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terça-feira, 12 de abril de 2011

Geraldo Freire - Sinos e Relógios made in Cariri CE 2

Igreja Matriz de Jucá recebe “novo” relógio

A confecção de sinos e relógios na cidade de Juazeiro do Norte - Região do Cariri CE, teve inicio ainda com o Pe. Cícero. O visionário padre sabia aproveitar a capacidade das pessoas da região!
Juazeiro do Norte não tinha como comprar um relógio ou sino, que naquele tempo só podiam ser adquiridos no exterior, sendo assim, ele pediu ao "Mestre pelúsio" um mecânico meio faz tudo da época, que fosse a uma cidade vizinha que havia comprado um desses relógios. Então o Senhor Pelúsio observou a máquina e na oficina dos Salesianos fez um relógio de torre a partir do que tinha observado.
Meu avô Joaquim Freire dos Santos fez parte dessa oficina, aprendeu esse ofício e em seguida meu pai seguiu com essa labuta.
Tenho orgulho do meu pai, do meu povo, da minha região e de líderes com o Pe. Cícero. Meu pai fabrica sinos e relógios de maneira artesanal desde a sua juventude. Faz as formas de barro e ferro, funde os sinos (uma liga especial de bronze), e as engrenagens (bronze, alumínio e ferro) usina tudo, usando torno e fresa pra confeccionar as engrenagens, constrói e pinta os mostradores, fabrica os cabeçotes dos sinos e todo o restante do equipamento necessário para o seu funcionamento, poucas coisas são compradas fora, como os cabos de aço pra sustentar os pesos de concreto ou chumbo dos relógios. Mesmo assim, diferente do Pe. Cícero os políticos de nossa cidade, desconhecedores ou insensíveis de questões tão simples, há alguns anos atrás, construíram uma torre comemorativa de Juazeiro do Norte na Igreja do Socorro (onde estão os restos mortais do Padre Cícero - Patriarca de Juazeiro) e no lugar de encomendar um relógio ao Senhor Geraldo Ramos Freire - meu pai, um dos poucos que ainda realizam este tipo de trabalho no mundo - Compraram um relógio eletrônico... Meu pai já fez várias substituições de relógios eletrônicos por relógios tradicionais, pois estes duram pouco, não tem nem comparação com a durabilidade dos relógios feitos por meu pai, que atravessam gerações, se simplesmente, tiverem uma simples manutenção.

Se não me engano, no momento meu pai está construindo um de seus últimos relógios, pois já está em tempo de descansar de tanto trabalho de construção e também das várias viagens que fez pra montar tantos relógios, sinos e carrilhões inteiros por esse sertão afora, e em várias capitais do Brasil.

Os sinos ele já tem evitando há uns anos atrás, pois a fundição é bastante pesada.

Aprendi a ser gente, lá dentro, entre limalhas de ferro, bronze e outros metais e ligas! Trabalhando com meu pai desde cedo! La desenvolvi minha imaginação entre os arcos de solda elétrica, o mugir dos tornos e fresas chorando lágrimas de lubrificante e os dias quentes das fundições, entre cadinhos e a imaginação sendo preparada naqueles fornos movidos a sabedoria e ancestralidade.
Sei de onde vim. Tenho orgulho disso. Meu pai não liga pra essas coisas, mas, merece um reconhecimento por serviços prestados a poesia das tardes sertanejas, onde os sinos e relógios cantam a beleza das horas sagradas!

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Um comentário:

Darlan Reis Jr. disse...

É a arte do ofício, que não se rende ao mundo das corporações financeiras.