha - Diariamente os acontecimentos me fazem escrever sonetos, trovas e cordéis. Entretanto, estou compilando meus textos mais pertinentes a fim de escrever meu tão sonhado livro.




"Alô, torre de controle..." - José Nilton Mariano Saraiva

Quando um experiente e calejado comandante de um vôo internacional (da rota Brasil-Itália) resolve (lá das alturas) solicitar, via torre de controle, que a polícia (cá embaixo) se faça presente quando da aterrissagem da aeronave, a fim de abordar determinados passageiros que se portaram inadequadamente no interior da aeronave, não tenham dúvidas que a coisa é séria e merecedora de atenção.

Pois foi exatamente o que aconteceu no dia 03.09.2009, no aeroporto de Fiumicino, em Roma: no desembarque do vôo procedente do Brasil, a senhora Patrícia Sabóya Gomes (então Senadora da República Federativa do Brasil) e sua acompanhante (uma amiga brasileira, cujo nome foi omitido), foram detidas pela polícia de imigração italiana e chamadas para nova revista nas respectivas bagagens (à procura mesmo de quê ???).

Cercada por vários policiais (segundo a própria), ela tentou argumentar ser uma parlamentar brasileira. Como a conversa não surtiu o efeito desejado, tentou acionar a embaixada do Brasil. Debalde. Impaciente e achando que o problema não seria resolvido de imediato, armou o que ela mesma classificou como “um grande barraco", visando constranger os policiais. A estratégia (ainda segundo ela) deu certo, de sorte que ambas foram liberadas.

Posteriormente, instada a pronunciar-se a respeito, a “justificativa” da senadora foi que a sua acompanhante sofria de rinite alérgica e teria espirrado algumas vezes, daí um dos passageiros ter ficado incomodado e pedido para que ela fosse retirada da aeronave (como se isso fosse possível a 12.000 metros de altura).

Como só os que se encontravam no interior da aeronave podem narrar o que realmente aconteceu, as indagações que  ficam zanzando no ar, são: a) Mas, se foi só isso que se passou, por qual razão o tarimbado comandante do avião tomou a decisão tão radical de solicitar a presença da polícia de imigração italiana, no desembarque ??? Por que, mesmo, essa mesma polícia italiana resolveu revistar as bagagens das respectivas senhoras ??? c) Procuravam o quê ???

Tal fato, embora haja sido notícia no mundo todo, por aqui quase ninguém tomou conhecimento, porquanto a imprensa tupiniquim tratou e colocou em prática uma tal “operação abafa”, que se revelou por demais eficiente.
Agora, o mais incrível nisso tudo é que, hoje, a improdutiva parlamentar em questão está sendo cotada para ocupar o cargo vitalício de auditora do Tribunal de Contas do Estado do Ceará.

Um “presente” do padrinho, o (cunhado) governador do Estado do Ceará, Cid Gomes.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

"Perguntas" da ciência (IV, V e VI)

IV. O que nos torna humanos?
Apenas olhando seu DNA, você não saberá -- o genoma humano é 99% idêntico ao de um chimpanzé e 50% ao de uma banana. No entanto, temos um cérebro maior que a maioria dos animais – não o maior, mas com três vezes mais neurônios que o de um gorila (86 bilhões para ser exato). Muitas coisas que antes considerávamos características nossas – a linguagem, o uso de ferramentas, reconhecer-se no espelho – são encontradas em outros animais. Talvez seja a nossa cultura – e suas conseqüências em nossos genes (e vice-versa) – que faça a diferença. Os cientistas acreditam que cozinhar e dominar o fogo podem ter nos ajudado a desenvolver cérebros maiores. Mas é possível que nossa capacidade de cooperação e troca de habilidades seja o que realmente faz da Terra um planeta de humanos, e não de macacos.
V. O que é a consciência?
Ainda não temos realmente certeza. Sabemos que tem a ver com diferentes regiões do cérebro ligadas em rede, mais que uma única parte do cérebro. Há uma teoria de que se descobrirmos que partes do cérebro estão envolvidas e como funciona o circuito neural, descobriremos como surge a consciência, algo em que a inteligência artificial e tentativas de construir um cérebro neurônio por neurônio poderão ajudar. A questão mais difícil e mais filosófica é por que alguma coisa deve ser consciente. Uma boa sugestão é que, ao integrar e processar muita informação, além de focalizar e bloquear, em vez de reagir aos estímulos sensoriais que nos bombardeiam, podemos distinguir entre o que é real e o que não é e imaginar diversos cenários futuros que nos ajudem a adaptar-nos e a sobreviver.
VI. Por que sonhamos?
Passamos cerca de um terço de nossas vidas dormindo. Considerando quanto tempo passamos fazendo isso, você poderia pensar que sabemos tudo a respeito. Mas os cientistas ainda buscam uma explicação completa de por que dormimos e sonhamos. Seguidores das opiniões de Sigmund Freud acreditavam que os sonhos são expressões de desejos não realizados – muitas vezes sexuais –, enquanto outros se perguntam se os sonhos são alguma coisa além de disparos aleatórios do cérebro adormecido. Estudos com animais e os progressos em imagens do cérebro nos levaram a uma compreensão mais complexa, que sugere que sonhar pode ter um papel na memória, no aprendizado e nas emoções. Os ratos, por exemplo, repetem em sonhos suas experiências da vigília, o que aparentemente os ajuda a solucionar tarefas complexas como percorrer labirintos.

Fontes: Carta Capital, The Observer