
Reno Feitosa Gondim
Professor de Filosofia do Direito
Universidade Regional do Cariri/URCA
Crato - Ceará
A dubiedade dos valores simbólicos socialmente compartilhados na estrutura política do presente, notadamente em face da sucessão do paradigma da modernidade e sua ‘filosofia política’ baseada na secularização da ‘teologia política’ cristã, implica na relativização de um leque de certezas que até bem pouco tempo guiavam a vida das pessoas em sociedade e fez surgir um panorama de descontinuidades gritantes e retrocessos perversos que, nessas eleições presidenciais de 2010, emergiram das trevas do mundo atual para mostrarem suas garras bem mais abaixo da linha do equador.
Quem diria que, justamente quando uma eleição para presidente do Brasil alcançaria o debate e a exposição dos fundamentos das relações econômicas que sempre fizeram deste País “uma máquina de moer gente” (segundo Darcy Ribeiro), sorrateiramente, surgiria um movimento de direita baseado no conservadorismo religioso ao estilo norte-americano. No exato momento em que a política deveria levar ao povo, a compreensão das relações econômicas como base da sociedade, um clichê ‘teológico-político’ de estranhamento da realidade operaria sobre o imaginário social deslocando o foco principal das questões sociais em sua raiz, para um amontoado de proposições universais metafísicas cuja ubiqüidade é a própria razão de ser da sua função, mas também da sua violência.
As expressões que doravante adentram o espetáculo político, em sua realidade teológica, podem significar ‘tudo’ o que, enquanto representação, é capaz de convencer a cidadania da sua própria espiritualidade material, de como a graça que lhe dá a configuração existencial também rouba a essência do ser pelo deslocamento da sua realidade, falsificando-a como se falsifica o real pela edição de imagem e texto, pela manipulação do inconsciente, espetáculos de histeria, arroubos emotivos e simplesmente, dissolução da potencia humana (da ‘vontade de potência’ proporia Nietzsche).
Quem diria que, na eleição presidencial de 2010 o ‘american way of life’ assolaria estes tristes trópicos pelo midiático discurso mitológico de fundo ‘teológico-político’ que, aliás, é o fundamento mais poderoso da civilização ocidental, pois, nesse, tudo pode ser justificado – as angústias do quotidiano, o desejo reprimido e a perversão decorrente da sua institucionalização – e tudo o que outrora parecia racional pode ser obliterado pela apologia do preconceito (e mesmo pela sua cara-metade: o absolutismo da permissividade) e pela sublimação da medievalidade latente na brasilidade tardia e inconclusa.
Por certo que não é tão confortante ficar na arquibancada para a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa (expressão buarquiana que traduz a perplexidade do presente), mas pior ainda é calar-se diante do espetáculo teratológico e, porque não, escatológico, que lamentavelmente está obscurecendo o debate político e econômico que há tempos deveria estar sendo travado a bem da formação da consciência histórica do povo brasileiro.
Professor de Filosofia do Direito
Universidade Regional do Cariri/URCA
Crato - Ceará
A dubiedade dos valores simbólicos socialmente compartilhados na estrutura política do presente, notadamente em face da sucessão do paradigma da modernidade e sua ‘filosofia política’ baseada na secularização da ‘teologia política’ cristã, implica na relativização de um leque de certezas que até bem pouco tempo guiavam a vida das pessoas em sociedade e fez surgir um panorama de descontinuidades gritantes e retrocessos perversos que, nessas eleições presidenciais de 2010, emergiram das trevas do mundo atual para mostrarem suas garras bem mais abaixo da linha do equador.
Quem diria que, justamente quando uma eleição para presidente do Brasil alcançaria o debate e a exposição dos fundamentos das relações econômicas que sempre fizeram deste País “uma máquina de moer gente” (segundo Darcy Ribeiro), sorrateiramente, surgiria um movimento de direita baseado no conservadorismo religioso ao estilo norte-americano. No exato momento em que a política deveria levar ao povo, a compreensão das relações econômicas como base da sociedade, um clichê ‘teológico-político’ de estranhamento da realidade operaria sobre o imaginário social deslocando o foco principal das questões sociais em sua raiz, para um amontoado de proposições universais metafísicas cuja ubiqüidade é a própria razão de ser da sua função, mas também da sua violência.
As expressões que doravante adentram o espetáculo político, em sua realidade teológica, podem significar ‘tudo’ o que, enquanto representação, é capaz de convencer a cidadania da sua própria espiritualidade material, de como a graça que lhe dá a configuração existencial também rouba a essência do ser pelo deslocamento da sua realidade, falsificando-a como se falsifica o real pela edição de imagem e texto, pela manipulação do inconsciente, espetáculos de histeria, arroubos emotivos e simplesmente, dissolução da potencia humana (da ‘vontade de potência’ proporia Nietzsche).
Quem diria que, na eleição presidencial de 2010 o ‘american way of life’ assolaria estes tristes trópicos pelo midiático discurso mitológico de fundo ‘teológico-político’ que, aliás, é o fundamento mais poderoso da civilização ocidental, pois, nesse, tudo pode ser justificado – as angústias do quotidiano, o desejo reprimido e a perversão decorrente da sua institucionalização – e tudo o que outrora parecia racional pode ser obliterado pela apologia do preconceito (e mesmo pela sua cara-metade: o absolutismo da permissividade) e pela sublimação da medievalidade latente na brasilidade tardia e inconclusa.
Por certo que não é tão confortante ficar na arquibancada para a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa (expressão buarquiana que traduz a perplexidade do presente), mas pior ainda é calar-se diante do espetáculo teratológico e, porque não, escatológico, que lamentavelmente está obscurecendo o debate político e econômico que há tempos deveria estar sendo travado a bem da formação da consciência histórica do povo brasileiro.
Um comentário:
zé flávio, as suas postagens, as do darlan, as do zé nilton e as do zé do vale são uma amostra do equilíbrio que falta às postagens da direita, que fica no cantinho dela com medo de assumir suas posições publicamente.
os jornalões e as televisões estão conseguindo espalhar a boataria no meio do povo, menos informado.
ouve-se cada sandice por aí que a gente pensa como a população é crédula e facilmente manipulada.
uma tristeza.
louvo as postagens lúcidas e informativas que vocês escrevem/transcrevem aqui.
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